terça-feira, 7 de agosto de 2018

Kátia Abreu, agora na mira do PT

A senadora Kátia Abreu deixou de ser bandida de estimação dos petistas logo que passou a ser vice de Ciro Gomes. Já foram buscar até o troféu Motosserra de Ouro, que ficou bem escondido enquanto ela servia ao governo do PT como ministra da Agricultura de Dilma Rousseff, na parceria mais estrambótica já surgida com o endoidecimento absoluto da política brasileira.

Kátia Abreu era inimiga feroz do PT quando foi premiada como zoação com o troféu Motosserra de Ouro pela ONG Greenpeace. A provocação foi em 2010, quando a senadora participava da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, em Cancún, México, como presidente da Confederação Nacional da Agropecuária (CNA). Na época a parlamentar era da bancada ruralista e tinha brigas ferozes com os petistas, com divergências sobre trabalho escravo, demarcação de terras indígenas, reforma agrária e outras bandeiras da esquerda.

A senadora fazia oposição tão radical ao PT que acabou caindo nas graças do jornalista Reinaldo Azevedo, já bastante conhecido como antipetista. Em seu blog então publicado no site da revista Veja ele passou a exaltar Kátia Abreu como promissora liderança política. O namoro ideológico dos dois durou só até a senadora estranhamente passar para o lado do PT, mudando totalmente de discurso. Em 2015 ela foi nomeada ministra da Agricultura para o segundo mandato de Dilma, mantendo-se fiel até a queda da presidente com o impeachment.

Agora como vice de Ciro, ela volta a ser alvo de seus ex-parceiros de governo. Os petistas já retiram das gavetas suas divergências com a ex-ministra, que passa a ser atacada como representante do agronegócio, inimiga do meio ambiente, de indígenas, quilombolas e o que mais aparecer. Logo será chamada de direitista, fascista, esses insultos distribuídos pela esquerda contra qualquer um que não faz parte da curriola. E Kátia Abreu que se prepare, pois o petismo trata de maneira ainda mais feroz aqueles que deixaram de ser bandidos de estimação.
.........................

POR José Pires

Manuela D’Ávila: o fim da candidata que luta como uma garota

É a esquerda que mais usa politicamente o feminismo e vem sendo exatamente a esquerda que mais rebaixa as mulheres na política. No PT nós temos o exemplo da eleição de Dilma Rousseff, usada pelo partido como exemplo do “empoderamento” da mulher, como eles gostam de falar. Mas sua eleição é uma fraude como feminismo. A “presidenta” foi mesmo coisa apenas de propaganda. Dilma surgiu de um dedaço do chefão Lula. Foi candidata e se elegeu simplesmente porque ele quis.

Do próprio Lula existem várias histórias de seu machismo, como sua menção grosseira ao mulherio de “grelo duro” do PT, quando num telefonema ele mandou que atacassem os adversários. Até nisso a esquerda rebaixa as mulheres, fazendo delas meras buchas de canhão, mandando suas parlamentares para ações mais radicais porque sabem que por serem mulheres elas serão poupadas. Foi desse jeito que os homens da bancada da esquerda no Senado tramaram o plano daquela ocupação ridícula da mesa da presidência, tomada apenas por parlamentares da bancada feminina.

Nesta segunda-feira apareceu mais um exemplo da desmoralização da liberdade da mulher feita pela esquerda, com a determinação de que Manuela D’Ávila, do PCdoB, desista da candidatura a presidente da República para ser vice do poste que Lula escolher para ficar em seu lugar, pois todo mundo sabe que ele não pode concorrer, por ser ficha-suja. A comunista Manuela estava até usando o fato de ser mulher para valorizar sua candidatura. Pois agora terá de desistir de tudo porque o chefão mandou. E aquela camiseta com a frase “Lute como uma garota”, ela que vá para o vasto armário de frases vazias da esquerda.
.........................
POR José Pires

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Marta Suplicy fora da política


A senadora Marta Suplicy anunciou nesta sexta-feira sua desfiliação do MDB e sua saída da política. Em nota, ela afirma que atuará apenas na sociedade civil. A imagem que ela pretende dar a esta retirada é de renúncia, mas a verdade é que foram tantos passos errados desde a criação do PT, do qual ela foi uma fundadora, que atualmente na política a senadora não tem muita coisa para abandonar.

Nos últimos anos em que esteve no PT, ela assistiu às maiores bandalheiras do partido sem tomar posição alguma. Passou pelo mensalão, depois veio o petrolão, os petistas foram abusando da política brasileira de uma forma nunca vista, com propinas para os amigos do poder e pressões políticas sobre adversários e críticos do governo. Instituições foram aparelhadas, com o sistema político servindo de mero instrumento para uns poucos ganharem dinheiro de forma ilícita e se aproveitarem dos cofres públicos.

Foi um período de destruição econômica do país e de um rebaixamento moral da política e da sociedade brasileira como nunca houve em nossa história. Mesmo assim, Marta manteve-se calada, aproveitando um ou outro naco de poder, pegando ministério de pouco peso político, alguma verba eleitoral, sempre à espera de uma fatia maior do poder, o que Lula jamais permitiu. A senadora só foi assumir uma contrariedade ao descalabro imposto ao país por Lula e seu partido quando forças políticas e sociais já estavam para tirar o chefão do PT e sua pupila Dilma Rousseff do poder com o impeachment.

Mas já era tarde. A carreira política de Marta já descambava quando ela fez a mudança para o MDB, abandonando seu partido em ruínas. Na última eleição municipal, ela sofreu uma derrota dura na cidade onde tem sua base eleitoral. Ficou em quarto lugar na disputa pela prefeitura de São Paulo, com menos de 10% dos votos válidos. E se fosse disputar as eleições desse ano não poderia tentar de jeito nenhum a reeleição para o Senado. Teria sérias dificuldades até na eleição para a Câmara Federal.

Por inabilidade, arrogância e uma aliança de longo tempo com parceiros que ela deixou de perceber que jamais lhe dariam espaço para crescer, a senadora afundou sua carreira de tal forma que acabou ficando com pouquíssima chance de se restabelecer politicamente. Marta Suplicy procura escamotear o fracasso de sua carreira com uma despedida em tom de renúncia, mas na verdade foi a política que renunciou a ela.
.........................
POR José Pires

O roubo do patrimônio na casa do patrimônio


O Brasil virou piada até nos crimes. 
No centro do Rio de Janeiro, foram roubadas as maçanetas de bronze da porta de entrada do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan.
.........................
POR José Pires

Ana Amélia, de senadora a vice

A senadora Ana Amélia, do PP do Rio Grande do Sul, aceitou ser vice de Geraldo Alckmin. Desconheço a capacidade dela para o cargo, nunca esquecendo que pelo histórico do nosso país, é muito grande a chance de um vice passar a titular. Bem, ainda não dá para saber se ela será uma boa vice, mas era um desastre quando a senadora substituía o Presidente da Comissão Especial do  Impeachment, senador Raimundo Lira.

Felizmente isso acontecia em períodos curtos, quando Lira se ausentava para fazer qualquer outra coisa. Com Ana Amélia no comando da mesa, aquela bancada de senadores cretinos do PT fazia dela gato e sapato, aproveitando-se da sua falta de jeito como substituta do presidente. A senadora tinha dificuldade de dar um breque nas manobras dos petistas, se atrapalhava com os botões dos microfones, além de não ser grande coisa para se expressar verbalmente, o que dificultava quando era necessário dar uns pitos naquele bando de salafrários.

Aquela experiência, na qual de certa forma ela atuava praticamente como vice, não assegura a eficiência de seu desempenho no papel de vice-presidente na chapa de Alckmin. E caso ele seja eleito, ela terá obrigação de assumir na sua ausência. Se o tucano for mesmo presidente, os brasileiros terão que torcer para que Ana Amélia esteja melhor do que na mesa da Comissão Especial do  Impeachment. E claro que nesta situação, cabe também desejar com fervor que o tucano tenha boa saúde e muita sorte pelo menos durante os próximos quatro anos.
.........................
POR José Pires

___________________

Imagem- A dança continua: agora com outro tucano, o Alckmin

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

A filha do desembargador e o investigado Beto Richa

O ex-governador Beto Richa, do Paraná, responde a um inquérito sobre suposto repasse de propina da construtora Odebrecht que já estava ficando famoso pelas idas e vidas entre tribunais. A movimentação agora tem também uma suspeita, trazida por uma matéria do site O Antagonista na manhã desta quarta-feira. O desembargador Luiz Fernando Wowk Penteado, que nesta terça-feira tirou o inquérito das mãos de Sérgio Moro e passou para a Justiça Eleitoral teve uma filha nomeada pelo tucano em novembro de 2017, quatro meses antes dele se desincompatibilizar para disputar as eleições. Camila Witchmichen Penteado foi nomeada em cargo comissionado de assessora da governadoria, com salário bruto de mais de R$ 7 mil. Ela também é filiada ao PSDB de Prudentópolis.

O interesse da defesa de Richa é que o caso fique restrito ao crime de caixa dois, ilegalidade eleitoral que absurdamente recebe penas menores no Brasil. Com o inquérito nas mãos do juiz da Lava Jato, o político paranaense poderia responder por corrupção, com o risco até de ser preso.

A acusação é de repasse de R$ 4 milhões da Odebrecht para a campanha de Beto Richa, em troca de favorecimento na duplicação da PR-323. Por causa do foro privilegiado, o inquérito repousava no STF até Richa deixar o governo. Com a desincompatibilização do político, Sérgio Morro passou a ser o responsável pelo encaminhamento até deste ano, quando uma decisão do STJ determinou a transferência para a Justiça Eleitoral. Em seu despacho atendendo a ordem do STJ, o juiz federal registrou sua discordância, pedindo que o inquérito fosse devolvido a ele.

Conforme escreveu Moro, os fatos demonstram que “não se trata de ‘mero caixa dois". Segundo o juiz da Lava Jato, há prova de que os pagamentos feitos em em 2014 tiveram “contrapartida específica”, enquadrando-se portanto possivelmente “no crime de corrupção, de lavagem de dinheiro (…) e ainda de ajuste fraudulento de licitação”.

No dia 21 de julho, o inquérito foi devolvido a Moro pela juíza eleitoral Mayara Rocco Stainsack, para logo em seguida o desembargador Luiz Fernando Wowk Penteado acolher pedido da defesa do ex-governador, fazendo o caso retornar para a Justiça Eleitoral. Com a descoberta feita pelo site O Antagonista da nomeação da filha de Wowk Penteado para um cargo comissionado, em decisão assinada pelo próprio Richa, sua decisão fica seriamente desacreditada. Não se trata de nenhum prejulgamento. Com uma filha nomeada pelo investigado, o desembargador tinha a obrigação moral de declarar-se impedido de julgar qualquer caso relacionado ao político tucano.
.........................

POR José Pires

Lula e a greve com a fome alheia

O objetivo dessa greve de fome de militantes do MST a favor de Lula é puramente propagandístico, focando especialmente no público internacional. A mídia estrangeira desavisada ou cúmplice do PT vai explorar o assunto, sem explicar de verdade qual é a situação de Lula, preso por corrupção e lavagem de dinheiro e respondendo por outras ações que devem somar mais alguns anos de cadeia ao seu prontuário criminal. Uma greve de fome é um recurso político conceitualmente violento, pelo fato de, ao menos em teoria, ser um movimento que envolve a morte. Mas não se deve ter nenhum receio. Esta encenação não envolve maiores riscos, a não ser das matérias lamentáveis que serão escritas no exterior.

Jornais de perfil esquerdista, como o Le Monde francês ou o The Guardian, da Inglaterra, são facilmente manipuláveis com esse tipo de acontecimento na America Latina. Outras publicações, mesmo sem a relação ideológica com os petistas, seguirão na mesma linha de vitimização da esquerda porque no geral a mídia estrangeira nem tenta aprofundar assuntos como o desta manipulação política muito idiota de Lula e seu partido. Jornalistas estrangeiros estão com a chance de reviver de forma romântica os tempos de combate a ditaduras de direita no continente. A meia dúzia de militantes que se dispuseram a passar uns poucos dias sem comer terão uma cobertura jornalística emocional, tratados como se fossem bravos combatentes contra a opressão.

A saúde dos militantes de estômagos manipulados ficará bem, obrigado. É muito fácil prever qual é o plano do PT, partido que desde sua fundação vem crescendo com a exploração de greve e de fome. Claro que sempre com o estômago alheio. Qualquer um pode passar alguns dias sem comer, sem que isso cause grandes danos. Logo que tiverem feito sua propaganda política, chamando a atenção da mídia com seu jejum político, os militantes receberão uma mensagem vinda de Curitiba, da voz do próprio Lula, com o apelo para que cessem com a greve. O mesmo manipulador que usa as pessoas sem nenhum escrúpulo estará, desse modo, aproveitando a finalização do plano para passar a imagem de líder preocupado com a saúde e o bem estar de seus abnegados companheiros.
.........................
POR José Pires

Geraldo Alckmin se enrosca no Giannetti errado no livro preferido

Depois da saída do jornalista Augusto Nunes como âncora do Roda Viva, o programa de entrevistas da TV Cultura sofreu uma sensível queda de qualidade, coincidindo infelizmente com a série de entrevistas com os candidatos a presidente da República, que teve um mau aproveitamento da presença dos candidatos no centro da roda, com um conteúdo pouco aproveitável para a avaliação dos eleitores e também sofrível como documento do que estamos vivendo agora na política brasileira.

Chegaram a incorporar nas entrevistas até uma finalização ridícula com uma série de perguntas banais sobre os gostos pessoais do entrevistado, como seu livro de cabeceira, frase preferida, ídolo, esse tipo de apelo sentimental que antigamente usava-se em programas de variedades.

E o mais surpreendente é que foi exatamente no meio dessas perguntas bobocas em um programa do mês passado que o ensaboado Geraldo Alckmin acabou falando algo que pode ser usado contra ele pelos seus adversários. O âncora pergunta sobre o livro preferido do candidato. Ele diz que está lendo um livro de Eduardo Giannetti da Fonseca, “O elogio do vira-lata e outros ensaios”. Tentando dar mais sabor à resposta, o ex-governador emenda procurando mostrar proximidade com o autor: “Aliás, três irmãos economistas, o Eduardo, o Marcos e o Roberto Giannetti”.

Ultimamente o candidato do PSDB vem procurando manter distância de Roberto Giannetti. Ele foi alvo recente da Operação Zelotes, acusado de ser um dos operadores de um esquema de decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). A quebra de sigilo bancário de Giannetti e mais dois parceiros revelou que eles chegaram a dividir entre de R$ 8 milhões pagos Paranapanema, empresa do setor mineral que respondia a um processo milionário no órgão. Segundo a Zelotes, com a ajuda de Giannetti a Paranapanema se livrou de débitos de R$ 650 milhões no Carf.

Com as descobertas feitas pela Zelotes, Giannetti foi obrigado a sair da coordenação da campanha de João Doria para governador de São Paulo e a assessoria de Alckmin vem se ocupando em desmentir qualquer vínculo do economista com sua campanha ou qualquer outro tipo de relação com o candidato a presidente. Pois numa pergunta bobinha ficou claro que Alckmin tem bastante intimidade com ele. Tempos difíceis para os políticos, esses de agora. É preciso se cuidar bastante até para responder qual é o livro que está lendo.
.........................
POR José Pires


___________________


segunda-feira, 30 de julho de 2018

Daniel Ortega, Maduro, Morales, Fidel Castro e Lula: parceiros históricos de Chico Buarque

Foi divulgado pelos organizadores do chamado “Festival Lula Livre” um vídeo com Gilberto Gil e Chico Buarque, no qual Gil dá uma explicação, bem do jeito dele, sobre o motivo da presença dos dois no evento. Depois eles cantam a música “Cálice”. Bem, “cantam” é modo de dizer. Chico Buarque nunca foi grande coisa como cantor, limitação que piorou com a idade. E ficou no passado o excelente cantor que foi Gil. Ele esteve muito doente e ainda teve um problema grave nas cordas vocais. O resultado musical é triste, assim como é muito triste ver dois grandes artistas na ocupação lamentável de servir de apoio a um salafrário que comandou um ciclo de governos que arrasou com o Brasil.

Gilberto Gil chegou a servir diretamente a Lula, como ministro da Cultura. Foi um cargo de encomenda, no uso de seu prestígio como artista para amaciar o atrito entre o governo petista e a classe artística. A política de cultura do governo petista foi planejada para desmobilizar a atuação crítica e tornar homogêneo um setor cuja função essencial é exatamente o de estimular diferenças. Com Gil e o sucessor indicado pelo próprio compositor foi estabelecido um conceito de cultura estatal, servindo exclusivamente aos apoiadores do projeto petista de poder.

O vídeo dele e de Chico Buarque do tal “Festival Lula Livre” é até engraçado, pela forma enrolada do baiano falar. Como todos sabem, é uma marca própria, que já deu muita piada. Mas o mais engraçado é que Gil não fala coisa com coisa e passa a palavra para Chico, que diz então que concorda com tudo que o colega disse. Aí é também um estilo próprio. Chico é o artista brasileiro mais ideológico da sua geração. Sempre procurou fazer a cabeça dos colegas para envolvê-los no apoio à ditadura de Fidel Castro em Cuba. No entanto, ele sempre foi do trabalho prático, negando-se sempre a responder sobre este assunto, mesmo quando parecia um funcionário da propaganda do regime cubano, criando pela via cultural uma movimentação de favorecimento ao regime comunista imposto a ilha.

Esse comprometimento político evidentemente cria a obrigação de Chico Buarque dar explicações sobre o que está acontecendo em Cuba, país atualmente arrasado por um modelo político e econômico. Ele também deveria tomar uma posição pública sobre o que ocorre na Venezuela e sobre os crimes de Daniel Ortega na Nicarágua, onde seu governo usa bandos paramilitares de esquerda para matar oposicionistas nas ruas. Até agora já são cerca de 400 mortes, incluindo uma brasileira. Mas ai de quem for perguntar a Chico sobre essas coisas. Ele costuma ficar indignado com esse tipo de questionamento e logo é defendido por aliados, na defesa do que parece até piada: o direito dele ficar calado. Este deve ser um “Cálice” do bem.

Mas alguém pode se perguntar o que é que o Chico tem a ver com a Venezuela ou com o governo criminoso de Ortega na Nicarágua. Ora, ambos fazem parte de um conjunto político do qual o compositor tomou parte ativamente, fazendo seu trabalhinho na área da cultura, enquanto a ditadura cubana prendia, torturava e matava. Durante os anos 70 e início dos 80, Chico trabalhou decididamente para melhorar a imagem do governo de Fidel Castro. Ele colaborava com a Casa de las Américas, instituição estatal que cuidava da diplomacia cultural. Atraindo o apoio de artistas e escritores, a ditadura cubana buscava evitar na América Latina a discussão crítica sobre seu governo, que inevitavelmente levantaria graves problemas com  os direitos humanos e a liberdade de expressão.

Chico organizou caravanas de brasileiros para Cuba, numa contradição grotesca: artistas e escritores que reclamavam — com toda razão — da falta de liberdade no Brasil iam a Cuba apoiar o regime de Fidel Castro. E tem também o governo criminoso de Daniel Ortega, pois até com isso o caladão Chico Buarque tem laços antigos. Em razão do DNA castrista, o governo sandinista percorreu um percurso comum, de um movimento que derruba uma ditadura e depois no poder se desvirtua, passando a agir com autoritarismo. A trajetória se completou agora, com o corrupto e criminoso Ortega matando os nicaragüenses. Pois logo depois da derrubada do ditador direitista Anastasio Somoza, com os sandinistas já agindo como uma ditadura, Chico tentou atuar como um diplomata do governo sandinista.

Essa história se perderia se não tivesse contada por Carlos Drummond de Andrade em uma entrevista. Sim, ele mesmo, o grande Drummond, que numa noite de 1986 recebeu um telefonema de Chico Buarque. O poeta já estava indo dormir. Ele ficou espantado de ser procurado naquela hora da noite. "Meu Deus, aconteceu um drama, para o Chico me procurar", ele disse. Então ele recebeu o compositor, que chegou acompanhado de um homem da embaixada da Nicarágua. Os dois vinham reclamar de uma crônica de Drummond, publicada no Jornal do Brasil, que falava sobre o fechamento do jornal La Prensa pelo governo sandinista. Pediam que Drummond reconsiderasse as críticas feitas ao governo. O sandinismo já revelava seu caráter autoritário, na época já com Daniel Ortega no comando. Drummond conta que explicou aos dois que o que escrevia era resultado de sérias ponderações e botou Chico e o funcionário do governo nicaragüense para fora de sua casa.

Um dia desses Chico Buarque precisa ser questionado sobre essas antigas ligações tão firmes com o autoritarismo, para que seus fãs tenham o conhecimento histórico de sua real posição política, do apoio direto a um terrível regime comunista, até sua aliança atual com um salafrário que roubou o país e destruiu a economia brasileira. Mas se alguém for questionar o compositor, que se prepare para seus melindres. Ele não gosta de falar dessas coisas. Alegará que é intimidação política, vai se fazer de vítima, o conhecido mimimi da esquerda quando é cobrada por suas responsabilidades. E muita gente que cai nessa conversa sairá em sua defesa, alegando inclusive o respeito a intimidade de um homem que durante sua vida serviu de forma explícita a regimes autoritários na América Latina e reserva-se a um estranho direito de jamais prestar contas sobre as consequências do que faz.
.........................
POR José Pires

quarta-feira, 25 de julho de 2018


O programa de governo de Ciro Gomes: mandar em todas instituições

Com a candidatura do boquirroto Ciro Gomes já oficializada, o Estadão publicou uma entrevista dele para a TV Difusora do Maranhão, que traz uma proposta política que deve interessar ao eleitor. É muito importante ter atenção ao que esses candidatos saem falando pelo interior do país, pois é onde eles relaxam e descuidam da interpretação do papel de estadista encenado para a mídia nacional.

A entrevista é do dia 16 deste mês. Nela, Ciro afirmou que Lula “só tem chance de sair da cadeia se a gente assumir o poder e organizar a carga”. Bem, pelo menos não se pode dizer que ele não tem programa de governo. O programa é tirar da cadeia o condenado por corrupção e lavagem de dinheiro. Condenado em duas instâncias, cabe lembrar.

Mas tem mais: o esquema revelado pelo candidato do PDT tem como base sufocar o Ministério Público e o Judiciário, impondo sobre essas instituições um poder autoritário do Executivo. A explicação é mais impactante na forma peculiar da fala do candidato. “Botar juiz para voltar para a caixinha dele, botar o Ministério Público para voltar para a caixinha dele e restaurar a autoridade do poder político”, ele disse.

Então já está avisado pelo próprio Ciro que seu plano de governo é passar um trator sobre as instituições, impondo o poder pessoal do presidente sobre o Judiciário e o Ministério Público. Ao expressar esta visão, Ciro nem precisa dizer como será sua relação com o Poder Legislativo. É bom espalhar essas coisas que o candidato sai falando por aí, porque Ciro tem um lero com o qual aproveita o descuido das pessoas com a informação. Sua estratégia é de enrolação, com ares de que domina como ninguém as grandes questões nacionais.

Mas às vezes acontece de ele próprio cometer um descuido, quando revela sua verdadeira face. O caso desse plano para colocar o Judiciário e o MP “na caixinha”, serve inclusive para deixar mais claro a razão de ele acreditar de forma absoluta que com o governo Maduro a Venezuela vive atualmente uma democracia.
.........................
POR José Pires

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Risco-Bolsonaro: a direita que é um perigo para o Brasil

O discurso da advogada Janaina Paschoal na convenção que oficializou a candidatura de Jair Bolsonaro levantou uma questão que já está bastante clara desde que a direita brasileira passou a participar ativamente do debate político nacional. Quem frequenta as redes sociais desde os tempos de luta contra o governo federal nas mãos do PT sabe o sufoco que era ter por perto, na oposição, os bandos de direitistas que baixavam o nível de qualquer discussão e traziam temas incômodos que favoreciam os petistas. Desde aquela época, o comportamento da direita é de um grau de autoritarismo muito parecido ao do PT, com a diferença apenas de posicionamento ideológico. Depois da queda de Dilma pioraram bastante em arrogância e agressividade, até porque exageram sua influência no impeachment da presidente petista.

Tanto o PT quanto a direita tem a mesma ânsia de controle do que os outros falam ou fazem, a intolerância é igual, sua militância tem o mesmo hábito de assumir com fanatismo crenças políticas absurdas que não resistem ao raciocínio lógico mais básico. A grosseria da direita favorece aos de pior índole, sua superficialidade tem uma atração forte sobre ignorantes. Como são chatos. Na convenção, até o general Augusto Heleno teve que pedir a alguns deles para baixarem a bola e parar de exigir que o militar fosse mais agressivo no discurso.

Não é à toa que no Brasil muitos políticos de direita e de esquerda vêm se alimentando mutuamente há muitos anos. O próprio Bolsonaro deve seu sucesso extraordinário ao embate com parlamentares petistas que não souberam avaliar que de forma idiota estavam abrindo uma ampla chance para a direita de ocupação gradual de espaço político e da criação de uma empatia popular. O "mito" idolatrado pela direita nasceu na verdade dos mais baixos bate-bocas da política nacional.

Em seu discurso na convenção, Janaina foi de uma coragem rara, com um recado franco ao pessoal do Bolsonaro. “Reflitam se nós não estamos correndo o risco de fazer um PT ao contrário”, ela disse, errando em absoluto no tempo da frase e na possibilidade de conserto deste caráter do bolsonarismo, corrente política que deve sua existência exatamente ao fato de ter se constituído como um PT ao contrário. Janaina não se atina também a uma questão importante, que torna a direita tão perigosa quanto o PT. É um risco relacionado igualmente ao tempo. O que o país precisa é sarar de seu sofrimento depois de mais de uma década de PT no poder. Pode ser fatal ao Brasil adquirir feridas novas com outro projeto autoritário.
.........................
POR José Pires

A gramática esquerdista na boca dos bolsonaristas

A tola influência do politicamente correto na vida dos brasileiros — na estúpida insistência esquerdista em confundir gênero gramatical com gênero sexual — foi sentida neste domingo em um lugar inusitado: a convenção do PSL que oficializou a candidatura de Jair Bolsonaro. E o disparate veio de figura igualmente improvável de obediência à nova gramática pretendida pela esquerda.

Saiu da boca do deputado Fernando Franciscchini, um dos, digamos, cabeças da candidatura de Bolsonaro. Ele começou seu discurso com a seguinte frase: “Bom dia a todas e a todos”. É o tipo da coisa que parece fake news de adversário, mas ele falou mesmo. E o cara é coordenador da campanha de Bolsonaro. Tomara que ele não chame a professora Janaina de vice-presidenta.
.........................
POR José Pires

Janaína Paschoal, Bolsonaro e seu PT ao contrário

Em foto publicada no Twitter, o deputado federal Fernando Francischini mostra a animação de Jair Bolsonaro chegando à convenção deste domingo para a oficialização de sua candidatura a presidente pelo PSL. Querendo agora ser senador, há pouco tempo o deputado assumiu o nome de guerra de Delegado Francischini. Parece coisa de vereador do interior, mas se preparem que este é o nível das figuras de destaque ao lado de Bolsonaro. Agora atendendo por apelido, o deputado Francischini é providencial para mostrar a diferença prática entre o discurso determinista do candidato a presidente e a realização prática. Bolsonaro já afirmou que presidente não precisa conhecer economia, bastando ter ao lado entendidos da matéria. Pois Francischini é um especialista de Bolsonaro em segurança. Ele foi secretário de Segurança do Paraná, no governo de Beto Richa. Teve que sair correndo do cargo em razão de uma das mais desastrosas operações de segurança em torno de uma manifestação de professores estaduais. A operação policial em abril de 2015 acabou em uma repressão descontrolada, com mais de 200 feridos.

Mas, voltando à convenção de oficialização do nome de Bolsonaro, falta ainda saber quem será vice-presidente, que depois de muita especulação, além das negociações de praxe com outros partidos do chamado “Centrão” que não deram em nada, fixou-se no nome de Janaina Paschoal. Ela pediu um tempo para decidir, pois, conforme suas próprias palavras, isso não se resolve “em dois dias”. Falando na convenção, o próprio filho de Bolsonaro, deputado Eduardo Bolsonaro, trouxe elementos para uma profunda meditação até a decisão no início de agosto, para que a valente professora se conscientize sobre o que terá pela frente se resolver encarar a parceria.

O filho de Bolsonaro a comparou ao torturador Brilhante Ustra. Janaina já disse em entrevista a Jovem Pan que ao ouvir as boas-vindas com a referência a Ustra seu sentimento foi de “um soco na cara”, mas que “tenta analisar o intuito de quem fala”. Bem, então que prepare a cara. Entre a tigrada, no geral o estilo é o desse cavalheiro. É difícil saber de onde o deputado tirou a comparação e se pediu a opinião de alguém sobre o que ia dizer. Certamente não foi feita uma avaliação com um marqueteiro competente, que não deixaria de notar no âmbito da campanha a menção despropositada a corda em casa de enforcado. A referência ao torturador também desqualifica a história de uma professora de direito da USP e vai absolutamente contra a necessidade de, digamos, arejamento político da chapa presidencial, exatamente a serventia da presença dela como vice.

Não foi fácil a vida de Janaina Paschoal durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff no Senado, mas o que vem por aí pode ser tão pesado quanto aquela parada dura enfrentada corajosamente por ela sob os ataques da tropa de choque petista, com o partido do Lula ainda com o poder da máquina pública. Essa direita em torno de Bolsonaro tem todos os defeitos dos petistas, inclusive sobre a pretensão de decidir o que os brasileiros devem fazer na cama. São agressivos, querem todo mundo pensando igual a eles, torram a paciência do mesmo jeito dos petistas. Só diferem no argumento, contrário ao palavrório esquerdista.

Em seu discurso, Janaina fez uma menção a esta semelhança de comportamento autoritário, embora ela acredite ser possível uma correção, dando equilíbrio às fortes emoções que envolvem a candidatura de Bolsonaro, para evitar que eles não “virem um PT ao contrário”. A professora da USP tem um cacoete de fechar raciocínios com a expressão “Tão entendendo o que eu tô falando?”. De certa forma, o filho do Bolsonaro exibiu a capacidade de compreensão com a qual ela terá de lidar. E como ele falou antes dela na convenção, sua resposta é ainda mais interessante porque anula a necessidade da pergunta.
.........................
POR José Pires

quinta-feira, 19 de julho de 2018

William Waack e a qualidade do jornalismo na TV e na internet

No vazio de qualidade das comunicações no Brasil pelo menos uma notícia boa apareceu esta semana. William Waack está fechando contrato com a BandNews onde pode estrear um programa na TV por assinatura e depois na TV aberta, em prazos de acordo com cláusula de quarentena de sua rescisão com a Rede Globo, um ano no primeiro caso, seis meses no segundo. Como todo mundo deve saber, a saída do jornalista foi causada em tese pelo vazamento de um vídeo tolo de bastidores de gravação, inflado criminosamente com a injusta acusação de racismo atiçada pela esquerda nas redes sociais.

Este foi mais um estrago das batalhas vazias que esse pessoal arruma o tempo todo, que são um complicador muito forte da crise brasileira. Já foi pior quando o partido da raiva detinha o poder e podia usar a máquina contra qualquer um que fosse julgado como alvo de ocasião. Foi pesado o efeito da pressão da máquina nas mãos da esquerda. O duro foi aturar até jornalistas e sindicatos do setor aplaudindo a falência de publicações e demissão de colegas, sem levar em conta o desmonte causado em um setor essencial para qualquer país, ainda mais na situação de um país que precisa levantar-se, como acontece com o Brasil.

O resultado foi desastroso no setor de comunicações, de duas formas. Pelo abate e intimidação de vozes de qualidade e pela doutrinação de uma juventude que entra no mercado de trabalho já com a cabeça feita. Existem os que fizeram disso um meio de vida e tem também os profissionais ingênuos politicamente. Estes atuam com o engano implantado em suas mentes por um ensino superior dominado por doutrinários de esquerda. Juntam-se doutrinação e incapacidade técnica. Os coitadinhos pensam que atuam com os melhores ideais, quando na verdade são apenas instrumentos de projetos de poder baseados em fórmulas comprovadamente falhas e até criminosas historicamente.

Independente do que se pense de William Waack, sua demissão foi definida neste clima de manipulação e intimidação, sistema que depois de implantado artificialmente por meio da educação e o aparelhamento parece que agora anda sozinho. A Rede Globo errou tecnicamente na demissão de Waack, apesar de sua saída aparentemente fazer parte de questões políticas internas — o vídeo vazado tem todo o jeito de ter sido apenas pretexto para este acerto de contas na luta interna por poder. Digo "erro técnico" porque sua qualificação profissional é do tipo que pode alterar com qualidade o conjunto do trabalho de uma empresa. Se a Globo aproveitou com toda a amplitude suas qualidades profissionais, isso é outra questão, afeita também ao jogo de forças interno e suas implicações externas, com demonstrações muito claras de que até o momento o efeito não é bom na qualidade jornalística da emissora.

A Globo acabou ficando sem alguém muito competente, especialmente em uma área sempre importante e de ainda mais peso nos tempos em que vivemos: a da política internacional. Cito esta área pela condição de terra arrasada da cobertura internacional no jornalismo brasileiro, no entanto Waack é um jornalista completo, se dando muito bem na análise política e na economia, com muita capacidade de informação e interpretação dos fatos. Suas avaliações sobre as variadas crises dos últimos tempos são de inteligência rara, o que o coloca evidentemente sob a mira de um projeto de poder que parece ainda meter medo. Se este clima de medo teve influência na sua demissão, pode ser que um dia as razões venham ao conhecimento público.

É admirável a qualidade das publicações que o jornalista colocou em pouco tempo no ar na internet em seu canal no Youtube, o Painel WW. Nem vou falar de “volta por cima” porque pelo material apresentado pelo jornalista e a forma política da transição a condição é de uma mudança de qualidade. Para melhor. Na apresentação de seu canal na internet, num vídeo na cabeça da página, pode-se pegar uma menção de causa e efeito, quando ele diz meio brincando que “não tem nenhum chefe no ponto falando comigo”. De fato, pela qualidade dá para notar.

Houve época em que quando ocorria algum problema parecido a Globo mantinha profissionais desse porte em geladeira de luxo. Por economia ou outra razões deixaram de fazer isso com William Waack, que depois do vazio criado no lugar de onde saiu, agora pode vir a fortalecer uma emissora concorrente. O problema maior da Globo com isso nem é o da TV aberta, mas da TV por assinatura — por onde o profissional deve começar —  e mais ainda pela interação da televisão com a internet, na criação dessa conexão do jornalismo com as novas tecnologias, sintonia essencial para a sobrevivência do jornalismo na TV, que Waack mostrou em pouco tempo que sabe fazer muito bem.
.........................
POR José Pires


___________________


quarta-feira, 18 de julho de 2018

Ciro Gomes e sua grande esperteza

Em qualquer aparição pública de Ciro Gomes dá logo para notar que ele gosta bastante dele mesmo. Ama de paixão. Quase tudo que é dito pelo pré-candidato a presidente do PDT tem um tom de autoelogio. Nas próprias frases ele destaca seu valor como administrador e político, bem do jeitão dele, sem nenhum respeito pela verdade histórica ou a condição atual dos lugares pelos quais passou.

Até o Ceará deve respeito a ele, pelas maravilhas que fez como governador, como costuma falar o tempo todo, sem atinar para a lamentável miséria e violência sem limites naquele estado depois de anos sob o poder de seu grupo político. Quando ao governo do PT, sua versão também não bate com o que sabe a maioria dos brasileiros. Os governos petistas contaram sempre com seu apoio, tanto para Lula quanto para Dilma Rousseff. Mas ele faz de conta que não teve nenhum comprometimento moral com a roubalheira que se desenvolveu por anos na frente de seus olhos e que começa a notar somente agora.

Em algumas falas ele tem criticado um pouco do que foi feito pelo PT, comentários amenos por enquanto, relevando responsabilidades, mas já apontando para um rumo que deve ser pauta prioritária de sua campanha se ele não conseguir o apoio do partido do Lula. Claro que ele esteve todo esse tempo com Lula e o PT, mas isso é detalhe para Ciro. Vai cair de pau nos malfeitos, sem lembrar que estava ao lado dos malfeitores, como costuma fazer quando a aliança não é mais do seu interesse. Se for preciso buscar o voto do eleitor apontando com agressividade a desonestidade e a incompetência de Lula (ou "meu amigo Lula”, como ele gosta de dizer) e seus companheiros, podem apostar que ele fará isso.

E vai fazer essas críticas com o mesmo ar de orgulho que demonstra para tudo que ele mesmo fala. Ciro acompanha suas explanações com acenos de rosto e sorrisos elogiosos que evidenciam uma satisfação com o que diz, saboreando cada frase como máximas de alta sabedoria. Ah, como Ciro Gomes gosta de Ciro Gomes. É evidente que ele se acha o cara mais esperto do Brasil. Mas na verdade, o político cearense está mais naquela condição da frase de Guimarães Rosa, que diz que quando a esperteza é demais ela come o dono. Como não cabe em si de satisfação consigo mesmo, Ciro vive sendo devorado por sua esperteza.

Uma dessas belas auto-mordidas é de agora, revelada pela decisão da ministra Rosa Weber, que numa liminar negou pedidos de Ciro na Justiça Eleitoral para tirar do ar dois vídeos. Um deles é de Arthur do Val, do canal Mamãe Falei. Ele chama Ciro de “Tiro Gomes”, ótimo apelido para quem disse que receberia “na bala” a “turma” do juiz Sérgio Moro. Outro vídeo é de um jovem youtuber, Carmelo Neto, do Ceará. No vídeo ele faz um relato sobre o currículo político do pré-candidato desde a época da sua juventude, quando era do partido da ditadura militar. Também chama Ciro de “frouxo” e “covarde” e diz que ele descende de uma oligarquia de escravocratas.

Nunca tinha ouvido falar de Carmelo Neto, que tem apenas 16 anos. E evidentemente fui assistir ao tal vídeo que Ciro Gomes quer tirar do ar. Claro que vi também o do Arthur do Val. Como se costuma dizer, eu e a torcida do Corinthians. Os vídeos bombaram assim que a notícia começou a correr na internet. E aí é que está o problema da esperteza de Ciro, tão grande que não permite que ele saiba que hoje em dia com as redes sociais a pior atitude que se pode tomar é tentar tirar do ar uma crítica de adversários. A decisão da ministra Rosa Weber é provisória. Mais adiante ela ou outro juiz podem até tirar os vídeos do ar, mas não fará diferença alguma porque já teve um efeito negativo terrível sobre a imagem do político mais esperto do Brasil.
.........................
POR José Pires


___________________


segunda-feira, 16 de julho de 2018

Bolsonaro, o voto que não faz diferença

Jair Bolsonaro faltou a mais uma votação importante, a da Lei de Diretrizes. É ótima a explicação dele para faltar ao trabalho de deputado. O pré-candidato a presidente da República disse o seguinte: “Meu voto não ia fazer nenhuma diferença lá. Nenhum deputado ia se indispor com milhões de servidores”. O deputado deu também outra justificativa para não ter que aparecer se posicionando em relação à proibição de reajustes para o funcionalismo em 2019, medida que foi derrubada. Ele disse que não quis ficar com a “marca na testa”.

Político esperto ele, não é mesmo? Mas de fato, o voto de Bolsonaro não ia fazer nenhuma falta, da mesma forma que outros votos seus como deputado também não fizeram diferença, diga-se que felizmente, porque como deputado ele é danado para votar errado. Um voto importante de Bolsonaro, por exemplo, foi na apresentação do Plano Real ao Congresso Nacional, em 1994. Para ficar apenas num exemplo da qualidade do plano comandado por Fernando Henrique Cardoso como ministro da Fazenda do governo de Itamar Franco, basta lembrar a hiperinflação que acabava com o país.

Com o Plano Real houve de imediato uma fantástica redução da inflação, que chegou a 2.477% em 1993. Como todos sabem, a expectativa inflacionária atual é de 6%. Bolsonaro não fugiu à votação do Plano Real. Estava lá, cumprindo sua obrigação. Mas votou contra. Ainda bem que também dessa vez seu voto não fez falta. Ele votou contra o Brasil.
.........................
POR José Pires

domingo, 15 de julho de 2018

E os petistas foram pra Cuba

Parece que o PT resolveu assumir a piada. Não é preciso dizer para eles irem pra Cuba. Não saem de lá. Frei Betto é um que está o tempo todo na ilha dominada pela dinastia dos Castro, onde costuma descer o sarrafo na oposição ao regime comunista e elogiar o sistema de vigilância e repressão do governo, participando de eventos promovidos pelo PC cubano, em encontros locais de exaltação ao regime e fortalecimento do esquema de poder. Nesta semana, uma porção de petistas está na ilha, participando do encontro anual do Foro de São Paulo. A presidente do PT, Gleisi Hoffman, e a ex-presidente Dilma Rousseff são os destaques na comitiva brasileira.

Deviam aproveitar para decretar a falência desse Foro criminoso. Dos governos instalados sob a inspiração do grupo internacional de esquerda sobraram apenas o governo de Evo Morales, que aparentemente sossegou, e os da Nicarágua e Venezuela. Em pouco mais de uma década, o sonho prometido ao continente virou um pesadelo cruel para vários países que experimentaram a receita política e econômica. O Brasil está na pindaíba que todos conhecemos. A ditadura bolivariana na Venezuela, um dos orgulhos de Fidel Castro, deixou o país numa situação desesperadora. Outro bolivariano e fã do modelo cubano, o ex-presidente do Equador, não poderá comparecer à reunião em Cuba. Foragido na Bélgica, está com pedido de prisão preventiva e extradição para responder em seu país pelo envolvimento na tentativa de sequestro do ex-deputado Fernando Balda na Colômbia, em 2010. Até as FARCs, grupo terrorista da Colômbia, teve que depor armas e participar de eleições, levando uma memorável surra nas urnas.

Mas e Daniel Ortega, será que marcará presença? Seu governo na Nicarágua está sob pressão da população, com multidões exigindo sua saída do poder. Ortega responde da forma que aprendeu com os cubanos: o governo nicaraguense já matou mais de 300 pessoas nas ruas.

O Foro de São Paulo só semeou desgraças na América Latina, mas Dilma e seus companheiros exercitam em Cuba o velho costume de apontar defeitos apenas nos outros. Da ex-presidente derrubada democraticamente no Brasil por um impeachment não se ouviu nenhuma palavrinha sobre os crimes de Ortega ou a situação desesperadora dos venezuelanos, mas teve muita crítica ao que contestam no Brasil o projeto de poder do PT e por extensão de todos seus comparsas do Foro de São Paulo, uma espécie de PCC da política. Ela passou a maior parte de seu discurso chorando as pitangas pelo seu impeachment e lamentando a prisão do chefão do PT, Lula, condenado por corrupção e lavagem de dinheiro.

Dilma discursou nesse domingo no encontro do Foro. Pobres cubanos. Ficaram livres do palavrório de Fidel Castro, para agora terem que suportar o dilmês. O falecido ditador cubano fazia discursos longuíssimos, algumas vezes de mais de cinco horas. Castro pode não ter sido o ditador mais sanguinário da História. Neste aspecto a competição é feroz. Mas com certeza foi o mais chato. Ele só se calou com a interferência da morte, cessando mais este sacrifício aos cubanos. Depois de Castro, seus ouvidos mereciam descanso eterno de palavrório inútil. Não é justo que tenham que suportar Dilma Rousseff.
.........................
POR José Pires


___________________

Imagem- Dilma e Gleisi Hoffmann na reunião do Foro de São Paulo, em Cuba. A foto é de
Ricardo Stuckert, fotógrafo pessoal de Lula. Com a prisão do chefe, ele vem servindo também
aos companheiros. A faixa em inglês, exibida em um país de língua espanhola e de histórica
antipatia aos Estados Unidos é por conta da notória asnice das duas