sábado, 23 de julho de 2011

sexta-feira, 22 de julho de 2011

O revisor da Bíblia

Para o ex-presidente que não desencarna é pouco reescrever a história do Brasil. Agora Lula está reescrevendo a Bíblia. Os brasileiros já sabiam que Lula é professor de Deus, mas revisor de Deus é novidade.

A reforma lulista da Bíblia começou por "essa coisa que inventaram que os pobres vão ganhar o reino dos céus", como ele diz. Isso é bobagem, ele decretou. Mas tudo indica que Lula ainda vai longe nesta copidescada na Biblia, afinal que negócio é esse de no princípio Deus criar os céus e a terra, não é mesmo companheiro? Todo mundo sabe que o PT é que veio primeiro.
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POR José Pires

quarta-feira, 20 de julho de 2011

sábado, 9 de julho de 2011

Quem quer dinheiro?


Tem umas notícias que deixam muito claro a impunidade que os crimes políticos gozam no Brasil. O Ministério Público está precisando definir qual será o destino de R$ 1,7 milhão apreendidos em 2006 com os chamados "aloprados do PT". Os valores são da época. A pacoteira é uma prova substancial de que os responsáveis pelo crime são muito abonados: ninguém reclamou a propriedade da fortuna.

O apelido carinhoso de "aloprados" foi o próprio Lula quem deu. O petista disputava seu segundo mandato na época e seria sem dúvida beneficiado caso o golpe desse certo. A dinheirama seria para comprar um dossiê fajuto sobre o candidato José Serra, que disputava o governo de São Paulo.

Um golpe desses abalaria com certeza a candidatura de Serra, que arruinaria por sua vez a candidatura presidencial de Geraldo Alckmin. Ninguém tem dúvida também de que o golpe dos aloprados teria uma repercussão nas eleições em todos os estados brasileiros, beneficiando toda a companheirada pelo país afora. A eleição então seria uma baba para o PT. Em São Paulo, o beneficiado seria o atual ministro, o irrevogável Aloizio Mercadante, que disputava com Serra o governo paulista.

Mercadante é acusado de ser um dos cabeças do plano, o chefe dos aloprados em São Paulo. Nesses dias a revista Veja reencontrou um dos acusados do crime, o petista Expedito Veloso, que contou agora que a trama tinha como mentor o irrevogável Mercadante, numa aliança ocasional com Orestes Quércia, que também disputava o governo paulista pelo PMDB. Segundo Veloso, PT e Quércia racharam as despesas.

O Brasil é um país sui generis. Aqui investigações que deviam chegar num resultado pelas mãos da polícia têm todo seu desenvolvimento traçado pela imprensa, que revela os planos, desmonta cumplicidades e aponta chefões. Mas tudo acaba em impunidade, pois a polícia e a Justiça não fazem seus serviços. Aí pode ser um problema de falta de leitura também. Talvez não leiam a Veja, ou o Estadão, a Folha de S. Paulo...

E está lá a pacotaço de grana como símbolo da impunidade. São quase dois milhões de reais que seriam uma vergonha para qualquer país sério, mas no Brasil todo mundo faz de conta que não vê. Um bom uso para a dinheirama seria a compra de muito óleo de peroba para a companheirada lustrar as faces para a próxima eleição.
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POR José Pires

quinta-feira, 7 de julho de 2011

E lá vai a Marina campear outro partido

E finalmente Marina Silva saiu do Partido Verde, o PV brasileiro, que nessas plagas tupiniquins é da mesma fisiologia que qualquer partideco de aluguel que o governo petista ou qualquer outro governo compra com emendas orçamentárias ou um mensalão. Digo finalmente em razão da enrolação do processo de saída e deixando pra lá a rapidez de sua estada no partido, que é um recorde ao contrário: ficou menos de dois anos no PV.

Mas Marina está ficando esperta. Desta vez demorou bem menos tempo do que teve no PT para perceber que estava em um partido inadequado para qualquer atividade que implique em decência. No PT foi preciso mais de duas décadas para que a agora sem partido sentisse nas narinas o odor que empesteava todo o país desde que Lula se elegeu presidente e ela foi trabalhar com ele.

Sei bem que nos dois casos a saída de Marina não teve outro motivo senão a ambição pessoal. Mensalão, propinas e até destruição ambiental movida por um presidente megalomaníaco e ignorante sobre qualquer processo moderno em política ou administração, nada disso contou para a saída do PT para o PV. Se Lula indicasse o dedo em sua direção na decisão da candidatura presidencial petista a história seria outra.

Mas a enrolação continua. Marina ainda não sabe onde vai, ou melhor, aonde vai, pois sua impermanência dela não parece ser apenas uma questão de destino físico.

Deve ser duro gravitar em torno de um líder desse tipo. O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, também é um desses que acredita que partido bom é aquele no qual seu interesse é privilegiado, mas pelo menos saiu do DEM já com destino certo, seu partido 171 que permite ao político ser tudo, oposição ou situação, e até mesmo sair do partido na hora que o freguês quiser.

Mas é intrigante o que passava pela cabeça de Marina quando ela embicou para o PV, um partido de notória falta de vergonha, sigla que se vende por carguinhos pelo Brasil e mesmo no governo em que Marina foi ministra do Meio Ambiente por quase dois mandatos inteiros.

Se Marina imaginava que ao chegar num ambiente desses todos os caciques se levantariam para ela ocupar o lugar, então graças a Deus (em homenagem à Marina uma ecologista evangélica) que ela não foi eleita presidente. Com esta postura, digamos assim e digamos aspado, “ingênua”, se ganhasse a eleição Marina estaria governando da mesma forma que Dilma Rousseff, tendo que comportar partido com cargos e emendas orçamentárias. Pelo que se vê, para governar Marina teria que comprar até o seu PV.

Outra questão são os verdes hoje indignados, entre eles Fernando Gabeira, que ao menos em tese estão com ela na revolta com os métodos dos caciques do PV. Que diacho de lideranças políticas são essas que querem consertar o mundo, mas têm dificuldades em fazer política interna para dar a um partido um rumo decente?

Marina está saindo do PV com apenas um deputado federal, Alfredo Sirkis, do Rio de Janeiro, que estava no partido desde que ele foi fundado. Fernando Gabeira fica no PV, apesar de ter buscado belas palavras para companheira que sai. Sirkis é aquele deputado que na votação do Código Florestal na Câmara gritava “traidor” para Aldo Rebelo, o que mostra que não é só o PV que ele não compreendia por dentro. Se Sirkis se decepcionou com Rebelo, ele nada sabe também do PCdoB ou de qualquer outro partido brasileiro.

Mas Marina segue praticamente só e imaginando que os mais de 20 milhões de votos que recebeu na última eleição são um patrimônio pessoal intransferível. Se estiver com isso na cachola, vai sofrer ainda mais do que com a decepção que teve com os caciques verdes.

Esta imagem da solidão acompanhada pelo deputado Sirkis dá uma coceira que traz à cabeça uma metáfora vagabunda que vou dispensar. O grande Quixote não merece isso. Ele não entrava em qualquer moinho. E um Quixote precisa de companheiros senão mais gordos, mas pelo menos mais honestos. Porém, Marina podia aproveitar este interregno na sua carreira até a presidência para conversar com o companheiro Sirkis sobre questões de governabilidade, a dignidade do Congresso, essas coisas.

Sei que é difícil para quem faz política temática perceber a amplidão de eventos que desembocam também na política ecológica. Em meses de crise nuclear em Fukushima, a própria Marina não produziu sequer um artigo de jornal sobre a questão. E quando ela foi ministra o governo do PT decidiu implantar mais quatro usinas nucleares por aqui. Mas enquanto Fukushima explodia, ela andava metida nas questões internas do PV. A candidata de sempre só foi acordar na votação do Código Florestal.

Porém, repito que seria bom ela conversar bastante com seu único deputado sobre questões da governabilidade.

Para adiantar o papo, já vou informando que o deputado Sirkis votou favorável ao Regime Diferenciado de Contratações, o RDC de Dilma que passa feito por um trator por cima da Lei de Licitações e instala uma farra de políticos e empreiteiros nas obras da Copa e das Olimpíadas. É um trator preparado inclusive para passar por cima de florestas.
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POR José Pires

terça-feira, 5 de julho de 2011

Código de conduta

No país das mutretas o melhor que apareceu nesses dias foi o código de conduta prometido pelo governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, para corrigir a si próprio. Não é que fosse preciso isso, mas só com a queda de um helicóptero com a morte de sete pessoas foram descobertos os empréstimos de jatinhos feitos ao governador por amigos empresários e as festas luxuosas com os chapas de tantas empreitadas.

Cabral então resolveu criar um código de conduta para dar um jeito nele mesmo. Pois não precisa. Já existe este código e não é a Constituição, nem o código do Governo Federal, nem mesmo o Código Penal.

É algo muito antigo, uma proposta de um artigo único para Constituição Brasileira feita por Capistrano de Abreu, historiador brasileiro que depois virou uma rua em que eu passava muito em São Paulo.

Sua proposta é muito simples, mas daria um jeito no país se fosse aplicada: "Todo brasileiro fica obrigado a ter vergonha na cara".

Mas eu tenho muita dúvida se o governador Sérgio Cabral teria condições de respeitar essa Constituição de um artigo só.
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POR José Pires

Ministro distraído

No Brasil a falta de autenticidade é algo levado muito a sério. Anota-se o que o distinto falou sabendo-se que ele não expressa de verdade o que pensa ou está fazendo de fato e publica-se, leva-se adiante. Às vezes até vira lei. No país da fancaria o que dá encrenca é ser franco. É capaz até do sujeito ser derrubado de um governo. Já imaginou se a presidente Dilma Rousseff pede uma rede nacional de TV um dia desses e diz o que todo mundo já sente, que a coisa aqui está preta?

Bem, o país anda tão fora dos eixos na discussão política que é capaz de ficarem discutindo a frase no contexto racial. Mas não é por causa do otimismo da Dilma que falei sobre autenticidade.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega foi pego pela imprensa hoje para falar sobre a fusão entre o Pão de Açucar e o Carrefour, um negócio que havia deixado bem animados vários integrantes do governo. Um pouco antes de sair do cargo, o multiplicador Antonio Palocci disse que um dos filés das suas consultorias era fusão de empresas. Pelo jeito não é só ele que gosta do negócio.

Mas o ministro Mantega foi entrevistado sobre a fusão entre as redes de supermercado e disse que não está acompanhando o assunto. Que coisa, o Brasil todo segue com atenção a negociação, afinal o resultado vai bater direto em nosso bolso não só porque podemos ter que pagar para o dono do Pão de Açucar ficar mais rico como também pagar mais quando tivermos que comprar algo na coisa monstruosa que pode sair de uma transação dessas.

Todo mundo acompanhando o negócio, menos o nosso ministro da Fazenda. E ainda diziam que autista era a irmã do Chico Buarque. Mas não tem problema, depois a gente conta pro Guido Mantega o que deu o enrosco entre os titãs das gôndolas.
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POR José Pires

domingo, 3 de julho de 2011

Um adeus a Itamar Franco e sua forma de ser que vai fazer muita falta

Infelizmente o ex-presidente Itamar Franco morreu. Mas, este grande político viveu bastante, realizou tarefas importantes para o Brasil. De forma modesta, construiu as bases de uma estabilidade econômica e inclusive política sem as quais o país iria à breca. Não teve em vida o merecido reconhecimento por este feito, porém o Brasil é assim mesmo, um país que despreza de maneira doentia o passado. Não foi só com o Itamar, apesar de que, em relação ao que ele fez pelo país a injustiça acabou sendo bem grande.

Em nossa história recente dois períodos foram difíceis de governar depois da ditadura militar. Um foi após a morte de Tancredo Neves e o outro depois da queda de Collor de Mello por corrupção. No primeiro caso tivemos o fracasso de José Sarney e o segundo foi o período em que Itamar Franco recompôs a governabilidade e criou uma base segura que políticos como Sarney trabalham até hoje para destruir. E, pelo visto, com bastante sucesso.

Ao mesmo tempo em que o ex-presidente Itamar agonizava, os tucanos comemoravam os 80 anos de Fernando Henrique Cardoso. Bem, sem o Itamar Franco uma comemoração dessas teria certamente um menor peso, pelo menos em termos de façanhas econômicas.

Bem que Itamar podia ficar mais um pouquinho. Vai fazer muita falta e não só pela carência de gente digna na política, hoje um problema que está fazendo o Brasil afundar em lama e na precariedade administrativa. É claro que o Senado perde muito com sua morte. Neste sábado deve ter tido muito patife brindando a ausência desta figura que iria encrencar bastante com os esquemas corruptos naquela Casa, alinhados diretamente com o governo.

Quem teve sorte também foi o governo do PT, já na terceira edição, na qual se perdeu até o que eles piratearam do ordenamento econômico que começou com Itamar Franco. Nos poucos meses como senador, Itamar mostrou que o PT teria com ele uma oposição firme, com a calma e obstinação que os companheiros de Lula foram desacostumados por uma oposição frouxa.

Falei disso aqui no blog, analisando a cabulosa sorte às avessas do ex-presidente Lula, este notório pé-frio que azara a vida de qualquer um que se aproxime dele, mas que tem um aproveitamento impressionante da falta de sorte dos outros. E se mesmo com a lista que comprova os danos da má energia do seca-pimenteira alguém achar que é só marcação minha com o Supremo Apedeuta, lembrem o que foi feito de Antonio Palocci. Dava até a impressão de que o Midas-consultor Palocci ia se safar... foi quando Lula entrou em campo para defendê-lo.


Um sentido moral e
uma credibilidade que
vão fazer muita falta

A morte de Itamar tira de cena um político decente e uma voz com credibilidade que iria com toda a certeza ter muita importância na construção de um desvio deste destino desastroso que o PT vem construindo para o Brasil.

Para quem teve tanto poder e em tantas instâncias, Itamar Franco morreu com uma renda modesta. Era um dos poucos integrantes do Senado que dependia do salário de senador. Era um homem honesto. É claro que ter se mantido durante tanto tempo de forma honesta na política é uma qualidade imensa de Itamar, mas não deixa de ser um sintoma da decomposição moral do país que o noticiário tenha que sublinhar na história de um político o fato de ele não ter sido desonesto.

Com sua morte estão relembrando muitas histórias sobre a presidência de Itamar. Uma de destaque é aquela do dia em que o falecido senador Antonio Carlos Magalhães fez um discurso no Senado afirmando que tinha denúncias de corrupção no governo. O presidente então o convidou para levar as denúncias ao Palácio do Planalto. Quando ACM lá chegou, Itamar havia convidado toda a imprensa para acompanhar a reunião. Era mais uma bravata de ACM. O senador baiano tinha em mãos apenas recortes de jornais.

Chega a ser estranho que os brasileiros não tenham compreendido um homem que faz uma coisa dessas, num período em que o senador ACM tinha muito poder — especialmente pela sua ligação direta com a Rede Globo de Roberto Marinho — e usava suas ameaças para ocupar um lugar de destaque como maioral da política.

Sempre tive a impressão de que a má vontade que muitos tiveram com Itamar foi em razão dele viver num tempo muito particular, avesso às solenidades, ocupado com coisas simples. Isso criou antipatias inclusive com jornalistas honestos, que buscaram sempre fazer chacota do presidente que não tomava uísque com eles ou participava de qualquer outro divertimento mais quente nas frenéticas noites brasilienses.

Itamar Franco não fazia concessões a um estilo de vida que infelizmente toma conta do país, esta forma espetacular de trabalhar e ter prazer e também de fazer política, o que não era de seu gosto. E não fosse o Brasil o país dos paradoxos poderíamos até ver uma incongruência num povo que se incomoda de ter um presidente que encarou a vida de forma honesta e simple


O homem que deixou
o poder à espera para
consolar a mãe doente

Um exemplo da extrema franqueza de Itamar pode ser visto numa tentativa de piada que tentaram fazer com ele na televisão. Foi recente, um pouco antes de ele se eleger senador, num desses programas que procuram fazer humor constrangendo alguma personalidade. Neste caso, um cômico (sic) fingia ser um jornalista inexperiente.

O ator faz um papel de trapalhão na entrevista com Itamar e o ex-presidente em momento algum percebe a gozação. E lida com a situação com uma compreensão admirável. Com paciência procura ajudar o “jornalista” a desempenhar o trabalho para o qual parece ter muita dificuldade. Veja aqui o vídeo, mas depois. Agora continue me acompanhando.

Bem, a seriedade anda tão em falta ultimamente que não há estranhamento algum com a falta de protesto com uma farsa em que um ator finge ser um jornalista. Nem os próprios profissionais da imprensa se dão conta da desonestidade dessa confusão deliberada (mesmo que fosse engraçada; e não é o caso). O errado acaba sendo o Itamar Franco, com seu tempo desajustado a esses tempos ditos modernos.

O ex-presidente defendia sua privacidade de uma forma que realmente era difícil de entender numa época em que as pessoas acham que precisam ficar em contato o tempo todo com a vida de políticos e artistas, mesmo que seja em situações criadas de forma artificial e com muito mau gosto. Como eu já disse, ele vivia num tempo à parte. Depois que o corrupto presidente Collor teve que abandonar o Palácio do Planalto às pressas, Itamar, que foi seu vice como todo mundo sabe, adiou a posse para ficar ao lado da mãe, que estava enferma e acabou morrendo.

E as pessoas ficam abismadas que alguém tenha abandonado tudo para ficar ao lado da mãe doente. E dá para entender esta reação. No Brasil qual é político que não abandonaria a própria mãe para pegar o cargo que Itamar deixou à espera?

Para apontar a confusão moral que tem criado uma dificuldade danada para o brasileiro avaliar o que realmente tem importância nesta nossa passagem pela Terra, vou comparar com outro político que abandonou tudo para correr para o enterro de uma pessoa.

Foi o presidente Fernando Henrique Cardoso, que em abril de 1998 cancelou uma importante viagem que fazia à Espanha e voltou correndo ao Brasil para o enterro do deputado Luís Eduardo Magalhães (PFL, hoje DEM) que teve morte repentina. Magalhães era líder do governo na Câmara, porém, muito mais que isso, era filho do cacique político Antonio Carlos Magalhães, o mesmo ACM que anos antes saiu humilhado do Palácio do Planalto com sua pastinha de recortes de jornais e nunca mais perdoou Itamar Franco.

É claro que não havia outra necessidade da volta repentina de Fernando Henrique Cardoso, a não ser para cativar o poderoso ACM. Mas, poucos colocaram em dúvida esse gesto duvidoso.

Então ficamos assim: FHC foi um estadista por ter voltado correndo da Espanha para o enterro do filho do cacique baiano e Itamar Franco foi um maluco ao adiar a posse como presidente para ficar ao lado da mãe doente.


O dia em que Itamar deu
lição de boas maneiras e de
matemática para Gleisi Hoffmann

Poderíamos passar muito tempo lembrando as histórias de Itamar Franco e não seria nada mal, pois os episódios na sua vida não são banais, mas vamos fechar com um último lance ocorrido no Senado, que mostra de que cepa era feito Itamar.

Aconteceu entre ele e a paranaense Gleisi Hoffmann, quando a atual ministra da Casa Civil era senadora. É uma história que guarda uma moral interessante que a ministra Gleisi terá para contar aos netos como um exemplo do erro de se postar frente as outros com uma arrogância desguarnecida de conhecimento técnico e experiência de vida, neste estilo político tão próprio dos petistas.

Itamar travou um interessante debate com Gleisi Hoffmann, que defendia a alteração no Tratado de Itaipu com o Paraguai. Itamar era contra, no que penso que ele estava muito certo. Essa alteração despeja no Paraguai uma dinheirama que deverá sair pelo ladrão como o líquido de uma caixa d’água muito cheia. E não vai molhar só mãos paraguaias, não.

Mas, vamos ao debate entre a então senadora Gleisi e seu colega mineiro. Numa das vezes em que Itamar Franco falou no Senado contra a proposta do governo de aumentar em 200% o que o Brasil paga ao Paraguai pela energia gerada em Itaipu, a senadora Gleisi Hoffman o aparteou e disse que ele não entendia nada de política energética.

O ex-presidente deixou quieto o caso naquela sessão, para responder dias depois. No plenário do Senado mostrou para a senadora petista uma fórmula matemática bastante complicada e perguntou se ela sabia do que se tratava.

Gleisi Hoffmann não teve outro jeito senão dizer que não sabia. Itamar então explicou para a petista que era uma fórmula matemática criada em seu governo sobre custos para a geração de energia elétrica e a equação de reajustes futuros das tarifas. Era uma fórmula paramétrica. E não me perguntem o que é isso, pois não fui eu que falei que Itamar não entendia de energia.

O debate entre Itamar e a então senadora pode ser lido aqui. Fica o mistério não tão insondável assim sobre quem é que passava a cola para a senadora pelo celular. Itamar estranhou que tendo sido diretora de Itaipu Gleisi Hoffmann desconhecesse a fórmula. No debate, ele ainda diz que era provável que o passador de cola também não tivesse entendido a fórmula matemática.

Mas Itamar se foi e não teremos o prumo moral que ele poderia ajudar a dar ao Senado e à política brasileira. Ficará com certeza seu exemplo na condução de uma vida pública honesta, decente, realizadora, para a qual infelizmente o Brasil só terá olhos quando se elevar dessa sarjeta moral em que foi colocado. Se é que se elevará.

Para terminar, a decisão da família do falecido em evitar o cortejo fúnebre em Brasília e a cerimônia no Palácio do Planalto dá um fecho admirável a este testamento digno, simples, de uma grandiosidade humana que sempre prescindiu de qualquer pompa.
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POR José Pires

quinta-feira, 30 de junho de 2011

A filha do Che Guevara e suas conversas à sombra do muro de Berlim

A imprensa brasileira publica umas coisas que não tem cabimento. A Folha de S. Paulo publica hoje uma entrevista com Aleida Guevara, uma matéria longa que o jornal disponibiliza na internet. Aleida Guevara é um daqueles fenômenos estranhos da mídia. Se formos matutar quem é essa senhora, não dá para sair do fato dela ser filha de Ernesto Che Guevara, mas lá vai a Folha publicar uma entrevista imensa com alguém que não tem absolutamente nada a dizer sobre Cuba, a não ser chavões que estão ultrapassados até na retórica de Fidel Castro.

A entrevista é um amontoado de lugares-comuns sobre o falido comunismo da ilha cubana, com bobagens que eu não lia há algum tempo, um discurso que está ultrapassado até em Cuba. Artistas de lá que sempre defenderam a revolução cubana, hoje já fazem críticas ao modelo e até se queixam da morosidade da abertura política prometida pelos dirigentes. O cantor Pablo Milanés é um desses cubanos que percebem que o modelo pifou.

Já Aleida Guevara ainda traz a velha fachada stalinista que, pelo jeito, ainda se mantém de pé em Cuba. Nisso puxou ao pai. Pessoas que se encantam com o mito do guerrilheiro romântico e até doce que muitos vêem no Che se horrorizariam se soubessem como ele era na verdade. Guevara sempre foi mais duro que Castro. No plano internacional, Fidel Castro teve maleabilidade para perceber o ponto em que findava o papel de Cuba como exportadora de revolução pelo mundo. Guevara não tinha esse discernimento e provavelmente este foi um elemento forte na sua saída de Cuba para a Bolívia, o que na prática acabou sendo um afastamento político dos novos rumos que tomava a revolução cubana.

Che Guevara é um dos mitos mais equivocados do século 20. Nada do que ele fez deu certo. Até seu papel na revolução cubana é superestimado, mas, de qualquer forma, o que ele fez depois como dirigente foi um desastre. Em 1967, quando soube onde Guevara estava, o escritor Mario Vargas Llosa, que vivera muitos anos na Bolívia, comentou sobre os problemas que o guerrilheiro encontrara no espaço geográfico que escolhera para lutar: "Não há alternativa, ou ele se deixa capturar ou morre. Está sem saída. O que ele fez é suicídio". E era um amigo que dava essa opinião. Vargas Llosa só iria romper com Cuba em 1971.

Mas falávamos da entrevista da filha do guerrilheiro. Bem, numa conversa com Aleida Guevara não dá para extrair nem o testemunho familiar sobre o pai. Ela não conviveu com ele. Fala do pai como qualquer outra pessoa encantada pelo mito estampado em camisetas.

No meio da entrevista a jornalista tentou desencavar alguma novidade sobre a estada do venezuelano Hugo Chávez em Cuba para o já se previa ser um sério tratamento de saúde, talvez de um câncer, mas nem aí foi possível dar uma levantada na conversa com Aleida Guevara. O que saiu sobre Chávez foi uma das mentiradas, entre o que ela contou sobre o processo político em Cuba — que é claro que na sua opinião é o mais democrático do mundo.

O presidente venezuelano foi para Cuba fazer uma operação de joelho, ela garantiu. E ainda aproveitou para comentar a necessidade de tempo para a recuperação de uma operação como esta. "Necessita de tempo para recuperar-se. Tem o peso do corpo...", ela disse. E a filha de Guevara ainda se apresenta como médica. Mas faltou combinar o logro com o doente.

Nem deu tempo da entrevista virar jornal de ontem. Hoje mesmo Hugo Chávez foi para a TV cubana e assumiu que está com câncer. Mais um pouco e é capaz da filha de Guevara ficar sabendo que o muro de Berlim já caiu.

Mas uma informação interessante é a razão da estada de Aleida Guevara no Brasil. Ela veio para um evento ecológico em Londrina, no Paraná. Isso eu já sabia e já andava bem temeroso que a notícia se espalhasse. Foi um evento do MST e da Via Campesina, abrigado numa universidade pública estadual.

Só faltava essa. A esquerda brasileira tem desmoralizado tantas causas importantes para a humanidade, mas até agora andava distante da ecologia, até porque o governo petista não tem nenhum compromisso real com a defesa do meio ambiente. Muito ao contrário, é um governo que se arroga um desenvolvimentismo dos mais tolos, tão indecente que acabamos não tendo de fato nem o desenvolvimento. Mas a lorota tem servido como justificativa para a destruição do meio ambiente brasileiro.

Mas como essa esquerda é uma praga, não duvido que desmoralizem também a luta ecológica. Já estão trazendo companheiros de Cuba para ajudar.
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POR José Pires

terça-feira, 21 de junho de 2011

Progressistas do bem-bom

Eu sou de uma época em que ser progressista exigia mais esforço do que acontece hoje em dia. Fazer imprensa alternativa na época da ditadura militar, por exemplo, dava um trabalhão danado, além naturalmente dos riscos inerentes ao ofício de combater o governo. Esses jornais eram chamados também de imprensa progressista ou imprensa nanica, mas tanto faz o rótulo. O produto dava sempre muito trabalho.

No geral ganhava-se pouco e em algumas publicações era preciso até botar dinheiro do bolso. Hoje em dia podem até dar boas histórias aquelas madrugadas passadas em redação de jornal alternativo, mas não era nada divertido. É o caso do semanário Movimento, cuja censura-prévia exigia a feitura de duas ou três edições inteiras por semana para que fosse possível escapar uma das mãos dos censores. Daí então havia todo o trabalho da edição, até o jornal seguir para a impressão e daí para os leitores.

É bom lembrar a rapaziada progressista que nesta época os jornais eram produzidos com máquina de escrever e os desenhos, apesar da ditadura, eram feitos à mão livre. A diagramação e arte final dos jornais também só eram possíveis de se fazer do mesmo jeito. E o único modo de alguma coisa chegar a Brasília, onde era feita a censura, era dentro de um pacote enviado por avião.

Tinha também os riscos para a integridade física. Hoje dá para ver como era a coisa. Até bem próximo do final do regime, eles ainda estavam matando. As mortes de Vladimir Herzog e Manoel Fiel Filho mostram com exatidão o risco de lutar pela liberdade de expressão naqueles tempos.

Hoje, ser progressista está bem mais fácil. Nesta semana fizeram em Brasília 2º Encontro Nacional dos Blogueiros Progressistas. Para ser mais exato, auto-denominados blogueiros progressistas. Também são chamados de blogueiros sujos, o que ficou bem marcado principalmente na última eleição, mas desse nome eles não gostam. Por isso usam aquela velha tática de assumir o apelido para amenizar o estrago, mas não parece estar dando certo.

A bem da verdade, o encontro foi feito com dinheiro público, o que não combina com o adjetivo "progressista". Aliás, se o sujeito for mesmo progressista até vai concordar que o blogueiro que faz algo assim é mesmo um blogueiro sujo.

O ex-presidente Lula esteve lá, dando seu plá aos "brogueiros", como ele chama esta nova categoria de companheiros. O deputado cassado José Dirceu também compareceu. Ambos desceram a lenha na imprensa, é claro, que mais poderiam fazer num encontro de "brogueiros" progressistas?

Dirceu estava impossível. Lembrava seus tempos de dirigente estudantil, mas só no discurso, evidentemente. E, felizmente para todos, vivemos numa época em que, como já disse, está uma baba ser progressista. Fosse noutros tempos e sob uma ditadura, o companheiro Dirceu já se deslocaria até a padaria da esquina para encomendar 1800 pães, 7 quilos de queijo fatiado (fatias finas, por favor, ô português!) e 9 quilos de mortadela também fatiada, para alimentar os participantes do encontro clandestino. E aí o comandante Dirceu melava o encontro dos blogueiros progressistas, como ele fez em Ibiúna na década de 60.

Mas hoje, felizmente, existe liberdade até para criar fantasmas para dar um clima combativo num encontro de blogueiros governistas muito bem apoiados em verbas do Estado. Dirceu aventou a hipótese de um combate violento pela liberdade de expressão. A fala do ex-capitão do Lula que praticamente saiu chutado do governo sob o escândalo de corrupção do mensalão: "Se não travarmos essa batalha, ela não será travada. É hora de dar um grande salto, partir pra mobilização. Estou disposto a travar essa luta junto com vocês”.

É tudo conversa. Os blogueiros governistas são, em sua maioria, ligados de uma forma ou outra aos benefícios de governos petistas variados, inclusive o federal, e de sindicatos. Muitos recebem em seus blogs anúncios pagos de estatais. Outras facilidades financeiras também acontecem, até mesmo empréstimos tão facilitados quanto dinheiro do Banco do Brasil na mão de fazendeiro com boas relações com a bancada ruralista.

E todos agem como peixes-pilotos seguindo tubarões como Dirceu, que indicam pautas e apontam o conteúdo que cada um deve publicar. É um esquema muito bem controlado e que segue o tom que os chefões ordenam. Dá até para visualizar o organograma do esquema quando surge um assunto do interesse dos que mandam hoje no PT e no governo.

A mamata, porém, precisa ter ares de grande batalha progressista para que a tigrada se anime e também não perca a auto-estima, afinal não é nada meritório ser capacho de governo algum.
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POR José Pires

quinta-feira, 16 de junho de 2011

O STF no país das maravilhas

Um estrangeiro que tenha notícias do Brasil lá em sua terra deve pensar que vivemos por aqui no melhor dos mundos. Um europeu deve ter até vontade de se mudar correndo para cá, pois país liberal como o nosso, com tantos direitos assegurados, ah, país assim não existe nem nas Oropas.

Pois o nosso Supremo Tribunal Federal (STF) passou uma tarde inteira julgando a marcha da maconha. Engraçado é que sempre que aparece alguma notícia sobre a lerdeza dos ministros para julgar processos importantes, vem a história de que todos estão assoberbados de trabalho.

Agora passaram a tarde discursando sobre a liberdade de expressão para sair na rua marchando em favor da liberação da maconha. Tem gente que perde a tarde fumando maconha, vá lá, mas o nosso STF pode passar a tarde discutindo marcha da maconha? Parece coisa de um STF que não tem nada pra fazer.

Os juízes não economizaram na empolação. "A liberdade é mais criativa que qualquer grilhão, que qualquer algema que possa se colocar no povo", disse Carmen Lúcia, que, como se vê, nesta questão da liberdade ainda está nos tempos dos grilhões. Ora, mas se é para falar em "grilhão", então podiam passar a tarde discutindo o trabalho escravo.

E o ministro Marco Aurélio Mello mandou ver: "Mesmo quando a adesão coletiva se revela improvável, a simples possibilidade de proclamar publicamente certas ideias corresponde ao ideal de realização pessoal e de demarcação do campo da individualidade”.

De onde um ministro desses do STF está falando? Quando vejo uma coisa dessas fico sempre esperando aparecer saltando no plenário do STF um coelho apressado com um relógio na mão, uma lebre maluca, um chapeleiro louco e a Alice correndo para lá e para cá sem entender nada.

Não é para um europeu ficar doido de vontade de morar num lugar desses? Mas o lado cômico é que, mesmo isolados do Brasil lá no planalto e falando para aparecer na imprensa, nossos togados paladinos da liberdade de expressão, terão depois que sair do STF muito bem escoltados. E devem morar em fortalezas muito bem seguras, é claro.

Fora do país das maravilhas do STF não temos um cotidiano com liberdades básicas asseguradas. A bem da verdade, aqui não se tem o direito nem de receber um serviço que foi pago. Marcha da maconha está liberado, mas não se pode querer tudo, certo? Alguém sensato deveria ter um pouco de pudor ao manejar discursos. E neste caso esta tarde no STF tem mesmo a ver com o assunto tratado. Parece papo de maconheiro. São apenas palavras vazias, palavrório que não se aplica. Foi só lero lero esta tarde da maconha no STF.

Eu poderia puxar várias frases do que se falou nesta tarde no STF, mas vamos ficar apenas com essas duas, já que os discursos acompanharam esse tom. Os ministros foram fundo trololó liberal. E o resultado do julgamento todo mundo já conhece: por oito a zero pode-se sair nas ruas defendendo o uso da maconha.

E isso num país em que tem gente pacífica sendo morta por defender o meio ambiente, como acontece nas regiões em que se pensa numa anistia para desmatadores que são também implacáveis matadores. Porque não anistiar logo as duas práticas? Ou então aplicar lá na Amazônia o palavrório do STF. Como é mesmo o negócio aquele negócio "realização pessoal e de demarcação do campo da individualidade". Pô, bróder com essa o Aurélio Mello matou a charada... ou será xarada? Sei lá, mano, passa o bagulho aí.

Distante desse país das maravilhas temos também o país real em que comunidades inteiras vivem sob o domínio de milícias, em comum acordo inclusive com setores da polícia. A decisão do STF, embasada em palavrório tão pomposo, vai valer também para esses cidadãos desesperados ou esse negócio de acabar com "grilhão" é só para marcha da maconha?

Digo sempre que essa piada que fizeram com o Brasil só não é engraçado porque moramos na piada. Com a decisão do STF em alguns lugares o maconheiro terá todo o direito de expressar a tal “liberdade mais criativa que qualquer grilhão”, mas não tem direito algum sobre sua vida cotidiana.

Pode ir tranqüilo para a marcha da maconha, mas nos outros assuntos tem que prestar contas pra milícia ou para o traficante. E desse respeito imposto pela força depende sua integridade física. As palavras do STF não significam nada fora do país das maravilhas dos togados.

Marcha da maconha, tudo bem. Mas tem que pagar pedágio para o bandido, a taxa do gás e da TV a cabo para a milícia e, no caso de quem vive numa condição livre de problemas desse tipo, tem que pagar o imposto para o vereador gatuno, para o prefeito ladrão, o governador corrupto e... bem, tem que pagar o imposto para o governo federal do PT.

Nem vou entrar no mérito dessa decisão do STF. Mas temos que ver o lado cômico desse país de fantasia que é apresentado todos os dias por nossas autoridades de qualquer área, pois realismo não é o forte em setor algum hoje em dia. O Brasil é um país em que não existe diferença alguma entre articulação política e pescaria.

Mas, fora desse país das maravilhas do STF, a realidade é outra: a corrupção domina a política, corroendo as estruturas do país e desmoralizando a administração pública; o crime campeia pelo país afora e a violência se instalou em nossas cidades impondo um cotidiano triste, com mortos e feridos no trânsito, em assaltos, em ataques sexuais, na eliminação física de adversários políticos, e até na destruição física pelos motivos mais banais.

A lista de barbaridades é grande, poderíamos falar de questões ambientais, da infra-estrutura do país demolida, das dificuldades na educação. Os problemas são dos mais variados. Daria bastante assunto para esta tarde no STF. Se eles não estivessem ocupados com a marcha da maconha, é claro.
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POR José Pires

Perguntar não ofende, mano

Mas que com a decisão do STF tem uma pergunta que não quer calar, ah, isso tem. Agora que está liberado, o Fernando Henrique Cardoso vai na marcha da maconha?
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POR José Pires

sábado, 11 de junho de 2011

Promoção

A transferência da ex-senadora petista Ideli Salvatti do ministério da Pesca (esse merece um sic: sic) para o ministério das Relações Institucionais (mais um sic: sic) é um ótimo objeto para a análise sobre a falta de quadros que sofre o PT. Ideli Salvatti subindo de posto num governo já diz tudo.
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POR José Pires

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Devagar com as tendências, companheiros

Artigo de José Dirceu espalhado pela internet avisa: "Vitória de Humala confirma tendência na América Latina". A tendência de que fala o deputado cassado por falta de decoro é de — todo mundo sentado, que é para não cair com o espanto — "transformações históricas na América do Sul". A maluquice de botar América Latina no título e falar da América do Sul no texto é por conta dele. Devem pensar que é a mesma coisa, mas é melhor para o México que seja América do Sul, pois assim eles ficam livres dos vaticínios do chefe do mensalão.

Mas petista tem dessas coisas. Tudo para eles é "tendência", como se a roda da história girasse impulsionada por seus maus textos. O pior é quando metem o país em discussões que na verdade nada tem de importante. Lembram do homem do chapéu de Honduras? Pois é, quanto tempo perdido com aquela conversa.

É tendência para isso, tendência para aquilo, sempre que um cupincha ideológico deles vence alguma eleição eles vêm com essa lorota de "tendência".

E falando no assunto específico do ex-capitão do Lula que saiu chutado para fora do campo, por pouco Keiko Jujimori não leva a faixa no Peru. Se isso acontecesse a "tendência" seria qual? Bem, aí Dirceu amoitaria esse negócio de "tendência".

Outro que era uma "tendência" de transformação aqui pra baixo era o presidente da Bolívia, Evo Morales, mas parece que o cocalero se aquietou. Resolveu diversificar: agora não é só coca. Entrou no ramo de carros roubados. Anteontem ele promulgou uma lei que legaliza cerca de 200 mil carros contrabandeados para a Bolívia, a maioria roubados no Chile e no Brasil.

Morales diz que fez a lei para os pobres. Sempre é assim. Não é difícil que ainda ouçamos um dia um mensaleiro dizer que aquela grana toda era em favor dos pobres. "Todos temos direito de ter nosso carro", disse o presidente boliviano ao promulgar a lei. É a mesma conversa de qualquer ladrão de carro.

Bem, se até agora 200 mil carros roubados rodavam tranquilos por lá era porque o governo boliviano fechava os olhos para a ladroagem. Será que isso também é uma "tendência" desses governos transformadores?
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POR José Pires

Afinal surge a Dilma da Dilma

Tenho a certeza de que muitas pessoas sensatas devem ter a mesma impressão que eu tenho e se perguntarem se o que ouvem é mesmo verdade, que vão convidar a ex-senadora Ideli Salvatti para o ministério das Relações Institucionais, uma pasta essencial para a articulação com a classe política e também com os partidos.

Mas parece ser isso mesmo. Na internet até já se lê a justificativa da presidente Dilma Rousseff: "Ela [Ideli] tem personalidade, tem autoridade, é firme". Parece mesmo uma avaliação da Dilma, que tem o estilo brucutu de elogiar indivíduos de uma forma que parece estar dando um pito na equipe toda. Se para nomear a Ideli Salvatti para o ministério contam essas qualidades básicas de qualquer dirigente, então parece que Dilma está dizendo que o resto da sua equipe carece dessas coisas.

Como todos sabem, gosto de ajudar o governo, por isso já voi dizendo que a idéia é uma besteira sem tamanho, ainda mas que a Ideli Salvatti está tão bem no ministério da Pesca. Já explico: lá na Pesca ninguém ouve falar dela e o melhor para o governo é que alguém como a ex-senadora desapareça de vista.

Bem, eu sou contra só porque não tenho interesse direto na questão, mas quem sabe que pode colher muita coisa no maremoto que virá se Ideli Salvatti trocar as pescarias pelo ministério das Relações Institucionais até tem que se segurar para não aplaudir aos berros.

O vice-presidente Michel Temer já deu seu apoio. "Presidente, o PMDB lhe deixa à vontade. Quem a senhora escolher terá nosso apoio", ele disse. Bem, Temer aplaudiria até se a Dilma escolhesse o Delúbio Soares. Já faz décadas que o vice-presidente, ele e seu PMDB, estão trabalhando com as circunstâncias críticas dos governos para irem se fortalecendo. Em alguns casos até empurram governantes para decisões insensatas que aumentarão o poder deles mais adiante.

E o Temer, não sei não, nada a ver com essa troca de ministros, mas dá a impressão de que ele sabe de algo mais, talvez relativo à saúde de alguém, que o tem deixado bastante tranquilo quanto a seu futuro.

Mas, voltando à Ideli Salvatti e já que falam tanto na tal "Dilma da Dilma", ela é a tal da "Dilma da Dilma", pelo menos na grosseria pessoal e numa incapacidade pessoal que brota pelos poros, o que talvez seja de fato a força de atração que junta as duas.
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POR José Pires

quarta-feira, 8 de junho de 2011

A gestão do toma lá, dá cá

A leitura de sites e jornais dá na gente a impressão de que os jornalistas descrevem um mundo virtual quando falam do governo de Dilma Rousseff. E a cobertura da queda de Palocci, com a surpreendente nomeação da Senadora Gleisi Hoffmann, tem sido uma parte das mais delirantes nesta de ficção.

Acabamos tendo de ler em toda a parte algo parecido com aquela lorota do ex-presidente Lula sobre a "Dilma da Dilma", quando ele comentava sobre Dilma ter cuidado da gestão na Casa Civil enquanto ele fazia política. Bem, já dói bastante essa patada na lógica de que Dilma cuidou da gestão, ou de que Dilma cuidou de alguma coisa, quando todo mundo sabe que menos de seis meses depois dela ter passado a Casa Civil para a amiga Erenice, o então presidente Lula teve que demitir Erenice para abafar um escândalo. E o desastre que foi aquela "gestão" está aí à frente de todos, até com a volta da inflação. Nem Dilma parece estar gostando do que a "Dilma do Lula" deixou para ela.

Se alguém tivesse cuidado da gestão no governo Lula é certo que o Brasil não estaria desse jeito. E nem adianta vir com outras virtualidades, se ufanando de coisas que deviam nos envergonhar, do tipo definir como classe média uma família com renda de um pouco mais de mil reais ou dizer que alguém saiu da pobreza por ter 70 reais mensais no bolso.

Como se já não bastasse essa conversa fiada da "Dilma da Dilma" a gente ainda tem que ler sobre a "experiência em gestão" de Gleisi Hoffmann, a nova ministra da Casa Civil. Quem escreve uma coisa dessas está pensando na pujança do estado do Mato Grosso do Sul ou nas fantásticas inovações administrativas feitas em Londrina?

Londrina é hoje um desastre administrativo, em grande parte pelos caos que o PT deixou em duas administrações consecutivas. E no Mato Grossso do Sul a única novidade administrativa que chamou a atenção no plano nacional foi a aposentadoria vitalícia que o então chefe de Gleisi Hoffmann, o governador Zeca do PR, criou para ele mesmo. Essa herança da gestão do PT no Mato Grosso do Sul felizmente foi anulada pelo STF.

O governo do PT planta uma cortina da fumaça para encobrir a incompetência de uma presidente da República que não consegue nem começar o governo e a imprensa ainda ajuda escrevendo ficções que nada tem a ver com o que está à nossa frente.

O governo de Dilma ou do Lula, qualquer governo nessa triste saga que o PT vem conduzindo de maneira atabalhoada e incompetente, funciona de uma forma que é muito bem explicada na nomeação feita hoje do ex-vice-governador paranaense Orlando Pessuti para o Conselho de Administração do BNDES.

Até agora eles vinham enrolando o ex-governador porque o pobre do Pessuti é pouca coisa politicamente até no Paraná. Mas acontece que é do PMDB o suplente de Gleisi Hoffmann no Senado. E Sérgio Souza, o senador que entra no lugar da ministra, é muito próximo de Pessuti. Foi inclusive indicado por ele para ser o suplente.

É assim que funciona a Casa Civil do governo Dilma e do mesmo modo são conduzidos todos os procedimentos do governo. Esse negócio de gestão só acontece no mundo virtual descrito pela imprensa.
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POR José Pires

PT, um partido muito rico em dinheiro e bastante pobre em inteligência

Falei no post abaixo sobre o empobrecimento dos quadros do PT, do qual a ascenção da senadora paranaense Gleisi Hoffmann é um exemplo prático. Empobrecimento em qualidade humana, é bom ressaltar, porque grana esse pessoal tem muita. O fato é que a turma sobe rápido e por um caminho que não favorece quem gosta mesmo de trabalhar. Até mesmo a ligeira carreira do ministro das Comunicações é uma consequência da eliminação de gente competente dos quadros do partido.

E a nova ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, cresceu à sombra de Bernardo, que é seu marido, sendo que ambos viveram nos últimos 20 ou 30 anos amparados na proteção material que, no Brasil, um partido político proporciona. Estou falando do PT, mas em outros partidos não é diferente. O PSDB e o DEM, o antigo PFL, até são exemplos mais longevos dessa depauperação de quadros.

Acontece que enquanto o PT foi subindo, passando por câmaras municipais, prefeituras e estados até alcançar o governo federal, foi também elevando esta relação de dependência material entre o indivíduo e o partido, até chegar a um nível que é de dar inveja até às nomenklaturas comunistas que dominaram vários países durante anos.

Este é um processo eficiente no fortalecimento de um partido em um certo período, mas com o tempo começa a apresentar graves problemas na qualidade em recursos humanos necessários para tocar os governos. É o que já estamos vendo acontecer com o Brasil, num processo que vem antes do PT.

Mas no PT a coisa é bem grave. Neste partido geralmente o sujeito começa a vida política sob a proteção de grupos em sindicatos, ali já começa bem cedo a abandonar qualquer aperfeiçoamento na profissão. Depois do sindicato, o militante vive sempre amparado materialmente pelo partido, que o socorre com verbas eleitorais e até bocas em governos ou estatais em caso de alguma derrota política. Nessa toada, quando chega a um cargo de destaque é sempre por meio da força política proporcionada exclusivamente pela atividade partidária. Bem, com uma trajetórias dessas é difícil que alguém alcance algum objetivo sabendo fazer algo que não seja política.

O problema é que o país é que sofre as consequências dessa falta de qualidade humana entre os escolhidos como dirigentes. E não se pense que isso só está acontecendo em atividades regidas diretamente pela política. Hoje o método de se elevar não pelo mérito mas pela prática da militância atinge variadas instituições como as universidades, escolas, já é comum entre o funcionalismo concursado e contamina até empresas privadas.

E falando em precariedade de recursos humanos, dentre as manifestações sobre a queda do multiplicador da própria fortuna, Antonio Palocci, destacou-se uma opinião que também revela o nível a que chegou o PT.

Falando sobre a demissão de Palocci, o líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira (SP), soltou esta: "Em time que está ganhando, não se mexe".

Este é outro problema quando um partido começa a ter quadros cada vez mais desqualificados. Suas altas lideranças começam a fazer como os políticos do PT, que agora seguem pensadores da estirpe do histórico dirigente esportivo Vicente Matheus, aquele que dizia que "quem sai na chuva é para se queimar".
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POR José Pires

terça-feira, 7 de junho de 2011

Cai Palocci, o multiplicador de riqueza, e entra na Casa Civil uma senadora com uma rica carreira

Como já prevíamos aqui no blog, não vão tornar inimputável Antonio Palocci. Ainda não será desta vez que o já ex-ministro da Casa Civil poderá andar pelado na praça. Agora poderá se dedicar exclusivamente à sua consultoria, mas tenho a impressão de que a clientela vai minguar.

A queda do ministro trouxe a surpresa da nomeação da senadora paranaense Gleisi Hoffmann, mulher do ministro das Comunicações Paulo Bernardo. A nova ministra já começou o serviço com aquela velha lorota de que a presidente quer isso ou quer aquilo. No caso, a ministra disse que a presidente Dilma encomendou a ela "um trabalho de gestão".

Bem, primeiro é de se perguntar então quem é que vai fazer política, porque isso sabe-se de montão que Dilma não tem competência para fazer. E depois, quem foi que disse que Gleisi Hoffmann tem capacidade para o tal "trabalho de gestão"? A senadora tem tanta experiência em gestão quanto em política, ou seja, nadica nas duas. Em gestão, ela fez carreira à sombra do poder do marido. E na política fez carreira montada em muita grana.

A bem da verdade, o casal foi imensamente favorecido pela dilapidação dos quadros do PT, tanto pelas quedas causadas por escândalos de corrupção quanto na expulsão ou debandada de gente mais competente que não teve estômago para suportar a decaída do partido. E a subida de Gleisi Hoffmann agora a um posto tão alto mostra que nem raspando o tacho o PT encontra algum quadro administrativo com um mínimo de capacidade.

Mas Gleisi Hoffmann se elegeu senadora pelo Paraná e até foi bem votada, não é mesmo? Pois eu já disse aqui no blog como é que isso aconteceu. A nova ministra é aquele tipo de político que passa todo o tempo fazendo campanha. Seu grupo domina o PT no estado. Até chegar a eleição a petista fez tanta campanha fora do período eleitoral que o TRE até foi obrigado a alertar o partido para não colocar mais outdoor com a cara dela por todo o estado, como os petistas vinham fazendo.

A vitória de Gleisi Hoffmann ao Senado foi caríssima. Segundo o TSE a petista gastou só um pouco menos que o senador paulista Aloysio Nunes, o mais votado do país e que disputou a eleição em um estado com cerca de 28 milhões de eleitores, mais de três vezes superior ao do Paraná, que hoje está próximo de 7 milhões e meio.

Sua campanha arrecadou R$ 7.979.322,30, enquanto a do senador Aloysio Nunes alcançou R$ 9.193.018,50. A petista foi a oitava maior em arrecadação no Brasil. O dinheiro veio principalmente de grandes empreiteiras. Para se ter uma idéia da bufunfa que alavancou sua carreira, vale comparar com a situação econômica das campanhas dos senadores eleitos pelo Rio Grande do Sul, um estado ligeiramente acima do Paraná em número de eleitores. Ana Amélia Lemos, do PP, arrecadou R$ 2.938.952,02. O petista Paulo Paim arrecadou R$ 1.985.855,78.

Já o outro senador eleito pelo Paraná, o ex-governador Roberto Requião, arrecadou bem abaixo da metade da fortuna colhida pela mulher do ministro Paulo Bernardo. Requião ficou com R$ 3.098.943,36. A nova ministra da Casa Civil é uma mulher de sucesso, sem dúvida, mas é um sucesso estruturado em muita grana. E sempre foi assim. Na eleição para a prefeitura de Curitiba em 2008, quando teve só 30% dos votos, perdendo no primeiro turno para o atual governador Beto Richa, Gleisi Hoffmann gastou R$ 6,4 milhões.

Bem, esta é a carreira política, muito bem cevada em campanhas milionárias, mas e a gestão? Ela foi secretária extraordinária de Reestruturação Administrativa no primeiro mandato de Zeca do PT, no governo de Mato Grosso do Sul, em 1999, e depois foi secretária de Gestão Pública na administração petista da Prefeitura de Londrina, em 2001. Os cargos foram obtidos sempre na cola do marido Paulo Bernardo, que sempre teve base eleitoral em Londrina, até adquirir poder e mudar de domicílio eleitoral definitivamente.

As duas experiências petistas, em Londrina e no Mato Grosso do Sul, foram imensos desastres. Em Londrina o PT teve dois mandatos que arrasaram a infra-estrutura da cidade e deixaram um rastro de corrupção que afeta até hoje o município. É claro que a responsabilidade não é só de Gleisi Hoffmann, mas, de qualquer forma, tudo isso faz parte de seu currículo.
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POR José Pires

sábado, 4 de junho de 2011

Dando uma mãozinha para o governo do PT

Os leitores mais assíduos deste blog sabem que sempre estou pronto para colaborar com o governo do PT. Se é para o bem do Brasil, não tem problema dar uma ajudazinha, não é mesmo? Ontem mesmo passei a receita de um remédio para esta crise que esgota a saúde do governo Dilma Rousseff, com o escandaloso enriquecimento do ministro Antonio Pallocci. Bastar tornar o Palocci legalmente inimputável. Ele ainda não tem idade para ser inimputável, mas por meio de uma lei o Congresso Nacional pode fazer do ministro-consultor o nosso índio branco.

Vai ser fácil para o governo petista aprovar uma lei dessas. Tirando questões como anistia a desmatadores, eles fazem passar o que querem no Congresso. Além do mais, como o Palocci é um intermediário querido por todos, é provável que até os tucanos dêem uma mãozinha para que o ministro-multiplicador-de-dinheiro possa andar pelado na praça sem sofrer acusações.

Não tem problema de ajudar o governo do PT, repito, apesar de que a falta de contato impede que a gente contribua de forma mais eficaz para que eles não façam besteira. Também sou um bom consultor, apesar de ter apenas minhas dificuldades multiplicadas por 20 nos últimos quatro anos.

Se o Palocci me telefonasse antes de comprar este apartamentaço, por exemplo, nossa conversa seria bem rápida.
— Quer dizer que você pretende comprar um apartamento de seis milhões de reais próximo do pessoal da Folha, da Veja e do Estadão, exatamente na cidade onde esses caras tomam suas biritas e ficam xeretando na vidas das pessoas, é isso, companheiro Palocci?

Certamente Palocci pegaria de pronto o sentido desta dica numa consulta rápida e gratuita, sem a necessidade inclusive de qualquer consulta às comissões de ética ou procuradores-gerais.

Mas vamos ajudar mais. Ontem vi o Palocci no Jornal Nacional. Que a entrevista foi um desastre para ele, isto é uma constatação da qual só os companheiros petistas forçosamente discordam. Não vou dizer que Palocci está destruído por causa de uma aparição patética como foi a de ontem, afinal mais patética ainda foi aquela entrevista do então presidente Lula feita de forma amadora na França, quando ele estava para cair em razão das maracutaias do mensalão.

Mas os tucanos estão até hoje esperando ele sangrar em público. O governo do PT conta com uma oposição covarde e incompetente, como demonstra até aquela manifestação do líder tucano José Serra, ainda no início deste escândalo, naquela estranha fala sobre “variação patrimonial” e sobre ser “normal que uma pessoa tenha rendimentos quando não está no governo”. Sobre a grana alta que Palocci faturou no período em que já detinha altos segredos do governo, Serra disse também que “ele já deu as explicações e saberá dar outras”.

É desta dificuldade que seus adversários têm para fazer oposição que o PT extrai parte considerável de sua força e isso poderá se repetir neste escândalo do ministro que põe o rei Midas no chinelo.

Mas a exclusiva de ontem do Palocci ao Jornal Nacional me deu uma idéia nova. Acho que deviam fechar o Congresso Nacional. Deputados e senadores poderiam ir para casa, o que daria uma economia formidável aos cofres públicos, mas não é por isso que trago essa proposta.

É que como autoridades do governo do PT não aceitam dar satisfação sobre seus atos no Congresso Nacional, que é o foro apropriado para isso, num desrespeito flagrante aos brasileiros, e sempre saem com estas maroteiras entrevistas exclusivas para a Rede Globo, então acho que seria mais prático fechar o Congresso e ficar só com a Globo.
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POR José Pires

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Para Palocci ficar no governo, só se ele for considerado legalmente inimputável

Só tem um jeito de o ministro Antonio Palocci continuar no governo: a base aliada de Dilma tem que torná-lo inimputável. É provável até que os tucanos dêem uma força para isso. Como ele foi sempre o petista mais querido de tantos oposicionistas, um esforçozinho desses não deve pesar para ninguém.

Palocci vai ser o nosso índio branco no Planalto. Poderá despachar pelado na Casa Civil. Receberá políticos da base aliada peladão em seu gabinete. O ex- ministro Sergio Motta (o falecido trator Serjão dos tucanos, lembram dele?) dizia que, por precaução, certos políticos deviam ser recebidos numa sauna onde todos estivessem pelados. O inimputável Palocci vai poder fazer isso no próprio gabinete.

Apesar de que, pelas histórias que se conta da famosa República de Ribeirão Preto, a da mansão em Brasília onde tinha um caseiro honesto xeretando, ali em algumas ocasiões o ministro devia receber os convidados bem à vontade, não é mesmo? Mas deixa pra lá, o fato é que se tornando legalmente inimputável, Palocci vai poder passear sossegado por Brasília, pelado e com 20 milhões no bolso. Sem caseiro e nem imprensa xeretando sua vida.

Não sei se Dilma vai deixá-lo participar pelado de reuniões com ela, mas tudo se resolve. Até os índios em determinadas ocasiões largam o hábito de andar pelados. Vestem um calção de futebol e está resolvido. Isso resolve bem a situação: a reuniões com a presidente Palocci pode comparecer vestido com um calção do Ronaldo, que é mais ou menos o tamanho dele.

Então esse é o mais esperto dos articuladores do PT? O homem cheio de manha, o intermediário habilidoso foi comprar um apartamento de seis milhões de reais em São Paulo e na véspera da posse da candidata que ele assessorou desde o primeiro momento?

E foi comprar o apartamentão logo do lado da Folha de S. Paulo. Isso é que dá político se acostumar com o caráter passivo da imprensa do interior. Com o tempo acaba descuidando.

Com a saída de Palocci do governo cai mais um mito da nossa política. O quase ex-ministro-chefe da Casa Civil nunca foi mais que um intermediário ao gosto do grande capital. Fora isso, nunca passou de um político provinciano que, se nossas câmaras municipais funcionassem de fato e se existisse uma imprensa decente nas cidades do interior, o larápio teria sido brecado já em Ribeirão Preto em razão das tantas ilegalidades que praticou como prefeito daquela cidade.

Não é a primeira vez que Palocci apronta, isso o Brasil inteiro sabe. E em todas as vezes que fez isso demonstrou o espírito pequeno de um homem exageradamente valorizado só pelos serviços que presta para quem tem dinheiro. Foi por fazer a ponte entre os interesses de grandes grupos e de grandes fortunas com os esquemas governamentais do PT, com tucanos e outros oposicionistas tabelando pelo meio, que Palocci conquistou o carinho extremado de tantos. Não foi por alguma qualidade política especial, mas apenas porque faz sem nenhum pudor o serviço sujo.

Palocci servia até ao interesse dos adversários, neste eterno acochambramento que há no Brasil entre os negócios de Estado e os negócios particulares. Sabe-se lá porque, a ponte perfeita que sempre juntou tucanos e petistas foi um homem desses que era da farra orgiástica quando ocupava o cargo de ministro da Fazenda e depois foi comprar apartamento milionário na véspera de assumir a Casa Civil. Que gênio da política, não?

Quando era ministro da Fazenda de Lula, Palocci tinha a frente de si a possibilidade de realizações imensas, e nem estou falando em gestão ética e produtiva, mas de realizações dentro do jogo sem ética que se desenvolve em Brasília.

Mas o que fazia Palocci? Em vez de tocar o trabalho e ganhar o mundo com competência, o ministro levava a vida em orgias na notória mansão da República de Ribeirão Preto, onde rolavam orgias e sabe-se lá o que mais. Eu não estava lá para ver, mas em ambientes do tipo rolam drogas e fetiches dos mais variados. É provável até que por ali ele já despachasse pelado, mas tornando-se inimputável ele poderá fazer isso sem temer o falatório dos vizinhos.

Mas espera lá, sabemos que essa era a vida de Palocci, porque aconteceram coisas que levaram à revelação de tais segredos que se manteriam na sombra se não aparecesse pelos jardins da mansão das orgias um caseiro honesto chamado Francenildo.

E quantos petistas poderosos não levam uma vida parecida à de Palocci em Brasília sem que tenha aparecido nas suas vidas nem um caseiro nem nada que contasse para o Brasil que as coisas não são tão normais como todo mundo pensa?

E quantos também não acumularam fortunas parecidas com a de Palocci, uns mais, outros menos, sem marcar bobeira comprando apartamento de seis milhões de reais em ocasião inoportuna? Muitos deles, disso podemos ter certeza mesmo não tendo à mão nenhuma comprovação.

Um desses pode até ocupar o lugar de Palocci, que pode se manter mais um fim-de-semana no poder, mas vai acordar na segunda-feira contando os minutos que ainda pode suportar de pressão.

Até porque não tem condição de tornar inimputável o levado ministro. Se Palocci apronta desse jeito vestido de paletó e gravata, pode ser bem arriscado permitir que ele ande pelado por aí.
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POR José Pires

quarta-feira, 1 de junho de 2011

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Sarney agora quer trapacear a História

Então o senador José Sarney resolveu reescrever mais um capítulo da história do Brasil. Agora deu pra dizer que Collor não devia ter sofrido o impeachment. E digo reescrever mais um capítulo, pois já faz tempo que eles estão reescrevendo toda a nossa História. Lula é bastante criticado quando vem com aquela conversa mole de situar os bons acontecimentos a partir de sua subida ao poder, mas é um fato que nem isso começou com o PT e ele não é o único a tentar mudar a leitura histórica a seu favor. Toda essa politicalhada em todo o país vem já há algum tempo dando um feitio à memória brasileira que nada tem a ver com o que realmente aconteceu nesses anos todos.

Em cada cidade ou estado, dão nomes dos comparsas aos lugares públicos, comparsas atuais e comparsas que fizeram no passado algo parecido com o que eles fazem agora. Só para dar um exemplo, no Maranhão tem uma cidade chamada Presidente Sarney. Como diz a moçada: é mole? Não é não. Tem até universidade Dona Lindu, aquela pobre senhora que o filho disse ter nascida analfabeta, não tem? Pois é.

A esquerda também faz a sua parte neste embaralhamento da memória. Só para citar um caso, o mensaleiro José Genoino pode acabar passando para a História como um homem de bem amedalhado em nome do Exército Brasileiro pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim. E para merecer ser execrado Genoíno nem precisaria ter se metido na patifaria que foi o mensalão. Bem antes disso ele estava na Amazônia com um bando que pretendia transformar este país numa ditadura ao estilo maoísta, ou da Albânia, dependendo da ideologia da vez, cada uma pior que a outra.

Mas hoje o Sarney apareceu dizendo que o impeachment do ex-presidente Fernando Collor foi excluído da galeria de imagens da Casa. Nem é preciso perguntar de onde partiu a ordem para livrar a barra do agora companheiro de tretas senatoriais, não é mesmo?

A justificativa de Sarney para tirar esse que é um dos fatos mais importantes da nossa história recente é que é interessante. Primeiro ele disse que o impeachment de Collor “não é tão marcante”, o que é uma das avaliações mais estúpidas sobre este fato, e depois disse que “talvez fosse um acidente que não devia ter acontecido na história do Brasil".

Vamos à fala na íntegra: "Não posso censurar os historiadores que foram encarregados de fazer a história. Agora, eu acho que talvez esse episódio seja apenas um acidente e não devia ter acontecido na história do Brasil. Não é tão marcante como foram os fatos que aqui estão contados, que construíram a história e não os que de certo modo não deviam ter acontecido”.

O site da Folha de S. Paulo publica uma foto em que Sarney está mostrando a galeria para estudantes em visita ao Senado. Pobres estudantes brasileiros. Neste rumo, logo estarão condenando Tiradentes como um maluco que não devia ter acontecido e exaltando Silvério dos Reis como um valoroso construtor da história.

Estará ficando gagá o velho Sarney? O senador já está com 81 anos e não parece nada bem. Tudo bem, a velhice é algo natural, mas um velho velhaco é bem lamentável. E essa defesa não só do Collor, mas da eliminação de um dos nossos processos políticos mais memoráveis, nada é mais que uma velhacaria.

Ele já se saiu melhor do que isso, mesmo para defender seu grupo ou até um recém-chegado aos negócios escusos senatoriais, como é o caso do Collor. Bem, indo pelo raciocínio de que o impeachment do Collor foi um erro chegaremos à certeza de que o que o levou à presidência estava certo. E ele chegou à presidência da República xingando Sarney em praça pública.

Fugiu do eleitor
maranhense e quase
perdeu no Amapá
Sarney é uma piada. É o senador maranhense eleito pelo Amapá. Para se eleger teve que mudar o domicílio eleitoral para o Amapá, pois mesmo com o Maranhão fortemente atado ao cabresto ele não podia ter a certeza da vitória. E mesmo no Amapá, com todo o apoio do governo Lula e gastando uma dinheirama por pouco não perde a vaga para uma desconhecida.

Por isso digo sempre que não se caia na balela de que esse Congresso é representativo do que é o Brasil. Isso não é verdade. Só seria representativo se tivéssemos uma Justiça atuante, regras eleitorais que os políticos fossem obrigados a respeitar. Para que o Congresso fosse representativo do que somos teríamos também de ter partidos de verdade. E nada disso temos.

E é exatamente pela falta dessas coisas é que surgem os Sarneys. Com a política do compadrio conseguiu um bocado de coisas. E como todo bom vampiro, extrai sua força da desgraça desta pobre Nação. Falta também ao brasileiro a coragem de usar a estaca que Paulo Francis já falou há décadas. Tudo indica que Sarney será mais um ser indecente da política que só vai deixar de sugar o Brasil depois de morto.

Um escritor que está para
a literatura assim como
um Sarney está para a ética
Mas Sarney já fez coisas tão ruins quanto tentar reescrever a História. Ele escreveu livros. Só produziu literatices, mas com seu poder de fogo acabou sendo publicado por editoras de peso no mercado. Por coincidência, na semana passada eu folheava num sebo uma edição de Marimbondos de Fogo, naquela leitura crítica de alguns minutos, que ninguém é de ferro para encarar um livro de José Sarney. É da editora Siciliano, que fez uma capa com uma obra de Joan Miró. E como tudo que tem um Miró acaba ficando com um ar de sofisticação o livro ficou bonito, vistoso até. É o que se pode chamar de leviandade editorial.

Em Marimbondos de Fogo Sarney tentou fazer poesia. Uma passada de olhos no que ele escreveu dá na gente aquela vergonha pelo fiasco de alguém no palco. Num poema bem conhecido, Carlos Drummond de Andrade escreveu que enquanto o poeta municipal disputa com o poeta estadual, o poeta federal (que seria Manuel Bandeira, a quem ele dedica o texto) tira ouro do nariz. O que será que Sarney tira do nariz enquanto devaneia à espera da inspiração? Nem vou falar.

Sarney cometeu também um romance que acabou gerando uma das críticas mais formidáveis da história da nossa literatura, uma análise feita pelo Millôr Fernandes para a qual ele usou uma calculadora. Ou fez as contas no lápis, pois o bom e velho Millôr tem o jeito de saber fazer essas coisas.

Escrevi sobre isso aqui no blog em julho de 2002 num texto com o título "Brejal dos Guajas: um clássico... da crítica". Lá eu dou o link para o texto do Millôr em que ele prova na ponta do lápis que Sarney bestamente colocar mais de dez mil pessoas em duas ruas de 120 casas. Tive que copiar o texto de um livro do Millôr que tenho há bastante tempo, datilografia braba, mas vocês valem todo o esforço.

Mas por que estou falando em Marimbondos de Fogo, Brejal dos Guajas, essas coisas, se o que o Sarney fez foi teorizar sobre a reavaliação para melhor do que foi Collor para o país? Bem, tudo isso é má literatura que as editoras só publicaram pelo que Sarney representa como lobista eficiente. Foi só uma coincidência que a Siciliano tenha sido uma dessas editoras, mas é tuto cosa di buona gente, capisce? E publicar má literatura é algo tão indecente quanto defender o Collor. Sarney fica bem nos dois papéis.
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Por José Pires

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Lula azarando o próximo e lucrando com o azar alheio

O ex-presidente Lula (que se conserve assim, ó céus!) tem um tipo de sorte que só a metafísica explica. Ou seja, não se explica. Todos sabem que o chefe petista dá um azar danado aos que se aproximam dele. Na área esportiva a lista é imensa e está aí o Corinthians para comprovar que é bom ficar longe dele.

Na política, Lula também coleciona desastres à sua volta e os 40 quadrilheiros do mensalão sabem bem disso, inclusive o ex-capitão de seu time, o deputado cassado por falta de decoro José Dirceu, classificado no inquérito de mensalão que está no STF como "chefe de quadrilha".

Dirceu pode estar ganhando bastante dinheiro e ainda ter poder político, mas nos finais de tarde, talvez com um copo de um bom uísque na mão para relaxar, além da noite que cai sobre todos deve descer sobre ele o desencanto de uma vida política perdida, pois é praticamente impossível que ele suba aos cumes que estavam previstos para sua carreira política. Independente do que decidir o STF, seu destino é vagar pela planície com o estigma da corrupção grudado na sua face política.

Assim como tantos outros companheiros de Lula, Dirceu poderia ser bem mais do que é hoje. E ele sabe disso. Mas, também, muito bem feito. Quem mandou grudar no Lula. O efeito do chefão entre os petistas foi geral, da extrema-esquerda aos aproveitadores que, no final, tomaram conta do partido. Pelo país afora, são incontáveis os talentos políticos e até técnicos que foram destruídos pela proximidade com ele. Pessoas que já estavam encaminhadas para serem bons administradores públicos, vereadores, deputados, acabaram virando um nada na política ou se corrompendo de forma irremediável, muitas vezes só por pequenos cargos.

Há alguns anos, muitos anos, vá lá, ainda na época da primeira tentativa de eleição de Lula para presidente, em 1989, fiquei bastante espantado com um acontecimento numa de suas caminhadas numa cidade do interior do país. Numa carreata aconteceu um engavetamento no trânsito e alguns militantes, inclusive pessoas bem próximas de Lula, ficaram presas dentro de um carro que pegou fogo. Morreram todos numa situação de terrível desespero, inclusive com uma dessas pessoas pedindo para cuidarem de seus filhos. É de fazer um toc, toc, toc na madeira. Nunca soube de nada parecido em campanha alguma.

É claro que dei o toque na madeira e também senti um alívio por estar longe de alguém assim. Não acredito nessas coisas, mas como não dá para se apoiar em negativas científicas para um troço desses é bom seguir o conselho espanhol: pero, que las hay, hay. Carl Sagan escreveu um livro muito bom sobre esse assunto, com aquela ótima visão científica que ele expunha de forma tão clara. Mas ele sempre destacava o fato que, certeza absoluta mesmo não dava para ter. Mas, voltando ao seca-pimenteira, a única vez que apoiei o Lula foi contra Collor, naquele segundo conhecido turno, e foi um erro conforme o próprio Lula afirmou recentemente.

Minha aversão não é só pelo azar que ele espalha, é claro. Ele mesmo disse que não estava preparado na época, mas é bem mais que isso. Já naquele notório último debate, quando o vi acovardado na frente de Collor percebi que tinha errado em apoiá-lo até ali. Depois, ele próprio estimulou a mentira de que perdera a eleição por causa da manipulação da divulgação desse debate. Lorota pura. Perdeu porque foi covarde. E o pior é que parece ter se acovardado só por causa de uma pulada de cerca. O medo do rolo de macarrão da Marisa em casa pôs tudo a perder naquela noite. Não votei nele nem no segundo turno, mas isso é outra história.

Mas, voltando ao azar que ele passa aos outros na política. Dêem só uma olhada em torno dele o que sobrou. Até seu partido foi descaracterizado por completo e transformado em um PMDB de esquerda. Mas ainda lá atrás dá para citar nomes dos que se azararam de forma irremediável com a proximidade do chefe. O ex-prefeito Celso Daniel é um exemplo forte, não é mesmo? Isso sem falar no prefeito de Campinas, Toninho do PT.

No aspecto apenas político, até Leonel Brizola cometeu o erro de ficar perto demais. Em 1989, ele foi vice na chapa de Lula para presidente, na dobradinha mais tola que já se fez numa eleição brasileira. Isso foi demonstrado pelas urnas. Perderam feio no primeiro turno para Fernando Henrique Cardoso. Depois disso, Brizola não foi mais nada até sua morte em 2004. Com o descuido político impressionante ao aceitar aquele posto de vice deixou de deixou de ser uma figura central da nossa política e perdeu autoridade até em seu partido.

Até recentemente o espalha-azar pegou vítimas graúdas na sua teia de má energia. Algumas delas caíram ainda nesses dias. O Kadhafi não era amigo, irmão e líder dele? Pois é. E ainda mais recentemente e também no plano internacional, na semana passada outro desavisado naufragou depois de se lastrear com as pesadas energias do chefe petista.

No dia 16 do mês passado o chefe do governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, recebeu Lula no palácio La Moncloa, sede oficial da presidência do governo espanhol. Posaram para fotos e fizeram uma reunião sei lá para tratar que tipo de assunto. Não importa, os vinhos espanhóis são realmente muito bons, apesar de que a cara inchada do ex-presidente brasileiro na foto revela o traço dos que não sabem beber. No encontro, os dois disseram que iriam manter relações de amizade "fortes e frutíferas". Ay, ay, ay, caramba... E Zapatero sendo espanhol não conhece o ditado sobre las brujas e que já citei, o que diz que las hay, hay?

Pois há três dias o PSOE de Zapatero sofreu uma derrota história. Essa amizade entre ele e o Lula pode até se manter, mas da próxima vez Zapatero terá de receber o ex-presidente brasileiro em casa e de pijama. Brincadeira, ele não precisa se preocupar. Lula vai se esquecer dele logo, já que ficar ao seu lado não dará mais fotos na imprensa internacional.

Lula é fogo. Se lesse meu blog, Zapatero jamais ficaria do lado dele, ainda mais depois do político espanhol ter aprontado na Espanha algo parecido com o que Lula fez com os compromissos históricos do PT. Ou será que é exatamente por isso que são tão próximos? Zapatero se ajustou ao figurino conservador, que obviamente não deu resultado positivo na economia espanhola. E como o eleitor espanhol não é bobo igual a certo povo de um grande país sul-americano...


Ganhando forças
com o azar que tirou
adversários de seu caminho

Lula espalha essa terrível energia negativa. Os fatos demonstram isso, seja no esporte ou na política. Porém, esse fenômeno estranho que emana do chefe petista traz junto uma interessante característica: ele tem sorte com o azar alheio. Sei que isso é muito esotérico, mas vamos aos fatos.

Na carreira de Lula, seu sucesso veio sempre de desgraças que aconteceram na política brasileira. E não estou falando das derrotas dele sobre adversários. São acontecimentos que nada tem a ver com suas ações, mas que acabou favorecendo, e muito, sua sede de poder.

Nem vou falar do que aconteceu na política brasileira com o advento ditadura militar em 64. Foi um período de chão arrasado na política, entre o empresariado e entre os formadores de opinião. Mortes, exílio, pressões de toda ordem, com todo tipo de ação repressora a ditadura brasileira acabou com a qualidade política. É certo que se não houvesse esse violento corte de cabeças seria impossível que uma mediocridade pessoal como Lula ascenderia tão alto. Até para fazer seu papel de songamonga havia muita gente mais habilidosa antes da ditadura chegar.

Vamos deixar de lado também o estrago interno no PT. Ou dá para acreditar que se José Dirceu não tivesse sido triturado Lula teria toda essa força?

Mas depois da ditadura e ao lado do crescimento de Lula - e não só por coincidência - muitos acontecimentos foram contribuindo para que ele acabasse tendo essa importância que assumiu na política brasileira.

Alguém acredita que Lula se elegeria depois do segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso, em 2002, se em vez de enfrentar José Serra disputasse a eleição com Mario Covas, que viria de dois mandatos no governo de São Paulo com altíssima popularidade? Pois Covas morreu em março de 2001.

Lula e seu PT estariam também muito complicados se Ulysses Guimarães não tivesse morrido num acidente de helicóptero em outubro de 1992. Estava com 76 anos e gozando de boa saúde. Nada indica que o histórico líder do PMDB deixaria Lula reinar da forma que fez nos dois mandatos. Ulysses dominou até um tipo como Sarney, um político matreiro que aliás foi determinante nos dois mandatos de Lula e manda até hoje em setores muito importantes do governo do PT.

O próprio Brizola, já citado, morreu em junho de 2004. Nos últimos anos de vida o líder pedetista já estava desgostoso com Lula. Não queria nada com ele. Se estivesse vivo, dificilmente o PDT seria transformado em suco na aliança inescrupulosa que fortalece Lula e o PT até hoje.

Tem muito mais figuras centrais que desapareceram, criando espaços que favoreceram o petista. Não é muita sorte com o azar alheio? Vou citar só mais duas, mas sem esquecer o ex-prefeito Celso Daniel, que caso não fosse morto também é possível que não facilitasse a atuação de quadrilhas em torno de Lula. Não esqueçamos que tudo indica que ele foi eliminado exatamente por isso.

Mas entre as figuras que não estavam exatamente no centro da nossa política, mas que são de expressiva força, inclusive de personalidade, temos a ex-primeira-dama Ruth Cardoso e Zilda Arns. Ambas poderiam ser um estorvo e tanto para o PT tomar conta da questão do conceito de assistência social, um fator que foi essencial para a vitória de Dilma. Pois Ruth Cardoso morreu antes da eleição, de problemas de coração. Zilda Arns morreu no terremoto do Haiti, a menos de um ano da eleição.

Sei que já é o bastante para embasar esta tese que, ainda que esotérica, me parece ter condições práticas para sua aceitação. Mas agora, há dois dias tivemos uma má-notícia que certamente é excelente para Lula e seu PT. O Congresso Nacional está precisando como nunca de gente honesta, mas, mais que isso, de políticos que atuem de forma objetiva para ao menos conter a bandidagem que toma conta da República. Um que tem feito esse papel de forma admirável e em poucos meses de mandato é o ex-presidente e atual senador Itamar Franco, cuja eleição por Minas Gerais tirou inclusive um petista graúdo do Senado.

Pois Itamar, que já tem 81 anos, foi internado no último sábado com leucemia. Que Deus nos ajude — vá lá, aproveitando que estamos mesmo esotéricos — para que esse não seja mais um azar que favoreça Lula e seu PT.
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POR José Pires

terça-feira, 24 de maio de 2011

O Brasil precisa de mais "Amandas" falando com toda a sinceridade o que sentem

A partir de um de um discurso relativamente curto e com um conteúdo simples e objetivo, a professora Amanda Gurgel transformou-se em um fenômeno popular no Brasil. A fala da professora ocorreu na semana passada numa audiência pública da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte sobre a crise na educação que acontece no estado, onde os professores estão em greve por questões salariais.

O trecho gravado em que Amanda usa a palavra foi colocado na internet e daí foi para blogs e sites, transformando a professora num acontecimento de mídia.

Atualmente no Youtube estão postados mais de 700 vídeos com ela, alguns até feitos com celular no acompanhamento de entrevistas dadas a emissoras de televisão. Uma contagem rápida apenas na primeira página do site, com apenas 25 desses vídeos, já dá para verificar mais de 500 mil visualizações.

Neste domingo, Amanda apareceu no Faustão, um programa que é, de certa forma, o ápice desses fenômenos. No Faustão ela ficou 23 minutos no ar, o que significa que sua presença agradou. A audiência de programas como o dele é monitorada de segundo a segundo e quem não agrada recebe nos primeiros minutos.

A popularidade instantânea de Amanda pode ter vários motivos, entre eles o fato dela ter uma fala fluente, mas com certeza o que as pessoas devem estar gostando é da chamada de atenção (ou “pito” mesmo) que ela deu em políticos e autoridades, entre essas a secretaria de Educação do Rio Grande do Norte.

Um trecho da fala da professora certamente vive engasgado na garganta da maioria dos brasileiros: “Eu perguntaria a todos aqui, mas só respondam se não ficarem constrangidos, se vocês conseguiriam sobreviver ou manter o padrão de vida que vocês mantêm, com esse salário [R$ 995 é o salário de um professor potiguar]. Certamente não conseguiriam”.

Sobre isso, ela emenda com a explicação de que "não há como ter qualidade em educação com professores trabalhando em três turnos seguidos, multiplicando seus salários: R$ 930 de manhã, R$ 930 de tarde, R$ 930 de noite para poder sobreviver", para depois esclarecer ironicamente que esse salário "não é para andar com bolsa de marca nem para usar perfume francês".

Num país em que um político como Antonio Palocci em um período de apenas dois meses, entre a eleição de Dilma Rousseff e sua nomeação para o cargo de ministro-chefe da Casa Civil, ganhou 10 milhões (sic!) de reais em “consultorias” o nível salarial dos brasileiros de todas as profissões chega a ser tragicômico. Não é à toa que Dilma faz um esforço danado (infelizmente ajudada pela imprensa) para situar o nível de miséria no Brasil abaixo apenas de R$ 70 reais por mês. Ou seja, se o brasileiro ganha R$ 71 reais mensais já está fora da linha da miséria. É piada pronta. E de mau gosto.

A fala da professora vem em boa hora até para desconcertar um pouco este clima estranho criado no Brasil principalmente nos últimos anos de fazer de conta que a situação está andando bem para, gradativamente, irmos recebendo más notícias sobre a piora de problemas que deixam de ser enfrentados.

Em seu discurso, Amanda liga essa terrível e absurda situação dos nossos recursos humanos à dificuldade de executar qualquer plano de trabalho, seja na educação ou em qualquer outro setor (ela fala da educação, é claro), e critica a forma hipócrita dos políticos brasileiros e autoridades de várias áreas da administração pública de empurrar questões nacionais importantes com a barriga, fingindo que estão trabalhando pela solução dos problemas que encontram.

Independente de Amanda ter compromisso político com um sindicato ou mesmo algum partido, sua fala toca nos brasileiros pelo que tem de simples, que é a necessidade de uma formação política e econômica mais igualitária entre os brasileiros e também os brasileiros começarem a encarar os problemas com realismo. O toque que seu parco salário não é para comprar perfume francês e nem bolsa de grife sintetiza isso de forma clara.

O discurso que ficou famoso também agrada pelo tom de cobrança imediata para que cesse neste país a hipocrisia que os políticos implantaram na administração pública como um método. O brasileiro está cansado de lero-lero, por isso que alguém que vai direto ao ponto como Amanda acaba fazendo esse sucesso todo.

Precisamos de mais “Amandas” e para logo, pois dá a impressão de que o colapso está bem próximo no Brasil. E é claro que já temos muitas delas. Mas é preciso que soltem a voz como a Amanda potiguar, pois sem isso não dá para fazer uma Nação, não. E os nossos políticos, bem, os nossos políticos são "consultores" dos que só querem sugar o país.

Para ver a professora Amanda em vídeo, clique aqui. Se quiser ler a fala na íntegra, clique aqui. E para vê-la no programa do Faustão, mais bem cuidada e com um penteado feito para a ocasião (deve ter até botado um perfuminho especial, é claro), clique aqui.

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POR José Pires