A revista “Veja” desta semana publica reportagem de capa na qual garante que uma falha humana está na origem da tragédia de Congonhas. De acordo com a revista, o comandante Kleyber Lima, que pilotava a aeronave no momento do acidente, havia mantido o manete (equipamento que controla a aceleração das turbinas) em posição incorreta na hora do pouso. O manete ficou posicionado para uma situação em que os dois reversores estivessem em pleno funcionamento. A combinação do mau posicionamento com o travamento do reversor teria impedido a aeronave de frear.
Mas “Veja” deixa claro que mesmo com esses dois fatores combinados a tragédia poderia não ter acontecido se a pista de Congonhas tivesse mais segurança. O fato de a pista principal do aeroporto não ter uma área de escape foi determinante para a extensão do acidente. A revista relata dois outros casos de acidentes ocorridos em circunstâncias similares, com o reversor travado e manete mal posicionado. Nesses dois casos, o comprimento maior da pista e a presença de áreas de escape deram aos pilotos um tempo maior para a correção do erro.
Nota-se a falta de ação das autoridades em todos os fatos que cercam o assunto. Em reportagem publicada no final de abril passado – portanto, menos de três meses antes do acidente em Congonhas – a “Folha de S. Paulo” alertava que sete meses depois do acidente com o avião da Gol, ocorrido anteriormente (e até então o maior acidente aéreo da história do país, com 154 mortos), a Aeronáutica ainda não havia posto em prática as medidas de segurança previstas internamente para corrigir falhas no sistema de controle de tráfego aéreo e evitar acidentes. A FAB (Força Aérea Brasileira) informou ao jornal que as medidas elaboradas depois do acidente ainda estavam “em análise”.
A reportagem mostrou também que nos meios internacionais o Governo Federal sustentava que havia tomado as precauções necessárias “imediatamente”. É o que o jornal descobriu em um documento oficial apresentado pelo governo em uma reunião da OACI (Organização da Aviação Civil Internacional) naquele mês. Depois, a “Folha” verificou que as medidas de segurança recomendadas não foram colocadas em prática.
Mas o caos administrativo não é grave apenas no setor aéreo. O jornal “O Globo” traz neste domingo uma extensa reportagem que expõe o tamanho da confusão administrativa do governo Lula. Em chamada de capa o jornal informa: “Apagão já ameaça energia, estradas e transporte”. Baseado em informações colhidas junto ao TCU (Tribunal de Contas da União) o jornal noticia que, além da má administração sentida na aviação civil, a desordem gerencial é percebida em todos os níveis do Governo Federal.
“Tornou-se perceptível nas ações em outras áreas vitais da infra-estrutura do país, como transportes, energia, ciência e tecnologia, urbanismo e segurança pública”, publica o jornal. Segundo a reportagem, o governo começou 2007 sem ter conseguido executar 66% dos projetos de investimentos do setor de transportes, que classificara como prioritários no Orçamento de 2006, de acordo com o TCU.
As informações sobre o “apagão administrativo” do governo Lula são preocupantes. Ainda segundo “O Globo”, o Governo Federal não conseguiu realizar 59% dos investimentos considerados essenciais no setor de energia, 60% em segurança pública e 64% em urbanismo. Para o ministro Ubiratan Aguiar, do TCU e responsável pela análise das contas governamentais de 2006, “há uma deterioração gradual da gestão pública, e está se agravando”.
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POR José Pires
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domingo, 29 de julho de 2007
O apagão de gestão do governo Lula
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