quinta-feira, 27 de outubro de 2011
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José Pires
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Um pelo outro
Como era previsível, foi demitido o ministro da tapioca. Está bem, está bem, pediu demissão o ministro da tapioca; no Brasil ministro nunca é mandado embora mesmo quando o som do pé na bunda em Brasília é escutado no país todo. No entanto, a demissão de Orlando Silva só vai fazer bem para a história da música popular brasileira. Um só Orlando Silva já está de bom tamanho para o Brasil. E o pequeno político estava fazendo um mal danado para a a glória conquistada pelo cantor das multidões.
Para a ética e o bom desempenho do ministério sua saída tem pouco significado, já que o ministério continua entre camaradas.
Mas, ao menos vai acabar aquela confusão da gente buscar no Google o cantor das mutidões e encontrar o ministro das corrupções. Estava até chato ver enlameado este nome tão ilustre da nossa cultura, mas tudo indica que esta dano será sanado. Sem poder, o pequeno Orlando Silva será jogado de vez para a faixa do baixo clero político de onde nunca deveria ter saído.
Mas, volto a dizer, com essa demissão só ganha mesmo a MPB. O ministério do Esporte continua com o partido que vem armando o esquema de corrupção desde o início do governo Lula. É o notório PCdoB, ou PCdaB, nome muito mais apropriado para uma militância que vive de boquinhas. Nomeado no lugar do camarada, o comunista Aldo Rebelo é uma das figuras centrais do PCdoB.
Há muitos anos ele detém muito poder no partido e é também um dos políticos mais experientes do país. Duvido que se faça algo no PCdoB ou em nome do PCdoB que Rebelo não saiba. É impossível que ele desconheça as maracutaias praticadas por seu camarada Orlando Silva e as variadas ONGs dependuradas no seu partido.
Se nada fez até agora contra a corrupção como líder do PCdoB e nem como representante de seu eleitorado, Aldo Rebelo é conivente. Pode ser também coisa pior.
O deputado Rebelo só muda de campo. Ajudava no jogo bruto dos ruralistas para desmontar regras de defesa do meio ambiente e agora vai reforçar o time dos cartolas. É uma mudança de campo, mas seu passe continua servindo ao mesmo tipo de interesse que destrói há tanto tempo este país.
Sua nomeação mostra que, como sempre, mudam o ministro mas não mexem no jogo. O que é também usual neste governo. E o jogo que rola no ministério dos Esportes é de deixar envergonhado até juiz ladrão.
Bem, pelo menos foi salva a honorabilidade do nome Orlando Silva. Para a memória brasileira não deixa de ser um bom acontecimento.
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quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Uma contribuição aos comunistas
Muito bem, companheiros! Para concluir o debate deixo à disposição do partido minha sugestão de logomarca para esta nova situação revolucionária que se apresenta. Não é uma proposta de mudança de objetivos. Ao contrário, a logomarca visa abarcar a contínua ampliação da estratégica colocação da nossa militância em postos de alargamento dos horizontes do socialismo.
O nome do partido continua o mesmo e a sigla histórica permanece. É o PCdoB de sempre. A nova logomarca (PCdaB, com o significado de Partido Comunista da Boquinha) deve servir apenas como uma marca de fantasia, para estabelecermos força na área do marketing, uma das invenções mais maléficas do capitalismo, mas que, no entanto, é preciso dominar até a derrocada final do capital e a instalação do proletariado no poder.
Está aí minha proposta ao partido, uma logomarca que ofereço totalmente gratuita, sem a necessidade de sequer uma tapioca. É minha contribuição voluntária ao comunismo.
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terça-feira, 25 de outubro de 2011
O perigoso partido comunista que virou piada
Pelo país afora o PCdoB vive dependurado em variadas bocas em cargos públicos onde quer que eles estejam, independente da cor partidária do prefeito ou do governador. Tampouco estão preocupados com padrões de honestidade. O importante é alojar a militância. Com as descobertas dos esquemas no ministério do esporte ficou escancarada nacionalmente a razão do apego dos comunistas da boquinha a qualquer cargo, mas isso não é novidade para quem acompanha a política nos municípios brasileiros. É difícil encontrar uma cidade onde o PCdoB não tenha sua boquinha. Onde tem o partido, os comunistas arrumam logo uma boquinha.
A capa da Época é uma boa surpresa. Hoje em dia o jornalismo tem sido feito sem criatividade e sem originalidade, de tal forma que muitas vezes é difícil até diferenciar as publicações. Os sites seguem a mesma linha de mesmice. A capa é boa também pelo uso do humor, com um acerto no uso da sigla dos militantes que só pensam em encher o bolso. É uma capa gráfica, trabalhada tecnicamente com cores chapadas. Parece pouco, mas é de se dar vivas quando o pessoal não abusa dos relevos, sombras, brilhos, aquela lambança amadorística que se faz em artes gráficas com computador.
Já surgem matérias na imprensa sobre o desconforto de antigos militantes com o que o PCdoB vem fazendo. Demorou bastante. Nem era preciso aparecer os esquemas do ministério do Esporte para alguém sentir vergonha de ter estado próximo deste partido. Desinformação não poder ser. Então foi conivência forçada por alguma oportunidade política.
Vi pelo menos um militante histórico alegar que essas notícias mancham a história do partido. E não foi só num texto que vi também a referência ao PCdoB como um partido que se comportou com "heroísmo" em nossa história.
Bem, é indiscutível que o partido teve muita gente morta pela ditadura militar, em casos que exigiriam um esclarecimento rigoroso se não tivessem acontecido num país como o nosso. Mas acho difícil que possa haver um resgate com seriedade da nossa história depois da avidez de boa parte dos esquerdistas pelas polpudas e na maior parte injustas indenizações em dinheiro.
Partido que hoje é da boquinha
foi de um stalinismo tão feroz que
até trocou a China pela Albânia
Não vejo heroísmo algum nesse partido. Ao contrário, quando na década de 70 se buscava conquistar a democracia no Brasil pela via da legalidade, o PCdoB estava na luta armada na Amazônia, com a conhecida guerrilha do Araguaia. Foi uma ação que acabou sendo providencial para as justificativas do fechamento do regime e da repressão até sobre quem nada tinha a ver com o comunismo e nem com a luta armada.
Foram cometidas atrocidades no Araguaia, disso não dá para ter dúvidas. Deveriam ser encaminhadas investigações sérias sobre este assunto. Até os militares deveriam ter esse interesse, pois se era certo o combate à luta armada promovida pelo PCdoB no Araguaia, os abusos que lá ocorreram mancham a história do Exército Brasileiro.
Mas sempre é bom lembrar e deixar firmado em nossa História que aquela guerrilha, tanto quanto todas as outras que ocorreram em nosso país, não estavam sendo feita em defesa da democracia no país. A ação armada no Araguaia podia até ser contra a ditadura militar, mas o objetivo do PCdoB era o de implantar uma ditadura militar no Brasil.
Naquele tempo o partido se guiava pelo maoísmo, o que prometia medidas duras caso obtivessem sucesso. O número de mortos pelo regime chinês chega a 65 milhões, inclusive com milhões morrendo de fome em razão de políticas econômicas absurdas impostas sem a possibilidade de discussão alguma. E era esta a ideologia que seria aplicada aqui com o sucesso da guerrilha dos comunistas.
No mesmo período da luta armada no Araguaia, o PCdoB também já discutia o rompimento com a China. O partido começava a achar brando demais o regime comunista chinês. Bandeavam-se então para o regime comunista da Albânia, o "farol do socialismo", conforme propagandeava sua militância no Brasil. A ligação com o regime comunista da Albânia era basicamente pela ligação férrea com o stalinismo. Até 1981 o líder albanês Enver Hoxha ainda estava ordenando a execução de dirigentes do partido. Quando o regime acabou em 1992 a Albânia era o país mais pobre da Europa.
Quando os militares brasileiros caíram em cima dos guerrilheiros do partido embrenhados na Amazônia foi para a Albânia que correu o dirigente máximo do partido, João Amazonas. Se o nosso passado recente tem que ser discutido, as responsabilidades históricas dos comunistas também devem ser colocadas de forma clara e verdadeira nesse debate. Existem inclusive posições muito bem fundamentadas de gente que acusa a direção de então do PCdoB de ter abandonado sua militância nas selvas.
O Partido Comunista da Boquinha já foi muito perigoso. Sua origem vem de um fato muito importante na história mundial e que marcou bastante a esquerda: a denúncia dos crimes de Stálin, feita por Nikita Kruschev. Mesmo com os próprios dirigentes soviéticos assumindo a denúncia do caráter criminoso do regime presidido por Stálin, isso não foi aceito pelos comunistas que formaram o PCdoB. O PCdoB nasceu de uma cisão provocada por esta discussão. De um lado ficaram os comunistas que formaram o PCB e do outro o pessoal do PCdoB. E até hoje o partido tem Stálin como um grande estadista. Os fatos indicam também que parecem ter uma queda também por Al Capone.
É menos perigoso agora que estes comunistas estejam mais preocupados em lutar por boquinhas. Mas sempre é bom ter a consciência de que se não tivessem sido impedidos de tomar o poder no passado teriam feito um mal para o Brasil em nada comparável com o que foi provocado pela ditadura militar. São larápios, mas sempre perigosos. E já que estamos numa época em que se fala bastante em faxina, já passou da hora desse partido ser mandado para o lixo da história.
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segunda-feira, 24 de outubro de 2011
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
A promessa de boa gestão ficou lá atrás nos palanques
Não vale a pena se estender sobre o significado de “auditoria informal”. Talvez seja uma liberdade no traje dos auditores, que seriam autorizados a fuçar nos arquivos do ministério em trajes esportivos, talvez até com uma ou outra camiseta da Seleção Brasileira, como se fosse um churrasco de fim-de-semana. Auditoria com adjetivo é novidade.
Mas espera aí, o ministério é só do Orlando Silva (ou do PCdoB, naquele estilo de “cota intransferível” de que são feitos os governos) ou é também da presidência da República?
A Folha de S. Paulo informa que Dilma mandou a Controladoria-Geral da União fazer uma varredura nas ações e contratos da pasta que foram alvo de denúncias. Pois isso mostra que o governo não tem controle algum do que se passa nos ministérios, até porque nenhuma das denúncias se refere a contratos de tostões. São sempre milhões e bota milhão nisso.
Dilma não sabe o que se passa no ministério do Esporte em contratos importantíssimos, alguns até de interesse internacional? Se precisa fazer uma auditoria quando a imprensa revela irregularidades é sinal de que não acompanha o que acontece por lá.
A situação é ainda mais estranha pelo fato de estarmos falando de alguém (Dilma e não o homônimo do cantor das multidões) com fama construída de grande gestora e que veio do gabinete da Casa-Civil.
Basta passar no site da Casa Civil para ver, na definição da competência da Pasta, que tem algo muito errado nessa conversa de uma auditoria feita às pressas pela Controladoria-Geral da União.
Todo texto sobre a competência do órgão trata do controle dos negócios públicos, mas o sétimo item é bem específico. Está lá: “VII - avaliação da ação governamental e do resultado da gestão dos administradores, no âmbito dos órgãos integrantes da Presidência da República e Vice-Presidência da República, além de outros determinados em legislação específica, por intermédio da fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial”.
Neste caso especificamente temos não só a fama de gestora de Dilma, que foi material de propaganda na campanha eleitoral e nos dois anos anteriores à eleição, quando o então presidente Lula andou pelo país todo com ela dizendo que nisso a pupila era o máximo, mas também a qualidade que tentam colar á imagem da atual ocupante da Casa Civil, a paranaense Gleisi Hoffmann.
Esta é a história que venderam. Gestão, nos palanques eleitorais se falava muito disso. Mas o que se vê é que nenhuma das duas (uma que já esteve na Casa Civil e foi para a presidência da República, outra que afirma ter feito uma revolução administrativa em Itaipu) possui o senso de organização suficiente para acompanhar de perto este e aquele ministério e também aquele outro — ou pelo menos ter o controle dos assuntos de maior importância ou de maior custo para os cofres públicos.
Dá a impressão de que em administração as duas seguem o método Edison Lobão, o nosso ministro da Energia que está lá na moita, só gastando. Logo mais pode aparecer, para surpresa das nossas gestoras, alguma coisa do lado do nosso ministro atômico. Na época em que nomeado por Lula para um ministério que cuida de assuntos dos quais ele não entende nada, Lobão argumentou com os jornalistas que isso não era problema: ele já estava se ambientando nesse negócio de energia pelos jornais.
Tanto Dilma quando Gleisi Hoffmann, cada uma em sua área de responsabilidade, só ficam sabendo pela imprensa dos desarranjos feitos pelo PCdoB na pasta do Esporte. E todo dia aparece uma maracutaia nova.
Os trambiques encontrados no Ministério do Esporte mostram que apesar de intituladas de sapiências em gestão pelos companheiros, Dilma e Gleisi não cuidam nem do básico em administração, que é conferir as notas fiscais.
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Descuidando do dinheiro público
A militância do PCdoB é aguerrida neste negócio de denúncia de corrupção. São contra. No post em que falo dessa ONG com o estranho nome de "Pra Frente Brasil" e que é recordista em ganhar dinheiro sempre está pingando um comentário anônimo me xingando.
Por causa de palavrões tive que cortar quase todas. Como pode ser visto aqui ficou apenas uma delas para mostrar como é o nível da militância.
É claro que se eu fosse um grande gestor teria de justificar a fama mandando vir para a minha mesa tudo que se refere aos, digamos assim, trabalhos dessa ONG. Faria questão de conferir a nota fiscal de cada tapioca.
Mas não é o que faz a "gestora" Dilma. E digo isso não para cumprir minha obrigação de falar mal do governo (qualquer governo, viu colegas?). São fatos. Essa mesma Pra Frente Brasil de nome tão estranho também está envolvida nas inúmeras denúncias de corrupção que aparecem novamente e não é só a Veja que diz isso.
O próprio ministro Orlando Silva foi obrigado a concordar que tem caroço nesse angu. Ou melhor, caroço na tapioca. No último domingo ele disse que vai “examinar mais uma vez os relatórios” feitos pela Pra Frente Brasil. Ele acha que podem haver “falhas” (nossa! Como se gastam aspas com este governo), mas garantiu que vai "investigar, apurar e checar todos os dados". E disse mais: "Os responsáveis serão punidos". Foi no Fantástico que o ministro disse tudo isso. E será mesmo fantástico se ocorre alguma punição.
A ONG ligada ao PCdoB foi a que mais ganhou dinheiro do Ministério do Esporte. Levou cerca de R$ 28 milhões em seis anos. A denúncia da revista Veja informa que o esquema de irregularidades no ministério teria desviado mais de R$ 40 milhões em oito anos.
Bem, se Dilma não acompanha passo-a-passo os negócios de seu governo com uma ONG que leva R$ 28 milhões, então o que é que ela acompanha?
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POR José Pires
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Kadhafi acabou sem ter pra onde correr
Num caso assim é besteira colocar ideologia no primeiro plano. Até se for o caso de agir por ideologia, essa é uma circunstância que exige atenção mais aos fatos. E o que se vê nas imagens é um Kadhafi que parece muito ferido, mas que está sendo conduzido sem violência aparente para algum lugar.
Menos hipocrisia, meus senhores. Em muitos bairros brasileiros, inclusive de grandes cidades, Kadhafi seria morto à pauladas apenas pela suspeita do roubo de um par de tênis. E também é praticamente impossível que seja feito com o ex-ditador algo pior do que ele fez com vários opositores de seu governo.
É claro que não estou propondo que relação alguma seja no olho por olho e dente por dente. Mas é tolice ou má-fé esperar que no meio de uma guerra civil seja obedecida qualquer outra regra que não seja a de eliminar o inimigo. E não se pode esquecer que foi o próprio Kadhafi quem criou durante 40 anos as condições desumanas da sua própria morte. É uma situação que provavelmente seria vista com pragmatismo até pelo espírito elevado como o de um John Doone, que escreveu aquele maravilhoso poema em que diz que "a morte de qualquer homem me diminui"
Isso tem sido feito bastante em certos blogs e alguns sites, à esquerda e à direita. É interessante ver como um caso como este acaba juntando lados políticos que no Brasil se pegam ferozmente em outras questões. E o alvo não é outro que não Barack Obama, que fez o prodígio de juntar direita e esquerda no Brasil.
À direita a desventura de Kadhafi é usada para atacar Obama e buscar favorecer o partido Republicano, pois o Brasil tem até malucos, alguns malucos até muito bem capacitados, que torcem pelo partido de Bush, Reagan e Nixon. E à esquerda Kadhafi serve também para requentar conceitos de Guerra Fria, mesmo que hoje em dia falte o lado comunista para dar base a este estranho pensamento.
A queda de Kadhafi criou uma incoerência (mais uma, eu sei) no pensamento de esquerda no Brasil. As insurreições populares lá por aqueles lados são sempre vistas como um avanço no mínimo democrático, mudanças que alguns até reputam como um rumo revolucionário para o mundo. Foi assim no Egito, onde teve gente que viu até um avanço para os direitos das mulheres. Isso até aquela jornalista americana ser estuprada pela multidão de "revolucionários".
Tem gente que vê nesses acontecimentos até uma derrocada do capitalismo, o que é um monumental exagero. Para derrubar o capitalismo em muitos países do Oriente Médio e África primeiro seria preciso implantá-lo.
Mas sobre a Líbia a visão é outra e ela não permite ver em suas brigas internas que acabaram por derrubar o regime nada que não seja só do interesse de grandes potências. É um olhar estranho: na Líbia só se vê trevas, já nos países vizinhos qualquer bando armado é um sinal de luz.
Mas, voltando ao final do regime de Kadhafi, uma olhada no mapa da Líbia que mostra por onde ele passou e onde finalmente teve seu fim, é espantoso perceber que ele não tinha para onde correr. A Argélia tem uma imensa fronteira com a Líbia, mas o ex-ditador não seria de forma alguma acolhido por lá. No vizinho Egito, então, nem pensar. É bem difícil encontrar quem acolha um homem que tem a França e (pior) os Estados Unidos como inimigos. Sempre fica na lembrança que Obama mandou pegar Bin Laden dentro de seu refúgio no Paquistão.
Nem países como o Brasil, cujo presidente dizia que Kadhafi era seu "irmão, amigo e líder". Lula disse isso na própria Líbia durante reunião da Cúpula da União Africana em julho de 2009. Pouco mais de dois anos depois Kadhafi foi morto do jeito que todos vimos.
E ninguém vai perguntar para Lula e até para Dilma Rousseff porque o governo petista não ofereceu asilo para Kadhafi, até mandando buscar de aerolula o ex-ditador caído em desgraça? Não que eu quisesse Kadhafi pegando um sol em alguma praia brasileira como faz o terrorista Battisti, mas uma pergunta dessas é o mínimo que se pede para aferir a qualidade da revolucionária diplomacia petista que tinha o ex-ditador líbio como "amigo, irmão e líder".
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POR José Pires
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quinta-feira, 20 de outubro de 2011
O último tiro em Kadahfi atinge a diplomacia petista
É o caso da tal diplomacia revolucionária, em que a estreita relação com Kadhafi foi por um tempo um suporte importante que dava um tom do interesse de Lula para se sobressair no plano internacional. Já escrevi bastante sobre isso aqui no blog. Lula chegou até a referir-se ao ex-ditador da Líbia como "amigo, irmão e líder", um exagero bem próprio de Lula, que quase sempre se deixa levar pelo próprio gogó.
Nem vem ao caso minha contrariedade com a alegada diplomacia revolucionária petista. Mas penso que é o caso de se cobrar coerência pelo menos nisso. Se Kadhafi não tivesse tido o azar de acontecer o levante em sua terra, que logo foi encampado pelos Estados Unidos, com a valiosa colaboração da França, é evidente que Lula já teria aproveitado há bastante tempo para dar uma passada pela Líbia, agora que está sem cadeira oficial no Palácio do Planalto. Já teria trombeteado suas bravatas ao lado do "amigo, líder e irmão".
Porém, com a desgraça de Kadhafi, Lula nunca mais deu um pio sobre os acontecimentos na Líbia. O ditador líbio enfrentou a adversidade com uma resistência admirável, isso tem que ser admitido mesmo pelos que não gostam de Kadhafi.
No entanto, enquanto ocorriam as batalhas na Líbia, não se viu uma atitude prática do governo petista para emprestar solidariedade à Kadhafi e tentar livrá-lo deste fim que não era inesperado. Bem, levando em consideração a efusividade de Lula quando Kadhafi detinha um poder que parecia inesgotável, coerência de fato exigiria que o Brasil mandasse tropas militares para ajudá-lo.
Considerando também a fervorosa emoção que os petistas tiveram com o gesto de Lula e a vibração da blogosfera petista com a tal diplomacia revolucionária, a intervenção militar na Líbia exigiria que houvesse no Brasil algo parecido com o que aconteceu na década de 30 quando os franquistas agrediram a república espanhola. Deveria ter-se formado por aqui brigadas internacionais para levar ajuda militar ao "irmão, amigo e líder" Kadhafi.
É assim que se faz uma diplomacia revolucionária? No primeiro revés pratica-se um recuo covarde. A relação com o governo líbio que agora leva o último tiro foi simplesmente esquecida. Sei muito bem que o tolo cumprimento fraterno de Lula era impróprio para qualquer relação política e muito mais ainda para relações entre dois países, onde não cabe esse negócio de "irmão". Mas já que foi assim, que pelo menos a palavra fosse honrada com gestos práticos.
O último tiro em Kadhafi traz uma dose muito importante de realismo que este governo deveria aplicar em sua diplomacia. É uma questão de bom senso que um governo (que, por mais que dure, sempre será transitório) nunca encaminhe o país para desafios e responsabilidades difíceis de serem sustentadas na prática.
Os abraços e o clima de fraternidade de Lula com Kadhafi poderiam ter levado o Brasil para uma situação muito dura, se fosse mesmo conseqüente a tal diplomacia petista. Está aí um caso em que dá até alívio o fato de eles serem covardes. O que nos salva é que, como muitas coisas desse governo, os inquebrantáveis laços entre o ex-ditador líbio e Lula não eram nada sério. Ao menos do lado de Lula era só no gogó, por isso houve logo o recuo covarde e o silêncio em relação ao "amigo" que passou a ser caçado pela oposição interna com a ajuda de grandes potências.
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POR José Pires
Kadhafi, o amigo, irmão e líder de Lula mata e arrebenta na Líbia
As sandices que Lula quer deixar pra trás
Cadê Lula e Chávez, os amigos de Kadhafi?
Kadhafi, mais um ex-amigo dos Estados Unidos que se vai
O nome verdadeiro do "amigo, irmão e líder" de Lula
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quarta-feira, 19 de outubro de 2011
terça-feira, 11 de outubro de 2011
O injusto pé na bunda de Rafinha Bastos
É o caso do caso do apresentador do CQC, Rafinha Bastos. O assunto até que vem durando e hoje veio com a informação de que o muito citado acabou sendo demitido do programa.
Fatos como este geralmente nunca são explicados direito. O interesse geral é esticar o assunto. Na mão de um bom jornalista e em um site com orientação editorial de mínima qualidade seria um assunto que não passaria de um único texto curto. Mas o caso vai se alongando sem que haja preocupação em tocar no essencial do fato. E nem mesmo chamam as coisas pelo devido nome.
Todos os sites dizem que o problema de Rafinha Bastos foi com uma “piada” (aspas minhas), uma fala que todos já devem estar sabendo. Num comentário rápido sobre Wanessa Camargo o “humorista” (aspas também minhas) disse que “comeria ela e o bebê”. Soube depois que a moça é cantora e está grávida. Fecha o pano, não?
Piada? É mesmo? Ele disse que "comeria" (e a afirmação foi com sentido sexual) a criança e a mãe da criança e isso foi ao ar numa rede de televisão? Pois foi assim. E ainda tem gente querendo passar por inocente nesta irresponsabilidade coletiva.
Para começar, não é correto chamar um comentário tolo desses de “piada”. Isso não é humor. No geral, a televisão brasileira é uma porcaria, mas historicamente sempre teve bons humoristas. Não é o caso desse tipo de programa que busca audiência de forma sensacionalista constrangendo artistas e políticos.
O comentário de Rafinha Bastos é apenas grosseiro e seria de pronto anulado até numa mesa de bar, onde se pode jogar conversa fora, porém sem aceitar qualquer lixo. Um cara desses está mais para espalha rodinhas do que para humorista. Por força do trabalho (ou do hábito, o que dá no mesmo) fui atrás do que ele vem fazendo e vi trechos desse negócio que agora todo mundo faz, o tal “stand up”, algo que Chico Anysio e Jô Soares fizeram há década com muita competência, mas que sempre chamaram de show.
Se for catalogado dentro do humor brasileiro, o que vi do Rafinha Bastos é uma involução. Fraco mesmo. E sempre grosseiro. Impressiona-me que alguém pague ingresso para ver esse tipo de coisa. Tem uma piada que também ficou famosa no rol de suas grosserias. Nela ele diz que mulher feia tem que agradecer se for estuprada, que é de uma falta de graça total. Noutro texto sem graça ele fica tentando fazer piada com um estado de que não me lembro o nome: a tentativa de humor consiste em repetir muitas vezes que neste lugar as pessoas são feias. É espantoso que alguém diga tamanhas besteiras e que ainda tenha quem pague para ouvir.
Mas, voltando ao caso da demissão pela fala de mau gosto. O assunto fecha no fato de que não é a primeira vez que o tal Rafinha Bastos apronta uma grosseria, mas enquanto deu para faturar a direção do programa e da Rede Bandeirantes foi explorando a popularidade do apresentador. A bem da verdade, a direção da TV só acordou para a dimensão do problema bem tarde.
Será que na emissora não tem alguém que veja problema num absurdo desses de "comer a mãe e a criança" sem precisar esperar a indignação geral?
Dizem que a besteira saiu ao vivo. Não sei, não assisto ao programa e até pensei que tudo seria gravado. Mas, no vídeo que está na internet o âncora do programa, Marcelo Tass, teve apenas uma reação boboca quando Rafinha Bastos falou a barbaridade. Tass já está bem velhinho para discernir na hora o que pode dar problema, não?
E se não tiver essa habilidade, não serve para ser o apresentador responsável pelo tom de um programa metido a engraçado. Tass não fez de imediato nenhuma condenação à grosseria, ele que tentou passar como um homem de espírito liberal no episódio da entrevista polêmica do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ).
O caso Rafinha Bastos é muito simples. Ele disse uma grosseria que em muitas mesas de bar seria uma boa justificativa para expulsá-lo do bar e dependendo da turma isso poderia ser feito até aos tapas.
A demissão de Rafinha Bastos foi injusta. Mas só porque toda a equipe do programa não recebeu também um pé na bunda.
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POR José Pires
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José Pires
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segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Ajuda estrangeira
Não é improvável até que um ou outro lembre em forma de piada que o último grande amigo da diplomacia brasileira foi Muammar Kadhafi, que era tratado pelo ex-presidente Lula como "amigo, irmão e líder". Alguém se lembra disso? Deve ter líder estrangeiro que não esquece de bobajadas desse tipo da diplomacia do mestre da Dilma. E caso o líder esqueça, sempre existirá um assessor colocar isso num briefing como recordação.
Nenhum petista vai mandar ajuda ao "amigo, irmão e líder", nem para evitar a desmoralização da diplomacia lulista? Antes de dar uma mão para a Grécia ou Portugal seria melhor dar uma força para o Kadhafi. Bem, mas acho que a ajuda ao irmão Kafhafi deve ficar mesmo por conta apenas da blogosfera petista que de vez em quando solta uma nota a favor de Kadhafi e em condenação ao "imperialismo" que quer se apossar dos tesouros da Líbia.
Na verdade, na relação entre o Brasil e os europeus o que ajuda muito é o Oceano Atlântico. Calma, já explico. O que você acham que seria da Europa hoje se não existisse essa imensa barreira de água entre os dois continentes? É claro que a Europa estaria tomada de brasileiros, que entrariam por todos os lados. Os europeus teriam de aturar mais brasileiros imigrantes do que suportam de africanos hoje em dia.
E o comparativo não é para diminuir brasileiros ou africanos. Eu poderia falar até em argentinos, mas deixemos os hermanos lá em seu canto com sua soberba. Mas penso que não deve haver dúvida de que qualquer país estrangeiro vai melhor sem a ajuda de brasileiros ou africanos. Até uma prova em contrário, que deve levar décadas para ser construída, esses povos têm que mostrar serviço primeiro em seus próprios países.
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POR José Pires
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José Pires
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De bate pronto
Bem, se o ônibus é de milionário e de rico é óbvio que não vai dar em coisa alguma.
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POR José Pires
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quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Uma regra para entender os economistas
No primeiro caso a mentira é sempre para cima e no segundo a mentira é para baixo. Diminua o primeiro e aumente o segundo, que é capaz de você chegar próximo do que pode ser a realidade.
Dá a impressão de que o economista nunca está interessado na substância que dá os números que estão sendo analisados. Suas projeções raramente observam esse dado simples. É claro que esse discurso insustentável contagiou a política e, por extensão, os dirigentes públicos.
Esta dificuldade em ver de forma simples as conseqüências de qualquer organização econômica pode ser sentida em várias propostas que contribuíram para tazer o país para essa desgraça econômica da qual dificilmente sairemos em pelo menos duas décadas, se depender dos resultados educacionais, industriais, da área de tecnologia, ou de qualquer outro tipo de ação prática relacionada à infra-estrutura.
Alguém se lembra da tal de “reengenharia”. Pois é, teve uma época no Brasil em que isso foi mais aclamado que o Chacrinha dado bacalhau para sua platéia. Ou, para usar um exemplo atual, o Silvio Santos ganhando um belo bacalhau do governo depois dele conseguir falir um banco neste país.
Quando os economistas vieram com aquela onda de otimismo da "reengenharia" (vamos manter as aspas nesta palavra especial), era muito triste, mas não por isso menos interessante, observar a satisfação das pessoas enquanto metódicamente eram destruídos recursos humanos que levaram muitos anos para serem criados.
Como eu sempre desconfiei de lições que não pregam o trabalho duro e o aprofundamento no estudo e na feitura das coisas e também como via à minha volta equipes sendo desmanteladas e profissionais da mais alta qualidade e experiência saindo de cena em várias atividades, senti logo que havia uma altíssima picaretagem em andamento.
Foi a época em que um "consultor" (cabe também aspasnesta outra palavra também muito especial) falando com um vocabulário de livro de auto-ajuda chegava numa firma e cortava do bom e do melhor de seus recursos humanos, debaixo do aplauso idiotizado de seus dirigentes, que muitas vezes eram os donos da empresa que estava sendo destruída, e muitas vezes parabenizados até pelos profissionais que caíam foram.
Foi uma época em que até uma das maiores desgraças para um trabalhador, que é a demissão, passou a ser vista como um benefício no mercado de trabalho. Com um adjetivo bacana, “demissão voluntária”, o processo era tentador. Você era demitido e podia construir seu próprio negócio e progredir muito, talvez até ficar rico. Quem podia resistir a uma proposta boa como essa?
Bem, uma das primeiras vezes em que ouvi de um empresário esta excelente receita, disse a ele que era provável que na sua empresa ele perdesse todos os bons profissionais — mais produtivos na empresa, mas que naturalmente aceitariam a demissão, pelo fato de serem pessoas mais destemidas — e ele ficasse com todos os profissionais acomodados e improdutivos.
O empresário me olhou de uma forma que pareceu entender a questão, mas logo seguiu com sue reengenharia. Desconfio até que ele suspeitou que eu estivesse me incluindo entre esses profissionais mais produtivos só para escapar da degola voluntária.
Naquela época, praticamente toda a imprensa passou a falar naquela linguagem de auto-ajuda. Um exemplo significativo do resultado desse ensandecimento coletivo foi a cobertura da revista Exame, especializada em economia. Durante um período de quase uma década esta revista deu várias capas sobre as maravilhas da "reengenharia", para depois fechar o assunto em uma matéria de capa memorável em que informava que só sobraram no mercado as empresas que não seguiram aquela receita.
Bem, salvaram-se exatamente os empresários que avaliaram para baixo o otimismo trazido pelos economistas com a tal de "reegenharia" e elevaram as precauções quanto aos riscos da excelente receita.
Mas o que os economistas andam dizendo agora que a marolinha do ex-presidente Lula ficou para trás na propaganda política e deu lugar à crise sistêmica para a qual nunca nos preparamos?
Hoje vi uma informação muito séria, vinda do banco JP Morgan. Para eles existe a probabilidade em 62% da repetição de uma crise com a mesma severidade do colapso do banco Lehman Brothers em 2008. O que a matéria que saiu na Folha não diz é que essa batida deve vir num mercado mundial já combalido inclusive psicologicamente, o que não ocorria em 2008.
Ou seja, para se preparar para o que pode vir por aí tem que ser aplicada a regra para mais nesta onda de pessimismo vinda dos economistas do banco JP Morgan, o que pode levar esses 62% bem pra perto do 100%.
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segunda-feira, 26 de setembro de 2011
Conferindo a produção
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terça-feira, 13 de setembro de 2011
Coisa de louco
Aqui o absurdo não só é contemplado socialmente como pode até passar a ser visto como uma normalidade. É o país em que o larápio político flagrado pela polícia se defende de imediato dizendo que "foi só um caixa dois". Estamos onde o louco que grita mais vira dirigente do hospício.
Já vimos isso no mensalão, um esquema que teria dado cadeia praticamente imediata se tivesse sido descoberto em um país decente, mas que aí está sendo levado com tanta lentidão que permite até que seja composto um tribunal que pode ser mais leniente com os larápios.
É fogo agüentar a imensa rede de corrupção que surge todos os dias de forma fantástica no noticiário, como fábulas políticas das quais o mensalão é um exemplo que até parece literatura fantástica, mas aqui não se pode dizer nunca que já se viu tudo. Não se deve nunca perguntar no Brasil aonde vamos parar. Nesta terra a construção de absurdos tem sempre um horizonte imenso pela frente.
Hoje apareceu a notícia de que os advogados da promotora Deborah Guerner, acusada de envolvimento no esquema de pagamento de propina no governo do Distrito Federal revelado em 2009, pediram à Justiça a restituição de R$ 280 mil que a Polícia Federal apreendeu na casa dela.
Até aí tudo bem. Com tanta ladroagem denunciada na política sem que o dinheiro roubado seja restituído aos cofres públicos, por que haveria algum espanto de haver uma devolução como esta?
Mas acontece que o dinheiro apreendido pela PF foi descoberto em um cofre que estava enterrado no quintal da casa de Debora Guerner. Isso mesmo, podem voltar ao início da frase conferir se leram direito, mas vou repetir: o dinheiro estava em um cofre enterrado em um cofre no quintal.
O advogado da acusada garante que o dinheiro tem origem lícita e servirá para pagar os custos do tratamento psiquiátrico de sua cliente.
O pedido já foi protocolado na semana passada e acho que ninguém deve se espantar se for mesmo devolvida a bufunfa que estava enterrada em um cofre no quintal. É melhor deixar isso pra lá e tentar se equilibrar psicologicamente. Não adianta pirar com tudo isso que vem acontecendo. Até porque, apesar de ser normal no Brasil guardar quase 300 mil reais enterrados num buraco, não temos tudo isso em nosso quintal para pagar custos de um tratamento para manter nossa saúde mental.
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quinta-feira, 8 de setembro de 2011
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Palanque armado nos bastidores para o TCU
Não vou me deter no mérito da capacidade da deputada para ocupar um cargo de controle de contas, porém é preciso dizer que apenas com essa disputa é que o Brasil ficou sabendo que Ana Arraes é deputada. Com todos esses escândalos de corrupção e de gastos indevidos que o Brasil vive nos últimos anos, não se sabe de palavra alguma de Ana sobre o tema, mesmo que fosse uma frase solta no noticiário.
Nesta semana se noticia que a conquista da vaga já tem o apoio de tucanos e petistas. Bem, novamente sem julgar a candidata, quando esses primos se juntam, para coisa boa não é.
Tanto no plano federal como no âmbito dos estados, os tribunais de contas são daquelas jabuticabas brasileiras que surgiram para ocupar os espaços da ineficiência de outras instituições, mas só contribuem para alargar estas imensas áreas de fiscalização e controle em que nada acontece no Brasil.
No plano federal, basta ver o imenso rol de obras superfaturadas e até que são pagas sem jamais serem concluídas, para avaliar que serventia tem o TCU. E nos estados, as contas de governadores com os mandatos mais desavergonhados são aprovadas sem nenhum pudor.
Os juízes dos TCEs são nomeados pelos governadores, com a aprovação dos deputados estaduais. Com a qualidade da representação política que temos hoje no país, é muito difícil que exista em algum estado um tribunal desses que cumpra de fato com sua função.
O jornal O Globo conta que parlamentares bem próximos de Lula já declaram simpatia à Ana. O deputado Devanir Ribeiro (PT-SP) disse que ainda não recebeu pedido do ex-presidente para apoiar a candidata, mas pelo que se vê já está no caminho. E todos sabem qual é a visão de Lula sobre a fiscalização de contas públicas.
Indefectível em qualquer jogada política, o senador Aécio Neves (MG) se juntou a seu braço direito, o deputado Sérgio Guerra (PE), e os dois já deram as caras na negociação para o cargo do TCU. Neves, como se sabe, segue com sua campanha perpétua para a presidência da República. Os jornais revelam que Guerra procura estabelecer uma relação próxima com o filho da candidata, o governador Campos, para melhorar sua chance de voltar ao Senado em 2014, por Pernambuco.
Sérgio Guerra é o presidente do PSDB, cargo que ocupou também no ano passado quando o candidato de seu partido à presidência da República, José Serra, alcançou com um formidável espírito de luta quase 50% dos votos em todo o país. Serra perdeu em todos os municípios do estado que é base eleitoral de Guerra, que teve que fugir da reeleição para senador e se refugiar numa candidatura mais fácil para deputado federal.
O governador pernambucano Campos, filho da candidata ao TCU, tem sido o implacável destruidor da carreira política do deputado Guerra em seu estado Natal. E agora, Guerra, tendo ao lado o indefectível Aécio Neves, procura obter por meio de transação política de bastidores o que não teve capacidade de conquistar com qualificação política em eleições abertas.
A atitude desses políticos em relação à candidatura de Ana Arraes mostra de forma eficiente o sistema de composição do TCU e de tribunais estaduais do mesmo tipo. Mesmo se a invenção fosse boa, com essa forma de avaliação e apoio aos candidatos, não tem tribunal que dê certo.
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segunda-feira, 5 de setembro de 2011
O outro lado do flagra em José Dirceu
É claro que os graúdos sabem muito bem o que estão fazendo. E são bem pagos para isso. Lá estão a rodar em seus blogs e sites os anúncios de estatais e do próprio governo para mostrar que a deformação da realidade é um meio de vida. Mas o mais interessante é observar aqueles que estão no assunto sem atentar para a manipulação.
Fico até impressionado que ninguém tenha estudado ainda este estranho ambiente. Nas seções de comentários é possível ver de perto o que o fanatismo faz com as pessoas. Depois que uma “verdade” é apontada do alto não tem como convencer do contrários os crentes. Nas seções de comentários qualquer um que procure debater de fato o assunto é logo tachado de “troll”.
Não me parece ser uma fórmula boa para chegar a um bom conteúdo numa discussão e muito menos acredito ser possível aprender qualquer coisa agindo com todo esse dogmatismo. E o conteúdo desses blogs, sites e até das revistas que seguem o mesmo comportamento, bem, o conteúdo de cada um comprova que a fórmula não serve para oferecer um bom produto ao leitor.
Este é um ponto importante dessa discussão, até porque o flagra em Dirceu feito pela Veja levou até o próprio partido a destacar o assunto em sua pauta. Será que a liderança petista não compreende que está emburrecendo seus próprios quadros com esta condução sectária e nada profunda do debate político? Pois não entendem. Daí essa falta de qualidade no governo e os produtos nada interessantes que eles trazem para a sociedade.
E notem os petistas que não estou falando sobre concordância política. No caso dos produtos, o ponto que me interessa é o da qualidade essencial para atrair a atenção das pessoas. E na questão da governabilidade o fato é que sempre fica mais difícil fazer um bom governo com uma massa partidária que vai gradativamente sendo emburrecida por espertalhões que nada sabem sobre qualquer necessidade técnica, além das mumunhas que os favorecem.
É também uma forma estranha de fazer política. Todos afirmam a mesma coisa e consentem sobre quem é o mocinho e o bandido da história. O mocinho sempre está do lado deles, é claro. Sim, porque aquela história dos dois lados numa notícia funciona muito para este pessoal. Tem o lado deles, que é o certo, e o dos outros, que sempre é o lado errado.
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Os exageros na dor por um José Dirceu bem de vida
O efeito é dos piores para Dirceu, mas também ele não ajuda. Ou melhor, ajuda muito quem pretende fazer da sua figura uma capa com ares de suspeição. A capa da Veja é perfeita nisso, mas cá entre nós, com uma figura como Dirceu não é preciso muito esforço do editor.
Para ao menos amenizar os danos a blogosfera petista se movimenta. O próprio deputado cassado deu o tom logo que a reportagem foi anunciada. Já com uma semana da edição da revista é possível ver que a reação comandada por Dirceu não saiu do círculo de interessados em sua defesa.
Entre os petistas, o que o caso trouxe foi uma enormidade de absurdos mascarados como se fossem análises lógicas do fato. Mas isso ocorre sempre neste meio. Os absurdos retóricos vêm dos graúdos e se espalham pela rede governista na internet. Muitos desses exageros são repetidos como verdades absolutas pela militância.
Não sou eu que vou me preocupar com a sobrevivência política de gente que adota essa conduta, mas costumo pensar se esses líderes não percebem que estão criando uma cultura de baixa qualidade entre os seus. As interpretações que espalham podem até trazer benefícios políticos práticos e de curto prazo, mas será isso compensa o estrago cultural e até mental que isso causa entre seus aliados?
Um desses absurdos que transita na internet veio de Ricardo Kotscho, que creio que todos conhecem. Foi assessor de imprensa de Lula na presidência, saiu de uma forma estranha de seu governo, porém depois se aquietou. Quando saiu do governo, aparentemente contrariado, anunciou que contaria coisas sobre o período em um livro. Mas acabou lançando um livro chocho.
A última manifestação sua que teve alguma repercussão foi quando ele defendeu a censura do filme Serbia Film, uma dessas besteiras que acaba atraindo a atenção mais pela discussão que provocam do que pela obra em si. Qualquer moleque podia baixar o filme na internet enquanto Kotscho pedia a censura. E o mais espantoso é que ele pedia a censura para um filme que não tinha visto. Esse é o Kotscho.
Kotscho foi até recentemente repórter da revista Brasileiros, um projeto editorial estranhíssimo que parece não ter emplacado. Numa de suas edições disponíveis na internet, Kotscho escreve um perfil de Lula durante seus últimos dias como presidente. Deve ser sua visão de como se faz jornalismo. Mas não é a minha e de muitos profissionais, todos eles coincidentemente fora dos círculos petistas.
Na defesa que faz de Dirceu em relação à matéria da Veja, num dado momento Kotscho afirma que escreve “para defender minha profissão”. Para ele, tem veículos e profissionais na praça que estão “dedicados ao vale-tudo de verdadeiras gincanas para destruir reputações e enfraquecer as instituições democráticas”.
É dessas coisas que falo quando digo que é divertido acompanhar a tentativa de rebote de petistas e agregados quando a imprensa descobre alguma falcatrua ou mesmo um imbróglio qualquer no governo.
Nisso está também a importância do debate sobre a profissão. Na minha visão errado é embarcar em textos como o que Kotscho fez para a Brasileiros na despedida de Lula. Acho que dá para adivinhar o conteúdo pela capa, que está ao lado. Na despedida, Lula embarca no avião, mas o texto escrito por Kotscho passa a impressão de que o ex-presidente poderia voar com as próprias asas se quisesse.
E nem discuto a sabujice jornalística, comportamento que um profissional não deve ter com político algum, mas qual é o valor editorial de algo assim. A não ser, é claro, como um valor para reforçar os laços com grupos políticos.
Mas que cada um escreva o que quiser. Essa é uma das regras que respeito. Millôr Fernandes dizia que imprensa é oposição, o resto é armazém de secos e molhados. Quem quiser abrir um armazém, que o faça.
O julgamento deve ser dos leitores e, nesta forma de apreciar o que é oferecido na praça, me parece que o estilo de Brasileiros acabou sendo visto como um armazém pelos leitores. E também acho muito duvidoso um grupo de jornalistas que busca um público que queira ler uma revista que bajula um presidente da República, seja Lula ou Fernando Henrique Cardoso, ou qualquer outro que veio antes dos dois.
O mensalão todos sabem o que é. É um esquema que pode ser definido com palavras objetivas: foram propinas para comprar votos no Congresso Nacional. Acho que poucas coisas trazem tanto o risco de “enfraquecer as instituições democráticas” como foi o caso do mensalão.
No entanto, Kotscho tenta fazer o leitor crer que é a Veja que faz isso quando coloca nas bancas, às claras, uma reportagem contra os interesses de um poderoso político.
Em outro trecho, Kotscho fala em “regras e limites” e que ele vê nesta situação um “bom momento para a sociedade brasileira debater o papel da nossa imprensa”. É evidente o exagero do jornalista. Regras e limites já existem, a partir do código penal, e têm sido usadas bastante pelos petistas pelo país afora.
O próprio anúncio feito por Dirceu de que pretende processar a revista pouco tem a ver com pressões sobre seus editores. Ele sabe que quando uma matéria dessas vai pra banca seus responsáveis não temem retaliações. A ameaça é feita mais como um recado aos blogueiros independentes que repercutem com independência fatos como esse. Pra quem escreve sem grana do Estado é duro suportar processo de alguém cercado de advogados muito bem pagos.
Aliás, não é nada prático esse pessoal se doer tanto por Dirceu. Um profissional com condições materiais para fazer negócios em um hotel com diária de mais de 500 reais por dia deveria saber se defender muito bem sozinho, não é mesmo?
Logo que soube que seus encontros estavam sendo revelados, Dirceu deu o tom do que viria a ser a reação da blogosfera amiga. Uma das lorotas foi a comparação dos métodos da revista com os do magnata Rupert Murdoch. Isso pegou entre os blogueiros e até Kotscho, que é uma das estrelas desse ramo, repete a inverdade.
O interessante é que Veja faz seu jornalismo dessa forma há muito tempo, até porque não existe outro jeito de descobrir fatos como esses. Ou será que além de serem avisados de ações da Polícia Federal os petistas também querem receber também pautas antecipadas da imprensa?
Quando a Veja agia de forma semelhante, mas fazia isso com adversários do PT, como o então presidente Collor, os petistas não viam a atitude como um risco para a democracia. Ao contrário, o então deputado José Dirceu até dava uma mãozinha.
Mas entre os exageros que estão sendo jogados de forma combinada na internet, Kotscho deu uma das mais infelizes contribuições. Para contestar o uso das imagens de Dirceu e seus convivas saindo do quarto do hotel, ele implica com o fato de não ter sido revelado como a revista conseguiu os vídeos. Como se isso tivesse importância no contexto.
E aí ele escreve, em forma daquelas perguntas embutidas como resposta: "Se foi o próprio repórter quem instalou as câmeras, isto não é um crime que lembra os métodos empregados pela Gestapo e pelo império midiático dos Murdoch?”.
Isso mesmo: ele escreveu Gestapo. Ninguém foi preso, porta alguma foi derrubada por botas, ninguém foi levado na madrugada para ser torturado e desaparecer, mas ele traz a Gestapo para simbolizar seu desagrado. É abusar bastante do uso inadequado de imagens. Espero que não seja por esta linha que venha a discussão neste “bom momento para a sociedade brasileira debater o papel da nossa imprensa”.
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domingo, 4 de setembro de 2011
Liquidando tudo
É um daqueles crimes que mostram o nível altíssimo de violência no Brasil, até porque a razão alegada para o crime é de que mãe e filha sofriam agressões físicas cometidas pelo homem assassinado. E também teve participação no crime o genro, de 16 anos. Ou seja, praticamente uma criança.
Se for o marido da criança de 13 anos envolvida no assassinato, é um casal de crianças, mas a nota que li na internet não explica o parentesco. Hoje em dia é assim: um crime impressionante desses vira uma nota de jornal. Mas a banalidade do tratamento jornalístico serve também como um sintoma da gravidade do problema.
Mas não é só isso que mostra que o país vive hoje uma situação dramática. A mulher contou à polícia que contratou o criminoso por R$ 1 mil. Isso mesmo: apenas mil reais. E para o criminoso fazer o serviço compraram uma arma por R$ 700. Menos de dois mil reais para a encomenda de um assassinato.
Matar uma pessoa no país hoje está uma pechincha. Barato mesmo, não? É aquele velho marketing do varejo, o dos "preços de ocasião". E a ocasião está mesmo de matar.
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quarta-feira, 31 de agosto de 2011
De pequenino é que se torce o pepino
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