O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) apresenta nesta terça-feira ao Conselho de Ética da Assembléia Legislativa do Rio (Alerj) uma representação pedindo a cassação do deputado estadual Álvaro Lins (PMDB). O PSOL entende que Lins teria ferido princípios éticos ao oferecer, em troca de votos, vagas a um grupo de excedentes do concurso de investigadores da Polícia Civil.
A representação do PSOL surge depois do deputado estadual Álvaro Lins haver sido indiciado pela Polícia Federal por crime eleitoral. A PF concluiu que o ex-chefe de Polícia Civil teria beneficiado um grupo formado por cerca de 300 excedentes do concurso, em troca de votos nas últimas eleições. Cada um dos aprovados teria se comprometido a conseguir 50 votos para o deputado.
No mesmo inquérito, a PF indiciou os ex-governadores Rosinha e Anthony Garotinho e o deputado federal Geraldo Roberto Siqueira, o Geraldo Pudim (PMDB-RJ). “Pelas investigações da Polícia Federal, a ação do deputado estadual aconteceu durante e após as eleições, quando Álvaro Lins já havia sido eleito. Para o PSOL, fica claro que não foi apenas uma promessa de votos, mas a efetiva compra de votos”, disse o deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ) ao jornal “O Globo” de hoje. A votação da cassação será pelo voto secreto.
Os tropeços de Lins com a lei não são de agora. O envolvimento do deputado Lins com bicheiros, segundo a revista “Veja”, já era denunciado em 1994, quando ele era tenente da PM. Naquele ano seu nome foi encontrado numa lista de pagamentos apreendida na casa do bicheiro carioca Castor de Andrade.
Já em dezembro de 2006, investigações da PF o apontavam como chefe de um esquema de proteção aos bicheiros do Rio de Janeiro. Uma reportagem da revista “Época”, naquele ano, afirmava que desde que se fala sobre "banda podre" da polícia daquele estado, Lins era o mais alto oficial envolvido em graves denúncias de corrupção.
“Para muitos”, dizia a reportagem, Lins “é o símbolo maior de como a corrupção policial está intrinsecamente ligada à espiral de violência que vitima cidadãos inocentes e danifica a imagem do Rio, deixando na população um sentimento de impotência”.
O ex-chefe de Polícia Civil do governo Garotinho é um exemplo marcante das relações diretas que a corrupção vem estabelecendo com a contravenção e o crime no Brasil e também do uso de prerrogativas do Legislativo para fugir da Justiça. A eleição para deputado estadual livrou Lins da prisão quando a Polícia Federal deflagrou duas operações contra a banda podre da polícia do Rio em dezembro de 2006. Eleito deputado estadual com 108 mil votos, ele escudou-se no direito ao foro privilegiado para não ser preso.
A relação direta entre a corrupção e o crime organizado é um dos elementos mais preocupantes do colapso ético em nossa política. Um dos vínculos mais fortes da corrupção está no envolvimento de policiais com a contravenção e o tráfico. “Não existe nenhuma boca de fumo no Rio que funcione sem, no mínimo, a vista grossa de um policial", disse à revista “Época” o ex-subsecretário de Segurança do Rio Luiz Eduardo Soares.
Os números de detenções no período em que o deputado Álvaro Lins foi chefe da Polícia Civil são bastante suspeitos. Pesquisas mostraram que desde 1999, primeiro ano do governo Garotinho, até o ano de 2005, no governo de sua mulher, Rosinha, caiu 98% o número de prisões de pessoas ligadas à contravenção. Nesta categoria se enquadra a máfia dos caça-níqueis, que até mesmo subornava juízes para obter sentenças favoráveis no Rio de Janeiro. A queda foi de 3.441 para 56 prisões.
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POR José Pires
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terça-feira, 24 de julho de 2007
Ex-chefe de Polícia de Garotinho pode ser cassado
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