segunda-feira, 19 de julho de 2010

FARC, uma discussão que só não interessa a quem tem rabo preso

O PT e a campanha de Dilma Roussef fingem que irão em cima deste assunto da opinião do vice de Serra sobre a relação do PT com as FARC, o grupo armado colombiano, mas garanto que eles recuam logo. Eles pretendiam esticar este assunto como um factóide, para desviar de denúncias que pesam sobre eles, com o dossiê contra Serra e a recente quebra de sigilo fiscal e vazamento de informações sobre vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, que ocorreu na Receita Federal.

Logo que Índio da Costa fez a declaração, dirigente petistas ameaçaram processá-lo. Mas já estão recuando e duvido que façam isso. Uma medida dessas colocaria em pauta um assunto que, de forma alguma os petistas querem ver sendo aprofundado.

Mas chega a ser engraçado ver o PT e a campanha da Dilma exercitando a manjada artimanha petista de se vitimizar em público. Fazem isso quando estão encalacrados com alguma maracutaia, o que já virou uma normalidade para eles. Sempre estão tendo que explicar em alguma treta, de tal forma que poderia até mudar o nome do partido sem perder a sigla: PT, partido das tretas.

O presidente do partido, José Eduardo Dutra, já está mudando de opinião, quando à idéia inicial de colocar o assunto na esfera do judiciário, o que significaria mantê-lo em pauta até o fim desta campanha. É um personagem tão medíocre que não sei se vale a pena lhe garantir mais publicidade", disse, engatando uma marcha à ré.

Acho esse vice do Serra preocupante, mas não por trazer este assunto das FARC para a eleição presidencial. O problema é a gente ter que passar quatro anos rezando pela saúde do Serra se ele se eleger presidente. Ora, mas a discussão que ele traz interessa, sim: se vamos eleger um presidente da República, qual é o problema em saber qual é a posição dos partidos nesta questão das FARC?

O próprio PT poderia explicar com clareza se pretendem prosseguir com a posição mantida nesses quase oito anos de governo Lula, para que pudéssemos entender inclusive o motivo de eles se sentirem ofendidos com a declaração de Índio da Costa.

Ora, o PT não fez parte do Foro São Paulo durante anos junto com as FARC? Se isso não é manter relações, então que expliquem melhor o que fazem de fato nesta entidade. E até o momento o partido não rompeu nem com o Foro e nem com as FARC.

A revista Veja publicou uma reportagem recente sopre este tema. Tem os equívocos de linguagem próprios daquela revista, mas é uma matéria recheada de fatos. Entre as informações factuais que interessam nesta caso está a do status de refugiado concedido a Olivério Medina, representante das FARC no Brasil. Medina chegou a ficar preso por mais de seis meses e sua extradição foi pedia pela Colômbia. Mas o governo Lula concedeu a ele o status de refugiado. E tem também o emprego dado à sua mulher no Ministério da Pesca, em Brasília. A mulher do representante das FARC foi para o Governo Federal a pedido da então ministra Dilma Rousseff.

Mas os petistas podem dizer que a Veja faz oposição ao governo Lula. Pois tem também a revista colombiana Câmbio que já fez matéria de capa sobre o comportamento do governo petista em relação às FARC. Este é um problema sério para a imagem do Brasil na Colômbia. É claro que não nos vêem com simpatia por lá. A não ser o pessoal das FARC, é claro.

E como Câmbio não pode ser tachada de ser "da direita" colombiana, isso não facilita o debate para o PT. A revista é do escritor Gabriel García Márquez. A reportagem foi assunto de capa, como pode-se ver lá em cima, e pode ser acessada aqui. É uma matéria muito bem fundamentada, em que afirmam que as FARC tiveram contato com dirigentes do PT e autoridades do governo Lula, inclusive do círculo íntimo do presidente. A revista teve acesso a e-mails do computador do líder das FARC, Raúl Reyes, morto em território do Equador. Câmbio disse que esses e-mails revelaram vínculos das FARC com altos funcionarios do governo Lula, entre eles cinco ministros, em relações que chegaram a "níveis escandalosos".

As FARC são extremamente impopulares entre os colombianos. Por isso o Brasil não deve ser bem visto por lá. É que existe uma diferença enorme entre fazer cena usando chapelão panamá, como fez Marco Aurélio Garcia recentemente na Colômbia, e viver num país em guerra entre terroristas de esquerda e de direita, com o exército nacional no meio.

A reportagem de Câmbio é bem longa. Quem não quiser encarar o espanhol pode clicar aqui para ler uma boa matéria sobre o caso publicada no jornal O Globo.

Este assunto poderia ir longe, mas deve parar por aqui. Gente de cima já deve ter mandado o PT parar com o furdunço, o que não é nada bom para os eleitores e também para nós, blogueiros.

É preciso parar com este comportamento partidário que contaminou a nossa imprensa e a internet. Não dá para seguir tratando os assuntos como se tivéssemos que zelar por esta ou aquela campanha. Isso é tarefa de quem faz blogs e sites para o PT e para o governo, a maioria recebendo dinheiro ou vantagens pelo serviço.

As campanhas têm gente paga para se preocupar com questões políticas e até melindres que fatalmente surgem em qualquer eleição. Daí a minha opinião de que o PT tem que processar, sim, o vice do Serra. Vamos esclarecer definitivamente este assunto das FARC. Taí um tipo de ação petista que poderia ajudar bastante a nossa democracia.
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POR José Pires

domingo, 18 de julho de 2010

Collor, Lula e Dilma: a matemática do poder sem escrúpulos

Finalmente um marqueteiro conseguiu criar um jingle que expressa de forma altamente precisa o significado da candidatura da petista Dilma Rousseff. Foi o marqueteiro do ex-presidente Fernando Collor, agora candidato ao governo de Alagoas.

O jingle trabalha com o enlace entre Lula e Collor, na forte aproximação entre eles depois que passou o ressentimento com a vitória agressiva de Collor sobre Lula na primeira eleição direta para presidente após a ditadura, acontecida em 1989.

Com poucas palavras, o marqueteiro captou o sentido das duas forças que pareciam tão díspares e que em menos de duas décadas fecharam o conhecido círculo de acomodação política tão natural na história deste país. E da união entre o significado de Collor e o de Lula, pode nascer Dilma Rousseff.

Isso é bem demonstrado pelo trecho do refrão, que fecha o jingle e coloca de forma marcante o que interessa eleitoralmente a Collor em Alagoas.

É Lula apoiando Collor
É Collor apoiando Dilma
(Pelos mais carentes!)

É Lula apoiando Dilma
É Dilma apoiando Collor
(Para o bem da nossa gente)

É Lula apoiando Collor
É Collor apoiando Dilma
(Pelo mais carentes!)

É Lula apoiando Dilma
É Dilma apoiando Collor
E os três pelo bem da gente!


O marqueteiro concentrou nessas poucas estrofes o que vem sendo discutido em milhares de reportagens, artigos e até muitos livros. Até o populismo exagerado é o tom certo dessa aliança de de seus frutos, que podem ser tanto o Collor governador como a Dilma presidente.

É um hino dessa época, a canção da alma e da razão petista. Numa outra frase do jingle está a síntese do que o lulo-petismo quer para o país. “Deixa que com o povo me entendo eu” é a frase inicial da música. É o personalismo e a atuação política acima das instituições e da lei, algo que Collor tentou e foi impedido e que foi retomado por Lula com mais sucesso.

A trajetória dos dois políticos é bastante reveladora sobre o comportamento do brasileiro, principalmente na política, onde mandam os acomodamentos que nada tem a ver com programas partidários ou ideologias. O que vale é a vantagem pessoal ou de grupos restritos, ou, numa melhor definição desses interesses, de bandos.

A inter-relação entre o presidente cassado e o que faz tudo para ser cassado — equação que no final resulta em Dilma e que o marqueteiro pegou muito bem no jingle eleitoral de Collor — serve para explicar não só este tipo de comportamento que deformou inclusive um partido que parecia incorruptível e destinado a mudar esses procedimentos comuns da nossa política ou que pelo menos subiu ao poder com esse compromisso. Essa inter-relação acabou virando linguagem, muito forte no jornalismo e na blogosfera oficial e oficiosa do PT e que também contamina a vida intelectual, especialmente a das universidades.

Fatos fundamentais na relação entre o petista e Collor são bem reveladores também sobre o comportamento do universo petista. Servem muito bem para entender conceitos e formas de agir que são vitais na manutenção desse poder.

Esse jeito de levar a vida chega a ser curioso e tem até seu lado cômico, se pudermos observar tais tretas com distanciamento emocional. Nenhum adversário agrediu Lula da forma que Collor fez, inclusive enquanto esteve no poder, no entanto o ex-presidente é poupado de qualquer crítica por dirigentes petistas e, por extensão, da rede de comunicação estimulada e mantida pelo partido e governo, espalhada por órgãos de comunicação no interior do país e especialmente forte na internet.

Ao mesmo tempo que poupam gente como Collor, este comportamento distorcido leva os petistas e simpatizantes a atacarem políticos com histórias coerentes e muito bem relacionadas com o respeito à ética e a democracia. Patifes são até adulados, já os políticos com posição crítica sofrem ataques, com o uso até da máquina de governo, em dossiês e quebras criminosas de sigilo fiscal.

Fazem o mesmo com instituições ou empresas que nem de longe podem ter seus defeitos comparados com o de Collor e a quadrilha que ele levou ao primeiro governo eleito pelo voto direto após o Regime Militar. Ou mesmo de um José Sarney, um Renan Calheiros, Romero Jucá, e tantos outros.

Este modo de agir dos petistas e seus agregados é tão fora de propósito que muitas vezes guarda em si terríveis contradições. É o caso, por exemplo, do ataque cerrado feito à Rede Globo, na repetição exaustiva de que a vitória de Collor teria ocorrido forçosamente, pela manipulação do noticiário sobre o debate eleitoral feito à época.

Ora, mesmo que concordássemos com esta visão (o que não é o meu caso), a emissora só poderia ter feito isso tendo à mão o material do próprio debate, com as cenas agressivas de Collor frente a um Lula acovardado. Anteriormente houve também os vídeos com a ex-namorada de Lula, Miriam Cordeiro, envolvendo a filha dos dois, além de outros ataques feitos por Collor e seus parceiros, entre eles inclusive outro aliado atual bem próximo do PT, o senador Renan Calheiro.

O vídeo produzido e colocado no ar pelo agora companheiro Collor pode ser visto aqui. Ainda é um jogo sujo dos mais espantosos, mesmo depois do surgimento na cena política de mensalão, aloprados, dossiês e quebras criminosas de sigilo fiscal. Nele, Miríam Cordeiro afirma que Lula lhe ofereceu dinheiro para que ela abortasse e ainda o acusa de ser racista.

E este vídeo é apenas a parte documentada das calúnias da máquina de propaganda de Fernando Collor. E o fato é que, da parte dos petistas, não se lê uma palavra contra Collor. Como se fosse uma ironia, a posição crítica sobre aquele período sujo é mantida hoje pelas pessoas que Lula e seus companheiros atacam.

Porém, contra a Rede Globo o ataque permanece agressivo, com a insistência neste raciocínio equivocado e imutável da manipulação do debate. Já o ator principal da agressão à Lula é poupado, quando não acontece de ele até ser elogiado em público pela suposta vítima. É um comportamento tão maluco que a ex-namorada e mãe da filha do petista jamais foi perdoada. É tratada até hoje como se fosse uma víbora. Mas o político que montou os ataques recebe elogios de Lula e até é abraçado com alegria, como mostra a foto.

Por isso o jingle de Collor merece ser apontado como peça histórica e seu autor tem até que ser elogiado, pela ligação eleitoral feita de forma eficiente usando a soma simbólica entre Collor mais Lula e mais Dilma, uma equação contínua que dá sempre um mesmo resultado.

Para ouvir o jingle do Collor, mais Lula e mais Dilma, clique aqui. É para ouvir no Windows Player, que irá abrir assim que você clicar. Não se preocupe, pois não há nenhum risco de que seja roubado algo de seu computador.
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POR José Pires

sábado, 17 de julho de 2010

quinta-feira, 15 de julho de 2010

CUT e Força Sindical mentiram em manifesto contra Serra

O manifesto das centrais sindicais contra José Serra, encabeçado pelas duas maiores centrais, CUT e Força Sindical, que apoiam de forma explícita a candidatura da petista Dilma Rousseff, sofre de vários defeitos graves: usa de forma desonesta as instituições, interfere de forma ilegal nas eleições e utiliza a máquina sindical à revelia dos trabalhadores.

Mas além de tudo isso, o manifesto é mentiroso. O texto foi produzido exclusivamente para afirmar que em sua atuação como parlamentar Serra não contribuiu para a criação do FAT. É uma jogada simples: a tática é eliminar da imagem de Serra qualquer relação com os direitos dos trabalhadores.

Pois o jornal O Estado de S. Paulo foi esclarecer o assunto junto à Câmara dos Deputados, provando que as centrais sindicais mentiram. Vou publicar um trecho da matéria do Estadão:

"Documentos nos anais da Câmara dos Deputados mostram que o candidato à Presidência pelo PSDB, José Serra, foi o autor de proposta constitucional que garantiu os recursos do PIS/Pasep para financiar o seguro-desemprego. Mostram também que o tucano foi um dos parlamentares que propuseram a criação do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Durante a Assembleia Constituinte, em 1987, Serra propôs uma emenda ao texto em que se discutia o seguro-desemprego. Nela, especificou que os recursos do PIS/Pasep deveriam financiar o programa, criado em 1986. A emenda foi acolhida e tornou-se texto da Constituição.Dois anos depois, Serra apresentou um projeto de lei, de número 2.250, para regulamentar o dispositivo constitucional que tratava do assunto. Nele, propôs a instituição do FAT "para custeio do programa do seguro-desemprego e do pagamento do abono anual."

Além dos defeitos citados e da mentira que propagaram e que beneficia a candidatura petista, o manifesto da Força Sindical tem também um grave problema, uma visão conceitual distorcida, que trata o mandato parlamentar de forma personalista, como se questões importantes do Legislativo, como foi o caso do FAT, fossem conduzidas e determinadas por este ou aquele político.

O raciocínio da CUT e da Força Sindical situa o parlamento brasileiro de forma fragmentada, obscurecendo o papel dos nossos deputados e senadores como representantes do conjunto dos interesses da Nação e não deste ou daquele setor ou classe.

É dessa forma de pensar que nasceu algo como o mensalão do governo Lula. Veio dai o raciocínio de sustentar a governabilidade pagando deputados um a um, no esquema de propinas que foi desmontado pelo Ministério Público, acusando inclusive de "chefe de quadrilha" o então ministro da Casa Civil de Lula e segundo homem mais poderoso do governo, José Dirceu, que viria depois a ser cassado por falta de decoro.

É claro que essa diminuição do papel do Congresso não é feita sem querer. É um método elaborado com toda a atenção e vem de cima. Não é apenas dos sindicatos ou das centrais. É certo que para as centrais facilita a eleição de parte de seus caciques, hoje presentes com mais destaque no PT e no PDT, mas fazer do parlamentar um mero despachante é uma ferramenta especial para lucros mais elevados dentro da sustentação do lulo-petismo.

A má-fé do manifesto contra Serra foi desmascarada, mas o problema é aquele de sempre, da possibilidade do desmentido ter menos penetração na opinião pública do que a própria mentira.

Essa desonestidade prevalece também em razão da impunidade. O que acontece agora com as centrais, que usam a máquina sindical de forma ilegal, produzindo inclusive mentiras? Poderes públicos com a tarefa e o dever de vigiar e punir permanecem quietos, como sempre. Poderíamos até dizer que a entrada do Ministério Público nesta questão já viria atrasada, já que a ineficiência da Justiça em relação aos sindicatos brasileiros não se nota apenas em período eleitoral. É uma falha cotidiana.
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POR José Pires

quarta-feira, 14 de julho de 2010

A menina que resgava dinheiro e a candidata que mente

Recebo um e-mail do comitê de Dilma Rousseff avisando que no site de campanha postaram uma biografia da candidata. Agora é a oficial. Esse é aquele tipo de convite que aceito ligeiro. Já falei que Dilma é uma candidata que desopila o fígado. Mente barbaridade, é de uma vigarice tremenda, mas isso é feito sempre com um humor involuntário que acaba sendo divertido de apreciar.

Na biografia ficamos sabendo que a candidata do Lula rasgava dinheiro quando era criança. Vejam como são as coisas, rasgava dinheiro na infância e depois de ficar coroa passou a guardar dinheiro embaixo do colchão, conforme sua declaração de renda. Ela tem mais de 100 mil reais guardado em casa, um pacotaço que deve dar um trabalho danado para enfiar no colchão.

A história de rasgar dinheiro é contada no trecho da biografia que fala de sua infância. Dilma Rousseff não teve a infância pobre de Lula (ou de Serra e Marina). Certamente sua mãe nasceu tão analfabeta quanto a mãe do Lula — isso deve ter acontecido também com as mães de Serra e de Marina, esses políticos são todos iguais — , porém Dilma é de família rica. Estudou em colégio tradicional de Belo Horizonte e freqüentava o clube mais caro de Minas Gerais.

Daí, como é necessário dar um tom populista à biografia da candidata, seus marqueteiros apelaram. Dilma foi transformada então numa pobre menina rica. Era da elite de Belo Horizonte mas, segundo a biografia, “desde cedo aprendeu que o mundo não era cor de rosa”. Com tal sensibilidade, a vida da pobre Dilminha não era fácil.

À porta da sua casa batiam mendigos “que imploravam por um prato de comida”. É nessa parte que o marqueteiro conta que apareceu um dia um menino “tão magro e de olhos tão tristes” que ela rasgou uma nota ao meio (a única que ela tinha, vejam que dó) e deu uma metade para o menino pobre.

Eu contando, soa como coisa de oposicionista empedernido, porque parece inacreditável que alguém escreva uma besteira dessas para fazer a gente pensar que desde criança a Dilma tinha consciência social. Então lá vai o trecho para conferir:

“Certo dia, bateu à porta um menino tão magro e de olhos tão tristes que ela rasgou ao meio a única nota que tinha. Ficou com metade da cédula e deu a outra metade ao menino. Dilma não sabia que meio dinheiro não valia nada. Mas já sabia dividir.”

É duro agüentar uma coisa dessas, não? O marqueteiro não esclarece se o menino pobre tinha mais conhecimento monetário e esclareceu o equívoco para a futura ministra ou saiu correndo, ainda magro, mas já com os olhos bem menos tristes, agitando seu dinheirinho pela metade. É de cortar o coração.

Sei como é a coisa. Não sou candidato a nada, mas tive uma infância pobre. Minha mãe também nasceu analfabeta. Só não fui preto na infância, mas também não se pode ter tudo nessa vida. Já a Dilma foi uma menina rica, mas a infância dela foi bem mais triste que a minha, coitada. Na biografia, contam que com 14 anos ela já havia lido Germinal, de Emile Zola. Lera também “Humilhados e ofendidos”, de Dostoiévski, exemplos de leitura pesada para uma criança.

Isso pode explicar muita coisa. Com essa mesma idade eu também já havia lido muita coisa. Mas Dostoiévski e Zola eu deixei pra depois. Eu lia Tom Sawyer, de Mark Twain, gostava também do Sítio do Pica-Pau Amarelo, de Monteiro Lobato, aquelas história todas, que lia e relia uma a uma... Júlio Verne, li quase tudo dele, li também muita história em quadrinhos, enfim passei minha infância me divertindo com leituras. E enquanto isso Dilma, coitada, encarava os mineiros miseráveis de Zola e os humilhados de Dostoiévski.

Foi uma infância sofrida, sem dúvida, o que pode explicar muita coisa. Até o fato dela ter pegado em armas na década de 60, uma parte de sua biografia que é claro que fui conferir só para ver se ela continua mentindo sobre esse tempo.

A mentira já começa no título que dão a esta parte da biografia: “A luta pela democracia”. Ora, quando pegou em armas no final da década de 60, Dilma e seus companheiros, entre eles Carlos Lamarca, até lutavam contra a ditadura militar. Mas a proposta não era a implantação da democracia no Brasil. O que Dilma queria era a implantação de outro tipo de ditadura no país, uma ditadura comunista.

Todo mundo aqui é contra a ditadura e e estivemos lá lutando contra ela. Mas é preciso deixar claro que havia um setor, o mais amplo da oposição à ditadura, que batalhava pela democracia. Outros setores, minoritários e bem barulhentos, queriam na verdade o comunismo.

É o caso de Dilma. Mas ela insiste na versão falsa de que eles pegaram em armas pela democracia. Num trecho, o marqueteiro escreve que o crime de Dilma “foi o mesmo de tantos jovens daqueles anos rebeldes: querer mudar o mundo”. Ah, mas não foi mesmo. A maioria dos jovens lutavam nessa época pela liberdade. Alguns de nós estavam até mais preocupados com o fechamento da ditadura militar no aspecto comportamental, ligado ao sexo e à atividade artística, outros tinham uma visão mais política.

Mas no conjunto, a maioria desses jovens, além de não apelarem para a violência, também não tinham como meta implantar no Brasil um regime comunista, que era o projeto político de Dilma e seus companheiros de luta armada.
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POR José Pires

Por que ninguém contou pro cara?


No refestelo à beira da piscina há cerca de quatro meses em Cuba, na companhia de Fidel Castro, o presidente Lula dava a impressão de querer mostrar ao mundo que desfrutava de uma condição especial nas relações com o regime cubano. Ele fez questão de que o encontro fosse fotografado de maneira bem informal e depois mandou divulgar as imagens pela Secretaria de Comunicação ligada ao seu gabinete.

Mas essa decisão do regime de soltar mais de 50 presos políticos sem dar aviso algum ao governo brasileiro mostra que os petistas estão bem por fora dos planos cubanos. Parece até um chega-pra-lá em Lula. De qualquer forma, independente do verdadeiro teor da amizade petista com Cuba, neste assunto o presidente brasileiro não tem mais condições de dar seus famosos pitacos sem passar ridículo.

Lula perdeu a chance de pontuar uma posição de seu governo na questão cubana. E ficou a impressão de que a relação com os irmãos Castro se desenvolve de forma unilateral. O regime cubano aproveita o que precisa e nada dá em troca ao governo petista. Ao contrário, na posição que tem pretendido ocupar internacionalmente e até levando em consideração a necessidade de eleger sua sucessora, viria muito bem para Lula ter um papel nesta libertação de presos políticos. Então por que ninguém deu um toque para o companheiro do Brasil?

O enredo do regime cubano não reservou papel algum para o petista e ele também não fez esforço para construir fatos que consolidassem sua importância em cena, mesmo que não fosse como protagonista, mas pelo menos atuando como um coadjuvante que marcasse presença. E se Lula esperava boa vontade da parte dos irmãos Castro, os acontecimentos mostram que isso é uma ilusão.

Seria uma boa ocasião para a diplomacia petista se convencer de que relações pessoais pouco interferem nos negócios entre Estados. O olho no olho, muito menos. Se nem Fidel Castrou lembrou-se de avisar o companheiro tão prestativo, é bom que eles meditem bastante sobre o que o companheiro Ahmadinejad pode fazer numa situação parecida.

A razão de sua ausência nesse importante acontecimento histórico do regime cubano fica muito evidente na sua indesculpável falta de ação frente ao desrespeito dos direitos humanos em Cuba. Seja por dificuldade de compreensão do que se passa em Cuba ou por covardia pessoal. Para agravar, o pé-frio ainda acabou visitando Cuba exatamente no dia em que morria o prisoneiro político Zapata, após uma longa greve de fome.

Confrontado com esta morte criminosa, Lula tentou escapar do assunto alegando que "cada país tem o direito de decidir o que é melhor para ele". Sobre a morte de zapata, não saiu da boca de Lula nenhum protesto. O petista apenas criticou a greve de fome e fez uma tola comparação com uma greve de fome que ele teria feito quando esteve preso. Na verdade, o próprio Lula sempre faz piada com essa suposta greve, dizendo que "furou a greve" chupando balas que tinha escondido.

Ao contrário do brasileiro, o primeiro-ministro espanhol José Luís Rodrigues Zapatero vem interpelando publicamente o regime cubano quanto aos direitos humanos, trazendo inclusive o problema no plano político da Comunidade Européia. Lula poderia ter feito isso no plano do Mercosul. Seria bem mais vantajoso para sua imagem internacional do que meter o Mercosul em papo de futebol, que foi o que ele fez nesta Copa do Mundo.

Mas tem a dificuldade de compreensão e a covardia pessoal de que falei. Mal assessorado e sem capacidade moral, Lula perdeu mais essa oportunidade na política internacional. Com suas fotos à beira da piscina e embriagado na presença do ditador, vai ficar na história no papel de bobo da corte do regime cubano.
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POR José Pires

terça-feira, 13 de julho de 2010

Dessa Lula não sabia mesmo

Sete prisioneiros políticos cubanos já chegaram à Madri e o governo espanhol anuncia que amanhã chegam mais três. Já começa o maior exílio de prisioneiros políticos da história do regime cubano, como o jornal espanhol El País vem chamando este episódio.

É interessante que um governo que vem se comportando com firmeza, porém sem nenhum sensacionalismo em suas relações internacionais é que tenha, no final, obtido o resultado mais expressivo em uma questão tão importante como a da liberdade política em Cuba. É claro que a cobertura do assunto feita pela imprensa espanhola é das melhores. Tem sido sempre assim nos assuntos ligados à América Latina.

A imprensa brasileira é que deveria estar bem atenta ao estilo jornalístico dos espanhóis num caso tão marcante. As informações são objetivas, sem que os fatos realmente importantes sejam atrapalhados por fofocas ou histórias curiosas. Até agora também não aconteceu de nenhum jornal dizer que o primeiro-ministro José Luís Rodrigues Zapatero só não será secretário-geral da ONU se não quiser e também não formam feitas comparações entre ele e Barack Obama. E olhem que além deste feito político dos prisioneiro cubanos os espanhóis também ganharam a Copa do Mundo.

Já escrevi aqui neste blog sobre meu estranhamento com a absoluta submissão de Lula nas relações entre seu governo e o regime cubano. É claro que não se espera de Lula independência em relação a Fidel Castro, mas é estranho que não seja possível sequer simular uma relação soberana por parte do Brasil, com uma menção, mesmo que seja de leve, para questões universais como os direitos humanos.

Mas parece que com o regime de Castro não existe abertura nem para compartilhar certos ganhos políticos. Lula esteve em Cuba há cerca de quatro meses para fazer aquele papelão de aparecer gargalhando ao lado dos irmãos Castro no mesmo dia em que o prisioneiro político Zapata morria após uma greve de fome.

Foi maldade deles com o petista. Podiam ter avisado sobre os novos rumos do regime, que certamente já estavam em discussão interna naqueles dias em que Lula fez papel de bobo no plano internacional.

Outra demonstração de que os petistas não têm sintonia alguma com o papel das esquerdas no plano internacional ocorreu com a candidata que Lula quer por no lugar dele a partir do ano que vem.

Pois Dilma Rousseff esteve no mês passado na Espanha e teve um encontro no dia 16 com o primeiro-ministro Zapatero. Ficaram uma hora e meia conversando. No mês anterior foi Lula quem esteve na Espanha. Dá para notar que ninguém conversa nada a sério com os companheiros petistas. E com toda a razão. A última do Lula em relações internacionais foi divulgar uma carta pessoal que Obama mandou para ele.
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POR José Pires

Pelegos unidos

O manifesto das centrais sindicais contra o candidato José Serra é escandaloso, mas é algo que não surpreende. CUT, Força Sindical, as duas centrais mais conhecidas, e CGTB, CTB e NCSTO, que são siglas completamente desconhecidas, não representam o interesse dos trabalhadores há muito tempo.

Faz muitos anos que essas centrais atuam como máquinas político-eleitorais. A CUT, como todos sabem, tem sua origem no PT e desde sempre foi um braço da máquina partidária petista. Foi por meio da CUT que Lula, na campanha em que alcançou o primeiro mandato, amealhou sindicatos cutistas de todo o país para trabalhar pela sua candidatura.

Fala-se muito no carisma de Lula. Porém, sem a máquina sindical, ele teria bem mais dificuldades para derrotar Serra em 2002. Se no Brasil a lei fosse cumprida, pelo menos nos veríamos livres desse mito sobre vitórias eleitorais alcançadas por meio do carisma.

Em 2002 sindicatos de todo o país usaram suas máquinas a favor de Lula com tamanha desfaçatez que muitos até pintaram o nome do candidato em grandes painéis em suas sedes. Na época pouco se falou nisso e a atuação da Justiça Eleitoral foi nula.

Lá atrás, também era contra os tucanos que eles agiam. Espalharam tudo quanto foi boataria e até foram para a rua em manifestações vazias de conteúdo trabalhista, mas muito significativas como reforço para os planos eleitorais do PT, como as campanhas contra a dívida externa, que hoje sabe-se que eram apenas instrumentos eleitorais.

Um setor que muito trabalhou por Lula foi o dos bancários. Muito fortes em todo o Brasil, além do apoio explícito ao PT os sindicatos bancários serviam também como instrumento de pressão contra o governo de Fernando Henrique Cardoso, em greves, manifestações de ruas e falsas campanhas populares, como a que citei acima, atividades políticas bastante intensas que vinham fazendo bem antes das eleições.

É claro que essa transformação desses sindicatos em mero instrumento partidário acabou resultando em grave prejuízo para os trabalhadores do setor. Hoje os bancários vivem o paradoxo de ser uma profissão das mais empobrecidas trabalhando para o setor mais lucrativo do país.

Enquanto os bancos lucram cada vez mais, aumentando com o governo Lula a riqueza que já vinham tomando de todos os outros setores da economia em governos passados, os bancários sofrem com demissões e arrocho salarial.

Números divulgados esta semana pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) revelam que os bancos estão demitindo trabalhadores e recontratando outros com salários menores. No primeiro trimestre deste ano, o sistema bancário demitiu 8.213 que ganhavam em média R$ 3.536,38 e admitiu 11.053 trabalhadores com remuneração média de R$ 2.197,79.

Números como esses já mostram que as centrais sindicais teriam muito mais o que fazer do que montar manifestos contra este ou aquele candidato, mas dirigentes comprometidos apenas com suas próprias carreiras políticas já perderam de vez qualquer compromisso com os problemas reais das categorias que deveriam representar.

A única novidade no esquema montado por Lula é que ele puxou de vez para seu lado a Força Sindical, central que anteriormente tinha mais relação com os tucanos. Hoje estão todos juntos servindo ao mesmo governo. Só falta vê-los nas ruas, de braços dados em manifestações e gritando "Pelego unido, jamais será vencido".

Antes eles até aparentavam diferenças. Agora é tudo uma coisa só. Não deixa de ser uma modernização, pois com isso nem se pode falar mais em pelego. O sindicalismo sob o lulo-petismo é um patchwork, onde pelegos de várias cores, inclusive o pelego vermelho da CUT, formam um apoio firme para o governo e uma ameaça constante para a oposição.

Isso dá um fecho formidável para a transmutação política que Lula e seus companheiros sofreram com a chegada ao poder. O mito Lula nasceu exatamente da luta contra o peleguismo, representado pelos sindicalistas que hoje formam a Força Sindical, enquanto o sindicalismo do ABC surgia como representativo de um sindicalismo autêntico e sem atrelamento com os patrões ou com o governo.

Este patchwork formado por pelegos da Força Sindical e pelegos da CUT, além da pelegada de outras centrais, é a bandeira perfeita para o que Lula e seus companheiros fizeram do sindicalismo brasileiro. Uma força política que representa apenas interesses particulares de castas aboletadas no poder.
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POR José Pires

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Serra: conceito e visual no caminho errado

No seu Twitter, o candidato José Serra avisa um internauta que está com um site onde tem material de campanha disponibilizado. O Twitter do candidato continua na mesma, sem nenhuma identidade visual, nada que crie uma sintonia com a campanha tucana. Qualquer adolescente incrementa sua página, já a de Serra ainda está com o visual simples que o Twitter fornece na entrada. Bem os marqueteiros dos tucanos devem estar muito ocupados e não podem dar uma guaribada no Twitter dele. E isso também é bobagem, afinal o Serra tem apenas quase 300 mil seguidores.

Em campanha há mais de dois anos e com toda a máquina pública e de sindicatos a seu favor, Dilma tem pouco mais de 100 mil. Seu Twitter desde o início é bem resolvido visualmente. Marina Silva está com pouco mais de 90 mil seguidores e seu Twitter é tão simplesinho quanto o de Serra, mas Marina, coitadinha, talvez tenha dificuldade com esses novos processos tecnológicos... mas nem vou falar da cabocla, que seu pessoal já está me querendo me marinar pra botar no forno, de tão bravos que estão comigo.

Mas, voltando ao material de campanha do tucano, é claro que fui sapear. E cheguei a um site pobre, que parece ter sido feito às pressas. De material, temos lá um logotipo, uma foto e o jingle.

A foto é muito simples, mas pelo menos a cabeça do candidato ficou inteira. Marqueteiro tem a mania de cortar o topo da cabeça de candidato careca. Só pode ser preconceito. Vereador, prefeito, deputado, governador, todo candidato careca recebe este corte na fachada e fica sem a careca. A foto de campanha de Serra não é lá essas coisas, veja ao lado, mas pelo menos salvou-se sua careca. Já é um avanço.

Outro ponto positivo da foto, para não dizerem que só sento o sarrafo, é que não deixaram solto o cara do Photoshop. Photoshopo é um problema. Na foto oficial da candidata do PT, praticamente redesenharam a Dilma. Mas com ela já é um método. Primeiro foi o cirurgião plástico, depois o cara do Photoshop, moço muito bacana: Dilma ficou mais nova que a Norma Benguell na década de 60.

O logotipo é fraco, não se destaca de forma alguma, o que é arriscado em uma eleição em que disputa-se governos estaduais, senado e câmara. Fizeram pro Serra aquele velho logotipo de qualquer eleição de tucano: o azul e amarelo do partido e o nome do candidato em uma fonte tipográfica sem serifa, sem nenhum toque especial em qualquer letra ou no conjunto, resultando em uma marca sem identidade.

Já vimos isso várias vezes. É um logotipo que já foi do Alckmin, tanto em campanha para presidente quanto para governador, também já foi do Serra lá atrás, além de ter servido para milhares de vereadores e outras centenas de prefeitos tucanos pelo país afora. É uma marca fraca e com uma marca fraca o candidato à presidente corre o risco de ser apagado por campanhas mais criativas de deputados ou governadores.

Mesmo quem é um Obama precisa de um bom suporte de comunicação, uma identidade visual que marque profundamente o sentido político da campanha. E quem não é Obama precisa disso ainda mais.

Na marca de campanha, debaixo do nome do candidato, está a identificação "Vice: Índio", assim mesmo, sem o sobrenome do deputado. Nem vou falar da incompetência profissional de quem cria esses logotipos nos quais o nome do vice some quando ele é aplicado na internet, o que acontece com o de Serra. Até porque esse "Índio" aplicado isoladamente é um erro pior. Bem, eu aplicaria o nome inteiro — "Índio da Costa" — e toca pra frente. O nome deste vice é também um substantivo que pode atrair um tipo de atenção fora do foco que interessa à campanha. Colocar apenas "Índio", como está na marca de campanha, resulta apenas em complicação.

E o jingle parece tema de candidato a prefeito. Conceitualmente vai de encontro ao que se espera de um candidato da oposição nesta eleição. Tromba de forma violenta inclusive contra o discurso do candidato nesta pré-campanha. O refrão personalista lembra o quero-quero da eleição anterior à presidência que Serra disputou. Um coro pede com insistência "Eu quero Serra", com uma estranha acentuação (e errada) na última sílada

O conceito marcante é de que "agora é Serra pra cuidar dessa nação" junto com a afirmação de que "Agora é Serra pra cuidar da gente". Já vi isso em campanha pra prefeito. E mesmo no universo restrito de um município este conceito populista cria antipatia com segmentos política e culturalmente de maior influência social.

Cá entre nós, você quer o Serra ou qualquer outro político cuidando de você? Nem eu, nem você e nem milhares de pessoas tem interesse nesse tipo de coisa. E para agravar a inconveniência deste conceito, este público está situado exatamente entre o eleitorado que Serra precisa manter.

Os tucanos estão enfrentando um problema que não é novo. É preciso conquistar o voto do eleitor mais pobre, que foi cooptado de forma bastante canalha pelo lulo-petismo com o uso eleitoral de direitos sociais básicos fornecidos pelo Estado. E isso tem que ser feitos sem criar áreas de atrito com o eleitorado que já tem simpatia por Serra, composto basicamente por eleitores com alta rejeição ao populismo.

Saúde? Foi Pai Lula quem deu. Emprego? Foi Pai Lula quem deu. Educação? Foi Paí Lula quem deu. E por aí vai, com o discurso amealhando qualquer questão à esta idéia de um Estado protetor. E se foi Lula quem deu, a propaganada já vem marcando que Mãe Dilma dará isso e algo mais.

A questão do marketing de Serra é conquistar este tipo de eleitor, porém sem perder ou deixar de ganhar o eleitor que não precisa de assistência do Estado e que também tem a tendência de votar contra esta cultura populista na qual o lulo-petismo se agarrou de forma muito bem estruturada, até porque sempre teve como base um sindicalismo que vive disso há muito tempo.

Se o que Serra apresenta agora como suas marcas for determinar de fato a linha de campanha daqui até outubro, sua candidatura estará tomando o caminho errado.
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POR José Pires

sexta-feira, 9 de julho de 2010

PT: o partido do mau humor

Já comentei que uma das minhas preocupações com a eleição de Dilma Rousseff é que o país caia de vez na chatura. A corrupção é um problema, mas outro risco sério com a vitória do PT é que viver no Brasil se torne irremediávelmente chato.

Os petistas não tem humor algum. E como pretendem ficar para sempre no poder resolveram fazer do políticamente correto um instrumento de pressão contra a criatividade e a liberdade de expressão.

Os dois mandatos de Lula fizeram do Brasil um lugar muito chato. No futebol falam da Era Dunga, pois como sinônimo de gente travada, supostamente prática e inimiga da criatividade, a Era Lula não tem rivais. Um terceiro mandato, desta vez com Dilma, seria insuportável.

A última desses chatos é a ameaça de processo contra o cartunista Nani. É por causa da charge ao lado, que foi publicada em seu blog na internet. É uma crítica política à zona (no sentido de "confusão", viu feministas e advogados?) criada pela candidata com seu programa de governo. O programa mais radical ela até assinou sem ler.

Os advogados do PT estão estudando o caso para decidir se processam o cartunista. Dificilmente isso deverá acontecer, devido à polêmica criada em torno do caso e ao repúdio que já é grande. Felizmente as pessoas rapidamente viram no fato o seu grave significado, identificando nesta tentativa de intimidação mais uma ameaça do PT à liberdade de expressão.

Outra razão que me faz acreditar que o processo contra o cartunista não será levado adiante é porque o assunto não está só na área jurídica petista. A análise estaria sendo feita pelo escritório do ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, que não fica neste nível intelectual de sarjeta.
Mas, de qualquer forma, o PT coloca na campanha a arma da ameaça. E talvez seja isso que eles estejam querendo com este ataque ao Nani. Por meio desta intimidação, podem evitar outras críticas mais pesadas, principalmente da parte dos humoristas. Tem gente que pode até ver um exagero quanto ao alerta de que a eleição de Dilma afeta a democracia. Pois aí está um exemplo. E é só um aperitivo do que pode vir por aí com o PT de novo no poder.

Mas em meio à polêmica, os dirigentes petistas entregando as verdadeiras razões da reação contra a liberdade de expressão. No Twitter, o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, escreveu o seguinte: "Bons tempos aqueles em que os chargistas políticos brasileiros eram reconhecidos pela inteligência e não pela baixaria preconceituosa".

Bem, ele deve estar falando da época em que os chargistas criticavam o governo de Fernando Henrique Cardoso. Naquele tempo os petistas achavam graça em tudo. O Nani foi rápido e publicou em seu blog várias charges, como esta acima, do FHC como prostituta, como exemplos práticos que desmontam qualquer argumentação leviana. Dessa charge nenhum petista reclamou.

Para animar o furdunço (calma, meninas!) a Secretaria de Mulheres do PT tentou o políticamente correto, mas acabaram caindo sem querer na piada pronta. Na nota que lançaram afirmam o seguinte: "Só em uma sociedade midiática em que predominam ainda valores machistas é possível veicular 'impunemente' uma charge tão desqualificadora das mulheres e tão discriminadora com as profissionais do sexo, as quais ainda se constituem como objeto de usufruto masculino".

O que será que estão querendo dizer? Talvez seja uma crítica ao cartunista não por ele caracterizar um candidato a presidente da República desse jeito, mas porque acham isso uma sacanagem com a prostituta. Mas nisso a gente concorda.

Porém, o que não dá para aceitar é este palavrório que busca confundir o debate. Este recurso de fazer um político caracterizado como prostituta é bastante usado, como o próprio Nani mostrou bem em seu blog. É um chavão eficiente de humor que nada tem a ver com questão de gênero, religião ou ideologia. E, claro, quando o chargista faz isso ele não está querendo de forma alguma ofender as prostitutas.
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POR José Pires

Hora de mudar o jogo

Ontem me chamou a atenção uma notícia sobre os elogios do técnico da Holanda à seleção da Espanha. O técnico Bert van Marwijk disse que a Espanha tem a melhor equipe do mundo. Na semana passada, o técnico holandês já havia falado também de forma positiva sobre o Uruguai, a seleção que disputou e perdeu as semifinais com a Holanda.

Ele não teve com o Uruguai a admiração que mostrou pelo futebol espanhol, para ele a seleção “que joga mais bonito”, mas foi muito respeitoso: "O Uruguai é uma equipe forte e teremos de entrar em campo muito concentrados. São lutadores, sobreviventes".

É claro que este modo de encarar publicamente os adversários é também uma forma de agir psicologicamente sobre seus comandados. Subestimar riscos sempre pode levar à quedas de desempenho. Mas as falas do técnico holandês trazem para mim, como brasileiro, uma sensação de que essa forma de encarar o trabalho deveria ser aplicada por aqui.

O holandês é um dos dois técnicos de futebol que chegou mais longe nesta Copa do Mundo, porém, mesmo com esta vantagem ele segue atento às qualidades do adversário. Mais do que um gesto cavalheiresco, o elogio à Espanha também aponta obstáculos que podem impedir que ele tenha sucesso em seu trabalho. No futebol, a qualidade do outro time é o problema que tem que ser atacado.

E não estou falando só de futebol. O governo Lula tem desenvolvido uma forma de administrar e de fazer política que subestima adversários e não encara os problemas com realismo. O estilo segue firme e será a tônica da campanha da candidata oficial, mesmo com o Brasil tomando goleadas seguidas, como mostram índices negativos em vários setores, quando isso não é revelado em número de vítimas fatais, como acontece em enchentes, desabamentos, acidentes de trânsito ou na mortandade provocada por crimes pelo país afora.

O técnico Marwijk deve ter conversas rigorosas com seus jogadores nos bastidores. Duvido que ele fale de qualquer desafio à frente como sendo uma “marolinha”. Com esse papo, ele poderia criar em seu elenco um clima de comodidade e mesmo adverso às exigências provocadas por alguma circunstância mais grave.

No Brasil a coisa é diferente. O que Lula faz é sempre um ponto único e espetacular da política brasileira e até mundial, o que coloca seu governo sempre naquela posição exclusiva do “nunca neste país”, de que ele tanto fala, com o Brasil no melhor dos mundos e até com influência decisiva no plano internacional.

O resultado é que o trabalho por fazer se acumula, sendo que, em muitos casos, ainda não se sabe nem por onde começar. Esta política de governo também acaba colocando de lado socialmente e até satanizando quem tem posições críticas que poderiam estimular uma maior atenção das pessoas aos problemas brasileiros e um empenho coletivo na solução de tantas complicações.

E como as goleadas que o país vem tomando, mesmo comprovadas por índices negativos em várias áreas, não aparecem nos resultados eleitorais, Lula segue no mesmo ritmo, influenciando evidentemente com esta postura o pensamento do brasileiro.

Pois acho que a linha de pensamento de dirigentes como o técnico holandês seria excelente para substituir esse modo de ver o mundo e de agir que políticos como Lula estão impondo de forma perigosa na cultura do brasileiro. A equação perigosa é muito simples: se dá certo com o PT e com Lula por que não devo fazer o mesmo?

E tudo indica que cada vez mais brasileiros seguem por esta linha. Na política, onde o estilo não é novidade mas, até por exigências morais ou de imagem, era cometido com relativa discrição, hoje esse comportamento é a regra.

Está aí uma boa hora para mudar. Poderíamos começar a encarar de frente os problemas, expondo nossas deficiências e até nos esforçando para aprender mais ou procurar quem saiba, para podermos encontrar boas soluções e trabalhar para colocá-las em prática. Seria até saudável para os brasileiros, como uma experiência que nos tirasse dessa comodidade de tantos anos sendo um país melhor em praticamente tudo, como fomos até recentemente no futebol.
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POR José Pires

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Metendo as mãozinhas

Saiu o logotipo da Copa do Mundo de 2014 que vai ser realizada no Brasil. Taí, gostei muito.É de um grafismo muito simples, mas de forte teor simbólico.

Peguei rápido a mensagem: as mãos verdes e a amarela representam essa mania dos políticos brasileiros de meter a mão nos cofres públicos, muito forte, por sinal, também entre dirigentes esportivos. E a data em vermelho, cor que não tem outro significado no Brasil que não o de ser a cor do PT, simboliza a forte vontade deles continuarem nessa mamata até 2014.
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POR José Pires

Urubuzando o Flamengo


É impressionante a maré de azar do Flamengo, com jogador sendo flagrado em festas com traficantes, como aconteceu com Vagner Love, ou flagrados em fotografias com metralhadoras nas mãos e suspeitos de ligação com chefes de quadrilhas criminosas, o caso do atacante Adriano. E agora aparece este crime pavoroso que envolve o nome do goleiro Bruno, numa situação de tamanha prepotência e violência que deve afetar de forma bem grave a imagem do time.

Como sou um estudioso das energias negativas que vêm causando danos ao esporte brasileiro, fui investigar se o seca-pimenteira do Planalto não teria algo a ver com esta urucubaca que afeta o Flamengo. E sapeando no setor de fotografias do Gabinete da Presidênca da República, vejam o que encontrei. A imagem acima mostra a delegação do Flamengo em visita ao Lula, em Brasília, no final de dezembro do ano passado depois da conquista do campenato brasileiro. Esse pessoal não aprende mesmo: deixaram o notório secador até pegar na taça.
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POR José Pires

Cheia da nota

Quem já não sentiu aquela péssima sensação de constrangimento em ver alguém dando vexame em cima de um palco? É quando bate com força a compaixão, um sentimento que independe da nossa relação com quem está passando o ridículo.

Acompanhar a Dilma Rousseff nesta eleição vai ser difícil, porque ela está sempre fazendo eu me sentir assim. Puxa vida, como é despreparada essa candidata. E o pior é que com essa máquina ela pode se eleger presidente. E, caso essa desgraça aconteça, como é que vou agüentar os próximos quatro anos, eu que já não tenho mais idade para endurecer o coração?

Dilma encalacrou-se com uma história estranha, embutida na sua declaração de renda. Segundo os documentos que apresentou ao TSE ela possui R$ 113 mil em dinheiro vivo. A informação não esclarece se ela guarda a bufunfa em gavetas, num cofre ou embaixo do colchão.

Ela também não esclareceu o volume das notas. Mesmo que seja em nota de 100 reais dá um pacote e tanto. Não tanto quanto a dinheirama flagrada com os aloprados do presidente Lula e fotografados pela Polícia Federal, mas é sempre bem mais do que os dólares escondidos na cueca petista.

Mas não deixa de ser estranho uma autoridade pública ter essa quantidade de dinheiro vivo em casa. É mais estranho ainda para uma candidata à presidente da República. Mas como Dilma sabe de tudo do governo Lula, pode ser uma desconfiança bem embasada sobre o que vem por aí. Já estou esvaziando a minha conta no banco: eu é que não vou deixar meus 113 reais (R$ 113, viu?) na insegurança desse sistema bancário.

É claro que ela já está explicando o assunto. E a Dilma explicando qualquer coisa é algo bastante constrangedor. É difícil para a minha sensibilidade.

Questionada ontem por jornalistas, ela disse o seguinte: “É uma escolha minha, não é ilegal”, e depois se confundiu sobre o valor: “Guardar esses R$ 110 milhões, digo, R$ 110 mil, não tem nenhum problema.”

Seja R$ 110 milhões ou R$ 110 mil ou mesmo R$ 113 mil, este número tão simbólico, as quantias não me importam, até porque pode ser bem mais que isso tudo. O que me incomoda é esse sentimento de compaixão com patifes.
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POR José Pires

Marina Silva na batida de sempre

Marina Silva, do Partido Verde, acaba de lançar seu jingle. Imediatamente o ex-prefeito Cesar Maia aponta corretamente a inspiração do criador da peça de campanha: o jingle “brahmeiro”, da famosa cerveja. Ele tem razão. É a mesma coisa.

O jingle de Marina — mais pra uma vinheta —, que pode marcar seus programas de TV e rádio, nem pode ser transcrito. É apenas um coro de vozes que canta repetidamente “Eu sou brasileiro, eu sou marineiro”.

Lembra também aquela propaganda triunfalista de Lula, do "sou brasileiro". Nem com a máquina do governo e das ricas estatais intrumentalizadas pelo governo petista isso pegou. Existe um deslumbramento equivocado com o suposto otimismo que estaria incorporado entre as pessoas, um orgulho em ser brasileiro. Olhando bem para os lados (com bastante cuidado, para não levar um tiro) não percebo motivos pra tanto. Será que o clima está assim dentro desses carros refrigerados e fechados com vidro preto? Não é o que vejo por aí quando ando em ônibus urbanos lotados.

Mas, supondo que esta palavra de ordem de Marina pegue. É um conceito banal, mas pra cima. Não há nenhum senão neste jingle, nem uma insinuação da necessidade de influir para dar a diferença. Bem, então por que votar na Marina e não na Dilma? Isso reflete uma dificuldade até pessoal da candidata, de não compreender que ela não terá o voto do leitor se não mostrar diferença com o que está aí. Mas parece difícil para ela quebrar os vínculos até sentimentais com o lulo-petismo. Não realidade, quando é bacana com o Lula (e que ela tem feito seguidamente) ela acaba sendo ainda mais bacana para a eleição da candidata do Lula.

Mas, já que é o que está aí, o jingle não é embriagante, mas pelo menos não faz mal para o fígado como o da Brahma. Fizeram o correto e, de forma involuntária, é claro, o criador traduziu como está a candidatura de Marina Silva. A ex-ministra de Lula tem se inserido na campanha eleitoral como mais uma, no mais do mesmo da política brasileira.

De início, quando surgiu como candidata, os ares de novidade política até fizeram os dois candidatos mais fortes, Serra e Dilma, buscar um reforço no discurso ambiental. Dilma até se grudou no braço do presidente Lula, que desandou a falar do assunto, ele que prefere sempre uma plantação de soja a um “cerradinho”, no comparativo canalha que usou para bajular fazendeiros. Na deliberada confusão petista entre palanque e governo, ele até levou sua candidata para o exterior. A cena de Dilma sentadinha próxima a Barack Obama e de outros estadistas estrangeiros que discutiam o meio ambiente é uma peça especial do lado rídiculo da política brasileira, uma das tantas desse governo tragicômico.

A surpresa inicial da candidatura de Marina dava a impressão de que surgiriam dali elementos inovadores para esta eleição, mas não é o que vem acontecendo. Passada a explosão de entusiasmo que deu o susto nos dois principais contendores, a candidata parece ter sido reconduzida ao ritmo banal da política brasileia.

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POR José Pires

Uma candidata que parece não saber o que quer

Marina é a contradição em pessoa. Em teoria, nesta eleição representaria o meio ambiente, ela que foi durante seis anos, quase sete, ministra de um governo destrutivo neste plano e que falhou na tarefa inadiável de preparar as bases para que o país possa enfrentar um futuro muito preocupante e bem próximo. O resultado é que, com os oito anos de Lula já chegando ao final, quase tudo ainda está por fazer.

É um legado de Lula. Mas também é responsabilidade dela. Logo quando Marina saiu do governo parecia que a discussão ambiental iria ser um destaque no debate político, tanto que os outros candidatos também saíram a campo tentando mostrar que eles são ambientalistas desde criancinha.

Marina só tem sido poupada dessas críticas porque permanece no papel do patinho feito. Parecia um cisne no início e várias pessoas se apressariam em buscar meios para cortar-lhe as asas se tivesse continuado assim. Mas logo passou a impressão de candidatura emergente prestes a contagiar o eleitorado, queda de entusiasmo que se deve à dificuldade de definição da candidata.

Como vivemos num país onde discussão política é como lei, tem os assuntos que pegam e os que não pegam, rapidamente mudou-se de papo com a dificuldade da candidata em ocupar de forma inovadora o espaço que se abriu pra ela. Caberia a Marina impor o tema, o que ela não vem fazendo.

Deve ter muita gente piando na cabeça dela que “ambientalismo não ganha eleição”, um raciocínio torto em política e ignorante e preconceituoso em relação ao tema mais importante da atualidade.

Passa a impressão de que ambientalista é um ser louco capaz de discursar sobre o aquecimento global para platéias que sofrem com o transporte público, a falta de segurança, com dificuldades de saúde e econômicas básicas e a ausência de perspectiva pessoal e comunitária.

A questão ambiental está interligada aos vários problemas brasileiros, sendo forte demais, até um terrível suplício, na vida de grandes cidades e de cidades médias brasileiras. Atinge também as cidades pequenas, basta andar por aí para ver. É preciso situar o assunto de forma clara e inteligente e mostrar suas implicações na vida prática dos brasileiros, é claro, mas qual é a dificuldade em fazer isso?

Essencialmente, esta questão tinge de forma marcante o cotidiano urbano. Basta passar as linhas gerais do amplo conhecimento que existe hoje sobre isso a um marqueteiro eficiente que ele será capaz de botar nas ruas peças fortes, com grande poder de influência sobre o voto dos brasileiros. A base deste conhecimento já está aí, tudo muito bem descrito e até conceituado de forma clara. Mas será que Marina conhece? A julgar pelo seu comportamento no ministério de Lula e agora nesta campanha, tenho a impressão que não.

Ainda assim, vai ter gente dizendo que isso não ganha eleição. Mas, espere aí, compor uma candidatura em torno de uma candidata em visitas com formato oficial, apenas palestrando e fazendo passeatas e carreatas por aí, não estaria em conformidade com pensamento ecológico algum, pois basicamente a atuação ecológica consiste plantar idéias com empenho e persistência.

A candidatura de Marina Silva só vai pra frente se tiver este norte ecológico, aplicado ao dia-a-dia dos brasileiros e bem definido num bom trabalho de comunicação. Dessa forma ela pode até emplacar nesta campanha. A política cria possibilidades de um momento pro outro, mas é preciso estar bem estruturado conceitualmente para aproveitar oportunidades.

E no caso de não dar certo já nesta eleição, vale também o pensamento ecológico, pois é preciso sempre buscar o equilíbrio entre a urgência de algumas necessidades do agora e a visão do que o futuro nos reserva potencialmente no plano dos riscos e possibilidades.
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POR José Pires

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Cala a boca, Lula!


O seca-pimenteira é fogo. Lula havia feito apenas uma referência de passagem à seleção da Alemanha, quando dava seu apoio enfático ao Uruguai, que ele via, sabe-se lá por que razão, como a seleção do Mercosul e (pasmem!) representante do Brasil na Copa. Ele lembrou de um brasileiro naturalizado que joga na seleção alemã. É Cacau, autor do quarto gol na goleada contra a Austrália no início da Copa. Bem, Lula ainda não havia citado seu nome. Cacau não entrou em campo neste jogo final, em que a Alemanha perdeu de um a zero para a Espanha e perdeu a chance de ganhar a sua quarta Copa.

Acho bom o Lula ficar quieto nesta final entre Espanha e Holanda. Um palpite do pé-frio pode desestabilizar a bolsa, a outra, a bolsa de apostas de Londres. Se o azarento apontar uma preferência, quem será louco de bancar apostas a favor do adversário deste predestinado vice-campeão?
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POR José Pires

Com Dilma não vale o escrito

Já se tinha conhecimento de que Dilma Rousseff não sabe por que quer ser presidente da República. Ela havia se recusado a responder a esta pergunta simples feita pelo jornal O Globo. O jornal publicou as respostas de Serra e Marina Silva no último domingo e no lugar onde estaria o texto de Dilma colocaram uma imensa interrogação. Parece um retrato da petista. Agora sabe-se que a candidata do Lula também assina documentos sem ler.

O PT apresentou ao TSE um programa de governo bem radical, com posições extremadas sobre controle de mídia, aborto e invasão de terras. Logo que este documento passou a ser discutido na mídia, com estes pontos polêmicos indicados em primeira mão pelo blogueiro da revista Veja, Reinaldo Azevedo, o PT entrou polvorosa no seu conhecido e conflituoso processo de apaziguamento das tensões internas do partido e contentamento da opinião pública.

O PT sabe muito bem o faz e que quer, mas também aprendeu a dosar sua tendência autoritária com a hipocrisia política, para não criar problemas eleitorais no caminho do poder. Era tudo que criticavam quando estavam na oposição, mas depois que alcançaram o poder com a promessa de acabar com isso, fizeram da hipocrisia um mandamento pétreo. 

O programa eleitoral que tocava em questões polêmicas foi substituído às pressas no TSE por outro mais ameno. Dilma afrmou que não sabia nada sobre o programa radical que foi pra gaveta.

O secretário de Comunicação do partido, André Vargas, apresentou duas versões contraditórias sobre o imbróglio petista. É bem PT. Quando eles ainda não haviam avaliado a dimensão dos danos eleitorais provocados pelo documento radical, ele defendeu o programa, afirmando o seguinte: “Não há problema em ter pontos polêmicos nele. Nós somos polêmicos. Isso não é problema, é qualidade.”

Algumas horas depois, bem PT, como já falei, ele voltou atrás. Sua nova versão: “Por volta de 15h30 recebi uma ligação que indagava sobre algo que eu não sabia responder. Fui à página do TSE verificar o que estava ocorrendo e percebi a troca dos programas. Foi uma terrível falha nossa, que certamente vai nos dar dor de cabeça por uns dias, talvez semanas.”

Mas a confusão do partido de dois programas, com pontos que se excluem, aumentou quando foi notado em cada página do documento radical entregue ao TSE a rubrica da candidata Dilma Rousseff. Ao lado do jamegão da candidata, também está a rubrica do presidente do partido, José Eduardo Dutra.

Com a polêmica, o partido escondeu-se detrás da desculpa de sempre. Ninguém sabia de nada. Não é novidade entre eles, Lula fala isso em todos os escândalos petistas. Também não é incomum na história política univeral. Em Nuremberg, por exemplo, no banco dos réus havia muita gente que não sabia de nada do que acontecera quando os nazistas estiveram no poder. O segundo homem no regime, o marechal Goering, era um desses distraídos.

A trapalhada só deixa uma saída aos petistas: alegar incompetência. Pois se o programa radical foi entregue por engano ao TSE, conforme a versão do PT, como é que cada folha foi rubricada por Dilma e por Dutra? Bem, a alegação só teria consistência se Dilma tivesse assinado o documento sem ler.

Em política, principalmente a brasileira, esta justificativa pode até servir para renegar um documento e fugir da confrontação com responsablidades, mas deveria disparar um alerta. Esta falta de consistência de caráter certamente deixa margem para ações perigosas no futuro. E vindo de quem pode ser presidente da República, este é um risco dos mais perigosos.
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POR José Pires

O doutorado de Dilma também não valia

Novamente Dilma encarna a omissão quanto a temas que seu partido pretende executar. O documento que ela parece ter assinado sem ler contêm propostas polêmicas e anti-democráticas. O controle da mídia os petistas já tentaram colocar em prática. Recuaram por enquanto, mas não abandonaram a idéia. É uma questão de oportunidade que, felizmente, por enquanto não existe.

A facilitação de invasão de terras também é parte do ideário e tem sido colocada em prática mais como recurso político e, por muitas vezes, eleitoral. A bem da verdade, a tática tem pouco servido para a reforma agrária e muito menos como indutora de igualdade social e produção agrícola equilibrada, seja ambientalmente ou no aspecto comercial. E, ademais, sendo governo, por que o PT não avança com isso de forma oficial?

O que ocorre é que o MST age em conformidade com os interesses eleitorais petistas até em eleições estaduais e já houve situação que o recurso da invasão já serviu até em eleição municipal.

Noutro ponto, a questão do aborto, a posição do partido é muito bem conhecida. O apoio ao aborto serve em boa parte para contentar setores da militância feminina. Além disso, Dilma também já defendeu a descriminação do aborto em entrevista à revista Marie Claire, em 2007, revelação levantada também pelo blogueiro da Veja (Pô, não tem jeito do PT fazer alguma coisa que esse cara não possa escarafunchar).

Nem vou entrar no mérito das posições do partido ou da candidata. Essas contradições são antigas, pois o PT é composto por pessoas com evidentes dificuldades com a inter-relação entre suas idéias e a prática política. Eu sou da opinião de que um homem (mulher também, Dilma!) deve lutar com clareza pelo que pensa, mas como é que Dilma poderia saber em 2007, quando colocou de forma verdadeira sua posição frente ao aborto, que um dia o Lula iria ordenar que ela fosse candidata a presidente da República?

O PT é um partido com um histórico cheio de complicações com essa coisa simples de honrar o escrito. Até hoje os petistas se explicam sobre a acusação de não terem assinado a Constituição de 88. Teve dirigente que até procurou oficializar a versão de que essa acusação seria maldade de adversários, buscando comprovar que assinaram o documento maior brasileiro.

Se foi coisa ou não de adversário não é a questão essencial nesta discussão. No caso dos dois programas — um radical outro remendado para aparentar sensatez — apresentados pelo PT ao TSE, não há dúvida: ou Dilma mente ou assina as coisas sem ler.

O que existe de fato nesta questão tão simples está baseado numa palavra também simples: confiança. E isso o PT e Dilma não sustentam em ocasião alguma. Entre outras coisas, Dilma já mentiu sobre seu doutorado, por exemplo. Apresentava-se como doutora sem nunca ter concluído doutorado algum. Alguém acha isso pouco? Pois se aceitarmos como exceção a mentira de Dilma sobre seu doutorado, abriríamos espaço para uma quebra de confiança em todo o contrato social que garante questões vitais.

Um doutorado universitário está estabelecido em bases de credibilidade (e esforço, Dilma, também muito esforço) que no final sustentam praticamente todas as nossas relações sociais. Nossa capacitação tecnológica, científica e cultural nasce daí. Vamos imaginar que em vez de mentir sobre um doutorado na área das humanas, Dilma pendurasse um doutorado falso de medicina e começasse a clinicar. Ela seria presa, é claro.

E um economista (área do doutorado fictício de Dilma) mal capacitado pode também causar estragos sérios para o país, Já vimos isso muitas vezes. E pensem em engenheiros fazendo pontes sem a capacidade técnica fornecida por um doutorado.

Podemos também imaginar algo pior: um cientista juntando peças de plutônio em um laboratório, tendo atrás de si, pendurado na parede, um diploma falso. Bum!
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POR José Pires

O mensalão também teve assinatura renegada

Esta relação ética entre pensamento e ação parece difícil para o PT. Os Ticos e Tecos éticos brigam o tempo todo. Daí acontecem esses absurdos de não só assinarem documentos sem ler, como acreditarem que essa justificativa serve para isentá-los de responsabilidade. E eles têm feito isso durante esses anos todos. Estão aí as Lubecas, padrinhos, incorporações de empresas, aloprados, mensalões e tantas outros fatos que ocorreram juntinho deles, alguns ao lado do presidente, para depois algum dirigente ou o próprio presidente da República dizer que não viu nada.

O deputado José Genoíno, que foi presidente do PT à época do mensalão, é um exemplo vivo (diria até muito vivo) dessas contradições. Na década de 70, Genoíno era do PCdoB e participava da guerrilha do Araguaia, movimento armado que pretendia implantar no Brasil uma ditadura comunista copiada do maoísmo chinês. Depois de preso, o líder petista aparentemente converteu-se à democracia representativa, elegendo-se deputado.

No entanto, no primeiro mandato de Lula, ele e seu partido foram flagrados à frente de um esquema de compra de votos no Congresso que tinha por meta perenizar o PT no poder. Era o mensalão. A guerrilha do Araguaia tinha também como meta a instalação pela força das armas de um poder perene e incontestável.

Voltando ao mensalão, neste esquema de destruição do processo democrático teve também documento com assinatura que foi depois renegada. Foi o empréstimo de 2 milhões e 400 mil reais feito por Marcos Valério ao PT.

Era a época da chegada do partido ao poder, com Genoíno no cargo mais alto do PT. E ele disse que assinou sem ter lido um documento de tamanha importância.
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POR José Pires

terça-feira, 6 de julho de 2010

Quod erat demonstrandum, de novo

Do Quênia, numa de suas prazerosas visitas a ditadores africanos e onde não deve ter nada pra fazer, Lula resolveu mandar suas energias para a seleção do Uruguai. O notório pé-frio falou que estava "torcendo para o Uruguai" e que este país representava o Brasil nesta final. Desde a derrota da Seleção Brasileira, devidamente energizada por ele depois que a delegação brasileira desviou de caminho para visitá-lo antes de seguir para a África do Sul, Lula disse que torceria para as quatro seleções de países do Mercosul.

Já no mata-mata foram eliminadas três. Hoje é o Uruguai que perde. No Quênia, o azarento também colocou suas esperanças nos pés de Loco Abreu, só porque o uruguaio joga também no Botafogo, do Rio. Loco Abreu passou a partida sentado no banco e só entrou em campo aos 32 minutos do segundo tempo e parecia bem abalado. Nada fez de importante na partida.

Vocês podem conferir no post abaixo que não estou falando deste azar apenas depois do acontecimento. Como a experiência demonstra que a urucubaca do petista é forte, eu alertava antes do início do jogo sobre o risco que pesava sobre o Uruguai. A lista do seca-pimenteira do Planalto vai aumentando de forma tão acelerada que, apesar da contradição, já tem gente achando que o azar que ele transmite é até uma verdade científica.
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POR José Pires

Toc, toc, toc para los uruguaios

O secador do Planalto continua colocando o próximo em risco. Lula tem elogiado muito a seleção de futebol do Uruguai, que enfrenta hoje a Holanda. O petista tem o raciocínio de torcedor bestalhão, que em vez de encarar os próprios problemas, depois da derrota passa a torcer contra este ou aquele. Será que ele presta a atenção em algum jogo? Duvido.

Ele também estabeleceu uma estranha categoria na Copa do Mundo, a do Mercosul. Vejam o que ele disse: "Nós temos como representante do Mercosul o nosso querido Uruguai e estaremos todos torcendo para que o Uruguai seja campeão do mundo. Nada contra os europeus, mas tudo favorável ao Mercosul".

Não é à tôa que torcedores costumam sair quebrando tudo nas cidades quando seu time perde. Com formadores de opinião como Lula, fica difícil compor uma cultura desportiva onde a apreciação do que ocorre em campo seja o centro das preocupações do torcedor.

Mas no momento o risco é outro. O seca-pimenteira já tinha vindo com essa conversa fiada no final da primeira fase quando Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai foram para o mata-mata. Depois que ele falou do "bom risco (sic) de ter quatro países do Mercosul disputando as semifinais", só sobrou o Uruguai.

E agora ele torce para o Uruguai. Bem, como todo torcedor equivocado, perde uma boa oportunidade de assistir com prazer um bom jogo. Mas a gente sempre lamenta pelo risco (nada bom, nada bom!) que o Uruguai corre com tendo o seca-pimenteira como torcedor.
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POR José Pires

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Procurando tucano

A campanha eleitoral começa oficialmente hoje. Como é um partido revolucionário, o PT está há quatro anos no palanque eleitoral (falo só desta eleição) e já lançou sua candidata há pelo menos dois anos. E o PSDB? Os dirigentes de partidos que compõem a aliança em torno de Serra se queixam da desorganização da campanha, no que estão com toda razão.

Hoje recebi um e-mail da campanha da candidata do Lula dizendo que “Agora é Dilma”. Avisam que “cada um de nós assume um papel estratégico para eleger Dilma Rousseff - a primeira mulher a ser Presidente do Brasil!” Isso parece conversa de concurso de miss. Ainda estou esperando a foto da torcida de Dilma no jogo Brasil e Holanda, mas isso é outra história.

É um material bem fraco, como tudo que a campanha petista tem feito, mas, de forma prática, estão tendo visibilidade, se apresentam ao eleitor. E os tucanos? Bem, eu nem poderia receber e-mail relacionado ao candidato Serra, porque seu partido nunca teve peso algum na internet.

Entrem agora no site dos tucanos para conferir. E depois comparem com o site do PT. Ao lado publico uma mostra comparativa, mas é apenas um relance da  incapacidade tucana. É bem pior visto de perto. Você pode ver o site do PT aqui e o do PSDB aqui, mas já aviso que a situação dos adeptos de Serra é bem triste. Parece que os tucanos ainda não foram avisados que a eleição começou. Reenvio o e-mail da campanha da Dilma para eles?

Recentemente os petistas fizeram um alarido sobre o uso eleitoral da internet pelos tucanos. Ameaçaram de ir à Justiça pedir o fechamento de blogs e sites. Imediatamente pensei cá com minhas teclas: “Pobre TSE, vai ter de penar para achar algo feito pelos tucanos na internet”.

O PSDB é um partido incompetente em comunicação. Não foi à toa que o governo o PT pegou tudo de interessante que foi feito pelos tucanos desde o governo de Itamar Franco. Realizações do governo FHC, para bem ou para mal, tiveram sua autoria conquistada pelos petistas junto à opinião pública. E o “para mal” ainda servia para culpar os tucanos por males que persistem.

Estou para ver a campanha de Dilma colocando na televisão como obra de Lula o Rodoanel que os tucanos construíram em São Paulo desde o governo Covas. É coisa de hospício. Com impressionante desfaçatez os petistas vão incorporando à sua memória os feitos do adversário e ainda acusam os outros pelas misérias impossíveis de serem escondidas pela propaganda oficial. Os tucanos que se cuidem: ainda podem ser acusados de não terem votado em Tancredo contra o Maluf.

Ruins de comunicação, os tucanos devem sua permanência na internet à batalhadores individuais, jornalista e blogueiros que pingam todo os dias suas opiniões em cada blog ou site, formando uma resistência contra o lulo-petismo. Tirando isso, há bem pouca atuação do partido ou de sua militância.

O PSDB não formou a corrente criada em torno do lulo-petismo. E se mantiver esse ritmo nos três meses dessa eleição, não ocupa espaço na internet. Ficará praticamente tudo para a campanha petista, cuja militância (gente paga e dirigida de cima com rigor, nós sabemos) ocupa com agressividade até as seções de comentários dos sites dos grandes jornais.

É tudo de qualidade bem baixa. O pensamento é raso, as argumentações são simplistas e carecem evidentemente de qualquer relação com a verdade, mas na falta de um pensamento político que faça o contraste com rigor, a tendência é que acabe pegando, principalmente entre internautas sem um conhecimento pessoal sobre o que o país já passou com o PT, tanto quando eles eram oposição como agora encastelados em um poder corrupto e ineficiente.

Tucano é um bicho que não canta. E o PT faz uma algazarra de galinha poedeira sobre todos os ovos expelidos pelo adversário, seja para roubar a autoria do ovo ou para denunciar que ele está podre. Se os tucanos não abrirem o bico bem rápido, ficarão novamente de fora do poleiro federal.
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POR José Pires

Ser ou não ser

Uma tática evidente da campanha de Dilma Roussef é evitar expor a candidata em situações públicas que exijam raciocínio rápido e atitude pessoal. Debate, nem pensar. Dilma tem recusado todos os convites feitos até agora e é provável que tentem criar uma justificativa até para fugir de debates nas redes de televisão, talvez fujam até do prestigiado debate feito pela Rede Globo de Televisão.

Os coordenadores de campanha do PT conhecem muito bem o material que têm à mão. Já disse aqui que a performance de Dilma em entrevistas e discursos dá a impressão de que ela pegou como mestre de oratória o senador Eduardo Suplicy. Me deparo à vezes com vídeos dela que são de constranger até quem torce contra o PT. Ninguém gosta de ver uma pessoa dando vexame em público de tal forma, apesar de alguém de maus bofes como a santinha até merecer.

E o conteúdo dela tem o mesmo alcance da expressão verbal. O raciocínio é fragmentado, as frases não se ajustam, fica difícil saber do que a candidata está falando. Ela parece não ter conhecimento algum sobre o assunto em pauta.

Uma candidata assim tem mesmo que ser trancada num estúdio, onde as gravações podem ser muito bem controladas por assessores e marqueteiros. O produto não permite mesmo a comparação com adversários.

Até aí dá para entender. É sempre um desrespeito com a democracia e com o eleitor, o que não é novidade vindo de petistas, mas ninguém pode colocar um produto desse na mão de um marqueteiro e exigir outra coisa dele.

Mas o que está acontecendo na campanha da candidata do Lula para eles estarem evitando até dar respostas individuais? O jornal O Globo convidou os três principais candidatos a responder uma pergunta simples — Por que quero ser presidente do Brasil? — e ontem a matéria saiu publicada sem a resposta de Dilma. Ela se recusou a participar.

Serra e Marina gravaram depoimentos que o jornal diponibiliza em seu site. O resumo do que Marina falou está aqui e o de Serra, aqui. No jornal impresso a ausência de Dilma ficou bem destacada, como pode ser visto na imagem ao lado, com um ponto de interrogação no espaço reservado para sua resposta.

A blindagem em torno da candidata está ficando cada vez mais cerrada. Será que a coordenação de campanha do PT irá permitir que o TSE coloque fotinha dela na urna? E o mais curioso é que, entre os candidatos, para Dilma a questão de O Globo se mostra ainda mais simples. Por que ela quer ser presidente? Ora, porque o Lula mandou.
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POR José Pires