sábado, 30 de julho de 2011

Desmentido

Cada coisa que aparece na nossa frente! Como a internet brasileira é um depositório de superficialidades, a gente procura se esquivar da maioria delas, tarefa bem difícil pois haja paciência para encontrar trigo entre tanto joio.

Agora foi a revista Playboy, que vive atrás de um furo para azeitar suas vendas. Sua última edição trouxe uma declaração da cantora Sandy dizendo que "é possível ter prazer anal".

A declaração saiu nesses dias, mas a Sandy já voltou atrás. Faz todo o sentido.
.......................
POR José Pires

Base aliada

Para o pessoal não ficar dizendo que só critico, vou dar um conselho para o governo nessa crise criada com a gatunagem do PR. Por falar nisso, esse é o partido do vice do Lula, o José Alencar, não? Isso, aquele que foi enterrado como santo.

Mas vamos ao conselho para Dilma Rousseff. Ela deveria maneirar na limeza ética, senão vai afetar com certeza a governabilidade.
.......................
POR José Pires

quinta-feira, 28 de julho de 2011

terça-feira, 26 de julho de 2011

Um lulice de Dilma sobre o Chile

Dilma Roussef segue impávida na linha que marqueteiros a convenceram a seguir. É bem verdade que segue impávida porque a imprensa aceita a farsa da imagem da presidente que assume uma atitude crítica frente à corrupção, de forma diferente de Lula. O destemor também é em razão da falta de uma oposição que lhe puxe as orelhas com rigor.

Mas, enfim, é o que Dilma faz na presidência da República, onde ela se diz espantada de estar cercada de corruptos. E se ela descobriu só agora que está no meio de uma imensa rede de corrupção, então temos mesmo que crer que é uma dos idiotas mencionados por seu ministro da Defesa, Nelson Jobim, em festa de tucanos.

Ontem, seguindo a receita marqueteira, ela disse que "o Brasil ainda tem 'um Chile' de miseráveis". A frase é daquelas que com certeza saiu de um brainstorm em reunião de publicitários. Segundo ela, embora o Brasil tenha conseguido tirar "uma Argentina da miséria" (40 milhões de pessoas), ainda resta "um Chile de miseráveis" (16 milhões).

Chega a ser engraçado. A idéia evidente com esse tipo de conversa é diferenciá-la do Lula. Mas os marqueteiros colocam em sua boca uma frase que lembram as bobajadas que Lula dizia quando era presidente, suas famosas lulices que ele continua soltando mesmo depois de deixar o cargo.

É nessas horas que argentinos e chilenos devem se perguntar o que é que eles tem a ver com o babado e as tretas e mutretas dos petistas no Brasil. Nada, é claro. É só uma frase de efeito construída por marqueteiros. E marqueteiro algum se preocuparia com as consequências externas de suas criações, desde que eles tenham o efeito central perseguido.

O problema é que Dilma não é mais uma candidata. É presidente da República, uma outra dimensão em que as palavras adquirem peso bem diferente do que quando são ditas em palanque. Podem colocar mais esta besteira na balança do mal-estar criado por petistas com países amigos. Mas por que uma pessoa vai se preocupar com Argentina e Chile, sendo de um partido que estragou até as boas relações históricas que sempre tivemos com a Itália só para abrigar aqui um criminoso, que foi o que os petistas fizeram com Cesare Batistti?

Com a estranha citação do Chile — não seria mais simples dizer simplesmente o número de miseráveis que ela acha que tem o Brasil? — Dilma faz lembrar outra menção a aquele país feita pelo Lula. Foi em conversas privadas que Lula disse o seguinte: "O Chile é uma m.... O Chile é uma piada. Eles fazem os acordos lá deles com os americanos. Querem mais é que a gente se f... por aqui".

A história é contada no livro "Viagens com o Presidente - Dois repórteres no encalço de Lula do Planalto ao Exterior", dos jornalistas Eduardo Scolese e Leonencio Nossa, livrinho que, aliás, desapareceu de vista, não é memo? O livro junta uma porção de barbaridades ditas e feitas por Lula na intimidade do poder. O insulto ao Chile teve um destaque na imprensa chilena.

Deixemos pra lá a lorota de que o Brasil tirou "uma Argentina da miséria". Isso só tem credibilidade se a gente acreditar que não passa necessidades alguém que ganha mais de cem, duzentos, ou até quinhentos reais. Mas ela diz que ainda temos "um Chile de miseráveis". Pois o problema é que temos "um Brasil de autoridades políticas".
.......................
POR José Pires

sábado, 23 de julho de 2011

sexta-feira, 22 de julho de 2011

O revisor da Bíblia

Para o ex-presidente que não desencarna é pouco reescrever a história do Brasil. Agora Lula está reescrevendo a Bíblia. Os brasileiros já sabiam que Lula é professor de Deus, mas revisor de Deus é novidade.

A reforma lulista da Bíblia começou por "essa coisa que inventaram que os pobres vão ganhar o reino dos céus", como ele diz. Isso é bobagem, ele decretou. Mas tudo indica que Lula ainda vai longe nesta copidescada na Biblia, afinal que negócio é esse de no princípio Deus criar os céus e a terra, não é mesmo companheiro? Todo mundo sabe que o PT é que veio primeiro.
.......................
POR José Pires

quarta-feira, 20 de julho de 2011

sábado, 9 de julho de 2011

Quem quer dinheiro?


Tem umas notícias que deixam muito claro a impunidade que os crimes políticos gozam no Brasil. O Ministério Público está precisando definir qual será o destino de R$ 1,7 milhão apreendidos em 2006 com os chamados "aloprados do PT". Os valores são da época. A pacoteira é uma prova substancial de que os responsáveis pelo crime são muito abonados: ninguém reclamou a propriedade da fortuna.

O apelido carinhoso de "aloprados" foi o próprio Lula quem deu. O petista disputava seu segundo mandato na época e seria sem dúvida beneficiado caso o golpe desse certo. A dinheirama seria para comprar um dossiê fajuto sobre o candidato José Serra, que disputava o governo de São Paulo.

Um golpe desses abalaria com certeza a candidatura de Serra, que arruinaria por sua vez a candidatura presidencial de Geraldo Alckmin. Ninguém tem dúvida também de que o golpe dos aloprados teria uma repercussão nas eleições em todos os estados brasileiros, beneficiando toda a companheirada pelo país afora. A eleição então seria uma baba para o PT. Em São Paulo, o beneficiado seria o atual ministro, o irrevogável Aloizio Mercadante, que disputava com Serra o governo paulista.

Mercadante é acusado de ser um dos cabeças do plano, o chefe dos aloprados em São Paulo. Nesses dias a revista Veja reencontrou um dos acusados do crime, o petista Expedito Veloso, que contou agora que a trama tinha como mentor o irrevogável Mercadante, numa aliança ocasional com Orestes Quércia, que também disputava o governo paulista pelo PMDB. Segundo Veloso, PT e Quércia racharam as despesas.

O Brasil é um país sui generis. Aqui investigações que deviam chegar num resultado pelas mãos da polícia têm todo seu desenvolvimento traçado pela imprensa, que revela os planos, desmonta cumplicidades e aponta chefões. Mas tudo acaba em impunidade, pois a polícia e a Justiça não fazem seus serviços. Aí pode ser um problema de falta de leitura também. Talvez não leiam a Veja, ou o Estadão, a Folha de S. Paulo...

E está lá a pacotaço de grana como símbolo da impunidade. São quase dois milhões de reais que seriam uma vergonha para qualquer país sério, mas no Brasil todo mundo faz de conta que não vê. Um bom uso para a dinheirama seria a compra de muito óleo de peroba para a companheirada lustrar as faces para a próxima eleição.
.......................
POR José Pires

quinta-feira, 7 de julho de 2011

E lá vai a Marina campear outro partido

E finalmente Marina Silva saiu do Partido Verde, o PV brasileiro, que nessas plagas tupiniquins é da mesma fisiologia que qualquer partideco de aluguel que o governo petista ou qualquer outro governo compra com emendas orçamentárias ou um mensalão. Digo finalmente em razão da enrolação do processo de saída e deixando pra lá a rapidez de sua estada no partido, que é um recorde ao contrário: ficou menos de dois anos no PV.

Mas Marina está ficando esperta. Desta vez demorou bem menos tempo do que teve no PT para perceber que estava em um partido inadequado para qualquer atividade que implique em decência. No PT foi preciso mais de duas décadas para que a agora sem partido sentisse nas narinas o odor que empesteava todo o país desde que Lula se elegeu presidente e ela foi trabalhar com ele.

Sei bem que nos dois casos a saída de Marina não teve outro motivo senão a ambição pessoal. Mensalão, propinas e até destruição ambiental movida por um presidente megalomaníaco e ignorante sobre qualquer processo moderno em política ou administração, nada disso contou para a saída do PT para o PV. Se Lula indicasse o dedo em sua direção na decisão da candidatura presidencial petista a história seria outra.

Mas a enrolação continua. Marina ainda não sabe onde vai, ou melhor, aonde vai, pois sua impermanência dela não parece ser apenas uma questão de destino físico.

Deve ser duro gravitar em torno de um líder desse tipo. O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, também é um desses que acredita que partido bom é aquele no qual seu interesse é privilegiado, mas pelo menos saiu do DEM já com destino certo, seu partido 171 que permite ao político ser tudo, oposição ou situação, e até mesmo sair do partido na hora que o freguês quiser.

Mas é intrigante o que passava pela cabeça de Marina quando ela embicou para o PV, um partido de notória falta de vergonha, sigla que se vende por carguinhos pelo Brasil e mesmo no governo em que Marina foi ministra do Meio Ambiente por quase dois mandatos inteiros.

Se Marina imaginava que ao chegar num ambiente desses todos os caciques se levantariam para ela ocupar o lugar, então graças a Deus (em homenagem à Marina uma ecologista evangélica) que ela não foi eleita presidente. Com esta postura, digamos assim e digamos aspado, “ingênua”, se ganhasse a eleição Marina estaria governando da mesma forma que Dilma Rousseff, tendo que comportar partido com cargos e emendas orçamentárias. Pelo que se vê, para governar Marina teria que comprar até o seu PV.

Outra questão são os verdes hoje indignados, entre eles Fernando Gabeira, que ao menos em tese estão com ela na revolta com os métodos dos caciques do PV. Que diacho de lideranças políticas são essas que querem consertar o mundo, mas têm dificuldades em fazer política interna para dar a um partido um rumo decente?

Marina está saindo do PV com apenas um deputado federal, Alfredo Sirkis, do Rio de Janeiro, que estava no partido desde que ele foi fundado. Fernando Gabeira fica no PV, apesar de ter buscado belas palavras para companheira que sai. Sirkis é aquele deputado que na votação do Código Florestal na Câmara gritava “traidor” para Aldo Rebelo, o que mostra que não é só o PV que ele não compreendia por dentro. Se Sirkis se decepcionou com Rebelo, ele nada sabe também do PCdoB ou de qualquer outro partido brasileiro.

Mas Marina segue praticamente só e imaginando que os mais de 20 milhões de votos que recebeu na última eleição são um patrimônio pessoal intransferível. Se estiver com isso na cachola, vai sofrer ainda mais do que com a decepção que teve com os caciques verdes.

Esta imagem da solidão acompanhada pelo deputado Sirkis dá uma coceira que traz à cabeça uma metáfora vagabunda que vou dispensar. O grande Quixote não merece isso. Ele não entrava em qualquer moinho. E um Quixote precisa de companheiros senão mais gordos, mas pelo menos mais honestos. Porém, Marina podia aproveitar este interregno na sua carreira até a presidência para conversar com o companheiro Sirkis sobre questões de governabilidade, a dignidade do Congresso, essas coisas.

Sei que é difícil para quem faz política temática perceber a amplidão de eventos que desembocam também na política ecológica. Em meses de crise nuclear em Fukushima, a própria Marina não produziu sequer um artigo de jornal sobre a questão. E quando ela foi ministra o governo do PT decidiu implantar mais quatro usinas nucleares por aqui. Mas enquanto Fukushima explodia, ela andava metida nas questões internas do PV. A candidata de sempre só foi acordar na votação do Código Florestal.

Porém, repito que seria bom ela conversar bastante com seu único deputado sobre questões da governabilidade.

Para adiantar o papo, já vou informando que o deputado Sirkis votou favorável ao Regime Diferenciado de Contratações, o RDC de Dilma que passa feito por um trator por cima da Lei de Licitações e instala uma farra de políticos e empreiteiros nas obras da Copa e das Olimpíadas. É um trator preparado inclusive para passar por cima de florestas.
.......................
POR José Pires

terça-feira, 5 de julho de 2011

Código de conduta

No país das mutretas o melhor que apareceu nesses dias foi o código de conduta prometido pelo governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, para corrigir a si próprio. Não é que fosse preciso isso, mas só com a queda de um helicóptero com a morte de sete pessoas foram descobertos os empréstimos de jatinhos feitos ao governador por amigos empresários e as festas luxuosas com os chapas de tantas empreitadas.

Cabral então resolveu criar um código de conduta para dar um jeito nele mesmo. Pois não precisa. Já existe este código e não é a Constituição, nem o código do Governo Federal, nem mesmo o Código Penal.

É algo muito antigo, uma proposta de um artigo único para Constituição Brasileira feita por Capistrano de Abreu, historiador brasileiro que depois virou uma rua em que eu passava muito em São Paulo.

Sua proposta é muito simples, mas daria um jeito no país se fosse aplicada: "Todo brasileiro fica obrigado a ter vergonha na cara".

Mas eu tenho muita dúvida se o governador Sérgio Cabral teria condições de respeitar essa Constituição de um artigo só.
.......................
POR José Pires

Ministro distraído

No Brasil a falta de autenticidade é algo levado muito a sério. Anota-se o que o distinto falou sabendo-se que ele não expressa de verdade o que pensa ou está fazendo de fato e publica-se, leva-se adiante. Às vezes até vira lei. No país da fancaria o que dá encrenca é ser franco. É capaz até do sujeito ser derrubado de um governo. Já imaginou se a presidente Dilma Rousseff pede uma rede nacional de TV um dia desses e diz o que todo mundo já sente, que a coisa aqui está preta?

Bem, o país anda tão fora dos eixos na discussão política que é capaz de ficarem discutindo a frase no contexto racial. Mas não é por causa do otimismo da Dilma que falei sobre autenticidade.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega foi pego pela imprensa hoje para falar sobre a fusão entre o Pão de Açucar e o Carrefour, um negócio que havia deixado bem animados vários integrantes do governo. Um pouco antes de sair do cargo, o multiplicador Antonio Palocci disse que um dos filés das suas consultorias era fusão de empresas. Pelo jeito não é só ele que gosta do negócio.

Mas o ministro Mantega foi entrevistado sobre a fusão entre as redes de supermercado e disse que não está acompanhando o assunto. Que coisa, o Brasil todo segue com atenção a negociação, afinal o resultado vai bater direto em nosso bolso não só porque podemos ter que pagar para o dono do Pão de Açucar ficar mais rico como também pagar mais quando tivermos que comprar algo na coisa monstruosa que pode sair de uma transação dessas.

Todo mundo acompanhando o negócio, menos o nosso ministro da Fazenda. E ainda diziam que autista era a irmã do Chico Buarque. Mas não tem problema, depois a gente conta pro Guido Mantega o que deu o enrosco entre os titãs das gôndolas.
.......................
POR José Pires

domingo, 3 de julho de 2011

Um adeus a Itamar Franco e sua forma de ser que vai fazer muita falta

Infelizmente o ex-presidente Itamar Franco morreu. Mas, este grande político viveu bastante, realizou tarefas importantes para o Brasil. De forma modesta, construiu as bases de uma estabilidade econômica e inclusive política sem as quais o país iria à breca. Não teve em vida o merecido reconhecimento por este feito, porém o Brasil é assim mesmo, um país que despreza de maneira doentia o passado. Não foi só com o Itamar, apesar de que, em relação ao que ele fez pelo país a injustiça acabou sendo bem grande.

Em nossa história recente dois períodos foram difíceis de governar depois da ditadura militar. Um foi após a morte de Tancredo Neves e o outro depois da queda de Collor de Mello por corrupção. No primeiro caso tivemos o fracasso de José Sarney e o segundo foi o período em que Itamar Franco recompôs a governabilidade e criou uma base segura que políticos como Sarney trabalham até hoje para destruir. E, pelo visto, com bastante sucesso.

Ao mesmo tempo em que o ex-presidente Itamar agonizava, os tucanos comemoravam os 80 anos de Fernando Henrique Cardoso. Bem, sem o Itamar Franco uma comemoração dessas teria certamente um menor peso, pelo menos em termos de façanhas econômicas.

Bem que Itamar podia ficar mais um pouquinho. Vai fazer muita falta e não só pela carência de gente digna na política, hoje um problema que está fazendo o Brasil afundar em lama e na precariedade administrativa. É claro que o Senado perde muito com sua morte. Neste sábado deve ter tido muito patife brindando a ausência desta figura que iria encrencar bastante com os esquemas corruptos naquela Casa, alinhados diretamente com o governo.

Quem teve sorte também foi o governo do PT, já na terceira edição, na qual se perdeu até o que eles piratearam do ordenamento econômico que começou com Itamar Franco. Nos poucos meses como senador, Itamar mostrou que o PT teria com ele uma oposição firme, com a calma e obstinação que os companheiros de Lula foram desacostumados por uma oposição frouxa.

Falei disso aqui no blog, analisando a cabulosa sorte às avessas do ex-presidente Lula, este notório pé-frio que azara a vida de qualquer um que se aproxime dele, mas que tem um aproveitamento impressionante da falta de sorte dos outros. E se mesmo com a lista que comprova os danos da má energia do seca-pimenteira alguém achar que é só marcação minha com o Supremo Apedeuta, lembrem o que foi feito de Antonio Palocci. Dava até a impressão de que o Midas-consultor Palocci ia se safar... foi quando Lula entrou em campo para defendê-lo.


Um sentido moral e
uma credibilidade que
vão fazer muita falta

A morte de Itamar tira de cena um político decente e uma voz com credibilidade que iria com toda a certeza ter muita importância na construção de um desvio deste destino desastroso que o PT vem construindo para o Brasil.

Para quem teve tanto poder e em tantas instâncias, Itamar Franco morreu com uma renda modesta. Era um dos poucos integrantes do Senado que dependia do salário de senador. Era um homem honesto. É claro que ter se mantido durante tanto tempo de forma honesta na política é uma qualidade imensa de Itamar, mas não deixa de ser um sintoma da decomposição moral do país que o noticiário tenha que sublinhar na história de um político o fato de ele não ter sido desonesto.

Com sua morte estão relembrando muitas histórias sobre a presidência de Itamar. Uma de destaque é aquela do dia em que o falecido senador Antonio Carlos Magalhães fez um discurso no Senado afirmando que tinha denúncias de corrupção no governo. O presidente então o convidou para levar as denúncias ao Palácio do Planalto. Quando ACM lá chegou, Itamar havia convidado toda a imprensa para acompanhar a reunião. Era mais uma bravata de ACM. O senador baiano tinha em mãos apenas recortes de jornais.

Chega a ser estranho que os brasileiros não tenham compreendido um homem que faz uma coisa dessas, num período em que o senador ACM tinha muito poder — especialmente pela sua ligação direta com a Rede Globo de Roberto Marinho — e usava suas ameaças para ocupar um lugar de destaque como maioral da política.

Sempre tive a impressão de que a má vontade que muitos tiveram com Itamar foi em razão dele viver num tempo muito particular, avesso às solenidades, ocupado com coisas simples. Isso criou antipatias inclusive com jornalistas honestos, que buscaram sempre fazer chacota do presidente que não tomava uísque com eles ou participava de qualquer outro divertimento mais quente nas frenéticas noites brasilienses.

Itamar Franco não fazia concessões a um estilo de vida que infelizmente toma conta do país, esta forma espetacular de trabalhar e ter prazer e também de fazer política, o que não era de seu gosto. E não fosse o Brasil o país dos paradoxos poderíamos até ver uma incongruência num povo que se incomoda de ter um presidente que encarou a vida de forma honesta e simple


O homem que deixou
o poder à espera para
consolar a mãe doente

Um exemplo da extrema franqueza de Itamar pode ser visto numa tentativa de piada que tentaram fazer com ele na televisão. Foi recente, um pouco antes de ele se eleger senador, num desses programas que procuram fazer humor constrangendo alguma personalidade. Neste caso, um cômico (sic) fingia ser um jornalista inexperiente.

O ator faz um papel de trapalhão na entrevista com Itamar e o ex-presidente em momento algum percebe a gozação. E lida com a situação com uma compreensão admirável. Com paciência procura ajudar o “jornalista” a desempenhar o trabalho para o qual parece ter muita dificuldade. Veja aqui o vídeo, mas depois. Agora continue me acompanhando.

Bem, a seriedade anda tão em falta ultimamente que não há estranhamento algum com a falta de protesto com uma farsa em que um ator finge ser um jornalista. Nem os próprios profissionais da imprensa se dão conta da desonestidade dessa confusão deliberada (mesmo que fosse engraçada; e não é o caso). O errado acaba sendo o Itamar Franco, com seu tempo desajustado a esses tempos ditos modernos.

O ex-presidente defendia sua privacidade de uma forma que realmente era difícil de entender numa época em que as pessoas acham que precisam ficar em contato o tempo todo com a vida de políticos e artistas, mesmo que seja em situações criadas de forma artificial e com muito mau gosto. Como eu já disse, ele vivia num tempo à parte. Depois que o corrupto presidente Collor teve que abandonar o Palácio do Planalto às pressas, Itamar, que foi seu vice como todo mundo sabe, adiou a posse para ficar ao lado da mãe, que estava enferma e acabou morrendo.

E as pessoas ficam abismadas que alguém tenha abandonado tudo para ficar ao lado da mãe doente. E dá para entender esta reação. No Brasil qual é político que não abandonaria a própria mãe para pegar o cargo que Itamar deixou à espera?

Para apontar a confusão moral que tem criado uma dificuldade danada para o brasileiro avaliar o que realmente tem importância nesta nossa passagem pela Terra, vou comparar com outro político que abandonou tudo para correr para o enterro de uma pessoa.

Foi o presidente Fernando Henrique Cardoso, que em abril de 1998 cancelou uma importante viagem que fazia à Espanha e voltou correndo ao Brasil para o enterro do deputado Luís Eduardo Magalhães (PFL, hoje DEM) que teve morte repentina. Magalhães era líder do governo na Câmara, porém, muito mais que isso, era filho do cacique político Antonio Carlos Magalhães, o mesmo ACM que anos antes saiu humilhado do Palácio do Planalto com sua pastinha de recortes de jornais e nunca mais perdoou Itamar Franco.

É claro que não havia outra necessidade da volta repentina de Fernando Henrique Cardoso, a não ser para cativar o poderoso ACM. Mas, poucos colocaram em dúvida esse gesto duvidoso.

Então ficamos assim: FHC foi um estadista por ter voltado correndo da Espanha para o enterro do filho do cacique baiano e Itamar Franco foi um maluco ao adiar a posse como presidente para ficar ao lado da mãe doente.


O dia em que Itamar deu
lição de boas maneiras e de
matemática para Gleisi Hoffmann

Poderíamos passar muito tempo lembrando as histórias de Itamar Franco e não seria nada mal, pois os episódios na sua vida não são banais, mas vamos fechar com um último lance ocorrido no Senado, que mostra de que cepa era feito Itamar.

Aconteceu entre ele e a paranaense Gleisi Hoffmann, quando a atual ministra da Casa Civil era senadora. É uma história que guarda uma moral interessante que a ministra Gleisi terá para contar aos netos como um exemplo do erro de se postar frente as outros com uma arrogância desguarnecida de conhecimento técnico e experiência de vida, neste estilo político tão próprio dos petistas.

Itamar travou um interessante debate com Gleisi Hoffmann, que defendia a alteração no Tratado de Itaipu com o Paraguai. Itamar era contra, no que penso que ele estava muito certo. Essa alteração despeja no Paraguai uma dinheirama que deverá sair pelo ladrão como o líquido de uma caixa d’água muito cheia. E não vai molhar só mãos paraguaias, não.

Mas, vamos ao debate entre a então senadora Gleisi e seu colega mineiro. Numa das vezes em que Itamar Franco falou no Senado contra a proposta do governo de aumentar em 200% o que o Brasil paga ao Paraguai pela energia gerada em Itaipu, a senadora Gleisi Hoffman o aparteou e disse que ele não entendia nada de política energética.

O ex-presidente deixou quieto o caso naquela sessão, para responder dias depois. No plenário do Senado mostrou para a senadora petista uma fórmula matemática bastante complicada e perguntou se ela sabia do que se tratava.

Gleisi Hoffmann não teve outro jeito senão dizer que não sabia. Itamar então explicou para a petista que era uma fórmula matemática criada em seu governo sobre custos para a geração de energia elétrica e a equação de reajustes futuros das tarifas. Era uma fórmula paramétrica. E não me perguntem o que é isso, pois não fui eu que falei que Itamar não entendia de energia.

O debate entre Itamar e a então senadora pode ser lido aqui. Fica o mistério não tão insondável assim sobre quem é que passava a cola para a senadora pelo celular. Itamar estranhou que tendo sido diretora de Itaipu Gleisi Hoffmann desconhecesse a fórmula. No debate, ele ainda diz que era provável que o passador de cola também não tivesse entendido a fórmula matemática.

Mas Itamar se foi e não teremos o prumo moral que ele poderia ajudar a dar ao Senado e à política brasileira. Ficará com certeza seu exemplo na condução de uma vida pública honesta, decente, realizadora, para a qual infelizmente o Brasil só terá olhos quando se elevar dessa sarjeta moral em que foi colocado. Se é que se elevará.

Para terminar, a decisão da família do falecido em evitar o cortejo fúnebre em Brasília e a cerimônia no Palácio do Planalto dá um fecho admirável a este testamento digno, simples, de uma grandiosidade humana que sempre prescindiu de qualquer pompa.
.......................
POR José Pires

quinta-feira, 30 de junho de 2011

A filha do Che Guevara e suas conversas à sombra do muro de Berlim

A imprensa brasileira publica umas coisas que não tem cabimento. A Folha de S. Paulo publica hoje uma entrevista com Aleida Guevara, uma matéria longa que o jornal disponibiliza na internet. Aleida Guevara é um daqueles fenômenos estranhos da mídia. Se formos matutar quem é essa senhora, não dá para sair do fato dela ser filha de Ernesto Che Guevara, mas lá vai a Folha publicar uma entrevista imensa com alguém que não tem absolutamente nada a dizer sobre Cuba, a não ser chavões que estão ultrapassados até na retórica de Fidel Castro.

A entrevista é um amontoado de lugares-comuns sobre o falido comunismo da ilha cubana, com bobagens que eu não lia há algum tempo, um discurso que está ultrapassado até em Cuba. Artistas de lá que sempre defenderam a revolução cubana, hoje já fazem críticas ao modelo e até se queixam da morosidade da abertura política prometida pelos dirigentes. O cantor Pablo Milanés é um desses cubanos que percebem que o modelo pifou.

Já Aleida Guevara ainda traz a velha fachada stalinista que, pelo jeito, ainda se mantém de pé em Cuba. Nisso puxou ao pai. Pessoas que se encantam com o mito do guerrilheiro romântico e até doce que muitos vêem no Che se horrorizariam se soubessem como ele era na verdade. Guevara sempre foi mais duro que Castro. No plano internacional, Fidel Castro teve maleabilidade para perceber o ponto em que findava o papel de Cuba como exportadora de revolução pelo mundo. Guevara não tinha esse discernimento e provavelmente este foi um elemento forte na sua saída de Cuba para a Bolívia, o que na prática acabou sendo um afastamento político dos novos rumos que tomava a revolução cubana.

Che Guevara é um dos mitos mais equivocados do século 20. Nada do que ele fez deu certo. Até seu papel na revolução cubana é superestimado, mas, de qualquer forma, o que ele fez depois como dirigente foi um desastre. Em 1967, quando soube onde Guevara estava, o escritor Mario Vargas Llosa, que vivera muitos anos na Bolívia, comentou sobre os problemas que o guerrilheiro encontrara no espaço geográfico que escolhera para lutar: "Não há alternativa, ou ele se deixa capturar ou morre. Está sem saída. O que ele fez é suicídio". E era um amigo que dava essa opinião. Vargas Llosa só iria romper com Cuba em 1971.

Mas falávamos da entrevista da filha do guerrilheiro. Bem, numa conversa com Aleida Guevara não dá para extrair nem o testemunho familiar sobre o pai. Ela não conviveu com ele. Fala do pai como qualquer outra pessoa encantada pelo mito estampado em camisetas.

No meio da entrevista a jornalista tentou desencavar alguma novidade sobre a estada do venezuelano Hugo Chávez em Cuba para o já se previa ser um sério tratamento de saúde, talvez de um câncer, mas nem aí foi possível dar uma levantada na conversa com Aleida Guevara. O que saiu sobre Chávez foi uma das mentiradas, entre o que ela contou sobre o processo político em Cuba — que é claro que na sua opinião é o mais democrático do mundo.

O presidente venezuelano foi para Cuba fazer uma operação de joelho, ela garantiu. E ainda aproveitou para comentar a necessidade de tempo para a recuperação de uma operação como esta. "Necessita de tempo para recuperar-se. Tem o peso do corpo...", ela disse. E a filha de Guevara ainda se apresenta como médica. Mas faltou combinar o logro com o doente.

Nem deu tempo da entrevista virar jornal de ontem. Hoje mesmo Hugo Chávez foi para a TV cubana e assumiu que está com câncer. Mais um pouco e é capaz da filha de Guevara ficar sabendo que o muro de Berlim já caiu.

Mas uma informação interessante é a razão da estada de Aleida Guevara no Brasil. Ela veio para um evento ecológico em Londrina, no Paraná. Isso eu já sabia e já andava bem temeroso que a notícia se espalhasse. Foi um evento do MST e da Via Campesina, abrigado numa universidade pública estadual.

Só faltava essa. A esquerda brasileira tem desmoralizado tantas causas importantes para a humanidade, mas até agora andava distante da ecologia, até porque o governo petista não tem nenhum compromisso real com a defesa do meio ambiente. Muito ao contrário, é um governo que se arroga um desenvolvimentismo dos mais tolos, tão indecente que acabamos não tendo de fato nem o desenvolvimento. Mas a lorota tem servido como justificativa para a destruição do meio ambiente brasileiro.

Mas como essa esquerda é uma praga, não duvido que desmoralizem também a luta ecológica. Já estão trazendo companheiros de Cuba para ajudar.
.......................
POR José Pires

terça-feira, 21 de junho de 2011

Progressistas do bem-bom

Eu sou de uma época em que ser progressista exigia mais esforço do que acontece hoje em dia. Fazer imprensa alternativa na época da ditadura militar, por exemplo, dava um trabalhão danado, além naturalmente dos riscos inerentes ao ofício de combater o governo. Esses jornais eram chamados também de imprensa progressista ou imprensa nanica, mas tanto faz o rótulo. O produto dava sempre muito trabalho.

No geral ganhava-se pouco e em algumas publicações era preciso até botar dinheiro do bolso. Hoje em dia podem até dar boas histórias aquelas madrugadas passadas em redação de jornal alternativo, mas não era nada divertido. É o caso do semanário Movimento, cuja censura-prévia exigia a feitura de duas ou três edições inteiras por semana para que fosse possível escapar uma das mãos dos censores. Daí então havia todo o trabalho da edição, até o jornal seguir para a impressão e daí para os leitores.

É bom lembrar a rapaziada progressista que nesta época os jornais eram produzidos com máquina de escrever e os desenhos, apesar da ditadura, eram feitos à mão livre. A diagramação e arte final dos jornais também só eram possíveis de se fazer do mesmo jeito. E o único modo de alguma coisa chegar a Brasília, onde era feita a censura, era dentro de um pacote enviado por avião.

Tinha também os riscos para a integridade física. Hoje dá para ver como era a coisa. Até bem próximo do final do regime, eles ainda estavam matando. As mortes de Vladimir Herzog e Manoel Fiel Filho mostram com exatidão o risco de lutar pela liberdade de expressão naqueles tempos.

Hoje, ser progressista está bem mais fácil. Nesta semana fizeram em Brasília 2º Encontro Nacional dos Blogueiros Progressistas. Para ser mais exato, auto-denominados blogueiros progressistas. Também são chamados de blogueiros sujos, o que ficou bem marcado principalmente na última eleição, mas desse nome eles não gostam. Por isso usam aquela velha tática de assumir o apelido para amenizar o estrago, mas não parece estar dando certo.

A bem da verdade, o encontro foi feito com dinheiro público, o que não combina com o adjetivo "progressista". Aliás, se o sujeito for mesmo progressista até vai concordar que o blogueiro que faz algo assim é mesmo um blogueiro sujo.

O ex-presidente Lula esteve lá, dando seu plá aos "brogueiros", como ele chama esta nova categoria de companheiros. O deputado cassado José Dirceu também compareceu. Ambos desceram a lenha na imprensa, é claro, que mais poderiam fazer num encontro de "brogueiros" progressistas?

Dirceu estava impossível. Lembrava seus tempos de dirigente estudantil, mas só no discurso, evidentemente. E, felizmente para todos, vivemos numa época em que, como já disse, está uma baba ser progressista. Fosse noutros tempos e sob uma ditadura, o companheiro Dirceu já se deslocaria até a padaria da esquina para encomendar 1800 pães, 7 quilos de queijo fatiado (fatias finas, por favor, ô português!) e 9 quilos de mortadela também fatiada, para alimentar os participantes do encontro clandestino. E aí o comandante Dirceu melava o encontro dos blogueiros progressistas, como ele fez em Ibiúna na década de 60.

Mas hoje, felizmente, existe liberdade até para criar fantasmas para dar um clima combativo num encontro de blogueiros governistas muito bem apoiados em verbas do Estado. Dirceu aventou a hipótese de um combate violento pela liberdade de expressão. A fala do ex-capitão do Lula que praticamente saiu chutado do governo sob o escândalo de corrupção do mensalão: "Se não travarmos essa batalha, ela não será travada. É hora de dar um grande salto, partir pra mobilização. Estou disposto a travar essa luta junto com vocês”.

É tudo conversa. Os blogueiros governistas são, em sua maioria, ligados de uma forma ou outra aos benefícios de governos petistas variados, inclusive o federal, e de sindicatos. Muitos recebem em seus blogs anúncios pagos de estatais. Outras facilidades financeiras também acontecem, até mesmo empréstimos tão facilitados quanto dinheiro do Banco do Brasil na mão de fazendeiro com boas relações com a bancada ruralista.

E todos agem como peixes-pilotos seguindo tubarões como Dirceu, que indicam pautas e apontam o conteúdo que cada um deve publicar. É um esquema muito bem controlado e que segue o tom que os chefões ordenam. Dá até para visualizar o organograma do esquema quando surge um assunto do interesse dos que mandam hoje no PT e no governo.

A mamata, porém, precisa ter ares de grande batalha progressista para que a tigrada se anime e também não perca a auto-estima, afinal não é nada meritório ser capacho de governo algum.
.......................
POR José Pires

quinta-feira, 16 de junho de 2011

O STF no país das maravilhas

Um estrangeiro que tenha notícias do Brasil lá em sua terra deve pensar que vivemos por aqui no melhor dos mundos. Um europeu deve ter até vontade de se mudar correndo para cá, pois país liberal como o nosso, com tantos direitos assegurados, ah, país assim não existe nem nas Oropas.

Pois o nosso Supremo Tribunal Federal (STF) passou uma tarde inteira julgando a marcha da maconha. Engraçado é que sempre que aparece alguma notícia sobre a lerdeza dos ministros para julgar processos importantes, vem a história de que todos estão assoberbados de trabalho.

Agora passaram a tarde discursando sobre a liberdade de expressão para sair na rua marchando em favor da liberação da maconha. Tem gente que perde a tarde fumando maconha, vá lá, mas o nosso STF pode passar a tarde discutindo marcha da maconha? Parece coisa de um STF que não tem nada pra fazer.

Os juízes não economizaram na empolação. "A liberdade é mais criativa que qualquer grilhão, que qualquer algema que possa se colocar no povo", disse Carmen Lúcia, que, como se vê, nesta questão da liberdade ainda está nos tempos dos grilhões. Ora, mas se é para falar em "grilhão", então podiam passar a tarde discutindo o trabalho escravo.

E o ministro Marco Aurélio Mello mandou ver: "Mesmo quando a adesão coletiva se revela improvável, a simples possibilidade de proclamar publicamente certas ideias corresponde ao ideal de realização pessoal e de demarcação do campo da individualidade”.

De onde um ministro desses do STF está falando? Quando vejo uma coisa dessas fico sempre esperando aparecer saltando no plenário do STF um coelho apressado com um relógio na mão, uma lebre maluca, um chapeleiro louco e a Alice correndo para lá e para cá sem entender nada.

Não é para um europeu ficar doido de vontade de morar num lugar desses? Mas o lado cômico é que, mesmo isolados do Brasil lá no planalto e falando para aparecer na imprensa, nossos togados paladinos da liberdade de expressão, terão depois que sair do STF muito bem escoltados. E devem morar em fortalezas muito bem seguras, é claro.

Fora do país das maravilhas do STF não temos um cotidiano com liberdades básicas asseguradas. A bem da verdade, aqui não se tem o direito nem de receber um serviço que foi pago. Marcha da maconha está liberado, mas não se pode querer tudo, certo? Alguém sensato deveria ter um pouco de pudor ao manejar discursos. E neste caso esta tarde no STF tem mesmo a ver com o assunto tratado. Parece papo de maconheiro. São apenas palavras vazias, palavrório que não se aplica. Foi só lero lero esta tarde da maconha no STF.

Eu poderia puxar várias frases do que se falou nesta tarde no STF, mas vamos ficar apenas com essas duas, já que os discursos acompanharam esse tom. Os ministros foram fundo trololó liberal. E o resultado do julgamento todo mundo já conhece: por oito a zero pode-se sair nas ruas defendendo o uso da maconha.

E isso num país em que tem gente pacífica sendo morta por defender o meio ambiente, como acontece nas regiões em que se pensa numa anistia para desmatadores que são também implacáveis matadores. Porque não anistiar logo as duas práticas? Ou então aplicar lá na Amazônia o palavrório do STF. Como é mesmo o negócio aquele negócio "realização pessoal e de demarcação do campo da individualidade". Pô, bróder com essa o Aurélio Mello matou a charada... ou será xarada? Sei lá, mano, passa o bagulho aí.

Distante desse país das maravilhas temos também o país real em que comunidades inteiras vivem sob o domínio de milícias, em comum acordo inclusive com setores da polícia. A decisão do STF, embasada em palavrório tão pomposo, vai valer também para esses cidadãos desesperados ou esse negócio de acabar com "grilhão" é só para marcha da maconha?

Digo sempre que essa piada que fizeram com o Brasil só não é engraçado porque moramos na piada. Com a decisão do STF em alguns lugares o maconheiro terá todo o direito de expressar a tal “liberdade mais criativa que qualquer grilhão”, mas não tem direito algum sobre sua vida cotidiana.

Pode ir tranqüilo para a marcha da maconha, mas nos outros assuntos tem que prestar contas pra milícia ou para o traficante. E desse respeito imposto pela força depende sua integridade física. As palavras do STF não significam nada fora do país das maravilhas dos togados.

Marcha da maconha, tudo bem. Mas tem que pagar pedágio para o bandido, a taxa do gás e da TV a cabo para a milícia e, no caso de quem vive numa condição livre de problemas desse tipo, tem que pagar o imposto para o vereador gatuno, para o prefeito ladrão, o governador corrupto e... bem, tem que pagar o imposto para o governo federal do PT.

Nem vou entrar no mérito dessa decisão do STF. Mas temos que ver o lado cômico desse país de fantasia que é apresentado todos os dias por nossas autoridades de qualquer área, pois realismo não é o forte em setor algum hoje em dia. O Brasil é um país em que não existe diferença alguma entre articulação política e pescaria.

Mas, fora desse país das maravilhas do STF, a realidade é outra: a corrupção domina a política, corroendo as estruturas do país e desmoralizando a administração pública; o crime campeia pelo país afora e a violência se instalou em nossas cidades impondo um cotidiano triste, com mortos e feridos no trânsito, em assaltos, em ataques sexuais, na eliminação física de adversários políticos, e até na destruição física pelos motivos mais banais.

A lista de barbaridades é grande, poderíamos falar de questões ambientais, da infra-estrutura do país demolida, das dificuldades na educação. Os problemas são dos mais variados. Daria bastante assunto para esta tarde no STF. Se eles não estivessem ocupados com a marcha da maconha, é claro.
.......................
POR José Pires

Perguntar não ofende, mano

Mas que com a decisão do STF tem uma pergunta que não quer calar, ah, isso tem. Agora que está liberado, o Fernando Henrique Cardoso vai na marcha da maconha?
.......................
POR José Pires

sábado, 11 de junho de 2011

Promoção

A transferência da ex-senadora petista Ideli Salvatti do ministério da Pesca (esse merece um sic: sic) para o ministério das Relações Institucionais (mais um sic: sic) é um ótimo objeto para a análise sobre a falta de quadros que sofre o PT. Ideli Salvatti subindo de posto num governo já diz tudo.
.......................
POR José Pires

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Devagar com as tendências, companheiros

Artigo de José Dirceu espalhado pela internet avisa: "Vitória de Humala confirma tendência na América Latina". A tendência de que fala o deputado cassado por falta de decoro é de — todo mundo sentado, que é para não cair com o espanto — "transformações históricas na América do Sul". A maluquice de botar América Latina no título e falar da América do Sul no texto é por conta dele. Devem pensar que é a mesma coisa, mas é melhor para o México que seja América do Sul, pois assim eles ficam livres dos vaticínios do chefe do mensalão.

Mas petista tem dessas coisas. Tudo para eles é "tendência", como se a roda da história girasse impulsionada por seus maus textos. O pior é quando metem o país em discussões que na verdade nada tem de importante. Lembram do homem do chapéu de Honduras? Pois é, quanto tempo perdido com aquela conversa.

É tendência para isso, tendência para aquilo, sempre que um cupincha ideológico deles vence alguma eleição eles vêm com essa lorota de "tendência".

E falando no assunto específico do ex-capitão do Lula que saiu chutado para fora do campo, por pouco Keiko Jujimori não leva a faixa no Peru. Se isso acontecesse a "tendência" seria qual? Bem, aí Dirceu amoitaria esse negócio de "tendência".

Outro que era uma "tendência" de transformação aqui pra baixo era o presidente da Bolívia, Evo Morales, mas parece que o cocalero se aquietou. Resolveu diversificar: agora não é só coca. Entrou no ramo de carros roubados. Anteontem ele promulgou uma lei que legaliza cerca de 200 mil carros contrabandeados para a Bolívia, a maioria roubados no Chile e no Brasil.

Morales diz que fez a lei para os pobres. Sempre é assim. Não é difícil que ainda ouçamos um dia um mensaleiro dizer que aquela grana toda era em favor dos pobres. "Todos temos direito de ter nosso carro", disse o presidente boliviano ao promulgar a lei. É a mesma conversa de qualquer ladrão de carro.

Bem, se até agora 200 mil carros roubados rodavam tranquilos por lá era porque o governo boliviano fechava os olhos para a ladroagem. Será que isso também é uma "tendência" desses governos transformadores?
.......................
POR José Pires

Afinal surge a Dilma da Dilma

Tenho a certeza de que muitas pessoas sensatas devem ter a mesma impressão que eu tenho e se perguntarem se o que ouvem é mesmo verdade, que vão convidar a ex-senadora Ideli Salvatti para o ministério das Relações Institucionais, uma pasta essencial para a articulação com a classe política e também com os partidos.

Mas parece ser isso mesmo. Na internet até já se lê a justificativa da presidente Dilma Rousseff: "Ela [Ideli] tem personalidade, tem autoridade, é firme". Parece mesmo uma avaliação da Dilma, que tem o estilo brucutu de elogiar indivíduos de uma forma que parece estar dando um pito na equipe toda. Se para nomear a Ideli Salvatti para o ministério contam essas qualidades básicas de qualquer dirigente, então parece que Dilma está dizendo que o resto da sua equipe carece dessas coisas.

Como todos sabem, gosto de ajudar o governo, por isso já voi dizendo que a idéia é uma besteira sem tamanho, ainda mas que a Ideli Salvatti está tão bem no ministério da Pesca. Já explico: lá na Pesca ninguém ouve falar dela e o melhor para o governo é que alguém como a ex-senadora desapareça de vista.

Bem, eu sou contra só porque não tenho interesse direto na questão, mas quem sabe que pode colher muita coisa no maremoto que virá se Ideli Salvatti trocar as pescarias pelo ministério das Relações Institucionais até tem que se segurar para não aplaudir aos berros.

O vice-presidente Michel Temer já deu seu apoio. "Presidente, o PMDB lhe deixa à vontade. Quem a senhora escolher terá nosso apoio", ele disse. Bem, Temer aplaudiria até se a Dilma escolhesse o Delúbio Soares. Já faz décadas que o vice-presidente, ele e seu PMDB, estão trabalhando com as circunstâncias críticas dos governos para irem se fortalecendo. Em alguns casos até empurram governantes para decisões insensatas que aumentarão o poder deles mais adiante.

E o Temer, não sei não, nada a ver com essa troca de ministros, mas dá a impressão de que ele sabe de algo mais, talvez relativo à saúde de alguém, que o tem deixado bastante tranquilo quanto a seu futuro.

Mas, voltando à Ideli Salvatti e já que falam tanto na tal "Dilma da Dilma", ela é a tal da "Dilma da Dilma", pelo menos na grosseria pessoal e numa incapacidade pessoal que brota pelos poros, o que talvez seja de fato a força de atração que junta as duas.
.......................
POR José Pires

quarta-feira, 8 de junho de 2011

A gestão do toma lá, dá cá

A leitura de sites e jornais dá na gente a impressão de que os jornalistas descrevem um mundo virtual quando falam do governo de Dilma Rousseff. E a cobertura da queda de Palocci, com a surpreendente nomeação da Senadora Gleisi Hoffmann, tem sido uma parte das mais delirantes nesta de ficção.

Acabamos tendo de ler em toda a parte algo parecido com aquela lorota do ex-presidente Lula sobre a "Dilma da Dilma", quando ele comentava sobre Dilma ter cuidado da gestão na Casa Civil enquanto ele fazia política. Bem, já dói bastante essa patada na lógica de que Dilma cuidou da gestão, ou de que Dilma cuidou de alguma coisa, quando todo mundo sabe que menos de seis meses depois dela ter passado a Casa Civil para a amiga Erenice, o então presidente Lula teve que demitir Erenice para abafar um escândalo. E o desastre que foi aquela "gestão" está aí à frente de todos, até com a volta da inflação. Nem Dilma parece estar gostando do que a "Dilma do Lula" deixou para ela.

Se alguém tivesse cuidado da gestão no governo Lula é certo que o Brasil não estaria desse jeito. E nem adianta vir com outras virtualidades, se ufanando de coisas que deviam nos envergonhar, do tipo definir como classe média uma família com renda de um pouco mais de mil reais ou dizer que alguém saiu da pobreza por ter 70 reais mensais no bolso.

Como se já não bastasse essa conversa fiada da "Dilma da Dilma" a gente ainda tem que ler sobre a "experiência em gestão" de Gleisi Hoffmann, a nova ministra da Casa Civil. Quem escreve uma coisa dessas está pensando na pujança do estado do Mato Grosso do Sul ou nas fantásticas inovações administrativas feitas em Londrina?

Londrina é hoje um desastre administrativo, em grande parte pelos caos que o PT deixou em duas administrações consecutivas. E no Mato Grossso do Sul a única novidade administrativa que chamou a atenção no plano nacional foi a aposentadoria vitalícia que o então chefe de Gleisi Hoffmann, o governador Zeca do PR, criou para ele mesmo. Essa herança da gestão do PT no Mato Grosso do Sul felizmente foi anulada pelo STF.

O governo do PT planta uma cortina da fumaça para encobrir a incompetência de uma presidente da República que não consegue nem começar o governo e a imprensa ainda ajuda escrevendo ficções que nada tem a ver com o que está à nossa frente.

O governo de Dilma ou do Lula, qualquer governo nessa triste saga que o PT vem conduzindo de maneira atabalhoada e incompetente, funciona de uma forma que é muito bem explicada na nomeação feita hoje do ex-vice-governador paranaense Orlando Pessuti para o Conselho de Administração do BNDES.

Até agora eles vinham enrolando o ex-governador porque o pobre do Pessuti é pouca coisa politicamente até no Paraná. Mas acontece que é do PMDB o suplente de Gleisi Hoffmann no Senado. E Sérgio Souza, o senador que entra no lugar da ministra, é muito próximo de Pessuti. Foi inclusive indicado por ele para ser o suplente.

É assim que funciona a Casa Civil do governo Dilma e do mesmo modo são conduzidos todos os procedimentos do governo. Esse negócio de gestão só acontece no mundo virtual descrito pela imprensa.
.......................
POR José Pires

PT, um partido muito rico em dinheiro e bastante pobre em inteligência

Falei no post abaixo sobre o empobrecimento dos quadros do PT, do qual a ascenção da senadora paranaense Gleisi Hoffmann é um exemplo prático. Empobrecimento em qualidade humana, é bom ressaltar, porque grana esse pessoal tem muita. O fato é que a turma sobe rápido e por um caminho que não favorece quem gosta mesmo de trabalhar. Até mesmo a ligeira carreira do ministro das Comunicações é uma consequência da eliminação de gente competente dos quadros do partido.

E a nova ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, cresceu à sombra de Bernardo, que é seu marido, sendo que ambos viveram nos últimos 20 ou 30 anos amparados na proteção material que, no Brasil, um partido político proporciona. Estou falando do PT, mas em outros partidos não é diferente. O PSDB e o DEM, o antigo PFL, até são exemplos mais longevos dessa depauperação de quadros.

Acontece que enquanto o PT foi subindo, passando por câmaras municipais, prefeituras e estados até alcançar o governo federal, foi também elevando esta relação de dependência material entre o indivíduo e o partido, até chegar a um nível que é de dar inveja até às nomenklaturas comunistas que dominaram vários países durante anos.

Este é um processo eficiente no fortalecimento de um partido em um certo período, mas com o tempo começa a apresentar graves problemas na qualidade em recursos humanos necessários para tocar os governos. É o que já estamos vendo acontecer com o Brasil, num processo que vem antes do PT.

Mas no PT a coisa é bem grave. Neste partido geralmente o sujeito começa a vida política sob a proteção de grupos em sindicatos, ali já começa bem cedo a abandonar qualquer aperfeiçoamento na profissão. Depois do sindicato, o militante vive sempre amparado materialmente pelo partido, que o socorre com verbas eleitorais e até bocas em governos ou estatais em caso de alguma derrota política. Nessa toada, quando chega a um cargo de destaque é sempre por meio da força política proporcionada exclusivamente pela atividade partidária. Bem, com uma trajetórias dessas é difícil que alguém alcance algum objetivo sabendo fazer algo que não seja política.

O problema é que o país é que sofre as consequências dessa falta de qualidade humana entre os escolhidos como dirigentes. E não se pense que isso só está acontecendo em atividades regidas diretamente pela política. Hoje o método de se elevar não pelo mérito mas pela prática da militância atinge variadas instituições como as universidades, escolas, já é comum entre o funcionalismo concursado e contamina até empresas privadas.

E falando em precariedade de recursos humanos, dentre as manifestações sobre a queda do multiplicador da própria fortuna, Antonio Palocci, destacou-se uma opinião que também revela o nível a que chegou o PT.

Falando sobre a demissão de Palocci, o líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira (SP), soltou esta: "Em time que está ganhando, não se mexe".

Este é outro problema quando um partido começa a ter quadros cada vez mais desqualificados. Suas altas lideranças começam a fazer como os políticos do PT, que agora seguem pensadores da estirpe do histórico dirigente esportivo Vicente Matheus, aquele que dizia que "quem sai na chuva é para se queimar".
.......................
POR José Pires

terça-feira, 7 de junho de 2011

Cai Palocci, o multiplicador de riqueza, e entra na Casa Civil uma senadora com uma rica carreira

Como já prevíamos aqui no blog, não vão tornar inimputável Antonio Palocci. Ainda não será desta vez que o já ex-ministro da Casa Civil poderá andar pelado na praça. Agora poderá se dedicar exclusivamente à sua consultoria, mas tenho a impressão de que a clientela vai minguar.

A queda do ministro trouxe a surpresa da nomeação da senadora paranaense Gleisi Hoffmann, mulher do ministro das Comunicações Paulo Bernardo. A nova ministra já começou o serviço com aquela velha lorota de que a presidente quer isso ou quer aquilo. No caso, a ministra disse que a presidente Dilma encomendou a ela "um trabalho de gestão".

Bem, primeiro é de se perguntar então quem é que vai fazer política, porque isso sabe-se de montão que Dilma não tem competência para fazer. E depois, quem foi que disse que Gleisi Hoffmann tem capacidade para o tal "trabalho de gestão"? A senadora tem tanta experiência em gestão quanto em política, ou seja, nadica nas duas. Em gestão, ela fez carreira à sombra do poder do marido. E na política fez carreira montada em muita grana.

A bem da verdade, o casal foi imensamente favorecido pela dilapidação dos quadros do PT, tanto pelas quedas causadas por escândalos de corrupção quanto na expulsão ou debandada de gente mais competente que não teve estômago para suportar a decaída do partido. E a subida de Gleisi Hoffmann agora a um posto tão alto mostra que nem raspando o tacho o PT encontra algum quadro administrativo com um mínimo de capacidade.

Mas Gleisi Hoffmann se elegeu senadora pelo Paraná e até foi bem votada, não é mesmo? Pois eu já disse aqui no blog como é que isso aconteceu. A nova ministra é aquele tipo de político que passa todo o tempo fazendo campanha. Seu grupo domina o PT no estado. Até chegar a eleição a petista fez tanta campanha fora do período eleitoral que o TRE até foi obrigado a alertar o partido para não colocar mais outdoor com a cara dela por todo o estado, como os petistas vinham fazendo.

A vitória de Gleisi Hoffmann ao Senado foi caríssima. Segundo o TSE a petista gastou só um pouco menos que o senador paulista Aloysio Nunes, o mais votado do país e que disputou a eleição em um estado com cerca de 28 milhões de eleitores, mais de três vezes superior ao do Paraná, que hoje está próximo de 7 milhões e meio.

Sua campanha arrecadou R$ 7.979.322,30, enquanto a do senador Aloysio Nunes alcançou R$ 9.193.018,50. A petista foi a oitava maior em arrecadação no Brasil. O dinheiro veio principalmente de grandes empreiteiras. Para se ter uma idéia da bufunfa que alavancou sua carreira, vale comparar com a situação econômica das campanhas dos senadores eleitos pelo Rio Grande do Sul, um estado ligeiramente acima do Paraná em número de eleitores. Ana Amélia Lemos, do PP, arrecadou R$ 2.938.952,02. O petista Paulo Paim arrecadou R$ 1.985.855,78.

Já o outro senador eleito pelo Paraná, o ex-governador Roberto Requião, arrecadou bem abaixo da metade da fortuna colhida pela mulher do ministro Paulo Bernardo. Requião ficou com R$ 3.098.943,36. A nova ministra da Casa Civil é uma mulher de sucesso, sem dúvida, mas é um sucesso estruturado em muita grana. E sempre foi assim. Na eleição para a prefeitura de Curitiba em 2008, quando teve só 30% dos votos, perdendo no primeiro turno para o atual governador Beto Richa, Gleisi Hoffmann gastou R$ 6,4 milhões.

Bem, esta é a carreira política, muito bem cevada em campanhas milionárias, mas e a gestão? Ela foi secretária extraordinária de Reestruturação Administrativa no primeiro mandato de Zeca do PT, no governo de Mato Grosso do Sul, em 1999, e depois foi secretária de Gestão Pública na administração petista da Prefeitura de Londrina, em 2001. Os cargos foram obtidos sempre na cola do marido Paulo Bernardo, que sempre teve base eleitoral em Londrina, até adquirir poder e mudar de domicílio eleitoral definitivamente.

As duas experiências petistas, em Londrina e no Mato Grosso do Sul, foram imensos desastres. Em Londrina o PT teve dois mandatos que arrasaram a infra-estrutura da cidade e deixaram um rastro de corrupção que afeta até hoje o município. É claro que a responsabilidade não é só de Gleisi Hoffmann, mas, de qualquer forma, tudo isso faz parte de seu currículo.
.......................
POR José Pires

sábado, 4 de junho de 2011

Dando uma mãozinha para o governo do PT

Os leitores mais assíduos deste blog sabem que sempre estou pronto para colaborar com o governo do PT. Se é para o bem do Brasil, não tem problema dar uma ajudazinha, não é mesmo? Ontem mesmo passei a receita de um remédio para esta crise que esgota a saúde do governo Dilma Rousseff, com o escandaloso enriquecimento do ministro Antonio Pallocci. Bastar tornar o Palocci legalmente inimputável. Ele ainda não tem idade para ser inimputável, mas por meio de uma lei o Congresso Nacional pode fazer do ministro-consultor o nosso índio branco.

Vai ser fácil para o governo petista aprovar uma lei dessas. Tirando questões como anistia a desmatadores, eles fazem passar o que querem no Congresso. Além do mais, como o Palocci é um intermediário querido por todos, é provável que até os tucanos dêem uma mãozinha para que o ministro-multiplicador-de-dinheiro possa andar pelado na praça sem sofrer acusações.

Não tem problema de ajudar o governo do PT, repito, apesar de que a falta de contato impede que a gente contribua de forma mais eficaz para que eles não façam besteira. Também sou um bom consultor, apesar de ter apenas minhas dificuldades multiplicadas por 20 nos últimos quatro anos.

Se o Palocci me telefonasse antes de comprar este apartamentaço, por exemplo, nossa conversa seria bem rápida.
— Quer dizer que você pretende comprar um apartamento de seis milhões de reais próximo do pessoal da Folha, da Veja e do Estadão, exatamente na cidade onde esses caras tomam suas biritas e ficam xeretando na vidas das pessoas, é isso, companheiro Palocci?

Certamente Palocci pegaria de pronto o sentido desta dica numa consulta rápida e gratuita, sem a necessidade inclusive de qualquer consulta às comissões de ética ou procuradores-gerais.

Mas vamos ajudar mais. Ontem vi o Palocci no Jornal Nacional. Que a entrevista foi um desastre para ele, isto é uma constatação da qual só os companheiros petistas forçosamente discordam. Não vou dizer que Palocci está destruído por causa de uma aparição patética como foi a de ontem, afinal mais patética ainda foi aquela entrevista do então presidente Lula feita de forma amadora na França, quando ele estava para cair em razão das maracutaias do mensalão.

Mas os tucanos estão até hoje esperando ele sangrar em público. O governo do PT conta com uma oposição covarde e incompetente, como demonstra até aquela manifestação do líder tucano José Serra, ainda no início deste escândalo, naquela estranha fala sobre “variação patrimonial” e sobre ser “normal que uma pessoa tenha rendimentos quando não está no governo”. Sobre a grana alta que Palocci faturou no período em que já detinha altos segredos do governo, Serra disse também que “ele já deu as explicações e saberá dar outras”.

É desta dificuldade que seus adversários têm para fazer oposição que o PT extrai parte considerável de sua força e isso poderá se repetir neste escândalo do ministro que põe o rei Midas no chinelo.

Mas a exclusiva de ontem do Palocci ao Jornal Nacional me deu uma idéia nova. Acho que deviam fechar o Congresso Nacional. Deputados e senadores poderiam ir para casa, o que daria uma economia formidável aos cofres públicos, mas não é por isso que trago essa proposta.

É que como autoridades do governo do PT não aceitam dar satisfação sobre seus atos no Congresso Nacional, que é o foro apropriado para isso, num desrespeito flagrante aos brasileiros, e sempre saem com estas maroteiras entrevistas exclusivas para a Rede Globo, então acho que seria mais prático fechar o Congresso e ficar só com a Globo.
.......................
POR José Pires