quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Arma contra o terror

Os atentados dos terroristas islâmicos vêm tendo resultados contrários aos que eles parecem ter planejado com suas matanças. Tentaram destruir o “Charlie Hebdo” e o que aconteceu foi um aumento da importância e o fortalecimento da simbologia do jornal. O “Charlie Hebdo” sempre foi um jornal de grande valor. Seus desenhistas foram essenciais na modernização do humor internacional, desde sua criação no final da década de 60, tanto na tematização quando na forma de satirizar o acontecimento. A fundação do jornal é um pouco anterior a do nosso “O Pasquim”, que já fechou há muito tempo e nem é lembrado mais. Mas aqui não é como na França, que preserva sua cultura. E por isso mesmo o Brasil não sai do buraco. “O Pasquim” teve bastante influência do “Charlie Hebdo”, inclusive no traço e no humor cáustico de um dos mais geniais humoristas do semanário brasileiro, o Henfil, que teve bastante influência do cartunista Reiser — que era da velha guarda do jornal francês e morreu cedo de câncer, em 1983, aos 42 anos. Reiser era do grupo que criou o “Charlie Hebdo”, junto com Cabu e Wolinski, dois dos desenhistas que foram covardemente assassinados em janeiro deste ano na redação do jornal pelos terroristas islâmicos, no dia em que foram mortas 12 pessoas. O jornal sempre teve cartunistas ótimos, sendo que um dos melhores da nova geração, Tignous, estava entre os mortos do início deste ano.
O “Charlie Hebdo” sempre foi fundamental na história da imprensa mundial, no entanto essa importância não era do conhecimento geral, a não ser entre os franceses e quem é da área. O atentado chamou a atenção de todo o mundo para o jornal, que virou um símbolo de resistência e não só da França. Somos todos Charlie, mesmo quem se incomoda com certas coisas que eles fazem. Até o direitista que busca justificativa para o massacre numa ou outra charge violenta contra o cristianismo sabe muito bem que como alvo do terrorismo islâmico os cristãos estão bem antes que qualquer cartunista impertinente. Bem, queiram ou não, a situação fortaleceu ainda mais a percepção já bem antiga que diz que enquanto alguém estiver fazendo uma piada que nos incomoda é sinal de que a democracia vai indo relativamente bem.
Hoje em dia, qualquer acontecimento mais importante logo faz o mundo inteiro querer saber o que é que o “Charlie Hebdo” vai publicar. Isso traz uma lembrança boa em relação a nós, pois é o que acontecia também com “O Pasquim”, quando quase toda semana esperava-se pra ver o que é que o jornal ia aprontar contra a ditadura militar. E essa turma valorosa (a “Turma do Pasquim”) foi essencial para atravessarmos aquele período tenebroso. É um papel parecido ao que agora vem sendo tocado pelo “Charlie Hebdo”, que aprontou uma muito boa nesse número publicado agora, depois do horroroso ataque dos terroristas islâmicos em Paris. A capa com uma pessoa tomando champanhe que vaza de buracos de bala é uma daquelas sacadas que dão um reforço na importância da existência não só de uma imprensa livre, mas também de um espírito aberto e tolerante a qualquer manifestação de crítica ou humor. Num momento amargo, de dor e indignação entravadas em nossa garganta, o deboche com o terror veio como um desafogo. Desse jeito podemos ir avançando, buscando uma forma de conter e punir esses bandidos, evitando afetar direitos universais que nasceram exatamente na boa e velha França e sem que inocentes levem as cacetadas que devem ser só para os criminosos fundamentalistas. Umas das nossas armas é também rir deles, sem ceder ao medo que o terror quer impor o mundo.
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POR José Pires

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Sebastião Salgado e a tragédia ambiental de Minas Gerais


Logo que ocorreu o rompimento das barragens da Samarco, em Minas Gerais, apareceu nessa história uma figura que me deixou intrigado pela rapidez de seu surgimento e pela forma que se colocou no assunto. Esta figura que surgiu de pronto é o conhecido fotógrafo Sebastião Salgado, de quem tivemos notícia neste caso em uma visita sua ao Palácio do Planalto, onde foi recebido pela presidente Dilma Rousseff. Foi uma estranha aparição para um homem que fez fama como alguém presente a acontecimentos onde captou a dor humana, em imagens que o tornaram conhecido no mundo inteiro. Com o histórico que tem, sua presença faria mais sentido às margens do Rio Doce, talvez até documentando o assustador estrago produzido pela Samarco, quem tem como maior acionista a mineradora Vale, antiga “Vale do Rio Doce”, que acabou dando uma razão prática ao marketing que eliminou o nome do rio de sua marca publicitária.
Sebastião Salgado poderia colocar os pés nas margens do Rio Doce e dali talvez dar uma ressonância aos gritos desesperados dos que vivem em torno daquelas águas envenenadas. Seria interessante inclusive ver o que ele com seu retumbante estilo poderia extrair plasticamente daquela situação terrível, neste desastre ambiental que parece ser o maior já ocorrido no país. Mas não foi isso que ele fez. De imediato, o fotógrafo foi ao encontro de Dilma e no gabinete dela apresentou um plano de recuperacão do Rio Doce. O desastre não tinha ainda uma semana. Ele já disse que Dilma “achou a ideia fantástica”, mas o que pensei de imediato é sobre a opinião das pessoas que vivem às margens do Rio Doce. E como já falei, nem que fosse apenas pela cortesia a primeira visita tinha que ser feita naqueles cantos e não no centro do poder federal, no gabinete de quem jamais cumpriu com responsabilidades que evitariam com certeza o desastre ambiental. Mas nenhuma crítica veio até agora do fotógrafo. Salgado transborda otimismo. Depois do encontro com Dilma ele afirmou que espera que se constitua um “megafundo” que junte a Samarco, a BHP e a Vale no plano para recuperar todas as nascentes do Vale do Rio Doce.
Sei que Salgado é proprietário de uma grande extensão de terras na região, onde ele tem feito um trabalho de reflorestamento e recuperação ambiental. É provável que ele já estivesse desenvolvendo um projeto, apesar de que até agora nada disso havia sido contado para ninguém. No entanto, acho que não pode haver dúvida de que as condições do ambiente mudaram bastante depois da região ser tomada por lama tóxica, não é mesmo? Não se sabe ainda com exatidão nem da extensão do estrago causado pela Samarco, BHP e Vale. E como homem de esquerda, creio que Salgado teria de concordar que mudou bastante também a situação política.
O fotógrafo que me desculpe, mas parece coisa preparada. Num momento que exige uma rigorosa discussão crítica ele aparece com a solução pronta e de uma forma que ameniza o debate público necessário não só para a recuperação do rio como também a mudança das condições políticas que vêm impondo durante décadas o domínio de uma grande empresa sobre o destino das vidas humanas e o ambiente de uma extensa região. Não é de hoje que a Vale causa danos ao Rio Doce e tudo que o cerca. Num país em que a economia não leva em conta a vida das pessoas, a Vale e outras grandes corporações sempre reinaram. Desde que entrou nesta história, junto a Dilma no Palácio do Planalto, o aclamado fotógrafo vem colocando panos quentes na discussão. Nem tocou em políticas públicas, tão ausentes nesta área em que até a sobrevivências de populações indígenas está em risco. Não teve uma palavra de crítica aos responsáveis pelo desastre, o que pode até parecer estranho demais em razão da fama de combatividade que embala seu respeito como profissional. Vou ser franco: até aqui seu comportamento não difere do que faria um relações públicas da Samarco, da BHP e da Vale. Nunca gostei da figura política de Salgado, com suas relações estreitas com o ex-presidente Lula e a falta total de crítica ao descalabro moral e político que vem acabando com o nosso país, de graves consequências inclusive no respeito ao meio ambiente. Lula é um político e governante que fez até questão de mostrar em falas públicas seu desprezo pela defesa do meio ambiente. Dilma segue o mesmo padrão. Neste ciclo de governos que tem ele como líder máximo houve um desmonte imenso de leis e regras ambientais, que mesmo já sendo anteriormente ineficazes ele e seu partido conseguiram piorar.
Porém, o Lula é um ídolo para o fotógrafo. Em abril de 2013, Salgado inaugurou em Londres uma grande exposição, resultado de um projeto que permitiu que ele visitasse 32 regiões da Antártida ao Ártico, entre 2004 e 2012. Imaginem o custo disso. O release conta que as mais de 250 fotos reunidas na mostra “retratam as partes mais puras do planeta e modos de vida tradicionais, destacando a relação harmônica do homem com a natureza”. A exposição “Genêsis” teve sua premiére mundial no Museu de História Natural de Londres. Convidado por Salgado, o ex-presidente Lula fez a abertura da exposicão, em 2013, com um discurso humano e ecológico bastante inspirado. Não foi de improviso, é claro. Leu tudo atentamente. Dizem que uma imagem vale por mil palavras, pois essa do Lula na exposição de Salgado também deve valer bastante. Outro fato importante é que o patrocinador desse projeto carissimo do fotógrafo foi a mineradora Vale. Mas tem mais um fato interessante, que descobri indo atrás de mais informacões depois de sua visita a Dilma por causa do rompimento das barragens em Minas Gerais. O Instituto Terra, de Salgado, tem um projeto no BNDES que pede financiamento do banco a fundo perdido. Não sei qual é a quantia, mas deve ser bastante dinheiro, pois deu uma parada agora com os cortes recentes. Como se vê, são muitas interações que no minimo criam um emaranhado de conflitos de interesses na interferência do famoso fotógrafo nesta tragédia em torno do Rio Doce.
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POR José Pires

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Tráfico e esquerda, uma relação antiga

Já faz tempo que o governo dos Estados Unidos vem acusando o governo da Venezuela de apoio ao narcotráfico. As denúncias ocorrem desde antes da morte de Hugo Chávez e aumentaram bastante depois de Nicolás Maduro assumir o poder. Essa era uma queixa antiga também do governo da Colômbia, que faz fronteira com a Venezuela. Pois neste caso os americanos obtiveram hoje uma forte argumentação contra o governo venezuelano com a prisão no Haiti do filho de criação de Maduro, Efraín Antonio Campos Flores, com 800 quilos de cocaína. A droga havia sido despachada na Venezuela. Ora, não dá para acreditar que num governo com tamanha vigilância interna seja possível um embarque desse tipo, ainda mais de uma pessoa com tal proximidade com o presidente venezuelano — ele é sobrinho da primeira-dama Cilia Flores e foi criado pelo casal desde criança.
O envolvimento de chavistas com o narcotráfico já é assunto antigo e consta até a participação de militares, o que acabou dando o nome ao esquema governista venezuelano de “Cartel dos sóis”, uma referência às divisas de generais venezuelanos. Até o filho do ex-presidente Chávez, Hugo Chávez Colmenares, é acusado de envolvimento no crime. No tráfico estaria também o número dois do regime bolivariano, Diosdado Cabello, presidente da Assembleia Geral. Sabe-se há muito tempo da relação estreitíssima do governo bolivariano com o grupo guerrilheiro das Farcs, que explora o tráfico de drogas na Colômbia. É claro que a proximidade com as Farcs só poderia ter uma influência desse tipo.
Esta relação da esquerda dita revolucionária com o tráfico de drogas é facilitada por duas vias, uma delas moral e a outra prática. Primeiramente tem a velha mitologia esquerdista de elevar o bandido a um padrão de contestador do sistema. Nesta visão, o narcotráfico serviria inclusive como arma contra os países mais ricos, afetando-os por meio da disseminação da droga. O raciocínio é de uma canalhice atroz, mas a doutrina revolucionária costuma ter disso. A questão prática é a do financiamento das atividades de guerrilha e terrorismo e até de campanhas eleitorais com o uso de dinheiro do tráfico, que pode começar apenas com a extorsão dos traficantes. Porém, logo depois tudo acaba misturado, com os militantes armados agindo como traficantes.
Até Cuba tem uma relação com esse desvio grave, que aconteceu quando o regime de Fidel Castro atuava na África, em países como Angola e Moçambique. Em 1976, Fidel Castro tinha 15 mil soldados em Angola. Nessas expedições no continente africano, brilhava de forma marcante o general cubano Arnaldo Ochoa, tido como herói junto aos cubanos, até ser executado por determinação de Castro. Cuba sentia então os efeitos da glasnost de Mikhail Gorbatchev. Na luta interna do regime entre quem pretendia uma abertura política e os dirigentes que queriam manter a coisa como estava, Ochoa foi usado por Castro como bode-expiatório para calar a possível dissidência.
A justificativa para matar o general Ochoa foi a acusação de tráfico de drogas. E isso existiu mesmo? O que dizem é que dinheiro não só do tráfico de drogas como também de diamantes era usado em parte do financiamento das tropas. Uma ressalva que se faz é que os cubanos não participavam do tráfico. Era dinheiro exigido aos traficantes. E que Fidel Castro sabia disso ninguém precisa dizer. A menos que se acredite que o ditador cubano só veio a ter conhecimento do fato mais de dez anos depois das tropas cubanas saírem da África, para só então tomar providências mandando para o pelotão de fuzilamento um general até então idolatrado pelos cubanos.
O julgamento de Ochoa foi naquela rapidez muito comum no regime de Fidel Castro. O militar cubano foi preso no dia 12 de junho de 1987 e já no dia 9 de julho foi dada a sentença de pena capital pelo Tribunal Militar Especial. O fuzilamento foi no mesmo mês, no dia 13. Quem conta toda a história desse importante episódio da esquerda latino-americana é o escritor cubano Norberto Fuentes, ele também um apoiador do regime desde a revolução, em 1959. Com esses acontecimentos houve também seu rompimento com Fidel Castro, com quem até então tinha uma relação muito próxima, de passarem a madrugada juntos bebendo e falando da vida.
Fuentes quase foi morto também. Ele foi preso logo depois da execução de Ochoa e só escapou depois de um amplo apelo internacional de intelectuais para sua soltura. Saiu de Cuba acompanhado por Gabriel García Márquez, em um avião cedido pelo governo mexicano. O escritor colombiano era um amigo antigo e havia intercedido junto a Fidel Castro por sua vida. García Marquez era também muito amigo do general Ochoa e também pediu que ele fosse poupado. Mas esse pedido não foi atendido pelo ditador. Depois, no exilio, Fuentes contou toda a história em um livro muito bom, “Dulces guerreros cubanos”, que infelizmente nunca foi traduzido no Brasil.
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POR José Pires

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

O perigo de ser brasileiro

É brutal o rescaldo do rompimento das barragens da mineradora Samarco, em Minas Gerais. O desastre já é considerado o maior desastre ambiental de Minas e está entre os maiores do Brasil. E tem também as perdas em patrimônio e em vidas humanas. As imagens da destruição são de doer o coração. Não deve ser fácil suportar diretamente o sofrimento de uma tragédia desse porte, quando sabemos que até objetos que nos pertencem guardam valores que não são apenas os materiais. Já foram confirmadas duas mortes e 25 pessoas continuam desaparecidas, mas o próprio governador do estado, Fernando Pimentel, teve o realismo de dizer que é difícil os trabalhadores da barragem serem encontrados com vida. São 13 funcionários que sumiram depois de arrebentadas as barragens do Fundão e de Santarém, com o despejamento de 62 milhões de metros cúbicos de água e rejeito de minério, formando uma avalanche de lama tóxica que avançou quilômetros atingindo vários municípios.
O derramamento de lama e sujeira chegou a 15 metros de altura. Das 180 casas do distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, foram destruídas 158. Apenas 22 residências ficaram de pé depois que a lama baixou, espalhando-se a seguir pela região. As perdas são inclusive de patrimônio histórico. A região é de grande importância histórica para o país. Mariana foi a primeira capital mineira, fazendo divisa com Ouro Preto. No mesmo distrito de Bento Rodrigues uma igreja do século XVIII desapareceu sob a lama. Outros bens culturais também foram seriamente atingidos. E toda a localidade ainda deverá conviver durante muito tempo com problemas criados pela lama, que por ser tóxica deve afetar a produtividade do solo e os recursos hídricos de um extenso território. A agricultura pode sofrer danos durante anos. Para se ter uma ideia da dimensão do estrago, a lama e rejeitos soterraram o rio Doce à distância de cerca de 100 quilômetros das barragens destruídas. Os rejeitos levados pelas águas ainda vão alcançar Espírito Santo, onde estão chegando nesta segunda feira.
O desastre que afetou Minas Gerais traz outra grande preocupação sobre barragens, além dos problemas geográficos, ambientais e até étnicos que já se sabe que são causados por sua construção. Elas também podem se romper. É claro que não estou querendo transferir de imediato para barragens em todo o país os riscos que levaram à tragédia mineira. Mas só se vive com tranquilidade quando existe confiança. E alguém pode confiar na segurança das barragens feitas no Brasil depois de saber com o estouro do escândalo do petrolão como é que se comportam os dirigentes das maiores empreiteiras do país? E também é vasta a experiência dos brasileiros quanto ao funcionamento das instituições nacionais responsáveis pela prevenção e atendimento a acontecimentos como este de Minas, desde o funcionário de carreira até os nossos representantes eleitos, como governadores, prefeitos e as autoridades federais. Passado o susto e a dor, por mais grave que tenha sido o problema nós sabemos que o comportamento nacional é o de deixá-lo para trás, sem que haja uma aplicação séria das autoridades no trabalho de resolver as causas e atuar com rigor sobre as consequências. É por isso mesmo que tragédias se repetem todos os anos. Não sei até quando essa atitude vai prevalecer, mas até o país tomar jeito a melhor prevenção neste caso é não ficar na frente de barragem alguma.
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POR José Pires

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Imagem- A lama tóxica deixa suas marcas em Barra Longa, depois de passar por Mariana. Foto de Antonio Cruz/Agência Brasil.

domingo, 1 de novembro de 2015

Lula, o lero mais bem pago do Brasil

Os petistas sofriam até recentemente de uma tensão psicológica com o final de semana e a chegada da revista “Veja” às bancas. A patologia podia ser chamada de "Síndrome de Veja". No entanto, o problema se agravou. Agora a tensão é também com a “Época”. E o PT pode se preparar para a depressão com os jornais diários na segunda-feira, terça, quarta, quinta e a sexta. O ritmo é brabo e sempre tem assunto novo aparecendo no imenso poço de corrupção aberto neste ciclo de governos petistas, sempre com o ex-presidente Lula em destaque, comandando as maracutaias com sua família de milionários emergentes do dia pra noite. Pois o PT andava tenso com a “Veja” e esta semana foi a “Época” que veio com denúncia mais poderosa contra ele e seus companheiros. Não tem delator premiado, juiz Sergio Moro, não exige decisão do deputado Eduardo Cunha, não é furo do Jornal Nacional, nada dessas coisas em que os petistas se apegam para justificar roubalheiras apelando para papos paralelos.
A denúncia da “Época” vem de uma fonte que não dá para petista acionar a máquina difamatória governista e colocar em dúvida. São dados oficiais do Conselho de Atividades Financeiras (Coaf), agência do Ministério da Fazenda responsável pelo combate à lavagem de dinheiro no país. Os petistas vão dizer o que agora? Não dá pra falar que o Coaf é do PIG. Não tem como escapar desses fatos impressionantes que provam que Lula tornou-se um dos homens mais ricos do país e vem sendo um fenômeno no ramo das palestras. De abril de 2011 pra cá, sua empresa de palestras recebeu 27 milhões de reais. Isso é o que foi declarado por ele para a Receita Federal apenas como conferencista. Já fizeram uma conta interessante com essa dinheirama. Ao dólar no valor médio de 2,20 reais, do mesmo período, o chefão do PT ganhou 12 milhões e 272 mil dólares. Dá R$ 32.812 reais por dia só pelo lero do Lula. Mas tem mais. A matéria da "Época" informa que o total oficial da movimentação financeira do chefão do PT registrada pelo Coaf neste período de cerca de quatro anos é de R$ 52,3 milhões de reais.
Realmente ele é o cara. Em palestras está faturando no mesmo nível de estrelas internacionais da política. E ainda ganha um pouco mais por outros serviços. Mas é preciso ressalvar que boa parte dos pagamentos veio de empresas que negociam com o governo do PT. Pelas palestras, por exemplo, 4 milhões de reais são da parte da empreiteira Odebrecht. E para fechar as contas desse milionário que em números oficiais movimentou mais de 50 milhões de reais em apenas quatro anos, também no Coaf o Brahma (apelido dele em empreitadas) aparece com renda mensal declarada de R$ 3.753,36. Puxa vida, nunca na história deste país se viu alguém se dar tão bem fazendo bicos.
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POR José Pires

Lula: aniversário pouco concorrido

Não é necessário ter muita experiência em marketing para saber que em situação de baixa popularidade certas ações devem ser descartadas para não chamar ainda mais a atenção ao isolamento do político. Foi esse efeito reverso que ocorreu com os vídeos de pessoas desejando feliz aniversário ao ex-presidente Lula, que teve um aniversário de data redonda nesta semana: 70 anos. Podia-se falar em inferno astral, mas os problemas de Lula nada têm a ver com relações místicas com a vida. É a realidade mesmo e são de sua responsabilidade pessoal os efeitos negativos que juntaram-se exatamente neste período, que deveria ser de altas festas em torno de seu nome. Nos últimos meses foram muitas as revelações de suspeitas brabas de corrupção bem próximas do Brahma, como o chefão do PT costuma ser chamado nas suas empreitadas. Até seu filho e a nora, além de um sobrinho que fez negócios milionários em Angola, apareceram como acusados em depoimentos ao Ministério Público em investigações sobre corrupção.
O desgaste de Lula é de tal grau que acabou com o mito construído pela propaganda. E eu duvido que ele consiga recompor aquela imagem fraudulenta. E foi exatamente agora, com a credibilidade lá embaixo, que inventaram de publicar vídeos de pessoas desejando feliz aniversário. É coisa de marqueteiro amador. Teve até os que cometeram a gafe de lembrar que o aniversariante está em baixa, como fez Chico Buarque, o eterno arroz de festa do PT, um dos poucos artistas que sobraram da leva de artistas que no passado animavam as festas petistas. No vídeo, por sinal, o cantor parece bastante tocado e não é pela emoção.
O resultado patético dos vídeos deu destaque ao isolamento do ex-presidente. Não é de hoje a debandada de personalidades que antes paparicavam Lula, mas agora são pouquíssimos os que querem ficar perto dele. O esgotamento do chamado "efeito teflon", que impedia que os malfeitos do ciclo de governos petistas grudassem à imagem de Lula, teve outra má consequência. O próprio Lula afeta negativamente a imagem de quem chega perto dele, daí a ausência dos parabéns de figuras destacadas da política, do empresariado e da cultura. Sumiu aquele monte de gente que ficava em torno do Lula feito moscas. Nota-se a falta também de antigos amigos do Brahma, companheiros como José Dirceu, Delúbio Soares, André Vargas e tantos outros parceiros que ficaram para trás, alguns deles largados na cadeia. Lula teve um aniversário de 70 anos bastante chocho, o que até era esperado. A surpresa é que ele tenha resolvido fazer propaganda de seu isolamento político.
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POR José Pires

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Auto-demolição

Já faz tempo que venho afirmando que o mito do ex-presidente Lula é uma invenção de propaganda, sem um conteúdo de fato para a lenda de estadista que o marketing tentou construir a partir da sua subida ao poder. O problema é que, em uma época carente de políticos de qualidade, a lenda tinha tudo para se impor. Mas agora felizmente acabou a farsa. Que bom que o próprio Lula se incumbiu de destruir essa imagem. Foi uma auto-demolição muito boa para o Brasil. Se um dia Lula tiver que ser lembrado por alguma coisa de positivo que fez para o nosso país será por ter destruído o mito Lula.
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POR José Pires

sexta-feira, 23 de outubro de 2015


sábado, 17 de outubro de 2015

A volta de Ciro Gomes

No Brasil nunca se deve pensar que uma crise não pode piorar, pois sempre aparece um jeito. Neste sábado aconteceu a filiação ao PDT de Cid Gomes, ex-governador do Ceará e de breve passagem pelo ministério da Educação de Dilma Roussef, de onde teve que se demitir depois de xingar deputados durante uma solenidade da pasta. O homem é um fenômeno: ficou menos de três meses no cargo. Mas não é a entrada de Gomes no PDT que pode acirrar os ânimos na política nacional. Ocorre que o partido já filiou também seu irmão, Ciro Gomes, que já se lançou para disputar  presidência da República em 2018. Os irmãos estão firmes na defesa do mandato de Dilma Roussef e atacando do jeito grosseiro de sempre os partidários do impeachment. Nem precisava, mas a opinião dos dois é mais uma razão para acreditar que o melhor para o Brasil é mesmo o impeachment.
Com essa imprensa que temos, já dá para prever o que vem por aí. Infindáveis entrevistas com Ciro Gomes, mesmo que não haja fato para sustentar seu palavrório, que depois irá para manchetes e os debates nas redes sociais. Uma ou outra pesquisa eleitoral também se encarregará de estimular a atenção no seu nome. No final, de prático mesmo sempre sobra pouca coisa, quase nada do que ele diz ou faz. Mas suas confusões são do gosto do jornalismo que é feito hoje em dia. Então, podem esperar: a balbúrdia política já conta com o desbocado Ciro Gomes, que não tem responsabilidade alguma com a sustentação de qualquer coisa que não seja a sua ambição pessoal. Só para se ter uma idéia, o PDT é sexto partido em sua carreira, que começou como deputado estadual no antigo PDS (da mais antiga ainda, Arena), partido de sustentação da ditadura militar.
Ciro Gomes teve uma grande sorte na vida, que lhe rende dividendos até hoje. Foi ministro da Fazenda no início do Plano Real, no final de 1994. Porém, o que nunca é esclarecido é que ele esteve no cargo durante pouquíssimo tempo: apenas por quatro meses. Foi nomeado rapidamente em razão de uma indiscrição política feita pelo ministro anterior, Rubens Ricupero, em conversa de bastidores numa entrevista de televisão que acabou sendo captada por antenas parabólicas. Mas já estava tudo resolvido no plano e Ciro Gomes apenas tocou o ministério, monitorado bem de perto por Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso, este já candidato a presidente da República. Mas quem é que está interessado em aprofundar os fatos neste país, não é mesmo? Políticos como Ciro Gomes se aproveitam disso e crescem, muitas vezes tirando proveito do que não fizeram ou escapando da responsabilidade do que fizeram de mal. Proporcionalmente ao pouco que fez na vida política, Ciro Gomes é um dos políticos que mais faturou em prestígio nos cargos que ocupou. E também deixa de responder pelo que pode ter feito no governo de seu estado, que ocupou como governador e também como secretário de Saúde no governo de seu irmão, até recentemente. Com a cobertura da imprensa nacional atendendo apenas aos grande centros, o que chega até nós são apenas apenas suas grosserias pessoais corriqueiras, algumas até pitorescas, com aquela sua característica local de coronel nordestino que ele corrige com ares modernos para aparecer for de sua terra.
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POR José Pires

Pelé descobrindo a roda

Pelé finalmente falou sobre a corrupção na Fifa. O ex-jogador brasileiro disse que "é uma vergonha o que está acontecendo". Como sempre, Pelé levou um tempão para dar opinião sobre algo muito grave na sua área e fez isso também da maneira costumeira, com a questão já totalmente definida. Já tem até cartola de alta importância no futebol brasileiro preso em país estrangeiro por corrupção, como acontece com José Maria Marin, ex-presidente da CBF que foi pra cadeia na Suiça e que deve ser extraditado para os Estados Unidos. Joseph Blatter também já está fora da presidência da Fifa, forçado a renunciar com a revelação da escandalosa roubalheira, depois da prisão de sete membros do alto escalão da Fifa em um hotel de luxo na Suíça. É o mesmo Blatter reeleito em maio, já com o escândalo detonado, e que teve o apoio explícito de Pelé. "Era preciso porque é melhor ter gente com experiência", ele disse sobre a eleição do escolado trapaceiro internacional.
E então, só agora depois de muitos anos de ilegalidades e de tantos acontecimentos, o Pelé vem se mostrar indignado com a corrupção no futebol mundial. E o pobre Rubens Barrichelo é quem tem que aguentar a zoação infinita com a fama de ser lerdo.
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POR José Pires

Mais um record do PT

Quando se fala em corrupção no governo a militância petista costuma apelar, alegando que todos os partidos são iguais nisso e que o desrespeito à ética pelos políticos é coisa antiga. É uma tremenda modéstia dos companheiros: como o PT não existe. Na última quinta-feira o partido do Lula bateu mais um recorde, com a prisão do o secretário-executivo do Ministério da Pesca, Clemerson José Pinheiro. A Pesca foi incorporada pelo Ministério da Agricultura na reforma ministerial feita pela presidente Dilma Rousseff no início deste mês, mas vê-se que a estocadora de vento não mexeu no essencial.
Não deu duas semanas para o secretário cair na rede da polícia. Como costumava dizer o Lula, que também atende pelo apelido de Brahma em seus serviços de consultoria no ramo das empreitadas, este é um fato que nunca foi visto na história deste país. Eu creio até que o ineditismo é global. Deve ser um recorde mundial. Depois dessa, os petistas que deixem a modéstia de lado e assumam que em matéria de corrupção seu partido não tem comparação.
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POR José Pires

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

O PT sabe de tudo

As investidas do governo do PT contra o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, desmentem com fatos aquela velha lorota dos petistas, que dizem sempre que nunca sabiam de nada, quando é apontada maracutaia no governo. A alegação foi usada primeiro por Lula na presidência da República e depois por sua pupila Dilma Rousseff, colocada por ele no poder como sucessora. Isso é conversa fiada. O PT sempre soube de tudo. Seus dirigentes já dispunham de muita informação sobre a máquina pública mesmo quando não estavam no poder. O partido do Lula sempre contou com uma diversificada rede de influência em todo o Brasil, capaz de obter informações de forma muito rápida. Esta rede de inteligência era sustentada pelos mais variados sindicatos, com seus membros e simpatizantes atuantes no poder público, tanto em cargos nomeados como na condição de funcionários concursados.
Até no sistema bancário os petistas sempre tiveram acesso à informações de todo tipo, inclusive as mais privilegiadas. Isso pode ocorrer tanto em bancos privados como na área estatal. Para isso serviu também o amplo domínio partidário no sindicalismo. Essa impressionante capacidade de chegar até aos mais bem guardados segredos da República foi de proveitosa serventia aos parlamentares petistas na época em que o partido estava na oposição, atuando com toda a agressividade para prejudicar a capacidade de governabilidade dos adversários. E serviu também para abrir o caminho para a conquista do poder. É claro que a ética tinha que ser atropelada para ser feito este uso da informação, vindo da parte de funcionários públicos e dessa forma atravessada, com o influente peso da máquina sindical. Mas é para isso que serve aquela velha desculpa ideológica de que os fins justificam os meios.
E depois, no Palácio do Planalto, o controle dos petistas sobre a informação ampliou-se na totalidade da máquina pública e até em cima da iniciativa privada. É também por essa razão que a parcela mais bem informada da sociedade civil sempre teve temor de tomar medidas mais rigorosas para brecar a ânsia autoritária petista. Políticos, empresários, profissionais liberais, jornalistas e outros profissionais que podem perder muito com pressões políticas procuram ter cautela porque sabem da falta de limites dos petistas quando eles elegem um alvo de sua fúria. E isso pode ser visto nessa investida contra Eduardo Cunha. Se o deputado tem a dinheirama em bancos suiço, foi durante os governos do PT que ele acumulou a fortuna. Mas até ele tornar-se um estorvo parece que não havia problema, não é mesmo?
As informações sobre o presidente da Câmara foram buscadas na Suiça com bastante rapidez e a diligente participação do Ministério da Justiça. Com outras figuras envolvidas nos crimes investigados pela Operação Lava-Jato não se viu tamanha presteza. Este ataque contra Cunha serve inclusive para se ter uma noção de denúncias talvez até mais graves contra outros políticos, que podem estar sendo mantidas escondidas para se obter deles uma atuação, digamos assim, mais colaborativa. Essas coisas mostram que nem Lula ou Dilma podiam desconhecer o que se passava no mensalão e no petrolão. Eles sabem de tudo. Mas o que sabem serve apenas para a defesa do interesse deles.
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POR José Pires

terça-feira, 13 de outubro de 2015


O inesperado de sempre

O brasileiro vive acossado pelo drama terrível do problema ambiental, em tragédias naturais agravadas pelo descaso também natural dos poderes públicos em todos os níveis — como estamos vendo com as chuvas desta semana. Todo ano é a mesma coisa, com a violência da natureza agindo em sintonia com a ineficiência criminosa do Estado e repetindo-se nos mesmos lugares. Sei que não é fácil resolver questões ambientais globais que estão na origem desse desarranjo, no entanto não é difícil prever consequências e atuar com planejamento para que as pessoas não sejam atingidas na cidade e no campo.
Mas o que vemos de organização da parte dos políticos para as tragédias, tanto nos governos estaduais como no governo federal, tem sido somente a preparação do helicóptero oficial, para os voôs sobre áreas atingidas, com autoridades aparecendo em fotos e filmagens, com aquele notório ar de pesar treinado com marqueteiro. Só a infinita paciência do brasileiro é que evita que os patifes sejam apedrejados quando descem para levar sua demagogia até as pobres pessoas que sofrem com a falta de planejamento e ação. Mas os nossos políticos são tão cínicos que não vou me espantar se um dia algum deles (talvez a estocadora de vento), ainda com a compaixão muito bem treinada pelo marketing, aparecer cercado de jornalistas e revelar a sua surpresa com a tragédia causada pela natureza.
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POR José Pires

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Luz no fim do túnel

Agora é preciso prestar muita atenção ao que fala a presidente Dilma Rousseff. Hoje ela disse que "vê luz no fim do túnel". Isso em meio a uma dificuldade danada até para a votação de vetos presidenciais. Não dá quórum no Congresso mesmo depois do arranjo feito às pressas com parte do PMDB, que ganhou uns pixulecos na forma de ministérios. E agora no início da noite o desastre foi maior. O TCU recomendou a reprovação pelo Congresso Nacional das contas de 2014 do governo Dilma. É a primeira vez na história que a prestação de contas de um governo é rejeitada pela corte. É aquele papo de "nunca-na-história-deste-país". Mais um recorde para o PT.
Está aí uma base sólida para o processo de impeachment. Quem vai falar agora em golpe? Que fato jurídico, qual nada. É na matemática simples: tudo certo como dois e dois são cinco. Os deputados e senadores podem até não seguir o entendimento do TCU, mas se for assim então para que existir TCU, não é mesmo. E posso ir mais adiante: para que Congresso Nacional? Agora os parlamentares foram colocados frente a uma decisão crucial para as instituições. E com tudo isso, vem a Dilma nesta quarta-feira falando que já "vê luz no fim do túnel". Dessa vez ela pode não estar mentindo, não. Afinal, quem está no governo tem muito mais acesso à informções do que nós. Então, aconselho todo mundo a encostar na parede do túnel. Essa luz que ela já vê deve ser do trem que vem vindo. E é pra cima dela. Mas é bom que todos se cuidem. Pra parede, brasileiros!
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POR José Pires

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Dilma estocando vento

Corre pela internet um vídeo engraçado demais, mais um deles em que a presidente Dilma Rousseff mostra que não precisa mesmo da Dilma Bolada. Ela é muito melhor do que aquele pseudo-humorista que levou recentemente um pé na bunda. A hilariante fala (mesmo para o padrão Dilma) foi descoberta entre as outras baboseiras ditas pela petista recentemente na ONU. No vídeo, ela se mete a explicar os processos de geração de energia, falando de energia hidrelétrica e da eólica e suas formas de transmissão. É muito simples: "Cê joga de lá pra cá, de lá pra lá". Dilma ainda pensa que água é gratuita. Aqui no meu bairro não é assim. É só eu abrir a torneira pro relógio da água começar a girar. Depois um moço mal treinado joga a conta no quintal e meu rotweiller, com sua desobediência civil, estraçalha o papel. Mas mesmo assim tenho que pagar.
Na sua explanação na ONU nossa presidente diz ao mundo que essa "gratuidade" da água é uma das vantagens econômicas da energia hidrelétrica. No caso da água ainda não existe a tecnologia "pra estocá". É o que ela diz em dilmês. O negócio então é aprimorar a exploração da energia eólica. Pode estar vindo coisa boa por aí, seus incrédulos oposicionistas. Dilma é uma especialista em energia e deve estar estudando uma forma de "estocá vento". Será uma coisa fantástica. Uma revolução no mercado de commoditties. Num sopro, o Brasil pode virar o celeiro de vento do mundo e com isso teremos um impacto tremendo em nossa economia. Será o pré-sal do vento estocado. Sei que tem gente que ri do meu otimismo, mas vejam depois o vídeo para conferir se não tenho razão.
A sacada de Dilma só tem um risco, que pode ser observado na parte em que ela nos revela que "ocê num conseguiu ainda tecnologia pra estocá vento". Ela tem toda a razão. Mas seu governo deve estar desenvolvendo isso. O problema é que os petistas são danados e podem depois desenvolver uma tecnologia pra roubar o vento estocado. Vai acabar sendo igual ao petrolão.
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POR José Pires

Impeachment para dois

Estou desconhecendo o PMDB e ainda mais políticos como Michel Temer. Como é que um partido tão escolado não se apercebe logo em bloco que, além de abrir caminho para o Brasil sair do sufoco, o impeachment pode ser também a saída do PMDB dessa encrenca que virou sua aliança com o PT pelo poder? Os peemedebistas descuidaram da proposta de impeachment e até ajudaram o governo do PT a sobreviver um tantinho a mais, naquele jeitão dos petistas de enfrentar problema na porrada, se encrencando depois com quem até então estava fora da briga. E a cambada de tontos do PMDB corre o risco agora de perder tudo, com a anulação por completo da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer. O vice-presidente descuidou-se do verbo que está em seu sobrenome.
Não existe possibilidade do país sair da crise sem tirar primeiro o PT do poder. Isso a maioria dos brasileiros já percebeu. Essa consciência já atinge até as pessoas com menos informações, na massa de brasileiros carentes até do mais básico da vida, que por isso mesmo caiu na enganação dos patifes vermelhos que se fingem de bonzinhos com os pobres. Até o empresariado brasileiro já percebeu que com o PT não dá. E o nosso empresariado como classe é tão despreparado — sem visão política própria e sem vergonha — que não se defende nem de partidários de ideias políticas historicamente contrárias a qualquer tipo de iniciativa individual. Ou iniciativa privada, como queiram.
Há mais de uma década o empresariado brasileiro aceitou passivamente o PT, aliás como costuma aceitar qualquer patifaria que tenha poder sobre o Estado e dê uns pixulekos institucionais para a categoria e muita grana para uns poucos barões industriais. Demorou, mas até o empresariado percebeu o erro. E do pior modo. Atingidos no próprio capital. Deixaram a coisa ficar muito grave e por isso muitos perecerão irremediávelmente. Com ou sem PT no poder. É o ritmo da história. Investimento político errado tem que ser pago.
Mas eu falava que o PMDB perdeu sua histórica agilidade, sempre admirável ainda que raramente tenham decência no meio e nos fins. É a gordura do poder. Houve um descuido com as etapas dos processos contra Dilma em suas instâncias diferentes. Além da questão no Congresso Nacional tinha o problema com o TCU, assim como tem o problema no TSE, que pode eliminar Dilma e Temer numa tacada. E foi do próprio vice-presidente o erro de não se descolar a tempo dos companheiros. Ele e sua turma de peemedebistas, embalados no derradeiro pixuleko de ministérios, deixando-se levar pelos petistas com aquele excesso de confiança que sempre estraga tudo. Agora pode ser que não tenha jeito para o PMDB se safar e eu acho isso muito bom. É sempre muito educativa a obrigação de pagar pelo investimento errado.
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POR José Pires

terça-feira, 6 de outubro de 2015

A saída de Constantino do site da Veja

O economista Rodrigo Constantino anunciou o fim da sua página no site da revista “Veja”. É claro que isso deixou a militância azucrinadora petista numa alegria histérica. Mas não é só pelo furdunço dos vermelhos que a notícia não é boa. O fechamento da página do economista diminui o espaço de resistência a um projeto muito ruim para o Brasil, cuja plataforma prática é o governo do PT. E esta é apenas a face visível de ideias muito perigosas. Armações ameaçadoras para o Brasil vão sendo sendo feitas na obscuridade. E apesar da desmoralização feita pela própria realidade com as lorotas governistas, essas forças nefastas ainda estão com muito tutu e campo de manipulação.
O trabalho de Constantino não é muito do meu gosto, tanto no conteúdo quando na forma. Seu liberalismo econômico me parece raso, muito fraco mesmo, o que na minha visão faz bastante mal para a propria ideia do liberalismo. Também favorece a esquerda quando não traz mais bem embasados os argumentos contrários a esses enganadores. Sorte nossa que essa esquerda brasileira carece e muito de bons pensadores. Tenho dificuldade de aceitar as ideias de quem se encanta com o Partido Republicano americano, assim como não consigo levar a sério quem fica embascado com Barack Obama. Prefiro análises equilibradas entre os dois grandes eixos da política americana. Acho também muito fraco políticamente e intelectualmente a exaltação de forma superficial de qualidades da iniciativa privada que historicamente a prática não comprova. E Constantino faz isso bastante, além de tentar rotular injustamente as estatais como fonte de males que os fatos mostram que são bem mais amplos. Ele faz isso ao propor a privatização da Petrobras.
Nem vou me aprofundar na privatização da empresa de energia, mas é um raciocínio falso a relação da corrupção como um problema inerente à existência de estatais. E está aí como uma prova contrária o escândalo da manipulações feitas pela Volkswagen. A montadora multinacional passou por cima da saúde das pessoas e cometeu um crime terrivelmente danoso à credibilidade de regras e regulamentos e até da possibilidade científica de prever e combater problemas. Só esse exemplo já demonstra que a corrupção nessa economia globalizada é bem mais complexa. Quem for favorável à privatização que procure melhores argumentos, até para não favorecer os gatunos deste governo. Constantino faz política o tempo todo, por isso posso dizer que poucas vezes vi propostas em momento tão impróprio como esta da privatização da Petrobras.
São grandes as minhas divergências, entretanto a página de Constantino na “Veja” teve sempre a minha leitura atenta e ele tinha na revista um público bastante numeroso e de qualidade, criando um canal interessante de conhecimento para mim inclusive com a opinião de seus leitores, na área de comentários. E no site da "Veja" ele teve sacadas boas, sendo uma delas o apelido de "esquerda caviar" para uma certa hipocrisia esquerdista muito marcante entre os governistas e que enche o saco na internet. É mais um espaço importante se fechando, numa gradativa queda de qualidade que vem atingindo toda a nossa internet e também a “Veja”. O site da revista teve outras páginas canceladas nos últimos dias, duas delas de que eu gostava muito. A de Caio Blinder, excelente em assuntos internacionais e para o conhecimento da cultura política americana, e a de Sérgio Rodrigues, chamada "Toda Prosa". São ótimos seus textos sobre literatura, que felizmente ele seguirá fazendo em sua página pessoal. Vão-se fechando espaços para a inteligência cultural e a visão de oposição na economia e na política. A internet brasileira, que já não estava bem, vai piorando.
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POR José Pires

sábado, 3 de outubro de 2015

Ciência na lona

Em paralelo com a demissão humilhante do ministro da Educação do governo que se auto-intitula "Pátria Educadora", a revista “Nature” publicou uma reportagem sobre a grave situação da ciência em nosso país. Sabe-se que em todos os setores o Brasil vai se tornando um país de segunda linha, mas nenhum outro é tão definidor do padrão de qualidade de uma nação.  A “Nature” fala em uma paralisação da pesquisa científica no Brasil. A situação da ciência, junto com o ensino superior e a educação básica, servem de referência para a previsão do quem vem por aí. E é óbvio que assim não virá nada de bom. Um país pode até ter seu PIB lá no alto, mas sem qualidade na área científica não se pode ser grande coisa hoje em dia.
É preciso lembrar que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação estava até agora com Aldo Rabelo, um chefe político importante do PCdoB, partido bastante conhecido por suas fortes relações políticas e culturais com a Coréia do Norte. O nível é esse. Ainda falando em categoria de pensamento, na década de 70 gente como Rabelo achava que um grande salto civilizatório nacional seria transformar o Brasil numa Albânia comunista. A Nature não dá essa referência da sumidade nomeada por Dilma para um ministério que deveria ser um dos mais importantes na atualidade e com sintonia total com o pensamento científico, mas serve como cota de partido nanico de esquerda com uma identidade política amalucada. Rabelo, diz a “Nature”, está tentando obter um empréstimo de 2 bilhões de dólares junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para amenizar a penúria do setor. Outras fontes dizem que o empréstico é maior, de U$ 2,5 bilhões, e precisa da autorização do Ministério do Planejamento e do Congresso Nacional. A pasta da ciência e tecnologia sempre teve orçamento minguado, mas mesmo assim sofreu um corte pesado. No orçamento de 2016 o corte é de 24%, segundo a revista.
Que numa situação de crise o governo opte por mais cortes no financiamento à ciência e tecnologia é uma demonstração não só de visão estratégica como serve também de previsão do resultado dessa interferência governamental. É claro que desse jeito a situação do país tende a piorar. A “Nature” informa também que o ministro está tentando assegurar recursos do Pré-Sal que ainda não caíram no caixa da pasta. Pois é, o governo do PT precisa ser convencido até que na área do petróleo é necessário investimento em ciência e inovação. Assim é difícil. Lembro que recentemente Suzana Herculano-Houezel, neurocientista brasileira de respeito internacional, foi notícia quando deu um alerta sobre a precariedade em que anda a pesquisa científica. Ela havia paralisado as atividades de seu laboratório na UFRJ depois de cansar de colocar dinheiro do próprio bolso para poder trabalhar. Segundo ela, a ciência no Brasil é feita em "condições miseráveis". O CNPQ deixa de liberar dinheiro até para projetos já aprovados.
O  descaso com a ciência em nossa terra vem de longo tempo e para mim tem seu ponto simbólico no acidente ocorrido na Base de Lançamentos de Alcântara, no Maranhão. 21 pessoas morreram na explosão em setembro de 2003 do Veículo Lançador de Satélites (VLS 01). A tragédia extraiu do então presidente Lula uma de suas tantas frases idiotas. "Há males que vêm pra bem", ele falou, assinalando que a explosão "ao invés de prejudicar, pode estimular os avanços do conhecimento tecnológico". Este já era o Lula, ainda no primeiro ano de seu governo, começando o ciclo político desastroso que continua até hoje. O país optara por eleger um tipo folgazão para a presidência da República. Espero que isso não seja um caráter nacional. Como estamos vendo, o preço é alto.
A explosão de Alcântara foi um divisor de águas só de governos. O descaso com a ciência e tecnologia se manteve e até piorou. No governo anterior, de um presidente com larga relação histórica com a área intelectual, o tucano Fernando Henrique Cardoso, a situação já era muito ruim e a atenção governamental ao setor não teve diferença de qualidade de governos anteriores. Pode-se dizer que Alcântara explodiu nas mãos de Lula, mas assim como todo a dramática situação da ciência no país, a tragédia já vinha sendo construída pelos tucanos. No tratamento do Estado à ciência e tecnologia a imagem da "herança maldita" serve como referência a todos os governos, que vão passando a herança uns para os outros. A diferença é que com o tempo a herança vai ficando cada vez mais maldita.
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POR José Pires

Queimando os companheiros

A queda humilhante de Renato Janine Ribeiro do ministério da Educação mostra como o governo do PT vem sistematicamente quebrando os quadros do partido. Não, a culpa não é da Dilma. O sistema de esmigalhamento do que o partido tem de mais qualificado para a administração pública e também para a atividade partidária vem desde o primeiro mandato de Lula e foi instituído por ele no partido antes de ganhar a primeira eleição para presidente. E não estou falando de militante que caiu devido a roubo dos cofres públicos, propinas e outros que tais que ficaram muito comuns entre os petistas.
Esse desmonte de recursos humanos vem desde quando Lula colocou o partido a serviço unicamente de um projeto de poder no qual ele é o centro e senhor. Janine Ribeiro foi só mais uma vítima dessa máquina moedora de boas intenções. E quando digo isso, estou evidentemente deixando de fazer juízo de valor não só sobre Janine, mas também de outros que levaram soberbas rasteiras dos dirigentes nacionais petistas. Estou falando de qualidade no âmbito do que o PT pretende e naquilo de que dispõe o partido. Ideologicamente e também no aspecto cultural é sempre eles lá e eu cá, mas não tenho dúvida sobre o efeito que este desmonte teve no partido. Foi por essa razão que subiram tipos como André Vargas e similares. E em parte isso explica a grande dificuldade que o PT tem de administrar até o que é mais básico.
Deve ficar cada vez mais difícil, inclusive, que alguém melhor do que a triste média do partido aceite convite para a participação no governo. Não quero rogar praga, mas este será um privilégio de Mercadantes. Os menos de seis meses de Janine no cargo terão um peso até no debate político nacional, em que é exigido do partido cada vez mais disposição para a discussão sobre seus rumos. O brevíssimo ministro era um dos poucos que ainda podia ser levado a sério. Ele até que encarava bem o debate. Porém, depois dessa ficará difícil para ele obter algum respeito. Quem é que vai ter consideração por uma palestra desse homem? E nem vou falar das redes sociais, onde esse episódio já é motivo de gozação. Que isso sirva de lição para os paspalhos que ainda defendem essa tremenda negociata que virou este ciclo petista, que é difícil até chamar de governo. Cuidado, companheiro, pois você pode ter também o desgosto de ser tão breve quanto o Janine Ribeiro.
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POR José Pires

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Eduardo Cunha vira alvo

Corre pela internet a notícia de que a justiça da Suiça enviou dados ao Brasil da conta secreta que dizem ser de Eduardo Cunha, o presidente da Câmara Federal. As informações das autoridades suiças já estariam com a Procuradoria-Geral da República. Pode ser que Cunha tenha se encrencado definitivamente, o que está fazendo a alegria da militância petista que ainda resta, já que a tremenda desmoralização deste governo fez sobrar só o pessoal que tem benefício direto em cargos e demais inventivos pessoais ou recebe em dinheiro para atuar políticamente. A hipocrisia não têm limites. Esse pessoal fecha os olhos para grandes roubalheiras, as maiores que já se teve neste país, mas faz o maior furdunço quando aparece qualquer coisa que afeta quem não está do lado deles.
Mas com a gente, da oposição, não tem disso. Como não temos o comportamento de máfias e nem qualquer fanatismo, o respeito oficial e a consideração a um político só se mantém até surgir uma denúncia séria que comprometa politicamente a figura. Somos pragmáticos, em razão da necessidade de tirar esse governo dominado por incompetentes e ladrões. Mas este realismo não torna irrestrito nenhum apoio ou relação política. A gatunagem, por exemplo, é um limite para ser levado a sério. Se o deputado Eduardo Cunha for mesmo o dono dessa conta secreta, que seja condenado e pague inclusive politicamente. Mas até lá, nada impede que ele conduza o impeachment de Dilma. Se depois disso ele for mesmo considerado culpado, o serviço de tirar o PT do poder fica como se fosse uma forma retroativa de delação premiada.
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POR José Pires