quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Luz no fim do túnel

Agora é preciso prestar muita atenção ao que fala a presidente Dilma Rousseff. Hoje ela disse que "vê luz no fim do túnel". Isso em meio a uma dificuldade danada até para a votação de vetos presidenciais. Não dá quórum no Congresso mesmo depois do arranjo feito às pressas com parte do PMDB, que ganhou uns pixulecos na forma de ministérios. E agora no início da noite o desastre foi maior. O TCU recomendou a reprovação pelo Congresso Nacional das contas de 2014 do governo Dilma. É a primeira vez na história que a prestação de contas de um governo é rejeitada pela corte. É aquele papo de "nunca-na-história-deste-país". Mais um recorde para o PT.
Está aí uma base sólida para o processo de impeachment. Quem vai falar agora em golpe? Que fato jurídico, qual nada. É na matemática simples: tudo certo como dois e dois são cinco. Os deputados e senadores podem até não seguir o entendimento do TCU, mas se for assim então para que existir TCU, não é mesmo. E posso ir mais adiante: para que Congresso Nacional? Agora os parlamentares foram colocados frente a uma decisão crucial para as instituições. E com tudo isso, vem a Dilma nesta quarta-feira falando que já "vê luz no fim do túnel". Dessa vez ela pode não estar mentindo, não. Afinal, quem está no governo tem muito mais acesso à informções do que nós. Então, aconselho todo mundo a encostar na parede do túnel. Essa luz que ela já vê deve ser do trem que vem vindo. E é pra cima dela. Mas é bom que todos se cuidem. Pra parede, brasileiros!
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POR José Pires

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Dilma estocando vento

Corre pela internet um vídeo engraçado demais, mais um deles em que a presidente Dilma Rousseff mostra que não precisa mesmo da Dilma Bolada. Ela é muito melhor do que aquele pseudo-humorista que levou recentemente um pé na bunda. A hilariante fala (mesmo para o padrão Dilma) foi descoberta entre as outras baboseiras ditas pela petista recentemente na ONU. No vídeo, ela se mete a explicar os processos de geração de energia, falando de energia hidrelétrica e da eólica e suas formas de transmissão. É muito simples: "Cê joga de lá pra cá, de lá pra lá". Dilma ainda pensa que água é gratuita. Aqui no meu bairro não é assim. É só eu abrir a torneira pro relógio da água começar a girar. Depois um moço mal treinado joga a conta no quintal e meu rotweiller, com sua desobediência civil, estraçalha o papel. Mas mesmo assim tenho que pagar.
Na sua explanação na ONU nossa presidente diz ao mundo que essa "gratuidade" da água é uma das vantagens econômicas da energia hidrelétrica. No caso da água ainda não existe a tecnologia "pra estocá". É o que ela diz em dilmês. O negócio então é aprimorar a exploração da energia eólica. Pode estar vindo coisa boa por aí, seus incrédulos oposicionistas. Dilma é uma especialista em energia e deve estar estudando uma forma de "estocá vento". Será uma coisa fantástica. Uma revolução no mercado de commoditties. Num sopro, o Brasil pode virar o celeiro de vento do mundo e com isso teremos um impacto tremendo em nossa economia. Será o pré-sal do vento estocado. Sei que tem gente que ri do meu otimismo, mas vejam depois o vídeo para conferir se não tenho razão.
A sacada de Dilma só tem um risco, que pode ser observado na parte em que ela nos revela que "ocê num conseguiu ainda tecnologia pra estocá vento". Ela tem toda a razão. Mas seu governo deve estar desenvolvendo isso. O problema é que os petistas são danados e podem depois desenvolver uma tecnologia pra roubar o vento estocado. Vai acabar sendo igual ao petrolão.
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POR José Pires

Impeachment para dois

Estou desconhecendo o PMDB e ainda mais políticos como Michel Temer. Como é que um partido tão escolado não se apercebe logo em bloco que, além de abrir caminho para o Brasil sair do sufoco, o impeachment pode ser também a saída do PMDB dessa encrenca que virou sua aliança com o PT pelo poder? Os peemedebistas descuidaram da proposta de impeachment e até ajudaram o governo do PT a sobreviver um tantinho a mais, naquele jeitão dos petistas de enfrentar problema na porrada, se encrencando depois com quem até então estava fora da briga. E a cambada de tontos do PMDB corre o risco agora de perder tudo, com a anulação por completo da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer. O vice-presidente descuidou-se do verbo que está em seu sobrenome.
Não existe possibilidade do país sair da crise sem tirar primeiro o PT do poder. Isso a maioria dos brasileiros já percebeu. Essa consciência já atinge até as pessoas com menos informações, na massa de brasileiros carentes até do mais básico da vida, que por isso mesmo caiu na enganação dos patifes vermelhos que se fingem de bonzinhos com os pobres. Até o empresariado brasileiro já percebeu que com o PT não dá. E o nosso empresariado como classe é tão despreparado — sem visão política própria e sem vergonha — que não se defende nem de partidários de ideias políticas historicamente contrárias a qualquer tipo de iniciativa individual. Ou iniciativa privada, como queiram.
Há mais de uma década o empresariado brasileiro aceitou passivamente o PT, aliás como costuma aceitar qualquer patifaria que tenha poder sobre o Estado e dê uns pixulekos institucionais para a categoria e muita grana para uns poucos barões industriais. Demorou, mas até o empresariado percebeu o erro. E do pior modo. Atingidos no próprio capital. Deixaram a coisa ficar muito grave e por isso muitos perecerão irremediávelmente. Com ou sem PT no poder. É o ritmo da história. Investimento político errado tem que ser pago.
Mas eu falava que o PMDB perdeu sua histórica agilidade, sempre admirável ainda que raramente tenham decência no meio e nos fins. É a gordura do poder. Houve um descuido com as etapas dos processos contra Dilma em suas instâncias diferentes. Além da questão no Congresso Nacional tinha o problema com o TCU, assim como tem o problema no TSE, que pode eliminar Dilma e Temer numa tacada. E foi do próprio vice-presidente o erro de não se descolar a tempo dos companheiros. Ele e sua turma de peemedebistas, embalados no derradeiro pixuleko de ministérios, deixando-se levar pelos petistas com aquele excesso de confiança que sempre estraga tudo. Agora pode ser que não tenha jeito para o PMDB se safar e eu acho isso muito bom. É sempre muito educativa a obrigação de pagar pelo investimento errado.
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POR José Pires

terça-feira, 6 de outubro de 2015

A saída de Constantino do site da Veja

O economista Rodrigo Constantino anunciou o fim da sua página no site da revista “Veja”. É claro que isso deixou a militância azucrinadora petista numa alegria histérica. Mas não é só pelo furdunço dos vermelhos que a notícia não é boa. O fechamento da página do economista diminui o espaço de resistência a um projeto muito ruim para o Brasil, cuja plataforma prática é o governo do PT. E esta é apenas a face visível de ideias muito perigosas. Armações ameaçadoras para o Brasil vão sendo sendo feitas na obscuridade. E apesar da desmoralização feita pela própria realidade com as lorotas governistas, essas forças nefastas ainda estão com muito tutu e campo de manipulação.
O trabalho de Constantino não é muito do meu gosto, tanto no conteúdo quando na forma. Seu liberalismo econômico me parece raso, muito fraco mesmo, o que na minha visão faz bastante mal para a propria ideia do liberalismo. Também favorece a esquerda quando não traz mais bem embasados os argumentos contrários a esses enganadores. Sorte nossa que essa esquerda brasileira carece e muito de bons pensadores. Tenho dificuldade de aceitar as ideias de quem se encanta com o Partido Republicano americano, assim como não consigo levar a sério quem fica embascado com Barack Obama. Prefiro análises equilibradas entre os dois grandes eixos da política americana. Acho também muito fraco políticamente e intelectualmente a exaltação de forma superficial de qualidades da iniciativa privada que historicamente a prática não comprova. E Constantino faz isso bastante, além de tentar rotular injustamente as estatais como fonte de males que os fatos mostram que são bem mais amplos. Ele faz isso ao propor a privatização da Petrobras.
Nem vou me aprofundar na privatização da empresa de energia, mas é um raciocínio falso a relação da corrupção como um problema inerente à existência de estatais. E está aí como uma prova contrária o escândalo da manipulações feitas pela Volkswagen. A montadora multinacional passou por cima da saúde das pessoas e cometeu um crime terrivelmente danoso à credibilidade de regras e regulamentos e até da possibilidade científica de prever e combater problemas. Só esse exemplo já demonstra que a corrupção nessa economia globalizada é bem mais complexa. Quem for favorável à privatização que procure melhores argumentos, até para não favorecer os gatunos deste governo. Constantino faz política o tempo todo, por isso posso dizer que poucas vezes vi propostas em momento tão impróprio como esta da privatização da Petrobras.
São grandes as minhas divergências, entretanto a página de Constantino na “Veja” teve sempre a minha leitura atenta e ele tinha na revista um público bastante numeroso e de qualidade, criando um canal interessante de conhecimento para mim inclusive com a opinião de seus leitores, na área de comentários. E no site da "Veja" ele teve sacadas boas, sendo uma delas o apelido de "esquerda caviar" para uma certa hipocrisia esquerdista muito marcante entre os governistas e que enche o saco na internet. É mais um espaço importante se fechando, numa gradativa queda de qualidade que vem atingindo toda a nossa internet e também a “Veja”. O site da revista teve outras páginas canceladas nos últimos dias, duas delas de que eu gostava muito. A de Caio Blinder, excelente em assuntos internacionais e para o conhecimento da cultura política americana, e a de Sérgio Rodrigues, chamada "Toda Prosa". São ótimos seus textos sobre literatura, que felizmente ele seguirá fazendo em sua página pessoal. Vão-se fechando espaços para a inteligência cultural e a visão de oposição na economia e na política. A internet brasileira, que já não estava bem, vai piorando.
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POR José Pires

sábado, 3 de outubro de 2015

Ciência na lona

Em paralelo com a demissão humilhante do ministro da Educação do governo que se auto-intitula "Pátria Educadora", a revista “Nature” publicou uma reportagem sobre a grave situação da ciência em nosso país. Sabe-se que em todos os setores o Brasil vai se tornando um país de segunda linha, mas nenhum outro é tão definidor do padrão de qualidade de uma nação.  A “Nature” fala em uma paralisação da pesquisa científica no Brasil. A situação da ciência, junto com o ensino superior e a educação básica, servem de referência para a previsão do quem vem por aí. E é óbvio que assim não virá nada de bom. Um país pode até ter seu PIB lá no alto, mas sem qualidade na área científica não se pode ser grande coisa hoje em dia.
É preciso lembrar que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação estava até agora com Aldo Rabelo, um chefe político importante do PCdoB, partido bastante conhecido por suas fortes relações políticas e culturais com a Coréia do Norte. O nível é esse. Ainda falando em categoria de pensamento, na década de 70 gente como Rabelo achava que um grande salto civilizatório nacional seria transformar o Brasil numa Albânia comunista. A Nature não dá essa referência da sumidade nomeada por Dilma para um ministério que deveria ser um dos mais importantes na atualidade e com sintonia total com o pensamento científico, mas serve como cota de partido nanico de esquerda com uma identidade política amalucada. Rabelo, diz a “Nature”, está tentando obter um empréstimo de 2 bilhões de dólares junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para amenizar a penúria do setor. Outras fontes dizem que o empréstico é maior, de U$ 2,5 bilhões, e precisa da autorização do Ministério do Planejamento e do Congresso Nacional. A pasta da ciência e tecnologia sempre teve orçamento minguado, mas mesmo assim sofreu um corte pesado. No orçamento de 2016 o corte é de 24%, segundo a revista.
Que numa situação de crise o governo opte por mais cortes no financiamento à ciência e tecnologia é uma demonstração não só de visão estratégica como serve também de previsão do resultado dessa interferência governamental. É claro que desse jeito a situação do país tende a piorar. A “Nature” informa também que o ministro está tentando assegurar recursos do Pré-Sal que ainda não caíram no caixa da pasta. Pois é, o governo do PT precisa ser convencido até que na área do petróleo é necessário investimento em ciência e inovação. Assim é difícil. Lembro que recentemente Suzana Herculano-Houezel, neurocientista brasileira de respeito internacional, foi notícia quando deu um alerta sobre a precariedade em que anda a pesquisa científica. Ela havia paralisado as atividades de seu laboratório na UFRJ depois de cansar de colocar dinheiro do próprio bolso para poder trabalhar. Segundo ela, a ciência no Brasil é feita em "condições miseráveis". O CNPQ deixa de liberar dinheiro até para projetos já aprovados.
O  descaso com a ciência em nossa terra vem de longo tempo e para mim tem seu ponto simbólico no acidente ocorrido na Base de Lançamentos de Alcântara, no Maranhão. 21 pessoas morreram na explosão em setembro de 2003 do Veículo Lançador de Satélites (VLS 01). A tragédia extraiu do então presidente Lula uma de suas tantas frases idiotas. "Há males que vêm pra bem", ele falou, assinalando que a explosão "ao invés de prejudicar, pode estimular os avanços do conhecimento tecnológico". Este já era o Lula, ainda no primeiro ano de seu governo, começando o ciclo político desastroso que continua até hoje. O país optara por eleger um tipo folgazão para a presidência da República. Espero que isso não seja um caráter nacional. Como estamos vendo, o preço é alto.
A explosão de Alcântara foi um divisor de águas só de governos. O descaso com a ciência e tecnologia se manteve e até piorou. No governo anterior, de um presidente com larga relação histórica com a área intelectual, o tucano Fernando Henrique Cardoso, a situação já era muito ruim e a atenção governamental ao setor não teve diferença de qualidade de governos anteriores. Pode-se dizer que Alcântara explodiu nas mãos de Lula, mas assim como todo a dramática situação da ciência no país, a tragédia já vinha sendo construída pelos tucanos. No tratamento do Estado à ciência e tecnologia a imagem da "herança maldita" serve como referência a todos os governos, que vão passando a herança uns para os outros. A diferença é que com o tempo a herança vai ficando cada vez mais maldita.
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POR José Pires

Queimando os companheiros

A queda humilhante de Renato Janine Ribeiro do ministério da Educação mostra como o governo do PT vem sistematicamente quebrando os quadros do partido. Não, a culpa não é da Dilma. O sistema de esmigalhamento do que o partido tem de mais qualificado para a administração pública e também para a atividade partidária vem desde o primeiro mandato de Lula e foi instituído por ele no partido antes de ganhar a primeira eleição para presidente. E não estou falando de militante que caiu devido a roubo dos cofres públicos, propinas e outros que tais que ficaram muito comuns entre os petistas.
Esse desmonte de recursos humanos vem desde quando Lula colocou o partido a serviço unicamente de um projeto de poder no qual ele é o centro e senhor. Janine Ribeiro foi só mais uma vítima dessa máquina moedora de boas intenções. E quando digo isso, estou evidentemente deixando de fazer juízo de valor não só sobre Janine, mas também de outros que levaram soberbas rasteiras dos dirigentes nacionais petistas. Estou falando de qualidade no âmbito do que o PT pretende e naquilo de que dispõe o partido. Ideologicamente e também no aspecto cultural é sempre eles lá e eu cá, mas não tenho dúvida sobre o efeito que este desmonte teve no partido. Foi por essa razão que subiram tipos como André Vargas e similares. E em parte isso explica a grande dificuldade que o PT tem de administrar até o que é mais básico.
Deve ficar cada vez mais difícil, inclusive, que alguém melhor do que a triste média do partido aceite convite para a participação no governo. Não quero rogar praga, mas este será um privilégio de Mercadantes. Os menos de seis meses de Janine no cargo terão um peso até no debate político nacional, em que é exigido do partido cada vez mais disposição para a discussão sobre seus rumos. O brevíssimo ministro era um dos poucos que ainda podia ser levado a sério. Ele até que encarava bem o debate. Porém, depois dessa ficará difícil para ele obter algum respeito. Quem é que vai ter consideração por uma palestra desse homem? E nem vou falar das redes sociais, onde esse episódio já é motivo de gozação. Que isso sirva de lição para os paspalhos que ainda defendem essa tremenda negociata que virou este ciclo petista, que é difícil até chamar de governo. Cuidado, companheiro, pois você pode ter também o desgosto de ser tão breve quanto o Janine Ribeiro.
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POR José Pires

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Eduardo Cunha vira alvo

Corre pela internet a notícia de que a justiça da Suiça enviou dados ao Brasil da conta secreta que dizem ser de Eduardo Cunha, o presidente da Câmara Federal. As informações das autoridades suiças já estariam com a Procuradoria-Geral da República. Pode ser que Cunha tenha se encrencado definitivamente, o que está fazendo a alegria da militância petista que ainda resta, já que a tremenda desmoralização deste governo fez sobrar só o pessoal que tem benefício direto em cargos e demais inventivos pessoais ou recebe em dinheiro para atuar políticamente. A hipocrisia não têm limites. Esse pessoal fecha os olhos para grandes roubalheiras, as maiores que já se teve neste país, mas faz o maior furdunço quando aparece qualquer coisa que afeta quem não está do lado deles.
Mas com a gente, da oposição, não tem disso. Como não temos o comportamento de máfias e nem qualquer fanatismo, o respeito oficial e a consideração a um político só se mantém até surgir uma denúncia séria que comprometa politicamente a figura. Somos pragmáticos, em razão da necessidade de tirar esse governo dominado por incompetentes e ladrões. Mas este realismo não torna irrestrito nenhum apoio ou relação política. A gatunagem, por exemplo, é um limite para ser levado a sério. Se o deputado Eduardo Cunha for mesmo o dono dessa conta secreta, que seja condenado e pague inclusive politicamente. Mas até lá, nada impede que ele conduza o impeachment de Dilma. Se depois disso ele for mesmo considerado culpado, o serviço de tirar o PT do poder fica como se fosse uma forma retroativa de delação premiada.
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POR José Pires

Dilma Bolada cai fora

A Dilma Bolada já caiu, agora só falta a Dilma mesmo. Foi dispensado o publicitário que ganhava uma bolada para fazer a "Dilma Bolada", perfil que fazia humor a favor de Dilma Rousseff. Jeferson Monteiro recebia um salário de 20 mil reais pela "Dilma Bolada", que começou no Facebook, falsamente criada como se fosse uma iniciativa individual. Mas o perfil foi sempre do esquema publicitário governista. Agora Jeferson Monteiro está querendo dar ares de rompimento político à dispensa. No Facebook, ele faz de conta que está rompendo com Dilma e que está saindo por motivos éticos. Não foi um mero pé na bunda, entendem? Já é uma antecipação das queixas que virão do Renato Janine Ribeiro, outro governista virtual que recebeu o bilhete azul. O ministro da Educação é outro que só existia no Facebook.
Não tem jeito. Humor a favor sempre acaba assim, em piada pronta. Um trecho do que Jeferson Monteiro escreveu no Facebook, com jeitão de manifesto: "Dilma não precisa do meu apoio no Governo dela, nem o meu e nem do apoio de ninguém que votou nela. Afinal, para ela só importa o apoio do PMDB e de parte do empresariado para que ela se mantenha lá onde está. Trocou o Governo pelo cargo". O cara saiu da base aliada. Ele e o Eduardo Cunha. O texto do publicitário parece piada da Dilma Bolada, até porque o humor da página era desse jeito bem fraco. Procurando se aproveitar da dificuldade que é identificar o que de fato é real nesse governo, ele pretende "ganhar perdendo", como disse a Dilma — não a Bolada, mas a própria. Porém, a verdade é bem diferente: Governo fake dispensa perfil fake, que resolve apelar para um rompimento fake.
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POR José Pires

terça-feira, 29 de setembro de 2015

A herança maldita trocando de mão

O PSDB fez um programa de TV muito bom, veiculado ontem em rede nacional e repassado pela internet com excelente repercussão. O resultado de comunicação é perfeito. Conseguiram passar uma mensagem firme de oposição ao governo Dilma Rousseff, sem no entanto fazer um programa agressivo. E não deixou de ser forte a batida contra o governo do PT, sem haver o risco de uma interpretação de pessimismo ou da crítica que não abre caminhos para uma esperança de solução dessa tragédia moral e econômica criada pelo PT.
Nas últimas semanas vem aparecendo um conjunto de fatos que favorecem muito o partido de Aécio Neves, Geraldo Ackmin, José Serra e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, os quatro escolhidos para aparecer no programa. E nesta semana que passou, a queda brutal do real em relação ao dólar trouxe uma mensagem que pode ser um reforço político e tanto pra os tucanos. É uma daquelas mensagens que vêm de uma consciência coletiva produzida pela realidade: o Brasil precisa de um novo Plano Real. O programa de TV dos tucanos toca nisso com uma sutileza muito bem dosada.
Esta reviravolta política deve estar dando um nó na cabeça do ex-presidente Lula. Será exatamente o Plano Real o ponto que fará a diferença entre esse ciclo de quatro governos do PT e os dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso. E o mais difícil para o Lula deve ser suportar o fato de que este revigoramento da percepçãopopular da qualidade econômica do governo tucano foi conquistado em cima dos erros cometidos pelos próprios petistas, sempre sob seu comando. O PT não conseguiu estabelecer nenhuma diferença econômica em relação ao que foi feito pelos tucanos. A incompetência e dificuldade dos petistas para criar um modelo próprio é tão clara que agora qualquer medida necessária contra esta crise remete ao desmonte feito pelo PT nas reformas implantadas no governo do PSDB.
Ficou também muito clara a incompetência petista em dar um andamento de qualidade à estabilidade implantada pelos tucanos. O governo do PT conseguiu se apossar das políticas sociais estabelecidas anteriormente no governo federal pelo PSDB, inclusive com o governo petista explorando como forte propaganda política o Bolsa Família, mas nas áreas essenciais da infraestrutura nacional o partido do Lula foi um fracasso. Com isso, a realidade deu uma entortada que pode ficar até engraçada. Não é difícil que os tucanos tenham como conceito muito forte para a volta ao poder a ideia da criação de um novo Plano Real. Outro argumento político que deu uma tremenda guinada foi o da "herança maldita", marcado na cabeça da população pelo próprio Lula. Agora o argumento se volta contra ele. A herança maldita é do Lula, conforme é dito por Fernando Henrique Cardoso no programa de TV. No programa, ele diz isso no tom certo, com seriedade. Mas dá para imaginar sua satisfação pessoal devolvendo com força redobrada a desqualificação que durante mais de dez anos Lula tentou fazer colar no governo tucano.
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POR José Pires

quinta-feira, 24 de setembro de 2015




Dilma Rousseff falou tanto em diminuir a quantidade de ministérios, mas a reforma ministerial está sendo feita só para aliviar sua barra com os deputados e senadores. Tínhamos o "toma-lá-dá-cá". Agora estamos no "toma-lá-me-deixa-cá". Mesmo mantidos os nomes antigos, o que vem por aí é tudo pasta nova: são os Ministérios do Impeachment.
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POR José Pires

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Do crime e da personalidade do criminoso

O ex-deputado petista André Vargas recebeu sua primeira condenação nesta terça-feira. Vargas, que está preso e deve permanecer na cadeia por decisão do juiz Sérgio Moro, foi condenado pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Sua pena é de 14 anos e 4 meses. Este processo não é da Operação Lava-Jato, na qual ele responde à outra ação. Alguns anos então podem ser poderão ser acrescentados a esse tempo na cadeia.
Na sentença, o juiz Sérgio Moro lembrou aquela situação esdrúxula de fevereiro do ano passado quando Vargas ergueu o punho esquerdo de forma ofensiva ao então presidente do STF, Joaquim Barbosa. O ministro era convidado do Congresso Nacional na solenidade de abertura do Ano Legislativo. O então deputado petista era vice-presidente da Casa. Antes de virar um estorvo político e ser obrigado a sair do partido, Vargas era maioral do PT. No Paraná era um dos que mandava no partido, que tem o ex-ministro Paulo Bernardo como chefão estadual. Vargas comandava a candidatura de Gleisi Hoffmann ao governo estadual. Caso não tivesse tido seus crimes descobertos pelo Ministério Público, ele seria o candidato do PT ao Senado e a julgar pelo que foi descoberto até agora teria a seu dispor uma campanha poderosa.
O juiz Moro faz uma menção muito interessante à personalidade do ex-deputado, na parte da sentença em que comenta o gesto feito por Vargas para agredir Barbosa. Imagino o tempo que os agentes policiais e o Ministério Público não ficaram estudando as ações de Vargas e quanta coisa não foi possível saber de sua vida, inclusive situações sem relação direta com a investigação, mas sempre muito úteis para traçar um perfil exato do sujeito. O que Moro escreve sobre o petista caído em desgraça mostra que chegaram a um resultado muito bom nesta leitura psicológica.
Moro conta que no mesmo período em que fez o protesto contra o ministro Barbosa, o ex-deputado petista e agora condenado recebia propina por intermédio de uma agência de publicidade. “O gesto de protesto não passa de hipocrisia e mostra-se retrospectivamente revelador de uma personalidade não só permeável ao crime, mas também desrespeitosa às instituições da Justiça”, afirma Moro, fechando de forma exata seu raciocínio. O juiz sabe do que está falando. Quem acompanha a carreira de Vargas há muito tempo, bem antes de ele ser pego pela polícia, sabe que as coisas são exatamente assim e não só com ele. Este desvio de personalidade no plano ético foi sempre comum no PT. Essa sujeira de hoje em dia não é surpresa para quem observava esses tipos com franqueza e honestidade. E o conhecimento disso fez muita gente sensata entre as quais me incluo manter-se longe desses tipos. Não só pela repugnância ao comportamento imoral que já era nítido há bastante tempo como também para não colaborar com eles nessa tremenda destruição moral e econômica feita com o nosso país.
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POR José Pires

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Imagem- O condenado André Vargas e um grande parceiro petista de outrora, que depois mandou ele sair do partido. A foto é de apenas cerca de um mês antes do país saber Vargas usava avião fretado pago por doleiro.

Um papa fácil demais

As movimentações do papa Francisco e suas falas políticas nos lugares para onde viaja são de qualidade tão duvidosa que para botar fé no que ele vem fazendo seria preciso acreditar que existe um bom plano por detrás de tantos equívocos, algo que talvez seja revelado mais adiante, naquelas leituras históricas que décadas depois costumam trazer uma luz sobre o que os homens fazem na terra. Faço piada, é claro. Numa leitura contemporânea já dá para ver que quase tudo é fora de propósito, mesmo quando é bem escolhido o tema da discussão proposta pelo papa e a visita religiosa e diplomática ocorre no momento adequado.
É o caso dessa visita a Cuba. A ocasião é apropriada, mas depois da passagem de Francisco pela ilha governada há mais de 50 anos por um regime comunista ficou a dúvida sobre o que realmente ele foi fazer lá. Na prática, o regime dos irmãos Castro levou mais vantagem do que o necessário fortalecimento da abertura democrática naquele país. O papa Francisco foi desleal com a oposição democrática na ilha e muito mais com seus próprios irmãos católicos cubanos, que nunca tiveram o respeito do regime castrista. E me parece que nem com os católicos de todo o mundo ele teve a devida lealdade em firmar com palavras e gestos convincentes um compromisso da Igreja Católica com a democracia ou no mínimo apontar com a devida razão histórica desrespeitos à liberdade que ainda afligem os cubanos.
Em suas primeiras quatro décadas o regime cubano teve na Igreja Católica local um dos alvos preferenciais de controle. Em anos anteriores a repressão religiosa foi pesada, até que Fidel Castro percebeu o equívoco que trazia graves danos à imagem de seu governo e procurou consertar, aproveitando de forma matreira para estreitar a aliança oficiosa com a linha católica da teologia da libertação, que de dentro da igreja já vinha trabalhando com uma linguagem de esquerda junto à população de vários países latino-americanos. Um dos gestos mais errados do papa Francisco nessa viagem foi ter um encontro com Fidel Castro. Oficialmente não havia razão para isso, muito menos para que o próprio pontífice fosse até ao ditador, digamos assim, licenciado por problemas de idade.
O papa Francisco fez algo parecido ao beija-mão com Fidel Castro, que tornou-se uma liturgia de políticos esquerdistas estrangeiros na ilha. Lula, Dilma, Correia, Morales e Maduro fazem isso com naturalidade, mas o papa precisava entrar nessa? O próprio porta-voz do Vaticano disse que a reunião foi "muito relaxada, fraternal e amigável". É demais, não? Um dos presentes recebidos por ele do ditador licenciado pela idade foi um livro conhecido do brasileiro Frei Betto, "Fidel e a religião", obra de 1985 com uma ampla entrevista do ditador sobre o tema. Apesar de assinado por Frei Betto, o livro é mais um documento político do próprio Fidel Castro em que ele dá uma cuidadosa guaribada na sua imagem política, para acomodar-se taticamente a novos tempos na política mundial. Essa nova posição de Fidel Castro surgiu até com certa demora, mas entende-se que estivesse até então fora da sua pauta o respeito à religião alheia, já que até a década de 80 Cuba vivia sob a dependência econômica praticamente total de um outro país oficialmente ateu, a União Soviética, cujo regime nessa década demoliu-se internamente. Sem o ouro de Moscou, até a mão de Deus podia ajudar nos problemas que, na sua esperteza, o ditador sabia que viriam.
É certo que o papa Francisco já leu e talvez deva até ter estudado com atenção (se não o fez, devia) a conversa entre Frei Betto e Fidel Castro. Se possível, com todas as implicações externas ao conteúdo do livro e a relação direta com sua religião. Ele deve ter também o conhecimento do sofrimento dos católicos com a esquerda em vários países do mundo, inclusive em lugares onde o comunismo não predominou. Onde houve o comunismo, como foi o caso de Cuba, aí então a barra era pesada para quem quisesse praticar a religião. São fatos. Nada disso tem a ver com qualquer posição conservadora, muito menos no aspecto religioso, pois nem católico sou. É uma questão de acenos e atitudes práticas com o objetivo de fortalecer a democracia e o respeito à liberdade. O gesto é esperado de qualquer homem de boa vontade e nisso esse papa tem decepcionado bastante.
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POR José Pires

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Imagem- A foto foi feita e distribuida internacionalmente pelo próprio regime cubano

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Ministro-expiatório

Já corre a notícia de que a presidente Dilma Rousseff está voltando atrás em medidas do pacote econômico anunciado na semana passada. Fala-se em recuo na suspensão do reajuste salarial do funcionalismo, no direcionamento das emendas parlamentares e na diminuição de recursos do Sistema S. Mas podiam colocar também nesta lista a tentativa da volta da CPMF. Ao voltar com essa conversa, Dilma mostrou que está totalmente fora da realidade. Como é que um governo totalmente sem força política faria para convencer parlamentares a votar um negócio desses já no final de uma legislatura que antecede um ano de eleições municipais? Em 2016 todo deputado ou senador estará envolvido em fortalecer suas bases nos municípios brasileiros. Grande parte desses políticos terá candidaturas a prefeito. Acho difícil convencer essa tigrada a ter de explicar nos palanques em suas cidades que votaram a favor da volta da CPMF.
No meio desse fracasso vai ficar feia a credibilidade profissional do ministro Joaquim Levy. É interessante a sua gradual desmoralização. Quando foi nomeado ele trazia a imagem do fiador que garantiria boas relações com o chamado mercado. Isso parece conversa de mafioso, mas é o assunto que sempre aparece numa crise. Levy teria o poder de amaciar os rapazes da outra escola de Chicago, não a de Al Capone. Houve até a cogitação da sua permanência no cargo, caso Dilma sofresse o impeachment. Os tucanos foram os que mais se animaram, numa atitude muito besta, apesar de típica de tucano. Nem vou fazer juízo de valor sobre a qualidade de Levy como economista, mas o papo é idiota. E mesmo indo por este raciocínio tolo, que exige acreditar que a dificuldade brasileira se restringe a ter um bom condutor no ministério da Fazenda, ainda assim haveria muita gente mais apropriada ao cargo que Joaquim Levy.
O mixo pacote acabou com o que restava da credibilidade do ministro. Ele até poderá depois revelar todas as dificuldades de trabalhar com Dilma, uma pessoa que todos sabem ser intratável, porém isso não vem agora ao caso. Ninguém tem dúvida também de que foi o PT que aprontou essa quebradeira. Porém, ele é o ministro e tudo leva sua assinatura. Quando entrou, já sabia que teria de se arranjar, em meio a incompetentes e gatunos compulsivos. E aí está: no resultado final, seu trabalho não vem tendo boa avaliação de parte alguma. O ministro não encantou. Pobre Levy. Não é difícil até mesmo que haja sua substituição por outro ministro, com ele levando a fama de não ter tido capacidade para o cargo nesta situação difícil da economia brasileira.
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POR José Pires

A degeneração premiada

O jornal britânico "Daily Mail" publicou uma matéria na última terça-feira sobre "sorteios" de meninas brasileiras de pouca idade, inclusive crianças de 11 anos, em depravada promoção feita numa cidade do interior da Bahia, a pequena Encruzilhada, de cerca de 20 mil habitantes. É um bingo semanal, cujo prêmio é o uso sexual do ser humano posto em sorteio. A matéria do jornal britânico traz o espanto do estrangeiro com tamanho absurdo, mas é claro que abusos sexuais de menores já são um fato comum em nosso país. O jornal informa que o sorteio de meninas na cidade baiana já era tão conhecido que atraía homens de toda a região. Dizem que com menina virgem o bilhete era mais caro.
O "sorteio" é um detalhe da monstruosidade, mas o uso abusivo de seres humanos está realmente disseminado neste país e não só no aspecto sexual. E também não é restrito às classes sociais mais baixas e nem aos chamados grotões do interior. A matéria traz na internet um “tour” do repórter pelos ambientes de prostituição também na capital de Pernambuco. E sabemos que a violentação na vida do brasileiro é geral e não está só na prostituição. É opressivo o cotidiano de quem mora em localidades pobres em cidades grandes como Rio ou São Paulo e tem sua existência acossada por bandidos e policiais. Não é difícil saber do quanto deve ser difícil criar os filhos nesses lugares, até porque de uma forma ou outra o aviltamento de crianças e jovens já atinge qualquer classe social nas cidades brasileiras. Segundo o “Daily Mail”, o Brasil já tem a segunda maior taxa de prostituição infantil no mundo.
Essa relação de indignidade humana tem seu envolvimento com a imoralidade política que toma conta do país. Recentemente tivemos a prisão de um assessor especial da senadora petista Gleisi Hoffmann, acusado de ter relações sexuais com menores de idade, usando para isso o cargo de prefeito numa cidade do interior do Paraná. Ele está na cadeia até hoje. O assessor de Gleisi foi preso quando trabalhava com ela na Casa Civil, ao lado do gabinete da presidente Dilma. Ainda no Paraná, em corrupção descoberta pelo Ministério Público no governo do tucano Beto Richa, foi encontrado também este laço da política com o abuso sexual de menores. Um assessor direto, que até viajava a trabalho com o governador, foi acusado de abuso de menores. Fiscais da receita estadual achacavam empresários e também faziam farras sexuais com menores de idade.
Como se diz por aí, o exemplo vem de cima. Tivemos até recentemente um presidente que zombava publicamente de regras e leis e cujo partido — o famigerado PT — e grupo político está até hoje no poder. O Lula (ou Brahma, outro cognome) tirava sarro de leis ambientais e outras leis e regulamentos éticos. Havia quem achasse engraçado, mas eu já dizia na época que todo abuso administrativo acaba abrindo espaço para a degeneração de todas as relações sociais. Isso termina atingindo nossas famílias e nossas crianças. Estamos ainda hoje sob poderes políticos que tanto no executivo quanto no legislativo sustentam-se na imoralidade e vivemos debaixo de uma cultura sob o domínio executivo de gravadoras, rádio, televisão, imprensa e internet com conceitos baseados meramente no lucro e na satisfação do que tem de pior no suposto desejo do mercado de consumo. Não tem jeito disso não ser decisivo no aumento do desrespeito humano.
Temos estabelecida no Brasil uma cultura grosseira, que violenta e faz uso até jocoso dos sentimentos humanos. Dá para notar isso o tempo todo nas músicas, na TV e no rádio, na internet, enfim em tudo quanto é possibilidade de comunicação e onde o país deveria estar criando coisas de qualidade. Quem já prestou atenção à letra de um funk ou mesmo de uma música desses auto-intitulados "sertanejos" sabe do que estou falando. A mesma coisa pode ser vista na televisão e também na internet. E, como já falei, essa sujeira moral é também da intimidade da política. No final, o resultado é esse relato espantado feito pelo "Daily Mail", quase como um aviso de que devemos negar com todas as forças a aceitação dessas barbaridades como algo normal.
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POR José Pires

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A matéria do Daily Mail

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Tragédias brasileiras

O resultado do laudo pericial do acidente que matou o cantor Cristiano Araújo e sua namorada, Allana Moraes, tem tudo ver com uma porção de barbaridades que afetam a vida e podem até acabar com ela, como aconteceu neste caso. São as "pedaladas" que o brasileiro vai dando, muitas delas sem intenção criminosa, até em razão de atitudes totalmente fora de regras serem tomadas em situações que colocam em risco o próprio autor da façanha. O problema no carro de Cristiano Araújo, como todos devem estar sabendo, foi a ruptura de soldas da roda traseira. Isso mesmo: trocaram as quatro rodas originais de um Range Rover por outras de segunda-mão e ainda por cima com soldagem feita com material de má qualidade. E além da impressionante velocidade de 179 km/h tem também o fato dos dois mortos não estarem usando o cinto de segurança. As duas pessoas que se salvaram no acidente estavam com cinto.
Não foi à toa que usei o termo "pedalada", o mesmo das manipulações econômicas feitas pela presidente Dilma Rousseff para encobrir os rombos das contas do governo federal. São atitudes muito parecidas, inclusive na visão irresponsável de que não há problema em dar um jeitinho seja na economia ou nas rodas de um carro, nas duas situações passando por cima de regras básicas. A diferença que existe entre os dois casos é que, ao contrário do que foi feito com o carro do cantor, na manipulação nas contas públicas promovida por Dilma e sua equipe teve a intenção criminosa de forjar uma falsa situação econômica para ganhar a eleição. No entanto, a origem dos dois fatos tem em comum essa cultura de irresponsabilidade que domina praticamente tudo o que é feito neste país.
É dureza viver no meio desse comportamento desrespeitoso até ao bom senso. Quando a insensatez torna-se norma fica até feio apontar riscos ou mesmo pedir que as coisas sejam mais bem feitas. Vive-se hoje em dia esse problema o tempo todo, inclusive em locais de maior risco, como no uso do transporte público ou nas ruas, tendo que enfrentar o trânsito brasileiro. Está uma barra viver no Brasil em qualquer lugar. Mas no geral, quem aponta problemas e exige maior cuidado pode até ser visto com antipatia. Não complica, ô meu. Qual é o problema de tirar rodas asseguradas por testes de fábrica e trocar por outras muito mais maneiras? E o que tem dar uma mexida nuns numerozinhos das contas públicas que podem ser acertados depois? Pô, que complexo de vira-lata e cisma de fracassomaníaco.
São atitudes que costumam ir de encontro à realidade, quando então pode ser muito difícil consertar. Muitas vezes é mesmo impossível. O que sobra sempre é muita dor e a lamentação sobre como tudo estaria muito melhor se fossem respeitadas regras muito simples. E cá estou de novo falando das duas coisas, o trágico acidente com o carro do jovem cantor e a feia trombada política e econômica que desgraçou o nosso país.
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POR José Pires

Tragédias

O resultado do laudo pericial do acidente que matou o cantor Cristiano Araújo e sua namorada, Allana Moraes, tem tudo ver com uma porção de barbaridades que afetam a vida e podem até acabar com ela, como aconteceu neste caso. São as "pedaladas" que o brasileiro vai dando, muitas delas sem intenção criminosa, até em razão de atitudes totalmente fora de regras serem tomadas em situações que colocam em risco o próprio autor da façanha. O problema no carro de Cristiano Araújo, como todos devem estar sabendo, foi a ruptura de soldas da roda traseira. Isso mesmo: trocaram as quatro rodas originais de um Land Rover por outras de segunda-mão e ainda por cima com soldagem feita com material de má qualidade. E além da impressionante velocidade de 179 km/h tem também o fato dos dois mortos não estarem usando o cinto de segurança. As duas pessoas que se salvaram no acidente estavam com cinto.
Não foi à toa que usei o termo "pedalada", o mesmo das manipulações econômicas feitas pela presidente Dilma Rousseff para encobrir os rombos das contas do governo federal. São atitudes muito parecidas, inclusive na visão irresponsável de que não há problema em dar um jeitinho seja na economia ou nas rodas de um carro, nas duas situações passando por cima de regras básicas. A diferença que existe entre os dois casos é que, ao contrário do que foi feito com o carro do cantor, na manipulação nas contas públicas promovida por Dilma e sua equipe teve a intenção criminosa de forjar uma falsa situação econômica para ganhar a eleição. No entanto, a origem dos dois fatos tem em comum essa cultura de irresponsabilidade que domina praticamente tudo o que é feito neste país.
É dureza viver no meio desse comportamento desrespeitoso até ao bom senso. Quando a insensatez torna-se norma fica até feio apontar riscos ou mesmo pedir que as coisas sejam mais bem feitas. Vive-se hoje em dia esse problema o tempo todo, inclusive em locais de maior risco, como no uso do transporte público ou nas ruas, tendo que enfrentar o trânsito brasileiro. Está uma barra viver no Brasil em qualquer lugar. Mas no geral, quem aponta problemas e exige maior cuidado pode até ser visto com antipatia. Não complica, ô meu. Qual é o problema de tirar rodas asseguradas por testes de fábrica e trocar por outras muito mais maneiras? E o que tem dar uma mexida nuns numerozinhos das contas públicas que podem ser acertados depois? Pô, que complexo de vira-lata e cisma de fracassomaníaco.
São atitudes que costumam ir de encontro à realidade, quando então pode ser muito difícil consertar. Muitas vezes é mesmo impossível. O que sobra sempre é muita dor e a lamentação sobre como tudo estaria muito melhor se fossem respeitadas regras muito simples. E cá estou de novo falando das duas coisas, o trágico acidente com o carro do jovem cantor e a feia trombada política e econômica que desgraçou o nosso país.
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POR José Pires

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Inflando o sucesso do boneco do Lula presidiário

O boneco do Lula vestido como presidiário pegou mesmo. Já estão em fabricação variados materiais com a figura do presidente de honra do PT e também existe uma curiosidade nacional sobre o local onde o boneco inflável vai aparecer e qual será a reação dos petistas. Bem, não se pode mais dizer que o Lula deixou de atrair multidões. Está aí o Lula presidiário encantando o povo. O sucesso desse boneco se deve em grande parte a mais uma mancada dos petistas, dentre as tantas que eles vêm cometendo nos últimos tempos, a começar pelas atitudes de Lula, que inflado demais em seu gigantesco ego desapercebeu-se que sua excessiva exposição fatalmente o faria virar alvo fácil da oposição.
Comprando todo tipo de briga e falando mais besteiras do que já era normal para ele, Lula perdeu o respeito institucional que é conferido a um ex-presidente e se nivelou a qualquer um nas ruas. E vieram os erros depois do aparecimento do imenso boneco na manifestacão de agosto. O Instituto Lula e o PT investiram contra a figura do presidiário, com as duas instituições inclusive divulgando notas oficiais reclamando da tiração de sarro. Depois, teve o episódio da militante maluca que furou o boneco com uma faca durante uma manifestação, na última sexta-feira, em São Paulo.
Ninguém da oposicão conseguiria promover melhor o Lula presidiário, também conhecido como "Pixuleco", que é a forma dos companheiros do Brahma (quantos apelidos tem esse cara; parece bandido) de chamar a propina. Furar o boneco do Lula presidiário foi um marketing tão bom para o produto, que daria até pra suspeitar dessa garota ser uma coxinha infiltrada entre os vermelhos. Mas ela já foi bem identificada. É o tipo de idiota político que nasce do clima criado pelo PT e pelo chefão Lula. Mas não se deve rir disso. O fanatismo é capaz de coisas muito piores do que furar boneco inflável com faca.
O símbolo do boneco presidiário é terrível para a imagem do Lula, que agora serve de esculacho nas ruas. E todo esse sucesso se deve à reação errada do PT e do próprio Lula, que estão perdendo a mão na arte de fazer política. É o que dá ficar usando a mão em mensalão e petrolão. Já é bastante conhecido o fato de que uma sátira política cresce em medida semelhante ao desconforto e a contraposição do satirizado. Pô, bem que os manifestantes da oposição podiam dar um pixuleco para o Lula por esse trabalhinho de turbinar a popularidade do boneco inflável.
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POR José Pires

A meta do autoritarismo

O PT tem um velho problema com metas e essa foi em grande parte a causa do grande desastre político em que eles se meteram. Quem conhece esse partido como eu conheço, desde a sua criação, já viveu até muito de perto grandes dificuldades políticas criadas pela forma afobada de ser dos petistas. É um problema criado pela meta. Eles não se aguentam. O objetivo final do partido é o socialismo, sendo que dirigentes partidários de bastante influência são favoráveis a um socialismo bem autoritário, de inspiração cubana ou do antigo comunismo soviético. O repetido beija-mão com Fidel Castro, feito pelo ex-presidente Lula, pela presidente Dilma Rousseff, e por outros importantes dirigentes petistas não é só uma questão sentimental. Eles acreditam de fato que aquela porcaria de sistema implantado em Cuba é coisa de qualidade. Pensam de forma muito parecida a Fidel Castro e se tivessem a chance fariam algo igual no Brasil. Em economia é provável que repetissem barbaridades administrativas de Castro e Che Guevara, como por exemplo estatizar carrinhos de cachorro-quente.
O PT até já teve militantes respeitáveis (ainda que eu sempre tenha tido discordâncias ideológicas com eles), gente com qualidade intelectual e profissional que sustentava um projeto de justiça social com respeito à democracia e de um capitalismo que não tenha o feitio desse nosso, dominado mais por um ideário plutocrata do que por uma visão política e econômica sustentada por empresários empreendedores de fato. Essa militância sensata já existiu. E na minha opinião foram essas pessoas que deram credibilidade e base política para o crescimento do partido, até que Lula e seus cupinchas tomaram o poder dentro da legenda e calaram ou forçaram as vozes sensatas a dar o fora.
O PT sempre teve uma meta e se o país permitisse até dobrariam essa meta depois de alcançá-la. Não tenho dúvida alguma que líderes petistas como o mensaleiro José Dirceu e também o Lula seriam capazes até de criar gulags para encarcerar quem discorda de seus objetivos autoritários. Ainda bem que figuras importantes desse projeto político foram dominadas pela ambição do dinheiro fácil e acabaram indo para a prisão, enquanto ainda temos uma ordem democrática. Outros aparentemente mais espertos, como Lula, mesmo permanecendo impunes tiveram arrasado seu prestígio político. Para a felicidade geral da nação acabou para eles também, mesmo que não tenham ido para o xilindró. Não li toda a obra de Antonio Gramsci (que é vasta e chata), mas até onde eu sei não existe nela um capítulo rigoroso ensinando que para tomar o Estado de forma traiçoeira para a implantação progressiva de um domínio comunista não pode roubar. Faltou essa lição no método gramsciano, um esquecimento imperdoável, até porque o autor é italiano.
E por aqui, além da roubalheira, teve uma maquinação de um grupo para dobrar a espinha de toda a militância, no que Dirceu, Lula e outros chefes tiveram sucesso. No entanto, para fazer o partido se dobrar aos seus caprichos os companheiros poderosos quebraram essa mesma espinha, que era o que podia dar solidez técnica na hora de governar. O que sobrou de militância, de gente covarde e submissa, pode ser chamado de "Efeito Dilma", pois são todos parecidos com essa senhora em arrogância e incompetência. Dá para fazer algo com essa gente? Claro que sim, mas só este desastre que aí está.
No final, foi uma autofagia que fez um grande bem ao Brasil. Quando arrebentaram seus quadros partidários de alguma habilidade técnica os chefes petistas fizeram o partido perder a capacidade de administrar o Estado e também foram minando o fortalecimento qualitativo do PT, perdendo então definitivamente a capacidade de ter uma política de sustentação de seus propósitos futuros. As bombas estão todas explodindo agora. É mais ou menos o que Fidel Castro fez em Cuba depois da descida de Sierra Maestra, após a revolução que deu-lhe o poder por mais de meio século e de onde só sairá morto. Eliminou ou forçou a sair da ilha quem discordasse dele. Os companheiros brasileiros vivem tomando a benção do ditador cubano mesmo depois dele ter ficado gagá porque sempre acreditaram naquele modelo. A nossa sorte é que aqui o mesmo tipo de desgraça política não foi à frente.
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POR José Pires