O que Marta fez na sua carta de demissão foi começar a descolar sua imagem de um desastre anunciado, pontuando ao mesmo tempo uma linha de oposição dentro do partido a este modelo que está aí. O PT vai seguir no jogo de sempre, com a posição retórica de esquerda trabalhada na propaganda e comunicação do partido, enquanto no poder vão colocando em prática o mais do mesmo em economia. Conforme o teor negativo do cenário, eles podem até isolar Dilma (com o consentimento disciplinado dela) e encaixam na campanha o discurso da mudança a partir das eleições municipais. É com essa imagem que Marta pretende chegar lá, daí as palavras escolhidas criteriosamente para se desvincular da crise que estourou agora no governo Dilma. Caso Haddad chegue a 2016 com pouca popularidade, o partido desiste de sua reeleição e entra com a senadora petista como candidata à prefeitura de São Paulo, neste caso também com a disciplinada aquiescência deste outro poste de Lula.
Enquanto isso, é claro que vai-se quebrando o pau internamente entre os petistas, na divergência entre o modelo econômico que vem sendo aplicado e uma alternativa que na verdade nunca foi bem definida pelo PT. É claro que não poderia deixar de ser "do bem" esta variante econômica, mas os setores à esquerda dentro do partido nunca esclareceram como é que vai ser esse negócio na prática. Nem eles se entendem sobre o que vem a ser afinal essa política. Por enquanto, essa economia que quebra as cadeias do "neoliberalismo" se fecha sempre numa conclusão de um Chicó — aquele personagem de Ariano Suassuna. Não de um Chicó com suas histórias do passado, mas falando de um futuro excelente pro Brasil: "Não sei, só sei que SERÁ assim".
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POR José Pires
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