sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Grana e poder é que sustentam o mito do carisma de Lula

Dinheiro e poder. Com esta dobradinha, Lula montou como quis o cenário de disputa deste ano. E ainda falam em seu carisma. Costumo dizer que no Brasil só tem duas pessoas que não acreditam no carisma do Lula: eu e o próprio Lula.

O presidente da República não é tolo de acreditar que será apertando mãos pelo país afora que manterá o tipo de poder pelo qual optou. Lula e seu grupo forçaram o partido a coligações nos estados sempre tendo acima de tudo como objetivo o fortalecimento da candidata Dilma, mesmo colocando o PT em situações políticas de extremo desconforto e até demolindo bases tradicionais do partido com alianças como no Maranhão, com Sarney, ou com o abraço amigo em Collor, em Alagoas. Com o foco na perenização no poder, o PT derrubou até mesmo candidatos bastante viáveis em disputas de governos estaduais.

Com o poder e o numerário vasto da máquina pública, Lula também impediu que acontecesse uma disputa democrática, ou uma eleição de fato, maquinando para evitar o lançamento de candidatos a presidente com prestígio político ou por partidos de relativo peso eleitoral e intervindo diretamente para dificultar alianças promovidas pelo PSDB. E o episódio do ludibriamento de Ciro Gomes e a posterior destruição da sua candidatura mostra como se fez de tudo para favorecer Dilma.

Como uma ilustração prática, vou usar como exemplo o Paraná, estado de um dos mais fortes ministros de Lula, o sindicalista bancário Paulo Bernardo, cacique petista local que tem pelejado nos últimos anos para cavar um bom espaço político para sua mulher, Gleisi Hoffmann.

Até o momento em que a disputa se deu de forma relativamente democrática, sem a armação do cenário político feita por mãos petistas, o ministro Bernardo se deu mal. Gleisi Hoffmann disputou com Beto Richa a eleição para prefeito de Curitiba. Mesmo com uma campanha eleitoral mais cara que a de Marta Suplicy, que disputava a prefeitura de São Paulo, Bernardo e a mulher perderam no primeiro turno e de modo bem feio. Richa foi eleito prefeito com mais de 70% dos votos.

Com o insucesso, a mulher de Paulo Bernardo voltou para uma diretoria da Itaipu, onde esteve durante todo o governo Lula.

Já neste ano, a mulher de Paulo Bernardo está bem nas pesquisas para o Senado. Mas de que forma houve esta transformação? Primeiro, desde essa derrota o PT vem fazendo propaganda maciça no estado, com tanta desfaçatez, que até o TRE teve que parar de fazer de conta que não via nada e mandar o partido parar de colocar outdoor por todo o Paraná com a cara de Lula e a de Gleisi Hoffmann.

Gleisi Hoffmann também distribuiu material impresso bem caro por todo o estado. O folheto na imagem acima é feito em papel couchê, é grampeado, tem oito(!) páginas, e foi jogado em tudo quanto é quintal nas cidades do Paraná. Quem é do ramo sabe como isso fica caro. Nem em grandes campanhas é possível algo assim.

A propaganda promete aposentadoria para as donas de casa. Tem fotos de Gleisi Hoffmann e texto assinado por ela como... presidente do PT Paraná. Sim, a mulher do ministro do Lula é presidente estadual do partido. E ainda tem gente que acha o Sarney é que é o retrocesso.

Outra coisa, na imagem acima, ao lado do tocante texto onde ela diz que dar aposentadoria para as donas de casa "é uma luta de todos nós", a petista aparece numa foto, em reunião com um ministro de Estado, o ministro José Pimentel, da falida pasta da Previdência Social. Viram como o Sarney é fichinha perto dessa gente?

Mas além dessa forma de demagogia que pode alargar bem os gastos públicos, o PT investiu firme no interior do estado, com a máquina federal alimentando o prestígio do grupo do ministro em pequenas prefeituras e políticos locais, com distribuição de recursos públicos e projetos alavancados pelo Governo Federal.

Todo o cenário eleitoral do estado foi montado como plataforma para o PT. Usando-se sabe-se lá a força de quais argumentos, Lula forçou o pedetista Osmar Dias a disputar o governo do estado. Com isso, reorganizou o cenário no Paraná para favorecer Dilma e atacar Serra, além de dar uma tremenda força para a mulher do ministro, já que se não fosse para o governo, Osmar Dias disputaria a reeleição para o Senado, criando uma situação difícil para Gleisi Hoffmann, que teria que se ver com Dias e Requião na disputa. É provável que ela continuaria apenas como mulher do ministro.

A meu ver, portanto, a ordem das análises sobre os problemas tucanos está invertida. Não é olhando apenas quem está por baixo — o Serra ou Zé, como eles querem — que se pode ter clareza sobre o que está acontecendo nesta eleição. É observando o sucesso de Dilma — com muito esforço para não rir, pois ela é cretina, mas perigosa — que podemos ter uma visão objetiva sobre o que Lula e o PT estão fazendo com a democracia brasileira.

Qualquer candidato que estivesse se opondo a este abusivo uso do poder e do dinheiro estaria agora com dificuldades sérias para competir. E louve-se Serra por não permitir que o imoral sucesso do lulo-petismo seja ainda mais acachapante, o que se deve na maior parte a seu impressionante vigor pessoal e prestígio político, já que mais uma vez temos a impressão de que seus colegas fugiram da briga.
.......................
POR José Pires

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Quem dá mais?

Parece piada, mas compraram o terno de posse do presidente da República, uma roupa ainda em uso por ele. O terno de posse de Lula foi arrematado em um leilão beneficente pelo empresário Eike Batista. Então, se vocês virem o Lula por aí de terno, pode ser o terno do Eike Batista, que pagou 500 mil pela peça. Todo cuidado é pouco com uma beca desse preço.

O empresário estava num dia de coração aberto, pois no final do evento ofereceu mais R$ 2 milhões para uma ONG beneficiada no leilão. Porém, isso não é nada para quem nesses dias recebeu R$ 147 milhões do BNDES para dar um trato em um hotel de sua propriedade no Rio de Janeiro, além de pegar emprestado também do BNDES mais R$ 1,2 bi para a construção de um porto.

Fica sempre a impressão de que, no final, nós é que acabamos pagando um terno tão caro, não?

E vá lá saber qual é o valor histórico de um negócio desses. O terno de Lula não é nenhuma ceroula de Napoleão, porque afinal nestes casos o tecido vale pelo que veste. De peça mítica temos em nossa história o pijama de Getúlio Vargas. Mas o pijama de Getúlio tinha o buraco do tiro com o qual ele se matou. E o terno do Lula, o que têm? Nem uma manchinha, que seja, daquele vinho que ele bebeu com Duda Mendonça para comemorar sua primeira vitória.

Era o vinho mais caro do mundo. E ficou na nossa conta, como sempre. Talvez um respingo viesse a dar um peso histórico e valorizar o terno.

Mas a história de Lula e seu PT não deixa de ter objetos curiosos. Muitos deles foram perdidos para sempre, mas devem ficar na memória dos brasileiros como referências fundamentais do lulo-petismo. São inumeráveis peças que poderiam render muita grana, mas vamos ficar com apenas 13 para marcar de forma simbólica este imaginário leilão.


1 – O torno onde o operário metalúrgico Luiz Inácio da Silva perdeu o dedo, peça essencial da criação do mito. Afinal Lula nunca seria o mesmo todos os dedos da mão.
2 – O aparelho de som do Lula que o então candidato Fernando Collor parecia conhecer tão bem. E talvez aquela caixa de CDs que deixou roxo o olho do ex-deputado Roberto Jefferson depois que e ele denunciou o mensalão.
3 – Uma caixa de charutos presenteada por Fidel Castro ou uma de cigarrilhas, do tempo em que o tesoureiro-símbolo do PT, Delúbio Soares, segurava para Lula fumar escondido. Neste quesito de objetos sentimentais também não pode falta uma pedra recebida das mãos do amigo de olho no olho, o presidente iraniano Ahmadinejad.
4 – Os papéis das balas que Lula chupava na cadeia furando a greve de fome dos colegas de cela, quando ficou preso na época das greves metalúrgicas no ABC.
5 – Um livro, qualquer um, que Lula tenha lido (pela raridade, esta pode vir a ser a peça mais cara do leilão).
6 – A cueca petista em que o militante escondia os dólares flagrados pela Polícia Federal (se vier com os dólares a cueca pode render mais no leilão).
7 – O sofá onde Lula e José de Alencar proseavam animadamente enquanto na sala ao lado líderes do PT e o PL a acertavam coligação da primeira eleição. O então presidente do PL, Valdemar Costa Neto, processado no STF no escândalo do mensalão, disse que começou pedindo R$ vinte milhões e acabaram fechando em R$ 20 milhões. O sofá onde sentaram Lula e Alencar á espera do acerto é uma peça mítica do lulo-petismo.
8 – O documento que o então presidente do PT, José Genoíno, assinou sem ler para o empréstimo de mais de 2 milhões de reais por Marcos Valério junto ao Banco Rural, banco envolvido no mensalão.
9 – O cartão corporativo da ministra Matilde Ribeiro, que caiu do cargo com o escândalo dos cartões, e o do ministro dos Esportes, Orlando Silva, que não caiu. Pena que não dê para leiloar a tapioca.
10 – A bengala que desceu no lombo de José Dirceu, no pisódio das bengaladas dadas por um senhor aposentado na época de sua cassação por falta de decoro.
11 – O Land Rover de Silvio Pereira, o Silvinho, secretário-geral do PT.
12 – O primeiro Videogame de Lulinha, o filho do Lulão presidente, um herdeiro petista que ficou milionário em apenas uma tacada graças aos seus talentos com,o jogador de videogame.
13 - O diploma de falso doutorado da Dilma Rousseff. Uma arma da luta armada também alcançaria um bom preço em leilão, mesmo que, segundo seu depoimento, ela tenha tido o papel inédito no mundo de fazer a luta armada sem pegar em armas.
.......................
POR José Pires


terça-feira, 17 de agosto de 2010

Basta de intermediários: Washington Olivetto para presidente

Levando em conta o que dizem vários analistas e o que é praticamente a norma da cobertura jornalística de jornais e sites da internet, na minha opinião esta deveria ser a última eleição disputada entre políticos. No ano que vem o Congresso Nacional tem que fazer a tão falada reforma política e tornar a próxima eleição para presidente uma disputa só entre marqueteiros. Um deles será o presidente da República.

O povo vota ou no marqueteiro do “Zé” ou da “Mãe dos Pobres” e pronto. Esses são os marqueteiros mais importantes dessa eleição, mas, em respeito à igualdade, é claro que tem também o marqueteiro da Marina Silva e dos outros candidatos.

E por certo a Reforma Política que instituirá a eleição presidencial apenas para marqueteiros também atrairá outros marqueteiros que estão fora deste pleito.

Então teremos de volta à eleição presidencial o Nizan Guanaes e o Duda Mendonça, tão sumido depois que confessou ter sido pago em dólares e no exterior pela campanha do Lula. E como a tarefa do marqueteiro não será mais apenas a de fazer o presidente, mas ser o próprio, é provável que a disputa atraia até marqueteiros arredios à campanhas eleitorais, como é o caso do Washington Olivetto.

A propósito, está aí um candidato que pode animar o eleitorado. Como Olivetto foi um dos criadores da Democracia Corintiana, talvez ele até possa criar a Democracia Brasileira.
.......................
POR José Pires

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Tucanos lançam novo candidato a presidente: o Zé

O candidato José Serra está de jingle novo. O que havia sido lançado no início de julho foi descartado. Deve estar na gaveta das incertezas tucanas, gaveta de dimensões avantajadas e por certo bem abarrotada.

Falei aqui no blog do tal jingle e aproveitei para comentar sobre os conceitos equivocados que eu via concentrados na música, que tinha um coro de “Eu Quero Serra” acentuando erradamente o nome do candidato na última sílaba e a idéia de “Serra pra cuidar da gente”, com aquela noção demagógica do paizão que olha para o povo. Nada a ver com o que se espera de um tucano, muito menos do Serra e ainda mais numa eleição em que é preciso tomar o lugar do lulo-petismo, então fiz um post com o título de “Serra: conceito e visual no caminho errado”.

Pois mudaram tudo e não é porque tenham seguido o que escrevi aqui. Não tenho essa pretensão. E além disso, fizeram o contrário do que apontava a minha crítica, o que indica que estou no caminho certo.

O novo jingle tem a seguinte idéia, que evidentemente deve ser a linha da campanha no horário gratuito, que começa amanhã: “Zé é bom e eu já conheço/ Eu já sei quem ele é/ Pro Brasil seguir em frente/ Sai o Silva e entra o Zé”. É isso aí. E cantado é pior.

O Silva nós sabemos muito bem quem é, mas quem é esse tal de “Zé”? É até constrangedor, mas o “Zé” é o Serra, ou Zé Serra, como ele também é chamado na música.

Quando vemos um negócio desses é imediata a sensação de que vem desastre por aí. Repete-se com Serra o equívoco do marketing de Alckmin em 2006, quando perdeu a eleição para Lula. Naquela campanha também vieram com essa estratégia simplória de tentar dar um ar popular ao candidato chamando-o pelo primeiro nome, Geraldo.

O marqueteiro dos dois é o mesmo. E isso não é só coincidência. Luiz Gonzalez é conhecido pela falta de criatividade. Trabalha sempre com idéias de menor risco, evita a ousadia. A campanha de Alckmin (ou Geraldo, o nome que nunca pegou) é o melhor exemplo. O candidato foi raspando para o segundo turno, quando teve menos voto que no primeiro.

Está certo que Alckmin era um candidato muito ruím, o que pode ser um álibi para inocentar o marqueteiro do desastre que foi aquela eleição, mas nesta campanha Gonzalez não conta com esta justificativa. Pegou um candidato de qualidade e com boas chances eleitorais. E como este também está sendo trabalhando de forma errada, é capaz até da gente pensar que o Alckmin, ou melhor, o Geraldo, foi prejudicado pelo marqueteiro.
........................
POR José Pires

Uma questão de nome e de conceito

Se com Alckmin erraram na tentativa de popularizár o candidato chamando-o de Geraldo, com Serra foram por um rumo ainda pior, apelando para um apelido que ele nunca teve. Serra é um homem que dá a impressão de nunca ter sido chamado de José. De Zé, então, nem pensar. Talvez o nome José tenha sido usado por amigos e familiares em sua juventude, mas não parece provável que isso tenha continuado depois que ele começou a fazer política e ser conhecido publicamente como Serra.

Este negócio de chamar o candidato de “Zé” tem também um outro problema. No popular, Zé pode ser também um pejorativo, tal como “fulano é um Zé” ou um “Zé Ninguém” ou então no elogio ao contrário, quando se diz que alguém é muito bom e não um "Zé qualquer". Bem, mas podia ser pior se o nome do Serra fosse Manoel Serra. Então o marqueteiro poderia vir com a idéia de que sai um Silva e entra um Mané.

Mas o marqueteiro conseguiu convencer Serra, ou melhor, o Zé, a seguir por este caminho equivocado. De quebram, facilitam para Lula, que estará presente o tempo todo nas duas campanhas. Isso porque a maioria das pessoas pensa que quanto mais Lula nessa eleição, pior para o Serra. Nem o marqueteiro tucano pensaria em algo tão bom para Dilma.

Tudo indica que vão tentar impor ao candidato Serra uma imagem popular, o que é praticamente impossível para quem nunca teve este perfil. É também o caso de se perguntar se esse é o ponto central desta ou de qualquer outra eleição. O eleitor quer de novo algo como o Lula? Bem, por esta linha, então Dilma leva vantagem, pois ela é a candidata dele e isso vai ficar bem claro no rádio e na televisão.

E neste caso, o marketing de Dilma está sendo mais hábil. Pega o popular, que em Lula chega a ser demogagia, sem que até agora a imagem da candidata tenha sido contaminada por este populismo que em qualquer outro pode ser negativo.

Penso que não tem outro jeito de derrotar o lulo-petismo que não seja pelo contraste, mas também sei que esse teria de ter sido um trabalho de maior tempo, começando pelo menos no início desse segundo mandato e feito com firmeza de convicções. Resumindo, o PSDB teria de fazer política, uma falha que cometem há muito anos e que tem favorecido bastante Lula e seus companheiros.

Serra tem errado bastante desde que se lançou candidato e parte significativa da ascenção de Dilma pode ser computada aos deslizes políticos e da própria campanha. E agora temos esse negócio de 'Zé". É um erro de comunicação. Lula vai estar presente o tempo todo na televisão no rádio. O eleitor sai do programa da Dilma com ele na cabeça, para ser lembrado novamente no programa de Serra. Tucano é fogo, mas é inacreditável que haja alguém que acredite ser possível tirar proveito eleitoral de uma coisa dessas.

Com isso, também lançam na praça uma boa justificativa para a presença abusiva que Lula, como presidente da República, está tendo na campanha da Dilma. Quero ver como é que agora os tucanos vão reclamar do uso da máquina pública para eleger a candidata do PT.

Mas essa história de chamar Serra de Zé tem pelo menos um aspecto curioso e que vai situar historicamente o tucano. Como todo José detesta ser chamado de Zé, o Serra vai passar para a história como o único José que pagou um marqueteiro para isso.
........................
POR José Pires

domingo, 15 de agosto de 2010

Lula e Collor, companheiros de discurso afinado

Tem muita gente contente com Lula na presidência da República e muitos com razão de sobra para tanta alegria. Fernando Collor é um que não esconde a satisfação. Ao contrário, fez até jingle apresentando orgulhosamente sua parceria com Lula e a candidata Dilma Rousseff. É um jingle verdadeiro, uma peça histórica que sintetiza de forma precisa o círculo que se fechou juntando os ex-desafetos Collor e Lula. Escrevi aqui no blog sobre isso. Mas infelizmente o jingle foi proibido pela Justiça Eleitoral. Porém, rapidinho Collor tirou da fornalha outro com uma estrofe que diz "Não adianta, o povo sabe quem tá apoiando quem, o povo tá decidido e vai apoiar também".

Collor está animadíssimo com o companheiro. "Lula vai encerrar o mandato como o melhor presidente que o Brasil já teve", ele disse a uma rádio alagoana. A Folha de S. Paulo trouxe uma matéria neste domingo sobre o tom de sua campanha em Alagoas. A batida é bem parecida com a de Lula no plano nacional. Também não é diferente do que Dilma faz no plano nacional. Collor é o "pai" dos pobres alagoanos. Dilma se apresenta como a mãe dos brasileiros.

Collor também se faz de vítima. Seu impeachment foi "vingança dos ricos". E ele foi "crucificado" e perseguido por inimigos "do sul". No seu discurso, "a discriminação é muito grande em relação ao Nordeste". Sabemos como é isso. Deve ser a mesma elite que fica tentando impedir Lula ajudar o povo. Collor lá no Nordeste e Lula aqui no Sul, o discurso é bem afinado.

Na reportagem deste domingo a Folha publicou vários depoimentos de populares. Merece destaque o da dona de casa Edineide Silva, uma jovem de 28 anos, que diz o seguinte sobre Collor: "Mesmo roubando, eu voto nele."

Os petistas estão de parabéns. Parece que esse negócio de não ter medo de ser feliz está se tornando um sentimento popular.
........................
POR José Pires

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

O tucanos voando baixo na internet

Há três dias atrás me cadastrei no site do candidato José Serra, assim como já havia feito anteriormente no site da candidata Dilma Roussef. Até agora não recebi sequer um e-mail com notícias ou qualquer outra manifestação sobre os acontecimentos da campanha. E neste meio tempo aconteceram muitas coisas, entre elas a boa participação de Serra na sabatina do Jornal Nacional.

A candidatura governista tem jogado pesado nesta campanha. O uso da máquina pública é flagrante, inclusive com um casamento entre as agendas do Governo Federal e a campanha de Dilma, para ajudar eleitoralmente a candidata petista. Temos também a montagem de dossiês e a participação na campanha de sindicatos e centrais sindicais, além da militância ferrenha de muita gente do movimento popular com ligação profissional com o governo e também os milhares de cargos nomeados no Governo Federal, prefeituras e em todas as esferas do Legislativo.

O PT quebrou de vez todos os critérios de disputa equilibrada, feita com senso de democracia e de respeito ao adversário. Pode-se dizer que, vindo do PT, é mais do mesmo: fazem no poder o que sempre fizeram na oposição, só que desta vez em vez do gogó usam o dinheiro e o poder para quebrar os adversários.

Este é o quadro enfrentado por Serra, Marina e Plinio Sampaio, além dos outros candidatos menos destacados. É uma triste realidade, mas é o que temos. E mesmo que o panorama eleitoral fosse outro, tem que fazer campanha, não? Então, cadê a dos tucanos?

O e-mail que espero até agora da campanha de Serra mostra como os tucanos andam mal de comunicação. Sei que isso não é novidade, vindo de quem permitiu que até suas boas realizações fossem roubadas pelo PT, mas o fato é que esta precariedade da comunicação tem prejudicado bastante Serra.

Já falei aqui há semanas sobre como andava fraco o material de campanha de Serra na internet. Pois faltando poucos dias para o início do horário eleitoral a deficiência continua praticamente na mesma.

Já os petistas mantêm um crescimento contínuo na internet. E não estou falando da ativa blogosfera lulo-petista, com muitos blogueiros estimulados por vantagens pessoais ou mesmo dinheiro público, o que faz manter centenas de blogs bastante ativos há pelo menos três anos. Falo da campanha de Dilma, que inegavelmente vem ocupando espaço na internet.

Os tucanos salvam-se de um massacre apenas porque o material produzido pela campanha de Dilma é bem fraco. Mas a vantagem termina aí, pois mesmo sendo fraco, o material petista se impõe pela perseverança. Recebo e-mails da campanha de Dilma todos os dias. Ontem foram dois e-mails, o de hoje chegou próximo da uma da tarde. Estão sempre inventando novidades. Muitas delas eu acho tolas, mas, bem... mas eu sou do ramo. Na falta de algo melhor para o contraste é natural que a mensagem deles prevaleça.

O site de Dilma está bem resolvido, sempre com bastante informação, enquanto o de Serra é rígido, tão conservador no formato gráfico e editorial que parece qualquer outro site de candidato tucano, de governador, deputado federal ou estadual. E como não construíram uma marca diferencial para o candidato, ficando naquele velho esquema gráfico tucano, pode acontecer do material do candidato presidencial não se destacar.

À falta de visão de marketing e comunicação, pode-se juntar também a desatenção a discursos políticos que têm que se encaixarem na comunicação para ter um melhor efeito. Isso é normal, são erros que sempre caminham juntos. O problema é que isso pode fazer falta depois no programa de televisão. Apenas para ficar num exemplo, onde estão os materiais sobre contribuição financeira de pequenos doadores? O pessoal da Dilma está trabalhando forte em cima disso, com um objetivo óbvio. Com isso trabalha-se a imagem de uma candidatura mais democrática e estruturada a partir de pequenos doadores, um bom conceito para ser usado depois no rádio e na TV.

Todo o material produzido até agora na internet pode ser muito bem usado na televisão e no rádio como sinônimos de participação popular, transparência e abertura da candidatura para a sociedade civil. Parece estranho, mas no Brasil usa-se mais o mito e o fascínio da internet do que propriamente seus efeitos diretos. Mas neste caso, para os tucanos creio que pode não haver mais tempo
........................
POR José Pires


Corre, tucano, corre

O descuido com a internet afeta até o twitter de Serra, que é um fenômeno da área política. Seu twitter já passa dos 350 mil seguidores. E esse sucesso é inegavelmente fruto do talento pessoal de Serra. O de Dilma está em 160 mil. Mas o twitter de Serra permanece com a cara gráfica fornecida pelo provedor. Não foi agregada sequer a marca do candidato ou qualquer outro elemento de campanha.

Falando nisso, Serra tem ainda aquele slogan "O Brasil Pode Mais" ou mudaram de idéia e fizeram algo novo? Pois seria bom colocar na cabeça da página da internet, não?

Situo minhas críticas no material de internet porque este é o ponto mais prático, onde se pode construir uma boa pré-campanha para reforçar o que vem agora na televisão, mas dá para se ver também nas ruas que a comunicação de Serra é bem fraca. Faltam coisas simples, como bandeiras, bottons, faixas e demais materiais visuais para acompanhar o candidato em campanha. Nas fotos disponibilizadas no site, o candidato aparece nas ruas sem nenhum material visual que reforce sua presença. O resultado nas caminhadas e eventos nunca é bom. Nas fotos, dá a impressão de pouca animação.

Certos políticos gostam daquele conversa que eleição se decide no horário eleitoral. Nunca foi assim e agora é muito menos, pois a internet tem um grande peso não só na própria influência do meio como também para criar um forte clima de pré-campanha. E, neste aspecto, mesmo com uma deficiência criativa que chega a ser risível, a campanha da Dilma está na frente. É um caso triste. O PT ganha na internet pelo simples fato da campanha de Serra ter feito bem pouco. E, como já disse, nesta área muitas coisas já estão perdidas para os tucanos.

Mas com o horário eleitoral começando já na terça-feira, ainda dá pra resolver a fragilidade da comunicação na internet? Os tucanos terão que correr, mas certas questões neste meio são de longo prazo. Mas o fato é que para ganhar eleição tem que botar a campanha na rua e isso não tem só a ver com novas tecnologias. É coisa bem antiga. É do tempo do Onça, que morreu sem sequer imaginar que um dia inventariam a internet.
.......................
POR José Pires


No creo en brujas, pero...

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Haja pé-de-coelho para o Paulo Coelho escapar dessa olhada

Paulo Coelho posa de grande conhecedor de assuntos místicos, mas o que ele andou fazendo nesta semana revela que, na verdade, ele não entende de assuntos fora do âmbito da lógica que podem influenciar, para bem ou para o mal, nossas vidas. Coelho cometeu a insensatez de postar no twitter na última segunda-feira esta foto do presidente Lula com seu último livro na mão.

O olhar atento de Lula com os óculos na ponta do nariz é só pose. É óbvio que ele não é de encarar nem as páginas simplórias de um Paulo Coelho. Não deve acabar nem a orelha do livro.

Já falei aqui no blog sobre este absurdo do uso do título "O Aleph", que é o nome de uma das histórias mais conhecidas do escritor argentino Jorge Luis Borges e de um livro seu lançado em 1948 na Argentina. Mas não é sobre mais esta fajutice do Paulo Coelho que pretendo falar.

O que achei assombroso é o desconhecimento dele sobre a forma com que a energia de Lula se liga aos que o cercam. Sempre acaba em desastre. No esporte, seus maus fluídos já lhe deram fama internacional como pé-frio. A lista de profissionais de várias áreas esportivas prejudicados pelo seca-pimenteira é longa. Já publiquei a lista, mas a muvuca é tanta que tem sempre alguém me alertando sobre a ausência na lista de um ou outro desastre provocado pelo azarento.

Assim como seu "O Aleph", Paulo Coelho mostra que é um bruxo fajuto e pode pagar caro pelo imprevidente toque que deu no twitter dessa cena inusitada do Lula com um livro na mão. É uma imagem que pede o bordão "nunca na história deste país". Pois é, não me lembro de, na história deste país, ter visto o Lula com um livro na mão. E para azar do Coelho, foi logo o dele.

Vejam o olhar do Lula. É o mesmo lançado sobre a taça de campeão que a delegação do Flamengo levou até Brasília para ele pegar nas mãos. Depois, aconteceu com o Flamengo o que a torcida inteira do Corinthians já sabe e que sabem também as torcidas do Fluminense, Coritiba... e de tantos outros times, inclusive os torcedores da Seleção Brasileira, que voltou bem cedo para o Brasil porque antes de seguir para a África do Sul para disputar a Copa do Mundo deu uma passadinha para pegar umas energias com o Lula em Brasília.

Mas esperemos para ver no que dá o seca-pimenteira ter pegado "O Aleph" brasileiro para sair numa foto bisoiando a orelha do livro. Da minha parte, torço para que Maria Kodama, a viúva de Borges, sempre tão ciosa da obra do finado marido, lasque um processo em cima do Coelho por causa dessa fajutice de pegar um título consagrado da literatura universal para usar dessa forma abusada.
.......................
POR José Pires

Jaime Lerner distribui atestado de "não lernista"

Nesta eleição chocha surgiu no Paraná algo interessante, que pelo menos sai desse clima em que todos os candidatos interpretam papéis com pouca sinceridade política e, em muitos casos, nenhuma mesmo. Jaime Lerner, ex-governador do Paraná e ex-prefeito de Curitiba, está passando atestados de não-lernista aos políticos paranaenses.

O que acontece é que na atual eleição nenhum candidato ao governo paranaense que ser identificado como lernista. Tanto o tucano Beto Richa quanto o pedetista Osmar Dias sentem-se difamados quando alguém diz que algum deles tem ligação histórica com Jaime Lerner.

Então Lerner resolveu emitir um atestado liberando diretamente Richa e Dias desse desconforto. Publico aqui o documento emitido por ele.

Lerner é um arquiteto reconhecido internacionalmente, especialmente pelo seu fabuloso talento de urbanista demonstrado na prática em Curitiba, onde implantou como prefeito vários projetos pioneiros que fizeram a fama da cidade, entre eles os calçadões reservados apenas para pedestres, uma novidade inventada por ele na década de 70, e um sistema de transporte público muito funcional, com linhas exclusivas para ônibus, além de terminais e pontos muito bem bolados tanto na forma prática quanto do ponto de vista estético.

O problema da má fama do lernismo apareceu quando Lerner se elegeu governador. Ele está certo quando diz no atestado que o que fez em Curitiba pode render votos até hoje, mas sua atuação como governador deixou bastante a desejar.

A industrialização, que ele cita como um benefício para o Paraná, foi até surpreendente vinda de um urbanista de talento como ele, pois privilegiou montadoras de automóveis e concentrou problemas graves em torno de Curitiba. Em relação ao que sua política de industrialização fez com a capital do estado, pode-se dizer que Lerner sufocou a própria cria.

Os incentivos fiscais para varias empresas, entre elas montadoras estrangeiras como a Renault, também foram muito suspeitos e até hoje não estão bem explicados. No governo do estado, Lerner também tentou privatizar duas estatais muito importantes, a companhia de energia Copel e a Sanepar, empresa de saneamento. Esta segunda teve a maioria das ações vendidas para uma empresa francesa, que acabou sendo revertida pelo governo Requião. Mas a questão permanece em litígio.

Lerner também se encrencou com todo o interior do estado quando privatizou estradas, com praças de pedágios que dificultam o intercâmbio comercial e cultural entre cidades próximas. E no Paraná as concessionárias fizeram pouquíssimas melhorias nas estradas.

No âmbito da ética, Lerner foi um desastre. Aliou-se ao que tinha de pior no Paraná. O grupo lernista foi determinante na eleição do prefeito Antonio Belinati, em Londrina, que recebeu todo apoio de Lerner, até ser cassado por corrupção pela Câmara do município. A mulher de Belinati foi vice de Lerner nos dois mandatos de governador.

Apesar da consagração como arquiteto e urbanista, na política Lerner fez muita coisa feia, daí a rejeição dos candidatos. É provável que com o que criou na capital do estado ele ainda renda votos, mas o problema é que o conjunto da obra acaba atrapalhando. Para se ter uma idéia, a última notícia nacional envolvendo uma figura muito próxima a Lerner, foi com o deputado Cassio Taniguchi, que foi prefeito de Curitiba com seu apoio. Taniguchi foi um dos mais poderosos membros do grupo lernista e acabou virando noticia em todo o país recentemente como secretário também muito forte do governador cassado de Brasília, José Roberto Arruda.

São as conseqüências da falta de cuidado na condução da vida política. De qualquer forma, Lerner mostrou criatividade e bom humor na interferência feita nesta eleição. Veja abaixo.
.......................
POR José Pires



Atestado

Sempre que chega o período eleitoral, a ordem entre os candidatos é de se descolar de qualquer político ou coisa que seja polêmica ou que tenha reações contrárias sem levar em conta todas as coisas positivas as quais esses políticos também se associaram. Beto Richa, não precisa jurar que não é lernista; Osmar Dias, também não.

Vou facilitar a vida de vocês e de seus marqueteiros. Estou emitindo atestados de “não lernistas”. Podem apanhá-los na chapelaria.

Digo chapelaria porque certamente o chapéu de Curitiba fornecerá muitos votos. Herdou-se uma cidade que é referência no mundo todo, apesar de todas as suas carências e mazelas.

E ao Estado que se candidatam também creio ter dado alguma contribuição, como a onda de industrialização que multiplicou empregos e arrecadação.

Espero que o atestado de “não lernista” possa contribuir para que os ilustres candidatos aproveitem melhor a campanha, com mais propostas e menos sofismas.

E que tenham a coerência de pedir aos lernistas que não votem neles.

Jaime Lerner

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Lendo o futuro

Pode-se criticar Marcos Coimbra, dono do Instituto Vox Populi, pela parcialidade de suas opiniões, mas seus escritos na imprensa pelo menos revelam uma certa franqueza sobre o que parece ser o que virá por aí nas próximas pesquisas. É claro que uma pesquisa deve se pautar exclusivamente pela realidade e que esse negócio de discutir o futuro sem apresentar dados muito claros é coisa de vidente, mas Coimbra não parece preocupado em ser técnico e muito menos científico. Imparcial, então, nem pensar.

Já falei aqui da origem do Vox Populi, um instituto de pesquisas que era só uma portinha em Belo Horizonte e que cresceu com a associação que Coimbra fez com Fernando Collor na construção de sua vitoriosa candidatura a presidente da República. Collor nem existia fora de Alagoas e, de repente, começou a apontar na imprensa nacional em pesquisas. Adivinhem de qual instituto. Posteriormente, o próprio Collor se incumbiu de demolir com suas ações a farsa que encarnava. Saiu corrido do poder.

Mas o Instituto Vox Populi manteve-se na ativa e está aí até hoje influenciando a política brasileira. E nesta eleição presidencial, seu presidente, Marcos Coimbra tornou-se produtivo articulista. Tem até coluna na Carta Capital, antes uma boa revista brasileira, mas hoje uma publicação com uma vistosa chapa-branca aplicada da capa à última página, em edições entremeadas com anúncios do governo Lula e de estatais brasileiras.

É uma queda triste, que dá um fecho também infeliz na carreira de Mino Carta, antes uma pessoa de respeitável senso crítico, e que foi jornalista combativo no período da didatura militar.

Não sou dos que se alegram com uma situação dessas. Penso que o Mino Carta pré-governo Lula era melhor para a história brasileira e representava até um estímulo ético para os novos jornalistas que ingressavam na profissão. Mas o próprio editor de Carta Capital já explicou com clareza essa adesão aos desígnios ditados pela publicidade governista. Foi em seu antigo blog, onde afirmou que isso é que "resguarda CartaCapital do definitivo, irremediável fracasso".

Mas voltemos ao dono do Instituto Vox Populi. Gosto do que ele escreve. De certa forma, em seus textos podemos ler o futuro. No artigo que publica hoje no jornal Correio Braziliense e que depois foi habilidosamente espalhado pela internet, Coimbra aposta em vitória da candidata do Lula já no primeiro turno. Não apresenta ainda nenhuma pesquisa para corroborar a opinião que apresenta com uma certeza de fazer corar qualquer jornalista sério.

Está certo, Coimbra não é jornalista, mas o presidente de um instituto de pesquisas que apresenta regularmente pesquisas sobre esta eleição presidencial não deveria ser imparcial? Deveria sim. Num país sério ele nem deveria opinar sobre assuntos avaliados por seu instituto.

O artigo de Coimbra poderia muito bem ser distribuído como um release da campanha de Dilma ou até como um panfleto de propaganda da candidata petista, mas é apresentado como opinião abalizada de um sociólogo e profissional da área de pesquisas.

A idéia central do texto é muito evidente: apontar vitória de Dilma no primeiro turno. Ele diz que "as perspectivas de crescimento de Serra são reduzidas", sem explicar de onde tirou esta conclusão, e que Dilma pode ganhar no primeiro turno. Neste caso, Coimbra afirma que a vitória é considerada possível por "quem entende de eleição". Mas também não nomina nenhuma dessas sumidades que apostam em uma vitória no primeiro turno da criação de Lula, quando o próprio criador jamais ganhou eleição alguma no primeiro turno. O que ele teve foram duas derrotas no primeiro turno para Fernando Henrique Cardoso, o que o enerva demais até hoje.

Falando nisso, na última eleição, Lula ficou muito nervoso de ter que enfrentar duas vezes Geraldo Alckmin,  um candidato fraquíssimo e que mesmo assim levou a disputa para o segundo turno. Quando soube que não vencera no primeiro turno, dizem que, de tanta raiva, Lula até quebrou um copo. Deve tê-lo esvaziado antes, é claro.

Mas tudo indica que as pesquisas devem apontar novos rumos nesta eleição. Nem vou propor uma aposta, pois meus leitores não são bestas de entrar num jogo com tão poucas chances. Porém, não vou me espantar se logo mais o Vox Populi soltar uma pesquisa apontando vitória de Dilma no primeiro turno.
.......................
POR José Pires

terça-feira, 10 de agosto de 2010

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

A mulher de Lula fala: Aceitamos cartão de crédito

O Comitê de Campanha da Dilma Rousseff me mandou há pouco um e-mail pedindo colaboração financeira. Avisam que ja estão abertos para doações, que podem ser feitas pelo cartão de crédito. Cartão corporativo evidentemente eles não aceitam, ó gente malvada.

Para garota-propaganda pegaram a mulher do presidente Lula. No vídeo, dona Marisa diz que é muito simples fazer a doação: "É fácil, muito fácil. É só digitar o número e tal, põe o seu CPF, o seu nome e pronto, já tá certo a doação pra Dilma", ela diz de forma bem coloquial. E com esta declaração sucinta ela deve ter chegado bem próximo da marca de cinco minutos de falas em quase oito anos de vida pública, desde que o marido assumiu a presidência da República. É também sua frase mais relevante em tantos anos, talvez a única que deva ser levada em conta. Sem trocadilho.

A primeira-dama poderia com certeza doar bastante dinheiro para o partido do marido, afinal os Silva são hoje uma família muito rica. Isso sem contar Lulinha, o filho-prodígio que ficou milionário ainda bem jovem e apenas numa tacada. Mas a doação da primeira-dama foi de apenas R$ 1.113,00 reais, uma quantia de marqueteiro, por certo.

Quem comparece sempre aqui ao blog, sabe que gosto dessas simbologias que os petistas nos apresentam com certa regularidade. Gostei dessa também, não a do número do partido inserido na doação (que sacada original, hein?), mas do uso da mulher do Lula como garota-propaganda de anúncio de doação para campanha eleitoral. Nessa o marqueteiro caprichou: é muito significativo.

No vídeo se apresenta também o tesoureiro do PT, José de Filippi, pedindo para o eleitor comparecer com algum para a campanha petista. Em cena, Fillippi não pensa duas vezes antes de dar um abraço na mulher do presidente da República. Vejam a imagem acima. Não fiz nenhum retoque ou qualquer outra interferência na cena. É uma reprodução exata da inacreditável expressão facial de Fillippi, que vocês podem ver aqui.

Sei lá, talvez eu seja um cara à antiga ou pode ser minha natural relutância a esta desfaçatez que eles costumam justificar como uma falta de medo de ser feliz, mas eu preferia viver em um país em que houvesse um pouco mais de respeito com a mulher do presidente da República. Esse negócio de marmanjo meter o bração em volta dos ombros de uma mulher é coisa que não fica bem com mulher alguma. Mulher casada, muito menos.

Filippi safou-se recentemente da Lei da Ficha Limpa. Ele havia sido condenado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo em maio, a devolver R$ 2,1 milhões para os cofres da prefeitura de Diadema, cidade onde foi prefeito. A condenação foi por causa da contratação sem licitação do escritório de advocacia do líder petista Luiz Eduardo Greenhalgh, contratado pela prefeitura de Diadema entre 1983 e 1996. Greenhalgh defendeu apenas duas causas e ganhou cerca de R$ 2,1 milhões para isso.

No início deste mês. Filippi, que é candidato a deputado federal, foi salvo pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça), que suspendeu a condenação por improbidade administrativa.

Numa campanha como esta também seria natural que sentíssemos a falta do Delúbio Soares, o tesoureiro que tornou-se um símbolo histórico do PT. Como imagem da capacidade de arrecadação do partido, Delúbio é insubstituível. Mas pela expressão de Filippi, que agora ocupa a cobiçada cadeira que Delúbio teve que abandonar para sentar-se na cadeira de réu do STF, dá para ver que ele já pegou o espírito da coisa.
.......................
POR José Pires

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

O que pode vir de Minas

Nesta eleição, Minas Gerais pode fazer lembrar dois nomes fortes que o estado legou à história brasileira: Tiradentes e Joaquim Silvério dos Reis. Tiradentes, como todos sabem, acabou enforcado, mas é uma luz significativa na memória dos brasileiros. Já Joaquim Silvério dos Reis, cuja imagem se vê ao lado, se deu bem economicamente com sua traição, mas ficou para sempre com seu nome ligado ao que de pior se pode pensar de alguém. Virou excrescência histórica e como sinônimo de traição só fica abaixo de Judas. No meu tempo de escola, ser chamado de Joaquim Silvério dos Reis dava briga feia na hora do recreio.

Talvez haja quem ache demais trazer a lembrança do Tiradentes numa eleição presidencial numa época de relativa democracia, mas isso se a pessoa acreditar que esta é uma eleição como qualquer outra, o que não é o meu caso. Este ano o Brasil pode ser ver livre do lulo-petismo, o que não é pouco. E a vitória do lulo-petismo também não pode ser subestimada em seu potencial de autoritarismo e controle do Estado, que já vem sendo estabelecido de forma vergonhosa e bastante perigosa nesses quase oito anos do governo Lula.

Não dá para achar que o clima de desesperada luta pelo manutenção do poder que se vê na campanha do PT possa vir de algum sentimento de respeito à democracia e submissão à prática da alternância no poder.

Se tivessem respeito pela democracia, não fariam uso da máquina pública e de sindicatos, da forma escandalosa como vem ocorrendo. Também não haveria toda essa manipulação do processo eleitoral, como a campanha ilegal que Lula vem fazendo há pelo menos dois anos, além da derrubada de candidaturas, como a de Ciro Gomes no plano federal e a de vários outros candidatos nos estados. Tudo isso revela uma disposição que nada tem a ver com o respeito à democracia. São métodos que já revelam bastante o que pode vir pela frente com uma vitória de Dilma com jeito de terceiro mandato.

Não, esta não é uma eleição como qualquer outra, daí a necessidade que nossos políticos sejam mais Tiradentes e bem menos, muito menos mesmo, Joaquim Silvério dos Reis. A escolha é das mais fáceis, afinal é difícil acreditar que alguém queira se emparelhar simbolicamente com o dedo-duro que entregou Tiradentes, mas ainda tem político que parece relutar entre os dois.

Hoje a Folha de S. Paulo conta que surgiu mais uma movimentação ardilosa para dividir o voto dos tucanos em Minas Gerais, o voto “Helécio”, cuja idéia é juntar o voto no ex-governador tucano Aécio Neves para o Senado com o voto em Hélio Costa, do PMDB, para o governo mineiro. Com isso, o candidato Antonio Anastasia perderia votos na dobradinha com Aécio, que o apóia.

Este “Helécio” é uma das várias composições montadas com o nome de Aécio Neves em Minas, onde até Dilma Roussef foi tirar uma casquinha falando do voto “Dilmasia”.

Esta não é a primeira eleição em que Aécio Neves se destaca pela ambigüidade, mas pode ser a última em que ele colhe disso algum benefício. Desde 2002 ele vinha ganhando com o chamado voto Lulécio, pouco se importando com o crescimento nacional do seu partido e até esfaqueando pelas costas antigos companheiros. Nesse ano em que ele saiu como candidato ao governo de Minas, José Serra disputava a presidência com ótimos números nas pesquisas.

O voto Lulécio rendeu para Aécio a eleição no primeiro turno, com 57,68%. Já Serra teve em Minas Gerais Serra 22,86% dos votos contra 53,01% de Lula.

Em 2006, o voto Lulécio continuou rendendo. Candidato à reeleição, Aécio ganhou também no primeiro turno, desta vez com uma vantagem bem maior: 77,03%. A vítima foi Geraldo Alckmin. A votação em Minas do candidato tucano à presidência alcançou 41,60% contra 50,80 de Lula. Foi no segundo turno que a estratégia do voto Lulécio mostrou-se desastrosa para o candidato tucano à presidência: ele teve menos votos que no primeiro turno, com 34,81%. Já Lula subiu para 65,19%. Do primeiro para o segundo turno, Alckmin perdeu meio milhão de votos.

Agora em 2010 não tem Lulécio, porém, entre outros tipos de votação estimulados pela ambigüidade de Aécio Neves surge agora o “Helécio”. É o que parece um sinal vermelho, depois de um sinal amarelo emitido nas eleições de 2008 para a prefeitura de Belo Horizonte.

Naquele ano um Aécio confiante em sua popularidade teve a supresa de ver seu candidato a prefeito, Marcio Lacerda, ir para o segundo turno em disputa apertada (43% a 41%) com o azarão Leonardo Quintão, do PMDB.

Aécio, que já dava como certa a vitória de seu candidato no primeiro turno, teve que apelar até para uma aliança com o PT para derrotar Quintão no segundo turno.

Esta eleição para o governo estadual parece trazer para ele algo parecido. Com a diferença que desta vez o PT está com Hélio Costa. E o "Helécio" que inventaram agora no estado é estratégia que veio só para extrair o que for possível de votos para Hélio Costa, colando o candidato do PMDB ao prestígio da sua candidatura ao Senado.

A balançada do “Helécio” fez o ex-governador mineiro lançar até nota oficial, onde diz o seguinte: “Desautorizo veementemente qualquer tentativa de vincular o meu nome a qualquer candidatura que não seja a do governador Antonio Anastasia”.

Parece que o alarme soou bem alto. Se é que a idéia do "Helécio" vem mesmo da campanha do PMDB e do PT. Em Aécio a dubiedade é tanta que faz até duvidar das origens de uma artimanha como esta.

Mas o certo é que com o sucesso de uma movimentação como esta Aécio Neves pode até ir para o Senado, mas não faz o sucessor em Minas, o que não é nada bom para o seu futuro político. Mas a coisa pode até piorar se, além dele perder o poder em Minas Gerais, Serra também não se eleger para presidente.

E dificilmente uma vitória de Hélio Costa em Minas Gerais ocorreria em conjunto com a eleição de Serra. Parece claro que o fortalecimento de Costa no segundo maior colégio eleitoral do país pode ser determinante para a vitória de Dilma. Daí o esforço de Lula e a direção nacional do PT para apoiar Costa, inclusive derrubando a candidatura própria do partido no estado e fazendo muita pressão para o ex-ministro Patrus Ananias ser o vice na chapa.

Será que alguém com os anos de chão de Aécio pode achar que no final todo esse esforço é para ajeitar o futuro dele? Com Hélio Costa governando Minas Gerais, Alckmin como governador de São Paulo e o PT novamente elegendo um presidente da República é provável que Aécio Neves tenha que ordenar que seus assessores façam uma boa decoração em seu gabinete no Senado. E que a sala seja bem confortável, pois é lá ele deve passar os próximos oito anos, sem chance para sonhos mais altos. E como justa homenagem, o tucano pode também pendurar na entrada do gabinete o retrato de Joaquim Silvério dos Reis.
.......................
POR José Pires

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Depois de recusar o apelo de Lula, Ahmadinejad escapou de boa

Escrevendo ontem sobre o chega-pra-lá que o Irã deu no presidente Lula, que, segundo o porta-voz oficial, não sabia do que estava falando quando se meteu no caso da iraniana condenada à morte por apedrejamento, comentei que ali os embates não são resolvidos por meio de divisão de cargos. Eles não têm por lá os PPs, PTs e PMDBs que, no final, se arranjam com empregos, privilégios e até encaixam um vice numa chapa ou noutra. Disputas políticas no Irã podem acabar até em morte.

Pois hoje noticia-se que tentaram matar o presidente Mahmoud Ahmadinejad, no que pode ser visto pelo mundo como a piada da notícia boa e a notícia ruim. Ahmadinejad escapou do atentado.

Sobre a resposta com um tom ofensivo dada à proposta feita por Lula do Brasil receber como asilada a iraniana, não se disse mais nada. Lula fez que não era com ele, tentou se concentrar na parte em que o porta-voz diz que ele tem "personalidade emotiva". Bem, aí Lula está exercendo aquilo no que ele e seus companheiros adquiriram muita prática: fazer-se de songamonga.

A resposta curta e grossa do Irã bateu na mesma hora em mesas importantes em todo o mundo. E a situação é bem clara. Lula foi tratado como alguém que não sabe o que diz. Nem era preciso um insulto desses para que ficasse claro que micou o papel de grande líder internacional que Lula queria interpretar, mas de certa forma a resposta do governo iraniano oficializou a derrocada.

Acostumado com a falta de consequência do seu hábito de não levar as coisas a sério no Brasil, com frequência Lula avança em considerações e até piadas em relação a outros países. Pode-se dizer até que é um hábito petista, pois quando era ministro da Justiça, Tarso Genro não resolveu fazer a crítica do funcionamento do Estado italiano? Hoje o candidato a Norberto Bobbio brasileiro é candidato ao governo do Rio Grande do Sul.

Parece coisa de maluco, mas o Lula não é lelé. Parece mal assessorado, daí a desinformação. A iraniana Mina Ahadi, porta voz do Comitê Internacional contra a Execução e do Comitê Internacional contra o Apedrejamento, escreveu esta semana uma carta aberta ao governo brasileiro.

É um texto curto, mas com o destaque de apenas um trecho é possível ajudar o Lula compreender o cuidado que é preciso para se meter com uma cultura política que tem o apedrejamento até a morte como pena para o adultério.

O trecho é este:

"Hoje, dia 2 de agosto, nove prisioneiros foram sentenciados à morte em Kerman. Em Teerã, seis prisioneiros políticos foram sentenciados à morte, entre eles Jafar Kazemi, que pode ser executado a qualquer momento. Zeynab Jalalian, um outro prisioneiro político, também corre o risco de ser morto em breve. Há mais pessoas na lista de execução: Mohammad Reza Haddadi foi setenciado à morte enquanto era menor; acaba de completar 18 anos e pode ser executado a qualquer momento. Há mais de 130 menores na prisão, com penas semelhantes. O regime islâmico é o único do mundo que executa menores."

Por estas informações da militante dos direitos humanos, é possível perceber o que seria desencadeado no Irã se Ahmadinejad atendesse ao apelo de Lula. E digo Ahmadinejad porque foi a ele que Lula se dirigiu, de cima do palanque de Dilma em Curitiba. Ou Lula se faz de besta ou não sabe que não é o Ahmadinejad que decide as coisas naquela teocracia militarista.

Ou talvez fosse melhor alguém chegar no presidente e colocar o problema da forma que ele gosta, no coloquial. Primeiro ele tem que ver um vídeo de execuções no Irã do "amigo querido". É fácil achar na internet. Estraga a tarde, mas um estadista, mesmo um emotivo, é obrigado a ver certo tipo de coisas. Depois o assessor pode mandar o lero:

— Seguinte, companheiro presidente, o governo do Ahmadinejad precisa matar a moça e se não for ela agora, serão outras. Se não fazem isso perdem uma importante ferramenta de pressão, entende? É mais ou menos como era o nosso AI-5 aqui, saca? Um apedrejamento até a morte em público é bem mais radical e espetacular, afinal lá não é uma ditabranda, mas o objetivo é parecido. É preciso que as pessoas tenham medo de alguma coisa, senão é capaz do Irã cair numa democracia.

Bem, depois não vão dizer que só critico: taí minha colaboração. A confusão da diplomacia petista mistura muito as coisas. Metem-se onde não são chamados e criam confusas relações. Uma divisão séria entre os iranianos, que atinge até a alta cúpula da teocracia instalada no poder pelas armas, é tratada como "briga de torcidas" e o linha-dura Ahmadinejad vira "querido amigo".

Talvez o atentado contra o Ahmadinejad abra os olhos deles para a necessidade de uma revisão na diplomacia do olho no olho. E se pegam o "amigo querido" e o Irã entra num conflito interno com a violência que sabemos ser possível no Oriente Médio? Bem, uma relação estreita dessas, olho no olho, exigiria uma ajuda imediata do Brasil.

Tem também um outro problema, bem pior. Não são poucos os analistas internacionais que acreditam que a crise nuclear criada pelo Irã vai acabar em um ataque militar dos Estados Unidos.

É claro que num caso como este, talvez nem um petista torça pelo quanto pior melhor. Mas a possibilidade de que isso ocorra não é pequena. E se os Estados Unidos atacam, como fica a relação do Brasil com o "amigo querido" do Lula? É bom dar uma conferida se as nossas tropas estão preparadas.
.......................
POR José Pires

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Cesar Maia dá uma de amador onde sabe muita coisa

Aquele ditado do "casa de ferreiro, espeto de pau" me veio logo à cabeça quando vi um clipe com jingle que Cesar Maia mandou no seu Ex-Blog de hoje. Maia é candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro e em seu correio eletrônico costuma publicar peças de sua campanha.

No correio eletrônico enviado todos os dias aos internautas, o ex-prefeito do Rio faz um dos melhores materiais políticos da internet. Sua análises são lúcidas e trazem também bastante informação, inclusive com bons comentários sobre linguagem política e os materiais de comunicação produzidos por diversos candidatos, inclusive com boas opiniões sobre postura corporal, entonação de voz e outros aspectos da comunicação em política. Cesar Maia é um caso tão raro em nossa política que até escreve bem.

Com isso tudo, é claro que acabei me espantando com a peça que ele mandou para a apreciação. A campanha nem começou na televisão, mas acho que pode-se dizer que este clipe seu é o pior desta eleição, inclusive com espantosos equívocos simbólicos.

O clipe animado traz uma figura caricaturada representando o candidato. O problema é que, além de ser um desenho muito feio, Maia é representado de uma forma que parece um boneco tipo marionete. Confiram acima a imagem retirada do clipe. É surpreendente que tenha passado pelo crivo de alguém que entende tanto de comunicação uma imagem sua caracterizado em um desenho que lembra uma marionete, que é uma das coisas piores que se pode pensar de um político.

Mas não é só aí que está o espeto de pau. No final do clipe, o boneco de Maia aparece correndo com uma multidão atrás dele. Sei que os produtores do clipe queriam representar o candidato correndo junto com o povo. Mas o problema é que parece que Cesar Maia está correndo em fuga da multidão, num pega-ladrão. Veja abaixo se não estou com a razão. No vídeo, que você pode ver aqui, o efeito é bem mais forte.



É a impressão que tive já na primeira olhada e que foi reforçada quando procurei observar analisando de forma técnica o material. Não é provável que um deslize como esse possa afetar significativamente a candidatura de Cesar Maia ao Senado, que até agora tem bons indices em todas as pesquisas. Mas, de qualquer forma, é um ponto negativo na imagem.
.......................
POR José Pires

O Irã dá um chega-pra-lá em Lula

Quando Lula fez a proposta de conceder asilo à Sakineh Mohammadi Ashtiani, a mulher condenada à morte no Irã, ele acabou entrando numa daquelas questões em que não importa se a resposta é negativa ou positiva. Qualquer uma delas é problemática.

O Irã deu hoje uma resposta que parece mostrar que por lá já se cansaram das lorotas do presidente brasileiro. Para o governo iraniano, Lula é "emotivo" e desconhece o assunto. Uau, na bucha! Imagino o espanto de Lula, acostumado com um povo que o aguenta com paciência há pelo menos duas décadas.

Dizem que o sucesso de Lula se deve ao fato dele ser muito bom em política. Não penso assim. O que ele tem de bom, além de um suporte fantástico e descarado da máquina pública, em sindicatos, Ongs e outras instituições ditas populares, é sua oposição. Para ele, é claro, pois com uma oposição de fato não teria nem sido reeleito. O mais provável é que fosse apeado do poder já no primeiro mandato. Fazer sua sucessora, como pode acontecer, isso nem pensar.

Está é a minha opinião. Porém, sou dos que não se enganam com o Lula muito antes de ele ser eleito, mas creio que sua performance no plano internacional demonstra que este não é um juízo de valor movido apenas pela minha ojeriza ao sapo barbudo. Em menos de dois anos, neste último período de governo em que resolveu ser espaçoso também no plano internacional, quase tudo deu errado para Lula. Claro, o debate internacional é substantivo. Até pode haver o lero-lero de que ele tanto gosta, mas por detrás das palavras tem de haver substância. Isso quando o que tem que ter mesmo são tropas.

Mas falemos da questão da iraniana, que Lula puxou para si em um palanque eleitoral.
Vamos primeiro falar da resposta positiva. Teoricamente até poderia ser vista como o melhor resultado, isso se não fosse um paradoxo. A negativa que veio do governo iraniano seria até, isso se não fosse o chega-pra-lá que veio com a resposta.

Ele passaria como um presidente humano, isso no plano interno, principalmente no aspecto eleitoral, pois onde importa mesmo internacionalmente sua proposta com certeza foi vista como ridícula. E tão tola, que nem os iranianos, que até aqui pareciam parceiros de LUla, puderam evitar de colocar o assunto dessa forma.

A oferta de Lula foi de uma comicidade trágica. Há muito tempo que ele vem exercitando este humor negro em suas intervenções públicas. E digo pela oferta de asilo em si, sem falar nas piadinhas que ele soltou quando tocou no assunto.

No Irã, o apedrejamento até a morte não é uma exceção bárbara como é visto com razão no Ocidente. O absurdo, que lá é uma normalidade penal, vem da leitura do Corão. Para atender apenas esse pedido de Lula, os aiatolás teriam de fazer uma revisão em muita coisa do que pensam.

Vamos fazer um raciocínio simples, expondo o problema de forma contrária. O que será que pensaríamos se o governo iraniano propusesse que começássemos a apedrejar as mulheres que cometem adultério? Calma, estou falando em hipótese e pensando em brasileiros de bom senso e não no Lula.

O Brasil não consegue resolver nem os problemas internos de violência contra as mulheres e isso para ficarmos só neste tipo de violência. A bem da verdade, o governo brasileiro não consegue conter violência alguma. A própria imagem que o presidente da República usou para se referir ao caso, tratando a iraniana como um “incômodo” para o governo iraniano e também fazendo piada com o adultério masculino mostra, aliás, que este tipo de violência é um problema cultural bem arraigado e ainda vai longe.

Mas se o Irã concedesse o direito da condenada asilar-se no Brasil, nosso país abriria um precedente que poderia conduzir à uma imensidão de casos similares em todo o mundo. Sabemos que o ponto essencial da questão, da qual Lula foge, é a violência do Estado iraniano sobre as mulheres.

É sobre isso que seu governo deveria tentar influir, mas aí toca-se na questão dos direitos humanos, algo que Lula não que discutir, nem no Irã, em Cuba, na Venezuela e tantos outros países, afinal sua política externa parece ter uma queda por regimes onde prevalece a injustiça.

E como não pode ir a fundo na discussão dos direitos humanos, malandramente ele buscou particularizar nesta condenação da iraniana uma suposta preocupação com o ser humano. É como ele faz no plano interno. Com o país destruído pela violência, com comunidades inteiras dominadas por quadrilhas armadas e mortes de uma violência aterrorizante acontecendo todos os dias, ele trabalha uma imagem humanística distribuindo afagos pessoais em solenidades oficiais e nos palanques.

Foi o que ele tentou fazer com o Irã e se deu mal. Podia pelo menos ter consultado Ahmadinejad, apesar de que seria difícil que o governo iraniano topasse o jogo. Lá no Irã, como em tantos países onde Lula vai e se comporta de forma leviana, eles estão envolvidos internamente em embates políticos cruciais. E lá essas coisas não são resolvidas em acertos por cargos. Não é acabem que terminem em morte.
.......................
POR José Pires

O presidente que não sabe o que diz

Sabemos que Lula perdeu o pudor há bastante tempo, mas ele podia ao menos evitar de se aproveitar de situações onde há vida humana em risco. Imaginem o Irã aceitando sua proposta e mandando a iraniana condenada para cá antes das eleições presidenciais. Como ele já recomeçou a derramar lágrimas com a proximidade da eleição, com certeza estaria no aeroporto para chorar abraçado com a pobre mulher. Bem, seriam cenas de fazer um marqueteiro babar de prazer.

Mas imaginem também o probelma intrenacional que uma coisa dessas traria para o Brasil. Nos países africanos onde Lula confraternizou com uma alegria que pareceu até sarcástica tem carradas de mulheres sofrendo violências e até sendo mortas. Na África do Sul, por exemplo, o estupro é um grave problema nacional, numa proporção que atinge milhares de mulheres.

Deve ter problemas semelhantes também aqui em países fronteiriços. Ou será que entre os índios bolivianos de Morales, na bolivariana Venezuela ou até mesmo lá entre os companheiros das Farcs as mulheres são tratadas de forma igualitária e sem violência? Bem, duvido muito.

Como faria o Brasil então? Só mandando uma frota de navios buscar a iraniana, com eles passando pelos portos de vários países recolhendo mulheres que sofrem violências. Para ser mais justo, os navios do governo brasileiro teriam de passar também em portos brasileiros.

Mas falemos da oferta demagógica de Lula. Tem também os problemas terríveis de adaptação no Brasil de uma mulher de cultura simples, retirada de um país totalmente diferente do nosso, até com uma língua totalmente fora dos nossos padrões. É provável até que seja uma mulher sem profissão alguma.

Então ela teria de contar com o apoio do governo brasileiro? Bem, visto por este lado, a situação piora bastante. E aí então é que teríamos um problema bem sério para administrar, pois o mundo inteiro ficaria de olho na situação desta mulher aqui no Brasil.

A oferta de Lula foi feita em cima de um palanque, com a descarada intenção de puxar o assunto porque sua candidata é uma mulher. É mais um abuso contra a coitada da iraniana, mas nem vou falar sobre isso. Mas será que Lula não conversa com ninguém antes de fazer uma proposta de tamanha importância?

É provável que tenham discutido o assunto ao pé do palanque. Pois Lula e seus assessores estão maluquinhos se pensam que vão obter algum resultado positivo fazendo política por impulso.

Será que os responsáveis pela política externa brasileira acreditavam que o governo do Irã abriria a mão de cumprir uma lei básica da teocracia que implantaram naquele país sob a força das armas? Pelo jeito achavam que sim.

Mas o Irã deu outra resposta. Disse que Lula não tem “informação suficiente” sobre o caso e que ele tem uma “personalidade emotiva”.

A frase dita pelo porta-voz do Minstério do Exterior iraniano: "O presidente (Lula) da Silva tem uma personalidade muito emotiva e humana, mas provavelmente não tem informação suficiente sobre o caso". Sejamos francos: com palavras, digamos assim, diplomáticas, estão dizendo que Lula é boboca e não sabe do que está falando.

É mais um chega-pra-lá que Lula recebe no plano internacional. É o fim do olho no olho com Ahmadinejad.

A resposta à Lula sem dúvida vem de cima. O Irã vive uma situação delicada, tanto internamente como no plano internacional. Isso exige que manifestações de governo sejam muito bem colocadas no plano internacional. A resposta saiu da boca de um porta-voz. A voz é de instâncias superiores. Cabe à Lula entender o recado: agora a conversa é a sério e para isso ele não serve. Acabou seu tempo de fazer graça mundialmente.
.......................
POR José Pires

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

domingo, 1 de agosto de 2010

Chega o mês do cachorro louco e suas coincidências

Pelo jeito este agosto promete fazer jus à fama popular de ser o mês do cachorro louco. Disparos contra quartel da Rota, tiros contra o comandante da tropa em sua própria casa, veículos incendiados. É mês de cachorro louco e de cachorros bem grandes.

Mas tem uma coisa muito curiosa: os anos eleitorais parecem ter uma relação com este fenômeno dos cachorros loucos. Em 2006 aconteceu coisa parecida em São Paulo, com os ataques do PCC na capital e em cidades importantes do interior paulista. E foi também há poucos meses da eleição. Daquela vez foi em maio.

Naquele ano tinha também um ex-governador paulista disputando a eleição presidencial em que Lula foi reeleito. Era Geraldo Alckmin. E este ano, quando temos paulista de novo na disputa e agora com mais chances de ser eleito, o terror recomeça.

Outro fato curioso é que a bagunça só acontece em São Paulo, exatamente onde existem números que mostram queda da criminalidade em todo o estado. Em um país aterrorizado de norte a sul pela violência e o avanço do crime organizado, mostrar esses dados no horário eleitoral que começa dentro de duas semanas daria um reforço na candidatura de José Serra.

Mas se persistir este clima, é evidente que será bem mais complicado para o tucano capitalizar estes bons resultados de sua atuação como governador de São Paulo, exatamente na segurança, área que terá muita influência na decisão do eleitor.

Calma, não estou acusando nenhum partido ou candidato, mas creio que é interessante registrar a coincidência. De qualquer forma, é um dado a mais para o mito do mês do cachorro louco.
.......................
POR José Pires

sábado, 31 de julho de 2010

Imagens de grande competência


Aqui temos uma foto sobre um encontro de tatuadores, realizado esta semana em Taiwan. E lá embaixo publico uma foto de uma reportagem fotográfica sobre o trabalho de equipes médicas do exército dos Estados Unidos no Afeganistão. As duas imagens estão unidas pelo hábito da tatuagem, que se vê também no braço do jovem militar norte-americano que ajuda o soldado ferido do Exército Nacional do Afeganistão, mas pode-se ver também uma unidade no uso do jornalismo, feito de forma competente por redações de dois países bem diferentes e distantes entre si.

E, independente do que pensemos das duas atividades, também são retratos de trabalhos exercidos com a maior competência. A impressionante capacidade dos médicos militares dos Estados Unidos é de impressionar até mesmo um esquerdista que vê como "mocinhos" os Talibãs cortadores de narizes e orelhas de mulheres do Afeganistão.

A foto do encontro dos tatuadores foi publicada no jornal espanhol El País e a reportagem fotográfica feita no Afeganistão saiu no site do jornal Denver Post, dos Estados Unidos. Esta reportagem no Afeganistão é bem mais longa que a do encontro de tatuadores. São 40 imagens impressionantes pelo que mostram e pela qualidade das própras fotografias.

Este material serve para comprovar como os jornais e sites brasileiros ainda não se aperceberam da importância da fotografia na internet. Fotografia por aqui é publicada em poucos centímetros, mesmo quando usam o recurso do clique para aumentar a imagem.

As empresas também não investem em reportagens fotográficas, o que torna seus sites pobres naquilo que representa o melhor da linguagem da internet: a imagem. Eu creio até que computador é algo que parece ter sido inventado mais para a fotografia do que para o texto. Não é que o texto não tenha importância, é óbvio. Se eu pensasse assim, apenas desenharia para a internet. Mas fotografias funcionam bem demais neste vídeo iluminado por dentro que temos à nossa frente.

Esta pouca importância no uso das imagens, com sua publicação de modo tímido ou melhor, mesquinho mesmo, é um dos equívocos que os jornais brasileiros trazem para a internet. Antes dessa nova tecnologia eles já vinham descuidando nos impressos do prazer de se ver uma boa foto e um bom desenho.

Era uma economia burra que diminuía a qualidade do produto e que vejo como uma das razões que fazia a nossa imprensa estar definhando antes mesmo do advento da internet. Esta falta de investimento em recursos humanos é um problema histórico da nossa imprensa em todas as áreas. Com isso, os jornais e revistas vinham ganhando dinheiro e perdendo qualidade.

Pelo que se vê, a prática foi transplantada para a internet. É bem grande o número de internautas brasileiros, mas a qualidade fica bem baixa nesta relação. Daí, quem não se contenta com a fofocaiada que os poderosos da nossa internet acham que é a receita vencedora neste meio, tem que correr pra fora para ver algo de qualidade.

Para ver as fotos do El País clique aqui para ver a reportagem fotográfica do Denver Post, prepare-se bem, e clique aqui.
.......................
POR José Pires

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Justiça proíbe a grande música-tema do lulo-petismo

Ao mandar retirar de circulação o jingle da candidatura de Fernando Collor ao governo de Alagoas, o Tribunal Regional Eleitoral está prejudicando a melhor expressão do que foi o governo Lula, que está para acabar, e do que pode ser o governo Dilma, caso a ameaça se consume.

Já falei aqui deste jingle, uma peça sociológica do lulo-petismo, tão brilhante que concentrou em poucas estrofes embalada por uma melodia simples o que muitos vem discutindo em artigos, entrevistas e até ensaios nos últimos anos.

Já publiquei um trecho e faço questão de republicar, já que tudo indica que dificilmente os advogados de Collor derrubarão a decisão que proibe a audição desta música-tema do projeto político de Lula e seus companheiros. Vamos ao trecho:

É Lula apoiando Collor
É Collor apoiando Dilma
(Pelos mais carentes!)

É Lula apoiando Dilma
É Dilma apoiando Collor
(Para o bem da nossa gente)

É Lula apoiando Collor
É Collor apoiando Dilma
(Pelo mais carentes!)

É Lula apoiando Dilma
É Dilma apoiando Collor
E os três pelo bem da gente!


Torcemos pelo sucesso deles no convencimento do TRE para que as ruas voltem a receber este singelo, porém potente som, já que não se trata apenas da candidatura do ex-caçador de marajás e de maracujás, agora amigo do peito de Lula, mas de uma canção rara que simboliza de forma precisa o lulo-petismo. Nem Chico Buarque, lulista de sempre e compositor competente, faria melhor. Gilberto Gil se pendurou no Ministério da Cultura, mas saiu sem deixar nenhuma contribuição. E a música Lula os 300 picaretas, de Herbert Vianna, ficou defasada: hoje os picaretas ao lado de Lula já somam milhares.

O hino do lulo-petismo acabou sendo composto por um simples marqueteiro do Nordeste, o que no fundo pode ser até bem mais forte para o conteúdo simbólico de uma relação (Collor e Lula) que começou no confronto agressivo e progrediu até tornar-se um forte elo da governabilidade (Lula e Collor), para finalmente configurar-se na trindade político-eleitoral do continuísmo com Dilma Rousseff.
.......................
POR José Pires