terça-feira, 29 de setembro de 2015

A herança maldita trocando de mão

O PSDB fez um programa de TV muito bom, veiculado ontem em rede nacional e repassado pela internet com excelente repercussão. O resultado de comunicação é perfeito. Conseguiram passar uma mensagem firme de oposição ao governo Dilma Rousseff, sem no entanto fazer um programa agressivo. E não deixou de ser forte a batida contra o governo do PT, sem haver o risco de uma interpretação de pessimismo ou da crítica que não abre caminhos para uma esperança de solução dessa tragédia moral e econômica criada pelo PT.
Nas últimas semanas vem aparecendo um conjunto de fatos que favorecem muito o partido de Aécio Neves, Geraldo Ackmin, José Serra e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, os quatro escolhidos para aparecer no programa. E nesta semana que passou, a queda brutal do real em relação ao dólar trouxe uma mensagem que pode ser um reforço político e tanto pra os tucanos. É uma daquelas mensagens que vêm de uma consciência coletiva produzida pela realidade: o Brasil precisa de um novo Plano Real. O programa de TV dos tucanos toca nisso com uma sutileza muito bem dosada.
Esta reviravolta política deve estar dando um nó na cabeça do ex-presidente Lula. Será exatamente o Plano Real o ponto que fará a diferença entre esse ciclo de quatro governos do PT e os dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso. E o mais difícil para o Lula deve ser suportar o fato de que este revigoramento da percepçãopopular da qualidade econômica do governo tucano foi conquistado em cima dos erros cometidos pelos próprios petistas, sempre sob seu comando. O PT não conseguiu estabelecer nenhuma diferença econômica em relação ao que foi feito pelos tucanos. A incompetência e dificuldade dos petistas para criar um modelo próprio é tão clara que agora qualquer medida necessária contra esta crise remete ao desmonte feito pelo PT nas reformas implantadas no governo do PSDB.
Ficou também muito clara a incompetência petista em dar um andamento de qualidade à estabilidade implantada pelos tucanos. O governo do PT conseguiu se apossar das políticas sociais estabelecidas anteriormente no governo federal pelo PSDB, inclusive com o governo petista explorando como forte propaganda política o Bolsa Família, mas nas áreas essenciais da infraestrutura nacional o partido do Lula foi um fracasso. Com isso, a realidade deu uma entortada que pode ficar até engraçada. Não é difícil que os tucanos tenham como conceito muito forte para a volta ao poder a ideia da criação de um novo Plano Real. Outro argumento político que deu uma tremenda guinada foi o da "herança maldita", marcado na cabeça da população pelo próprio Lula. Agora o argumento se volta contra ele. A herança maldita é do Lula, conforme é dito por Fernando Henrique Cardoso no programa de TV. No programa, ele diz isso no tom certo, com seriedade. Mas dá para imaginar sua satisfação pessoal devolvendo com força redobrada a desqualificação que durante mais de dez anos Lula tentou fazer colar no governo tucano.
.........................
POR José Pires

quinta-feira, 24 de setembro de 2015




Dilma Rousseff falou tanto em diminuir a quantidade de ministérios, mas a reforma ministerial está sendo feita só para aliviar sua barra com os deputados e senadores. Tínhamos o "toma-lá-dá-cá". Agora estamos no "toma-lá-me-deixa-cá". Mesmo mantidos os nomes antigos, o que vem por aí é tudo pasta nova: são os Ministérios do Impeachment.
......................
POR José Pires

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Do crime e da personalidade do criminoso

O ex-deputado petista André Vargas recebeu sua primeira condenação nesta terça-feira. Vargas, que está preso e deve permanecer na cadeia por decisão do juiz Sérgio Moro, foi condenado pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Sua pena é de 14 anos e 4 meses. Este processo não é da Operação Lava-Jato, na qual ele responde à outra ação. Alguns anos então podem ser poderão ser acrescentados a esse tempo na cadeia.
Na sentença, o juiz Sérgio Moro lembrou aquela situação esdrúxula de fevereiro do ano passado quando Vargas ergueu o punho esquerdo de forma ofensiva ao então presidente do STF, Joaquim Barbosa. O ministro era convidado do Congresso Nacional na solenidade de abertura do Ano Legislativo. O então deputado petista era vice-presidente da Casa. Antes de virar um estorvo político e ser obrigado a sair do partido, Vargas era maioral do PT. No Paraná era um dos que mandava no partido, que tem o ex-ministro Paulo Bernardo como chefão estadual. Vargas comandava a candidatura de Gleisi Hoffmann ao governo estadual. Caso não tivesse tido seus crimes descobertos pelo Ministério Público, ele seria o candidato do PT ao Senado e a julgar pelo que foi descoberto até agora teria a seu dispor uma campanha poderosa.
O juiz Moro faz uma menção muito interessante à personalidade do ex-deputado, na parte da sentença em que comenta o gesto feito por Vargas para agredir Barbosa. Imagino o tempo que os agentes policiais e o Ministério Público não ficaram estudando as ações de Vargas e quanta coisa não foi possível saber de sua vida, inclusive situações sem relação direta com a investigação, mas sempre muito úteis para traçar um perfil exato do sujeito. O que Moro escreve sobre o petista caído em desgraça mostra que chegaram a um resultado muito bom nesta leitura psicológica.
Moro conta que no mesmo período em que fez o protesto contra o ministro Barbosa, o ex-deputado petista e agora condenado recebia propina por intermédio de uma agência de publicidade. “O gesto de protesto não passa de hipocrisia e mostra-se retrospectivamente revelador de uma personalidade não só permeável ao crime, mas também desrespeitosa às instituições da Justiça”, afirma Moro, fechando de forma exata seu raciocínio. O juiz sabe do que está falando. Quem acompanha a carreira de Vargas há muito tempo, bem antes de ele ser pego pela polícia, sabe que as coisas são exatamente assim e não só com ele. Este desvio de personalidade no plano ético foi sempre comum no PT. Essa sujeira de hoje em dia não é surpresa para quem observava esses tipos com franqueza e honestidade. E o conhecimento disso fez muita gente sensata entre as quais me incluo manter-se longe desses tipos. Não só pela repugnância ao comportamento imoral que já era nítido há bastante tempo como também para não colaborar com eles nessa tremenda destruição moral e econômica feita com o nosso país.
.........................
POR José Pires

___________________
Imagem- O condenado André Vargas e um grande parceiro petista de outrora, que depois mandou ele sair do partido. A foto é de apenas cerca de um mês antes do país saber Vargas usava avião fretado pago por doleiro.

Um papa fácil demais

As movimentações do papa Francisco e suas falas políticas nos lugares para onde viaja são de qualidade tão duvidosa que para botar fé no que ele vem fazendo seria preciso acreditar que existe um bom plano por detrás de tantos equívocos, algo que talvez seja revelado mais adiante, naquelas leituras históricas que décadas depois costumam trazer uma luz sobre o que os homens fazem na terra. Faço piada, é claro. Numa leitura contemporânea já dá para ver que quase tudo é fora de propósito, mesmo quando é bem escolhido o tema da discussão proposta pelo papa e a visita religiosa e diplomática ocorre no momento adequado.
É o caso dessa visita a Cuba. A ocasião é apropriada, mas depois da passagem de Francisco pela ilha governada há mais de 50 anos por um regime comunista ficou a dúvida sobre o que realmente ele foi fazer lá. Na prática, o regime dos irmãos Castro levou mais vantagem do que o necessário fortalecimento da abertura democrática naquele país. O papa Francisco foi desleal com a oposição democrática na ilha e muito mais com seus próprios irmãos católicos cubanos, que nunca tiveram o respeito do regime castrista. E me parece que nem com os católicos de todo o mundo ele teve a devida lealdade em firmar com palavras e gestos convincentes um compromisso da Igreja Católica com a democracia ou no mínimo apontar com a devida razão histórica desrespeitos à liberdade que ainda afligem os cubanos.
Em suas primeiras quatro décadas o regime cubano teve na Igreja Católica local um dos alvos preferenciais de controle. Em anos anteriores a repressão religiosa foi pesada, até que Fidel Castro percebeu o equívoco que trazia graves danos à imagem de seu governo e procurou consertar, aproveitando de forma matreira para estreitar a aliança oficiosa com a linha católica da teologia da libertação, que de dentro da igreja já vinha trabalhando com uma linguagem de esquerda junto à população de vários países latino-americanos. Um dos gestos mais errados do papa Francisco nessa viagem foi ter um encontro com Fidel Castro. Oficialmente não havia razão para isso, muito menos para que o próprio pontífice fosse até ao ditador, digamos assim, licenciado por problemas de idade.
O papa Francisco fez algo parecido ao beija-mão com Fidel Castro, que tornou-se uma liturgia de políticos esquerdistas estrangeiros na ilha. Lula, Dilma, Correia, Morales e Maduro fazem isso com naturalidade, mas o papa precisava entrar nessa? O próprio porta-voz do Vaticano disse que a reunião foi "muito relaxada, fraternal e amigável". É demais, não? Um dos presentes recebidos por ele do ditador licenciado pela idade foi um livro conhecido do brasileiro Frei Betto, "Fidel e a religião", obra de 1985 com uma ampla entrevista do ditador sobre o tema. Apesar de assinado por Frei Betto, o livro é mais um documento político do próprio Fidel Castro em que ele dá uma cuidadosa guaribada na sua imagem política, para acomodar-se taticamente a novos tempos na política mundial. Essa nova posição de Fidel Castro surgiu até com certa demora, mas entende-se que estivesse até então fora da sua pauta o respeito à religião alheia, já que até a década de 80 Cuba vivia sob a dependência econômica praticamente total de um outro país oficialmente ateu, a União Soviética, cujo regime nessa década demoliu-se internamente. Sem o ouro de Moscou, até a mão de Deus podia ajudar nos problemas que, na sua esperteza, o ditador sabia que viriam.
É certo que o papa Francisco já leu e talvez deva até ter estudado com atenção (se não o fez, devia) a conversa entre Frei Betto e Fidel Castro. Se possível, com todas as implicações externas ao conteúdo do livro e a relação direta com sua religião. Ele deve ter também o conhecimento do sofrimento dos católicos com a esquerda em vários países do mundo, inclusive em lugares onde o comunismo não predominou. Onde houve o comunismo, como foi o caso de Cuba, aí então a barra era pesada para quem quisesse praticar a religião. São fatos. Nada disso tem a ver com qualquer posição conservadora, muito menos no aspecto religioso, pois nem católico sou. É uma questão de acenos e atitudes práticas com o objetivo de fortalecer a democracia e o respeito à liberdade. O gesto é esperado de qualquer homem de boa vontade e nisso esse papa tem decepcionado bastante.
.........................
POR José Pires

___________________
Imagem- A foto foi feita e distribuida internacionalmente pelo próprio regime cubano

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Ministro-expiatório

Já corre a notícia de que a presidente Dilma Rousseff está voltando atrás em medidas do pacote econômico anunciado na semana passada. Fala-se em recuo na suspensão do reajuste salarial do funcionalismo, no direcionamento das emendas parlamentares e na diminuição de recursos do Sistema S. Mas podiam colocar também nesta lista a tentativa da volta da CPMF. Ao voltar com essa conversa, Dilma mostrou que está totalmente fora da realidade. Como é que um governo totalmente sem força política faria para convencer parlamentares a votar um negócio desses já no final de uma legislatura que antecede um ano de eleições municipais? Em 2016 todo deputado ou senador estará envolvido em fortalecer suas bases nos municípios brasileiros. Grande parte desses políticos terá candidaturas a prefeito. Acho difícil convencer essa tigrada a ter de explicar nos palanques em suas cidades que votaram a favor da volta da CPMF.
No meio desse fracasso vai ficar feia a credibilidade profissional do ministro Joaquim Levy. É interessante a sua gradual desmoralização. Quando foi nomeado ele trazia a imagem do fiador que garantiria boas relações com o chamado mercado. Isso parece conversa de mafioso, mas é o assunto que sempre aparece numa crise. Levy teria o poder de amaciar os rapazes da outra escola de Chicago, não a de Al Capone. Houve até a cogitação da sua permanência no cargo, caso Dilma sofresse o impeachment. Os tucanos foram os que mais se animaram, numa atitude muito besta, apesar de típica de tucano. Nem vou fazer juízo de valor sobre a qualidade de Levy como economista, mas o papo é idiota. E mesmo indo por este raciocínio tolo, que exige acreditar que a dificuldade brasileira se restringe a ter um bom condutor no ministério da Fazenda, ainda assim haveria muita gente mais apropriada ao cargo que Joaquim Levy.
O mixo pacote acabou com o que restava da credibilidade do ministro. Ele até poderá depois revelar todas as dificuldades de trabalhar com Dilma, uma pessoa que todos sabem ser intratável, porém isso não vem agora ao caso. Ninguém tem dúvida também de que foi o PT que aprontou essa quebradeira. Porém, ele é o ministro e tudo leva sua assinatura. Quando entrou, já sabia que teria de se arranjar, em meio a incompetentes e gatunos compulsivos. E aí está: no resultado final, seu trabalho não vem tendo boa avaliação de parte alguma. O ministro não encantou. Pobre Levy. Não é difícil até mesmo que haja sua substituição por outro ministro, com ele levando a fama de não ter tido capacidade para o cargo nesta situação difícil da economia brasileira.
.........................
POR José Pires

A degeneração premiada

O jornal britânico "Daily Mail" publicou uma matéria na última terça-feira sobre "sorteios" de meninas brasileiras de pouca idade, inclusive crianças de 11 anos, em depravada promoção feita numa cidade do interior da Bahia, a pequena Encruzilhada, de cerca de 20 mil habitantes. É um bingo semanal, cujo prêmio é o uso sexual do ser humano posto em sorteio. A matéria do jornal britânico traz o espanto do estrangeiro com tamanho absurdo, mas é claro que abusos sexuais de menores já são um fato comum em nosso país. O jornal informa que o sorteio de meninas na cidade baiana já era tão conhecido que atraía homens de toda a região. Dizem que com menina virgem o bilhete era mais caro.
O "sorteio" é um detalhe da monstruosidade, mas o uso abusivo de seres humanos está realmente disseminado neste país e não só no aspecto sexual. E também não é restrito às classes sociais mais baixas e nem aos chamados grotões do interior. A matéria traz na internet um “tour” do repórter pelos ambientes de prostituição também na capital de Pernambuco. E sabemos que a violentação na vida do brasileiro é geral e não está só na prostituição. É opressivo o cotidiano de quem mora em localidades pobres em cidades grandes como Rio ou São Paulo e tem sua existência acossada por bandidos e policiais. Não é difícil saber do quanto deve ser difícil criar os filhos nesses lugares, até porque de uma forma ou outra o aviltamento de crianças e jovens já atinge qualquer classe social nas cidades brasileiras. Segundo o “Daily Mail”, o Brasil já tem a segunda maior taxa de prostituição infantil no mundo.
Essa relação de indignidade humana tem seu envolvimento com a imoralidade política que toma conta do país. Recentemente tivemos a prisão de um assessor especial da senadora petista Gleisi Hoffmann, acusado de ter relações sexuais com menores de idade, usando para isso o cargo de prefeito numa cidade do interior do Paraná. Ele está na cadeia até hoje. O assessor de Gleisi foi preso quando trabalhava com ela na Casa Civil, ao lado do gabinete da presidente Dilma. Ainda no Paraná, em corrupção descoberta pelo Ministério Público no governo do tucano Beto Richa, foi encontrado também este laço da política com o abuso sexual de menores. Um assessor direto, que até viajava a trabalho com o governador, foi acusado de abuso de menores. Fiscais da receita estadual achacavam empresários e também faziam farras sexuais com menores de idade.
Como se diz por aí, o exemplo vem de cima. Tivemos até recentemente um presidente que zombava publicamente de regras e leis e cujo partido — o famigerado PT — e grupo político está até hoje no poder. O Lula (ou Brahma, outro cognome) tirava sarro de leis ambientais e outras leis e regulamentos éticos. Havia quem achasse engraçado, mas eu já dizia na época que todo abuso administrativo acaba abrindo espaço para a degeneração de todas as relações sociais. Isso termina atingindo nossas famílias e nossas crianças. Estamos ainda hoje sob poderes políticos que tanto no executivo quanto no legislativo sustentam-se na imoralidade e vivemos debaixo de uma cultura sob o domínio executivo de gravadoras, rádio, televisão, imprensa e internet com conceitos baseados meramente no lucro e na satisfação do que tem de pior no suposto desejo do mercado de consumo. Não tem jeito disso não ser decisivo no aumento do desrespeito humano.
Temos estabelecida no Brasil uma cultura grosseira, que violenta e faz uso até jocoso dos sentimentos humanos. Dá para notar isso o tempo todo nas músicas, na TV e no rádio, na internet, enfim em tudo quanto é possibilidade de comunicação e onde o país deveria estar criando coisas de qualidade. Quem já prestou atenção à letra de um funk ou mesmo de uma música desses auto-intitulados "sertanejos" sabe do que estou falando. A mesma coisa pode ser vista na televisão e também na internet. E, como já falei, essa sujeira moral é também da intimidade da política. No final, o resultado é esse relato espantado feito pelo "Daily Mail", quase como um aviso de que devemos negar com todas as forças a aceitação dessas barbaridades como algo normal.
.........................
POR José Pires

_________________________
A matéria do Daily Mail

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Tragédias brasileiras

O resultado do laudo pericial do acidente que matou o cantor Cristiano Araújo e sua namorada, Allana Moraes, tem tudo ver com uma porção de barbaridades que afetam a vida e podem até acabar com ela, como aconteceu neste caso. São as "pedaladas" que o brasileiro vai dando, muitas delas sem intenção criminosa, até em razão de atitudes totalmente fora de regras serem tomadas em situações que colocam em risco o próprio autor da façanha. O problema no carro de Cristiano Araújo, como todos devem estar sabendo, foi a ruptura de soldas da roda traseira. Isso mesmo: trocaram as quatro rodas originais de um Range Rover por outras de segunda-mão e ainda por cima com soldagem feita com material de má qualidade. E além da impressionante velocidade de 179 km/h tem também o fato dos dois mortos não estarem usando o cinto de segurança. As duas pessoas que se salvaram no acidente estavam com cinto.
Não foi à toa que usei o termo "pedalada", o mesmo das manipulações econômicas feitas pela presidente Dilma Rousseff para encobrir os rombos das contas do governo federal. São atitudes muito parecidas, inclusive na visão irresponsável de que não há problema em dar um jeitinho seja na economia ou nas rodas de um carro, nas duas situações passando por cima de regras básicas. A diferença que existe entre os dois casos é que, ao contrário do que foi feito com o carro do cantor, na manipulação nas contas públicas promovida por Dilma e sua equipe teve a intenção criminosa de forjar uma falsa situação econômica para ganhar a eleição. No entanto, a origem dos dois fatos tem em comum essa cultura de irresponsabilidade que domina praticamente tudo o que é feito neste país.
É dureza viver no meio desse comportamento desrespeitoso até ao bom senso. Quando a insensatez torna-se norma fica até feio apontar riscos ou mesmo pedir que as coisas sejam mais bem feitas. Vive-se hoje em dia esse problema o tempo todo, inclusive em locais de maior risco, como no uso do transporte público ou nas ruas, tendo que enfrentar o trânsito brasileiro. Está uma barra viver no Brasil em qualquer lugar. Mas no geral, quem aponta problemas e exige maior cuidado pode até ser visto com antipatia. Não complica, ô meu. Qual é o problema de tirar rodas asseguradas por testes de fábrica e trocar por outras muito mais maneiras? E o que tem dar uma mexida nuns numerozinhos das contas públicas que podem ser acertados depois? Pô, que complexo de vira-lata e cisma de fracassomaníaco.
São atitudes que costumam ir de encontro à realidade, quando então pode ser muito difícil consertar. Muitas vezes é mesmo impossível. O que sobra sempre é muita dor e a lamentação sobre como tudo estaria muito melhor se fossem respeitadas regras muito simples. E cá estou de novo falando das duas coisas, o trágico acidente com o carro do jovem cantor e a feia trombada política e econômica que desgraçou o nosso país.
.........................
POR José Pires

Tragédias

O resultado do laudo pericial do acidente que matou o cantor Cristiano Araújo e sua namorada, Allana Moraes, tem tudo ver com uma porção de barbaridades que afetam a vida e podem até acabar com ela, como aconteceu neste caso. São as "pedaladas" que o brasileiro vai dando, muitas delas sem intenção criminosa, até em razão de atitudes totalmente fora de regras serem tomadas em situações que colocam em risco o próprio autor da façanha. O problema no carro de Cristiano Araújo, como todos devem estar sabendo, foi a ruptura de soldas da roda traseira. Isso mesmo: trocaram as quatro rodas originais de um Land Rover por outras de segunda-mão e ainda por cima com soldagem feita com material de má qualidade. E além da impressionante velocidade de 179 km/h tem também o fato dos dois mortos não estarem usando o cinto de segurança. As duas pessoas que se salvaram no acidente estavam com cinto.
Não foi à toa que usei o termo "pedalada", o mesmo das manipulações econômicas feitas pela presidente Dilma Rousseff para encobrir os rombos das contas do governo federal. São atitudes muito parecidas, inclusive na visão irresponsável de que não há problema em dar um jeitinho seja na economia ou nas rodas de um carro, nas duas situações passando por cima de regras básicas. A diferença que existe entre os dois casos é que, ao contrário do que foi feito com o carro do cantor, na manipulação nas contas públicas promovida por Dilma e sua equipe teve a intenção criminosa de forjar uma falsa situação econômica para ganhar a eleição. No entanto, a origem dos dois fatos tem em comum essa cultura de irresponsabilidade que domina praticamente tudo o que é feito neste país.
É dureza viver no meio desse comportamento desrespeitoso até ao bom senso. Quando a insensatez torna-se norma fica até feio apontar riscos ou mesmo pedir que as coisas sejam mais bem feitas. Vive-se hoje em dia esse problema o tempo todo, inclusive em locais de maior risco, como no uso do transporte público ou nas ruas, tendo que enfrentar o trânsito brasileiro. Está uma barra viver no Brasil em qualquer lugar. Mas no geral, quem aponta problemas e exige maior cuidado pode até ser visto com antipatia. Não complica, ô meu. Qual é o problema de tirar rodas asseguradas por testes de fábrica e trocar por outras muito mais maneiras? E o que tem dar uma mexida nuns numerozinhos das contas públicas que podem ser acertados depois? Pô, que complexo de vira-lata e cisma de fracassomaníaco.
São atitudes que costumam ir de encontro à realidade, quando então pode ser muito difícil consertar. Muitas vezes é mesmo impossível. O que sobra sempre é muita dor e a lamentação sobre como tudo estaria muito melhor se fossem respeitadas regras muito simples. E cá estou de novo falando das duas coisas, o trágico acidente com o carro do jovem cantor e a feia trombada política e econômica que desgraçou o nosso país.
.........................
POR José Pires

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Inflando o sucesso do boneco do Lula presidiário

O boneco do Lula vestido como presidiário pegou mesmo. Já estão em fabricação variados materiais com a figura do presidente de honra do PT e também existe uma curiosidade nacional sobre o local onde o boneco inflável vai aparecer e qual será a reação dos petistas. Bem, não se pode mais dizer que o Lula deixou de atrair multidões. Está aí o Lula presidiário encantando o povo. O sucesso desse boneco se deve em grande parte a mais uma mancada dos petistas, dentre as tantas que eles vêm cometendo nos últimos tempos, a começar pelas atitudes de Lula, que inflado demais em seu gigantesco ego desapercebeu-se que sua excessiva exposição fatalmente o faria virar alvo fácil da oposição.
Comprando todo tipo de briga e falando mais besteiras do que já era normal para ele, Lula perdeu o respeito institucional que é conferido a um ex-presidente e se nivelou a qualquer um nas ruas. E vieram os erros depois do aparecimento do imenso boneco na manifestacão de agosto. O Instituto Lula e o PT investiram contra a figura do presidiário, com as duas instituições inclusive divulgando notas oficiais reclamando da tiração de sarro. Depois, teve o episódio da militante maluca que furou o boneco com uma faca durante uma manifestação, na última sexta-feira, em São Paulo.
Ninguém da oposicão conseguiria promover melhor o Lula presidiário, também conhecido como "Pixuleco", que é a forma dos companheiros do Brahma (quantos apelidos tem esse cara; parece bandido) de chamar a propina. Furar o boneco do Lula presidiário foi um marketing tão bom para o produto, que daria até pra suspeitar dessa garota ser uma coxinha infiltrada entre os vermelhos. Mas ela já foi bem identificada. É o tipo de idiota político que nasce do clima criado pelo PT e pelo chefão Lula. Mas não se deve rir disso. O fanatismo é capaz de coisas muito piores do que furar boneco inflável com faca.
O símbolo do boneco presidiário é terrível para a imagem do Lula, que agora serve de esculacho nas ruas. E todo esse sucesso se deve à reação errada do PT e do próprio Lula, que estão perdendo a mão na arte de fazer política. É o que dá ficar usando a mão em mensalão e petrolão. Já é bastante conhecido o fato de que uma sátira política cresce em medida semelhante ao desconforto e a contraposição do satirizado. Pô, bem que os manifestantes da oposição podiam dar um pixuleco para o Lula por esse trabalhinho de turbinar a popularidade do boneco inflável.
.........................
POR José Pires

A meta do autoritarismo

O PT tem um velho problema com metas e essa foi em grande parte a causa do grande desastre político em que eles se meteram. Quem conhece esse partido como eu conheço, desde a sua criação, já viveu até muito de perto grandes dificuldades políticas criadas pela forma afobada de ser dos petistas. É um problema criado pela meta. Eles não se aguentam. O objetivo final do partido é o socialismo, sendo que dirigentes partidários de bastante influência são favoráveis a um socialismo bem autoritário, de inspiração cubana ou do antigo comunismo soviético. O repetido beija-mão com Fidel Castro, feito pelo ex-presidente Lula, pela presidente Dilma Rousseff, e por outros importantes dirigentes petistas não é só uma questão sentimental. Eles acreditam de fato que aquela porcaria de sistema implantado em Cuba é coisa de qualidade. Pensam de forma muito parecida a Fidel Castro e se tivessem a chance fariam algo igual no Brasil. Em economia é provável que repetissem barbaridades administrativas de Castro e Che Guevara, como por exemplo estatizar carrinhos de cachorro-quente.
O PT até já teve militantes respeitáveis (ainda que eu sempre tenha tido discordâncias ideológicas com eles), gente com qualidade intelectual e profissional que sustentava um projeto de justiça social com respeito à democracia e de um capitalismo que não tenha o feitio desse nosso, dominado mais por um ideário plutocrata do que por uma visão política e econômica sustentada por empresários empreendedores de fato. Essa militância sensata já existiu. E na minha opinião foram essas pessoas que deram credibilidade e base política para o crescimento do partido, até que Lula e seus cupinchas tomaram o poder dentro da legenda e calaram ou forçaram as vozes sensatas a dar o fora.
O PT sempre teve uma meta e se o país permitisse até dobrariam essa meta depois de alcançá-la. Não tenho dúvida alguma que líderes petistas como o mensaleiro José Dirceu e também o Lula seriam capazes até de criar gulags para encarcerar quem discorda de seus objetivos autoritários. Ainda bem que figuras importantes desse projeto político foram dominadas pela ambição do dinheiro fácil e acabaram indo para a prisão, enquanto ainda temos uma ordem democrática. Outros aparentemente mais espertos, como Lula, mesmo permanecendo impunes tiveram arrasado seu prestígio político. Para a felicidade geral da nação acabou para eles também, mesmo que não tenham ido para o xilindró. Não li toda a obra de Antonio Gramsci (que é vasta e chata), mas até onde eu sei não existe nela um capítulo rigoroso ensinando que para tomar o Estado de forma traiçoeira para a implantação progressiva de um domínio comunista não pode roubar. Faltou essa lição no método gramsciano, um esquecimento imperdoável, até porque o autor é italiano.
E por aqui, além da roubalheira, teve uma maquinação de um grupo para dobrar a espinha de toda a militância, no que Dirceu, Lula e outros chefes tiveram sucesso. No entanto, para fazer o partido se dobrar aos seus caprichos os companheiros poderosos quebraram essa mesma espinha, que era o que podia dar solidez técnica na hora de governar. O que sobrou de militância, de gente covarde e submissa, pode ser chamado de "Efeito Dilma", pois são todos parecidos com essa senhora em arrogância e incompetência. Dá para fazer algo com essa gente? Claro que sim, mas só este desastre que aí está.
No final, foi uma autofagia que fez um grande bem ao Brasil. Quando arrebentaram seus quadros partidários de alguma habilidade técnica os chefes petistas fizeram o partido perder a capacidade de administrar o Estado e também foram minando o fortalecimento qualitativo do PT, perdendo então definitivamente a capacidade de ter uma política de sustentação de seus propósitos futuros. As bombas estão todas explodindo agora. É mais ou menos o que Fidel Castro fez em Cuba depois da descida de Sierra Maestra, após a revolução que deu-lhe o poder por mais de meio século e de onde só sairá morto. Eliminou ou forçou a sair da ilha quem discordasse dele. Os companheiros brasileiros vivem tomando a benção do ditador cubano mesmo depois dele ter ficado gagá porque sempre acreditaram naquele modelo. A nossa sorte é que aqui o mesmo tipo de desgraça política não foi à frente.
.........................
POR José Pires

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Saindo para continuar

O PMDB é um partido que sabe o momento certo de mudar de lado, buscando sempre um caminho mais lucrativo e fugindo às vezes até das encrencas que eles mesmos ajudaram a criar junto com o aliado de ocasião. Isso muitas vezes faz o partido sair às carreiras (não poucas delas com gritos de "pega ladrão" atrás), abandonando qualquer parceiro caído em desgraça. Pois o programa político que a direção nacional do partido veiculará nessa terça-feira na televisão parece ser o aviso peemedebista de que já estão de malas prontas. Ainda não é o "Fora, Dilma!" do partido do vice Michel Temer, mas pode ser visto como o "Assim Não Dá Mais, Dilma!".
O mote político do vídeo é bem funcional: "a verdade é sempre a melhor escolha". Parece até um releitura do "A verdade vos libertará", numa visão peemedebista, gente de olho muito prático. Neste caso, a verdade lhes dará vantagens e boquinhas menos arriscadas, libertando-os também das encrencas petistas, para as quais contribuíam religiosamente até há pouco.
De tão sólida, a cassetada que dão com muita habilidade no governo — que em boa parte é também deles próprios — ficaria bem para o Psol, isso se esse partido extremista não fosse formado por idiotas políticos que servem de linha auxiliar do governo petista em vez de ser uma saída à esquerda. Aliás, o PMDB mandando pro ar uma mensagem que o Psol não tem a inteligência política de dar aos eleitores serve também para mostrar a razão da eterna força do PMDB, um partido balizador das movimentações tanto do poder quanto da oposição, enquanto o Psol é apenas um partideco muito chato.
.........................
POR José Pires
___________________
Para ver o vídeo, clique aqui




Superando o fracasso

Agora é oficial: o PT quebrou o Brasil. O governo apresentou na tarde desta segunda-feira a proposta de orçamento para 2016, com previsão de déficit de 30,5 bilhões de reais. Isso significa 0,34% do PIB, mas conforme mostra o histórico administrativo desse ciclo de governos petistas é muito provável que o tamanho do rombo não fique nisso. Eles têm know how de sobra para aumentar bastante o prejuízo. E sabe-se também da habilidade de Dilma para dobrar a meta mesmo quando não é definida meta alguma. Pois agora com essa meta de déficit no orçamento, que ninguém duvide da sua capacidade de fazer muito mais.
......................
POR José Pires

Desvalorizando a autoria

O PT anda perdendo o traquejo na propaganda, área para a qual sempre teve especial atração, sempre fazendo aquelas jogadinhas manjadas de relacionar fatos e desejos com o número do partido e a estrela da bandeira vermelha tomada emprestada de histórias revolucionárias em que houve coragem verdadeira. Mas foi só pra roubar que os petistas acenaram com tantos símbolos históricos da esquerda mundial, até mesmo o punho pro alto. Puxa vida, mas usar isso para prisão de político gatuno? Pobre de quem morreu no passado em nome dessas marcas simbólicas.
Mas eu dizia que o PT vem se distraindo na atenção ao uso do simbolismo para se reforçar junto ao eleitorado. Agora, nesta sexta-feira, quando o Brasil entrou oficialmente na recessão, eles fizeram tudo errado. E não é pouca coisa essa façanha petista de enfiar o país num poço onde cavaram fundo de sobra para o nosso sofrimento. Só o PT mesmo para levar à falência um país que pegaram com uma estrutura econômica relativamente arrumada e que no decorrer desta crise (que vem bem antes de agosto do ano passado, ao contrário do que diz a presidente Dilma) teve tantas possibilidades de criar uma base sólida para enfrentarmos estes tempos difíceis. Foi uma grande façanha. Um fracasso como nunca se viu. E o partido não está sabendo aproveitar o efeito disso.
É evidente que o dia escolhido para a entrada na recessão devia ter sido outro, assim como é também muito óbvio qual seria o número perfeito. Agosto é um mês bom para entrar numa recessão e apesar do dia 13 ter caído numa quinta-feira e não na sexta, essa data daria ao brasileiro uma memorização muito forte do número da legenda que até agora vivia de lendas e acabou metendo a cabeça dura na ainda mais dura realidade. Entrar oficialmente na recessão junto com o início do estouro da bolha chinesa também não foi uma boa sacada. É essa mania de não ter meta, sempre à espera de dobrar a mesma meta. Quem é que vai prestar atenção em um orgulhoso vira-lata com suas pulgas vermelhas quando um dragão despenca dos céus? Como se vê na imagem com o recorte do jornal espanhol "El Mundo", o mundo não deixa de estar atento ao Brasil entrando no vermelho. Mas fomos só pras páginas internas. Não dá pra competir com a China nem em falência.
Sinceramente, o PT não está sabendo aproveitar esse resultado prático do projeto revolucionário do partido, a criação de uma crise como nunca se viu neste país. Os incompetentes dos tucanos jamais teriam a capacidade de legar às novas gerações herança tão maldita quando esta feita por Lula e Dilma. No entanto, não sei se o marqueteiro João Santana anda ocupado demais ou numa fase pouco criativa, mas o fato é que os petistas não estão explorando bem esta culminância histórica do projeto de governo do PT. Com o perdão do uso da palavra neste momento de tamanha dureza: é preciso capitalizar mais o resultado, companheiros.
.........................
POR José Pires

quinta-feira, 27 de agosto de 2015


quinta-feira, 20 de agosto de 2015


Perigo sobre duas rodas

O senhor que foi atropelado e morto nesta semana em São Paulo por uma bicicleta dá seguimento a uma nova divisão social criada pelo oportunismo e a incompetência dos políticos brasileiros, especialmente os de esquerda: de um lado ficam os pedestres e do outro os ciclistas. E a briga só tende a piorar. A nova confusão vem desta proliferação desequilibrada de vias exclusivas para ciclistas nas cidades brasileiras. Um dos equívocos é o de tirar as bicicletas do lado dos automóveis, nas ruas, para colocá-las rodando junto aos pedestres. E se tem algo que não dá certo de forma alguma é pedestre e bicicleta transitando no mesmo espaço. Aliás, o melhor é que não fiquem nem próximos. As pistas deviam ser exclusivas para bicicletas, mas como fazer isso no Brasil, onde os espaços urbanos carecem bastante de planejamento?
A dificuldade entre pedestre e a bicicleta é coisa antiga e nisso cabe sempre ao ciclista a parcela maior de responsabilidade, qualidade sempre em falta por aqui, independente do veículo. Já havia o inferno criado pelos motociclistas em nossas vidas e agora teremos de aturar ciclistas, que no geral são piores na quebra de regras do que quem dirige uma moto. Sei disso, porque enfrento a questão tanto como pedestre quanto como ciclista. Um grande perigo nas cidades brasileiras é o de bicicletas rodando na calçada, atitude que mereceria uma punição bem rigorosa, mas não dá em grande coisa para o culpado, da mesma forma que qualquer outro acidente de trânsito. Já é grande hoje em dia o risco de morrer ou ficar com sequelas graves ao pisar na calçada saindo de casa ou de uma loja. Um atropelamento por bicicleta pode causar danos físicos graves, mesmo se o ciclista estiver em baixa velocidade. E quem espera que venha um ciclista idiota pela calçada? A situação atual me obrigou a tomar cuidados extras como pedestre. Agora, além deter atenção aos carros nas ruas, tenho também que cuidar das bicicletas, que podem vir em qualquer lugar. Se correr, o bicho pega e se ficar, o bicho come. Tanto faz agora, se na rua ou na calçada.
Lugar de bicicleta é na rua, junto aos carros. Sei que motoristas não respeitam as regras nem entre eles, hábito perigoso que piora em relação ao ciclista. Este é tratado como inimigo, mas o que se há de fazer? A opção de sair de bicicleta é do ciclista. E sendo este o caso, não faz sentido transferir o risco para o pedestre, na calçada. Mas como defender a segurança do pedestre, que terá sempre razão até pelo fato de ser o lado mais frágil neste massacre social entre doidos, que começa nos carros? Não com ciclofaixas misturadas aos espaços do pedestre.
Se tivesse estudado com atenção o uso da bicicleta, o prefeito Fernando Haddad saberia disso. Mas, puxa vida, estamos falando de um sujeito que produziu e lançou uma monografia na sua formatura como mestre em economia defendendo e exaltando o sistema social e econômico soviético justamente quando Mikhail Gorbachev dava fim à arrasada União Soviética. Do jeito que o prefeito petista vem fazendo as ciclofaixas paulistanas, a única surpresa que tenho com a morte por atropelamento de bicicleta em São Paulo é que isso tenha demorado a acontecer.
Mas o problema não é só dos paulistanos. Desastres surgirão também em outras cidades. Esta moda atual da valorização da bicicleta surgiu no Brasil do mesmo jeito improvisado e incompetente de tantas outras novidades vindas do poder público. Políticos de todos os partidos cometem desatinos parecidos nesta suposta valorização da bicicleta como meio de transporte, porém a esquerda sempre complica mais porque ideologizam também as duas rodas. Em São Paulo, onde o pedestre foi morto por uma bicicleta o debate é até partidário, resultado evidente do estilo administrativo de dirigentes públicos de esquerda, sempre focados na politização de qualquer coisa que fazem. É um jeito lamentável de administrar, porque pouco a pouco várias questões sociais importantes vão ficando estigmatizadas junto à população. Agora é a situação dos ciclistas que fica impossível de debater.
Sou um adepto do uso da bicicleta muito antes de políticos como o prefeito paulistano Haddad resolverem usar as ciclofaixas como oferta de palanque eleitoral. Lembram de ofertas anteriores, como a da distribuição geral de computadores? Agora é com a bicicleta. Não deram computador algum para a população. Bem, mas pelo menos isso não mata ninguém. O foco político na bicicleta veio sem nenhum planejamento sério, como acontece com quase tudo que se faz neste país. E as rolices rodam ligeiras. A gente ouve até argumentos favoráveis a esta nova onda extraídos do hábito do uso da bicicleta em países como a Dinamarca, Holanda e de outros lugares com uma longa história de planejamento urbano e civilidade entre os cidadãos. Nem dá para rir, porque é grande o risco de ser vítima dessa demagogia do improviso. Outros mortos e feridos virão com essa forma de favorecer o uso da bicicleta. Sobre duas rodas, o jeitinho brasileiro é ainda mais perigoso. Teremos inclusive o acidente entre bicicletas e outras novidades desastrosas criadas pela falida administração pública brasileira, agora transitando por ciclofaixas.
.........................
POR José Pires

___________________

Imagem- Pedalando bem longe de ciclofaixa: foto tirada por
mim neste mês de agosto, em estrada rural do norte do Paraná.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015


O último a saber

Corre pelas redes o desabafo do jornalista Juca Kfouri, reclamando do mensaleiro José Dirceu ter traído sua confiança. Ele parece o Brahma: não sabia de nada. Até a recente prisão do antigo capitão da equipe de Lula na presidência da República, vejam só, o inocente jornalista esportivo acreditava que a péssima fama de Dirceu era só campanha maldosa da oposição. Será que ele já desconfia de alguma coisa do Lula? E não estou fazendo piada, pois até recentemente Kfouri era um atirador de elite das tropas governistas, um sniper que felizmente era ruim de mira. No ano passado, durante a campanha de Dilma Rousseff, ele foi firme na atuação contra a oposição e na defesa do ciclo de governos do PT. Uma de suas tentativas mais espantosas de desmoralização do candidato oposicionista, Aécio Neves, foi quando ele tentou criar uma ligação do tucano com Ricardo Teixeira. E isso com o governo do PT fazendo negócios há anos com Teixeira, de olho nos esquemas da Copa do Mundo no Brasil. Numa outra situacão, o jornalista também tentou atingir a vida pessoal de Aécio. Veja no link um texto sobre isso, publicado na época aqui no blog.
Kfouri sempre fez o tipo songamonga, daquele jeito de articulista descompromissado, sem vínculos diretos com o partido, mas que via nos governos do PT, desde Lula, um importante avanço para o país. No meio dessa lorota, sentava a lenha na oposição e afagava o governo petista. O Kfouri era mais um Sakamoto quebrando pernas em campo, enquanto fingia estar jogando limpo. E suas entradas na canela soavam até mais estranhas do que às dos demais escribas governistas porque, além de tudo, o blog dele é exclusivamente sobre esporte. Sua carreira jornalística também é toda ligada ao futebol e não à política. Por isso mesmo, quando falou mal da vida pessoal de Aécio Neves, na área de comentários de seu blog muitos leitores que o seguem por razões futebolísticas reclamaram bastante dessa absurda forçação de barra.
Pois é, o país vive nesses últimos treze anos sob o jugo de um partido que implantou o pior sistema de corrupção que este país ja teve, num projeto de poder em que José Dirceu sempre foi claramente um chefe destacado. Tivemos também o escândalo do mensalão, com as investigações do Ministério Público, o julgamento no STF e a posterior condenação da cúpula do PT, entre eles o chefe José Dirceu, que inclusive foi pra cadeia e cumpre pena até hoje. E cito o mensalão apenas para ressaltar o esquema recente mais pesado, pelo menos até ter sido suplantado pela roubalheira na Petrobras em que — ó, surpresa! — apareceu também o Zé. E fizeram no passado muitas outras maracutaias, pois o PT aprontava muito antes de ganhar o poder central. Era muito fácil para o Juca Kfouri não ter que fazer agora o papel de idiota que transparece neste texto. Sendo jornalista experimentado e homem já vivido, indo já para os setenta anos, bastaria ele ter ficado atento ao noticiário para saber quem é o Dirceu e o que é o seu partido.
O depoimento político do jornalista saiu na "Folha de S. Paulo" e está também em seu blog, no site UOL. É um artigo que deve ficar na história política desta era muito triste do PT e não será o único. Veremos ainda muitas tentativas de fraudes como esta, de gente saltando do barco que já não dá sustentação e nem garante mais nenhum benefício pessoal. Do naufrágio petista sairá muita coisa como esta peça lamentável, de uma fingida lamentação. Esse pessoal não teve vergonha de apoiar todo esse tempo esta tremenda patifaria sistematizada que comprometeu de forma terrível o futuro do nosso país. Agora aparecerão muitos governistas tentando fingir que foram logrados na boa fé que nunca tiveram.
.........................
POR José Pires


quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Recordação do que ficou pra trás

O Brasil tem umas coisas de doido. Por aqui, como se sabe, esquece-se de tudo. Como já disse o grande Ivan Lesssa (alguém lembra dele?), numa de suas frases memoráveis, ou que pelos menos deviam ser sempre lembradas, “a cada 15 anos o brasileiro esquece o que aconteceu nos últimos 15 anos”. Pois nesta semana deu a louca de lembrarem do Adoniran Barbosa. Até o Google fez homenagem, daquele jeito deles, incorporando uma imagem do homenageado no logotipo da página. Um desenho bastante fraco, que nem parece o autor de "Saudosa maloca" e tantas outras composições que, além de belas, trazem ótimas caracterizações de uma São Paulo que teve o mesmo destino do palacete assobradado do ótimo samba. Mas não é só na cidade cantada por Adoniran que está tudo sendo posto abaixo. Nesses últimos anos todo o Brasil vem sofrendo um processo de demolição, com as nossas cidades perdendo suas características originais e ficando todas iguais. Os lugares onde vivemos vão sendo tomados por prédios sem absolutamente nenhuma relação com a história e a cultura formadora de nossas cidades, numa mudança abrupta sem nenhuma ligação também com algo que possa ser chamado de arquitetura.
O resultado são cidades todas iguais, com a perda de suas marcas essenciais e até da paisagem. A sanha comercial acaba também com a ecologia urbana. Nada tenho contra transformações em área alguma, mas desde que elas não venham da forma que está acontecendo, impostas pela força da grana, por uma especulação imobilária idiota que derruba o que era uma base cultural e psicológica das pessoas, para substituir tudo por prédios horrorosos, que acabaram até com a qualidade anterior das moradias. E o toque irônico da especulação é que depois da demolição os maioriais das construtoras vão morar fora das cidades, em condomínios protegidos contra o que eles mesmos fizeram.
Mas voltemos ao Adoniran Barbosa, que tem muito a ver com o que estou falando. É um dos grandes compositores brasileiros, ainda mais importante pelo que deixou em sua músicas como referências da fala e do comportamento de uma época. É um dos artistas de que mais gosto, até pelo linguagem humorística, bastante marcante em sua obra. Eu ouço sempre, mas é claro que só posso fazer isso em casa, porque é raro neste país um lugar onde haja música de qualidade. E por que estão lembrando do Adoniran? Fui conferir e vi que é pelos 105 anos de seu nascimento. Bem, nada contra a recordação de um bom compositor, mas fora de uma data redonda a lembrança dá a impressão de uma mera referência ao que está esquecido de todos. Na semana que vem não se fala mais nele. E o chato é que o aniversário de 106 anos vai passar em branco. Esta é mais uma daquelas recordações súbitas que tornou-se comum na amalucada cultura brasileira. No Brasil, estamos sempre recordando por alguns instantes coisas essenciais na nossa formação, mas que sumiram totalmente do nosso cotidiano.
.........................
POR José Pires

quinta-feira, 30 de julho de 2015


quinta-feira, 23 de julho de 2015

Déficit de projeto

Pronto, o problema econômico brasileiro já é oficialmente do ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Tomara que ele não tenha uma nova gripe agora. Nesta quarta-feira o ministro anunciou que a meta de superávit de 1,1% do PIB para 2015 caiu na realidade para 0,15%. A redução é de 86%, corte tão grande que exige uma repetição, para que ninguém ache que é deslize de digitação: oitenta e seis por cento. A economia inicialmente prevista, que era de R$ 66,3 bilhões, cai para R$ 9 bilhões. Perceberam que já estão postas todas as chances para o PT colocar em campo um discurso para 2018 de que uma política liberal não é o caminho para o Brasil? É um "Fora, Levy!" com gosto de "Volta, Lula!".
Logo que Dilma tomou posse e começou a anunciar cortes e outras medidas muito diferentes do engodo otimista que vendeu durante a campanha, ainda no início de janeiro eu escrevia que era uma tremenda bobagem os tucanos ficarem se gabando de que neste segundo mandato ela já estava fazendo algo similar ao projeto que Aécio Neves colocaria em prática se tivesse sido eleito. Em texto publicado aqui no blog, eu alertava que, novamente, inexistia a ideia de qualquer projeto econômico do PT para a economia brasileira. Era só mais um remendo econômico, o que nunca pode dar certo certo na administração de um país, muito menos numa crise dessa magnitude. Quem já viveu a porção de pacotes econômicos que o Brasil já teve, sabe muito bem que raramente um problema na economia pode ser resolvido por receita meramente econômica.
O ministro Levy já está fazendo um discurso com justificativas quanto ao problema que agora é dele de fato, porém nem nisso ele é bom. Aliás, seu perfil de burocrata é uma contra-indicação para ocupar o ministério da Fazenda numa situação dessas. Mas Dilma não tinha onde arrumar um Pedro Malan ou então um Fernando Henrique Cardoso, este último a bela tacada do presidente Itamar Franco para ajudá-lo a reformar o país que pegou arruinado moralmente e com a economia embolada inclusive pelas medidas radicais do breve e desastroso governo Collor. No entanto, FHC já não tem idade para encarar uma bomba dessas. Tenho certeza de que ele não aceitaria o trabalho, como ministro de Dilma, de trazer algum otimismo para este entristecido país.
E estou falando isso em apoio total ao que os tucanos fizeram nos dois mandatos que foram juntados ao governo Itamar? Nada disso, mas esta é a realidade que temos de uma interferência forte de um governo numa crise. E de resultados altamente positivos, com benefícios de longo prazo que os idiotas políticos do PT não souberam aproveitar. Mas acontece que até hoje os petistas não aceitam o Plano Real, nem como um acontecimento histórico de onde dá para extrair vasta experiência sobre os problemas políticos e de gestão enfrentados numa crise. E um beabá prático muito claro dessa época e bastante simples — já que foi experimentado — é o de que uma crise braba não se enfrenta com um ministro com o perfil de Joaquim Levy. E não vai nisso nenhum juízo de valor sobre seu saber econômico. É que, parafraseando o famoso chavão do assessor de Bill Clinton, neste caso a questão não é só a economia, estúpido! Mas não existe jeito da presidente Dilma arranjar alguém mais adequado ao cargo. Levy é o melhor que pode ter o governo do PT. E então, pior para todos nós.
.........................
POR José Pires

Link: Liberal de araque