quinta-feira, 12 de julho de 2018


Passado e futuro se perdem na confusão da esquerda

Quanta doidice da esquerda brasileira, que acabou enroscada nesta confusão criada em torno da figura do ex-presidente Lula, um enredo destrambelhado sem amarração alguma e cuja falta de sentido colocou o pensamento de esquerda em níveis tão baixos que complica a credibilidade da sua própria história antes do PT chegar ao Governo Federal. Em razão do longo tempo de poder em anos recentes e também da ousadia própria dos idiotas, os petistas acabaram adquirindo um peso superestimado na história da esquerda brasileira, mas na verdade o PT é apenas um episódio nesta trajetória, embora não se possa negar o tremendo peso do partido do Lula na derrocada política e moral dessa esquerda e na construção de um conceito altamente negativo, que pode ser irremediável por muitos anos.

Estava pensando nisso outro dia, enquanto avaliava informações sobre a luta pela redemocratização do país e passava pelas páginas da imprensa alternativa da época da ditadura militar, revendo informações em bravas publicações como a revista Versus, os jornais Movimento, Opinião e o Ex, além de jornais mais abertos da então chamada "grande imprensa", como a Folha de S. Paulo e o Jornal do Brasil, que davam mais espaço para a criatividade, todos tão importantes na cronologia da construção do jornalismo moderno no país e da retomada da liberdade de expressão na história brasileira. Participei diretamente dessa história, trabalhando ainda jovem em algumas dessas publicações e conheci por experiência pessoal o valor da coragem e da criatividade daqueles jornalistas, fotógrafos, artistas e acadêmicos.

Foi uma história bonita, vigorosa, no entanto o discurso desconexo e oportunista da esquerda nesses últimos anos acabou misturando de tal forma os acontecimentos da época com fatos atuais que fica difícil estabelecer uma compreensão do que realmente foram aqueles tempos, especialmente no entendimento de equívocos na avaliação da geopolítica mundial naquele contexto anterior à queda do Muro de Berlim, além da falta de percepção sobre mudancas de comportamento, transformações para as quais tínhamos a mente tapada pela escuridão de então e a dificuldade de obter informações num país fechado ao conhecimento.

A juventude de hoje pode pensar que aquilo se dava exclusivamente em um clima de oportunismo político e de sentido autoritário, além da ladroagem, do aparelhamento político e da tremenda burrice, como é a cara atual da esquerda. É duro encarar a dificuldade que é restaurar a credibilidade do que fizemos na época, altamente prejudicada pelo mistureba conceitual, político e histórico feito por estes oportunistas amalucados e incompetentes liderados por este gatuno disfarçado de líder político que é o Lula.

Neste clima de ignorância perde-se a oportunidade de entender os valores da época, com os méritos e erros dentro de seu próprio contexto. Com isso, vai se agravando o tradicional desalinhamento da cabeça dos brasileiros que impede que tenhamos um sentido de história com uma ordem básica na avaliação do passado e do que está sendo feito no presente. E nem vou falar do futuro, pois com essa bagunça vai ficando cada vez mais difícil dar qualquer passo adiante.
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POR José Pires


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Imagem- Cartum meu para a capa do semanário Folhetim, da Folha de S. Paulo, de junho de 1978. Era época da ditadura. Que país era aquele?

terça-feira, 10 de julho de 2018

STJ elogia Sérgio Moro e repreende o desembargador plantonista que tentou soltar Lula

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou nesta terça-feira um pedido de habeas corpus ao ex-presidente Lula. O pedido de libertação foi apresentado por um cidadão, não pela defesa do petista. O STJ informou que nos últimos dois dias recebeu outros 145 habeas corpus do mesmo feitio. Na decisão em que nega a soltura de Lula, a presidente do STJ, Laurita Vaz, criticou o desembargador Rogério Favreto, que aproveitou um plantão de domingo no TRF-4, para mandar soltar o ex-presidente Lula. Como todos sabem, o golpe judicial não deu certo.

A atitude de Favreto foi definida pela juíza como "inusitada e teratológica". Ela afirmou que o desembargador plantonista era de “absoluta incompetência” para deliberar sobre questão já decidida pelo STJ e pelo STF. No despacho, a presidente do STJ acusa Favreto de ter causado "tumulto processual sem precedentes na história do direito brasileiro" e elogia o juiz Sérgio Moro. Laurita Vaz fulmina a tese do direito de Lula a benefícios especiais por ser pré-candidato. "É óbvio e ululante que o mero anúncio de intenção de réu preso de ser candidato a cargo público não tem o condão de reabrir a discussão acerca da legalidade do encarceramento”, ela escreve, destacando que “a questão já foi examinada e decidida em todas as instâncias do Poder Judiciário".

Segundo ela, o desembargador plantonista teve um "flagrante desrespeito" às decisões tomadas pelo TRF-4, que condenou Lula, e pelo STF, que negou-lhe um habeas corpus. Para a presidente do STJ, ao contrário de Favreto, que causou "intolerável insegurança jurídica", o juiz Moro agiu corretamente ao negar o atendimento do estranho pedido do desembargador plantonista. Ela define como “esdrúxula situação processual” o que foi feito por Favreto e diz que Moro agiu com “oportuna precaução” ao impedir o cumprimento do absurdo habeas corpus, levando o caso à consulta do presidente do TRF-4.

As colocações de Laurita Vaz na negativa desse habeas corpus coloca enfim no seu devido contexto o que ocorreu neste domingo, em torno do golpe que petistas tentaram dar no Judiciário brasileiro. Tem muita gente relativizando injustamente a situação, situando em condição parecida todos os que atuaram no acontecimento. Não foi bem assim que tudo se deu, como apontou muito bem a juíza do STJ na sua decisão. Favreto agiu de forma absolutamente errada. É um “teratológico” este desembargador. E Sérgio Moro agiu como sempre, com honestidade e rigor na aplicação da lei e na manutenção da ordem.
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POR José Pires


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Clima de ódio exige mais segurança para Sérgio Moro

O juiz Sérgio Moro terá reforçada sua segurança pessoal quando retornar das férias. A notícia é desta terça-feira. Depois da tentativa de golpe petista no domingo, desmontada por Moro e pelo TRF-4, as ameaças ao juiz aumentaram bastante pelas redes sociais. A violência da baixaria esquerdista nas redes sociais já era revoltante, mas se intensificou depois de Moro atuar com firmeza para anular a decisão do desembargador plantonista Rogério Favreto, que tentou tirar Lula da cadeia passando por cima de regras jurídicas básicas.

Todo mundo sabe de onde vem este clima de  ódio no Brasil, que busca criar uma confusão política e desacreditar as instituições. Pessoas de bem são obrigadas a se proteger, enquanto pilantras da política aumentam o tom de intimidação, atiçando a militância contra juízes que fazem bem seu trabalho e também contra a Polícia Federal. O pessoal do “quanto pior, melhor” está cada vez mais ativo. O partido da raiva não aceita de forma alguma ter sido tirado do poder pela via democrática, além dos petistas estarem desesperados com o destino da lata de lixo da História.

No mesmo dia em que foi divulgado o reforço na segurança pessoal de Moro, a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann subiu à tribuna do Senado para atacar aos gritos o juiz federal. A bancada de esquerda parece ter articulado para hoje um desabafo coletivo pelo fiasco do golpe de domingo. Vários senadores esquerdistas sentaram a lenha em Moro e no TRF-4. Atacaram também a Política Federal. Na sua fala, Gleisi disse que “Moro estava bebendo vinho e comendo bacalhau lá em Portugal” e que ele “já cometeu barbaridades absurdas”. Exaltada, perguntou quem Moro pensa que é. Ora, ele é o alvo de uma articulação que pretende desestabilizar o país, passando por cima de todas as instituições, sem poupar nem o Judiciário.

Gleisi berrou bastante, em um discurso desconexo, insistindo na ridícula tese de que Lula tem direitos especiais como pré-candidato. Não só por coincidência, foi essa a justificativa do desembargador plantonista, que mandou soltar Lula numa manhã de um domingo em que todos os líderes petistas já estavam à espera da decisão. José Dirceu tinha até preparado um vídeo, que mandou para o ar antes de ser avisado de que o golpe havia falhado. Nem tentam disfarçar. Agora o mote da baderna política é a condição de pré-candidato do chefão petista. No discurso, a senadora petista defendeu que mesmo condenado em duas instâncias e preso, seu chefe tem o direito de dar entrevistas e até de participar de debates. Já pensaram se a moda pega? Deixa Geddel Vieira, Eduardo Cunha, Antonio Palocci, Sérgio Cabral e outros meliantes políticos saberem disso. Se acontecesse um negócio desses na velha Chicago dos tempos da Lei Seca, era capaz de Al Capone achar um jeito de ser também pré-candidato.
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POR José Pires

segunda-feira, 9 de julho de 2018

O plantonista do domingo de Lula

As pessoas costumam escolher os domingos para fazer coisas boas. É um dia ideal para encontrar amigos, ler, visitar parentes, praticar algum esporte, divertir-se com as crianças, conversar com os filhos, passear na praia ou no campo, namorar, ver um filme. É dia também de ir à igreja. O domingo lembra coisas agradáveis, com o sentido de paz. Tradicionalmente é um dia para relaxar e preparar-se para a semana de trabalho. Menos para a esquerda brasileira, que aproveita qualquer distração dos brasileiros para tentar seus golpes. Agora usaram este domingo, na tentativa de fuga de Lula, com o providencial habeas corpus do desembargador plantonista Rogério Favreto, que mandou soltar o preso condenado em segunda instância por corrupção e lavagem de dinheiro, usando uma justificativa que é um insulto à inteligência.

Favreto alegou que Lula é pré-candidato. Bem, até isso não é verdade. O petista é um ficha suja e pela lei não pode ser candidato. Porém, mesmo se ele pudesse ser candidato a alegação não vale. Quando o criminoso teve sua prisão decretada o Brasil inteiro sabia que ele era pré-candidato. A justificativa agride o bom senso. Por este raciocínio torto qualquer outro salafrário poderia ser imediatamente solto, bastando anunciar sua pré-candidatura. O desembargador plantonista desrespeitou princípios elementares do direito. Já correm pela internet boas explicações sobre a ilegalidade. Até o ator Gene Wilder comparece em algumas delas com seu cínico sorriso de Willy Wonka. Seguindo o tom de piada, a ficha de Favreto foi revelada. Ninguém ficou surpreso de ele ser petista de carteirinha, com mais de 20 anos de filiação ao partido do Lula. Trabalhou em três governos do PT no Rio Grande do Sul, esteve ao lado de José Dirceu e Tarso Genro no governo Lula e depois com Dilma Rousseff, quando ela foi ministra da Casa Civil. É normal também que sua nomeação para desembargador do TRF-4 seja obra de Dilma Rousseff. Os petistas são assim mesmo.

O pessoal da área jurídica tem uma palavra que define muito bem o que o desembargador plantonista fez. A decisão de mandar soltar Lula foi “teratológica”. Ou seja, absurda juridicamente. A verdade é que caso a Polícia Federal desse mancada, mesmo assim a liberdade de Lula duraria pouco. Mas no período em que estivesse solto, com certeza o chefão do PT aprontaria bastante, dando continuidade à confusão política que busca implantar no país. Para que o plano desse certo bastava um descuido, permitindo o cumprimento da ordem absurda de soltura. Daí o habeas corpus ter saído às pressas, nas primeiras horas da manhã de um domingo. O golpe foi planejado, inclusive com o encaixe durante as férias do juiz Sérgio Moro. Segundo o jornal O Globo, por orientação de seus advogados Lula já estava com as malas prontas, entre as 9 e 10 da manhã. Porém, Moro estava atento e revogou o habeas corpus concedido pelo desembargador Favreto. A revogação foi depois confirmada pelo TRF-4.

A intenção do golpe do plantonista era obviamente a de promover uma bagunça política, atingindo de forma grave o Judiciário. Não é difícil imaginar o caos em que o país estaria neste início de semana, se não fosse a ação rápida de Moro, do TRF-4, ainda com a atuação exemplar da Polícia Federal. O PT segue na sua velha política do quanto pior, melhor. Estão pouco ligando para as conseqüências sobre a vida da população, nem mesmo do efeito negativo de suas ilegalidades em nossa democracia já tão sofrida. Vale qualquer aparelhamento. Uma lição que pode ser tirada desse golpe abortado é que nenhuma instituição está a salvo de ser usada em proveito do interesse do projeto de poder petista. O desembargador Favreto estava em um cargo nomeado, mas toda a máquina pública está tomada por esquerdistas, mesmo em cargos de concurso público. A vigilância ativa sobre esta militância ideológica não pode ser relaxada nem aos domingos.
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POR José Pires

Felizmente sós

A BBC divulga um estudo de três acadêmicos de Oxford sobre a possibilidade da existência de civilizações inteligentes em outros planetas. Eles concluem que o mais provável é que a humanidade "esteja sozinha no Universo". Claro que muita gente vai lamentar este resultado, mas eu penso que a humanidade deveria ver isso como uma excelente notícia.

Quando se fala sobre a esperança de que outros planetas sejam habitados por espécies de vida inteligente com capacidade de um dia chegarem na Terra, costuma-se pensar sempre em seres que venham em paz, trazendo apenas coisas boas. No entanto, a perspectiva da hostilidade precisa ser também avaliada. E pela lógica do que conhecemos, essa possibilidade é muito maior do que a imagem clássica de um alienígena chegando com mensagens de paz e prosperidade para seus irmãos terráqueos.

Considerando o que aqui mesmo em nosso planeta países mais poderosos fazem com povos que podem menos, tomara que não exista mesmo nenhuma civilização extraterrestre com tecnologia para descobrir que vivemos no planeta Terra. Nossa experiência com esses seres chegando por aqui pode ser mais ou menos parecida com a de indígenas avistando caravelas nas costas desse país que depois veio a ser chamado de Brasil e de outros povos que também foram colonizados. Na minha opinião, provavelmente os terrestres vão penar muito mais do que os nativos sofreram com a “civilização inteligente” que apareceu de repente.
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POR José Pires

Saldão verde-amarelo


Os comerciantes de tranqueiras verde-amarelas devem estar torcendo para que voltem os protestos políticos. Serviria para vender pelo menos o encalhe de camisas de jogador. Já que não deu para lucrar com torcida a favor, que venham os clientes do contra.
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POR José Pires


sábado, 7 de julho de 2018

Bolsonaro apela para a força divina

Em reunião com industriais em Brasília, Jair Bolsonaro revelou que sua primeira decisão, se for eleito presidente da República, será “pedir a benção de Deus para o Brasil”. Ora, ora, ora, parece que o encapetado ex-capitão andou conversando com marqueteiros e arrumou uma resposta para esta questão que aparece sempre em conversas com pré-candidatos. Não é exatamente o que se espera de alguém que for ocupar o Palácio do Planalto nesta situação muito complicada em que está o Brasil, mas dá para entender essa jogadinha marqueteira, já que o centro das preocupações dos brasileiros é a crise econômica e de economia Bolsonaro já confessou que não entende nada.

Resposta imediata para isso todo mundo sabe que ele não tem, até porque são muito sérias suas divergências com seu guru na área, o economista Paulo Guedes, liberal radical enquanto Bolsonaro acredita no poder das estatais para o equilíbrio da economia e na eficiência do Estado como indutor do desenvolvimento. Essa o marqueteiro acertou: de fato, se ele se eleger presidente estaremos numa situação de pedir a benção de Deus. E o pior é que Bolsonaro também não é a figura mais indicada como intermediário entre o país e a ajuda divina. Sinceramente, se o Brasil depender de Bolsonaro para receber a benção de Deus, aí estaremos mesmo lascados.
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POR José Pires

Lula terceiriza greve de fome


Militantes do MST pretendem fazer uma greve de fome exigindo a libertação de Lula. O protesto está planejado para ter início no final de julho e tem o apoio da direção do PT. A notícia foi dada pela Folha de S. Paulo. É claro que Lula não vai aderir à greve. Os petistas terceirizaram a greve de fome, que será feita por 11 militantes da Via Campesina, que nada mais é que um instrumento do MST, com outro nome para dar a impressão de pluralidade política. É tudo a mesma coisa, formado pelo mesmo pessoal doutrinado pela direção do MST. E a doutrinação, como se vê, avança por caminhos radicais.

Tomando para si necessidades brasileiras justas, como a reforma agrária e o direito a uma agricultura fora dos padrões dos grandes proprietários rurais, o MST criou um movimento político de base ideológica radical, que tem hoje em dia a agricultura apenas como sustentação — ou pretexto, melhor dizendo — para suas ações que miram objetivos muito além da criação uma política agrária justa. O movimento tem relação direta com o regime de Cuba e o domínio do governo chavista sobre a Venezuela. O dirigente nacional João Pedro Stédile deu apoio direto a Hugo Chávez e seu sucessor Nicolás Maduro. Subiu em palanques em apoio à continuidade da ditadura bolivariana, sendo muito provável que o MST tenha ligações subterrâneas com o governo de Maduro e talvez até com a força de segurança e inteligência cubana, que atualmente dá sustentação ao esquema de poder que desgraçou com a Venezuela e oprime sua população.

O sistema de doutrinação do MST já serve até para absurdos como esta greve de fome. O movimento chefiado por Stédile já está com quase 40 anos — é de 1980. O MST promove o tempo todo cursos de política para adultos e mantém até escolas para crianças, onde a matéria didática tem como base o pensamento de tipos como Che Guevara e Fidel Castro. Já tiveram tempo para doutrinar diretamente pelo menos duas gerações. Quem quiser fazer uma projeção sobre onde isso pode chegar pode usar como base esse pessoal agora sendo usado como bucha de canhão do interesse de Lula, o condenado por corrupção e lavagem de dinheiro. Quando Lula ameaçava com o “exército de Stédile” apenas se antecipou, falando mais do que devia. Com o tempo, Stédile pode de fato ter seu “exército”. Este é seu propósito.

O caráter de Lula é lamentável. Até para uma greve de fome ele precisa usar os outros. As experiências conhecidas do chefão petista com greve de fome ocorreram em Cuba, onde ele esteve em março de 2010, quando dissidentes presos pelo regime  Fidel Castro faziam essa forma de protesto. Um deles acabou morrendo. Lula estava por lá negociando os milhões do contribuinte brasileiro despejados na ilha. Durante a visita, ele evitou qualquer comentário sobre violações dos direitos humanos em Cuba ou sobre o sistema judiciário daquele país. Lula criticou apenas os perseguidos pelo regime. O então presidente brasileiro deu uma declaração colocando os presos políticos da ditadura cubana no mesmo nível de presos por crimes comuns. Outra relação do chefão petista com greve de fome foi na sua fase sindicalista, quando esteve preso em 1980 durante a ditadura militar, devido à greve dos metalúrgicos. Os sindicalistas resolveram fazer uma greve de fome e Lula furou a greve. Sem o MST para passar fome por ele, o bravo prisioneiro da ditadura comia barras de chocolate, recebidas às escondidas.
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POR José Pires

O pé frio Lula ataca novamente

Lula tentou usar o jogo desta sexta-feira da Seleção Brasileira com a Bélgica para fortalecer sua imagem e quebrou a cara. E também azarou o time brasileiro. O condenado por corrupção e lavagem de dinheiro fez até um filminho de propaganda no Twitter, onde tenta fazer um paralelo das chances de vitória da Seleção com a história de sua carreira política. E ainda criou a hashtag #BrasilHexaLulaTri. A ziquizira foi pesada.

Com essa jogada muito safada, Lula acabou dando azar à Seleção Brasileira. É notória sua fama de pé frio, que vem de muito antes do surgimento das redes sociais. Nem existia o Facebook e já corriam listas dos times e atletas que levaram na cabeça por ficarem próximos de Lula ou por alguma declaração de apoio ou paixão vindo dele.

Claro que pode constar na lista o 7 a 1 que o Brasil levou da Alemanha na última Copa, armação dele na qual até a data da entrega da taça foi planejada para um dia 13. E agora vai também para a lista das urucubacas esta derrota para a Bélgica pelas quartas de final. Veja no link uma relação de outras antigas façanhas negativas desse notório pé frio.
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POR José Pires


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Link- Malas energías

sexta-feira, 29 de junho de 2018

O Ibope de mal com Ciro Gomes

E temos uma nova pesquisa eleitoral para embaralhar a eleição presidencial e dificultar o debate político que realmente importa. Está certo: institutos de pesquisas servem para isso mesmo. A pesquisa é do Ibope e traz Lula com 33%, Bolsonaro com 15%, Marina com 7%, e Ciro Gomes na rabeira, com apenas 4%. E nem vale a pena questionar a presença numa pesquisa eleitoral de um condenado por corrupção e lavagem de dinheiro e que está preso. Duvido que esse tipo de coisa aconteça em países sérios, daí que não compensa discutir tamanho contrassenso.

Um número que chama a atenção na pesquisa é o de Ciro Gomes, colocado bem atrás dos outros pré-candidatos. Eterno candidato à presidente da República, antigamente o político cearense estava sempre fazendo bonito no Ibope, até que numa entrevista, em 2010, ele afirmou que pesquisas são todas fajutas, principalmente a do Ibope. Sobre Carlos Augusto Montenegro, dono do instituto, Ciro disse que ele é capaz de “vender a própria mãe”. Talvez para o pesar da mãe do dono do Ibope, o pré-candidato do PDT nunca foi processado por isso. E agora se vê que parece que o Ibope desistiu do Ciro.
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POR José Pires

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Caminhos da impunidade e Beto Richa na 1ª instância

O ex-governador Beto Richa se tornou réu na Justiça Federal do Paraná nesta quarta-feira. Chama a atenção o tempo que o processo já tem: exatos 9 anos. O processo vai para a 1ª instância porque o político tucano perdeu o foro privilegiado ao renunciar ao cargo. A denúncia do MPF é de junho de 2009, quando Richa ainda era prefeito de Curitiba. O ex-governador do Paraná é acusado de desvio de finalidade na aplicação de verba federal.

A denúncia foi apresentada pelo MPF quando o ex-governador do Paraná ainda era prefeito de Curitiba. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) foi obrigado a transferi-la ao STJ em 2011 porque Richa assumiu o governo estadual. No mesmo ano o STJ solicitou autorização da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) para processar o governador. Não houve resposta até agosto de 2013, o que levou à suspensão do processo, feita pelo relator, ministro Herman Benjamin, para evitar prescrição. Em novembro de 2014, a Alep negou licença para o prosseguimento da ação. Só no ano passado o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que não há necessidade de autorização da assembleia para que o STJ processe governadores. Agora o processo chega à 1ª instância.

O resumo deste caso, feito com informações do site G1, mostra com clareza a facilidade com as quais um político poderoso conta para evitar de ter que prestar esclarecimentos à Justiça. São tantos instrumentos na defesa de interesses pessoais que fica difícil qualquer profilaxia ética. Não estou entrando no mérito da denúncia contra Beto Richa, que evidentemente divulgou um comunicado afirmando sua inocência. É um direito dele. O ex-governador alega que ocorreu um erro de uma servidora pública do município de Curitiba que, ainda segundo o comunicado, “resgatou a totalidade desses valores em proveito próprio”. Ele afirma ainda que a servidora foi exonerada.

Não vou me aprofundar na avaliação das razões de Richa ter se furtado a dar à Justiça explicações tão simples, preferindo a comodidade de escrever um comunicado à imprensa. E isso só 9 anos depois da denúncia e mesmo assim forçado pela obrigação criada por mudanças recentes que melhoraram a transparência e criaram mais obrigações de autoridades perante a Justiça. O político paranaense agiu como quase todos os políticos, uma classe que chegou a uma condição lamentável: o nível moral é tão baixo que até o requisito humano básico da honestidade teve que virar material de propaganda eleitoral.

Richa pode ter enfim a chance de “provar que é inocente”, afirmação que já virou jargão de políticos brasileiros, mas que até então todos procuravam evitar por meio de bancas de advogados muito caros e influência política. Felizmente o Brasil mudou nesses últimos anos. Ainda está longe da totalidade do que precisa ser mudado para acabar com a impunidade. É preciso, apenas como um exemplo, firmar a condenação em 1ª instância e garantir o cumprimento da pena de condenados por crimes de corrupção.  Mas até agora, as transformações foram suficientes para que houvesse a articulação de forças poderosas entre a política e o Judiciário na tentativa de empurrar o país para trás, num retrocesso para impedir qualquer limpeza ética.

As pressões parecem ser muito poderosas. Na semana passada um inquérito que apura repasse de R$ 4 milhões da Odebrecht para a campanha de Richa foi enviado ao TSE, a pedido da defesa do ex-governador. A decisão favorável ao recurso da defesa veio de uma mudança de posição do vice-procurador-geral, Luciano Maia. Até então ele era a favor do envio do caso para Sergio Moro, em Curitiba. Nesta quarta-feira, o procurador Alexandre Espinosa Bravo Barbosa pediu demissão do cargo de auxiliar de Luciano Maia, ao que parece em protesto à decisão. Maia é primo do senador Agripino Maia (DEM).

Os brasileiros terão que se mexer, organizando-se e atuando para impedir que ocorra o retrocesso tramado pela parte podre da política, ou então o roteiro que publiquei acima (que nem é o mais ardiloso dos esquemas da impunidade) voltará com tudo para a desgraça do nosso país.
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POR José Pires

terça-feira, 26 de junho de 2018

Manuela D'Ávila fazendo humor no Roda Viva

Logo na entrada da sua entrevista ao Roda Viva, que foi ao ar nesta segunda-feira, a deputada estadual Manuela D'Ávila fez questão de incluir uma informação importante em seu currículo. O programa da TV Cultura, onde ela estava na condição de pré-candidata à Presidência da República pelo PCdoB, costuma apresentar um bom resumo da vida dos entrevistados, mas ainda assim ela resolveu acrescentar o seguinte: "Sou mãe da Laura e madrasta do Guilherme”.

É sério. A pré-candidata também informou que é filiada ao PCdoB desde os 17 anos, o que ajuda a compreender seu perfil psicológico. Este partido comunista oportunista e retrógrado mantém desde muito cedo seus militantes numa bolha ideológica impenetrável às informações e ao conhecimento da vida real. O resultado da doutrinação por toda uma vida é que todos ficam com um jeito aparvalhado e uma dificuldade de encarar com espontaneidade um questionamento para o qual ainda não exista uma resposta decorada, certamente firmada e aprovada pelo comitê central.

Isso pode ser um problema em qualquer entrevista, mas tem o dom de torná-la engraçada, embora o Roda Viva não seja um programa de humor. Manuela D'Ávila fala com uma rapidez impressionante, como se fosse humorista de stand-up, tão veloz que a gente teme que o cérebro não possa acompanhar o ritmo da língua. E isso infelizmente acontece mesmo. Ela foge apavorada de questionamentos, como se fosse obrigada depois a prestar contas de seus erros ao partido. É bobagem se ela de fato tiver este medo. Mesmo imperfeita, a nossa democracia burguesa está aí para protegê-la do que faziam Stálin, Mao e outros ídolos de seu partido.

A pré-candidata do PCdoB precisa fazer a lição de casa, conforme gosta de falar a esquerda sobre seus adversários. Ela precisa sentar com alguém – seja o comitê central ou um marqueteiro – e estudar os assuntos que certamente vão cair em debates e entrevistas. Não são tantos, sendo possível encontrar uma resposta razoável para cada um deles, respeitando os compromissos históricos do partido com cargos nomeados e outras cumplicidades, sem trair a obrigatória solidariedade a corruptos que até pouco tempo estavam na chefia, garantindo as tapiocas do partido.

Mas se ela não fizer nada disso, para nós que estamos de fora da bolha não há problema algum. Do jeito que está, sua performance é engraçadíssima. Como eu já disse, não é a proposta do Roda Viva, mas sua entrevista é impagável. Vale milhões de tapiocas em matéria de gargalhadas, ainda que de vez em quando dê também alguma vergonha alheia. Mas quanto a isso, a esquerda já nos deixou acostumados. Haja vergonha alheia. Se a comunista não puser uma ordem na cabeça de palha vermelha sua candidatura não vai decolar. O Brasil não irá ganhar sua primeira presidente comunista eleita, mas paciência. Podemos estar assistindo ao nascimento de uma humorista de stand-up. Laura e Guilherme vão ficar orgulhosos da mamãe.
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POR José Pires

STF:José Dirceu solto, abrindo caminho para tirar Lula da cadeia

A Segunda Turma do STF reuniu-se esta manhã, em sessão extraordinária convocada por Ricardo Lewandowski e fez um serviço extraordinário contra o Brasil. Soltaram José Dirceu. De quebra, invalidaram provas colhidas pela Polícia Federal no apartamento funcional da senadora Gleisi Hoffmann, em junho de 2016. Além dela, a ação tinha como alvo seu marido, ex-ministro Paulo Bernardo. E para completar, libertaram João Claudio Genu, ex-tesoureiro do PP, condenado a 9 anos de prisão e 4 meses de prisão por corrupção passiva e associação criminosa em segunda instância na Operação Lava Jato.

Nos três casos, votaram a favor Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski. O ministro Edson Fachin votou contra. Celso de Mello estava ausente da sessão. A soltura do ex-tesoureiro João Claudio Genu parece casual, porém é de caso pensado. Ele entra para tornar mais aceitável o pacote, no qual depois pode caber outra figura. A proposta de libertar Genu partiu do ministro Dias Toffoli, que, cabe lembrar, foi empregado do PT e nomeado em 2009 para o STF por Lula, atualmente cumprindo pena de 12 anos e um mês de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Na presidência da República, Lula passou por cima de quesitos básicos em uma nomeação para o STF. Antes de ir para o STF, Toffoli foi advogado-geral da União, também por indicação de Lula.

A decisão pela liberdade de Genu e Dirceu parece ter como objetivo abrir um caminho jurídico para a libertação de Lula. Os motivos alegados são os mesmos. A proposta de soltar Dirceu partiu também de Dias Toffoli. Nos dois casos, Toffoli, Lewandowski e Gilmar Mendes concederam um efeito suspensivo, o mesmo que a defesa de Lula pediu em recurso ao STF. O argumento é de que um recurso da defesa do ex-tesoureiro do PP apresentado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) pode, em tese, reduzir sua pena. Conforme o raciocínio, o mesmo pode acontecer com Dirceu. O entendimento dos três juízes é de que por isso eles devem aguardar em liberdade. A execução provisória da pena de prisão após condenação em segunda instância continua mantida. Mas foi criada uma exceção, que pode ser aplicada também para outros casos. E aí é que entra Lula.

A Segunda Turma do STF mantém seu padrão, votando contra o país e afrontando a vontade da maioria dos brasileiros, que desejam que o Judiciário mantenha ritmo de limpeza ética desenvolvida até agora pela Operação Lava Jato. Estes brasileiros querem também que corruptos sejam mantidos presos e que a política brasileira seja expurgada de maus elementos que destruíram a economia brasileira e rebaixaram o Brasil moralmente a um nível que nunca existiu em nossa história. É tudo que juízes como Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski não querem. As razões ainda serão conhecidas, pois o Brasil com certeza não perderá esta batalha.
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POR José Pires


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Imagem- A presidente Dilma Rousseff cumprimenta o novo presidente do TSE, Dias Toffoli, em maio de 2014. Poucos meses depois ela se reelegeria presidente, depois de uma campanha eleitoral caríssima e com muitas ilegalidades. A foto é de Ricardo Stuckert, fotógrafo pessoal de Lula, atualmente cobrindo para seu chefe os acontecimentos em torno da sua prisão, em Curitiba

Márcia Tiburi e sua filosofia anal

Que o PT é de faísca atrasada a gente já sabia. O partido do Lula se faz de esperto, mas a verdade é que desde que subiu ao poder foi acumulando burradas, até sofrer a consequência do impeachment de Dilma Rousseff e a posterior prisão de Lula. É um erro atrás do outro, com as burradas tendo continuidade nas ações do partido nesta eleição. Agora a Folha de S. Paulo traz mais uma notícia que demonstra a faísca atrasada dos companheiros. É sobre a candidatura de Márcia Tiburi ao governo do Rio de Janeiro. Segundo a Folha, o PT se arrependeu da candidatura. E o motivo é espantoso. O jornal diz que o partido ficou assustado com a repercussão daquele vídeo da filósofa preferida dos petistas (depois de Marilena Chauí, é claro, que por sinal anda sumida) que vem fazendo muito sucesso nas redes sociais.

O vídeo que assusta os companheiros é uma gravação de uma conferência de 2017, onde ela faz uma explanação fascinada sobre aquele orifício que serve inclusive como palavrão. Um trecho transcrito do vídeo pela Folha: “O cu é uma coisa muito boa na vida das pessoas. E o cu sobretudo é laico, é das coisas mais laicas que há nesse mundo”. E por aí vai, como todo mundo deve estar sabendo, pois o vídeo é campeão de zoação na internet. Daí é que eu falo da faísca atrasada dos petistas. Em que planeta anda esse pessoal de vermelho? Faz tempo que as mancadas ridículas de Márcia Tiburi são um sucesso de público, inclusive o mencionado vídeo do susto, de farta audiência muito antes do anúncio de sua candidatura. Com suas filosofadas grotescas Tiburi carimbou na imagem uma brutal rejeição de qualquer um que esteja de fora do pequeno circulo da militância deslumbrada por chavões do politicamente correto. Sem nenhum esforço para evitar o trocadilho, pode-se dizer que sua fala entrará nos anais da intelectualidade de esquerda.

Márcia Tiburi coleciona declarações gravadas que fazem dela um barco furado em qualquer aventura eleitoral. É difícil que ela seja competitiva numa eleição majoritária, mas caso isso ocorra, basta os adversários botarem pra rodar seus vídeos muito interessantes, nos quais ela disserta de forma descontraída sobre uma diversidade de temas, dando tiros no pé para todo lado. No caso do famoso vídeo do palavrão, ela estava querendo acontecer, como diz a moçada. E de fato aconteceu. Virou motivo de chacota com o amontoado de baboseiras da sua provocação muito bobinha. Tiburi continuará dando aulas de filosofia e deve manter-se ate com prestígio no emprego, porque na atual condição das nossas universidades, com a dominação da esquerda principalmente na área de humanas, o nível geral não é muito melhor do que ela apresenta com sua notória afetação. Mas como candidata ao governo ela não serve. De estado algum. Só um partido de faísca atrasada como o PT pode descobrir isso só agora.
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POR José Pires

sexta-feira, 22 de junho de 2018

O presidente Macron exige respeito

Vem sendo destaque na mídia e nas redes sociais a atitude do presidente da França, Emannuel Macron, que chamou a atenção de um adolescente que o tratou com uma informalidade brincalhona. Em português, o garoto disse mais o menos o seguinte: “E aí, Manu?”. Macron foi firme na correção: "É senhor presidente! Você está numa cerimônia oficial, tem que se comportar!".

Infelizmente, como é de costume na internet, o vídeo que circula se restringe a uma parte muito rápida da conversa. Fica só na bronca e por isso pode até até parecer que houve um mal estar. O jornal espanhol El País repassa uma gravação melhor, que se estende na conversa entre Macron e os jovens em volta, inclusive o impertinente, que saiu-se bem do episódio. Apesar do pito em público teve educação e respeito, que é como deve ser tratado qualquer mal entendido. Esta atitude é uma das lições deste episódio, nesses tempos em que qualquer desentendimento simples gera reações desproporcionais.

O evento público homenageava os 78 anos do dia em que Charles de Gaulle fez um pronunciamento pedindo que os franceses resistissem ao Nazismo. A França passa também por reformas na Educação. No diálogo com o grupo de jovens, o presidente francês comentou sobre isso e falou um pouco mais sobre a necessidade de se aplicar com seriedade nas atividades humanas.

Macron está certo. O tratamento adequado mantém bem estabelecidas a formalidade e a hierarquia, fundamentais nas relações sociais. Em parte, os problemas que enfrentamos têm o seu centro nesta confusão nas relações entre as pessoas, como causa e consequência. No Brasil, a dificuldade se dá na equivocada informalidade que chega até a forçar um tratamento de autoridades pelo primeiro nome. O costume é antigo e não é bom.

Os políticos gostam bastante disso. É uma regra de comportamento dos populistas. A impressão de proximidade pode garantir votos e a complacência com a incompetência e a roubalheira. E é uma arma do marketing político. Não é a toa que em época de eleição mesmo um político sisudo como o ex-governador Geraldo Alckmin começa a aparecer como “Geraldo”. Quiseram até passar a chamar o presidente Temer de Michel. É coisa de marqueteiro, mas tem raízes profundas na falsa cordialidade brasileira. Noutro exemplo, é lamentável ter que chamar pelo primeiro nome uma figura como o presidenciável Ciro Gomes, por exemplo. Ou o senador Renan Calheiros, o Renan. Mas pela prática estabelecida entre os brasileiros não há outro jeito. Se num texto eles forem tratados como Gomes ou Calheiros é provável que o leitor demore para saber de quem se trata.

É assim que as coisas são por aqui e nesta deformação social, um presidente brasileiro poderia até gostar muito da informalidade que o adolescente francês achou que pudesse ter com o presidente francês. Não é difícil inclusive que numa próxima eleição um marqueteiro o convencesse a mudar de nome político. Passaria a ser o “Manu”. São coisas do Brasil, do tipo que precisam ser consertadas.

A informalidade geralmente não passa de manipulação, pois na verdade não existe uma real proximidade. Isso é impossível, independente da qualidade do político e da autoridade. Além disso, num dado importante, o tratamento formal deixa mais claro os papéis, fixando com maior nitidez os compromissos e obrigações de cada lado, além evidentemente dos direitos. Claro que não é só por deixar de dar tapinhas nas costas e tratar os outros na intimidade que vamos consertar o Brasil. Mas ajuda.
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POR José Pires


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CPI da Lava Jato: deputados caíram no conto do PT

O caso da CPI da Lava Jato está tendo continuidade no clima confuso de costume da Câmara Federal. A última informação que apareceu nesta quinta-feira é que o parecer da abertura da comissão será questionado no Supremo Tribunal Federal. Deputados reclamam da falta de fato determinado. Isso seria um impedimento para a presidência da Câmara aceitar a CPI. Não é nada bom um assunto do Legislativo acabar no STF, mas pode ser que a vigarice petista só tenha esse remédio.

Logo que pegou fogo a polêmica da CPI, vários parlamentares passaram a renegar a assinatura do documento. O deputado Rubens Bueno gravou um vídeo, onde afirma que foram enganados pelo PT. Em plenário, Bueno apresentou uma questão de ordem e desabafou, dizendo que vários signatários foram “induzidos a erro”. A reclamação é de que “a justificativa que não condizia com a ementa”. Deputados afirmam que “caíram numa armadilha” do PT e apontam que por trás do engodo está o deputado Paulo Pimenta. Chegou a haver a acusação de que posteriormente às assinaturas o parlamentar petista mexeu no texto.

Ocorre que a ementa é clara na alusão a investigações que envolvem delação à Lava Jato. É possível que algum político em Brasília poderia acreditar que um pedido de CPI com este assunto, vindo de parlamentares do PT, teria a intenção de investigar com seriedade possíveis desvios, com a função de aprimorar o instituto das colaborações com a Justiça? É claro que houve manipulação de petistas, mas a verdade é que os parlamentares foram enganados em razão da política de compadrio que faz com que assinem qualquer pedido de colegas. Poderia até se dizer que tomara que esta experiência mude procedimentos desse tipo, que faz da Câmara um mero clube, mas nem nisso cabe alguma esperança.

Chega a ser engraçado pensar nesses parlamentares ingênuos colocando o jamegão no documento oferecido pelo deputado Paulo Pimenta, entre uma viagem e outra à Curitiba, onde comparece para dar bom dia a Lula. Vejamos por exemplo o deputado Rubens Bueno, que pode ser visto como porta-voz dos descontentes que deram aval errado a uma CPI. Bueno tem 70 anos e já foi prefeito, duas vezes deputado estadual, está no quarto mandato como deputado federal. Como é que pode, repito, um político com tal experiência assinar um pedido de CPI das mãos de petistas para tratar de delação relacionadas à Lava Jato? Em época de Copa do Mundo é como levantar a bola na área para o adversário. Desde que Lula foi acuado pela Lava Jato, pelos crimes que levaram à sua prisão, o PT vem tentando levantar qualquer assunto que possa servir como ataque à operação. Talvez não estejam sabendo disso no prédio de duas cuias em Brasília.

Com a repercussão negativa, que percorreu rapidamente as redes sociais, vários deputados passaram a renegar suas assinaturas. Diante dos pedidos de anulação do requerimento da CPI coube ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, alertar que o regimento não permite a retirada de assinaturas. Entre deputados com anos de mandato ninguém sabia disso antes de assinar? Pois é, parece que é desse jeito. O que se tentou durante a quarta-feira, por sugestão do próprio Maia, foi organizar um requerimento pela retirada do anterior. Exige-se para isso metade mais um dos deputados que assinaram o pedido de CPI. No entanto, o movimento não alcançou as 96 assinaturas. Mas a batalha para anular a vigarice tramada pelo PT tem sua continuidade, agora com a divulgação de que deputados vão ao STF contra a CPI.
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POR José Pires

quarta-feira, 20 de junho de 2018

A CPI contra a Lava jato

Está sendo engraçado acompanhar a debandada dos políticos da CPI da Lava Jato, jogada armada pelo deputado petista Paulo Pimenta contra a Operação Lava Jato, que prendeu Lula, o chefão do PT. A CPI já tinha as assinaturas de 190 deputados, mas depois de divulgada foi tanta a rejeição na mídia e nas redes sociais que causou uma movimentação desesperada de políticos correndo para retirar seus nomes. Muitos parlamentares afirmam que não sabiam exatamente do que se tratava. O site O Antagonista diz que nos bastidores da Câmara tem deputado falando que Pimenta pediu o apoio sem explicar direito. Alguns até acusam o petista de ter alterado a justificativa do pedido. O site publica também os nomes dos deputados que aceitaram a CPI contra a Lava Jato.

A conversa de que um político pode ser enganado pelo deputado Paulo Pimenta deve ser para a gente rir. O deputado é velho conhecido de tretas em Brasília. Ele é do Rio Grande do Sul e como dizem por lá, uma barbaridade de chucro. É do tipo que dá bom dia a cavalo. Pimenta é político próximo de Lula. Está sempre em Curitiba, agora dando bom dia também ao criminoso condenado. Não é necessário ser muito esperto para saber quem é o salafrário e qual é o partido que Pimenta vai querer beneficiar, aparecendo nesse momento com a proposta de uma CPI, seja sobre que assunto for. É preciso não ter nenhuma noção política para assinar qualquer papel oferecido por tipos como o deputado petista. Nem precisa ser pedido de CPI. Mas é claro que um parlamentar pode dar sua assinatura para que outro faça contra a Lava Jato o serviço que lhe falta coragem para fazer. Tenho certeza que para muitos foi essa a vantagem oferecida pelo petista.<

Pimenta tem experiência antiga em armações para tentar livrar o PT de suas encrencas. Ninguém está falando no assunto, mas lembro que o deputado envolveu-se em uma história muito suspeita da época do mensalão, quando foi flagrado em conversas obscuras com o empresário Marcos Valério, operador do esquema publicitário do mensalão, atualmente na prisão. O fato muito suspeito ocorreu em agosto de 2005 durante outra CPI, a CPI do mensalão, da qual Pimenta era vice-presidente. Esta CPI deu em nada. O deputado petista reuniu-se às escondidas na garagem do Senado com Marcos Valério, que acabara de depor na comissão. O encontro foi de madrugada e no dia seguinte ele apareceu na comissão com uma lista apócrifa com uma porção de nomes para incriminar adversários. Ameaçado de cassação, o petista propôs acordo aos tucanos para salvar o mandato. No final, teve que retirar-se da vice-presidência, mas o caso ficou só nisso. Pelo que se vê por esta armação da CPI da Lava Jato, ele seguiu com tudo na sua carreira de manipulador.
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POR José Pires