quinta-feira, 30 de abril de 2015

As vozes da experiência e da capacidade

No final da tarde dessa quinta-feira o jornalista Reinaldo Azevedo havia prometido grandes revelações sobre a repressão policial de ontem contra manifestantes em Curitiba, no entanto agora de noite o que foi publicado por ele não traz nada de especial. O texto está disponível em seu blog, no site da revista "Veja", com os vídeos que para ele "deixam claro que a polícia do Paraná reagiu ao ataque de vândalos". É a opinião dele, da qual discordo. Francamente, se a sua tese dispõe apenas disso como base, acho até que ele está pondo em risco sua credibilidade profissional, que até aqui é respeitável.


Tenho bastante divergência com o PT e com o sindicato dos professores estaduais do Paraná, a APP, que é um sindicato manipulador e partidário há bastante tempo. Também é evidente que interessava ao PT a criaçao de uma grande confusão, não só para atingir o governo tucano, mas também para desviar a atenção da opinião pública das sujeiras petistas. No entanto, não vejo em nenhum dos vídeos apresentados comprovação alguma no tom que o blogueiro da “Veja” coloca. São cenas de provocações comuns em manifestações. E para mim são até bem leves, próximo do que já vimos em outras situações. Uma das cenas dá até vergonha alheia do tom grandiloquente de denúncia usado por Azevedo, pois mostra apenas um idiota atirando pedras com um estilingue contra a polícia. Pois é, esta é uma das provas do "crime".


Não tenho dúvida de que tem gente graúda por detrás dessas manifestações, lideranças para as quais interessa criar dificuldades sérias para o governo de Beto Richa, mesmo que isso acarrete violências graves. É aquela velha tática de criar tensão para o adversário. Mas enquanto não aparecerem provas robustas sobre um crime orquestrado eu acho que não dá para apontar grandes conspirações onde só existe o velho jogo da radicalização política. Para um governador que já entrou no ano exibindo suas inabilidades, esse tipo de argumento é ainda mais desmerecedor.


Não é de hoje que a provocação como arma política é usada pelo petistas. Cabe ao governante equilibrado agir com rigor, denunciando, prendendo e até reprimindo com a polícia quando existe risco à segurança pública, mas procurando evitar uma ampliação da violência e sem abrir espaço para a manipulação política desse partido irresponsável que é o PT e do sindicalismo atrelado a um projeto partidário de poder.
Os petistas podem ser lembrados por badernas históricas, que colocaram em perigo a própria democracia brasileira. Uma delas foi a derrubada da cerca do Palácio dos Bandeirantes, em 1983, logo depois da primeira eleição direta para os governos estaduais. O PT era então um partido pequeno e cheio de ardor revolucionário. Tinha todo o interesse em acuar o governador, que era Franco Montoro, eleito pelo PMDB e que depois fundaria o PSDB. O ex-governador morreu em 1999.


A irresponsabilidade petista foi grande. Vivíamos num período político muito complicado. Estávamos ainda na ditadura militar, numa situação em que uma briga interna do regime entre a corrente moderada e a de extrema-direita tornava o clima ainda mais difícil e não dava garantia da abertura democrática, que avançava lentamente. Na capital paulista teve depredações e saques e uma passeata chegou até o Palácio dos Bandeirantes, onde a cerca foi derrubada. Porém, mesmo com esta incitação à violência, Montoro administrou o grave problema com competência, impedindo uma crise política que poderia ter favorecido a direita contrária à redemocratização do país. Naquele palácio de governo havia de fato um líder político.


Seria muito aproveitável para o país que exemplos como o de Montoro tivessem mais influência sobre dirigentes políticos que revelam imaturidade política como o governador Beto Richa — num grau de insensatez surpreendente pelo tanto de cargos que já ocupou. Para se informar mais e aprender com isso existe o recurso da conversa com colegas mais experimentados ou até mesmo do processo usual da leitura e do estudo. O governador paraense nem precisa ir muito longe para aprender um pouco mais. No seu próprio partido ele ainda pode encontrar pessoas que testemunharam histórias reais bem mais difíceis do que essas enfrentadas de forma desastrada por ele.
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POR José Pires


Armando jogadas para o adversário

Em política existe uma máxima que funciona e para a qual é preciso ficar muito atento, que diz o seguinte: espaços vazios tendem a ser ocupados. Não é preciso ser um Maquiavel para saber disso, mas não são poucos os políticos mesmo experientes que costumam descuidar desta regra simples.

Mas tem também aqueles políticos cujo vacilo é ainda mais espantoso. Esses até criam os espaços para seus adversários ocuparem. É assim que funciona o governador Beto Richa, do Paraná. Como ele vinha de uma estupenda vitória ainda no primeiro turno sobre dois importantes grupos políticos de seu estado, a impressão que se tem de seus lances políticos neste segundo mandato é que seu objetivo é o de facilitar a vida dos adversários, criando para eles bons espaços de manobra.

Este serviço de Beto Richa foi perfeito nesse dias, até pela escolha do tema, que foi o de tropas militares do governo batendo em professores. Dizem que é "pecado mortal" bater na própria mãe. Em professor também não pega bem. O Paraná tem um histórico importante na área, coisa de outro tucano que foi governador e também com policiais contra professores e por coincidência beneficiando politicamente os mesmo grupos de agora, chefiados pelo ex-governador Roberto Requião e o ex-ministro Paulo Bernardo. O novo ataque policial, agora comandado por Beto Richa, vem inclusive em boa hora porque eleitoralmente o anterior já estava com o uso esgotado.

O governador do Paraná fez um belo trabalho. É sua melhor obra até agora, não que ele tenha muitas. Mas é que essa ficou perfeita. Em poucos dias ele criou um espaço amplo para os adversários, que permite não só manobras muito práticas como também abre ótimas oportunidades para atividades de profundo simbolismo, em razão do dia escolhido para a impressionante violência do governo estadual. As porretadas nos professores foram dadas bem próximo do Primeiro de Maio, o que é o único elemento que pode desagradar aos adversários, Roberto Requião e Paulo Bernardo. Eles é que gostariam de ter escolhido este período pro Beto Richa bater em trabalhador.
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POR José Pires

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Homenagem à altura

Não faz sentido a indignação pelo fato da Medalha da Inconfidência ter sido concedida em Minas Gerais a João Pedro Stédile, líder do MST. Essas homenagens todas criadas no Brasil não devem ser levadas a sério. Nenhuma delas obedece a um critério de valor que mereça respeito e isso nem é possível de ser feito de forma a agradar ao conjunto da opinião pública. E o motivo é muito simples: a decisão sobre as homenagens é de quem está no poder. E pelo hábito cultural dos brasileiros, os agraciados serão sempre os da patota da vez.

Eu tenho a impressão de que a indignação anda inflacionada no país, pois hoje em dia serve pra qualquer coisa. Vi até levantarem obscuras teorias de conspiração, além de gritos de alerta sobre risco que a medalha pro chefão do MST pode trazer para a nossa democracia. Calma, pessoal. Como diz a moçada: menos, muito menos. Na verdade, o governador petista Fernando Pimentel agiu da mesma maneira que os governadores anteriores de Minas Gerais, estado onde faz tempo que só tinha tucano no governo. Pimentel amedalhou a patota dele, da mesma forma que era feito por Aécio Neves ou Antonio Anastasia, seu vice e colega de partido que o sucedeu.

Querem que eu dê um exemplo que pode calar os revoltosos da internet? Em 2013, o tucano Anastasia homenageou com a Medalha da Inconfidência a então ministra chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, ela mesma, a atual senadora que é acusada de ter recebido R$ 1 milhão do doleiro Alberto Yousseff. Até o cantor Bell Marques já ganhou a Medalha da Inconfidência. Quem é Bell Marques? Aquele que foi vocal do grupo Chiclete com Banana. E foi o então governador Aécio Neves quem amedalhou o artista de trio elétrico. E tirando os sons que ele faz no microfone, nada tenho contra o cantor. Acho até que ele merece uma medalha dessas tanto quanto o Stédile. Assim como penso que a mereceu também o ex-presidente francês Valéry Giscard d'Estaing, outro que já foi homenageado e foi no governo de Aécio Neves. E para quem acha o Stédile um perigo, lembro que Valéry Giscard d'Estaing tinha relações estreitíssimas com os piores ditadores da África.

Mas sou da opinião de que todos eles merecem a Medalha da Inconfidência. Esses e outros tantos que já levaram a medalha no peito, pois todo ano cada governador, seja de que partido for, junta dezenas de homenageados. E é claro que grande parte acaba sendo de figuras tão ruins quanto o Stédile. Nesses anos todos, desde que foi criada por Juscelino Kubitscheck em 1952, ela vem sendo dada a qualquer um, o que fez dela uma homenagem que perdeu o mérito, se é que o teve algum dia. Portanto, deixem o chefão do MST em paz, ao menos por ter recebido essa justa homenagem.
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POR José Pires

quarta-feira, 15 de abril de 2015


Pegadinhas nas vítimas

Tem sempre uma direção ideológica de desmerecimento as pegadinhas que a imprensa costuma fazer em manifestações políticas, com perguntas encaixadas para mostrar o desconhecimento dos participantes sobre a maioria dos temas dos protestos. Quem é de esquerda costuma fazer matéria desse tipo para diminuir o valor de protestos da oposição e o pessoal conservador faz o mesmo em relação à manifestações de esquerda.

Com essas manifestações de rua de agora, blogs governistas e sites a serviço do PT e do governo fizeram seu esforço tentando mostrar uma superficialidade política de quem está contra o governo de Dilma Rousseff. Esse negócio não é coisa de profissional sério, não só porque tem mais a ver com propaganda política do que com jornalismo, mas também pelo aspecto técnico altamente capcioso: é óbvio que a partir de várias entrevistas entre a multidão é muito fácil dar ao material colhido a direção que for do interesse político de quem edita.

Me parece também que deve haver mesmo um desconhecimento da maioria sobre os problemas brasileiros, pelo menos na profundidade exigida para que haja uma base sólida para a indignação que, essa sim, tem a solidez incontestável dos fatos da vida de cada um de nós. A indignação com o que está aí é o traço em comum das manifestações feitas pela esquerda no ano passado e essas de agora, que têm um perfil mais conservador. O ideal inclusive seria que os dois lados se juntassem para derrubar este governo e lançar de vez o PT no lixo da História. Isso deveria ser feito especialmente pelos mais jovens, já que a destruição do futuro feita por estes ladrões e incompetentes não distingue entre a juventude se a vítima tem pensamento progressista ou conservador. Todos vão se danar se essa corja não for tirada do poder.

A indignação é o motor dos protestos e é claro que a maioria das pessoas não tem um conhecimento profundo sobre a nossa realidade política. E se for sobre pauta do Congresso, como costumam ser algumas perguntas dessas matérias com pegadinhas tolas, aí então só quem estiver acompanhando muito de perto é que saberá se posicionar com segurança. E uma das razões dessa inconsistência atual vem exatamente da imprensa, que nas últimas décadas desceu a ladeira de forma impressionante, numa queda de qualidade que vem afetando seriamente a cultura brasileira e o conhecimento político em todas as classes sociais. E além da diminuição brutal da qualidade jornalística, temos também a maçaroca informativa que é a nossa internet, dominada mais pelos materiais pitorescos do que os conteúdos que realmente importam para a vida.

A imprensa é essencial na intermediação do que ocorre na sociedade civil e se fizer esta ponte de forma proativa o país pode crescer bastante na qualidade do pensamento. Com uma imprensa em queda moral e técnica, o que acontece é isso que se vê: jornalistas fazendo piadinhas tolas com uma ignorância coletiva sobre a qual eles mesmos têm uma grande parcela de culpa.
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POR José Pires

Cumplicidade partidária

Os petistas vivem reclamando da imprensa, mas ô partido danado pra dar boas manchetes que é esse PT. Hoje a Polícia Federal prendeu João Vaccari Neto, o que já era previsível levando em conta as denúncias que apareceram contra ele há alguns dias, inclusive com a acusação do recebimento de propina na porta da sede nacional do PT, em São Paulo. O partido do Lula inventou a "Propina-Delivery", como eu já disse aqui. Mas a boa manchete que a imprensa recebeu de graça foi a da prisão do tesoureiro do PT. Se o partido agisse com sensatez, a notícia seria no máximo de um "ex-tesoureiro" petista indo em cana, o que pra eles é até uma normalidade, mas de qualquer forma amenizaria o estrago. No entanto, a teimosia em manter Vaccari no cargo deu um destaque maior ao escândalo, que também atinge com mais força o governo Dilma.

Alguns podem até dizer que a manutenção de Vaccari no cargo seria uma demonstração dos colegas na sua inocência, mas isso é lorota. O PT não pensa duas vezes em chutar quem atrapalha os interesses de sua cúpula, uma deslealdade que aliás é muito comum em Lula. O caminho petista até o poder e mesmo depois dele é coalhado de petistas abandonados na estrada. Alguns até baleados, como foi o caso do ex-prefeito Celso Daniel, mas isso é outra história. E além disso, num caso como o do Vaccari a defesa da instituição partidária vem antes. Mesmo se fosse o mais santo dos homens ele teria de sair do cargo e até poderia voltar depois, caso fosse comprovada sua inocência.

Mas estamos falando em teoria, é claro. E teoria relacionada à gente séria. Nada a ver com políticos que parecem ter mais a ver com o comportamento de máfia do que com as regras de uma democracia. O PT está vivendo uma situação parecida a de um bando mafioso em fim de carreira. Neste caso, o que conta é o código interno da quadrilha e não só aquele de nunca revelar nada à polícia. O partido do Lula está tão a perigo que atualmente tem que fazer a maior média exatamente para que ninguém fale nada, pois o clima é o de salve-se quem puder. Daí a necessidade de ficar até o final com companheiros encrencados, mesmo que a presença seja muito incômoda. Um partido assim tem que acabar do jeito que está: seu tesoureiro agora despacha da prisão.
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POR José Pires

sábado, 4 de abril de 2015

Desvio psicológico


Petista é capaz de inventar qualquer coisa para fugir do enfrentamento sobre o que faz, que é na maioria das vezes o contrário do que prometeu fazer. E isso inclui roubar, é claro, mas tem também os deslizes menores da costumeira chateação inclusive com os amigos. No passado o PT vivia apontando o dedo para todos e afirmando em documentos do partido e nos palanques que resgataria de forma absoluta a ética na política. Pois os brasileiros viram no que deu: nunca na história brasileira um partido aprontou tanto contra a ética. Daí o veio o monte de lorotas que arrumam para desconversar. Agora até nivelam mensaleiro e ladrão da Petrobras com hábitos safados de alguns brasileiros, como furar fila do caixa.

Então, em meio à esta derrocada moral, até ficou triste o sofrimento do engajado que não consegue sair dessa por causa da dificuldade de andar com as próprias pernas e seguir caminhos diferentes daqueles definidos pelos dogmas do partido. É o problema de quem teima em manter sua opção política mesmo depois de se ver cercado de ladrões dos cofres públicos. Existe a dificuldade de mandar os companheiros para aquele lugar e ir por outro caminho, andando com as próprias pernas à procura de caminhos diferentes da cartilha do partido. Aí o sujeito tem que acreditar até em vídeo da internet com o Lula dizendo que está indignado com a corrupção. Mas agora não está fácil de passar isso para adiante. Daí o militante perde o eixo.

Um remédio para este governista desenxabido seria deitar num divã para reordenar a cabeça ou até mesmo buscar a cura com terapias alternativas, conforme a filosofia de cada um. Mas ao invés do divã, eles seguem na divagação. Usam ainda a mesma receita que os deixou abilolados, catando temas que possam resgatar não só a autoestima como também aquela atratividade pessoal de outrora, quando os amigos (ou plateias maiores, para alguns) estavam sempre prontos a ouvir seus leros sobre a transformação da política brasileira, a proteção do Estado aos mais pobres e (ai, ai, ai...) o resgate da ética.

Coitado do militante, ninguém mais leva suas lorotas a sério hoje em dia, nem em papo de bar ou no churrasco do fim de semana. Aí então esses desacorçoados apoiadores do partido do Lula ficam buscando qualquer assunto para permitir algum suporte às suas desmanteladas estruturas internas e é claro que acabam achando. Se agarram na súbita preocupação com o problema da água (mas só em São Paulo) ou em qualquer outra questão que permita um discurso que, no final, é apenas um autoconsolo patético. Eles nem percebem que a máquina paraestatal de comunicação e propaganda perdeu o efeito. A atenção das pessoas agora não é com o que eles estão falando. É apenas aquele sentimento antigo que é mesmo difícil para um militante identificar porque não faz parte dos dogmas do partido: a compaixão.
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POR José Pires

Erro de crime

Quem é vivo sempre aparece, os vivaldinos idem. O mensaleiro João Paulo Cunha foi entrevistado pelo jornal "O Estado de S.Paulo", sem dar explicação alguma pelas maracutaias que levaram à sua prisão, mas com uma frase marqueteira. "O PT será sempre condenado, por ter cachorro e por não ter cachorro", ele disse.

O ex-deputado está enganado. Não é por ter ou não o cachorro que os brasileiros condenam seu partido. O PT está sendo condenado por roubar o cachorro.
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POR José Pires

Inovando a corrupção

O PT costuma tentar escapar de sua responsabilidade sobre a corrupção no Brasil com aquela justificativa safada de que todos os partidos fazem a mesma coisa, mas a verdade é que o papel do partido do Lula na maracutaia nativa é de destaque não só pelo volume de dinheiro nunca visto em roubalheiras da nossa história como também na sistematização igualmente inédita da corrupção, como era o mensalão, criado para submeter o Congresso Brasileiro ao projeto de poder do partido. O esquema foi desmontado pela Justiça e agora reapareceu com objetivos semelhantes neste saque à Petrobras. É claro que o negócio é meter dinheiro público no bolso, porém sem nunca esquecer a sustentação financeira e política do projeto de poder do partido

O partido sistematizou de tal forma a corrupção que o mensalão era dividido em núcleos — político, financeiro e publicitário — que operavam em conjunto na coleta do dinheiro, na sua operacionalização e no suborno de parlamentares. Não foi o PT que criou a corrupção e ninguém vem acusando disso o partido, mas nunca antes na história deste país um partido havia estabelecido tal sintonia para o roubo aos cofres públicos. Na roubalheira na Petrobras vê-se o mesmo capricho organizacional. A corrupção tinha até tabela, em que evidentemente o partido de Lula ficava com a parte do leão. Ou melhor, dos ratos mais graúdos.

Os petistas dão o máximo nas maracutaias. Se esse pessoal usasse para governar o empenho aplicado em roubar é provável até que fizessem um governo de muitas realizações. E a gente está sempre se surpreendendo com as inovações dos companheiros. Nesta semana apareceu mais uma em um depoimento do doleiro Alberto Yousseff à Justiça Federal. Ele disse que as propinas costumavam ser depositadas no exterior, mas que já havia mandado entregar uma grande soma de dinheiro na porta do prédio do Diretório Nacional do PT, em São Paulo. Eu não disse que eles dão tudo de si para aprimorar a corrupção? Pois inventaram a propina-delivery.
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POR José Pires

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Apontando o verdadeiro culpado

Quando é que o governo do PT vai apelar ao FMI ou a qualquer outro organismo internacional? Já deve ter algum cabeçudo governista pronto para me acusar de exagerado, mas é só dar uma olhada primeiro para o imenso rombo na nossa economia e depois outra olhada para a falta de ação da presidente Dilma Rousseff para temer o velho espetáculo do governo brasileiro passando o chapéu pelo mundo. No caso petista é provável que para dar um efeito de marketing estendam boina vermelha com estrela, mas o resultado será o mesmo: oBrasil na lona e humilhado internacionalmente, com aquela velha fama de que não sabemos cuidar de nós.

É evidente que Dilma não sabe o que fazer e sua paralisia só está surpreendendo quem não prestava atenção com seriedade a este ciclo desastroso de mandatos, desde o primeiro governo de Lula, que é o autor intelectual desta crise, além de ter tocado durante seus dois governos a instalação desta era de corrupção e incompetência. Para dar uma solução mais completa ao que vem acontecendo é necessário focar no PT como causa da falência moral e econômica que põe em risco o país.

É preciso tomar cuidado para não colar o desastre brasileiro demais em Dilma. O que o PT mais quer é que botem a culpa nela, pois daí o partido não só pode se safar de responsabilidades como também terá a chance de uma sobrevida política, inclusive posando de vítima. E essa culpabilização em excesso de Dilma vem acontecendo, até mesmo nas manifestações de rua. O conceito de “impeachment de Dilma” tem até mais este problema político. Concentra na presidente da República a indignação popular sobre os graves problema brasileiros. Isso pode dar a impressão de que antes dela o PT vinha acertando. Então, aquela que sempre foi uma simples marionete num projeto de poder levará a culpa das desgraças que vieram do projeto desastroso de um partido corrupto e tão incompetente que não soube fazer e nem sabe roubar.
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POR José Pires

Disse que não disse

Sei que o governo do PT já tem ministérios demais, o que não é culpa exclusiva da presidente Dilma Rousseff. Isso vem do projeto de um partido que tem no fatiamento do Estado uma forma de se perenizar no poder manipulando a gulodice dos políticos por cargos e benefícios pessoais. Dilma já está com 39 ministros, mas devia criar mais uma pasta: o ministério da tradução do que realmente sua equipe quer dizer e do significado do que eles fazem. E como para o PT não existe mesmo esta divisão republicana entre Estado e partidos, o novo ministro poderia ajudar os brasileiros a entender inclusive o que dizem os líderes do PT.

Essa confusão entre o que é dito e seu real significado não é de hoje, mesmo que vários jornalistas e articulistas escrevam como se estivessem contagiados pela retórica petista, avaliando o governo Dilma como se este existisse isolado do projeto petista. Já com Lula presidente este ministro explicador teria bastante trabalho. Com a própria Dilma aconteceram vários episódios ainda em seu primeiro mandato, quando uma liderança do governo dizia algo muito claro e logo aparecia um porta-voz governista ou mesmo a Dilma explicando que não era bem aquilo que havia sido dito.

É um governo bizarro. A gente ouve uma coisa e eles dizem que foi outra. Ainda no começo do mandato anterior de Dilma ficou famoso o episódio em que o então ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse que "os idiotas perderam a modéstia". Foi um pouco antes de sua demissão do cargo e é claro que ele se referia aos colegas petistas, restando como única dúvida se havia a inclusão da própria presidente da República no rol de idiotas imodestos. E modesta ela também nunca foi. A coisa é antiga, mas é verdade que ultimamente aumentou bastante o número de frases e atos que o governo do PT diz que não entendemos bem. Um dos últimos foi do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, numa colocação feita em palestra na Universidade de Chicago, quando ele disse o seguinte: "Acho que há um desejo genuíno da presidente de acertar as coisas, às vezes, não da maneira mais fácil, mas... Não da maneira mais efetiva, mas há um desejo genuíno".

Pois querem saber o que entendi na primeira vez que eu li essa espantosa declaração? Eu entendi que o ministro da Fazenda quis dizer que Dilma tem um desejo genuíno de acertar, mas não tem a capacidade de efetivar o que quer. É muito simples. E isso que ele disse na palestra em Harvard os brasileiros sentem no cotidiano, sem falar nos “desejos genuínos” dela que felizmente não são colocados em prática, como naquela vez que ela propôs ao mundo o diálogo com os terroristas cortadores de cabeça do Estado Islâmico.
Mas, voltando às palavras do ministro Levy, até agora o governo vem tentando nos convencer de que ele não disse aquilo que ele disse. E é desse jeito com muitas outras falas, até mesmo de gente do governo que é pega em maracutaias e diz coisas que não são bem aquilo que disseram, entenderam? Bem, sei que tantos ministérios já pesam demais no bolso dos brasileiros, mas podiam fazer só mais um para explicar afinal o que esse pessoal anda dizendo.
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POR José Pires

quarta-feira, 25 de março de 2015

Da defesa do mensalão aos direitos humanos

A militância deve estar satisfeita com o novo presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. É o deputado Paulo Pimenta, do PT. Sua eleição foi há cerca de duas semanas, mas pouco se falou disso, pois até as minorias andam ocupadas com a magnitude da corrupção na Petrobras e a crise econômica, que hoje em dia tomam o noticiário. No entanto, Pimenta está com uma pauta que é do acordo daquele pessoal que andava bravo com o deputado Feliciano, que antes ocupava o mesmo cargo. Vejam o que disse o deputado Pimenta em entrevista ao site da Carta Capital: “Vou trabalhar pela descriminalização da maconha e do aborto, pela criminalização da homofobia, pela reforma da segurança pública, em defesa das terras indígenas e dos direitos das crianças e adolescentes”.

Está aí uma declaração de emocionar militância, mesmo que não seja gay e puxe ou não um fuminho. Que senso de humanidade o deste político e quanta consideração pelos outros, não é mesmo? Político retíssimo e democrata de reputação ilibada. Bem, ele pode ser isso para quem não tem boa memória e conhece pouco o que esses lideres petistas andaram fazendo.

O deputado Pimenta é aquele que teve que renunciar ao cargo de vice-presidente da CPI do mensalão, em agosto de 2005. Naquela ocasião, ainda no início do escândalo do mensalão, os petistas já procuravam confundir a opinião pública criando falsas denúncias envolvendo também políticos adversários, principalmente do PSDB. O esquema de compra de apoio político no Congresso tinha sido revelado em junho de 2005, na famosa entrevista do então deputado petebista Roberto Jefferson ao jornal "Folha de S. Paulo".

Num esforço para emplacar aquela técnica petista de se safar com a desculpa de que "todos fazem a mesma coisa", o deputado Pimenta teve um encontro reservado com o empresário Marcos Valério durante a madrugada na garagem do Senado. Isso foi depois de uma sessão da "CPI do mensalão", que teve naquele dia o próprio Marcos Valério como depoente. O encontro na garagem era para obter uma lista de políticos beneficiados por recursos, claro que com nomes da oposição. E lá estava o petista pegando a tal lista com o empresário que era o chefe do esquema publicitário do mensalão, que foi uma das conspirações mais perigosas contra a democracia brasileira. Acontece que Pimenta teve o azar de ser visto entrando no carro do empresário. Então ele teve que renunciar à vice-presidência da CPI. Na época disseram que o petista iria ser levado a um julgamento por falta de ética, mas nada aconteceu.

Marcos Valério todo mundo sabe que está preso. E o deputado Pimenta está aí, posando de político de espírito libertário. Eu sei que a militância governista tem não só indignação seletiva como também empatias seletivas. Já devem estar gostando do Pimenta, que traz uma pauta e tanto. Mas comigo não tem disso. Eu não gostava nada do deputado Feliciano, mas tampouco o deputado Pimenta me representa.
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POR José Pires

Limpeza partidária

A Operação Lava Jato deve fazer uma limpa no sistema partidário brasileiro. A eleição do anos que vem já vai causar uma grande quebradeira em bons colhedores de votos, como o PMBD e o PP, que sempre aparecem junto com o PT nos grandes escândalos de corrupção. Mesmo para essas notórias siglas de gatunos a rapinagem na Petrobras foi exagerada. Como é que os candidatos a prefeito e vereador desses partidos vão se apresentar em suas cidades? Eu acho até que os dirigentes do PP podem optar pela extinção da sigla. A corja que comanda este partido pode muito bem se alojar em outras siglas, tão indecentes quanto o PP, mas ainda com imagens menos sujas.

Mas além dessa limpeza pelas urnas, o Ministério Público Federal está com uma boa ideia, que é a de apresentar denúncia à Justiça contra a figura jurídica das legendas pelos crimes na Petrobras. Até agora só os figurões dos partidos é que eram denunciados. Dessa forma nova, os partidos teriam de devolver o dinheiro embolsado, que só no caso do PT pode chegar a pelo menos 200 milhões de dólares.

A tese jurídica não tem aceitação plena no meio jurídico, embora existam procuradores que entendem que o partido pode ser responsabilizado e obrigado a devolver os recursos e estão lutando para que isso ocorra. Especialistas em legislação eleitoral também acreditam que um partido pode ser extinto se for comprovada lavagem de dinheiro com doações de campanha. É o crime que pode atingir o PT, agora que apareceu seu tesoureiro João Vaccari Neto como um grande recebedor de propina.

O caminho até a punição dos partidos não parece fácil, mas podia ser um bom instrumento de limpeza da política brasileira. Pensem na quantidade de porcarias das quais teríamos nos livrado se já existisse uma lei clara que obrigasse os próprios partidos a devolver dinheiro roubado. Está aí uma boa exigência para colocar na pauta de melhorias da política brasileira.
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POR José Pires

Maracutaias em campo

Não foi por falta de aviso, mas os brasileiros podem se preparar para pagar mais uma conta pesada na área esportiva. Já tivemos o custo da Copa do Mundo e vem aí o das Olimpíadas. Preparem-se, sempre levando em conta que no Brasil paga-se não só pelo que realmente é feito — tudo sempre muito caro — como também se paga o por fora. Os dois eventos são de origem eleitoreira das mais baixas, maquinação vinda evidentemente da cabeça do ex-presidente Lula, onde o diabo encontrou oficina bastante operosa. Com a proposta de trazer as duas competições para o Brasil, o chefão petista criou um jeito muito prático de reforçar a sustentação do projeto de poder do PT. Pegou um esporte altamente popular em nosso país para colar à imagem de seu partido e da candidatura de sua sucessora, abrindo espaço para uma ativada na economia metendo dinheiro público na jogada e a partir desses investimentos aproveitou para amaciar ainda mais as relações com empresários amigos deste projeto de poder, especialmente os magnatas das empreiteiras.

O truque sujo de ligar eleição com futebol só não deu certo porque faltou combinar não com os russos, como dizia o jogador Garrincha, mas com os alemães, que meteram um sete a um na Seleção Brasileira que acabou com o plano de Lula, que previa até a entrega da taça em um dia com o mesmo número de seu partido. Eles pensavam que iria dar o 13, se lixando para o azar que isso já deu pro Brasil. Mas a corrupção foi muito bem, obrigado. E só não tem aparecido mais malfeitos na Copa porque o volume de roubo na Petrobras ocupa a atenção exclusiva de todos, incluindo o Ministério Público e a imprensa.

Porém, em países menos contaminados com roubalheiras a nossa Copa do Mundo pode render resultado no campo da Justiça. Na Alemanha, a empresa de engenharia e serviços Bilfinger SE faz uma investigação interna sobre denúncias de corrupção de uma das suas subsidiárias na Copa do Mundo realizada no Brasil. A empresa alemã foi contratada para equipar centros de controle de segurança em 12 cidades-sede, em negócios que envolvem 21,2 milhões de reais recebidos do governo brasileiro. O caso veio a público em reportagem do jornal alemão "Bild am Sonntag". O resultado da investigação da Bilfinger SE será encerrado nas próximas semanas.

O ministério da Justiça (o nosso aqui e não o alemão) informou que foram tomadas no domingo (sic) providências para analisar o caso. É claro que essa suposta (aqui vale o chavão) medida foi anunciada depois do ministério ter sido procurado pela imprensa. Mas em relação à Justiça, o que dá para esperar de sério só pode vir da Alemanha, de onde é muito provável que venha mais lama sobre o governo do PT e políticos brasileiros. Ainda não apareceu o nome de nenhum recebedor de propina, mas segundo a denúncia do jornal alemão, além de funcionários públicos, políticos também meteram a mão na grana. E é claro que a Fifa também está no rolo, assim como é óbvio que responsáveis pela entidade juram inocência. No entanto, a nota divulgada por eles indica que a denúncia é séria. Segundo a Fifa, os serviços sob suspeita “são claramente responsabilidades das autoridades locais”. Eles conhecem muito bem seus parceiros.
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POR José Pires

quarta-feira, 18 de março de 2015

Demissão na pátria educadora


A "pátria educadora" de Dilma Rousseff já havia começado mal com a nomeação como ministro da Educação do ex-governador do Ceará, Cid Gomes. Já era uma piada pronta porque Gomes é conhecido pela má educação. Ele e o irmão, Ciro Gomes, são famosos pelos quiproquós que arrumam. Tem até vídeos na internet que mostram as encrencas que eles arrumam. De início, a escolha deste slogan para o novo mandato de Dilma já era de uma infelicidade sem tamanho, mas não há nada que um petista não consiga piorar. Então colocaram Cid Gomes na Educação.

O ex-governador acaba de entrar para a história como um fenômeno político difícil de ser suplantado. É com certeza o ministro de menor duração no cargo neste período petista e também um dos mais rapidinhos de toda a nossa história. Não durou três meses. Foi demitido agora há pouco pela presidente Dilma Rousseff, depois de bater boca com deputados na Câmara. E ele estava lá atendendo à convocação oficial para explicar a frase de que “a Câmara tem 300 a 400 achacadores”. Pois é, seu comparecimento era para botar panos quentes na polêmica e ocorreu o contrário. Brigou feio com os parlamentares. Ele chegou a dar de dedo no presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), dizendo que prefere ser acusado de "mal educado"do que ser acusado de achacar empresas, o que, de fato, é mesmo a atual condição de Cunha, envolvido no escândalo da Petrobras.

A bem da verdade, nesta conversa de "deputados achacadores", a maioria dos brasileiros teria discordância com o efêmero ministro apenas na questão dos números, uns achando que é mais do que ele falou e outros com a opinião de que é um pouco menos (talvez 285 ou 286 achacadores). Mas o caso é que um governo de ouvidos zunindo de tanto panelaço não pode de forma alguma sustentar ministro levando sua panela para bater na Câmara. Então Dilma foi obrigada a demiti-lo, o que é também inédito neste país em que presidente da República nunca demite ministro. Eles sempre se demitem, mesmo quando é muito óbvio o pé na bunda. Desta forma, Cid Gomes também nisso coloca seu nome na história. É o primeirão a ser demitido. Valeu a passagem pra lá de fugaz na Educação do governo da "pátria educadora".
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POR José Pires

Milionário necessitado


A militância petista não vai fazer passeata contra o José Dirceu? Como no Brasil ultimamente qualquer assunto tem servido de motivo para sair às ruas, esse pessoal está no direito de protestar, depois da notícia de que o ex-ministro de Lula faturou 29,2 milhões de reais com prestação de serviços de consultoria, depois de deixar o governo e de ter o mandato cassado por falta de decoro pela Câmara Federal. De 2006 a 2013, Dirceu foi talvez o consultor mais bem pago do país (tem que conferir os ganhos de outros "consultores" petistas). E mesmo em cana ela não descuidava dos negócios. Em 2013, ano que foi condenado pelo STF e preso na penitenciária da Papuda, em Brasília, a empresa do mensaleiro faturou mais de 4 milhões de reais.

Mas por que é que a militância sairia às ruas para protestar contra o companheiro milionário? É que esse pessoal andou doando dinheiro ao Dirceu, para que ele pagasse a multa aplicada pela Justiça como castigo por seus crimes de corrupção. Na época em que montaram esta farsa, tentando vitimizar o corrupto condenado, fizeram até campanhas na internet. Montaram até um site para os solidários doarem. A campanha teve um grande sucesso financeiro, até superando a multa, que era de R$ 971.128,92. Foram arrecadados R$ 1.083.694,38. E como eu já disse, seu faturamento foi alto inclusive no ano em que e petistas tiravam dinheiro do bolso para a vaquinha mensaleira.

A militância esquerdista tem todo o direito de extravasar sua indignação nas ruas, exigindo reparação ao companheiro ricaço. Ou podiam ao menos fazer um panelaço de protesto por terem caído no conto do vigário de José Dirceu. Ou melhor, conto do mensaleiro.
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POR José Pires

segunda-feira, 16 de março de 2015

Cada qual com sua cor

Um ótimo efeito da manifestação deste domingo foi o do resgate cívico das cores do Brasil. O governo do PT fez questão de marcar sua imagem com a cor vermelha, principalmente nos últimos tempos, no que pareceu uma animação com a onda bolivarianista que teve origem no regime chavista da Venezuela. Na eleição anterior de Dilma, quando Hugo Chávez ainda estava vivo e seu governo ainda não demonstrava os sinais da falência posterior, os petistas chegaram até a fazer questão de vestir camisas vermelhas em eventos públicos e até mesmo na campanha eleitoral de televisão. O marketing petista copiava dessa forma a encenação que Chávez vinha fazendo na terra dele, quando todos usavam a cor vermelha nas grandes manifestações públicas governistas de apoio ao regime.

Nesta eleição de 2014 com certeza os petistas foram alertados pelo marqueteiro, porque o vermelho já não teve o destaque de antes. Mas já era tarde. O governo do PT já estava caracterizado definitivamente pelo uso da cor do partido. Eles próprios criaram uma relação que no final acabou sendo prejudicial como marca política. E agora o uso maciço do verde-amarelo que ocorreu nas manifestações em todo o país criou uma contraposição que descolou ainda mais o governo do PT das cores pátrias. O verde-amarelo passa de agora em diante a ser o tom do brasileiro que discorda, dos que são contra este governo marcado pela incompetência e a corrupção. Eu até gosto da cor vermelha, mas o estigma que tanta safadeza criou sobre esta cor ainda há de durar muito na história brasileira.

Esta relação de cores com a corrupção já havia acontecido antes, na nossa história recente, quando o então presidente Fernando Collor fez a besteira de pedir que as pessoas saíssem às ruas vestindo verde-amarelo no dia marcado para a manifestação contra seu governo. Foi a deixa para que multidões vestindo preto tomassem as ruas pedindo a sua cabeça, que enfim caiu. Desta vez foi o inverso. Mesmo que o governo do PT não tenha convocado, sindicalistas pelegos e o MST tentaram encher de vermelho as ruas brasileiras no dia 13, mas acabaram fazendo manifestações de gatos-pingados. Foi então que o protesto deste domingo trouxe as cores da bandeira brasileira, num atendimento praticamente espontâneo das pessoas às convocações na redes sociais. Gostei bastante de ver o verde-amarelo tomando as ruas brasileiras, desta vez em ação contrária à corrupção. Os brasileiros vão precisar bastante dessa ligação simbólica nesta luta para levantar esta nossa pobre pátria enxovalhada pelo bandos de vermelho.
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POR José Pires

O PT perdendo sua própria guerra

O PT e sua máquina de comunicação suja tentam fazer das manifestações contra a presidente Dilma Rousseff uma guerra de números, o que demonstra que essa guerra eles já perderam. Aliás, especialmente em São Paulo o sucesso do protesto se deve em parte ao serviço feito por blogs sujos e uma militância muito chata que azucrina a todos nas redes sociais e atacam ainda mais os paulistas das formas mais idiotas. Desta vez tomaram. O Brasil viveu neste domingo um acontecimento que marca a nossa democracia. De forma honrosa e muito equilibrada uma parcela importante dos brasileiros disse não ao PT. Dilma pode até não sofrer o impeachment, mas se ficar até o fim (ela tem também a renúncia como opção) conduzirá sem autoridade alguma um governo que já começou acabado.

A discussão sobre números de manifestantes não importa. Até porque os que foram para as ruas levaram o respeito e a admiração dos que ficaram em casa. Poucas vezes o Brasil teve um dia de protesto com tamanha atenção de todos os brasileiros. Também pudera. Desta vez não teve ninguém que não tivesse um conhecido nas ruas. Seja o filho, a nora, o tio, o vizinho, o colega de trabalho, a sogra e até avós, alguém chegado estava numa manifestação, nas mais variadas cidades.

Os protestos são ainda mais importantes por esta diversidade da multidão, com alta participação de famílias na condenação pública ao governo do PT. Haja "varanda gourmet", companheiros. Na minha visão, pode ser especialmente esta ida de famílias inteiras às ruas, inclusive com os adolescentes e as crianças, que dá o tom de esperança para desentortar o mau caminho em que este governo corrupto meteu o país.

A guerra de números pretendida pelos petistas mostra a falta de capacidade de reação política do governo e da sua militância. Já se vê o grotesco mais do mesmo. Eles já estão nas redes sociais com suas conversas bestas. Nem é preciso de Data Folha para ver que são em cada vez menor número, mas é claro que os mais chatos é que persistem. As manifestações em todo o país soaram com um desabafo inclusive contra a chateação dessa turba de doidos.

Mas quem tem sensatez e não sofre de sentimento de culpa de estar ao lado de gatunos de dinheiro público não está nem aí para a polêmica estatística que surgiu em São Paulo com a divergência entre os números do instituto Data Folha e a Polícia Militar — respectivamente, 210 mil e 1 milhão. A Folha arrogou para si uma autoridade científica que ela não tem. Nem é preciso cotejar com os números da PM a opinião do instituto. Em estimativa sobre a Parada Gay de 2012, ocorrida no mesmo lugar da manifestação de ontem, o Data Folha estimou em 270 mil os participantes. E a comparação de imagens mostra que havia mais gente na manifestação contra Dilma. Por aí se vê que só nisso o instituto já fica devendo ao menos 60 mil ao protesto de domingo.

Mas esta polêmica traz também um dado curioso e revelador sobre a força que o sentimento sobre as coisas exerce no julgamento do valor dessas mesmas coisas. Já falei da transformação surpreendente de jornalistas e articulistas conservadores que até há pouco nem queriam ouvir falar em manifestações populares e de repente tornaram-se entusiastas da força do povo nas ruas. Encanto pelas massas não tem nada a ver com filosofia conservadora, mas não seria o conservadorismo que ficaria de fora da avacalhação costumeira que acontece no Brasil no terreno das ideias. Outra coisa muito curiosa deste domingo foi que pela primeira vez manifestantes não ficam bravos com as estimativas feitas pela PM sobre a quantidade de gente. Nunca vi algo assim. A calculadora da polícia nunca bateu com a de manifestantes. Mas agora todo mundo gostou do 1 milhão definido pela polícia paulista e ninguém reclamou também das estimativas da PM em outros estados. Outro fato marcante da manifestação foi o admirável equilíbrio das massas em todo o país. É uma nova lição de como sair às ruas para exercer um direito sem atropelar os direitos alheios.
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POR José Pires

Conservadorismo de massas


Os brasileiros vão acabar avacalhando o conservadorismo. Passei toda a minha vida adulta vendo os conservadores horrorizados com manifestações de massa, que até os anos 80 era uma atitude quase que exclusiva da esquerda, principalmente em países de língua espanhola desta nossa América Latina. Na Argentina era a beligerante militância de lá, muitos deles peronistas, que fazia as manifestações mais ruidosas e eram capazes de atrair multidões com suas palavras de ordem. Por sinal, foi de lá que vieram os "panelaços", essa forma de protestar batendo em panelas. No Brasil foi sempre também a esquerda que tomava a iniciativa de ir para as ruas. São antológicas as espinafrações feitas pelo grande Nelson Rodrigues às passeatas que havia em seu tempo. E notem que os protestos eram contra a ditadura militar, o que não impede de eu achar geniais até hoje o sarro que ele tirava.


Esta preferência da esquerda em tomar as ruas é com certeza uma razão prática do conservadorismo em nosso país não gostar de protesto, mas a aversão tem raízes intelectuais mais fortes. Ótimos textos filosóficos já foram escritos sobre o risco das multidões para a liberdade do indivíduo e da facilidade de manipulação do sentimento coletivo por ideologias autoritárias e pelo totalitarismo, seja à esquerda ou à direita. Os conservadores desconfiam sempre de muita gente na rua gritando lemas superficiais e esse é um dos poucos pontos em que dou razão a um conservador.


Não havia novidade quanto à isso dentre os conservadores brasileiros, tanto é que da parte deles sempre houve uma severa condenação das manifestações anteriores, bem lá atrás quando parecia que a ida do povo para as ruas podia beneficiar o PT. Acompanhei bem este assunto na época, divergindo inclusive de vários deles que condenavam em absoluto qualquer manifestação, quando eu penso que este direito é que é absoluto, mesmo que eu discorde totalmente da motivação do protesto.


Ocorre que esta manifestação do dia 15 de março parece ter dado uma virada na cabeça dos nossos conservadores. Eles estão animadíssimos com a ideia do povo saindo às ruas para pedir o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Algo mudou e não foi a Dilma, que merece mesmo ser tirada do poder, nem que seja só pela estupidez pessoal, mas isto é outra história. Duas das figuras de proa do conservadorismo na internet — o Reinaldo Azevedo e Olavo de Carvalho — estão vendo com grande entusiasmo o evento e ambos têm procurado estimular o movimento de rua. Olavo de Carvalho chegou a escrever que vê nos protestos uma “revolução social”, um exagero e até muito estranho vindo dele, que lembra sempre que desistiu do comunismo depois de ler Ortega y Gasset. Ele levaria com certeza um puxão de orelhas do filósofo espanhol. Já o Reinaldo Azevedo deixou de recriminar qualquer saída às ruas, como fazia diante das manifestações anteriores. Agora é do bem protestar na multidão.


Na minha visão, escrever o que vier na telha é um direito impreterível de qualquer um, mas também penso que é preciso ter respeito à razão e à lógica, principalmente num assunto desses e ainda mais quando a posição anterior dos conservadores era contrária à manifestações populares. Coerência intelectual e política é algo muito bom. Eu falei que o Ortega y Gasset não iria gostar disso. E citei também o Nelson Rodrigues, de quem esse pessoal gosta tanto. Pois sorte dele de não estar aí para ver isso. Estão avacalhando o conservadorismo, Nelson.
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POR José Pires