segunda-feira, 30 de maio de 2011

Sarney agora quer trapacear a História

Então o senador José Sarney resolveu reescrever mais um capítulo da história do Brasil. Agora deu pra dizer que Collor não devia ter sofrido o impeachment. E digo reescrever mais um capítulo, pois já faz tempo que eles estão reescrevendo toda a nossa História. Lula é bastante criticado quando vem com aquela conversa mole de situar os bons acontecimentos a partir de sua subida ao poder, mas é um fato que nem isso começou com o PT e ele não é o único a tentar mudar a leitura histórica a seu favor. Toda essa politicalhada em todo o país vem já há algum tempo dando um feitio à memória brasileira que nada tem a ver com o que realmente aconteceu nesses anos todos.

Em cada cidade ou estado, dão nomes dos comparsas aos lugares públicos, comparsas atuais e comparsas que fizeram no passado algo parecido com o que eles fazem agora. Só para dar um exemplo, no Maranhão tem uma cidade chamada Presidente Sarney. Como diz a moçada: é mole? Não é não. Tem até universidade Dona Lindu, aquela pobre senhora que o filho disse ter nascida analfabeta, não tem? Pois é.

A esquerda também faz a sua parte neste embaralhamento da memória. Só para citar um caso, o mensaleiro José Genoino pode acabar passando para a História como um homem de bem amedalhado em nome do Exército Brasileiro pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim. E para merecer ser execrado Genoíno nem precisaria ter se metido na patifaria que foi o mensalão. Bem antes disso ele estava na Amazônia com um bando que pretendia transformar este país numa ditadura ao estilo maoísta, ou da Albânia, dependendo da ideologia da vez, cada uma pior que a outra.

Mas hoje o Sarney apareceu dizendo que o impeachment do ex-presidente Fernando Collor foi excluído da galeria de imagens da Casa. Nem é preciso perguntar de onde partiu a ordem para livrar a barra do agora companheiro de tretas senatoriais, não é mesmo?

A justificativa de Sarney para tirar esse que é um dos fatos mais importantes da nossa história recente é que é interessante. Primeiro ele disse que o impeachment de Collor “não é tão marcante”, o que é uma das avaliações mais estúpidas sobre este fato, e depois disse que “talvez fosse um acidente que não devia ter acontecido na história do Brasil".

Vamos à fala na íntegra: "Não posso censurar os historiadores que foram encarregados de fazer a história. Agora, eu acho que talvez esse episódio seja apenas um acidente e não devia ter acontecido na história do Brasil. Não é tão marcante como foram os fatos que aqui estão contados, que construíram a história e não os que de certo modo não deviam ter acontecido”.

O site da Folha de S. Paulo publica uma foto em que Sarney está mostrando a galeria para estudantes em visita ao Senado. Pobres estudantes brasileiros. Neste rumo, logo estarão condenando Tiradentes como um maluco que não devia ter acontecido e exaltando Silvério dos Reis como um valoroso construtor da história.

Estará ficando gagá o velho Sarney? O senador já está com 81 anos e não parece nada bem. Tudo bem, a velhice é algo natural, mas um velho velhaco é bem lamentável. E essa defesa não só do Collor, mas da eliminação de um dos nossos processos políticos mais memoráveis, nada é mais que uma velhacaria.

Ele já se saiu melhor do que isso, mesmo para defender seu grupo ou até um recém-chegado aos negócios escusos senatoriais, como é o caso do Collor. Bem, indo pelo raciocínio de que o impeachment do Collor foi um erro chegaremos à certeza de que o que o levou à presidência estava certo. E ele chegou à presidência da República xingando Sarney em praça pública.

Fugiu do eleitor
maranhense e quase
perdeu no Amapá
Sarney é uma piada. É o senador maranhense eleito pelo Amapá. Para se eleger teve que mudar o domicílio eleitoral para o Amapá, pois mesmo com o Maranhão fortemente atado ao cabresto ele não podia ter a certeza da vitória. E mesmo no Amapá, com todo o apoio do governo Lula e gastando uma dinheirama por pouco não perde a vaga para uma desconhecida.

Por isso digo sempre que não se caia na balela de que esse Congresso é representativo do que é o Brasil. Isso não é verdade. Só seria representativo se tivéssemos uma Justiça atuante, regras eleitorais que os políticos fossem obrigados a respeitar. Para que o Congresso fosse representativo do que somos teríamos também de ter partidos de verdade. E nada disso temos.

E é exatamente pela falta dessas coisas é que surgem os Sarneys. Com a política do compadrio conseguiu um bocado de coisas. E como todo bom vampiro, extrai sua força da desgraça desta pobre Nação. Falta também ao brasileiro a coragem de usar a estaca que Paulo Francis já falou há décadas. Tudo indica que Sarney será mais um ser indecente da política que só vai deixar de sugar o Brasil depois de morto.

Um escritor que está para
a literatura assim como
um Sarney está para a ética
Mas Sarney já fez coisas tão ruins quanto tentar reescrever a História. Ele escreveu livros. Só produziu literatices, mas com seu poder de fogo acabou sendo publicado por editoras de peso no mercado. Por coincidência, na semana passada eu folheava num sebo uma edição de Marimbondos de Fogo, naquela leitura crítica de alguns minutos, que ninguém é de ferro para encarar um livro de José Sarney. É da editora Siciliano, que fez uma capa com uma obra de Joan Miró. E como tudo que tem um Miró acaba ficando com um ar de sofisticação o livro ficou bonito, vistoso até. É o que se pode chamar de leviandade editorial.

Em Marimbondos de Fogo Sarney tentou fazer poesia. Uma passada de olhos no que ele escreveu dá na gente aquela vergonha pelo fiasco de alguém no palco. Num poema bem conhecido, Carlos Drummond de Andrade escreveu que enquanto o poeta municipal disputa com o poeta estadual, o poeta federal (que seria Manuel Bandeira, a quem ele dedica o texto) tira ouro do nariz. O que será que Sarney tira do nariz enquanto devaneia à espera da inspiração? Nem vou falar.

Sarney cometeu também um romance que acabou gerando uma das críticas mais formidáveis da história da nossa literatura, uma análise feita pelo Millôr Fernandes para a qual ele usou uma calculadora. Ou fez as contas no lápis, pois o bom e velho Millôr tem o jeito de saber fazer essas coisas.

Escrevi sobre isso aqui no blog em julho de 2002 num texto com o título "Brejal dos Guajas: um clássico... da crítica". Lá eu dou o link para o texto do Millôr em que ele prova na ponta do lápis que Sarney bestamente colocar mais de dez mil pessoas em duas ruas de 120 casas. Tive que copiar o texto de um livro do Millôr que tenho há bastante tempo, datilografia braba, mas vocês valem todo o esforço.

Mas por que estou falando em Marimbondos de Fogo, Brejal dos Guajas, essas coisas, se o que o Sarney fez foi teorizar sobre a reavaliação para melhor do que foi Collor para o país? Bem, tudo isso é má literatura que as editoras só publicaram pelo que Sarney representa como lobista eficiente. Foi só uma coincidência que a Siciliano tenha sido uma dessas editoras, mas é tuto cosa di buona gente, capisce? E publicar má literatura é algo tão indecente quanto defender o Collor. Sarney fica bem nos dois papéis.
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Por José Pires

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Lula azarando o próximo e lucrando com o azar alheio

O ex-presidente Lula (que se conserve assim, ó céus!) tem um tipo de sorte que só a metafísica explica. Ou seja, não se explica. Todos sabem que o chefe petista dá um azar danado aos que se aproximam dele. Na área esportiva a lista é imensa e está aí o Corinthians para comprovar que é bom ficar longe dele.

Na política, Lula também coleciona desastres à sua volta e os 40 quadrilheiros do mensalão sabem bem disso, inclusive o ex-capitão de seu time, o deputado cassado por falta de decoro José Dirceu, classificado no inquérito de mensalão que está no STF como "chefe de quadrilha".

Dirceu pode estar ganhando bastante dinheiro e ainda ter poder político, mas nos finais de tarde, talvez com um copo de um bom uísque na mão para relaxar, além da noite que cai sobre todos deve descer sobre ele o desencanto de uma vida política perdida, pois é praticamente impossível que ele suba aos cumes que estavam previstos para sua carreira política. Independente do que decidir o STF, seu destino é vagar pela planície com o estigma da corrupção grudado na sua face política.

Assim como tantos outros companheiros de Lula, Dirceu poderia ser bem mais do que é hoje. E ele sabe disso. Mas, também, muito bem feito. Quem mandou grudar no Lula. O efeito do chefão entre os petistas foi geral, da extrema-esquerda aos aproveitadores que, no final, tomaram conta do partido. Pelo país afora, são incontáveis os talentos políticos e até técnicos que foram destruídos pela proximidade com ele. Pessoas que já estavam encaminhadas para serem bons administradores públicos, vereadores, deputados, acabaram virando um nada na política ou se corrompendo de forma irremediável, muitas vezes só por pequenos cargos.

Há alguns anos, muitos anos, vá lá, ainda na época da primeira tentativa de eleição de Lula para presidente, em 1989, fiquei bastante espantado com um acontecimento numa de suas caminhadas numa cidade do interior do país. Numa carreata aconteceu um engavetamento no trânsito e alguns militantes, inclusive pessoas bem próximas de Lula, ficaram presas dentro de um carro que pegou fogo. Morreram todos numa situação de terrível desespero, inclusive com uma dessas pessoas pedindo para cuidarem de seus filhos. É de fazer um toc, toc, toc na madeira. Nunca soube de nada parecido em campanha alguma.

É claro que dei o toque na madeira e também senti um alívio por estar longe de alguém assim. Não acredito nessas coisas, mas como não dá para se apoiar em negativas científicas para um troço desses é bom seguir o conselho espanhol: pero, que las hay, hay. Carl Sagan escreveu um livro muito bom sobre esse assunto, com aquela ótima visão científica que ele expunha de forma tão clara. Mas ele sempre destacava o fato que, certeza absoluta mesmo não dava para ter. Mas, voltando ao seca-pimenteira, a única vez que apoiei o Lula foi contra Collor, naquele segundo conhecido turno, e foi um erro conforme o próprio Lula afirmou recentemente.

Minha aversão não é só pelo azar que ele espalha, é claro. Ele mesmo disse que não estava preparado na época, mas é bem mais que isso. Já naquele notório último debate, quando o vi acovardado na frente de Collor percebi que tinha errado em apoiá-lo até ali. Depois, ele próprio estimulou a mentira de que perdera a eleição por causa da manipulação da divulgação desse debate. Lorota pura. Perdeu porque foi covarde. E o pior é que parece ter se acovardado só por causa de uma pulada de cerca. O medo do rolo de macarrão da Marisa em casa pôs tudo a perder naquela noite. Não votei nele nem no segundo turno, mas isso é outra história.

Mas, voltando ao azar que ele passa aos outros na política. Dêem só uma olhada em torno dele o que sobrou. Até seu partido foi descaracterizado por completo e transformado em um PMDB de esquerda. Mas ainda lá atrás dá para citar nomes dos que se azararam de forma irremediável com a proximidade do chefe. O ex-prefeito Celso Daniel é um exemplo forte, não é mesmo? Isso sem falar no prefeito de Campinas, Toninho do PT.

No aspecto apenas político, até Leonel Brizola cometeu o erro de ficar perto demais. Em 1989, ele foi vice na chapa de Lula para presidente, na dobradinha mais tola que já se fez numa eleição brasileira. Isso foi demonstrado pelas urnas. Perderam feio no primeiro turno para Fernando Henrique Cardoso. Depois disso, Brizola não foi mais nada até sua morte em 2004. Com o descuido político impressionante ao aceitar aquele posto de vice deixou de deixou de ser uma figura central da nossa política e perdeu autoridade até em seu partido.

Até recentemente o espalha-azar pegou vítimas graúdas na sua teia de má energia. Algumas delas caíram ainda nesses dias. O Kadhafi não era amigo, irmão e líder dele? Pois é. E ainda mais recentemente e também no plano internacional, na semana passada outro desavisado naufragou depois de se lastrear com as pesadas energias do chefe petista.

No dia 16 do mês passado o chefe do governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, recebeu Lula no palácio La Moncloa, sede oficial da presidência do governo espanhol. Posaram para fotos e fizeram uma reunião sei lá para tratar que tipo de assunto. Não importa, os vinhos espanhóis são realmente muito bons, apesar de que a cara inchada do ex-presidente brasileiro na foto revela o traço dos que não sabem beber. No encontro, os dois disseram que iriam manter relações de amizade "fortes e frutíferas". Ay, ay, ay, caramba... E Zapatero sendo espanhol não conhece o ditado sobre las brujas e que já citei, o que diz que las hay, hay?

Pois há três dias o PSOE de Zapatero sofreu uma derrota história. Essa amizade entre ele e o Lula pode até se manter, mas da próxima vez Zapatero terá de receber o ex-presidente brasileiro em casa e de pijama. Brincadeira, ele não precisa se preocupar. Lula vai se esquecer dele logo, já que ficar ao seu lado não dará mais fotos na imprensa internacional.

Lula é fogo. Se lesse meu blog, Zapatero jamais ficaria do lado dele, ainda mais depois do político espanhol ter aprontado na Espanha algo parecido com o que Lula fez com os compromissos históricos do PT. Ou será que é exatamente por isso que são tão próximos? Zapatero se ajustou ao figurino conservador, que obviamente não deu resultado positivo na economia espanhola. E como o eleitor espanhol não é bobo igual a certo povo de um grande país sul-americano...


Ganhando forças
com o azar que tirou
adversários de seu caminho

Lula espalha essa terrível energia negativa. Os fatos demonstram isso, seja no esporte ou na política. Porém, esse fenômeno estranho que emana do chefe petista traz junto uma interessante característica: ele tem sorte com o azar alheio. Sei que isso é muito esotérico, mas vamos aos fatos.

Na carreira de Lula, seu sucesso veio sempre de desgraças que aconteceram na política brasileira. E não estou falando das derrotas dele sobre adversários. São acontecimentos que nada tem a ver com suas ações, mas que acabou favorecendo, e muito, sua sede de poder.

Nem vou falar do que aconteceu na política brasileira com o advento ditadura militar em 64. Foi um período de chão arrasado na política, entre o empresariado e entre os formadores de opinião. Mortes, exílio, pressões de toda ordem, com todo tipo de ação repressora a ditadura brasileira acabou com a qualidade política. É certo que se não houvesse esse violento corte de cabeças seria impossível que uma mediocridade pessoal como Lula ascenderia tão alto. Até para fazer seu papel de songamonga havia muita gente mais habilidosa antes da ditadura chegar.

Vamos deixar de lado também o estrago interno no PT. Ou dá para acreditar que se José Dirceu não tivesse sido triturado Lula teria toda essa força?

Mas depois da ditadura e ao lado do crescimento de Lula - e não só por coincidência - muitos acontecimentos foram contribuindo para que ele acabasse tendo essa importância que assumiu na política brasileira.

Alguém acredita que Lula se elegeria depois do segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso, em 2002, se em vez de enfrentar José Serra disputasse a eleição com Mario Covas, que viria de dois mandatos no governo de São Paulo com altíssima popularidade? Pois Covas morreu em março de 2001.

Lula e seu PT estariam também muito complicados se Ulysses Guimarães não tivesse morrido num acidente de helicóptero em outubro de 1992. Estava com 76 anos e gozando de boa saúde. Nada indica que o histórico líder do PMDB deixaria Lula reinar da forma que fez nos dois mandatos. Ulysses dominou até um tipo como Sarney, um político matreiro que aliás foi determinante nos dois mandatos de Lula e manda até hoje em setores muito importantes do governo do PT.

O próprio Brizola, já citado, morreu em junho de 2004. Nos últimos anos de vida o líder pedetista já estava desgostoso com Lula. Não queria nada com ele. Se estivesse vivo, dificilmente o PDT seria transformado em suco na aliança inescrupulosa que fortalece Lula e o PT até hoje.

Tem muito mais figuras centrais que desapareceram, criando espaços que favoreceram o petista. Não é muita sorte com o azar alheio? Vou citar só mais duas, mas sem esquecer o ex-prefeito Celso Daniel, que caso não fosse morto também é possível que não facilitasse a atuação de quadrilhas em torno de Lula. Não esqueçamos que tudo indica que ele foi eliminado exatamente por isso.

Mas entre as figuras que não estavam exatamente no centro da nossa política, mas que são de expressiva força, inclusive de personalidade, temos a ex-primeira-dama Ruth Cardoso e Zilda Arns. Ambas poderiam ser um estorvo e tanto para o PT tomar conta da questão do conceito de assistência social, um fator que foi essencial para a vitória de Dilma. Pois Ruth Cardoso morreu antes da eleição, de problemas de coração. Zilda Arns morreu no terremoto do Haiti, a menos de um ano da eleição.

Sei que já é o bastante para embasar esta tese que, ainda que esotérica, me parece ter condições práticas para sua aceitação. Mas agora, há dois dias tivemos uma má-notícia que certamente é excelente para Lula e seu PT. O Congresso Nacional está precisando como nunca de gente honesta, mas, mais que isso, de políticos que atuem de forma objetiva para ao menos conter a bandidagem que toma conta da República. Um que tem feito esse papel de forma admirável e em poucos meses de mandato é o ex-presidente e atual senador Itamar Franco, cuja eleição por Minas Gerais tirou inclusive um petista graúdo do Senado.

Pois Itamar, que já tem 81 anos, foi internado no último sábado com leucemia. Que Deus nos ajude — vá lá, aproveitando que estamos mesmo esotéricos — para que esse não seja mais um azar que favoreça Lula e seu PT.
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POR José Pires

terça-feira, 24 de maio de 2011

O Brasil precisa de mais "Amandas" falando com toda a sinceridade o que sentem

A partir de um de um discurso relativamente curto e com um conteúdo simples e objetivo, a professora Amanda Gurgel transformou-se em um fenômeno popular no Brasil. A fala da professora ocorreu na semana passada numa audiência pública da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte sobre a crise na educação que acontece no estado, onde os professores estão em greve por questões salariais.

O trecho gravado em que Amanda usa a palavra foi colocado na internet e daí foi para blogs e sites, transformando a professora num acontecimento de mídia.

Atualmente no Youtube estão postados mais de 700 vídeos com ela, alguns até feitos com celular no acompanhamento de entrevistas dadas a emissoras de televisão. Uma contagem rápida apenas na primeira página do site, com apenas 25 desses vídeos, já dá para verificar mais de 500 mil visualizações.

Neste domingo, Amanda apareceu no Faustão, um programa que é, de certa forma, o ápice desses fenômenos. No Faustão ela ficou 23 minutos no ar, o que significa que sua presença agradou. A audiência de programas como o dele é monitorada de segundo a segundo e quem não agrada recebe nos primeiros minutos.

A popularidade instantânea de Amanda pode ter vários motivos, entre eles o fato dela ter uma fala fluente, mas com certeza o que as pessoas devem estar gostando é da chamada de atenção (ou “pito” mesmo) que ela deu em políticos e autoridades, entre essas a secretaria de Educação do Rio Grande do Norte.

Um trecho da fala da professora certamente vive engasgado na garganta da maioria dos brasileiros: “Eu perguntaria a todos aqui, mas só respondam se não ficarem constrangidos, se vocês conseguiriam sobreviver ou manter o padrão de vida que vocês mantêm, com esse salário [R$ 995 é o salário de um professor potiguar]. Certamente não conseguiriam”.

Sobre isso, ela emenda com a explicação de que "não há como ter qualidade em educação com professores trabalhando em três turnos seguidos, multiplicando seus salários: R$ 930 de manhã, R$ 930 de tarde, R$ 930 de noite para poder sobreviver", para depois esclarecer ironicamente que esse salário "não é para andar com bolsa de marca nem para usar perfume francês".

Num país em que um político como Antonio Palocci em um período de apenas dois meses, entre a eleição de Dilma Rousseff e sua nomeação para o cargo de ministro-chefe da Casa Civil, ganhou 10 milhões (sic!) de reais em “consultorias” o nível salarial dos brasileiros de todas as profissões chega a ser tragicômico. Não é à toa que Dilma faz um esforço danado (infelizmente ajudada pela imprensa) para situar o nível de miséria no Brasil abaixo apenas de R$ 70 reais por mês. Ou seja, se o brasileiro ganha R$ 71 reais mensais já está fora da linha da miséria. É piada pronta. E de mau gosto.

A fala da professora vem em boa hora até para desconcertar um pouco este clima estranho criado no Brasil principalmente nos últimos anos de fazer de conta que a situação está andando bem para, gradativamente, irmos recebendo más notícias sobre a piora de problemas que deixam de ser enfrentados.

Em seu discurso, Amanda liga essa terrível e absurda situação dos nossos recursos humanos à dificuldade de executar qualquer plano de trabalho, seja na educação ou em qualquer outro setor (ela fala da educação, é claro), e critica a forma hipócrita dos políticos brasileiros e autoridades de várias áreas da administração pública de empurrar questões nacionais importantes com a barriga, fingindo que estão trabalhando pela solução dos problemas que encontram.

Independente de Amanda ter compromisso político com um sindicato ou mesmo algum partido, sua fala toca nos brasileiros pelo que tem de simples, que é a necessidade de uma formação política e econômica mais igualitária entre os brasileiros e também os brasileiros começarem a encarar os problemas com realismo. O toque que seu parco salário não é para comprar perfume francês e nem bolsa de grife sintetiza isso de forma clara.

O discurso que ficou famoso também agrada pelo tom de cobrança imediata para que cesse neste país a hipocrisia que os políticos implantaram na administração pública como um método. O brasileiro está cansado de lero-lero, por isso que alguém que vai direto ao ponto como Amanda acaba fazendo esse sucesso todo.

Precisamos de mais “Amandas” e para logo, pois dá a impressão de que o colapso está bem próximo no Brasil. E é claro que já temos muitas delas. Mas é preciso que soltem a voz como a Amanda potiguar, pois sem isso não dá para fazer uma Nação, não. E os nossos políticos, bem, os nossos políticos são "consultores" dos que só querem sugar o país.

Para ver a professora Amanda em vídeo, clique aqui. Se quiser ler a fala na íntegra, clique aqui. E para vê-la no programa do Faustão, mais bem cuidada e com um penteado feito para a ocasião (deve ter até botado um perfuminho especial, é claro), clique aqui.

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POR José Pires

terça-feira, 17 de maio de 2011

Nada de novo nas histórias de Palocci, a não ser certos defensores dele

Não fiquei surpreso com a multiplicação por 20 do patrimônio de Antonio Palocci, o sempre ministro dos governos petistas, antes ministro da Fazenda de Lula, cargo do qual teve que sair correndo por causa da quebra criminosa do sigilo bancário do caseiro Francenildo, e agora ministro da Casa Civil de Dilma. A conta feita pela Folha de S. Paulo se refere a quatro anos, desde 2006, quando Palocci teve que declarar seu patrimônio para a Justiça Eleitoral.

Quando se elegeu deputado, coitado, ele um patrimônio estimado em R$ 375 mil. Um pouco antes de assumir a Casa Civil no governo Dilma Rousseff, o ministro comprou um apartamento em São Paulo por R$ 6,6 milhões. Um ano antes, já havia comprado um escritório também em São Paulo por R$ 882 mil.

Acho pequenos os valores, tanto os da primeira declaração quanto os dessa última. Palocci vale muito mais. Porém, de qualquer forma, pelo que foi declarado de fato é um portentoso crescimento de patrimônio. Mas, repito, não é nada espantoso vindo dessa gente. Em nenhum outro governo ganhou-se tanto dinheiro quanto nos dois mandatos de Lula. E neste governo da Dilma Rousseff, pelo que se vê só das contas de Palocci, a coisa também promete ser braba. Dentro de poucos anos o cofre do Adhemar vai ser fichinha para a História.

Mas se escarafunchar os números relativos aos ganhos do ministro Palocci pode-se achar muito mais. Tem que se achar. Um ministro desse porte não pode ser diminuído dessa maneira. O ministro foi sempre muito poderoso no PT e nos três governos do PT, de Lula a Dilma. E antes disso também já havia sido prefeito de uma grande cidade paulista, Ribeirão Preto, onde, aliás, também foi várias vezes acusado por corrupção.

Na administração de Palocci naquela prefeitura até se inventou um alimento especial para a merenda escolar: molho de tomate com ervilha. Não adianta procurar no supermercado, pois você não vai encontrar. É coisa especial, só da administração Palocci. Falei sobre este assunto aqui no blog em fevereiro de 2008. A latinha da ilustração criei nessa época.

Em 2006, quando apresentou esse patrimônio de R$ 375 mil, havia passado 4 anos como poderoso ministro de Lula. Parece meio mixuruca num governo em que até o filho do presidente, o gênio dos games, Lulinha, ganhou numa só tacada R$ 5 milhões da Oi, que era então a Telemar.

A conta não bate nem nos R$ 7 milhões de patrimônio que Palocci tem agora oficialmente, se compararmos com os milhões do empresário de sucesso da família Lula da Silva. Está certo que o garoto é um gênio, mas o Palocci... bem, o Palocci é o Palocci, não é mesmo?

Não fiquei nem um pouco surpreso com a história desse aumento de patrimônio. O que é espantoso mesmo é o José Serra sair na defesa de Palocci no mesmo dia da denúncia feita pela Folha. Não esperou nem um aprofundamento do fato.

Serra falou na saída de um encontro com o presidente do PT, Rui Falcão, uma reunião já bem estranha, mas que ficou menor em razão do que o tucano falou sobre o caso Palocci. “Acho normal que uma pessoa tenha rendimentos quando não está no governo e que esses rendimentos promovam uma variação patrimonial”, ele disse.

Nem um petista faria melhor. Ao contrário, alguns petistas até estão exigindo que Palocci explique mais essa fantástica multiplicação. Mas o Serra, não. Ele já absolveu o ministro por antecipação.

Serra ainda vai acabar criando uma nova situação eleitoral, oposta àquela do eleitor que lamenta um voto errado no político que ganhou e governou mal. É a do eleitor que, algum tempo depois de votar, fica aliviado porque seu candidato perdeu.
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POR José Pires

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Alckmin se afina com Maluf

Já expressei aqui o meu espanto pela capacidade que o PSDB está mostrando na destruição do potencial político que o eleitorado jogou no colo deles com os quase 50% dos votos para o candidato José Serra. Sei, está bom, eu sei que entre os bípedes implumes o tucano é um dos mais atoleimados, mas é que o aparvalhamento tem sido tanto que justifica esse meu espanto.

Os tucanos estão construindo um extraordinário case de marketing. Mas é do tipo não faça o que eu faço. Até em São Paulo, onde eles tiveram vitórias esplêndidas como a ida para o governo já no primeiro turno, senador muito bem votado, além de terem a prefeitura em aliança com o prefeito Kassab e também uma boa bancada de vereadores, pois até em São Paulo estão botando tudo a perder.

Os lances são surpreendentes. Quando a gente pensa que já acabou, com o fenomenal case de marketing já pronto para ser lançado, vem uma liderança tucana e apronta mais uma. Hoje o governador Geraldo Alckmin engordou bastante o case com apenas uma jogada política de mestre. Mestre do não faça o que eu faço, repito.

Ainda é cedo para dizer que para o ano que vem a prefeitura da capital está perdida para tucano, mas com essa o Alckmin (ou Geraldo, como ele gosta de ser chamado, mas só em propaganda eleitoral) se esforçou pra chuchu (perdão, não resisti).

O governador paulista entregou a CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) para o partido de Paulo Maluf. Alckmin ligou pessoalmente para o Maluf para convidá-lo a participar do governo.

Acho que saquei a jogada. É na área da simbologia, de que eu gosto tanto. Os tucanos andam com muitos problemas de imagem. Tem os pedágios, as privatizações, o elitismo, a indecisão, mas a pecha de ladrão ainda não tinham. Por este lado, foi mesmo uma jogada de mestre.

E claro que Maluf vai participar da equipe alckmista. Com muito gosto, não é mesmo? Os malufistas já estão bem animados. E como são profissionais, já explicaram como vai ser a participação no governo de São Paulo. O secretário-geral do partido malufista adiantou para a imprensa que no governo paulista vão trabalhar afinados com o Ministério das Cidades, que também é do PP.

"Dá para fazer um trabalho articulado entre as duas pastas”, ele disse. Claro que dá. E esse "trabalho articulado" é que nos preocupa bastante.
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POR José Pires

Aviso aos navegantes: a barbeiragem foi do Blogger

Um problema no serviço de blogs do Google, o Blogger, havia apagado posts desde a terça-feira. O bug aconteceu durante manutenção do serviço, de quarta para quinta-feira. Ontem foi impossível postar ou fazer qualquer outra coisa no blog.

É uma chateação, mas serve de aviso, pois é uma antecipação de muitos problemas que devem começar a ocorrer na internet, um meio que já está bem sobrecarregado. É muita coisa mesmo. E pensar que há poucos anos, ainda nos anos 70, tinha cabeludo que parava na frente de uma ensolarada banca de revistas exibindo cinco ou seis mirrados jornais e perguntava: "quem lê tanta notícia?"

Um bug como este também deveria servir de aviso para tipos como eu, que costumo escrever meus textos diretamente no blog, como faço este agora, sem a preocupação de guardar cópias. Isso apesar de já ter sido alertado por amigos (não é mesmo, Moratto?) para fazer de outro jeito, no word, até para poder usar a ferramenta de correção e pegar pelo menos os erros de digitação.

Mas, felizmente o problema foi resolvido. Os posts voltaram depois de cerca de 24 horas apagados aqui do blog. Isso evita muitos dissabores, até porque nós blogueiros teríamos que ficar só na raiva. Eu já estava até analisando a dificuldade que seria encontrar um advogado para processar o Blogger por perdas e danos, sendo a hospedagem deles totalmente gratuita e com um serviço que até deu uma melhorada nos últimos meses.

Sendo assim, não temos mais motivos para nos apoquentarmos. Até fizemos uma limonada deste limão. O tilt deu assunto. Avante, então, neste vento a favor. Mesmo sem saber aonde vamos parar, navegar é preciso.
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POR José Pires

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Os deputados e senadores e as nossas cuecas e calcinhas

Não adianta achar que o Brasil já está ridículo o suficiente, pois sempre tem um deputado para trazer uma surpresa neste assunto. Já está na reta para ser aprovado definitivamente um projeto que obriga fabricantes de calcinhas, cuecas e sutiãs a afixarem nas peças produzidas e comercializadas no Brasil uma etiqueta com advertência sobre a importância de exames preventivos de câncer de colo de útero, de próstata e de mama. A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara já deu o ok nesta terça-feira.

O projeto é de 1999 e é de um desses deputados que ninguém sabe quem é. Não importa o nome, pois nem se elegeu mais. E uma idiotice dessas poderia vir de muitos dos que lá estão.

Na origem o projeto era bem simples. Dizia só que as etiquetas de peças íntimas deveriam conter alertas para que homens e mulheres fizessem exames preventivos. Mas os senadores resolveram esmerilar a coisa e decidiram inclusive que nas cuecas do tamanho adulto a etiqueta deve conter a advertência sobre o exame de detecção precoce do câncer de próstata para homens com mais de 40 anos.

E a da meninada terá o quê? Conselhos sobre masturbação, talvez? E tem também as calcinhas e sutiãs. Os senadores foram criativos. Nos sutiãs a mensagem é sobre câncer de mama. São coisas assim que eles ficam bolando por lá. É o que dá morar num país maravilhoso como o nosso, não é mesmo? Os senadores passam a tarde debatendo sobre cueca e calcinha.

Nem sei como a bancada evangélica não aproveitou para botar pelo menos numa porcentagem das calcinhas e cuecas uma mensagem contra o aborto. Seria um pau nessa licenciosidade, irmãos.

Se a presidente Dilma Rousseff não tiver o bom senso (olha o estado a que chegamos: na dependência do bom senso da Dilma) de vetar essa porcaria, o Brasil terá mais uma jabuticaba, pois duvido que nalgum outro país tenha aparecido uma proposta tão idiota. E se acaso apareceu, por certo não conseguiu como aqui apoio suficiente para seguir adiante.

Mas, supondo que não haja bom senso da parte da Dilma e o projeto vire lei, teremos então que providenciar fiscalizadores de cueca e calcinha. De que órgão (como dizia O Pasquim, epa!) sairá esta nova categoria? Não importa, o governo vai precisar de muita gente para o serviço de ficar de olho em calcinhas e cuecas. Quantas bocas, hein? Ih, já estou vendo a bancada do PT pressionando a Dilma para ela assinar a lei.
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POR José Pires

quinta-feira, 5 de maio de 2011

A morte do facínora pelo gringo que não parece bandido

Está divertido acompanhar os defensores dos direitos humanos de Osama Bin Laden. Já vi artigos em que se fala até no direito que o terrorista deveria ter a um julgamento numa corte internacional, com todos os ritos processuais. Bem, mas Bin Laden não compareceria a uma corte dessas de forma voluntária.

De qualquer forma alguém teria de pegá-lo no Paquistão, não é mesmo? A menos que se acredite que ele poderia ser chamado na sua fortaleza de Abbottabad para prestar contas à Justiça. Teria de ser por carta, pois na mansão não havia telefone ou computador.

Melhor que isso só o texto de Fidel Castro lamentando que Bin Laden tenha sido morto na frente das esposas e dos filhos. Vindo de alguém que matou tanta gente e das formas mais diversas só pode ser piada pronta.

O jornalista Robert Fisk é outro que dispara muitos textos tentando diminuir o feito de Barack Obama. Li alguns no jornal mexicano La Jornada, disponível na internet. Fisk dá a impressão de uma mágoa profunda de ter sido furado por Barack Obama. Enquanto procurava Bin Laden em tantos cantos, Obama e seus Seals conseguiram uma exclusiva com o chefe da Al Qaeda.

Sempre tomando cuidado para lembrar que também não gosta de Bin Laden, Fisk vai no mesmo tom de uma parcela da esquerda brasileira, tanto que seus artigos são republicados com muito gosto por sites e blogs alinhados ao lulo-petismo.

O problema dessa gente com Obama é muito simples. Ele não serve para espantalho. Obama não entra de jeito nenhum na personagem do ianque imperialista que facilita tanto para a esquerda, até para aplacar suas disputas internas. Para isso é melhor um Republicano. Bush era perfeito no papel. Daí a torcida despudorada pelos republicanos e as imprecações contra Obama.

Nunca é fácil enfrentar um gringo. E quando ele não parece bandido, aí é que fica mesmo muito difícil.

E mesmo que haja certas incorreções na ação contra Bin Laden e talvez até a quebra de regras internacionais é muito difícil lamentar a morte de um homem que cometeu tantas barbaridades como ele fez em vida. Bin Laden não inspira sequer compaixão. Fidel Castro pode até lamentar que a morte tenha ocorrido na frente da família, mas aí pode ter falado mais alto a experiência de um ditador que tirava os dissidentes da frente de suas famílias para depois matá-los.

A esquerda está desgostosa com a morte do chefe terrorista, não só por ele, é claro, mas muito mais pelo belo empurrão que a reeleição de Obama recebeu com os balaços lá no Paquistão. Maior desgosto só o dos líderes do partido Republicano, com o chefe George W. Bush à frente com sua imagem de aturdido ainda mais destacada.

A cena mais marcante do 11 de setembro, depois daquelas dos aviões arremetendo contra as torres, é a de Bush recebendo a notícia numa escola da Flórida. De qualquer forma a derrubada das torres seria um baque para seu governo. Porém, a cena do presidente americano sendo pego de surpresa e com uma flagrante dificuldade de reação fixou nele a imagem da derrota para o terror.

Bush não aceitou o convite de Obama para participar das cerimônias no local onde era o World Trade Center. Ele não podia mesmo estar lá hoje. O que iria fazer? Levantar um braço de Obama para demonstrar seu nocaute?

O derrotado e o vingador. Depois da morte de Bin Laden este é o paralelo de Obama com Bush e, por extensão, com o que significa o partido Republicano. Desde que Obama assumiu, os republicanos vêm insistindo na tese de um presidente fraco em assuntos internacionais e até leniente com o terrorismo. Pois a tese foi abatida a tiros no Paquistão.

Era uma tese com um formato eleitoreiro, é claro, mas não deixava de representar um sério perigo para a reeleição de Obama no ano que vem. E ele sabia disso. Tanto que veio demolindo gradativamente nos últimos meses esta ameaça à sua imagem, com um ponto alto no ataque frontal ao ditador líbio Kadhafi e o ápice nesta ação militar contra Bin Laden. Foi um ataque com todo jeito de vingança e até nisso simbolicamente há um grande acerto político, quer aceitemos ou não o fato.



Alguém como Bin Laden tinha mesmo que se ver cercado de tanta mistificação, mas quase tudo que se lê desde sua morte tem tanta importância quanto as variadas lendas urbanas que rolam pela internet. A figura de um mártir elevado às alturas no mundo islâmico só pode sair da cabeça de quem desconhece muita coisa sobre quem foi o criador da Al Qaeda ou de quem age com má-fé para faturar algo neste clima.

Sobre Bin Laden tem muitos livros que desmontam o mito do filósofo islâmico, o árabe escorado por uma cultura milenar em luta contra a imoralidade ocidental. Esta é uma farsa que pegou especialmente no Brasil. Um livro muito especial é “O vulto das torres”, de Lawrence Wright. Apenas por esta obra já dá para extrair conteúdo suficiente para entender o falecido.

Quando à Obama, também exise uma variedade de livros, inclusive os dele, aliás bem escritos. Não bate bem da cabeça ou usa mesmo de má fé quem tenta desmerecer um político como ele. Mesmo que ele não pegasse Bin Laden, a eleição do ano que vem não seria um passeio para os Republicanos. Agora a caminhada republicana será ainda mais dura.

Eu gosto de simbologias. Quem passa por aqui com mais freqüência sabe disso. Os “Seals”, o grupo que em cerca de 40 minutos matou o inimigo número 1 dos Estados Unidos, unidade de forças especiais da Marinha dos Estados Unidos. Ambos têm lemas interessantes. O do Seals é “O único dia agradável foi o de ontem”. O da Marinha é “O vento não sopra a favor dos que não sabem aonde vão”.

Este último lema, da Marinha, é uma beleza de frase. Desde que chegou ao governo Obama não pegou vento nenhum a favor. Ao contrário, vem tentando domar as tempestades criadas pelo governo anterior, de Bush, em todos os setores, da economia às relações internacionais. Nesta labuta danada ele parece ter se guiado pelo lema dos Seals. Deu duro sempre. E como sabe aonde vai, com certeza deve aproveitar bem esse vento a favor dos últimos dias.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Senhores, o meio ambiente merece mais respeito

Pelo nível de seriedade da argumentação dos debatedores de uma questão é possível constatar num tempo relativamente curto as intenções deste ou daquele lado e descartar logo gente que pouco está interessada em aprofundar o assunto. Esta discussão sobre o Código Florestal mostra isso de forma exemplar.

Agora entrou na conversa a inflação, trazida pela CNA, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil. Na voz da senadora Kátia Abreu, sua presidente, ecoa na imprensa impressa e na internet a argumentação de que a não-aprovação do Código nos termos que interessam aos ruralistas vai fazer recrudescer a inflação revivida nas gestões continuadas do PT.

É lamentável que uma lição de economia tão fantástica tenha vindo tão tarde para resolver uma questão que perturbou durante anos os mais variados governos. José Sarney teria se salvado para a História com algo assim, ele fracassou de forma espetacular em vários planos contra a inflação. E o ex-presidente Collor achava que iria derrotá-la com um tiro. Pois a coisa era mais fácil do que ele pensava: bastava dar um teco no Código Florestal.

Uma organização de classe importante como a CNA deveria trazer subsídios mais sérios para um debate desses. Os fazendeiros, grandes empresários do campo e a indústria que gravita em torno do ramo podiam, por exemplo, explicar como um país como o Brasil, que nem de longe é a maior economia do mundo e muito menos o maior produtor agrícola é hoje o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Podiam também contar a razão de adotarem procedimentos na criação e engorda de animais que não são prejudiciais para a saúde humana apenas depois de forçados (e muito forçados) por países estrangeiros.

Apesar de eu ter um lado claro nesta questão, sou da opinião de que a votação da matéria no Congresso devia ter sido feita de forma mais aprofundada, buscando abrir um debate enriquecedor sobre o assunto, que, evidentemente, não termina agora na votação, seja qual for o resultado a que cheguem os parlamentares brasileiros.

Uma das falhas do processo vem do próprio relator da matéria, o deputado Aldo Rebelo (PCdoB), que está num lado oposto ao que eu penso, o que me deixa bastante satisfeito, pois não há nada pior do que estar do mesmo lado de políticos como este líder comunista. Não esqueçamos que pouco tempo atrás, o projeto da vida de Rebelo era transformar o Brasil numa China ou mesmo numa Albânia, conforme ele e seus correligionários foram mudando de "farol", um termo que décadas atrás os comunistas gostavam muito para identificar a centro ideológico que os atraíam feito mariposas.

Outra falha muito grave foi a condução da parte da chamada classe produtora do campo, especialmente dos grandes proprietários representados pela CNA, que perderam a oportunidade de comparecer com equilíbrio a um debate de altíssima importância em nossa atualidade e também para um futuro com horizontes nada tranqüilos.

No encaminhamento do Código Florestal, Rebelo seguiu uma linha rígida demais. Fugiu ao papel de relator, colocando-se de pronto ao lado das forças econômicas de ruralistas e corporações e indústrias sem o interesse na preservação ambiental e, penso eu, com uma visão atrasada sobre o papel da agricultura numa Nação.

Não à toa, o comunista Rebelo e a senadora e fazendeira Kátia Abreu se encantaram um com o outro, o que não surpreende quem conhece a história do marxismo e, principalmente, sua aplicação em vários países, no chamado "socialismo real". O marxismo foi tão estúpido quanto o capitalismo na questão do meio ambiente nas décadas passadas, com a diferença que o capitalismo se renovou bastante nesta questão. É a impressionante capacidade de assimilação do capitalismo e a quase nenhuma do comunismo, uma razão essencial da sua derrocada.

Rebelo é o comunista que ainda não aprendeu que é preciso no mínimo amenizar o modelo sugador de recursos naturais que destruiu tantos países no e que foi especialmente danoso na esfera comunista. Kátia Abreu é uma liderança pré-capitalista. Tem dificuldade em aceitar até a implantação de regras trabalhistas decentemente razoáveis para os trabalhadores do campo.

Kátia Abreu e seus liderados querem o de sempre: afrouxamento de regras e anistias por terem desrespeitado leis ou até por dinheiro emprestado de bancos públicos e jamais pagos. Na defesa de seus interesses buscam fazer valer até o encabrestamento da opinião pública, sem nenhuma preocupação em atuar politicamente para uma melhor compreensão dos brasileiros sobre esta matéria tão séria e que deveria ser um ponto essencial nas suas atividades de agricultores e pecuaristas: o meio ambiente.

Ouve-se falar muito da falta de vocação agrícola por parte do Movimento dos Sem Terra, o MST, que por isso seria uma organização com um espectro basicamente revolucionário que apenas usa a questão da terra para a concretização de seus planos políticos. Concordo em boa parte sobre isso, mas o que falar do outro lado, dos ruralistas? Do mesmo modo é composto por gente que não mete as mãos na terra e pouco compreendem dos riscos dessa exploração excessiva do nosso chão, até mesmo para a sustentabilidade de seu próprio negócio.
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POR José Pires

segunda-feira, 2 de maio de 2011

A rede social


Hoje em dia fala-se bastante em redes sociais que mobilizam militâncias, armam protestos de rua, condenam governos e até derrubam ditadores, mas a verdade mesmo é que um empurrãozinho de internautas como os da foto — que no momento assistem em tempo real à caçada e morte de Osama Bin Laden — também ajuda bastante.
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POR José Pires

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Delúbio de volta ao PT. E daí, vai encarar?

Delúbio Soares finalmente está de volta ao PT. Já não era sem tempo. Foi reintegrado nesta sexta-feira numa vitória que chamaríamos de acachapante: ele teve 60 votos a favor da anistia, 15 contrários e duas abstenções. "Anistia", é assim que chamam isso no PT. Espero que não paguem pensão para o danado, como fazem com tanta gente hoje. Sai sempre do nosso bolso, é claro.

A volta do companheiro Delúbio já era coisa certa. Hoje foi só a formalização, afinal o ex-tesoureiro é peça essencial na estrutura de poder de José Dirceu, Lula e a companheirada.

Não sei por que encrespam tanto com o pobre do Delúbio. Esses 15 que votaram contra sua reintegração, por exemplo, onde será que pensam que estão? Não acredito que lá dentro do partido não se saiba o que está escancarado para nós que somos de fora.

Teve até três petistas que falaram contra a volta. Partido democrático: três também defenderam o retorno do petista pródigo. Esses três últimos até entendo, mas os que se posicionaram contra estão lutando em vão e até com hipocrisia contra o destino. Qual seria o sentido de barrar Delúbio, se um José Dirceu, por exemplo, (e vamos ficar só com este senão o texto não acaba, já que a lista é longa) não só está dentro como também dita as regras do partido?

E não devemos esquecer que ele é o chefe, não é mesmo? Chefe do partido e "chefe da quadrilha", conforme está no inquérito do mensalão. E além de Dirceu, tem tantos outros companheiros metidos em tantas tretas e não só do mensalão. É de alto a baixo, como nunca se viu — e aí vale o chavão lulista — em nenhum partido nestipaís.

Pode parecer petulância deles, e é mesmo uma petulância, mas a volta do Delúbio parece ser inclusive um recado para o STF. Se o STF vai aceitar ou não, é outra história. Mas o simbolismo da volta é o de que a companheirada pergunta: "quem é que vai encarar?" Não à toa, o arquiteto maior da anistia petista foi o ex-capitão do Lula, um dos que mais se arriscam no julgamento do STF.

Todo petista devia receber o companheiro Delúbio de braços abertos, com tapete vermelho e tudo, sempre pensando também naquela famosa frase, a do "quem não errou que atire a primeira, e blá, blá, blá". Para entender isso no PT, basta olhar para o lado. Os 15 companheiros que não quiseram aceitar Delúbio estão com dificuldade para compreender a mudança do cenário político até dentro de seu partido, o que é uma bobagem e tanto tendo o companheiro José Dirceu do lado para explicar tudinho.
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POR José Pires

quinta-feira, 28 de abril de 2011

quarta-feira, 27 de abril de 2011

O senador da chacota

A foto ao lado está cada vez mais conhecida. É uma daquelas imagens que são um achado como significado da personalidade do retratado. A foto é de Albari Rosa, do jornal paranaense Gazeta do Povo. Vai acabar virando um logotipo do ex-governador e agora senador Roberto Requião se ele não tomar jeito. E Requião não é mesmo de tomar jeito.

Esta grosseria que ele cometeu nesses dias com um jornalista da Rádio Bandeirantes, de quem tomou o gravador por ter ficado zangado com uma pergunta, é café pequeno perto do que ele fez nos oito anos de seus dois mandatos, o segundo conquistado na gata, num segundo turno em que aprontou os diabos para chegar com apenas dez mil votos na frente do então senador Osmar Dias.

É sempre assim — na gata — que ele conquista suas vitórias políticas. Na eleição para o Senado quase perde a vaga. Durante a campanha ninguém mais o agüentava, tanto que levou uns tapas de um deputado federal quando destratou um grupo de pessoas e também tomou uns petelecos de um amigo do governador Orlando Pessuti. O motivo? Requião falava mal de Pessuti, que foi seu vice nos dois mandatos. Ficaram juntos por mais de oito anos e, no final, nem se falavam mais.

Dá até a impressão de que o eleitor paranense votou no Requião para que ele ficasse longe do estado. Mas antes dele seguir para Brasília, o Paraná teve que suportá-lo. Como fazer quando o mala, o espalha rodinhas é o próprio governador do estado? A população tem que agüentar o chato. É um dos males da democracia.

Os paranaenses viveram atormentados pelo governador nesses anos. Requião é esquentado, prepotente, autoritário, arrogante, inoportuno e, pior, também se acha engraçado. O Youtube está cheio de vídeos com suas mancadas. Uma das mais conhecidas é aquele da visita ao Lula, no Palácio do Planalto, quando ele enche a mão de sementes de mamona e manda pra boca, como se fosse um punhado de castanhas de caju ou amendoins.

Mas o Requião é chato não é de hoje. A amolação vem desde sua juventude, os amigos de então garantem. Vamos a um deles, Jamil Snege, um escritor de um estilo muito especial, além de ser engraçadíssimo, o que se vê pouco na literatura brasileira. Snege é um desses talentos maravilhosos que se perdeu na publicidade e na propaganda política, fato, aliás, nada raro em Curitiba, onde ele morou a vida inteira.

O escritor trabalhou como marqueteiro em várias campanhas políticas para o próprio Requião. Na última, para governador, Requião colocou no meio da propaganda política uma homenagem póstuma para o amigo Snege, que bem poderia ter morrido sem essa.

O escritor paranaense, portanto, conviveu bastante com Requião. Num ótimo livro seu, "Como se fiz por si mesmo", um tanto difícil de catalogar, mas que é bastante memorialístico, lá na página 173 Snege publica uma lembrança sobre o senador. Vou transcrever na integra:

"O que Roberto Requião fazia nos inícios de 70? Guerrilha, revolução armada, sublevação das massas? Porra nenhuma. Chegava em minha casa geralmente no sábado, com a mulher Maristela, sentava-se num sofá xadrez e até uma, duas da madrugada, entretinha a platéia com casos do mais irreverente e cáustico humor. Findo o repertório, escolhia uma vítima entre os presentes e torturava-a até a morte, a menos que alguém o interrompesse com um prato de spaghetti à matricciana."

Quando passou a mão no gravador do repórter, Requião estava se comportando de forma parecida com o que fazia nos inícios de 70, quando torrava o saco dos amigos na friorenta Curitiba. É o senador da chacota, do pouco caso com o respeito ao cargo. A diferença é que agora o país inteiro é que tem que suportar suas bizarrices.
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POR José Pires

terça-feira, 26 de abril de 2011

sexta-feira, 22 de abril de 2011

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Vem coisa, muito mais coisas por aí

Pelo que se vê, todas as maracutaias cometidas pelo PT nas eleições passadas, além do imenso gasto em dinheiro em todo o país e evidentemente na campanha-mãe da candidata Dilma Rousseff, tudo isso poderá ser visto como um chá de senhoras perto do que será a campanha do ano que vem.

Os sinais simbólicos do que vem por aí foram dados ontem na volta oficial de Lula à vida partidária. Ele recomeçou a atividade ao lado de mensaleiros. Não faltou nem o ex-capitão do seu time no Planalto, o deputado cassado José Dirceu, que responde no STF inclusive pelo crime de formação de quadrilha.

O jornal O Globo esteve no local do encontro, em Osasco, e flagrou o uso de carros oficiais no evento partidário. O prefeito de São Bernardo do Campo e ex-ministro de Lula, Luiz Marinho, era um que chegou em carro da prefeitura. Até estacionou na contramão.

Marinho respondeu com palavrões aos repórteres que questionaram o uso do carro da prefeitura e berrou até um estranho argumento. Vai na íntegra: "Quer que eu venha de bicicleta? Eu sou prefeito. Ando de carro oficial e com segurança. Ou você quer que eu seja morto como o Celso Daniel?"

Celso Daniel é o prefeito de Santo André, que foi morto em condições até hoje não esclarecidas, um crime que os maiorais petistas não querem ver de jeito nenhum aprofundado. E o que um assunto desses vem fazer na boca de um prefeito petista que sai xingando jornalistas que só pedem que ele explique o uso imoral do carro da prefeitura para fazer política partidária?

Pois é como eu disse: tudo indica que esse pessoal vai aprontar mais no ano que vem do que já aprontou até agora.
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POR José Pires

Crise que só tucano consegue aprontar

O pessoal do PSDB precisa explicar como é que se faz pra construir uma crise política dessas num partido que já teve por duas vezes a presidência da República e hoje tem vários governos em estados importantes, inclusive nos dois maiores colégios eleitorais do País, além de várias prefeituras pelo Brasil afora e que fez quase 50% dos votos na última eleição presidencial.

Claro que não é o tipo de lição para se seguir, mas seria bom ter um bom apanhado dos lances da construção dessa crise para usar como nos naqueles manuais do tipo "não faça isso". Poder ser útil até para o uso do prefeito Kassab em seu novo e exumado PSD, uma das peças essenciais na crise.

Quem sabe não sai da pena de Fernando Henrique Cardoso (Não se esqueça do povão, mô fio!) a análise dessa façanha tucana. Outro que poderia trazer pra gente a explicação de como dar facadas na própria cacunda, como os tucanos vem fazendo, é José Serra, que aliás escreve bem.

Isso, o Serra pode elucidar para os brasileiros este drama tão bem composto, ele que está se fazendo de Zé também nesse quiproquó partidário. Aí a gente poderia ficar sabendo inclusive se afinal ele ganha ou perde com essa crise tão bem tramada.
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POR José Pires

Joilson e Aécio Neves, dois motoristas em testes no Rio

Vem num bom momento a história do motorista carioca Joilson Chagas, que devolveu um pacote com R$ 74.800, esquecido por um passageiro no ônibus que ele dirigia. Na situação escandalosa em que está o Brasil no plano ético, gestos como o de Joilson são como uma salvação moral para os que procuram levar a vida com honestidade em meio a salafrários que roubam privilégios e se impõem socialmente com a impunidade assegurada por todos os poderes.

A situação vivida pelo motorista foi como um teste para o seu caráter. Assim como existem as tais “pegadinhas” de programas de televisão, parece que o destino criou uma “pegadinha” para ele. E que teste, não? Um bolo de setenta mil reais tem o potencial para desmontar qualquer teoria ética. Mas, apesar de não ser nenhum Weber, Joilson enfrentou de forma admirável o acontecimento, o que dá orgulho até para os que estão bem longe do fato, que somos nós todos.

Nesta época braba em que vivemos é um alívio que apareça gente como o Joilson mostrando de forma prática que nem tudo está perdido.

Precisamos muito de pessoas que mostrem que a desonestidade não impera. Gestos como o deste motorista de ônibus quebram a desesperança criada pela corrupção, uma desilusão que vem especialmente dos políticos e que mina o vigor necessário para enfrentar os problemas brasileiros e até para levar a vida, que não está nada fácil para quem vive de fato de seu próprio trabalho.

Nos mesmos dias em que Joilson enfrentou com todo o mérito sua “pegadinha” da vida, também no Rio de Janeiro o destino colocou em teste outro motorista — este até com responsabilidades que vão muito além da direção de um carro. Foi o ex-governador e atual senador Aécio Neves, que saiu muito mal no teste. Aécio foi parado por policiais trabalhando no respeito à Lei Seca, que combate o uso da bebida alcoólica por motoristas. A Lei Seca é uma lei votada por parlamentares e o mínimo que se pede é que um político respeite as leis votadas por eles mesmos.

Pois o senador estava com a carteira de habilitação vencida e se negou ao teste do bafômetro, o que é praticamente uma presunção de culpa. Aécio foi parado às três da manhã e vinha de uma festa com amigos o que, com sua fama de bom vivant, não faz crer que ele não tenha tomado um gole.

Porém, mesmo deixando pra lá o suposto alcoolismo ao volante, a situação do político mineiro não melhora. Ele estava com a carteira vencida e demonstrou surpresa com isso, o que revela como parte da classe política no Brasil vive uma vida que parece encerrada em um círculo de nobres.

Talvez seja por isso também que o ex-presidente Lula tenha pedido que o senador José Sarney não fosse “tratado como uma pessoa comum”, em razão das denúncias de corrupção no cargo de presidente do Senado.

Boa parte dos políticos brasileiros são como príncipes, que não se ocupam com afazeres de “pessoas comuns”, como a preocupação com a validade da carteira de habilitação.

Nessa relação com as “pegadinhas” de televisão, seria interessante se fosse possível inverter o destino dos dois motoristas que passaram por momentos muito especiais em suas vidas no Rio de Janeiro.

Que o motorista Joilson fosse parado por uma blitz de trânsito e o motorista Aécio encontrasse um pacotaço de mais de setenta mil reais em dinheiro.

É improvável que Joilson esteja com a carteira vencida e também é muito difícil acreditar que ele se recusaria a passar por um teste no bafômetro. Já o senador Aécio Neves dando de cara com um pacotaço de dinheiro talvez não virasse notícia nacional.
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POR José Pires

terça-feira, 19 de abril de 2011

Herança da bravata: Brasil perde privilégios de economia emergente

Os petistas gostam bastante de usar a expressão "herança maldita", que serve muito bem para a fuga de suas responsabilidades, pois o Estadão de hoje traz uma matéria sobre uma herança bem maldita, mas desta vez com certeza criada por eles.

Pode ser chamada de herança da bravata. É o resultado da política internacional bravateira do Lula. O Brasil começa a perder privilégios de economia emergente. Em maio a União Européia já começa a suprimir os benefícios concedidos ao nosso país, mas logo americanos e japoneses farão o mesmo.

Na Europa, o primeiro efeito será a suspensão de preferências tarifárias para mais de 12% das exportações brasileiras. Na Organização Mundial do Comércio (OMC) também já existe a intenção de deixar de tratar o País como emergente.

O governo americano já fala em "mudança de atitude" da parte do Brasil para que o país feche acordos comerciais. Os americanos querem a aliminação de tarifas de importação para milhares de proodutos brasileiros.

As argumentações dos estrangeiros sobre a mudança de categoria econômica são daquele tipo de fazer o Lula estufar o peito nos palanques. Nenhuma autoridade econômica da Europa ou dos Estados Unidos ainda citou diretamente o bravateiro, mas não me espantaria se logo ouvíssemos o seguinte: "Andou passando por aqui um barbudinho gordinho que dizia que o Brasil é o máximo, quinta economia do mundo, esse tipo de coisa, e até exigiu assento no Conselho de Segurança da ONU. Pois então está na hora de vocês pagarem por isso".
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POR José Pires

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Dando um ganho

O presidente do TSE, Ricardo Lewandowski, disse que o plebiscito sobre armas custaria R$ 300 milhões. Está aí mais uma comprovação de que o desarmamento não é a solução para a insegurança. Vai ser um assalto ao bolso do contribuinte. E sem usar arma nenhuma.
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POR José Pires

segunda-feira, 11 de abril de 2011

O gato nuclear do Japão caindo do telhado

Desde o início da crise nuclear do Japão venho afirmando que o governo japonês esconde o que de fato vem acontecendo dentro da central nuclear de Fukushima. Usei a velha imagem do gato que subiu no telhado para mostrar minha desconfiança com as notícias oficiais sobre o acidente nuclear. Pois parece que o gato caiu do telhado.

Hoje o governo japonês admitiu que o desastre nuclear está no nível sete, que é o máximo da escala de acidentes nucleares INES, que vai de 0 a 7. Fukushima está no nível da tragédia nuclear de Chernobyl, ocorrido há 25 anos na Ucrânia e que é o único acidente no mundo que atingiu esse nível de gravidade.

Até agora o governo mantinha o nível 5. Desde 15 de março a agência de segurança nuclear da França afirmava que para eles o nível era 6. O Japão se fechava no seu tatemae, o traço psicológico de um povo que terminou virando uma arma política de autoridades inescrupulosas e que acabou em um desastre que não se sabe onde vai parar. Se é que vai parar um dia. Depois escreverei mais sobre isso.

Também no dia 15 de março eu escrevia aqui que o acidente estava próximo de uma tragédia nuclear que poderia abalar o Japão e mudar de vez a opinião mundial sobre o uso da energia atômica. O lobby nuclear se defende bem e tem bastante dinheiro para tanto. Mas vai ter dificuldades de sair bem dessa tragédia no Japão.

Naquele dia 15 o comissário europeu de Energia, Günther Oettinger, definia de forma assustadora o que podia estar ocorrendo no Japão. "Se foi falado em apocalipse", ele dizia "na minha opinião é uma palavra muito bem escolhida".

Agora é esperar para ver como vai ser enfrentado este "apocalipse". O governo japonês podia começar deixando de usar a dissimulação para fugir da confrontação com a opinião pública e passar a enfrentar a tragédia de uma forma que nunca fez em seu programa nuclear: com transparência.
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POR José Pires

Fukushima está igual Chernobyl, já no brasil no hay problema

O Peru optando pelos piores

Antes que ficasse oficializado o desastre eleitoral no Peru, com Ollanta Humala e Keiko Fujimori no segundo turno das eleições para presidente, o escritor Mario Vargas Llosa dizia que escolher entre os dois numa eleição equivaleria a optar entre a AIDS e o câncer.

A imagem pode parecer forte, mas depois de uma avaliação do que representam as duas opções que o eleitor peruano tem para colocar na cadeira de presidente, pode-se até chegar à conclusão de que o Prêmio Nobel de Literatura não está fazendo nenhuma comparação fantástica. É puro realismo.

Não é raro que o segundo turno acabe exigindo do eleitor o exercício do chamado voto útil, mas os peruanos vão ter dificuldade para encontrar algo de útil nesse confronto.

Ollanta Humala é um político da velha tradição caudilhesca da América Latina. Não à toa, seu ídolo máximo tem sido o presidente venezuelano Hugo Chávez. Nesta eleição, para fugir da alta rejeição que Chávez tem no Peru e se aproximar da imagem de Lula, que é mais bem avaliado entre os peruanos, Humala tem afirmado que na presidência seguirá o modelo lulista.

Para evitar perder o eleitorado conservador o candidato também passou a campanha gritando em comícios que é contra o aborto. Ou seja, é outro que faz qualquer coisa para ganhar uma eleição. E não estou fazendo crítica indireta para este ou aquele candidato brasileiro, até porque no Brasil tanto José Serra quanto Dilma Rousseff fizeram este papelão.

Já Keiko Fujimori é uma candidata que se conhece bem pelo sobrenome. Sua história política tem muito de patético. Keiko passou a ser conhecida depois que foi escolhida pelo pai, Alberto Fujimori, para ser a primeira-dama quando ele foi eleito presidente do Peru. Fujimori estava separado da mãe de Keiko.

Atualmente Fujimori está preso por corrupção e crimes contra a humanidade. E a história de filha só não é engraçada porque também é cercada de corrupção e crimes. Ela deve em boa parte a ida para o segundo turno à herança política do pai criminoso, um modelo que ela pretende reeditar se for eleita. Até os estudos de Keiko em Boston, nos Estados Unidos, teriam sido pagos com dinheiro público.

Vi uma entrevista sua a um canal de televisão peruano. Quando o apresentador pergunta sobre sua experiência prática na política, ela cita projetos assistencialistas do tempo em que foi primeira-dama do próprio pai. E a gente ainda reclama do nosso poste, não é mesmo?

De um lado, um caudilho parceiro do venezuelano Chávez e inimigo da liberdade de expressão. Do outro, uma herdeira literal do fujimorismo, cuja vitória, segundo Vargas Llosa, significaria abrir as cadeias para todos os ladrões, assassinos e torturadores, começando por seu pai, Alberto Fujimori.

O caminho escolhido pelos peruanos é ainda mais pesaroso pelo fato de só agora o país estar se recuperando de outra má-escolha histórica feita em 1990, quando Alberto Fujimori foi eleito presidente. E na época, o eleitor peruano tinha Vargas Llosa como opção para presidente. Bem, está aí mais um país que não aprende com os próprios erros.

Ainda falando sobre o resultado eleitoral de hoje, na mesma entrevista em que expressava o temor de que os peruanos acabassem tendo que optar entre a AIDS e o câncer Vargas Llosa falou também sobre o qual pode ser o desfecho de uma situação dessas.

Fazendo menção a uma frase de Conversa na Catedral, um romance seu muito conhecido, o escritor disse o que pode acontecer com seu país. Vai em espanhol mesmo, pois dá para entender muito bem: “Hay la posibilidad de que ahora se joda bien”.
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POR José Pires

União Africana tenta salvar o "amigo, irmão e líder" Kadhafi

A União Africana mostrou logo de forma prática para o que serve: linha de auxílio de ditadores. Não que houvesse razões para acreditar em outra serventia para esse ajuntamento de ditadores africanos.

Uma delegação foi enviada à Líbia para negociar um cessar fogo com Muammar Kadhafi e trouxe a notícia de que o ditador líbio aceitou um plano proposto para acabar com o conflito no país.

Não existe nenhum documento consistente sobre a proposta da União Africana, o que também não surpreende. Isso está mais para missão de salvamento do que para missão diplomática. O acordo proposto é uma evidente maquinação para tentar livrar Kadhafi de um destino que já parece selado: ele tem que sair do poder.

O problema político é que se Kadhafi não sair do poder, então o egípcio Hosni Mubarak e outros ditadores da região podem muito bem voltar.

Um dos membros da União Africana, o presidente da África do Sul, Jacob Zuma, só teve palavras carinhosas para o ditador líbio. "Eu tenho um compromisso que me obriga a sair do país, mas nós terminamos completamente nossa missão com o líder irmão (Kadhafi)", disse Zuma a jornalistas.

Já ouvimos antes esse negócio de chamar Kadhafi de "irmão". O que será que o ditador líbio dá para essa gente? O ex-presidente Lula também tinha esse jeito de falar com o Kadhafi. Lula foi ainda mais afetuoso. Chamou o ditador de "amigo, irmão e líder".

Agora ele está tentando desdizer sua declaração afetuosa, mas isso é bem difícil, pois sua fala está relacionada com atitudes práticas muito simpáticas à Kadhafi. Para começar, recebeu a medalha Al Fateh, a mais alta condecoração do regime líbio. Já perguntei aqui se Lula vai expor a medalha na sua fundação junto aos badulaques que juntou quando era presidente. Não pode é sumir com ela, afinal é um pedacinho importante da sua história.

Mas o abandono do Lula é normal. Segue o roteiro de sempre, o de largar companheiros que caem em desgraça. Mas que Lula está fazendo falta na Líbia, isso está. O mundo anda com saudades daquela revolucionária estratégia lulo-petista de relações internacionais que durou tão pouco: a política do olho no olho.
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POR José Pires

sábado, 9 de abril de 2011