sexta-feira, 20 de janeiro de 2012





"Don’t talk to anyone. Don’t touch anyone", diz o texto do cartaz do filme "Contágio". É fácil achar um tradutor na internet. Mas corra, antes que a Motion Picture e seus parceiros de lobby resolvam que esse serviço também é ilegal...



O governo do PT precisa maneirar um pouco com esse negócio de acabar com a pobreza. Não vão manter nem uma reserva estratégica para fazer a ditadura do proletariado?


quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Celso Daniel:dez anos de um caso muito suspeito

O seqüestro do prefeito Celso Daniel completa hoje dez anos. Dois dias depois de seqüestrado ele foi encontrado morto, com sinais de tortura. Na época de sua morte, ele era um dos amigos mais próximos de Lula, que logo seria eleito presidente da República. Com o cargo de prefeito de Santo André, acumulava a coordenação da campanha presidencial do PT. A morte brutal foi em janeiro de 2002, o ano em que Lula se elegeu pela primeira vez. Já estão no terceiro mandato sucessivo, no que é de fato um governo de 9 anos.

Este é um daqueles casos políticos importantes que acompanhei de perto. No mesmo dia em que Daniel foi morto, o PT levantou por todo o Brasil uma estranha teoria de que podia estar em curso uma matança de petistas, num plano orquestrado pela direita.

Lembro-me de noticiário de televisão com Lula discursando em voz alta no enterro do prefeito e de várias autoridades petistas falando em todos o jornais e revistas sobre o que viam como uma conspiração criminosa contra o PT no Brasil. Um fato que pode muito bem servir para aferir a confiabilidade desta cúpula petista de então é que quase todos afundaram depois em denúncias de corrupção, envolvidos em maracutaias pesadas como foi o caso do mensalão.

Até altas personalidades petistas que se desviaram do mensalão, como Antonio Palocci, acabaram caindo depois por denúncias de corrupção, como aconteceu com ele primeiro no governo Lula e depois no governo de Dilma Rousseff, quando a imprensa revelou seu fantástico enriquecimento . Mesmo com a demissão no governo Lula, Palocci foi prestigiado na campanha eleitoral de Dilma Roussef e ganhou um ministério importante, para acabar sendo obrigado a pedir demissão levado pelas graves denúncias de corrupção

O poder de Palocci no PT foi sempre muito grande. Tanto que recebeu um voto de confiança de Dilma Rousseff mesmo depois de seu envolvimento num dos fatos políticos mais condenáveis deste país: a quebra criminosa do sigilo bancário de uma testemunha que servia como base de delitos praticados por ele na condição de ministro da Fazenda. É o famoso caso do caseiro Francenildo.

Palocci e seu peso extraordinário nas decisões de governo e também no PT servem muito bem para mostrar o significado que Celso Daniel poderia vir a ter com a vitória de Lula. Com a morte do prefeito petista, foi Palocci quem ocupou o seu llugar de coordenador da campanha de Lula e veio depois a ser poderoso no governo.

Com a morte de Daniel, a paranóia nacional que estava sendo instalada pelo PT foi resolvida de forma rápida pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, que colocou o Ministério da Justiça no caso e puxou para o gabinete da Presidência a condução do processo, oferecendo inclusive de forma pública proteção do Estado para qualquer um que se sentisse ameaçado.

Porém, estranhamente os líderes do PT não levaram nem um mês para abandonar qualquer referência política à morte do companheiro. Ao contrário disso, com o poder que conquistaram logo depois passaram a fazer tudo para que o caso fosse definido como um crime comum. Existem inclusive gravações feitas pela Polícia Federal de telefonemas entre petistas de alto poder que são até um constrangimento pela forma desumana das maquinações para o abafamento de investigações de um crime que causou a morte de um companheiro de partido e também amigo de todos eles.

O crime que vitimou Celso Daniel parece uma peça de ficção, com elementos que seriam tomados como inverossímeis até num desses filmes policiais que os americanos fazem aos montes. Só para ficar num exemplo, oito pessoas ligadas ao caso foram mortas. Assassinaram até o garçom que serviu a última refeição de Daniel, antes dele seguir de carro até a emboscada onde foi morto a tiros.

O garçom foi assassinado a tiros depois de perseguido em sua moto. Vinte dias depois foi executada com um tiro nas costas também a testemunha que viu o garçom ser morto. Até um daqueles diretores exagerados de Hollywood cortaria do enredo coisas tão incríveis.

Os acontecimentos extraordinários em torno deste crime são tantos que só um esclarecimento rigoroso permitiria apagar as suspeitas que foram crescendo ano após ano. É o que a família de Daniel tem pedido desde que ele foi morto e estranhamente é contra isso que lutam os que faziam política com ele na época.

Este é o ponto em que eu queria chegar, no que é para mim o essencial na suspeita sobre implicações muito mais graves do que a tese de crime comum que é sustentada com muita ênfase por gente que estava ao lado de Daniel na época de sua morte e que hoje mandam no PT e no governo.

Minha dúvida se sustenta numa pergunta muito simples que todos podemos fazer internamente: Qual é o amigo que não faria tudo para ir até o fim no esclarecimento do assassinato de alguém muito próximo? Pois o que os petistas têm feito nesses dez anos é um esforço brutal para que todos esqueçam o que aconteceu com o amigo deles.
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POR José Pires

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Olho vivo

Piada pronta não falta no Brasil. Agora apareceu mais uma com a abertura pelo Ministério da Justiça de processo administrativo para apurar denúncia de irregularidades na compra de câmeras e microfones e outros equipamentos de vigilância.

O material seria de péssima qualidade, informa um relatório reservado onde se diz que câmeras não estão em funcionamento e as que estão instaladas são de péssima qualidade. Suspeita-se também da compra de produtos contrabandeados do Paraguai para o Brasil e sem comprovação de origem. Ou seja, podem ser produtos piratas.

Bem, até aí tudo normal, em conformidade com os métodos das demais licitações públicas feitas no país. Então cadê a piada pronta? É que os equipamentos foram adquiridos para os presídios federais de segurança máxima de Catanduvas, no Paraná, e de Campo Grande, no Mato Grosso.

São coisas assim que fazem a gente se perguntar quem é que afinal está vigiando os ladrões.
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POR José Pires

Senso crítico desabilitado

É lamentável a forma que parte da imprensa tem usado para cobrir as aulas que o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, passou a fazer para recuperar a carteira de motorista que perdeu por infrações graves no trânsito. O ministro, que é um dos chefões do PT nacional e cacique poderoso do partido no Paraná, faz aulas de reciclagem na Escola de Educação de Trânsito de Brasília.

Em grande parte das matérias que saíram sobre o assunto os jornalistas tentam fazer humor, quando a situação, a meu ver, deveria ser tratada com seriedade e bastante rigor.

Brinca-se com o fato do ministro ter perdido a carteira, quando o que devia estar sendo dito de um modo claro é que Bernardo é um irresponsável por ter descumprido leis sobre as quais devia demonstrar até mais respeito que o cidadão comum, já que é uma figura destacada do governo federal. O ministro ocupa cargos no governo do PT desde o primeiro mandato de Lula e com isso alcançou fama nacional. Daí sua obrigação de dar exemplo de correção e cumprimento das leis. Mas fez o contrário.

Alguém acredita que num país sério uma autoridade federal seria mantida no cargo depois de perder a carteira de motorista e, além disso, sua falta de respeito à leis extremamente importantes ainda seria tratada de forma pitoresca em matérias jornalísticas?

Acidente de trânsito é algo tão grave no Brasil que, na minha visão, uma autoridade que perde a carteira deveria perder também o cargo. É uma questão de respeito ao motorista que respeita a lei. E também o respeito devido aos milhares de brasileiros mortos e feridos no trânsito, aos que ficaram incapacitados fisicamente e aos familiares que irão sofrer por toda a vida os efeitos da tragédia que é nosso trânsito.

O Brasil é campeão mundial em acidentes de trânsito, em sua maioria causados por excesso de velocidade, uma das causas do ministro ter acumulado pontos negativos suficientes para perder a habilitação.

Ninguém tem dúvida de que uma causa importante dos acidentes de trânsito no país é exatamente a falta de seriedade para encarar este assunto, inclusive com as leis excessivamente brandas que deixam impunes até motoristas que agem de forma criminosa.

Eu penso que parar de tratar um assunto tão sério de forma pitoresca pode ajudar bastante a conscientizar os motoristas dos terríveis riscos à vida provocados pelo mau comportamento na direção, que foi o que levou Paulo Bernardo a perder a carteira.
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POR José Pires

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012



quinta-feira, 12 de janeiro de 2012



Dos diários de Edmund Wilson

"Os movimentos são dominados por slogans e jargões, os quais poupam seus seguidores do trabalho de pensar."

A frase é de Edmund Wilson (1895-1972), o grande crítico literário americano. Ele escreveu isso em seus diários dos anos 20, publicados depois de sua morte. Esses anos 20 são os do século passado, é claro, o que mostra que vem de longe a existência de rebanhos da militância.

Seus diários Wilson foram publicados no Brasil pela editora Companhia das Letras, que infelizmente seguiu a receita cretina de abolir o índice onomástico, o que cria um trabalhão danado na hora de consultar. A editora fez o mesmo com os outros livro do crítico. Mas este dos diários traz uma ótima introdução feita por Leon Edel, o editor de seus textos póstumos.

Wilson é um antecipador de muita coisa de qualidade que surgiu na literatura ocidental, desde que começou a escrever em publicações importantes dos Estados Unidos. Só para se ter uma idéia, ele mostrou a importância de Ulisses logo que James Joyce conseguiu lançar o livro, em 1922. Quando Wilson escreveu sobre Ulisses, a obra ainda era tratada como pornografia e havia sido impressa apenas na França pela lendária Sakespeare and Company, de Silvia Beach.

Outros livros dele editados no Brasil são "Os manuscritos do Mar Morto", "11 ensaios" e "O Castelo de Axel", sendo este o seu livro mais conhecido, uma edição pioneira onde revela um olhar admirável e muita audácia para defender novidades literárias que ninguém queria aceitar naquela época.

"O Castelo de Axel" é traduzido por José Paulo Paes. "11 ensaios" tem seleção e prefácio de Paulo Francis, por sinal um belo prefácio. A tradução também é de Paes. Lá e cá, na escrita foi respeitada a qualidade.
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POR José Pires

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

De espírito novo

Já falei aqui sobre a novidade petista dos primeiros 100 dias de governo no segundo mandato. É o tal do estilo petista de governo: se não deu no primeiro ano, fica para o segundo. Neste mês de janeiro a presidente Dilma Rousseff tem a chance de finalmente começar seu governo. O primeiro ano deixa pra lá.

Ela pode começar inclusive anunciando medidas de impacto para os desabrigados pelas chuvas de...ste ano. Pode vir até com as mesmas promessas do ano passado, as mesmas que fez e não cumpriu. Os 100 dias começam agora.

E para não dizerem que só penso em fazer oposição ao PT, dou de graça um slogan mais apropriado para este recomeço. É um aproveitamento do logotipo do governo do ano passado — o que não está mais valendo. Como sei que vem crise braba por aí, não vou ser eu a criar gastos novos.

É a nossa esperança de que seja um governo de espírito novo, bem diferente do espírito cultivado nos nove anos anteriores.
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POR José Pires

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012



De forma lamentável, o Brasil já ultrapassou a fase da necessidade de separar o joio do trigo. Agora o que tem que ser separado é o trigo do joio.




Está mais do que comprovado que dinheiro não traz felicidade, mas quem é que não quer uma chance de provar o contrário?


Dividindo os lucros

Stanislaw Ponte Preta tinha uma boa frase sobre a eterna crise moral que assola o Brasil: “Restaure-se a moralidade ou nos locupletemos todos”. A frase é da década de 70, mas infelizmente ainda vale para hoje. E duvido muito que ela fique desatualizada algum dia neste país.

Que a corrupção sempre existiu, isso é algo sobre o qual ninguém diverge. É mesmo uma herança maldita, que vem sendo passada... de governo a governo desde muito tempo. Mas parece que com essa herança maldita o PT não tem nenhum problema.

Eles gostam muito dessa herança, tanto que aperfeiçoaram a rapina dos cofres públicos, que hoje é sistematizada de forma a contemplar uma porção maior de pessoas. Democratizaram a corrupção entre a companheirada, tornando popular o hábito de passar a mão no dinheiro do contribuinte. Não nos locupletamos todos, mas em tempo algum a corrupção atingiu tanta gente.
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POR José Pires

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011



quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

O controle do Estado, dos porões ao cotidiano do cidadão

Debaixo de um cartum publicado na quinta-feira passada Newton Moratto publicou um comentário onde analisa de forma bastante acertada o tema em questão, que é o do controle que vai se ampliando sobre a vida dos brasileiros. Vou republicá-lo aqui:


"Jota, este cartum é uma síntese da realidade atual inserida nos porões (ou banheiros) dos aparelhos estatais, não só policiais.

Interessante que serve também como metáfora para situações semelhantes, mas que não necessariamente a tortura ocorre fisicamente.

A principal tortura, hoje, é a da chantagem, contudo a brutalidade é a mesma. Se chantageia para contar, não contar, e para parar de contar. Ainda bem que é difícil achar a medida exata. É nesta falta de precisão que se escapa uma ou outra informação, que ao vir à tona se avoluma com outras tantas, que às vezes sequer faziam sentido.

Isto é o que permite haver algum - pequeno é verdade - controle sobre a máquina governamental.

É provável que ninguém tenha presenciado um diálogo deste teor. Porém, alguma dúvida que ele tenha ocorrido de uma forma ou de outra, explicita ou implicitamente? É uma realidade por detrás de outra realidade.

As questões atinentes a corrupção, sobretudo aquelas recentes, pode-se fazer deduções muito parecidas, e ninguém se arriscaria a dizer que a ilação é ilegítima.

Penso que é possível escrever muitas laudas sobre as sensações e as reflexões que o desenho e o texto causa. Sem contar aquelas que brotam de uma intuição, sem esforço, que não se exprime por palavras.

É melhor curtir do que descrever..."

Newton Moratto

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011



Sujando boas causas

Quem conta é o poeta Carlos Drummond de Andrade, no ótimo e pouco lido "O observador no escritório", livro onde ele escreve em forma de diário sobre coisas que viveu de 1943 a 1977.

"Julho, 17 — Aurélio Buarque de Holanda, conversando comigo, refere-se a um de nossos intelectuais: "Assim como há o inglês e o francês básicos, há também, para ele, um vocabulário português semi-básico."

Drummond data essa conversa de 1958, um ano antes de eu nascer, mas esta espécie de intelectual prolifera hoje no país, especialmente entre a esquerda. Maltratam de forma dolorida até assuntos que exigiriam no mínimo algum cuidado com a escrita. Com a deformação profissional aprendida nas universidades (onde alguns até repassam tudo o que não sabem) eles trazem naturais e consideráveis falhas de caráter.

Depois da desmoralização feita em temas brasileiros essenciais, agora este pessoal do português semi-básico (vai mesmo na ortografia antiga) adentra a área da ecologia, trazendo o risco de que suas linhas traiçoeiras joguem também a ecologia na sarjeta encardida onde foi parar uma porção de assuntos que precisavam de discussão de qualidade.

Coisas assim até despertam a suspeita de que a oportuna dedicação à ecologia pode ser do agrado dos interesses poderosos que avançam sobre o meio ambiente com seus tratores. Nada melhor para demolir a respeitabilidade da ecologia do que os textos (a favor) feitos por estes agregados do poder. E se não estiverem sendo pagos pelo serviço é até uma injustiça, já que o resultado do que fazem é sempre a desmoralização de idéias.

Foi o que fizeram com a discussão da ética no país, um assunto que ao passar por suas linhas rotas virou obra de penico. Ah, mas para isso já está bem comprovado que foram pagos pelos esquemas corruptos.
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POR José Pires

Claudio Kambé: um artista de alma sincera

O Cláudio Kambé foi uma das primeiras pessoas em que percebi aquela chama interna que avisa: eu sou um artista. Isso foi há bastante tempo, mais de trinta anos, quando começamos a trabalhar juntos no jornal Panorama, em Londrina, no norte do Paraná.

A experiência no jornal durou pouco, os cerca de seis meses da existência do projeto. Os jornalistas que tinham vindo de São Paulo para fazer a publicação diária tiveram um sério desentendimento com Paulo Pimentel, que era o dono da empresa, e todos voltaram para a capital paulista. Eu fui logo atrás, um mês ou dois meses depois, e o Kambé apareceu mais tarde na redação da Folha de S.Paulo, onde começou a desenhar, ele que é um daqueles raros desenhistas de imprensa que vai bem além de qualquer técnica de comunicação de massa. Ele traz em seu trabalho a tal chama do artista e isso dá uma diferença de qualidade para qualquer publicação.

Na Folha fez belas ilustrações, além de capas memoráveis para o antigo Folhetim, editado pelo Tarso de Castro, que logo que viu o Kambé teve a maior empatia com ele. Tarso tinha uma qualidade que me parece em falta hoje em dia nas redações (isso para ficar só na imprensa), que era a de ver no outro muito mais do que a relação profissional cotidiana. Alguns podem atacar de imediato como se isso fosse uma tola menção romântica, mas o efeito técnico de grande qualidade desse tipo de avaliação está comprovado nas publicações que o Tarso fez.

Essa visão humanística foi com certeza uma ferramenta essencial para o sucesso das publicações em que ele teve forte peso criativo, como O Pasquim, onde foi essencial, e em outras revoluções da nossa imprensa que saíram exclusivamente dele, como o Folhetim e a renovação da Folha Ilustrada, ambos da Folha de S. Paulo, quando este jornal brasileiro dava passos decisivos para sua modernização.

Nessa época Kambé ainda era o “Cambé”, o nome que tirou da cidade paranaense onde passou uma parte importante de sua vida. Foi só depois que trocou a consoante, sem que eu saiba o motivo.

Nessa época que vivemos com proximidade experiências profissionais em São Paulo, as relações políticas e profissionais no Brasil se estabeleciam de forma muito humana, com doses de respeito e generosidade que amenizavam o peso amargo da ditadura militar sobre o nosso cotidiano. A imprensa alternativa vivia sob censura e mesmo em redações como a da Folha a pressão interna era muito forte, com pessoas da própria empresa encarregadas de fazer a vigilância sobre o que se pretendia publicar.

Mas havia um ambiente humano de muita qualidade criado entre nós. E dava a impressão de que isso poderia florescer com a abertura democrática, mas infelizmente não foi o que aconteceu. Não tenho dúvida de que tínhamos ali um modelo de convivência e uma forma de produzir que poderia servir bastante ao país, mas me parece que não foi adiante.

Eu vivia em São Paulo aquele tempo, nunca morei no Rio, mas numa música do Dory Caimmy feita com o Paulo César Pinheiro eu ouço um eco daquilo que vi e gostei em São Paulo. É também um lamento pelo que se perdeu. Diz assim: “E o Rio com o passar do tempo/ de tanto sofrimento/ perdeu aquele jeito carinhoso de viver”.

Estou falando isso porque me chamou a atenção hoje uma declaração do Kambé ao Jornal de Londrina, que fez com ele uma reportagem. Lá, ele comenta sobre o ambiente que encontrou quando voltou à Folha de S.Paulo, ainda no início da década de 80. “Mas aí era outro conceito de trabalho e de amizade. Não quis ficar”, ele disse.

É muito parecido com a sensação que foi fazendo eu me afastar daquilo tudo, o que fiz muito mais tarde. O Kambé foi fazer suas pinturas, procurando morar em lugares afastados onde encontrasse a natureza e calor humano, numa busca de certa forma parecida com a do pintor francês Paul Gauguin. Eu permaneço próximo à imprensa e ao debate político, mas confesso que não faz bem para o estômago e nem à cabeça.

Esta fala do Kambé é importante também porque me liga ao que eu senti há mais de três décadas lá atrás, quando vi este amigo pela primeira vez. Foi este espírito humanístico, ainda bruto naqueles tempos, mas já com o amor pelo ser humano e também a dor com o tanto que fazem de mal com as pessoas neste país. E isto está presente em seus trabalhos de imprensa e também nas obras de arte que já fazia naqueles tempos e que hoje é sua atividade principal.

Para entender o Kambé pense no grande Van Gogh, mas não no sentido do estilo ou da forma, nada com a influência da pintura daquele mestre. O que se vê no Kambé é o espírito intenso do Van Gogh, que inspira amor pelo que somos e muita dor com o tanto que destruímos. É daí que sai a sua arte.
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POR José Pires

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Para ler a matéria do JL com o Claudio Kambé, clique aqui.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011




Serviço ao contrário

Quem conta é o poeta Carlos Drummond de Andrade, no ótimo e pouco lido "O observador no escritório", livro onde ele escreve em forma de diário sobre coisas que viveu de 1943 a 1977.

"Julho, 17 — Aurélio Buarque de Holanda, conversando comigo, refere-se a um de nossos intelectuais: "Assim como há o inglês e o francês básicos, há também, para ele, um vocabulário português semi-básico."

Drummond da......ta essa conversa de 1958, um ano antes de eu nascer, mas esta espécie de intelectual prolifera hoje no país, especialmente entre a esquerda. Maltratam de forma dolorida até assuntos que exigiriam no mínimo algum cuidado com a escrita. Com a deformação profissional aprendida nas universidades (onde alguns até repassam tudo o que não sabem) eles trazem naturais e consideráveis falhas de caráter.

Depois da desmoralização feita em temas brasileiros essenciais, agora este pessoal do português semi-básico (vai mesmo na ortografia antiga) adentra a área da ecologia, trazendo o risco de que suas linhas traiçoeiras joguem também a ecologia na sarjeta encardida onde foi parar uma porção de assuntos que precisavam de discussão de qualidade.

Coisas assim até despertam a suspeita de que a oportuna dedicação à ecologia pode ser do agrado dos interesses poderosos que avançam sobre o meio ambiente com seus tratores. Nada melhor para demolir a respeitabilidade da ecologia do que os textos (a favor) feitos por estes agregados do poder. E se não estiverem sendo pagos pelo serviço é até uma injustiça, já que o resultado do que fazem é sempre a desmoralização de idéias.

Foi o que fizeram com a discussão da ética no país, um assunto que ao passar por suas linhas rotas virou obra de penico. Ah, mas para isso já está bem comprovado que foram pagos pelos esquemas corruptos.
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POR José Pires



Cá entre nós, nesses tempos em que vivemos Judas ia ser passado para trás fácil, fácil: Tem muita gente aí que faria o serviço por bem menos que 30 dinheiros.




"Leis são como salsichas. É melhor não ver como elas são feitas." A frase é de Bismarck. E ele não conhecia o nosso Legislativo.


sexta-feira, 23 de dezembro de 2011





Espírito de Natal é uma coisa bacana. Mas tem que tomar cuidado para que no restante do ano não prevaleça o espírito de porco.




"O Estado Novo é o estado a que chegamos."

A frase é de Apparicio Torelly Apporelly (1895-1971), o Barão de Itararé, e é evidentemente sobre o Estado Novo de Getúlio Vargas, que foi de 1937 a 1945.

O grande Barão não viveu pra ver o estado a que chegamos com o PT no poder.





Acho que os padres devem casar. Depois de tanto tempo fazendo o casamento dos outros acho muito justo que tenham uma dose do seu próprio remédio.


quinta-feira, 22 de dezembro de 2011