quinta-feira, 7 de março de 2013
O dia em que José Dirceu voltou no pinote de Caracas
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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
A esquerda do cala-boca
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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Ecos de erros antigos
Um grupelho bem restrito mesmo foi atazanar a visita de Yoani, conseguindo impedir até a exibição de um documentário sobre a liberdade de expressão feito pelo cineasta brasileiro Dado Galvão. A jornalista cubana é a figura central do filme. Ela ficou conhecida internacionalmente há poucos anos a partir de seu blog, onde trata de assuntos de seus país de forma crítica, na medida do possível em uma ditadura. O blog existe desde abril de 2007.
O bando que se articulou para ofender a blogueira tem por detrás o PCdoB, entre outros partidecos. Este partido foi o que lançou recentemente uma nota ridícula homenageando o falecido ditador da Coréia do Norte que deixou o filho para ocupar seu lugar no comando do país. O PCdoB está também sempre envolvido em escândalos de corrupção, uma rotina que levou até à demissão de um dos ministros da cota do partido no governo do PT.
Mas eu falava da nauseante nostalgia que vi nas manifestações contra a cubana Yoanni, em acontecimentos que lembram o que de pior já aconteceu em Cuba. Pois em um post publicado hoje em seu blog, ela escreve que ouviu durante as manifestações dos extremistas azucrinadores (o adjetivo é meu) lemas que não se escutam mais há anos nem em Cuba.
O texto publicado por ela é, de certo modo, uma resposta ao desrespeito que ela sofreu da parte dessa militância ridícula que tem logicamente mãos muito acima manipulando seus cordéis. Publico abaixo a tradução que fiz do post, pois vejo nele um documento interessante, quase um aviso de que podem estar sendo repetidos por aqui erros que fizeram muito mal ao país de onde a blogueira só conseguiu sair recentemente, pois em Cuba até pra viajar é preciso permissão do governo.
Só mais uma coisa, antes que a militância azucrinadora venha encher os meus piquás: não recebi nenhum tostão da CIA pela tradução.
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O TEXTO DE YOANI SANCHÉS:
“Talvez vocês não saibam – porque nem tudo se conta em um blog – mas o primeiro ato de repúdio que vi na minha vida foi quando eu tinha apenas cinco anos. A agitação no prédio chamou a atenção das duas crianças que éramos minha irmã e eu. Nos debruçamos sobre a grade do estreito corredor para olhar o que acontecia no andar de baixo. As pessoas gritavam e levantavam o punho ao redor da porta de uma vizinha. Eu era tão nova que não tinha a menor ideia do que ocorria. E mais, agora quando recordo aquilo tenho apenas uma lembrança do corrimão gelado entre meus dedos e um vislumbre brevíssimo dos que gritavam. Anos depois pude finalmente armar aquele caleidoscópio de recordações infantis e soube que havia sido testemunha da violência contras os cubanos que queriam sair do país pelo porto de Mariel (*).
Pois bem, desde aquele acontecimento vivi vários outros atos de repúdio. Seja como vítima, observadora ou jornalista... nunca – vale esclarecer – como vitimizadora. Recordo um especialmente violento que sofri junto às Damas de Branco [grupo de parentes de prisoneiros políticos de Cuba], quando os bandos da intolerância cuspiram em nós, nos empurraram e até puxaram os nossos cabelos. Mas o que aconteceu ontem à noite [no Brasil] foi inédito para mim. O piquete de extremistas que impediu a projeção do filme de dado Galvão em Feira de Santana [Bahia} era algo mais que uma porção de adeptos incondicionais do governo cubano. Todos tinham, por exemplo, o mesmo documento – impresso em cores – com uma série de mentiras sobre mim, tão maniqueístas como fáceis de rebater numa simples conversação. Repetiam uma cartilha idêntica e grosseira, sem ter a menor intenção de ouvir o que eu tinha para dizer. Gritavam, interrompiam, em um momento foram até violentos e de vez em quando gritavam um coro de lemas como esses que já não se diz nem em Cuba.
Entretanto, com a ajuda do senador Eduardo Suplicy e a calma diante das adversidades que me caracteriza, afinal conseguimos começar a falar. Resumo: só sabiam gritar e repetir as mesmas frases, como autômatos programados. E isso tornou a reunião ainda mais interessante! Eles tinham as veias do pescoço inchadas, eu esboçava um sorriso. Eles faziam ataques pessoais, eu levava a discussão para a situação de Cuba, que sempre será mais importante que esta humilde cidadã. Eles queriam linchar-me, eu conversar. Eles obedeciam à ordens, eu sou uma alma livre. No final da noite eu me sentia como depois de uma batalha contra os demônios do mesmo extremismo que atiçou os atos de repúdio daquele ano de oitenta em Cuba. A diferença é que desta vez eu conhecia o mecanismo que fomenta estas atitudes, eu podia ver o longo braço que os move desde a Praça da Revolução em Havana.”
(*) Aqui ela fala da saída em massa de cubanos do país ocorrida em dezembro de 1980, conhecido como "Fuga de Mariel". Um total de 125 mil pessoas deixou Cuba pelo porto de Mariel, com destino à Flórida.
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domingo, 10 de fevereiro de 2013
sábado, 2 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
Zoeira midiática
Hoje em dia, com a internet, a fragmentação que é feita de uma notícia torna difícil para o leitor juntar tudo que sai publicado para saber o que aconteceu de fato. Os jornais e revistas migraram para a internet e pegaram os defeitos da televisão. Parece briga por audiência. Até para quem é do ramo não é fácil seguir o ritmo que é imposto pelos sites e blogs. E para embaralhar ainda mais existem também as opiniões nas áreas de comentários e nas redes sociais.
Quando acontece algo importante no país, no final do dia o leitor tem que ter a habilidade de um editor (que até no jornalismo não é uma capacidade de todo profissional) para juntar tudo o que saiu na internet e ter uma visão do que se passou. E certos fatos importantes para esta conexão até desaparecem, apagados por descobertas sensacionais, alguma acusação nova mesmo que seja infundada ou até uma notícia falsa que demora às vezes para ser desmentida ou até permanece como verídica.
Além da desinformação que ocorre, um assunto difícil como este do incêndio de Santa Maria pode vitimar até pessoas que apesar de terem relação com a tragédia não são criminosas. E nem se tivessem alguma culpa grave seria justo que fossem expostas à raiva pública. Aliás, mesmo para quem tiver a culpa comprovada apenas a Justiça é que pode decidir qual será a pena e ainda assim só depois de um julgamento.
Costumo apontar como um defeito esta correria que foi criada na internet e que é muito forte entre nós, brasileiros. Isso já contaminou parte considerável dos leitores e hoje temos muita gente que não pensa duas vezes antes de acusar e até atacar os outros, na maioria das vezes sem nenhuma base de comprovação para sua opinião.
Essa pressa da imprensa tem afetado a todos. Mesmo autoridades que dominam áreas em que não é possível dar respostas rápidas passaram a agir e responder de forma artifical para atender ao desejo de notícias imediatas. É o que acontece com a polícia, que muitas vezes vaza opiniões antes até do início de qualquer investigação.
A menos que seja por prevenção urgente, como ter de correr de uma inundação ou fogo, ninguém precisa saber de imediato o que acontece. Por isso não é necessário dar a notícia rapidamente. Nem é preciso sair ligeiro opinando. O que as pessoas precisam é do fato bem fundamentado, com bases técnicas sólidas e apuração consistente. Essa falta de foco que resulta da fragmentação da informação acaba é criando uma confusão que no final ameniza culpas e principalmente as responsabilidades gerais sobre o fato. E é claro que a zorra dificulta e muitas vezes até impede irremediavelmente que sejam tomadas medidas para que o desastre não se repita.
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sábado, 26 de janeiro de 2013
Saudades do Brasil do Tom
Existe um documentário feito pelo Nelson Pereira sobre o Tom que é muito bom, especialmente porque traz para o primeiro plano sua irmã, Helena Jobim, que foi uma pessoa muito importante na sua vida e por quem ele tinha muito carinho. O filme é “A música segundo Tom Jobim”. Helena escreveu um ótimo livro sobre o irmão. Ela escreve sobre suas lembranças com uma rara combinação entre a intimidade do amor fraterno e a necessária ligação com a trajetória artística desse grande, imenso compositor brasileiro.
O Tom é uma das figuras mais importantes na minha vida. Logo cedo, ali pelos 17 anos, me encantei com sua obra que falava de mato, passarinho, lama de beira de estrada. Todas essas coisas tratadas com uma alta qualidade artística deram respaldo à minha ligação com a natureza, que foi a base da minha infância. É claro que essa relação artística com minhas recordações de menino fortaleceu o entendimento em mim de como aprender e trabalhar com isso. Muitas pessoas que nem chegamos a conhecer pessoalmente nos dão tanta saudade como se fossem gente da família. E caso não tivessem aparecido em nossa vida é provável até que fossemos hoje muito diferente. O Tom é uma dessas figuras para mim. Vi o compositor só uma vez só no Rio, ele bebendo algo no antigo restaurante Plataforma e eu em outra mesa. Mas só o observei ligeiramente de longe. Eu não precisava conversar com ele porque já havia entendido tudo ouvindo suas músicas.
O livro de Helena Jobim eu comprei logo que saiu. Perdi um, que deve estar em boas mãos, mas logo comprei outro que é de releitura constante, tendo o cuidado de pular certas partes quando leio em viagem no ônibus, como é meu costume, senão os outros passageiros podem pensar que sou um doido derramando lágrimas em público. A longa descrição da sua doença e da morte repentina é muito triste. Morreu desesperado em 1994, com 67 anos, porque ainda não queria ir. E podia mesmo ter ficado mais um pouco, o que faria um bem danado para todos nós. Seu aniversário seria ontem, quando estaria com 85 anos.
Costuma sempre me vir à cabeça como seria bom saber do lançamento de um novo álbum seu ou ler uma entrevista nova, ele que era um ótimo conversador, de pensamento original e muito bem humorado, com suas divagações sobre urubu, planta, passarinho e tantas outras coisas boas de ouvir.
Ele e Nelson Pereira dos Santos, que ainda está aí com apenas um ano a menos do que o Tom teria hoje, são dois artistas essenciais para nós, brasileiros. Podíamos ter aproveitado muito mais do que eles fizeram, é claro, mas o que soubemos usar bem tem nos dado muita força.
Numa das cenas do documentário de que falei, sua irmã Helena lembra dele, tendo como cenário a Lagoa da Conceição, em Florianópolis. Nelson Pereira explicou que seria impossível encontrar hoje no Rio de Janeiro um cenário de praia que lembrasse os tempos de sua juventude. Isso acaba reforçando o sentimento de que precisamos ter mais forte em nós o legado artístico e humano do Tom, até para talvez recuperarmos um dia aquele Brasil de suas canções.
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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
Barriga histórica
"Barriga"
é um termo jornalístico brasileiro que significa dar uma notícia falsa.
Não sei como é que se diz isso em espanhol, mas ontem o jornal El País
cometeu uma barriga enorme e que deve marcar negativamente a história do
jornal. Eles publicaram uma foto de um homem em uma cama de hospital
como se fosse a imagem de Hugo Chávez hospitalizado em Cuba (veja na
imagem).
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Prêmio merecido
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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
Precisa-se de gerente
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sábado, 19 de janeiro de 2013
Amigo é pra essas coisas
Mas já que os petistas estão nesta onda de solidariedade com macaco velho que foi pego com a mão na cumbuca creio que é justo que comecem a passar o chapéu também para ajudar outro companheiro da base governista, o deputado Paulo Maluf (PP). Penso até que Maluf merece promoções especiais de apoio, já que é de tal importância para os petistas que até o ex-presidente Lula correu para beijar-lhe a mão em sua mansão em São Paulo.
Acabou de sair a conta final da grana que o deputado aliado terá de devolver aos cofres públicos. Sentença divulgada nesta sexta-feira da Corte de Jersey definiu o total que Maluf terá de devolver à Prefeitura de São Paulo por desvios praticados por ele entre 1997 e 1998, quando foi prefeito da cidade. O montante é de US$ 28.344.453,84, que equivale a R$ 57.822.685,83 na atual cotação do dólar comercial. Ele terá de pagar ainda US$ 4,5 milhões em custos de advogados.
Haja jantares para arrecadar tamanho numerário surrupiado. Mas para esta benemerência entre companheiros o PT já tem um bom lugar: pode ser na própria mansão do deputado condenado, onde petistas e malufistas se juntaram naquele reunião histórica do ano passado.
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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
Ética é coisa do passado
O deputado lembrou que Olívio Dutra recebeu o apoio dos companheiros de partido quando teve seu indiciamento pedido pelo Ministério Público, em 2002. Ele era então governador do Rio Grande do Sul e foi acusado de conivência com o jogo do bicho. O assunto foi tema de CPI na Assembléia estadual. E para deixar o recado ainda mais claro, Vargas ironizou a demissão dele do cargo de ministro. “Ele não superou a saída do Ministério das Cidades”, ele disse.
A fala do deputado André Vargas: “Quando ele passou pelos problemas da CPI do Jogo do Bicho, teve a compreensão de todo mundo. Para quem teve a compreensão do conjunto do partido em um momento difícil, ele está sendo pouco compreensivo. Ele já passou por muitos problemas, né?”
Olívio Dutra é figura histórica da maior importância no PT. Surgiu no sindicalismo gaúcho e foi o primeiro prefeito petista de Porto Alegre. É um dos primeiros fundadores do PT. Está nas fotos do dia da criação do partido, no Colégio Sion, em São Paulo. Aparece ao lado de Lula e do historiador Sérgio Buarque de Holanda. Em 1986 foi eleito deputado federal e dividiu apartamento em Brasília com o então colega constituinte Luiz Inácio Lula da Silva.
Estou situando o alvo do ataque do deputado petista para mostrar como estão as coisas no PT. Hoje é um outro tempo. Um partido que vive uma situação em que pode mover sua bancada de deputados para defender uma Rosemary Noronha (Rose, na intimidade) e chamar para isso até o ministro da Justiça não vai admitir de forma alguma que uma voz importante traga divergência ética e ainda mais pública sobre uma questão que parece até programática: a defesa incondicional da cúpula do partido condenada à prisão pelo Supremo Tribunal Federal.
Vargas pegou pesado com o companheiro Olívio Dutra, o que é bem seu estilo. Ele é homem de José Dirceu no partido. O deputado já andou fazendo ataques grosseiros à oposição e à imprensa e também aos ministros do Supremo. Atua firme na defesa da trinca de quadrilheiros condenada à prisão pelo STF: José Dirceu, Genoíno e Delúbio Soares.
Jamais tive simpatia política por Olívio Dutra. Porém, numa comparação de valor histórico e capacidade política o deputado que o atacou perde longe, bem longe. Se ele não tivesse a guarida política de camaradas graúdos como Dirceu nem estaríamos falando hoje em dia de alguém como André Vargas. Mesmo se fosse eleito deputado, seria um dos mais obscuros do time do baixo clero, aqueles que saem no noticiário nacional apenas quando estão envolvidos com ladroagem.
Mas é um fato que na atualidade o deputado é uma das figuras mais importantes do PT e isso diz muito sobre os caminhos tortos do partido onde Olívio Dutra brilhou e hoje é uma figura menor. Daquela memorável noite no Colégio Sion para cá o PT amassou muita lama e a origem ética é só um rastro quase apagado lá atrás. Se a cerimônia fosse hoje, com certeza o companheiro Lula preferiria ter ao seu lado não o bigodudo sindicalista gaúcho. Talvez até pedisse pro Olívio dar seu lugar para a Rose.
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Imagem - Hoje a história é diferente: "Ô Olívio, sai daí para dar lugar para a companheira Rose..."
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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
Bala perdida e sistema de saúde idem
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segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
sábado, 22 de dezembro de 2012
Militância da ignorância
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Voando mais baixo
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