sábado, 18 de outubro de 2014

O PT no estilo de Collor

O PT está conseguindo ser pior nesta campanha que Fernando Collor, mesmo o ex-presidente (e hoje senador da base aliada do PT) tendo na sua carreira aquele famoso vídeo com o depoimento de Miriam Cordeiro acusando Lula de ter tentado forçá-la a fazer o aborto. Isso foi na primeira eleição direta para presidente, em 1989, e naquela campanha apareceu também em debate entre Lula e Collor a história de um aparelho de som, que soube-se depois ser um presente que Lula, que era casado, deu a uma namorada que morava em Brasília. Cabe lembrar que o PSDB e todos nós da oposição que não temos partido ficamos ao lado de Lula na ocasião desse ataque vil. E jamais essas coisas foram mencionadas depois por adversários em debates políticos.

O partido de Lula já vinha produzindo um espantoso lixo desde o primeiro turno desta eleição de 2014, quando focaram as calúnias primeiro em Eduardo Campos e depois em Marina Silva. Neste segundo turno as sujeiras são lançadas em Aécio Neves, agora com o agravante disso sair da boca da própria candidata, que também é nossa presidente da República. Com essa atitude ela desrespeita o cargo e aí qualquer reação é com a candidata e este direito de defesa tem que ser exercido com rigor. Essas questões sobre teste de bafômetro e também questionamentos malandrinhos como preâmbulo de pergunta sobre a Lei Maria da Penha já são assunto há bastante tempo dos bandos que produzem lixo cotidiano em blogs e sites da internet e nas redes sociais. A pergunta de Dilma sobre o a lei seca foi a descrição verbal da candidata desta tática suja que vemos todos os dias, em que são usadas até montagens fotográficas fajutas. Será que Dilma ainda vai levar para um debate uma dessas absurdas montagens em que colocam o rosto de Aécio no corpo de marmanjos cercados de mulheres seminuas?

É triste o fim do PT, independente do partido vencer ou ser derrotado nesta eleição. Bons tempos aqueles em que um candidato petista se munia de argumentos com equipes formadas por sociólogos, arquitetos, economistas e outros profissionais capacitados, gente decente e de boa qualidade política e intelectual, independente das minhas discordâncias com o partido, que já são muito antigas. Com a propaganda que os petistas vem fazendo e também na atuação de Dilma em entrevistas e debates, nesta campanha o PT fechou o círculo que o junta ao Collor do histórico jogo sujo da nossa política que atingiu o próprio Lula. Hoje em dia a candidata a presidente da República busca seus argumentos no pior lixo das redes sociais, material difamatório produzido por esses delinquentes informáticos — muitos deles pagos com dinheiro público — que destroem o potencial de conhecimento e informação da internet brasileira. O projeto do PT para os próximos anos deve ser o de estender esta destruição para toda a vida brasileira.
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POR José Pires

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Imagem- As imagens do famoso vídeo de Miriam Cordeiro, no jogo sujo da campanha de Collor, e uma cena da candidata petista Dilma Rousseff fazendo coisa parecida agora nesta eleição.



quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Marcação cerrada

O jornalista Juca Kfouri tem um blog com grande volume de acessos na internet, faz também programa de rádio e participa de programas em emissora de TV a cabo. Sua área é exclusivamente do jornalismo esportivo. Foi assim que fez carreira e dificilmente será encontrada alguma reportagem dele sobre um assunto que não seja ligado ao esporte, principalmente o futebol. Mas nos últimos meses Kfouri tem escrito sobre política, pouca coisa e sempre com um único objetivo. É o candidato Aécio Neves, do PSDB, de quem o jornalista já falou até da vida pessoal. Este assunto da imagem mostra muito bem a forma do jornalista lembrar o tucano. Ele não faz nenhuma análise sobre o programa do candidato na área esportiva e nem trata de fatos sobre a carreira pública de Aécio. É sempre do jeito desta pequena nota, extraída por ele do jornal Folha de S. Paulo. É o famoso texto sem pé nem cabeça, com o objetivo de lançar suspeitas sobre alguém. E se este alguém é candidato numa eleição de segundo turno, bem, aí só existe um lado que vai ganhar com algo assim, não é mesmo?

E o efeito já se percebe. O link publicado por Kfouri em seu blog já alcançava 600 compartilhamentos na primeira hora. É até lamentável, mas é o mesmo funcionamento de blogs governistas. Cria-se uma sustentação para alguma especulação sem sentido, para daí em diante a militância fazer um alarde por toda a internet, inclusive aumentando o grau de ataque e a boataria nas redes sociais. Com a hora da votação já bem próxima, nada melhor que um adversário chegando até lá ao lado de Ricardo Teixeira.

A base da nota é que o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, tenta se "reaproximar" de Aécio Neves. São minhas as aspas no verbo, porque o uso desta palavrinha é o toque óbvio na criação de uma suspeita. E tanto a Folha de S. Paulo quanto Kfouri ficam devendo um aprofundamento disso a seus leitores. Até lá, o que temos é uma notinha enganadora. Ora, só se "reaproxima" quem já esteve próximo. Se o candidato do PSDB teve alguma relação de fato com o ex-presidente da CBF eu creio que vale uma boa matéria, que pode ser esclarecedora ao eleitor.

Mas o que temos nesta nota é apenas o então governador de Minas Gerais entregando o que parece ser uma comenda a Teixeira. E isso todo governante faz. Lula, por exemplo, já entregou a Ordem de Rio Branco ao humorista Luís Fernando Veríssimo. Esta é a mais destacada condecoração da diplomacia brasileira. Não sei qual foi o feito de Veríssimo para receber uma medalha tão preciosa, mas pode ser por alguma piada que perdi. O mesmo presidente Lula condecorou a primeira-dama Marisa Letícia com a mesma Ordem de Rio Branco e na cerimônia deu a medalha também para Mariza Campos Gomes da Silva, esposa do então vice-presidente José Alencar, e Ana Maria Amorim, esposa do ministro das Relações Exteriores Celso Amorim.

Cito essas homenagens até engraçadas feitas por Lula apenas para mostrar que uma foto como esta de Aécio Neves não vale como prova de coisa alguma, a não ser de um evento inútil. Sou dos que acham que isso tinha que mudar, mas infelizmente nesses 12 anos de PT no poder esse tipo de superficialidade até piorou. Não sei de nenhum tucano que tenha amedalhado a própria esposa, o que não os torna melhores do que são. Mas o fato é que, na presidência, Lula deu uma alta condecoração da República para a então primeira-dama. E se Teixeira quer mesmo uma "reaproximação", por que não de Lula ou da presidente Dilma? Nos últimos tempos era com os dois petistas que o ex-presidente da CBF mais se dava. A Copa no Brasil e seus bons negócios foi acertada entre Lula e Teixeira. E isso nos leva a mais uma malandragem, logo no início da nota repassada por Kfouri, que começa assim: "Passados três meses do vexame da seleção brasileira na Copa do Mundo". Coitado do Aécio Neves. O Juca Kfouri vai acabar colocando nele a culpa pelo sete a um que a Seleção Brasileira tomou da Alemanha.
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POR José Pires


domingo, 12 de outubro de 2014

Análise desconjuntada

O PT anda muito mal de análise de conjuntura. Quem é mais velho deve se lembrar da época em que a esquerda vivia fazendo "análise de conjuntura". Qualquer coisa que aparecia, logo um companheiro pedia uma reunião para uma análise de conjuntura e lá ia todo mundo debater durante horas. Esse hábito facilitava bastante o trabalho da polícia política. Em 1968, por exemplo, o José Dirceu juntou lideranças estudantis de todo o Brasil para uma reunião de análise de conjuntura em Ibiúna, no estado de São Paulo, porém a conjuntura não era propícia. A polícia foi lá e prendeu todo mundo.

Mas eu falava de análise de conjuntura na atualidade, que é uma prática que o PT tem desde sua fundação há três décadas, mas para a qual parece que ainda não pegou o jeito. Com a possibilidade de Aécio Neves vencer esta eleição, os petistas estão focando sua artilharia demais no Armínio Fraga. Peraí, companheiros. Este vai ser o ministro da Economia. Pela análise da conjuntura, num governo de Aécio Neves vocês tinham que estar mais preocupados é com o ministro da Justiça.
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POR José Pires

Apoio demorado

Vivendo e aprendendo, como diz o jargão. Esse segundo turno já mostrou desde o início porque Marina Silva tem na sua carreira política umas boas arrancadas para em seguida empacar e até retroceder, inclusive no número de votos. Ela não é apenas sonhática. É também enrolática. Ela tem uma dificuldade para sincronizar suas ideias e a oportunidade para obter delas o melhor resultado. Apoio político em segundo turno não exige a assinatura de carta de compromissos. Quem faz política e não sabe até agora o que Dilma Rousseff e Aécio Neves podem trazer para o Brasil corre o risco de passar aos eleitores uma imagem de dificuldade extrema de análise e compreensão até mesmo da vida. Talvez Marina imagine que as pessoas estão vendo como uma grande dignidade política as exigência que ela faz pelo seu apoio.

Pois na minha opinião ela está muito enganada. A impressão é a mesma da velha política, de um líder cobrando pelo apoio. Não importa se o político exige dinheiro pra pagar dívidas de campanha, cargos no governo ou só boas coisas para o país, que deve ser o juízo de valor de Marina para suas exigências. Pedidos como ela tem feito são sempre vistos pelo eleitor como uma troca. E na prática é isso mesmo.

Mas a enrolática Marina que se apresse, porque tudo indica que seus eleitores já estão dando de graça para o Aécio Neves o apoio que ela está cobrando caro demais.
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POR José Pires

Combatentes da ética


A notícia é tão absurda que até parece coisa de site de humor. Por isso tive que ir conferir. Sei que além da moral os petistas perderam também há bastante tempo a noção de ridículo, mas em época eleitoral é bom tomar cuidado para não ficar repassando notícia falsa. E como foi também no emblemático estado de Alagoas que Dilma fez essa promessa, ao lado de figuras tão notórias, aí é que bate ainda mais a suspeita de que tem piada.

Mas é a pura verdade. Ao lado de Collor e do filho de Renan Calheiros, a candidata à reeleição do PT, Dilma Rousseff, fez mesmo a promessa de um "combate sem trégua" à corrupção. Collor e Renanzinho já estão eleitos, o primeiro é senador e o outro foi eleito governador. A notícia está no site da Folha de S. Paulo. No palanque, ao lado de Collor, Dilma disse que seu governo tem como princípio o "combate sem dó à corrupção, doa a quem doer".

Alguém pode até achar que a montagem de um espetáculo grotesco como esse é um descuido de marketing, mas na verdade isso é uma demonstração de que nem o mais poderoso esquema de propaganda pode deter um processo natural. É uma questão de escolha de parcerias políticas e de trabalho. Isso é histórico. Na Chicago dos anos 30, por exemplo, o chefão Al Capone tinha sua equipe e o agente federal Eliot Ness tinha a dele. Cada qual evidentemente escolhia a equipe em razão de um método de trabalho e um objetivo. Eu tenho a impressão de que Dilma não tem simpatia pelo estilo de trabalho do Eliot Ness.
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POR José Pires


quinta-feira, 9 de outubro de 2014


Questão de ordem, companheiros

O PT anda muito mal de análise de conjuntura. Quem é mais velho deve se lembrar da época em que a esquerda vivia fazendo "análise de conjuntura". Qualquer coisa que aparecia, logo um companheiro pedia uma reunião para uma análise de conjuntura e lá ia todo mundo debater durante horas. Esse hábito facilitava bastante o trabalho da polícia política. Em 1968, por exemplo, o José Dirceu juntou lideranças estudantis de todo o Brasil para uma reunião de análise de conjuntura em Ibiúna, no estado de São Paulo, porém a conjuntura não era propícia. A polícia foi lá e prendeu todo mundo.

Mas eu falava de análise de conjuntura na atualidade, que é uma prática que o PT tem desde sua fundação há três décadas, mas para a qual parece que ainda não pegou o jeito. Com a possibilidade de Aécio Neves vencer esta eleição, os petistas estão focando sua artilharia demais no Armínio Fraga. Peraí, companheiros. Este vai ser o ministro da Economia. Pela análise da conjuntura, num governo de Aécio Neves vocês tinham que estar mais preocupados é com o ministro da Justiça.
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POR José Pires

Serviço ordenado

A estratégia é óbvia, de um jogo sujo tão casado que dá até vergonha alheia do que o PT vem fazendo com a política brasileira nesta tentativa de instigar os nordestinos contra a oposição. A militância governista encheu a internet de insultos aos nordestinos atribuídos a apoiadores do candidato Aécio Neves, do PSDB. De forma cínica, repassaram as imagens de perfis falsos como estivessem chocados com o preconceito. Foi evidentemente uma armação. Deu pra perceber a fraude no estilo muito parecido dos textos (inclusive imitando erros comuns e abreviaturas da internet) e no foco direto em um assunto que nem era motivo de discussão nas redes sociais. O repasse imediato de imagens com esses ataques também mostra que a manipulação veio de um lugar só.

A técnica também é parecida ao que vimos em todo o primeiro turno, que consiste basicamente em jogar uma pessoa contra a outra, usando para isso classe social, raças, profissões, escolaridade, relações trabalhistas ou qualquer outra situação em que a desarmonia possa render votos. Tem sido assim desde antes do PT ganhar a primeira eleição para presidente da República e seguiu nos três mandatos, criando fortes divisões entre as pessoas e dificultando ainda mais a união dos brasileiros para enfrentar os graves problemas do país.


A estratégia é tão explícita que seria até para rir, se não atinássemos para a irresponsabilidade de um partido que atiça as regiões brasileiras a uma divisão autofágica. Primeiro espalharam os perfis falsos com insultos aos nordestinos, como se fossem escritos por eleitores de Aécio Neves. E logo em seguida a candidata do PT à reeleição, Dilma Rousseff, viajou para o Nordeste onde fez campanha e atacou Aécio, dizendo que ele é contra os nordestinos. Dilma veio com a conversa marqueteira de que "adversários fazem uma oposição entre Sudeste e Nordeste". Você viu por aí qualquer adversário de Dilma, seja de que partido for, falando mal do Nordeste? Para isso, além do preconceito ele teria também de ser um doido varrido que trabalha para perder votos. É absurdo que uma candidata, ainda mais sendo presidente da República, traga para a eleição uma manipulação tão baixa.

O PT sempre foi muito desleal no debate político e historicamente não respeita o adversário e nem mede suas ações políticas tendo como ponto essencial o interesse do país. O objetivo partidário está sempre acima de tudo. Então, essa criminosa tentativa de jogar uma região do país contra a outra que estamos vendo neste início de segundo turno não é de surpreender ninguém. Mas isso foi feito de uma forma tão absurdamente óbvia que demonstra outra decadência deste partido. Os petistas já foram mais profissionais em suas maldades.
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POR José Pires

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Apoio disputado

Informação quentíssima que peguei agora há pouco de fonte de alta credibilidade. É Levy Fidelix o candidato derrotado que tem sido mais procurado por emissários de Aécio Neves e de Dilma Rousseff para negociação de apoio no segundo turno. Está uma pressão danada. Os emissários de Aécio fazem de tudo pro Fidelix apoiar Dilma e os emissários de Dilma também estão se esforçando ao máximo para que o apoio vá para Aécio.
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POR José Pires

Mensagem aos que virão

Uma sibipiruna florida no cair da tarde. A cidade de Londrina tem muitas delas, que se dão bem neste lugar onde basta plantar e deixar o resto por conta da natureza. Esta dádiva de terra veio por acaso, escorrendo há milhões de anos no derramamento de basalto que deu origem a uma das terras mais férteis do planeta, a chamada "terra roxa" do norte do Paraná. Isso permite ao londrinense uma vida que ele nem percebe que em outros cantos é coisa de filme. Em que outro lugar a gente come um mamão, joga as sementes num canto e logo verá nascer um mamoeiro dando frutos?

Já morei em outras regiões do país onde plantar um simples arbusto desses de formação de cerca viva exige uma trabalheira e tanto, com a preparação do plantio com adubo, além de outros cuidados. Aqui é muito fácil: basta cortar as partes da planta para a formação da muda, fincar no chão as pequenas estacas e depois aguar de vez em quanto. Se for uma época boa de chuvas, nem é necessário o trabalho de ligar a mangueira. Tudo cresce de uma forma que parece que dá pra ver as plantas esticando seus galhos e fazendo brotar folhas, flores e frutos num moto-contínuo que não precisa ser inventado porque já existe.

As árvores grandes crescem com um vigor admirável, porém o londrinense é marcado pelo engano de que árvores nas ruas devem ser menores, o que não faz sentido pela própria utilidade da árvore dentro de um perímetro urbano. A cidade precisa de longos trechos com sombra permanente porque de outro modo as pessoas são obrigadas a viver num ritmo cotidiano de deserto, saindo de casa para caminhar apenas nos horários em que o sol está mais próximo do horizonte. Uma cidade arborizada permite que as pessoas façam suas atividades cotidianas a pé e em qualquer horário, mesmo com o sol a pino.

Sou um caminhante desde a minha infância, um hábito que depois fui aprendendo com o tempo que é o melhor para o ser humano. Porém, por falta de sombra das árvores é muito difícil andar a pé em Londrina. A cidade já foi bastante arborizada, sendo que uma sibipiruna alta como a desta foto é uma das que sobraram da época da formação deste bairro. Em vários bairros dá pra ver árvores desse porte, ainda muito fortes, mas infelizmente isoladas, como se fosse uma lembrança de como a cidade poderia ser agradável hoje em dia se houvesse a consciência do respeito às plantas.

A cidade precisa cuidar melhor de suas árvores e plantar mais delas, principalmente dessas bitelas como a sibipiruna, que além de dar uma ótima sombra nessa época do ano traz essas flores muito bonitas compondo um cenário especial com o céu da região, que é sempre de um azul de uma limpidez e um encantamento que dá prazer de olhar. É preciso parar de cortar as árvores da cidade e plantar mais delas. Este pode ser um recado pro futuro de que neste nosso tempo havia vida inteligente por aqui.
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POR José Pires

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Imagem: Foto que tirei nesta terça-feira, de uma série que venho fazendo há alguns dias com as sibipirunas. Repare que tem uma mulher sentada à sombra da árvore com uma criança. Ela passou por mim enquanto eu fotografava e com a maior tranquilidade as duas entraram na cena. Gostei do gesto, que deu mais qualidade à imagem e mostrou muito mais sobre a vida.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

O estranho no ninho

As pessoas chegam pra mim com a questão do momento: "E então, é Dilma ou Aécio?". Durante todo o primeiro turno eu procurei escrever e fazer cartuns com a maior abrangência possível sobre o que vem acontecendo nesta eleição, trabalhando da forma que faço sempre. Buscando apontar problemas até nas situações em que tenho mais identificação ou analisando candidaturas que vejo com mais simpatia. É preciso manter o espírito crítico e jamais embarcar nas ondas que podem nos envolver nos ataques eleitoreiros que tomam conta da rede.

Três candidatos tiveram de mim a mesma simpatia, sem que eu me engajasse na campanha de qualquer um deles. Repito, não é minha função. Faço oposição ao governo, que tem à frente a presidente Dilma Rousseff. Esta é uma função essencial do jornalismo e ainda mais do humor. E minha oposição ao PT (que também fiz ao governo de Fernando Henrique Cardoso em seus dois mandatos e tenho muito material sobre isso para mostrar) não é circunstancial. Discordo da ideologia de origem que movimenta as ações deste governo. Esta ideologia hoje é forte no PT, mas já teve abrigo em outros partidos, inclusive com a comprovação posterior de que eles recebiam ordens e até dinheiro de regimes políticos estrangeiros. Isso vem de longe e infelizmente ninguém sabe quanto tempo há de durar como um risco sobre a nossa democracia. O PT precisaria mostrar que não traz este risco, mas faz o contrário.

Os três candidatos que me despertaram mais respeito foram Aécio Neves, Marina Silva e Eduardo Jorge, evidentemente com as discordâncias normais, que coloquei com franqueza quando tive tempo para escrever e vi uma oportunidade para isso. Não é preciso falar muito sobre Marina e Aécio, os dois candidatos mais fortes da oposição. Se Marina estivesse nesse segundo turno teria o meu apoio, posição que eu tomaria a contragosto, mas de forma alguma em razão de um juízo excludente sobre ela. Em torno da candidatura de Marina juntou-se muito gente que respeito. Mas no caso dessa candidatura, creio que a minha divergência básica é exatamente o que atraiu essas pessoas. Marina trouxe nesta inesperada candidatura algumas propostas e posições políticas que contam com a minha concordância. Algumas delas, relacionadas ao meio ambiente, fazem parte da minha vida. No entanto, talvez até pelo tempo muito curto, ela não soube fazer o necessário equilíbrio entre esses ideais e as exigências práticas da construção de uma candidatura de peso.

A personalidade mais interessante desta eleição foi Eduardo Jorge, do Partido Verde. E é provável que haja uma certa perplexidade com isso que penso. Em relação a este candidato foi criada uma imagem preconcebida, sem concordância com o que realmente ele é. Por exemplo, o seu jeito de ser e a posição a favor de um tratamento do usuário de drogas fora da esfera policial trouxe, até de gozação, aquela história de ele ser maconheiro. E até isso serviu para mostrar sua categoria singular como político. Com a maior tranquilidade, ele respondeu o seguinte: "Eu tenho uma família de esportistas. Na minha casa nunca ninguém fumou nem cigarro, imagine maconha. Nós cuidamos muito da nossa saúde”. O candidato, que é médico, ainda disse que jamais "cairia numa bobagem dessas”. Esta é exatamente a minha visão, com a diferença de eu acreditar que esse tema exige mais discussão e que seja feita de forma mais equilibrada do que vem acontecendo.

O candidato do PV tem respeitabilidade como administrador na área médica. É dele a ideia inicial da introdução do genérico e da farmácia popular, duas das melhores iniciativas na saúde pública brasileira. Nos debates da televisão as melhores intervenções sobre saúde vieram dele, mas infelizmente não é de hoje que nas discussões políticas presta-se pouca atenção ao que realmente é do interesse na vida das pessoas.

Eduardo Jorge foi o que aconteceu de novidade nesta eleição, mas não deve ficar muita coisa do que ele trouxe. Somos um país de distraídos, sendo que, neste caso, além da distração existe bastante preconceito. E não é com a maconha. A implicância é com sua franqueza. Esta é uma atitude que não é bem recebida em situação alguma neste nosso país. É uma deformação antiga de personalidade sofrida pelo brasileiro, que foi estimulada ainda mais nos últimos tempos por este clima de intimidação que vivemos, onde pensar e se expressar com liberdade virou motivo de levar cacete. Em relação ao Eduardo Jorge, vi até pessoas que respeito criticá-lo por ele ter trazido ao debate questões que não contribuíam diretamente no combate ao PT, como se fizesse sentido exigir numa campanha de primeiro turno o atendimento de uma pauta tão rígida.

Nem sei ainda quem Eduardo Jorge vai apoiar. Não acharia bom um apoio dele para Dilma, mas nem isso afetaria a minha visão de que foi uma boa novidade o jeito dele, todo despretensioso e sem atitudes determinadas pela busca de um resultado imediato e eleitoral. Com já disse, é provável que nada disso fique. Mas valeu que tenha sido mostrado. E quanto ao que penso sobre o embate entre Dilma Rousseff e Aécio Neves, creio que já ficou claro que sou a favor de Aécio e espero que essa opinião seja compreendida também como uma posição pragmática exigida pela grave situação atual do Brasil.

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POR José Pires

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Giannetti, da estante para a política


O economista Eduardo Giannetti é alguém que admiro dos livros. Tenho alguns livros dele na estante, todos muito bem escritos e falando em economia de uma forma filosófica que me agrada bastante. No conjunto, Giannetti tem uma obra ensaística que o eleva bem acima do provincianismo comum entre a nossa intelectualidade. E um desses livros é um ótimo ensaio sobre uma questão que atrapalha o Brasil já há um bom tempo e que até virou um material que o governo do PT explora com eficiência para dificultar a compreensão do estrago que vem sendo produzido em nossa economia e tudo o mais que gira em torno dela, inclusive o caráter da nossa nacionalidade. O assunto é o auto-engano e o livro tem exatamente este nome, "Auto-engano". É uma leitura que pode ajudar a entender muito bem o atrapalho que pode ser a ilusão comum de que somos o máximo e que tudo vai bem. É uma análise muito boa sobre o assunto e além disso é um livro escrito com um estilo de qualidade. Giannetti escreve muito bem, algo que aliás é raro em economistas.

Para identificar melhor este sujeito admirável, é sucesso na internet um vídeo sobre a desigualdade, em que ele conta a fábula de dois meninos que encontram duas maçãs (uma grande e outra pequena) e criam uma situação para a discussão sobre as condições diferentes em que pode se dar a desigualdade. Não vou estragar o efeito contando tudo. O link está aqui.

Quando soube do apoio dele à Marina Silva confesso que não gostei nem um pouco e não foi por causa ela. Ficaria incomodado qualquer que fosse a candidatura, pois quando um intelectual que a gente admira faz esse tipo de coisa existe sempre o risco de prejudicar o que temos dele em nossa estante. A política tem umas exigências que podem acabar envolvendo a pessoa em questões que abalam bastante a credibilidade. É possível ao leitor abafar esses problemas e se fixar na qualidade técnica do autor, mas nunca mais será a mesma coisa. No valor integral da escrita pode ficar sempre alguma nódoa política. Mas felizmente com o Giannetti ainda não aconteceu isso e agora, neste domingo, ele tomou uma posição que me fez respeitá-lo no plano da política.

Ainda no domingo ele declarou apoio ao candidato Aécio Neves. Sua explicação para isso é muito simples, porém o admirável é que ele tenha tomado a atitude de primeira, sem aquelas enrolações que fazem parte da política. "Eu, pessoalmente, apoio o Aécio. Mas não é uma posição da coligação. Porque eu acho que não vai ser bom para o Brasil mais quatro anos de Dilma. É muito tempo no poder. Eu acho que o primeiro mandato do Lula foi excepcional. De alta qualidade. Talvez a melhor coisa da democracia brasileira em muito tempo. A gente ter tido aquela alternância de poder com a seriedade com que ela foi conduzida. Esse bom caminho começou a se perder no segundo mandato do Lula, e se aprofundou ao pior no mandato da Dilma", ele disse, alertando também para problemas graves que podem vir por aí se houver mais um mandato para Dilma, que não tem condições de reverter a deterioração preocupante da economia. "Isso ocorreu no primeiro ano do segundo mandato do Fernando Henrique e ocorreu no primeiro ano do primeiro mandato do Lula. Não é muito diferente. Agora, tem de restabelecer a confiança. Com a Dilma não vai ter isso. A chance que a gente tem é com o Aécio", ele disse.

Giannetti deu uma razão simples e honesta para apoiar Aécio Neves, que acredito que num segundo turno com Marina seria a mesma da maioria das pessoas que votaram no tucano com a consciência da necessidade vital de mudar já de governo. O economista também subiu no meu conceito. Não que eu fosse jogar fora seus livros se ele fizesse algo que me desagradasse na política. Não tenho essa radicalidade besta. Mas os livros do Giannetti agora permanecem na estante sem abalo algum.
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POR José Pires

Máquina de acender postes

É claro que vai depender do leitor ter juízo, mas nesta eleição poderemos ver finalmente desmoralizado o suposto dom do ex-presidente Lula de eleger quem ele quer. A fama desse talento do Lula é um despropósito de uma eficiente máquina de propaganda política e da desatenção da imprensa, que deixa de apresentar de que forma o PT vem alcançando vitórias nesses intermináveis doze anos.

O PT criou uma máquina de ganhar eleição presidencial, comandada sem nenhum escrúpulo moral e sem que seus movimentos tenham a fiscalização e o controle legal da Justiça. Vale tudo para eles, que passam quatro anos fazendo campanha e atacando os adversários. Agora nesta eleição soube-se que eles usam até os Correios para entregar cuidadosamente os panfletos de postagem ilegal de seus candidatos e jogar no lixo o material dos adversários postado dentro da lei.

E tenho que apontar que antes de Lula ganhar sua primeira eleição e seu partido se apossar da máquina do Estado eles passaram mais de dez anos fazendo a mais longa campanha eleitoral que já existiu neste país. Uma campanha fora de seu tempo legal, com Lula andando por todo o país e montando seus palanques. E a imprensa ainda facilitava, noticiando aquilo como se fosse uma admirável ação cívica. Pra essa campanha deram até o nome pomposo de "Caravana da cidadania".

Por detrás de cada vitória do PT tem este trator passando por cima de regras morais, da lei e até do bom senso. Tem muito dinheiro também. Montam até o quadro eleitoral que facilita a disputa do jeito que eles precisam. Nesta eleição só não conseguiram aliciar Eduardo Campos, cuja candidatura prosseguiu com Marina, mais por uma valentia pessoal dela porque se dependesse de alguns caciques do PSB a eleição acabaria na queda do avião que matou Campos.

É claro que se não houvesse sem um terceiro candidato forte aumentaria muito a chance de Dilma ganhar no primeiro turno. Com tudo armado desse jeito qualquer candidato um ganharia a eleição. As vitórias do PT não são alcançadas por um carismático dom capaz de eleger um poste. O sucesso do partido se deve mais ao poder que eles têm de desligar a energia do próprio processo eleitoral, impedindo que a disputa seja democrática. Tentaram fazer mais que isso, com o mensalão. Felizmente se deram mal, mas com o mensalão teriam um controle absoluto da política e seu projeto de perpetuação no poder seria imbatível.

Nesta eleição o PT pode tomar na sua cabeça autoritária definitivamente. Já tiveram uma boa lição em São Paulo, onde o poste de Lula não acendeu. A derrota do ex-ministro Alexandre Padilha na eleição estadual foi um exemplar fiasco de Lula, que esteve à frente daquela campanha, de tal forma que o próprio candidato parecia ser seu vice. E agora com a candidata à reeleição para a presidência da República podemos ter outra bela lição de uma democracia ainda precária, mas mantida com brio por uma parcela de brasileiros admiráveis. Essa brava gente pode apagar o derradeiro poste do Lula, trazendo uma uma outra luz de que o nosso país precisa muito.
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POR José Pires

domingo, 5 de outubro de 2014


sábado, 4 de outubro de 2014

Pagando pra ter prejuízo

Desta eleição para presidente vai ficar um questionamento muito importante vindo da participação dos pequenos partidos pequenos nos debates eleitorais da televisão. Não é nenhuma questão trazida por eles. O problema, que na minha visão devia merecer mais atenção da sociedade civil, é a forma da participação deles na política. Para começar, são todos partidos sustentados por verbas públicas e não é pouco o dinheiro que recebem do Fundo Partidário, mais um nomezinho cujo significado final é o de tirar dinheiro do bolso do contribuinte. O extremista PSTU, por exemplo, recebeu no ano passado R$ 772.404,41. O partido felizmente está fora dos debates da TV, mas tem candidato a presidente. É o mesmo Zé Maria, candidato pela quarta vez. O PSTU já completou 20 anos e nesse longo período não elegeu nenhum deputado federal, nunca soube-se de nenhuma prefeitura administrada por eles e obviamente jamais tiveram alguém eleito para o Senado ou governo estadual.

O partido vive do Fundo Partidário, uma dinheirama numa estrutura minúscula cujas ações só aparecem quando sua militância está envolvida em badernas na rua ou em agressivas ações de diretorias de sindicatos. O PSTU tem seu cacique, o Zé Maria que é candidato que nem pontua em toda eleição. Mas esta é a regra de todos os partidos pequenos. São propriedades de um pequeno grupo, sendo que alguns parecem ter apenas um dono, como é o caso do minúsculo PRTB, de Levy Fidelix. Esta sigla de um homem só recebe R$ 110 mil todo mês. E sem dúvida alguma, Fidelix não vê problema no excretor da grana jorrada em seu partido.

O partido de Luciana Genro recebe exatos R$ 313.598,70 por mês, sem que eles apontem nenhum culpado dessa sangria nos cofres públicos. Todos os partidos aprovam este fundo e olha que no Brasil temos 32 siglas mamando na teta. Mas a maioria dos partidos tem ao menos o mérito do respeito ideológico a este sistema que os sustenta. A maior contradição é a subvenção estatal a partidos extremistas como o Psol, o PSTU e outros intolerantes ainda menores que esses dois. Na prática, é o estado democrático financiando seus próprios demolidores.

E devido ao ridículo da argumentação e postura dessa gente, os brasileiros vão deixando passar as grosserias verbais desses extremistas e até as violências promovidas por seus partidos, como se viu meses atrás nas manifestações de rua em que até morreram pessoas. A reação é sempre uma observação ligeira, como acontece com as performances de uma figura como a candidata Luciana Genro: “Ah, mas é tão cômico que nem vale a pena ocupar-se dela”. E aí está um erro de análise que já custou muito caro na vida de outros países.

Figuras políticas agressivas como Luciana costumam ter da sociedade um menosprezo que não leva em conta seu potencial risco para a democracia. E esta condescendência pode contribuir para que eles ganhem um perigoso vigor político. No início da implantação do comunismo na União Soviética o ditador Josef Stálin era apenas uma figura menor da revolução que derrubou o czar russo em 1917. Não tinha dimensão política e intelectual comparável à capacidade de um Bukharin ou de um Trótski e de tantos outros camaradas que ele foi derrubando pouco a pouco e depois mandando matar. Foi a desconsideração do perigo representado pela figura antes obscura de Stalin que criou as condições aproveitadas por ele para o massacre interno no comunismo e a submissão de um imenso país a um regime criminoso, que inclusive ocupou militarmente países europeus. Na década de 30 sua mão assassina chegou a alcançar o Brasil, por meio de lacaios locais.

É claro que não estou dizendo que Luciana Genro vai implantar o stalinismo no Brasil. Ela não tem capacidade para tanto (epa, olha aí até eu caindo neste descuido). O risco maior está em toda a estrutura que ela representa e que não vem apenas da ação política que seu partido permite que seja vista. Já deu para perceber nos recentes protestos de rua o estrago que alguns gatos pingados podem fazer numa democracia, mas suas ações encobertas acontecem também em sindicatos, nas Ongs, nas universidades e em qualquer lugar onde possam plantar sementes destrutivas que podem acabar com a democracia. E, como eu já disse, nós até estamos pagando para eles fazerem isso.
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POR José Pires

A amizade acima de tudo

Correm pela internet apelos para que amizades não sejam desfeitas por causa da política neste período de eleição. Estou totalmente de acordo com isso. A intrigante da Luciana Genro pode quebrar o pau com aquela besta do Levy Fidelix, mas nada impede que os dois saiam depois do debate pra tomar um chopinho num bar gay. E podem até levar a ignorante da Dilma junto. E se aquele direitista do Aécio quiser ir também, tudo bem, assim como serão bem-vindos o chato do Pastor Everaldo, aquele maluco do Eduardo Jorge e a insuportável Marina. E eles ainda correm o risco de encontrar lá aquele mala do Jean Wyllys. Mas não tem problema. A política não deve destruir as boas relações entre as pessoas.
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POR José Pires

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Valores de fim de campanha

Não é isso que decidirá a passagem para o segundo turno e muito menos a vitória final na eleição, mas nesta campanha o único candidato que cresceu no nível político foi Aécio Neves, do PSDB. E foi ele exatamente quem passou pela maior provação, na queda angustiante das pesquisas depois de ter entrado na disputa como o candidato mais forte da oposição. Para mim, foi uma armação para desmontar o adversário mais perigoso do PT. E ele passou por cima dessa manipulação de forma admirável. No debate desta quinta-feira, na Rede Globo, manteve-se o tempo todo muito acima de todos os demais.

A candidata do PT à reeleição foi enquadrada pela realidade em seu devido nível como pessoa e na condição de candidata. Se não tivesse a imensa estrutura política à sua disposição, contando inclusive com o uso abusivo da máquina pública e muito dinheiro para a campanha, Dilma não serviria para ser candidata nem do partido de Levy Fidelix. A não ser, é claro que Fidelix como dono do partido quisesse ela como candidata. Foi dessa forma que Dilma subiu na vida, com o sucesso de sua carreira decidido por um dedaço de Lula, mas fazendo uso dessa relação com quem manda desde que começou no PDT, onde também subiu na vida graças às poderosas relações, entre elas o falecido Leonel Brizola. Ontem, Dilma estava no seu plano natural, até com um visível apavoramento causado pelas relações igualitárias do debate.
Já Marina Silva desceu de uma forma até lamentável das alturas para onde o acaso a lançou depois da queda do avião que matou Eduardo Campos. Ela entrou na campanha com uma imagem que dificilmente poderia se adequar às necessidades reais da política e foi se desmontando gradativamente, por mais que fosse tentando aplicar um discurso envolvente para fugir de questionamentos. Em relação à sua imagem, Marina vive uma autoilusão psicológica tão forte que acaba fazendo confusão entre o discurso exigido pelo marketing e o que de fato aconteceu em sua vida. Se a campanha tivesse mais uns dias era capaz dela começar a se apresentar como a desmascaradora do mensalão, episódio criminoso da nossa política que ocorreu enquanto ela era ministra de Lula e estava ao lado dele, caladinha quanto às safadezas de seu governo.

O toque final da sua falta de autenticidade foi a proposta que trouxe neste debate de criar o 13º salário do Bolsa Família. Esta promessa já havia sido feita há mais de um mês pelo candidato petista ao governo do Rio, Lindbergh Farias, e comentando a demagogia eu cheguei a comentar que logo estariam oferecendo também férias e aposentadoria. Se a eleição durasse um pouco mais é provável que Marina viesse com essa. E ainda diria que é nova política. Com certeza a candidata do PSB iria gostar que fosse usada para essa sua queda uma imagem cristã que desse ao drama um toque de martírio, mas isso que ela vem fazendo tem mais a ver com o deslumbrado Ícaro e a destruição de suas asas artificiais no imprudente voo próximo demais do sol.
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POR José Pires

Um trabalho para Dilma, a pacificadora

Apareceu mais um grupo terrorista para a presidente Dilma Roussef exercitar sua capacidade de diálogo. Agora é nas Filipinas. A organização Abu Sayyaf já teve ligações com a Al Qaeda e é conhecida por sequestros e atentados a bomba. Costumam matar cristãos também. Eles sequestraram e ameaçam decapitar dois reféns alemães, Stefan Okonek, médico de 71 anos, e Henrike Dielen, de 55. Os terroristas estão fazendo uma exigência impossível: querem que a Alemanha retire seu apoio à coalizão de países que luta contra o grupo Estado Islâmico. Pois vejam só, nisso eles já estão de acordo com Dilma, que também achou um absurdo bombardear os terroristas que já tomaram grandes áreas do Iraque e da Síria. A partir dessa proximidade de discursos pode dar um bom lero. Recentemente Dilma apelou pelo diálogo internacional com terroristas islâmicos que decapitam pessoas e publicam os vídeos da execução na internet.

O ideal mesmo seria que Dilma perdesse essa eleição, pois então ela poderia usar todo seu tempo para viajar para vários países em missões de paz junto à terroristas carentes de consideração e diálogo. Sem a atrapalhação de ter que bater ponto no Palácio do Planalto ela pode montar uma ONG e sair pelo mundo pacificando espíritos com sua conhecida capacidade de convencimento, o admirável dom da palavra e a paciência infinita. Se o eleitor brasileiro tiver juízo, ainda este mês ele pode fazer este imenso bem para o Brasil e o mundo.
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POR José Pires

Cadê o caro amigo do PT?

Uma figura que não apareceu nesta eleição foi o Chico Buarque, o arroz de festa do PT em período eleitoral. O cantor não deu as caras para dar sua "palinha" bem rápida em cerimônias públicas, quando solta umas poucas frases insultuosas e injustas com uma grande parcela de brasileiros situados na oposição a este governo. Desta vez não teve filmagem pastoral dirigidas pelo Duda Mendonça com narração do Chico Buarque, como daquela vez em seu apoio na primeira eleição de Lula, quando grávidas passeavam em grupo pelo campo com aquela graça comovente de toda mulher que está para ter um filho. O artista serviu de locutor para um texto de propaganda política. Depois descobriu-se que muitas das mulheres portavam barrigas falsas de grávida, o que não poder ser relevado como licença poética. Aí já é outra coisa: é o universo fraudulento da propaganda política onde tolamente um artista da elevada categoria do Chico foi se meter.

Na campanha de Dilma em 2010 ele serviu de atração em aparição pública de apoio eleitoral, inclusive provocando na deslumbrada candidata petista aquela fascinação boboca criada pela sua figura de homem bonito, que diminui seu méritos como artista. Mas desta vez Chico deu o bolo na festa petista. Não deu as caras mesmo. Deve estar em Paris, que é onde ele passa ao menos meia dúzia de meses todos os anos. Chico Buarque tem lá um apartamento, onde se refugia nesses períodos para escrever e evidentemente ter a tranquilidade de um país onde as coisas funcionam e não existe o risco permanente de levar um tiro mortal em qualquer esquina, como acontece no Rio de Janeiro.

Esse negócio do Chico ter um apartamento em Paris e lá ficar durante meses serve muito bem como avaliação da sua forma de participação política. É interessante que em vez da França o cantor não tenha um apartamento em Cuba. Para deixar de viver tamanha contradição, ele deveria fazer longas estadias em Havana, onde teoricamente deve existir uma situação mais condizente com sua ideologia, para ele tirar inspiração do cotidiano dos cubanos para seus escritos. De lá, poderia inclusive falar grosso com os americanos, um tom de voz política que ele já confessou que admira. Mas não é em Cuba que o Chico se refugia para ativar sua sensibilidade. É na França capitalista.

O tom em que escrevo é de ironia e não podia ser de outra forma a minha manifestação, por consequência da contradição do Chico Buarque, mas é isso o que eu penso de verdade sobre as posições desse artista, que não junta à sua vida prática o que vem jogar na cara dos brasileiros nas suas falas políticas. Chico semeia ventos no Brasil e depois corre para seu apartamento em Paris. E nós que ficamos aqui nos afogamos com as tempestades. As crianças que estavam para nascer na fraudulenta propaganda do PT na primeira eleição de Lula estão hoje com cerca de 12 anos. Já passaram por uma educação de má qualidade. Alguns deles podem ter tido problemas sérios com atendimento de saúde. Correm os riscos de um país com um cotidiano de insegurança e o perigo das drogas. Toda elas vivem agora num país que está perdendo quase tudo que tinha de bom. A molecada não pode ir com tranquilidade para a escola e nem brincar em segurança na rua. E todas essas crianças tem seu futuro profissional comprometido pela má qualidade administrativa e a roubalheira de um governo para o qual o Chico fez propaganda. Alguém devia contar isso pro cantor quando ele estiver passando pelo Brasil.
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POR José Pires



Usando os Correios como cabo eleitoral

Este ano foi usado bastante aquele termo agressivo da "bala de prata", uma conversa bastante apropriada ao nível rasteiro a que chegou a política brasileira. A tal "bala de prata" é o nome que dão a uma acusação pesada ou denúncia que um adversário pode usar contra o outro. Pois com esse esquema do uso dos Correios entregando propaganda eleitoral da Dilma o PT mostrou que existe também "bala de prata" contra o próprio pé. Se ainda tiver Justiça em nosso país as provas são suficientes para condenar a candidatura à reeleição de Dilma Rousseff. Com a coragem de sempre, o jornalista Reinaldo Azevedo foi o primeiro a dizer na tarde desta quinta-feira que o caso é de cassação da candidatura. E só se for petista que alguém vai discordar dele nisso. Os flagrantes são tão explícitos que se não acontecer nada desta vez, vai parecer que a Justiça Eleitoral está liberando o vale-tudo em campanha. Foram distribuídos 5 milhões de folders de Dilma sem nenhum registro legal e também houve um boicote ao material do PSDB. Os tucanos postaram de forma legal e sumiram nos Correios com toda a correspondência deles.

O site da Veja publicou no início da tarde desta quinta-feira na coluna de Geraldo Samor um vídeo que mostra um carteiro entregando folhetos da candidata petista. Percebe-se perfeitamente a atividade dele feita em horário de serviço e com o uniforme dos Correios. O coitado do trabalhador fica constrangido quando é flagrado praticando o ato ilegal. Na semana passada já havia sido veiculado outro vídeo feito em um Comitê Eleitoral do PT, em Minas Gerais, em que o deputado petista Durval Ângelo discursa, falando com animação ao microfone sobre o uso do estatal. Ele diz o seguinte “Se, hoje, nós temos a capilaridade da campanha do Pimentel [candidato do PT ao governo de Minas] e da Dilma em toda Minas Gerais, isso é graças a essa equipe dos Correios”. Nesta fala ele também dá uma boa pista do segredo do sucesso eleitoral de Dilma entre os mineiros, ficando até à frente de Aécio Neves nas pesquisas. “A Dilma tinha em Minas Gerais, em alguns momentos, menos de 30%. Se hoje nós estamos com 40% em Minas Gerais, tem dedo forte dos petistas dos Correios”, diz o deputado petista.

Todo mundo sabe do uso da máquina pelos petistas, mas nunca havia aparecido a gravação de uma confissão tão aberta sobre isso. Pode até ser que nada aconteça porque não é de hoje que vem havendo um uso escandaloso da máquina pública em eleições e os tribunais eleitorais fazem de conta que não é com eles. Mas aí temos uma forte comprovação de como é que o PT faz para estar sempre à frente dos adversários em eleição para presidente da República. Os Correios estão sob as ordens do ministério das Comunicações, ocupado desde o início do governo por Paulo Bernardo, a quem espera-se que logo a imprensa esteja questionando sobre essas denúncias.

O ministro é do Paraná, estado onde começou a vertiginosa carreira do deputado André Vargas, até sua queda no abismo do descrédito quando o país soube pela imprensa e a Polícia Federal da sua longa amizade e a estranha parceria com um doleiro que está preso. Vargas era a grande aposta do PT, que no Paraná está sob a chefia de Bernardo. Quando surgiu a denúncia, o deputado que acabou sendo obrigado a sair do partido já estava pronto para ser candidato ao Senado. Outra figura muito prestigiada no partido é a mulher do ministro, Gleisi Hoffmann, candidata ao governo do Paraná.

O jogo do PT para ganhar eleição sempre foi pesado. Até montam o quadro eleitoral que facilita a vitória do partido, atraindo com a promessa de cargos e privilégios a maioria das legendas e quebrando a competitividade democrática que uma eleição deveria ter. São usados também os sindicatos e instituições sob o poder do partido. E agora aparecem provas de que muita coisa mais rola nos bastidores para manter o projeto do partido para se perenizar no poder.
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POR José Pires

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