sábado, 28 de julho de 2012

Verdade nua

A honestidade anda tão em falta no mercado que fiquei impressionado com a sinceridade de uma atriz da Globo que vai posar nua para a revista Playboy. Nathália Rodrigues é o nome da moça, outra global famosa que eu desconhecia, mas só por uma questão muito pessoal: não vejo TV. E como não tenho serviçais, não dá para dar uma sapeada nem quando passo pelo quarto de empregada.

Nathália trabalha na minissérie Gabriela. E quase escrevo “atua na novela Gabriela”, mas mudei rápido o verbo porque poucos estão atuando de fato nessa novela. E não sei como está a Nathália, que faz uma das prostitutas do bordel Bataclan. Na imagem, vejam ela em cena.

Vi dois capítulos espaçados de Gabriela e mesmo para os padrões artísticos sempre muito baixos das novelas da Globo achei um desastre a performance de quase todos os atores. O problema é de direção, por isso salvam-se uns maiorais que sabem fazer o serviço sozinhos. Mas o resultado do conjunto chega ser constrangedor. Tem ator fazendo caricatura de personagem. Em várias cenas parece que estão ensaiando falas em início de peça teatral. Mas o trabalho já foi pro no ar, não é mesmo?

Juliana Paes também foi uma escolha errada para o papel central. A moça é boazuda, mas não é sensual. Há muito tempo que na TV brasileira é feita essa confusão com a sensualidade. Na telinha acham também que sensualidade tem a ver apenas com a beleza, o que também não é o caso. Só como exemplo, uma das atrizes brasileiras mais sensuais que temos nem pode pode ser colocada entre as belas de momento algum da televisão brasileira, ao menos nos padrões em voga: é Marília Pera. E uma pessoa pode ser até feia para o gosto comum e nem por isso deixar de ser sensual. O contrário também acontece. Mas vale dizer novamente que no palco ou na tela mesmo a sensualidade natural precisa de um bom diretor para que isso seja uma expressão marcante da personagem.

Mas eu falava sobre a honestidade da Nathália Rodrigues. Novela tem disso: um assunto vai puxando o outro e pode-se até esquecer do começo da conversa. Nathália vai posar nua para a Playboy e foi honesta ao falar sobre isso. Não veio com aquela conversa de nu artístico ou qualquer outra justificativa suspeita. Ela disse que é mesmo por dinheiro que vai tirar a roupa para os leitores.

Vejam o que ela falou: “Aceitei posar nua porque foi uma proposta irrecusável. Prefiro não citar valores, mas posso dizer que dá para mudar um pouco a minha vida e conseguir um apartamento próprio”.

Bacana, não? É de gente honesta assim que o Brasil está precisando. E neste caso especificamente a franqueza facilita até a vida dos marmanjos que vão comprar a Playboy para ver a moça pelada. Ninguém vai precisar usar a desculpa de que está comprando a revista por causa de alguma reportagem ou da entrevista do mês que está muito boa.
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POR José Pires

quinta-feira, 19 de julho de 2012


Juventude com o pé na cova

A presidente Dilma Roussef anda querendo abandonar o PIB como indicador de desenvolvimento e prosperidade. Então que tal a segurança pública? Saiu um estudo novo que coloca o Brasil entre os quatro países com maiores taxas de homicídio de jovens. Não que seja novidade que policiais, mílicias e traficantes estão matando nossos jovens e até crianças. Já sabemos disso. Basta abrir um jornal ou ligar a internet para ver todos os dias a matança.

Mas agora saiu a nova edição do Mapa da Violência, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso) e o Centro Brasileiro de Estudos Latino-americanos (Cebela). De 92 países do mundo apenas El Salvador, Venezuela e Guatemala apresentam taxas de homicídio maiores que a do Brasil, que está com 44,2 casos em 100 mil jovens de 15 a 19 anos.

Entre os dados deste estudo está um que bate com um grave sintoma da violência revelado recentemente pela Anistia Internacional. É uma “epidemia de indiferença” por parte de grande parcela da sociedade com o assassinato cotidiano da juventude mais pobre. O que deveria ser tratado como calamidade é recebido como se fosse um fato natural incorporado à vida nacional.

Esta acomodação dos brasileiros à má qualidade de vida pode ser percebida em relação aos mais variados assuntos, mas no caso da violência a situação é absurda demais. Nem nas cidades menores do país existe mais espanto com os frequentes assassinatos. E até no interior já é recebido como uma normalidade o fato de não ser mais possível andar com segurança nas ruas depois do pôr-do-sol.
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POR José Pires

Gestão com nota baixa

Entre os indicativos sociais negativos que aparecem o tempo todo o mais preocupante é o da educação. Já virou lugar-comum falar sobre a importãncia da educação, mas isso tem mesmo que ser dito sempre. Sem uma educação de qualidade é impossível fazer qualquer coisa.

Saiu nesses dias uma pesquisa sobre este assunto que coloca o Brasil mais uma vez numa situação extremamente negativa. Apenas 35% das pessoas com ensino médio completo podem ser consideradas plenamente alfabetizadas. A pesquisa é do Instituto Paulo Montenegro e a organização não governamental Ação Educativa.

Outra informação impressionante da pesquisa é que 38% dos brasileiros com formação superior têm nível insuficiente em leitura e escrita. Isso é que é o mais preocupante, afinal são essas pessoas que deveriam estar sendo preparadas para elevar o nível educacional e cultural do país. E já é absurdo que um número tão alto de ignorantes tenha entrado na universidade, já que o ensino superior não existe para ensinar a ler. Mas, de qualquer forma, saiam da universidade com alguma formação.

Mas é preciso tomar cuidado com este tipo de encaminhamento porque ele nunca resulta em aumento de verbas na educação e tem servido também para evitar a discussão sobre o que está sendo feito com o dinheiro que já existe nesta área.

Perde-se muito dinheiro com a má gestão dos recursos da educação e parte considerável também se vai com a corrupção. Um estudo recente da Federação do Estado de São Paulo (Fiesp) informou que o Brasil perde R$ 56 bilhões por ano com a má gestão do dinheiro público investido nesta área. Divulgado em novembro de 2010, o estudo é muito interessante quando faz comparativos entre o Brasil e os outros países da América Latina.

Com um percentual de gastos acima do conjunto do continente (4,3% do PIB contra 4% dos demais países) o Brasil teve resultados sempre piores. A taxa brasileira de analfabetismo ficava em 11,3% e os demais em 8%. A repetência nos quatro primeros anos era de 21,4% enquanto nos outros era 5,8%. Há menos de dois anos Uruguai e Chile gastavam o mesmo que o Brasil e conseguiam resultados muito melhores.

O estudo trata apenas dos aspectos administrativos do uso dessas verbas. Não tocou na questão da corrupção, que também é outra barreira séria para uma boa gestão na educação não só pelo dinheiro que é surrupiado mas também pelos maus hábitos que a roubalheira acaba criando.

É claro que é preciso valorizar a educação e sem dúvida alguma é necessário investir em infraestrutura e bons salários para os professores. Mas se não tivermos uma melhoria bem grande da gestão pode ser que o aumento de verbas não traga a melhoria de qualidade que o Brasil precisa.
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POR José Pires

quarta-feira, 18 de julho de 2012


Buscando indicativos que dão voto

Já sabendo que seu governo terá de conviver com um PIB bem pequeno, a presidente Dilma Rousseff busca encaixar um discurso político desqualificando seu uso como indicador de desenvolvimento. Ela está atrasadinha neste assunto e só por conveniência é que agora entra nele. Há muitos anos anos que o modelo do PIB vem sofrendo fortes críticas e na minha opinião muito bem colocadas.

É claro que estou falando de gente séria. A retórica de Dilma é sem vergonha. O PIB é um indicador que, como qualquer outro, pode ajudar a administrar melhor. Se ela tem alguma dificuldade com ele, basta sentar ao lado de um bom economista que ele vai extrair o que pode ser nocivo para a compreensão dos problemas que o país enfrenta.

E Dilma teve sua própria vitória eleitoral conquistada em grande parte com o uso do PIB como material de propaganda. Quem não se lembra? O PIB era um conceito tão forte para eles que o então presidente Lula até manipulou de forma arbitrária os dados econômicos para propagandear no ano da eleição um crescimento no PIB e previsões formidáveis de desenvolvimento futuro, sempre baseadas neste modelo.

Porém, mesmo tirando os números do PIB fora da discussão econômica a realidade brasileira bate forte revelando a baixíssima competência deste governo em qualquer setor. E como é um governo já no terceiro mandato (uma década de poder!) fica muito difícil vir com a safada tática de colocar a culpa no governo anterior, um discurso desonesto e de baixa qualidade técnica que coloca a eterna e saudável disputa entre os partidos acima da responsabilidade na condução do Estado.

Qualquer método que possa medir a qualidade de vida no país e os resultados de um modelo econômico vai sempre colocar este governo em seu devido lugar: um zero. À esquerda ou isolado, mas sempre um zero. Por isso, eu penso que seria melhor para o país que tivéssemos governantes implicando mais com a receita do que com a forma de medir os resultados.

Mesmo com o desmerecimento do uso do PIB será difícil para Dilma arrumar outro indicador para extrair os dados positivos que seu governo tanto precisa. Ela e seu partido podem até aumentar a propaganda e a manipulação política que já é de uso comum e com este artifício conquistar boas vitórias eleitorais. Mas isso não vai alterar a péssima realidade que faz infeliz esse nosso Brasil.
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POR José Pires


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Imagem: Depois de seu governo criar um PIBinho, Dilma não gosta mais do indicador.


Enciclopédia militante

A polêmica em torno da reclamação que o ministro Gilmar Mendes, do STF, vem fazendo sobre o site Wikipédia bem que podia servir para um debate sobre a precariedade da internet brasileira na qualidade de seu conteúdo. Mendes ficou muito bravo com sua biografia publicada no Wikipédia. E com toda a razão. O texto que pretensamente apresenta a vida do ministro é um amontoado de críticas políticas e de ataques à sua atuação como juiz. O texto firma posição contra o ministro ainda antes de sua posse, em 2002, nomeado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso.

O que deveria ser um verbete informativo é na verdade um longo artigo de opinião. O Wikipédia se apresenta como uma enciclopédia, mas no caso da biografia de Mendes e em tantas outras que o site publica não é tecnicamente esse o produto que apresentam.

A partir da reclamação do ministro do STF à direção do Wikipédia foi revelado em parte como é feita a edição de perfis no site. Na publicação em português são cerca de 1.500 editores ativos e entre eles os que eles chamam de “eliminadores”, além de um “conselho de arbitragem” que analisa conflitos entre os usuários.

Quando Gilmar Mendes procurou publicar em seu perfil informações com uma visão diferente do amontoado de críticas que lá estavam um dos “eliminadores” acabou sendo identificado. É Chico Venâncio, que se opôs aos textos que o ministro tentou incorporar à sua biografia publicada.

Venâncio tem um blog na internet onde à primeira vista já é possível identificar uma posição governista. Na leitura de seus textos também fica logo clara uma grande dificuldade pessoal com a escrita. Mas a gramática não é o ponto mais problemático das suas intervenções no Wikipédia, apesar de não haver confiabilidade no site também neste aspecto.

O problema são os ataques à uma personalidade pública, o que não é, repito, papel de um site que se apresenta como “enciclopédia”. Acontece isso no perfil de Mendes, onde se vê um amontoado de críticas em tom panfletário, com a mesma parcialidade podendo ser vista nos perfis de outras figuras de destaque da oposição.

Me parece óbvio que o Wikipédia foi aparelhado por uma militância partidária que vem sendo organizada e orientada para ocupar de todas as formas a internet. Muitos fazem essa militãncia como profissionais, inclusive recebendo salário para isso.

O modelo do Wikipédia apresenta brechas perfeitas para esta ocupação. Como o site é aberto para voluntários, no Brasil dificilmente o site alcançaria uma boa qualidade de conteúdo, mesmo que não estivesse em prática esta estratégia de domínio político. Qual é o profissional profissional ou intelectual que pode dispor de tempo para colaborar de graça com um site como este? Escrever com seriedade e ainda mais numa “enciclopédia” é algo custoso. Mas isso não é problema para uma militância que bate cartão para fazer política partidária o tempo todo e não vê no conteúdo da internet nada mais que uma ferramenta para manter o poder em posse de um partido.
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POR José Pires


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Imagem: O Wikipédia vira instrumento da militância partidária.


terça-feira, 10 de julho de 2012


Sindicalismo a serviço do poder

A CUT pode ir às ruas para defender os mensaleiros do PT. A promessa é do novo presidente da central sindical, Vagner Feitas, que disse que “o julgamento não pode ser político”. Freitas foi mais além e afirmou também o seguinte “Não queremos um país desestabilizado por uma disputa político-partidária, entre o bloco A e o bloco B”.

Quando o cinismo é demais ele deve ser apontado, mesmo que seja em pessoas ou entidades com este traço já incorporado à sua forma de agir. Freitas ameaça colocar nas ruas em manifestações políticas a maior central sindical do país e fala em “politização do julgamento” e em “disputa político-partidária”, se referindo a um julgamento que vai ocorrer no Supremo Tribunal Federal. Pode haver maior pressão política sobre a mais alta instância do Poder Judiciário do Brasil?

Mas a CUT já está nas ruas em luta político-partidária desde que foi criada. Um dos espetáculos mais tristes para o nosso sindicalismo tem sido sua atuação nas eleições que interessam ao PT, não só dando apoio ao partido inclusive com o uso da estrutura dos sindicatos, mas também criando problemas para os partidos adversários.

A central costuma agir para interferir até em eleições municipais, colocando até mesmo a sua pauta sindical a serviço do projeto de poder do partido. Se a CUT for mesmo às ruas para defender os mensaleiros será apenas mais um lance da instrumentalização política de seus sindicatos.
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POR José Pires


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Imagem: No sindicalismo a serviço de um partido o logotipo da CUT se junta ao do PT.


quinta-feira, 5 de julho de 2012

Doutrina burra

Chega a ser maluco que a esquerda não se dê conta da imensa falta de cultura que vem sendo estabelecida entre sua própria militância com os métodos que são usados na divulgação e na análise de assuntos de seu próprio interesse. Com essa forma de pensar e agir terão sempre em volta das ideias que defendem uma massa de ignorantes, gente que vai passar inclusive vergonha quando fora dos círculos partidários for defender qualquer coisa com este ponto de vista de poucos horizontes.

Agora há pouco entrou na caixa do meu correio eletrônico um email de uma entrevista num site de esquerda, onde uma pessoa identificada como “o mais importante ativista dos direitos humanos paraguaio” ataca a deposição do ex-presidente Fernando Lugo. Seu nome é Martin Almada.

Ele é contra a destituição de Fernando Lugo da presidência do Paraguai e até aí tudo está dentro da normalidade de um site desses. É dessa forma parcial que eles levam qualquer assunto. Um site ou um blog de esquerda não traria uma opinião que não fosse totalmente contrária a queda de Lugo.

Na entrevista, Almada faz uma relação da destituição de Lugo com a Operação Condor, um arranjo feito na década de 70 entre as ditaduras da região para perseguir e matar adversários políticos. Ora, mas a cassação foi feita de forma constitucional e sem nenhuma violência. O próprio Lugo confirma isso. Mesmo que o site de esquerda e Almada seja contra sua deposição em que esta relação tão rasa e absolutamente mentirosa ajuda a entender o ocorrido no Paraguai?

E Almada vai adiante na sua particular explicação sobre o que aconteceu em seu país. Ele diz que foi uma “trama muito bem montada” pela direita paraguaia. E junta nesta conspiração uma porção de atores políticos: “E quando digo direita paraguaia, me refiro à oligarquia Vicuna, aos grandes fazendeiros, me refiro aos donos da terra, os plantadores de soja transgênica, me refiro às multinacionais, como a Cargil e a Monsanto, e também aos partidos tradicionais ligados a essas oligarquias”. Ele não livra nem a imprensa. Segundo suas palavras, “os meios de comunicação estavam todos a serviço do golpe”.

Pelo que eles dizem, o único certo nesta crise era Lugo. Não dão nenhum atenção aos desacertos do governante que, pelo que transparece no que eles estão falando, seria a redenção do Paraguai em sua desastrosa história política. Não existe qualquer visão crítica sobre a conduta política de Lugo e muito menos a pessoal. Ele é um político que desmoralizou até a credibilidade da sua função como religioso, pois durante a vida usou os poderes do sacerdócio para se aproximar de mulheres jovens e humildes e seduzi-las, inclusive engravidando uma porção delas. Era um bispo que sempre fez com as mulheres paraguaias o mesmo que qualquer patife.

Tudo bem que sejam contra a queda de Lugo, mas a forma que encontram para defender esta posição terá como resultado a criação de uma militância cada vez mais burra em seu entendimento do mundo. O nosso trabalho (e que trabalheira!) é atuar para que essa idiotice política não se espalhe além de seus círculos políticos.
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POR José Pires


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Imagem: Uma das peças da retórica da doutrina da esquerda brasileira, o ex-presidente Lugo, que no exercício da presidência da República se fantasiava de religioso. Usava blusões que pareciam roupas clericais, mas estava suspenso das suas funções de bispo.


Repassando qualquer coisa na rede

Para que serve a foto de uma criança repassada pela rede social, quando essa imagem não traz informação alguma sobre o que o que de fato ocorreu com ela? É uma das imagens que me caiu na frente hoje. O post fala sobre uma menina e afirma que ela foi "sequestrada" no litoral norte de São Paulo. Mas não traz nenhuma outra informação. Os compartilhamentos já vão além de seis mil. Mas até a foto que publicam não serve pra nada. É de 2005. Ou seja, se o sequestro foi em 2005 já é bem tarde para resolvê-lo pela rede e se o caso aconteceu agora a menina já está bem diferente da foto.

Uso esta situação como exemplo, mas esta tem sido a regra dos mais variados assuntos que aparecem na rede, mesmo em ataques a políticos ou outras questões. Em questões criminais, casos policiais só podem ser resolvidos pela própria polícia e o uso da internet não ajuda em nada se os próprios policiais não estiverem aparelhados e tiverem conhecimento para isso.

Um exemplo de que essas coisas que caem na rede são apenas vozerio sem resultado aconteceu recentemente em Londrina, no Paraná. Uma menina desapareceu e começou um repassamento do caso pelas páginas. Poucos dias depois a criança foi encontrada morta em um vale, há poucos quarteirões de sua casa.

Não era preciso usar internet e nem qualquer outra tecnologia moderna. A solução estava em sair a pé fazendo uma busca intensa pela região onde ela sumiu. E nem para isso a polícia tinha estrutura. E teriam muito menos para organizar e monitorar uma extensão da investigação pelas redes sociais.
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POR José Pires


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Imagem: Um comportamento que vem se tornando muito comum nas redes sociais, o repassamento de posts que não fazem sentido. Para ajudar a resolver um suposto sequestro temos uma foto feita em 2005. E se a criança aparecer terá de ser feito um post para encontrar seus pais.


terça-feira, 3 de julho de 2012


segunda-feira, 2 de julho de 2012

As cidades em segundo plano nas eleições

Nas cidades é que estão os grandes problemas brasileiros e também é delas que deveriam surgir soluções práticas e os encaminhamentos para questões complexas que exigem enfrentamentos de longo prazo. Mas quem é que deixa isso acontecer?

Claro que o ambiente perfeito para um debate aprofundado sobre a pesada carga de problemas das nossas cidades seria a eleição municipal que já começou. Entretanto, a disputa pelas prefeituras e câmaras de vereadores acabou virando um mero instrumento no domínio das máquinas partidárias e na estratégia para a manutenção do poder nas mãos de caciques políticos.

As coligações partidárias não são motivadas pelas necessidades dos municípios. O que determina as alianças são as disputas que virão dentro de dois anos, nas eleições para governador, para deputado estadual e federal e também para o Senado, tendo como centro os benefícios pessoais de que os políticos usufruem em torno da presidência da República e dos governos estaduais.

A eleição municipal é moeda de troca nesse poder que se estabelece acima do interesse das cidades. E um elemento que pesa demais neste mercado político desavergonhado é exatamente aquele que é pago diretamente pelo eleitor e que foi instituído, ao menos em teoria, como instrumento de ampliação da qualidade da democracia: o horário eleitoral.

A eleição municipal é usada hoje em dia para os caciques se perenizarem no poder. Muitos deputados federais e também estaduais se reelegem indefinidamente fazendo o uso do partido na barganha que se estabelece nessa época. E ganhe quem for, na continuidade esses políticos se acertam para a busca de emendas orçamentárias e a divisão do poder político. Os acordos permitem inclusive roubar junto com o adversário.

A condução de um candidato à prefeitura se faz mais pela sua função no fortalecimento posterior desses caciques políticos do que por sua ação na defesa do interesse do município. Em grande parte das cidades do interior do país o prefeito nada mais é que um cabo eleitoral de chefes de partido que detêm poder sobre a partilha do poder em seus estados e no plano federal.

É evidente que o caminho que tomou a eleição municipal não oferece possibilidade política e muito menos técnica para a escolha de cidadãos capacitados para a fiscalização e a administração dos bens públicos. É difícil eleger um bom prefeito ou bons vereadores dessa forma. O própria entrada na disputa é determinada por máquinas partidárias fechadas à renovação e ao empenho pessoal de qualidade.
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POR José Pires


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Imagem: Eleger um bom prefeito ou vereador nas cidades brasileiras é difícil, já que os partidos nem permitem que gente boa participe da disputa em igualdade de condições.


quinta-feira, 28 de junho de 2012


Porrada no bom senso

Por força de interesses comerciais ultimamente o MMA virou moda no Brasil. Como a Rede Globo detém os direitos no Brasil da UFC. a emissora tem feito o conhecido esforço para aumentar o interesse na luta, que nada mais é que um vale-tudo bastante violento. Até em enredo de novela arranjaram espaço para a troca de sopapos.

MMA não é esporte, mas o tamanho peso do dinheiro que gira em torno dos eventos vem fazendo até canais esportivos darem falsamente esse status à luta. A grana que a propaganda traz também faz com que os demais meios de comunicação explorem o assunto sem nenhum interesse na discussão sobre o impressionante clima de violência que envolve até o marketing dos eventos.

Hoje em dia um bullyng entre crianças no pátio de uma escola pode virar uma comoção nacional, mas poucos chamam a atenção ao fato do país não estar precisando nem um pouco da pesada forçação de barra para impor uma luta que estimula os piores instintos de violência. Mas isso não é surpresa, apesar de que não deixa de assustar. Dá até pra entender essa incoerência nos meios de comunicação, onde o interesse da grana costuma eliminar qualquer outro tipo de responsabilidade, mas socialmente isso parece uma esquizofrenia coletiva.

O clima de violência fica muito claro nas encenações públicas entre duas estrelas do MMA, que andam acontecendo por que os dois vão fazer uma luta no mês que vem. Como o americano Chael Sonnen e o brasileiro Anderson Silva vão trocar porradas, seus empresários vieram com a manjada jogada de atrair mais público fazendo um marketing da rivalidade.

E na minha opinião o resultado acabou sendo até educativo. A discussão pública entre os dois lutadores vêm expondo de forma explícita a base conceitual violenta desse tipo de luta. Anderson Silva tem falado que vai “quebrar todos os dentes” do adversário, além de outras considerações próprias de uma briga de rua. Por seu lado, Chael Sonnen contribui no bate boca com um nível parecido.

Até o futebol brasileiro acabou entrando na grosseira encenação. Como Silva tem ligação com o Corinthians, algum marqueteiro instruiu Sonnen para trazer para a briga o rival Palmeiras. E nisso foi ajudado até pela diretoria do clube, que deu para o lutador americano uma camisa do Palmeiras. Num dos vídeos mais estúpidos disponíveis na internet, vestido com uma camisa palmeirense o americano derruba com violência um boneco caracterizado como torcedor corintiano.

E aqui temos a esquizofrenia de que falei. Já é grande a violência que temos hoje entre os torcedores e ainda aparece agora um brutamontes vestido com a camisa de um grande time dizendo que vai dar porrada no adversário que torce para outro time. Mas é desse jeito que vem sendo conduzida a coisa, com a complacência cúmplice dos meios de comunicação e, por extensão, de grande parte dos brasileiros.

E é claro que tirando o lucro de poucos, coisa boa é que isso não vai dar. Mas é assim: quando os interesses são movidos apenas pelo dinheiro o prejuízo acaba sendo sempre muito grande.
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POR José Pires


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Imagem: O lutador Chaen Sonnen derruba um boneco caracterizado como torcedor corintiano. E vestido com a camisa palmeirense ele ainda fala que vai "destruir" o adversário, numa luta "de Palmeiras contra Corinthians".


terça-feira, 26 de junho de 2012

Crime que compensa muito

Era muito óbvio o conteúdo eleitoral daquele programa que o apresentador Ratinho fez no final do mês passado com o ex-presidente Lula e o candidato do PT à prefeitura paulistana, Fernando Haddad. Pois o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo multou os três por propaganda antecipada. Cada um deles terá que pagar R$ 5.000. A decisão veio de queixa feita pelo PPS e o PSDB.

Muito bem, pode até parecer que a Justiça Eleitoral está funcionado no Brasil, mas o valor da multa acaba caracterizando aquele “Programa do Ratinho” como uma das propagandas eleitorais mais baratas da história brasileira. E isso se a multa não for anulada num outro julgamento, já que ainda cabe recurso.

Lula ficou mais de 40 minutos no ar e Fernando Haddad também foi chamado ao palco por Ratinho. Ele e Lula disseram até que o candidato petista é bonito. E tudo isso ficou bem barato. Por 15 mil reais Lula e Haddad nem passariam pela portaria do SBT. E isso sem levar em conta que esta quantia não vai sair de fato do bolso de nenhum dos três.

É dessa forma que esse pessoal vai conquistando riqueza e poder. E ainda tem gente que acredita que foi usando o carisma que Lula chegou às alturas onde está hoje.
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POR José Pires


Sem o amigo Maluf para curtir

O ex-presidente Lula disse que não se arrepende “nem um pouco” da foto que fez junto a Paulo Maluf, nos jardins da mansão de seu ex-adversário. Mas o que é que ele poderia fazer depois desta grande besteira política? Claro que vai tomar a mesma atitude que teve diante de tantas outras trapalhadas e ilegalidades. Ele sempre faz de conta que não foi com ele ou que não viu nada. Ou tenta colocar a culpa nos outros.

Mas desta vez não deu para culpar nem a imprensa, porque foi o próprio Maluf que chamou os jornalistas para a exibição da vitória política sobre o adversário que durante anos o chamou de ladrão. Lula diz que não se arrependeu da foto, mas os fatos o contradizem. O ex-presidente tem uma página pessoal no Facebook e nela não publicou a memorável foto com Maluf. Ele, que anda sempre com um fotógrafo particular ao lado.

Na página do Lula são publicados posts sobre todos os eventos de que ele participa, com imagens de seus encontros com personalidades das mais variadas. Ontem, por exemplo, foi publicada a foto do encontro com o vereador Netinho e a cúpula do PCdoB, que foram ao Instituto Lula acertar a aliança que vai dar os minutos do partido à candidatura de Fernando Haddad. E há quatro dias foi publicada uma foto com Raúl Castro, que divide com o irmão Fidel o comando da ditadura cubana.

Mas nada da foto com Maluf. A histórica reunião pública entre os dois não é nem citada. Lula diz que não se arrepende nem um pouco do encontro com Maluf, mas não publicou a foto para os amigos de Facebook darem o seu curtir.
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POR José Pires


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Imagem: Lula foi ao Rio de Janeiro para se encontrar com Raúl Castro, que estava na cidade para a conferência Rio+20. A foto é da página do Facebook do ex-presidente. Se você gosta de ditadores, pode entrar lá para curtir. Mas não vai dar para curtir o encontro de Lula com Paulo Maluf.


sexta-feira, 22 de junho de 2012


Juiz indeciso

O julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) já está bem próximo e o ministro José Antônio Dias Toffoli ainda não decidiu se vai ou não participar do processo. O ex-presidente Lula, que até tomar aquele chega pra lá público do ministro Gilmar Mendes agia como se fosse chefe do STF, já disse que “Toffoli tem que participar”. Foi o ex-presidente quem o nomeou para o cargo.

Lula fez suspense sobre a nomeação até o último minuto e antes disso ainda soltou uma de suas demagogias: "Vou escolher o nome entre os 190 milhões de brasileiros". Bem, se ele me nomeasse eu teria de recusar, pois não tenho qualificação para o cargo. Apesar de que nunca fui reprovado em concurso público para juiz estadual, como já aconteceu duas vezes com Toffoli.

A ligação de Toffoli com os dirigentes nacionais do PT é demais. A suspeição é tanta que já criou um zumzum entre os procuradores da República, que pressionam o procurador-geral, Roberto Gurgel, para que ele peça seu impedimento. O jornal O Globo trouxe uma matéria onde diz que o comprometimento de Toffoli com réus graúdos do mensalão é assunto de intensa troca de emails entre os procuradores em rede interna do Ministério Público, com mensagens que chegam inclusive ao procurador-geral.

A relação de Toffoli com o PT sempre foi parecida com a de militante, mas muito mais que isso, já que pouquìssimos militantes estiveram tão próximos dos maiorais do partido. Ele foi advogado do PT exatamente à época em que aconteceram fatos definidores do mensalão, como os empréstimos feitos por Marcos Valério para pagar dívidas partidárias. Foram aqueles milhões de reais que o então presidente do PT e réu do mensalão, José Genoíno, disse ter assinado sem saber o que era.

Toffoli foi também subordinado de José Dirceu na Casa Civil, onde trabalhou como subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil. Ele ficava na sala ao lado do ministro de Lula que a Procuradoria-Geral define no inquérito do mensalão como “chefe de quadrilha”. Mas ainda tem mais, o ministro Toffoli namora a advogada Roberta Rangel, que está na defesa de réus do processo do mensalão.

Mesmo com todo esse rol de comprovações de suas relações com réus, Toffoli tem dito que não decidirá agora sobre sua participação. E isto é um absurdo não só moral como também acaba sendo uma demonstração pública do despreparo do ministro indicado por Lula.

Ora, numa situação tão clara de comprometimento, para evitar a suspeição de favorecimento num julgamento desses ele teria de condenar todos os réus, o que torna a sua presença um constrangimento bastante incômodo para o STF. E sua incapacidade inclusive política fica evidente pelo fato do ministro aparentar ainda não ter compreendido as evidentes complicações que podem trazer a sua atuação neste julgamento.
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POR José Pires


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Imagem: O ministro Toffoli na cerimônia de posse no cargo. E se você acha que é o então ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos (hoje advogado de defesa no processo do mensalão) que está por detrás de Toffoli (na foto, na foto), é ele mesmo. Thomaz Bastos está em todas.


quarta-feira, 20 de junho de 2012

Orgulho ferido

É tamanha a necessidade do brasileiro acreditar em algo honesto na política que está havendo até confusão entre ética e melindre. Com a desistência da deputada Luiza Erundina em ser a vice na chapa de Fernando Haddad, estão aparecendo muitas manifestações que dão ao gesto um significado muito além do seu valor real. Triste do país que precisa de heróis, mas muito mais desgraçado ainda é o país que precisa de uma Erundina para isso.

Erundina é deputada federal desde 2002 e passou os dois mandatos de Lula e esta primeira metade do governo Dilma ignorando na prática os sucessivos escândalos deste longo período do PT no poder, mas vamos ficar só na questão da sua desistência de ser vice.

A deputada resolveu renunciar só depois da divulgação da famosa foto do Lula com Paulo Maluf, quando malufistas e petistas afinal se misturaram nos jardins da mansão de Maluf. Que Erundina ou qualquer outro resolva não participar de tamanha farsa, muito bem. No entanto ela já havia aceitado ser vice de Haddad numa situação política que não era nem um pouco ética.

De origem, a candidatura de Haddad tem todos os traços da política de coronel que é comandada por Lula no PT. O candidato foi imposto de cima, sem nenhum debate no partido e muito menos a abertura para a participação da militância. Muito ao contrário, os chefes do PT até aboliram as tradicionais prévias que o partido sempre fez. Ocorreu também o aplastramento de Marta Suplicy, cuja candidatura era muito mais lógica na história do partido, mas não era do interesse de Lula.

E até aí estava tudo bem para Erundina ser vice. A sua própria entrada na chapa foi resultado também de política de coronel, este do nordeste: o governador Eduardo Campos, atual proprietário do PSB. A participação do PSB na campanha paulistana do PT é parte de um conchavo entre os chefões dos dois partidos, numa combinação para acabar com a candidatura à reeleição do atual prefeito de Recife, que é do PT, mas não se dá bem com Lula e nem com o governador pernambucano.

Enquanto o processo era esse, Erundina estava muito bem no papel de vice. Ela já falava oficialmente como vice e até dava entrevistas amenizando a aliança com o PP, que sempre foi do seu conhecimento. Acontece que Lula deixou de ir ao lançamento dela como vice e depois posou para as fotos que todo mundo já viu. Só depois disso é que Erundina deu o fora. É um engano achar que ela fez isso por ética. Foi por melindre.
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POR José Pires


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Imagem: Lula e Paulo Maluf se encontram como velhos chapas nos jardins da mansão de Maluf. Foi só aí que Erundina saltou fora.


terça-feira, 19 de junho de 2012


Lula, Maluf e companhia

Já se sabe que no acordo entre Paulo Maluf e o PT teve uma exigência de Maluf para que sua divulgação fosse feita na mansão dele e com a presença de Lula. E o ex-presidente da República foi lá fazer o papelão que todos vimos ontem. Maluf acabou saboreando uma vitória histórica no aspecto moral. Moral dele, é claro. E o PT acabou de vez com qualquer restolho de respeito que ainda pudesse existir em sua imagem.

Como é que ninguém chamou a atenção do Lula que dessa forma o acordo com Maluf teria um custo alto demais? Talvez até tenham feito isso, mas Lula já parece estar naquele ponto em que não ouve mais ninguém. Ele comete um dos erros perigosos em política que é acreditar no mito. Neste caso o mito é ele mesmo e foi feito com muita propaganda. Será que Lula pensa que o poder que ele e seu partido alcançaram é fruto de sua sedução pessoal?

Este é o mito que foi construído, mas fora da propaganda a realidade pode ser outra. E se ele não entendeu isso depois do quiproquó que deu o encontro furtivo com o ministro Gilmar Mendes, fica difícil articular qualquer coisa em que haja um relativo controle de encaminhamento.

Um acordo com Maluf não está no mesmo nível das demais combinações eleitorais tão comuns nessa época. Por isso é que fiquei surpreso que nem um marqueteiro tenha apontado a forte simbologia desse político que já foi definido pelos próprios petistas como “nefasto”.

O ex-prefeito de São Paulo é o próprio símbolo da corrupção, de tal forma que do seu sobrenome surgiu uma expressão negativa: o verbo “malufar”. E o PT até faturou muito eleitoralmente fazendo em São Paulo exatamente esta distinção entre ética e Maluf. Dá até pra pensar que Lula não entendeu direito esta questão, mas isso seria espantoso demais para um político com sua experiência. Outra impressão que me dá é que Lula está numa situação pessoal de muita perturbação. Daí os tantos erros recentes.

Já faz tempo que a reputação do PT não é boa, mas foi um estrago danado o acordo com foto tirada nos jardins da mansão com Lula e o agora compadre Paulo Maluf. O partido já vem numa desabalada queda moral desde que Lula foi eleito presidente da República e desde lá o próprio chefe maior também não em andado com as melhores companhias, mas a foto com Maluf simboliza demais esta queda moral. Nem os adversários bolariam um golpe maior na imagem de Lula e do PT.
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POR José Pires


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Imagem: Petistas e malufistas nos jardins da mansão de Paulo Maluf. No final, eles se misturaram.


segunda-feira, 18 de junho de 2012

Negócios, negócios, dignidade à parte

Um dos melhores negócios hoje em dia, danado de bom para ganhar poder e dinheiro, é o comércio de horário eleitoral gratuito, que de gratuito não tem nada. A conta é do contribuinte e quem repassa o dinheiro para as emissoras é o Estado.

Para entrar neste mercado altamente lucrativo é preciso ter um partido. E o deputado Paulo Maluf tem um, o PP. A base da aliança entre o PT e Paulo Maluf em São Paulo é só o toma-lá-dá-cá com o horário do partido como moeda de troca. O pagamento costuma vir depois em forma de secretarias e cargos comissionados, mas em alguns casos entra também os custos de campanha eleitoral e existe até o caso do acerto ser em espécie. Em São Paulo ainda não sei como é que Lula e Maluf fecharam o negócio.

Mas por lá o PT precisa desesperadamente dos 1min35 do partido de Maluf, tanto que Lula se obrigou a ir até a mansão de Maluf, no Jardim Europa. O encontro entre os dois não se deu em sede de partido ou comitê de campanha. Foi na mansão do dono do horário eleitoral. Lula deve estar abilolado para ir beijar a mão do Maluf na casa dele. E acho que não é preciso especular sobre quem foi que escolheu o local.

O horário eleitoral gratuito rende muito e não é só quando tem eleição. A lei diz que o uso deve ser para propaganda institucional do partido. Só que o dono do partido faz do horário o que quer. Se a Justiça brasileira é cega de tudo por que a Justiça Eleitoral veria alguma coisa? O horário virou uma propriedade particular que serve de instrumento para propaganda pessoal, veiculando o tempo todo o nome de caciques políticos.

É isso que cria as condições para que muita gente jamais saia do poder. Com o nome sempre em evidência, fica muito mais fácil ganhar uma eleição proporcional e obter um gabinete de deputado em Brasília para facilitar os negócios.

Maluf, que hoje é deputado federal, é um exemplo disso, mas todos os partidos fazem a mesma coisa. Em cada estado brasileiro estão os chefes partidários tocando suas carreiras políticas na moleza com este grande capital. Os partidos são mantidos sem interação com a sociedade, não se renovam e nem se organizam. E também não se preocupam nem um pouco em criar debates vivos e interferências de qualidade em suas comunidades. O negócio deles é outro: é o horário eleitoral.
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POR José Pires


terça-feira, 12 de junho de 2012

O país do futuro sem estruturas

Afinal, qual é a língua que as autoridades brasileiras falam? Portuguesa é que não é. Em um evento oficial das Forças Armadas a presidente Dilma Rousseff mencionou a necessidade da ampliação da "capacidade dissuassória" do país.

Bem, como a mensagem foi lida na frente de representantes do Exército, da Aeronáutica e da Marinha, a presidente deve estar falando sobre a capacidade de combate, de ir pro pau, seja numa situação de ataque ou em defesa dos interesses do país e também em caso de conflito interno. É essa capacidade inclusive que costuma evitar que haja confronto militar no plano internacional. Do jeito que o mundo está é o poder militar que preserva a paz. E nação sem esse poder terá sempre mais dificuldade para exigir diálogo.

E o Brasil precisa sim, falando na língua da Dilma, de "capacidade dissuassória". E nem digo "ampliar", pois para isso é preciso primeiro ter alguma capacidade. E claro que não estou falando apenas em comprar trabuco. Falta domínio estratégico e estrutura que sirva de apoio em tempos de crises. E evidentemente tem que ser um pouco mais do que capacidade de ocupar favela para desentocar bandido.

Além da questão militar, falta também uma administração pública baseada num projeto de Nação e não nas trocas oportunas entre Executivo e Congresso, nos privilégios e na distribuição do dinheiro público entre as quadrilhas que encenam de forma fraudulenta uma suposta governabilidade. É preciso compatibilizar progresso e meio ambiente, tudo composto com decência na vida pública, pois sem isso o chamado “país do futuro” não vai chegar bem lá na frente.

No futuro do planeta países fracos terão um espaço bastante diminuído nas decisões internacionais. E podem até ser vítimas fatais na partilha dos recursos naturais de todo o mundo, que vão escasseando dia a dia. Recursos, por sinal, que em relação a muitos outros lugares o Brasil leva bastante vantagem.

O problema é que o tempo para isso vai se esgotando. Será muito mais difícil se estruturar em meio a uma crise. Essas coisas devem ser feitas antes. E o Brasil nem deu início ao trabalho neste campo. Se tivermos mais dois governos pela frente distribuindo demagogia para pobre em vez de administrar o país de forma ampla, estratégica e consequente, a posição futura do Brasil será a de uma colônia do século 21.
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POR José Pires


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Imagem: Arzach, personagem do desenhista francês Moebius (1939-2012) em história em quadrinhos que se passa num futuro caótico e violento. E o Brasil não está se preparando para chegar lá.









Estão fazendo making of até de propaganda de TV. Vi agora há pouco o making of do comercial de São João da cerveja Antárctica. Todo artificial, com efeito de sonorização até no ruído da chuva que caiu no meio das filmagens. Muito parecido com aqueles extras de Hollywood em que até os erros de cena dão a impressão de terem sido ensaiados. Ainda bem que ao contrário da propaganda o making of a gente só vê uma vez.