quarta-feira, 29 de junho de 2016

A face humana de Gleisi Hoffmann

Achei muito interessante, espantoso até, ver nesses dias a senadora Gleisi Hoffmann tomando consciência de sentimentos humanos. O fenômeno ocorreu na ocasião da prisão de seu marido, o ex-ministro Paulo Bernardo, pego pela Polícia Federal na última quinta-feira na Operação Contas Abertas, ação policial que foi um desdobramento da Operação Lava Jato. Bernardo já foi liberado por Dias Toffoli, do STF, mas terá de ficar com tornozeleira eletrônica e recolher-se à noite. Portanto, crianças: tomem cuidado durante o dia. Mas quando houve a prisão, a senadora petista ficou tocada pela emoção, o que costuma ocorrer apenas quando ela está buscando voto do eleitor e pode-se ver no horário eleitoral, quando ela surge como uma pessoa sensível, muito educada e até carinhosa com as pessoas. Quem não é do Paraná e só conhece Gleisi como a senadora de maus bofes da Comissão do Impeachment do Senado não acreditaria nem se visse com os próprios olhos. Na hora de pedir voto ela se transfigura. É difícil acreditar que alguém de tanta agressividade e até má-educação possa mudar de tal jeito, mas ela vira mesmo uma figura muito humana.
A gente poderia até pensar em tal transformação como exclusividade de uma eleição, mas agora, quando o ex-ministro foi levado pra cadeia, pudemos ver que não é só quando precisa se reeleger senadora ou disputa o governo do estado que Gleisi consegue expressar sensibilidade e preocupação. O ex-ministro acusado de pegar propina retirada de empréstimo consignado de funcionários aposentados, foi mencionado por ela, com os olhos quase marejados, como "pai dos meus filhos". A operação Custo Brasil foi também acusada por ela de ser “uma clara tentativa de abalar emocionalmente o trabalho de um grupo crescente de senadores que discordam dos argumentos que vêm sendo usados para tirar da Presidência uma mulher eleita legitimamente pelo povo brasileiro; afastar uma presidenta, legitimamente eleita por mais de 54 milhões de votos”. Como diz a moçada, "menos, Gleisi, menos". Com a desproporção da alegada conspiração não tem como isso colar, senadora.
A emoção da petista foi imensa, ainda que parecesse improvável. E, de fato, logo Gleisi voltou ao batente como a mesma Gleisi de sempre. Na segunda-feira ela ainda encenava na tribuna o papel de esposa comovida, em discurso em sessão deliberativa, quando falou pela primeira vez no Senado sobre a prisão de Paulo Bernardo. No entanto, logo depois, participando da reunião da Comissão do Impeachmment, ela voltou a ser a chamada "generala", comandando a violenta e patética tropa de choque da bancada governista, atacando de forma desonesta Janaína Paschoal, a advogada da acusação e corajosa autora do pedido de impeachment de Dilma Rousseff. Gleisi insinuou outra estrambótica teoria da conspiração, apontando o juiz que autorizou o pedido de prisão de Bernardo como orientando de Janaína, no curso da faculdade de Direito da USP. Já tinha de volta a cara de brava e o olhar irônico e cruel. Como eu disse, a petista voltou a seu estado normal. Quem estiver com saudade da Gleisi sensível e repleta de sentimentos humanos terá de esperar o período de campanha eleitoral. Ou então mais uma prisão do marido dela.
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POR José Pires

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Calamidade, o estado do Rio

A decretação de estado de calamidade pública pelo governo do Rio de Janeiro a dois meses da abertura dos Jogos Olímpicos tem todos os ingredientes da irresponsabilidade e incompetência do governo do PT, a começar da própria realização do evento esportivo aqui. Não faltaram avisos de muita gente sobre as dificuldades financeiras e estruturais que isso podia ser para o Brasil. E quem condenava a falta de bom senso do então presidente Lula em trazer os jogos para o Brasil nem podia prever os problemas com a mosquito aedes aegypti e suas doenças. Porém, fazer a Olimpíada no Brasil era um lance eleitoreiro do qual Lula não podia abrir mão, assim como foi com a Copa do Mundo, outro evento que o país não tinha capacidade de arcar.
Os motivos apontados pelo governador em exercício do Rio, Francisco Dornelles, para a decretação do estado de calamidade também servem, todos eles, como exemplo da irresponsabilidade de Lula, Dilma Rousseff, e os aliados do PT, todos de olho em benefícios eleitorais na época em que ofereceram o Rio como sede dos jogos. Dornelles fala na crise econômica que atinge o Estado, na queda na arrecadação com o ICMS e os royalties do petróleo, além de dificuldades graves na prestação de serviços essenciais. Segundo ele, ficou impossível o atendimento nas áreas de segurança pública, saúde, educação e mobilidade. Tudo isso já era previsto, mas quem fazia qualquer ponderação crítica sobre o assunto era acusado até de ser contra o Brasil.
Como eu disse, é tudo resultado da irresponsabilidade de Lula e Dilma, os dois que chamavam de "catastrofistas" quem avisava dos riscos de trazer este mega-evento esportivo para o país. Entre os ingredientes eleitorais dessa dupla fraudulenta está inclusive os "royalties do petróleo" em queda. Cadê o milagre do pré-sal? Aquela lorota serviu não só para o sucesso eleitoral do PT como também do então governador Sérgio Cabral e seus cupinchas políticos, como Eduardo Paes, até hoje prefeito da capital. Naqueles eufóricos dias anunciava-se que a extração de petróleo do pré-sal faria da economia brasileira um paraíso, com dinheiro jorrando para a educação, a saúde e também para fazer bonito no mundo todo. Era a velha cascata de um país sempre em primeiro no pódio, que agora enfrenta uma realidade dura de vencer.
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POR José Pires

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Imagem- Dilma e Eduardo Paes em agosto de 2015 comemoram, por antecipação, em cerimônia que marcava um ano para o começo da Olimpíada

terça-feira, 7 de junho de 2016

A verba fácil da militância da TV Brasil e da blogosfera petista

Já faz um tempo que o jornalista Reinaldo Azevedo recuperou uma velha expressão caipira para falar da quantidade de encrencas criadas pelo governo do PT, que aparecem aos montes conforme a imprensa e o Ministério Público vão procurando, ou melhor, vão dando suas enxadadas. É impressionante o quanto os companheiros aprontaram nesses anos de poder. Mas a cada enxadada vai aparecendo também muito dinheiro. Surge nas perdas terríveis causadas pela incompetência, pela roubalheira, no achaque e na propina. E aparece também na dinheirama que sai dos cofres públicos para os entusiasmados defensores do governo do PT e seu projeto de poder. É um gasto impressionante.
O próprio Reinaldo Azevedo havia revelado no final de maio os salários pagos na TV Brasil, esse elefantaço branco criado pelos petistas. A audiência é um traço, mas é altíssimo o custo para cofres públicos: R$ 1 bilhão por ano. A emissora não tem telespectadores, mas o objetivo da TV Brasil não era propriamente a audiência. O negócio sempre foi o de angariar simpatias. Um desses profissionais da simpatia é Aderbal Freire Filho. Ele andou recentemente organizando atos de apoio a Dilma entre a classe artística e tem na TV Brasil pelo menos um bom motivo para gostar do PT. Fazia na emissora um programa semanal sobre teatro chamado “A Arte do Artista”. Para isso recebia R$ 68 mil mensais. Aderbal é casado com a atriz Marieta Severo, que andou dando um exaltado apoio ao PT no “Domingão do Faustão”.
Outro que ganhava muito bem na TV Brasil é Luis Nassif. Seu programa era também semanal, o "Brasilianas. org" pelo qual faturava anualmente R$ 761 mil, o que dava mais de R$ 63 mil por mês. Ou R$ 15.750 por programa. Já o jornalista Paulo Moreira Leite tinha um contrato anual de R$ 279 mil, para fazer um programa de entrevistas também semanal de nome “Espaço Público”. Todos esses programas eram de pouquíssima produção, como acontecia também com Emir Sader, que mantinha um contrato anual de 182 mil para fazer comentários. Outra comentarista política, Tereza Cruvinel, tinha um contrato anual de 182 mil.
Muito confortável "defender uma causa" desse jeito, não é mesmo? E a mamata na TV Brasil não foi o único caso revelado depois do afastamento de Dilma Rousseff. Nesta terça-feira foi divulgada a previsão de verba anual que seria liberada para blogs e sites que defendem a presidente afastada Dilma Rousseff e servem também para ataques à oposição. São 11 milhões de reais em publicidade de ministérios e estatais, como Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. O presidente interino, Michel Temer, conseguiu bloquear R$ 8 milhões do montante previsto a ser pago até dezembro. Deixam de receber recursos sites como Diário do Centro do Mundo e Brasil 247, e o blog Conversa Afiada, de Paulo Henrique Amorim, além do blog O Cafezinho, o site Pragmatismo Político e o blog de Esmael Moraes, do Paraná. Os contratos na TV Brasil foram rescindidos e foi cortado esse gasto imoral com penas alugadas para bater em adversários e bajular quem paga, usando dinheiro público. O governismo profissional do PT começa a ser eliminado. É um bom começo, que se tiver continuidade pode mudar para melhor a comunicação do Governo Federal.
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POR José Pires

sexta-feira, 3 de junho de 2016

O PT sempre na contramão do bom senso e da democracia

A atitude do ex-advogado-geral da União José Eduardo Cardozo, que abandonou na noite desta quinta-feira a sessão da Comissão Processante do impeachment no Senado, mostra o que virá por aí se os petistas acreditarem que não há jeito de reverter a queda de Dilma Rousseff. Vão tentar "melar" o processo de impeachment. Já apontei várias vezes contradições na, digamos assim, estratégia de defesa do governo Dilma e do PT para enfrentar esta crise política. A defesa desenvolvida até agora não contempla uma estratégia que preserve o partido do que está em andamento. Nesta defesa, o PT está colado ao governo de tal forma que corre o risco da inviabilização de seu futuro, independente do resultado da votação do impeachment. E no caso de Dilma, toda a defesa é feita num bate-cabeças que parece de grêmio estudantil. Não à toa, a base política da defesa do governo no Senado está sob o comando dos senadores Lindbergh Farias, Gleisi Hoffmann e Vanessa Grazziotin, todos os três com origem política no PCdoB, onde fizeram a cabeça na juventude. No Senado, assim como fizeram na Câmara, a condução é tão despropositada e agressiva que depois de terminado o processo no Legislativo os políticos petistas terão dificuldade até de encontrar companhia para um bate papo no cafézinho do Congresso.
Cardozo abandonou a sessão de trabalhos do impeachment no Senado e foi seguido pelos três senadores, os únicos da base do governo presentes na reunião da comissão. O motivo foi a rejeição de propostas deles. Nada substancial juridicamente, só aqueles golpezinhos de sempre que os petistas usam para embolar os trabalhos. É óbvio que fizeram essa saída de caso pensado. É visível na atitude uma manobra com um objetivo político que não está restrito aos trabalhos da comissão. O PT está se preparando para fazer o que já é um hábito no partido do Lula, que é o desrespeito à regras aceitas antecipadamente por eles. Petista sempre quebra os compromissos quando não consegue obter o resultado desejado. É quase certeza que já sentiram a contradição até cômica do discurso do golpe e suas variantes, que foram fazendo em paralelo à aceitação do governo e do partido da participação em todo o processo de discussão oficial do impeachment no Congresso Nacional. É para rir: temos em andamento um golpe com a participação dos golpeados. É possível que o desconforto político com a contradição brutal do discurso desenvolvido até agora tenha forçado a uma mudança abrupta, com a intenção de ir impondo uma saída política à maneira deles, com a desqualificação de todo o trabalho feito pelo Legislativo, no qual é forte a influência da sociedade civil brasileira.
Os petistas são assim. Não sabem ganhar, como foi muito bem demonstrado pelo resultado dos 13 anos que ficaram no poder, período em que não implantaram nenhuma política pública própria, nada mesmo de um projeto diferente do que já vinha sendo feito na política brasileira. Deram seguimento até ao roubo dos cofres públicos, com o agravamento da sistematização dessa corrupção, por meio de amplos esquemas que além do do enriquecimento pessoal contemplavam também o financiamento do projeto de perenização no poder do partido. Não sabem ganhar e não se conformam nunca em perder. O PT sempre agiu desse jeito nas situações em que as intenções partidárias ou do governo deles não prevalece. Nesses últimos meses, trabalhando duro e recebendo agressões terríveis da esquerda, os brasileiros conseguiram com a maior paciência desmontar parte do desastre econômico, ético e político que vinha sendo construído pelo governo petista. Como se diz no popular, foi tirado o bode da sala. Pois o PT quer colocar novamente o bode para dentro. É claro que numa condição política e social que já não é boa, essa radicalização pode prejudicar muito a democracia e a convivência entre os brasileiros. Mas quando é que a esquerda se preocupou em preservar o mínimo de respeito pela opinião contrária da maioria? Só fazem isso quando é do interesse deles e mesmo assim só de fingimento. Quando são contrariados pela realidade, quebram pro pau. Não deixa de ser uma forma de terrorismo. Mas foi desse jeito que eles conseguiram esse poder perigosíssimo para a democracia brasileira, que precisa ser desmontando, apesar de toda essa birra.
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POR José Pires

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Um golpe como nunca se viu

José Eduardo Cardozo entregou no início da noite desta quarta-feira à Comissão de Impeachment do Senado a defesa de Dilma Rousseff. Para quem tiver a curiosidade de ler a peça, publico abaixo o link, mas dizem que os argumentos são os mesmos de sempre, com a novidade da inclusão da conversa entre Romero Jucá e Sérgio Machado. Em rápida entrevista, saindo da Secretaria Geral do Senado, o defensor de Dilma disse que agora vão contestar a indicação do relator, senador Antonio Anastasia, "que pertence ao mesmo partido de um dos autores do pedido de impeachment". A alusão é ao jurista Miguel Reale. Será que o advogado Cardozo escreveu a peça com Lindbergh Farias, Gleisi Hoffmann e Vanessa Grazziotin? Só pode. É o mesmo argumento daqueles três gritões da bancada petista no Senado, que queriam discutir só o governo de Anastasia, em Minas Gerais.
Mas o que importa é que dessa forma prossegue então o "golpe" mais diferente que já houve nesse mundo. Pode-se dizer que nunca existiu um golpe como este na história mundial. Com direito à ampla defesa e sem nenhum constrangimento nem à acusada e tampouco as que a defendem. Só no Brasil mesmo pode haver um golpe inusitado assim. Todo mundo à vontade, dando entrevista à imprensa, recebendo apoios em pleno Palácio do Alvorada. Enfim, exercendo todos seus direitos, inclusive o de ir e vir. Não tem perseguidos, ninguém foi forçado a se exilar em outro país. Sem sangue, sem prisões, sem repressão, nenhuma tortura. É mesmo uma coisa fora dos padrões.
Os únicos apoiadores de Dilma que estão presos foram os gatunos, mas neste caso a questão é outra, até porque no pedido de impeachment não foi incluída a roubalheira. Mas no que toca ao impeachment, a liberdade é total. Soube até que o ex-ministro Cardozo goza dessa liberdade rodando de bicicleta por Brasília. Isso mesmo, ele pegou emprestada a bicicleta de Dilma para se locomover do hotel onde está hospedado até o Palácio do Alvorada, onde a presidente afastada goza de todos os direitos, até o de assaltar de noite a geladeira, caso ela deseje. Vejam só: um golpe em andamento e o defensor da presidente rodando livre de bicicleta pela capital do país. Nunca se viu coisa igual. É bizarro mesmo esse golpe à brasileira. Pode-se dizer desse golpe que ele é um um exemplo para a democracia.
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POR José Pires



Trabalhando para pagar imposto

Como o pessoal gosta de destacar datas, lembro que este 1° de junho marca os 153 dias do ano que o brasileiro trabalha só para pagar tributos. São cinco meses e um dia, conforme levantamento divulgado nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT). É claro que é uma média, além do fato do estudo utilizar uma metodologia que abarca três faixas salariais: de até R$ 3.000,00 (classe baixa), de R$ 3.000,00 a R$ 10.000,00 (classe média) e acima a de R$ 10.000,00 (classe alta). Ainda segundo o IBPT, o brasileiro é obrigado a destinar 41,80% do seu rendimento bruto para uma diversidade de tributos, que vem aumentando nos últimos anos. Em 1996, o número de dias trabalhados só para pagar imposto era de 100 dias. Em 2006, era de 145 dias, até os atuais 153 dias.
É também muito claro que no Brasil o assalariado acaba sempre arcando mais com o peso dos tributos, que afeta também muito mais conforme vai caindo o poder aquisitivo. Uma quantidade enorme de brasileiros estão abaixo da faixa menor de rendimentos usada pelo estudo, uma classe social para a qual contam centavos e numa situação econômica em que pode-se perder tudo de uma hora pra outra, seja por problemas na saúde, por ter a moradia roubada, destruída ou ver os filhos se perderem por causa de drogas ou na desesperança da falta de oportunidades. Na classe média e entre os mais pobres a pressão na economia doméstica afeta até a própria sobrevivência, prejudicando inclusive a compra de alimentos e o estudo dos filhos. Na prática, perde-se a vida no desarranjo econômico. Nas classes de menor poder aquisitivo (e não estou falando dos miseráveis) pesam mais os tributos e também para essas pessoas é muito maior o peso da falta de retorno social do que é pago.
Esses números sobre os impostos costumam causar polêmicas, com opiniões que a meu ver não analisam com bom senso o assunto. Como tantos outras informações temas importantes neste país, este assunto dos impostos tem servido para a disseminação de conceitos equivocados sobre economia, a maioria sem fundamento. É proselitismo demais e do mais baixo nível, com pouco respeito a um tema tão sério. Um deles é o de que a solução seria baixar drasticamente os impostos e deixar por conta de uma fantasiosa capacidade do mercado de organizar a economia e estabelecer progresso e justiça econômica por meio do esforço individual. Do outro lado temos a esquerda, com a receita fantástica de levar os brasileiros a um paraíso social, com o Estado como promotor do desenvolvimento e da justiça absoluta. Bem, eles tiveram mais de dez nos para experimentar essa mágica e da cartola deles só saíram ratos. Gordos, vermelhos, endinheirados, mas só ratos e nenhum coelho.
Bem, agora que fiquei contra pelos menos dois lados bem encrenqueiros, digo o que penso. Comparando com o que acontece no mundo — em países que dá para levar a sério em matéria de qualidade de vida e construção de uma civilização —, como números os tributos no Brasil não são o escândalo que aparentam. Em peso de tributos nosso país está próximo de países como Noruega (157 dias), Suécia (163) e Alemanha (139), lugares nos quais devíamos prestar mais atenção em suas lições de vida, deixando para trás essa mania de grudar-se às receitas de lugares que não querem dar certo de jeito nenhum. O problema com os nossos impostos está na sua aplicação, com a falta do retorno do Estado na manutenção do bem comum. O grave é o cidadão brasileiro ter de pagar impostos e ainda por cima arcar com custos de tudo o mais, como saúde, educação e segurança, para ficar em apenas três das tragédias que hoje em dia acabam literalmente com a vida do brasileiro, sem falar em todos os outros custos, diretos ou não, que resultam da falta geral de infraestrutura em todo o país. Para mim, não é preciso baixar imposto. Não há problema em pagar o pato, desde que este pato possa ser visto por aí, como acontece em países como Noruega, Dinamarca, Suécia e outros lugares em que o dinheiro público é aplicado para a qualidade da vida das pessoas.
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POR José Pires

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Refrescando a memória de Dilma

Os depoimentos do empreiteiro Marcelo Odebrecht, agora que ele assinou delação premiada na Lava jato, vão servir para refrescar a memória da presidente afastada Dilma Rousseff. Em entrevista à Folha de S. Paulo, na semana passada, quando foi questionada sobre encontros que manteve com Marcelo Odebrecht, ela disse o seguinte: “Eu não recebi nunca o Marcelo no [Palácio da] Alvorada. No Planalto, eu não me lembro”. Era mentira dela e logo uma verificação feita pelo jornalista Josias de Souza nos arquivos arquivos eletrônicos do Planalto mostrou que Dilma recebera o dono da Odebrecht pelo menos quatro vezes desde que virou presidente. Isso oficialmente, é claro. Duas dessas visitas do empreiteiro foram no Palácio da Alvorada, a casa dela. Se encontraram em 2014, ano de campanha para reeleição. No Palácio do Planalto o empreiteiro teve duas audiências com a presidente, ambas em 2013.
Dependendo do que Marcelo Odebrecht terá para dizer ao Ministério Público, a reeleição pode ser um grande problema de Dilma e provavelmente não será o único. E pela sua negação imediata sobre os encontros que teve com o empreiteiro, a impressão que ela passa é que tem medo do que vem por aí. Ora, por que Dilma tentou esconder que recebeu o presidente de uma das maiores empreiteiras do país, que inclusive presta serviço ao Governo Federal? Em teoria, não há nenhum problema num encontro desses. A não ser que a conversa entre os dois tenha se desenvolvido por outros lados que não a boa relação entre o Estado e um prestador de serviço. Por isso eu acho que essa delação premiada do Marcelo Odebrecht vem em boa hora, agora que Dilma anda tão esquecida quanto seu padrinho Lula. Ela pode descansar a cabeça que o Marcelo é capaz de lembrar de tudo de interessante que aconteceu entre os dois.
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POR José Pires

Os apuros de Lula

Já faz tempo que até virou piada aquele velho papo do ex-presidente Lula, que a cada escândalo repetia que não sabia de nada. É óbvio que ele sempre esteve por dentro do que acontecia, a menos que fosse um idiota. Lula sabia de tudo e os brasileiros não tinham dúvida disso. O que faltava eram as comprovações de sua participação nos esquemas, o que foi aparecendo nas delações, em áudios vazados ou liberados pela Justiça e nas demais etapas da investigação. O que veio a público até agora deve ser uma parcela pequena do que foi descoberto pelo Ministério Público, no entanto o que foi divulgado já demonstra que o chefão do PT não só estava a par de tudo como tinha um evidente poder no encaminhamento das negociatas.
Em seu depoimento ao Ministério Público, o ex-deputado Pedro Corrêa sustenta que Lula tinha participação direta desde o tempo do mensalão. "Lula tinha pleno conhecimento de que o mensalão não era 'caixa dois' de eleição, mas sim propina arrecadada junto aos órgãos governamentais para que os políticos mantivessem as suas bases eleitorais e continuassem a integrar a base aliada do governo", disse Corrêa. Isso só vem corroborar a opinião de muita gente que achava já na época que o chefão do PT devia ter sido denunciado no processo do STF. Com a propina do mensalão, Lula garantia o apoio no Congresso Nacional às matérias do interesse do governo. Na prática, o PT estava dando um golpe contra a democracia brasileira. O acordo de delação do ex-deputado aguarda a homologação do Supremo Tribunal Federal, o que será mais um problema sério para Lula, que já tem muito com o que se preocupar.
Uma das encrencas novas para ele foi a informação surgida nesta terça-feira de que Marcelo Odebrecht assinou acordo de delação premiada e já começou a prestar depoimento. Temos então a mega-sena da delação premiada. Sorte do Brasil e, por consequência, azar do Lula. O dono da Odebrecht pode trazer informações essenciais para consolidar o caminho até o chefão disso tudo. A prisão de Lula está próxima e isso com certeza é possível notar que ele sabe. É só ver o desespero dele.
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POR José Pires

sábado, 28 de maio de 2016

Lula, o poderoso chefão que virou piada


Nas conversas que vem sendo divulgadas vai caindo cada vez mais a respeitabilidade de Lula. E olha que ainda tem chão para furar neste poço da decadência. Mas nem é preciso cavoucar mais. Como diz o ex-presidente José Sarney em um dos áudios divulgados nos últimos dias, "o Lula acabou, o Lula, coitado, deve estar numa depressão". Quando ouço essas coisas, dá ainda mais vontade de rir do que Lula ainda consegue plantar na imprensa sobre seu retorno em 2018, que ele ainda parece pensar que mete medo. Nesse mesmo papo com o delator Sérgio Machado, Sarney comenta que soube que Lula tem chorado muito. Ele está com os olhos inchados", ele diz. E não faltam motivos para que Lula chore bastante. Sua imagem na história brasileira foi destruída. E para aumentar seu transtorno a tremenda derrocada elevará naturalmente Fernando Henrique Cardoso, o adversário com o qual ele mantém uma relação psicológica de ódio e uma inveja que não consegue esconder. Nem é preciso ocorrer coisas piores com Lula — o que virá, com certeza. Com o que aconteceu até aqui, no pós-ditadura só sobrou Fernando Henrique como ex-presidente que ainda merece respeito. Sem falar, é claro, em Itamar Franco, que ocupou o cargo numa condição muito especial.
Lula ficou com a imagem de um político do mais baixo nível, chefiando negociatas com o dinheiro público e fazendo política para ganhar presentes de donos de empreiteiras. E o mais chato é que até nisso falhou. Ninguém mais o respeita. E pelas conversas de seus comparsas vazadas na imprensa percebe-se que mesmo entre eles não dão valor para o chefão do PT. E quem diria que uns tempos atrás relacionava-se Lula ao "poderoso chefão", do filme de Coppola. Agora, nem como piada. Mesmo na relação entre malfeitores da política Lula não soube se fazer respeitar. É o velho problema da dificuldade dele para se instruir. Aquela dificuldade de encarar um livro, conforme confissão dele próprio, feita em tom de gozação a quem se empenha em aprender. No entanto, nem era preciso o esforço da leitura. Bastava ele ter prestado atenção ao Marlon Brando em "O poderoso chefão". É um filme com muitas lições sobre o tema. Talvez ele evitasse o rebaixamento lamentável a uma condição na qual não tem o respeito nem dos parceiros. Nas conversas divulgadas pela TV Globo, o senador Renan Calheiros tem com Sérgio Machado o seguinte diálogo:
"MACHADO - E o Lula, Renan, durante [inaudível] um tempo não fez. [...] Quando chegou no final do governo...
RENAN - Veio, caiu na real.
MACHADO - ...botou na real. Aí [inaudível] umas besteiras, como a Marisa diz, besteira. Ele tem 30 milhões em caixa. Como é que não comprou um apartamento, uma porra [inaudível]. Porra, umas merdas, um sítio merda, um apartamento merda.
RENAN - Apartamento bancário!
MACHADO - De bancário, deixa o cara decorar...
RENAN - Da Bancoop.
MACHADO - Duzentos metros quadrados, Renan. Quer dizer, foi uma cagada enorme, e aí ele se fodeu."
Isso é o que sobrou da imagem de Lula, com a destruição feita por ele mesmo do mito construído pela propaganda. O chefão sofre a chacota até de quem estava sob seu comando. Como eu disse, a situação é bem diferente daquela do outro chefão, o do filme protagonizado pelo genial Marlon Brando. Quanta coisa o petista perdeu de aprender com este filme, sendo uma delas o distanciamento do chefão de todas as ações que comandava. O "padrinho" não se rebaixava. Nada de "apartamento bancário", como disse Renan Calheiros. Mas agora é tarde para o Lula, que na sua derrocada não pode seguir sequer a lição de Don Corleone, num aperto que ele dá no ator Johnny Fontane, que fazia mimimi por ter perdido o papel num filme. É uma das grandes cenas. Ele dá uns tabefes em seu protegido e manda que ele seja homem e não chore. Mas pelo que o Sarney disse, o Lula já abriu o berreiro.
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POR José Pires

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Impunidade defasada

As conversas entre Sérgio Machado, Romero Jucá, José Sarney e Renan Calheiros são exatamente o que parece. É conversa de bandidos, no mesmo estilo dos áudios liberados pela Justiça em que o ex-presidente Lula fala no tom de chefe de quadrilha. Falando nisso, em delação premiada o ex-deputado Pedro Corrêa afirma que era mesmo Lula o chefe do esquema de roubos na Petrobras. Segundo ele, o chefão petista cuidava pessoalmente do esquema. A revista Veja desta semana publica matéria feita a partir do acesso aos 72 anexos da delação do ex-deputado. Num dos trechos, Corrêa fala da reação de Lula quando políticos do PP reclamaram contra o avanço do PMDB nos contratos da Diretoria de Abastecimento da Petrobras, comandada por Paulo Roberto Costa, onde se tirava muito dinheiro.
De acordo com o depoimento de Corrêa, Lula passou uma descompostura nos deputados que foram ao Palácio do Planalto reclamar. O então presidente da República disse que eles "estavam com as burras cheias de dinheiro" e que a diretoria era "muito grande" e tinha de "atender os outros aliados, pois o orçamento" era "muito grande" e a diretoria era "capaz de atender todo mundo". Lula também garantiu aos caciques pepistas que "a maior parte das comissões seria do PP, dono da indicação do Paulinho". Como eu disse, é conversa de bandido. Romero Jucá, Renan Calheiros e José Sarney tocam suas carreiras há muitos anos do jeito que agora podemos ouvir nas gravações. Fazem isso desde o tempo em que Lula, na oposição, xingava todos de ladrões. Depois, no poder, Lula deixou pra lá as criticas que fazia à velha forma de fazer política e ainda chamou para o lado dele os velhos caciques.
Porém, eles não contavam com a reação de uma parte considerável de brasileiros mais conscientes, além do surgimento de um juiz decente como Sérgio Moro pegar um caso que parecia menor e descobrir a partir disso a maior rede de corrupção que já existiu na história deste país. Em todas as gravações destaca-se o medo que os corruptos têm da Operação Lava Jato. Foi em razão desse apavoramento que, numa das conversas vazadas, Sarney disse uma frase típica de corrupto acuado: "A ditadura da Justiça tá implantada, é a pior de todas". De ditadura, o ex-presidente entende bastante e até gostou muito da última que tivemos no país, mas no caso de agora é uma confusão dele. E claro que o problema é de ponto de vista. Se ele não estivesse situado no lado oposto da ética, veria que isso é só a Justiça funcionando. Ocorre que houve uma transformação que pegou de surpresa tipos como ele, inviabilizando métodos antigos de oligarquias manterem a impunidade. Uma frase do próprio Sarney nos áudios sintetiza bem essa diferença. Comentando sobre políticos que teriam pedido seus conselhos para se safar da encrenca, ele falou o seguinte: "Eu ontem disse a um deles que veio aqui. Eu disse: 'Olhe, esqueçam qualquer solução convencional. Esqueçam!'". O velho cacique tem toda a razão, mas para a sorte nossa ele demorou para notar a defasagem.
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POR José Pires

terça-feira, 24 de maio de 2016

A modéstia de Michel Temer

O presidente da República interino, Michel Temer, é modesto como poucos. Nessa terça-feira ele falou sobre a qualidade de reconhecer um erro. "As pessoas estão acostumadas a quem está no governo não poder voltar atrás, se errou tem que ter compromisso com o erro. Nós somos como JK, não temos compromisso com equívoco", ele disse, se referindo obviamente ao caso do Ministério da Cultura, recriado por ele depois de ter sido transformado numa secretaria do Ministério da Educação. O presidente está certo. O fechamento do Ministério da Cultura desagradou a muita gente, inclusive quem tem consciência do problema muito grave que é o aparelhamento da nossa cultura, hoje tomada pelo Brasil afora por esquerdistas que pregam um ativismo muito besta.É gente subvencionada e a serviço de um projeto de poder que perdeu totalmente o rumo, restando essa ligação com o Estado como mero meio de vida. Daí o desespero com a queda do PT. Não é um problema só do Ministério da Cultura. Criou-se em todo o país uma lamentável casta de burocratas da cultura em todos os níveis da administração pública, nas universidades, escolas e até em organismos da iniciativa privada.
É preciso acabar com esse aparelhamento, que vem destruindo a cultura brasileira. É grande o estrago feito por esses tataranetos de Jdanov, o teórico stalinista do regime comunista soviético. No entanto, politicamente não foi um bom começo o fechamento do Ministério da Cultura. Ainda bem que Temer percebeu logo o erro de de numa hora dessas dar uma bandeira de luta exatamente ao setor do petismo que está mais forte atualmente, por conta exatamente do financiamento estatal. E aconteceu até da sua decisão sido boa para sua imagem política. Depois de anos da cretinice e arrogância de Dilma Rousseff pode ser muito bom ter um presidente ponderado, que aceita críticas e revê decisões. Temer acabou sendo favorecido de tal jeito que não sei como é que não apareceu petista dizendo que ele planejou tudo, fechando o Ministério da Cultura só para poder depois voltar atrás.
Mas não foi sobre esta modéstia dele que falei. Foi em outro assunto que notei nele uma modéstia admirável. Para deixar claro que não foi por temor que voltou atrás, Temer lembrou que já enfrentou barras pesadas na Secretária da Segurança nos governos peemedebistas de Franco Montoro e Fleury Filho. No governo de Fleury Filho ele assumiu o cargo logo depois da violenta chacina, em outubro de 1992, na Casa de Detenção de São Paulo, o Carandiru. Morreram 111 presos. A tarefa realmente exigia coragem. Falando sobre esses tempos, Temer disse que está com a avaliação errada quem acha que ele "está muito frágil, coitadinho". Batendo na mesa, ele disse: " Conversa! Eu fui secretário da Segurança Pública duas vezes em São Paulo e tratava com bandidos". Realmente modesto, o presidente Temer. Nem falou da sua experiência muito mais arriscada na política, com a sua longa carreira no PMDB, onde teve que lidar com tipos muito piores que os do Carandiru. Vida arriscada, a desse cara muito modesto, como eu disse. Deixou de falar até do perigosíssimo período da aliança de 13 anos com o PT, partido que aliás até já teve criminosos de sua cúpula que acabaram na prisão.
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POR José Pires

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Glenn Greenwald: assumindo a militância

Um ótimo efeito do afastamento da presidente Dilma Rousseff foi o desmascaramento que isso forçou em pessoas que até agora atuavam de forma camuflada no apoio ao governo do PT. São intelectuais e jornalistas que se comportavam de forma hipócrita, fingindo imparcialidade e com isso se servindo da respeitabilidade de suas profissões para disseminar seu pensamento governista. Um exemplo destacado disso é o jornalista Glenn Greenwald, do jornal britânico The Guardian e do site The Intercept, que ficou conhecido internacionalmente a partir de 2013 pela divulgação de documento fornecidos por Edward Snowden sobre espionagem do governo dos Estados Unidos.
Enquanto o PT estava no poder, Greenwald vinha se comportando de um modo que não afetava tanto sua credibilidade. Na verdade, no jornalismo fazia parte da base de apoio de intelectuais ao PT, cumprindo essa tarefa no plano internacional. É responsável com certeza pelos enganos de veículos de esquerda, como o The Guardian, quanto ao verdadeiro caráter do governo do PT. Seu jornal, o The Guardian, ainda vai lamentar a "barriga" histórica cometida na interpretação política totalmente errada sobre o que ocorreu em nosso país nesses 13 anos de poder do PT.
Greenwald podia ser definido como um "isentão" bastante influente, devido a sua forma de escrever sobre o governo do PT até há poucos meses. No entanto, com a derrocada petista ele foi perdendo o equilíbrio tático. Antes de Dilma ser afastada ele ainda mantinha algum controle, o que pode ser visto em entrevista feita com o ex-presidente Lula um pouco antes da votação do impeachment. Mas já aparentava um nervosismo na condução da entrevista com o chefão petista, na qual atravessou várias vezes o limite entre o jornalismo e a militância.
Mas agora, com o afastamento de Dilma, Greenwald passou inteiramente para o outro lado. Virou militante e do pior tipo, aquele desesperado com a perda de poder. Seus textos no The Intercept são panfletos sem credibilidade. E numa entrevista feita com Dilma e divulgada esta semana, cumpre até um papel patético, com perguntas que nada mais são do que textos elaborados para Dilma se apoiar e fazer com a maior comodidade sua defesa. Triste fim, o de um jornalista internacional que vira escada de Dilma.
Num vídeo repassado pelo seu site, pode-se vê-lo fazendo uma pergunta que nada mais é que um ataque ao governo de Michel Temer e um elogio ao que foi feito antes por Dilma. Greenwald fala até em governo "sem mulheres e negros", essa nova ladainha petista que não pegou. O problema é que sua interlocutora é a incrível Dilma, que na resposta se enrola toda, sem conseguir desenvolver o raciocínio que o diligente militante passou a ela. É até engraçado observar seu desconforto ao perceber que o jogo verbal e político não tem como dar certo com tal parceira política. Do mesmo modo que tantos isentões estão sendo obrigados a fazer, Greenwald se revelou com esta derrocada petista. O espírito de militante quebrou a casca superficial de jornalista que era mantida por ele até agora.
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POR José Pires

O STF, a "pílula anticâncer" e o país dos milagreiros

Afinal o Supremo Tribunal Federal suspendeu a lei que autorizou a chamada "pílula anticâncer". É preciso dizer que a medida ocorreu em função de Ação Direta de Inconstitucionalidade, movida pela Associação Médica Brasileira. A suspensão da lei era uma questão de bom senso, mas a verdade é que ela passou pela Câmara, pelo Senado e ainda foi sancionada pela presidente Dilma Rousseff. Nenhum desses poderes atendeu aos apelos de especialistas e de gente que lida de perto com a doença, que alertavam inclusive sobre os riscos sociais em torno dessa pílula, que vinha sendo divulgada como remédio milagroso.
Câncer é uma doença cercada de mitos, a começar pelo fato de ser geralmente mencionada como se fosse única. Existe uma variedade de casos de câncer, o que já eliminaria a crendice que persiste, sobre uma "cura do câncer". Conheço de perto esta questão e creio que não deve haver brasileiro que não tenha em seu círculo pessoal uma história relacionada a esta doença, situação em que aparece muita coisa parecida com esta história da "pílula anticâncer". Surgem sugestões até do uso do pensamento positivo, indicado de diversas formas supostamente terapêuticas e divulgados como altamente curativos. Aí é até uma grande injustiça para quem está numa condição muito grave, pois pode parecer que os que sucumbem à doença não tinham apego à vida. Enfim, muita gente aparece com soluções fabulosas para o problema, o que é um hábito brasileiro na questão da saúde e bem próprio de países em que os sistemas de saúde, seja o privado ou o público, funcionam de forma precária e onde a educação está em situação similar.
Como toda doença grave, a melhor forma de combate ao câncer é um bom atendimento médico em todas as etapas, a começar pela medicina preventiva, que infelizmente não é prioridade no sistema de saúde. A dificuldade é bem maior no sistema público, mas em razão da falência geral da saúde no Brasil, quem tem plano de saúde privada também começa a ter dificuldade de conseguir um bom atendimento. Sei de plano de saúde de qualidade que tem pressionado médicos a não encaminharem exames básicos de prevenção de câncer da mulher. E tanto para a mulher quanto para o homem a prevenção é que pode salvar, como é o caso do câncer de próstata, em que o combate mais eficaz são os exames regulares preventivos e de detecção do problema. Mas é uma dificuldade tremenda fazer isso no sistema público de saúde e, como eu disse, também começa ficar complicado até para quem pode pagar um bom plano de saúde.
Em grande parte é por isso que rola sempre nesta área coisas como essa tal "pílula anticâncer", uma onda populista que teve quer ser barrada pelo STF, numa demonstração da falta de bom senso das mais altas Casas Legislativas e do Governo Federal. Não cabia ao Congresso Nacional legislar sobre essa matéria e também não existe comprovação da efetividade da substância. A Anvisa é que deve ter a prioridade na decisão. É muito simples: o dito remédio teria de passar da fase da pesquisa com ratos para a pesquisa com seres humanos, o que ainda não foi feito. Esse suposto remédio nem era para ter chegado ao STF, se não fosse a forma demagógica da condução deste caso, especialmente pelos políticos. O andamento da história dessa pílula pode servir como tema para o país trabalhar para desenvolver um respeito pela aplicação séria em seus problemas, sem o populismo que vem dominando nossa cultura e servindo ao propósito de manipuladores de todo tipo, principalmente na política. Já faz tempo que temos as mais variadas "pílulas" sendo oferecidas a uma população que em seu desespero acaba engolindo uma porção delas. O efeito conhecemos bem. Não cura nada. Só faz bem para o bolso e o interesse pessoal de milagreiros.
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POR José Pires

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Herança mais que maldita

O grande mistério atualmente é o rombo orçamentário para 2016 deixado por Dilma Rousseff. A conta ainda está sendo feita e pelo andar dos números dá até medo de seu fechamento. O PT surpreendeu de novo, mesmo sendo o partido do qual estamos acostumados a esperar o pior. A equipe de Michel Temer falava na semana passada em 150 bilhões de reais, que depois foi para 160 bilhões e agora o cálculo está em 200 bilhões. O banco Bradesco afirma que o rombo pode chegar a 276 bilhões de reais. Tem gente que diz que vai avançar para além dos 300 bilhões. Economistas nomeados por Temer estão debruçados sobre os números, trabalhando com muita dificuldade porque Dilma fez a sabotagem de não deixar dados quando foi afastada. Não há nada registrado em computadores.
O déficit previsto pelo governo petista era de R$ 96 bilhões, que já era assustador, mas os companheiros se superaram. Estavam tão sem medo de ser feliz, que quebraram o Brasil de uma forma que nunca houve na história deste país. Parece que foi colocada em prática na destruição da economia aquela conversa doida da Dilma, de "deixar a meta aberta, mas, quando atingirmos a meta, vamos dobrar a meta". Quando chegar no número exato do rombo, Michel Temer vai revelar os dados em pronunciamento nacional ou em entrevista. Além do inventário do rombo, Temer pode falar também de desmandos descobertos em diferentes ministérios. Já se sabe que na Secretaria de Governo, atualmente no comando de Geddel Vieira Lima, o PT utilizava cerca de mil cargos para sua militância política. Eram pessoas nomeadas que não trabalhavam. A informação é do próprio ministro, dada ao jornalista Josias de Sousa, em seu blog no site UOL. Ainda segundo o ministro, eles estão trabalhando na identificação dos processos.
O PT gostava de falar em "herança maldita" para atacar governos anteriores, mas pelo que já se sabe, herança maldita não serve para identificar o legado deixado pelo PT não só para este governo, como também pra os outros que virão. É preciso inventar um novo nome para a tragédia criada pelo PT. O conserto dessa desgraça petista levará mais de uma década e isso com todo mundo trabalhando duro. Nem seria preciso de saber do tamanho da desgraça para que Dilma não voltasse mais ao cargo. Ela já está fora. Mas depois de Temer revelar o que encontrou ao chegar ao Palácio do Planalto é provável que aumente número de votos no Senado pelo seu impeachment. A rejeição dos brasileiros a Dilma, a Lula e ao PT certamente dará um grande salto. Dilma está fora definitivamente e o PT irá se colocar entre os partidos nanicos. É "Tchau, querida!" e "Tchau, companheiros!".
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POR José Pires

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Partido ruim da cabeça

Na resolução que saiu de seu primeiro encontro depois do afastamento de Dilma Rousseff, o PT optou por fazer a autocrítica dos outros. É mais ou menos no estilo de antigos partidos comunistas, que pegavam militantes que não colaboravam com a cúpula partidária e diziam ao dissidente: "vamos fazer sua autocrítica". A resolução petista revela um quadro psicológico grave, de um partido com sério alheamento da realidade e um total desconhecimento da própria queda. Lembra o sujeito caindo do edifício que, ali pelo sexto andar, ainda diz: “até aqui tudo bem”.
Estão fora do poder, terão sérias dificuldades para conseguir doações de campanhas e ficarão por larguíssimo tempo com a imagem bastante comprometida com os mais graves defeitos que pode-se ter na política, tudo isso causado exclusivamente por eles. Como resultado prático desses anos todos de poder, está aí a quebradeira geral da nação e a impressionante roubalheira que levou à cadeia seus líderes históricos. No entanto, no documento que saiu depois de dois dias de discussão em vez do mea culpa o partido optou por apontar a responsabilidade alheia. É uma alienação da realidade digna de hospício.
Para o PT, a Lava Jato é uma operação "golpista", a crise na economia brasileira veio de problemas internacionais e da aceitação de Dilma da "agenda do grande capital", com o "ajuste fiscal" intensificando "a tendência recessiva". O documento faz essas críticas à Dilma, porém mantendo uma porta aberta, caso ela retome o mandato. Ela pode ser aceita, desde que apresente um "compromisso público", encampando teses políticas, sociais e econômicas do partido.
Quanto ao mensalão, o petrolão, a destruição da Petrobras, essas coisas que geram preocupação em qualquer brasileiro, sobre isso o PT nada fala na tal resolução. O partido tem criminosos reincidentes, condenados e presos, mas se queixa de ter sido envolvido nas maracutaias pela má intenção de terceiros. Parece até que estou fazendo piada, não é mesmo? Então leiam este trecho da resolução: "Acabamos reféns de acordos táticos, imperiosos para o manejo do Estado, mas que resultaram num baixo e pouco enraizamento das forças progressistas, ao mesmo tempo em que ampliaram, no arco de alianças, o poder de fogo de setores mais à direita".
A conversa é de doido. Eles anunciam até suas restrições às alianças para as eleições municipais. As regras são rigorosas e começam por dizer que não apoiarão candidatos que votaram ou apoiaram o impeachment. Como se fosse haver uma correria este ano de candidatos querendo o apoio de um partido com a fama do PT. Vale uma leitura no documento petista, do qual publico abaixo um link. É o retrato dramático de um partido preso a uma auto-ilusão. Tem seu lado cômico e também um certo alívio. Na toada em que estão, já na eleição desse ano o partido do Lula vai virar uma sigla nanica.
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POR José Pires

quarta-feira, 11 de maio de 2016

O PT em busca de ocupação

Tristeza geral em Brasília entre a massa petista grudada em cargos públicos. A política virou meio de vida para os filiados do partido que prometia uma revolução no campo da economia, política e da ética e o que fez no poder foi demolir tudo o que havia sido construído antes. Em 13 anos o PT virou um clube das facilidades, com emprego certo e benefícios para os que baixassem a cabeça para a cúpula do partido. São quase 22 mil cargos de livre nomeação, além desse empreguismo estender-se a variadas instituições, inclusive na iniciativa privada, em locais onde petistas vão sendo instalados por força da influência partidária, que esteve em alta nos últimos tempos em razão da ocupação do poder.
Com a saída de Dilma Rousseff, a ação política petista imediata será agora correr atrás de boquinhas em administrações estaduais e nos municípios, para a militância manter-se financeiramente e com isso dar prosseguimento à doutrina partidária do uso ideológico da máquina pública. Para a sorte do Brasil, o determinismo político e intelectual desse pessoal fez deles profissionais de uma incompetência similar a da presidente que sairá do poder, uma dificuldade de se empenhar seriamente no trabalho que é também parecida com o que fez nesses anos todos o ídolo máximo de todos eles, o ex-presidente Lula.
Esta dificuldade de se aprimorar é um dos efeitos de quem tem o marxismo como raiz política e intelectual, mesmo para os esquerdistas que não têm consciência plena dessa influência nas suas vidas. É a fé religiosa no socialismo que contamina todo marxista, sintoma político que já desgostava Karl Marx em vida, mas que, para o azar dele, depois de sua morte passou a dominar seus seguidores. Uma filosofia que tinha a pretensão de não só organizar a História como também conduzir sua rotação acabou sendo um atrativo de doidos. Mas é menos mal. Se a esquerda tivesse competência para estabelecer seu poder sobre a sociedade o PT jamais sairia do poder.
Mas que os brasileiros se preparem. A debandada forçada pelo impeachment levará a uma correria de petistas nos estados e municípios em busca de boquinhas para a continuidade da sustentação da militância partidária e a luta pela volta ao poder. O risco é muito grande e não só pelo perigo ideológico do autoritarismo e da tremenda confusão causada pela esquerda em todo lugar onde se instala. O outro problema é que nos estados e municípios os petistas vão dar continuidade às suas especialidades desenvolvidas nesses 13 anos de poder, que é o de administrar muito mal o que é do interesse público e se aproveitar ao máximo do que é do interesse do partido. E fazem tudo de forma tão atrapalhada que o resultado é de um parasitismo destrutivo sobre tudo que os abriga. Como já se sabe, com o tempo eles acabam caindo, no entanto é preciso se prevenir porque o legado petista é terrível. Como o Brasil aprendeu de forma dura, eles arruínam tudo por onde passam.
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POR José Pires


terça-feira, 10 de maio de 2016

Trapaças petistas

Esse pessoal que ainda cai nas esparrelas do governo do PT bem merece passar ridículo, mas já está até dando dó dessa gente, que nos últimos tempos vem passando vergonha ao cair nas jogadinhas políticas sem nenhuma base lógica que o partido do Lula inventa para sair da tremenda encrenca em que se enfiou. Essa última do canetaço do presidente interino da Câmara foi demais, sem fundamento nenhum. Não resistia a um questionamento simples, que é o da dificuldade do convencimento dos 367 deputados de que eles votaram errado. Porém, mesmo assim teve governista saindo em defesa de uma besteira tão grande que até o presidente do Senado, Renan Calheiros, logo chamou de "brincadeira com a democracia".
Foi uma palhaçada, mas não foi menos fraudulenta que o discurso político que o PT vem fazendo desde que subiu ao poder, com sua mentiras como a da nova classe-média, o milagre econômico do pré-sal, a redenção social do Bolsa Família, e outras farsas sustentadas pela propaganda. É incrível o resultado negativo disso tudo, pois o partido do Lula sofre agora uma derrocada histórica e leva junto com ele a credibilidade de muita gente. Fico imaginando as dificuldades pessoais de quem deu apoio até agora às políticas deste partido fraudulento. Não deve estar fácil suportar os olhares despontados de amigos, dos filhos e até da mulher ou do marido. Bem, pelo menos resta a diversão com as gargalhadas nos encontros de final de semana quando um governista desses arrisca fazer uma previsão política.
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POR José Pires