segunda-feira, 7 de março de 2016

Para o bem da verdade, Aletheia no Lula

Quem será o autor dos nomes das operações da Polícia Federal? Tem alguém por lá muito criativo, um talento que estaria fazendo sucesso na internet, em qualquer publicação. O nome da operação que levou Lula nas mãos da polícia para depor é "Aletheia", expressão grega que significa "busca da verdade".
O cara que bola esses nomes ótimos é antenado e brincalhão. Fez uma ironia entre o erudito e o, digamos assim, popular. Nos últimos dias um assunto que rodou bastante nas redes sociais foi o do site criado por Lula, de nome "A bem da verdade", onde ele fala de suas maracutaias do ponto de vista pessoal e ataca profissionais decentes do jornalismo. A bem da verdade, foi perfeito o nome "Aletheia" para pegar o Lula de surpresa.
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POR José Pires

A política petista do ódio

Os petistas costumam reclamar da imprensa, mas é preciso dizer que eles deviam é gostar do que no geral vem sendo feito pela imprensa, que até dá mole para as atitudes criminosas da militância vermelha, nesta política de estímulo ao ódio de Lula e seu partido. Por descuido ou conivência, não se aponta a origem das badernas organizadas e deixam de noticiar com rigor até violências cometidas contra jornalistas.
Esse recorte de notícia na imagem mostra o equívoco de interpretação que acaba favorecendo ao Lula e o PT. Saiu no site da Veja, publicação que vem se comportando com dignidade profissional, o que mostra como a desatenção pode afetar até quem faz jornalismo que merece maior respeito. Peguei isso exatamente na Veja para mostrar o grau de dificuldade de denunciar com objetividade esse clima de tensão política. Em outras publicações acontece coisa muito pior. Não é verdadeira essa afirmação de que "Grupos a favor e contra Lula levam tensão às ruas". Quem leva tensão às ruas são os grupos a favor de Lula e fazem até mais que isso. Parece que saem de casa dispostos a matar quem discorda deles.
Até agora as manifestações contra Lula e a presidente Dilma Rousseff aconteceram na mais perfeita ordem, com um comportamento admirável dos manifestantes da oposição. Esses movimentos conseguiram juntar 1 milhão de pessoas em São Paulo e tiveram público recorde também em outras cidades brasileiras, sem nenhuma baderna e muito menos violência. No acampamento que fizeram nos gramados do Congresso Nacional, eles até foram até agredidos por militantes petistas e no entanto não revidaram.
Mas ao contrário do pacifismo de quem é contra este governo, da parte da militância a favor de Dilma e de Lula é comum o uso da violência. Parece um método. Logo que Lula passou a tentar criar um escarcéu para desviar a atenção do interrogatório ao qual compareceu levado pela Polícia Federal houve muita violência desses militantes profissionais, até com mulheres sendo espancadas. Em São Pulo, uma jornalista desesperada teve que correr e se abrigar de militantes petistas que bateram muito nela. Vários outros profissionais foram agredidos, inclusive com a destruição de seus materiais de trabalho.
Portanto, notícia de violência no Brasil tem só um lado. As agressões e badernas vêm apenas da militância de Lula e seu partido. E a voz de comando da violência é bastante nítida, mesmo porque Lula e líderes de seu partido costumam pregar publicamente o ódio.
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POR José Pires

sábado, 5 de março de 2016


segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

FHC e a herança do PT

Os petistas podem não gostar do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, mas terão de concordar que atualmente ele é o único ex-presidente brasileiro que ainda se diverte. Hoje ele divulgou um vídeo na internet tirando um sarro no bordão petista "A culpa é do FHC", que sempre aparece quando Lula e seus companheiros estão nalguma encrenca, que pode ser alguém da turma indo pro xilindró, marqueteiro sendo pego com dinheiro de empreiteira no exterior, empreiteiro amigo confessando nova jogada, novidade sobre o Guarujá ou Atibaia, rolos assim que viraram rotina para os petistas. Sobre a mutreta da hora, o tucano foi na veia. Ele disse que esse papo de “culpa do FHC” é porque “tem gente graúda aí que anda fugindo da Justiça”.
No vídeo, FHC comenta na maior informalidade e com ironia sobre coisas que andaram falando dele nos últimos dias. Todo mundo viu a tentativa de criar escândalo, em esquema tão evidente que ficou muito fácil saber de onde veio o comando. A lamentável entrevista com a ex-amante do tucano foi uma das armações políticas mais idiotas já vistas. O efeito foi contrário ao que obviamente desejavam. Mesmo quem tem moralmente sérios reparos ao fato do ex-presidente ter tido uma amante há de concordar que na administração dos resultados dessa pulada de cerca o comportamento de FHC foi correto. No que mais importa, que é o filho surgido na relação, ele demonstrou caráter. Assumiu a paternidade que acreditava ser dele e mesmo após um resultado negativo de DNA continuou mantendo relação e dando apoio ao jovem, que nesta triste polêmica ficou ao lado dele e não da mãe.
O ponto interessante em armações como esta é a falta de percepção dos petistas sobre como anda a credibilidade deles. Cafagestices desse tipo deram certo em outras ocasiões, mas a mamata acabou. Nada mais vindo deles tem a repercussão política desejada. Mas parece que é enorme a dificuldade de percepção de que hoje em dia ataque do PT é quase igual ao lema da Academia Brasileira de Letras. Como disse Machado de Assis, ataque petista "é a glória que fica, eleva, honra e consola". É assim com quase tudo que petista não gosta, mas não é de hoje que o PT turbina o prestígio de FHC, não só com seus ataques como também com o que fazem no poder. Depois de tanta roubalheira e incompetência criminosa, juntando ainda mais a situação do ex-presidente Lula encalacrado irremediavelmente nas patifarias descobertas pela Operação Lava-Jato, o prestígio do tucano como ex-governante subiu feito foguete.
É a herança petista para o FHC. Fizeram tanta coisa ruim que tudo o que ele fez antes acaba tendo que ser avaliado positivamente. O partido do Lula abalou perigosamente o Real, levando ao buraco a economia do país, destruiu a responsabilidade fiscal e trouxe de volta a inflação. São ítens marcantes na imagem de FHC como governante. O cenário arrasado criado pelo PT impede até as críticas que realizações do tucano poderiam merecer. Se não houve continuidade de nada de bom e muito menos modificações sérias de conteúdo vai-se falar o quê? Para o tucano, depois da demolição petista é só consagração. E vejam a ironia: a elevação de Fernando Henrique Cardoso a um nível político altíssimo de consagração histórica é culpa do PT.
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POR José Pires

Consumidor ludibriado

Francamente, o marqueteiro João Santana devia ser processado com base nos direitos do consumidor. Procon nele. Aqui no Brasil o que ele fez infringe até o Conar, uma espécie de órgão regulador criado pelos próprios publicitários para controlar um pouco suas mentiras. Eleger a Dilma Rousseff é muito pior do que apelar em propaganda de molho de macarrão ou de cerveja. Conar também no João Santana.
Mas ele aprontou também mundo afora. O marqueteiro do Lula e da Dilma faturou muito fazendo propaganda para empurrar produtos fraudulentos goela abaixo do eleitorado latino-americano. Ajudou a reeleger Hugo Chávez, na Venezuela, e depois fez o mesmo com Nicolás Maduro. Fez a campanha e articulação da primeira vitória de Danilo Medina, na República Dominicana, este mesmo que ele trabalhava para reeleger agora, quando teve a prisão decretada.
Na África, ele fez a campanha de José Eduardo Santos, ditador de Angola que depois da independência do país subiu ao poder à frente de um movimento ligado ao comunismo cubano. Está no poder há 30 anos e neste período tornou milionarios os que o cercam (sua filha é uma da mulheres mais ricas do mundo) e manteve os angolanos na mesma miséria dos tempos do colonialismo português.
E como eu disse no início, o marqueteiro que por corrupção vai pro xilindró elegeu também Lula e Dilma. O sujeito é um caso grave de atentado aos direitos do consumidor. E ainda falando em propaganda, fala sério: você compraria um político usado do João Santana?
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POR José Pires

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Imagem- Lula na época da construção da apadrinhada Dilma, tendo à esquerda um João Santana muito feliz. Um detalhe importante: a foto foi feita pelo fotógrafo particular do Lula.

domingo, 21 de fevereiro de 2016


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Lula, o sem-celular

Como todo mundo já está sabendo, foi descoberta uma antena de telefonia celular da operadora Oi a menos de 150 metros do famoso sítio de Atibaia. Pela posição diferente dela, fora do padrão de instalação inclusive de outras operadoras, a imprensa deu cobertura ao assunto. Já na primeira matéria publicada no jornal Valor, as respostas obtidas foram suspeitas. A Oi foi procurada e optou por "não comentar a demanda feita pelo jornal", reação muito esquisita se for algo normal. Bastaria dar a explicação técnica sobre a disposição da antena.
Outra resposta de desconfiar foi a do Instituto Lula, que informou que "o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não possui celular". Grande novidade. Não é supresa para ninguém o Lula não ter celular. Por que é que teria celular o sujeito que não tem triplex no Guarujá, mesmo com a mulher dele acompanhando reformas bancadas pela empreiteira, e nem é dono do sítio de Atibaia, para onde foram suas caixas de bebida e de onde ele não sai? Ora, o Lula deve estar usando o celular de alguém, talvez até de capinha laranja.
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POR José Pires

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

O mosquito e o PT

Os petistas se envolveram tanto em suas encenações políticas e perderam de tal jeito o pé da realidade que não conseguem perceber mais nem o efeito negativo de suas performances. A presidente Dilma Roussef parece estar cercada de palpiteiros que só pensam em propaganda, mas também nisso são de uma incompetência atroz. Não conseguem distinguir entre o marketing e seu efeito político. Então vão fazendo qualquer coisa que aparece. Neste sábado Dilma foi ao Rio de Janeiro fazer uma encenação de combate ao mosquito que transmite o vírus zika. Ora, o engraçado é que não se preocupavam com o mosquito enquanto a dengue estava matando. E as mortes por dengue deram um salto foi com o PT no poder, desde o primeiro mandato de Lula. Ele entrou na presidência da República com apenas quatro vítimas fatais da dengue e daí por diante foi um descontrole terrível no número de mortes. Veja o gráfico. De 1990 e 2015, problemas decorrentes da fengue mataram mais de cinco mil pessoas no Brasil. No ano passado houve um recorde — quase 900 mortes. E o governo petista veio fazendo muito pouco, apesar dos avisos de que era preciso atacar com seriedade o problema. De 2013 até este ano houve um corte de 60% da verba extra repassada às prefeituras para ações de combate ao mosquito Aedes aegypti. E se não fosse o surgimento da nova doença alguém acha que eles estariam dando bola para a proliferação do mosquito?
Até este alvoroço com o zika, o governo petista tratava o inseto causador da doença com a mesma incompetência e até o descaso que tem com tantos problemas nacionais. E agora, quando até já estão chamando o bicho de “mosquito do PT” e com uma doença de repercussão internacional, lá foi a Dilma posar de mata-mosquito no Rio de Janeiro. Ela passeou numa favela carioca, que antes de sua visita recebeu da prefeitura uma reforçada maquiagem, com um trabalho de limpeza tão caprichado quanto inédito, o que levou uma moradora a declarar aos jornalistas: "Começaram a fazer coisas que nunca fizeram aqui".
No descrédito total em que está esse governo é até o caso de perguntar qual é o objetivo de algo assim. Acabar com o mosquito nós sabemos que não é. Isso não se executa com presidente da República entregando folheto de casa em casa e desvirando objetos com água, com fotógrafos e cinegrafistas atrás, como fez Dilma neste sábado. Ainda mais com o slogan exagerado que arrumaram para a campanha: “Um mosquito não é mais forte que um país inteiro”. Meio exagerado, não? Estão querendo aparelhar até o mosquito. Mas é o que dá marqueteiro bolar campanha sanitária para governo que só pensa no impeachment. Com os petistas querendo fazer uso político até deste grave problema, uma propaganda que deveria ter um conceito institucional de saúde pública virou algo politiqueiro que pode prejudicar a prevenção da doença.
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POR José Pires

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

O autêntico Lula

O PT está fazendo 36 anos e o ex-presidente Lula vem divulgando na internet um depoimento sobre este aniversário que acontece em ano trágico para ele e o partido. Parece vídeo caseiro, não por espontaneidade mas pelo fato de ser malfeito. É um material patético e por isso mesmo definidor sobre quem é realmente o político Lula. Nele, Lula menciona como grande realização política o “Orçamento participativo”, projeto que já foi abandonado há muito tempo pelo PT por não ser nem funcional, como aliás aconteceu com várias invenções petistas. A lembrança deste fiasco é uma grande mancada política. Lula acabou ressaltando um grave defeito de seu partido, que é o de não ser capaz de formular e colocar em prática políticas públicas.
No entanto é uma mancada dessas que dá um caráter real do que é o Lula, atualmente sem o suporte político e intelectual de terceiros, que sustentava sua imagem. Ainda no primeiro mandato petista os tucanos fizeram a inesquecível besteira de negligenciar o cumprimento da lei optando por esperar o chefão petista “sangrar”, como eles diziam. Pois independente da vontade desses bananas estamos vendo nos últimos anos o político Lula apodrecer em praça pública. E mesmo eu nunca tendo gostado desse político irresponsável e perigoso estou achando lamentável o espetáculo.
Não é bom de se ver, mas pode ser bastante instrutivo como lição sobre o risco de basear a atividade política na construção de imagens políticas sem sustentação na realidade. Agora, sem os grupos de pessoas que foram lhe dando assessoria ao longo dos anos, Lula se revela como um homem sem personalidade, com dificuldade até de fazer um vídeo de poucos minutos para mandar um abraço aos militantes de seu partido. Está tudo fora do lugar, como decoração interna paga por empreiteira ou arquitetura externa de sítio em Atibaia.
O problema é que faltam coadjuvantes importantes nesta encenação. Com o José Dirceu ao seu lado, por exemplo, não haveria esta menção idiota ao "Orçamento participativo". Mas estou falando do antigo Dirceu, já que este também se perdeu, passando a acreditar na própria encenação de poder. Mas ele foi sem dúvida um articulador importante da farsa política que dava o suporte essencial à imagem de Lula. Sua condenação pelo STF foi uma decisão de benefício vital à democracia brasileira. Sua prisão — a primeira com o mensalão, antes da reincidência no petrolão — abalou o esquema petista de perenização no poder.
Sem a presença essencial de Dirceu, que daquele jeito tosco dele o Lula definia corretamente como "capitão" de sua equipe, o projeto foi se desmontando. E teve também outras perdas, de profissionais de variados setores, muitos deles da área acadêmica, dos quais ao longo de sua carreira o ex-presidente extraia informação, às vezes de uso imediato. Essas ausências foram arrasadoras para alguém como o Lula, que sustentou-se sempre não pelo que sabe, mas pelo que fingia saber. Por isso gostei bastante desse videozinho de aniversário. É um retrato tão verdadeiro que parece ter sido feito em casa por ele e pela dona Marisa, a fiel esposa dando sua assessoria política e intelectual ao grande líder que hoje em dia nem empreiteiros querem ter por perto.
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POR José Pires

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Fim da folia

A Operação Lava Jato conseguiu a façanha até de fazer político trabalhar durante o Carnaval. Não teve a tradicional folga durante a folia este ano, principalmente por causa das descobertas recentes sobre o triplex que não é de ninguém, do famoso sítio e da delação premiada acertada pela empreiteira Andrade Gutierrez. De Brasília à Atibaia, muitos estão forçando a cuca para tentar encontrar uma saída de tanta encrenca, um debate interno que tem com certeza na pauta a preocupação com o futuro partidário. E ao contrário do que os petistas tentam fazer crer, ele não está em 2018. Já neste ano o destino bate à porta com as eleições municipais. Na minha previsão o PT acaba eleitoralmente é agora, na disputa de prefeituras e câmaras de vereador.
Esse papo de 2018 faz parte da construção da mitologia de Lula, com ele no papel do político popular que resolve eleições pela força de seu prestígio pessoal. E isso nunca foi assim. Suas vitórias foram sempre escoradas em muito dinheiro, que desde 2002 rolou com fartura não só nas eleições para presidente como também nas outras campanhas. Isso dava-lhes o poder até de armar o quadro eleitoral apropriado. No entanto, mesmo com toda essa força financeira o chefão do PT sempre foi obrigado a ir emburrado para o segundo turno. Teve de fazer isso até em 2006 com Geraldo Alckmin, que nem o PT pode acusar de ser carismático. No primeiro turno Lula teve mais dinheiro. Sua arrecadação foi de 81 milhões e a do governador tucano foi de 61 milhões. No final, somando os dois turnos, Lula também teve mais dinheiro: 91 milhões para ele e 81 milhões para Alckmin. Isso no oficial, é claro. Mas as revelações da Lava Jato acabaram de vez com a confiança em números oficiais vindos do PT.
Sobre isso, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, atualmente na presidência da nossa Corte maior, fez uma conta simples de como a coisa pode funcionar. Numa entrevista ele fez referência às altas somas de dinheiro dos roubos na Petrobras. É algo inédito no mundo. Onde já se ouviu falar em corruptos devolvendo milhões de dólares roubados? Teve envolvido que aceitou devolver 100 milhões de dólares. São quantias espantosas até comparadas com o mensalão, cujos desvios de 170 milhões geravam indignação. Hoje é uma merreca. E o mensalão era tido como o maior escândalo de corrupção do Brasil. Com o saque à Petrobras os petistas quebraram seu próprio recorde histórico. Em sua fala sobre o petrolão, Mendes diz que "6,8 bilhões se destinaram à propina", explicando então o significado político dessa dinheirama: "Se um terço disso for para o partido, o partido tem algo em torno de dois bilhões". O presidente do STF aponta a sus[eita de um plano de financiamento eleitoral eterno.
Porém, apareceu a Lava Jato, o que vai complicar a situação do PT já na eleição deste ano. Não tem 2018 para o partido do Lula, com candidatura dele ou não. E até lá ele pode inclusive já ter sido preso. O fim petista pode ser demonstrado de forma muito simples. Basta tentar imaginar um discurso do PT para essas eleições municipais. Qualquer promessa ou projeto será motivo de chacota. E que eles não falem da necessária recuperação da ética pública. Isso pode matar os eleitores de riso. E outra observação simples é indagar quem será doido de doar dinheiro para os companheiros. Dá para ver que eles planejavam ter a posse do caixa eleitoral mais extraordinário do mundo, dispensando o trabalho de ir atrás de doações legais. Com o que finalmente já sabemos, dá até para entender melhor a razão de tanta insistência deles pela proibição da doação de empresas. Pelo jeito, contavam com um meio muito mais eficiente de financiamento de campanha. Mas agora acabou a folia.
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POR José Pires

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Saída e entrada

Este vai ser um Carnaval difícil para uns e outros. A ressaca é braba já na véspera. Nada de relaxar tomando umas brahmas em chácara de Atibaia. Em Brasília a folia também mixou. A empreiteira Andrade Gutierrez acertou a delação premiada e o presidente afastado Otávio Marques de Azevedo vai sair da cadeia, talvez já nesta sexta-feira. O que será que ele falou? Já se diz que houve confissões sobre doações para a campanha da presidente Dilma Rousseff e teve também citações de segredos de Lulinha.
A empreiteira doou oficialmente 20 milhões de reais ao comitê de Dilma, quantia impressionante que Azevedo já afirmou ter sido dada sob pressão pesada do então tesoureiro da campanha petista, Edinho Silva, hoje ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, e de Giles Azevedo, ex-chefe de gabinete e atual assessor especial de Dilma Rousseff. Caso não dessem o dinheiro, disse o executivo, sofreram a ameaça de que os negócios da empreiteira com o governo brasileiro estariam em risco.
A saída do executivo da Andrade Gutierrez da cadeia deve abrir a porta da cela para a entrada de prisioneiros graúdos. Podemos ter um Carnaval inesquecível, como nunca antes na história deste país.
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POR José Pires

Interrogatório na agenda

O ex-presidente Lula e dona Marisa Letícia já estão com um programa imperdível para depois do carnaval. Os dois têm interrogatório marcado pelo Ministério Público para o dia 17 de fevereiro. É a primeira vez que Lula presta depoimento como investigado e sua esposa também foi intimada. O casal é investigado pelo crime de lavagem de dinheiro e ocultação da propriedade do famoso triplex do Guarujá. Também neste dia será ouvido Léo Pinheiro, dono da OAS que acompanhava pessoalmente as reformas no triplex e que foi visto por testemunhas acompanhando dona Marisa na inspeção das reformas no apartamento, que custaram mais de 700 mil reais. Hoje apareceu a informação de que os investigadores descobriram que a empreiteira gastou R$ 380 mil em mobília para o triplex. É impressionante o interesse da OAS em agradar o dono desse imóvel.
Até agora Lula tentou de todo jeito desmentir que o imóvel seja dele, mas promotores afirmam que os indícios apontam para ele como o privilegiado dono. Já existem depoimentos sobre sua presença no prédio, inclusive com a reclamação de moradores de que durante a visita a segurança do petista impedia o acesso ao elevador, reservado para seu uso exclusivo. A OAS também ordenava a limpeza do prédio e a colocação de flores para receber a família do ex-presidente. Esses fatos até curiosos e outras revelações vêm prejudicando bastante as tentativas de Lula para desvencilhar-se dessa história. Suas versões são desmontadas uma a uma em variadas matérias pela imprensa nos últimos dias. E o Ministério Público deve ter juntado outras provas sólidas durante a investigação deste triplex que vem sendo apontado como o Fiat Elba de Lula.
O caso é um desastre para o ex-presidente. Os elementos envolvidos na trama acabam tendo uma relação diretamente destrutiva com tudo que até há pouco dava forma à sua figura política, num trabalho de décadas que ocupou marqueteiros, dirigentes políticos e o uso praticamente exclusivo de um partido na configuração de uma imagem de líder popular. Temos uma cooperativa de trabalhadores, a quebrada Bancoop, de um sindicato de importância história na sua base política, o dos bancários, com mais de três mil famílias de trabalhadores que perderam o dinheiro aplicado para ter uma casa própria. Daí passa-se para uma empreiteira envolvida em corrupção de bilhões de reais, num esquema que arruinou a maior estatal brasileira. No meio disso tudo ainda está a denúncia de desvio de dinheiro para o PT, além do partido ter altos dirigentes presos e condenados. Depois disso, dificilmente deve sobrar algo da imagem de Lula e de seu partido, independente do que ele tentará explicar quando for interrogado. Sua carreira política já está bastante abalada com o que já é conhecido até agora. E o que deve aparecer depois dessa conversa com os promotores com certeza aumentará inda mais o estrago.
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POR José Pires

Empreiteira cheia de mimos

O Jornal Nacional conseguiu descobrir notas fiscais e outros documentos de compra de móveis planejados de grife numa loja de grife Avenida Faria Lima, em São Paulo, que foram entregues em dois endereços quentes da política nacional: o famoso sítio em Atibaia e o edifício Solaris, do triplex no Guarujá que os brasileiros já se acostumaram a chamar de "triplex do Lula". Que os dois imóveis haviam recebido um mobiliário chique já havia sido revelado pela imprensa, numa matéria do jornal O Estado de S. Paulo. Faltava um documento que comprovasse a compra e tivesse o nome do comprador, que apareceu agora. Os móveis foram pagos pela empreiteira OAS, envolvida na corrupção de bilhões de reais da Petrobras. Uma das notas é de R$ 78.800,00 e se refere à cozinha planejada entregue no triplex do Guarujá e instalada depois da obra de reforma, também paga pela OAS, que custou mais de 700 mil reais. A segunda entrega foi de eletrodomésticos e outra cozinha planejada para o sítio de Atibaia. A compra foi de R$ 130 mil, tudo pago também pela OAS. E como os petistas gostam bastante de destacar aquele número que deu um brutal azar para o país, notei que a data do pedido de compra é de 13 de março de 2014. Bacana para usar em propaganda política do partido em 2018, não é mesmo?
Quando saiu a notícia de que Lula foi intimado a prestar depoimento, agora como investigado na Operação Lava Jato, eu dizia que os promotores já deviam ter um bom material para confrontar com a versão que ele deve estar preparando com seus advogados. Eu eu creio que esses documentos são apenas uma parte do que já foi colhido sobre esses dois lugares atualmente emblemáticos do petismo. Dá para imaginar a preocupação de Lula com o que vai falar aos promotores depois do Carnaval. Será que o Brahma já cogitou de se apresentar com habeas corpus preventivo? Não se sabe o que é que o Ministério Público já tem na mãos sobre esses dois imóveis altamente suspeitos. Espero que a surpresa seja boa para o Brasil. Seria muito interessante e até bastante prático para quem um dia for estudar este impressionante período político brasileiro que Lula fosse ver o sol nascer quadrado exatamente pelo que possa ter aprontado neste edifício de nome tão apropriado.
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POR José Pires


quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

O triplex que pode valer por um Fiat Elba

Já se fala bastante no triplex do Guarujá como o Fiat Elba do Lula, com a gozação rolando nas redes sociais e a imprensa descobrindo contradições o tempo todo na versão apresentada pelo ex-presidente. É dificil saber qual é a história mais mal contada de Lula, sujeito notório por suas lorotas, mas esta do triplex é forte concorrente. Em 2014, sua assessoria havia admitido que ele era proprietário do imóvel, o que constava inclusive em sua declaração pública de bens como candidato em 2006. De fato, estava lá anotado um repasse para a Bancoop, porém de um valor bem estranho para pagar um triplex: exatos R$ 47.695,38. Ora, apenas com a reforma do triplex a empreiteira OAS teria gasto R$ 777 mil.
Depois da repercussão negativa mudaram a versão. Pegou mal o ex-sindicalista como proprietário de um triplex à beira mar numa das praias caras do Brasil. Na nova história, a responsabilidade ficava exclusivamente para sua mulher, Marisa Letícia. Até então, a preocupação era só com a imagem política do ex-presidente. No entanto, o assunto ficou mais complicado depois do edifício passar a ser investigado pela Operação Lava Jato. O Ministério Público suspeita que os apartamentos eram usados pela empreiteira OAS como pagamento de propina e lavagem de dinheiro.
O Fiat Elba é brinquedo perto desse caso, com o imóvel que vem sendo chamado por todo mundo de “triplex do Lula”, por isso ele se faz de bravo, ameaçando processar até promotores. É tudo encenação política, como tantas outras do chefão do PT em casos anteriores, mas o problema é que muitas peças foram se encaixando a partir de depoimentos da Lava Jato e descobertas feitas pela imprensa. No mês passado Lula sofreu uma derrota na Justiça para jornalistas de “O Globo”. O jornal havia publicado em agosto um matéria com o título "Youssef deu dinheiro à firma ligada à obra de prédio de Lula", o que motivou o ex-presidente a pedir indenização de R$ 25 mil de cada um dos três jornalistas autores do texto.
Lula age desse jeito. Suas ações não são contra as empresas jornalísticas. Ele ataca diretamente o jornalista, com a intenção evidente de intimidação de toda uma classe. Mas a Justiça não deu razão a ele e agora, com novos depoimentos aparecendo, sua situação vai ficando ainda mais complicada. Na ação perdida contra os jornalistas, o ex-presidente afirmava que “não é proprietário de nenhum imóvel no município do Guarujá” e alegava que sua esposa Marisa “detém apenas uma cota da Bancoop”. Ocorre que o dono da Talento Construtora, Armando Dagre Mari, afirmou em depoimento que a mulher de Lula esteve inspecionando a reforma no triplex. Ela apareceu de surpresa, acompanhada do filho Lulinha e com nada mais nada menos que o dono da empreiteira, Léo Pinheiro, atualmente condenado a 16 anos de cadeia na Lava Jato. O zelador do condomínio também afirmou que já viu Lula por lá. Ele contou que a OAS sempre “limpava o prédio e colocava flores para receber a família do ex-presidente”.
Não é incomum que em crimes que parecem perfeitos o criminoso acabe sendo apanhando por um deslize tolo, que pode ser um cigarro esquecido ou qualquer outro detalhe. A gente costuma ver bastante isso em filmes de TV, em roteiros que se inspiram na vida real, porque muitas vezes é desse jeito mesmo que os culpados acabam sendo apanhados. O Fiat Elba que botou Collor pra fora do Palácio do Planalto é um exemplo e no mensalão foi também um desacerto banal com o então poderoso José Dirceu sobre dinheiro para campanha que fez o ex-deputado Roberto Jefferson denunciar o esquema. Para enriquecer o enredo da corrupção brasileira podemos ter agora um triplex no Guarujá.
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POR José Pires

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Bolsonaro: a direita ganhando terreno

O protesto desta terça-feira em Porto Alegre contra o deputado Jair Bolsonaro teve uma cobertura da imprensa que deixou de lado o fato mais importante, que envolve o motivo da presença dele na capital gaúcha. Bolsonaro, que é militar da reserva, atendia a um convite do general de exército Edson Leal Pujol, novo chefe do Comando Militar do Sul. Essa informação saiu no pé das matérias na maioria dos lugares e se não fosse a bagunça de esquerdistas é possível que nem dessem a notícia. A baderna promovida pela militância teve por detrás a deputada Maria do Rosário, Luciana Genro e Manuela D'Ávila, hoje deputada estadual. A trinca está de olho na prefeitura de Porto Alegre, razão da disciplinada comunista Manuela ter trocado o Congresso Nacional pela Assembléia Legislativa gaúcha, num plano do PCdoB para ela ter mais visibilidade política entre os eleitores porto-alegrenses. Portanto, apesar da encenação de manifestação por direitos civis, o objetivo do furdunço esquerdista é provinciano.
Mas o que interessa na verdade ao resto do país é a troca de comando para a qual foi convidado o deputado Bolsonaro. Uma justificativa é que o general Pujol foi seu colega de turma na Academia Militar das Agulhas Negras, entre 1947 e 1977. Porém, levando em consideração o que representa hoje Bolsonaro como líder da crescente direita brasileira, fica muito óbvio o gesto político do novo comandante. Mas tem mais: Pujol substituiu no Comando Militar do Sul o general Antônio Hamilton Martins Mourão, afastado do posto depois de criticar o governo federal e propor uma homenagem ao coronel Brilhante Ustra, notório por seu papel na repressão durante a ditadura militar. Dá a impressão de que, mais que um recado, o convite a Bolsonaro foi um desafio à autoridade da presidente da República. Não vamos falar de golpe ou qualquer outra forma de insurreição, mas isso é mais um indicativo de uma ampliação da cultura política de direita nos meios militares.
O convite do chefe militar a Bolsonaro serve como demonstração de que a insatisfação nos quartéis pode ser muito mais séria do que sabe-se até agora, na desinformação geral causada pela superficialidade do jornalismo brasileiro. E essa inquietação militar foi causada por fustigações da própria esquerda. A direita vem adquirindo cada vez mais força no Brasil, o que é possível notar mesmo com negligência da mídia com este assunto. Foi um crescimento facilitado pela esquerda, com a colaboração irresponsável da máquina de comunicação e propaganda do governo do PT. Já faz tempo que a esquerda perdeu a capacidade de analisar com seriedade as consequências do que faz. De olho apenas em benefícios políticos ocasionais, foram gradativamente abrindo amplos espaços para o crescimento da direita, de tal forma que temos hoje um Bolsonaro como estrela nacional da política, ele que por merecimento amargou durante pelo menos duas décadas o papel de político do baixo clero. O que aconteceu em Porto Alegre mostra que o país pode ter surpresas políticas de curto prazo, com influência já nesta eleição municipal e de resultado ainda mais determinante na eleição do próximo presidente da República.
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POR José Pires

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016


quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Lula e seus similares

Ao dizer que não existe ninguém mais honesto do que ele, Lula deixa seus próprios aliados numa situação difícil. Renan Calheiros, Fernando Collor, José Sarney e Paulo Maluf não podem sair por aí dizendo a mesma coisa. Se falarem isso ficará ainda mais claro que são tão desonestos quanto o Lula e além disso vai parecer também que são igualmente idiotas.
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POR José Pires

A fatal falta de atração

Já disse várias vezes que a situação do Brasil é tão grave que se o PT não for tirado do poder corre-se o risco de entramos numa crise irremediável, com o nosso futuro tão comprometido que obrigue o país ser mantido por um tempo muito longo a custa de remendos. Teremos de passar a vida tapando goteiras, sem tecnologia ou recursos para fazer um telhado novo. Não tem problema que alguns achem que estou sendo rigoroso demais: já estou rigorosamente conformado. Lembram antes da eleição, quando qualquer um que apontava que 2016 seria um ano trágico caso Dilma Rousseff fosse eleita era demonizado de forma agressiva pelos petistas? Fomos chamados de "catastrofistas". Pois aí está a catástrofe, que em razão da desestruturação geral do país causada pelos petistas desde que Lula entrou pela primeira vez no Palácio do Planalto, será uma dificuldade para qualquer um resolver. Mas será que não tem muito mais coisas que não sabemos sobre o drama da nossa economia? É possível. Um governo que acoberta e até trata como heróis ladrões do dinheiro público na quantia de bilhões pode muito bem esconder a verdade sobre a quebra do Brasil.
E está sempre aparecendo um indicativo de que o rumo do país pode ser ainda pior do que revelam os dados de que dispomos. Hoje o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, deu uma entrevista ao jornal "O Globo", na qual disse que o Brasil tem que voltar tem que voltar a ser "um objeto do desejo". Apesar de ser banqueiro, o chefe do ex-ministro Joaquim Levy esta sendo delicado, um gentleman na exposição de seu desagrado com o nosso país. Na verdade, o que ele quer dizer é que o Brasil está um bagulho. E essa opinião é mais um dado sobre a gravidade da nossa situação. Quando um país não excita mais nem aos banqueiros, é sinal de que o problema é muito mais grave do que já estamos sentindo na pele e no bolso.
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POR José Pires

Mídia sem sintonia consigo mesma

É difícil ver um sentido lógico na tremenda repercussão que a mídia brasileira deu à morte do cantor britânico David Bowie. As homenagens foram fartas, com o assunto sendo explorado durante dias. A revista Veja embalou no exagero e saiu com 12 capas na mesma edição, cada uma delas homenageando o astro internacional. Não me lembro da Veja ter dado sequer uma capa para Bowie nos últimos tempos e não sei de matérias cobrindo sua carreira recentemente no site da revista, que já embarcou há algum tempo na cultura de curiosidades e distração. O mesmo ocorre em outras publicações e sites brasileiros, que nunca deram atenção ao cantor britânico, assim como nada publicam sobre outros grandes artistas internacionais. E nem vou falar de áreas como literatura ou teatro, já que uma cultura que não dá atenção mais nem para a música pop de qualidade dificilmente perderá tempo com essas coisas.
O fato é que Bowie nunca teve grande presença em nosso país, ainda que seja conhecido por aqui. É claro que sua morte merecia ser manchete. Bowie era tão hábil como artista pop que criou até seu próprio epitáfio em forma de clip musical. Morrer logo depois, ainda que tenha sido involuntário, deu o toque final na obra. Mas mesmo assim achei estranho a tremenda fascinação que de repente a imprensa passou a demonstrar por ele, uma paixão sem referência anterior na cobertura que vinha sendo feita na área da cultura. Em muitos lugares foi do BBB pro Bowie, nesta mixórdia que é hoje em dia a nossa internet.
É o que se chama forçar a barra. Sem conexão com o que vinha saindo antes, nunca poderia haver de forma alguma referência de sua importância, da mesma forma que ocorre com tantos outros assuntos que surgem de repente na frente do desassistido leitor brasileiro. Tem sido sempre assim, de uns tempos para cá, numa atitude jornalística que ficou mais marcante na passagem do impresso para a internet. Ainda que se faça algum esforço para contextualizar assuntos que surgem de repente, falta sempre um vínculo sólido com o que vem sendo publicado. Algumas figuras caem do nada, às vezes na hora da morte, como foi com o Bowie.
Sabe-se que o morto é ilustre, mas quem era ele mesmo? Ficamos cercados de material sobre o finado, que pouco aparecia anteriormente em publicações ou sites brasileiros, hoje tomados por uma grande quantidade de material sem qualquer preocupação editorial que dê uma unidade aos veículos. É uma boa forma de ler bastante e não tomar conhecimento de nada.Agora foi com David Bowie, mas logo pode ocorrer com outra personalidade, sempre com a possibilidade da desaparição de qualquer um deles depois do breve féretro midiático. Este é o resultado de uma comunicação tomada pela incoerência e a falta de sentido, como a que vem sendo produzida no Brasil. Passamos todo o tempo vendo fantasmas, às vezes até em 12 capas diferentes.
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POR José Pires

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Os apitos da crise

Já tem tanto alarme tocando, que ficou até repetitivo usar essa imagem para falar da crise econômica, mas vamos lá, porque temos um caso de alarme bastante grave. É assustadora a previsão do Fundo Monetário Internacional (FMI) de uma retração de 3,5%% da economia do Brasil em 2016. Sabemos muito bem que este banco vai sempre procurar amenizar a divulgação de avaliações referentes a qualquer país, devido ao risco de fazer piorar a situação em razão da má notícia antecipada pelos números. Ao contrário do mito que até hoje a esquerda espalha com fervor, não é do interesse do FMI sair quebrando países pelo mundo afora. Em outubro o banco dizia que seria de 1% a retração. Em menos de três meses a previsão negativa caiu desse jeito, o que faz parecer que no ano passado o gato subiu no telhado. E até pode ser que agora o FMI já tenha conclusões piores do que os 3,5%%, mas estejam maneirando para evitar uma situação mais complicada, dando para o governo de Dilma Rousseff ao menos amenizar o estrago.
Bem, aí é que morrem as nossas esperanças de que sejam encaminhadas medidas sérias para consertar o Brasil. Conhecendo bem este governo do PT, sabemos que essa avaliação econômica será alvo de ataques da máquina de comunicação e propaganda dos petistas, que devem inclusive apelar para a velha tática esquerdista de demonização do FMI como inimigo da independência dos povos oprimidos. Sempre foi assim e não temos razão de acreditar que desta vez será diferente. Aliás, já se vê nas redes sociais os petistas fazendo troça da previsão do FMI. Não aceitar opinião divergente é um traço irremovível do caráter petista, defeito que foi até aperfeiçoado. Atualmente eles nem esperam a má noticia chegar. Alvejam o mensageiro de longe. Sobre esta assustadora ameaça de recessão braba, o FMI destaca a "incerteza política" como causa importante do problema. A "incerteza" — e aí sou eu quem está falando — tem nome e este nome é Dilma. E a incerteza política tem origem na arrogância petista já bem antiga que impede que o outro seja ouvido com respeito.
Se eles deixassem de mandar os problemas para o João Santana ou qualquer outro marqueteiro fazer da questão um logotipo novo e uma propaganda cara, talvez ainda desse tempo para fazer alguma coisa, revertendo a previsão do FMI. Mas eles não mudarão nunca. Já se prolongam os anos em que estamos vendo esse pessoal refutar toda crítica e qualquer avaliação que contradiga as tolices em que acreditam. As análises tanto de organismos internacionais quanto de especialistas brasileiros já vêm avisando faz tempo sobre o aumento gradativo do estrago. Isso me lembra de um episódio até engraçado de 2012, quando o ministro da Fazenda que projetou o atual desastre, o incomparável Guido Mantega, desdenhou a previsão do banco Credit Suisse de um crescimento do PIB menor que 1,5% para o ano. Na ocasião, Mantega garantiu que o crescimento seria de 4% e classificou a previsão do banco como uma "piada". A economia brasileira terminou com apenas 0,9% naquele ano. Certamente o governo do PT vai tratar também como piada esta previsão do FMI. No final, o resultado não terá graça alguma para o Brasil.
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POR José Pires

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Reinaldo Azevedo, Olavo de Carvalho e Janer Cristaldo: lições para um bom debate

Ainda sobre o quebra-pau entre Olavo de Carvalho e Reinaldo Azevedo, é preciso fazer a ressalva importante de que o Reinaldo só reagiu depois de ser muito atacado pelo grupo que se forma em torno de Olavo, quando ele lança sua agressividade verbal sobre alguém. Como eu já disse, isso já ocorreu noutras vezes, atingindo inclusive alguns anos atrás Janer Cristaldo, no tratamento injusto que Olavo passou a dispensar a ele depois do rompimento entre os dois no site “Mídia sem Máscara”. Era num tempo de internet ainda no começo, quando não havia a atual bagunça nas redes socias com certos assuntos. Um amigo trouxe a lembrança do falecido Cristaldo (morto no início do ano passado), que manteve até o final da vida um excelente blog, com renovação quase diária de conteúdo com textos de altíssima qualidade. Cristaldo tinha divergências tanto com Olavo quanto com Reinaldo e escrevia sobre esses desacordos de forma muito inteligente e com uma ironia finíssima e aguçada.
Além de ter um ótimo texto, o grande Cristaldo era um habilidoso aplicador de apelidos. O apelido de “Supremo Apedeuta” para o ex-presidente Lula foi criado por ele. Olavo de Carvalho era chamado de “Aiatolavo” e Reinaldo de Azevedo era o “Recórter Tucanopapista”. E para o Papa Bento XVI ele tinha o excelente apelido de “Pastor Alemão”. Do ponto de vista dele era ainda melhor. Cristaldo era ateu e fazia grande textos sobre o tema, sem a implicância banal ateística que é própria de fanatizados pela contrariedade com as religiões e com um profundo conhecimento de história, de filosofia e de todas as crenças, inclusive a marxista.
Após um periodo de bom relacionamento, Reinaldo Azevedo experimentou algo parecido do que Olavo de Carvalho fez no passado com Cristaldo e outras pessoas que eram até mais próximas dele. Quando surge alguma divergência que toca diretamente em uma posição política sua, Olavo tem um comportamento absurdamente agressivo. Ofende no mais baixo nível, usando para isso inclusive de escatologia e ataques pessoais que nada tem a ver com o tema em debate. Como eu já disse, é o lado Mr. Hyde que toma conta dele. Com este comportamento condenável, em que encarna um caráter grotescamente cômico, ele influencia uma enormidade de fãs e discípulos, que passam a fazer o papel de malhadores cibernéticos de Judas, num fuzuê danado onde rola todo tipo de difamação e calúnia sobre o adversário do momento.
Mas hoje, felizmente, Reinaldo encerrou o debate com um último texto. Ele fecha dessa forma o assunto com o mesmo bom senso e a necessária verve que vinha tendo até agora. No entanto, esta briga dispensável fez Reinaldo Azevedo produzir um ótimo texto, defendendo-se dos ataques logo no início do debate. É um de seus grandes artigos de fundo filosófico, de nome “É preciso aprender a ser mestre”, com serventia para muita gente que hoje em dia influencia o debate político.
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POR José Pires


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Texto de Reinaldo Azevedo

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Quebra-pau à direita

Antigamente se dizia que a esquerda brasileira só se entendia na cadeia. A piada era com a dificuldade dos movimentos de esquerda se unirem, o que não se dava nem nos objetivos práticos da luta pela democracia. Era em plena ditadura que esquerdistas quebravam o pau entre si, numa divisão que atingia até a esquerda que pegou em armas, que sempre foi se fragmentando em grupos cada vez mais restritos enquanto a repressão da ditadura militar descia o cacete em todos eles, prendendo e torturando e até matando. Com a abertura democrática, a cizânia ficou a cargo do PT, com o partido de Lula atuando de forma irresponsável para romper a unidade das forças políticas surgidas da luta pela democracia. Depois, com o tempo, os esquerdistas foram se juntando e hoje estão ainda firmes defendendo um governo em que a ladroagem e a incompetência criminosa é a regra.
E agora é a direita que anda com dificuldade de se unir em torno do objetivo prático de tirar essa canalha do poder. No centro do desentendimento destaca-se Olavo de Carvalho, sobre o qual já fiz reiterados elogios, ainda que no geral eu tenha com ele uma porção de divergências políticas. Olavo é um pensador brilhante, do tipo que é sempre interessante acompanhar independente do que ele esteja falando ou de sua posição política sobre o assunto. Porém (ai, porém), muitas vezes ele têm reações bastante grosseiras à divergências que atingem de forma direta sua opinião. Então, ele parte para a ofensa pessoal, apelando para desqualificações muito baixas. Nessas explosões de baixo nível ele atinge pessoas que estiveram muito próximas deles, às vezes até como seguidoras de suas aulas de filosofia ou admiradoras do que ele escreve.
Olavo de Carvalho parece ter um distúrbio parecido ao do Dr. Hyde, o famoso personagem do romance “Dr. Jekyll e Mr. Hyde”, de Robert Louis Stevenson. E o Mr. Hyde do Olavo é grosso pacas. É o que se vê agora na polêmica que ele vem travando com o jornalista Reinaldo Azevedo, em razão de divergências dos dois sobre os movimentos organizadores das manifestações pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff. Olavo já havia ficado muito bravo com o apoio do Movimento Brasil Livre e o Vem Pra Rua ao pedido de impeachment proposto por Hélio Bicudo, visto por ele como uma capitulação a um esquerdistas que até há pouco tempo era do PT. Discordo dessa opinião, mas de qualquer forma a tese poderia dar um bom debate, mas o que se viu foi uma torrente de insultos e acusações muito injustas contra o pessoal do movimento. Já o Reinaldo Azevedo acredita no potencial político do movimento pelo impeachment e vem abrindo generoso espaço para os jovens líderes.
Por isso, o pau vem quebrando entre Reinaldo Azevedo e Olavo de Carvalho, com este último liberando sua porção Mr. Hyde e determinando também o comportamento de uma multidão de seguidores seus que em vez de se esforçarem para aprender com as qualidades do mestre procuram imitar o que ele tem de pior. Dessa forma, a baixaria lamentável se espalha pela internet. Não é a primeira vez que isso acontece, mas com o alvo de agora sendo Reinaldo Azevedo, isso pode causar um desgaste tremendo na oposição ao governo do PT, com um efeito negativo que os petistas já estão adorando. Este confronto tolo ocorre há menos de dois meses da grande manifestação pública pretendida para fortalecer o impeachment junto ao Congresso Nacional. Mesmo que não queira, desta vez Olavo de Carvalho está dando uma força ao PT. É lamentável, até pelo fato do país estar perdendo o bom debate que poderia surgir da divergência entre duas figuras inteligentes que têm o nobre objetivo em comum de tirar os petistas do poder.
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POR José Pires

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016