terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Querido Papai Noel...

Com a proximidade do Natal acabo ganhando um presentão, que é a possibilidade de fazer cartuns de Papail Noel. Sei que o Papai Noel é uma figura polêmica. O chamado bom velhinho costuma ser malvisto até por gente tarada na cor vermelha, como é o caso da nossa esquerda, que acha que ele é uma figura imperialista que deforma a nossa cultura. É o mesmo pessoal que opõe o saci à comemoração de hallowe...en, que se fortalece cada vez mais em nosso país. Como se algum dia tivesse acontecido no Brasil alguma festa relacionada ao saci... Alguém aí já foi numa "festa do saci"?

E o mais maluco é que o pessoal do lobby do saci é ligado aos politicamente corretos que querem fazer uma revisão com a tesoura na obra de Monteiro Lobato, um escritor sem o qual é provável que o saci não estaria com tanta força em nossa cultura.

Mas voltemos ao Papai Noel. É uma figura ótima para fazer humor. Sua figura ambígua permite que ele entre em qualquer situação. Qualquer coisa pode ser feita com o Papai Noel em cena e as ações com ele podem ser entre políticos, miseráveis, empresários, enfim, qualquer tipo de pessoa. O sacana vai bem até mesmo com criança.

Além das facilidades criadas pela multiplicidade desta figuraça, é uma delícia desenhá-lo. Como sua imagem já está bem fixada na mente de qualquer leitor, ele permite desenhos com todas as liberdades, sem que se perca a referência que dá base ao humor.

Obrigado, Papai Noel.
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POR José Pires


segunda-feira, 12 de dezembro de 2011



Mas, pensando melhor, será que não é até bom que esse pessoal esteja se dedicando à corrupção? Assim não corremos o risco deles desmoralizarem também a ética.

Francamente, nem dá para fechar os olhos a tudo isso que está acontecendo. Tem também o cheiro.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011




O PT realmente tem inovado bastante em seu modo de governo: Dilma até deixou os primeiros 100 dias de governo para o ano que vem.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011



Dilma e seu ministério porreta

Depois de se desvencilhar do amoroso ministro Carlos Lupi, a presidente Dilma Roussef já tem problema novo com mais um de seus ministros porretas. Agora é Fernando Pimentel, da Indústria e Comércio Exterior, que está por aí tentando explicar o que todo mundo já entendeu muito bem.

Pimentel anda tendo que dar explicações sobre seus ganhos como consultor. O ministro faturou com seus conselhos empresariais no período entre sua saída da prefeitura de Belo Horizonte, em maio de 2009, até ser nomeado por Dilma.

Este período imediatamente anterior à posse de Dilma parece ter sido uma época boa para petista ganhar dinheiro. Pimentel faturou R$ 2 milhões em cerca de um ano. Foi nesses meses também que aquele outro consultor petista, o ministro Antonio Palocci, comprou o apartamentaço de R$ 6,6 milhões em São Paulo.

Como tem consultor no PT, não é mesmo? Dá a impressão até de que não era em ditadura do proletariado que essa gente pensava quando estava por aí dizendo que iam construir o socialismo. É ditadura de consultores.

Mas, voltando às explicações do ministro porreta, Pimentel anda batendo de frente com um de seus clientes numa contradição muita esquisita. Ele andou declarando à imprensa que recebeu por seus serviços como consultor a quantia de R$ 130 mil da empresa ETA Bebidas do Nordeste. A ETA produz um refresco, o guaraná Guaraeta, na região metropolitana de Recife.

Gostei do slogan da empresa, uma frase muito simples que, como já comecei a fazer, bem que poderia definir este ministério da Dilma: "Guaraeta, naturalmente porreta!", com exclamação e tudo. Muito bacana, não é mesmo? Ora, um ministério com tanta treta merece ser chamado de porreta.

O problema é que o ministro afirma que recebeu os R$ 130 mil da empresa, mas os jornalistas que foram atrás do assunto só encontraram negativas das pessoas responsáveis pela ETA.

Um sócio da época em que o ministro diz ter recebido o pagamento afirmou para o jornal O Globo que “tem algo muito estranho” nesse negócio. Roberto Ribeiro, que participou da empresa até 2010, disse o seguinte: “É valor muito alto para o trabalho que a gente tinha. Tem alguma escusa, tentaram esconder alguma coisa”.

Pimentel afirma que foi contratado para "elaborar um estudo de mercado” para a empresa pernambucana. Segundo o valor que o ministro porreta apresenta, até que teria recebido muito bem. Foi tão bem pago que excede até a capacidade financeira da ETA. Os conselhos do ministro porreta também não devem ter sido muito bons. Os negócios foram minguando, até que a empresa foi vendida no início deste ano.

Pimentel elaborou seu “estudo de mercado” que foi um fiasco e teria botado R$ 130 mil no bolso, mas os valores supostamente recebidos não batem com a capacidade financeira da ETA. Louve-se o ministro por não ter mexido no slogan porreta da empresa, mas o fato é que as ações de publicidade da empresa eram bem modestas.

Ribeiro, o ex-sócio que achou muito estranho esse pagamento tão caro, até revelou para a imprensa como eram os planos de mídia e a criação de publicidade da empresa na época em que Pimentel diz ter sido tão bem pago. “O que a gente fazia de vez em quando era contrato de R$ 10 mil, R$ 15 mil para meninas fazerem propaganda em jogo do Sport com o Santa Cruz. A gente não tinha condições de fazer nada muito diferente disso”, ele disse.

A lorota do ministro faz a gente até ter a curiosidade em saber se na elaboração de seu “estudo de mercado” para a Guaraeta ele se meteu a dar palpites de consultor nos shorts das meninas que faziam a propaganda da marca nos jogos entre Sport e Santa Cruz. Pode estar aí a explicação da derrocada do guaraná porreta.
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POR José Pires

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

A síndrome da inveja da Veja

Caíram sete ministros do governo do PT. O único que não pediu demissão por corrupção foi o ex-ministro da Defesa, Nelson Jobim, que saiu depois de dizer que no governo petista estava cercado de idiotas. Num lapso de esperteza, Dilma sacou que era também com ela e pediu que Jobim saísse.

Seis ministros caíram por corrupção. Desses, pelo menos quatro caíram em razão de fatos descobertos pela redação da revista Veja. Ora, mesmo que um jornalista seja petista, se este jornalista tiver bom senso e capacidade de analisar de forma técnica a atuação da Veja, não é possível que ele não sinta até admiração pela qualidade de uma redação como esta.

No caso inverso, de um jornalista que tem muitas reservas políticas quanto ao que a esquerda governista vem fazendo em política, não é possível sentir nenhum respeito em relação à qualidade dos produtos que esse pessoal coloca no mercado. Nem no aspecto técnico é possível sentir admiração pelo que a esquerda vem fazendo. As publicações são sem sabor, dogmáticas e parecem obedecer a um comando único, inclusive na linguagem. É uma questão de conteúdo, sempre tosco e trabalhado sem criatividade e sem habilidade de texto e edição.

A blogosfera petista, seus sites e revistas, todos são de péssima qualidade eparecem ter sido produzidos em bloco. E o engraçado é que até os leitores seguem as mesmas regras tolas em seus comentários. Todos falam a mesma coisa e aquele que traz algo diferente ao debate é repelido em bloco e de imediato. Recebo muita coisa em meu endereço eletrônico e procuro estar sempre atento ao que fazem. São veículos em que todos falam a mesma coisa e de forma chata, sem qualidade jornalística e nenhuma criatividade. Note-se que não estou falando do conteúdo político, que a meu ver é desprezível na maioria dos casos.

Os jornalistas de esquerda têm uma síndrome grave que pode ser chamada de “inveja da Veja” (o diagnóstico e seu nome são meus).

O que jornalistas de esquerda têm feito em relação a Veja é atacar a revista sem olhar para as próprias debilidades da mídia de esquerda, que apesar de hoje ter polpudas verbas do governo não consegue produzir material de qualidade. Esta deficiência pode ser vista em todos os blogs e sites governistas, muitos deles feitos por pessoas com altos benefícios e ganhos financeiros. Apenas para exemplificar, basta ver um site como o Carta Maior ou os blogs de Luís Nassif ou do Paulo Henrique Amorim, produtos em que a má qualidade chega a ser cômica.

Neste ponto, quem tem razão é Bernardo Kucisnki, um jornalista do PT e que foi bem próximo de Lula no primeiro mandato. Kucinski foi inclusive assalariado de Lula, em seu Instituto da Cidadania, mas não é cego para os graves desfeitos da esquerda em comunicação. Kucinski afirma que “a burguesia faz com competência aquilo que nós [a esquerda] não sabemos fazer”.
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POR José Pires

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Segurando o riso


Dá a impressão de que a presidente Dilma Rousseff está de marcação comigo. Logo que a revista Veja revelou as falcatruas cometidas pelo ministro Carlos Lupi publiquei esta uma charge em forma de fotopotoca. A charge saiu em 5 de novembro. Hoje completa exatamente um mês. Foi elogiada por todo mundo. No Facebook até meteram embaixo a mãozinha para dizer que curtiram a piada. E estava fácil para Dilma resolver a questão e oficializar a minha charge. Era só dar o bilhete azul para o cara de pau e pronto.

Depois da denúncia da Veja, Lupi ainda mentiu em depoimento no Congresso Nacional, foi flagrado com imagem e tudo viajando no avião do dono da empresa que faturou milhões com contratos com o ministério de Trabalho e ainda é acusado de fraude. E também apareceram outras tretas suas: ele foi funcionário fantasma no Congresso e assessores dele foram denunciados por extorsão dentro do ministério e usando a máquina pública para exigir propina.

Mas nada da Dilma demitir o ministro mentiroso. O que essa mulher tem contra mim? Houve até a recomendação da Comissão de Ética Pública pedindo a demissão, mas a presidente manteve o safado. E a minha charge esperando. Ninguém estava me cobrando, mas ali estava eu cometendo uma barriga, que é o jargão jornalístico para quem dá notícia errada. Era uma barriga em charge, coisa muito feia.

Mas hoje finalmente Dilma meteu o pé na bunda do Lupi. Atrasou três semanas a minha charge, mas agora ela está oficializada. Ô mulherzinha difícil para liberar uma charge, sô!
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POR José Pires

sábado, 3 de dezembro de 2011

Estranha cúpula

Muita atenção, pois o que vou escrever daqui em diante é sério, por mais absurdo que pareça. Não é pegadinha e nem piada. Existe uma proposta da realização de um encontro de cúpula de presidentes que superaram o câncer. Viram como era necessário o aviso? A idéia é do presidente venezuelano Hugo Chávez. Ele soltou a pérola durante encontro com a presidente Dilma Rousseff, ocorrido ontem.

"Logo vamos fazer essa Cúpula e a Dilma vai dirigi-la", disse Chávez. A maluca proposta do venezuelano chama a atenção aos nomes de figuras representativas da esquerda sul-americana que tiveram a doença. A própria Dilma, Fernando Lugo, do Paraguai, e o argentino Néstor Kirchner, que não poderá comparecer a esta absurda cúpula, já que não superou o câncer.

Na verdade, a idéia de uma “cúpula de presidentes que superaram o câncer” não comporta nem a menção do próprio Chávez ou de Lula, pois os dois ainda lutam contra a doença, que ainda não foi superada. Mas aí já é parte da demagogia política desse tipo de político. Eles contam com uma realidade baseada apenas em palavrório e nisso os nomes citados formam realmente um grupo.

No entanto, este maluco projeto que parece piada de mau gosto mostra que um encontro de cúpula que essa gente nunca poderá fazer é o de presidentes que superaram o cretinismo e estupidez.
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POR José Pires

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Questão de opinião

É preciso tomar bastante cuidado para não fazer piada involuntária. São sempre muito boas, mas nunca para quem comete a gafe. Leio num blog um texto com o título "Por que temos que ter opinião sobre tudo?", onde o blogueiro escreve contra esta mania atual de dar opinião sobre tudo.

Mas aí temos um problema, que é a piada feita sem querer: quando alguém escreve contra esta “mania de dar opinião sobre tudo” ele está dando sua opinião até sobre esta “mania de dar opinião sobre tudo”.
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POR José Pires


Amor, estranho amor

O país está curioso para saber qual é o grude que há entre Dilma Rousseff e o ministro Carlos Lupi. A presidente da República mantém no cargo o ministro do Trabalho mesmo após a recomendação unânime da Comissão de Ética Pública para demiti-lo. Dilma resolveu pedir mais explicações da Comissão sobre as razões para botar pra fora o ministro que declarou a ela em público seu amor, estranho amor.

O caso parece sério. É capaz da Dilma demitir a Comissão de Ética Pública , mas meter o pé na bunda do bonitão do PDT, nem pensar.
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POR José Pires

O outro lado

Temos sempre que procurar ver o lado bom das coisas: se fosse obrigatório diploma de jornalismo para escrever na internet haveria uma imensa economia de eletricidade no país.
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POR José Pires

Canudo forçado

Se dependesse de profissionais com diploma de jornalismo para ler coisas boas na internet, o brasileiro desligava o computador e iria procurar outra coisa para fazer. Quem tem produzido boa leitura e trazido criatividade à internet brasileira são pessoas que nada tem a ver com a posse de um canudo de papel que, na maioria das vezes, pode ser obtido em qualquer faculdade picareta. E a maioria dos jornalistas que tem produzido conteúdo de qualidade na internet não está nem aí para a obrigatoriedade do diploma.
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POR José Pires

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O mistério da tesoura do Planalto

Já se sabia que o ex-presidente Lula não é chegado a livros. Ele sempre fez questão de alardear isso e até veio com aquela relação irônica entre livro e esteira de ginástica, dizendo que preferia enfrentar uma esteira do que ler um livro. Pura figura de linguagem, é claro, pois o barrigão sempre mostrou que ele nunca fez nenhuma das duas coisas.

Mas agora na nova denúncia que apareceu do sindicalista que foi achacado no ministério do Trabalho dá para ver que Lula não lia absolutamente nada quando esteve na presidência da República.

O sindicalista Irmar Silva Batista foi ao ministério do Trabalho registrar um novo sindicato e um assessor do ministro Carlos Lupi exigiu dele R$ 1 milhão de reais para liberar o registro. Batista então mandou uma carta para Lula relatando o caso de corrupção. Nunca recebeu resposta.

O sindicalista mandou a carta por e-mail também para a presidente Dilma Rousseff. Com a publicação da reportagem com a denúncia na Veja desta semana, a assessoria de Imprensa da Presidência informou que nada foi feito porque o trecho da denúncia acabou sendo cortado na mensagem recebida. Foi passada uma tesoura no que mais importava na mensagem. E aí surgiu mais uma questão que ainda não foi explicada.

Uma mensagem como esta passa pelo secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, antes de chegar a Dilma. A dúvida que fica é se a carta já chegou na mão de Carvalho com o corte do trecho que continha a denúncia de corrupção ou se a presidente Dilma foi a única pessoa no Palácio do Planalto que recebeu a carta depois de passarem a tesoura na denúncia.
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POR José Pires

terça-feira, 29 de novembro de 2011




Pra haver debate tem que ouvir o outro

Antes de bater qualquer letrinha nesta tela de vídeo (que aceita tudo, né?), deixo claro que sou contra a construção da Usina de Belo Monte. Já escrevi muito sobre temas ecológicos aqui no blog, de forma que basta o leitor ler os textos para ver que me alinho sempre pela defesa do meio ambiente. Escrevo e atuo em ecologia há muito tempo, bem antes de surgir qualquer emoção incontida com árvores derrubadas em qualquer lugar desta cidade. É que assim que alguém traz um pensamento na tal da rede social, logo se juntam alguns comentaristas para atacar a pessoa ou tentar fazê-la mudar de idéia, uma besteira danada, pois, se a tela do computador aceita tudo, antes de chegar a ela, o tema passa pelo meu cérebro. E ele não aceita tudo.

Mas, ao tema: o vídeo abaixo foi feito por alunos da Engenharia Civil da Unicamp. É um bom material nesta discussão sobre a usina. Já é um sucesso na internet e veio evidentemente como resposta ao vídeo do movimento Gota D’Água, que trouxe vários artistas de televisão contrários à usina de Belo Monte. E é excelente por um aspecto importante que vai além da construção da usina: traz de fato o debate sobre a arriscada construção desta usina. Arriscada no meu entender, é claro. Os alunos da UNICAMP pensam o contrário e trazem seus argumentos. Já tem gente buscando desqualificá-los, alegando ignorância quando eles dizem que energia hidrelétrica é energia limpa. Bem, aí é ignorância do uso da linguagem.

Os alunos estão fazendo uma boa argumentação utilizando uma barbeiragem danada do vídeo dos artistas contrários a Belo Monte. Naquele vídeo eles dizem que este tipo de energia não é limpa. Tentaram criar uma brincadeira de texto, mas não foram eficientes ao passar para o vídeo. Tornar claro o argumento exigiria tempo demais para um clipe. Foi uma questão de linguagem também, mas acabaram abrindo um flanco para ataques certeiros dos que aceitam a usina. Este dos alunos da Unicamp usou bem esta falha e deu um chute certeiro. Azar. É pegar a bola no fundo da rede e seguir o jogo. Mas com cuidado. Este adversário não é ignorante. Eles jogam bem. E para haver debate o outro tem que ser ouvido.

O vídeo dos alunos da Unicamp tem uns defeitos de direção, o que torna menos eficiente a fala dos alunos. Mas essas coisas são assim mesmo. No outro eles melhoram. O que esta manifestação dos alunos da UNICAMP traz de muito bom é realmente criar um debate sobre o assunto. Quem é contra a usina terá de se esforçar um pouco mais.

O vídeo faz o que o governo do PT não fez, pois tanto Lula quanto Dilma impuseram a construção deste projeto absurdo neste país, além de forçarem outras coisas também, mas aí são outras arbitrariedades. Lula impôs o projeto e desrespeitou opiniões contrárias. Dilma segue a mesma linha. A meu ver, quem é petista deveria discutir o assunto no foro do partido. Vão lá cobrar de seus dirigentes, agitem politicamente a militância. Preferia até que todos os petistas fossem a favor da usina, pois o PT tem desmoralizado muitas causas boas neste país e podem desmoralizar também a ecologia. Não venham encher o meu picuá.

Mas, deixando de lado a hipocrisia de certos petistas, o bom deste vídeo é que parece o começo de um debate de fato sobre a questão. Temos enfim o outro lado, como se costuma dizer. E eles não são ignorantes, não. Vão dar um trabalho danado, pois podem conquistar uma boa parcela da população que é propensa a aceitar não só a usina, mas outros projetos arriscados para o meio ambiente.

Uma questão essencial hoje para o Brasil é fazer este debate. Os estudantes da Unicamp criaram um bom site (que pode ser acessado no próprio vídeo). Foi aberto há quatro dias e o vídeo já tem 78.686 exibições só por meio deste site. Certamente vai bombar no Youtube. O site também está aberto a comentários e já traz muitos argumentos contra a usina de Belo Monte, o que é muito bom. O caminho da sociedade civil tem que ser este: do debate aberto, franco e aprofundado. É o caminho para se construir um país.
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POR José Pires

sábado, 26 de novembro de 2011




Estilo de governo

O governo Dima Roussef inovou bastante. É um governo com 40 cargos com nível de ministro, cá entre nós um número bastante significativo. "Abre-te Sésamo!". E não é que abre mesmo?

Parte considerável dos ministros que a presidente tem veio do governo Lula. O método acompanha, é claro. Aí se pode falar em herança maldita de fato: já caíram cinco por corrupção e um foi obrigado a sair porque falou q...ue estava cercado de idiotas e Dilma, na dúvida se isso era com ela ou não, resolveu que Nelson Jobim tinha que sair de perto dela.

Mas tem a inovação: fala logo. Pois a inovação de Dilma é que agora ministros flagrados com a mão na cumbuca permanecem no cargo. Eles vão ficando. Carlos Lupi, do Trabalho, disse que não saía nem "abatido a bala" e declarou seu amor, estranho amor, à Dilma. Parece que deu liga e ele vai ficando. Agora já aparecem denúncias de corrupção braba no ministério das Cidades, tocado pelo pepista Mário Negromonte , mas esse também dá a impressão de que vai acabar ficando.

Mudou a forma de Dilma lidar com as denúncias. É óbvio que alguém avisou que se for tirando ministro por causa de corrupção não demora muito para ela acabar sozinha no Palácio do Planalto. Pois agora Dilma tem um ministério que vai ficando.
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POR José Pires



Mexendo no que já está pronto

O palito de dentes é uma daquelas invenções, como o guarda-chuva ou o pente, que já nasceu pronta. Existem na vida objetos práticos que não permitem avanços. Ou alguém já ouviu falar de um modelo novo de guarda-chuva? Pode-se mudar a cor, aumentar a circunferência, mas na essência a técnica é a mesma, inclusive com os defeitos de sempre, aos quais a gente acaba se acostumando como um componente inseparável.

Vários desses objetos práticos que não admitem mudanças nos cercam desde sempre e mesmo que uma ou outra empresa procure um jeito novo de fazer a coisa, logo o consumidor é obrigado a voltar ao modelo antigo.

É assim com o saleiro de lanchonete. Aquele de vários furinhos, a maioria de plástico, que até mudam bastante nas mãos de designers, mas nunca dão certo. Já vi até o saleiro de um furo só. No final, porém, a gente acaba precisando de mais buraquinhos para poder salgar a salada. E então o lindo modelo platinado de saleiro que custou os tubos acaba abandonado na gaveta depois de ser trocado pelo bom e velho saleiro de plástico.

Poderíamos ficar muito tempo na recordação dessas coisas prontas que o pessoal vive buscando um jeito de inovar, mas sempre estão quebrando a cara. A bisnaga de mostarda, escorredor de macarrão, abridor de garrafas, abridor de latas, a conversa vai longe.

Bares e lanchonetes andam substituindo a bisnaga de mostarda por saches, que trazem também ketchup ou maionese. Mas fizeram um objeto tão inviável que em alguns lugares o sache é acompanhando por uma tesourinha. O desperdício também deve ser imenso. Boa parte do conteúdo da mostarda ou de qualquer outro condimento acaba ficando dentro do plástico. O consumidor gosta também de levar uns dois ou três saches para casa, que depois acabam sendo esquecidos até irem para o lixo com a perda da validade.

Outro dia fiquei matutando sobre este desperdício multiplicado por milhares, milhões de consumidores. É de espantar a perda fantástica de alimento. E, claro, tem também o problema do sache ser de plástico, que é uma das questões mundiais mais graves apontadas pela ecologia.

Mas eu comecei pelo palito de dentes, um das coisas mais práticas que os bares e restaurantes oferecem ao cliente. O palito serve para fazer lindas estrelas sobre o prato, que vão se formando quando você joga algum líquido nos cantos quebrados. Dá para fazer o truque do copo. Os palitos ajudam muito a conter a impaciência enquanto o pedido não vem. Você vai quebrando um a um, riscando com eles a toalha, formando bem equilibradas composições. E não podemos esquecer o jogo de palitos. Enfim, são muito úteis como terapia de bar ou restaurante e até em casa quando falta assunto na relação com a patroa.

Só não servem para palitar os dentes, pois isso os dentistas não recomendam de forma alguma.

E o palito vem no paliteiro, é claro, já que estamos falando de objetos práticos aqui nesta crônica. Ou vinham, pois já faz algum tempo que venho me deparando por aí com algo muito curioso que é o palito com camisinha. Tirei a foto e a imagem está lá em cima para poupar mil palavras. Fizeram uma inacreditável embalagem individual de palito. É mais uma tentativa de mudar o que estava dando certo. E neste caso também é outra invenção com mais gastos e desperdícios para mexer no que já estava resolvido.

O pessoal não desiste de planos para reinventar a roda. Não vou me espantar se um dia desses eles aparecerem com uma embalagem para a banana. Isso depois de jogar fora a embalagem natural que a bananeira dá.
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POR José Pires

sexta-feira, 25 de novembro de 2011





Definitivamente estou mesmo ficando velho...


Um cartum em preto e branco, feito com lápis, pincel e tinta e que ainda por cima tem um cara lendo um jornal! Puxa vida, só falta o pijama...

A "burrice" do Ziraldo

O cartunista Ziraldo foi condenado por estelionato. A sentença é da Justiça Federal do Paraná e se deve negócios irregulares com dinheiro público. O cartunista recebeu R$ 75 mil para criar a logomarca de um salão de humor bancado pela prefeitura de Foz do Iguaçu. A cessão da marca obviamente era da prefeitura, mas Ziraldo registrou a marca como sua no Instituto Nacional de Propriedade Industrial.

Outras cinco pessoas também foram condenadas, inclusive o irmão de Ziraldo, o também cartunista Zélio Alves Pinto, que foi acusado de receber em duplicidade pagamento da prefeitura.

Ziraldo vai recorrer, é claro. O cartunista tem como advogado um sobrinho, Gustavo Teixeira, que já disse ao Estadão que o tio ficou "extremamente revoltado", o que dá pra entender. Sentença por estelionato revolta mesmo. Teixeira admitiu ao jornal que Ziraldo pode ter registrado a marca, mas vê o gesto do tio mais como “burrice” do que como dolo.

Está aí uma novidade jurídica e até muito boa para justificar qualquer tipo de corrupção. Tem sido usual políticos dizerem que nada sabiam do que aconteceu: a lorota do “não vi nada”. Agora podem dizer que “foi burrice”. O mensalão? Ah, foi “burrice”.

Mas, voltando à condenação por estelionato do pai do menino maluquinho, o juiz também definiu na sentença um agravo de conduta pela notoriedade do réu, destacando que a atitude de Ziraldo pesa ainda mais devido ao fato de ele ter “representatividade perante o público infantil”.

O sobrinho advogado também criticou essa parte, mas isso também não é inesperado. Advogado de condenado é sempre muito crica: nunca vê nada de bom na sentença. Mas eu estou de acordo com o juiz, afinal se a Branca de Neve começa a fazer maldades por aí o delito é sempre mais grave do que quando vem da Bruxa Malvada.

É claro que o Ziraldo não é nenhuma Branca de Neve, muito longe disso, mas como é que a gente vai explicar pra criançada que o cara que fez o Menino Maluquinho está metido com estelionato com dinheiro público? Nem podemos justificar pra meninada que foi só por “burrice”, senão vai dar um trabalhão danado para explicar para os petizes a diferença entre a “burrice” do tio Ziraldo e a “burrice” do tio Sarney.
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POR José Pires

quinta-feira, 24 de novembro de 2011