quarta-feira, 18 de julho de 2012
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José Pires
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Buscando indicativos que dão voto
É claro que estou falando de gente séria. A retórica de Dilma é sem vergonha. O PIB é um indicador que, como qualquer outro, pode ajudar a administrar melhor. Se ela tem alguma dificuldade com ele, basta sentar ao lado de um bom economista que ele vai extrair o que pode ser nocivo para a compreensão dos problemas que o país enfrenta.
E Dilma teve sua própria vitória eleitoral conquistada em grande parte com o uso do PIB como material de propaganda. Quem não se lembra? O PIB era um conceito tão forte para eles que o então presidente Lula até manipulou de forma arbitrária os dados econômicos para propagandear no ano da eleição um crescimento no PIB e previsões formidáveis de desenvolvimento futuro, sempre baseadas neste modelo.
Porém, mesmo tirando os números do PIB fora da discussão econômica a realidade brasileira bate forte revelando a baixíssima competência deste governo em qualquer setor. E como é um governo já no terceiro mandato (uma década de poder!) fica muito difícil vir com a safada tática de colocar a culpa no governo anterior, um discurso desonesto e de baixa qualidade técnica que coloca a eterna e saudável disputa entre os partidos acima da responsabilidade na condução do Estado.
Qualquer método que possa medir a qualidade de vida no país e os resultados de um modelo econômico vai sempre colocar este governo em seu devido lugar: um zero. À esquerda ou isolado, mas sempre um zero. Por isso, eu penso que seria melhor para o país que tivéssemos governantes implicando mais com a receita do que com a forma de medir os resultados.
Mesmo com o desmerecimento do uso do PIB será difícil para Dilma arrumar outro indicador para extrair os dados positivos que seu governo tanto precisa. Ela e seu partido podem até aumentar a propaganda e a manipulação política que já é de uso comum e com este artifício conquistar boas vitórias eleitorais. Mas isso não vai alterar a péssima realidade que faz infeliz esse nosso Brasil.
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POR José Pires
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Imagem: Depois de seu governo criar um PIBinho, Dilma não gosta mais do indicador.
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José Pires
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Enciclopédia militante
O que deveria ser um verbete informativo é na verdade um longo artigo de opinião. O Wikipédia se apresenta como uma enciclopédia, mas no caso da biografia de Mendes e em tantas outras que o site publica não é tecnicamente esse o produto que apresentam.
A partir da reclamação do ministro do STF à direção do Wikipédia foi revelado em parte como é feita a edição de perfis no site. Na publicação em português são cerca de 1.500 editores ativos e entre eles os que eles chamam de “eliminadores”, além de um “conselho de arbitragem” que analisa conflitos entre os usuários.
Quando Gilmar Mendes procurou publicar em seu perfil informações com uma visão diferente do amontoado de críticas que lá estavam um dos “eliminadores” acabou sendo identificado. É Chico Venâncio, que se opôs aos textos que o ministro tentou incorporar à sua biografia publicada.
Venâncio tem um blog na internet onde à primeira vista já é possível identificar uma posição governista. Na leitura de seus textos também fica logo clara uma grande dificuldade pessoal com a escrita. Mas a gramática não é o ponto mais problemático das suas intervenções no Wikipédia, apesar de não haver confiabilidade no site também neste aspecto.
O problema são os ataques à uma personalidade pública, o que não é, repito, papel de um site que se apresenta como “enciclopédia”. Acontece isso no perfil de Mendes, onde se vê um amontoado de críticas em tom panfletário, com a mesma parcialidade podendo ser vista nos perfis de outras figuras de destaque da oposição.
Me parece óbvio que o Wikipédia foi aparelhado por uma militância partidária que vem sendo organizada e orientada para ocupar de todas as formas a internet. Muitos fazem essa militãncia como profissionais, inclusive recebendo salário para isso.
O modelo do Wikipédia apresenta brechas perfeitas para esta ocupação. Como o site é aberto para voluntários, no Brasil dificilmente o site alcançaria uma boa qualidade de conteúdo, mesmo que não estivesse em prática esta estratégia de domínio político. Qual é o profissional profissional ou intelectual que pode dispor de tempo para colaborar de graça com um site como este? Escrever com seriedade e ainda mais numa “enciclopédia” é algo custoso. Mas isso não é problema para uma militância que bate cartão para fazer política partidária o tempo todo e não vê no conteúdo da internet nada mais que uma ferramenta para manter o poder em posse de um partido.
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POR José Pires
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Imagem: O Wikipédia vira instrumento da militância partidária.
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terça-feira, 10 de julho de 2012
Sindicalismo a serviço do poder
Quando o cinismo é demais ele deve ser apontado, mesmo que seja em pessoas ou entidades com este traço já incorporado à sua forma de agir. Freitas ameaça colocar nas ruas em manifestações políticas a maior central sindical do país e fala em “politização do julgamento” e em “disputa político-partidária”, se referindo a um julgamento que vai ocorrer no Supremo Tribunal Federal. Pode haver maior pressão política sobre a mais alta instância do Poder Judiciário do Brasil?
Mas a CUT já está nas ruas em luta político-partidária desde que foi criada. Um dos espetáculos mais tristes para o nosso sindicalismo tem sido sua atuação nas eleições que interessam ao PT, não só dando apoio ao partido inclusive com o uso da estrutura dos sindicatos, mas também criando problemas para os partidos adversários.
A central costuma agir para interferir até em eleições municipais, colocando até mesmo a sua pauta sindical a serviço do projeto de poder do partido. Se a CUT for mesmo às ruas para defender os mensaleiros será apenas mais um lance da instrumentalização política de seus sindicatos.
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POR José Pires
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Imagem: No sindicalismo a serviço de um partido o logotipo da CUT se junta ao do PT.
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quinta-feira, 5 de julho de 2012
Doutrina burra
Agora há pouco entrou na caixa do meu correio eletrônico um email de uma entrevista num site de esquerda, onde uma pessoa identificada como “o mais importante ativista dos direitos humanos paraguaio” ataca a deposição do ex-presidente Fernando Lugo. Seu nome é Martin Almada.
Ele é contra a destituição de Fernando Lugo da presidência do Paraguai e até aí tudo está dentro da normalidade de um site desses. É dessa forma parcial que eles levam qualquer assunto. Um site ou um blog de esquerda não traria uma opinião que não fosse totalmente contrária a queda de Lugo.
Na entrevista, Almada faz uma relação da destituição de Lugo com a Operação Condor, um arranjo feito na década de 70 entre as ditaduras da região para perseguir e matar adversários políticos. Ora, mas a cassação foi feita de forma constitucional e sem nenhuma violência. O próprio Lugo confirma isso. Mesmo que o site de esquerda e Almada seja contra sua deposição em que esta relação tão rasa e absolutamente mentirosa ajuda a entender o ocorrido no Paraguai?
E Almada vai adiante na sua particular explicação sobre o que aconteceu em seu país. Ele diz que foi uma “trama muito bem montada” pela direita paraguaia. E junta nesta conspiração uma porção de atores políticos: “E quando digo direita paraguaia, me refiro à oligarquia Vicuna, aos grandes fazendeiros, me refiro aos donos da terra, os plantadores de soja transgênica, me refiro às multinacionais, como a Cargil e a Monsanto, e também aos partidos tradicionais ligados a essas oligarquias”. Ele não livra nem a imprensa. Segundo suas palavras, “os meios de comunicação estavam todos a serviço do golpe”.
Pelo que eles dizem, o único certo nesta crise era Lugo. Não dão nenhum atenção aos desacertos do governante que, pelo que transparece no que eles estão falando, seria a redenção do Paraguai em sua desastrosa história política. Não existe qualquer visão crítica sobre a conduta política de Lugo e muito menos a pessoal. Ele é um político que desmoralizou até a credibilidade da sua função como religioso, pois durante a vida usou os poderes do sacerdócio para se aproximar de mulheres jovens e humildes e seduzi-las, inclusive engravidando uma porção delas. Era um bispo que sempre fez com as mulheres paraguaias o mesmo que qualquer patife.
Tudo bem que sejam contra a queda de Lugo, mas a forma que encontram para defender esta posição terá como resultado a criação de uma militância cada vez mais burra em seu entendimento do mundo. O nosso trabalho (e que trabalheira!) é atuar para que essa idiotice política não se espalhe além de seus círculos políticos.
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POR José Pires
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Imagem: Uma das peças da retórica da doutrina da esquerda brasileira, o ex-presidente Lugo, que no exercício da presidência da República se fantasiava de religioso. Usava blusões que pareciam roupas clericais, mas estava suspenso das suas funções de bispo.
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Repassando qualquer coisa na rede
Uso esta situação como exemplo, mas esta tem sido a regra dos mais variados assuntos que aparecem na rede, mesmo em ataques a políticos ou outras questões. Em questões criminais, casos policiais só podem ser resolvidos pela própria polícia e o uso da internet não ajuda em nada se os próprios policiais não estiverem aparelhados e tiverem conhecimento para isso.
Um exemplo de que essas coisas que caem na rede são apenas vozerio sem resultado aconteceu recentemente em Londrina, no Paraná. Uma menina desapareceu e começou um repassamento do caso pelas páginas. Poucos dias depois a criança foi encontrada morta em um vale, há poucos quarteirões de sua casa.
Não era preciso usar internet e nem qualquer outra tecnologia moderna. A solução estava em sair a pé fazendo uma busca intensa pela região onde ela sumiu. E nem para isso a polícia tinha estrutura. E teriam muito menos para organizar e monitorar uma extensão da investigação pelas redes sociais.
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POR José Pires
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Imagem: Um comportamento que vem se tornando muito comum nas redes sociais, o repassamento de posts que não fazem sentido. Para ajudar a resolver um suposto sequestro temos uma foto feita em 2005. E se a criança aparecer terá de ser feito um post para encontrar seus pais.
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terça-feira, 3 de julho de 2012
segunda-feira, 2 de julho de 2012
As cidades em segundo plano nas eleições
Claro que o ambiente perfeito para um debate aprofundado sobre a pesada carga de problemas das nossas cidades seria a eleição municipal que já começou. Entretanto, a disputa pelas prefeituras e câmaras de vereadores acabou virando um mero instrumento no domínio das máquinas partidárias e na estratégia para a manutenção do poder nas mãos de caciques políticos.
As coligações partidárias não são motivadas pelas necessidades dos municípios. O que determina as alianças são as disputas que virão dentro de dois anos, nas eleições para governador, para deputado estadual e federal e também para o Senado, tendo como centro os benefícios pessoais de que os políticos usufruem em torno da presidência da República e dos governos estaduais.
A eleição municipal é moeda de troca nesse poder que se estabelece acima do interesse das cidades. E um elemento que pesa demais neste mercado político desavergonhado é exatamente aquele que é pago diretamente pelo eleitor e que foi instituído, ao menos em teoria, como instrumento de ampliação da qualidade da democracia: o horário eleitoral.
A eleição municipal é usada hoje em dia para os caciques se perenizarem no poder. Muitos deputados federais e também estaduais se reelegem indefinidamente fazendo o uso do partido na barganha que se estabelece nessa época. E ganhe quem for, na continuidade esses políticos se acertam para a busca de emendas orçamentárias e a divisão do poder político. Os acordos permitem inclusive roubar junto com o adversário.
A condução de um candidato à prefeitura se faz mais pela sua função no fortalecimento posterior desses caciques políticos do que por sua ação na defesa do interesse do município. Em grande parte das cidades do interior do país o prefeito nada mais é que um cabo eleitoral de chefes de partido que detêm poder sobre a partilha do poder em seus estados e no plano federal.
É evidente que o caminho que tomou a eleição municipal não oferece possibilidade política e muito menos técnica para a escolha de cidadãos capacitados para a fiscalização e a administração dos bens públicos. É difícil eleger um bom prefeito ou bons vereadores dessa forma. O própria entrada na disputa é determinada por máquinas partidárias fechadas à renovação e ao empenho pessoal de qualidade.
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POR José Pires
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Imagem: Eleger um bom prefeito ou vereador nas cidades brasileiras é difícil, já que os partidos nem permitem que gente boa participe da disputa em igualdade de condições.
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quinta-feira, 28 de junho de 2012
Porrada no bom senso
MMA não é esporte, mas o tamanho peso do dinheiro que gira em torno dos eventos vem fazendo até canais esportivos darem falsamente esse status à luta. A grana que a propaganda traz também faz com que os demais meios de comunicação explorem o assunto sem nenhum interesse na discussão sobre o impressionante clima de violência que envolve até o marketing dos eventos.
Hoje em dia um bullyng entre crianças no pátio de uma escola pode virar uma comoção nacional, mas poucos chamam a atenção ao fato do país não estar precisando nem um pouco da pesada forçação de barra para impor uma luta que estimula os piores instintos de violência. Mas isso não é surpresa, apesar de que não deixa de assustar. Dá até pra entender essa incoerência nos meios de comunicação, onde o interesse da grana costuma eliminar qualquer outro tipo de responsabilidade, mas socialmente isso parece uma esquizofrenia coletiva.
O clima de violência fica muito claro nas encenações públicas entre duas estrelas do MMA, que andam acontecendo por que os dois vão fazer uma luta no mês que vem. Como o americano Chael Sonnen e o brasileiro Anderson Silva vão trocar porradas, seus empresários vieram com a manjada jogada de atrair mais público fazendo um marketing da rivalidade.
E na minha opinião o resultado acabou sendo até educativo. A discussão pública entre os dois lutadores vêm expondo de forma explícita a base conceitual violenta desse tipo de luta. Anderson Silva tem falado que vai “quebrar todos os dentes” do adversário, além de outras considerações próprias de uma briga de rua. Por seu lado, Chael Sonnen contribui no bate boca com um nível parecido.
Até o futebol brasileiro acabou entrando na grosseira encenação. Como Silva tem ligação com o Corinthians, algum marqueteiro instruiu Sonnen para trazer para a briga o rival Palmeiras. E nisso foi ajudado até pela diretoria do clube, que deu para o lutador americano uma camisa do Palmeiras. Num dos vídeos mais estúpidos disponíveis na internet, vestido com uma camisa palmeirense o americano derruba com violência um boneco caracterizado como torcedor corintiano.
E aqui temos a esquizofrenia de que falei. Já é grande a violência que temos hoje entre os torcedores e ainda aparece agora um brutamontes vestido com a camisa de um grande time dizendo que vai dar porrada no adversário que torce para outro time. Mas é desse jeito que vem sendo conduzida a coisa, com a complacência cúmplice dos meios de comunicação e, por extensão, de grande parte dos brasileiros.
E é claro que tirando o lucro de poucos, coisa boa é que isso não vai dar. Mas é assim: quando os interesses são movidos apenas pelo dinheiro o prejuízo acaba sendo sempre muito grande.
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POR José Pires
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Imagem: O lutador Chaen Sonnen derruba um boneco caracterizado como torcedor corintiano. E vestido com a camisa palmeirense ele ainda fala que vai "destruir" o adversário, numa luta "de Palmeiras contra Corinthians".
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terça-feira, 26 de junho de 2012
Crime que compensa muito
Muito bem, pode até parecer que a Justiça Eleitoral está funcionado no Brasil, mas o valor da multa acaba caracterizando aquele “Programa do Ratinho” como uma das propagandas eleitorais mais baratas da história brasileira. E isso se a multa não for anulada num outro julgamento, já que ainda cabe recurso.
Lula ficou mais de 40 minutos no ar e Fernando Haddad também foi chamado ao palco por Ratinho. Ele e Lula disseram até que o candidato petista é bonito. E tudo isso ficou bem barato. Por 15 mil reais Lula e Haddad nem passariam pela portaria do SBT. E isso sem levar em conta que esta quantia não vai sair de fato do bolso de nenhum dos três.
É dessa forma que esse pessoal vai conquistando riqueza e poder. E ainda tem gente que acredita que foi usando o carisma que Lula chegou às alturas onde está hoje.
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POR José Pires
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23:05
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Sem o amigo Maluf para curtir
Mas desta vez não deu para culpar nem a imprensa, porque foi o próprio Maluf que chamou os jornalistas para a exibição da vitória política sobre o adversário que durante anos o chamou de ladrão. Lula diz que não se arrependeu da foto, mas os fatos o contradizem. O ex-presidente tem uma página pessoal no Facebook e nela não publicou a memorável foto com Maluf. Ele, que anda sempre com um fotógrafo particular ao lado.
Na página do Lula são publicados posts sobre todos os eventos de que ele participa, com imagens de seus encontros com personalidades das mais variadas. Ontem, por exemplo, foi publicada a foto do encontro com o vereador Netinho e a cúpula do PCdoB, que foram ao Instituto Lula acertar a aliança que vai dar os minutos do partido à candidatura de Fernando Haddad. E há quatro dias foi publicada uma foto com Raúl Castro, que divide com o irmão Fidel o comando da ditadura cubana.
Mas nada da foto com Maluf. A histórica reunião pública entre os dois não é nem citada. Lula diz que não se arrepende nem um pouco do encontro com Maluf, mas não publicou a foto para os amigos de Facebook darem o seu curtir.
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POR José Pires
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Imagem: Lula foi ao Rio de Janeiro para se encontrar com Raúl Castro, que estava na cidade para a conferência Rio+20. A foto é da página do Facebook do ex-presidente. Se você gosta de ditadores, pode entrar lá para curtir. Mas não vai dar para curtir o encontro de Lula com Paulo Maluf.
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sexta-feira, 22 de junho de 2012
Juiz indeciso
O julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) já está bem próximo e o ministro José Antônio Dias Toffoli ainda não decidiu se vai ou não participar do processo. O ex-presidente Lula, que até tomar aquele chega pra lá público do ministro Gilmar Mendes agia como se fosse chefe do STF, já disse que “Toffoli tem que participar”. Foi o ex-presidente quem o nomeou para o cargo.
Lula fez suspense sobre a nomeação até o último minuto e antes disso ainda soltou uma de suas demagogias: "Vou escolher o nome entre os 190 milhões de brasileiros". Bem, se ele me nomeasse eu teria de recusar, pois não tenho qualificação para o cargo. Apesar de que nunca fui reprovado em concurso público para juiz estadual, como já aconteceu duas vezes com Toffoli.
A ligação de Toffoli com os dirigentes nacionais do PT é demais. A suspeição é tanta que já criou um zumzum entre os procuradores da República, que pressionam o procurador-geral, Roberto Gurgel, para que ele peça seu impedimento. O jornal O Globo trouxe uma matéria onde diz que o comprometimento de Toffoli com réus graúdos do mensalão é assunto de intensa troca de emails entre os procuradores em rede interna do Ministério Público, com mensagens que chegam inclusive ao procurador-geral.
A relação de Toffoli com o PT sempre foi parecida com a de militante, mas muito mais que isso, já que pouquìssimos militantes estiveram tão próximos dos maiorais do partido. Ele foi advogado do PT exatamente à época em que aconteceram fatos definidores do mensalão, como os empréstimos feitos por Marcos Valério para pagar dívidas partidárias. Foram aqueles milhões de reais que o então presidente do PT e réu do mensalão, José Genoíno, disse ter assinado sem saber o que era.
Toffoli foi também subordinado de José Dirceu na Casa Civil, onde trabalhou como subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil. Ele ficava na sala ao lado do ministro de Lula que a Procuradoria-Geral define no inquérito do mensalão como “chefe de quadrilha”. Mas ainda tem mais, o ministro Toffoli namora a advogada Roberta Rangel, que está na defesa de réus do processo do mensalão.
Mesmo com todo esse rol de comprovações de suas relações com réus, Toffoli tem dito que não decidirá agora sobre sua participação. E isto é um absurdo não só moral como também acaba sendo uma demonstração pública do despreparo do ministro indicado por Lula.
Ora, numa situação tão clara de comprometimento, para evitar a suspeição de favorecimento num julgamento desses ele teria de condenar todos os réus, o que torna a sua presença um constrangimento bastante incômodo para o STF. E sua incapacidade inclusive política fica evidente pelo fato do ministro aparentar ainda não ter compreendido as evidentes complicações que podem trazer a sua atuação neste julgamento.
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POR José Pires
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Imagem: O ministro Toffoli na cerimônia de posse no cargo. E se você acha que é o então ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos (hoje advogado de defesa no processo do mensalão) que está por detrás de Toffoli (na foto, na foto), é ele mesmo. Thomaz Bastos está em todas.
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quarta-feira, 20 de junho de 2012
Orgulho ferido
Erundina é deputada federal desde 2002 e passou os dois mandatos de Lula e esta primeira metade do governo Dilma ignorando na prática os sucessivos escândalos deste longo período do PT no poder, mas vamos ficar só na questão da sua desistência de ser vice.
A deputada resolveu renunciar só depois da divulgação da famosa foto do Lula com Paulo Maluf, quando malufistas e petistas afinal se misturaram nos jardins da mansão de Maluf. Que Erundina ou qualquer outro resolva não participar de tamanha farsa, muito bem. No entanto ela já havia aceitado ser vice de Haddad numa situação política que não era nem um pouco ética.
De origem, a candidatura de Haddad tem todos os traços da política de coronel que é comandada por Lula no PT. O candidato foi imposto de cima, sem nenhum debate no partido e muito menos a abertura para a participação da militância. Muito ao contrário, os chefes do PT até aboliram as tradicionais prévias que o partido sempre fez. Ocorreu também o aplastramento de Marta Suplicy, cuja candidatura era muito mais lógica na história do partido, mas não era do interesse de Lula.
E até aí estava tudo bem para Erundina ser vice. A sua própria entrada na chapa foi resultado também de política de coronel, este do nordeste: o governador Eduardo Campos, atual proprietário do PSB. A participação do PSB na campanha paulistana do PT é parte de um conchavo entre os chefões dos dois partidos, numa combinação para acabar com a candidatura à reeleição do atual prefeito de Recife, que é do PT, mas não se dá bem com Lula e nem com o governador pernambucano.
Enquanto o processo era esse, Erundina estava muito bem no papel de vice. Ela já falava oficialmente como vice e até dava entrevistas amenizando a aliança com o PP, que sempre foi do seu conhecimento. Acontece que Lula deixou de ir ao lançamento dela como vice e depois posou para as fotos que todo mundo já viu. Só depois disso é que Erundina deu o fora. É um engano achar que ela fez isso por ética. Foi por melindre.
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POR José Pires
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Imagem: Lula e Paulo Maluf se encontram como velhos chapas nos jardins da mansão de Maluf. Foi só aí que Erundina saltou fora.
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terça-feira, 19 de junho de 2012
Lula, Maluf e companhia
Já se sabe que no acordo entre Paulo Maluf e o PT teve uma exigência de Maluf para que sua divulgação fosse feita na mansão dele e com a presença de Lula. E o ex-presidente da República foi lá fazer o papelão que todos vimos ontem. Maluf acabou saboreando uma vitória histórica no aspecto moral. Moral dele, é claro. E o PT acabou de vez com qualquer restolho de respeito que ainda pudesse existir em sua imagem.
Como é que ninguém chamou a atenção do Lula que dessa forma o acordo com Maluf teria um custo alto demais? Talvez até tenham feito isso, mas Lula já parece estar naquele ponto em que não ouve mais ninguém. Ele comete um dos erros perigosos em política que é acreditar no mito. Neste caso o mito é ele mesmo e foi feito com muita propaganda. Será que Lula pensa que o poder que ele e seu partido alcançaram é fruto de sua sedução pessoal?
Este é o mito que foi construído, mas fora da propaganda a realidade pode ser outra. E se ele não entendeu isso depois do quiproquó que deu o encontro furtivo com o ministro Gilmar Mendes, fica difícil articular qualquer coisa em que haja um relativo controle de encaminhamento.
Um acordo com Maluf não está no mesmo nível das demais combinações eleitorais tão comuns nessa época. Por isso é que fiquei surpreso que nem um marqueteiro tenha apontado a forte simbologia desse político que já foi definido pelos próprios petistas como “nefasto”.
O ex-prefeito de São Paulo é o próprio símbolo da corrupção, de tal forma que do seu sobrenome surgiu uma expressão negativa: o verbo “malufar”. E o PT até faturou muito eleitoralmente fazendo em São Paulo exatamente esta distinção entre ética e Maluf. Dá até pra pensar que Lula não entendeu direito esta questão, mas isso seria espantoso demais para um político com sua experiência. Outra impressão que me dá é que Lula está numa situação pessoal de muita perturbação. Daí os tantos erros recentes.
Já faz tempo que a reputação do PT não é boa, mas foi um estrago danado o acordo com foto tirada nos jardins da mansão com Lula e o agora compadre Paulo Maluf. O partido já vem numa desabalada queda moral desde que Lula foi eleito presidente da República e desde lá o próprio chefe maior também não em andado com as melhores companhias, mas a foto com Maluf simboliza demais esta queda moral. Nem os adversários bolariam um golpe maior na imagem de Lula e do PT.
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POR José Pires
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Imagem: Petistas e malufistas nos jardins da mansão de Paulo Maluf. No final, eles se misturaram.
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segunda-feira, 18 de junho de 2012
Negócios, negócios, dignidade à parte
Para entrar neste mercado altamente lucrativo é preciso ter um partido. E o deputado Paulo Maluf tem um, o PP. A base da aliança entre o PT e Paulo Maluf em São Paulo é só o toma-lá-dá-cá com o horário do partido como moeda de troca. O pagamento costuma vir depois em forma de secretarias e cargos comissionados, mas em alguns casos entra também os custos de campanha eleitoral e existe até o caso do acerto ser em espécie. Em São Paulo ainda não sei como é que Lula e Maluf fecharam o negócio.
Mas por lá o PT precisa desesperadamente dos 1min35 do partido de Maluf, tanto que Lula se obrigou a ir até a mansão de Maluf, no Jardim Europa. O encontro entre os dois não se deu em sede de partido ou comitê de campanha. Foi na mansão do dono do horário eleitoral. Lula deve estar abilolado para ir beijar a mão do Maluf na casa dele. E acho que não é preciso especular sobre quem foi que escolheu o local.
O horário eleitoral gratuito rende muito e não é só quando tem eleição. A lei diz que o uso deve ser para propaganda institucional do partido. Só que o dono do partido faz do horário o que quer. Se a Justiça brasileira é cega de tudo por que a Justiça Eleitoral veria alguma coisa? O horário virou uma propriedade particular que serve de instrumento para propaganda pessoal, veiculando o tempo todo o nome de caciques políticos.
É isso que cria as condições para que muita gente jamais saia do poder. Com o nome sempre em evidência, fica muito mais fácil ganhar uma eleição proporcional e obter um gabinete de deputado em Brasília para facilitar os negócios.
Maluf, que hoje é deputado federal, é um exemplo disso, mas todos os partidos fazem a mesma coisa. Em cada estado brasileiro estão os chefes partidários tocando suas carreiras políticas na moleza com este grande capital. Os partidos são mantidos sem interação com a sociedade, não se renovam e nem se organizam. E também não se preocupam nem um pouco em criar debates vivos e interferências de qualidade em suas comunidades. O negócio deles é outro: é o horário eleitoral.
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POR José Pires
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terça-feira, 12 de junho de 2012
O país do futuro sem estruturas
Bem, como a mensagem foi lida na frente de representantes do Exército, da Aeronáutica e da Marinha, a presidente deve estar falando sobre a capacidade de combate, de ir pro pau, seja numa situação de ataque ou em defesa dos interesses do país e também em caso de conflito interno. É essa capacidade inclusive que costuma evitar que haja confronto militar no plano internacional. Do jeito que o mundo está é o poder militar que preserva a paz. E nação sem esse poder terá sempre mais dificuldade para exigir diálogo.
E o Brasil precisa sim, falando na língua da Dilma, de "capacidade dissuassória". E nem digo "ampliar", pois para isso é preciso primeiro ter alguma capacidade. E claro que não estou falando apenas em comprar trabuco. Falta domínio estratégico e estrutura que sirva de apoio em tempos de crises. E evidentemente tem que ser um pouco mais do que capacidade de ocupar favela para desentocar bandido.
Além da questão militar, falta também uma administração pública baseada num projeto de Nação e não nas trocas oportunas entre Executivo e Congresso, nos privilégios e na distribuição do dinheiro público entre as quadrilhas que encenam de forma fraudulenta uma suposta governabilidade. É preciso compatibilizar progresso e meio ambiente, tudo composto com decência na vida pública, pois sem isso o chamado “país do futuro” não vai chegar bem lá na frente.
No futuro do planeta países fracos terão um espaço bastante diminuído nas decisões internacionais. E podem até ser vítimas fatais na partilha dos recursos naturais de todo o mundo, que vão escasseando dia a dia. Recursos, por sinal, que em relação a muitos outros lugares o Brasil leva bastante vantagem.
O problema é que o tempo para isso vai se esgotando. Será muito mais difícil se estruturar em meio a uma crise. Essas coisas devem ser feitas antes. E o Brasil nem deu início ao trabalho neste campo. Se tivermos mais dois governos pela frente distribuindo demagogia para pobre em vez de administrar o país de forma ampla, estratégica e consequente, a posição futura do Brasil será a de uma colônia do século 21.
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POR José Pires
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Imagem: Arzach, personagem do desenhista francês Moebius (1939-2012) em história em quadrinhos que se passa num futuro caótico e violento. E o Brasil não está se preparando para chegar lá.
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José Pires
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Estão fazendo making of até de propaganda de TV. Vi agora há pouco o making of do comercial de São João da cerveja Antárctica. Todo artificial, com efeito de sonorização até no ruído da chuva que caiu no meio das filmagens. Muito parecido com aqueles extras de Hollywood em que até os erros de cena dão a impressão de terem sido ensaiados. Ainda bem que ao contrário da propaganda o making of a gente só vê uma vez.
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segunda-feira, 11 de junho de 2012
Parada murcha
Todos os jornais perceberam a diminuição da quantidade de gente e tanto a organização da parada quando a Polícia Militar resolveram não apresentar estimativas oficiais de público. Mas a Folha de S. Paulo, novidadeira como só ela, fez uma "medição científica" que tirou muitos zeros da conta. Segundo o jornal, a parada reuniu 270 mil pessoas. Para avaliar a Parada Gay o Datafolha usou o mesmo método que mediu a participação na 28ª Caminhada da Ressurreição.
Como brasileiro é danado para mentir nestas questões de tamanho, a Parada Gay de São Paulo já vinha sendo chamada de "a maior do mundo". No ano passado a estimativa oficial foi de 4,5 milhões de pessoas. Se for feita uma relação com medição de agora do Datafolha, no ano passado na verdade a Parada Gay deve ter reunido no máximo 500 mil pessoas.
É claro que ainda é um sucesso de público, mas não é tanto como vinha sendo alardeado. E a tendência talvez seja de uma dimuição ainda maior no ano que vem, afinal o pessoal agora pode até casar oficialmente. E quando a gente casa, costuma deixar de lado a gandaia.
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POR José Pires
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Ivan Lessa e o espírito criativo de O Pasquim
Ivan Lessa escreveu isso na década de 70, quando o golpe militar de 64 já estava com mais de dez anos. De lá pra cá o período da perda de memória até se estreitou. Hoje em dia, com menos de cinco anos o brasileiro já perdeu a noção do que se passou em seu país. Muitos não lembram nem em quem votou para vereador ou deputado.
Então como é que o brasileiro vai lembrar o que foi "O Pasquim"? Muitos identificam este semanário como um jornal de humor, mas isso não caracteriza de forma alguma o significado para o Brasil desta publicação genial.
O Brasil teve com com a ditadura militar um dos ciclos mais cretinos da nossa história. Quando se fala hoje em dia daquele tempo, costuma-se lembrar mais a violência política contra a democracia e por isso fica muito em segundo plano ou nem é citado o conservadorismo instalado por aqui na cultura e no comportamento.
E como depois da ditadura a nossa democracia teve um desenvolvimento caótico, acabamos em um país de baixa qualidade política e cultural. Daí, existem até algumas pessoas fazendo um revisionismo histórico fraudulento, buscando destacar qualidades na ditadura militar. Nunca acredite numa tolice dessas.
A época da ditadura militar foi das mais idiotas que já houve em nossa história. Com o apertão de ferro na política veio também o apertão no comportamento dos brasileiros, com os militares querendo legislar e impor suas ordens até sobre o biquini das moças ou sobre o jeito de falar, namorar e, claro, fazer sexo.
Evidentemente juntaram-se em torno do golpe de 64 um conjunto de instituições reacionárias que tinham como objetivo básico o controle da vida das pessoas.
Entre essas forças retrógradas estava a Igreja Católica. Todo mundo se esquece, mas durante a ditadura a Igreja torrou a paciência da sociedade brasileira com várias questões, entre elas o divórcio. Impuseram durante anos este dogma católico para todos os brasileiros. E para isso contaram com os militares. Imagine um país onde os militares e os padres é que decidem como você deve se comportar. O Brasil era assim.
E aí é que entra "O Pasquim", com uma influência política e cultural que nenhum outro outro órgão de imprensa teve neste país. Aquela redação genial foi trazendo uma abertura na linguagem e no comportamento que foi um alívio naquele país fechado. E é claro que isso só podia ser feito por meio do humor. E nisso é que Ivan Lessa foi um craque, pois tinha uma habilidade como poucos para interferir de forma criativa revelando o rídiculo das convenções impostas de cima.
Ele editava, pautava, escrevia enredos de fotonovelas, criava capas, bolava piadas com fotos e gravuras, bolava cartuns e personagens, criava quadrinhos junto com o Jaguar. Enfim, ele fazia o diabo naquela redação. No humor, tinha um jeito tal para a coisa que com uma legenda de foto fazia o jornal crescer em qualidade e o leitor dar gargalhadas da hipocrisia que tinha tomado a faixa presidencial nas armas.
Naquele tempo, meus meninos, até uma bunda na capa do jornal era uma luz no cotidiano opressivo. Mas para isso era preciso ter criatividade e humor. E se não tivesse alguém como o Ivan Lessa para fazer isso lá atrás com tanta genialidade, com certeza teria sido bem mais difícil viver no Bananão.
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POR José Pires
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Imagem: Ivan Lessa num recorte de texto de humor de "O Pasquim" fazendo de conta que era um turista no Rio de Janeiro.
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José Pires
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23:46
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