quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Palocci, os crimes de Lula e a ilusão corrupta do pré-sal

Se Lula tinha alguma esperança de não ser condenado em segunda instância no processo do famoso triplex do Guarujá, isso se rompeu definitivamente com o depoimento de Antonio Palocci desta quarta-feira, dado ao juiz Sérgio Moro. É claro que o julgamento no Tribunal Regional Federal da 4ª Região deve ater-se às provas que já estão lá, mas em processos do tipo nunca se deve subestimar o clima político e era com isso que Lula contava para se safar. Tanto é que até inventou essa caravana pelo Nordeste, que ao contrário do esperado sucesso esperado, acabou contribuindo para demonstrar fraqueza política.

O depoimento de Palocci foi desastroso para Lula, em tudo que ele tem para enfrentar daqui pra frente. Desmonta até a lorota sobre sua candidatura em 2018. Seu ex-ministro fez uma confissão extensa sobre o esquema criminoso investigado pela Lava Jato, inclusive falando de Lula diretamente. Ele disse que o ex-presidente fez um “pacto de sangue” com a Odebrecht. E Palocci é um chegado. Foi da mais alta importância na primeira vitória eleitoral de Lula para presidente e sempre foi pessoa de sua intimidade. Era um braço-direito mesmo depois de sair do governo. E a forma que o ex-ministro abriu o verbo mostra que ele sabe que o Ministério Público tem provas consistentes. E apesar de ter falado bastante hoje, com certeza ele guarda muita coisa para depois, para garantir a delação premiada que ainda está negociando com os promotores.

Algo muito interessante que dá para observar no depoimento foi a falta de percepção de Lula frente ao aumento do volume de corrupção em seu governo e também sua falta de capacidade de conduzir o esquema em condições mais controladas. Chama a atenção o papel do chamado pré-sal como aguçador da ambição pelo dinheiro. Palocci diz que o pré-sal “foi um dos grandes males para o Brasil”. Ele diz que o governo não soube “lidar com a riqueza”, o que de fato ocorreu e não foi só no estímulo aos ladrões para meter a mão no dinheiro público.

Todo o país perdeu muito na ilusão de que o petróleo jorraria de tal forma que o Brasil chegaria a fazer parte da Opep, como repetia então o próprio Lula. E agora ficamos sabendo pela fala de um dos mais graduados dirigentes petistas que a animação com o dinheiro fácil afetou até a capacidade de atenção dos corruptos no disfarce de seus crimes. Esta foi outra situação no governo do PT em que a propaganda manteve-se ativa mesmo depois da vitória eleitoral, convencendo até os próprios autores da fraude. Tem até um slogan forte que define muito bem este arrebatamento: “Sem medo de ser feliz”. Eles se deixaram levar pelo engodo que deu muito voto para o PT. O governo petista gastou o que não tinha e ainda passaram a roubar além da conta.
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POR José Pires

Stédile: atiçando a confusão com insultos contra Moro


João Pedro Stédile, do MST, fez uma grande besteira nesta quarta-feira em um palanque, durante o encerramento da caravana do ex-presidente Lula pelo Nordeste. Como o movimento liderado por esta figura truculenta tem ares rurais, creio que cabe o velho jargão que diz que quem fala demais acaba dando bom dia a cavalo. Ao lado de Lula, Stédile chamou Sergio Moro de “aquele merdinha” e “bundão”. Um líder político pode tratar um juiz federal dessa forma? É óbvio que não pode. Em situações muito menos graves, como daquele post de Facebook da atriz Mônica Iozzi, ela acabou sendo obrigada a pagar indenização de R$ 30 mil, além de arcar com custos judiciais, em processo movido por Gilmar Mendes.

Com este episódio do desbocado líder do MST, é provável que finalmente alguém graúdo do PT receba uma lição sobre os limites legais da própria língua e tomara que isso aconteça mesmo. Um processo contra Stédile, vindo do próprio Poder Judiciário, poderia ajudar a amenizar a temperatura política brasileira, que os petistas têm todo o interesse em aumentar. A facilidade que hoje em dia qualquer tem para comunicar o que pensa vem criando um clima de permanente combustão.

E infelizmente sempre tem alguém de cima, como fez agora Stédile, dando mau exemplo e atiçando este incêndio perigoso. Certamente ele seria condenado pelo que falou. No vídeo que já corre pela internet é muito claro seu insulto. Não tem como escapar. E o exemplo poderia ajudar a estabelecer maior responsabilidade sobre a liberdade de opinião, contribuindo inclusive como prevenção contra barbaridades que podem ocorrer no ano que vem, durante o embate eleitoral.
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POR José Pires

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Pindura corintiana

É impressionante a dívida contraída pelo Corinthians para construir seu megaestádio, o Arena Corinthians, que não rende o suficiente para pagar as mensalidades do empréstimo. O clube deve R$ 400 milhões, mas desde novembro de 2016 não paga nada para o banco, que aceitou uma renegociação do acordo, mas até agora não obteve resposta financeira dos dirigentes corintianos. Qual é o banco? Ora, é a minha, a sua, a nossa Caixa Econômica Federal. A revista Época fez uma boa matéria sobre a pindura corintiana, na qual se afirma que não existe perspectiva para a retomada dos pagamentos. Mas sobre esse tipo de perspectiva não nos falta experiência. Em negócios como esse com bancos públicos é até bem fácil prever que a conta vai ficar para o contribuinte.

Provavelmente o processo será encaminhado de forma parecida ao do empréstimo. Como se sabe, o dinheiro caiu fácil na conta do Corinthians no governo do PT, determinado pelo ex-presidente Lula. A mamata começou no governo dele e foi até o de sua pupila, Dilma Rousseff. Agora, nesta hora em que falta numerário para ao menos repor o dinheiro, vai-se desencadear uma armação que começa pelo presidente da Republica, envolve seus ministros e abraça também os interesses de deputados e senadores. Com esse tipo de gente à frente do dinheiro público é praticamente certo o rombo nas contas da Caixa. Já é uma forma tradicional de tocar o gerenciamento dos bancos estatais, desenvolvido inclusive com cinismo. Como esses figurões que arrasam com a administração pública são quase todos liberais, logo mais eles terão inclusive mais argumentos para o desprezo pelo papel do Estado na economia.

Agora, que se pergunte ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, o que faria um banco privado, como por exemplo o Banco Boston, frente ao risco de um calote como este. Antes de pegar a presidência do Banco Central, no governo Lula, o ministro foi presidente desse grande banco americano e sabe muito bem que o empréstimo nem existiria se não fosse calçado em bases muito sólidas para prevenir dificuldades com a quitação. Mas se mesmo com todos os cuidados, ainda assim ocorresse um problema grave como este, o banco já estaria estudando o que poderia ser tomado do Corinthians. Não haveria o mínimo espaço para manobras para fugir do pagamento. Seria bem diferente do que deve ocorrer com a nossa Caixa. Já antevejo emocionadas defesas do clube como um patrimônio cultural a ser preservado, em movimentações que juntarão torcedores de camisas variadas exigindo um amaciamento na cobrança da dívida. No Brasil, até as torcidas se juntam na hora de transformar em empréstimo a fundo perdido o compromisso financeiro com um banco estatal.
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POR José Pires

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Hilda Hilst e Mário Schenberg: um poema à bela amizade

A leitura traz umas descobertas prazerosas, que pode ser inclusive a revelação sobre algo legal de ser lido, uma coisa nova que tem muita relação com o que somos, mas que nem sabíamos que estava escrita. Foi o que aconteceu comigo, relendo nesses dias um livro de entrevistas da Hilda Hilst, deliciado com franqueza dessa grande mulher e da forma mágica e muito inteligente dela ir respondendo às perguntas, sempre de espírito aberto, fazendo às vezes a gente dar até umas boas gargalhadas. A maioria das entrevistas recolhidas neste livro mantém relativamente intacto seu jeito de falar, com ela revelando seus encantamentos, entremeando com histórias muito boas e também alguns palavrões, senão não seria a Hilda.

Conheci Hilda quando morei em Campinas, na década de 80, e estivemos algumas vezes juntos, quando tivemos boas conversas que se estendiam até a madrugada na famosa “Casa do Sol”, lugar fora da cidade, onde ela vivia. Hilda é uma escritora que estou sempre relendo, até pelo fato da sua obra ter como poucas uma capacidade inspiradora e também ser aquele tipo de texto com o qual nos revigoramos para nossa própria atividade, seja da escrita ou qualquer outro trabalho. Pois, numa dessas entrevistas de que falei, dada ao Suplemento Literário de Minas Gerais, falando da sua amizade com o físico Mário Schenberg, ela lembrou que havia feito um poema para ele, depois publicado “em algum lugar”. Schenberg é uma figura inesquecível da universidade brasileira (morreu em 1990), que sempre teve uma ligação muito especial com o meio artístico.

Hilda, que nos deixou em 2004, foi sempre muito fixada na questão da mortalidade. Como ela mesmo dizia, uma de suas preocupações era com a “terrível desagregação disso tudo que nós somos, pensamos, amamos”. Ela tinha uma tese interessante sobre isso. Dizia que parece que a gente constrói uma alma. Segundo o que contou, Schenberg não só acreditava na imortalidade da alma, como acreditava em vidas passadas. Para ele, os dois haviam vivido no Egito. Hilda havia sido uma sacerdotisa amiga dele. O físico acreditava nessas coisas, mas não falava nada na universidade. “Tenho medo de perder meu emprego”, ele dizia. O misticismo de Hilda a levou até a tentar comunicar-se com os mortos, em experiências feitas em faixas de rádio sem emissoras. Ela me garantiu que obteve contato, mas naquela casa realmente tudo era possível.

Foi a partir dessas histórias que veio a lembrança sobre o poema para Schenberg, o que levou o entrevistador a perguntar como era o físico. “Era um homem maravilhoso, capaz de explicar pra gente as teorias do Einstein com a maior simplicidade”, ela disse. Mas e o poema? Na edição do livro até informam em nota de rodapé que o poema saiu na “Revista da USP”, mas se fosse numa época pré-internet imaginem a dificuldade que seria para localizar esta obra. Mas hoje em dia é bem mais fácil resolver um problema desses. E quem sabe o que procura, acaba encontrando.

Nem vou dizer que o poema é praticamente inédito porque infelizmente Hilda Hilst permanece sendo uma autora com poucos leitores, mesmo num país como o nosso, com índices baixíssimos de leitura. Coisas do Brasil, onde conseguiram tornar a educação e a cultura pior do que era quando esta grande autora estava viva. Porém, mesmo para mim o poema era inédito. Pois então, consegui encontrá-lo e aí está. É uma boa oportunidade de apreciar o encontro de dois seres muito especiais que passaram por este planeta.
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POR José Pires

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Mario Schenberg: Amado Alguém

Disse-lhe um dia: aquela te ama.
Deita-te com ela. Ando cansada
De lhe ouvir confissões a toda hora.
Os olhos cerrados, a fala mansa
Respondeu-me: "E como posso?
Se o que ela pintou de mais humano
Foi uma poça d'água..." Era pintora aquela.
Disse-me um dia: "Vivemos juntos. No Egito.
Uma vida antiga. Sabias?"
Não.
E falávamos de possíveis universos
Das infinitas matérias. Ele dizia:
"Não contes a ninguém... mas acredito
Acredito, acredito."
Hospedou-se em minha casa
Quando o perseguiam. Às vezes saía à noite:
Chapéu, charuto, casaco. Ríamos
Dos disfarces absurdos: tão ele.
Todos o reconheciam.
Juntos inauguramos
Um ciclo de palestras na Unicamp:
Física. Poesia. Rigor. Magia.
Amado Mário. Lúcido ao infinito.
Veemente, Humilde.
Igual a todos os gigantes.
No silêncio é que nos entendíamos.

Hilda Hilst
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domingo, 3 de setembro de 2017


quinta-feira, 31 de agosto de 2017

História que não acaba mais

Nos últimos anos do século passado falou-se bastante do fim da história, assunto fortalecido com a polêmica trazida por um livro muito conhecido do sociólogo americano Francis Fukuyama, “O fim da História e o último homem”. O livro é de 1992. A teoria é antiga – vem do século 19, com Hegel – e não foi por interesse puramente acadêmico que Fukuyama a trouxe de volta. O sociólogo sempre foi alinhado com o conservadorismo, tendo sido ideólogo do presidente americano Ronald Reagan e de Margaret Thatcher, a célebre primeira-ministra da Inglaterra.

Os dois governantes até hoje formam a base do pensamento de direita aplicado a um governo. De lá pra cá não apareceu nada de mais substancial que dê respaldo na prática ao pensamento conservador, que espantosamente passou a ser representado por alguém como Donald Trump, que serve para bagunçar qualquer teoria.

No livro virou best-seller internacional na época, Fukuyama expunha suas ideias acadêmicas em combinação com a experiência dos consagrados governos conservadores de Reagan e Tatcher, aproveitando também a falência do chamado socialismo real. O centro da tese do fim da história era o fim da União Soviética e por extensão a libertação de países do leste europeu, livres do domínio soviético. Nestes países, o comunismo não nasceu da persuasão teórica da literatura marxista. Muito práticos, os russos preferiram canhões. Em resumo, para Fukuyama a derrocada do comunismo estabeleceria por fim o capitalismo liberal como ponto culminante da história. O vitorioso seria o liberalismo político e econômico.

Não foi bem assim, como a realidade mostrou em poucos anos, no decorrer do próprio debate. O próprio Fukuyama já fez uma radical revisão nas suas ideias. E sua opinião hoje em dia não tem tanta importância, até por esta tese furada. A história correu em passos rápidos naqueles anos, ainda que como sempre aos tropeções. Ou explosões, como a do atentado do terrorismo islâmico em 11 de setembro, no World Trade Center. Posteriormente, apareceu a surpresa com Barack Obama e logo depois a complicação da inesperada ascensão de Donald Trump, revelando de duas formas diferentes a incrível ebulição social subterrânea entre os americanos, que acabou por eleger no ano passado o presidente americano mais estapafúrdio que já apareceu na história dos Estados Unidos. Deu chabu na crença do fim da história, até pela dificuldade dos próprios americanos chegarem a um consenso sobre o que é afinal o capitalismo liberal, entendimento que fica ainda mais difícil na hora de resolver que raios afinal é uma democracia.

Pois então, esqueçam o que Fukuyama escreveu. Não tivemos o fim da história. No entanto, com os anos que correram nesse começo do século 21 já foi possível ter experiência suficiente para extrair deste período uma teoria que é o contrário da estagnação das lutas sociais prevista erradamente pelo sociólogo americano. Já adiantados no fechamento das primeiras duas décadas deste terceiro milênio, vivemos ainda na dependência do século anterior. No Brasil isso acontece ainda mais, o que por aqui não é surpresa. Faz tempo que somos prisioneiros do passado. Mas é um processo mundial a espantosa continuidade do século 20, com muita coisa irresolvida, que ocorreu lá atrás, se adensando de forma determinada neste século de agora, que na verdade tem pouca coisa de novo, quase nada. Quando afinal vai começar o Terceiro Milênio? Sobre isso nem Fukuyama arriscaria uma resposta.
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POR José Pires

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Temer, Lula, Rodrigo Maia e outros fufucas, inclusive o próprio

De vez em quando brota nas redes sociais uma movimentação, digamos que política, apontando para determinada pessoa uma indignação baseada mais em aspectos pitorescos do que nos fundamentos políticos desse alvo de ocasião. É o que acontece agora com o deputado André Fufuca, ou simplesmente Fufuca, que vem sendo usado quase como um adjetivo da condição atual dos dirigentes deste país. O deputado Fufuca ocupa interinamente a presidência da Câmara, enquanto Rodrigo Maia fica na presidência da República até Michel Temer voltar de viagem.

Dá para entender o estado de ânimo das pessoas, que justifica-se pela situação terrível que temos que aturar. A tiração de sarro vem também do caráter folgazão do brasileiro, que no geral está sempre fazendo piada em vez de agir ou ao menos avaliar com seriedade a situação que aí está, que ao contrário do que muitos dizem não tem comparativo com nenhuma desgraça social que vivemos até agora. Aliás, em relação a esta nação folgazã, não é difícil prever que dentro de alguns anos talvez estejamos comentando sobre esses dias como a época em que disparava-se piadas para todo lado enquanto o Brasil se acabava.

Mas, agora falando sério, voltemos ao Fufuca. O deputado vem sendo superestimado em seu papel, que é só de interino e sem nenhuma significação que possa ser medida por meio de seu perfil pessoal. Por sinal, ele é apontado com escárnio mais em razão do ridículo nome de guerra e pela faceta que não teve o crivo de um bom marqueteiro. Fufuca sofre tanta rejeição é pela falta de outros "fufucas", bem trabalhados pela propaganda e com maior experiência no disfarce de sua fufuquice, mas que mesmo assim foram sendo abatidos pela polícia, o Ministério Publico ou mesmo pela própria incompetência na gestão da carreira.

Ora, o que é o presidente Michel Temer, senão um fufuca? Veste-se melhor, emposta a voz na hora de falar besteiras (quando até ressuscita a União Soviética) e sabe fazer pose de sério, mas não deixa de ser um fufuca. Pode-se dizer a mesma coisa de Lula, o presidente que mais falou asneiras na história deste país, além de também colocar uma porção delas em prática. Lula é um fufuca. Passaríamos horas nisso, se fôssemos falar de todos os fufucas. De Rodrigo Maia, por exemplo, nem é preciso dizer nada.

Eles arrasam nosso país há décadas. Estão em todos os cantos, inclusive na liderança do que antes era a oposição que prometia acabar com os fufucas, mas que infelizmente também foi tomada por este espírito, como aconteceu com o candidato derrotado pela também fufuca Dilma Rousseff, o senador Aécio Neves, este mentiroso que manda a própria irmã pegar dinheiro vivo com um corrupto e depois diz que foi vítima de conspiração. O tucano é sem dúvida nenhuma um fufuca.

Estamos tomados por fufucas, parte deles muito mais escolados que o deputado André Fufuca e disfarçados de bons políticos, à esquerda e à direita, no centro também, às vezes como bons gestores, noutras como articuladores competentes, mas todos uns fufucas. Neste aspecto, o deputado Fufuca tem até um mérito, se é que pode-se dizer desse modo, que está no seu próprio jeitão. O caro interino é um caso em que a aparência não engana, apesar de que ser fufuca é algo que vem de dentro. Porém, ele ao menos não esconde que é um fufuca. Mas espera aí, quem foi que votou em todos esses fufucas? Aí é que está: talvez este seja um país de fufucas.
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POR José Pires

Os vermelhos descobrem o verde

Que coisa bacana ver os petistas e agregados descobrindo como é importante a defesa da Amazônia. Eles passaram 13 anos no poder, quando fizeram parte de um governo que foi um desastre para a preservação não só da Amazônia, mas da natureza em todo o Brasil, servindo a um presidente da República como Lula, que procurou derrubar regras de defesa ecológica que já existiam muito antes do PT subir ao poder e obviamente não fez esforço algum para conter o desmatamento, proteger os índios e fincar as bases de um desenvolvimento mais inteligente para o país.

Lula até tirava sarro de quem alertava para a necessidade da preservação da natureza e do desenvolvimento sustentável, sendo dele a famosa comparação muito idiota e típica de quem acredita que destruição ecológica faz parte do desenvolvimento econômico, quando disse que "entre um cerradinho e a soja” ele ficava com a soja. Troque "cerradinho" por índios, bichos, rios, matas ou qualquer outra vida e você terá a concepção global de Lula sobre este tema, que resultou no desastre de seu governo e da sua sucessora para o meio ambiente.

Esta é a visão de mundo desse que ainda é ídolo máximo de muitos que agora descobriram a desatinada destruição da Amazônia. Meio tarde, não é mesmo? Porém, mesmo com os ares hipócritas dessa atitude inesperada dos petistas, por uma questão de tolerância temos que valorizar o apoio a uma luta que afinal toca na sobrevivência de todos nós. Por sinal, o gesto traz também uma esperança, apesar dos indicativos de que a concretização pode demorar. Afinal, os companheiros levaram quase um ano inteiro para notar uma necessidade ecológica desse tamanho. Mas se houver persistência nessa tomada de consciência, pode ser que dentro de alguns anos eles descubram inclusive que é feio roubar dinheiro público.
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POR José Pires

terça-feira, 29 de agosto de 2017

O pé-na-estrada de Lula foi um tiro no pé

O ex-presidente Lula cometeu um grande erro ao tentar mostrar força política nesta caravana pelo Nordeste. A recepção entre os nordestinos tem sido baixa, como dá pra ver na cobertura da imprensa e pelas fotos de comícios, onde só comparece a militância profissional de camisa vermelha, composta na maior parte de sindicalistas arrebanhados no local ou que são levados em ônibus fretados. Lula foi salvo por esta claque oficial, senão teria subido em palanques para falar para cem ou duzentas pessoas, talvez até menos, mas nunca mais que isso.

Em muitos lugares, Lula não juntou nem mil pessoas para ouvi-lo, contando com a claque própria. Com o fiasco da caravana, o que ele conseguiu foi quebrar de vez a fantasia política criada com propaganda milionária e favorecida por uma imprensa que anda no mínimo muito distraída. Havia um clima de que bastava o petista estalar os dedos para juntar multidões de nordestinos ávidos pela sua volta ao poder. Lula vinha sendo vendido como um candidato imbatível, uma lorota que ele usava até como ameaça.

Nunca acreditei nesta enganação e já escrevi bastante sobre falta de relação dessa alegada facilidade eleitoral de Lula com o que sabemos do estado de ânimo da população. A ilusão do mito também não confere com os votos obtidos pelo PT nas últimas eleições municipais. Ninguém quer saber do PT ou de Lula, que hoje em dia não atrai público nem pela curiosidade. Mas lá foi ele tentar demonstrar força e com isso desmontou a própria fraude da imensa popularidade, que apesar da falta de solidez ainda estava dando para o uso político.

Depois do fiasco dessa campanha eleitoral antecipada, o chefão petista terá dificuldade de explorar este mito da sua grande aceitação pessoal naquela região. Até as fotos oficiais feitas por seu próprio fotógrafo comprovam que por ali a eleição não vai ser fácil. Lula é o único político brasileiro que há mais de dez anos anda com um fotógrafo a tiracolo, Ricardo Stuckert, conhecido como “Stuckinha”, que inclusive já pode ser visto em vídeos na internet sendo maltratado pelo chefe, que talvez pelo fiasco da caravana, anda num mau humor danado.

O fotógrafo deve ter embarcado na caravana animado para fazer fotos de multidão, mas ao contrário, ele tem tido que se esforçar bastante para que não fique muito visível a falta de povo em volta de seu chefe. O coitado não está nem podendo usar drone. Quem tem feito isso são os adversários, que se divertem fotografando os gatos pingados de cima. Stuckinha só vai de plano fechado, tão de perto que algumas fotos ficam com cara de material feito em estúdio.
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POR José Pires

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Imagem- Lula ao lado do ônibus oficial da caravana que antecipou a revelação da sua fraqueza também no Nordeste

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

O esforçado Michel Temer

Michel Temer disse nesta quarta-feira, em entrevista ao STB, que conversa “com quem quiser, na hora que achar mais oportuna e onde quiser”. O homem está impossível. Parece ser efeito da liberada geral dada pela Câmara ao rejeitar o pedido da Procuradoria-Geral da República de abertura de processo no STF.

Pelo andamento natural da política no Brasil é provável que a conversa safada com Joesley Batista acabe como um mero pecadilho. O plano de Temer é ainda mais audacioso: ele quer que o hábito de despachar fora da agenda depois das dez da noite seja recebido como coisa de um presidente muito esforçado. Nem vou dizer que ele perdeu a vergonha, pois a gente sabe que só se perde o que se tem, mas impunidade demais dá nisso de político ficar tirando sarro da nossa cara.

“Quem fala que dez horas da noite é tarde deve ser porque trabalha até as seis e acha que depois das seis ninguém pode trabalhar”, foi como justificou as conversas fora de hora. Eu não disse que o cara está impossível? Se derem mais corda, é capaz dele próprio gravar as conversas para liberar as safadezas em primeira mão, antes que algum interlocutor desonesto saia por aí vazando as labutas noturnas desse operoso líder.

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POR José Pires

Bolsonaro e a anistia que não colou

Como todo mundo sabe, o deputado Jair Bolsonaro vive arrotando valentia e chega a ser grosseiro para manter a imagem de corajoso. Mas quando a coisa aperta para o seu lado, ele não deixa de pedir arreglo. Seus seguidores pediram anistia ao deputado na ação penal no STF pelo crime de incitação ao estupro. Em 2014, discursando na tribuna da Câmara ele disse que “não estupraria” a deputada Maria do Rosário “porque ela não merece”.

Ficamos sabendo agora dessa anistia porque a Comissão de Direitos Humanos do Senado rejeitou a proposta, apresentada com o apoio de 20 mil pessoas. É muito estranho que um parlamentar que se diz tão destemido faça um pedido desses, procurando fugir de um processo que veio de uma fala sua em plenário, dita com toda a convicção, como pode ser visto até hoje em vídeos na internet. Ele devia assumir com coragem sua palavra, não é mesmo?

Aliás, a anistia foi um pedido dos mesmos seguidores que aplaudiram a fala de Bolsonaro e vinham compartilhando com orgulho não só essa afronta a uma colega durante os trabalhos da Câmara, como também vivem fazendo um alarde danado em apoio às agressivas manifestações do deputado, que no geral está sempre aprontando alguma encrenca. E no pedido, eles ainda classificam processo no STF como “perseguição”. Ora, quando é o adversário que vem com essa, de imediato é acusado de fazer mimimi. Agora temos então o mimimito.

É claro que um acusado tem o direito de fazer uso de tudo que legalmente possa ajudá-lo a comprovar sua inocência. Mas no caso de Bolsonaro é uma contradição séria este pedido. Até agora ele faz questão de manter sua fala, sem nenhum arrependimento. Ao contrário, ele reforça o que disse, inclusive com piadas de duvidoso gosto. Fica até chato ver agora um cabra tão grosso afinando desse jeito.

A tentativa de arreglo traz também dúvidas, muitas delas, sobre sua capacidade de enfrentar as reações que devem surgir caso seja eleito presidente da República. Bolsonaro é um político com um ideário forte. Se um dia for implantar o que pensa, evidentemente terá que enfrentar consequências mais pesadas do que o resultado deste bate-boca com a deputada petista. Depois dessa tentativa de fugir do pau, fica a dúvida se o deputado terá peito para enfrentar brigas muito maiores que virão depois de 2018.
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POR José Pires

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

As besteiras dos neguinhos do politicamente correto

Vejam só: apareceu mais uma daquelas notícias que parece gozação de site de humor. O Facebook vem atrapalhando a vida do sambista carioca Neguinho da Beija-Flor, impedindo que ele impulsione postagens em sua página porque o sistema alega que a palavra "Neguinho" é ofensiva. É sério. A notícia saiu na coluna de Ancelmo Gois, do jornal O Globo.

Será que estamos envolvidos de forma irremediável pela cretinice do politicamente correto? Esta tolice racialista do Facebook me fez lembrar que há alguns anos Neguinho da Beija-Flor fez análise de DNA para saber qual era afinal sua ancestralidade. Feita a pedido da BBC Brasil em 2007, como parte do projeto Raízes Afro-brasileiras, a análise concluiu que o sambista é geneticamente mais europeu do que africano. O resultado deu que apenas 31,5% de seus genes tem origem na África, sendo 67,1% da Europa.

É claro que isso acabaria com a conversa politicamente correta, que é um papo muito chato. Isso se fosse possível esperar bom senso de quem assume esse discurso. Mas como fazer se até a cúpula do Facebook apoia esse tipo de coisa? Como se dizia antigamente, durma-se com um barulho desses. E aproveite-se, porque é provável que o barulho vai aumentar. Talvez ainda consigam instalar o conflito racial em nosso país, que já sofre com tantas outras encrencas. Como se vê, tem até neguinho que nem sabe que na língua portuguesa quando se fala “neguinho”, na maioria das vezes não tem outro significado senão o de dizer neguinho.
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POR José Pires

Lula: diplomado em fiascos

Virou motivo de piada nas redes sociais o diploma de doutor honoris causa dado ao ex-presidente Lula por alguns alunos da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. No geral, título de “doutor honoris causa” não costuma valer grande coisa e este teria ainda menos credibilidade, pois é um título informal. A universidade já negou que tenha feito a homenagem. “A UFRB não entregou nenhum diploma ao ex-presidente”, diz uma nota da reitoria. Desse modo, estamos diante de um factóide de marqueteiro, criado pela equipe petista para rechear a caravana política de Lula pelo Nordeste, nesta sua ilegal campanha eleitoral antecipada.

A gozação que andam fazendo na internet é por causa de erros sérios no texto curtíssimo do diploma. Os palermas colocaram uma vírgula separando sujeito e predicado e também grafaram errado a palavra discentes, que saiu escrito “dicentes”. Lula mandou fazer uma fotografia dele, todo orgulhoso exibindo este negócio todo errado. Mas neste caso ele pode alegar que não sabia de nada. De fato, na melhor das avaliações ele é um analfabeto funcional. Sobre isso, o falecido Janer Cristaldo tinha um apelido ótimo para o petista. Lula era chamado de “supremo apedeuta”, apelido mais que justo em sua proverbial ignorância, da qual ele inclusive demonstra orgulho.

O texto do “diploma” é pretensioso. Nele, Lula é chamado de “maior presidente da República”, o que coloca o chefão petista no mais alto patamar. Vejam que forma bacana de estudante puxa-saco homenagear o mais megalomaníaco presidente que o Brasil já teve. Ele está acima de Juscelino Kubitschek e Getúlio Vargas, sem falar em outros presidentes, na longa lista de subalternos históricos de Lula, desde o marechal Floriano Peixoto. A exaltação extremada é perfeita. Vem no notório jeito petista de criação de decretos que decidem sobre a realidade. A agressão à língua portuguesa dá a carimbada de autenticidade partidária.

O chefão petista pode se eximir de culpa neste fiasco. Mas não o sociólogo Emir Sader, que publicou a foto em primeira mão. Pelo menos em tese ele tinha a obrigação de identificar de imediato os erros. Porém, ele publicou a foto com tanto orgulho quanto seu líder político. Isso demonstra o nível atual da intelectualidade de esquerda, na qual Sader tem um papel destacado, como um dos mestres do aparelhamento partidário das universidades públicas. Na defesa e exaltação do projeto petista, Sader fala sempre como “professor universitário”, omitindo sua carteirinha do PT, com a qual é inclusive suplente do senador Lindbergh Farias. Portanto, o aval e a animação incontida do proeminente intelectual esquerdista realça o significado desta burra homenagem.

O diploma de doutor honoris causa de Lula é de uma informalidade risível, dado por um punhado de estudantes do partido, que cometeram erros gramaticais imperdoáveis para discentes (e não “ dicentes”) do ensino superior. Mas apesar disso, ou melhor, exatamente por esses elementos é altamente significativo do que representa Lula e seu partido para a educação no Brasil. Trata-se de um documento da mais alta significância. Este pode ser o título que melhor interpreta o desastre que foi Lula para este país, não só pela imoralidade e a quebradeira econômica, como também no efeito de terra arrasada que sua passagem pelo poder criou na cultura brasileira. Parabéns aos “dicentes” da UFRB. Até que enfim Lula teve o reconhecimento que merece.
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POR José Pires

terça-feira, 15 de agosto de 2017


segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Um tucano de bico doce


É impressionante como o prefeito João Dória tem a lábia de convencer as pessoas a fazer um papelão em vídeos, nos quais evidentemente é dele a decisão final de mandar pro ar. Alguém acha que Doria liberaria para publicação nas redes sociais um vídeo em que ele não se desse bem? É claro que não. Como bom diretor, gritaria “corta!” de sua cadeira exclusiva. Há alguns meses Soninha Francine consentiu em ser demitida em vídeo, numa das cenas mais constrangedoras que já se viu. Mas com a Soninha, armar algo assim não é difícil, em razão de sua queda pela informalidade em tudo o que faz, seja na política ou na comunicação. Deu-se mal, como depois ela própria compreendeu. Mas já era tarde.

Bem, com a Soninha não foi surpresa. Mas quem diria que o prefeito paulistano convenceria até o sempre tão formal governador Geraldo Alckmin a servir de escada para a habilidosa construção de sua imagem? Foi o que se deu em um vídeo gravado na noite de domingo que já roda na internet a partir da página do prefeito. Não chegou a ser uma demissão de Alckmin da candidatura presidencial, mas se o governador continuar atuando como nestas cenas entre os dois, logo o prefeito vai chegar lá.

No vídeo, Doria tem uma longa fala ressaltando a longa amizade entre eles e garantindo a firmeza da relação política dos dois. No entanto, o conceito do discurso político de Doria é sempre o de concentrar os assuntos na sua figura. O papo é sempre unilateral. Ele até soa como benevolente com o parceiro, numa situação fora do comum, afinal Alckmin ocupa o cargo mais importante, além do apoio do governador ter sido fundamental para o prefeito até para sua candidatura pelo PSDB. Mas no fantástico vídeo a importância dos papéis se invertem. Doria faz até o gesto marqueteiro do acelera. Alckmin parece tão pouco à vontade que consegue apenas desejar feliz Dia dos Pais para o amigo prefeito. Que só então lembra de felicitar seu padrinho político.
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POR José Pires

Forças Armadas em baixa, insegurança na alta

A notícia desta segunda-feira sobre o colapso das Forças Armadas revela uma causa importante do crime estar imperando no Brasil. Nos últimos cinco anos o orçamento militar teve um corte de 44,5%, sem contar os gastos obrigatórios com alimentação, salários e saúde dos militares. Neste ano já houve um corte de 40% e segundo o comando das Forças o recurso só é suficiente para cobrir os gastos até setembro.

No Exército, o aperto financeiro causou a perda de capacidade operacional da Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados (DFPC) do Exército, prejudicando o apoio deste órgão ao sistema de segurança pública. Uma atuação é no impedimento do acesso por facções criminosas a dinamites, explosivo usado para roubo de bancos e caixas eletrônicos.

O miserê já afetou a vigilância de fronteira, que é por onde entram drogas e armamento ilegal para os criminosos. Nunca foi muito bom o controle de enormes faixas que nos ligam inclusive a países produtores de drogas. Com os cortes certamente essa deficiência aumentou. A falta de dinheiro prejudica também os pelotões do Exército na Amazônia, obrigando à diminuição da fiscalização dos rios da região e na costa brasileira.

Com esta entrada de semana bem brasileira fica muito claro porque aumenta tanto a insegurança, com o crime tomando conta de todo o país. Esses cinco anos de aperto de cinto coincidem exatamente ao período de maior crescimento das facções criminosas, que já estão com vastos territórios sob seu domínio em cidades brasileiras, onde exercem o poder da forma que querem. Com a política de cortes que veio do governo do PT não podia dar noutra coisa. Nossas Forças Armadas ficaram na miséria enquanto os criminosos estão cada vez mais capitalizados. O investimento no crime é maior do que o apoio financeiro a uma instituição essencial para a segurança.
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POR José Pires

Os ovos que rendem para João Doria

O prefeito João Doria vem se fartando com os ovos que a esquerda jogou nele em Salvador. Nesta sexta-feira, em vídeo publicado nas redes sociais, ele continua com a gozação nos militantes idiotas que acabaram levantando ainda mais sua bola. Doria anunciou uma doação de 10 mil ovos pela Granja Mantiqueira, empresa de Minas Gerais. De brincadeira, ele diz no vídeo que os ovos não vão ser jogados na cabeça de ninguém, mas servirão como alimento para pessoas em situação de rua. Com os ovos a prefeitura fez mais de cinco mil refeições, que a gravação mostra sendo distribuídas.

Acho que é o caso dos miseráveis apelarem para que os bestalhões esquerdistas mantenham as manifestações contra o prefeito paulistano, mas da próxima vez caprichem nos ingredientes. Joguem filé mignon, champignon, batata palha, creme de leite, bacalhau, coisas melhores que ovos. Dessa forma, tendo que continuar com o criativo método de reação política às ovadas, Doria terá que distribuir para os pobres filé Chateaubriand, strogonoff, bacalhoadas, uma variedade de pratos sofisticados da cozinha brasileira e internacional. Parem com os ovos. Mude de munição, esquerda tapada: os pobres agradecerão bastante.
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POR José Pires

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Apocalipse Trump

Esquenta o bate-boca entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o ditador norte-coreano, Kim Jong Un. Trump disse que vai responder às ameaças "com fogo e fúria jamais vistos pelo mundo". A ameaça de confronto é tragicômica. De ambos os lados, dois líderes grotescos e muito perigosos, apesar da maior responsabilidade dos americanos, por terem colocado no comando da nação mais poderosa do planeta um homem que numa situação dessas se comporta igual vilão de filme classe B, inclusive com falas que parecem saídas da cabeça de um roteirista ligadíssimo em clichês. A Coréia do Norte é um pobre país, cujo povo vive num grau de ignorância, fanatismo e opressão que nunca deu chance alguma deles se livrarem por contra própria do ditador comunista. Mas os Estados Unidos estão numa situação bem diferente, com todas as condições para seu povo não ter feito a besteira de eleger um cretino de um nível parecido ao de Kim Jong Un.

Tem muita gente garantindo que o quiproquó não vai dar em nada mais sério e que se resolverá numa mesa de negociação, mas nunca se sabe o que esses dois doidos podem aprontar. E até agora ainda não experimentamos um apocalipse, não é mesmo? Então ninguém sabe de fato como começa. De modo que não dá para garantir com toda segurança que isso não vai acabar muito mal, com o risco inclusive da presença da poderosa China logo ali do lado. Para essa encrenca ficar séria, basta uma perda de controle de poucos minutos ou mesmo um gesto ensandecido, porém premeditado, de qualquer lado. Como já disse Shakespeare, é uma loucura com método. E já pensaram se ocorre um conflito nuclear? Bem, não deixaria de ser um final apropriado à condição a que chegou a humanidade por conta de péssimos líderes, entre os quais agora se destacam esses dois. Só faltava explodir tudo por causa de Trump e Kim Jong Un. O mundo iria acabar como uma piada de mau gosto.
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POR José Pires

As patriotadas de Bolsonaro

Não seria ingênuo de esperar que Jair Bolsonaro atraia seguidores equilibrados, até porque isso desvirtuaria sua candidatura, mas o deputado podia ao menos contratar alguém com algum conhecimento político e de história, que tenha lido livros, enfim que saiba alguma coisa de útil para ajudá-lo a evitar mancadas que são até cômicas, mas sempre desgastantes para sua candidatura. É o mínimo exigido para quem deseja ardentemente ser presidente do Brasil. Pode ser até um marqueteiro, desde que tenha experiência. Mas o capitão precisa logo de uma assessoria minimamente preparada.

Há dias, respondendo a jornalistas sobre a mudança de nome de seu partido, ele disse que poderia ser Prona o novo nome do PEN. Seria motivo de piadas, como qualquer criança sabe. Depois disso, parece que desistiram da ideia besta. Mas agora vieram com outro nome. O problema é que só muda a piada. Estão pensando em chamar o partido de Patriota. Pois então o partido já tem slogan e até que relativamente conhecido: “O patriotismo é o último refúgio dos canalhas”.
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POR José Pires

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Ovos grátis na receita de sucesso de João Doria

O prefeito João Doria vem tendo uma atuação perfeita para a formação de uma imagem anti-Lula, que será essencial para o sucesso político de quem não atua na esfera da esquerda, não só na eleição do ano que vem e que também independe do chefão petista ser candidato a presidente em 2018. Pode acontecer qualquer coisa com Lula que o anti-lulismo continuará tendo um peso importante na política brasileira, podendo esta influência até aumentar se ele for em cana. O que importa é o seu significado como ameaça futura, a partir do resultado altamente negativo do projeto liderado por ele, com a grave crise econômica e estrutural, o uso da máquina pública, a corrupção e a ideologia autoritária.

Doria já está com um ótimo andamento na imagem construída como o anti-Lula, elaborada desde sua eleição para prefeito e aplicada na prática na administração da prefeitura, com os lances de comunicação que ele domina muito bem. Faltam apenas os toques que dependem da reação do próprio Lula e de sua militância, aquela ligada diretamente a ele por meio do partido, do MST e de sindicatos e também de partidos da linha auxiliar da extrema-esquerda, como o Psol e o PCdoB. No fim de semana essa militância entrou com ovos na receita vencedora do prefeito, numa medida perfeita e sem exigir dele nenhum esforço. Os afobados miraram em Doria e atingiram o lulismo. Isso é que é fogo amigo.
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POR José Pires