quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Fala o mestre

"Hoje está provado que a nossa técnica de destruição supera a capacidade de destruição da natureza. Mas se Deus deixa que destruam 3 milhões de árvores na Amazônia, assim sem mais nem menos, é porque as faz nascer em outro lugar, onde também deve haver macacos, flores e águas altas. É para lá que eu vou quando eu morrer."

É o Tom Jobim falando sobre a destruição da natureza no Brasil. Tirei do belo livro feito por sua irmã, Helena Jobim, onde ela conta muita coisa interessante sobre a convivência entre os dois. Este livro é muito importante, até porque, além das falas cotidianas do compositor captadas por um ouvido amoroso, traz também textos praticamente inéditos escritos por ele, alguns que de fato não sairam em lugar algum.

Esta frase sobre a capacidade destrutiva dos brasileiros em cima de suas riquezas naturais é do início da década de 80, mas é claro que ele já vinha alertando bem antes sobre o perigo desta destruição.

E vinha também extraindo da nossa natureza a matéria prima para suas músicas. Tom Jobim traz uma lição em sua obra e que seria bom os brasileiros terem na cabeça, que é o uso da nossa natureza — a brasileira mesmo, pois na sua música quando ele canta “pedra”, é uma pedra das nossas — como força-motriz para as nossas realizações. Esta é uma questão cultural e também econômica. É desse potencial que podemos extrair dinheiro e prestígio, como a bossa nova mostrou muito bem. Derrubar, queimar, assorear, poluir, demolir, enfim, destruir essa força natural vai fazer o Brasil ir para o buraco.

A frase dele é ótima. Tirando a esperança de reencontrar tudo refeito por Deus depois de morrer, assino embaixo.
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POR José Pires

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

O Rio colhe suas tristezas

Várias histórias comoventes nesta tragédia que acontece no Rio de Janeiro. Primeiro a devastação do sítio do Tom Jobim pela violência das águas. Por coincidência eu andava nesses dias relendo coisas dele, revistas com entrevistas que tenho muito bem guardadinhas, biografias e, claro, uma escutada nesta ou naquela música que uma frase ou um fato traz à lembrança [...é, mas quando é que você não está fuçando em alguma coisa do Tom Jobim? É verdade, mas aconteceu mesmo].

O simbolismo da queda da casa e a destruição no sítio é bem forte. Num belo livro escrito pela irmã do compositor, Helena Jobim, ela conta uma breve história ocorrida com ele em Jerusalém, quando depois de um show eles foram tirar uma foto em uma plantação de oliveiras e Jobim escolheu ficar do lado de uma árvore em meio a tantas outras.

Depois de feita a foto perceberam uma pequena placa onde se lia que exatamente aquela árvore havia sido plantada pelo pianista Arthur Rubinstein. De pronto um amigo de muitos anos, Tião Neto, disse para o compositor: “Não existem coincidências”.

Por coincidência é mais ou menos assim que eu penso. A destruição do sítio onde Jobim fez tantas coisas boas no Rio deveria ser vista como um alerta sobre os perigos de que ele já falava há muito tempo e que começam a acontecer de forma muito grave e continuada.

Ou será coincidência que o Rio colha tristezas aindas mais pesadas exatamente um ano depois da tragédia em Ilha Grande?

Em torno da destruição do lugar de onde, entre tantas belezas, saiu Dindi, Matita Perê e Águas de Março, tem também outras histórias comoventes.

Um caso terrível é do aposentado que foi soterrado com a família e viu a mulher e os filhos morrerem ao seu lado. É uma história impressionante contada pelo jornal Extra, do Rio. É uma daquelas reportagens que devia vir acompanhada de um lenço. Você pode ler clicando aqui ou aqui.

Histórias como esta trazem o lado humano da questão. É o sofrimento cotidiano e as perdas que passarão infelizmente a compor a memória de toda uma região. Mesmo um cético como eu sabe que, no final, o que importa é o nosso semelhante. Fiquei aqui pensando como será difícil para os sobreviventes dessa tragédia darem contnuidade às suas vidas depois que as coisas voltarem a uma relativa normalidade por lá.

O número de mortos já se aproxima de setecentos. É provável que chegue à mil. Naquela região será difícil encontrar alguma pessoa não tenha perto de si uma história pavorosa que ficará em sua cabeça talvez por toda a vida. Este sofrimento psicológico nenhum jornal consegue captar e sobre ele é praticamente impossível obter indenização ou cobrar responsabilidades. É coisa que não aparece em estatísticas e estudos.

Em Nova Orleans, em 2005 morreram cerca de 1500 pessoas. Hoje no Rio, ainda com muita gente possivelmente soterrada, o número de mortos já é quase a metade do que teve naquele desastre nos Estados Unidos. E por lá passou um furacão. Mas com os governos que temos o brasileiro não precisa disso para sofrer.


Fugindo da culpa
Aqui no Brasil nossos furacões são outros: as autoridades políticas se incumbem de criar o cenário perfeito para os desastres. Quando Nova Orleans viveu aquela situação dramática, a nossa esquerda foi rápida em apontar o presidente George W. Bush como o vilão. Bush certamente teve sua culpa, apesar de que não concordo com o uso de espantalhos na política, no estilo estratégico da esquerda brasileira.

Já no drama vivido hoje pelos brasileiros com as chuvas, essa mesma esquerda, em blogs e sites muito bem pagos com dinheiro público ou com favorecimentos de governos, investe contra a imprensa que busca contar o que se passa no Rio. Com isso, esses braços articulados do poder tentam desviar o foco dos culpados pela tragédia. E quem são? Ora, é a presidente Dilma Rousseff e o governador Sérgio Cabral. Os dois são a continuidade de governos anteriores. Dilma vai para o terceiro mandato petista. Cabral foi reeleito.

Teve um tempo em que no Brasil jornalistas pressionavam para o aprofundamento de qualquer investigação e a busca do esclarecimento dos fatos. Hoje jornalistas acoitados pelo poder petista trazem essa novidade de atacar a imprensa quando ela faz direito seu trabalho.


O que ocorre no Rio espanta pela enormidade e pelo peso dramático de tantos mortos, mas na essência não é muito diferente do abandono cotidiano que os cidadãos sofrem do poder público em todas as cidades brasileiras. A população sofre com serviços precários ou até com a total ausência em questões básicas pelas quais pagam impostos. Os brasileiros penam uma barbaridade enquanto o dinheiro público escoa na roubalheira, no pagamento de salários altos e mordomias para os políticos e no mau uso ocasionado por má-fé ou deficiência técnica.

E nem estou falando de direitos que os político exploram como se fossem doações assistencialistas, mas de serviços que custam muito caro e são pagos pelo cidadão muitas vezes até antecipadamente. É a internet que não funciona, ruas com asfalto precário, falta de segurança, bancos que atendem mal, transporte público de má-qualidade e tantos outros descasos, inclusive a falta de saneamento básico no país onde existem mais aparelhos celulares que tratamento de esgoto.

Acreditar que a chuva é a causa dos problemas serve apenas para ajudar na fuga das autoridades brasileiras às suas responsabilidades. Até porque sabemos muito bem que, quando não é a chuva, a seca também serve como justificativa para eles escapulirem.

Alguém vive numa cidade onde os serviços básicos, aqueles pagos todo mês pelo contribuinte, são prestados de forma razoável pelo administrador público? Bem, se vive então não conte pra ninguém, senão milhões de brasileiros vão querer se mudar para esta cidade.

É preciso apontar os responsáveis e cobrar suas responsabilidades, que vão além de um passeio rápido de coletezinho em frente aos jornalistas quando acontece alguma tragédia. Se fosse possível ser conseqüente na cobrança de responsabilidades pelo que acontece no Rio e em várias cidades brasileiras, muita gente sairia corrida do poder, alguns até iriam para a cadeia. Mas esta possibilidade ainda é a de um país de ficção, um mero desejo de muitos brasileiros. O problema é que enquanto não fazemos um país assim, vamos tendo que chorar muitos mortos.

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POR José Pires

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

James Thurber, um traço sempre na memória

Este desenho de James Thurber é um dos primeiros cartuns de que tenho memória na minha vida e é uma das imagens artísticas que mais me marcou. Vi este e mais dois ou três numa reportagem da antiga Seleções do Reader’s Digest ali pelo início dos anos 60. Eu tinha doze ou treze anos e a Seleções era um dos poucos canais nossos com o mundo exterior. O Brasil era uma província. Ainda é, mas hoje pelo menos temos a janela da internet para espiar o tempo todo lá fora.

É difícil explicar para um jovem de hoje como era a coisa, tão complicado como fazer alguém entender atualmente que os jornais eram feitos então numa máquina de escrever. A informação era passada de mão em mão, isso literalmente. Quando vi estes desenhos era muito especial ter uma revista nas mãos. O que tínhamos aqui? A TV recém-começava e televisão no Brasil sempre foi porcaria. Nem a TV a cabo nos salva disso. Nossa indústria editorial era pequena. A qualidade de impressão, que até hoje não é nada boa no país, na época era péssima. Mas era o que tínhamos e então era com emoção que eu recebia uma reportagem qualquer com a reprodução de alguma pintura ou desenho, mesmo que a impressão não fosse grande coisa.

As revistas ficavam guardadinhas durante anos para serem espiadas quando fosse preciso. Algumas imagens eu recortava e guardava. Eram como tesouros da informação, de forma que ter acesso a algo tão precioso como os desenhos de Thurber não era para qualquer um e obviamente de forma alguma tão fácil como hoje.

Só para ter uma idéia, de um pintor como Paul Klee, tomando como exemplo outro artista que adoro, com a facilidade criada pela internet acabei vendo mais obras dele nos últimos três anos do que em todos os outros anteriores meus de vida. E de verdade mesmo, antes da internet cheguei a ver pouco mais de uma centena de obras dele ou de qualquer outro artista e muitas vezes em reproduções de qualidade bem ruim. Agora já vi quase tudo de Klee e de outros bons pintores.

Mas, voltando aos meus tempos de menino, quando conheci o trabalho de James Thurber este cartum me encantou bastante. Isso mostra, sem falsa modéstia, que eu era mesmo bem precoce. Até para hoje é um trabalho de difícil compreensão e que para ser apreciado exige uma certa capacidade técnica, especialmente por causa do traço sofisticado ao extremo. A simplicidade pode afastar o leigo e, não raro, quem não entende de arte tende sempre a apreciar mais o excesso do que a síntese.

A piada é surrealista como pede o desenho de uma foca atrás de uma cama. Thurber conta que fez primeiro o desenho, sem saber em que ia dar. Depois escreveu o diálogo para a cena estranha. A mulher diz: "Está bem, você ouviu uma foca". Vejam a imagem ampliada, que postei em formato bem grande, clicando sobre ela. Dá para perceber detalhes do caminho da pena do artista sobre o papel.

Thurber é extremamente sofisticado em sua simplicidade. Muitos bons desenhistas levam anos para “desaprender” a desenhar e fazer algo tão despojado assim, o que ele aparentemente conseguiu desde sempre. Acho até que, em parte, porque Thurber era administrador na revista New Yorker quando começou a publicar. Depois acabou sendo altamente reconhecido como escritor, o que de certa forma deve tê-lo mantido fora das pressões comuns a todo artista. O mundo sempre exige o excesso e isso vale também para quem desenha para imprensa.

Isso pode ser uma das explicações para este desenho tão caligráfico e que parece tão espontâneo. Mas a melhor explicação mesmo é que o cara era bom de verdade e bastante corajoso: o cartum é de 1932.

Mas a simplicidade sempre engana muito. Em arte, algo tão simples assim na maioria das vezes é sempre resultado de um trabalho danado.

Sempre me ficou na memória este cartum que publico aqui e também outro, de um sintetismo gráfico maravilhoso, uma cena onde está um bicho estranho, que parece ser um enorme hipopótamo, tendo caídos à sua volta um sapato, um chapéu e um cachimbo. Na frente dele uma senhora com as mãos na cintura pergunta de forma enérgica: “O que você fez com o Dr. Millmoss?”

Mais tarde vi muitos outros desenhos de Thurber, inclusive as belas capas da New Yorker, onde ele depois passou a escrever também com muito sucesso. Tenho um belo livro de cartuns seus, além de centenas de desenhos recolhidos na internet. É um daqueles artistas inspiradores que até uma rápida olhada basta para reforçar a crença na necessidade da arte.

Entrando na internet dá para ver muitos desses desenhos, como nesta página do Flickr, onde uma pessoa teve a delicadeza de escanear e publicar vários cartuns retirados de um álbum. Mas o que ficou mesmo de forma marcante na minha memória foram estes dois cartuns de que falei, publicados no tempo em que essas coisas só eram vistas impressas em tinta.
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POR José Pires

Parece o fim do caminho

Pelo telefone uma querida amiga me cobra mais textos sobre a tragédia no Rio de Janeiro. Ela sabe do meu interesse por ecologia e das minhas previsões nada otimistas para um futuro próximo, principalmente no Brasil onde não existe nenhuma consciência coletiva sobre a necessidade de estruturas novas para o que vem por aí.

Conversamos bastante sobre os terríveis fatos, mas não se preocupem que nenhum dos dois ficou deprimido com o diálogo. Sou adepto de ver de forma franca todo assunto, muitas vezes reforçando as dificuldades da questão. Penso que dessa forma não só entende-se melhor o problema, como também a solução pode ser bem mais conseqüente. Ninguém aqui professa um niilismo cínico e improdutivo: quem me lê sabe disso. A filosofia é ver tudo com bastante rigor e meter a mão na massa de forma ativa e conseqüente.

Mas é difícil não temer pelo futuro olhando a cena dos dois líderes brasileiros, o governador Sérgio Cabral e a presidente Dilma Rousseff, de coletezinho colorido em visita ao local atingido pelos desastres, os dois acreditando que fazer cara feia dá a imagem de rigor técnico e senso de responsabilidade. Que saco para Dilma ter que se ausentar da distribuição de cargos em Brasília para pisar na lama (esta, natural) no Rio. E o Cabral teve que cancelar a estada no exterior, na viagem que havia feito exatamente para fugir as chuvas no Rio.

No primeiro dia da tragédia, quando a contagem dos mortos estava em 80, falei aqui que o número iria aumentar. Bastava dar uma corrida pela internet para ver que a coisa estava mesmo feia. A contagem já está em 641 mortos. As doações se estragam sob a chuva. Tem gente vendendo alimentos e até água acima do preço normal. E só agora, depois de quase duas semanas de chuvas fortes, o Ministério Público planeja (isso mesmo: ainda estão "planejando") abrir postos de cadastramento de desaparecidos nos sete municípios atingidos.

De simbólico, a destruição que a violência das águas fez no do sítio do compositor Tom Jobim mostra que o Brasil tem dificuldade muita dificuldade em aprender com aqueles que sabem. Foi nesta casa que o compositor criou a belíssima “Águas de Março” e dali também, de um rio da região, o Rio Preto, veio a inspiração para “Dindi”. Tom sempre foi um dos primeiros a ressaltar a necessidade do respeito à natureza, algo presente com muita força em sua obra em nas suas falas.

Na imagem acima, o estado que ficou a casa do sítio. A foto foi tirada pelo seu neto, Daniel Jobim, que estava lá durante as enxurradas que devastaram o lugar. De geração à geração, os problemas aumentam.

Ah, como eu gosto da música desse artista, de uma obra tão humanística que fez dele alguém tão próximo de todos, como se fosse um amigo dos que gostavam do que ele fazia tão bem. Mas quem sabe de Tom Jobim hoje em dia? E mais, qual é a autoridade política que leva a sério suas preocupações com o estado da nossa terra, assunto sobre o qual ele, de forma pioneira, vinha alertando desde os anos 60.

Confesso que as fortes chuvas no Rio me trouxeram à cabeça foi a situação do Sítio Burle Marx. Ali pela região de Guaratiba a coisa também pode ficar feia com estas tempestades, como ocorreu no ano passado. Felizmente por enquanto não tivemos nenhuma má notícia de lá. Apesar de que, danos por danos, a incúria das autoridades brasileira já fez bastante mal para esta outra preciosidade da nossa cultura.

O que estamos vendo hoje parece o fim do caminho, para citar o Tom Jobim. Vai ser preciso muito esforço para que o Brasil não se acabe pela falta de estruturas para a manutenção do que ainda temos.
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Por José Pires

domingo, 16 de janeiro de 2011

A alma do negócio

Imagem é tudo. Veja à esquerda a foto, digamos assim, "oficial", do jogador Ronaldo, imagem usada para propaganda e que ele usa inclusive na apresentação de seu Twitter na internet. E à direita temos uma foto feita por Ernesto Rodrigues, da Agência Estado, durante um treino no Corínthians esta semana.

Como diz o slogan de seu patrocinador: escolha.
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Por José Pires

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

A luta continua!

Salve-se quem puder

No país que se gaba o tempo todo de ter coisas de "primeiro mundo" os moradores de Petrópolis apelaram para uma medida desesperada para salvar suas vida durante os desabamentos e alagamentos provocados pelas chuvas: subiram em árvores.

80 pessoas já morreram no Rio de Janeiro. É um número absurdamente alto e deve aumentar mais, é claro, mas só haveria espanto se o país fosse de fato de primeiro mundo. Aqui é fichinha. Não é assunto pra manchete. As mortes não ocorreram em Roraima ou no Amapá, nas beiradas do Brasil. Os cadáveres são de um estado cheio de coisas de primeiro mundo, menos em assuntos básicos, como moradia, saneamento e segurança.

A região onde a tragédia ocorreu é cheia de condomínios de luxo e lá a defesa civil é subir em árvores. O país do futuro ainda é pré-histórico no que realmente importa para a vida de seus cidadãos.
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Por José Pires

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

A gente passa a vida
desejando Feliz Ano Novo
e lembrando com saudade
dos velhos tempos

Agora vai

Quem disse que não tem nada de novo no governo de Dilma Rousseff? Tem e é uma contribuição do PMDB. É a mulher do vice-presidente, Michel Temer. Ela com 27 anos, ele com 70.
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Por José Pires

Minha casa, minha vida

Uma das última notícias do ano que passou serviu para dar o fecho de ouro do governo Lula. Nos últimos dias de 2010 surgiu a revelação de que um dos filhos do presidente Lula, Fábio Luís, teve o aluguel de R$ 12 mil mensais um apartamento nos Jardins, bairro nobre de São Paulo, pago por uma empresa com contratos com vários governos, entre eles o federal. A empresa tem contratos de venda de livros didáticos.

Lulinha, como Fábio Luís é conhecido, é aquele gênio da Gamecorp, que fez fortuna em um negócio com a Telemar, hoje Oi. Na época do bom negócio feito por Lulinha, a Telemar, por sua vez, foi beneficiada por uma mudança nas regras da Anatel. A mudança foi feita diretamente pelo presidente Lula. Com um decreto presidencial, ele mudou a legislação para permitir a fusão da Brasil Telecom com a Oi.

Essa estranha história do Lulinha mostra que esse negócio de morar bem sem pagar aluguel é coisa de família. Lula também morou de graça durante anos numa casa bem grande cedida pelo compadre Roberto Teixeira.
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Por José Pires

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Repeteco

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

O ano em que José Serra virou Zé

Este foi o ano em que os brasileiros viram José Serra perder uma eleição que estava pra ele. Meses antes do começo da campanha o tucano era o preferido em qualquer pesquisa, mas errou tanto que entrou na eleição igualado a uma candidata que Lula tinha enfiado goela abaixo do PT e que tinha dificuldade até de dar uma simples entrevista. Não falava coisa com coisa.

Serra fez tudo errado, começando por não assumir logo a candidatura a presidente. Por fim, foi à luta, mas na sua chapa brigava-se mais entre os aliados do que com o adversário. O qüiproquó começou na escolha do vice (falando nisso, como era mesmo o nome dele?) e não parou até o final. Nem no segundo turno conseguiram conquistar uma unidade da candidatura.

O tucano teve oito anos para se preparar, mas acabou apresentando uma candidatura confusa, com dificuldade até de definir posição em relação ao governo Lula. Na sua crise de identidade, espantosamente até tentou pegar carona na imagem do presidente Lula e só voltou atrás na tática covarde quando viu que o eleitorado não aceitava esta estranha novidade.

Durante a errática campanha, Serra acabou virando Zé. Nas mãos de um marqueteiro sem nenhuma criatividade e distanciado dos políticos que compunham a aliança em torno da sua candidatura, ele tentou uma jogada várias jogadas populistas de olho na parcela do eleitorado encantado com Lula. No desespero para alcançar o segundo turno, apelou até para a Bíblia.

Em agosto, ainda na primeira semana do horário eleitoral gratuito eu escrevia aqui: “O marqueteiro dos tucanos é um gênio. Em poucos dias conseguiu fazer de um dos políticos brasileiros de identidade mais firme uma figura indefinida, que num momento ataca de frente a candidata Dilma e logo após afaga até com carinho o criador desta adversária, o presidente Lula”.

Quase um mês antes, ainda no início de julho, analisando o que os tucanos apresentavam na internet como pré-campanha, eu alertava sobre equivocado rumo populista que via na campanha: “Se o que Serra apresenta agora como suas marcas for determinar de fato a linha de campanha daqui até outubro, sua candidatura estará tomando o caminho errado”.

E deu mesmo tudo errado. Serra não criou durante a campanha nenhum espaço no pós-eleição para a oposição e muito menos para ele.

Rememore a desastrosa campanha tucana em alguns posts que publicamos à época. Para ler, clique nas chamadas.






A candidatura que morreu abraçada à Bíblia


Neste ano também escrevi sobre a lamentável virada religiosa da candidatura de José Serra, que no desespero para garantir o segundo turno abraçou-se ao que há de pior na religião no Brasil. E nem precisava disso, como também escrevi aqui. Bastaria ter feito uma campanha oposicionista decente.

Sobre tais alianças, escrevi: "As bancadas religiosas já tiveram tempo suficiente para mostrar a qualidade da sua atuação na política e o resultado não é nada bom, inclusive no aspecto da corrupção. Além do mais, o grande problema da associação da política com a religião é que quem faz isso costuma acender fogueiras que depois são difíceis de serem apagadas".

Rememore o assunto nos textos abaixo:

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

sábado, 25 de dezembro de 2010

Sistema de cotas

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Então bom Natal...


quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Ministro bom de cama

A imprensa procura fazer quizumba onde existe apenas dedicação política. O futuro ministro do Turismo da Dilma teve despesas de motel pagas pela Câmara dos Deputados, mas e daí? Como dizia aquela antiga ministra, a que teve a passagem mais marcante pelo ministério: o negócio é relaxar e gozar.

Todos sabem muito bem que o turismo sexual é um ítem forte na nossa balança comercial, mesmo os que fingem não saber. Daí que o futuro ministro podia muito bem estar em pesquisa de campo, se preparando dar o melhor de si no cargo. Num ministério desses, ministro tem que ser bom de cama.

Foi perfeita a escolha do futuro ministro do Turismo. Além do mais, o ministro já é um homem de 80 anos, o que mostra um desempenho acima da média. Com alguém assim no ministério do Turismo vai ser melhor do que com a Marta Suplicy: não vai dar tempo nem pra relaxar.
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POR José Pires

Agora vai

Eu achava que para o ministério da Cultura o deputado Tiririca caia bem, mas um Holanda também não é pouca coisa. Entre tantas cotas fica estabelecida uma Cota Chico Buarque. Eu até acho que a família podia dar muito mais samba no ministério das Relações Exteriores, já que o compositor trouxe um novo conceito para ser agregado ao conceito do olho no olho ditado por Lula para relações como as tidas com o iraniano Ahmadinejad. Chico veio com a diplomacia da fala fina e da fala grossa, ele que por anos tem falado bem fino com a ditadura cubana.

Com Fidel Castro ele sempre usou falsete de Milton Nascimento, apesar de que nunca se viu Chico usar a voz grossa de um Dorival Caymmi para falar com poderosos países capitalistas. O compositor tem apartamento em Paris, onde todo ano passa temporadas até de meses. Não tem casa em Cuba, país que parece não fazer muita questão frequentar. Chico nunca foi visto se metendo a falar grosso sobre direito de imigrantes ou qualquer pendenga, das muitas que o governo de Sarkozy tem com os estrangeiros que residem na França. Sobre essas coisas ele não fala nem fino nem grosso. Se cala por detrás de um de um cálice nalgum bistrô de Paris, dizem que acompanhado de um jabuti.

Mas voltemos ao ministério da Cultura, bem posto nas mãos de uma Holanda, ou Hollanda, a Ana com um estranho“l” a mais, a ministra irmã de Chico Buarque. Está dentro da normalidade depois do pai, Sérgio, virar nome de navio. Aliás, é perda de tempo apontar qualquer anormalidade num governo que dá para um navio o nome de Sérgio Buarque de Holanda para um navio e o nome da mãe do Lula para uma universidade.

Já que a petezada queria um artista, reitero que o ideal era o Tiririca, com muito mais serviços prestados ao governo petista, entre eles o de levar para o Congresso Nacional o delegado Protógenes e sua pasta preta. Mas sua excelência, a irmã do Chico Buarque, também é uma escolha à altura de mais este governo petista que vem aí.
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POR José Pires

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Extra! Extra!


Fotografado afinal O Amigo da Onça na sua verdadeira identidade.
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POR José Pires

A igualdade pelo avesso

Quando o PT falou recentemente em estabelecer uma cota de 30% de mulheres no ministério de Dilma Rousseff eu pensei imediatamente que as mulheres brasileiras deveriam sair em manifestações de rua pelo país. Protestando contra uma idéia tão arriscada, é claro. Desde que começou a ocupar administrações importantes pelo país afora, o PT tem desmoralizado o direito da mulher de ocupar o mercado de trabalho e postos de direção.

O problema vem de muito antes de Lula virar presidente e começou em câmaras de vereadores e prefeituras. A desmoralização já começa quando o partido adota de forma eleitoreira a falsa premissa de que a diferença sexual faria da mulher uma dirigente pública especial.

Essa diferenciação mentirosa acaba criando expectativas falsas em relação à mulher na política, que vai ter à sua frente as mesmas precariedades ou qualidades que um homem teria, além de ter de enfrentar no Estado a mesma situação de desestruturação e corrupção. É dificíl entender como alguém pode acreditar que o fato de ser mulher pode trazer algo diferente neste enfrentamento, mas o fato é que em certos casos a lorota até rende alguns votos. É um tipo de bobagem que acomete também certos militantes negros e também militantes homossexuais — mas a verdade é que somos todos iguais inclusive nos defeitos.

Esta questão já foi discutida demais para que tenhamos que agüentar tanta tolice e demagogia. Mas na política brasileira estas divisões artificiais ainda são bastante usadas, mesmo que historicamente a ocupação de cargos dirigentes por mulheres já venha comprovando que na prática não existe nenhuma diferença.

Quando o PT prega de forma eleitoreira qualidades especiais no sexo feminino para a ocupação de cargos na administração pública, o partido já causa um grande estrago conceitual e simbólico. Mas a coisa piora quando suas militantes de fato ocupam cargos destacados. O estrago aumenta, pois na maioria dos casos comprovadamente temos visto ineficiência ou a corrupção. Quando não aparecem as duas coisas juntas.

Mas o PT teima em usar o recurso até como marketing, como ocorreu este ano em várias eleições e pricimpalmente na campanha de Dilma. Com Dilma até tiveram que forçar um pouco na caracterização feminina, pois parece que ela tem defeitos parecidos com os piores estereótipos masculinos. Tiveram que vir com esse papo de mulher na política para encobrir sua notória personalidade agressiva na relação com colegas, principalmente os subordinados.

Mas para a sorte de quem acredita de verdade na igualdade entre os sexos, as mulheres que o PT tem colocado em vários governos tem desmoralizado estas questões de gênero. É mais um daqueles serviços que os petistas prestam de forma involuntária à democracia. Mas é preciso tomar muito cuidado, pois olhando o que as mulheres deste partido fizeram no poder só nestes oito anos de Lula, pode-se até chegar numa conclusão que também não é verdadeira: de que as mulheres não servem para a política ou que é até pior do que os homens no exercício do poder.

Nem uma coisa, nem outra. Somos mesmo iguais até na sedução da corrupção ou do desmando. É uma igualdade tão clara que, no PT, o mesmo descuido ético que o partido tem com sua ala masculina foi aplicado com igualdade para suas militantes. E deu no que deu. Com isso que podemos chamar de igualdade pelo avesso, o estrago para a imagem das mulheres na política pode estar sendo maior que qualquer benefício.

Da então senadora Benedita da Silva, encalacrada lá no início do primeiro mandato de Lula em gastos indevidos que forçaram sua saída do governo, à atual senadora Serys Slhessarenko, que tem uma assessora que já tirou dos cofres públicos também de forma indevida quase cinco milhões de reais, é uma lista muito grande de militantes petistas que trouxeram resultados negativos à condição feminina, apesar de muitas delas terem alcançado projeção calcadas na valorização da mulher na política. Com sua má atuação acabaram indo contra a respeitabilidade da mulher no mercado de trabalho.

Vamos ficar só nas figuras petistas destacadas, que ninguém é de ferro para uma lista tão longa. Em exemplos diversos, tem a ex-ministra Matilde Ribeiro, que foi obrigada a sair do cargo com os gastos irregulares flagrados no escândalo dos cartões corporativos e tem também a então ministra do Turismo, Marta Suplicy, mandando os brasileiros que sofriam com os aeroportos “relaxar e gozar”. Não foi possível. Marta fez esta estranha alusão sexual em 13 de junho de 2007 e no dia 17 do mês seguinte um horrível desastre com um avião da TAM matou 187 pessoas na capital paulista.

Teve também a deputada-dançarina Ângela Guadagnin, do PT de São Paulo, que festejou dançando no plenário da Câmara dos Deputados a vitória de deputados mensaleiros. Como já falei, é uma lista grande de militantes partidárias metidas em grosserias, maus serviços e até corrupção, de modo que, ao contrário do que parece, o fato de não terem conseguido nomear 30% de mulheres para cargos de destaque é na verdade uma boa notícia. Dessa forma o estrago será bem menor para a imagem das mulheres brasileiras.
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POR José Pires

Desmoralizando os direitos femininos

É grande demais a lista de mulheres petistas que desmoralizam na política os direitos femininos. O ápice disso neste segundo mandato foi a descoberta das tretas de Erenice Guerra, ministra da Casa-Civil colocada no cargo por outra mulher que acabou sendo eleita presidente da República. É o exemplo máximo do conceito de "poder feminino" do PT. Dilma procurou escapar de complicações eleitorais alegando que foi enganada pela amiga do peito, ou seja, seguiu o exemplo do chefe que, na pressa de fugir de suas responsabilidades, prefere ser visto como incompetente do que corrupto.

Tirou sua candidatura de complicações com o caso de corrupção na Casa-Civil, mas como fica a imagem da mulher em um caso desses? Mas ela acabou vencendo a eleição, pode dizer alguém. Pois é disso mesmo que estou falando: estou convicto de que isso vai piorar ainda mais a imagem das mulheres na política. E todos sabem que a lógica do Tirica não dá certo com o PT. Fica pior, sim, seu abestado.

Outro exemplo em que questões de gênero exploradas pelo PT acabaram afundando foi com a governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, que não volta ao governo no ano que vem. Ela não se reelegeu nem mesmo com toda a força, inclusive financeira, recebida da campanha de Lula e Dilma. Após quatro anos desastrosos ela perdeu a eleição para o tucano Simão Jatene.

Quando ela foi eleita, o PT fez uso nacional disso como um feito, afinal era a eleição de uma mulher em um estado de grandes carências e um histórico de violência em torno da pose de terras. Mas durante seu mandato a governadora se afundou em denúncias de corrupção e nepotismo. Carepa nomeou irmãos, cunhados e até o namorado para cargos do governo. Num dos estados mais pobres do país e uma região que ainda está em estágio de colonização, a petista se negou a morar na residência oficial e alugou com dinheiro do governo uma casa num condomínio de luxo, em Belém, com custo anual de R$ 60 mil, e determinou uma reforma no local orçada em R$ 148,5 mil.

Não é provável que tenha sido motivada por sua suposta índole feminista, mas a governadora nomeou como assessoras especiais a cabeleireira Manuella Figueiredo Barbosa e a esteticista Franciheli de Fátima Oliveira da Costa.

O estado do Pará acumula tensões em torno de disputas de terras, com a conseqüente destruição ecológica. O lugar é um foco de atenção mundial com a preocupação internacional com o desmatamento.

No estado governado pela petista foi assassinada em 2005 com sete tiros a freira Dorothy Mae Stang. E para comprovar que até nisso o PT não buscou resultados objetivos, neste mês surgiu a notícia de que continuam os desmatamentos no assentamento que a irmã Dorothy defendeu com a própria vida. Os agricultores da região ainda vivem ameaçados por pistoleiros e a floresta nativa é destruída.

Mas para desmoralizar qualquer questão de gênero, foi também no Pará que a polícia prendeu em 2007 uma adolescente de 15 anos numa cela com 23 homens. Durante quase um mês a menina sofreu torturas com queimaduras de cigarro e isqueiro. E foi estuprada por diversos homens todos os dias.

Também neste caso a ação da governadora foi lerda e ineficaz. E para abalar qualquer teoria feminista, a prisão da menina fora ordenada por uma juíza e a ordem cumprida por uma delegada. E a governadora, também mulher? A petista Ana Júlia Carepa só apareceu quando o caso virar notícia nacional e depois que o caso saiu do foco da imprensa nada fez para melhorar a situação da Justiça em seu estado. Ela vai deixar o sistema carcerário do Pará na mesma situação de horror que encontrou.

Questões de gênero? Na verdade vivemos em um país onde o tratamento digno da Justiça nada tem a ver com sexo. É uma questão de dinheiro. E no Pará não foi mudada a realidade que permite uma polícia truculenta prender uma menina com dezenas de bandidos numa cela e não impede criminosos de matar uma senhora.
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POR José Pires

Inserindo a mulher na política

E para continuar na contribuição petista para a inserção da mulher na política, tem também o caso que talvez feche o ano e que envolve também esta demagogia petista de querer se beneficiar das questões de gênero na política. É a denúncia que envolve a senadora petista Serys Slhessarenko e sua assessora Liane Maria Muhlenberg, que arrancou mais de quatro milhões de reais de dinheiro público apenas com emendas orçamentárias de deputados petistas, sem precisar de licitação.

São duas mulheres, duas petistas, em cargos destacados da política nacional.A senadora Slhessarenko já disse que não conhecia o extraordinário talento financeiro da assessora. Ela nem sabia que a outra era presidente de uma ONG tão próspera, o que leva a crer que as duas têm conversado pouco nesses três anos trabalhando juntas.

Slhessarenko deveria dar o exemplo, pois sempre tentou se mostrar uma feminista entusiasmada. Com a eleição de Dilma, saiu com essa: ”Todas as mulheres vão saber como é ocupar o gabinete no chefe”. Seria interessante saber dela qual é a sensação que que fica para as mulheres agora, quando sua assessora apronta e ela fica obrigada a dizer que nada sabia.

Não estou querendo dizer, evidentemente, que no PT só tem mulher corrupta. Mas seus dirigentes não deveriam cuidar mais para que não ficasse tão abalada a imagem que querem construir de um partido que insere a mulher brasileira na política? Ah, sim, se fosse assim cuidariam também para não ter tanta corrupção feita por homens.

Mesmo Dilma não tendo fechado a cota feminina de 30% de altos cargos de seu governo, as mulheres ainda têm muito motivos para se preocupar. É só ver alguns nomes anunciados, entre eles o da senadora em fim de mandato Ideli Salvatti, que vai para o ministério da Pesca. No Planejamento teremos Miriam Belchior, que foi namorada do prefeito petista assassinado Celso Daniel.

Ela estava também na Casa-Civil durante as maracutaias feitas por Erenice, a amiga do peito de Dilma, o que revela no mínimo desatenção. Outra referência sua é até um pouco pior. Ela foi denunciada ao Ministério Público por João Francisco Daniel, irmão do ex-prefeito, que disse ter ouvido dela e de Gilberto Carvalho, ex-secretário municipal de Santo André e atual chefe de gabinete da Presidência, que houve um desvio de R$ 1,2 milhão da prefeitura em benefício do PT.

Nas gravações feitas pela polícia durante a investigação do crime tem um estranho diálogo colhido nas maquinações feitas pelos petistas tentando encerrar o caso como um crime comum. Nas gravações vazadas Miriam Belchior é instruída para fazer o “papel de viúva” até num programa da Hebe Camargo. E ela e Celso Daniel nem estavam juntos quando ele foi sequestrado, torturado e morto.
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POR José Pires

O mulherio que se cuide

Também no ministério de Dilma está a deputada gaúcha Maria do Rosário. É outra que costuma se favorecer com o uso de questões de gênero. Em alguns casos leva o assunto para o terreno da futilidade, um rumo para onde a demagogia sempre acaba conduzindo essa gente.

Em 2007 ela estava em meio ao bate-boca com o então deputado Clodovil, já falecido. O costureiro teria chamado uma deputada petista de “feia”. Durante a confusão, Maria do Rosário, que ocupava a Mesa para um ato em desagravo da colega, gritava para Clodovil: “Cai fora daqui, seu nojento!”

A seu modo, Clodovil se defendeu bem: “Eu tenho culpa dela ser feia, gente?”

As petistas tentaram fazer do bafafá uma grande causa feminista. Houve apelo até para que fosse cassado o mandato do costureiro. Imaginem a cassação de um deputado num antro daqueles só porque chamou uma colega de feia. Até um organismo feminista do partido entrou na parada. Foram feitas reuniões com o presidente da Casa. Mas felizmente o asunto foi mantido em sua dimensão ínfima.

Mas nunca se viu tamanha combatividade das companheiras em questões maiores de desrespeito humano, como a desatenção de seu partido ao desrespeito ao direito das mulheres em países como o Irã, que mata mulheres (feias ou bonitas) inclusive pelo apedrejamento, ou na defesa explícita de Lula à repressão política em Cuba e também no Irã. Sobre assuntos como estes a deputada Rosário é bem menos eloqüente. É até muda.

É a indignação seletiva do PT, que serve também no debate sobre questões de gênero, como a violência contra a mulher. Quando aconteceu o terrível caso da adolescente presa numa cela com vários homens no Pará, conforme escrevo acima, a indignação da bancada feminina petista foi bem menor. Talvez pelo fato do estado ser governado pelo PT, não teve deputada se atirando no chão e nem berrando em plenário como aconteceu no episódio com Clodovil.

Rosário, cujo marido ocupa um cargo no governo Lula, foi reeleita deputada, mas seu mandato depende de um julgamento no TSE. Sua candidatura foi impugnada pelo TRE por dívidas referentes à campanha para a prefeitura de Porto Alegre, em 2008. A deputada recorreu ao TSE, em Brasília. No governo Dilma ela é a futura ministra dos Direitos Humanos, pasta do polêmico Plano Nacional de Direitos Humanos 3, o PNDH 3. O ano promete.

Enfim, teremos outro governo petista provavelmente bem mais quente que os oito anos de Lula. Seria melhor que as mulheres de bem exigissem de Dilma que ela se restringisse a sua função política, sem alegar nenhum requisito supostamente feminino para realçar seu papel no exercício do mandato que começa em janeiro. Se isso pega, existe o risco da imagem das mulheres na política se arruinar de vez.
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POR José Pires

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Orçamento ficha-suja

Será que sai o Orçamento do governo Lula para o ano que vem? Mal acabou de cair um relator governista, o senador sem-votos Gim Argello (PTB-DF), pode cair também a ocupante de seu lugar, a senadora Serys Slhessarenko (PT-MT).

O presidente do PPS, Roberto Freire, pediu agora há pouco afastamento dela, depois do jornal O Estado de S. Paulo revelar que sua assessora preside uma entidade que recebeu R$ 4,7 milhões de recursos do Orçamento por meio de convênios com o governo realizados sem licitação.

É bastante parecido com que que faz o senador Argello, com a diferença que os petistas buscam dar à maracutaia um tom aparentemente mais respeitável. A grana entrou na entidade da assessora da senadora petista por meio de emendas de parlamentares do PT para shows e eventos culturais.

O presidente do PPS, Roberto Freire, pediu o afastamento de Slhessarenko e ainda soltou uma tirada boa. "Não é possível que o governo não tenha um senador ficha-limpa para ser relator do Orçamento", ele disse.

Dessa forma o pequeno PPS vai fazendo o trabalho da oposição, que tem sido bastante descuidado pelo DEM e o PSDB, os partidos maiores da oposição — que se apequenam também durante as campanhas eleitorais e diminuem de tamanho a cada eleição.

No primeiro a luta continua, mas é pelo rescaldo que sobrou das últimas eleições. E entre os tucanos discute-se a "refundação" do partido. Podiam chamar um especialista no assunto, o petista Tarso Genro. Ele faz o tipo de refundação do gosto tucano. Cava-se muito espaço na imprensa, porém sem risco algum: no final da discussão o partido continua na mesma.
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POR José Pires


quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Exotismos estrangeiros

Os americanos são mesmo um povo extremamente exótico. Vejam esta notícia que está em vários sites da internet:


"O ator Wesley Snipes se apresentou na quinta-feira a uma prisão federal da Pensilvânia (EUA), para começar a cumprir sua pena de três anos de prisão por sonegação fiscal, segundo uma fonte penitenciária.

Snipes, de 48 anos, condenado em 2008, chegou ao Instituto Federal de Correção McKean, em Lewis Run, Pensilvânia, logo depois do meio-dia (15h em Brasília), disse Ed Ross, porta-voz do Departamento Federal de Prisões."

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POR José Pires

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

É a cara do pai

Um jovem pode muito bem dar um exemplo moral para gente muito mais velha. E isso pode acontecer até com quem tem fama de molecão. Observando a atitude do jogador Reinaldo assumindo a paternidade de uma criança de 5 anos, o que ele fez há poucas horas numa mensagem em seu Twitter, lembrei da postura bem diferente do vice-presidente José Alencar em relação ao processo de paternidade de Rosemary de Moraes, que alega ser sua filha, de um relacionamento que ele teria tido com a enfermeira Francisca Nicolina de Morais, em 1954, em Minas Gerais.

O processo já tem dez anos, de tanto que Alencar buscou protelar o caso com seus advogados. Em agosto deste ano, ao negar mais dois recursos na ação de investigação de paternidade, o juiz José Antônio de Oliveira Cordeiro, até acusou o vice presidente de litigância de má fé.

O juiz qualificou de "protelatórias" e "desrespeitosas para com a Justiça" as sucessivas apelações da parte de Alencar.

Só aos 42 anos Rosemary soube quem era seu pai e isso, segundo ela, numa conversa casual com a mãe, já falecida, que nunca teve o interesse de ir à Justiça reivindicar seus direitos. Ela sempre cuidou sózinha da filha e jamais procurou reparação ou qualquer tipo de ajuda com José Alencar.

Isso não evitou que o vice-presidente fosse grosseiro ao comentar o caso em público. Ele acusou a mãe de Rosemary de frequentar na época a zona do meretrício e disse o seguinte em entrevista no programa Jô Soares: “Se fosse assim, todo mundo que foi à zona um dia pode ser pai. São milhões de casos de pessoas que foram à zona, só que grande parte desses casos não tenham sido objeto de interesse, nem político nem econômico”.

Imaginem como isso ficaria no Twitter do vice-presidente, caso ele tivesse um. Nada cavalheiresco, não? E nem um pouco em conformidade com a imagem de bonachão com a qual ele fez carreira na política. E cabe lembrar que o vice-presidente ofende alguém que criou sózinha uma filha durante mais de 40 anos sem pedir coisa alguma dele, que é um dos homens mais ricos do país. A ação foi feita pela filha depois que a mãe morreu.

Alencar também se nega a fazer o exame de DNA e para isso tem uma curiosa justificativa. Segundo ele o exame não é 100% seguro. Bem, então é 99% e ele tem servido para muitos homens assumirem legalmente filhos pelo mundo afora. Ainda bem que uma tese dessas não pode servir para criar jusrisprudência internacional para fugir de responsabilidades.

Mas tirando esse absurdo, existem outras maneiras de identificar a cria, o que o jogador Ronaldo escreve de forma até bonita em seu Twitter. Não deve ser difícil identificar um filho do Ronaldo e esse também é o caso de Alencar com aquela sua carantonha.

Vejam acima a senhora que exige que Alencar assuma sua paternidade. Não é a melhor herança que um pai pode deixar para uma filha, mas ela é a cara dele. Um exame de DNA com a confirmação serviria só para fortalecer o que o coração de um pai pode muito bem indicar. Mas para isso é preciso ter sentimentos, não?
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POR José Pires