Bem, cá estamos no dia 12 de novembro de 2011.
O mundo não acabou em 11.11.11, mas o ser humano continua fazendo o maior esforço para que isso aconteça logo.
sábado, 12 de novembro de 2011
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sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Dois coelhos numa cajadada
Nada contra a crítica, mesmo que venha com argumentação contrária à totalidade do que escrevo, mas não é possível manter comentário com palavrão.
Quando eu toco em assunto do interesse da militância do PT um ou outro companheiro acaba aparecendo (algumas vezes meses depois da publicação) para tacar sua pedra já que, como todos sabem, de tão perfeitos, os petistas não carregam nem o pecado original.
Publico abaixo um comentário que acabou de aparecer num texto em que falo de Paulo Coelho e Lula. Nem preciso dizer que naquele texto faço críticas aos dois, aproveitando para mostrar o rídiculo de um na política e do outro na literatura.
Pois hoje apareceu o comentário abaixo em um post de agosto do ano passado. Não dá pra saber do que o leitor anônimo não gostou e muito menos qual é sua opinião sobre o assunto. Muitos comentários são desse jeito, inclusive na síntese. Só que são palavrões bem cabeludos que deleto lá no blog e evidentemente não republicaria aqui.
Neste comentário também não é possível saber nem se o leitor é um fã de carteirinha do Lula ou do Paulo Coelho. Mas é provável que seja fã dos dois, o que me deixa duplamente orgulhoso do que escrevi.
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segunda-feira, 7 de novembro de 2011
Fora do sentido
Muitas vezes basta isolar um pequeno trecho para se obter o resultado ...inverso do que seus autores pretendiam. Querem ver como é? Vamos lá. Leiam o texto abaixo:
“A burguesia, graças ao rápido aperfeiçoamento de todos os instrumentos de produção, pelos imensamente facilitados meios de comunicação, arrasta todas as nações, até as mais bárbaras, para a civilização.”
Quem foi que escreveu esta deslavada apologia da burguesia?
A) Adam Smith
B) Milton Friedman
C) Isso é coisa do Serra
D) Alguém da Veja, é claro
E) Um banqueiro neoliberal
F) Isso é coisa do Serra
G) É o Jota inventando coisas
H) Nenhuma das respostas acima
Pois o correto é a opção H: nenhuma das respostas acima.
O que está acima foi escrito por Friedrich Engels e Karl Marx e é um trecho do famoso “Manifesto comunista”. Viram como é fácil? Quando vierem com a conversa de que está havendo um ataque ao SUS, que vão privatizar a Petrobrás ou de que querem vender o Banco Central junto com a Amazônia para o Obama, lembre-se disso.
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Agora vai
Bem, pensando por este lado, então temos aí finalmente os petistas falando numa herança bendita do governo FHC. E o pior é que estão falando bem do Serra. Afinal, não foi lá com os tucanos que começaram a prestar mais atenção ao SUS?
Vou esperar a fila de assuntos do meu blog andar. Mas, estou me coçando de vontade de escrever sobre isso.
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domingo, 6 de novembro de 2011
O Brasil no rumo do México
O problema da violência é generalizado no país e esta mortandade nacional exige bem mais do que saber de que lado veio o tiro neste ou naquele tiroteio.
Quem acompanha este blog sabe que tenho escrito bastante sobre a violência que toma conta do país e apontado os riscos disso até para a nossa própria democracia. Neste caso específico ocorreram mais quatro mortes, além do cinegrafista assassinado. E tem sido desse jeito o tempo todo, com as mortes violentas já ocupando o cotidiano do brasileiro de tal forma que o país parece acomodado à convivência o horror.
Essa acomodação a problemas brasileiros gravíssimos é uma coisa muito séria. Já se vive no país de uma forma que dificuldades graves passam a ser incorporadas no dia-a-dia, como se não houvesse outra opção senão o convívio com fatos trágicos e degradantes. Mesmo em cidades médias a contagem de um morto ou mais por dia em situação violenta já é tratada como nota corriqueira pelos jornais.
Bem, existem setores da esquerda que até parecem acreditar que devemos agradecer ao governo por sua incompetência ao encarar várias questões, inclusive essa matança que toma conta das cidades brasileiras.
O tiro mortal neste cinegrafista da Tv Bandeirantes me parece ser o primeiro em campo aberto. Já aconteceu o horror com o jornalista Tim Lopes, em 2002. Há pouco tempo jornalistas do jornal O Dia foram seqüestrados e vivem ameaçados até hoje. Existe também a gradativa ocupação das milícias paramilitares em vários cantos do país, alcançando o domínio de bairros inteiros, onde ditam leis e aterrorizam, torturam e matam, além de extorquir a população para o uso de serviços básicos. Essas milícias agem com a conivência da polícia e são compostas até por policiais da ativa.
Recentemente tivemos a notícia de que o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) terá de sair do país por causa de ameaças das milícias. Antes disso, a corajosa juíza Patrícial Acioli foi assassinada. Notem como as coisas estão andando: se um deputado é obrigado a fugir e uma juíza é morta na porta de casa, o que os bandidos não podem começar a fazer com a imprensa?
E o problema pode se agravar de forma muito violenta bem quando essas quadrilhas começarem a agir para ter o controle da informação, pressionando a imprensa e impedindo notícias contrárias a seus crimes. Podem até justiçar quem escreve contra seus crimes. Só a acomodação de que falei impede que se veja que estamos muito perto de viver o que acontece atualmente no México, um país que em vários aspectos negativos parece ser o retrato do Brasil de amanhã.
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sábado, 5 de novembro de 2011
Saudades mesmo do Henfil
Não falei do Henfil porque sei, tenho certeza, garanto até que ele iria estar aprontando horrores na internet, com seu traço rápido e sua capacidade para criar de forma absolutamente livre.
Conheci o Tuneba na década de 80 em São Paulo, quando ele se mudou para um apartamento grande em Higienópolis, meteu a prancheta numa sala em que dava pra andar de bicicleta e passou a trabalhar lá com um monte de moleques cartunistas encarapitados às suas costas vendo o ídolo desenhar. Fazia uma página genial na revista Isto É, que logo depois deu problema com a censura interna da revista, e publicava em vários lugares, inclusive em O Pasquim, que ainda existia. Em São Paulo fez uma peça de sucesso com a Ruth Escobar, um longa-metragem, o programa “TV Homem” na Globo. O cara era fogo.
Não me perguntem a razão do apelido Tuneba, pois temos crianças e garotas no Facebook. Mas o caso é que o Henfil tinha esse hábito de ir para uma cidade e se fixar lá com a intenção de mudar os costumes locais. O Tuneba era fogo, estava em São Paulo com a pretensão de mexer com a cidade. E não teve tempo para provar que faria mesmo: morreu logo depois.
Henfil era daquele tipo de gente generosa que hoje está em falta, especialmente na imprensa. O que há? É o meio ambiente? Sei lá porque, mas esse tipo está em extinção. Podia-se chegar na sua casa, abrir a geladeira, se servir, essas coisas. “O Nilson deixou aí essas claras de ovo; o safado só come a gema; vamos ter que fazer suspiro”, ele dizia. O Nilson era o cartunista mineiro — bem jovem, mas já bom de traço — que morava com ele.
Nessa época o gentil Glauco também morava com o Henfil como agregado. Éramos bem moleques na época, alguns, como eu e o Glauco, recém-chegados do interior e jacus de tudo. Me lembro que o Glauco me contou que tinha vergonha até de dar a descarga depois de fazer o número dois. O jacu aqui também teria, é claro. Mas não disse pra ele e me fiz de superior. “Ora, que bobagem, meu amigo...”
Mas em São Paulo Henfil meteu-se no que na época eu já via como uma roubada. Com seu caráter generoso e ligado o tempo todo nos direitos civis, o cartunista passou a chefiar um grupo de cartunistas para executar trabalhos para sindicatos. A ação era ligada ao sindicato mais forte do país, o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, cujo dirigente era o falecido Joaquinzão. O sindicato era pelego da ditadura militar, palavra que caiu em desuso agora que os pelegos são maioria e inclusive tem governo próprio.
Mas o Joaquinzão tinha bom faro e já sentia o cheiro da decomposição da ditadura. Daí a abertura para esse trabalho que o Henfil encarou na maior animação, como fazia em tudo em que entrava. Bem no início fiz parte do grupo, no qual estavam Glauco, Angeli, o cartunista mineiro Nilson, e o Laerte, na época um cuecão do Partidão. Hoje o Laerte anda com essa estranhice de se vestir de mulher.
Saí desse grupo de cartunistas, porque ainda era novo mas não era besta: vi logo que aquela relação com a pelegada não era pra mim e que isso ia fazer mal para a liberdade do nosso trabalho, além de nos comprometer com política de péssima qualidade. Tive uma conversa em particular com o Henfil sobre isso. Ele entendeu, apesar de não concordar comigo, mas tudo ficou bem. Sem rusgas.
Depois nos perdemos de vista, até a notícia de que ele tinha a AIDS contraída numa das transfusões de sangue que ele fazia regularmente por ser hemofílico, quando até pensei em visitá-lo quando certa vez passei por São Paulo, ou ainda morava lá, tenho que conferir... mas o fato é que — covardão — não tive a coragem.
E me arrependi de não ter tido pelo menos um último papo e receber o tapão carinhoso que ele gostava de dar nas costas dos amigos. Gostava dele, uma dessas pessoas que passaram em nossa vida e que até faz a gente chorar de vez em quando, quando a lembrança vem. Chorar escondido, né Glauco?
É... o Henfil iria ser um arraso na internet!
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Corrupção agora já vem com piada pronta
Mas desta vez podem falar em herança maldita. O ministério em que a revista Veja encontrou corrupção é comandado por Carlos Alberto Lupi (PDT), ministro colocado lá por Lula e mantido por Dilma.
A denúncia de corrupção vem até com piada pronta já devidamente elaborada pelos próprios envolvidos nas irregularidades. Eu vivo falando que esse governo quer matar de fome os humoristas deste país. Como dizia o Stanislaw Ponte Preta ou qualquer outro bamba do riso, querem tirar o uisquinho dos nossos filhos.
Segundo a Veja, assessores do ministro Lupi criaram um esquema de extorsão dentro do ministério, que impedia que ONGs não comprometidas em corrupção prestassem serviço para o governo.
Uma dessas ONGs sofreu fiscalização do ministério que indicou irregularidades e, por isso foram sustados os repasses de pagamentos. Logo depois os dirigentes da ONG receberam um recado de que tudo poderia ser resolvido se pagassem uma propina.
E vejam só o nome da ONG que sofreu a extorsão: Instituto Êpa.
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sexta-feira, 4 de novembro de 2011
Ministro na mira
Até agora, em menos de dez meses de governo, já caíram 5 ministros metidos em maracutaias: Antonio Palocci, Alfredo Nascimento, Wagner Rossi, Pedro Novais e Orlando Silva.
Que Lula, qual nada, que tem mostrado poder no governo Dilma é a revista Veja.
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quinta-feira, 3 de novembro de 2011
A doença de Lula e a tentativa de fugir do debate que interessa: a falência da saúde pública
Esses críticos das manifestações da opinião pública indicam que só estariam satisfeitos se houvessem apenas gestos de apoio e carinho em relação ao ex-presidente. Alguns — e não são poucos — insinuam até a necessidade de censura no debate que se seguiu ao anúncio da doença e que tem como centro a má condição da saúde pública no Brasil.
Reparem que os que estão nesta linha de ataque à opinião de quem é crítico ao governo estão sempre buscando os exageros naturais que ocorrem em casos assim. Desencavam algumas grosserias que saem nas áreas de comentários de sites e blogs ou que passam pelas redes sociais e fazem disso uma generalização que não é justa com o debate que se faz sobre a dificuldade dos tratamentos de saúde no Brasil para quem não tem dinheiro e poder político.
E acho natural que seja por aí a discussão, afinal Lula ficou doente. Se o ex-presidente tivesse sofrido um acidente de carro, certamente pessoas de bom senso e que não estão atreladas ao governo poderiam apontar as péssimas políticas de seu governo que favorecem as montadoras de automóveis e não dão atenção alguma ao transporte público, além da má administração das áreas responsáveis pelo trânsito no Brasil, afetadas inclusive pela corrupção que recentemente fez cair o ministro dos Transportes.
É preciso notar também que, nas críticas que estão sendo feitas às manifestações de parte considerável da opinião pública, as pessoas que saem numa suposta defesa de Lula nunca se referem ao mau estado do SUS e a falta de qualidade em qualquer atendimento de saúde no Brasil, assuntos que vieram com força com o aparecimento da doença de Lula.
Nada disso é mencionado simplesmente porque querem fazer parecer que só existem grosserias quando, na verdade, as grosserias que eles buscam destacar são exceções dentro de uma discussão que é muito bem-vinda e que só poderiam mesmo acontecer desse jeito.
O que está acontecendo é muito simples e quem não está querendo esta discussão sabe muito bem disso, até porque isso foi feito bastante quando o PT estava na oposição e não no governo. De um assunto se faz o ponto de apoio para a discussão de questões do interesse coletivo.
Esta sempre foi uma forma para a criação de um debate, fazendo de um assunto de destaque a motivação para a discussão de assuntos que tocam na vida de todas as pessoas. É um jeito de trazer coisas sérias para a discussão, especialmente num país em que partidos, sindicatos e tantas outras instituições fogem atualmente às suas responsabilidades de exercer o acompanhamento sério das medidas do governo (de qualquer partido) e a vigilância e crítica permanente ao Estado.
O que tem sido feito por muitas pessoas é pegar o assunto da doença de Lula para mostrar que é preciso corrigir erros graves na saúde pública, apontando também erros de conduta do ex-presidente neste setor enquanto esteve no poder durante oitos anos, erros que persistem neste terceiro governo petista.
E como o problema de Lula é de saúde e não acidente de carro ou queda da escada de seu apartamento de cobertura em São Bernardo do Campo, quem tem bom senso e independência aproveita para lembrar que o ex-presidente disse muitas inverdades sobre a saúde quando dirigia o país, algumas até muito cínicas, como quando inaugurou no sofrido Nordeste uma unidade do SUS dizendo que ela era tão excelente que dava “até vontade de ficar doente para ser atendido”. E teve uma crise de hipertensão horas depois e foi buscar correndo a internação num hospital privado.
Lula soltou muito mais falas em que acabou desrespeitando gente que sofre sem poder obter um bom atendimento médico e até familiares de pacientes que morreram basicamente por falta de dinheiro para custear tratamentos muito caros, mas fechemos com aquela em que ele diz que iria "aconselhar o presidente Obama a criar um SUS" nos Estados Unidos.
Obama evidentemente não fez um SUS, até porque Lula só falou isso para nós no Brasil. Agora, quando o ex-presidente tem esta doença muito séria eu penso que é muito justo sim que todos esses assuntos venham para a discussão. Acredito também que os que estão no ataque às manifestações críticas estão agindo até com hipocrisia tentando vitimizar um político que, junto com seus seguidores, nunca foi respeitoso em debate algum. Até porque Lula estava até poucos dias atrás esbanjando saúde em algo que sempre faz desde que entrou na política há muitos e muitos anos atrás: bater em seus adversários.
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quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Questão de justiça
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terça-feira, 1 de novembro de 2011
Um cartum em preto e branco. Quem se lembra quando nos jornais só dava pra publicar desenho desse jeito, sem cor alguma? Era época da ditadura militar. E nós tínhamos mais liberdade de espírito do que estão querendo permitir agora.
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O Brasil no caminho do domínio pelo mêdo
Exatamente por esta competência é que o deputado sofre as ameaças. A CPI que ele presidiu indiciou mais de 200 pessoas, muitos dos acusados de crimes são peixes graúdos da política e da polícia. Freixo sai do país aconselhado pela Anistia Internacional e a convite da organização, de uma forma que pode ser chamada de exílio.
Já é o segundo caso de exílio no governo petista, não é mesmo? O primeiro foi da família do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel, que saiu corrida do país por ameaças de morte depois que o irmão do prefeito petista assassinado insistiu na retomada da investigação e acusou um abafamento das razões do crime, que ele julga que teve causas políticas.
Marcelo Freixo vai embora pelo fato do assassinato da juíza Patricia Acioli ter mostrado que o governo brasileiro não tem condições de garantir segurança para quem combate de forma conseqüente o crime organizado, especialmente as milícias armadas que gradativamente vão tomando conta de todos os estados brasileiros.
A juíza foi morta, o combativo deputado vai embora, mas, e nós, como ficamos? Esses casos alertam sobre a necessidade de medidas de precaução cada vez mais urgentes que deveriam hoje ser uma preocupação nacional. O poder das milícias vai ficando cada vez mais difícil de combater. Isso e não o câncer do Lula devia ser o assunto quente nas redes sociais.
A desgraça desses grupos paramilitares lembra muito uma poesia bastante conhecida que teve até durante muito tempo sua autoria creditada ao poeta russo Maiakóvski, confusão criada talvez pelo título do poema, que é “No caminho com Maiakóvski”. Mas o texto é na verdade do poeta brasileiro Eduardo Alves da Costa. O trecho é assim:
“Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem;
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.”
No caso dos bandos de criminosos paramilitares que vão tomando conta do Brasil, eles já estão bem próximos de nos roubarem a luz.
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POR José Pires
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Uma boa discussão sobre o SUS
Sei que tem muita gente que se espanta com a discussão que surgiu depois do anúncio da doença e que muitos ficam tocados porque viveram de forma muito próxima o sofrimento que uma doença dessas pode provocar. Mas é preciso lembrar que Lula atrai até certas grosserias também pelo fato dele e seu partido não serem nada respeitosos no debate político. E essa agressividade, que vem desde que eles eram oposição, não cessou nem depois que subiram ao poder.
A máquina de propaganda petista já se movimenta, com todo seu peso político econômico que já foi demonstrado em outras ocasiões, para vitimizar o lado político do ex-presidente e desqualificar quem não cai nessa trama. Pelo que divulgam, Lula terá até uma atenção especial do Papa Bento XVI em suas orações, uma deferência que esse papa não teve para com nenhum brasileiro. E olha que, se quiser, Ratzinger pode ter milhares de brasileiros para pensar na hora em que se ajoelha sozinho em seu quarto. Aqui mesmo perto de casa posso encontrar famílias inteiras para ele mencionar em suas orações particulares.
Lula tem uma auto-suficiência (sem falar na arrogância) que já foi muito bem demonstrada em situações de pressão das quais ele saiu de forma até admirável, apesar de que em algumas delas eu penso ele tinha responsabilidade suficiente até para ser preso.
Tal histórico faz crer que o chefe petista deve ter fibra pessoal suficiente para enfrentar também este problema e também não deve faltar em seu entorno um apoio imenso de pessoas que podem minorar bastante seu drama pessoal. A comoção social que tentam criar não tem relação direta com o apoio humano que todo doente precisa. Receber twittadas favoráveis tem efeito só de propaganda. Um milhão de amigos pode servir até para vender discos, mas calor humano mesmo a gente só tem da família e de amigos.
Lula é também um homem rico, bastante rico até se não incluirmos na sua fortuna a dinheirama que uma empresa da área da telefonia despejou na conta bancária de seu filho.
Ele pode procurar os melhores tratamentos, os médicos mais caros, os hospitais mais bem aparelhados, o que evidentemente já acontecendo bem antes da sua doença ser revelada publicamente.
Sua doença trouxe a lembrança de que ele disse que no Brasil temos o melhor sistema de saúde pública do mundo, mas é claro que ele vai ficar longe do SUS. O elogio ao nosso sistema de saúde está no mesmo nível de credibilidade das suas afirmações de que de nada sabia sobre a corrupção em seu governo.
Não é porque ele está doente — e, além disso, acometido daquela que talvez seja a doença mais mítica da atualidade — que vou mudar minha visão sobre os danos políticos causados por ele e seu grupo político ao país, inclusive na área da saúde.
As movimentações nas redes sociais para que ele faça seu tratamento no SUS também não devem ser vistas como ofensa pessoal, até porque o próprio Lula já avisou que tem “casca grossa”. E isso comentando um dos tantos episódios de corrupção que temos vivido no país.
Não participo disso, como pode ser visto aqui no meu blog, mas não é porque condene a lembrança de que no SUS ele teria muita dificuldade para se curar. É só porque tenho obrigação profissional de produzir minhas próprias piadas.
Essa piada coletiva deveria ser vista inclusive pelos que gostam de Lula como uma boa denúncia sobre a dificuldade que é cuidar da saúde no Brasil para os que não tem bastante dinheiro e poder político, uma dificuldade que pode significar a morte quando surge uma doença de tratamento muito caro, como acontece agora com o ex-presidente.
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POR José Pires
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quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Um pelo outro
Como era previsível, foi demitido o ministro da tapioca. Está bem, está bem, pediu demissão o ministro da tapioca; no Brasil ministro nunca é mandado embora mesmo quando o som do pé na bunda em Brasília é escutado no país todo. No entanto, a demissão de Orlando Silva só vai fazer bem para a história da música popular brasileira. Um só Orlando Silva já está de bom tamanho para o Brasil. E o pequeno político estava fazendo um mal danado para a a glória conquistada pelo cantor das multidões.
Para a ética e o bom desempenho do ministério sua saída tem pouco significado, já que o ministério continua entre camaradas.
Mas, ao menos vai acabar aquela confusão da gente buscar no Google o cantor das mutidões e encontrar o ministro das corrupções. Estava até chato ver enlameado este nome tão ilustre da nossa cultura, mas tudo indica que esta dano será sanado. Sem poder, o pequeno Orlando Silva será jogado de vez para a faixa do baixo clero político de onde nunca deveria ter saído.
Mas, volto a dizer, com essa demissão só ganha mesmo a MPB. O ministério do Esporte continua com o partido que vem armando o esquema de corrupção desde o início do governo Lula. É o notório PCdoB, ou PCdaB, nome muito mais apropriado para uma militância que vive de boquinhas. Nomeado no lugar do camarada, o comunista Aldo Rebelo é uma das figuras centrais do PCdoB.
Há muitos anos ele detém muito poder no partido e é também um dos políticos mais experientes do país. Duvido que se faça algo no PCdoB ou em nome do PCdoB que Rebelo não saiba. É impossível que ele desconheça as maracutaias praticadas por seu camarada Orlando Silva e as variadas ONGs dependuradas no seu partido.
Se nada fez até agora contra a corrupção como líder do PCdoB e nem como representante de seu eleitorado, Aldo Rebelo é conivente. Pode ser também coisa pior.
O deputado Rebelo só muda de campo. Ajudava no jogo bruto dos ruralistas para desmontar regras de defesa do meio ambiente e agora vai reforçar o time dos cartolas. É uma mudança de campo, mas seu passe continua servindo ao mesmo tipo de interesse que destrói há tanto tempo este país.
Sua nomeação mostra que, como sempre, mudam o ministro mas não mexem no jogo. O que é também usual neste governo. E o jogo que rola no ministério dos Esportes é de deixar envergonhado até juiz ladrão.
Bem, pelo menos foi salva a honorabilidade do nome Orlando Silva. Para a memória brasileira não deixa de ser um bom acontecimento.
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quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Uma contribuição aos comunistas
Muito bem, companheiros! Para concluir o debate deixo à disposição do partido minha sugestão de logomarca para esta nova situação revolucionária que se apresenta. Não é uma proposta de mudança de objetivos. Ao contrário, a logomarca visa abarcar a contínua ampliação da estratégica colocação da nossa militância em postos de alargamento dos horizontes do socialismo.
O nome do partido continua o mesmo e a sigla histórica permanece. É o PCdoB de sempre. A nova logomarca (PCdaB, com o significado de Partido Comunista da Boquinha) deve servir apenas como uma marca de fantasia, para estabelecermos força na área do marketing, uma das invenções mais maléficas do capitalismo, mas que, no entanto, é preciso dominar até a derrocada final do capital e a instalação do proletariado no poder.
Está aí minha proposta ao partido, uma logomarca que ofereço totalmente gratuita, sem a necessidade de sequer uma tapioca. É minha contribuição voluntária ao comunismo.
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terça-feira, 25 de outubro de 2011
O perigoso partido comunista que virou piada
Pelo país afora o PCdoB vive dependurado em variadas bocas em cargos públicos onde quer que eles estejam, independente da cor partidária do prefeito ou do governador. Tampouco estão preocupados com padrões de honestidade. O importante é alojar a militância. Com as descobertas dos esquemas no ministério do esporte ficou escancarada nacionalmente a razão do apego dos comunistas da boquinha a qualquer cargo, mas isso não é novidade para quem acompanha a política nos municípios brasileiros. É difícil encontrar uma cidade onde o PCdoB não tenha sua boquinha. Onde tem o partido, os comunistas arrumam logo uma boquinha.
A capa da Época é uma boa surpresa. Hoje em dia o jornalismo tem sido feito sem criatividade e sem originalidade, de tal forma que muitas vezes é difícil até diferenciar as publicações. Os sites seguem a mesma linha de mesmice. A capa é boa também pelo uso do humor, com um acerto no uso da sigla dos militantes que só pensam em encher o bolso. É uma capa gráfica, trabalhada tecnicamente com cores chapadas. Parece pouco, mas é de se dar vivas quando o pessoal não abusa dos relevos, sombras, brilhos, aquela lambança amadorística que se faz em artes gráficas com computador.
Já surgem matérias na imprensa sobre o desconforto de antigos militantes com o que o PCdoB vem fazendo. Demorou bastante. Nem era preciso aparecer os esquemas do ministério do Esporte para alguém sentir vergonha de ter estado próximo deste partido. Desinformação não poder ser. Então foi conivência forçada por alguma oportunidade política.
Vi pelo menos um militante histórico alegar que essas notícias mancham a história do partido. E não foi só num texto que vi também a referência ao PCdoB como um partido que se comportou com "heroísmo" em nossa história.
Bem, é indiscutível que o partido teve muita gente morta pela ditadura militar, em casos que exigiriam um esclarecimento rigoroso se não tivessem acontecido num país como o nosso. Mas acho difícil que possa haver um resgate com seriedade da nossa história depois da avidez de boa parte dos esquerdistas pelas polpudas e na maior parte injustas indenizações em dinheiro.
Partido que hoje é da boquinha
foi de um stalinismo tão feroz que
até trocou a China pela Albânia
Não vejo heroísmo algum nesse partido. Ao contrário, quando na década de 70 se buscava conquistar a democracia no Brasil pela via da legalidade, o PCdoB estava na luta armada na Amazônia, com a conhecida guerrilha do Araguaia. Foi uma ação que acabou sendo providencial para as justificativas do fechamento do regime e da repressão até sobre quem nada tinha a ver com o comunismo e nem com a luta armada.
Foram cometidas atrocidades no Araguaia, disso não dá para ter dúvidas. Deveriam ser encaminhadas investigações sérias sobre este assunto. Até os militares deveriam ter esse interesse, pois se era certo o combate à luta armada promovida pelo PCdoB no Araguaia, os abusos que lá ocorreram mancham a história do Exército Brasileiro.
Mas sempre é bom lembrar e deixar firmado em nossa História que aquela guerrilha, tanto quanto todas as outras que ocorreram em nosso país, não estavam sendo feita em defesa da democracia no país. A ação armada no Araguaia podia até ser contra a ditadura militar, mas o objetivo do PCdoB era o de implantar uma ditadura militar no Brasil.
Naquele tempo o partido se guiava pelo maoísmo, o que prometia medidas duras caso obtivessem sucesso. O número de mortos pelo regime chinês chega a 65 milhões, inclusive com milhões morrendo de fome em razão de políticas econômicas absurdas impostas sem a possibilidade de discussão alguma. E era esta a ideologia que seria aplicada aqui com o sucesso da guerrilha dos comunistas.
No mesmo período da luta armada no Araguaia, o PCdoB também já discutia o rompimento com a China. O partido começava a achar brando demais o regime comunista chinês. Bandeavam-se então para o regime comunista da Albânia, o "farol do socialismo", conforme propagandeava sua militância no Brasil. A ligação com o regime comunista da Albânia era basicamente pela ligação férrea com o stalinismo. Até 1981 o líder albanês Enver Hoxha ainda estava ordenando a execução de dirigentes do partido. Quando o regime acabou em 1992 a Albânia era o país mais pobre da Europa.
Quando os militares brasileiros caíram em cima dos guerrilheiros do partido embrenhados na Amazônia foi para a Albânia que correu o dirigente máximo do partido, João Amazonas. Se o nosso passado recente tem que ser discutido, as responsabilidades históricas dos comunistas também devem ser colocadas de forma clara e verdadeira nesse debate. Existem inclusive posições muito bem fundamentadas de gente que acusa a direção de então do PCdoB de ter abandonado sua militância nas selvas.
O Partido Comunista da Boquinha já foi muito perigoso. Sua origem vem de um fato muito importante na história mundial e que marcou bastante a esquerda: a denúncia dos crimes de Stálin, feita por Nikita Kruschev. Mesmo com os próprios dirigentes soviéticos assumindo a denúncia do caráter criminoso do regime presidido por Stálin, isso não foi aceito pelos comunistas que formaram o PCdoB. O PCdoB nasceu de uma cisão provocada por esta discussão. De um lado ficaram os comunistas que formaram o PCB e do outro o pessoal do PCdoB. E até hoje o partido tem Stálin como um grande estadista. Os fatos indicam também que parecem ter uma queda também por Al Capone.
É menos perigoso agora que estes comunistas estejam mais preocupados em lutar por boquinhas. Mas sempre é bom ter a consciência de que se não tivessem sido impedidos de tomar o poder no passado teriam feito um mal para o Brasil em nada comparável com o que foi provocado pela ditadura militar. São larápios, mas sempre perigosos. E já que estamos numa época em que se fala bastante em faxina, já passou da hora desse partido ser mandado para o lixo da história.
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POR José Pires
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