terça-feira, 19 de agosto de 2014

O parceiro de Marina Silva

Com a volta inesperada de Marina Silva à cena política como protagonista andam esquecendo de uma pessoa essencial em seu crescimento político em todos os níveis, inclusive numa ampliação do universo pessoal da candidata do PSB, que antes era mais restrito do que agora. Ninguém fala dele, mas isso eu até compreendo, dado o nível de pouco aprofundamento em que anda a nossa imprensa. Ele é Guilherme Leal, dono da fabricante de cosméticos Natura. Sua presença ao lado de Marina vem sendo para mim desde a eleição passada um ponto favorável à credibilidade da candidata.

Leal é um empreendedor que mostrou na prática a possibilidade da exploração da prodigiosa natureza brasileira de forma lucrativa e sem a mentalidade predatória que infelizmente prevalece em nosso país. A Natura tem também experiências administrativas de alta qualidade, que influenciam até a arquitetura e o ambiente externo de suas instalações, além do bem estar de seus funcionários. As lições da Natura podem ser muito importantes no conjunto da cultura empresarial brasileira, já que é uma empresa que cuida muito bem de seu produto, atuando com rigor na qualidade, desde o rótulo da embalagem até às mãos do consumidor. Enfim, é uma empresa que pode trazer bons referenciais em vários aspectos da economia.

O parágrafo acima pode até parecer propaganda gratuita da Natura, mas é de fato o que eu penso sobre o que eles vêm fazendo. A entrada de Leal na primeira candidatura de Marina foi até uma surpresa para mim, pois a política no Brasil costuma atrair entre o empresariado mais aqueles que tem apenas o interesse em lucrar com facilidades criadas pelo Estado. A atração de um empresário como Leal, portanto, pode ser visto como mérito político de Marina. E ele mostrou coragem. Todo mundo sabe que o PT não tem escrúpulo em fazer retaliações usando a máquina pública. E ele aceitou até ser vice-presidente na chapa do Partido Verde na eleição de 2010.

Fala-se demais na ascensão de Marina, como se isso tivesse acontecido como um passe de mágica. Mas não se deve esquecer que foi com ele como vice que ela teve os 20 milhões de votos. Naquela eleição, bastaria sua presença na chapa para atrair a credibilidade em setores em que Marina transitava ainda com mais dificuldade. Mas sabe-se que sua contribuição foi muito além disso. Antes de aparecer na eleição para presidente da República, Leal teve uma participação muito importante na política brasileira como um dos fundadores do Instituto Ethos, instituição privada que trouxe contribuições muito boas para o debate político logo após a redemocratização no Brasil.

Tenho dificuldade de confiança em Marina Silva, mas no plano pessoal não é muito diferente com Aécio Neves, assim como eu não via possibilidade de transformação de fato com o falecido Eduardo Campos. Até agora acho que a possibilidade real de desmonte do risco que o PT é para o futuro dos nossos filhos está na candidatura do PSDB, com todos os pesares deste partido e seu candidato. Marina não demonstra possibilidade de ruptura com os perigos que foram instalados no país pelo PT no poder. No entanto, penso que é bom analisar com profundidade todos os atores deste nosso drama. E o empresário Guilherme Leal é um que não pode ser esquecido.
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POR José Pires

sábado, 16 de agosto de 2014

Esperando o bom de voto

A política de um país vai muito mal se depende de forma tão absoluta de uma Marina Silva. E sua candidatura, vinda desse jeito, não trará qualidade a esta eleição. Já se nota uma certa magia no ar. Tem gente que até vê na na sua aparição a inevitabilidade de um segundo turno. É incrível como grande parte dos analistas se fia nos 20 milhões de votos de Marina na eleição anterior. Bem, por este raciocínio tem que se perguntar então onde foram parar os votos de José Serra, quase metade do eleitorado brasileiro na mesma eleição para presidente. Ora, na política não se transfere uma realidade para outra de forma automática. São situações com tantos componentes diferentes que é impossível que se ajustem ao que querem certos analistas políticos.

Mas o problema da definição de um segundo turno não está na presença de Marina Silva, assim como não estava na do falecido Eduardo Campos. A dificuldade da criação de um segundo turno sempre esteve em Aécio Neves. Com maior estrutura e um partido com um histórico de boa votação em eleições presidenciais, era do tucano a responsabilidade de um crescimento sólido nas pesquisas. Além disso, não era o Aécio o prodigioso tucano fazedor de votos que José Serra não deixava ser candidato?

O senador mineiro não vem demonstrando na prática sua propalada habilidade de convencimento. Ele, que vinha gozando esta fama desde a primeira eleição de Lula, quando começou a se espalhar pelo país que uma candidatura sua pelo PSDB seria invencível. É claro que o próprio Aécio contribuiu com bastante astúcia e pouca lealdade partidária para fortalecer este mito. Fez isso tanto na eleição em que Geraldo Alckmin foi candidato quanto na segunda, em que entrou José Serra. Na eleição passada todo mundo sabe que Dilma deve a sua vitória a Aécio. Ele elegeu-se senador no primeiro turno e fez também seu sucessor no governo mineiro. Porém, Serra não teve na sua campanha a força que precisava em Minas. Dilma conquistou no estado 1,8 milhão de votos a mais que o candidato tucano. Ela teve no estado 58% dos votos válidos no segundo turno.

Não é novidade alguma que Aécio abandonou Alckmin e Serra nas duas eleições. E havia ficado o mito de que com ele a possibilidade de vitória sobre o PT eram favas contadas que se perderam. Sobre Serra, que inclusive na primeira eleição obrigou um Lula muito forte a ter de ir pro segundo turno, ficou inclusive o estigma de que foi um erro sua candidatura. E ele teve 43% dos votos do país na última eleição para presidente. Pois bem, agora Aécio obteve a chance de mostrar sua lendária força. E numa eleição bem mais fácil do que tiveram que enfrentar os outros dois tucanos. O PT está desacreditado e a população já sente os efeitos da crise. Existe o forte desgaste da corrupção no governo. O tal do carisma de Lula também mostra perda de efeito. E a candidata, bem, a candidata é a Dilma, né? No entanto, Aécio vem penando para atingir 20% nas pesquisas. É visível sua dificuldade para ampliar nacionalmente o prestígio que conquistou em Minas Gerais. A situação com ele em primeiro plano é de tamanha dificuldade para seu partido que a presença de Marina Silva traz até o risco de não ser dos tucanos a maior porção de votos que levará a um segundo turno.
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POR José Pires

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Requião emparelha na frente com Beto Richa

Em junho, logo que o senador Roberto Requião arrancou de seu partido, o PMDB, sua candidatura ao governo do Paraná eu disse aqui que a má notícia para o governador Beto Richa viria acompanha de uma animação em torno dessa surpresa eleitoral na política do estado. Richa já dava como certa sua vitória, talvez no primeiro turno. Já contava com o PMDB no chapão de apoio a sua candidatura à reeleição. Hoje, com a divulgação da pesquisa Datafolha, vejo que eu estava certo. Não que precisasse disso. Mas isto é uma confirmação de que na entrada na disputa o senador do PMDB já emparelhou com o governador, o que é péssimo para alguém que já ensaiava no espelho ao mesmo tempo o discurso de despedida e o de posse.

O Datafolha traz Beto Richa com 39% das intenções de voto, contra 33% de Requião. Gleisi Hoffmann (PT) está com 11%. Três outros candidatos nanicos ou extrema-esquerda, o que dá no mesmo, não alcançaram 1%. Indecisos somam 10%, e brancos ou nulos, 5%. Conforme a margem de erro (de três pontos percentuais), Richa e Requião estão tecnicamente empatados. O clima político no estado é mesmo este, uma vantagem para Requião, que entrou tarde na disputa.

Em junho eu já dizia que o impacto emocional da vitória no partido impulsionaria a candidatura de Requião. E ele já tem resultados altamente positivos antes mesmo do início do horário eleitoral na TV e no rádio. E como já vi em situações criadas por Requião em entrevistas em rádios do interior, o senador peemedebista está tinindo em seu estilo político muito eficiente como chamariz de atenção do público. Requião já teve discussões fortes com apresentadores de rádio em entrevistas ao vivo. Os embates foram repassados pelos tucanos, com a intenção de atingir Requião. Bem, tucano é assim. O senador já tem este estilo durão há mais de trinta anos e os tucanos não perceberam ainda que isso faz um tremendo bem à sua imagem.

Beto Richa cometeu o erro grave de não desconstruir Requião enquanto governou e agora em campanha ainda não encontrou o tom para se dar bem na comparação com os dois governos anteriores do adversário. De seu lado, Requião já está plenamente exercitado para trabalhar na oposição. Não tem o mesmo traquejo quando é preciso governar, mas deixo isso pra depois. Os adeptos da candidatura de Richa vem errando feio, a ponto de até terem aberto espaço para Requião se vitimizar, ele que nunca larga a ripa numa eleição e bate muito. Arrumaram até uma suposta briga conjugal do senador, que teria acontecido (vejam só!) há mais de trinta anos. Mesmo se não fosse uma invenção a baixaria promove o outro e abre o espaço para o revide. E fazem isso com um adversário que, para bater, nunca foi de esperar que alguém ofereça a outra face.

Com dizia aquele saudoso locutor, o Fiori Giglioti, o tempo passa. E partida já está empatada pelo adversário que nem era esperado no jogo. Beto Richa terá de se esforçar para não ficar para a história como um dos raros políticos brasileiros que perde uma reeleição. Eu falava em junho do efeito animador da vitória da candidatura de Requião num partido que parecia já acertado no apoio ao governador. Imaginem a animação que os requianistas terão com esses números do instituto de pesquisa de mais credibilidade no país.
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POR José Pires

quinta-feira, 14 de agosto de 2014


A hipocrisia politicamente correta

Você já ouviu falar de alguém que não tem compaixão por uma família que perdeu um ente querido num desastre? Tem que ser um psicopata para não se comover com isso, não é mesmo? E teria de ser um psicopata já numa deformação psicológica bem avançada, praticando crimes com frieza, alguém como Hannibal Lecter, o assassino em série e canibal interpretado pelo Anthony Hopkins. Ora, todo mundo se comove com o sentimento de perda de uma família. Bem, então não é preciso ficar afirmando algo tão óbvio e nem se defendendo de ter esquecido de lembrar aos outros que temos estes sentimentos próprios de qualquer ser humano, não é mesmo? É até chato ficar o tempo todo dizendo "ei, pessoal, eu não sou o Hannibal Lecter".

Mas não é assim. Ou melhor, não querem que seja desse modo natural. Hoje em dia parece que existe uma obrigação de ficar se explicando sobre sentimentos óbvios. É imposição do politicamente correto, que vem dominado nossa cultura de forma cretina, rebaixando o senso crítico e dificultando a discussão objetiva dos nossos problemas. O domínio dessa subcultura é tamanho que até obriga de vez em quando a colocação no meio de um texto da explicação óbvia de que não estamos dizendo nenhum absurdo desumano que não está claramente escrito ali. A obrigação é até tola, mas a falta do esclarecimento deixa um espaço para a militância azucrinadora exigir um linchamento público pelo que você jamais escreveu e nem pensou.

Com a morte trágica do candidato Eduardo Campos reapareceu com bastante força este conceito politicamente correto e neste caso veio da forma mais absoluta, inclusive com o componente básico da hipocrisia. Nem todo puritano é um pervertido sexual, mas se o puritano exibe argumentos politicamente corretos tirem as crianças de perto dele: é um pervertido da pior espécie. E na política é ainda mais aterrador o uso do politicamente correto. Por detrás desse conceito existe sempre a necessidade da manipulação, seja para esconder um malfeito ou para o ataque a alguém que traz um questionamento ou mesmo que pense diferente sobre o assunto em debate.

No caso da morte de Eduardo Campos, vozes compadecidas que exigem respeito ao falecido estavam há pouco, aos gritos, exigindo que a CPI da Petrobrás investigasse também o Porto de Suape, que mesmo se fosse um antro de corrupção nada teria a ver com o objetivo da CPI. Mas era preciso atingir a candidatura de Campos. Eles tinham que aniquilá-lo. E essas mesmas vozes compungidas de agora berravam também insultos e repassavam ataques sórdidos pela internet. E como ainda não era necessário vir com o fingimento do politicamente correto, nem a vida pessoal do candidato era poupada. Assim como eles não têm escrúpulo de inventar mentiras sobre o Aécio Neves, o José Serra, o Reinaldo Azevedo, o Joaquim Barbosa e até sobre o Ney Matogrosso ou qualquer um que não fizer parte da claque obrigatória.

O canibal feito por Anthony Hopkins tem um toque importante em sua personalidade, que o ator transmite muito bem. É o da extrema amabilidade. Um canibal agressivo não permitiria suspense algum, além da dificuldade óbvia dele atrair qualquer vítima dessa forma. Os psicopatas costumam ser figuras muito amáveis, dedicando uma atenção extrema ao sentimento alheio. É como o politicamente correto. Mas essa extrema compreensão e delicadeza só vai até o momento em que a vítima está sob seu domínio. Por isso, é preciso tomar cuidado. Não podemos deixar o Brasil ser dominado por esses canibais.
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POR José Pires

terça-feira, 12 de agosto de 2014

De arma na mão

A presidente Dilma Rousseff sancionou ontem a lei que cria o Estatuto Geral das Guardas Municipais. A lei resolve várias questões importantes sobre esta polícia que já estava em atividade em várias cidades. Porém, como vivemos num país que não consegue controlar nem as forças de segurança que já existem, podem vir problemas por aí: a guarda municipal terá poder de polícia e também o direito ao porte de arma.

O surgimento de uma polícia municipal já é uma daquelas soluções tipicamente brasileiras. Aqui, quando um problema cresce demais logo aparece alguma novidade milagrosa. Em vez de ir à raiz da questão e atacar o problema aprimorando as soluções já existentes, costuma-se criar uma nova instituição para dar uma mão às que já existem. É por isso, por exemplo, que temos uma variedade de tribunais no país, inclusive um que nunca mostrou verdadeira serventia, os tribunais de contas.

Foi também a partir desse hábito nacional que surgiram as milhares de ONGs para trabalhar com questões que o Estado não dava conta. Bem, os problemas continuaram do mesmo tamanho ou até pioraram, com o agravante do custo financeiro a mais para os cofres públicos com estas ONGs, além da corrupção de grande parte delas. A guarda municipal apareceu da mesma forma. Com os crimes aumentando, apesar de já existirem duas polícias para cuidar disso, por que não criar mais uma? Surgiu então esta proposta milagrosa de uma polícia para o município. Muitos políticos ganharam votos com isso e se safaram em parte da responsabilidade pela insegurança, que continua. E se você acha que vamos mal de prefeitos e vereadores no país, então prepare-se: é deles o comando da polícia local.

Com o desespero criado com a crescente violência, nem deu para o brasileiro questionar que raio de solução é essa de criar uma nova polícia para consertar uma situação gravíssima que outras duas muito mais aparelhadas e bem mais experientes não deram conta. Mas agora parece tarde para esta discussão. A guarda municipal já é um fato concretizado, com poder de polícia e o porte de arma. Considerando o descuido histórico em nosso país com os desmandos policiais e o despreparo das nossas polícias, além da tremenda banalização da violência, é muito provável que logo estejamos lamentando bastante o gosto deste novo remédio milagroso.
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POR José Pires

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Um país inacreditável


O Brasil parece aquela seção que antigamente aparecia em jornais e tinha até um programa na televisão, apresentado pelo ator americano Jack Palance. Era o "Acredite, se quiser!", que trazia casos difíceis de aceitar como verdadeiros. O Brasil está desse jeito já faz tempo. Soube nesta tarde, por exemplo, que os 11 policiais militares condenados pelo assassinato da juíza Patrícia Acioli, no Rio de Janeiro, ainda não foram expulsos da PM e continuam recebendo salário. Considerado o mandante do crime, o tenente-coronel Cláudio Oliveira recebe mensalmente R$ 26.295,09. Exatamente hoje o crime completa três anos.

E isso vem acontecendo por uma razão muito simples: a Polícia Militar informou que ainda não foi notificada oficialmente da condenação pela Justiça. Porém, depois que a imprensa foi atrás do assunto, a Polícia Militar do Rio informou em nota que "assim que o Tribunal de Justiça enviar a conclusão do processo com o pedido de perda do cargo público, a exclusão vai se confirmar”. Acredite, se quiser.
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POR José Pires

O governo do PT reescrevendo o Wikipedia

É preciso se indignar com a manipulação de informações do site Wikipedia, que foram feitas por meio de computadores do Palácio do Planalto. O PT tem o grave defeito de não aceitar a liberdade de expressão e não ter respeito para com a verdade histórica. É um sinal de nascença que vem de longe, dos tempos em que prevalecia o sentido totalitarista na esquerda mundial. A queda do comunismo na União Soviética e nos países dominados do leste europeu serviu para curar disso alguns partidos de esquerda, principalmente os europeus. Mas o PT ainda sofre dessa peste autoritária, com efeitos não só na sua relação dentro do país como também na política externa deste governo. E logo ele, um partido que veio depois da queda do muro de Berlim, é o que não larga desse vício ditatorial.

A manipulação de um site coletivo da internet, vinda de computadores oficiais, mostra o perigo que está instalado no poder no Brasil. É preciso tirar de lá pelo voto este risco à nossa democracia. A alteração com falsas informações negativas em biografias de oposicionistas e de jornalistas (entre eles, Miriam Leitão, Carlos Alberto Sardenberg e Reinaldo Azevedo) era feita em paralelo aos elogios acrescentados à biografias de políticos ligados ao governo. Por aí dá para saber o interesse por detrás dessa a manipulação. Não é uma irresponsabilidade meramente pessoal. Está mais para uma conspiração política organizada. O processo é indecente, mas não tem nada de novo. O governo do PT vem procurando fazer isso de outras formas com outras ferramentas. Eles querem recontar toda a história do Brasil ao modo deles. E é claro que é uma versão com heróis só do lado deles. A pretensão até resultou no jargão petista involuntariamente cômico, o do "nunca-antes-na-história-deste-país".

A atitude é condenável não só no aspecto político. É uma transgressão muito grave porque debilita nossa cultura. Se esse tipo de manipulação prevalece onde irá parar a qualidade da nossa formação intelectual e profissional? No lixo da história, é claro, que é de onde essa gente tira seus argumentos. A manipulação de informações históricas e biográficas tem que ser repudiada não só por ser uma fraude política, mas também pelo dano que pode causar à formação de todos os brasileiros. É preciso falar a verdade e ter respeito aos fatos. E isso vale em qualquer sentido do debate político, com a exigência de um apego à verdade histórica quando for para escrever contra este governo que aí está. Não é correto inventar nada e isso nem é necessário para condenar o que esse pessoal fez no poder e com suas carreiras políticas. Os petistas já se incumbiram de sujar sua própria história. E agora querem fazer o mesmo com a vida de quem não pensa do jeito deles.
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POR José Pires

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

O PT dando uma mão ao companheiro Maluf

A solicitude do governo do PT com políticos de fichas encardidíssima é algo tão exagerado que parece coisa de otário. Tem gente que costuma colocar lá no alto a esperteza do Lula, por exemplo. E eu costumo também discordar. Não vou negar que Lula soube se dar bem na política. Não é qualquer pai de família que tem um filho que há quatro anos ganhava menos de mil reais como monitor de visita em zoológico e hoje o garoto prodígio é um dos grandes milionários do país. Lula teve esperteza para ganhar muito com a política, mas não são poucos os políticos que fizeram isso. Sem dúvida, o chefão petista teve uma carreira de sucesso, mas compromete sua imagem além do necessário, assumindo ônus que outros chefes políticos sabem evitar.

Recentemente, por exemplo, Lula esteve no Pará apoiando a candidatura de Helder Barbalho ao governo do estado. O candidato é filho do senador Jader Barbalho. Pois no palanque Lula disse o seguinte: "Helder, você tem que dizer que é filho [do senador] com muito orgulho". É preciso se comprometer desse jeito? É claro que não. Até o Jader Barbalho sabe que não precisa tanto. Mas tem sido assim, desde que Lula subiu ao poder. Ele cede os nacos de poder aos caciques políticos, mas acaba colando demais sua imagem a eles. O presidente Fernando Henrique Cardoso governou com o apoio dos mesmos coisas ruins que Lula tem hoje ao lado, no entanto o tucano não permitia e muito menos estimulava esse tipo de intimidade. E é o Lula que é o esperto?

Tem mais uma notícia que comprova este descuido na esperteza petista. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, atuou junto ao governo dos Estados Unidos para ajudar Paulo Maluf. O ministro fez um pedido ao governo americano para que Maluf fosse ouvido no Brasil no processo que responde sob a acusação de evasão de divisas. O governo americano recusou. Foi Maluf quem falou sobre a ajuda petista, em entrevista no final do mês passado ao programa "Poder e Política", do site da Folha de S. Paulo e do UOL. É claro que ele fez isso para contar vantagem e favorecer sua candidatura a deputado federal.

Mas o governo do PT precisava se comprometer dessa forma, interferindo oficialmente em favor de um político que nem pode sair do país que seria preso pela Interpol? É claro que não. Essa ajuda internacional de Lula e seus companheiros veio logo depois do apoio de Maluf ao PT na eleição para a prefeitura de São Paulo. Na época ele fez leilão de seu apoio político, mas os tucanos não entraram em seu jogo. Foi o PT quem levou. Os petistas imaginam-se os mais espertos nesse tipo de negócio, mas a verdade é que não sabem usar seu poder de compra. Pagam muito caro e até misturam-se aos que se vendem.
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POR José Pires


Cartão da discórdia

O senador Roberto Requião está achando que seu projeto que libera cobrança diferenciada em pagamentos em cartão de crédito pode ser uma boa bandeira nesta eleição, mas as primeiras reações da opinião pública mostram que ele está errado. Porém, quem conhece o senador sabe que ele é cabeçudo e deve levar o assunto adiante, sem avaliar de forma equilibrada o clima negativo criado pela notícia de que o projeto começou a andar. O plenário do Senado aprovou nesta quarta-feira a proposta, que vai para a Câmara.

No popular, Requião deu um tiro no pé que pode afetar sua candidatura ao governo do Paraná. Os próprios senadores da base aliada do governo já haviam percebido a mancada e tentavam empurrar o assunto para o ano que vem. Mas quem segura o Requião? Sua argumentação é a de que o projeto permitirá economia, principalmente para os mais pobres. Ele cria uma estranha distinção nestes supostos descontos, mas não convence nesta divisão de classes na hora da compra. De qualquer modo, a economia prevista pelo senador é muito pequena. Diz ele que será de 3 ou 4%. Creio que o consumidor consegue mais que isso com o cartão e sem o Requião para atrapalhar a negociação.

A proposta do senador derruba uma resolução que proíbe a prática do soprepreço, que vinha acontecendo. Não existe lei que possa proibir desconto. Isso é demagogia. É óbvio que caso vá adiante mais essa loucura do Requião haverá uma desorganização geral em uma relação econômica que já está estabelecida. Se for para ter alguma alteração, ela deve ser feita no âmbito do acordo entre o comerciante e os bancos. Sabemos que os bancos arrocham quem vende pelo cartão, que hoje é a moeda de fato do país. Mas não é sensato jogar para o consumidor a responsabilidade sobre essas dificuldades. Já dá para imaginar a bagunça que vai virar. E ao contrário da alegada boa intenção de Requião, o que virá é o sobrepreço e não descontos na compra a dinheiro.

Tem também o problema da segurança. O governo do PT, do qual Requião faz parte, lançou o país na mais desesperadora violência que já existiu. E por isso não dá para andar com dinheiro em espécie. Por este aspecto, o projeto é até de uma cretinice espantosa. Nem dá para imaginar a população saindo por aí hoje em dia com os bolsos estufados de grana para aproveitar a chance dada pelo senador bonzinho para pechinchar na compras. E creio que nem é preciso dizer nada sobre os riscos de um comerciante cheio de dinheiro em espécie no caixa.

Além de todas essas dificuldades, a alteração de preço para cima continua ocorrendo. É causada pela desastre da política econômica do governo do PT, que Requião defende na base aliada governista, do mesmo modo que se cala quanto aos volumosos escândalos de corrupção. Já vi preço sendo cobrado de forma diferenciada em comércios que fazem recarga de celular. O comerciante cobra a mais se o serviço for pago com o cartão. Ainda dá para reclamar. Mas com a lei do Requião abre-se a oficialização desta prática para todas as compras. E com a crise que vem estourando, já dá para imaginar o que é que pode acontecer. É óbvio que vai bagunçar a vida do consumidor, desacreditando o uso do cartão e lançando os preços ainda mais pra cima.
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POR José Pires

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Desordem na casa

O governo do PT está totalmente descontrolado. Sua desorientação interna é de tal grau que resultou até na absurda fraude da CPI da Petrobras. A revista Veja desta revela a existência de um vídeo que comprova que o governo e lideranças do PT montaram um esquema que repassava para depoentes perguntas que seriam feitas por senadores da base aliada, indicando as respostas mais adequadas para livrar o governo de complicações. Uma das reuniões para a armação ocorreu no gabinete da presidente da Petrobras, Graça Foster.

A partir da publicação da reportagem de Veja, outros jornalistas foram atrás do assunto e descobriram novidades. Na segunda-feira já se sabia que o comando da operação foi no Palácio do Planalto e envolve dois assessores do ministro Ricardo Berzoini, da Secretaria de Relações Institucionais. São eles Luiz Azevedo e Paulo Argenta. Pois hoje a Secretaria de Relações Institucionais lançou uma nota, que obviamente era para amenizar os estragos. Mas seu conteúdo só fez piorar a crise. A nota é assinada por Azevedo, que resolveu aparecer. Ele é Secretário Executivo da pasta de Berzoini, que aliás entrou no governo para dar uma acertada nas relações com o Congresso, que iam mal.

Em vez de amenizar, o texto piora o desgaste criado com a fraude. Como eu disse, os petistas estão totalmente sem rumo. Já sabíamos que eles não conseguem nem organizar uma defesa discreta contra uma CPI, o que todo governo costuma fazer, até em prefeituras do interior. Vê-se agora que estão sem capacidade até para fazer um simples texto que ao menos contorne uma acusação. Num trecho da nota, Azevedo explica sua função na Secretaria e faz de forma desastrosa e arrogante uma confissão de intromissão nos assuntos do Legislativo: "Atuo em ambas as frentes para que todos os esclarecimentos, dados e fatos sejam prestados pela empresa, visando assegurar a qualidade das informações, evitando, dessa forma, o uso político eleitoral da CPI".

É até constrangedor ler um negócio desses. É o Azevedo, a serviço do Palácio do Planalto, que cuida para que não haja "uso político da CPI", lá no Congresso Nacional. Não tem ninguém no governo Dilma para pegar uma bobagem dessas e jogar no lixo? Parece que não, pois a nota aí está e vai obrigar os próprios políticos da base aliada do governo no Congresso a tomar providências. Terão de fingir com uma certa ênfase que defendem a independência da Casa. Fico imaginando a irritação de senadores vivaldinos, com longo currículo de tramóias nesta pobre República. Com essas coisas fica cada vez mais difícil a reeleição de Dilma Rousseff. Até quem gostaria de seguir com a mamata que já vai para 14 anos deve estar lamentando não ter ido para outra barca, de alguém capaz de fazer um governo que saiba ao menos engabelar a opinião pública sem causar alvoroço.
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POR José Pires

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Brigando com a classe média

O PT é um partido que perdeu o discurso. Eles não conseguiram elaborar no poder um projeto à altura do encantamento que souberam criar enquanto estiveram na oposição. E para piorar, de uns tempos pra cá o partido tem se confrontado exatamente com uma parte da população que eles sempre tiveram dificuldade em conquistar: a classe média.

Já são notórias as palestras amalucadas de Marilena Chauí, quando ela senta a ripa na classe média e faz isso de forma grosseira, sem uma argumentação que dê solidez ao seu, digamos assim, pensamento. Em vídeos que correm a internet, num debate com a presença do ex-presidente Lula (que inclusive aplaude o que ela diz), a sua fala é a seguinte: "Eu odeio a classe média. A classe média é o atraso de vida. A classe média é a estupidez, é o que tem de reacionário, conservador, ignorante, petulante, arrogante, terrorista. É uma coisa fora do comum a classe média. A classe média é uma abominação política, porque ela é fascista. Ela é uma abominação ética, porque ela é violenta. E ela é abominação cognitiva porque ela é ignorante".

Já que a professora de filosofia fala em estupidez, em política esta é uma das falas mais estúpidas que já se viu, mesmo se levarmos em consideração que ela veio da boca da militante de um partido de onde sai muita besteira. E comprar uma briga desse tamanho exatamente na presença do líder de um partido que disputa uma difícil eleição faz da professora uma ignorante em política. E Lula ainda aplaude. É espantoso que não percebam o estrago que isso causou. Não foi evidentemente nas camadas populares, mas é pela classe média que uma queda pode começar. Ou pelo menos ter um bom empurrão.

E tanto não se aperceberam das palavras equivocadas, que o ex-presidente está indo para a rua com uma conversa parecida. Nesta terça-feira, em comício no pátio da montadora Ford, em São Bernardo do Campo, o candidato Alexandre Padilha foi apresentado por ele como “petista muito jovem, médico que foi para a Amazônia cuidar de doenças tropicais em vez de ficar comodamente na avenida Paulista”. Precisando fazer crescer uma candidatura que está na lanterninha em São Paulo e a da sua sucessora, que patina enquanto a oposição acelera, Lula vem com uma conversa que desagrada ao paulistano e por extensão agride a classe média de todo o país. Os petistas perderam tanto a noção, que parece que acham que médico no Brasil é tudo rico. E lá vem Lula batendo na classe média, que é a mais prejudicada por enquanto com a crise criada pelo governo do PT. Ele faz o contrário do que exige seu papel de líder. Em vez de ter dado um puxão de orelhas na Marilena Chauí, sai repetindo o discurso dela.
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POR José Pires

Lula sem sem platéia


Um ato eleitoral ocorrido nesta terça-feira com a presença do ex-presidente Lula mostrou o estado de ânimo do PT nesta campanha eleitoral. O comício foi na fábrica da montadora Ford, em São Bernardo do Campo, lugar onde Lula sempre teve popularidade muito alta. Lula e o candidato petista ao governo do Estado, Alexandre Padilha, discursaram para um pátio praticamente vazio. O ato teve a participação da cúpula da CUT. Os funcionários deixaram o trabalho depois das 16 horas e poucos ficaram para ouvir Lula, que subiu ao caminhão de som às 17 horas. Cerca de 50 pessoas estavam presentes, contando os cabos eleitorais de candidatos a deputado.

O estado de ânimo pode ser conferido pela cara do Lula nessa foto. Nas outras imagens o clima é o mesmo. É óbvio o ar de preocupação e também de irritação do chefão petista. O Lulinha paz e amor é só marketing. Nos bastidores, ele não tem paciência alguma com quem trabalha com ele. E quando as coisas não vão bem, seu mau humor piora.

É muito sintomática a falta de entusiasmo com a presença de Lula exatamente no lugar onde historicamente sua imagem sempre foi muito forte. Existem vários problemas que podem explicar esta situação difícil que o PT enfrenta nesta eleição. Temos as dificuldades que estão aí à vista de todos, com os preços de tudo subindo, a ameaça com a falta de segurança, a roubalheira do dinheiro público, uma porção de problemas que estimulam um sentimento oposicionista e criam um desencanto em quem algum dia acreditou neste governo. Mas penso que Lula também não soube administrar sua imagem nesses quatro anos do governo de Dilma Rousseff. Só deu ele durante todo o mandato da sua sucessora, de tal forma que hoje em dia ele é uma figura sem atrativos.

Agora durante a campanha fica difícil para o eleitor ver na sua presença algo especial na eleição. Qual é a novidade que alguém pode esperar do político que mais aparece e mais fala neste país? Lula acaba sendo mais do mesmo. A super exposição banalizou a sua imagem. Até o lado pitoresco das suas falas não desperta mais a curiosidade de antes. A impressão é que ele já deu tudo o que tinha que dar. No popular, perdeu a graça. Esta é mais uma consequência da notória incompetência petista. Foi tamanha a exploração que fizeram da imagem de Lula que o brasileiro acabou perdendo todo o interesse no mito criado por eles.
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POR José Pires



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Imagem- Abraçado por um candidato de sorriso marqueteiro, Lula mostra na cara como vão as coisas no PT.

Link: Padilha discursa com Lula em pátio vazio de montadora no ABC

 

domingo, 3 de agosto de 2014

Um olhar de fora sobre o papel político do Hamas

A esquerda tem o defeito grave de sempre estabelecer de imediato um lado quando está à frente de uma questão. É que estão fazendo neste conflito em Gaza, no contra-ataque de um país a um grupo terrorista. E digo contra-ataque porque não se deve esquecer que tudo começou com a morte de três jovem israelenses. Logo depois veio o assassinato igualmente horrível de um jovem palestino. E isso com o Hamas lançando mísseis sobre Israel. Os autores da morte do palestino foram logo identificados pelo governo de Israel e presos. São extremistas israelenses. Não se sabe nada dos assassinos dos garotos israelenses, apesar de ser óbvio que o Hamas teria condição de descobrir com facilidade os autores da atrocidade. Mas o obstáculo para que isso aconteça vem de uma diferença que o governo brasileiro não tem observado nesta questão: de um lado está um grupo político extremista armado e do outro temos um país, Israel.

O erro de escolher de imediato um lado no conflito já começa por dar uma equivalência que não existe entre as partes do conflito. O Hamas é um grupo terrorista islâmico que nem é exclusivamente palestino. É um grupo de combate e de militância com financiamento e origem ideológica em países da região com regimes teocráticos, todos eles sem nenhum respeito à democracia. E já que temos no Brasil um apoio esquerdista entusiástico, é bom que se diga que os países que estão por detrás disso não respeitam as minorias e nem mesmo direitos básicos das mulheres. Neles, o Estado prende, tortura e mata uma pessoa apenas por causa da forma de fazer sexo. É preciso ter também a consciência de que o plano político e religioso é o da implantação universal desse modelo.

O Brasil não tem embaixador para chamar de volta do Hamas. Ou será que tem? O Hamas não é unanimidade nem entre os palestinos, apesar do poder extremo imposto pela força que alcançaram sobre este povo. Ou será que os que fazem uma gritaria contra Israel pensam que poderiam discutir este assunto com tal liberdade se vivessem entre os palestinos? Não poderiam. Em Israel hoje governa uma direita detestável, porém o debate é livre no país, a imprensa critica o governo e até são criados grupos de apoio aos palestinos. Onde o domínio é do Hamas a opinião só pode ser a favor de sua política.

Volto a repetir que esta é a diferença entre um país e um grupo armado. A presidente Dilma Rousseff fez parte de um grupo desses no Brasil — nos anos 60 — e talvez não tenha ainda adquirido consciência dessa diferença. Na época em que ela cometia o erro de pegar em armas os brasileiros viviam sob uma ditadura, mas aqui tínhamos na oposição uma maioria de pessoas fazendo um combate democrático ao poder arbitrário dos militares. Cada forma de agir tinha objetivos muito diferentes. A luta armada implantaria no Brasil uma ditadura comunista, o que já é muito ruim, mas em nossa situação teria o agravante de ser um regime tutelado por país estrangeiro. Documentos comprovam isso. Já a oposição democrática queria a liberdade no país, tese que felizmente foi a vitoriosa.

Hoje isso está muito claro até documentado, mas naqueles tempos um país estrangeiro democrático poderia acreditar que Dilma e seus companheiros armados eram parte representativa da oposição à ditadura brasileira e confiáveis no restabelecimento da democracia. E não era nada disso. Eram grupos isolados da sociedade, com origem ideológica e comando em países estrangeiros. E em caso de vitória passariam em armas qualquer um que discordasse, a começar pela oposição democrática à ditadura. Até fizeram isso entre eles. Pois uma visão superficial de fora sobre o que acontece em Gaza pode também criar uma imagem ilusória, numa confusão de propósitos muito perigosa.

Em Gaza temos o Hamas num papel belicoso e tutelado por forças externas. Deixar de apontar de forma consistente a influência negativa desse grupo sobre a causa palestina pode acabar fortalecendo sua posição fundamentalista de composição de uma sociedade. O Hamas busca anular as outras forças políticas da região, especialmente quem deseja uma democracia autêntica numa nação palestina. A forma que o governo do PT vem agindo até agora só contribui para a implantação de uma ditadura sobre os palestinos. Mesmo que isso possa vir de uma derrota de Israel, será apenas trocar uma opressão por outra, talvez ainda pior. É esta análise que Dilma e seus companheiros não fazem. Ou talvez façam. Nunca se deve esquecer que até hoje eles acham que estavam certos no plano de substituir uma ditadura por outra em nosso país.
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POR José Pires

sábado, 2 de agosto de 2014

Atirando no alvo errado


De vez em quando rolam na internet fotografias de caçadores posando orgulhosamente com um animal abatido e junto com isso temos aquela indignação coletiva destrambelhada que desconhece modos educados, na maioria das vezes por ser uma raiva sem base no conhecimento dos fatos e ainda menos no estudo com certa profundidade do tema em questão.

As pessoas boazinhas precisam aprender com urgência que a bondade pode ser muito destrutiva quando é praticada sem o cuidado de saber de fato o que está acontecendo. Desprovido desta equilibrada atenção, um gesto que parece de ajuda pode no final ser uma agressão a quem se comporta da maneira certa.

Ao invés do ódio aos caçadores devia haver um sentimento até de respeito pelo serviço que eles fazem. É claro que estou falando de quem pratica a caça legalizada e controlada, em obediência à regras de manutenção da fauna e da flora de determinados lugares. É o caso destas pessoas que posam ao lado de um bicho morto. Um caçador clandestino não seria tolo de publicar na internet uma foto nesta situação. Com esta prova de delito ele poderia ser localizado e preso.

Um aparente paradoxo com o qual é preciso se acostumar é o de que lugares com um meio ambiente relativamente equilibrado exigem a eliminação organizada de determinados animais, especialmente os bichos de médio porte e os maiores. Num parque nacional com herbívoros de médio porte, por exemplo, terá de haver de tempos em tempos a eliminação de uns tantos deles. Não existe nesse lugares um equilíbrio natural do crescimento populacional dessas espécies e deve demorar muitas décadas para que isso seja possível.

Então, é melhor se acostumar com as matanças. E até passar a vê-las como um sinal positivo da preservação do meio ambiente. Este abate pode ser feito por profissionais desses parques ou por gente que tem a caça como um esporte. A prática já demonstrou que a segunda opção dá melhores resultados. Além disso, os organismos oficiais de preservação também ganham algum dinheiro para sua manutenção. As pessoas pagam para caçar e se responsabilizam pela utilização do animal abatido. Tudo em conformidade com regras e um calendário que atende às necessidades naturais do ambiente.

Pense numa região onde existem coelhos, por exemplo, isso para falar de um bicho pequeno. Parece muito bom que haja uma política de preservação de sua raça e realmente é ótimo que isso seja feito. Mas imagine a multiplicação desses bichos com o tempo em um número acima da quantidade de seu alimento natural. Será um desastre para o meio ambiente desta região, não é mesmo? Sem falar no prejuízo das propriedades rurais em torno. É aí que entra a caça legalizada. Bem, se milhares de coelhos soltos podem ser um problema, imaginem então búfalos, antílopes, elefantes ou qualquer outro grande animal em quantidade além do que a natureza pode dar conta.

Por questão de opinião pessoal, posso até discordar de alguém que sai sorrindo numa fotografia ao lado de um animal morto. Porém, esta pessoa não está cometendo nenhuma irregularidade. Ao contrário, acabou de dar uma grande ajuda ao meio ambiente no lugar onde matou este animal.
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POR José Pires

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Imagem- Axelle Despiegalaere, a torcedora belga que ganhou fama durante a Copa do Mundo. Ela assinou um contrato com a multinacional francesa de cosméticos L'Oreal, mas acabou sendo dispensada depois de postar uma foto ao lado de um antílope abatido. E a moça não estava fazendo nada ilegal. A caça legalizada na verdade faz parte da proteção ao meio ambiente.


sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Obra cruzada

Será que o PT vai colocar o Templo de Salomão em seu programa eleitoral? Pois devia. Se tem algo que cresceu nesses 14 anos de governo do PT foi a igreja de Edir Macedo. O templo inaugurado na noite desta quinta-feira com a presença da presidente Dilma Rousseff é espetacular em seu estilo de shopping center da fé, mas a Igreja Universal do Reino de Deus tem também outros empreendimentos gigantescos no país, sendo o mais importante deles sua rede de emissoras de rádio e televisão, a Rede Record, que teve sempre o entusiasmado apoio de Lula. Em 2007, ainda na presidência da República, ele fez questão de estar presente na inauguração da Record News, o segundo canal de TV aberta da empresa. Lula saudou a estréia como um passo para a "democratização da comunicação".

O governo do PT tem a maior simpatia pela Rede Record, cujo dono aparece em um famoso vídeo ensinando sua equipe a convencer o povo a doar dinheiro à sua igreja, numa técnica que ele define como "ou dá ou desce". Foi antes dele ter todo esse poder, como mostra a construção deste templo, que custou custou R$ 680 milhões. Este ano, Macedo aparece em lista de bilionários globais da revista americana 'Forbes" com uma fortuna estimada em US$ 1,1 bilhão. O autointitulado "bispo" possui um jato bimotor particular, de modelo Bombardier Global Express XRS, estimado em R$ 90 milhões.

Pobre da "democratização da comunicação" se ela depender de um magnata que fez fortuna ao modo de um mercador do templo. Mas sabemos que quando petista fala nessas coisas está pensando apenas em jornalismo a favor. E essa contribuição a empresa de comunicação de Edir Macedo tem dado ao governo. E de sua parte, quando faz uma campanha acirrada contra outros empresários da comunicação, o PT fala bastante contra os tais negócios cruzados (jornal, rádio, editora, internet, canais de TV, etc.) na mão de um empresário, mas jamais cita a perigosa associação entre religião e um vasto poder na área de comunicação. É claro que o templo de Salomão não faz parte do PAC, mas também é evidente que o governo sempre deu a maior força para o crescimento impressionante do império de Edir Macedo na Terra. Vai ser um pecado se o PT não colocar o templo na sua propaganda eleitoral.
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POR José Pires

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Link- Veja aqui Edir Macedo e suas lições para ganhar dinheiro.

Companheiro de montaria

Tem aquela velha história de pendurar uma melancia no pescoço para aparecer. No desespero de uma candidatura entre os últimos em São Paulo, o candidato petista Alexandre Padilha radicalizou para chamar a atenção: subiu no ombro do senador Eduardo Suplicy, que o carregou durante uma caminhada, enquanto ele falava ao microfone. A cena patética é reveladora do nível a que chegou o PT. Não vejo muita diferença entre a ridícula performance dos dois e as encenações feitas pelo ex-presidente Lula pelo país afora, falando as coisas mais absurdas para ocupar espaço na imprensa, chamar a atenção sobre a candidatura de Dilma Rousseff e ainda desviar o foco de seus malfeitos. Dilma só não sobe literalmente nas costas de Lula porque ele não aguenta.

O nivelamento por baixo vem do próprio comportamento de Lula, que tem cada vez menos discernimento de limites morais ou de respeito à realidade no que faz ou no que fala. De um partido que tem Lula como guru pode-se esperar tudo e um pouco mais.

Este espetáculo grotesco do Padilha trepado no Suplicy é ainda mais sintomático da decadência petista por acontecer no estado de maior peso econômico do país e de maior eleitorado, além de ser o lugar onde está concentrada a parte mais importante da liderança petista e também de seus intelectuais e a militância mais qualificada. Se neste lugar o que o PT tem a apresentar numa campanha eleitoral é essa lamentável “ação política”, dá para imaginar a quantas anda a tal da forma de fazer política do PT, autoelogiada pela militância pelo país afora como uma novidade que viria renovar definitivamente o Brasil.

Padilha e o performático Suplicy criaram o logotipo ideal para o PT. A marca pode até substituir a notória estrelinha vermelha, que já deu o que tinha que dar de lucro. E como deu. A cena de um petista carregando outro nas costas simboliza com perfeição o padrão político estabelecido no partido nesses anos de poder. Montados um no outro, às vezes em revezamento conforme exige a oportunidade, os companheiros vão se aguentando no poder, nessa estratégia de evitar a qualquer preço desocupar o lugar.

O recurso é inclusive solidário, porque em certas ocasiões é preciso carregar um companheiro até a porta de uma penitenciária. E acontece até de aliados de outros partidos subirem nos petistas, como costumam fazer Paulo Maluf, Renan Calheiros, José Sarney e outros cavaleiros cujas pernas já adquiriram até o contorno do dorso petista. O PT encontrou afinal o emblema de seu caminho político: monta aí, companheiro, sem medo de ser feliz. E também de ser ridículo.
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POR José Pires