quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

O triplex que pode valer por um Fiat Elba

Já se fala bastante no triplex do Guarujá como o Fiat Elba do Lula, com a gozação rolando nas redes sociais e a imprensa descobrindo contradições o tempo todo na versão apresentada pelo ex-presidente. É dificil saber qual é a história mais mal contada de Lula, sujeito notório por suas lorotas, mas esta do triplex é forte concorrente. Em 2014, sua assessoria havia admitido que ele era proprietário do imóvel, o que constava inclusive em sua declaração pública de bens como candidato em 2006. De fato, estava lá anotado um repasse para a Bancoop, porém de um valor bem estranho para pagar um triplex: exatos R$ 47.695,38. Ora, apenas com a reforma do triplex a empreiteira OAS teria gasto R$ 777 mil.
Depois da repercussão negativa mudaram a versão. Pegou mal o ex-sindicalista como proprietário de um triplex à beira mar numa das praias caras do Brasil. Na nova história, a responsabilidade ficava exclusivamente para sua mulher, Marisa Letícia. Até então, a preocupação era só com a imagem política do ex-presidente. No entanto, o assunto ficou mais complicado depois do edifício passar a ser investigado pela Operação Lava Jato. O Ministério Público suspeita que os apartamentos eram usados pela empreiteira OAS como pagamento de propina e lavagem de dinheiro.
O Fiat Elba é brinquedo perto desse caso, com o imóvel que vem sendo chamado por todo mundo de “triplex do Lula”, por isso ele se faz de bravo, ameaçando processar até promotores. É tudo encenação política, como tantas outras do chefão do PT em casos anteriores, mas o problema é que muitas peças foram se encaixando a partir de depoimentos da Lava Jato e descobertas feitas pela imprensa. No mês passado Lula sofreu uma derrota na Justiça para jornalistas de “O Globo”. O jornal havia publicado em agosto um matéria com o título "Youssef deu dinheiro à firma ligada à obra de prédio de Lula", o que motivou o ex-presidente a pedir indenização de R$ 25 mil de cada um dos três jornalistas autores do texto.
Lula age desse jeito. Suas ações não são contra as empresas jornalísticas. Ele ataca diretamente o jornalista, com a intenção evidente de intimidação de toda uma classe. Mas a Justiça não deu razão a ele e agora, com novos depoimentos aparecendo, sua situação vai ficando ainda mais complicada. Na ação perdida contra os jornalistas, o ex-presidente afirmava que “não é proprietário de nenhum imóvel no município do Guarujá” e alegava que sua esposa Marisa “detém apenas uma cota da Bancoop”. Ocorre que o dono da Talento Construtora, Armando Dagre Mari, afirmou em depoimento que a mulher de Lula esteve inspecionando a reforma no triplex. Ela apareceu de surpresa, acompanhada do filho Lulinha e com nada mais nada menos que o dono da empreiteira, Léo Pinheiro, atualmente condenado a 16 anos de cadeia na Lava Jato. O zelador do condomínio também afirmou que já viu Lula por lá. Ele contou que a OAS sempre “limpava o prédio e colocava flores para receber a família do ex-presidente”.
Não é incomum que em crimes que parecem perfeitos o criminoso acabe sendo apanhando por um deslize tolo, que pode ser um cigarro esquecido ou qualquer outro detalhe. A gente costuma ver bastante isso em filmes de TV, em roteiros que se inspiram na vida real, porque muitas vezes é desse jeito mesmo que os culpados acabam sendo apanhados. O Fiat Elba que botou Collor pra fora do Palácio do Planalto é um exemplo e no mensalão foi também um desacerto banal com o então poderoso José Dirceu sobre dinheiro para campanha que fez o ex-deputado Roberto Jefferson denunciar o esquema. Para enriquecer o enredo da corrupção brasileira podemos ter agora um triplex no Guarujá.
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POR José Pires

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Bolsonaro: a direita ganhando terreno

O protesto desta terça-feira em Porto Alegre contra o deputado Jair Bolsonaro teve uma cobertura da imprensa que deixou de lado o fato mais importante, que envolve o motivo da presença dele na capital gaúcha. Bolsonaro, que é militar da reserva, atendia a um convite do general de exército Edson Leal Pujol, novo chefe do Comando Militar do Sul. Essa informação saiu no pé das matérias na maioria dos lugares e se não fosse a bagunça de esquerdistas é possível que nem dessem a notícia. A baderna promovida pela militância teve por detrás a deputada Maria do Rosário, Luciana Genro e Manuela D'Ávila, hoje deputada estadual. A trinca está de olho na prefeitura de Porto Alegre, razão da disciplinada comunista Manuela ter trocado o Congresso Nacional pela Assembléia Legislativa gaúcha, num plano do PCdoB para ela ter mais visibilidade política entre os eleitores porto-alegrenses. Portanto, apesar da encenação de manifestação por direitos civis, o objetivo do furdunço esquerdista é provinciano.
Mas o que interessa na verdade ao resto do país é a troca de comando para a qual foi convidado o deputado Bolsonaro. Uma justificativa é que o general Pujol foi seu colega de turma na Academia Militar das Agulhas Negras, entre 1947 e 1977. Porém, levando em consideração o que representa hoje Bolsonaro como líder da crescente direita brasileira, fica muito óbvio o gesto político do novo comandante. Mas tem mais: Pujol substituiu no Comando Militar do Sul o general Antônio Hamilton Martins Mourão, afastado do posto depois de criticar o governo federal e propor uma homenagem ao coronel Brilhante Ustra, notório por seu papel na repressão durante a ditadura militar. Dá a impressão de que, mais que um recado, o convite a Bolsonaro foi um desafio à autoridade da presidente da República. Não vamos falar de golpe ou qualquer outra forma de insurreição, mas isso é mais um indicativo de uma ampliação da cultura política de direita nos meios militares.
O convite do chefe militar a Bolsonaro serve como demonstração de que a insatisfação nos quartéis pode ser muito mais séria do que sabe-se até agora, na desinformação geral causada pela superficialidade do jornalismo brasileiro. E essa inquietação militar foi causada por fustigações da própria esquerda. A direita vem adquirindo cada vez mais força no Brasil, o que é possível notar mesmo com negligência da mídia com este assunto. Foi um crescimento facilitado pela esquerda, com a colaboração irresponsável da máquina de comunicação e propaganda do governo do PT. Já faz tempo que a esquerda perdeu a capacidade de analisar com seriedade as consequências do que faz. De olho apenas em benefícios políticos ocasionais, foram gradativamente abrindo amplos espaços para o crescimento da direita, de tal forma que temos hoje um Bolsonaro como estrela nacional da política, ele que por merecimento amargou durante pelo menos duas décadas o papel de político do baixo clero. O que aconteceu em Porto Alegre mostra que o país pode ter surpresas políticas de curto prazo, com influência já nesta eleição municipal e de resultado ainda mais determinante na eleição do próximo presidente da República.
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POR José Pires

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016


quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Lula e seus similares

Ao dizer que não existe ninguém mais honesto do que ele, Lula deixa seus próprios aliados numa situação difícil. Renan Calheiros, Fernando Collor, José Sarney e Paulo Maluf não podem sair por aí dizendo a mesma coisa. Se falarem isso ficará ainda mais claro que são tão desonestos quanto o Lula e além disso vai parecer também que são igualmente idiotas.
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POR José Pires

A fatal falta de atração

Já disse várias vezes que a situação do Brasil é tão grave que se o PT não for tirado do poder corre-se o risco de entramos numa crise irremediável, com o nosso futuro tão comprometido que obrigue o país ser mantido por um tempo muito longo a custa de remendos. Teremos de passar a vida tapando goteiras, sem tecnologia ou recursos para fazer um telhado novo. Não tem problema que alguns achem que estou sendo rigoroso demais: já estou rigorosamente conformado. Lembram antes da eleição, quando qualquer um que apontava que 2016 seria um ano trágico caso Dilma Rousseff fosse eleita era demonizado de forma agressiva pelos petistas? Fomos chamados de "catastrofistas". Pois aí está a catástrofe, que em razão da desestruturação geral do país causada pelos petistas desde que Lula entrou pela primeira vez no Palácio do Planalto, será uma dificuldade para qualquer um resolver. Mas será que não tem muito mais coisas que não sabemos sobre o drama da nossa economia? É possível. Um governo que acoberta e até trata como heróis ladrões do dinheiro público na quantia de bilhões pode muito bem esconder a verdade sobre a quebra do Brasil.
E está sempre aparecendo um indicativo de que o rumo do país pode ser ainda pior do que revelam os dados de que dispomos. Hoje o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, deu uma entrevista ao jornal "O Globo", na qual disse que o Brasil tem que voltar tem que voltar a ser "um objeto do desejo". Apesar de ser banqueiro, o chefe do ex-ministro Joaquim Levy esta sendo delicado, um gentleman na exposição de seu desagrado com o nosso país. Na verdade, o que ele quer dizer é que o Brasil está um bagulho. E essa opinião é mais um dado sobre a gravidade da nossa situação. Quando um país não excita mais nem aos banqueiros, é sinal de que o problema é muito mais grave do que já estamos sentindo na pele e no bolso.
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POR José Pires

Mídia sem sintonia consigo mesma

É difícil ver um sentido lógico na tremenda repercussão que a mídia brasileira deu à morte do cantor britânico David Bowie. As homenagens foram fartas, com o assunto sendo explorado durante dias. A revista Veja embalou no exagero e saiu com 12 capas na mesma edição, cada uma delas homenageando o astro internacional. Não me lembro da Veja ter dado sequer uma capa para Bowie nos últimos tempos e não sei de matérias cobrindo sua carreira recentemente no site da revista, que já embarcou há algum tempo na cultura de curiosidades e distração. O mesmo ocorre em outras publicações e sites brasileiros, que nunca deram atenção ao cantor britânico, assim como nada publicam sobre outros grandes artistas internacionais. E nem vou falar de áreas como literatura ou teatro, já que uma cultura que não dá atenção mais nem para a música pop de qualidade dificilmente perderá tempo com essas coisas.
O fato é que Bowie nunca teve grande presença em nosso país, ainda que seja conhecido por aqui. É claro que sua morte merecia ser manchete. Bowie era tão hábil como artista pop que criou até seu próprio epitáfio em forma de clip musical. Morrer logo depois, ainda que tenha sido involuntário, deu o toque final na obra. Mas mesmo assim achei estranho a tremenda fascinação que de repente a imprensa passou a demonstrar por ele, uma paixão sem referência anterior na cobertura que vinha sendo feita na área da cultura. Em muitos lugares foi do BBB pro Bowie, nesta mixórdia que é hoje em dia a nossa internet.
É o que se chama forçar a barra. Sem conexão com o que vinha saindo antes, nunca poderia haver de forma alguma referência de sua importância, da mesma forma que ocorre com tantos outros assuntos que surgem de repente na frente do desassistido leitor brasileiro. Tem sido sempre assim, de uns tempos para cá, numa atitude jornalística que ficou mais marcante na passagem do impresso para a internet. Ainda que se faça algum esforço para contextualizar assuntos que surgem de repente, falta sempre um vínculo sólido com o que vem sendo publicado. Algumas figuras caem do nada, às vezes na hora da morte, como foi com o Bowie.
Sabe-se que o morto é ilustre, mas quem era ele mesmo? Ficamos cercados de material sobre o finado, que pouco aparecia anteriormente em publicações ou sites brasileiros, hoje tomados por uma grande quantidade de material sem qualquer preocupação editorial que dê uma unidade aos veículos. É uma boa forma de ler bastante e não tomar conhecimento de nada.Agora foi com David Bowie, mas logo pode ocorrer com outra personalidade, sempre com a possibilidade da desaparição de qualquer um deles depois do breve féretro midiático. Este é o resultado de uma comunicação tomada pela incoerência e a falta de sentido, como a que vem sendo produzida no Brasil. Passamos todo o tempo vendo fantasmas, às vezes até em 12 capas diferentes.
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POR José Pires

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Os apitos da crise

Já tem tanto alarme tocando, que ficou até repetitivo usar essa imagem para falar da crise econômica, mas vamos lá, porque temos um caso de alarme bastante grave. É assustadora a previsão do Fundo Monetário Internacional (FMI) de uma retração de 3,5%% da economia do Brasil em 2016. Sabemos muito bem que este banco vai sempre procurar amenizar a divulgação de avaliações referentes a qualquer país, devido ao risco de fazer piorar a situação em razão da má notícia antecipada pelos números. Ao contrário do mito que até hoje a esquerda espalha com fervor, não é do interesse do FMI sair quebrando países pelo mundo afora. Em outubro o banco dizia que seria de 1% a retração. Em menos de três meses a previsão negativa caiu desse jeito, o que faz parecer que no ano passado o gato subiu no telhado. E até pode ser que agora o FMI já tenha conclusões piores do que os 3,5%%, mas estejam maneirando para evitar uma situação mais complicada, dando para o governo de Dilma Rousseff ao menos amenizar o estrago.
Bem, aí é que morrem as nossas esperanças de que sejam encaminhadas medidas sérias para consertar o Brasil. Conhecendo bem este governo do PT, sabemos que essa avaliação econômica será alvo de ataques da máquina de comunicação e propaganda dos petistas, que devem inclusive apelar para a velha tática esquerdista de demonização do FMI como inimigo da independência dos povos oprimidos. Sempre foi assim e não temos razão de acreditar que desta vez será diferente. Aliás, já se vê nas redes sociais os petistas fazendo troça da previsão do FMI. Não aceitar opinião divergente é um traço irremovível do caráter petista, defeito que foi até aperfeiçoado. Atualmente eles nem esperam a má noticia chegar. Alvejam o mensageiro de longe. Sobre esta assustadora ameaça de recessão braba, o FMI destaca a "incerteza política" como causa importante do problema. A "incerteza" — e aí sou eu quem está falando — tem nome e este nome é Dilma. E a incerteza política tem origem na arrogância petista já bem antiga que impede que o outro seja ouvido com respeito.
Se eles deixassem de mandar os problemas para o João Santana ou qualquer outro marqueteiro fazer da questão um logotipo novo e uma propaganda cara, talvez ainda desse tempo para fazer alguma coisa, revertendo a previsão do FMI. Mas eles não mudarão nunca. Já se prolongam os anos em que estamos vendo esse pessoal refutar toda crítica e qualquer avaliação que contradiga as tolices em que acreditam. As análises tanto de organismos internacionais quanto de especialistas brasileiros já vêm avisando faz tempo sobre o aumento gradativo do estrago. Isso me lembra de um episódio até engraçado de 2012, quando o ministro da Fazenda que projetou o atual desastre, o incomparável Guido Mantega, desdenhou a previsão do banco Credit Suisse de um crescimento do PIB menor que 1,5% para o ano. Na ocasião, Mantega garantiu que o crescimento seria de 4% e classificou a previsão do banco como uma "piada". A economia brasileira terminou com apenas 0,9% naquele ano. Certamente o governo do PT vai tratar também como piada esta previsão do FMI. No final, o resultado não terá graça alguma para o Brasil.
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POR José Pires

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Reinaldo Azevedo, Olavo de Carvalho e Janer Cristaldo: lições para um bom debate

Ainda sobre o quebra-pau entre Olavo de Carvalho e Reinaldo Azevedo, é preciso fazer a ressalva importante de que o Reinaldo só reagiu depois de ser muito atacado pelo grupo que se forma em torno de Olavo, quando ele lança sua agressividade verbal sobre alguém. Como eu já disse, isso já ocorreu noutras vezes, atingindo inclusive alguns anos atrás Janer Cristaldo, no tratamento injusto que Olavo passou a dispensar a ele depois do rompimento entre os dois no site “Mídia sem Máscara”. Era num tempo de internet ainda no começo, quando não havia a atual bagunça nas redes socias com certos assuntos. Um amigo trouxe a lembrança do falecido Cristaldo (morto no início do ano passado), que manteve até o final da vida um excelente blog, com renovação quase diária de conteúdo com textos de altíssima qualidade. Cristaldo tinha divergências tanto com Olavo quanto com Reinaldo e escrevia sobre esses desacordos de forma muito inteligente e com uma ironia finíssima e aguçada.
Além de ter um ótimo texto, o grande Cristaldo era um habilidoso aplicador de apelidos. O apelido de “Supremo Apedeuta” para o ex-presidente Lula foi criado por ele. Olavo de Carvalho era chamado de “Aiatolavo” e Reinaldo de Azevedo era o “Recórter Tucanopapista”. E para o Papa Bento XVI ele tinha o excelente apelido de “Pastor Alemão”. Do ponto de vista dele era ainda melhor. Cristaldo era ateu e fazia grande textos sobre o tema, sem a implicância banal ateística que é própria de fanatizados pela contrariedade com as religiões e com um profundo conhecimento de história, de filosofia e de todas as crenças, inclusive a marxista.
Após um periodo de bom relacionamento, Reinaldo Azevedo experimentou algo parecido do que Olavo de Carvalho fez no passado com Cristaldo e outras pessoas que eram até mais próximas dele. Quando surge alguma divergência que toca diretamente em uma posição política sua, Olavo tem um comportamento absurdamente agressivo. Ofende no mais baixo nível, usando para isso inclusive de escatologia e ataques pessoais que nada tem a ver com o tema em debate. Como eu já disse, é o lado Mr. Hyde que toma conta dele. Com este comportamento condenável, em que encarna um caráter grotescamente cômico, ele influencia uma enormidade de fãs e discípulos, que passam a fazer o papel de malhadores cibernéticos de Judas, num fuzuê danado onde rola todo tipo de difamação e calúnia sobre o adversário do momento.
Mas hoje, felizmente, Reinaldo encerrou o debate com um último texto. Ele fecha dessa forma o assunto com o mesmo bom senso e a necessária verve que vinha tendo até agora. No entanto, esta briga dispensável fez Reinaldo Azevedo produzir um ótimo texto, defendendo-se dos ataques logo no início do debate. É um de seus grandes artigos de fundo filosófico, de nome “É preciso aprender a ser mestre”, com serventia para muita gente que hoje em dia influencia o debate político.
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POR José Pires


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Texto de Reinaldo Azevedo

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Quebra-pau à direita

Antigamente se dizia que a esquerda brasileira só se entendia na cadeia. A piada era com a dificuldade dos movimentos de esquerda se unirem, o que não se dava nem nos objetivos práticos da luta pela democracia. Era em plena ditadura que esquerdistas quebravam o pau entre si, numa divisão que atingia até a esquerda que pegou em armas, que sempre foi se fragmentando em grupos cada vez mais restritos enquanto a repressão da ditadura militar descia o cacete em todos eles, prendendo e torturando e até matando. Com a abertura democrática, a cizânia ficou a cargo do PT, com o partido de Lula atuando de forma irresponsável para romper a unidade das forças políticas surgidas da luta pela democracia. Depois, com o tempo, os esquerdistas foram se juntando e hoje estão ainda firmes defendendo um governo em que a ladroagem e a incompetência criminosa é a regra.
E agora é a direita que anda com dificuldade de se unir em torno do objetivo prático de tirar essa canalha do poder. No centro do desentendimento destaca-se Olavo de Carvalho, sobre o qual já fiz reiterados elogios, ainda que no geral eu tenha com ele uma porção de divergências políticas. Olavo é um pensador brilhante, do tipo que é sempre interessante acompanhar independente do que ele esteja falando ou de sua posição política sobre o assunto. Porém (ai, porém), muitas vezes ele têm reações bastante grosseiras à divergências que atingem de forma direta sua opinião. Então, ele parte para a ofensa pessoal, apelando para desqualificações muito baixas. Nessas explosões de baixo nível ele atinge pessoas que estiveram muito próximas deles, às vezes até como seguidoras de suas aulas de filosofia ou admiradoras do que ele escreve.
Olavo de Carvalho parece ter um distúrbio parecido ao do Dr. Hyde, o famoso personagem do romance “Dr. Jekyll e Mr. Hyde”, de Robert Louis Stevenson. E o Mr. Hyde do Olavo é grosso pacas. É o que se vê agora na polêmica que ele vem travando com o jornalista Reinaldo Azevedo, em razão de divergências dos dois sobre os movimentos organizadores das manifestações pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff. Olavo já havia ficado muito bravo com o apoio do Movimento Brasil Livre e o Vem Pra Rua ao pedido de impeachment proposto por Hélio Bicudo, visto por ele como uma capitulação a um esquerdistas que até há pouco tempo era do PT. Discordo dessa opinião, mas de qualquer forma a tese poderia dar um bom debate, mas o que se viu foi uma torrente de insultos e acusações muito injustas contra o pessoal do movimento. Já o Reinaldo Azevedo acredita no potencial político do movimento pelo impeachment e vem abrindo generoso espaço para os jovens líderes.
Por isso, o pau vem quebrando entre Reinaldo Azevedo e Olavo de Carvalho, com este último liberando sua porção Mr. Hyde e determinando também o comportamento de uma multidão de seguidores seus que em vez de se esforçarem para aprender com as qualidades do mestre procuram imitar o que ele tem de pior. Dessa forma, a baixaria lamentável se espalha pela internet. Não é a primeira vez que isso acontece, mas com o alvo de agora sendo Reinaldo Azevedo, isso pode causar um desgaste tremendo na oposição ao governo do PT, com um efeito negativo que os petistas já estão adorando. Este confronto tolo ocorre há menos de dois meses da grande manifestação pública pretendida para fortalecer o impeachment junto ao Congresso Nacional. Mesmo que não queira, desta vez Olavo de Carvalho está dando uma força ao PT. É lamentável, até pelo fato do país estar perdendo o bom debate que poderia surgir da divergência entre duas figuras inteligentes que têm o nobre objetivo em comum de tirar os petistas do poder.
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POR José Pires

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016


quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Solidariedade só de bate-boca

Nesta bizarra cultura que vem tomando conta do Brasil uma das coisas mais difíceis de aturar é o não-acontecimento, que são esses fatos sem importância alguma que costumam virar uma sensação na internet. Geralmente o sucesso é alcançado com alguma tosca filmagem feita por celular, afinal ninguém quer encarar a labuta de produzir algo mais aprofundado ou organizar ações políticas que podem bastante tempo para ter algum alcance. Raramente o que se oferece tem alguma qualidade, seja na filmagem ou na ação. Intelectualmente o nível do pessoal é de CQC pra baixo ou de uma grosseria parecida com a dos pseudo-humoristas do Pânico.
Esta semana tivemos um não-acontecimento de peso, com a breve discussão numa rua do Rio de Janeiro entre um grupo de rapazes e Chico Buarque. O cantor foi abordado e alguém filmou a baixaria e postou o vídeo. Foi então que algo que era para ficar restrito a um grupo de bobalhões acabou sendo tomado como um fato de merecida repercussão. Até parece que temos pouca coisa séria exigindo um debate nacional. É preciso cuidar antes do bate-boca entre Chico Buarque e alguns moços bem de vida, como se eles fossem grandes protagonistas da história. Beber mal pode também ter esse efeito, mas o que é que milhões de brasileiros têm a ver com um furdunço idiota desses?
O breve entrevero com Chico Buarque era algo para a gente nem ficar sabendo. Mas é impossível hoje em dia ter controle sobre um não-acontecimento, ainda mais com a própria imprensa contribuindo para a algazarra inconsequente que virou a internet brasileira. O descontrole é ainda maior quando um oportunista como o ex-presidente Lula entra no assunto. Ainda que venha dele, parece inacreditável, mas o ex-presidente lançou uma nota em solidariedade a Chico Buarque. Lula vem desonrando de forma impressionante o valor institucional do cargo que ocupou, mas nunca antes na história deste país se viu um ex-presidente tentar fazer de um bate-boca de rua um grande fato nacional. Até dá para entender que o chefão do PT está precisando puxar qualquer assunto para tirar a atenção da sua imagem enlameada, mas essa foi demais.
Mas já que o ex-presidente fala em solidariedade, convém lembrar que isso também não é o forte dele. O desprezo de Lula pela solidariedade tem comprovação na sua carreira política, com sua fama histórica de abandono de companheiros nas piores situações. São inúmeras as situações em que Lula largou para trás companheiros importantes até para sua própria carreira, mas vou citar apenas dois casos de destaque, nos quais ele não teve nenhuma solidariedade.
Lula negou qualquer apoio à viúva do ex-prefeito Toninho do PT, de Campinas, cujo assassinato a tiros em 2001 numa estrada paulista jamais foi solucionado. Antes de ser eleito presidente, Lula havia prometido se empenhar no esclarecimento do crime à viúva do prefeito, Roseana Garcia. Porém, já no cargo de presidente da República ele se negou a recebê-la. Os familiares de Toninho do PT acreditam que a morte do ex-prefeito foi um crime político e queriam apenas que, na qualidade de presidente, Lula buscasse esclarecer o crime. Mas não houve solidariedade alguma dele com o companheiro de partido assassinado.
Solidariedade também foi o que ele não teve com o amigo Celso Daniel, o prefeito de Santo André que era seu coordenador na campanha para presidente, na época em que foi sequestrado e morto com vários tiros depois de ser torturado. A morte foi em 2002 e desde então políticos muito próximos de Lula vem fazendo o maior esforço para fechar o caso como crime comum. Não é o que a família de Celso Daniel pensa sobre o assassinato, que denunciam como crime político. Como presidente da República e chefe incontestável do PT, Lula nada fez para esclarecer a morte terrível do amigo. Ao contrário, assessores dele batalharam pelo fechamento do caso, que voltou agora nas revelações da Lava Jato de que dinheiro de propina da Petrobras teria sido usado para evitar chantagens políticas com a morte do ex-prefeito.
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POR José Pires

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

E Levy deu mesmo o fora

Joaquim Levy garantiu pelo menos para ele um 2016 melhor que este ano interminável. Não terá mais que suportar a presidente Dilma Rousseff, o que não é nada fácil na opinião inclusive de petistas. Ele está fora do Ministério da Fazenda e sua saída surpreende apenas por ter demorado uns meses a mais que o previsto. A bem da verdade, logo que entrou ele já estava com cara de quem queria sair, mas estando ali como funcionário cumprindo tarefa de seu empregador, o banco Bradesco, procurou ser profissional. Logo que assumiu o segundo mandato Dilma queria seu chefe, Luiz Carlos Trabuco, que recusou o convite da presidente e certamente indicou Levy.
Dilma estava naquela necessidade de “acalmar o mercado”, o que acontece com todo governante latino-americano que faz muita burrada no poder, então ficou mesmo com o subordinado do banqueiro Trabuco, que poderia cumprir esta função pelos laços com o Bradesco. São ossos do ofício, mas o resultado mostrou que mesmo a um banqueiro falta resistência estomacal para engolir os desaforos cotidianos de Dilma e a implicância de seus companheiros. Neste ano que passou como ministro a realização de Levy foi quase nula. Não emplacou reforma alguma e até teve que participar de um ato histórico do ponto de vista da negação do que foi fazer no cargo. O governo Dilma apresentou a meta mais estranha já vista neste país: um orçamento com déficit. E não é que Levy não tenha tentado coisa melhor. Mas logo tinha a sua opinião contrariada por Dilma e todo o PT. E não podia ser diferente para quem ainda teima em achar que tudo estava sendo conduzido da forma certa não só no mandato passado como nos anteriores de Lula. Nem a comprovação prática de que foi daquele monte de besteiras que nasceu a crise atual é capaz de convencer esse pessoal que basta mais um pouco daquilo para que entremos de vez na rota econômica da Venezuela.
No final, uma serventia de Levy como ministro foi a de alimentar a notória esquizofrenia política do PT, que continuou usufruindo dos benefícios do poder e ainda teve um projeto econômico para atacar. Culpa do Levy, é claro. Mesmo não tendo sido articulado, não há porque duvidar que funcionou bem para uma militância que faz das ruas seu hospício. O PT tinha seu próprio neoliberal para fritar junto às massas em cerimônias revolucionárias. Foi também um remédio apropriado para consciências abaladas com o apoio de mais de uma dezena de anos a um governo que se revelou um antro de gatunos e de uma criminosa incompetência. Levy serviu para adoçar o bico da militância, no “Fora Levy” presente nas manifestações contra o impeachment. O desatino é grave: Dilma fica, mas o Levy tem que sair. Esta falta de lógica poderia até ser engraçada, se fosse apenas um jogo político para o uso em propaganda. Mas tudo indica que eles acreditam que antes de Levy estava em andamento um plano econômico viável. E se você pensa que já é doidice demais, guarde o espanto para depois das festas de fim de ano. O país pode entrar em janeiro com os companheiros tentando fazer de novo tudo aquilo que já não deu certo.
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POR José Pires

Ao lado do poder petista

Com a situação esquentando, mesmo quem vinha até agora forjando ares de independente vai sendo obrigado a tomar posição de apoio explícito ao poder petista. Na foto, Tico Santa Cruz encontra sua musa, aquela que estimula seus neurônios nos debates de Facebook. Dilma Rousseff enfim encontrou um fã à sua altura. E quem achava que o cantor de rock era apenas alguém de opinião independente que interferia no debate sem nenhum interesse político, aí está a comprovação de qual é o seu lado. O encontro do abilolado pensador e sua musa idem foi num evento de apoio à Dilma Rousseff realizado no Palácio do Planalto. O beija-mão palaciano foi da Frente Brasil Popular, responsável pela organização de sindicatos e instituições chapas-brancas nas manifestações de nível profissional (e bastante caro, diga-se também) da última quarta-feira. No encontro festivo de apoio e articulação contra o impeachment estava inclusive o chefão do MST, o exército de Stédile, usado pelo presidente Lula para ameaçar quem é contra a roubalheira e a incompetência criminosa desse governo. E tudo isso, repito, no Palácio do Planalto.
A coisa está mesmo braba. Além de usarem o prédio público mais importante da administração federal, o evento ainda aconteceu em horário de trabalho. Ou seja, enquanto o Brasil rola pela pirambeira brutal da crise, com empresas quebrando, empregos sendo eliminados e o país sendo rebaixado em tudo quanto é índice internacional de confiabilidade econômica, a presidente da República cuida de seu interesse particular, maquinando para manter-se à frente de um governo que já está mais que comprovado que ela não sabe comandar. E a foto foi distribuída pela própria Presidência da República, que é para atestar de forma absoluta que o poder neste país pode ser usado da forma que eles quiserem, com o contribuinte pagando até a a conta da defesa deles.
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POR José Pires

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

O Brasil no vermelho

Não tiveram impacto as manifestações pró-Dilma Rousseff e não foi só pelo reduzido número de pessoas que saíram às ruas em defesa do governo nesta quarta-feira. Os marqueteiros do PT definitivamente perderam a mão. Os governistas não conseguem disfarçar os esquemas profissionais do sindicalismo que sustentam essas idas às ruas, ao contrário das manifestações pelo impeachment, que transmitem espontaneidade. Outro problema grave para os governistas é o excesso de determinada cor e a ausência de outra, mas isso fica difícil de resolver. Tem vermelho demais. Esta foto que estou publicando mostra o estrago na imagem. Parece uma manifestação chavista chorando a derrota de Maduro. A foto foi distribuída pela Agência PT. Nela fica claro que é ato de profissionais da política, com a profusão de material da CUT e de sindicatos que estamos acostumados a ver arrumando confusão para criar pautas políticas na tentativa de desviar a atenção das roubalheiras petistas e da incompetência.
Com a tremenda crise que está desgraçando a vida dos brasileiros, dá até piada: esse pessoal quer manter o Brasil no vermelho. Não sabem de nada, os inocentes. Eles até poderiam amenizar o uso dessa cor, que atualmente a população associa de imediato às situações difíceis vividas por outros países tomados pelo populismo, especialmente a Venezuela, mas a ausência de outra cor eles não conseguirão resolver. Falta o verde-amarelo. Mas este símbolo nacional já está associado aos movimentos que começaram saindo às ruas em protesto de milhões de pessoas contra a roubalheira do governo do PT e hoje pedem o impeachment da presidente Dilma. E não tem jeito do PT roubar essa cor dos partidários do impeachment. As cores do Brasil hoje simbolizam um sentimento contrário ao governo. Os petistas vão ter que se virar mesmo só com o vermelho.
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POR José Pires

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

A sucateada nova geração do PT

Venho falando faz tempo sobre a péssima formação que o PT vem dando aos jovens de seu quadro partidário. Os chefões do partido do Lula cometeram crimes graves contra o Brasil, pelos quais inclusive petistas históricos já foram pra cadeia. Mas além da lamentável demolição promovida na política e na máquina pública, os dirigentes petistas também quebraram o próprio partido em sua estrutura interna, atingindo o que é de maior importância: o elemento humano.
Um exemplo desse sucateamento na formação da juventude foi o aparecimento no noticiário da própria neta de Lula, Bia Lula, fazendo um ataque mentiroso ao jornal "O Globo", com a difamação direta a uma jornalista. O problema de educação revela-se não só por ela ser neta de Lula como também pelo cargo ocupado pela mocinha, forte indicativo do tipo de continuidade pretendido pelo grupo que obedece ao avô. Bia Lula inventou uma história ofensiva à credibilidade do jornal e que poderia ter prejudicado profissionalmente a jornalista, caso não tivesse sido possível comprovar que que ela agiu corretamente. O ataque da neta de Lula foi publicado pelo site do PT, fazendo um corte eliminando na foto um gesto obsceno da menina, no entanto o jornal tinha o registro da conversação com a neta de Lula.
Para conhecer na prática o projeto político do PT para o Brasil, basta observar mais atentamente o que os chefões políticos fizeram dentro do partido. Já faz tempo que por lá existe uma ditadura, com poder determinante de um pequeno grupo sobre todas as instâncias partidárias. O partido serve apenas ao interesse desse grupo comandado pelo ex-presidente Lula e que em parte acabou sendo desmontado com as condenações na Justiça por corrupção que levaram à cadeia dirigentes como José Dirceu, Delúbio Soares e José Genoino, além de fazer aquietar as ambições de vários componentes do comando autoritário que domina o partido há mais de uma década. No entanto, como sempre o soberano dessa ditadura é Lula.
Costumo tocar nesta questão interna da ditadura lulista, pois vejo nisso um ponto essencial para compreender o desastre produzido pelos petistas no governo federal. Essa ditadura calou qualquer voz divergente ou mesmo de aliados que exigissem mais qualidade e respeito à democracia na condução política. O grupo do Lula fez no PT o que eles teriam a maior satisfação em fazer com o Brasil. Excluiram pessoas importantes e de maior qualidade humana e profissional do que os que dominam a burocracia interna. Expulsaram militantes históricos, difamaram ex-companheiros e relegaram muitos militantes mais antigos a um final de vida amargurado.
Sobre a nova geração de petistas esse processo teve consequências destruidoras para a renovação do discurso partidário e a capacidade de governo. O resultado pode ser visto no desastroso ciclo de governos petistas que tem seu ápice lamentável agora, com a estupidez política e administrativa do governo Dilma Rousseff. A própria Dilma, aliás, é uma consequência do desmonte interno do partido, ela que nunca teve vínculo histórico algum com a construção do PT e sempre fez o que Lula mandava. Foi a atuação ditatorial desse grupo lulista que impediu a ascenção de políticos da geração de Lula ou José Dirceu, gente que poderia dar ao partido capacidade de governo. Com isso, o que o PT tem na atualidade é uma juventude muito despreparada e de gênio ruim.
É claro que no que fez contra "O Globo" a neta do Lula estava apenas imitando os mais velhos, talvez até sendo instruída por eles. O lamentável destaque dela no noticiário é resultado de uma política partidária interna em que a juventude petista vem sendo submetida durante anos ao papel de mera massa de manobra, servindo apenas ao atendimento da ambição pessoal de quem manda no partido. E neste processo, dentre os mais jovens adquirem destaque político no PT apenas os que estão prontos para dar continuidade aos malfeitos já bem antigos.
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POR José Pires

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Imagem- A mentira publicada no site do PT, sobre a foto original do Facebook da neta de Lula. Neste link, o jornal “O Globo” desmonta com fatos a versão petista: http://oglobo.globo.com/…/neta-de-lula-faz-falsas-acusacoes…

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Cristina Kirchner, uma ausência que não deixa saudades

Vindo de Cristina Kirchner uma grosseria tem que ser vista dentro da normalidade, porém mesmo no padrão da governante que agravou ainda mais o caráter deletério do peronismo na Argentina, sua ausência nesta quinta-feira na cerimônia de posse de Maurício Macri foi além do limite. Com a atitude mesquinha ela evitou o ritual democrático da transferência da faixa presidencial. Mas a festa dos argentinos foi muito bonita, com a emoção própria das finalizações de um período ruim da vida. E neste caso, além de preencher uma lacuna, como se costuma dizer, a ausência de Cristina serviu para fortalecer ainda mais a sensação da Argentina estar deixando para trás um período nefasto.
Não era à toa que um vizinho que a conhece bem, o ex-presidente uruguaio José Mujica, dizia que “esta vieja es peor que el tuerto”, referindo-se também ao coisa ruim do marido dela, Nestor Kirchner. Isso que ela fez com Macri é coisa de quem não sabe perder e que já havia mostrado que não sabe ganhar. Cristina Kischner teve pessoalmente duas chances para a realização de um projeto político, qualquer um deles, e só promoveu a desgraça em todos os setores da vida argentina. Foram dois mandatos sucessivos, além dela ter recebido o cargo como herança política de um longo tempo anterior de poder de seu marido. O resultado dos governos do casal é um país falido e sem nenhuma estrutura para a necessária reconstrução nacional. Seu sucessor terá que consertar quase tudo, sem ter recebido dela sequer as condições materiais básicas para isso. Como é mesmo que se diz herança maldita em espanhol?
É tudo muito parecido com o que aguentamos aqui, no Brasil, com o mesmo populismo patético e explorador das necessidades das pessoas mais pobres, a cizânia, a roubalheira, a incompetência, além dos sucessivos mandatos que foram impondo gradativamente uma crise moral e econômica sem precedentes. Lula não fez da própria mulher sua sucessora, mas ela se elegeu também por meio de um dedaço. A semelhança está inclusive no final lamentável de um ciclo de governos de despreparados, nesta derrocada de Dilma Rousseff, para quem só falta a definição da data de desocupação do Palácio do Planalto, de onde com certeza ela também irá embora emburrada. Ainda nas parecenças entre nós, a atitude tacanha de Cristina Kirchner faz lembrar o comportamento de João Batista Figueiredo, o general que foi o último ditador do período do regime militar, que caiu fora sem entregar a faixa para o sucessor, José Sarney. Entre Figueiredo e Cristina Kirchner é mais ou menos equivalente o nível de grosseria e desapreço pela democracia.
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POR José Pires

Caixa Econômica Federal no jogo do toma-lá-dá-cá

Nesta quarta-feira, a presidente Dilma Rousseff demitiu Fábio Ferreira Cleto do cargo de vice-presidente da Caixa Econômica Federal. Aliado do deputado Eduardo Cunha, ele era responsável pelas loterias federais e os fundos instituídos pelo governo federal. Essa saída é bem típica do nível de transparência vigente e da forma de agir dos políticos. Só temos notícia sobre as presenças obscuras na máquina pública quando acontece um conflito político ou denúncia que força sua saída. Quantos mais estão ainda bem quietinhos na Caixa e em outros lugares? São esses hábitos antigos que impossibilitam desenvolver uma administração séria ou pelo menos com um funcionamento regular. E a coisa vem de longos tempos. Não é preciso ouvir gritaria de militante manejado por cordéis poderosos para que a gente saiba que o clientelismo não surgiu com o PT. Mas acontece que o partido do Lula fez isso tomar uma dimensão além do suportável, engripando todas as engrenagens e dificultando demais a administração até em seus aspectos mais básicos. É uma das explicações para essa falência administrativa geral que aí está.
A revelação do poder de Cunha neste banco estatal mostra também quanta investigação ainda não precisa ser feita no emaranhado de favorecimentos que o governo do PT usou até embolar o funcionamento da administração federal. Na chantagem feita com Cunha para forçá-lo a brecar o impeachment deve ter entrado essa boca-rica. A caixa tem sido usada de um modo abusivo, bem além das pedaladas da Dilma. Um dos políticos mais poderosos nesta instituição pública era o ex-deputado federal petista André Vargas, que por ali reinava antes de ser pego pelo Ministério Público. Hoje ele cumpre pena, condenado a 14 anos de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro. A sentença foi determinada por crimes que envolvem o pagamento de propinas em contratos de publicidade da Caixa. Vejam a foto que estou publicando, com ele discursando no lançamento de um plano de transporte no Paraná, onde era obrigatória sua presença em eventos da Caixa nas mais variadas áreas, como o projeto "Minha Casa, Minha Vida", assinatura de patrocinios oficiais e outras atividades direcionadas à população. Vargas era o protagonista até de inauguração de agências bancárias no interior paranaense.
Este tratamento preferencial era sua cota de privilégio político no governo do PT, com a qual reforçava os planos da sua eleição ao Senado em 2014, candidatura que seria dele no PT do Paraná, sob o domínio de um grupo que tem até hoje na chefia o ex-ministro Paulo Bernardo. Vargas estava à toda nesse planejamento. Meses antes de sua prisão, o ex-deputado estava à frente de um grande projeto de transporte urbano em Londrina, orçado em R$ 143 milhões, todo financiado com dinheiro da Caixa. Na parceria com ele estava a senadora e candidata ao governo, Gleisi Hoffmann, ambos na preparação de uma boa alavanca eleitoral no interior paranaense para suas candidaturas. Mas foi só o deputado ser preso e o projeto acabou. Pelo visto, o caixa-alta era ele. Mas foi melhor para Londrina e para o Brasil. E até para a Caixa. Dá para imaginar o desastre que o sucesso político desse sujeito seria para todos os brasileiros.
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POR José Pires

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Um alerta que vale para o Brasil

O que aconteceu nesta semana na China deveria servir como um alerta aos brasileiros sobre o modelo de desenvolvimento que vem sendo aplicado por décadas em nosso país, sem nenhuma preocupação com a sustentabilidade. Pela primeira vez na história, Pequim declarou alerta vermelho por contaminação. Desde o início da terça-feira (segunda-feira no Brasil) foram suspensas na cidade obras em construção, escolas suspenderam aulas e o tráfego de veículos sofre severas restrições. A contaminação chegou a 275 microgramas por metro cúbico de ar, dez vezes a mais que o máximo considerado tolerável pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Se o nosso país não adotar logo um modelo equilibrado de desenvolvimento, problemas como este vivido hoje na China podem se tornar rotina também por aqui, onde mesmo com índices baixos de crescimento já temos graves problemas de meio ambiente.
Até agora, os altos índices do crescimento chinês — com seus impressionantes saltos do PIB — são noticiados sem nenhum senso crítico, faltando sempre esclarecimento sobre as consequências desastrosas deste sucesso, alcançado a um custo altíssimo em danos ao meio ambiente e à saúde humana. Várias cidades chinesas já convivem há anos com excessiva poluição atmosférica, a contaminação da água e a destruição do solo. Parcelas imensas do território chinês tiveram o solo esgotado por uma agricultura sem o respeito ao limite do uso de agrotóxico, a necessidade de regeneração da terra e também com a extinção de recursos hídricos por causa do uso ilimitado e a falta de cuidados ambientais. Áreas extensas tornaram-se desérticas de forma irremediável. São conhecidas as cenas de tempestades de areia em algumas cidades chinesas, com as poucas pessoas que ousam sair às ruas tendo que usar máscaras.
O alerta vermelho de Pequim tinha que ser usado como um alerta à consciência dos brasileiros, até pelo fato do crescimento econômico chinês servir sempre como um exemplo positivo em análises que o comparam às nossas dificuldades econômicas. Em economia, a China não serve de modo algum como um bom exemplo. O país vive sob políticas destrutivas à natureza, que alavancam o crescimento com o prejuízo da qualidade de vida de populações inteiras. É um modelo predatório, que usa sem nenhum cuidado os recursos naturais, sem levar em consideração a necessidade do respeito ao meio ambiente como um elemento básico na condução do desenvolvimento, de forma sustentada. E costumam ser muito graves os efeitos dos planos de governo nesta estranha sociedade que combina capitalismo selvagem e um comunismo altamente restritivo aos direitos humanos e à liberdade de expressão. A falta de liberdade de expressão, por sinal, é uma das razões que permite aos burocratas poderosos implantar sem nenhum questionamento seus planos destrutivos. Outra questão para o Brasil prestar mais atenção ao desastre no meio ambiente chinês é o interesse deles em terras brasileiras para a agricultura e pecuária. O governo chinês vem comprando vastas extensões de terras em nosso país e também tem adquirido o controle de empresas instaladas no Brasil. Ora, ninguém deve esperar que um governo que comete tamanhos crimes com sua própria gente vá ter respeito na terra dos outros.
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POR José Pires

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Imagem- Cena de rua em Pequim em setembro deste ano, em foto extraída do site Environment Today

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Trinca do barulho


Num governo em que a produção de piadas prontas só tem rival na criação contínua de escândalos de corrupção, apareceu nesta semana um produto de humor involuntário que parece imbatível. O eterno presidenciável Ciro Gomes se juntou ao ex-ministro Carlos Lupi, mais o governador do Maranhão, Flavio Dino, e a trinca fundou uma auto-intitulada “Rede da Legalidade”, contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff. O nome da coisa é referente ao histórico movimento liderado por Leonel Brizola no governo do Rio Grande do Sul, em 1961, em defesa da posse do presidente João Goulart, após a renúncia de Jânio Quadros.
Como se costuma dizer nas redes sociais, é muito “fake” tentar se apossar de um nome com esse peso histórico, ainda mais numa situação que em vez da necessidade de coragem exige apenas falta de caráter. Mas não deixa de ser curioso a presença de Ciro Gomes em algo assim, ele que tem origem política ainda na ditadura militar nos quadros do PDS, partido que recebeu uma logotipagem moderninha para escamotear sua verdadeira identidade: era a Arena, que sempre defendeu o regime dos militares. Quando era vivo, Brizola costumava chamar esse tipo de político de “filhote da ditadura”. O estilo truculento do ex-deputado cearense não nega o berço. Ciro Gomes entrou há poucos dias no PDT, o sexto partido na sua carreira política. Já foi inclusive do PSDB e só não foi do PT porque não é necessário. Serve como avulso ao partido de Lula deste o primeiro ano de poder petista.
Outra figura do patético trio, o governador Flavio Dino, também não tem currículo condizente com o respeito à democracia. Esse pessoal que defende Dilma se apegou ao argumento mentiroso de que o impeachment é um golpe. Pois o partido de Dino, que é do notório PCdoB, tem como fato mais marcante de sua história uma das piores tentativas de golpe que já houve no Brasil, a Guerrilha do Araguaia, movimento armado que ocorreu entre os estados de Tocantins e Pará, entre 1972 e 1975. O partido de Flavio Dino tenta fazer colar nessa história a lorota de que a luta era contra a ditadura. É mentira. O plano do PCdoB era o da implantação de uma ditadura comunista, que dependendo dos humores do partido poderia ser de inspiração do comunismo chines ou apoiada nas ideias de Enver Hodja, ditador comunista que durante décadas manteve a Albânia como um país miserável, mesmo estando situado na Europa. Hodja é um dos ídolos históricos dos comunistas do PCdoB, junto com Josef Stálin. Na atualidade um país considerado por eles um exemplo político é a Coréia do Norte.
Para completar a ficha, outro integrante da liderança da tal “Rede da Legalidade” é figura manjada da política brasileira, um daqueles sujeitos que toda vez que aparece uma grande sujeira política pergunta-se se o nome dele já apareceu no meio. Carlos Lupi é chefão do PDT e um defensor da legalidade ao nível de Dilma, a presidente que já confessou que dá suas pedaladas. E ela conhece muito bem esse seu guerreiro, herói do povo brasileiro. Ministro do Trabalho no primeiro mandato da sucessora de Lula, ele se destacou na onda de demissões que teve logo no primeiro ano. Foi o sexto ministro a cair por causa de corrupção. Esse baluarte da legalidade que agora reaparece ao lado de Ciro Gomes e de Flavio Dino é aquele que depois de apontado como corrupto dizia que só o tiravam do ministério "abatido à bala". No entanto, não foi preciso desperdiçar chumbo. Ele foi obrigado a pedir demissão, senão a presidente Dilma (mesmo ela sendo a Dilma) seria obrigada a chutá-lo pra fora do governo. Agora, a presidente conta com ele e mais os outros dois na defesa de seu mandato. Ou "da legalidade", como eles dizem. Pra alguém como ela, até que é legal.
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POR José Pires

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Falta alguém na derrota do chavismo



Na derrota histórica do chavismo na Venezuela dá para sentir a falta de alguém. É da oposição brasileira. Onde foram parar os parlamentares da oposição que, tendo como figura de destaque o senador Aécio Neves, foram um dia até a Venezuela para prestar solidariedade ao líder da oposição venezuelana Henrique Capriles, preso pelo governo de Nicolás Maduro? Isso foi há quase seis meses e depois os oposicionistas descuidaram de criar ações efetivas que mantivessem uma relação sólida com o que foi se desenvolvendo politicamente entre os venezuelanos, até esta derrota de agora. Recentemente o senador Aécio Neves disse em entrevista que "o impeachment não pode ser a pauta única de um partido". O dele, evidentemente.
É claro que não dá para discordar do senador mineiro, até pela necessidade do país ter uma oposição que na política seja uma aliada firme da sociedade civil na busca de uma saída ao desastre criado pelo PT, havendo ou não o impeachment da presidente Dilma Rousseff. O PSDB então que crie pautas de qualidade ou ao menos mantenha as pautas em que entra de supetão, como foi a da luta da oposição venezuelana contra o regime chavista. Os senadores viajaram para a Venezuela naquela ocasião e na continuidade não se viu um desenvolvimento político do assunto, que acabou restrito a um ou outro discurso de parlamentares da oposição.
Essa dificuldade em persistir politicamente é habitual entre os tucanos, defeito que no geral é de toda a oposição. Eles se regem pela reação ao que a imprensa traz, pelo que o governo do PT apronta ou pelas roubalheiras descobertas pela polícia. Essa falta de iniciativa faz a oposição perder a oportunidade de aumentar sua credibilidade, deixando escapar importantes ganhos políticos que poderiam fortalecer a luta pelo respeito à democracia e o combate à corrupção em nosso país. É o que ocorre agora com esta vitória democrática na Venezuela, que poderia estimular muito mais a batalha dos brasileiros pela decência na política, mas para isso a nossa oposição teria que ter a preocupação de manter firmes os laços de solidariedade com a luta dos venezuelanos contra o chavismo. Tem a ver com o papo de Aécio Neves sobre a importância de boas pautas para um partido. E se relaciona também à necessidade do país ter uma oposição com objetivos claros e firmeza de propósito.
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POR José Pires