sexta-feira, 23 de março de 2012

Em extinção

Dados trazidos pela jornalista Daniela Kresch, em matéria do jornal O Globo: no berço do cristianismo os cristãos vão ficando cada vez mais raros.

O Oriente Médio tem hoje cerca de 500 milhões de habitantes, sendo que apenas 15 milhões são cristãos, algo em torno de 3%. Em Belém, cidade histórica para os cristãos, a situação é bem grave. A população era formada há vinte anos por 80% de cristãos. Hoje eles são menos de 35%.

No Líbano os cristãos já foram maioria. Na época da independência do país em 1943 eram 75%. Hoje são 35% da população. E por aí vai.

Os números parecem revelar um resultado que vem de diferentes posturas das religiões. O cristianismo se aprimorou com o tempo e apreendeu a tolerância e o respeito a quem pensa de forma diferente, o que não acontece com a religião predominante atualmente no Oriente Médio, o islamismo. Com a intolerância que predomina por lá, hoje em dia é até perigoso ser cristão naquela região.
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POR José Pires

quinta-feira, 22 de março de 2012


O trânsito brasileiro atropelando o bom senso

Acredito que todos já sabem do atropelamento do ciclista Wanderson Pereira da Silva, de 30 anos, por Thor Batista, de 20 anos, ocorrido na noite de sábado, numa rodovia da Baixada Fluminense.

Thor é filho do milionário Eike Batista. Depois do acidente o paí andou postando textos no Twitter dizendo que o culpado é o ciclista, que morreu na hora. Numa entrevista à colunista Monica Bergamo, da Folha de S. Paulo, o empresário foi até indelicado com a vítima, dizendo que além de imprudente, o ciclista poderia "ter matado meu filho".

"A imprudência do ciclista causou, infelizmente, a sua morte. Mas podia ter levado três pessoas [Thor e o amigo que estava com ele no carro]", ele disse à colunista. Como costuma falar a rapaziada, menos, menos, mas muito menos mesmo.

Nem vou perguntar por que é que Eike Batista está dando entrevista sobre o atropelamento para uma prestigiada colunista, e ainda mais com conclusões tão definitivas de quem inclusive não pode alegar independência nenhuma no caso, mas, como já fiz isso, fica como uma pergunta retórica.

Mas o que é fato mesmo é que é sempre muito difícil um ciclista causar a morte de um motorista dentro do carro. Nunca soube de algo assim. Você já viu alguma manchete sobre a morte de um motorista causada por um ciclista? Desconheço. Deve ser mais fácil encontrar a manchete do homem que mordeu o cachorro.

Mas o contrário ocorre sempre. Só na cidade de São Paulo são mais de 50 ciclistas mortos todo ano. E mortandade parecida acontece pelo país afora. Sem falar nos muitos que ficam com sequelas graves. E a razão é na maioria das vezes o desrespeito do motorista. Muitas dessas mortes seriam evitadas se o motorista seguisse uma regra legal muito simples: passar a pelo menos 1,5 metro de distância do ciclista.

O filho de Eike Batista também culpou o ciclista pelo acidente. Fez isso no Twitter. Ele disse que dirigia com cuidado e "repentinamente" o ciclista veio do acostamento em sua direção. Thor dá inclusive o detalhe de que Wanderson, o ciclista, empurrava a bicicleta com o pé esquerdo no chão. E destaca que ele estava "sentado, porém, no banco da bicicleta". Gostei do "porém", tão bem colocado, ainda mais num texto do Twitter, "naum" é mesmo? E, sem dúvida, são informações de alguém com uma memória muito boa, mesmo tendo passado por um trauma como este.

Mas acontece que a versão do advogado do ciclista morto no atropelamento é bem diferente. Ele diz que Thor atropelou no acostamento. Segundo o advogado, moradores locais afirmam que Thor tentou cortar um ônibus, quando perdeu o controle do veículo e atingiu o ciclista no acostamento.

Poderíamos ficar então na velha fórmula dos dois lados, mas surgiram também fatos que são pra lá de condenadores da atuação de Thor Batista por detrás de um volante.

Por lei, Thor Batista nem poderia estar dirigindo um carro. Ele já somou 51 pontos na habilitação e isso em apenas 1 ano e meio ao volante. Desses pontos, 21 são por cinco infrações por excesso de velocidade. Ele estava então em período probatório e se não fosse a lentidão no registro de multas nem teria tirado a carteira definitiva.

A assessoria de Thor, disse que "o rapaz não sabia da existência desses pontos". Aliás, até o Grupo EBX, do pai do "rapaz", lançou nota sobre o atropelamento. A empresa afirma também que o ciclista "atravessava inadvertidamente". Não, o grupo EBX não está no ramo de bicicletas e nem mesmo no do carro Mercedes SLR McLaren, que Thor dirigia no momento do atropelamento. Na Europa o carro custa R$ 890 mil e pode chegar a 334 km por hora de velocidade.

É bastante gente no assunto, não é mesmo? E é claro que será mais um caso de atropelamento que não vai dar em nada. O destino provável é o mesmo de outras mortes no trãnsito, seja de ciclistas ou não.

E nem estou dizendo isso só porque está em cena gente de muita grana, de bastante influência política. E nem tampouco estou prejulgando o atropelador. Mas ocorre que morte no trânsito já virou uma banalidade na vida brasileira, como se fosse um processo natural. É algo já inserido no cotidiano e visto como inevitável, da mesma forma que uma fruta cai de uma árvore e espatifa-se na rua.
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POR José Pires


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Imagem: A sombra deste ciclista que escreve. Já fui fechado, acossado pelos carros por detrás da minha bicicleta, recebi luz alta na cara e até objetos lançados contra mim. E o iinteressante é que os motoristas estavam sempre certos.

terça-feira, 20 de março de 2012




Lixo reciclável sempre fora da pauta política

O jornal O Globo publica uma boa matéria sobre a reciclagem do lixo no Rio de Janeiro. Eles estão fazendo uma série chamada "Desleixo insustentável", que fala hoje sobre a situação do catador. O que ficamos sabendo não é muito diferente do que ocorre com o catador na maioria das cidades brasileiras, quase todas elas sem nenhuma atenção à questão da coleta do lixo que pode ser reaproveitado.

Em todo o Brasil a miséria é muito grande entre os catadores. Ganham pouco, trabalham sem nenhuma infraestrutura e são mantidos numa informalidade que não permite que alcancem uma situação digna na vida. Como ocorre em todas as partes do país, esta função essencial é vista como atividade de miserável. Não se profissionaliza de forma alguma.

Em muitos casos, o catador é explorado por máfias que lucram com seu trabalho sem que ele possa obter qualificação e uma vida digna. No Rio, segundo a reportagem (que ser lida aqui) a informalidade movimentava R$ 24 milhões por ano, até 2011. É claro que o catadores não levam nem migalhas disso tudo.

A reciclagem no Brasil também é explorada por políticos que usam a necessidade dos mais pobres para fazer deste setor mais um instrumento assistencialista que serve à demagogia, sem que tenha uma real influência no ataque ao problema do lixo.

O Globo conta que um catador ganha hoje na dita Cidade Maravilhosa cerca de R$ 35 por noite. E o serviço tem que ser acelerado, numa batalha contra o tempo. Eles precisam se antecipar aos caminhões da Comlurb para encontrar garrafas PET, papelão, papel branco, latinhas, ferro, cobre e o que mais possa ter valor.

Este serviço é feito sem nenhum tipo de transporte que não seja o do "burro sem rabo", conta o jornal. Ou seja, homens e mulheres têm que puxar carrinhos sempre muito pesados para fazer o recolhimento de material reciclável.

Como eu disse, é igualzinho ao que acontece nas ruas de cidades de todo o país. E isso quando a cidade ainda pode contar com o trabalho de gente que é levada a esta função tão importante apenas pela necessidade de ganhar o pão de cada dia.

Em todo o Brasil não existe política alguma de profissionalização deste setor essencial para começarmos a enfrentar os dias duros que já se pode antever que virão na ecologia mundial. O que atualmente vemos é a notória praga que são os políticos se aproveitanto do tema de forma irresponsável e demagógica. Enquanto isso, seguimos com mais este problema se acumulando nas ruas das nossas cidades.
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POR José Pires


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Imagem: Na foto de Pedro Kirilos, de O Globo, catadores chegam a um aterro de lixo no Rio de Janeiro. Uma atividade que deveria ser encarada com profissionalismo é relegado ao assistencialismo e à exploração de gente muito pobre.

Pedalando com segurança

Quem disse que não surgem dos nossos políticos boas idéias para a resolução de problemas? O presidente da Câmara Municipal de São Paulo, José Police Neto (PSD), mostrou de forma simples como um ciclista pode pedalar com segurança pelas ruas da capital paulista.

Há um ano e meio Police Neto é um adepto da bicicleta e quando sai para pedalar tem sempre na sua cola uma equipe de PMs, segurança a que tem direito como presidente da Câmara. Os policiais seguem de bicicleta o vereador e vão gesticulando o tempo todo para os motoristas, indicando por onde vão as bicicletas e exigindo o devido respeito ao prestigiado ciclista.

No site da Folha de S. Paulo a gente fica sabendo que outro dia Police Neto foi fechado por um carro, coisa que é comum acontecer com qualquer ciclista, mas no seu caso os PMs pararam o veículo infrator e deram uma espinafrada no motorista.

Está aí uma solução para resolver os dramas que os ciclistas enfrentam sempre que saem para dar umas pedaladas pelas ruas de qualquer cidade brasileira. Mais seguro ainda que andar com um PM ao lado seria ter batedores de motocicleta à frente, mas isso acredito que pode ficar para depois.

E como temos eleição municipal daqui a poucos meses, está aí uma promessa boa para ganhar votos entre o eleitorado ciclista.
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POR José Pires


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Imagem: O vereador e presidente da Câmara paulistana, José Police Neto, pedala com segurança pelas ruas da capital paulista, com o PM ao lado de olho nos carros. A foto é do site da Folha de S. Paulo, cujo link está embaixo.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Buscando aquele livro

Ter uma biblioteca desorganizada é sempre um problema, principalmente pela perda de tempo na localização de referências essenciais para o trabalho ou até para completar alguma leitura. Mas a desordem tem sua compensação. No meio da livraiada algumas vezes surge a alegria de reencontrar uma obra que a gente nem se lembrava de possuir e aí temos então mais um bom livro para reler.

E de vez em quando encontro até dois títulos iguais, cuja explicação muito fácil é a da compra em duplicidade ter sido provocada não só pela desordem da biblioteca, mas também pela dificuldade de lembrar de tantos livros que vamos juntando pela vida afora. Só depois de ter adquirido o livro em um sebo (com grande contentamento pela descoberta) é que fui ver que já tinha o mesmo título na biblioteca. Mas essa descoberta é quase sempre feita quando estou buscando outra coisa. Bem, mas o livro sendo bom é sempre melhor ter dois volumes da mesma obra do que não ter nenhum.
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POR José Pires


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Imagem: Livro de madeira desenhado e feito à mão pelo grande Saul Steinberg (1914–1999). E o autor do livro também é muito bom.

terça-feira, 6 de março de 2012

Defendendo o que é nosso

Agora vai. O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, está esperando o "ok" da presidente Dilma Rousseff para perdoar o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke. Ele pediu desculpas por ter dito que o governo brasileiro precisa de um pé na bunda para começar a trabalhar direito na organização da Copa de 2014.

Valcke alegou que teria havido um erro na tradução para o português do que ele falou em francês. É claro que ninguém acredita numa lorota dessas, mas Valcke até tem que agradecer da sua declaração não ter sido traduzida por um poeta.

Tem gente que garante que o secretário-geral disse mesmo "se donner un coup de pied au cul". Um poeta teria de respeitar o ritmo e a rima da frase e aí a coisa ficaria bem mais complicada para o lado do bocudo do da Fifa.

Mas na minha visão acho que a decisão de perdoar ou não Valcke não deveria ficar só com a Dilma. O que aconteceu é coisa muito séria. Como a bunda da pátria foi ofendida, acho que é caso para plebiscito nacional.
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POR José Pires

Acelerando com o pé

Nesta patética polêmica sobre o secretário-geral da Fifa e sua declaração sobre as dificuldades de tocar as obras da Copa de 2014, se existe dúvida é só mesmo de tradução. O correto é chute na bunda ou no traseiro? Mas de qualquer forma o resultado é o mesmo.

E até quem acha que foi grosseria do dirigente da FIFA não pode negar o mérito de suas críticas. Falta empenho, não existe projeto e no meio temos como sempre o domínio da corrupção. Penso até que o Brasil não tinha a necessidade de fazer essa Copa e no momento nem tem a capacidade para isso. Este é o tipo de jogo em que o empate já estaria muito bom, mas o mais provável é que venha uma goleada feia contra o país. Mas fazer o quê? Lula precisava emplacar sua candidata Dilma Rousseff na presidência da República, então temos aí uma Copa para fazer.

E todo mundo vê que a coisa não anda e também percebe que aquilo que está sendo feito não fica próximo nem de um nível de qualidade apenas aceitável. As pessoas sabem também que agindo dessa dessa forma, o governo do PT está colocando o país em um risco tremendo de acontecer até alguma tragédia durante a realização deste torneio de futebol, se é que ele vai ocorrer mesmo. Todos sabem, mas como acontece o tempo todo por aqui, são poucos os que tem peito de tocar no assunto.

Chute no traseiro ou chute na bunda, não importa. Mas se tivesse o efeito de fazer este governo acordar para a necessidade de trabalhar com seriedade até que um pé certeiro desses viria bem.
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POR José Pires

domingo, 4 de março de 2012

A bicicleta como alvo


A morte da ciclista Juliana Ingrid Dias, atropelada por um ônibus na Avenida Paulista, é um retrato da difícil convivência entre os carros e as bicicletas nas cidades brasileiras. Quem anda de bicicleta sofre muito com a falta de respeito de quem está atrás de um volante. E eu sei disso muito bem, pois sou ciclista.

No geral, há pouco respeito pelo ciclista e existe também aquele motorista que adota um comportamento criminoso quando vê alguém de bicicleta à sua frente. Conforme testemunhas do acidente em São Paulo, foi o que aconteceu com a ciclista Juliana. Ela foi fechada por um ônibus e quando discutia com o motorista perdeu o equilíbrio e caiu, quando veio um outro ônibus e a matou.

Segundo a polícia, o motorista que causou o acidente será indiciado por homicídio culposo. Ele foi preso em flagrante, mas foi solto depois de pagar fiança. E é improvável que a justiça seja feita num caso como este. Do jeito que está o país a tendência é que este caso siga os descaminhos de tantos outros, que seguem por anos sem chegar a nenhum resultado justo.

Juliana morreu na sexta-feira e foi enterrada ontem. Era bióloga e trabalhava no Hospital Albert Einstein. Ela usava a bicicleta diariamente para ir de casa ao hospital e foi exatamente neste percurso que acabou sendo atropelada.

A repercussão da sua morte se deve à rápida mobilização de amigos ciclistas, que são bastante organizados na capital paulista. São muito unidos e ocupam a cidade com suas magrelas que cada vez mais se tornam uma opção de transporte bastante usada, principalmente pelos jovens. Ela própria era uma militante pelo uso da bicicleta, além de fazer parte de um grupo que plantava árvores pela cidade.

Ainda no sábado, logo depois do atropelamento, os amigos de Juliana foram chegando à Avenida Paulista e se deitaram no chão em sinal de protesto, parando a Avenida Paulista. Outras manifestações foram se seguindo, inclusive a colocação de uma bicicleta pintada de branco (chamada por eles de “ghost bike”; veja abaixo) simbolizando a ciclista morta. Eles também plantaram cerejeiras numa praça. A árvore era a preferida de Juliana.

As manifestações serviram para chamar a atenção para o uso da bicicleta na capital paulista, destacando a falta de respeito dos motoristas com quem anda de bicicleta e a ausência de fiscalização e punição sobre os que não cumprem leis que protegem o ciclista. No caso de Juliana, sua morte não teria ocorrido se o motorista do ônibus cumprisse uma lei simples que proíbe qualquer veículo de ultrapassar ciclistas se estiver a menos de 1,5 metro de sua lateral. É também muito claro pelos testemunhos que ele pressionou a ciclista e causou a desatenção que levou á sua morte.

Mas o descumprimento de uma lei tão óbvia como esta não é a única forma de desrespeito com o ciclista. Uma série de riscos poderia ser evitada se quem está por detrás de um volante usasse o bom senso, a começar pela compreensão de que uma pequena batida pode resultar na queda do ciclista. Carro com carro causa um leve risco na lataria. Já com a bicicleta isso pode causar morte.

E cair da bicicleta pode ser muito grave, mesmo que ela esteja em pouca velocidade. Isso é uma coisa que aprendi por experiência própria e numa situação que sem o uso do capacete eu poderia ter morrido. Ou coisa pior.

Outra questão muito simples é o respeito a um direito óbvio do ciclista, que é o de trafegar pelas ruas. Parece piada falar isso, mas muitos motoristas agem com o ciclista como se ele fosse um intruso trafegando ilegalmente pelas ruas.

Carros forçam a passagem e passam tirando fina das bicicletas, dão buzinadas para pressionar e alguns ainda aceleram de forma ameaçadora, afligindo o ciclista com freadas bruscas às suas costas e forçando passagem com fechadas. Quase todos que fazem essas barbaridades também acham sempre que estão com a razão e dizem isso xingando a vítima que vai sobre duas rodas.

Em alguns motoristas a visão de um ciclista parece despertar instintos bárbaros de ocupação do espaço das ruas pela violência. E quando isso acontece, perde sempre quem está na bicicleta, como aconteceu em São Paulo com a Juliana e acontece com tantos ciclistas neste Brasil que valoriza de forma estúpida o carro e não vê que na verdade o veículo do futuro é a bicicleta.
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POR José Pires

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Imagem: A bicicleta pintada de branco lembra a morte de mais um ciclista. Juliana Ingrid Dias, uma garota bacana que amava o ciclismo e plantava árvores pela cidade morreu em São Paulo por causa da estupidez de um motorista de ônibus. A foto é do blog Corredor Disciplinado.

sábado, 3 de março de 2012

Time unido

O Blog do Menon deu uma informação importante nesta quinta-feira sobre a resistência de Ricardo Teixeira na presidência da CBF. Teixeira dava sinais de que ia renunciar, mas no último momento desistiu. O Blog do Menon conta que ele se convenceu a ficar na presidência depois de um telefonema do ex-presidente Lula.

Quem pediu ao Lula para ele ligar para Teixeira foram o ex- jogador Ronaldo, que virou cartola da CBF, e Andrés Sanchez, que foi presidente do Corinthians e atualmente é diretor de seleções da CBF. No telefonema, Lula falou a mesma coisa que os dois vinham dizendo sem conseguir convencer o presidente da CBF: para eles, renunciar seria como uma confissão de culpa.

Lula repetiu o argumento e Teixeira desistiu da renúncia. Até quando, ninguém sabe. Mas o apoiamento entre Ronaldo, Sanchez e mais o Lula e o Ricardo Teixeira só vem confirmar aquele velho ditado gaúcho que diz que “os gambás se cheiram”. E como se cheiram, tchê.
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POR José Pires

quinta-feira, 1 de março de 2012

De olho nos peixes

O senador Marcelo Crivella foi nomeado para o Ministério da Pesca, a incrível pasta criada pelo PT. É um ministério insignificante, mas de qualquer forma lida com um assunto específico com o qual o escolhido não havia mostrado até hoje nenhuma proximidade. Crivella é um assim chamado “bispo” da Igreja Universal do Reino de Deus. Mais que isso, é sobrinho do dono da igreja, o auto-intitulado bispo Edir Macedo. É seu predileto e certamente seu herdeiro.

A nomeação do bispo da Igreja Universal para o Ministério da Pesca dá espaço para a piada fácil sobre a multiplicação dos peixes. Mas essa gente não é de multiplicar peixe algum. O negócio deles é tomar o peixe dos pobres. Já se veicula que o verdadeiro motivo da nomeação de Crivella seria aplacar a ira dos evangélicos com as encrencas armadas pelo governo petista e sua militância. Outra razão seria fortalecer a candidatura de Fernando Haddad a prefeitura paulistana. A eleição em São Paulo virou uma guerra santa para PT, que está fazendo tudo para emplacar o candidato nomeado por Lula — a coisa está assim: agora no PT tem nomeação até de candidato.

No meio de tudo isso nós temos a rede de comunicação da Igreja Universal, concentrada na Rede Record e que tem jornais, rádio e a própria televisão cobrindo o país todo. E alguém pode achar que o bispo Macedo está sozinho nessa?

Uma coincidência que dá firmeza a suspeita de que esta empreitada vem sendo fortalecida também de fora da Igreja Universal é que lá na TV Record vão parar todos os jornalistas que prestam um bom serviço na internet de defesa do governo e ataque cerrado contra a oposição. Os cargos são sempre muito bem pagos, é claro.

A rede de comunicações da Igreja Universal junta controle da informação, religião fundamentalista e políticos com poder direto sobre a comunicação, além de ter como base a manipulação de sentimentos religiosos, de onde inclusive veio de início o dinheiro para a montagem da forte estrutura desta igreja que se sustenta da exploração da crença religiosa principalmente dos mais pobres.

São ingredientes péssimos para a democracia de qualquer país, mas especialmente perigosos para um sistema político como a nosso, que até hoje não se acertou. Enquanto as militâncias incitam a ira contra a TV Globo, Folha de S. Paulo, revista Veja e outras publicações, vão chocando o ovo desta que é a verdadeira serpente.
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POR José Pires

A grande causa de tudo

Estava demorando, mas os petistas descobriram afinal a causa da administração do país na mão deles ser tão precária, repleta de trapalhadas e projetos que não andam de jeito nenhum: o problema é que o Brasil é muito grande.

Parece até marcação, coisa dessa raridade brasileira que é gente que faz oposição, mas foi exatamente isso que o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, disse em audiência no Senado, onde esteve dando respostas à Comissão de Educação.

Explicando os seguidos problemas do Enem, com vazamentos de dados e extravio de provas, Mercadante disse o seguinte: “O MEC não tem culpa de o Brasil ser tão grande e diverso. São 140 mil salas, 400 mil pessoas fiscalizando. E tem de ter um sigilo absoluto. O risco logístico sempre haverá”.

Então ficamos assim: o Haiti é aqui porque o Brasil não é do tamanho do Haiti.
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POR José Pires

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Desleixo também no gelo

Quem está fazendo falta neste caso da destruição da base militar e científica do Brasil na Antártida é o ex-presidente Lula. Era interessante observar suas tiradas quando aconteciam coisas parecidas em seu governo.

Lula só não poderia repetir o que falou em agosto de 2003 quando aconteceu a tragédia em Alcântara, no Maranhão com a explosão do foguete causando a morte de 21 pessoas. Lula disse então que “há males que vem para bem”. Naquela época o Supremo Apedeuta se colocava no papel do governante que chegava para consertar o Brasil.

A frase idiota que desconsiderava o tamanho da tragédia era só o começo. Tantas outras viriam depois, mas, dando um desconto à sua conhecida coleção de bobagens expressadas como se fossem pérolas de sabedoria, é provável que ele estivesse tentando dizer que a partir do conhecimento do erro seria possível consertá-lo e até melhorar a condução a partir dali.

Mas a história é bem diferente neste incêndio que destruiu a base brasileira da Antártida, onde também morreram dois oficiais do Exército. Na época da tragédia de Alcântara o PT estava em início de governo e havia até algum sentido que viessem com a conversa da “herança maldita”, como de fato vieram e não só neste assunto como também em tantos outros. Mas agora, no caso da Antártida, já vamos para dez anos de governos ininterruptos do PT. Não dá para culpar tucanos. E nem os pobres dos pingüins.

Mas a cobrança de resultados nesta área deixa os governos do PT numa situação muito ruim. Bastaria dizer que o ministério que cuida do assunto, o da Ciência e Tecnologia, é uma das pastas menos valorizadas deste governo. E isso quando já avançamos uma década do século 21, numa situação mundial em que a ciência e a tecnologia são cada vez mais indispensáveis até para a prevenção dos inevitáveis danos que já aparecem no horizonte. E a Antártida é um dos terrenos essenciais para a compreensão do que vem ocorrendo com o planeta, além de ser um ponto estratégico também essencial.

Pois o ministério que cuida disso é tão de segunda linha que o ministro anterior, o revogável Aloizio Mercadante, teve uma promoção para o ministério da Educação antes de mostrar qualquer serviço. O nome do ministro atual não interessa, mas alguém sabe de algo que Mercadante fez no ministério da Ciência e Tecnologia para merecer a promoção de cargo?

O descaso deste governo com o conhecimento científico pode ser mostrado nos números relacionados à base da Antártida que se foi com o incêndio. Em 2011 a Missão Antártida tinha para investimento em infraestrutura R$ 16,5 milhões. Em 2012 o orçamento é de R$ 9,78 milhões, uma queda de 41%. Até parlamentares do governo dizem que um orçamento desta ordem não permite que a estrutura física e de logística ofereça sustentação às pesquisas.

O metereologista Rubens Junqueira Villela foi o primeiro brasileiro a chegar ao polo sul, em novembro de 1961. Conhece bem a situação das pesquisas na Antártida. O site do Estadão ouviu dele que a situação já estava complicada antes do acidente. "A distribuição de verba era muito irregular, ano tinha, ano não tinha. Isso acaba prejudicando as pesquisas", ele disse.

A recuperação da estação brasileira no continente gelado vai levar pelo menos dois anos e sua destruição pelo fogo foi um fiasco internacional para o Brasil. O governo federal terá também de retirar a embarcação brasileira que afundou por lá em dezembro de 2011, com 10 mil litros de óleo combustível. Nos dias anteriores ao incêndio na estação a preocupação do governo Dilma era a de abafar o naufrágio.

Em razão dos problemas do desmatamento que pode levar à destruição da Amazônia, o Brasil já sofre com um descrédito internacional bem forte sobre sua capacidade para cuidar do próprio quintal. É preciso tomar mais cuidado para o país não criar fama de incompetência também em terrenos mais distantes.
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POR José Pires

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Imagem: Na falta de tucano para botar culpa pode sobrar para o pingüim.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012


Partido dos sem-votos

O jornal O Estado de S. Paulo publica hoje uma excelente matéria sobre política onde revela números que mostram a falência do sistema político brasileiro. Sem ter disputado nenhuma eleição, o recém-criado PSD já chega à Câmara Federal com 47 deputados.

Isto já é um fato que demonstra o absurdo deste sistema, mas o negócio é ainda pior: dos 47 deputados do PSD apenas 1 teve votos suficientes para se eleger por conta própria. Todos os outros 46 foram eleitos graças à soma da votação de seus antigos partidos. Ou seja, o PSD é formado na verdade por políticos que foram favorecidos pelo quociente eleitoral, outra medida muito discutível do sistema eleitoral brasileiro.

Este antigo problema da troca de partidos parecia ter sido resolvido por uma lei da própria Câmara, mas como os políticos brasileiros costumam fazer, seja por má-fé ou por serem mesmo maus legisladores, a lei podia ser burlada de uma forma que foi aproveitada pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, na criação de seu partido.

Por lei, com a mudança de partido o deputado perde o mandato, mas uma pequena cláusula permite a mudança se for para a criação de um novo partido. Foi aí que o prefeito Kassab lembrou que até pode ter crescido na política sob a proteção do tucano José Serra, mas foi feito mesmo é de barro malufista. Ou lama malufista, termo mais apropriado.

É também particularmente revelador da situação grave a que chegamos o fato da desmoralização do processo político vir do grande aliado de um político como Serra que — ao menos em teoria — como líder da oposição estaria aí para aprimorar a democracia.

Atualmente o PSD sofre alguma conseqüência de ser um partido nascido de um jeito que o faz parecer uma fraude. Recebe menos de 0,2% do Fundo Partidário porque é tratado como partido nanico pela Justiça Eleitoral, o que está muito certo: o financiamento público dos partidos é feito de acordo como o número de votos para a Câmara dos Deputados e o PSD não participou de nenhuma eleição. Sob o mesmo raciocínio, a bancada do partido não serve como base para o rateio da propaganda eleitoral gratuita. Pode ser que Kassab tenha que gritar muito rápido na TV: “Meu nome é Kassab!”.

Mas como vivemos no Brasil, estamos ainda no “pode ser”. Kassab e seus correligionários já entraram com uma ação que pede a redivisão do Fundo Partidário para o PSD abocanhar uma parte bem maior do que está previsto. Se o TSE acolher a ação de Kassab que favorece seu partido, então estará completada a avacalhação do sistema partidário brasileiro.
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POR José Pires

Leis em cima de leis

A Câmara Municipal de São Paulo pretende estender a Lei da Ficha Limpa a todas as nomeações da prefeitura da capital paulista. E o governo paulista também prepara um decreto para barrar nomeações de condenados pela Justiça.

Parece notícia boa, mas é apenas a exposição de um quadro muito ruim: até agora qualquer larápio pode ser nomeado. E, cá entre nós, num país que precisa de uma lei específica para barrar bandido é bem provável que isso não funcione.
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POR José Pires

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Paulo Henrique Amorim, racismo e acusações

Paulo Henrique Amorim perdeu uma ação judicial feita contra ele pelo jornalista Heraldo Pereira, repórter e integrante da bancada do Jornal Nacional, da Rede Globo. Amorim terá de pagar R$ 30 mil a uma instituição de caridade indicada por Pereira, publicar uma retratação nos jornais Folha de S. Paulo e Correio Braziliense e também retirar de seu blog “Conversa Afiada” os textos que motivaram a ação.

E os ataques foram muito pesados. Nada surpreendente se visto no conjunto de obra de Amorim, que costuma bater com vigor em adversários do governo do PT, mas de qualquer forma o que ele escreveu sobre Heraldo Pereira teria mesmo de ser levado à Justiça.

E a vitória do jornalista da TV Globo é muito bem-vinda até pelos efeitos digamos assim, didáticos, que pode ter sobre seguidores do estilo de Amorim que saem pelas páginas das redes sociais postando comentários grosseiros e insultuosos. É até profilático o efeito de um processo desses, pois pode servir como um aviso e evitar muita sujeira que este pessoal apronta.

Amorim terá de se retratar inclusive de uma declaração racista. Ele chamou o jornalista da Globo de “negro de alma branca”, além de afirmar que ele “faz apenas bico na Globo” e seria “empregado de Gilmar Mendes”. O processo de Heraldo Pereira teve este desfecho na área cível, mas sobre este mesmo fato Amorim ainda responde a um processo na área criminal com denúncia feita pelo Ministério Público Federal. A acusação é por crime de injúria racial e racismo e já foi aceita pela Justiça.

Esta condenação de Amorim e o processo do MP me faz lembrar as injustas acusações feitas por ele recentemente contra o cartunista Solda. Foi no mesmo blog “Conversa Afiada” — onde saiu publicado o ataque contra Heraldo Pereira — que Amorim pegou uma charge do Barack Obama feita pelo Solda e acusou-o de ter sido racista com o presidente americano. O desenho, como pode ser visto na imagem, mostra um macaco dando “uma banana” para Obama. No entanto, Amorim parece ter visto outra coisa.

O texto publicado por Amorim em seu blog acabou levando à demissão de Solda do site do jornal O Estado do Paraná, cuja direção parece ter se apavorado com a repercussão que a rede de apoio ao PT criou na internet depois da acusação de racismo contra o cartunista.

Nem vou entrar no mérito da acusação contra o Solda, pois além do cartunista estar há mais de 30 anos desenhando contra qualquer tipo de desrespeito aos direitos e a liberdade do ser humano, na verdade a charge em foco foi apenas um pretexto para Amorim criar mais um conteúdo favorável à eleição de Dilma Roussef. O caso ocorreu em março do ano passado. Estávamos no período pré-eleitoral e Amorim apenas fazia o serviço de criar fatos para embalar a rede de apoio ao PT na internet e de ataques à oposição ou qualquer pessoa que buscasse fazer críticas ao então presidente Lula e à candidatura de Dilma.

Mas acontece que o Solda deu o azar de estar trabalhando em uma publicação com uma diretoria que não teve coragem para enfrentar a injusta acusação. E por isso perdeu o emprego.

Mas agora, com a retratação pública de Amorim e o processo do Ministério Público com a denúncia de injúria racial e racismo, pode-se dizer que o cartunista acabou rindo por último.
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POR José Pires

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

A indignação seletiva no silencioso

Não se vê nenhuma comoção nas redes sociais, nenhum abaixo-assinado rolando pela internet, vídeos no Youtube, nada mesmo. Mas na noite desta terça-feira policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) atacaram manifestantes ferindo mulheres e crianças com balas de borracha.

A frieza da militância com um caso desses se deve evidentemente ao fato da repressão ter acontecido no Acre, que é governado pelo PT. A indignação seletiva se mantém inativa em casos assim.

Os manifestantes dispersados pela polícia com violência tinham fechado o acesso a uma ponte da capital, Rio Branco. Na ação da polícia teve disparos de balas de borracha, gás de pimenta e bombas de efeito moral. Os manifestantes fizeram um cordão de isolamento com crianças e mulheres, mas nem isso evitou que a polícia usasse a força.

O Acre é governado hoje pelo petista Tião Viana, que iniciou sua carreira política com o seringalista Chico Mendes e a ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Como tantos políticos brasileiros, Viana começou na política bem pobre — dizem que tinha apenas um fusquinha, que usava para fazer campanha no estado. E também a exemplo de tantos políticos, Viana é hoje um homem rico, ele e o irmão Jorge Viana, que foi governador por duas vezes e hoje é senador pelo PT. Os dois são muito próximos de altos dirigentes do PT nacional, inclusive de Lula, e tocam a política no Acre como se fosse um negócio familiar.

Os manifestantes que apanharam da polícia são desabrigados de um bairro de Rio Branco. O protesto era por causa do corte de energia nas áreas atingidas pelas águas do rio Acre, que inundou uma grande parte da capital.
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POR José Pires

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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

O freguês nunca tem razão

O jornal O Globo mandou analisar em um laboratório a água de chuveiros colocados nas praias do Leblon, do Flamendo, do Arpoador, de Copacabana, do Leme e de Ipanema. Estes chuveiros são o único jeito do banhista tomar uma ducha nessas praias. Em todas as amostras apareceram indício de contaminação por esgoto. Em nenhuma apareceu a presença de cloro, o que deixa claro que todos são de água não tratada.

Nas análises foram encontradas até coliformes fecais. E vejam que o problema ocorre inclusive em Ipanema, o que traz até um toque poético ao assunto e deixa a garota de Ipanema numa má situação.

Pobre garota. Mas, os riscos para quem joga uma água no corpo são de contágio por vírus como o da hepatite A, rotavírus e salmonela. E segundo a microbiologista responsável pelas análises, quem estiver com o sistema imunológico menos eficiente pode se dar muito mal. Pior ainda, a reportagem de O Globo conta que num dos locais com o maior índice de contaminação os barraqueiros usam a água que sai dos chuveiros para encher piscinas de plásticos alugadas para o uso de crianças. O nome do lugar: Baixo Bebê.

O jornal procurou diversas instituições ligadas ao tema, mas todas — do Cedae ao Comitê Orla do Rio — se esquivaram. E no geral os banhistas também não se ligam muito no problema, mas neste caso estamos falando das vítimas, um papel no qual todos nós todos acabamos nos encaixando em um caso ou outro.

É importante falar de um problema desses ocorrendo no Rio, pois como a cidade é vendida ao mundo como um paraíso turístico é óbvio que ali teria de haver uma estrutura na qual um chuveirinho de praia é um detalhe minúsculo que não devería preocupar ninguém. Mas não existe este cuidado e descasos semelhantes ou até piores se espalham pelo país afora.

A única compensação que o brasileiro acaba tendo é o fato de sermos um país muito religioso. Porque como já se quebraram praticamente todas as relações de confiança em qualquer tipo de atividade em que nos metemos nesta terra, o único jeito é usar a fé e esperar que a sorte nos livre de males piores.

E é bobagem culpar só os poderes públicos por este problema. Existe hoje uma irresponsabilidade coletiva que se espalha por todas as atividades, de forma que mesmo numa relação clara entre cliente e empresa, nunca o comprador pode ter a certeza de que terá o serviço ou o produto pelo qual está pagando.

Hoje em dia, a única garantia que do brasileiro em qualquer coisa em que se meta, seja pública ou privada, é muito parecida com o diálogo entre um barraqueiro da Praia do Arpoador e uma banhista preocupada com a origem da água do chuveiro. “Pode ficar despreocupada, freguesa, é de um poço bem limpinho”, ele dizia para acalmar a banhista, relatou O Globo.

O problema é que algo parecido deve ter sido dito por quem derrubou as paredes de um andar no prédio que acabou desabando recentemente no Rio e levando outros dois na queda, pelo construtor da casa em cima do morro que acabou sendo arrasada por deslizamentos, pelo comandante do barco antes do naufrágio, e por aí vai, numa infindável onda de desastres que evidentemente não se restringe ao paraíso do Rio de Janeiro.
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POR José Pires

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012



sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Twitter em primeira mão

Vejam o que o presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra, publicou no Twitter próximo das 19 horas. Mas antes já vou avisando não fiquei maluco para ficar republicando aqui frase de político do Twitter, muito menos vinda de um deputado como Guerra, que nada tem a dizer que mereça ser visto com seriedade.

Mas leiam a frase e já explico: “O presidente do PT Rui Falcão perdeu uma boa oportunidade de... ficar calado. Seu partido vive de retórica, de factóides e de mentiras..."

Bem, é que dando uma olhada geral nas notícias agora há pouco, topei com uma nota publicada na coluna do jornalista Lauro Jardim, do site da revista Veja, onde ele informava todo animadão, como se estivesse dando um furo de reportagem, sobre frases de Sérgio Guerra que seriam publicadas no Twitter.

A nota de Jardim foi publicada às 18 horas e nela ele dava em primeira mão as tais frases, todas com o mesmo teor banal dessa aí de cima. É claro que fui conferir no Twitter de Sérgio Guerra. E um pouco mais de uma hora depois estavam lá todas as frases publicadas na coluna do site da Veja.
Justificar
Haja paciência do internauta, não é mesmo? Como os leitores não agüentam mais jornalista querendo transformar em notícia o que fulano ou sicrano publicou em seu Twitter, Jardim resolveu revolucionar a matéria: agora vão publicar antes de sair no Twitter.
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POR José Pires

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012



Dilma no país das maravilhas abandonadas

Ontem o governo petista teve de desmontar às pressas uma festa política planejada para ser feita num trecho da ferrovia Transnordestina, uma das peças da campanha eleitoral que levou o PT à presidência da República pela terceira vez consecutiva.

Grades de proteção, toldos e um palanque foram retirados bem depressa e Dilma Rousseff desistiu de ir ao local, que fica na divisa do Ceará com Pernambuc...o. Acontece que a obra está abandonada. O Planalto abortou o evento festivo para evitar um vexame.

O abandono da Transnordestina é parecido com o da transposição do rio São Francisco, outra promessa de campanha que ficou só no marketing. O Estadão fez uma boa cobertura, tanto das obras paradas do São Francisco, quanto do abandono da Transnordestina.

O jornal conta em seu site que dos 813 funcionários que trabalhavam em dezembro nos três trechos da Transnordestina hoje só 190 estão empregados. Na transposição do São Francisco, no Ceará, dos 1.525 trabalhadores registrados em novembro foram mantidos apenas 299 em um município que Dilma visitou ontem.

Com tanta obra abandonada fica difícil inaugurar qualquer coisa. Mas não existe problema sem solução para um partido revolucionário. O PT está perdendo a chance de trazer mais uma novidade para a política brasileira.

E já explico. Uma questão parecida com esta já foi resolvida há muito tempo numa história da Alice, a menina daquele outro país das maravilhas. Para Alice (enquanto mulher e personagem de Lewis Carroll, diria uma feminista petista) não faltava festa. Quando não tinha algo substancial para festejar, ela comemorava “desaniversário”, que nada mais é que os dias em que não fazemos aniversário.

Pois aí está outra colaboração minha para o PT: já que está tudo parado, então que a presidente Dilma comece a fazer” desinauguração” de obras.
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POR José Pires

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Imagem: No desenho de John Tenniel feito para uma edição de 1865 do livro de Lewis Carroll, Alice toma chá com dois malucos daquele outro país das maravilhas

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012



Um bom tema para a indignação da militância

Está aí um bom tema para a indignação da militância governista na blogosfera e nas redes sociais: o lucro do banco Itaú é o maior da história dos bancos no país. E aqui vale aquele jargão muito repetido por Lula quando ele era presidente: nunca na história deste país os bancos lucraram tanto.

O lucro líquido do Itaú em 2011 foi de R$ 14,62 bilhões, com uma alta de 9,7% em relação ao ano anterior,... quando lucrou R$ 13,32 bilhões. O Itaú estourou a boca do balão, como se diz, mas os outros bancos não ficaram muito atrás. Para se ter uma idéia, o Bradesco ficou na quarta colocação em lucro líquido, com uma alta de 10% em relação ao ano anterior: lucrou R$ 11,028 em 2011.

Está aí um tema para exercer a indignação. Acho difícil que algum revolucionário de internet consiga demonstrar que esses lucros não representem muito mais injustiça que uma desocupação em Pinheirinho.

Esses altos lucros são ainda mais danosos à nossa economia porque foram conquistados em um ano de crescimento baixíssimo, quase nulo. É óbvio que essa dinheirama está sendo transferida dos setores produtivos para os cofres do banqueiros. Não quero deixar a militância governista muito tensa, mas imaginem os problemas sociais que não estão sendo embalados nesta ciranda que só dá alegria aos bancos. Pode botar muitos Pinheirinhos nesta conta.

E isso sem falar que, para mim, esses altos lucros vêm também de bolhas variadas que estão sendo infladas na economia brasileira, com a ajuda inclusive do forte sopro do governo. Acho que também não é preciso dizer para quem vai ficar a conta quando essas bolhas estourarem, não é mesmo?

É preciso se indignar, pessoal da militância governista, e fazer um ataque duro a esses lucros abusivos dos banqueiros. E como estou aqui pra ajudar, vou até dar uma dica para vocês se sentirem estimulados na crítica a este modelo que privilegia os bancos: façam de conta que a culpa é do governo FHC. Ou do Serra.
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POR José Pires