domingo, 15 de abril de 2012

Dúvida celestial

E tem aquela história que inventei agora, de Jesus Cristo, no Paraíso, observando com desgosto um cara muito chato, mas mala mesmo, que havia acabado de chegar, mas que ninguém mais suportava.

Então ele vira para o Pai e diz:
— Deus, é brasileiro?
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POR José Pires

sábado, 14 de abril de 2012

Garantias

"Uma coisa eu garanto: dentro de 25 anos vocês todos serão do século passado".

A frase é de Millôr Fernandes, publicada na revista Veja em 4 de fevereiro de 1976. É mais uma que ele acertou: nós, que líamos as duas páginas coloridas publicadas toda semana na revista, somos mesmo todos do século passado.

Mas não dá pra repetir a frase do grande humorista. Será um estirão (opa, esta é do século passado!) de tempo até o próximo século. E do jeito que o mundo anda, não dá pra garantir nem que haja alguém no século 22 pra lembrar que tivemos um século passado.
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POR José Pires

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Cabelos domados

"A princípio, Lula é a favor que haja CPI. O que ouvi ele dizer é que está com os poucos cabelos que tem em pé com tudo que há sobre o caso. Se for verdade o que a imprensa está dizendo, Marconi entregou o Estado para Cachoeira".

A declaração é de Paulo Okamoto, hoje assessor do ex-presidente Lula e que foi presidente do Sebrae. É um amigo muito especial de Lula. É tão bacana que pagava contas do chefe sem que este soubesse.

Noutra CPI ocorrida em 2005, a dos Bingos, Okamoto deu um depoimento em que afirmou que havia feito o pagamento de um empréstimo feito por Lula junto ao PT. Okamoto pagou a quantia de R$ 29,4 mil para Delúbio Soares, que era então o tesoureiro do partido. O dinheiro havia sido embolsado por Lula. Amigo de fé, irmão camarada, nem avisou ao chefe sobre o gesto pra lá de amigável.

Esta foi uma das encrencas petistas com dinheiro que envolvem Lula e que ficaram para trás. A história de Okamoto e do PT sobre a “dívida” de Lula — com o perdão do trocadilho inevitável — é das mais cabeludas. Porém, nem por isso Lula mostrou espanto algum.

Mas, se é pra falar em maracutaias, no governo do PT tem muito mais coisas de deixar uma pessoa decente com os cabelos em pé. Tivemos também o mensalão, aloprados; os casos com seu compadre Teixeira, foram flagrados os "sanguessugas" que desviavam dinheiro da área da saúde, caso que também foi objeto de CPI; teve também o tráfico de influência que Waldomiro Diniz fazia diretamente de gabinete no Palácio do Planalto, onde era sub-chefe de assuntos parlamentares da Casa Civil; lembro também dos dólares na cueca, e por aí vai, numa lista imensa, tão grande que não cabe num post de Facebook. E isso sem falar nas tretas da presidente Dilma.

É um amontoado de casos de corrupção, muitos deles comprovadamente ocorridos ao lado de Lula, e no entanto ele nunca ficou de “cabelos em pé”. E nesses tempos ele tinha bem mais cabelos que agora.

Mas esta reação do Lula é bem própria da natureza petista. Como eles exercem de forma descarada a indignação seletiva, não é nada estranho que até seus cabelos já tenham aprendido a ficar em pé apenas com determinados assuntos.
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POR José Pires

quarta-feira, 11 de abril de 2012



terça-feira, 10 de abril de 2012

Unanimidade

Ainda é grande a polêmica sobre a legalidade dos grampos telefônicos em que a Polícia Federal flagrou as conversas entre o bicheiro Cachoeira e o senador Demóstenes Torres. A única unanimidade é entre os petistas: eles estão achando muito legal.
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POR José Pires

Mais do mesmo

No final de março houve eleição para a diretoria do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo. A vitória foi da chapa da situação, que traz o mesmo grupo que aparelha o sindicato em conformidade com os interesses políticos hoje centrados no governo do PT. Desde a primeira eleição de Lula, este sindicato tem estado sintonizado com os planos do governo de controle da informação, camuflados de diversas formas.

A chapa de oposição que perdeu a eleição também não era grande coisa. Era formada por gente do Psol e tinha como candidata a presidente a assessora de imprensa do deputado federal Ivan Valente (Psol-SP). A assessora de um deputado ter a chance de ser presidente de um sindicato é algo bastante revelador do estado em que está a representação profissional no Brasil. Mas, dentro do quadro que já não é bom, louve-se ao menos a sinceridade da candidata na exposição de seus vínculos, algo que faz falta na chapa vencedora.

Outro dado que chama a atenção ao aspecto da representatividade dos sindicatos no Brasil é a votação final desta eleição. Foram 1.143 eleitores no total, sendo 643 votos na chapa vencedora e 500 para a outra chapa. E isso num estado que tem 6.300 jornalistas, contando apenas os que trabalham com a carteira assinada. O dado é da Federação Nacional dos Jornalistas.

Com estes números é de se perguntar o que representa de fato a diretoria de tal sindicato. Além é claro, dos interesses do partido que hoje está governo.
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POR José Pires

Merecida homenagem

E Ricardo Teixeira pode virar presidente de honra da CBF. No próximo dia 16 de abril uma assembléria geral extraordinária vai votar a proposta, que já está causando protestos. Pois eu acho a idéia muito boa: o Ricardo Teixeira é o presidente de honra ideal para uma instituição com a reputação da CBF.
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POR José Pires

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Borboleta na cabeça

Correu pela internet uma informação sobre um post no Twitter do senador Demóstenes Torres (ainda no DEM). As fotos estão também em seu blog, e podem ser vistas aqui. É uma série de belas borboletas.

A primeira informação foi de que a postagem das fotos era recente, o que levou a pensar numa alienação da equipe do senador e até trouxe suspeitas de que poderia ser um aviso em código, talvez até de Demóstenes para o bicheiro Cachoeira. É normal que haja essas sensações atarantadas depois da decepção causada pelo senador, antes combativo e agora envolvido de forma vergonhosa com ilegalidades.

Mas não era nada disso. O post é de fevereiro deste ano, embora tenha sido retuitado agora. Mas faz todo o sentido: Demóstenes tem tudo a ver com este bicho. Borboleta é 13 no jogo do bicho e este foi o seu azar.

E o senador é parte de um fenômeno brasileiro, infelizmente muito comum em nossa política: é mais uma borboleta que virou lagarta.
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POR José Pires


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Imagem: Foto de Sinésio Dioliveira de uma borboleta, postada no blog do senador Demóstenes Torres.


A MPB na reta da aposentadoria

Em show lotado neste sábado, no Rio, Nana Caymmi, a grande Nana Caymmi, anunciou sua aposentadoria. "Já dei o que tinha que dar. Estou me aposentando aos poucos. Tenho 50 anos de disco e ganhei um de ouro. Então, eu quero que o mundo se exploda. Hoje a música é outra, é bumbum, é aeróbica", ela disse.

Nana Caymmi é brincalhona, desbocada, e isso pode ser só um desabafo dela. Seu irmão, Danilo, diz que “é cascata”, e que a cantora tem vários compromissos marcados.

Esperamos que seja mesmo só cascata. Nana Caymmi está com 70 anos e mantém o prestígio da grande cantora que sempre foi. Está com público também. Os números da sua apresentação no Rio me deixaram feliz: 2.500 ingressos postos à venda se esgotaram com antecedência.

Mas ela tem razão quando diz que “hoje a música é outra, é bumbum, é aeróbica". Pode aparecer até quem diga que sempre teve esse tipo de coisa no Brasil. Mas do jeito que está está, com este lixo cultural tomando todos os espaços, assim nunca foi. Nunca vimos este país dominado desse jeito por tanta coisa ruim.

É de se temer o efeito disso para a nossa cultura. Que país vai se formando com o abandono da qualidade musical que sempre foi um ponto forte por aqui?

Logo saberemos. Mas um efeito desse domínio do lixo é que ficou impossível ouvir algo de bom em lugares públicos, com a música bem feita fazendo parte do cotidiano do brasileiro. Ouvir música boa hoje só é possível na nossa própria casa e mesmo assim bem baixinho para que o vizinho não reclame da nossa música atrapalhando o sertanejo universitário dele.
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POR José Pires


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Imagem: Capa de "Sem poupar coração", o último álbum de Nana Caymmi, que faz 50 anos que vem cantando o que há de melhor e fazendo isso da melhor forma.


sábado, 31 de março de 2012

Falso epitáfio

Li em vários lugares que a morte de Millôr Fernandes foi uma "perda irreparável", assim como também vi essa mesma expressão que não significa absolutamente nada ser usada em relação ao Chico Anysio. Agora foi a ministra da Cultura que veio com essa conversa de "perda irreparável", falando sobre o Millôr. Bem, a perda de um ser humano é sempre irreparável. Ainda não foi inventado um jeito de substituir uma pessoa depois que ela morre.

Mas quanto à discussão da perda de criadores como Chico Anysio ou Millôr, "perda irreparável" só existe porque vivemos num país onde não existe permanência e muito menos continuidade em qualquer coisa, seja na questão criativa, técnica ou intelectual.

E esse negócio de "perda irreparável" vem da repetição da falta do que falar que nos acomete nos velórios. Como não dá para dizer a nenhuma viúva um "até que enfim", vamos mesmo de "perda irreparável". Nâo é lá essas coisas, mas soa melhor do que "morreu como um passarinho", "parece que está dormindo", ou qualquer outro jargão.

Mas, que uma ministra da Cultura venha com papo de velório é bem um sinal dos tempos. Hoje em dia, até para chorar os mortos o que move as pessoas é a projeção na dita mídia. Há cerca de duas semanas morreu também Aziz Ab'Saber, pesquisador, geógrafo, um sábio com uma obra da maior qualidade, um homem com um pensamento original, tão bom que o estilo inteligentíssimo se via até nas entrevistas.

Se fosse possível comparar atividades tão diferentes, pode ser até que alguém provasse que a contribuição de Ab'Saber em seu campo tenha sido maior do que a de Chico Anysio ou Millôr. Não é o caso de ir por aí, mas o fato é que menor sua contribuição não é. No entanto, pouco se ouviu falar em "perda irreparável" quanto ao fim do geógrafo.

Então chega desse negócio de "perda irreparável" cada vez que morre alguém de extrema qualidade do ponto de vista técnico ou criativo. É bem verdade que quando morre um Millôr, um Chico Anysio, um Ab'Saber, ocorre sempre uma interrupção de todo um processo que deveria se estender por outras gerações e não ser enterrado com eles. Mas aí é porque o Brasil é que é irreparável.
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POR José Pires


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Imagem: Desenho de Millôr Fernandes em um fúnebre hai-kai


Objeto de acordo

No boletim eletrônico que recebo sempre da Câmara dos Deputados uma notícia me chamou a atenção. Este boletim é praticamente um porta-voz oficial da Câmara, então o fato passa a ser até mais relevante do que quando lido num jornal ou site.

Lá vai, na íntegra, um trecho que mostra o teor do que me mandaram: "De volta ao comando da Câmara, após exercer Presidência da República interinamente desde segunda-feira, o presidente Marco Maia informou que a liberação da venda de bebidas alcoólicas durante a Copa ainda está sendo objeto de acordo".

Acho que isso pede um repeteco de um cartum que fiz há dez dias sobre este mesmo assunto. Lá da forma deles, o presidente da Câmara está botando minha piada na pauta do poder legislativo.
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POR José Pires


Fuçando no lixo

Os petistas estão mais felizes do que pinto no lixo com as gravações das conversas entre o senador Demóstenes Torres (DEM) e o bicheiro Cachoeira. Como estão sempre sempre maquinando para amoldar a realidade às suas teses, a felicidade deles é com a consagração da sua desculpa de sempre quando são pegos em suas maracutaias: os políiticos são todos iguais.

Para o senador do DEM o jogo acabou. Mesmo não tendo que disputar a reeleição para o Senado senão daqui a seis anos, não é provável que ele tenha mais peso na política nacional depois da revelação de seus papos ao telefone, em conversas em que até pedia dinheiro ao bicheiro.

É uma pena, pois ele era um dos poucos parlamentares que vinha fazendo uma oposição rigorosa às imoralidades deste governo. Porém, depois desta ele ficou sem moral para falar qualquer coisa. E quem ganha com sua desmoralização é Lula,a Dilma e a companheirada.

Daí a felicidade de pinto no lixo. Ou será melhor usar na expressão outro bicho, talvez o rato ou mesmo o porco? São dois bichos que também ficam muito satisfeitos enquanto estão fuçando na imundície.

O desmonte moral do senador goiano traz até umas indagações à nossa cuca, nós que sempre estivemos muito encabulados com a estranha passividade da oposição. Para ficarem tão quietos muitos não estarão sendo ameaçados nos bastidores? Afinal, nada deve escapar de quem tem o poder sobre a máquina do Estado, inclusive das áreas investigativas.

E agora entrou na história até o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Ontem ele disse que as denúncias contra Demóstenes "são graves". É uma fala bem esquisita para alguém que até agora se manteve calado sobre as carradas de denúncias contra companheiros seus de partido e até mesmo de colegas de ministério, vários dos quais tiveram que pedir demissão para evitar que a própria presidente da República tivesse que mandá-los embora.

Calado, não. Cardozo até chegou a comentar denúncia de corrupção, mas para defender o colega de partido e de ministério. Em maio do ano passado, no auge das denúncias sobre o comprovado enriquecimento em curto tempo do então ministro da Casa-Civil, Antonio Palocci, ele foi rápido em defendê-lo. Neste caso, Cardozo não viu nada de grave. Segundo ele, nas denúncias contra Palocci havia “muita fumaça e pouca fagulha”. O final do caso, todos conhecem: Palocci saiu para não ser demitido.

Não estamos aqui para cobrar coerência de petista, pois não somos malucos. Sei muito bem que a indignação deles é bastante seletiva. E também já vi que coerência não é o forte do ministro Cardozo. Ele foi deputado federal na legislatura passada e um pouco antes do final de seu mandato dizia estar tão revoltado com a forma das eleições no Brasil que resolveu não disputar a reeleição para a Câmara. Em maio de 2010 chegou a divulgar uma espécie de carta-aberta onde, entre várias críticas ao peso do poder econômico e da corrupção na política, dizia o seguinte: “Há tempos não me sentia confortável com disputas onde o dinheiro cada vez mais decide o sucesso de uma campanha”.

Dali por diante devem ter acendido alguma grande luz que iluminou suas idéias. De imediato ele se incorporou à campanha presidencial do PT, tornando-se um dos chamados “Três Porquinhos”, o grupo que estava em todas com a candidata Dilma Roussef. O próprio Cardozo definiu desse jeito a famosa trinca: “"Ficamos pensando o que tem em comum entre nós além da barriga. Vimos que o prático é o Palocci, o Heitor é o Dutra, e o Cícero sou eu".

Faz tempo que nada me espanta vindo do PT, mas acabou sendo curioso ver o ex-deputado que se queixava do uso abusivo do dinheiro na política acabar na chefia da condução de uma campanha riquíssima, que usou o poder político e econômico até para compor um quadro eleitoral favorável à vitória do PT.

Não vale a pena perguntar se Cardozo mudou, mas a situação que ele criticava mudou bastante: para pior. E é claro que lá dos altos gabinetes do Planalto ele sabe muito bem que a maracutaia que corre solta hoje no Brasil não é na oposição.
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POR José Pires


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Imagem: Pinto, rato, ou mesmo porco, não importa a expressão: mas dá pra ver a felicidade deles.

quinta-feira, 29 de março de 2012

quarta-feira, 28 de março de 2012


O Millôr, não!

A grandeza de um artista pode ser medida pelo respeito da nova geração, principalmente dos novos que também atuam na sua área. O... (como vou definir alguém que foi tanta coisa?) bem, o Millôr Fernandes, que morreu hoje aos 88 anos no Rio de Janeiro, sempre esteve num patamar acima no humor brasileiro e penso também que no jornalismo.

O Millôr fazia de tudo: escrevia, desenhava, era artista plástico dos bons, foi poeta, escritor e editor de alta qualidade. Foi um dos principais criadores do jornal O Pasquim e também fez uma publicação na década de 70 menos conhecida, o "Pif-Paf', de impressionante qualidade editorial e gráfica. Durou poucos números, afinal estavamos numa ditadura e o Brasil já era o que sempre foi. Muito atrasado, apesar dos tantos talentos que pelejam para fazer algo de bom, além dos gênios, como o Millôr.

Ele teve uma especial participação na modernização da imprensa brasileira, o que foi importante para a modernização de todo o conjunto da nossa mídia e até mesmo da arte brasileira. Com seus desenhos e o excelente texto foi um dos jornalistas que tiraram a casaca da linguagem do nosso jornalismo, mudando o comportamento dos brasileiros.

O respeito por ele foi sempre muito grande entre seus pares, nos quais estou incluido. E era tamanho esse respeito que, na década de 70, havia uma história entre os cartunistas mais novos que mostra isso de forma divertida. Naquela época estávamos sempre na redação da Folha de S. Paulo, onde faziamos vários trabalhos. Eram cartuns e ilustrações, capas e a página de humor do suplemento semanal "Folhetim", um sucesso editado pelo Tarso de Castro, que saía encartado na Folha.

Daquela turma de desenhistas que ficavam num estúdio ao lado da redação do jornal participavam eu, Glauco, Angeli, o falecido Petchó, Luiz Gê, o Luiz Carneiro estava sempre por ali também, a ilustradora Mariza, além de outros desenhistas que de vez em quando faziam alguma colaboração na Folha.

É claro que estávamos sempre falando sobre os cartunistas da velha guarda, que eram o Ziraldo, Jaguar, Henfil, Fortuna, Claudius. E o Millôr. Também é evidente que sempre aparecia no meio da conversa uma crítica a um ou outro desses cartunistas mais experientes. Pois uma vez alguém falou alguma coisa mais pesada sobre o Millôre e eu de pronto protestei bem alto; "Espera aí, o Millôr, nâo!". E todos caímos na gargalhada.

Aquilo ficou entre nós como um jargão. Sempre que sobrava alguma crítica ao Millôr, alguém alertava: "O Millôr, não!". Era meio de brincadeira, mas havia naquilo uma expressão de respeito por um artista que se elevava acima de todos pela imensa criatividade.
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POR José Pires

O combatente que não é virtual

As redes sociais costumam ser palco de muita valentia. Sempre virtual, é claro, pois as campanhas na internet raramente põem em risco algo de quem se mete em manifestações que se dizem a favor da liberdade de expressão, contra a corrupção e tantas outros temas que de vez em quando surgem como se fossem ações transformadoras, mas que de fato mal ultrapassam os limites da tela do computador.

A coragem humana só pode ser reconhecida quando atua sobre a vida real. E aí é preciso mesmo bravura para encarar a situação e dar a opinião abertamente. Eu penso que um exemplo disso foi o cubano que nesta segunda-feira em Cuba gritou "abaixo o comunismo, abaixo a ditadura" próximo ao altar onde estava o Papa Bento XVI. Para ver a cena, clique aqui

Independente do que se pense da manifestação política feita por esta pessoa, está aí alguém que realmente se dispôs a fazer acontecer. Mesmo quem defende o regime cubano terá de concordar comigo que no aspecto da atitude pessoal como uma força política transformadora o cubano que deu o grito isolado merece um curtir.
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POR José Pires


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Imagem: Em imagem extraída de vídeo, depois de gritar "abaixo o comunismo, abaixo a ditadura" um homem é detido por agentes policiais cubanos, em um protesto corajoso que vai muito além de qualquer gesto virtual.



sexta-feira, 23 de março de 2012


Jogo em armação

Sem acordo sobre o Código Florestal, a votação da Lei da Copa é adiada. Com a insatisfação da bancada ruralista, não teve acerto.

O jogo é muito claro: estão trocando um campo pelo outro. E o resultado também está na cara: o Brasil vai perder de goleada nos dois casos.
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POR José Pires

O lamentável Ciro Gomes

Dos políticos com maior destaque na imprensa, Ciro Gomes é o mais lamentável. Sei que a afirmação parece exagerada em razão da má-qualidade generalizada entre os nossos políticos, mas acontece que o ex-deputado junta tudo o que a política brasileira tem de muito ruim à uma grosseria pessoal que é bastante perigosa num país como o nosso, com a democracia sempre instável e as pessoas cada vez mais violentas.

Vou dar um exemplo com um político que todos que entram aqui com certa frequência sabem que não gosto: o ex-presidente Lula. Entre Ciro Gomes e Lula não vejo diferença na postura política referente ao jogo sujo da política e até na questão da honestidade pessoal. Os dois se acomodam perfeitamente no mesmo saco.

Mas acontece que o Lula não ameaça de agressão as pessoas de cima de um palanque e nem desce para resolver as coisas na briga, como Ciro Gomes costuma fazer em meio à multidão, ameaçando inclusive a integridade física de pessoas mais fracas, como as crianças e idosos. Sei que Lula não faz mais que uma obrigação não partindo pra violência como é o costume do colega, mas na tragédia que é a nossa política isso tem que ser visto como uma qualidade.

Não só por isso, é claro, mas o Ciro Gomes sempre foi o mais lamentável dos nossos políticos. Porém, eu tinha um certo respeito à uma única postura dele, que era a relação estável com Patrícia Pillar. Sempre tive uma simpatia muito grande por esta atriz, que me parece uma profissional séria, bem distante daquela ostentação que é comum em estrelas da Rede Globo.

Pois sapeando agora há pouco pela internet leio no site do jornal Extra, do Rio, que os dois se separaram. Como costumo fazer com toda notícia, fui dar uma pesquisada e até fico sabendo também que estou atrasado na novidade. Tem site falando da separação desde o início do ano. Mas hoje o Extra avança bastante no assunto. Conta que Ciro Gomes trocou a atriz por uma moça de 26 anos da alta sociedade cearense. E o Extra conta também, bem do jeito deles, que o namoro "já subiu no telhado".

Bem, se não subiu no telhado, não vai precisar de escada para logo estar lá. Fico imaginando uma moça de 26 anos aguentando o Ciro Gomes falando do Serra o tempo todo. Com o Ciro Gomes ao lado qualquer mulher deve se sentir como a Dona Flor, sempre com dois maridos.

Mas o fato é que a Patrícia Pillar não precisa mais aguentar esse papo. Os dois se separaram, o que me libera também desse resquício de respeito pelo político cearense. Agora sim, ele é o mais lamentável político brasileiro.
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POR José Pires


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Imagem: A bela Patrícia Pillar vai ter, enfim, um descanso merecido do ex-deputado Ciro Gomes. Dele e do Serra, é claro.

Em extinção

Dados trazidos pela jornalista Daniela Kresch, em matéria do jornal O Globo: no berço do cristianismo os cristãos vão ficando cada vez mais raros.

O Oriente Médio tem hoje cerca de 500 milhões de habitantes, sendo que apenas 15 milhões são cristãos, algo em torno de 3%. Em Belém, cidade histórica para os cristãos, a situação é bem grave. A população era formada há vinte anos por 80% de cristãos. Hoje eles são menos de 35%.

No Líbano os cristãos já foram maioria. Na época da independência do país em 1943 eram 75%. Hoje são 35% da população. E por aí vai.

Os números parecem revelar um resultado que vem de diferentes posturas das religiões. O cristianismo se aprimorou com o tempo e apreendeu a tolerância e o respeito a quem pensa de forma diferente, o que não acontece com a religião predominante atualmente no Oriente Médio, o islamismo. Com a intolerância que predomina por lá, hoje em dia é até perigoso ser cristão naquela região.
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POR José Pires

quinta-feira, 22 de março de 2012


O trânsito brasileiro atropelando o bom senso

Acredito que todos já sabem do atropelamento do ciclista Wanderson Pereira da Silva, de 30 anos, por Thor Batista, de 20 anos, ocorrido na noite de sábado, numa rodovia da Baixada Fluminense.

Thor é filho do milionário Eike Batista. Depois do acidente o paí andou postando textos no Twitter dizendo que o culpado é o ciclista, que morreu na hora. Numa entrevista à colunista Monica Bergamo, da Folha de S. Paulo, o empresário foi até indelicado com a vítima, dizendo que além de imprudente, o ciclista poderia "ter matado meu filho".

"A imprudência do ciclista causou, infelizmente, a sua morte. Mas podia ter levado três pessoas [Thor e o amigo que estava com ele no carro]", ele disse à colunista. Como costuma falar a rapaziada, menos, menos, mas muito menos mesmo.

Nem vou perguntar por que é que Eike Batista está dando entrevista sobre o atropelamento para uma prestigiada colunista, e ainda mais com conclusões tão definitivas de quem inclusive não pode alegar independência nenhuma no caso, mas, como já fiz isso, fica como uma pergunta retórica.

Mas o que é fato mesmo é que é sempre muito difícil um ciclista causar a morte de um motorista dentro do carro. Nunca soube de algo assim. Você já viu alguma manchete sobre a morte de um motorista causada por um ciclista? Desconheço. Deve ser mais fácil encontrar a manchete do homem que mordeu o cachorro.

Mas o contrário ocorre sempre. Só na cidade de São Paulo são mais de 50 ciclistas mortos todo ano. E mortandade parecida acontece pelo país afora. Sem falar nos muitos que ficam com sequelas graves. E a razão é na maioria das vezes o desrespeito do motorista. Muitas dessas mortes seriam evitadas se o motorista seguisse uma regra legal muito simples: passar a pelo menos 1,5 metro de distância do ciclista.

O filho de Eike Batista também culpou o ciclista pelo acidente. Fez isso no Twitter. Ele disse que dirigia com cuidado e "repentinamente" o ciclista veio do acostamento em sua direção. Thor dá inclusive o detalhe de que Wanderson, o ciclista, empurrava a bicicleta com o pé esquerdo no chão. E destaca que ele estava "sentado, porém, no banco da bicicleta". Gostei do "porém", tão bem colocado, ainda mais num texto do Twitter, "naum" é mesmo? E, sem dúvida, são informações de alguém com uma memória muito boa, mesmo tendo passado por um trauma como este.

Mas acontece que a versão do advogado do ciclista morto no atropelamento é bem diferente. Ele diz que Thor atropelou no acostamento. Segundo o advogado, moradores locais afirmam que Thor tentou cortar um ônibus, quando perdeu o controle do veículo e atingiu o ciclista no acostamento.

Poderíamos ficar então na velha fórmula dos dois lados, mas surgiram também fatos que são pra lá de condenadores da atuação de Thor Batista por detrás de um volante.

Por lei, Thor Batista nem poderia estar dirigindo um carro. Ele já somou 51 pontos na habilitação e isso em apenas 1 ano e meio ao volante. Desses pontos, 21 são por cinco infrações por excesso de velocidade. Ele estava então em período probatório e se não fosse a lentidão no registro de multas nem teria tirado a carteira definitiva.

A assessoria de Thor, disse que "o rapaz não sabia da existência desses pontos". Aliás, até o Grupo EBX, do pai do "rapaz", lançou nota sobre o atropelamento. A empresa afirma também que o ciclista "atravessava inadvertidamente". Não, o grupo EBX não está no ramo de bicicletas e nem mesmo no do carro Mercedes SLR McLaren, que Thor dirigia no momento do atropelamento. Na Europa o carro custa R$ 890 mil e pode chegar a 334 km por hora de velocidade.

É bastante gente no assunto, não é mesmo? E é claro que será mais um caso de atropelamento que não vai dar em nada. O destino provável é o mesmo de outras mortes no trãnsito, seja de ciclistas ou não.

E nem estou dizendo isso só porque está em cena gente de muita grana, de bastante influência política. E nem tampouco estou prejulgando o atropelador. Mas ocorre que morte no trânsito já virou uma banalidade na vida brasileira, como se fosse um processo natural. É algo já inserido no cotidiano e visto como inevitável, da mesma forma que uma fruta cai de uma árvore e espatifa-se na rua.
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POR José Pires


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Imagem: A sombra deste ciclista que escreve. Já fui fechado, acossado pelos carros por detrás da minha bicicleta, recebi luz alta na cara e até objetos lançados contra mim. E o iinteressante é que os motoristas estavam sempre certos.

terça-feira, 20 de março de 2012




Lixo reciclável sempre fora da pauta política

O jornal O Globo publica uma boa matéria sobre a reciclagem do lixo no Rio de Janeiro. Eles estão fazendo uma série chamada "Desleixo insustentável", que fala hoje sobre a situação do catador. O que ficamos sabendo não é muito diferente do que ocorre com o catador na maioria das cidades brasileiras, quase todas elas sem nenhuma atenção à questão da coleta do lixo que pode ser reaproveitado.

Em todo o Brasil a miséria é muito grande entre os catadores. Ganham pouco, trabalham sem nenhuma infraestrutura e são mantidos numa informalidade que não permite que alcancem uma situação digna na vida. Como ocorre em todas as partes do país, esta função essencial é vista como atividade de miserável. Não se profissionaliza de forma alguma.

Em muitos casos, o catador é explorado por máfias que lucram com seu trabalho sem que ele possa obter qualificação e uma vida digna. No Rio, segundo a reportagem (que ser lida aqui) a informalidade movimentava R$ 24 milhões por ano, até 2011. É claro que o catadores não levam nem migalhas disso tudo.

A reciclagem no Brasil também é explorada por políticos que usam a necessidade dos mais pobres para fazer deste setor mais um instrumento assistencialista que serve à demagogia, sem que tenha uma real influência no ataque ao problema do lixo.

O Globo conta que um catador ganha hoje na dita Cidade Maravilhosa cerca de R$ 35 por noite. E o serviço tem que ser acelerado, numa batalha contra o tempo. Eles precisam se antecipar aos caminhões da Comlurb para encontrar garrafas PET, papelão, papel branco, latinhas, ferro, cobre e o que mais possa ter valor.

Este serviço é feito sem nenhum tipo de transporte que não seja o do "burro sem rabo", conta o jornal. Ou seja, homens e mulheres têm que puxar carrinhos sempre muito pesados para fazer o recolhimento de material reciclável.

Como eu disse, é igualzinho ao que acontece nas ruas de cidades de todo o país. E isso quando a cidade ainda pode contar com o trabalho de gente que é levada a esta função tão importante apenas pela necessidade de ganhar o pão de cada dia.

Em todo o Brasil não existe política alguma de profissionalização deste setor essencial para começarmos a enfrentar os dias duros que já se pode antever que virão na ecologia mundial. O que atualmente vemos é a notória praga que são os políticos se aproveitanto do tema de forma irresponsável e demagógica. Enquanto isso, seguimos com mais este problema se acumulando nas ruas das nossas cidades.
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POR José Pires


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Imagem: Na foto de Pedro Kirilos, de O Globo, catadores chegam a um aterro de lixo no Rio de Janeiro. Uma atividade que deveria ser encarada com profissionalismo é relegado ao assistencialismo e à exploração de gente muito pobre.

Pedalando com segurança

Quem disse que não surgem dos nossos políticos boas idéias para a resolução de problemas? O presidente da Câmara Municipal de São Paulo, José Police Neto (PSD), mostrou de forma simples como um ciclista pode pedalar com segurança pelas ruas da capital paulista.

Há um ano e meio Police Neto é um adepto da bicicleta e quando sai para pedalar tem sempre na sua cola uma equipe de PMs, segurança a que tem direito como presidente da Câmara. Os policiais seguem de bicicleta o vereador e vão gesticulando o tempo todo para os motoristas, indicando por onde vão as bicicletas e exigindo o devido respeito ao prestigiado ciclista.

No site da Folha de S. Paulo a gente fica sabendo que outro dia Police Neto foi fechado por um carro, coisa que é comum acontecer com qualquer ciclista, mas no seu caso os PMs pararam o veículo infrator e deram uma espinafrada no motorista.

Está aí uma solução para resolver os dramas que os ciclistas enfrentam sempre que saem para dar umas pedaladas pelas ruas de qualquer cidade brasileira. Mais seguro ainda que andar com um PM ao lado seria ter batedores de motocicleta à frente, mas isso acredito que pode ficar para depois.

E como temos eleição municipal daqui a poucos meses, está aí uma promessa boa para ganhar votos entre o eleitorado ciclista.
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POR José Pires


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Imagem: O vereador e presidente da Câmara paulistana, José Police Neto, pedala com segurança pelas ruas da capital paulista, com o PM ao lado de olho nos carros. A foto é do site da Folha de S. Paulo, cujo link está embaixo.

quinta-feira, 8 de março de 2012