quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

De volta à cadeira

No Brasil sempre dá para piorar do ponto de vista moral. A partir desta quinta-feira, dia 13, o presidente do Brasil é José Sarney. Ele assume o cargo porque Dilma Rousseff está em viagem para a França e Rússia, o vice Michel Temer foi para Portugal e o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia, também está fora do país.

É óbvio que o arranjo de viagens é um mimo do governo petista para o senador pelo Amapá que mora no Maranhão. É só até domingo, mas não deixa de ser vergonhoso: José Sarney volta a ser presidente do Brasil. São coisas que só o PT faz pelos brasileiros.
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POR José Pires

A multiplicadora de aeroportos

Os ares europeus deram uma animada na presidente Dilma Rousseff. Longe do mensalão, da Rosemary, do Marcos Valério e de tantas outras encrencas nativas a petista está mandando ver. Depois de dar lições econômicas aos líderes europeus sobre como eles devem enfrentar a crise que assola toda a Europa ela disse hoje que vai construir 800 aeroportos regionais no Brasil. Isso mesmo, desculpem por eu ter dado a notícia antes de saber se vocês estavam sentados, mas Dilma afirmou que vai construir 800 aeroportos, conforme vocês podem ver na matéria que o El País deu em seu site hoje à tarde. O jornal espanhol ainda informa que Dilma disse que vai fazer oitocentos “o más”. Ou seja, podem até ultrapassar esta meta. Pra facilitar o trabalho do marqueteiro 813 eu acho um número bom de aeroportos construídos.

Vou repassar uma fala dela publicada pelo jornal: "Brasil es un país continental, no sólo tiene ferrocarriles. Y hay gente en Brasil que no pueden moverse en avión. Queremos que todas las ciudades con más de 100.000 habitantes tengan acceso a un aeropuerto que esté a una distancia máxima de 50 o 60 kilómetros del centro".

Estes nossos dirigentes vão pra fora do país e soltam lorotas desse tipo. O europeu que vê a presidente do Brasil falando em ”ferrocarriles” deve pensar que o nosso país é todo cortado de ferrovias, facilitando a vida do brasileiro que pode se locomover de trem com toda a tranquilidade entre uma cidade e outra. E não temos esse tipo de transporte nem para viagens entre as capitais. E nem vou me aprofundar no estado precário das nossas rodovias, principalmente as que estão sob a administração do governo federal, pois todo mundo já sabe como é que é.

Com o partido de Dilma no poder há doze anos o Brasil está envolvido em um caos na aviação civil. Viajar de avião hoje é um tormento para o brasileiro e também um risco de vida. Aeroportos de regiões importantes do país não possuem nem instrumentos básicos, como o ILS que serve para orientar o avião durante a descida. Por isso ficam abertos só se o tempo ajudar. E vem agora a presidente falar em 800 aeroportos novos. Não soube de nenhum jornalista que tenha perguntado a ela se antes dos oitocentos vão fazer funcionar os que já existem.

Como Dilma já completou a metade de seu governo, ela terá de se apressar. A conta é fácil. A segunda metade inteira não chega a 800 dias. Então ela terá de queimar etapas para poder inaugurar pelo menos um aeroporto por dia e tirar uns finais de semana para inaugurar pelo menos meia dúzia.
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POR José Pires

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Niemeyer: na política um arquiteto da dureza

Logo depois da morte do Oscar Niemeyer tenho visto interpretações sobre o que ele foi que dão a impressão de que em vida o arquiteto era um grande filósofo, capaz de dissertar com genialidade sobre a arte em que se destacou e até sobre a existência humana. Pois Niemeyer não foi nada disso.

Durante anos li textos dele e acompanhei reportagens e suas entrevistas. Do Niemeyer sempre lembro uma frase repetida em várias entrevistas naquela sua dicção que exigia legendas na tela. Era uma banalidade que para meu espanto foi destacada várias vezes por jornalistas: “A vida é mais importante que a arquitetura”. Vai acabar sendo marcado por esta trivialidade e ele merece. Inegavelmente ele foi um grande arquiteto, mas era banal intelectualmente e em política tinha uma fixação autoritária.

Até o final da vida Niemeyer lamentava a queda do Muro de Berlim material e simbolicamente. Seu pensamento político está baseado naquela triste divisão criada pela oposição entre comunismo e capitalismo. Fechado numa guerra fria mental, ele não teve inteligência política para perceber nenhum dos grandes avanços políticos da segunda metade do século vinte. É tão tosco que nem sequer permitiu-se à compreensão de seu proprio partido (o PCB) sobre a necessidade de reformar a visão política a partir das mudanças da conjuntura política mundial.

As frases suas que vejo correr na internet querem fazer crer que o arquiteto foi um grande humanista, mas se contradizem com o que ele de fato foi em política. Até o final da vida Niemeyer defendeu o stalinismo, modelo político que matou milhões de pessoas na extinta União Soviética e espalhou pelo mundo um terror que só tinha algo comparável no nazismo de Hitler.

Ele adorava a figura de Joseph Stálin. Politicamente era cego às denúncias dos crimes do ditador feitas pelo próprio governo comunista da União Soviética ainda na década de 50. Adorava Stálin de tal forma que em 2009 escreveu um artigo exaltando o ditador e neste texto muito ruim usava como base um livro que dizia exatamente o contrário do que ele pensava. Imerso em sua obscura idolatria ele viu no livro apenas o que interessava para seu culto.

Em política esse era o Niemeyer e não o homem sensível de frases supostamente humanísticas. E eu só não digo que esse era o Niemeyer político “na prática” porque felizmente variadas situações no mundo todo não permitiram que de suas idéias autoritárias brotasse de forma prática um governo no Brasil.

Niemeyer não foi um grande teórico nem sobre sua atividade profissional. Não existem textos seus e nem entrevistas que tragam um pensamento original sobre arquitetura ou qualquer outra arte. É até incomum na sua área esta falta de habilidade para discorrer sobre o próprio trabalho. Arquitetos costumam ser grandes faladores, de tal forma que quando estão sendo entrevistados ou escrevendo alguns parecem bem maiores do que realmente são na sua atividade.

Não é o caso de Niemeyer. Criou obras revolucionárias e algumas muito bonitas, mas era uma droga para escrever ou falar sobre elas. Mas a precariedade intelectual de Niemeyer não importa na sua arquitetura. Não é pela capacidade de teorizar que identificamos o grande artista, apesar de que sempre é muito bom apreciar alguém que sabe falar bem sobre sua arte. Mas existem vários excelentes artistas que são parecidos com o arquiteto brasileiro nessa dificuldade de expressar teoricamente o que fazem com habilidade quando estão com um lápis, um pincel, uma régua, um computador, ou qualquer outro instrumento com o qual um ser humano pode tornar a vida mais bela.

Niemeyer não é menor por causa disso. Mas para uma melhor compreensão do que foi esta marcante personalidade brasileira é melhor que não se procure nele um grande pensador capaz de trazer grandes ensinamentos sobre a vida ou sobre sua arte. E muito menos sobre política. No seu caso o ponto a ser refletido é sua arquitetura e a interferência política de seu mito em várias situações importantes da nossa história e também na arquitetura até no aspecto profissional. Na sua profissão, vários bons arquitetos são da opinião de que seu mito sustentava um lobby que acabou sendo uma influência negativa de várias décadas para a arquitetura brasileira.
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POR José Pires

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Rosemary: com cartão corporativo e longe de casa

E agora temos mais essa: Rosemary Noronha esteve no escândalo dos gastos com cartões corporativos do governo Lula. E ainda tem mais uma: seu cartão corporativo tinha um endereço de Londrina, onde ela nunca viveu. No cartão da mulher que foi amante do ex-presidente (ela se apresentava como "namorada do Lula") consta um endereço real, o da sede da Sociedade Rural do Norte do Paraná. A revelação dessa novidade no escândalo veio do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), que está colhendo assinaturas para a instalação de uma CPI para investigar a venda de pareceres fraudulentos que tinha a participação de Rosemary enquanto ocupava a chefia do escritório da Presidência da República, em São Paulo, por indicação de Lula.

Rosemary Noronha nunca morou em Londrina, mas a cidade paranaense tem uma experiência recente de dissabores com o PT. A região é base política importante de lideranças nacionais do partido. Foi onde o ministro Paulo Bernardo começou sua carreira política, até obter sucesso e mudar-se para Curitiba. É de Londrina também o deputado federal André Vargas, que passou a ocupar o espaço político de Bernardo depois dele virar ministro. E também tem raízes políticas na cidade a ministra Gleisi Hoffmann, a mulher do ministro, que o partido pretende eleger governadora em 2014.

Londrina teve um inesquecível mandato duplo do PT na prefeitura que deixou a cidade abalada moralmente, com denúncias de corrupção muito graves e a destruição de sua capacidade administrativa. Na última eleição, concorrendo com a irmã do ministro Gilberto Carvalho (que também é londrinense) o partido nem foi para o segundo turno. Hoje Nedson Micheleti, o prefeito petista que governou por oito anos, está condenado pela Justiça e inelegível. De tanta rejeição, nesta última eleição o ex-prefeito nem podia ser mostrado no horário eleitoral da candidata do partido, assim como teve que ser totalmente escondido na eleição de 2010, quando o deputado André Vargas tentou ser prefeito e foi rejeitado pelos londrinenses já no primeiro turno.

A cidade tem uma especial atenção do PT nacional. Em um depoimento numa CPI do Senado foi revelado que quando era ministro da Casa Civil, José Dirceu esteve na cidade em um voô misterioso para entregar dinheiro para campanha política. Como dá para ver, Londrina tem gente muito importante do PT. E eis que aparece outra petista muito especial... a Rosemary.
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POR José Pires

terça-feira, 4 de dezembro de 2012


Ministro distraído

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, foi o último a saber do resultado da operação Porto Seguro, feita pela Polícia Federal e que pegou Rosemary Noronha à frente de um esquema de fraudes centralizado no escritório da Presidência da República que ela chefiava em São Paulo. Rosemary foi colocada neste cargo pelo ex-presidente Lula e soube-se depois que ela também era sua amante.

Ainda não se tem a confirmação de Cardozo se ele sabia ao menos do caso extra-conjugal do chefão petista. O ministro da Justiça é um dos íntimos do círculo mais restrito do poder petista. Ele foi coordenador da campanha de Dilma Rousseff e era um dos chamados “Três porquinhos”, o trio que ficava mais perto de Dilma para que ela não fizesse nenhuma bobagem. Da trinca poderosa hoje só resta oficialmente na ativa o ministro. Antonio Palocci caiu por corrupção e José Eduardo Dutra ficou abilolado logo depois da vitória de Dilma e teve que se afastar da presidência nacional do PT que então ocupava. Pegou um cargo bem pago no governo mas sem importância, mas hoje só se ouve falar de seu nome quando ele escreve alguma besteira no Twitter.

Na semana deste escândalo por pouco não foi extinto o grupo dos “Três porquinhos”. Cardozo quase caiu do cargo. Às oito horas da manhã a presidente ficou sabendo que em São Paulo a casa havia caído no escritório da sua Presidência. Mas só conseguiu falar com o ministro da Justiça duas horas depois após insistir muito em seu celular. E ele não sabia de nada.

Para mim, o ministro só não foi demitido para não dar mais tempero em uma crise que esteve aconchegada entre os lençóis do ex-presidente Lula, passando, é claro, pela cozinha da sua primeira-dama, Marisa. Mas já ficou bambo no cargo.

O ministro é incompetente e para saber disso nem precisava aparecer um escândalo com este. A falência do ministério da Justiça está muito bem expressa pela violência assustadora em todo o país. Até em cidades médias ficou perigoso andar pelas ruas depois do pôr-do-sol, num clima de Idade Média em que os caminhos do brasileiro são atravessados por criminosos e salteadores. E como já sabemos muito bem, também os cofres públicos sofrem a ameaça até de quem guarda as chaves.

Nâo que o ministro não se esforce. O problema é que ele cuida de afazeres que estão mais para advogado de defesa de criminoso. Foi bastante ativo durante o julgamento do mensalão pelo STF, mas não na defesa do Estado que foi assaltado pelos mensaleiros. Ele tentou até apelar para o coração dos ministros do STF para evitar a prisão de mensaleiros, quando disse que que preferia a morte a cumprir pena em presídio brasileiro.

Na crise que atingiu o escritório da Presidência em São Paulo ele também passou a agir de forma esquizofrênica se formos analisar o caso por padrões de moralidade pública. Logo que foi avisado por Dilma de que a casa havia caído em São Paulo começou a fazer um lobby em defesa dos acusados das fraudes, procurando blindar especialmente Rosemary Noronha. Passou a semana passada inteira em contato com parlamentares do governo, cuidando da blindagem de Rosemary no Senado. Coisas do PT: a PF, que estourou o esquema de fraudes, é subordinada ao ministro, mas ele age para defender a acusada dos crimes.

Nesta nova treta do governo do PT, que agora tem até traição conjugal do ex-presidente no seu infindável enredo de corrupção, o ministro da Justiça é um dos últimos saber e é até melhor que ele fique na ignorância. Na forma de governo instalada pelo PT é melhor que uma investigação em defesa do Estado não tenha o conhecimento do ministro da Justiça até de ser concluída. Senão ela pode nem começar.
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POR José Pires

domingo, 2 de dezembro de 2012


Por debaixo dos panos



O jornal Folha de S. Paulo resolveu publicar o que todos já suspeitavam e que jornalistas da área política já sabiam: Rosemary Nóvoa Noronha era amante do ex-presidente Lula. Os dois se conheceram em 1993. Em seu blog na internet, o jornalista Reinaldo Azevedo diz que "todos os jornalistas que cobrem política e toda Brasília sabiam que Rosemary Nóvoa Noronha tinha sido amante de Lula". Ele completa que "se ainda é, não sei". A Folha publica hoje uma reportagem e também disponibiliza em seu site o assunto, que deve ser tratado também no decorrer da semana.

Era só o que faltava em matéria de corrupção neste governo: que o assunto viesse entre os lençóis do ex-presidente. O jornal está certo em finalmente trazer aos leitores a razão da estranha influência de Rosemary no governo e o poder pessoal que ela ostentava inclusive em situações que nada tinham a ver com seu cargo como chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo. Ela fez várias viagens internacionais oficiais com Lula sem que sua presença tenha sido registrada oficialmente no Diário Oficial, o que é ilegal.

A revelação sobre o relacionamento íntimo entre ela e Lula serve também como um elemento forte de desmascaramento da hipocrisia que gira em torno da figura do ex-presidente. Ele é trabalhado de forma mítica pela propaganda como um homem fraternal, um sentimento que nos últimos tempos sua máquina de comunicação direcionou com ênfase para o respeito pelas mulheres e que foi essencial na eleição da primeira presidente brasileira, a petista Dilma Rousseff.

A intimidade entre Lula e Rosemary, que até usava a proximidade entre os dois para se favorecer, expõe a esposa do ex-presidente à uma humilhação pública. Isso deve influir negativamente entre o eleitorado feminino. Para ser candidato futuramente, o ex-presidente tem este nó difícílimo de desatar junto às mulheres brasileiras. E isso depois de resolver as coisas em casa com sua primeira-dama.

A mão de Rosemary não está só nas fraudes descobertas pela Polícia Federal com a Operação Porto Seguro, mas também em outros negócios que beneficiaram pessoas de seu grupo e de sua família. Ela colocou a filha em um bom cargo nomeado no governo e também o ex-marido.

A última notícia sobre sua forte influência foi a interferência para que o Banco do Brasil contratasse a empreiteira que tem o atual marido dela, João Vasconcelos, como diretor e um genro como sócio. O contrato é de mais de um milhão de reais.

Pelo nível de ambição e a ousadia de Rosemary é provável que muitas outras coisas graves tenham acontecido e aí está o grande temor de Lula e das lideranças do PT. O caso, que já vinha sendo chamado jocosamente de “O bebê de Rosemary”, pode ter mais diabruras.
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POR José Pires

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Ataques ao senso crítico

Uma decisão da Justiça divulgada na última quarta-feira serve para demonstrar o nível do jornalismo que vem sendo feito pelos setores governistas da imprensa. A Rede Record foi condenada a pagar uma indenização de R$ 50 mil por danos morais ao jornalista William Waack, da TV Globo, por ter insinuado numa reportagem que ele trabalhava como espião da CIA, a agência de inteligência do governo dos Estados Unidos.

A mentira sobre Waack foi produzida a partir dos documentos obtidos pelo site Wikileaks e depois vazados pelo mundo todo. O site criou fama em 2010, quando passou a divulgar documentos confidenciais do governo americano. Os documentos teriam sido entregues pelo soldado americano Bradley Manning, atualmente preso nos Estados Unidos. O fundador do Wikileaks, Julian Assange, está hoje asilado na embaixada do Equador, na Inglaterra. Assange tenta fugir da prestação de contas à Justiça em um problema que nada tem a ver com politica: é acusado de crimes sexuais.

No Brasil, foi seletivo o vazamento de documentos confidenciais pelo Wikileaks, buscando atingir políticos da oposição e jornalistas independentes, como foi o caso de William Waack. Sobre o jornalista da Globo eles tinham um relatório da embaixada americana no Brasil falando de um encontro entre o embaixador e o jornalista, que é especialista em política internacional. Na época, Waack fazia também um ótimo blog sobre assuntos internacionais.

Nada existe de inusitado na narrativa do embaixador sobre o que os dois conversaram, mas logo formou-se nos sites governistas e blogs da militância uma corrente de difamação apontando Waack como colaborador dos Estados Unidos. E na Rede Record saiu este absurdo da insinuação de que ele é colaborador da CIA.

Desde o governo Lula a emissora da Igreja Universal do Reino de Deus vem fazendo este papel de usar seu jornalismo em apoio aos interesses do governo. Blogs e sites ligados ao governo também fizeram ataques feios ao jornalista da Globo, usando o encontro entre ele e o embaixador americano.

Esta demolição de reputações que esse pessoal tenta fazer com qualquer um que não atue em favor do interesse do governo tem também a intenção de atemorizar o conjunto da opinião pública. E neste caso trata-se também de uma vendeta antiga da esquerda. Waack é autor de "Camaradas", uma obra demolidora do papel da esquerda na política brasileira, falando de suas primeiras burradas em 1935, com a Intentona Comunista organizada pelo antigo Partido Comunista Brasileiro (PCB). O lvro é de 1993 e acaba com o romantismo sobre aquele acontecimento. Mostra que o PCB atuava em território brasileiro a serviço de uma nação estrangeira, a União Soviética. E obedecia ordens diretamente do Kremlin. Essa revelação do caráter subalterno da esquerda veio de documentos liberados pelos próprio governo soviético.

Portanto, são contas antigas. Mas acrescidas do caráter profissional independente de Waack em relação ao governo do PT. A decisão da Justiça contra a Rede Record ainda é em primeira instância, mas é difícil que não haja uma condenação definitiva. Afinal, se o encontro entre um jornalista e um embaixador servir para insinuar que o jornalista é agente da CIA ficará muito difícil fazer jornalismo sério no Brasil.
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POR José Pires

Questão de gênero

Como os petistas têm essa ideológica mania marqueteira de procurar problemas de gênero onde eles não existem, do jeito que fazem nesta tola insistência em chamar Dilma Rousseff de "presidenta" e não de presidente, deve estar sendo difícil para eles a relação com este mais novo escândalo flagrado pelo Polícia Federal, desta vez no escritório da Presidência da República em São Paulo.

O esquema fraudava pareceres técnicos de órgãos públicos e tinha à frente Rosemary Nóvoa de Noronha, figura muito próxima, mas bem chegada mesmo ao ex-presidente Lula. Como será que tratam a Rosemary? De chefe do escritório da Presidência da Repúblical ou chamam a companheira de "chefa"?
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POR José Pires

segunda-feira, 12 de novembro de 2012


sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Prevenindo fuga de mensaleiro

Os petistas vão vir com as abiloladas alegações de conspirações que eles sempre trazem quando a companheirada mais velha esquece a sábia lição de que macaco velho tem que saber a hora certa de tirar a mão da cumbuca. Porém, uma vez mais a imprensa está dando a manchete certa. A chamada é da capa do jornal "O Globo" de hoje. Por ordem do ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal (STF), estão incluídos no Sistema Nacional de Procurados e Impedidos (Sinpi) os nomes do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, do ex-deputado José Genoíno, do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e dos demais 22 réus condenados do mensalão. Todos terão seus passaportes recolhidos pela Polícia Federal. A medida é para impedir fugas até que o STf decida as penas de prisão de cada um. Portos e aeroportos já estão em alerta.
Ninguém pode sair do país. É toda cúpula do PT no período em que rolava o pagamento de propina para deputados votarem a favor do governo Lula.
Nessa época, Dirceu despachava ao lado da sala do então presidente Lula, que dizia que na sua equipe de governo o chefe do esquema do mensalão tinha função comparável à mais importante de um time de futebol durante um jogo: era seu capitão.
Depois disso José Dirceu teve que sair depressa do governo, foi cassado por falta de decoro pela Câmara dos Deputados, até ser condenado por corrupção pela mais alta Corte do país pelo fazia naqueles tempos. E Lula sempre dizendo que não sabia de nada que acontecia na sala ao lado da sua.
O ex-ministro condenado pelo STF já atacou em seu blog a retenção dos passaportes, mas seu advogado garantiu que o passaporte do cliente seria entregue ontem. Já o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, não acha a medida suficiente. Ele anunciou que vai reiterar o pedido de prisão imediata dos réus do mensalão. Pode estar vindo aí outra chamada de capa que a militância petista não vai gostar nem um pouco.
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POR José Pires

quarta-feira, 7 de novembro de 2012


Bom de voto

Paulo Francis não iria gostar nem um pouco do resultado das eleições nos Estados Unidos e muito menos do que vou dizer agora: o melhor artigo de tantos que li até o momento sobre a vitória de Obama é do jornalista Caio Blinder. Infelizmente Francis não viveu para ver nem a primeira vitória de Obama. Com certeza estaria pensando o oposto do que Blinder publicou nesta manhã no site da revista Veja. Os dois não se bicavam no balcão inteligente do programa Manhattan Connection, quando Francis ainda estava vivo. Divergiam em tudo. No final, até já atuavam como personagens, batendo boca porque era isso que a platéia pedia.

Caio Blinder não esconde que foi eleitor de Obama nas duas eleições. Ele vive e trabalha nos Estados Unidos o que dá também ao seu texto um tom de testemunho. Este Obama que temos agora nada tem a ver com aquele do primeiro mandato, que entrou na Casa Branca cercado de uma expectativa muito acima do que qualquer um poderia realmente fazer na situação em que pegou os Estados Unidos.

No discurso de agradecimento de hoje Obama ainda fala de um lugar onde “você pode ter sucesso se você tentar”, mas ele sabe que na atual situação não se encaixa mais esta antiga retórica da terra onde todos os sonhos são possíveis.

Blinder, que é um “obamista” de carteirinha, diz em seu texto que gostaria de ver avanços no segundo governo, mas é francamente realista sobre o que pode vir pela frente: “temo que caminhemos para um período sem mudança e sem esperança”.

Mas com o Blinder tão desesperançado mesmo com a reeleição de seu preferido, então o Francis é que estava certo? Nada disso. A derrota de Mitt Romney foi um alívio para o Caio, como ele era chamado pelo amigo Francis mesmo quando era até destratado em frente às câmeras. E na minha opinião foi também um alívio para o mundo, como escrevi ontem num post que está logo abaixo.

Existe um tipo de liberal que pratica às avessas aquilo que critica nas esquerdas e no determinismo marxista. Faz das regras da economia liberal um dogma, como se o mercado livre tivesse capacidade de organizar até as forças da natureza. Mas dá para ver que está acontecendo o contrário. Liberal que não reformula suas idéias neste caso é burro ou trabalha apenas no interesse de grupos e grandes corporações. Este seria o caso do bom e velho Romney na presidência.

Especificamente sobre esta eleição o que dá para apreender de tantos outros artigos e reportagens que li nesses dias — além do excelente texto de Blinder — é que existe hoje uma América de uma diversificação étnica e de uma amplidão de necessidades que o Partido Republicano não entendeu ainda. Eles não sabem como extrair votos dessa nova realidade que se sobrepõe à sua antiga e conservadora base eleitoral. Este já não é o caso dos democratas e de Obama, um craque em eleição que alcançou a vitória mesmo numa situação econômica extremamente adversa para sua administração.
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POR José Pires

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Imagem: O cara em ação. No dia da eleição, o candidato telefona para agradecer e estimular voluntários de sua campanha (“Aqui é Barack Obama. Sabe, o presidente...”). A foto é de seu site de campanha.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Apoio ecológico a Obama

O apoio do prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, a Barack Obama pode ser visto como uma das boas indicações do crescimento da consciência da necessidade de agir com prevenção para que o planeta tenha um futuro diferente das previsões catastróficas que já mostram que estão à caminho. O apoio de Bloomberg foi divulgado cinco dias antes da votação, que ocorre hoje. Para justitificar a decisão, ele citou a importância da atuação de um governante como Obama para o enfrentamento dos problemas climáticos que já se apresentam. Nesses dias o mundo viu o furacão Sandy arrasar Nova York e parece que a tragédia aguçou a preocupação do prefeito com os efeitos da mudança do clima no mundo.

No dia do apoio a Obama a cidade mais rica do planeta estava tomada pela água, com vastas áreas sem iluminação e a população fazendo fila em postos para comprar combustível. Havia o risco de uma invasão por ratos. O prefeito elogiou a atuação do governo federal na emergência exigida pela destruição feita pelo furacão e falou também dos avanços de Obama na prevenção aos efeitos das mudanças climáticas. O furacão que caiu sobre a cidade trouxe um problemão para Mitt Romney. Ele vinha dizendo que a atuação em situações desse tipo devia ser transferida do governo federal para os estados. Obama defendia o contrário. As necessidades criadas pelo furacão forçaram o republicano a mudar de posição.

O prefeito de Nova York hoje é um independente, mas no passado esteve alinhado com o Partido Republicano. Por ele ser um conservador é que destaquei a importância do seu apoio escorado em preocupações ecológicas. Isso pode ser uma demonstração de que o tema finalmente começa a ser percebido com mais respeito mesmo em setores ideológicos que até agora menosprezavam os riscos produzidos pela ação humana sobre o planeta. E mesmo que o desvio seja um fator meramente político, Blomberg deve estar agindo em conformidade com o que sente na opinião pública americana e isso não deixa de ser também muito importante.

Não é possível avaliar o peso que a ecologia pode ter nesta eleição, mas com o ritmo cada vez mais acelerado da destruição ecológica no mundo o tema deveria ocupar o centro dos debates. Não vou entrar na polêmica sobre o aquecimento global. Sei que muitas pessoas respeitáveis discordam em pontos importantes desta questão, que não me parece uma discussão prioritária em razão dos riscos que já temos pela frente.

O fato essencial é o esgotamento dos recursos naturais, cujo uso precisa ser equilibrado com urgência ou então vão aparecer problemas bem graves e dos mais variados em menos de duas décadas. Pensem num planeta com a metade do petróleo que temos agora e com a água escassa e terão uma visão das dificuldades econômicas que estaremos enfrentando. Isso é para logo e não podemos chegar lá com esses hábitos de agora, senão será o caos.

A polêmica sobre os aspectos científicos do aquecimento global desvia a atenção de perigos urgentes. Vou propor uma forma simples de análise. Em qualquer cidade que você estiver, tente imaginar seus arredores dentro de poucos anos. Em quase todas elas, no ritmo atual de destruição ecológica uma criança hoje com dez anos terá um local difícil para viver quando estiver na idade madura dos quarenta anos. Este é o nosso problema imediato que não pode ser atrapalhado pela polêmica científica sobre o derretimento de geleiras.

É preciso equilibrar o gasto dos recursos naturais e isso tem que ser feito antes de tudo nos Estados Unidos, país que não só consome recursos naturais de forma impressionante como também é responsável pelo espalhamento da cultura do desperdício pelo mundo. Se não é possível brecar o gigante, ao menos é preciso desacelerá-lo. É claro que isso começa na economia e é aí que a administração Obama fez alguma diferença. Ainda é pouco, mas é bastante para um país que não vinha fazendo nada nas mãos dos republicanos. Com eles novamente no governo voltaria toda a cultura da gastança que deu no tsunami da crise, com a consequente destruição ecológica produzida por uma economia predatória.
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POR José Pires 

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Imagem: Capa da revista New Yorker desta semana mostrando com humor como deve ser a votação em Nova York. A revista publicou um editorial nesta edição com declaração de apoio a Obama.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Nos palanques de Obama e Romney


Dois apoios indesejáveis na campanha presidencial americana: o senhor Burns e o venezuelano Hugo Chávez.

Todos devem saber que o senhor Burns é o dono da usina nuclear de Springville, onde trabalha Homer Simpson. Seu apoio é para Mitt Romney e aconteceu num dos espisódios da série, que é transmitida pela Fox, rede de TV que apóia de fato o candidato republicano.

No desenho animado, o senhor Burns chama o cachorro Shamus para decidir entre Obama e Romney, manipulando descara
damente o teste para favorecer seu preferido. Dois empregados disfarçados de candidatos trazem pratos de comida para o cão. “Broccoli” Obama oferece a verdura, um trocadilho infame com o nome de origem queniana do presidente. Já “Meat” Romney traz um apetitoso filé. “Meat” é carne em inglês. A escolha parece evidente, mas Shamus foge desesperado depois de arrebentar uma janela.

O outro apoio indesejado é o do presidente Hugo Chávez, da Venezuela, que não sabe mesmo se calar. Para azar de Obama, o apoio é dele. Naquela sua informalidade que fica sempre uns bons pontos acima da irresponsabilidade, Chávez andou falando que votaria em Obama se estivesse nos Estados Unidos. Também com cara de pau deu a certeza de que na Venezuela Obama votaria nele para presidente.

A declaração gravada em vídeo foi transmitida muitas vezes nas emissoras americanas, em propaganda de ataque a Obama paga pelo partido Republicano. A peça da campanha de Romney liga o adversário também a Fidel Castro e Che Guevara. Todo falado em espanhol, o vídeo foi veiculado para criar uma rejeição a Obama junto ao eleitorado latino.

O nível dos Republicanos em eleição tem sido sempre este. Quem não se lembra da campanha anterior, quando Sarah Palin, vice-presidente na chapa de John McCain, atuou como franco-atiradora fazendo ataques sórdidos ao candidato democrata? É claro que ninguém pode querer o apoio do senhor Burns, um plutocrata cínico que faz questão de afirmar que acredita apenas no poder para os mais ricos. Mas não resta dúvida sobre quem ele apoiaria se existisse na vida real.

Já a esquerda latino-americana está no papel de sempre. A dúvida é se de fato desconhecem sua influência negativa ou estão agindo de má fé. Uma tal de Mariella Castro, sobrinha do ditador Fidel Castro, aparece no vídeo republicano dizendo que votaria também no presidente que busca a reeleição. Ela é filha de Raúl Castro. A propaganda dos republicanos contra Obama cita também um e-mail enviado pela Agência de Proteção Ambiental, que trazia a foto do Che Guevara e a conhecida frase “Até a vitória, sempre". A agência afirma que a mensagem foi enviada sem aprovação oficial por um funcionário. Vê-se que até lá nos Estados Unidos a militância azucrinadora faz das suas.
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POR José Pires

quinta-feira, 25 de outubro de 2012


quarta-feira, 24 de outubro de 2012

O nome certo de cada coisa


O ex-procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza fez um serviço para a democracia brasileira quando concluiu o inquérito do mensalão, entregue ao Supremo Tribunal Federal em março de 2006, ocasião em que ainda ocupava o cargo. Além dessa louvável contribuição para o nosso país, Souza deu um toque precioso para dar fim à linguagem do juridiquês que sempre foi a marca dos documentos que tramitam em nossos tribunais. O juridiquês é aquela língua obscura praticada por
 advogados, que torna impenetráveis processos, ações, petições e tantos papéis escritos que dão forma ao universo jurídico. Essa fala, muitas vezes permeada de um latinório pernóstico, é parecida com a linguagem rebuscada e imprecisa de outros setores, tal como acontece na economia, onde se impõe muitas vezes o economês como barreira para impedir o acesso do leitor a assuntos que mexem até com o pão que precisamos comer.

Quando li a apresentação do inquérito do mensalão assim que o material foi divulgado em 2006 logo vi que havia ali um estilo que contribuiria muito para dar um foco mais claro sobre os efeitos da corrupção no país. Veja no link o material na íntegra. Este documento histórico da nossa República é relativamente curto (136 páginas) e de uma facilidade de leitura que o torna um dos textos mais apreciáveis dos últimos tempos. Eu mesmo já o reli muitas vezes, até para não deixar brechas para chicanas jurídicas tramadas por quadrilheiros.

O linguajar simplificado que se viu nesses dias entre alguns juízes do Supremo Tribunal Federal que trataram de forma direta os crimes arquitetados contra a democracia, entre outras coisas chamando pelo nome certo de delinquentes os dirigentes nacionais do PT que compraram votos de deputados, tudo isso está na apresentação escrita por Fernando de Souza e entregue ao STF em 2006.O documento apresentado pelo então procurador-geral trouxe também uma afirmação que abriu espaço para jornalistas independentes se referirem com clareza ao papel do ex- ministro José Dirceu da Casa Civil de Lula, presidente da República enquanto o mensalão era posto em prática. O deputado cassado que foi parceiro de Lula antes até da fundação do PT já era definido por Fernando de Souza como o chefe da quadrilha do mensalão. Aquilo liberou o uso da palavra que define bem seu papel. Havia sempre a obrigação do uso das aspas para evitar que bancas de advogados muito bem pagos armassem processos que serviam de cala-bocas. Mas de qualquer forma isso permitia passar ao leitor o que estavam fazendo contra o país. Com a condenação caem as aspas, permitindo que o quadrilheiro que foi capitão da equipe de Lula seja citado como tal. Naquela época Fernando de Souza já fazia a denúncia da conspiração que a cúpula do PT tramou contra a democracia brasileira. Está muito bem definido na escrita direta do procurador o sentido político do trabalho sujo dos delinquentes: a perenização do PT no poder.Por ser um processo da mais alta instância jurídica do país, certamente a apresentação do inquérito do mensalão teve uma influência sobre grande parte do Ministério Público em todo o país. Eu mesmo peguei em mãos processos posteriores de procuradores estaduais que já vinham com linguagem mais aberta, narrando em linguagem comum os crimes contra o patrimônio público.A partir da análise do inquérito da Procuradoria-Geral da República, alguns ministros do STF deixaram de lado o juridiquês para falar em linguagem popular sobre a corrupção. Os assaltantes dos cofres públicos deixaram de ser tratados em razão de seus cargos ou do poder que ainda detém no governo federal. A começar pelo relator do processo, Joaquim Barbosa, quadrilheiros deixaram de aparecer na linguagem do tribunal como se fossem excelências, numa confusão que muitas vezes dava a impressão de estarem em nível parecido aos ministros da nossa mais alta Corte.Com o julgamento do mensalão o STF trouxe uma importante transformação de linguagem aos brasileiros. Tiraram as aspas do tratamento dado ao crime cometido por políticos. E isso não deixa de ser uma vitória para a igualdade. Afinal, quem rouba tem que ser chamado de ladrão em qualquer situação.


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POR José Pires

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Imagem: Capa do inquérito do mensalão. Distribuímos este material em praça pública em Londrina logo que ele foi entregue ao STF, em 2006. Como se vê pela arte que fiz na época, para evitar processos de bancas de advogados muito bem pagos, até na peça do procurador coloquei aspas por prudência.