
Não foi à toa que usei o termo "pedalada", o mesmo das manipulações econômicas feitas pela presidente Dilma Rousseff para encobrir os rombos das contas do governo federal. São atitudes muito parecidas, inclusive na visão irresponsável de que não há problema em dar um jeitinho seja na economia ou nas rodas de um carro, nas duas situações passando por cima de regras básicas. A diferença que existe entre os dois casos é que, ao contrário do que foi feito com o carro do cantor, na manipulação nas contas públicas promovida por Dilma e sua equipe teve a intenção criminosa de forjar uma falsa situação econômica para ganhar a eleição. No entanto, a origem dos dois fatos tem em comum essa cultura de irresponsabilidade que domina praticamente tudo o que é feito neste país.
É dureza viver no meio desse comportamento desrespeitoso até ao bom senso. Quando a insensatez torna-se norma fica até feio apontar riscos ou mesmo pedir que as coisas sejam mais bem feitas. Vive-se hoje em dia esse problema o tempo todo, inclusive em locais de maior risco, como no uso do transporte público ou nas ruas, tendo que enfrentar o trânsito brasileiro. Está uma barra viver no Brasil em qualquer lugar. Mas no geral, quem aponta problemas e exige maior cuidado pode até ser visto com antipatia. Não complica, ô meu. Qual é o problema de tirar rodas asseguradas por testes de fábrica e trocar por outras muito mais maneiras? E o que tem dar uma mexida nuns numerozinhos das contas públicas que podem ser acertados depois? Pô, que complexo de vira-lata e cisma de fracassomaníaco.
São atitudes que costumam ir de encontro à realidade, quando então pode ser muito difícil consertar. Muitas vezes é mesmo impossível. O que sobra sempre é muita dor e a lamentação sobre como tudo estaria muito melhor se fossem respeitadas regras muito simples. E cá estou de novo falando das duas coisas, o trágico acidente com o carro do jovem cantor e a feia trombada política e econômica que desgraçou o nosso país.
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POR José Pires
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