quarta-feira, 27 de maio de 2015

Justiça d'além fronteiras

A prisão do cartola brasileiro José Maria Marin, na Suiça, mostra que punição para corrupto brasileiro é coisa de estrangeiro. Só acontece se o patife nacional faz das suas em países onde existe lei, como nos Estados Unidos e na Europa. Um exemplo disso é a situação do notório Paulo Maluf, que faz das suas no Brasil e por aqui as suas safadezas ficam por isso mesmo. Os processos contra ele rolam lentamente na leseira dos trâmites jurídicos brasileiros e passa tanto tempo que ele até acaba absolvido pela idade. A lei aqui tem inclusive essa facilitação. Corrupto se safa da punição com o avançar da idade.

Maluf, por sinal, teve Marin como vice-governador nos anos 70, quando ambos foram nomeados para o governo de São Paulo pela ditadura militar. Desde aquela época que Maluf está na boa por aqui, mas não pode viajar para o exterior senão será preso. A Interpol tem um mandato contra ele, então acabaram-se as viagens para Miami e outros paraísos, inclusive os fiscais. Visitas à Suiça, então, nem pensar. E a encrenca dele é exatamente com os Estados Unidos, onde já esteve até preso. Marin devia ter aprendido com seu antigo mentor a ficar quietinho aprontando apenas no Brasil, mas foi fazer das suas em lugares sérios e deu no que deu.  As penas nos Estados Unidos para os crimes que levaram à sua prisão podem chegar a 20 anos de cadeia.

Essa justiça que se faz no exterior contra corrupto verde-amarelo pode trazer outras boas notícias sobre um evento esportivo muito suspeito que tivemos por aqui recentemente. O Departamento de Justiça americano informou que a Copa do Mundo de 2014 também está sob investigação. A gente lembra muito bem a maquinação política que foi feita por Lula, ainda como presidente da República, para trazer esta Copa para o Brasil. O evento foi parte de um esquema pesado para desviar a atenção da opinião pública dos problemas administrativos e a corrupção, que já estavam bastante embalados em seu governo. A Copa foi também uma peça de propaganda importante na eleição de Dilma Rousseff. A maquinação foi tão safada que marcaram a entrega da taça num dia 13, o número do PT. O problema foi aquele triste 7 a 1 tomado da Alemanha, que comprovou a conhecida fama de pé-frio do Lula.

E agora a torcida brasileira pode enfim ver esclarecidas as suspeitas que ficaram daquela Copa do Mundo. Com os americanos na investigação, com certeza o resultado não será como aqui, onde temos uma Justiça tão cega que não consegue ver nem elefantes brancos superfaturados.
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POR José Pires


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Imagem- Lula com seu amigo Marin, festejando a vinda da Copa do Mundo para o Brasil. Repare no número da camisa da Seleção Brasileira que os dois seguram. Parece que o Marin não teve muita sorte com isso.

terça-feira, 26 de maio de 2015

Radicalizando

Já no início da revolução comunista na Rússia, seu líder Vladmir Lenin identificou um tipo de ação política que ele viu como um perigo para a estratégia internacional do comunismo e sobre isso escreveu um de seus livros mais conhecidos, ao qual deu um nome que tornou-se a denominação dessa atitude que ele condenava como um grave desvio ideológico: "Esquerdismo, doença infantil do comunismo". Esse problema vinha dos setores mais radicais do movimento comunista internacional, que logo passaram a ser vistos em todo o mundo dessa forma negativa, como Lenin queria. Com o tempo, o termo "doença infantil do comunismo" virou um chavão na condenação de quem saia da linha do partido.

A "doença" foi até pretexto para expurgos e execuções, tanto em países de regimes comunistas, como também entre a esquerda de lugares onde o comunismo nunca vingou. Porém, não é só o comunismo que sofre com uma doença infantil que atrapalha estratégias e até acaba favorecendo o adversário. No conservadorismo também tem disso, como já deu pra notar nos movimentos de massa que foram às ruas pedindo o impeachment da presidente Dilma Rousseff. O governo do PT deve agradecimento ao que foi feito por uma parcela dessa militância conservadora que tem uma complicação parecida com aquela diagnosticada por Lenin, só que neste caso com sintomas à direita. Dá pra chamar o problema de "Direitismo, doença infantil do conservadorismo". Quando dá febre no doente, ele até grita pela volta do regime militar.

Essa doença vem se manifestando de forma agressiva no Movimento Brasil Livre, que está fazendo uma marcha pelo impeachment até Brasília, com a chegada prevista para esta quarta-feira. Até agora não entendi o sentido dessa caminhada. Um pouco mais de uma dezena de jovens estão andando pelo acostamento de rodovias, sem sequer uma pauta política consistente que tenha relação com as cidades que estão pelo caminho. Na página de Facebook do grupo não se viu nenhum post que trouxesse boas informações sobre o que eles estão fazendo e também no site deles nada apareceu de qualidade sobre essa longa passeata. O que surgiu nos últimos dias foram ataques pesados ao senador Aécio Neves, depois que o PSDB resolveu optar por uma ação penal contra Dilma em vez do pedido de impeachment.

A resolução desagradou ao Movimento Brasil Livre, que partiu para o ataque ao candidato tucano que disputou o segundo turno com a candidata do PT. De tão pesados, os ataques chegam a lembrar os dos petistas, quando a militância governista apelava até para acusações de uso de cocaína. É interessante, porque os jovens conservadores que seguem agora contrariados para Brasília estão fazendo à direita a mesma coisa que Lenin condenava em alguns camaradas do seu lado. Com esse tipo de ataque, o Movimento Brasil Livre mostra inclusive que não tem estratégia alguma nem para estruturar suas pretensões. Onde pensam chegar com essa conversa de "Aécio traiu o Brasil"? Não é possível que pensem em derrubar Dilma só com o deputado Bolsonaro e o senador Ronaldo Caiado. Não será batendo na oposição desse jeito que sairá um impeachment, já que para isso é indispensável o entendimento não só com o PSDB de Aécio Neves como também com os demais partidos que compõem a oposição e que certamente não se arriscarão a apoiar molecagens. Essa contradição muito simples já serve para mostrar o sintoma de doença infantil desse grupo sem estratégia alguma, a não ser a de bater o pé quando contrariados. Mas pelo menos agora sabemos qual é a grande argumentação deles para a interrupção do governo de Dilma. Eles querem o impeachment porque querem, ora bolas.
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POR José Pires

sábado, 23 de maio de 2015

Visita do FMI

Cadê os companheiros do PT e suas faixas de protesto? A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, está no Brasil e até agora a militância não deu as caras para protestar contra esta intromissão em nossa economia. Fazia tempo que o pessoal do banco não aparecia por aqui, não é mesmo? A chefe do FMI está no Brasil desde quarta-feira e vem dando vivas ao ajuste fiscal. Ninguém a vaiou por isso até agora. Um dos lugares que ela escolheu para falar do assunto foi o Morro do Alemão, no Rio de Janeiro. E não apareceu por lá nenhuma grande manifestação, nenhum black bloc e muito menos o Stédile com o "exército"do MST. Tudo está bastante calmo e deve ficar assim até a senhora Lagarde ir embora. Mas já pensaram se a visita da dirigente do FMI ocorresse com o Aécio Neves como presidente da República ou mesmo a Marina? Bem, aí apareceria para protestar até aquele velhote ensandecido vestido com uniforme da Petrobras, o Lula.

Pois é, a indignação da esquerda é seletiva até nos aspectos mais simbólicos das suas batalhas históricas. Nem o FMI cria indignação nos companheiros, quando ficar quietinho é do interesse do projeto de poder deles. E mesmo numa situação dessas, em que parece já estar sendo armado um clima para um pedido de ajuda ao FMI. Reparem na fotografia da reunião de Lagarde e Joaquim Levy, em Brasília, como o nosso ministro está com uma cara de que precisa de algo. Não vou me surpreender se esta visita for apenas preparatória para relações mais estreitas do governo do PT com o FMI. Que os companheiros deixaram o Brasil na lona, nós todos já estamos sentindo no nosso dia a dia. Falta grana para tudo. Pode até ser que logo eles estejam cantando o "Ei, você aí, me dá um dinheiro aí" para o FMI. E se isso acontecer, garanto que a militância ficará caladinha. Ou melhor, o mais provável é que entre para ajudar no coro.
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POR José Pires

sexta-feira, 15 de maio de 2015

B.B. King e um genial parceiro

Quando se fala de B.B. King, que morreu nesta quinta-feira, sempre me lembro de Eric Clapton e do grande álbum dos dois, lançado em 2000. Foi um encontro musical memorável entre esses grandes artistas, ainda que esteja muito claro que na dupla o mestre era B.B. King. Clapton falou várias vezes que foi com os ouvidos atentos aos discos de vinil de King que ele aprendeu a tocar. O guitarrista britânico divulgou um vídeo em que fala com emoção sobre o colega que se foi e indica para quem quer conhecer sua obra o álbum álbum "B.B. King Live at the Regal", de 1964. Ele diz que foi com esse disco que "tudo realmente começou" para ele como guitarrista. No ano do lançamento Clapton tinha apenas 19 anos.


Outro álbum excelente para conhecer B.B. King é este do qual estou falando, "Riding with the King". Dá para ouvi-lo com facilidade na internet. Na minha opinião, o álbum tem também uma da melhores capas já feitas na história da música. O fotógrafo Robert Sebree lembra que quando ligaram para ele perguntando se topava fotografar Clapton e King para a capa do álbum deu vontade de dizer "Sim, por favor", mas segurou-se e falou apenas um "O. K.". Segundo ele, a ideia da foto foi de Clapton. Acabaram criando a reverência mais bem humorada da história da música, comparável ao gesto de Paul Gauguin homenageando o mestre Gustave Courbet na bela tela "Bonjour, Monsieur Gauguin".
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POR José Pires

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Queimando o próprio filme

Seja qual for o resultado da votação pelo Senado na semana que vem do nome de Luiz Edson Fachin como novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), a indicação feita pela presidente Dilma Rousseff já fez uma vítima política importante: o senador Álvaro Dias, do PSDB. O senador paranaense é o relator da indicação de Fachin, de quem vem fazendo uma defesa que está além de seu papel oficial no exame do candidato à vaga de Joaquim Barbosa. A presença de Dias nesta função já é bastante estranha, além de ser extremamente inoportuna para a situação atual de seu partido, que precisa se firmar politicamente frente a um eleitorado cada vez mais indignado com o governo do PT. Nunca se viu um relator da oposição para um serviço como este. E a credibilidade do senador tucano acaba sendo ainda mais afetada pelo fato dessa indicação ser definidora na ampliação do domínio do PT sobre a mais alta corte do país.

Não será um Fachin que dará menos credibilidade a um tribunal que já tem como ministro um Dias Toffoli, advogado tão próximo do esquema de poder petista que já havia até dividido apartamento com o mensaleiro José Dirceu, além de ter sido empregado do partido. Mas esta indicação de agora parece ter simbolizado a consagração do mando petista sobre o STF. É isso pelo menos o que pensa uma parcela expressiva da opinião pública, composta por gente bastante preparada e muito ligada ao debate político nacional. É um vigoroso setor da oposição, com bastante influência inclusive na internet e de atividade intensa nas redes sociais. Aliás, foi essa resistência cotidiana de milhares de pessoas à frente da tela do computador que abriu espaço para a credibilidade e o prestígio de políticos como Alvaro Dias.

Pois é exatamente contra essas pessoas que o senador tucano vem atuando agora, com essa estranha relatoria de uma indicação da qual ele virou até cabo eleitoral. Em discurso na abertura da sabatina desta terça-feira, o senador tucano situou os críticos de Fachin no campo da "irracionalidade, ignorância, vaidade, ódio, esquizofrenia política" além de dizer que eles estão distantes "do bom senso, do discernimento e da ponderação". É muita coisa, não é mesmo? E a ironia histórica é que enquanto disparava tanto insulto contra pessoas a quem deve muito politicamente, tinha ao seu lado tipos como seu arqui-inimigo Roberto Requião (PMDB) e Gleisi Hoffmann, senadora petista que sofre pesadas acusações de corrupção na operação Lava Jato.

Esse Fachin deve ser muito precioso, não é mesmo? Essa posição do senador que já foi um ativo oposicionista irá obrigá-lo a encarar uma realidade muito diferente diante de seus antigos admiradores. Sua imagem já foi pro buraco e certamente acabou para ele o trânsito fácil entre os internautas, que facilitava tanto sua carreira política. Os efeitos já podem ser sentidos. Já ficou muito difícil sua aceitação dentre esta parcela da opinião pública que atualmente é bastante ativa na oposição ao governo do PT. Isso já dá para ver na página de Facebook do senador, que foi tomada por milhares de comentários atacando sua posição. Além da indignação que é exposta em posts com qualquer assunto, está havendo também uma evasão impressionante na página. De terça-feira para cá (quando marquei o número de curtidas na página), Álvaro Dias perdeu 4 mil seguidores. E mais do que a perda do grande número de curtidas, ele tem motivos para temer o que esses internautas farão de agora em diante com sua imagem política.
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POR José Pires

terça-feira, 12 de maio de 2015

Muito além da ficção


O PT tem aprontado tanto nesses quase 13 anos de poder que um escritor de livros de crime e mistério teria evitado contar histórias que envolvessem um partido em tantas encrencas e com enredos tão difíceis de acreditar. Até na ficção seria difícil aceitar tamanho drama. Tanto é assim, que os brasileiros demoraram um bom tempo para perceber que o país  estava envolvido pelos tentáculos de uma organização política dominada pela cobiça e tomada pela ambição por dinheiro e poder, com uma cúpula política ávida pelo ganho fácil e o poder permanente e absoluto. Não dava mesmo para crer que estava acontecendo na vida real, até porque, como eu já disse, era algo de difícil convencimento mesmo em livros de crime e mistério, no estilo dos "pulp fiction" inventados pelos americanos.


O esquema criado por aqui extrapola até os limites maleáveis desse tipo de ficção. Não seria verossímil. No enredo dramático desse partido tem de tudo, até cadáveres de políticos graúdos da cúpula, em crimes suspeitíssimos que nunca foram elucidados. Não faltou nem criminoso fugindo com identidade falsa, passando por várias fronteiras para fugir da condenação pela mais alta corte do país. Tem também ligações com ditadores estrangeiros, com passagens inclusive por países exóticos. E a trama traz em papel de destaque um vilão perfeito, encarnado por uma figura mascarada por traços humanistícos, mas que é capaz das maiores maldades, inclusive com seus companheiros.


Parece história do Sombra, lembram dele? Outro dia fuçando dentre coisas antigas da internet, para estudar capas de livros de pulp fiction que trazem sempre ilustrações muito interessantes, encontrei esta capa do Sombra. É de 1934 e não se trata de montagem. A arte é original, assim como a história. É impressionante, não é mesmo? Pois é, o Sombra sabe mesmo.


Os enredos criados pelo PT parecem mesmo coisa para o Sombra. Mesmo quem não é do tempo em que o personagem fez  sucesso — que é o caso da maioria das pessoas de hoje em dia — deve lembrar de seu refrão, que ainda é muito citado na atualidade, quando é descoberta alguma grande trama criminosa: "O Sombra sabe". A afimação era a resposta para a pergunta "Quem pode saber que males oculta o coração dos homens?", que pegou ainda mais força com o tempo. E o Sombra sempre sabe.


O Sombra foi criado em 1930, num seriado radiofônico que logo tornou-se um sucesso nos Estados Unidos e veio em seguida para o Brasil, onde foi também muito popular, com transmissão pela antiga Rádio Nacional, emissora que ainda existe. O rádio é que dominava as comunicações nessa época. Mesmo nos Estados Unidos a popularidade da televisão só começaria a partir de 1945. A voz que deu vida ao Sombra foi a de Orson Welles, que começou sua fama no rádio, antes de dirigir “Cidadão Kane” (de 1941) e com ele fazer uma revolução no cinema.


Apesar do mito de que a criação da personagem e os roteiros eram do cineasta, Welles apenas emprestou sua voz à série. Era o artista que dizia a conhecida frase e dava a famosa gargalhada que passou a ser repetida “por todos os garotos da América”, como ele conta em um livro maravilhoso de entrevista, feito pelo colega cineasta Peter Bogdanovich. Welles fazia a locução do programa junto com vários outros no rádio, numa ocupação que dava bastante dinheiro na época. Ele lembra até quanto ganhava com o Sombra: 185 dólares por semana. Era uma correria entre os estúdios. “Eu nem sabia o que ia acontecer comigo enquanto estava fazendo os capítulos. Quando o Sombra era atirado dentro do poço ou em algum ninho infecto de serpentes, eu nunca sabia como ia sair”.
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POR José Pires


Diversidade bem diversa

O humorista Stanislaw Ponte Preta tem uma frase, da década de 70, que dizia o seguinte: "Pelo jeito que a coisa vai, em breve o terceiro sexo estará em segundo". A frase mostra de forma genial um espírito de época, num tempo em que o Brasil começava a despertar para as grandes transformações de comportamento que aconteciam nos Estados Unidos e na Europa. Porém, o grande Stanislaw não sabia das encrencas que ainda estavam por vir em matéria de sexualidade.

O jornalista Ancelmo Gois publicou neste domingo em sua coluna de "O Globo" uma nota que mostra como anda a coisa no terreno da diversidade. Acompanhem na íntegra o que ele escreveu:

“Cléo Oliveira, estudante da PUC-RJ autorizada a usar seu nome social na faculdade, como saiu aqui ontem, explica que, na verdade, é transexual e heterossexual. Não é gay.
Ah, bom!”

O colunista do jornal carioca termina a nota com uma expressão que é uma marca estilística dele ("Ah, bom!"), que costuma usar quando um esclarecimento acaba trazendo ainda mais confusão. E não é pra menos. O que vem acontecendo em matéria de sexo atualmente acabou tornando suave a piada de Stanislaw Ponte Preta, que era bastante audaciosa na época em que saiu publicada.

Ultimamente aparece tanta novidade sexual, que alguém que for explicar direitinho essa história pode acabar trocando as bolas (epa!), igualzinho aquele personagem também do Stanislaw, que pirou de vez na hora de compor um samba enredo e juntou Xica da Silva com Tiradentes, além de outras bizarrices históricas. Que Freud explica, qual nada. Alguém precisa chamar o Crioulo Doido para explicar esse negócio pra nós.
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POR José Pires

domingo, 10 de maio de 2015


sexta-feira, 8 de maio de 2015

Réu confesso

Se alguém ainda não tinha a certeza de que o ex-presidente Lula sabia muito bem que corria o mensalão durante sua presidência, agora pode deixar pra lá suas dúvidas porque apareceu uma confirmação insuspeita de que as propinas a parlamentares eram feitas com seu pleno conhecimento. Em "Una Oveja Negra al Poder", sua biografia recém-lançada, o ex-presidente uruguaio José Mujica revela que Lula confessou para ele que sabia de tudo. Mujica disse que em uma reunião entre eles o chefão petista justificou o mensalão como a "única forma de governar o Brasil”.

As palavras de Lula, segundo Mujica: "Neste mundo tive que lidar com muitas coisas imorais, chantagens. Essa era a única forma de governar o Brasil". A confissão de Lula é inédita e pena que o julgamento do mensalão já tenha acabado. Aquele que sempre foi tido como o chefe do esquema infelizmente torna-se réu confesso um pouco tarde.

O envolvimento de Lula no mensalão foi sempre evidente. O esquema corrupto teve início na formação de sua chapa ainda na primeira disputa da presidência da República, quando ficou acertado mediante um pagamento milionário a entrada de José Alencar como vice. Faltava, no entanto, uma declaração pessoal de culpa. Só se ele fosse um idiota seria possível o mensalão ter sido criado e desenvolvido nas suas barbas. E de bobo Lula não tem nada. Ao contrário, é um espertalhão que vem enganando os brasileiros há décadas e conseguiu com essa esperteza inclusive safar-se de ser julgado no Supremo Tribunal Federal por um crimes mais detestáveis contra a democracia brasileira.

Mas, enfim, aí está sua confissão, que até veio mais cedo do que parecia ser possível. E para os petistas será difícil atacar a credibilidade da fonte que trouxe esta informação quente. É muito bom que a revelação tenha vindo do ex-presidente uruguaio. Há algum tempo Mujica vem sendo um refúgio psicológico da esquerda brasileira, na tentativa de amenizar seus tormentos causados por tanta roubalheira e a incompetência impressionante para fazer mudanças mínimas na condução dos governos que pega para tocar. Nem o mais fanático militante, do tipo mais petralha, poderá dizer que haja maldade e muito menos colocar em dúvida a indiscreta divulgação da declaração de Lula. A fonte é do lado deles. E além disso a conversa centre Lula e Mujica teve como testemunha o ex-vice-presidente uruguaio Danilo Astori, que ouviu a confissão do chefão petista. E vejam a coisa do lado bom, companheiros. Pode ser que o humilde companheiro uruguaio esteja apenas querendo ajudá-los na expiação de tantas culpas acumuladas.
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POR José Pires

quarta-feira, 6 de maio de 2015


sábado, 2 de maio de 2015


quinta-feira, 30 de abril de 2015

As vozes da experiência e da capacidade

No final da tarde dessa quinta-feira o jornalista Reinaldo Azevedo havia prometido grandes revelações sobre a repressão policial de ontem contra manifestantes em Curitiba, no entanto agora de noite o que foi publicado por ele não traz nada de especial. O texto está disponível em seu blog, no site da revista "Veja", com os vídeos que para ele "deixam claro que a polícia do Paraná reagiu ao ataque de vândalos". É a opinião dele, da qual discordo. Francamente, se a sua tese dispõe apenas disso como base, acho até que ele está pondo em risco sua credibilidade profissional, que até aqui é respeitável.


Tenho bastante divergência com o PT e com o sindicato dos professores estaduais do Paraná, a APP, que é um sindicato manipulador e partidário há bastante tempo. Também é evidente que interessava ao PT a criaçao de uma grande confusão, não só para atingir o governo tucano, mas também para desviar a atenção da opinião pública das sujeiras petistas. No entanto, não vejo em nenhum dos vídeos apresentados comprovação alguma no tom que o blogueiro da “Veja” coloca. São cenas de provocações comuns em manifestações. E para mim são até bem leves, próximo do que já vimos em outras situações. Uma das cenas dá até vergonha alheia do tom grandiloquente de denúncia usado por Azevedo, pois mostra apenas um idiota atirando pedras com um estilingue contra a polícia. Pois é, esta é uma das provas do "crime".


Não tenho dúvida de que tem gente graúda por detrás dessas manifestações, lideranças para as quais interessa criar dificuldades sérias para o governo de Beto Richa, mesmo que isso acarrete violências graves. É aquela velha tática de criar tensão para o adversário. Mas enquanto não aparecerem provas robustas sobre um crime orquestrado eu acho que não dá para apontar grandes conspirações onde só existe o velho jogo da radicalização política. Para um governador que já entrou no ano exibindo suas inabilidades, esse tipo de argumento é ainda mais desmerecedor.


Não é de hoje que a provocação como arma política é usada pelo petistas. Cabe ao governante equilibrado agir com rigor, denunciando, prendendo e até reprimindo com a polícia quando existe risco à segurança pública, mas procurando evitar uma ampliação da violência e sem abrir espaço para a manipulação política desse partido irresponsável que é o PT e do sindicalismo atrelado a um projeto partidário de poder.
Os petistas podem ser lembrados por badernas históricas, que colocaram em perigo a própria democracia brasileira. Uma delas foi a derrubada da cerca do Palácio dos Bandeirantes, em 1983, logo depois da primeira eleição direta para os governos estaduais. O PT era então um partido pequeno e cheio de ardor revolucionário. Tinha todo o interesse em acuar o governador, que era Franco Montoro, eleito pelo PMDB e que depois fundaria o PSDB. O ex-governador morreu em 1999.


A irresponsabilidade petista foi grande. Vivíamos num período político muito complicado. Estávamos ainda na ditadura militar, numa situação em que uma briga interna do regime entre a corrente moderada e a de extrema-direita tornava o clima ainda mais difícil e não dava garantia da abertura democrática, que avançava lentamente. Na capital paulista teve depredações e saques e uma passeata chegou até o Palácio dos Bandeirantes, onde a cerca foi derrubada. Porém, mesmo com esta incitação à violência, Montoro administrou o grave problema com competência, impedindo uma crise política que poderia ter favorecido a direita contrária à redemocratização do país. Naquele palácio de governo havia de fato um líder político.


Seria muito aproveitável para o país que exemplos como o de Montoro tivessem mais influência sobre dirigentes políticos que revelam imaturidade política como o governador Beto Richa — num grau de insensatez surpreendente pelo tanto de cargos que já ocupou. Para se informar mais e aprender com isso existe o recurso da conversa com colegas mais experimentados ou até mesmo do processo usual da leitura e do estudo. O governador paraense nem precisa ir muito longe para aprender um pouco mais. No seu próprio partido ele ainda pode encontrar pessoas que testemunharam histórias reais bem mais difíceis do que essas enfrentadas de forma desastrada por ele.
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POR José Pires


Armando jogadas para o adversário

Em política existe uma máxima que funciona e para a qual é preciso ficar muito atento, que diz o seguinte: espaços vazios tendem a ser ocupados. Não é preciso ser um Maquiavel para saber disso, mas não são poucos os políticos mesmo experientes que costumam descuidar desta regra simples.

Mas tem também aqueles políticos cujo vacilo é ainda mais espantoso. Esses até criam os espaços para seus adversários ocuparem. É assim que funciona o governador Beto Richa, do Paraná. Como ele vinha de uma estupenda vitória ainda no primeiro turno sobre dois importantes grupos políticos de seu estado, a impressão que se tem de seus lances políticos neste segundo mandato é que seu objetivo é o de facilitar a vida dos adversários, criando para eles bons espaços de manobra.

Este serviço de Beto Richa foi perfeito nesse dias, até pela escolha do tema, que foi o de tropas militares do governo batendo em professores. Dizem que é "pecado mortal" bater na própria mãe. Em professor também não pega bem. O Paraná tem um histórico importante na área, coisa de outro tucano que foi governador e também com policiais contra professores e por coincidência beneficiando politicamente os mesmo grupos de agora, chefiados pelo ex-governador Roberto Requião e o ex-ministro Paulo Bernardo. O novo ataque policial, agora comandado por Beto Richa, vem inclusive em boa hora porque eleitoralmente o anterior já estava com o uso esgotado.

O governador do Paraná fez um belo trabalho. É sua melhor obra até agora, não que ele tenha muitas. Mas é que essa ficou perfeita. Em poucos dias ele criou um espaço amplo para os adversários, que permite não só manobras muito práticas como também abre ótimas oportunidades para atividades de profundo simbolismo, em razão do dia escolhido para a impressionante violência do governo estadual. As porretadas nos professores foram dadas bem próximo do Primeiro de Maio, o que é o único elemento que pode desagradar aos adversários, Roberto Requião e Paulo Bernardo. Eles é que gostariam de ter escolhido este período pro Beto Richa bater em trabalhador.
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POR José Pires

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Homenagem à altura

Não faz sentido a indignação pelo fato da Medalha da Inconfidência ter sido concedida em Minas Gerais a João Pedro Stédile, líder do MST. Essas homenagens todas criadas no Brasil não devem ser levadas a sério. Nenhuma delas obedece a um critério de valor que mereça respeito e isso nem é possível de ser feito de forma a agradar ao conjunto da opinião pública. E o motivo é muito simples: a decisão sobre as homenagens é de quem está no poder. E pelo hábito cultural dos brasileiros, os agraciados serão sempre os da patota da vez.

Eu tenho a impressão de que a indignação anda inflacionada no país, pois hoje em dia serve pra qualquer coisa. Vi até levantarem obscuras teorias de conspiração, além de gritos de alerta sobre risco que a medalha pro chefão do MST pode trazer para a nossa democracia. Calma, pessoal. Como diz a moçada: menos, muito menos. Na verdade, o governador petista Fernando Pimentel agiu da mesma maneira que os governadores anteriores de Minas Gerais, estado onde faz tempo que só tinha tucano no governo. Pimentel amedalhou a patota dele, da mesma forma que era feito por Aécio Neves ou Antonio Anastasia, seu vice e colega de partido que o sucedeu.

Querem que eu dê um exemplo que pode calar os revoltosos da internet? Em 2013, o tucano Anastasia homenageou com a Medalha da Inconfidência a então ministra chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, ela mesma, a atual senadora que é acusada de ter recebido R$ 1 milhão do doleiro Alberto Yousseff. Até o cantor Bell Marques já ganhou a Medalha da Inconfidência. Quem é Bell Marques? Aquele que foi vocal do grupo Chiclete com Banana. E foi o então governador Aécio Neves quem amedalhou o artista de trio elétrico. E tirando os sons que ele faz no microfone, nada tenho contra o cantor. Acho até que ele merece uma medalha dessas tanto quanto o Stédile. Assim como penso que a mereceu também o ex-presidente francês Valéry Giscard d'Estaing, outro que já foi homenageado e foi no governo de Aécio Neves. E para quem acha o Stédile um perigo, lembro que Valéry Giscard d'Estaing tinha relações estreitíssimas com os piores ditadores da África.

Mas sou da opinião de que todos eles merecem a Medalha da Inconfidência. Esses e outros tantos que já levaram a medalha no peito, pois todo ano cada governador, seja de que partido for, junta dezenas de homenageados. E é claro que grande parte acaba sendo de figuras tão ruins quanto o Stédile. Nesses anos todos, desde que foi criada por Juscelino Kubitscheck em 1952, ela vem sendo dada a qualquer um, o que fez dela uma homenagem que perdeu o mérito, se é que o teve algum dia. Portanto, deixem o chefão do MST em paz, ao menos por ter recebido essa justa homenagem.
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POR José Pires

quarta-feira, 15 de abril de 2015


Pegadinhas nas vítimas

Tem sempre uma direção ideológica de desmerecimento as pegadinhas que a imprensa costuma fazer em manifestações políticas, com perguntas encaixadas para mostrar o desconhecimento dos participantes sobre a maioria dos temas dos protestos. Quem é de esquerda costuma fazer matéria desse tipo para diminuir o valor de protestos da oposição e o pessoal conservador faz o mesmo em relação à manifestações de esquerda.

Com essas manifestações de rua de agora, blogs governistas e sites a serviço do PT e do governo fizeram seu esforço tentando mostrar uma superficialidade política de quem está contra o governo de Dilma Rousseff. Esse negócio não é coisa de profissional sério, não só porque tem mais a ver com propaganda política do que com jornalismo, mas também pelo aspecto técnico altamente capcioso: é óbvio que a partir de várias entrevistas entre a multidão é muito fácil dar ao material colhido a direção que for do interesse político de quem edita.

Me parece também que deve haver mesmo um desconhecimento da maioria sobre os problemas brasileiros, pelo menos na profundidade exigida para que haja uma base sólida para a indignação que, essa sim, tem a solidez incontestável dos fatos da vida de cada um de nós. A indignação com o que está aí é o traço em comum das manifestações feitas pela esquerda no ano passado e essas de agora, que têm um perfil mais conservador. O ideal inclusive seria que os dois lados se juntassem para derrubar este governo e lançar de vez o PT no lixo da História. Isso deveria ser feito especialmente pelos mais jovens, já que a destruição do futuro feita por estes ladrões e incompetentes não distingue entre a juventude se a vítima tem pensamento progressista ou conservador. Todos vão se danar se essa corja não for tirada do poder.

A indignação é o motor dos protestos e é claro que a maioria das pessoas não tem um conhecimento profundo sobre a nossa realidade política. E se for sobre pauta do Congresso, como costumam ser algumas perguntas dessas matérias com pegadinhas tolas, aí então só quem estiver acompanhando muito de perto é que saberá se posicionar com segurança. E uma das razões dessa inconsistência atual vem exatamente da imprensa, que nas últimas décadas desceu a ladeira de forma impressionante, numa queda de qualidade que vem afetando seriamente a cultura brasileira e o conhecimento político em todas as classes sociais. E além da diminuição brutal da qualidade jornalística, temos também a maçaroca informativa que é a nossa internet, dominada mais pelos materiais pitorescos do que os conteúdos que realmente importam para a vida.

A imprensa é essencial na intermediação do que ocorre na sociedade civil e se fizer esta ponte de forma proativa o país pode crescer bastante na qualidade do pensamento. Com uma imprensa em queda moral e técnica, o que acontece é isso que se vê: jornalistas fazendo piadinhas tolas com uma ignorância coletiva sobre a qual eles mesmos têm uma grande parcela de culpa.
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POR José Pires

Cumplicidade partidária

Os petistas vivem reclamando da imprensa, mas ô partido danado pra dar boas manchetes que é esse PT. Hoje a Polícia Federal prendeu João Vaccari Neto, o que já era previsível levando em conta as denúncias que apareceram contra ele há alguns dias, inclusive com a acusação do recebimento de propina na porta da sede nacional do PT, em São Paulo. O partido do Lula inventou a "Propina-Delivery", como eu já disse aqui. Mas a boa manchete que a imprensa recebeu de graça foi a da prisão do tesoureiro do PT. Se o partido agisse com sensatez, a notícia seria no máximo de um "ex-tesoureiro" petista indo em cana, o que pra eles é até uma normalidade, mas de qualquer forma amenizaria o estrago. No entanto, a teimosia em manter Vaccari no cargo deu um destaque maior ao escândalo, que também atinge com mais força o governo Dilma.

Alguns podem até dizer que a manutenção de Vaccari no cargo seria uma demonstração dos colegas na sua inocência, mas isso é lorota. O PT não pensa duas vezes em chutar quem atrapalha os interesses de sua cúpula, uma deslealdade que aliás é muito comum em Lula. O caminho petista até o poder e mesmo depois dele é coalhado de petistas abandonados na estrada. Alguns até baleados, como foi o caso do ex-prefeito Celso Daniel, mas isso é outra história. E além disso, num caso como o do Vaccari a defesa da instituição partidária vem antes. Mesmo se fosse o mais santo dos homens ele teria de sair do cargo e até poderia voltar depois, caso fosse comprovada sua inocência.

Mas estamos falando em teoria, é claro. E teoria relacionada à gente séria. Nada a ver com políticos que parecem ter mais a ver com o comportamento de máfia do que com as regras de uma democracia. O PT está vivendo uma situação parecida a de um bando mafioso em fim de carreira. Neste caso, o que conta é o código interno da quadrilha e não só aquele de nunca revelar nada à polícia. O partido do Lula está tão a perigo que atualmente tem que fazer a maior média exatamente para que ninguém fale nada, pois o clima é o de salve-se quem puder. Daí a necessidade de ficar até o final com companheiros encrencados, mesmo que a presença seja muito incômoda. Um partido assim tem que acabar do jeito que está: seu tesoureiro agora despacha da prisão.
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POR José Pires

sábado, 4 de abril de 2015

Desvio psicológico


Petista é capaz de inventar qualquer coisa para fugir do enfrentamento sobre o que faz, que é na maioria das vezes o contrário do que prometeu fazer. E isso inclui roubar, é claro, mas tem também os deslizes menores da costumeira chateação inclusive com os amigos. No passado o PT vivia apontando o dedo para todos e afirmando em documentos do partido e nos palanques que resgataria de forma absoluta a ética na política. Pois os brasileiros viram no que deu: nunca na história brasileira um partido aprontou tanto contra a ética. Daí o veio o monte de lorotas que arrumam para desconversar. Agora até nivelam mensaleiro e ladrão da Petrobras com hábitos safados de alguns brasileiros, como furar fila do caixa.

Então, em meio à esta derrocada moral, até ficou triste o sofrimento do engajado que não consegue sair dessa por causa da dificuldade de andar com as próprias pernas e seguir caminhos diferentes daqueles definidos pelos dogmas do partido. É o problema de quem teima em manter sua opção política mesmo depois de se ver cercado de ladrões dos cofres públicos. Existe a dificuldade de mandar os companheiros para aquele lugar e ir por outro caminho, andando com as próprias pernas à procura de caminhos diferentes da cartilha do partido. Aí o sujeito tem que acreditar até em vídeo da internet com o Lula dizendo que está indignado com a corrupção. Mas agora não está fácil de passar isso para adiante. Daí o militante perde o eixo.

Um remédio para este governista desenxabido seria deitar num divã para reordenar a cabeça ou até mesmo buscar a cura com terapias alternativas, conforme a filosofia de cada um. Mas ao invés do divã, eles seguem na divagação. Usam ainda a mesma receita que os deixou abilolados, catando temas que possam resgatar não só a autoestima como também aquela atratividade pessoal de outrora, quando os amigos (ou plateias maiores, para alguns) estavam sempre prontos a ouvir seus leros sobre a transformação da política brasileira, a proteção do Estado aos mais pobres e (ai, ai, ai...) o resgate da ética.

Coitado do militante, ninguém mais leva suas lorotas a sério hoje em dia, nem em papo de bar ou no churrasco do fim de semana. Aí então esses desacorçoados apoiadores do partido do Lula ficam buscando qualquer assunto para permitir algum suporte às suas desmanteladas estruturas internas e é claro que acabam achando. Se agarram na súbita preocupação com o problema da água (mas só em São Paulo) ou em qualquer outra questão que permita um discurso que, no final, é apenas um autoconsolo patético. Eles nem percebem que a máquina paraestatal de comunicação e propaganda perdeu o efeito. A atenção das pessoas agora não é com o que eles estão falando. É apenas aquele sentimento antigo que é mesmo difícil para um militante identificar porque não faz parte dos dogmas do partido: a compaixão.
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POR José Pires

Erro de crime

Quem é vivo sempre aparece, os vivaldinos idem. O mensaleiro João Paulo Cunha foi entrevistado pelo jornal "O Estado de S.Paulo", sem dar explicação alguma pelas maracutaias que levaram à sua prisão, mas com uma frase marqueteira. "O PT será sempre condenado, por ter cachorro e por não ter cachorro", ele disse.

O ex-deputado está enganado. Não é por ter ou não o cachorro que os brasileiros condenam seu partido. O PT está sendo condenado por roubar o cachorro.
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POR José Pires

Inovando a corrupção

O PT costuma tentar escapar de sua responsabilidade sobre a corrupção no Brasil com aquela justificativa safada de que todos os partidos fazem a mesma coisa, mas a verdade é que o papel do partido do Lula na maracutaia nativa é de destaque não só pelo volume de dinheiro nunca visto em roubalheiras da nossa história como também na sistematização igualmente inédita da corrupção, como era o mensalão, criado para submeter o Congresso Brasileiro ao projeto de poder do partido. O esquema foi desmontado pela Justiça e agora reapareceu com objetivos semelhantes neste saque à Petrobras. É claro que o negócio é meter dinheiro público no bolso, porém sem nunca esquecer a sustentação financeira e política do projeto de poder do partido

O partido sistematizou de tal forma a corrupção que o mensalão era dividido em núcleos — político, financeiro e publicitário — que operavam em conjunto na coleta do dinheiro, na sua operacionalização e no suborno de parlamentares. Não foi o PT que criou a corrupção e ninguém vem acusando disso o partido, mas nunca antes na história deste país um partido havia estabelecido tal sintonia para o roubo aos cofres públicos. Na roubalheira na Petrobras vê-se o mesmo capricho organizacional. A corrupção tinha até tabela, em que evidentemente o partido de Lula ficava com a parte do leão. Ou melhor, dos ratos mais graúdos.

Os petistas dão o máximo nas maracutaias. Se esse pessoal usasse para governar o empenho aplicado em roubar é provável até que fizessem um governo de muitas realizações. E a gente está sempre se surpreendendo com as inovações dos companheiros. Nesta semana apareceu mais uma em um depoimento do doleiro Alberto Yousseff à Justiça Federal. Ele disse que as propinas costumavam ser depositadas no exterior, mas que já havia mandado entregar uma grande soma de dinheiro na porta do prédio do Diretório Nacional do PT, em São Paulo. Eu não disse que eles dão tudo de si para aprimorar a corrupção? Pois inventaram a propina-delivery.
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POR José Pires

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Apontando o verdadeiro culpado

Quando é que o governo do PT vai apelar ao FMI ou a qualquer outro organismo internacional? Já deve ter algum cabeçudo governista pronto para me acusar de exagerado, mas é só dar uma olhada primeiro para o imenso rombo na nossa economia e depois outra olhada para a falta de ação da presidente Dilma Rousseff para temer o velho espetáculo do governo brasileiro passando o chapéu pelo mundo. No caso petista é provável que para dar um efeito de marketing estendam boina vermelha com estrela, mas o resultado será o mesmo: oBrasil na lona e humilhado internacionalmente, com aquela velha fama de que não sabemos cuidar de nós.

É evidente que Dilma não sabe o que fazer e sua paralisia só está surpreendendo quem não prestava atenção com seriedade a este ciclo desastroso de mandatos, desde o primeiro governo de Lula, que é o autor intelectual desta crise, além de ter tocado durante seus dois governos a instalação desta era de corrupção e incompetência. Para dar uma solução mais completa ao que vem acontecendo é necessário focar no PT como causa da falência moral e econômica que põe em risco o país.

É preciso tomar cuidado para não colar o desastre brasileiro demais em Dilma. O que o PT mais quer é que botem a culpa nela, pois daí o partido não só pode se safar de responsabilidades como também terá a chance de uma sobrevida política, inclusive posando de vítima. E essa culpabilização em excesso de Dilma vem acontecendo, até mesmo nas manifestações de rua. O conceito de “impeachment de Dilma” tem até mais este problema político. Concentra na presidente da República a indignação popular sobre os graves problema brasileiros. Isso pode dar a impressão de que antes dela o PT vinha acertando. Então, aquela que sempre foi uma simples marionete num projeto de poder levará a culpa das desgraças que vieram do projeto desastroso de um partido corrupto e tão incompetente que não soube fazer e nem sabe roubar.
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POR José Pires

Disse que não disse

Sei que o governo do PT já tem ministérios demais, o que não é culpa exclusiva da presidente Dilma Rousseff. Isso vem do projeto de um partido que tem no fatiamento do Estado uma forma de se perenizar no poder manipulando a gulodice dos políticos por cargos e benefícios pessoais. Dilma já está com 39 ministros, mas devia criar mais uma pasta: o ministério da tradução do que realmente sua equipe quer dizer e do significado do que eles fazem. E como para o PT não existe mesmo esta divisão republicana entre Estado e partidos, o novo ministro poderia ajudar os brasileiros a entender inclusive o que dizem os líderes do PT.

Essa confusão entre o que é dito e seu real significado não é de hoje, mesmo que vários jornalistas e articulistas escrevam como se estivessem contagiados pela retórica petista, avaliando o governo Dilma como se este existisse isolado do projeto petista. Já com Lula presidente este ministro explicador teria bastante trabalho. Com a própria Dilma aconteceram vários episódios ainda em seu primeiro mandato, quando uma liderança do governo dizia algo muito claro e logo aparecia um porta-voz governista ou mesmo a Dilma explicando que não era bem aquilo que havia sido dito.

É um governo bizarro. A gente ouve uma coisa e eles dizem que foi outra. Ainda no começo do mandato anterior de Dilma ficou famoso o episódio em que o então ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse que "os idiotas perderam a modéstia". Foi um pouco antes de sua demissão do cargo e é claro que ele se referia aos colegas petistas, restando como única dúvida se havia a inclusão da própria presidente da República no rol de idiotas imodestos. E modesta ela também nunca foi. A coisa é antiga, mas é verdade que ultimamente aumentou bastante o número de frases e atos que o governo do PT diz que não entendemos bem. Um dos últimos foi do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, numa colocação feita em palestra na Universidade de Chicago, quando ele disse o seguinte: "Acho que há um desejo genuíno da presidente de acertar as coisas, às vezes, não da maneira mais fácil, mas... Não da maneira mais efetiva, mas há um desejo genuíno".

Pois querem saber o que entendi na primeira vez que eu li essa espantosa declaração? Eu entendi que o ministro da Fazenda quis dizer que Dilma tem um desejo genuíno de acertar, mas não tem a capacidade de efetivar o que quer. É muito simples. E isso que ele disse na palestra em Harvard os brasileiros sentem no cotidiano, sem falar nos “desejos genuínos” dela que felizmente não são colocados em prática, como naquela vez que ela propôs ao mundo o diálogo com os terroristas cortadores de cabeça do Estado Islâmico.
Mas, voltando às palavras do ministro Levy, até agora o governo vem tentando nos convencer de que ele não disse aquilo que ele disse. E é desse jeito com muitas outras falas, até mesmo de gente do governo que é pega em maracutaias e diz coisas que não são bem aquilo que disseram, entenderam? Bem, sei que tantos ministérios já pesam demais no bolso dos brasileiros, mas podiam fazer só mais um para explicar afinal o que esse pessoal anda dizendo.
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POR José Pires