sexta-feira, 2 de julho de 2010

Estresse

Quod erat demonstrandum



O famoso C.Q.D., ou "como se queria demonstrar". A imagem da Seleção Brasileira, que desviou de caminho em sua viagem à África do Sul para visitar o presidente Lula, mostra bem onde pode ter começado a urucubaca que fez o Brasil voltar mais cedo para casa.

Não foi por falta de aviso. Falamos do assunto reiteradas vezes, sempre mostrando nossa preocupação, pois nunca antes em nossa história o Brasil teve um presidente tão seca-pimenteira como Lula.

Só espero que a derrota sirva como lição para que a nossa seleção não faça tão feio em próximas copas. É preciso retomar o futebol criativo que sempre foi a marca brasileira. Mas também é bom evitar o azar, que no Brasil tem um nome bem conhecido, não é mesmo petistas?
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POR José Pires

Matando a bola

Independente do resultado do jogo entre Brasil e Holanda, que começa agora, seria bom para o futebol brasileiro que prestassem atenção às opiniões do ídolo holandês Johann Cruyff dadas em entrevista à imprensa nesta semana. Cruyff é uma raridade como Sócrates e Tostão, um teórico que tem prática no assunto. E que prática, hein? Sua seleção, o nunca esquecido “carrossel holandês”, é daquelas que deixou sua marca no futebol mundial sem ter ficado com o primeiro lugar.

E precisa? Futebol é um espetáculo proporcionado por quem vence e por quem perde. Quando se busca um arranjo técnico para buscar apenas a vitória, abafando com isso a criatividade, quem sai derrotado é o espetáculo. É o que vem acontecendo com o futebol.

Cruiff perguntou aonde está o futebol brasileiro e lembrou que já tivemos Gerson, Tostão, Falcão, Zico e Sócrates. Podemos botar na lista também Pelé, Garrincha, Didi, Rivelino... é um elenco maravilhoso. São os criadores desta marca brasileira de expressão mundial, o nosso futebol.

O holandês disse que o futebol brasileiro agora é decepcionante. Que aqui criaram a cultura de “tratar a bola como inimiga”. Citou Dunga neste aspecto. E disse mais: "A bola é no pé, tocada com carinho e como uma amiga. Não como uma inimiga".

Cruiff falou que o Brasil precisa jogar com mais intensidade e ele está certo. É assim em qualquer arte. E no futebol não pode ser diferente, porque o público reconhece a intensidade no estilo. Aquilo que não tem alma não sustenta absolutamente nada no longo prazo.

O talento brasileiro ainda existe, reconhece o holandês. É claro, é de cima, de dirigentes e técnicos como Dunga, que vem a armadura que impede a finta, a alegria, o jogo habilidoso e espetacular que deu cara ao futebol brasileiro. O Brasil ainda tem uma seleção que os torcedores querem ver jogar, ele disse. E eu digo que os torcedores ainda querem ver, porque isso pode acabar. E isso não é uma crítica baseada apenas na teoria. Nosso estádios vivem vazios.

Mas, segundo Cruiff, “os torcedores não estão desfrutando desta fantasia criativa” porque os brasileiros “escolheram jogar de uma forma defensiva e menos brilhante. É uma pena para os torcedores e para a Copa".

No meio da entrevista, ele disse que “nunca pagaria uma entrada para assistir a um jogo dessa seleção do Brasil”, o que melhor expressa a ameaça que pesa sobre o futebol brasileiro” e a nossa imprensa destacou isso de forma pitoresca como sempre. Na seção de esporte, os jornalistas fazem do mesmo jeito que na seção política.

Depois foram fazer fofoca com Dunga, que respondeu do seu jeito superficial. Fez piada ruim. Disse que Cruiff não precisa pagar. E os jornalistas riram e não foram no essencial desta discussão, o futuro do futebol brasileiro. Ninguém perguntou sobre o risco que o estilo imposto por Dunga e outros representa para a esta marca brasileira tão preciosa.

A imagem de Cruiff é precisa. O futebol não sobrevive sem pagantes, isso no sentido de toda a estrutura que move este e outros esportes. A bem da verdade, aqui foi apenas no futebol que esta estrutura foi composta. É o único esporte brasileiro que se move sem subsídios. E internacionalmente acabou trazendo vantagens impressionantes para o país.

Na minha opinião estão matando esta marca, já falei disso aqui, é mais um homicídio cultural cometido por dirigentes inescrupulosos, que permanecem no comando em várias áreas, sendo mantidos por golpes e favorecidos pelas impunidades jurídica e política. Ajuda-os também a leniência dos brasileiros.

A marca do futebol brasileiro nada deve aos dirigentes esportivos. Nasceu no campo, no toque de bola habilidoso, no drible. Os dirigentes sempre atrapalharam, impondo a corrupção e a incompetência ao esporte. Essa má-fé, não podemos esquecer até já causou mortes em estádios de futebol.

Na entrevista, uma afirmação de Cruiff deveria ser vista como um alerta. Mesmo o torcedor fanático concorda com ele. O Brasil hoje é "um time como qualquer outro da Copa". Já li isso em alguns lugares e já ouvi muitos brasileiros dizendo o mesmo. Mas pelo menos a luz amarela — para mim, a vermelha — deveria ser acesa quando isso surge na voz de uma pessoa sem nenhuma obrigação em defender o que é nosso.

Mesmo que o estilo de Dunga e esses dirigentes seja vitorioso hoje, alguém duvida que Cruiff não esteja certo e que um dia falte gente afim de ver o futebol brasileiro? Estão acabando com mais esta marca. Neste caminho, duvido que num futuro não tão longe haja torcedores ávidos para ver a Seleção Brasileira. Mesmo a próxima Copa do Mundo sendo aqui, se continuar jogando dessa forma o Brasil corre o risco de ser em 2014 apenas um anfitrião chato.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Marina não foi, Dilma fugiu e Serra foi e deu o recado

O candidato tucano José Serra participou hoje da sabatina promovida pela Confederação Nacional de Pecuária e Agricultura (CNA). A intenção da CNA era promover um debate entre os três candidatos. Dilma Roussef(PT) fugiu do debate e Marina Silva(PV) também se recusou a participar. Ela queria o acesso prévio às perguntas, algo que nunca houve em debate algum e nem pode haver, pois dessa forma um debate não pode ser levado a sério.

Dá para entender a fuga de Dilma pela sua notória falta de consistência e a dificuldade terrível de expressão que mostra em suas apresentações em público. Os coordenadores de sua campanha estão corretíssimos. Nem que tenham que mandar a candidata viajar para o exerior, é preciso evitar debates. Em certas situações é até penoso acompanhar a Dilma falando. Dá a impressão de que ela faz treinamento com o senador Eduardo Suplicy como mestre.

Mas a ausência de Marina Silva, ou melhor, sua fuga, é mais difícil de entender. Marina tem mostrado uma boa performance nos assuntos em pauta na campanha, fala bem e com conteúdo. Além disso, os assuntos tratados em sabatina de uma organização como a CNA transitam inevitavelmente no setor ao qual Marina se dedica há anos.

Eu, se fosse marqueteiro da candidata do PV, até batalharia por uma chance como a que a CNA deu a ela. Era uma situação ótima para esclarecer mal entendidos na relação entre o meio ambiente e os produtores rurais e até para confrontar pecuaristas e agricultores que tenham má-fé neste assunto.

Marina ganharia espaço na imprensa falando sobre assuntos que são essenciais em sua campanha, marcando pontos na área do meio ambiente e desmascarando a lorota de que existe conflito entre produção agrícola e a defesa do meio ambiente. No mais, a candidata do PV só corria o risco de desagradar os que já tem posição fechada contra sua candidatura. Ou será que Marina teve medo de perder votos entre os ruralistas?

Aqui você pode baixar, em PDF, o documento entregue aos três candidatos presidenciáveis onde a CNA discorre sobre os principais problemas do campo na visão da instituição e apresenta propostas do setor rural.

Marina deve ter lido o documento, afinal os assuntos tratados ali, sem terem referência apenas em uma campanha política, são do seu interesse direto. Aliás, do nosso interesse.

No documento, a CNA apresenta também algumas dúvidas simples, apontadas como dificuldades para a produção. Por sinal, devem estar aflitos, pois até grifaram certas passagens, como esta referente ao trabalho escravo: "o Código Penal passou a classificar como redução à condição análoga à de escravo a submissão do empregado à jornada exaustiva e a condições degradantes, mas sem determinar de modo objetivo o que seria, de fato, uma jornada exaustiva ou condições degradantes de trabalho".

É uma questão realmente angustiante. Os críticos podem rir, mas tem uma modernização aí. Não é como na época de Joaquim Nabuco, o grande Joaquim Nabuco, quando ele era "um contra muitos" na defesa dos escravos, naquele tempo só pessoas negras.

Naquela época, um argumento muito usado era o de que a liberdade dos escravos afetaria negativamente a produção. Pobre Brasil, adentramos o século 21 e a discussão ainda não terminou. Mas pelo menos a escravidão hoje é bem mais democrática: não discrimina mais pela cor da pele.

Mas essa a Marina respondia na bucha e responderia bem, porque conhece o problema bem de perto. Mas a candidata do PV não foi à sabatina e nossos ruralistas estão lá, ainda sem saber o que é "jornada exaustiva ou condições degradantes de trabalho". Será que a Marina não podia mandar um e-mail explicando?
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POR José Pires

A Folha.com errou

O pessoal da imprensa parece não gostar mesmo do Serra. O site do jornal Folha de S. Paulo, o Folha.com, dá agora neste instante uma chamada na página de abertura que diz: "Tem que ser discreto, diz Serra sobre amantes".

Indecente esse Serra, não? Nada disso, a Folha,com errou. Em sua participação na sabatina da Confederação Nacional de Pecuária e Agricultura (CNA), Serra apenas fez alguns comentários em tom de humor acerca da boataria sobre seu vice, o deputado Índio da Costa.

A boataria evidentemente é espalhada pela blogosfera petista. Uma delas é que Índio é genro do banqueiro Salvatore Caciolla, assim com o verbo no presente. Índio, na verdade, foi namorado da filha de Cacciola lá para trás, há alguns anos. O namoro terminou em 2000.

Mas suponhamos que o vice de Serra fosse mesmo genro de Cacciola. A menos que ele fosse casado com a filha e tivesse um contrato de comunhão de bens com o sogro, não haveria problema algum. Ou quando alguém descobre que o sogro está envolvido com falcatruas tem a obrigação ética de desmanchar o casamento?

Sobre isso, Serra disse o seguinte: “Hoje um grande portal da internet diz que o Indio é ex-genro de Cacciola. Se ele tiver ido [na época] a um coquetel vão dizer que é companheiro de festa de Cacciola".

E a fala do candidato tucano que levou o jornalista a escrever a chamada, foi a seguinte: "O Indio foi um namorador, não sei se continua... hoje ele só tem uma namorada. Ele me disse por telefone 'não tenho amantes'. Eu disse 'não precisa exagerar, mas tem que ser uma coisa discreta'. Não estou pregando aqui pular cerca no casamento, mas também não precisa exagerar". Tudo isso foi em tom de piada, que inclusive fez a platéia rir.

E sobre isso a Folha.com deu a infame chamada "Tem que ser discreto, diz Serra sobre amantes". Dá até pra pensar que pode ter sido por distração. Mas o efeito de uma coisa dessas é mais ou menos no mesmo nível de uma campanha eleitoral suja do adversário.
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POR José Pires

Tem que tirar isso daí

Todos que aportam com certa freqüência neste blog sabem que a minha posição nesta eleição é bem clara: é preciso barrar o lulo-petismo, projeto dos mais perigosos para a nossa democracia e, além de tudo, pernicioso para o nosso cotidiano.

Nós precisamos de dirigentes políticos movidos por um compromisso com o bem comum e cujo senso da solução política tenha um alcance bem além dos limites do interesse partidário e, claro, muito longe dos interesses particulares. O PT tem feito o contrário, sempre. Antes de alcançar o poder agia em proveito próprio, sob a capa de um projeto revolucionário. E depois que alcançou o poder, foi rendido de vez a métodos abaixo de qualquer noção ética.

A bem da verdade, nossa oposição à instrumentalização do Estado pelo PT deve ter como ponto de crítica especialmente à má-qualidade, inclusive no aspecto tecnológico, que este procedimento tem trazido ao país.

Após oito anos de PT no governo, temos um país com a infraestrutura destruída em setores essenciais, a violência tomou conta da vida dos brasileiros e hoje é comum até em cidade pequenas e antes pacatas, a capacidade tecnológica foi lá pra baixo e isso tudo quando adentramos em um período dos mais difíceis no planeta, com o caminho da humanidade daqui pra frente cercado de riscos impostos pela destruição e diminuição dos recursos naturais. Já temos grave diminuição de oferta de água potável e estão cada vez mais escassos minérios essenciais para as tecnologias de última geração.

Nesta eleição, quando algum idiota vier com a conversa de que todo mundo terá computador com eles no poder, pergunte de onde ele vai tirar recurso natural para isso.

Resumindo, da forma que aí está é impossível construir uma Nação. Precisamos de dirigentes que compreendam a situação crítica do mundo e ajam com rigor, chamando os brasileiros para a resolução de problemas básicos e para a construção de uma Nação forte e capaz de enfrentar o que vem por aí globalmente, até mesmo na defesa do que é nosso por enquanto. O que não precisamos mesmo é de patifes ignorantes como Lula e seus companheiros, que até percebem (intuitivamente, é isso?) a gravidade da situação do Brasil e do mundo, mas usam esta situação para manipular as pessoas.
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POR José Pires

Apanhando pra fazer política

O PT não tem jeito. Tão feio quanto não compreender em pleno século 21 os males que o socialismo real fez para o ser humano é usar a história desse socialismo para assaltar os cofres públicos. E hoje o PT é composto desses dois tipos de pessoas.

Temos que tirar essa gente do poder. Mas então é preciso votar, não? E para isso temos que nos contentar com as opções que aí estão. Não acho que haja tempo para apostar em projetos eleitorais de longo prazo. E não digo isso só em termos de Brasil — olha a água acabando, gente...

Mas quem tirar o lulo-petismo do poder terá sérias dificuldades pela frente. Vai ter administrar trabalhar duro para administrar um país avariado demais em sua infraestrutura, com graves problemas urbanos e ambientais e, juntamente com esta trabalheira, terá de conviver com a agressividade do PT fora do poder. E enquanto toureia nas ruas a má-vontade petista, muito bem armada com sindicatos por detrás, este presidente terá também outra trabalheira para preservar neste confronto a democracia.

Para essa tarefa será preciso boas parcerias. E o parceiro mais destacado de Serra, o DEM mostrou nesta crise do vice que sua presença nesta aliança tem o objetivo exlusivo da conquista do poder. Não há projeto político. Para mim não há surpresa, pois sei que o sangue do PFL vibra forte no coração do DEM. Só mudou o logotipo. Até o suposto perfil liberal do partido é lorota que serve apenas de chacota para petistas. Pelo país afora o DEM é um partido sem bases na sociedade civil e com o mesmo perfil de qualquer outro partideco da base de Lula: assistencialista, anacrônico e a serviço das piores forças políticas do interior brasileiro.

É nas crises que os partidos mostram o que realmente são. E esta crise do vice de Serra teve pelo menos a utilidade de forçar que o DEM revelasse sua verdadeira cara já de início.

A carga simbólica do DEM, aquele sangue forte do PFL de que falei, pôde ser vista na reação do presidente do partido. Numa crise que deveria ser resolvida sem alarde, o deputado Rodrigo Maia agiu de modo público com a energia destrutiva que se espera de um adversário, nunca de um parceiro.

Se Maia usasse metade desta agressividade contra seu colega de partido e amigo pessoal, o ex-governador Arruda, quando aconteceu a roubalheira em Brasília, talvez o DEM até ficasse com uma imagem menos avariada na opinião pública.

Maia tem personalidade de petista. Existe aquela expressão popular que diz que fulano "apanhou para ir trabalhar", não? Pois Rodrigo Maia sempre dá a impressão de que apanhou para ir fazer política. Será que o ex-prefeito Cesar Maia faz isso com seu filho?
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POR José Pires

Estrago feio

Não deu ainda pra entender como é os tucanos fizeram essa trapalhada do vice. Afinal, na coordenação política da candidatura Serra só tem decano. Mas o material é interessante até para um estudo sociológico. Ou um texto humorístico, tanto faz.

O que deu para compreender, no entanto, é que na aliança da candidatura Serra o pessoal é moderno demais. Todo mundo é craque em Twitter, mas tem uma dificuldade danada com coisas antigas, como telefonar e marcar um encontro.

E o que acabou acontecendo, no final, é que Serra acabou ficando com um vice nada adequado. A escolha de Índio da Costa foi equivocada. Político gosta de dizer que vice não tem importância. É mentira. O papel do vice numa campanha é de especial importância, nem que seja para ir atrás de dinheiro para os gastos eleitorais. A própria história de Serra mostra isso. Olhando um pouco para trás, podemos lembrar sua vice na primeira disputa para a presidência, Rita Camata, lembram? Pois é...

Outro questão muito importante com vice, e isso é um problema nosso como eleitores, é que ele existe para assumir o cargo. E no Brasil, ai, ai, ai, no Brasil isso tem acontecido com uma frequência danada. Não vou me converter na idade em que estou, com um vice desses vai fazer a gente rezar pela saúde do Serra caso ele seja eleito.

Índio da Costa não foi uma boa escolha, apesar de suas qualidades pessoais. Tucanos e o pessoal do DEM estão tentando fazer da sua juventude e inexperiência uma qualidade. Tudo bem, mas, repito, isso se ele ficar todo o mandato apenas na condição de vice-presidente. Mas a figura do vice existe para assumir o cargo caso haja necessidade. Com a escolha de alguém tão inexperiente, os tucanos abriram uma brecha incrível no quesito responsabilidade.

Muito cuidado também para não saírem por aí comparando (como eu já vi o grande Sérgio Guerra fazendo) sua inexperiência com a de Dilma. Em política, como na vida, não se compara defeitos.

Blogueiros contrários ao lulo-petismo têm feito bastante esforço para dar à escolha de Índio da Costa uma aparência de normalidade e, como estamos em período de Copa do Mundo, tocar a bola pra frente. Chega a ser comovente neste aspecto a trabalheira que isso tem dado para o Reinaldo Azevedo. Contra o lulo-petismo tem que torcer pelo Serra, mas não posso baixar meu senso-crítico, mesmo numa situação difícil como esta.

Tucanos e democratas ainda não perceberam o estrago que esta crise provocou na candidatura de Serra. E mentir sobre isso só agrava o dano. A reação do DEM criou um clima do que há de pior na política brasileira. E isso é especialmente grave pelo fato de este ser o período da busca pela simpatia do eleitorado formador de opinião, a base mais alta da pirâmide eleitoral.

O DEM acendeu uma luz amarela na hora em que a campanha de Serra deva estar ativando a participação e estimulando a unidade contra o domínio lulo-petista do Estado.
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POR José Pires

Um vermelho e azul com o ex-prefeito Cesar Maia

Com Índio da Costa de vice-presidente ganha o grupo do ex-prefeito Cesar Maia. É um político inteligente e com uma capacidade especial de manejo das novas tecnologias e da teoria política. Ponto pra ele, que é dos poucos que sabe usar a internet. Hoje em seu ótimo Ex-Blog, correio eletrônico que recebo sempre e leio com atenção e muitas vezes com prazer, ele elenca quatro qualidades da escolha de Índio da Costa. Já que citamos aqui o Reinaldo Azevedo, vamos fazer um vermelho e azul com o ex-prefeito do Rio.


CANDIDATO A VICE-PRESIDENTE DE SERRA É O DEPUTADO INDIO DA COSTA!

Escolha cumpre quatro objetivos:

1) Agrega juventude, fazendo contraponto com Dilma, Temer e Serra.
Com o Serra é bom que ele não faça "contraponto" algum. Mesmo sendo do DEM é melhor que como vice ele fique na retaguarda do candidato. Com Dilma quem deve fazer contraponto é o Serra. E esse negócio de juventude como contraste qualitativo não é nada inteligente quando o que é referência em qualidade na política é a experiência e o amadurecimento.

E se a juventude do vice contrasta tão bem, porque o DEM não lançou Índio para o governo do Rio em vez de apoiar e bom e velho Gabeira?

Mas, voltando à contraposição, ainda acho melhor que ele crie compatibilidades com Serra. Este argumento da juventude do vice também faz a gente pensar então que seria mais vantajoso que Serra tivesse uma mulher como vice. Mulher e negra, melhor ainda. Mulher, negra e pobre, nossa!, seria demais. Mulher, negra, pobre e nordestina, ai meu padim Ciço, aí seria o Paraíso.


2) Marca presença no Estado do Rio, onde Dilma tem crescido além da previsão.
A argumentação é um tiro no pé. O Rio de Janeiro é o estado onde o DEM sempre esteve mais forte e parece também mais organizado. Cesar Maia acabou de sair da prefeitura da Capital. Inclusive o presidente do partido e ex-líder da bancada na Câmara é do Rio, o filho do ex-prefeito. Se exatamente neste estado Dilma cresce além da previsão em que um vice do DEM vai ajudar?


3) Foi o relator da Lei Ficha Limpa na Câmara de Deputados.
Junto à opinião pública o papel de Índio da Costa não teve essa expressividade. O eleitor também não vê essa lei de forma ligada a político algum, mas ao contrário: ela tem uma marca simbólica contra os políticos. Também não acho que o ponto focal desta eleição seja a ética.

Outro risco sério nesta argumentação, e este bem maior, é que a discussão desta lei, se feita por Índio da Costa, faz retornar sempre a ligação do DEM com a corrupção, seu passado de PFL e a atualidade com o ex-governador Arruda.


4) Mobiliza inteiramente o DEM no país todo.
O pé de Cesar Maia já deve estar doendo. Primeiro, a mobilização do DEM é conversa. Falei sobre isso em post acima. Em todo o país o DEM é um partido composto apenas de caciques e é malvisto em vários estados. E o DEM precisava ter o vice para começar a se mobilizar pela candidatura Serra?

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Limpando a barra

Eu estava buscando mais referências sobre o vice de José Serra, o deputado Índio da Costa, quando topei num site com uma declaração do assessor de Lula para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, conhecido também como Top Top.

Garcia foi enfático. Disse que não conhece Índio da Costa. Um depoimento desses com certeza deve trazer muita simpatia para o vice da chapa tucana. Não ser conhecido de Marco Aurélio Garcia é sempre uma referência de qualidade. Em alguns casos, isso é declaração que pode servir até como álibi.
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POR José Pires

Vice sofrido

Tudo acontece para me dar razão quando digo que tucano é um bicho esquisito. Eles bateram tanto a cabeça, criaram uma grande confusão na escolha do vice e no final chegaram em um nome sem expressão nacional, o deputado Índio da Costa, do DEM do Rio de Janeiro.

Não entendi a estratégia. Para chegar em algo tão simples, queimaram Alvaro Dias, um dos senadores tucanos que tem atuado melhor no plano nacional, e criaram confusão em um estado onde historicamente o PSDB tem boa votação em eleições presidenciais e no qual eles tem um candidato a governador com altos índices nas pesquisas.

Bem, pelo menos me deram um trocadilho: os caciques escolheram o Índio.
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POR José Pires

Movimentando o eleitorado

Marcos Coimbra publica hoje um artigo que foi republicado em vários sites e blogs. O título parece coisa militante partidário — “Mudar ou continuar” — e o conteúdo também. Mas Coimbra é presidente do Instituto Vox Populi.

Vou mostrar só a primeira frase do artigo: “Já faz algum tempo, começou a se generalizar no meio político a convicção de que Dilma vai ganhar as eleições”. E por aí vai, numa parcialidade de constranger até blogueiro petista, colocando a eleição de Dilma como certa, a menos, diz ele, que ela cometa algum “erro calamitoso”.

E neste artigo, ele ainda está pegando leve. Em outros ele tem afirmado que a candidata do Lula vai ganhar no primeiro turno. E a atividade mais marcante do articulista, repito, é ser o presidente de um instituto que tem suas pesquisas divulgadas com destaque pela imprensa.

Evidentemente a opinião de Coimbra não teria a menor importância se ele não fosse presidente (ou dono, tanto faz) do Instituto Vox Populi. Por coincidência, ontem o instituto soltou mais uma pesquisa colocando Dilma à frente de Serra, um movimento que este instituto vem fazendo há algumas semanas.

A publicação do artigo de Coimbra em alguns blogs chega a ser cômico. Saiu logo acima da notícia da sua pesquisa que dá Dilma em primeiro. Basta dar uma analisada em seus artigos para ver que é ele o cara. A movimentação rápida tanto da publicação de seu textos na blogosfera petista quanto dos conceitos que eles emitem é de desconfiar.

O dono do Instituto Vox Populi (ou presidente, vá lá) se apresenta também como sociólogo, mas sua importância na sociologia brasileira é zero. Já na política brasileira ele tem lastro, por assim dizer. Coimbra e seu Vox Populi estão na origem da construção do mito Fernando Collor. O dono do Vox Populi “ é amigo de Collor desde a adolescência. Ele esteve no núcleo inicial da candidatura de Collor e foi até o fim com o segundo presidente mais corrupto da nossa história — no primeiro lugar em corrupção eu fico com a opinião do ex-ministro lulista Mangabeira Unger: é Lula.

Com se fez aquele mito, que rapidamente foi comprovado como fraude, todo mundo sabe.
Que a empresa dele seja levada a sério, já me parece absurdo, por causa dessas intromissões indevidas dele no noticiário. Sem falar nos métodos de suas pesquisas. O pior é que ele ainda é levado a sério mesmo com esta história pregressa que faria um organismo de pesquisas ter que fechar em um país onde houvesse respeito à informação e ao conhecimento. Aqui o Vox Populi nem teve que mudar de nome.

E o instituto e seu dono são tratados pela imprensa como tivessem construído uma história de imparcialidade e credibilidade.

Desse jeito dá para entender a falta de memória do brasileiro. Pois quem tem a obrigação profissional de aguçar esta memória esquece muito fácil as coisas.
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POR José Pires

Pesquisas de resultado

Não sou dos que se fiam em pesquisas desses institutos atrelados a qualquer esquema de poder e prontos a fazer qualquer acordo, desde que seja do interesse de seus donos. Chega a ser impressionante que a imprensa brasileira siga montando suas pautas conforme o que dizem esses números fajutos.

Para começar, no Brasil esses institutos também prestam serviço para partidos e políticos. Até dá pra entender que a Justiça eleitoral permita suas atuações em situações de tamanho conflito de interesses. É do funcionamento da nossa "justiça". Mas que jornalistas não usem este discernimento em seu trabalho... bem, dá para enteder também, mas é lamentável.

Por enquanto com a exceção do Data Folha, todos esses institutos prestam serviços a candidatos em eleições pelo país afora. E em muitos casos são pagos para montar o panorama político que o cliente quer para sua cidade ou estado. Não é preciso nem ser muito experiente em jornalismo para saber disso. Quem já não viu em sua cidade um candidato ser catapultado à estranhas alturas eleitorais por "institutos de renome" e depois esse candidato perder feio a eleição?

Dessa forma, chega até a ser cômico ver a imprensa nacional seguindo o roteiro imposto pelas pesquisas, a maioria deles de institutos claramente atrelados ao governo Lula. É um daqueles casos em que a justificativa menos incriminadora — incompetência — ainda é a pior resposta.

Essa suposta incompetência acaba deformando o nosso processo eleitoral. O candidato que não está no topo das pesquisas deixa de ter espaço, mesmo que suas idéias sejam bem melhores que a do conjunto. Hoje em dia, para ter a atenção dos jornalista, candidato precisa ter Ibope, Sensus e Vox Populi. Bem isso é falso não só em política, mas ainda mais em jornalismo.

Não podemos esquecer também que são estes institutos que trazem os números com a popularidade de Lula, num esforço que tornou-se concentrado após o escândalo do mensalão.

É claro que atualmente a popularidade de Lula pode ser realmente bem alta, ainda que eu não acredite que está tão lá em cima. É ele aqui e Berlusconi na Itália, como o próprio político italiano destacou em sua visita nesta semana ao Brasil.

Talvez o método usado aqui seja parecido com o da Itália. No Brasil, enquanto fingem que verificam, os institutos vão construindo uma realidade junto à opinião pública. É um método bem prático: depois de um tempo, basta aferir de fato que, dia a mais ou dia a menos, o resultado acaba conferindo.
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POR José Pires

Pondo a mãe no meio das pesquisas

Para os institutos de pesquisa vale a opinião de Ciro Gomes, que foi expelido da eleição por Lula. O deputado que já foi cearense tem itimidade com este assunto. Ciro vem construindo nas últimas três décadas o poder da oligarquia cearense da qual é o líder.

Na eleição de prefeitos, vereadores, deputados, enfim na construção do suporte político das oligarquias políticas os insitutos de pesquisa são uma ferramenta indispensável. Em cidades menores, esta ferramenta faz uma dobradinha invencível com o domínio da comunicação, com o mando sobre jornais, televisões e rádios.

Sua experiência, portanto, é imesa. E o que ele acha disso tudo? Ainda no ponto alto da ebulição causado pela rasteira que levou do lulo-petismo e um pouco antes de submergir, como faz sempre quando entra em crise, Ciro Gomes deu sua opinião sobre as pesquisas no Brasil.

“Pesquisa é fraude”, ele disse. Sobre dois institutos de pesquisa que norteiam o noticiário político, ele foi direto: “O Ibope e o Sensus fazem qualquer negócio”. E para expressar sua opinião sobre o conteúdo da relação entre institutos e os políticos, ele afirmou: “Montenegro, do Ibope, vende resultado de pesquisa". Diante da surpresa do jornalista, Ciro até reforçou esta afirmação: "Ele vende até a mãe pra ganhar dinheiro”.

Ciro Gomes deve saber muito bem do que está falando. Não tem eleição presidencial em que seu nome não seja referência das pesquisas. É só começar as especulações, para que ele surja em alta nas pesquisas sem que haja nenhum motivo aparente para que a população tenha uma recordação tão forte e precisa sobre seu nome.

Ainda mais interessante é que por causa disso ele também vira referência no noticiário. E como ele tem falas sempre sensacionais, é sua opinião que tem a maior acolhida. Ciro é de uma facilidade funcional que delicia nossos jornalistas. Para trabalhar de outra forma eles teriam que pesquisar mais, trabalhar melhor o texto e até ler um pouco. Sim , não é só o Lula que não lê.

Deliciados com esta facilidade, os jornalistas até se esquecem de questões importantes na eleição de um presidente a República como, para ficar apenas em poucas delas, como Ciro Gomes governaria sendo o que é, um político sem partido, sem base política e com um perfil autoritário e desagregador.

Mas o que faz o nome ter sempre de uma instabilidade perturbadora nas pesquisas? É outro fato misterioso e interessante. Nas pesquisas seu nome serve tanto para desconstruir uma candidatura como para construir outra. Em alguns casos, faz os dois serviços ao mesmo tempo. Talvez isso explique o ziguezaque pra cima e pra baixo.

O seu é o nome do sobe e desce. Vai de helicóptero, mas logo pode descer feito em tobogã. Mas acaba descendo e sempre na hora certa, para dar lugar a outro, que sobe também no momento exato. Deve ser por isso que alguns chamam de "cientificas" estas pesquisas. A única exceção foi esta agora, quando Lula prevendo um descontrole da situação, empurrrou o companheiro pra fora em pleno vôo. E sem paraquedas.

Ciro começa lá no alto e logo desce de forma rápida, sem que haja explicação lógica sobre o que o levou para tão alto e qual foi o fenômeno que o fez descer. Logo pode subir novamente, sem nenhuma razão que explique. A lei da gravidade é que não é, pois no Brasil esta lei, como tantas outras, não interfere no processo eleitoral.

Montenegro do Ibope resolveu deixar pra lá as acusações do político, que também já foi seu cliente. Aí volto a lembrar que uma imprensa respeitável jamais daria espaço para as opiniões do presidente do Ibope até que o que Ciro falou ficasse bem esclarecido. E pesquisas eleitorais de seu instituto, o Ibope, nem seriam mencionadas.
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POR José Pires

Credibilidade pra lá de discutível

É claro que não há como não suspeitar de que o sobe e desce seja por problemas de relacionamento de Ciro com os institutos de pesquisa. Sobre o presidente do instituto que no Brasil até tornou-se sinônimo de prestígio, o Ibope, ele foi até violento. Sobrou até pra mãe do Montenegro.

Montenegro optou por não por a limpo esta grave acusação, que não pode ser vista como pessoal, é bom deixar claro. O que Ciro Gomes fez foi atingir a empresa de pesquisa. E como estava irritado demais com sua queda recente, o deputado abriu o jogo que todos sabemos bem que ocorre entre políticos e institutos: "Pesquisa é fraude"

Se Montenegro acha que não tem importância que um presidenciável, que foi inclusive seu cliente, diga que ele é ladrão, é problema do presidente do Ibope. Mas os jornalistas não deveriam tomar uma atitude séria em relação à este e tantos outros casos que envolvem os institutos de pesquisa?

Num país sério e até em países não tão sérios assim, mas com uma imprensa que trabalha com rigor a informação, um instituto de pesquisa cujo presidente aceita ser chamado de ladrão deixaria imediatamente de ser referência para qualquer assunto político.

E um instituto como o Vox Populi, que tem um presidente escrevendo artigos da maior parcialidade em época de eleição também teria sérias dificuldades para encaixar os números eleitorais de sua empresa no meio do noticiário.

Mas não é o que acontece no Brasil e com isso vai-se ampliando o abismo moral que impede isso aqui de tornar-se uma Nação decente.
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POR José Pires

terça-feira, 29 de junho de 2010

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Agora vai



Foto distribuída pela campanha de Dilma Roussef logo depois do final da partida entre Brasil e Chile pela Copa do Mundo. Estou enganado ou aquele cara à esquerda rindo de nós é o Antonio Palocci da violação do sigilo do caseiro Francenildo?
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POR José Pires

O silêncio de Serra e outras lacunas do Twitter

O candidato tucano (a imprensa tem escrito "pré-candidato", mas isso é hipocrisia, o sistema eleitoral brasileiro já está desmoralizado: se a Justiça não agir com mais rigor não haverá limite algum nesta campanha), então, como eu dizia, o candidato tucano José Serra vinha fazendo um dos melhores Twitters de político. Bem colocado, escrevendo com a objetividade exigida, porém sem escrever como semianalfabeto, algo que ficou comum no Twitter, com as pessoas recortando palavras, às vezes usando apenas iniciais.

Serra transita com eficiência nos limites do Twitter, com frases integrais e muito bem colocadas. E sem confundir informalidade com divulgação de informação vazia e muitas vezes sem sentido.

Isso ele fazia bem até poucos dias atrás. Mas o problema é que no momento em que sua capacidade foi realmente testada, Serra desapareceu. Com a crise criada em torno de seu vice, esqueceu o Twitter. Ressurgiu ontem, mas com uma nota chocha dizendo que vai "tentar ler as centenas de mensagens que se acumularam". Ah, bom...

Quando teve a ocasião para mostrar seu Twitter como um instrumento de diálogo e discussão com o eleitor Serra deu para trás. Desapareceu da internet, assim como evitou os lançamentos de candidaturas estaduais da sua aliança. Ora, se for para entabular relações na internet na base da conversa sem compromisso, então é melhor que Serra e os políticos brasileiros fechem seus Twitters.

E a decepção com o tucano é ainda maior pelo fato de ele ter sido um dos poucos políticos que entendeu tecnicamente o instrumento, além de, como disse acima, também ter a capacidade rara de fazer uso dessa compreensão. Não é o que acontece com seus colegas. Neste setor o uso do Twitter é um desastre.

Na comparação com Serra, sua adversária do PT perde longe. Mas Dilma Rousseff é um notório desastre no manejo da língua portuguesa. Neste caso a continuidade de Lula está garantida.

Dizem que ela é muito hábil em falar grosso com subordinados, o que pode ser uma complicação à mais neste caso. Como a política estabelece comunicação basicamente pela fala, tem que haver uma sintonia fina entre esta e o texto. A elegância de estilo e a concatenação de idéias que vemos em vários discursos é na maioria das vezes de quem escreveu e não do político que lê o texto.

O deputado cassado Roberto Jefferson é um exemplo didático desta interação entre fala e texto. Vejam algo recente dele em sua página do Twitter:

"O PT esconde Dilma porque ela tem um quê de Magda, mas eu prefiro as pernas da Marisa Orth"

E ele é presidente de um dos partidos da aliança em torno da candidatura Serra. A piada deve ser para fortalecer os laços com o eleitorado feminino.

Mas a sintonia fina de Dilma não é melhor que a do porco-chovinista petebista. Seus textos mostram que nela elegância e estilo são incômodos como um cabresto. Vejam este texto dela, com exatos 140 caracteres exigidos pelo sistema:

"Agradeço muito as mensagens de incentivo,mas repito o q disse agora na RádioItatiaia:ficamos satisfeitos,mas ñ podemos subir no salto alto.."

Os dois ponto finais (sic) são da parte dela. O nome da rádio grudado também. E este é um dos melhorzinhos que encontrei. Não quero que me acusem depois de tê-los impedido de ganhar no primeiro turno. Mas, copidescando seu texto é possível mostrar que ela poderia dizer as coisas de um modo melhor. Que tal assim?

"Agradeço as mensagens de incentivo, mas repito o que disse há pouco na rádio Itatiaia: estamos satisfeitos, mas nada de subir no salto alto."

Os problemas de Dilma com a língua são a expressão da falência do sistema universitário brasileiro. E sua evidente incapacidade pessoal é a prova da falência dos partidos como instrumento de escolha de dirigentes públicos.

E como é que dirigentes públicos com tamanha falta de qualidade iriam entender produtos de última geração? Na visão deles, computador é produto para enganar pobre e internet é tarefa de assessor. No geral, político brasileiro vive apenas de arranjos feitos para alcançar o poder. E quando chegam lá, também usam o poder apenas como instrumento eleitoral.

Na mão deles, o Twitter é outra ferramenta para a eleição. E o que acontecerá depois de abertas as urnas será uma debandada de políticos da internet. Os Twitters ficarão fechados para um balanço que deve durar até a próxima campanha eleitoral.
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POR José Pires

Twitter, modo de usar

O Twitter tem um caráter pessoal. É difícil que alguém se interesse em entrar nesta rede para ler um texto formal, sem o sabor da informação direta. Mas o problema é a simplificação desta informalidade, algo que vem tornando o Twitter parecido com recado para a empregada colado na geladeira. Não, pior que isso. Recados para a empregada podem até ser mal redigidos, mas pelo menos atendem objetivamente o interesse de quem escreveu e do leitor.

Num Twitter recente o deputado André Vargas, da comunicação do PT, informava a todo o Brasil que que pegara "uma canjiquinha" na feira de sua cidade para levar para casa. E como faz o colega e antigo companheiro Roberto Jefferson, Vargas pensa também que o Twitter é instrumento de insulto. Outro que também só escreve besteiras é Marcelo Branco, aí um caso bem grave, já que ele o especialista da campanha de Dilma para a internet. Branco entendeu mal Nelson Rodrigues: em poucos lugares a língua portuguesa apanha tanto como em seu Twitter.

Mas para ninguém dizer que só pego no pé de petistas, em outro Twitter, o deputado Benito Gama escreveu que havia rezado com sua velha mãe. E ainda noutro, Soninha Francine, descrevia suas emoções com um jogo de futebol. E não era jogo da Copa do Mundo. Nem a Soninha, que é também do ramo da comunicação, entendeu muito bem a coisa.

Cada um escreve o que quer, isso é óbvio. Mas banalidades como essas fazem mais sentido entre adolescentes e até crianças. O problema é que essa linguagem banal invadiu também outras redes, como o Orkut e o Facebook e até em blogs. Bem, o resultado com este tipo de Twitter será o mesmo desses outros meios: uma porção de páginas que nem o autor acessa e, pior, sem utilidade alguma como suporte de pesquisas, esta outra grande utilidade da internet.

Ou alguém no futuro vai querer saber da canjiquinha do deputado petista, da mãe rezadora do deputado do DEM ou da aflição de Soninha com a bola na trave?

Quando é mal interpretado, o Twitter pode ser o processo mais enganoso da internet, toda ela repleta de ilusórias facilidades. Ele requer duas habilidades que exigem um certo esforço até de profissionais. É preciso escrever razoavelmente bem e, o que é mais difícil, de forma curta, bem curta, com um limite de 140 toques.

E tem também o assunto, é claro. São poucos os que acertaram até agora. E como foi inventado para a frase curta, o Twitter seria a delícia do Barão de Itararé ou de outro humorista, menos conhecido mas também genial, Dom Rossé Cavaca, de quem se fala pouco, até porque escreveu bem menos que o Barão.

E não só por coincidência, quem tem usado o Twitter da forma mais eficiente é o Fraga, humorista gaúcho da mesma cepa desses citados, um escritor de frases curtas, tão engraçadas quanto reveladoras dessa comédia na qual os humanos atuam até o fim da vida, muitos de nós morrendo sem saber disso. Fraga é um dos mais geniais humoristas brasileiros, da geração posterior ao semanário O Pasquim. Vá ao Twitter do Fraga para conferir como tenho razão.

Este é apenas um exemplo de como fazer a coisa certa. Mas a verdade é que é uma ilhazinha entre uma enormidade de besteiras que, por enquanto, formam o Twitter. Com a costumeira dificuldade de desenvolver qualquer tarefa com responsabilidade, os brasileiros já desmoralizaram o Orkut e até as redes de blogs, hoje no Brasil atulhadas de blogs inativos, instrumentos eleitorais e partidários ou colunas sociais particulares onde se publicam elogios em causa própria e fotos de amigos e colegas.

Espero que não aconteça algo parecido com o Twitter. Mas por enquanto o caminho parece ser esse. E no que depender dos políticos brasileiros, com certeza podemos contar com eles para a desmoralização de mais esse instrumento da mais alta qualidade.
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POR José Pires

domingo, 27 de junho de 2010

Ziquizira de Lula pega Lampard e contagia a Inglaterra

A Inglaterra perdeu feio agora há pouco para a Alemanha. A goleada foi de 4 a 1 e tirou os ingleses da Copa do Mundo. A urucubaca parecia estar em campo jogando contra a seleção da Inglaterra e atingindo especialmente o meia Frank Lampard. Vejam a expressão de Lula quando ganhou no ano passado do técnico Felipão uma camisa do jogador.

Lampard teve um gol legal anulado pelo árbitro e foi responsável por uma jogada que acabou dando um gol para o adversário. No primeiro lance de azar, uma bola chutada por ele bateu no travessão e quicou dentro do gol antes de ser agarrada pelo goleiro alemão. Mas o juiz não confirmou o gol claro. Em outro lance azarado, numa cobrança de falta Lampard chutou a bola contra a barreira, criando a possibilidade de um rápido contra-ataque alemão que resultou no terceiro gol da Alemanha.

Com já dissemos aqui, aqui e aqui, mesmo quem não acredita em bruxas sabe que é bom ficar longe do pé-frio do Palácio do Planalto. Esta é mais uma prova da pesada energia do azarento, que ostenta uma extensa lista de esportistas prejudicados. O episódio de Lampard comprova inclusive que a uruca do petista pode até mesmo ser repassada, como parece ter acontecido com a seleção da Inglaterra.
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POR José Pires

sábado, 26 de junho de 2010

O Twitter que calou o melhor tuiteiro da política

A crise na campanha tucana começou de uma forma que parece piada. O senador Sérgio Guerra, coordenador de campanha de Serra, resolveu passar um segredo para o ex-deputado, cassado ainda por cima, Roberto Jefferson.

Jefferson detonou a bomba anteontem e se assumirmos a paranóia que este momento propicia, seu comportamento desde então dá a impressão de que ele entrou na campanha do Serra a mando do Lula.

Neste drama eu gosto bastante da perspicácia do senador Guerra. Ele tinha na mão uma questão de grande importância estratégica na campanha, algo do maior sigilo e deve ter pensado de imediato: "acho que vou passar essa notícia para o Roberto Jefferson. Mas preciso avisar que é segredo".

Bem, Guerra deve ser novo no Brasil. Jefferson colocou a novidade no Twitter, numa tarde em que ele estava mais embaladão que de costume. Pelo que dá para entender nos posts, o ex-deputado e presidente do PTB estava passeando de moto num giro de motociclistas pelo interior de Minas Gerais. Na sua página ele se apresenta com “advogado, Presidente do PTB, cantor amador e motociclista”. A maiúscula em Presidente é dele.

Estava uma tarde animada — “Céu azul anil, com nuvens carneirinho branco”, escreveu ele. Jefferson acelerou legal. Ainda menos que motorista, motociclista não pode beber, é claro, mas as tuitadas que ele foi dando durante a viagem dão a impressão de que algum estimulante ele deve ter botado pra dentro. Ou foi o vento da estrada entrando pelo nariz, coisa que oxigena o cérebro de um modo alucinante.

Uma tuitada que ele deu, definindo sua categoria. A dos motoqueiros, não dos políticos: “Tal mulher, tal moto. A mulher dos harleyros são baixas e encorpadas. As dos bmw são altas e esguias. Na rua ou em casa a montaria e igual”. Como conceito em uma eleição com duas mulheres como adversárias e na qual o voto feminino deve ser definidor, um pensamento desses vem bem. Para o adversário, é claro.

Jefferson estava impossível, com o perdão da redundância. Outra tuitada, que está repercutindo bem entre os adversários até agora foi quando ele escreveu que "O DEM e uma merda!!!”. Logo depois pediu desculpas no próprio Twitter, dizendo que não era para ser publicado. Seria só uma resposta para outro tuiteiro. Ou seja, ele acha mesmo que o aliado é aquilo que ele tuitou.

Tem muito mais coisas em sua página. Foi um dia bem agitado e Jefferson escreveu bastante. Algumas notas podem criar muitos problemas para Álvaro Dias em suas bases paranaenses. O senador cuja escolha para o vice deu neste barulho todo terá muito que explicar para seus eleitores. As tuitadas de Jefferson para Dias são só elogios, o senador chega a ser chamado de “irmão”.

O Twitter de Roberto Jefferson deve ter “bombado” de acessos, como se diz na internet. Porém, o que ele fez ontem acabou calando exatamente o Twitter de maior sucesso no meio político e um dos mais acessados na internet: o de Serra.

Serra não posta nada desde a madrugada do dia 24. Depois disso só deu Jefferson no Twitter. Talvez não dê para chutar o petebista da aliança, afinal hoje em dia qualquer minutinho de horário gratuito na televisão é muito precioso. Mas será que não dá para tirar o Twitter da mão dele?
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POR José Pires

As raízes do que está aí

Faz tempo que sou da opinião de que tucano é um bicho político que dá cabeçadas demais. Não vou fazer um longo retrospecto das mancadas deste bicho, mas ficando apenas no período Lula, não posso deixar de lembrar que os homens que tem peso na campanha de Serra, como Jereissati e Sérgio Guerra, são os mesmos gênios da estratégia de esperar o poder de Lula desmoronar por si. O conceito foi até bem definido por eles — Lula iria “sangrar em praça pública”.

Com isso, na realidade, deram tempo para o presidente da República mais corrupto da nossa história (segundo um de seus próprios ministros) se recuperar. Por interesse particular ou de grupo, certos tucanos nunca tiveram na verdade a intenção de se opor verdadeiramente ao projeto de poder representado por Lula. Daí o fascínio deles por politicos como Antonio Palocci, cuja imoralidade comporta até os escândalos da mansão da República de Ribeirão Preto, um local onde se juntava a política sem ética e, talvez até, sem o uso de camisinha.

O que acontece é que o governo do PT sempre pareceu a esses tucanos um macaco muito útil na tarefa de tirar as castanhas do fogo para esses tucanos e os interesses empresariais por trás deles. E gente como Palocci atuava como firmadores desse tipo de compromisso.

Os dirigentes do PT nunca se opuseram a este conluio, mas o problema é que o projeto político do lulo-petismo tem que avançar. E feita a picada com a ajuda de amplo setor dos tucanos, a massa asfáltica que pretende perenizar este poder não comporta a democracia. Agora não há mais aquele espaço de “conciliação”. E será que políticos veteranos como Jereissati, Guerra, o Azeredo de Minas Gerais, e tantos outros tucanos que deram uma ajuda indireta ao projeto petista de poder pensavam que este lucrativo jogo iria ser para sempre?

Com os olhos fechados por compromissos quase que meramente financeiros, estes tucanos nunca compreenderam de fato o projeto do PT, com Lula à frente como simbologia da maior eficácia. Acho até que nesta história Lula não é tão determinante como parece. Não estou dizendo que ele é bobo, não. Seria loucura desconsiderar a inteligência de um patife que consegue representar tão bem até o papel de líder humano e bondoso. O que digo é que não há exatamente um "lulismo" bancando este projeto. É bem mais que isso. A grande capacidade do grupo de poder em torno deste projeto foi a de ter entendido bem rápido, lá atrás, o que este homem representava dentro do que pretendiam.

Isso não é nenhuma novidade. Uma das razões dos tucanos não entenderem o que está à sua frente é que se ocupam do Buarque errado. Ficam no Chico, quando quem revela o nó político da nacionalidade que favorece políticos como Lula é outro Buarque, o Sérgio Buarque de Holanda. Lula não leu evidentemente "Raízes do Brasil", mas ele e seus companheiros usam e abusam de todos os defeitos brasileiros muito bem detectados neste livro até profético.
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POR José Pires

Criando crise por conta própria

Como eu dizia, tucano é fogo. É provável que a maioria desses bichos tolos tenham acordado. Ainda que meio tarde, políticos tucanos dão a impressão de que começam a entender que a eleição deste ano pode ser o fecho para o encaminhamento de um modelo parecido com o que Hugo Chávez implantou na Venezuela. No DEM parece que isso também acontece, mas ocorre que muitos tentam se contrapor a isso com truculência no discurso e acabam é fazendo o jogo deste projeto autoritário.

Agora os tucanos dão a impressão de terem entendido o que se passa, mas não conseguem encontrar unidade política para pôr a caminho a ação prática para interromper este projeto autoritário: eleger José Serra.

Serra é um dos políticos brasileiros que sabem muito bem o risco que corremos, até porque ele conhece bem a tigrada da esquerda. Afinal, não faz tempo que todos dançavam juntos na mesma gafieira paulistana.

A crise do vice de Serra, absurda e completamente idiota porque foi gerada pelos próprios tucanos, comprova muito bem esta dificuldade política. A coisa é tão idiota que até parece que a coordenação de campanha de Dilma Rousseff está dando uma mão para Serra. Só falta alguém começar a fazer um dossiê.

Penso que deviam mudar os símbolos e a realidade política dos Estados Unidos por ajudar muito na escolha. Os Democratas deviam usar o elefante, que nos EUA é símbolo do Partido Republicano, que é mais a cara dos Demos. E o PSDB, que é na verdade o Partido Democrata, devia trocar o tucano pelo burro usado lá pelos republicanos.

Mas voltemos aos nossos tucanos, este bicho político difícil de se lidar, e o paquidérmico DEM, um partido cuja inabilidade política está na própria reformulação marqueteira de seu nome, que passou de PFL para DEM, uma sigla que lembra DEMO num eleitorado que ou é católico ou crente. Um gênio o marqueteiro que bolou essa sigla.

Mas é lamentável que os dirigentes (demistas, demoníacos, dementes?) que aprovaram não percebessem que foi era um marqueteiro petista.

O partido que como uma grande contribuição política neste ano de eleição trouxe os panetones de sua liderança nacional, o governador cassado Arruda, bate o pé para ter voz em um projeto político de governo que, se vitorioso, terá um trabalhão danado para consertar os desastres infraestruturais do país e ainda agüentar o clima de guerrilha que será imposto pelos derrotados.

Seja qual for o desfecho desta crise, o que fica é um excelente material de campanha. Para a campanha da candidata do Lula, bem entendido.
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POR José Pires

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Notas falsas como notas de três reais

A cobertura dessas eleições pela imprensa brasileira segue na mesma linha das outras eleições. O noticiário carece muito de profundidade. Investem demais na fofoca, num diz que diz que preenche espaços com informações vazias, um material que perde o sentido de um dia para o outro nos impressos e, na internet, muitas vezes não chega a durar nem uma hora.

O jornalista publica a nota e dali a pouco vem um desmentido. Como o que foi escrito não tem base substancial, fica uma versão contra a outra. E aí é de se perguntar se o profissional cumpriu a função já que, na prática, o leitor é que tem que se virar. Mas o problemas mesmo é para quem só viu a nota sem o desmentido. Então fica com um lado só. O da nota que muitas vezes é plantada desavergonhosamente.

Esse tipo de notícia costuma se transformar em correntes repassadas por e-mail pela internet. Às vezes pode até parecer bem divertido quando isso atinge pessoas ou partidos realmente de má qualidade, mas este é o tipo de procedimento que deve sempre ser criticado, pois é uma bomba que atinge qualquer alvo. No final, perdem todos, porque a própria credibilidade das informações vai sendo gradativamente desmoralizada.

Querem um exemplo. Vejam uma nota publicada hoje por Monica Bérgamo em sua coluna na Folha de S. Paulo e republicada pela internet afora. Eu poderia pegar vários outros exemplos, mas fiquemos com este porque toca em figuras exponenciais da nossa política e também prejudica diretamente o esforço de milhares de pessoas envolvidas numa campanha política. Vai na íntegra.

"Fernando Henrique Cardoso confidenciou a interlocutor de sua mais absoluta confiança recentemente que tem sérias dúvidas sobre a possibilidade de José Serra (PSDB-SP) vencer a eleição presidencial. "E olha que estou tentando ajudar", disse o ex-presidente, atualmente em tour pelo exterior - com retorno previsto para o dia 2."

É impressionante que um profissional digite tal coisa. A nota traz até uma declaração aspada do ex-presidente da República. Segundo a jornalista, ele falou isso para um "interlocutor".

Bem, FHC não nasceu ontem nem anteontem em política. É o decano dos decanos, até porque além de fazer, política também sempre foi seu objeto de estudo. E o ex-presidente também já disse em entrevistas antigas que sabe muito bem como funciona este negócio do "interlocutor" que repassa falas de pessoas importante para jornalistas.

Ele disse que quando foi presidente conversava com certos políticos em seu gabinete e logo saiam notícias sobre o que falaram na reunião. Muitas vezes o que saía era só coisa da cabeça do "interlocutor", invenções para se favorecer ou para fortalecer os laços pessoais que todo político gosta de ter com jornalistas. FHC disse também que sabia perfeitamente de quem vinha essas notas plantadas.

Então, das duas uma. A nota da Folha não é verdadeira ou FHC está plantando uma notícia contra o candidato de seu partido, o seu amigo Serra. Nem vou discutir muito a primeira hipótese e a segunda a gente mata propondo uma pergunta bem absurda e cuja resposta é óbvia: FHC estaria gagá? Sim, porque se ele estivesse plantando notícias para ajudar Dilma Rousseff a vencer esta eleição ele só poderia estar caducando.

Não é respeitável profissionalmente escrever algo assim. E um jornal publicar é ainda pior, pois então poderíamos, dentro desta linha, propor uma enormidade de notas deliciosas para a Folha. Vamos fazer uma? Lá vai.

"O presidente Lula confidenciou a interlocutor de sua mais absoluta confiança recentemente que tem sérias dúvidas sobre a possibilidade de Dilma Roussef (PT-RS) vencer a eleição presidencial. "E olha que estou tentando muito ajudar", disse o presidente."

Ficou bacana, não? É até mais verossímil que a nota da Mônica Bergamo, porque todos sabem que Lula está mesmo tentando muito ajudar sua candidata. Mas é totalmente falsa. Não gosto de jargão, mas aqui vale o manjado da nota de três reais para as duas notas.

Além da falta de substância dessas duas notas, de nada de real que sustente o que Monica Bérgamo escreveu e o que foi parodiado por mim, existe também um jogo desleal com que tem responsabilidades que possam ser afetadas por esse tipo de jornalismo. A pessoa só tem duas possibilidades (novamente duas, é o jornalismo do é preto ou branco): ou deixa como está e não fala nada, o que é um problema porque fica a versão; ou desmente a nota, o que renova o assunto.

Quem ganha com isso é o jornalista e só ele. Ou posa de bem muito bem informado porque não houve refutação ou ganha outra nota com um teor parecido, renovando um assunto onde ele se destaca como possuidor agora de duas fontes importantes, o tal "interlocutor" e o ex-presidente FHC.

E o leitor, como fica o leitor, certamente deve estar perguntando... o leitor. Bem, eu e você, nós todos que somos leitores, perdemos como sempre. E duplamente de novo. Ficamos sem informação e também perdemos o nosso tempo.
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POR José Pires

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Sem medo de ser sexista

“52% da população [no Brasil] somos mulheres, e os 48% restantes são nossos filhos (…). Lula tem muita sensibilidade com este tema e foi criado por uma mulher forte”. É frase de Dilma Rousseff, em entrevista ao jornal espanhol El País.

Bacana isso. Deve ser uma tática para mudar a imagem do Brasil lá fora, onde somos conhecidos como paraíso sexual. Com ela na presidência da República seremos um paraíso sexista. A argumentação, porém, é bastante arriscada. Os estrangeiros podem pensar também que por aqui praticamos incesto.

A tática óbvia é de seduzir o eleitorado feminino, onde a candidata do Lula, tem uma grande rejeição. O argumento é simplista e também sexista. O raciocínio faz entender que o fato de ser mulher conferiria uma qualidade extra à Dilma. É nessa hora que a candidata deve lamentar de não ter nascido pobre e negra. Bem, mas a candidata Marina Silva anda usando esta argumentação, apesar de que negra mesmo, Marina só é pelos padrões dos Estados Unidos.

Mas voltemos à lorota da Dilma. Bem, mas então porque o PT não lançou a Benedita da Silva como candidata à presidência da República? Ela tentou crescer na política exatamente com a demagogia de "mulher, negra e favelada", slogan de sua campanha ao governo do Rio em 2002. Antes, havia sido vice de Anthony Garotinho, que definiu a vice e seus companheiros como adeptos do Partido da Boquinha.

O plano parecia perfeito em um estado coalhado de favelas e com uma grande população de negros. Porém, com esse slogan perdeu feio ainda no primeiro turno. Logo depois pegou uma boquinha no governo Lula, mas não deu certo mesmo assim. Esteve encalacrada em várias denúncias no primeiro mandato de Lula, quando foi ministra da Ação Social.

É lembrada apenas pelos rolos, inclusive viagens particulares pagas com o dinheiro do contribuinte. Foi um dos petistas que caíram rápido do cargo.

Sua última aparição no plano federal foi nos pultimos dias, quando sua candidatura ao Senado virou moeda de troca na banca eleitoral petista. Foi obrigada a entregar a vaga na negociação que o PT fez no estado para fortalecer a candidatura de Dilma. Mas, espera aí, como mulher, negra e favelada ela não devia merecer um respeito especial por parte do companheiro Lula?
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POR José Pires

Reescrevendo a história

Esse tipo de argumentação da esquerda é tão idiota que, historicamente, poderia satanizar uma figura exemplar como Joaquim Nabuco, um dos mais importantes líderes abolicionistas e uma das figuras mais impressionantes da história brasileira. Nabuco era branco e filho da elite baiana. Um homem muito rico dotado de uma sensibilidade política como houve em poucos políticos brasileiros e também de uma formidável capacidade intelectual, o que aí faz dele uma raridade na vida pública brasileira.

Por um pensamento raso como este, Nabuco seria excluído da nossa historiografia. E não é isso que setores influentes do movimento negro acabam fazendo? Não só reescrevem a história, como inventaram uma tal de "cultura africana", conferindo a um imenso continente uma unidade que só existe em suas cabeças.

É pensando pequeno assim que tentam dar a Zumbi dos Palmares o peso que ele nunca teve de fato na libertação dos escravos no Brasil. Aliás, o que se sabe é que o próprio Zumbi possuia escravos em Palmares. Mas ele não deixa de ser o herói ideal para quem pratica o reducionismo histórico. Como se sabe pouquíssimo do que ele fez de fato, é uma personalidade histórica que pode ser totalmente construída.

Com Nabuco é bem diferente. Sua história é muito bem conhecida, documentada até por ele próprio em livros muito bem escritos. Seu peso em nossa história é indiscutível, assim como a importância que teve para o fim da escravidão. Mas o coitado do Nabuco não nasceu negro e pobre.

Poderíamos perguntar também aos petistas se a Margareth Tatcher se enquadra no conceito que eles trazem agora para a campanha. E Condoleezza Rice, a mão de ferro que foi secretária de Estado de Bush? E Sarah Palin, a companheira de chapa do republicano John McCain, que entrou na campanha para jogar sujo contra Obama?

Palin se descrevia como uma dona de casa norte-americana típica, "hockey mom", como se diz por lá. A afirmou e provou que entre uma ''hockey mom'' e um pitbull só existe uma diferença: o batom.

Tem outro problema. Se cumprido à risca, o argumento deve levar os petistas gaúchos a votarem na candidata tucana Yeda Crusius para o governo do estado.

Dá para citar centenas de outros exemplos que provam que a argumentação de Dilma é mais uma de suas besteiras. Não que alguém inteligente tivesse dúvida sobre isso, mas a ocupação do mercado de trabalho pelas mulheres provou duas coisas muito importantes.

Primeiro que a mulher é apta para ocupar qualquer função antes destinada praticamente só aos homens. Desde que não seja descarregar saco de soja de caminhão, mas para isso eu e milhares de outros homens também não somos aptos. Outra comprovação é que o fato de ser mulher não agrega qualquer capacidade diferencial à mulher no trabalho em seus aspectos técnicos e éticos. Até em assuntos em que a sensibilidade e o intelecto são definitivos as diferenças são bem menores que os racistas e sexistas propagandeiam. Quem acredita em "literatura feminina" está com graves problemas de leitura.

A idéia não era a de que somos todos iguais? Acreditar que um sexo ou outro tem esta ou aquela capacidade extra é só sexismo. Tem gente querendo fazer disso um conceito de qualidade, mas é mesmo só coisa de marqueteiro. Mas tem que tomar mais cuidado com as frases. Ou vão começar a pensar que o Brasil é um país de proveta.
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POR José Pires

sábado, 19 de junho de 2010

Isso é que não é

Publicidade boa só não basta. Todo mundo pensa que a Coca-Cola se impôs mundialmente apenas pela propaganda. É um grande erro de avaliação. Não bastaria a empresa investir tanto em propaganda, algo forte em sua estratégia desde que começaram a fazer o xarope preto, se eles também não fossem bons em logística. Claro, a propaganda lembra o produto,incentiva a comprar, mas o consumidor tem que ter à mão a garrafinha em qualquer lugar, no centro de São Paulo e numa biboca gaúcha, nordestina, enfim, em tudo quanto é canto.

Uma das melhores propagandas atuais ligadas à Copa do Mundo é um banner publicado em vários sites, sempre nas seções de esporte. Uma chamada pede que o leitor leve os jogadores Ganso e Neymar para a África do Sul arrastando suas figuras com o mouse. Feita a ação, um texto diz que o Ganso e o Neymar estão acompanhando a Copa pelo speedy, da Telefônica.

Boa sacada. A ótima criação exige a interação do internauta e usam para isso as duas estrelas mais citadas atualmente, exatamente porque os dois não foram convocados. E o mote, é claro, é a ausência dos dois.

Mas, coitados do Ganso e do Neymar, além de serem esnobados pelo Dunga ainda têm que acompanhar a Copa pela Telefônica... A empresa é famosa por deixar os internautas na mão e está sempre em primeiro lugar nas reclamações de consumidores. Espero que não dê pau na conexão exatamente na hora do jogo.
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POR José Pires