segunda-feira, 18 de junho de 2012


terça-feira, 12 de junho de 2012

O país do futuro sem estruturas

Afinal, qual é a língua que as autoridades brasileiras falam? Portuguesa é que não é. Em um evento oficial das Forças Armadas a presidente Dilma Rousseff mencionou a necessidade da ampliação da "capacidade dissuassória" do país.

Bem, como a mensagem foi lida na frente de representantes do Exército, da Aeronáutica e da Marinha, a presidente deve estar falando sobre a capacidade de combate, de ir pro pau, seja numa situação de ataque ou em defesa dos interesses do país e também em caso de conflito interno. É essa capacidade inclusive que costuma evitar que haja confronto militar no plano internacional. Do jeito que o mundo está é o poder militar que preserva a paz. E nação sem esse poder terá sempre mais dificuldade para exigir diálogo.

E o Brasil precisa sim, falando na língua da Dilma, de "capacidade dissuassória". E nem digo "ampliar", pois para isso é preciso primeiro ter alguma capacidade. E claro que não estou falando apenas em comprar trabuco. Falta domínio estratégico e estrutura que sirva de apoio em tempos de crises. E evidentemente tem que ser um pouco mais do que capacidade de ocupar favela para desentocar bandido.

Além da questão militar, falta também uma administração pública baseada num projeto de Nação e não nas trocas oportunas entre Executivo e Congresso, nos privilégios e na distribuição do dinheiro público entre as quadrilhas que encenam de forma fraudulenta uma suposta governabilidade. É preciso compatibilizar progresso e meio ambiente, tudo composto com decência na vida pública, pois sem isso o chamado “país do futuro” não vai chegar bem lá na frente.

No futuro do planeta países fracos terão um espaço bastante diminuído nas decisões internacionais. E podem até ser vítimas fatais na partilha dos recursos naturais de todo o mundo, que vão escasseando dia a dia. Recursos, por sinal, que em relação a muitos outros lugares o Brasil leva bastante vantagem.

O problema é que o tempo para isso vai se esgotando. Será muito mais difícil se estruturar em meio a uma crise. Essas coisas devem ser feitas antes. E o Brasil nem deu início ao trabalho neste campo. Se tivermos mais dois governos pela frente distribuindo demagogia para pobre em vez de administrar o país de forma ampla, estratégica e consequente, a posição futura do Brasil será a de uma colônia do século 21.
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POR José Pires


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Imagem: Arzach, personagem do desenhista francês Moebius (1939-2012) em história em quadrinhos que se passa num futuro caótico e violento. E o Brasil não está se preparando para chegar lá.









Estão fazendo making of até de propaganda de TV. Vi agora há pouco o making of do comercial de São João da cerveja Antárctica. Todo artificial, com efeito de sonorização até no ruído da chuva que caiu no meio das filmagens. Muito parecido com aqueles extras de Hollywood em que até os erros de cena dão a impressão de terem sido ensaiados. Ainda bem que ao contrário da propaganda o making of a gente só vê uma vez.





segunda-feira, 11 de junho de 2012


Parada murcha

E essa agora: a Parada Gay de São Paulo encolheu. A expectativa era da participação de 4 milhões de pessoas, o que é um exagero danado mesmo para um lugar do tamanho de São Paulo, mas parece que a festa não é de atrair tanta gente assim.

Todos os jornais perceberam a diminuição da quantidade de gente e tanto a organização da parada quando a Polícia Militar resolveram não apresentar estimativas oficiais de público. Mas a Folha de S. Paulo, novidadeira como só ela, fez uma "medição científica" que tirou muitos zeros da conta. Segundo o jornal, a parada reuniu 270 mil pessoas. Para avaliar a Parada Gay o Datafolha usou o mesmo método que mediu a participação na 28ª Caminhada da Ressurreição.

Como brasileiro é danado para mentir nestas questões de tamanho, a Parada Gay de São Paulo já vinha sendo chamada de "a maior do mundo". No ano passado a estimativa oficial foi de 4,5 milhões de pessoas. Se for feita uma relação com medição de agora do Datafolha, no ano passado na verdade a Parada Gay deve ter reunido no máximo 500 mil pessoas.

É claro que ainda é um sucesso de público, mas não é tanto como vinha sendo alardeado. E a tendência talvez seja de uma dimuição ainda maior no ano que vem, afinal o pessoal agora pode até casar oficialmente. E quando a gente casa, costuma deixar de lado a gandaia.
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POR José Pires

Ivan Lessa e o espírito criativo de O Pasquim

No texto sobre a morte do Ivan Lessa que publiquei ontem eu disse que ele foi essencial no espírito de “O Pasquim”, este jornal tão especial e já esquecido entre as tantas precisosidades que o brasileiro deixa para trás. Uma das suas melhores frases, que também já citei, é aquela em que ele diz que "a cada 15 anos o brasileiro esquece o que aconteceu nos últimos 15 anos".

Ivan Lessa escreveu isso na década de 70, quando o golpe militar de 64 já estava com mais de dez anos. De lá pra cá o período da perda de memória até se estreitou. Hoje em dia, com menos de cinco anos o brasileiro já perdeu a noção do que se passou em seu país. Muitos não lembram nem em quem votou para vereador ou deputado.

Então como é que o brasileiro vai lembrar o que foi "O Pasquim"? Muitos identificam este semanário como um jornal de humor, mas isso não caracteriza de forma alguma o significado para o Brasil desta publicação genial.

O Brasil teve com com a ditadura militar um dos ciclos mais cretinos da nossa história. Quando se fala hoje em dia daquele tempo, costuma-se lembrar mais a violência política contra a democracia e por isso fica muito em segundo plano ou nem é citado o conservadorismo instalado por aqui na cultura e no comportamento.

E como depois da ditadura a nossa democracia teve um desenvolvimento caótico, acabamos em um país de baixa qualidade política e cultural. Daí, existem até algumas pessoas fazendo um revisionismo histórico fraudulento, buscando destacar qualidades na ditadura militar. Nunca acredite numa tolice dessas.

A época da ditadura militar foi das mais idiotas que já houve em nossa história. Com o apertão de ferro na política veio também o apertão no comportamento dos brasileiros, com os militares querendo legislar e impor suas ordens até sobre o biquini das moças ou sobre o jeito de falar, namorar e, claro, fazer sexo.

Evidentemente juntaram-se em torno do golpe de 64 um conjunto de instituições reacionárias que tinham como objetivo básico o controle da vida das pessoas.

Entre essas forças retrógradas estava a Igreja Católica. Todo mundo se esquece, mas durante a ditadura a Igreja torrou a paciência da sociedade brasileira com várias questões, entre elas o divórcio. Impuseram durante anos este dogma católico para todos os brasileiros. E para isso contaram com os militares. Imagine um país onde os militares e os padres é que decidem como você deve se comportar. O Brasil era assim.

E aí é que entra "O Pasquim", com uma influência política e cultural que nenhum outro outro órgão de imprensa teve neste país. Aquela redação genial foi trazendo uma abertura na linguagem e no comportamento que foi um alívio naquele país fechado. E é claro que isso só podia ser feito por meio do humor. E nisso é que Ivan Lessa foi um craque, pois tinha uma habilidade como poucos para interferir de forma criativa revelando o rídiculo das convenções impostas de cima.

Ele editava, pautava, escrevia enredos de fotonovelas, criava capas, bolava piadas com fotos e gravuras, bolava cartuns e personagens, criava quadrinhos junto com o Jaguar. Enfim, ele fazia o diabo naquela redação. No humor, tinha um jeito tal para a coisa que com uma legenda de foto fazia o jornal crescer em qualidade e o leitor dar gargalhadas da hipocrisia que tinha tomado a faixa presidencial nas armas.

Naquele tempo, meus meninos, até uma bunda na capa do jornal era uma luz no cotidiano opressivo. Mas para isso era preciso ter criatividade e humor. E se não tivesse alguém como o Ivan Lessa para fazer isso lá atrás com tanta genialidade, com certeza teria sido bem mais difícil viver no Bananão.
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POR José Pires


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Imagem: Ivan Lessa num recorte de texto de humor de "O Pasquim" fazendo de conta que era um turista no Rio de Janeiro.


domingo, 10 de junho de 2012

A morte de Ivan Lessa

Morte sempre atrapalha. De repente fico sabendo que morreu o Ivan Lessa e estou aqui, muito atarefado neste sábado. Como o pessoal costuma dizer nessa hora, o que eu vou dizer?

Texto é algo que nunca fica perfeito, mas entre os brasileiros o Ivan Lessa era um dos poucos que chegava lá. Seu texto sempre foi muito admirado, tanto é que um mito que se formou em torno da sua figura foi a cobrança para que ele escrevesse um romance, o que ele nunca fez.

Esperteza dele, talvez. O paranaense Dalton Trevisan era outro que também sofria essa cobrança e resolveu contemplar os credores. E se estrepou, porque o seu 'A Polaquinha" decepcionou a crítica e os fãs. Voltou correndo para os contos cada vez mais curtos.

Ivan Lessa permaneceu fazendo uma variedade de coisas na época de "O Pasquim" e há muitos anos vinha escrevendo crônicas na BBC. Eram textos sempre muito bons, que ele mesmo lia no programa de rádio. Com a internet seus textos passaram também a ser publicados no site da emissora inglesa.

Só o que ele fez em "O Pasquim" já basta para que seja lembrado na história do jornalismo brasileiro para todo o sempre. Mas é claro que por um grupo restrito de pessoas já que, como ele mesmo disse, "a cada 15 anos o brasileiro esquece o que aconteceu nos últimos 15 anos".

Sempre foi um prazer ler o que ele escrevia. Era o mais engraçado da turma de O Pasquim e foi essencial no espírito daquele jornal. Eu pouco me importava com o assunto sobre o qual o Ivan Lessa escrevia. Me deliciava com a técnica perfeita, a capacidade de fazer humor trabalhando as ambiguidades da nossa língua (Epa! E este "epa" era coisa dele) e as confusões do comportamento do brasileiro. A sua genialidade estava na capacidade de fazer rir com o tema mais banal e mesmo sem tema algum, apenas explorando o absurdo ou fazendo humor com a própria linguagem.

Ainda na época da ditadura militar ele foi um dos primeiros a perceber que o Brasil tinha tudo para não dar certo e por isso botou o apelido de Bananão no país. E nisso ele foi de uma bondade sem tamanho: os outros países da América Latina eram todos repúblicas de bananas, mas nós éramos bem mais que isso.

Teve gente que não gostou do apelido, mas a verdade é que se o Brasil continuar seguindo nesta toada será melhor mudar de vez o nome oficial para Bananão.
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POR José Pires


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Imagem: Acima, trecho de uma Pasquim Novela, uma das engraçadas criações de Ivan Lessa em "O Pasquim". O debochado espírito deste jornal era em grande parte obra dele. Sentado à mesa apontando para Ivan Lessa está Millôr Fernandes, que morreu no final de março. Abaixo, recorte de um texto de humor publicado em O Pasquim com Ivan Lessa se fazendo de turista no Brasil. O jornalista morava em Londres desde 1978.


quarta-feira, 6 de junho de 2012

O alimento em outras mãos

A trágica morte do principal executivo da fábrica de alimentos Yoki acabou trazendo também outra má notícia que estava restrita às seções de economia dos jornais e sites. A Yoki foi vendida há poucos dias para a companhia americana General Mills. É mais um lance da desnacionalização de indústrias e empresas no Brasil que atinge vários setores da economia. Isso tem ocorrido até na área editorial. Várias editoras brasileiras estão hoje sob o controle de grupos estrangeiros, que ocupam cada vez mais espaço inclusive na edição de livros didáticos.

Marcos Kitano Matsunaga, diretor executivo e membro da família que fundou a Yoki, foi morto e teve o corpo esquartejado. Sua mulher está presa como suspeita do crime. A negociação que levou à venda da empresa para o grupo estrangeiro foi feita enquanto Matsunaga estava desaparecido.

A General Mills pagou R$ 1,75 bilhão pela Yoki e pretende ampliar suas vendas anuais na América Latina para US$ 1 bilhão, que é mais do que o dobro do que vende até agora.

A aquisição feita pela gigante americana faz parte de sua estratégia de conquista do mercado brasileiro de alimentos. Um comunicado feito pela empresa logo depois de fechado o negócio afirma o seguinte: "A Yoki acrescenta recursos chaves e escala geográfica que irão acelerar o nosso crescimento no Brasil". O comunicado diz ainda que haverá a expansão no Brasil dos negócios de duas outras marcas da empresa, a Haagen-Daz e Nature Valley, além da introdução de "novas marcas da General Mills nesse importante mercado".

A entrada de uma empresa desse porte na área de alimentos certamente também irá influir de forma decisiva na relação com os agricultores brasileiros, categoria que têm sofrido bastante nos últimos tempos com a imposição de preços e condições de negociação de seus produtos em um mercado cada vez mais monopolizado.

A General Mills atua em mais de 100 países. No Brasil, só com a Yoki ela passa a comercializar mais de 600 produtos de nove marcas. Produtos que, por sinal, sempre foram muito bons. O Brasil vai ficando cada vez menos brasileiro e perdendo a capacidade de fazer seus próprios produtos. Se continuar assim, logo mais não teremos mais nem pipoca brasileira.

E aqui concluimos a ligação dos pontos: a Delta foi comprada pelo Grupo JBS.
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POR José Pires


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Imagem: Yes, nós temos popcorn!


Dano moral

No Brasil, já vimos corrupto se justificando de várias formas depois de pego em flagrante. Tem os que falam em perseguição política, outros dizem que foram traídos e teve até presidente da República que disse que de nada sabia e que também cometeu a maracutaia porque todos faziam o mesmo.

Mas vai ser difícil alguém ganhar da justificativa da empreiteira Delta Construção depois de flagrada em muitas irregularidades. Em nota divulgada à imprensa nesta segunda feira, dia 2, a Delta afirmou que está sofrendo "bullyng empresarial".

Do jeito que este país anda desavergonhado, não vou me espantar se um dia desses o contribuinte brasileiro for obrigado pela Justiça a pagar indenização por tratar os pobres coitados dos corruptos com tanto preconceito.
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POR José Pires

segunda-feira, 28 de maio de 2012


domingo, 27 de maio de 2012


Chantagem proteladora

A denúncia publicada pela revista Veja desta semana é um dos fatos mais graves da nossa história recente, afinal não é sempre que um ministro do Supremo Tribunal Federal acusa publicamente um ex-presidente de chantageá-lo para adiar um julgamento importante. A revista traz uma matéria de capa com Gilmar Mendes afirmando que Lula fez pressão para o adiamento do julgamento do mensalão para além das eleições municipais.

A militância vai ter dificuldade para desmerecer a reportagem. A fonte da revista é o próprio chantageado, o ministro Gilmar Mendes, que já foi presidente do STF. Ele diz que num encontro há um mês no escritório do ex-ministro Nelson Jobim, Lula propôs o adiamento do julgamento do mensalão em troca de sua blindagem política na CPI do Cachoeira. Na conversa, Lula insinuou que o ministro do STF teria muito a perder na CPI sem a defesa da base aliada do governo do PT. E para dar exemplo do poderia comprometer Mendes, no encontro o ex-presidente fez alusão a uma viagem que o ministro do STF e o senador Demóstenes Torres teriam feito juntos para a Alemanha.

Nesta referência, Lula deu credibilidade a boatos de que a viagem dos dois teria sido paga pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira. A boataria que procura envolver Gilmar Mendes com o bicheiro Cachoeira vem sendo propagada em sites e blogs usados para defender o governo e atacar a oposição. Muitos desses blogs têm farta propaganda paga do governo.

A Veja conta que na conversa no escritório de Nelson Jobim foi oferecida proteção por Lula. O ex-presidente disse que tinha o controle da CPI do Cachoeira e poderia evitar complicações para Gilmar Mendes, mas o ex-ministro disse a ele que fosse fundo na CPI. Sobre a viagem a Alemanha, Mendes confirmou o encontro em Berlim com o senador Demóstenes Torres, mas disse ao ex-presidente que pagou as despesas de seu bolso. “Vou a Berlim como você vai a São Bernardo. Minha filha mora lá”, disse ele a Lula.

É claro que todo mundo quer saber a opinião de Lula sobre a denúncia, mas ele sumiu do mesmo modo que faz toda vez que surge maracutaia envolvendo o seu nome. Antes de publicar a reportagem a revista já havia tentado entrevistá-lo para ouvir sua versão, mas ele se negou a falar sobre o assunto.

Já pelo lado do ministro Gilmar Mendes a reportagem da Veja recebeu confirmação no mesmo dia em que a revista saiu às bancas. Ontem perguntaram ao ministro do STF se o que estava na Veja era tudo verdade e sua resposta foi a seguinte: “Claro que é! Eu mesmo confirmei tudo à revista”.
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POR José Pires

Um mensalão no meio do caminho

“Tenho convicção de que, se não fosse o mensalão, Dirceu seria o próximo presidente da República. Ele era o homem mais preparado para ser o presidente naquele momento. E não há nada contra ele, tecnicamente”.

A frase é de Antonio Carlos Almeida Castro, chamado até na imprensa de Kakay. A intimidade do apelido combina muito bem em um advogado tão de dentro do poder. Ele é o advogado de José Dirceu no processo do mensalão, além de ser seu amigo bem próximo. Almeida Castro, ou melhor, Kakay é também advogado do senador Demóstenes Torres.

Sua frase pode ter outra leitura, além do significado pretérito e condicional que dá um tom de sonhos desfeitos por uma injustiça. Dirceu, o homem que era chamado por Lula na Presidência de "meu capitão" e que no processo do mensalão é apontado pela Procuradoria-Geral da República como "chefe da quadrilha" será candidatíssimo à presidente do Brasil se derem certo os planos para sua absolvição no STF.
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POR José Pires

Ligando os pontos

Lembram daquele brincadeira de ligar os pontos que vinha em revistas da nossa infância? Na política e nos negócios também podem ser revelados panoramas interessantes quando ligamos os pontos.

Vamos lá então, de caneta na mão. Em março deste ano Henrique Meirelles foi nomeado presidente do conselho de administração da J&F, holding de empresas que controla o frigorífico JBS, o maior frigorífico do mundo. No Brasil, o JBS vem esmagando pequenos frigoríficos pelo país afora e tomando conta do mercado com uma voracidade que o governo faz de conta que não vê. Mas, sigamos ligando os pontos.

Henrique Meirelles foi o presidente do BC com mais tempo no cargo na história da instituição. Reinou de 2003 a 2010, durante os dois governos de Lula. Hoje o BC é presidido por Alexandre Tombini, que foi o braço direito de Meirelles na sua gestão.

As negociações para a contratação de Meirelles pelo Grupo JBS ocorreram em 2011, ao longo do período de quarentena imposto legalmente ao mais longevo presidente do BC. A força econômica do JBS vem de um imenso apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que hoje é o maior sócio do frigorífico.

O banco estatal tem mais de um terço de participação na empresa. Desde 2007 o BC já liberou 8,1 bilhões em quatro operações com o JBS e também entrou com dinheiro em outras empresas do holding presidido por Meirelles, como o financiamento de R$ 2,7 bilhões para a Eldorado Celulose e Papel.

José Batista Júnior é o dono do Grupo JBS. A empresa começou em 1953 de um pequeno açougue, em Anápolis, Goiás, e hoje domina um setor altamente estratégico da nossa balança comercial.

Mas, Batista Júnior tem interesse também na política. Lá em Goiás, ele é vice-presidente do PSB, partido que sempre foi da base aliada do governo petista. Ele pretende ser candidato ao governo estadual em 2014. E por coincidência, Meirelles também é de Goiás.

E sigamos ligando os pontos. Já demonstrei aqui que o atual quadro político do estado de Goiás faz muito mal ao fígado do ex-presidente Lula. O permanente chefão petista quer a destruição do governador Marconi Perillo (PSDB), principalmente porque lá atrás o político goiano afirmou que Lula sempre soube do mensalão.

Movido pelo fígado, Lula ordenou aos seus aliados a abertura da CPI do Cachoeira, um desatino político que fez surgir nas manchetes uma empresa muito poderosa, que até então era conhecida apenas nos bastidores das lucrativas empreitadas de obras públicas. Trata-se da empreiteira Delta Construções, empresa com vasta lista de obras do governo federal, que vem desde o governo Lula.

A Delta não tinha ex-presidente do Banco Central no comando, mas com o anúncio da CPI do Cachoeira começaram a surgir evidências de que nem precisou disso para ter um imenso crescimento. Desde 2007 ela é a empresa que mais recebe verbas orçamentárias do Executivo. Já surgem até boatos de que o interesse de Lula na empresa não é só político. Mas, enfim, os escândalos tornaram a Delta um problema político e administrativo para o governo do PT, de tal forma que para amenizar os estragos políticos e dar continuidade às obras públicas era obrigatório sua venda para outra empresa.

E aqui concluimos a ligação dos pontos: a Delta foi comprada pelo Grupo JBS.
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POR José Pires


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Imagem: Lula e Meirelles, quando trabalhavam juntos oficialmente.


segunda-feira, 21 de maio de 2012


Na onda do marketing

Em entrevista ontem ao jornal O Globo o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, diz o seguinte: “O BC está 200% preparado para reagir". Como jornalista brasileiro é danado para dar título que não confere com o conteúdo da matéria, fui até a entrevista e vi que ele falou mesmo esta bobagem. Quando a gente vê presidente do Banco Central falando com linguagem de vereador picareta, não há como não ficar preocupado. Um economista com esta cifra louca de “200%” também é outra coisa que não pode dar segurança a ninguém.

Li toda a entrevista do Tombini com um esforço danado, pois não é só os “200%” (vindo de um economista, isto merece um sic) do título que parece conversa de marqueteiro. O presidente do Banco Central fala como se fosse um vendedor de livros de auto ajuda. Em alguns momentos até parece o Paulo Coelho afirmando que é possível fazer chover no deserto com a força da mente.

Querem ver outra dele? Do Tombini, não do Coelho. Pois lá pelo meio do papo com o jornalista, quando já estamos até pensando em pedir um uísque já que a crise mundial está tão fácil de encarar , ele vem com essa: “É sempre uma boa filosofia esperar o melhor e se preparar para o pior”.

Uma conversa dessas seria espantosa até num boteco (ou saindo da boca do Coelho), mas o aforisma preocupa ainda mais porque Tombini está se referindo à crise que assola a Europa e está fazendo até economista alemão tremer quando fala no assunto.

Ah, Tombini, Tombini, se o Brasil tomba, pelo menos esse nome vai facilitar a piada. Isso não é filosofia. É só uma frase boboca e com o sentido inverso. Como é que alguém que espera o melhor pode se preparar para o pior? Tenho cá pra mim que uma frase dessas saiu de reunião de criação com marqueteiro.

Porém, não é exclusidade do presidente do Banco Central esta confusão conceitual sobre o enfrentamento dos evidentes problemas que vêm por aí mesmo que a Europa não afunde num abismo. Às vezes eu tenho a impressão de que o Brasil está sendo dirigido pelo João Santana, o marqueteiro do Lula e da Dilma. Como o PT resolveu administrar o país com o olho no ciclo de dois anos entre as eleições municipais e a eleição federal, botaram em primeiro plano o marketing do otimismo. Mas já faz tempo que eles não vêm sabendo fazer a separação entre a propaganda política e a administração do país.

Então, o marketing contaminou primeiro a linguagem dos políticos e depois passou para os quadros administrativos do governo. O contágio foi geral e hoje temos até técnicos embalados pelo marketing e fazendo análises que mais parecem jingle publicitário. E deu nisso: no meio de uma grave crise mundial temos um presidente do Banco Central que dá entrevista falando igual vereador picareta.
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POR José Pires

domingo, 20 de maio de 2012

Parceria blindada

Jornalistas do SBT flagram o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) enviando uma mensagem ao governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB), durante reunião da CPI do Cachoeira. A mensagem do deputado petista: ""A relação com o PMDB vai azedar na CPI. Mas não se preocupe, você é nosso e nós somos teu [sic]".

Vaccarezza, que já foi líder do governo Lula e de Dilma na Câmara e hoje é líder da bancada do PT, apenas revelou sem querer e de forma explícita como tem se comportado este partido que antes de chegar ao poder era sempre o mais entusiasmado com CPIs. Toda a base do governo Dilma Rousseff, tendo a liderança nos bastidores do ex-presidente Lula, atua para blindar políticos envolvidos em negócios ligados ao bicheiro, para evitar que haja investigação séria da corrupção.

Antes de ter o poder o PT acusava a feitura de pizzas em qualquer CPI. Agora os petistas têm até receita própria e o forno do partido está sempre aceso para suas pizzas.
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POR José Pires


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Imagem: Isso que é revolução na política: o PT inaugura a falta de decoro via celular.




Quem foi que disse que o Brasil está se desindustralizando? A indústria da seca no Nordeste continua em atividade intensa.


Parceria oportuna

O PT encontrou o parceiro ideal para os ataques que o partido vem fazendo à imprensa: Fernando Collor, agora senador e ex-presidente que saiu corrido do Palácio do Planalto exatamente porque a imprensa cumpriu de forma correta seu papel de informar.

E agora que estão juntos, o PT e Collor deviam esclarecer alguns fatos da época em que eram inimigos. Podiam começar explicando para os brasileiros a que se referia Collor na eleição de 1989 quando falava do "aparelho de som" de Lula.
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POR José Pires


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Imagem: Num dos debates em que Lula amarelou, os dois agressivos adversários que depois viraram aliados bem próximos.


quarta-feira, 16 de maio de 2012

Verdades que precisam ser contadas

A Comissão da Verdade foi instalada e me chama atenção uma foto publicada na internet, que traz à esquerda da imagem Marco Aurélio Garcia, o assessor especial para assuntos internacionais da presidente Dilma Rousseff e que ocupou o mesmo cargo nos dois governos de Lula.

Como a comissão traz a palavra verdade no nome, creio que cabe lembrar aqui algumas verdades. Nem vou buscar saber o que é que Garcia faz no meio do grupo de ex-presidentes que chega para a instalação da comissão. Mas a presença dele me trouxe algumas lembranças que fui conferir nos livros que tenho sobre a época da luta armada no Brasil.

Em 1971, com o desmantelamento dos grupos de esquerda que faziam a luta armada no Brasil vários de seus componentes correram para o Chile, o que foi uma desgraça para o governo de Salvador Allende. O presidente chileno, que acabou sendo derrubado por um golpe militar em setembro de 73, já tinha muitos problemas internos causados pela extrema esquerda chilena. Receber esta leva de brasileiros em fuga de seu país depois da tentativa de tomar o poder pelas armas só ajudaria a engrossar as fileiras da militância extremista chilena que tinha dificuldade em aceitar o pragmatismo político exigido na situação do Chile.

Um dos movimentos mais radicais era o MIR chileno, dito Movimiento de Izquierda Revolucionária. O MIR aprontava ações extremistas o tempo todo, criando um clima político que fortalecia o golpismo da direita chilena e dos militares. Este MIR é o mesmo que depois veio ao Brasil fazer o sequestro de Abílio Diniz exatamente na época da nossa primeira eleição direta para presidente, em 1989. Mesmo dizendo-se prejudicado pela ação, o PT estranhamente sempre tratou com a maior solidariedade os sequestradores, que depois foram presos. Esta é uma daquelas histórias do PT que jamais foram bem explicadas.

Mas, voltando às ações do MIR, vários participantes brasileiros da luta armada foram se incorporar a esta organização extremista no Chile, depois de saírem corridos do Brasil. Ou seja, como se não bastassem os problemas criados por eles para a oposição democrática em seu país, os extremistas brasileiros foram se meter nas questões internas do Chile, que vivia então um período altamente crítico, tão grave que teve como consequência o sangrento golpe militar comandado pelo general Augusto Pinochet.

Pois Marco Aurélio Garcia foi um dos brasileiros que se incorporaram ao MIR. Sabe-se pouco o que ele aprontou por lá, mas o que ficou claro é que ele e seus companheiros do MIR eram apenas bravateiros que bagunçavam no governo de Allende, pois não mostraram capacidade militar alguma para a resistência ao golpe que acabou acontecendo.

A presença de Marco Aurélio Garcia na instalação daComissão da Verdade reforça, portanto, este significado de que a credibilidade da comissão depende da investigação profunda de todos os lados dessa página muito ruim da nossa história. Direita e esquerda cometeram excessos e também seus crimes, que não podemos analisar apenas tendo em vista a violência de fato, mas também em relação à violência contra a democracia no Brasil, que acabaria sendo vitimada caso houvesse a vitória da luta armada de esquerda.
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POR José Pires


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Imagem: Na instalação da Comissão da Verdade, Marco Aurélio Garcia e a presidente Dilma Roussseff, dois participantes da luta armada num período de trevas do país. A foto foi distribuída pela comunicação da Presidência da República.


Da verdade mesmo?

Sempre foi muito elogiado no Brasil o trabalho da comissão que produziu o Relatório Nunca Mais, com o resultado da investigação sobre desaparecidos políticos na Argentina e os crimes da ditadura militar. O relatório foi concluído em setembro de 1984 e é realmente muito bom, até porque a comissão era presidida por Ernesto Sábato (1911-2011), grande escritor e um homem que conseguia manter em conjunto com sua posição de esquerda o respeito pela democracia.

A investigação da comissão foi exemplar, mesmo sendo indiscutível que os problemas políticos e a violência na Argentina sempre foram bem mais graves e de uma complexidade impossível de comparar com o que houve no Brasil.

Mas cabe lembrar algo que nunca foi destacado no Brasil, que o relatório produzido na Argentina deixa claro logo no primeiro parágrafo de sua apresentação que o terror vivido na Argentina era produzido tanto pela extrema direita quanto pela extrema esquerda. Para ser ainda mais preciso no que estou falando, cabe também dizer que no Brasil a extrema esquerda era representada pelos grupos que promoveram a luta armada. E esta luta armada nunca teve como objetivo o estabelecimento de uma democracia por aqui.

Diz o Relatório Nunca Mais argentino em seu primeiro parágrafo: “Durante a década de 70 a Argentina foi convulsionada por um terror que vinha tanto da extrema esquerda como da extrema direita, fenômeno ocorrido em muitos outros países”.

Ainda neste primeiro parágrafo, o relatório produzido pela comissão presidida por Sábato lembra a luta entre o terror de esquerda e as forças policiais na Itália, também na década de 70, e que culminou com o sequestro de Aldo Moro. O relatório cita um diálogo entre o general Carlo Alberto Dalla Chiesa e um membro dos serviços de segurança, que propunha torturar um detido que parecia saber muito. Dalla Chiesa, que era o chefe dos “carabinieri” que combatiam o terrorismo, disse o seguinte: “A Itália pode permitir-se a perder Aldo Moro. Mas não, em troca, implantar a tortura”. Dalla Chiesa comandou a derrota do terrorismo na Itália, porém depois foi morto pela máfia.

O terrorista Cesare Battisti participou deste triste período na Itália, quando praticou vários crimes, inclusive assassinatos, sendo por isso condenado à prisão. Pois ele fugiu para o Brasil e aqui foi acolhido como herói pelo governo do PT e muitos dos que hoje aplaudem a instalação da Comissão da Verdade. Bem, o que se espera é que esta comissão também não aponte para heróis errados.
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POR José Pires


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Imagem: O escritor Ernesto Sábato entre o Relatório Nunca Mais para o então presidente argentino Raul Alfonsín.


terça-feira, 15 de maio de 2012

No coração das trevas mexicanas

Mesmo o enlouquecido Kurtz, de “No coração das trevas”, acharia demais o que está acontecendo atualmente no México. Kurtz é o personagem criado por Joseph Conrad (1857-1924) neste que é um dos mais conhecidos romances da literatura mundial. O livro também virou o filme de sucesso dirigido por Francis Ford Coppola. No livro, Kurtz é um comerciante de marfim que pratica atrocidades no antigo Congo Belga, na África. No filme de Coppola o personagem é um coronel do exército americano que domina pelo terror um território perdido no meio nas selvas do Vietnã. No livro e no filme é bem marcante a fala final de Kurtz — “O horror! O horror!” — expressando a desgraça que pode nascer das mãos dos homens.

A situação vivida hoje no México é de arrepiar até um Kurtz. Os narcotraficantes e as milícias espalham o terror numa vasta região próxima da fronteira com os Estados Unidos. Neste domingo foram encontrados 48 corpos mutilados. Antes disso, no início deste mês foram 23 os mortos, 9 deles pendurados em um viaduto na cidade de Nuevo Laredo, no nordeste do país.

A mortandade do domingo é tida como resultado de acerto de gangues do tráfico. A extrema violência funciona como avisos atemorizadores entre eles, mas as atrocidades são de tal nível que nada mais deve espantar ninguém. Já estive pesquisando este assunto na internet e vi cenas horrorosas. Os bandidos filmam em vídeo as atrocidades, que são disponibilizadas na rede, sempre como um meio de botar medo nos inimigos. Pode-se ver cenas de espancamentos, tortura e até degolamento. Um dos vídeos mais absurdos mostra duas pessoas sendo interrogadas e dando um depoimento com um aviso a seu bando, para depois serem mortas, uma delas assassinada com uma motosserra.

É o horror, o horror, como já disse Kurtz. Uma grande porção do México virou um território desumanizado. O site do jornal O Globo traz hoje a informação da organização Ação Cidadã do México de que ao menos 71% dos municípios do país, principalmente no Norte, estão sob o controle dos cartéis de drogas.

A matéria conta também que a violência tem atingido jornalistas e isso vem sendo feito de forma deliberada para calar a imprensa. Os jornalistas são encontrados mortos com marcas de torturas, feitas evidentemente como forma de amedrontar todos os profissionais. E é claro que os bandidos estão conseguindo com isso calar a imprensa.

Um jornal de Nuevo Laredo, o “El Mañana”, publicou um editorial no domingo anunciando que deixará de publicar qualquer notícia sobre a violência na cidade e em qualquer outro lugar do país. E Nuevo Laredo não é uma cidadezinha qualquer. Sua zona metropolitana tem cerca de 600 mil habitantes e ela fica grudada na fronteira do Texas. O jornal sofreu na semana passada um atentado com tiros e explosivos. Embora sem vítimas neste atentado, os bandidos conseguiram acabar com a liberdade de imprensa.
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POR José Pires


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Imagem: A cidade mexicana de Nuevo Laredo, grudada na fronteira dos Estados Unidos


terça-feira, 8 de maio de 2012

Mão pesada

Deixa eu ver se entendi. Primeiro o país debate o Código Florestal durante meses, com a participação de todas as instituições interessadas e a intensa cobertura da imprensa, que produz entrevistas, debates, reportagens, dando espaço às mais variadas opiniões. Este assunto também vai para a internet e nas redes sociais é discutido com rigor. E no Congresso Nacional, que manteve também a discussão aberta a todos os cidadãos, é finalmente votada a lei.

E aí, depois de tudo isso, fazem uma campanha nacional pedindo um ato de força da presidente da República.

Se é para resolver dessa forma, não seria mais prático colocar um ditador lá em cima?
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POR José Pires

Ampliando os negócios

Para que serve um partido político? Para a direção nacional do PHS pode muito bem servir para ser usado como uma dessas escolas picaretas de formação profissional que tem tanto no país. Os dirigentes nacionais do partido estão forçando os diretórios municipais a adquirir um curso de formação política. Uma resolução interna do partido obriga a compra sob pena de intervenção no diretório. O preço de um único DVD do curso varia de R$ 3 mil a R$ 25 mil, dependendo do tamanho do município.

A resolução que força a compra do material é um documento histórico do estado a que chegaram os partidos políticos no Brasil. Na última frase a direção dá o aviso em tom de ameaça de que a resolução "será devidamente encaminhada para registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE)”.

Faz sentido. Como partido de aluguel que sempre foi, o PHS está apenas diversificando seus serviços.
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POR José Pires

sábado, 5 de maio de 2012

Espanha por baixo

No lloren por España. A crise por lá é braba. De passagem pela Argentina acompanhado do colega Joan Manuel Serrat, o cantor Joaquin Sabina definiu bem do seu jeito a situação em seu país: “España está como el culo”. Acho que não precisa traduzir, não é?

A situação está mesmo feia na Espanha mas ninguém precisa chorar por eles porque o espanhol vem encarando sem subterfúgios a crise, com a sinceridade que dá pra notar na fala de Sabina. Isso é importante para atacar qualquer problema e indispensável quando é uma questão coletiva.

O El País publicou a fala de Sabina do jeito que está aqui. Não atenuou sua definição dura com eufemismos, como se faz num país que vocês devem conhecer bem, onde quando se fala em crise é só para dizer que nós somos melhores que o resto do mundo.

Não chorem também pela Espanha porque eles mantêm uma cultura forte, vibrante, da qual Serrat e Sabina (vou falar deles acima) são dois bons exemplos na área da música. A Espanha é um país de valores culturais fortes. E um país assim não tem crise que passe por cima.
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POR José Pires


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Imagem: O cantor espanhol Joaquin Sabina fala claro sobre a situação de seu país.


sexta-feira, 4 de maio de 2012

Sem mudanças de código algum

É patético o apelo que corre pela internet para que a presidente Dilma Roussef vete o Código Florestal. Além da ingenuidade da falta de percepção de que haverá de fato alguns vetos que já fazem parte de um jogo político premeditado, acho também muito triste este apelo a gestos de força do Executivo que aparece toda vez que o Legislativo não atende a interesses deste ou daquele setor.

Vejo o Código Florestal também sendo superestimado no debate ecológico no Brasil. O problema do país é a falta de atitudes práticas na área, inclusive no planejamento e na criação de estruturas de qualidade para a exploração dos nossos recursos naturais. E para a defesa da nossa natureza e o melhor uso dos nossos recursos existem leis às pencas, sobre as quais não existe fiscalização e muito menos a ação da Justiça.

Mesmo se fizessem um novo Código Florestal com defesas perfeitas do meio ambiente brasileiro, o efeito seria o mesmo do Código anterior, que aliás tem boas regras: nenhum. Não adianta criar leis no Brasil se não houver uma mudança do hábito de não aplicá-la de fato.
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POR José Pires