quinta-feira, 3 de novembro de 2011

A doença de Lula e a tentativa de fugir do debate que interessa: a falência da saúde pública

Anteontem Lula divulgou um vídeo em que fala pela primeira sobre o câncer que teve diagnosticado na laringe e nesta gravação curta acabou puxando sua doença para o lado político. Falou muito pouco de forma pessoal e logo passou a agir como o militante político que sempre foi em toda sua vida. Bem antes desse vídeo, seus partidários já vinham politizando a doença, apostando em um vitimismo que no final tem sempre objetivo eleitoral e de fortalecimento do governo. E também de botar contra a parede quem acredita que é da opinião crítica que pode sair alguma qualidade na condução dos nossos governos.

Esses críticos das manifestações da opinião pública indicam que só estariam satisfeitos se houvessem apenas gestos de apoio e carinho em relação ao ex-presidente. Alguns — e não são poucos — insinuam até a necessidade de censura no debate que se seguiu ao anúncio da doença e que tem como centro a má condição da saúde pública no Brasil.

Reparem que os que estão nesta linha de ataque à opinião de quem é crítico ao governo estão sempre buscando os exageros naturais que ocorrem em casos assim. Desencavam algumas grosserias que saem nas áreas de comentários de sites e blogs ou que passam pelas redes sociais e fazem disso uma generalização que não é justa com o debate que se faz sobre a dificuldade dos tratamentos de saúde no Brasil para quem não tem dinheiro e poder político.

E acho natural que seja por aí a discussão, afinal Lula ficou doente. Se o ex-presidente tivesse sofrido um acidente de carro, certamente pessoas de bom senso e que não estão atreladas ao governo poderiam apontar as péssimas políticas de seu governo que favorecem as montadoras de automóveis e não dão atenção alguma ao transporte público, além da má administração das áreas responsáveis pelo trânsito no Brasil, afetadas inclusive pela corrupção que recentemente fez cair o ministro dos Transportes.

É preciso notar também que, nas críticas que estão sendo feitas às manifestações de parte considerável da opinião pública, as pessoas que saem numa suposta defesa de Lula nunca se referem ao mau estado do SUS e a falta de qualidade em qualquer atendimento de saúde no Brasil, assuntos que vieram com força com o aparecimento da doença de Lula.

Nada disso é mencionado simplesmente porque querem fazer parecer que só existem grosserias quando, na verdade, as grosserias que eles buscam destacar são exceções dentro de uma discussão que é muito bem-vinda e que só poderiam mesmo acontecer desse jeito.

O que está acontecendo é muito simples e quem não está querendo esta discussão sabe muito bem disso, até porque isso foi feito bastante quando o PT estava na oposição e não no governo. De um assunto se faz o ponto de apoio para a discussão de questões do interesse coletivo.

Esta sempre foi uma forma para a criação de um debate, fazendo de um assunto de destaque a motivação para a discussão de assuntos que tocam na vida de todas as pessoas. É um jeito de trazer coisas sérias para a discussão, especialmente num país em que partidos, sindicatos e tantas outras instituições fogem atualmente às suas responsabilidades de exercer o acompanhamento sério das medidas do governo (de qualquer partido) e a vigilância e crítica permanente ao Estado.

O que tem sido feito por muitas pessoas é pegar o assunto da doença de Lula para mostrar que é preciso corrigir erros graves na saúde pública, apontando também erros de conduta do ex-presidente neste setor enquanto esteve no poder durante oitos anos, erros que persistem neste terceiro governo petista.

E como o problema de Lula é de saúde e não acidente de carro ou queda da escada de seu apartamento de cobertura em São Bernardo do Campo, quem tem bom senso e independência aproveita para lembrar que o ex-presidente disse muitas inverdades sobre a saúde quando dirigia o país, algumas até muito cínicas, como quando inaugurou no sofrido Nordeste uma unidade do SUS dizendo que ela era tão excelente que dava “até vontade de ficar doente para ser atendido”. E teve uma crise de hipertensão horas depois e foi buscar correndo a internação num hospital privado.

Lula soltou muito mais falas em que acabou desrespeitando gente que sofre sem poder obter um bom atendimento médico e até familiares de pacientes que morreram basicamente por falta de dinheiro para custear tratamentos muito caros, mas fechemos com aquela em que ele diz que iria "aconselhar o presidente Obama a criar um SUS" nos Estados Unidos.

Obama evidentemente não fez um SUS, até porque Lula só falou isso para nós no Brasil. Agora, quando o ex-presidente tem esta doença muito séria eu penso que é muito justo sim que todos esses assuntos venham para a discussão. Acredito também que os que estão no ataque às manifestações críticas estão agindo até com hipocrisia tentando vitimizar um político que, junto com seus seguidores, nunca foi respeitoso em debate algum. Até porque Lula estava até poucos dias atrás esbanjando saúde em algo que sempre faz desde que entrou na política há muitos e muitos anos atrás: bater em seus adversários.
POR José Pires

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Questão de justiça

Se Orlando Silva, ex-ministro do Esporte, é mesmo uma pessoa tão especial como disse o novo ministro Aldo Rebelo durante a transmissão do cargo, então Rebelo é um usurpador. Devolva o cargo, ministro Aldo Rebelo.
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POR José Pires

terça-feira, 1 de novembro de 2011






Um cartum em preto e branco. Quem se lembra quando nos jornais só dava pra publicar desenho desse jeito, sem cor alguma? Era época da ditadura militar. E nós tínhamos mais liberdade de espírito do que estão querendo permitir agora.

O Brasil no caminho do domínio pelo mêdo

Uma coisa que me comove e que também dá medo pelo que significa para todos os brasileiros é a notícia de que o deputado estadual Marcelo Freixo vai deixar o Brasil em razão de uma série de ameaças de morte. Ele é deputado no Rio de Janeiro pelo PSOL. O PSOL é um partido de malucos, mas Freixo mostrou presidindo a CPI das Milícias na Assembleia Legislativa do Rio que é um parlamentar sério e muito competente.

Exatamente por esta competência é que o deputado sofre as ameaças. A CPI que ele presidiu indiciou mais de 200 pessoas, muitos dos acusados de crimes são peixes graúdos da política e da polícia. Freixo sai do país aconselhado pela Anistia Internacional e a convite da organização, de uma forma que pode ser chamada de exílio.

Já é o segundo caso de exílio no governo petista, não é mesmo? O primeiro foi da família do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel, que saiu corrida do país por ameaças de morte depois que o irmão do prefeito petista assassinado insistiu na retomada da investigação e acusou um abafamento das razões do crime, que ele julga que teve causas políticas.

Marcelo Freixo vai embora pelo fato do assassinato da juíza Patricia Acioli ter mostrado que o governo brasileiro não tem condições de garantir segurança para quem combate de forma conseqüente o crime organizado, especialmente as milícias armadas que gradativamente vão tomando conta de todos os estados brasileiros.

A juíza foi morta, o combativo deputado vai embora, mas, e nós, como ficamos? Esses casos alertam sobre a necessidade de medidas de precaução cada vez mais urgentes que deveriam hoje ser uma preocupação nacional. O poder das milícias vai ficando cada vez mais difícil de combater. Isso e não o câncer do Lula devia ser o assunto quente nas redes sociais.

A desgraça desses grupos paramilitares lembra muito uma poesia bastante conhecida que teve até durante muito tempo sua autoria creditada ao poeta russo Maiakóvski, confusão criada talvez pelo título do poema, que é “No caminho com Maiakóvski”. Mas o texto é na verdade do poeta brasileiro Eduardo Alves da Costa. O trecho é assim:

“Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem;
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.”

No caso dos bandos de criminosos paramilitares que vão tomando conta do Brasil, eles já estão bem próximos de nos roubarem a luz.
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POR José Pires

Uma boa discussão sobre o SUS

Sinceramente, tenho outras coisas para me comover que não seja a doença do Lula. São assuntos que me tocam o coração e que exigem um esforço direto no trabalho de informação e, é claro, na atuação pessoal.

Sei que tem muita gente que se espanta com a discussão que surgiu depois do anúncio da doença e que muitos ficam tocados porque viveram de forma muito próxima o sofrimento que uma doença dessas pode provocar. Mas é preciso lembrar que Lula atrai até certas grosserias também pelo fato dele e seu partido não serem nada respeitosos no debate político. E essa agressividade, que vem desde que eles eram oposição, não cessou nem depois que subiram ao poder.

A máquina de propaganda petista já se movimenta, com todo seu peso político econômico que já foi demonstrado em outras ocasiões, para vitimizar o lado político do ex-presidente e desqualificar quem não cai nessa trama. Pelo que divulgam, Lula terá até uma atenção especial do Papa Bento XVI em suas orações, uma deferência que esse papa não teve para com nenhum brasileiro. E olha que, se quiser, Ratzinger pode ter milhares de brasileiros para pensar na hora em que se ajoelha sozinho em seu quarto. Aqui mesmo perto de casa posso encontrar famílias inteiras para ele mencionar em suas orações particulares.

Lula tem uma auto-suficiência (sem falar na arrogância) que já foi muito bem demonstrada em situações de pressão das quais ele saiu de forma até admirável, apesar de que em algumas delas eu penso ele tinha responsabilidade suficiente até para ser preso.

Tal histórico faz crer que o chefe petista deve ter fibra pessoal suficiente para enfrentar também este problema e também não deve faltar em seu entorno um apoio imenso de pessoas que podem minorar bastante seu drama pessoal. A comoção social que tentam criar não tem relação direta com o apoio humano que todo doente precisa. Receber twittadas favoráveis tem efeito só de propaganda. Um milhão de amigos pode servir até para vender discos, mas calor humano mesmo a gente só tem da família e de amigos.

Lula é também um homem rico, bastante rico até se não incluirmos na sua fortuna a dinheirama que uma empresa da área da telefonia despejou na conta bancária de seu filho.

Ele pode procurar os melhores tratamentos, os médicos mais caros, os hospitais mais bem aparelhados, o que evidentemente já acontecendo bem antes da sua doença ser revelada publicamente.

Sua doença trouxe a lembrança de que ele disse que no Brasil temos o melhor sistema de saúde pública do mundo, mas é claro que ele vai ficar longe do SUS. O elogio ao nosso sistema de saúde está no mesmo nível de credibilidade das suas afirmações de que de nada sabia sobre a corrupção em seu governo.

Não é porque ele está doente — e, além disso, acometido daquela que talvez seja a doença mais mítica da atualidade — que vou mudar minha visão sobre os danos políticos causados por ele e seu grupo político ao país, inclusive na área da saúde.

As movimentações nas redes sociais para que ele faça seu tratamento no SUS também não devem ser vistas como ofensa pessoal, até porque o próprio Lula já avisou que tem “casca grossa”. E isso comentando um dos tantos episódios de corrupção que temos vivido no país.

Não participo disso, como pode ser visto aqui no meu blog, mas não é porque condene a lembrança de que no SUS ele teria muita dificuldade para se curar. É só porque tenho obrigação profissional de produzir minhas próprias piadas.

Essa piada coletiva deveria ser vista inclusive pelos que gostam de Lula como uma boa denúncia sobre a dificuldade que é cuidar da saúde no Brasil para os que não tem bastante dinheiro e poder político, uma dificuldade que pode significar a morte quando surge uma doença de tratamento muito caro, como acontece agora com o ex-presidente.
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POR José Pires

quinta-feira, 27 de outubro de 2011




Um pelo outro

Como era previsível, foi demitido o ministro da tapioca. Está bem, está bem, pediu demissão o ministro da tapioca; no Brasil ministro nunca é mandado embora mesmo quando o som do pé na bunda em Brasília é escutado no país todo. No entanto, a demissão de Orlando Silva só vai fazer bem para a história da música popular brasileira. Um só Orlando Silva já está de bom tamanho para o Brasil. E o pequeno político estava fazendo um mal danado para a a glória conquistada pelo cantor das multidões.

Para a ética e o bom desempenho do ministério sua saída tem pouco significado, já que o ministério continua entre camaradas.

Mas, ao menos vai acabar aquela confusão da gente buscar no Google o cantor das mutidões e encontrar o ministro das corrupções. Estava até chato ver enlameado este nome tão ilustre da nossa cultura, mas tudo indica que esta dano será sanado. Sem poder, o pequeno Orlando Silva será jogado de vez para a faixa do baixo clero político de onde nunca deveria ter saído.

Orlando Silva, o pequeno, foi-se ontem, mas há nove dias eu já revelava aqui no blog que seu futuro era muito previsível e de indestrutível ele não tinha nada. Veja ao lado o, modestamente, profético cartum.

Mas, volto a dizer, com essa demissão só ganha mesmo a MPB. O ministério do Esporte continua com o partido que vem armando o esquema de corrupção desde o início do governo Lula. É o notório PCdoB, ou PCdaB, nome muito mais apropriado para uma militância que vive de boquinhas. Nomeado no lugar do camarada, o comunista Aldo Rebelo é uma das figuras centrais do PCdoB.

Há muitos anos ele detém muito poder no partido e é também um dos políticos mais experientes do país. Duvido que se faça algo no PCdoB ou em nome do PCdoB que Rebelo não saiba. É impossível que ele desconheça as maracutaias praticadas por seu camarada Orlando Silva e as variadas ONGs dependuradas no seu partido.

Se nada fez até agora contra a corrupção como líder do PCdoB e nem como representante de seu eleitorado, Aldo Rebelo é conivente. Pode ser também coisa pior.

O deputado Rebelo só muda de campo. Ajudava no jogo bruto dos ruralistas para desmontar regras de defesa do meio ambiente e agora vai reforçar o time dos cartolas. É uma mudança de campo, mas seu passe continua servindo ao mesmo tipo de interesse que destrói há tanto tempo este país.

Sua nomeação mostra que, como sempre, mudam o ministro mas não mexem no jogo. O que é também usual neste governo. E o jogo que rola no ministério dos Esportes é de deixar envergonhado até juiz ladrão.

Bem, pelo menos foi salva a honorabilidade do nome Orlando Silva. Para a memória brasileira não deixa de ser um bom acontecimento.
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POR José Pires

quarta-feira, 26 de outubro de 2011



Uma contribuição aos comunistas





Muito bem, companheiros! Para concluir o debate deixo à disposição do partido minha sugestão de logomarca para esta nova situação revolucionária que se apresenta. Não é uma proposta de mudança de objetivos. Ao contrário, a logomarca visa abarcar a contínua ampliação da estratégica colocação da nossa militância em postos de alargamento dos horizontes do socialismo.

O nome do partido continua o mesmo e a sigla histórica permanece. É o PCdoB de sempre. A nova logomarca (PCdaB, com o significado de Partido Comunista da Boquinha) deve servir apenas como uma marca de fantasia, para estabelecermos força na área do marketing, uma das invenções mais maléficas do capitalismo, mas que, no entanto, é preciso dominar até a derrocada final do capital e a instalação do proletariado no poder.


Está aí minha proposta ao partido, uma logomarca que ofereço totalmente gratuita, sem a necessidade de sequer uma tapioca. É minha contribuição voluntária ao comunismo.
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POR José Pires

terça-feira, 25 de outubro de 2011

O perigoso partido comunista que virou piada





A revista Época dessa semana veio com uma capa boa sobre o envolvimento do PCdoB com a corrupção. Está na imagem acima. O logotipo ao lado (do PcdaB) não é da revista; é uma criação minha sobre um post que publiquei em fevereiro deste ano, quando disse que em vez de PCdoB uma sigla muito melhor seria PCdaB, já que este é o Partido Comunista da Boquinha.

Pelo país afora o PCdoB vive dependurado em variadas bocas em cargos públicos onde quer que eles estejam, independente da cor partidária do prefeito ou do governador. Tampouco estão preocupados com padrões de honestidade. O importante é alojar a militância. Com as descobertas dos esquemas no ministério do esporte ficou escancarada nacionalmente a razão do apego dos comunistas da boquinha a qualquer cargo, mas isso não é novidade para quem acompanha a política nos municípios brasileiros. É difícil encontrar uma cidade onde o PCdoB não tenha sua boquinha. Onde tem o partido, os comunistas arrumam logo uma boquinha.

A capa da Época é uma boa surpresa. Hoje em dia o jornalismo tem sido feito sem criatividade e sem originalidade, de tal forma que muitas vezes é difícil até diferenciar as publicações. Os sites seguem a mesma linha de mesmice. A capa é boa também pelo uso do humor, com um acerto no uso da sigla dos militantes que só pensam em encher o bolso. É uma capa gráfica, trabalhada tecnicamente com cores chapadas. Parece pouco, mas é de se dar vivas quando o pessoal não abusa dos relevos, sombras, brilhos, aquela lambança amadorística que se faz em artes gráficas com computador.

O logotipo do PCdaB é minha contribuição a este partido de história lamentável, independente dessa corrupção que surge agora. Veja ao lado a figurinha que publiquei no início deste ano sugerindo a mudança de da sigla para "PCdaB".

Já surgem matérias na imprensa sobre o desconforto de antigos militantes com o que o PCdoB vem fazendo. Demorou bastante. Nem era preciso aparecer os esquemas do ministério do Esporte para alguém sentir vergonha de ter estado próximo deste partido. Desinformação não poder ser. Então foi conivência forçada por alguma oportunidade política.

Vi pelo menos um militante histórico alegar que essas notícias mancham a história do partido. E não foi só num texto que vi também a referência ao PCdoB como um partido que se comportou com "heroísmo" em nossa história.

Bem, é indiscutível que o partido teve muita gente morta pela ditadura militar, em casos que exigiriam um esclarecimento rigoroso se não tivessem acontecido num país como o nosso. Mas acho difícil que possa haver um resgate com seriedade da nossa história depois da avidez de boa parte dos esquerdistas pelas polpudas e na maior parte injustas indenizações em dinheiro.


Partido que hoje é da boquinha
foi de um stalinismo tão feroz que
até trocou a China pela Albânia
Não vejo heroísmo algum nesse partido. Ao contrário, quando na década de 70 se buscava conquistar a democracia no Brasil pela via da legalidade, o PCdoB estava na luta armada na Amazônia, com a conhecida guerrilha do Araguaia. Foi uma ação que acabou sendo providencial para as justificativas do fechamento do regime e da repressão até sobre quem nada tinha a ver com o comunismo e nem com a luta armada.

Foram cometidas atrocidades no Araguaia, disso não dá para ter dúvidas. Deveriam ser encaminhadas investigações sérias sobre este assunto. Até os militares deveriam ter esse interesse, pois se era certo o combate à luta armada promovida pelo PCdoB no Araguaia, os abusos que lá ocorreram mancham a história do Exército Brasileiro.

Mas sempre é bom lembrar e deixar firmado em nossa História que aquela guerrilha, tanto quanto todas as outras que ocorreram em nosso país, não estavam sendo feita em defesa da democracia no país. A ação armada no Araguaia podia até ser contra a ditadura militar, mas o objetivo do PCdoB era o de implantar uma ditadura militar no Brasil.

Naquele tempo o partido se guiava pelo maoísmo, o que prometia medidas duras caso obtivessem sucesso. O número de mortos pelo regime chinês chega a 65 milhões, inclusive com milhões morrendo de fome em razão de políticas econômicas absurdas impostas sem a possibilidade de discussão alguma. E era esta a ideologia que seria aplicada aqui com o sucesso da guerrilha dos comunistas.

No mesmo período da luta armada no Araguaia, o PCdoB também já discutia o rompimento com a China. O partido começava a achar brando demais o regime comunista chinês. Bandeavam-se então para o regime comunista da Albânia, o "farol do socialismo", conforme propagandeava sua militância no Brasil. A ligação com o regime comunista da Albânia era basicamente pela ligação férrea com o stalinismo. Até 1981 o líder albanês Enver Hoxha ainda estava ordenando a execução de dirigentes do partido. Quando o regime acabou em 1992 a Albânia era o país mais pobre da Europa.

Quando os militares brasileiros caíram em cima dos guerrilheiros do partido embrenhados na Amazônia foi para a Albânia que correu o dirigente máximo do partido, João Amazonas. Se o nosso passado recente tem que ser discutido, as responsabilidades históricas dos comunistas também devem ser colocadas de forma clara e verdadeira nesse debate. Existem inclusive posições muito bem fundamentadas de gente que acusa a direção de então do PCdoB de ter abandonado sua militância nas selvas.

O Partido Comunista da Boquinha já foi muito perigoso. Sua origem vem de um fato muito importante na história mundial e que marcou bastante a esquerda: a denúncia dos crimes de Stálin, feita por Nikita Kruschev. Mesmo com os próprios dirigentes soviéticos assumindo a denúncia do caráter criminoso do regime presidido por Stálin, isso não foi aceito pelos comunistas que formaram o PCdoB. O PCdoB nasceu de uma cisão provocada por esta discussão. De um lado ficaram os comunistas que formaram o PCB e do outro o pessoal do PCdoB. E até hoje o partido tem Stálin como um grande estadista. Os fatos indicam também que parecem ter uma queda também por Al Capone.

É menos perigoso agora que estes comunistas estejam mais preocupados em lutar por boquinhas. Mas sempre é bom ter a consciência de que se não tivessem sido impedidos de tomar o poder no passado teriam feito um mal para o Brasil em nada comparável com o que foi provocado pela ditadura militar. São larápios, mas sempre perigosos. E já que estamos numa época em que se fala bastante em faxina, já passou da hora desse partido ser mandado para o lixo da história.
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POR José Pires

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

A promessa de boa gestão ficou lá atrás nos palanques

Leio por aí que a presidente Dilma Rousseff determinou uma “auditoria informal” no ministério do Esporte onde labuta o outro Orlando Silva, não o da música, mas o notório ministro da tapioca e, vê-se agora, de tantas mumunhas que até é chamado de “bandido” por um militante de seu partido, o também notório PCdoB.

Não vale a pena se estender sobre o significado de “auditoria informal”. Talvez seja uma liberdade no traje dos auditores, que seriam autorizados a fuçar nos arquivos do ministério em trajes esportivos, talvez até com uma ou outra camiseta da Seleção Brasileira, como se fosse um churrasco de fim-de-semana. Auditoria com adjetivo é novidade.

Mas espera aí, o ministério é só do Orlando Silva (ou do PCdoB, naquele estilo de “cota intransferível” de que são feitos os governos) ou é também da presidência da República?

A Folha de S. Paulo informa que Dilma mandou a Controladoria-Geral da União fazer uma varredura nas ações e contratos da pasta que foram alvo de denúncias. Pois isso mostra que o governo não tem controle algum do que se passa nos ministérios, até porque nenhuma das denúncias se refere a contratos de tostões. São sempre milhões e bota milhão nisso.

Dilma não sabe o que se passa no ministério do Esporte em contratos importantíssimos, alguns até de interesse internacional? Se precisa fazer uma auditoria quando a imprensa revela irregularidades é sinal de que não acompanha o que acontece por lá.

A situação é ainda mais estranha pelo fato de estarmos falando de alguém (Dilma e não o homônimo do cantor das multidões) com fama construída de grande gestora e que veio do gabinete da Casa-Civil.

Basta passar no site da Casa Civil para ver, na definição da competência da Pasta, que tem algo muito errado nessa conversa de uma auditoria feita às pressas pela Controladoria-Geral da União.

Todo texto sobre a competência do órgão trata do controle dos negócios públicos, mas o sétimo item é bem específico. Está lá: “VII - avaliação da ação governamental e do resultado da gestão dos administradores, no âmbito dos órgãos integrantes da Presidência da República e Vice-Presidência da República, além de outros determinados em legislação específica, por intermédio da fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial”.

Neste caso especificamente temos não só a fama de gestora de Dilma, que foi material de propaganda na campanha eleitoral e nos dois anos anteriores à eleição, quando o então presidente Lula andou pelo país todo com ela dizendo que nisso a pupila era o máximo, mas também a qualidade que tentam colar á imagem da atual ocupante da Casa Civil, a paranaense Gleisi Hoffmann.

Esta é a história que venderam. Gestão, nos palanques eleitorais se falava muito disso. Mas o que se vê é que nenhuma das duas (uma que já esteve na Casa Civil e foi para a presidência da República, outra que afirma ter feito uma revolução administrativa em Itaipu) possui o senso de organização suficiente para acompanhar de perto este e aquele ministério e também aquele outro — ou pelo menos ter o controle dos assuntos de maior importância ou de maior custo para os cofres públicos.

Dá a impressão de que em administração as duas seguem o método Edison Lobão, o nosso ministro da Energia que está lá na moita, só gastando. Logo mais pode aparecer, para surpresa das nossas gestoras, alguma coisa do lado do nosso ministro atômico. Na época em que nomeado por Lula para um ministério que cuida de assuntos dos quais ele não entende nada, Lobão argumentou com os jornalistas que isso não era problema: ele já estava se ambientando nesse negócio de energia pelos jornais.

Tanto Dilma quando Gleisi Hoffmann, cada uma em sua área de responsabilidade, só ficam sabendo pela imprensa dos desarranjos feitos pelo PCdoB na pasta do Esporte. E todo dia aparece uma maracutaia nova.

Os trambiques encontrados no Ministério do Esporte mostram que apesar de intituladas de sapiências em gestão pelos companheiros, Dilma e Gleisi não cuidam nem do básico em administração, que é conferir as notas fiscais.
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POR José Pires

Descuidando do dinheiro público

Escrevi sobre as denúncias da imprensa em junho de 2009. Desde lá, qualquer gestor sério ficaria de olho nos negócios dessa ONG com o governo, mas não é o que fez Dilma. Até eu, que não tenho outra responsabilidade neste assunto que trazer para os leitores alguma informação, sou acossado pela militância comunista desde então.

A militância do PCdoB é aguerrida neste negócio de denúncia de corrupção. São contra. No post em que falo dessa ONG com o estranho nome de "Pra Frente Brasil" e que é recordista em ganhar dinheiro sempre está pingando um comentário anônimo me xingando.

Por causa de palavrões tive que cortar quase todas. Como pode ser visto aqui ficou apenas uma delas para mostrar como é o nível da militância.

É claro que se eu fosse um grande gestor teria de justificar a fama mandando vir para a minha mesa tudo que se refere aos, digamos assim, trabalhos dessa ONG. Faria questão de conferir a nota fiscal de cada tapioca.

Mas não é o que faz a "gestora" Dilma. E digo isso não para cumprir minha obrigação de falar mal do governo (qualquer governo, viu colegas?). São fatos. Essa mesma Pra Frente Brasil de nome tão estranho também está envolvida nas inúmeras denúncias de corrupção que aparecem novamente e não é só a Veja que diz isso.

O próprio ministro Orlando Silva foi obrigado a concordar que tem caroço nesse angu. Ou melhor, caroço na tapioca. No último domingo ele disse que vai “examinar mais uma vez os relatórios” feitos pela Pra Frente Brasil. Ele acha que podem haver “falhas” (nossa! Como se gastam aspas com este governo), mas garantiu que vai "investigar, apurar e checar todos os dados". E disse mais: "Os responsáveis serão punidos". Foi no Fantástico que o ministro disse tudo isso. E será mesmo fantástico se ocorre alguma punição.

A ONG ligada ao PCdoB foi a que mais ganhou dinheiro do Ministério do Esporte. Levou cerca de R$ 28 milhões em seis anos. A denúncia da revista Veja informa que o esquema de irregularidades no ministério teria desviado mais de R$ 40 milhões em oito anos.

Bem, se Dilma não acompanha passo-a-passo os negócios de seu governo com uma ONG que leva R$ 28 milhões, então o que é que ela acompanha?
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POR José Pires

Kadhafi acabou sem ter pra onde correr

Kadhafi foi morto e seus filhos capturados. O ex-ditador terminou daquele jeito que pudemos ver em imagens na internet. Percebo em alguns blogs uma estranha indignação com as cenas, alguns falam até em "linchamento", mas sinceramente não é o que aquelas imagens mostram. Podemos até saber mais para diante que fizeram barbaridades, mas nas cenas que foram divulgadas não dá para perceber linchamento algum. O que se vê é Kadhafi muito ferido sendo levado em meio à turba que, cá pra nós, até se comporta com certa ordem, levando em conta que aquilo é uma guerra civil.

Num caso assim é besteira colocar ideologia no primeiro plano. Até se for o caso de agir por ideologia, essa é uma circunstância que exige atenção mais aos fatos. E o que se vê nas imagens é um Kadhafi que parece muito ferido, mas que está sendo conduzido sem violência aparente para algum lugar.

Menos hipocrisia, meus senhores. Em muitos bairros brasileiros, inclusive de grandes cidades, Kadhafi seria morto à pauladas apenas pela suspeita do roubo de um par de tênis. E também é praticamente impossível que seja feito com o ex-ditador algo pior do que ele fez com vários opositores de seu governo.

É claro que não estou propondo que relação alguma seja no olho por olho e dente por dente. Mas é tolice ou má-fé esperar que no meio de uma guerra civil seja obedecida qualquer outra regra que não seja a de eliminar o inimigo. E não se pode esquecer que foi o próprio Kadhafi quem criou durante 40 anos as condições desumanas da sua própria morte. É uma situação que provavelmente seria vista com pragmatismo até pelo espírito elevado como o de um John Doone, que escreveu aquele maravilhoso poema em que diz que "a morte de qualquer homem me diminui"

É sempre bom desconfiar de qualquer analista político que venha com sentimentalismo na análise de fatos como os que ocorrem na Líbia ou evoque códigos internacionais de relação entre Estados ou respeito aos direitos humanos onde os comportamentos são tribais.

Isso tem sido feito bastante em certos blogs e alguns sites, à esquerda e à direita. É interessante ver como um caso como este acaba juntando lados políticos que no Brasil se pegam ferozmente em outras questões. E o alvo não é outro que não Barack Obama, que fez o prodígio de juntar direita e esquerda no Brasil.

À direita a desventura de Kadhafi é usada para atacar Obama e buscar favorecer o partido Republicano, pois o Brasil tem até malucos, alguns malucos até muito bem capacitados, que torcem pelo partido de Bush, Reagan e Nixon. E à esquerda Kadhafi serve também para requentar conceitos de Guerra Fria, mesmo que hoje em dia falte o lado comunista para dar base a este estranho pensamento.

A queda de Kadhafi criou uma incoerência (mais uma, eu sei) no pensamento de esquerda no Brasil. As insurreições populares lá por aqueles lados são sempre vistas como um avanço no mínimo democrático, mudanças que alguns até reputam como um rumo revolucionário para o mundo. Foi assim no Egito, onde teve gente que viu até um avanço para os direitos das mulheres. Isso até aquela jornalista americana ser estuprada pela multidão de "revolucionários".

Tem gente que vê nesses acontecimentos até uma derrocada do capitalismo, o que é um monumental exagero. Para derrubar o capitalismo em muitos países do Oriente Médio e África primeiro seria preciso implantá-lo.

Mas sobre a Líbia a visão é outra e ela não permite ver em suas brigas internas que acabaram por derrubar o regime nada que não seja só do interesse de grandes potências. É um olhar estranho: na Líbia só se vê trevas, já nos países vizinhos qualquer bando armado é um sinal de luz.

Mas, voltando ao final do regime de Kadhafi, uma olhada no mapa da Líbia que mostra por onde ele passou e onde finalmente teve seu fim, é espantoso perceber que ele não tinha para onde correr. A Argélia tem uma imensa fronteira com a Líbia, mas o ex-ditador não seria de forma alguma acolhido por lá. No vizinho Egito, então, nem pensar. É bem difícil encontrar quem acolha um homem que tem a França e (pior) os Estados Unidos como inimigos. Sempre fica na lembrança que Obama mandou pegar Bin Laden dentro de seu refúgio no Paquistão.

Nem países como o Brasil, cujo presidente dizia que Kadhafi era seu "irmão, amigo e líder". Lula disse isso na própria Líbia durante reunião da Cúpula da União Africana em julho de 2009. Pouco mais de dois anos depois Kadhafi foi morto do jeito que todos vimos.

E ninguém vai perguntar para Lula e até para Dilma Rousseff porque o governo petista não ofereceu asilo para Kadhafi, até mandando buscar de aerolula o ex-ditador caído em desgraça? Não que eu quisesse Kadhafi pegando um sol em alguma praia brasileira como faz o terrorista Battisti, mas uma pergunta dessas é o mínimo que se pede para aferir a qualidade da revolucionária diplomacia petista que tinha o ex-ditador líbio como "amigo, irmão e líder".
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POR José Pires

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

O último tiro em Kadahfi atinge a diplomacia petista

A morte de Muammar Kadhafi atinge em cheio a tal da diplomacia do PT, propagandeada por Lula de forma soberba enquanto ele foi presidente. A realpolitk atrapalhou de um jeito muito rápido os planos de Lula e seus companheiros, bem acostumados a sustentarem-se em propaganda, muita propaganda sobre teorias e intenções que por vezes demais não são colocadas em prática.

É o caso da tal diplomacia revolucionária, em que a estreita relação com Kadhafi foi por um tempo um suporte importante que dava um tom do interesse de Lula para se sobressair no plano internacional. Já escrevi bastante sobre isso aqui no blog. Lula chegou até a referir-se ao ex-ditador da Líbia como "amigo, irmão e líder", um exagero bem próprio de Lula, que quase sempre se deixa levar pelo próprio gogó.

Nem vem ao caso minha contrariedade com a alegada diplomacia revolucionária petista. Mas penso que é o caso de se cobrar coerência pelo menos nisso. Se Kadhafi não tivesse tido o azar de acontecer o levante em sua terra, que logo foi encampado pelos Estados Unidos, com a valiosa colaboração da França, é evidente que Lula já teria aproveitado há bastante tempo para dar uma passada pela Líbia, agora que está sem cadeira oficial no Palácio do Planalto. Já teria trombeteado suas bravatas ao lado do "amigo, líder e irmão".

Porém, com a desgraça de Kadhafi, Lula nunca mais deu um pio sobre os acontecimentos na Líbia. O ditador líbio enfrentou a adversidade com uma resistência admirável, isso tem que ser admitido mesmo pelos que não gostam de Kadhafi.

No entanto, enquanto ocorriam as batalhas na Líbia, não se viu uma atitude prática do governo petista para emprestar solidariedade à Kadhafi e tentar livrá-lo deste fim que não era inesperado. Bem, levando em consideração a efusividade de Lula quando Kadhafi detinha um poder que parecia inesgotável, coerência de fato exigiria que o Brasil mandasse tropas militares para ajudá-lo.

Considerando também a fervorosa emoção que os petistas tiveram com o gesto de Lula e a vibração da blogosfera petista com a tal diplomacia revolucionária, a intervenção militar na Líbia exigiria que houvesse no Brasil algo parecido com o que aconteceu na década de 30 quando os franquistas agrediram a república espanhola. Deveria ter-se formado por aqui brigadas internacionais para levar ajuda militar ao "irmão, amigo e líder" Kadhafi.

É assim que se faz uma diplomacia revolucionária? No primeiro revés pratica-se um recuo covarde. A relação com o governo líbio que agora leva o último tiro foi simplesmente esquecida. Sei muito bem que o tolo cumprimento fraterno de Lula era impróprio para qualquer relação política e muito mais ainda para relações entre dois países, onde não cabe esse negócio de "irmão". Mas já que foi assim, que pelo menos a palavra fosse honrada com gestos práticos.

O último tiro em Kadhafi traz uma dose muito importante de realismo que este governo deveria aplicar em sua diplomacia. É uma questão de bom senso que um governo (que, por mais que dure, sempre será transitório) nunca encaminhe o país para desafios e responsabilidades difíceis de serem sustentadas na prática.

Os abraços e o clima de fraternidade de Lula com Kadhafi poderiam ter levado o Brasil para uma situação muito dura, se fosse mesmo conseqüente a tal diplomacia petista. Está aí um caso em que dá até alívio o fato de eles serem covardes. O que nos salva é que, como muitas coisas desse governo, os inquebrantáveis laços entre o ex-ditador líbio e Lula não eram nada sério. Ao menos do lado de Lula era só no gogó, por isso houve logo o recuo covarde e o silêncio em relação ao "amigo" que passou a ser caçado pela oposição interna com a ajuda de grandes potências.
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POR José Pires

Kadhafi, o amigo, irmão e líder de Lula mata e arrebenta na Líbia

As sandices que Lula quer deixar pra trás

Cadê Lula e Chávez, os amigos de Kadhafi?

Kadhafi, mais um ex-amigo dos Estados Unidos que se vai

O nome verdadeiro do "amigo, irmão e líder" de Lula



quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Bons tempos...



Eu sou do tempo que quando se falava em Orlando Silva
o Brasil só tinha motivos de orgulho.


terça-feira, 11 de outubro de 2011

O injusto pé na bunda de Rafinha Bastos

A internet brasileira parece ter se especializado nesse tipo de assunto que não vai além do próprio círculo onde são gerados, numa fofocaiada que em alguns casos não tem a durabilidade de um semestre. São assuntos sem substância que, no entanto, atormentam os internautas enquanto duram. É difícil abrir um site em que a bobagem não esteja sendo publicada o tempo todo.

É o caso do caso do apresentador do CQC, Rafinha Bastos. O assunto até que vem durando e hoje veio com a informação de que o muito citado acabou sendo demitido do programa.

Fatos como este geralmente nunca são explicados direito. O interesse geral é esticar o assunto. Na mão de um bom jornalista e em um site com orientação editorial de mínima qualidade seria um assunto que não passaria de um único texto curto. Mas o caso vai se alongando sem que haja preocupação em tocar no essencial do fato. E nem mesmo chamam as coisas pelo devido nome.

Todos os sites dizem que o problema de Rafinha Bastos foi com uma “piada” (aspas minhas), uma fala que todos já devem estar sabendo. Num comentário rápido sobre Wanessa Camargo o “humorista” (aspas também minhas) disse que “comeria ela e o bebê”. Soube depois que a moça é cantora e está grávida. Fecha o pano, não?

Piada? É mesmo? Ele disse que "comeria" (e a afirmação foi com sentido sexual) a criança e a mãe da criança e isso foi ao ar numa rede de televisão? Pois foi assim. E ainda tem gente querendo passar por inocente nesta irresponsabilidade coletiva.

Para começar, não é correto chamar um comentário tolo desses de “piada”. Isso não é humor. No geral, a televisão brasileira é uma porcaria, mas historicamente sempre teve bons humoristas. Não é o caso desse tipo de programa que busca audiência de forma sensacionalista constrangendo artistas e políticos.

O comentário de Rafinha Bastos é apenas grosseiro e seria de pronto anulado até numa mesa de bar, onde se pode jogar conversa fora, porém sem aceitar qualquer lixo. Um cara desses está mais para espalha rodinhas do que para humorista. Por força do trabalho (ou do hábito, o que dá no mesmo) fui atrás do que ele vem fazendo e vi trechos desse negócio que agora todo mundo faz, o tal “stand up”, algo que Chico Anysio e Jô Soares fizeram há década com muita competência, mas que sempre chamaram de show.

Se for catalogado dentro do humor brasileiro, o que vi do Rafinha Bastos é uma involução. Fraco mesmo. E sempre grosseiro. Impressiona-me que alguém pague ingresso para ver esse tipo de coisa. Tem uma piada que também ficou famosa no rol de suas grosserias. Nela ele diz que mulher feia tem que agradecer se for estuprada, que é de uma falta de graça total. Noutro texto sem graça ele fica tentando fazer piada com um estado de que não me lembro o nome: a tentativa de humor consiste em repetir muitas vezes que neste lugar as pessoas são feias. É espantoso que alguém diga tamanhas besteiras e que ainda tenha quem pague para ouvir.

Mas, voltando ao caso da demissão pela fala de mau gosto. O assunto fecha no fato de que não é a primeira vez que o tal Rafinha Bastos apronta uma grosseria, mas enquanto deu para faturar a direção do programa e da Rede Bandeirantes foi explorando a popularidade do apresentador. A bem da verdade, a direção da TV só acordou para a dimensão do problema bem tarde.

Será que na emissora não tem alguém que veja problema num absurdo desses de "comer a mãe e a criança" sem precisar esperar a indignação geral?

Dizem que a besteira saiu ao vivo. Não sei, não assisto ao programa e até pensei que tudo seria gravado. Mas, no vídeo que está na internet o âncora do programa, Marcelo Tass, teve apenas uma reação boboca quando Rafinha Bastos falou a barbaridade. Tass já está bem velhinho para discernir na hora o que pode dar problema, não?

E se não tiver essa habilidade, não serve para ser o apresentador responsável pelo tom de um programa metido a engraçado. Tass não fez de imediato nenhuma condenação à grosseria, ele que tentou passar como um homem de espírito liberal no episódio da entrevista polêmica do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ).

O caso Rafinha Bastos é muito simples. Ele disse uma grosseria que em muitas mesas de bar seria uma boa justificativa para expulsá-lo do bar e dependendo da turma isso poderia ser feito até aos tapas.

A demissão de Rafinha Bastos foi injusta. Mas só porque toda a equipe do programa não recebeu também um pé na bunda.
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POR José Pires

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Ajuda estrangeira

Essas histórias da presidente Dilma Rousseff dando conselhos à Europa e até prometendo ajuda devem ser motivo de risos entre as autoridades estrangeiras quando os políticos saem da frente dos jornalistas e comentam as pataquadas dos brasileiros nos bastidores.

Não é improvável até que um ou outro lembre em forma de piada que o último grande amigo da diplomacia brasileira foi Muammar Kadhafi, que era tratado pelo ex-presidente Lula como "amigo, irmão e líder". Alguém se lembra disso? Deve ter líder estrangeiro que não esquece de bobajadas desse tipo da diplomacia do mestre da Dilma. E caso o líder esqueça, sempre existirá um assessor colocar isso num briefing como recordação.

Nenhum petista vai mandar ajuda ao "amigo, irmão e líder", nem para evitar a desmoralização da diplomacia lulista? Antes de dar uma mão para a Grécia ou Portugal seria melhor dar uma força para o Kadhafi. Bem, mas acho que a ajuda ao irmão Kafhafi deve ficar mesmo por conta apenas da blogosfera petista que de vez em quando solta uma nota a favor de Kadhafi e em condenação ao "imperialismo" que quer se apossar dos tesouros da Líbia.

Na verdade, na relação entre o Brasil e os europeus o que ajuda muito é o Oceano Atlântico. Calma, já explico. O que você acham que seria da Europa hoje se não existisse essa imensa barreira de água entre os dois continentes? É claro que a Europa estaria tomada de brasileiros, que entrariam por todos os lados. Os europeus teriam de aturar mais brasileiros imigrantes do que suportam de africanos hoje em dia.

E o comparativo não é para diminuir brasileiros ou africanos. Eu poderia falar até em argentinos, mas deixemos os hermanos lá em seu canto com sua soberba. Mas penso que não deve haver dúvida de que qualquer país estrangeiro vai melhor sem a ajuda de brasileiros ou africanos. Até uma prova em contrário, que deve levar décadas para ser construída, esses povos têm que mostrar serviço primeiro em seus próprios países.
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POR José Pires

De bate pronto

Piada pronta quando chega tem ser logo despachada. Dos jornais: "Ônibus de Milionário e José Rico bate e mata um".

Bem, se o ônibus é de milionário e de rico é óbvio que não vai dar em coisa alguma.
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POR José Pires

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Uma regra para entender os economistas

Para entender o que os economistas andam falando sigo uma regra muito simples: desconfio sempre quando eles vêm com uma conversa otimista e desconfio também quando a mensagem é pessimista.

No primeiro caso a mentira é sempre para cima e no segundo a mentira é para baixo. Diminua o primeiro e aumente o segundo, que é capaz de você chegar próximo do que pode ser a realidade.

Dá a impressão de que o economista nunca está interessado na substância que dá os números que estão sendo analisados. Suas projeções raramente observam esse dado simples. É claro que esse discurso insustentável contagiou a política e, por extensão, os dirigentes públicos.

Esta dificuldade em ver de forma simples as conseqüências de qualquer organização econômica pode ser sentida em várias propostas que contribuíram para tazer o país para essa desgraça econômica da qual dificilmente sairemos em pelo menos duas décadas, se depender dos resultados educacionais, industriais, da área de tecnologia, ou de qualquer outro tipo de ação prática relacionada à infra-estrutura.

Alguém se lembra da tal de “reengenharia”. Pois é, teve uma época no Brasil em que isso foi mais aclamado que o Chacrinha dado bacalhau para sua platéia. Ou, para usar um exemplo atual, o Silvio Santos ganhando um belo bacalhau do governo depois dele conseguir falir um banco neste país.

Quando os economistas vieram com aquela onda de otimismo da "reengenharia" (vamos manter as aspas nesta palavra especial), era muito triste, mas não por isso menos interessante, observar a satisfação das pessoas enquanto metódicamente eram destruídos recursos humanos que levaram muitos anos para serem criados.

Como eu sempre desconfiei de lições que não pregam o trabalho duro e o aprofundamento no estudo e na feitura das coisas e também como via à minha volta equipes sendo desmanteladas e profissionais da mais alta qualidade e experiência saindo de cena em várias atividades, senti logo que havia uma altíssima picaretagem em andamento.

Foi a época em que um "consultor" (cabe também aspasnesta outra palavra também muito especial) falando com um vocabulário de livro de auto-ajuda chegava numa firma e cortava do bom e do melhor de seus recursos humanos, debaixo do aplauso idiotizado de seus dirigentes, que muitas vezes eram os donos da empresa que estava sendo destruída, e muitas vezes parabenizados até pelos profissionais que caíam foram.

Foi uma época em que até uma das maiores desgraças para um trabalhador, que é a demissão, passou a ser vista como um benefício no mercado de trabalho. Com um adjetivo bacana, “demissão voluntária”, o processo era tentador. Você era demitido e podia construir seu próprio negócio e progredir muito, talvez até ficar rico. Quem podia resistir a uma proposta boa como essa?

Bem, uma das primeiras vezes em que ouvi de um empresário esta excelente receita, disse a ele que era provável que na sua empresa ele perdesse todos os bons profissionais — mais produtivos na empresa, mas que naturalmente aceitariam a demissão, pelo fato de serem pessoas mais destemidas — e ele ficasse com todos os profissionais acomodados e improdutivos.

O empresário me olhou de uma forma que pareceu entender a questão, mas logo seguiu com sue reengenharia. Desconfio até que ele suspeitou que eu estivesse me incluindo entre esses profissionais mais produtivos só para escapar da degola voluntária.

Naquela época, praticamente toda a imprensa passou a falar naquela linguagem de auto-ajuda. Um exemplo significativo do resultado desse ensandecimento coletivo foi a cobertura da revista Exame, especializada em economia. Durante um período de quase uma década esta revista deu várias capas sobre as maravilhas da "reengenharia", para depois fechar o assunto em uma matéria de capa memorável em que informava que só sobraram no mercado as empresas que não seguiram aquela receita.

Bem, salvaram-se exatamente os empresários que avaliaram para baixo o otimismo trazido pelos economistas com a tal de "reegenharia" e elevaram as precauções quanto aos riscos da excelente receita.

Mas o que os economistas andam dizendo agora que a marolinha do ex-presidente Lula ficou para trás na propaganda política e deu lugar à crise sistêmica para a qual nunca nos preparamos?

Hoje vi uma informação muito séria, vinda do banco JP Morgan. Para eles existe a probabilidade em 62% da repetição de uma crise com a mesma severidade do colapso do banco Lehman Brothers em 2008. O que a matéria que saiu na Folha não diz é que essa batida deve vir num mercado mundial já combalido inclusive psicologicamente, o que não ocorria em 2008.

Ou seja, para se preparar para o que pode vir por aí tem que ser aplicada a regra para mais nesta onda de pessimismo vinda dos economistas do banco JP Morgan, o que pode levar esses 62% bem pra perto do 100%.
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POR José Pires

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Conferindo a produção

Informação precisa do portal da revista Época: "Em três dias, Rock in Rio já produziu 50 toneladas de lixo".

Sem contar a música, não é mesmo?
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POR José Pires

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Coisa de louco

Tem umas coisas no Brasil que... só no Brasil mesmo. Não digo isso apenas por serem fatos absurdos, bem fora do comum, pois é próprio do ser humano cometer maluquices que só podem ser equilibradas com regras políticas, sociais e até mesmo jurídicas que por aqui são muito bambas.

Aqui o absurdo não só é contemplado socialmente como pode até passar a ser visto como uma normalidade. É o país em que o larápio político flagrado pela polícia se defende de imediato dizendo que "foi só um caixa dois". Estamos onde o louco que grita mais vira dirigente do hospício.

Já vimos isso no mensalão, um esquema que teria dado cadeia praticamente imediata se tivesse sido descoberto em um país decente, mas que aí está sendo levado com tanta lentidão que permite até que seja composto um tribunal que pode ser mais leniente com os larápios.

É fogo agüentar a imensa rede de corrupção que surge todos os dias de forma fantástica no noticiário, como fábulas políticas das quais o mensalão é um exemplo que até parece literatura fantástica, mas aqui não se pode dizer nunca que já se viu tudo. Não se deve nunca perguntar no Brasil aonde vamos parar. Nesta terra a construção de absurdos tem sempre um horizonte imenso pela frente.

Hoje apareceu a notícia de que os advogados da promotora Deborah Guerner, acusada de envolvimento no esquema de pagamento de propina no governo do Distrito Federal revelado em 2009, pediram à Justiça a restituição de R$ 280 mil que a Polícia Federal apreendeu na casa dela.

Até aí tudo bem. Com tanta ladroagem denunciada na política sem que o dinheiro roubado seja restituído aos cofres públicos, por que haveria algum espanto de haver uma devolução como esta?

Mas acontece que o dinheiro apreendido pela PF foi descoberto em um cofre que estava enterrado no quintal da casa de Debora Guerner. Isso mesmo, podem voltar ao início da frase conferir se leram direito, mas vou repetir: o dinheiro estava em um cofre enterrado em um cofre no quintal.

O advogado da acusada garante que o dinheiro tem origem lícita e servirá para pagar os custos do tratamento psiquiátrico de sua cliente.

O pedido já foi protocolado na semana passada e acho que ninguém deve se espantar se for mesmo devolvida a bufunfa que estava enterrada em um cofre no quintal. É melhor deixar isso pra lá e tentar se equilibrar psicologicamente. Não adianta pirar com tudo isso que vem acontecendo. Até porque, apesar de ser normal no Brasil guardar quase 300 mil reais enterrados num buraco, não temos tudo isso em nosso quintal para pagar custos de um tratamento para manter nossa saúde mental.
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POR José Pires

quinta-feira, 8 de setembro de 2011