quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Paulo Coelho, o hippie ricaço

O escritor Paulo Coelho deu uma entrevista ao suplemento XL Semanal, encarte cultural do jornal espanhol El Periódico. É uma de suas entrevistas mais engraçadas, mas não porque ele tenha sido espirituoso. O efeito qualitativo veio da irritação do escritor, que já no início ficou incomodado com questionamentos da jornalista Virginia Drake. Entrevistas do antigo parceiro do roqueiro Raul Seixas costumam ter um toque de humor involuntário, já que ele está sempre repassando filosofias em compota e sua visão metafísica de papo de maconheiro em volta da fogueira. Nenhuma delas, porém, pelo menos das que eu li, à altura dessa do XL Semanal, publicada no domingo. O mago que já fez chover em um deserto (sic) se superou.

>O escritor está lançando um livro novo, “Hippie”, que certamente traz as mesmas filosofices pretensamente literárias que lhe deram fama. Na chamada da entrevista, extraída do diálogo com a jornalista, fica claro o tom pretensioso que ele pretendia desenvolver no jornal espanhol, com aquele jeitão songamonga de quem traz o espírito repleto de verdades que se completam nas atitudes mais simples da existência. “Eu sou um homem muito seguro. As pessoas seguras não impõem, dão exemplo”, ele praticamente decreta. Sorte dele que a jornalista provavelmente não tinha a informação sobre os exemplos dele na política no Brasil, onde nos últimos anos se alinhou ao governo do agora presidiário Lula, frequentando inclusive festa de aniversário do ex-ministro mensaleiro José Dirceu, antes desse político petista ser condenado pela segunda vez por corrupção das brabas.

A jornalista pode não saber dessas coisas, mas teve uma conversa firme com Paulo Coelho, procurando extrair dele fundamento sobre suas filosofadas de sempre. O escritor não gostou nada do rigor e por pouco não acabou com a entrevista no meio. Logo no início do diálogo ele disse que “segue sendo um hippie”, o que soa mais como um chavão de marketing editorial, ainda mais quando uma afirmação dessas sai da boca de uma das pessoas mais ricas do mundo, um homem que costumamos ver na companhia de financistas, banqueiros, empresários poderosos e políticos que já ocuparam o poder em nações muito fortes. Numa fala sua nesta entrevista, este insólito hippie conta que até já teve um avião.

Diante da afirmação estranha, a jornalista apontou a contradição entre o que ele falava e o próprio lugar onde se dava a entrevista. Ela então perguntou se “é possível ser hippie vivendo em Genebra, numa casa extraordinária com vista para Montblanc, rodeado de obras de arte e com um mordomo”. O hippie de araque ficou muito bravo e tentou fugir do questionamento, alegando que ser hippie “não é o exterior, é o interior”, além de ser mais “a maneira de ver a vida”. Foi uma colherada da filosofia em compota, de que falei, mas a jornalista não engoliu. Ela contestou, lembrando que ser hippie era também uma forma de viver. E apontou novamente a casa luxuosa do escritor, que pouco tem a ver com uma forma simples de viver. O clima literário evidentemente não é o mesmo de um Henry Miller vivendo nas encostas de Big Sur, na Califórnia, empurrando pela estrada um carrinho de madeira com as compras do dia.

A jornalista foi bacana com o escritor brasileiro em seu exílio milionário, procurando avivar suas lembranças dos bons tempos da contracultura, ressaltando que os hippies eram “contestadores” e tinham uma rebeldia contra o sistema, rechaçavam o consumismo capitalista, defendiam o amor livre, além de viverem em contato com a natureza. Enfim, nada disso combina com um brasileiro ricaço que optou por viver na Suiça, em uma de suas localidades mais caras. Foi grande a irritação do escritor quando viu cair por terra o apelo de marketing de seu livro. A conversa foi tensa até o final, mas acabou valendo o esforço da jornalista. Não pela vontade do escritor, é claro, mas enfim acabou saindo uma ótima entrevista, a melhor que eu já li com Paulo Coelho.
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POR José Pires

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Uma nova Kátia Abreu para Ciro Gomes

Quando vi o exagero de Photoshop na foto de Kátia Abreu na foto oficial com Ciro Gomes tive que ir conferir. Parecia coisa de adversários, mas a imagem é mesmo da campanha. As piadas já correm. Um candidato que dá essa transformada na Kátia Abreu tira fácil o nome de todo mundo do SPC. Se fez isso com Kátia Abreu, imaginem o que ele pode fazer pelo Brasil. E por aí vai.

Agora com certeza vão mudar a foto, porque a própria Kátia Abreu já concordou que houve excesso de tratamento digital na sua cara. Fez isso do jeito dela, botando culpa no “pessoal de comunicação”, o que é lorota. Uma imagem dessas não seguiria pra frente sem receber o consentimento dos dois.

Ciro Gomes é um sujeito que sozinho já é capaz de desopilar o fígado do eleitor com suas fanfarronices e trapalhadas. Com Kátia Abreu de vice, o eleitor terá ainda mais motivo para rir. A coisa vai melhorar muito mais quando os dois começarem a brigar, o que parece inevitável pelo alto teor explosivo dessa união. O “pessoal de comunicação” que deixe o Photoshop de prontidão. Ainda vai ter muita coisa pra retocar nessa chapa.
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POR José Pires

Bolsonaro posando de última chance

Jair Bolsonaro anda se colocando num patamar elevadíssimo na sua intenção de ser presidente do Brasil. É ele ou o caos. Segundo o site O Antagonista, o candidato do PSL disse que o país não suportará mais “um ciclo de PT e PSDB”. E aí é que ele entra. “Esta é a última chance que nós temos de mudar o Brasil”, disse Bolsonaro, numa afirmação pretensiosa, com um exagero tanto em relação a sua pretensa capacidade de resolver situação tão complicada, quanto no estado de ruína praticamente irremediável que ele coloca o nosso país.

O desconhecimento histórico não é novidade dentre as avaliações feitas por Bolsonaro, mas é um equívoco bastante feio posicionar qualquer nação num ponto crítico que faz de uma eleição um tudo ou nada. O erro é ainda maior porque o raciocínio traz como figura capaz de salvar o país um político que sempre agiu como aliado do PT antes dos petistas se meterem nas embrulhadas que causaram o impeachment. Parece que o encapetado capitão se apercebeu da questão apenas quando notou o benefício eleitoral de seus lucrativos bate-bocas grosseiros com parlamentares petistas.

Pena que Bolsonaro tenha acordado tão tarde para o mal que o PT fez ao Brasil. Como parlamentar, sua ajuda poderia ter sido útil para evitar que os problemas do país chegassem a tanto, isso, é claro, se ele não tivesse ficado tão ocupado em turbinar com mediocridades sua carreira de político de baixo clero. E quanto ao que o candidato chama de “ciclo do PSDB”, independente das críticas que este partido merece, ninguém mais nega aos tucanos o mérito da autoria do plano econômico que foi a salvação do Brasil numa situação complicadíssima que o país teve que enfrentar tempos atrás. É o Plano Real, que todos conhecem muito bem. Da mesma forma que fez o PT, na sua criação este plano teve o voto contrário do deputado Jair Bolsonaro.
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POR José Pires

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Um cabo no caminho de Jair Bolsonaro

E eis que aparece uma novidade na eleição presidencial: Cabo Daciolo. Já estão fazendo bastante piada com sua performance no debate da TV Bandeirantes, mas com certeza quem não está achando graça nenhuma é Jair Bolsonaro. Com esta surpresa, ele perde a primazia de representar o voto de direita nesta eleição. O surgimento do Cabo Daciolo vai trazer complicações para Bolsonaro manter um perfil de eleitor que até agora lhe dava sustentação.

Neste debate da Band já deu para sentir o efeito na campanha com este novo candidato de direita falando de coisas que encantam os fanáticos que idolatram Bolsonaro, como por exemplo o Foro de São Paulo e outras teorias conspiratórias. O cabo revelou até uma outra ameaça vermelha, o tal do Plano Ursal. Pois a partir de agora Kit gay, anti-feminismo, estímulo a uma polícia violenta, ataques alucinados contra a esquerda, mistura de política com religião, liberação de armas, todas essas bandeiras que fizeram a fama de Bolsonaro ele terá que dividir com um competidor.

Cabo Daciolo está embalado no discurso radical de direita que a partir do final do governo do PT criou no país um tipo de militância que não existia antes, de comportamento moralista, com sentido militarista e apoio à propostas violentas. É tudo que Cabo Daciolo representa e de uma forma que pode ser mais uma atrapalhação para Bolsonaro. O cabo consegue ser mais histriônico que o capitão, podendo com isso atrair maior atenção e ganhar um pedaço do espaço antes exclusivo do candidato do PSL. Já dá para notar seu sucesso nas redes sociais, com aquelas zoações que como Bolsonaro sabe muito bem, são críticas que acabam tendo o efeito de popularizar uma imagem.

Essa novidade chega também em um momento difícil para Bolsonaro, que independente de um Cabo Daciolo atravessar seu caminho, entra num momento de sua campanha em que precisa equilibrar o discurso violento que até agora o sustentou, incorporando fatores novos e assumindo atitudes menos radicais para a ampliação de seu eleitorado. Com Cabo Daciolo entrando na parada, ficará mais delicado fazer esta transformação. Está até engraçado. Além de ter que atuar de forma mais amena para convencer faixas diferentes do eleitorado, Bolsonaro encara o risco da penetração de um adversário em seu próprio eleitorado. Vamos ver como o encapetado capitão resolverá esse estorvo em sua estratégia, mas até aqui estou torcendo para que o cabo avance com tudo sobre o território bolsonarista.
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POR José Pires


quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Fórum Brasileiro de Segurança Pública desarma Bolsonaro

Os dados divulgados nesta quarta-feira pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública trazem uma constatação, com números que mostram que a proposta de flexibilização do porte de armas no Brasil pode ter efeito contrário ao que vem sendo propagandeado por políticos que fizeram da liberação da venda de armas um forte apelo eleitoral. Como todos sabem, faz tempo que o candidato Jair Bolsonaro fatura com o tema, tratado por ele como uma solução prática para conter a violência no país. É a sua maior bandeira de campanha. Em 2014, Bolsonaro apresentou um projeto de lei na Câmara que libera o porte de arma de fogo, bastando o pretendente justificar a necessidade para sua segurança pessoal ou de seu patrimônio. Atualmente o Estatuto do Desarmamento restringe o porte às categorias profissionais que dependem de armas para o exercício de suas atividades.

Quanto à liberação do porte de arma, dados do relatório mostram que a aplicação do Estatuto do Desarmamento deu uma segurada nos homicídios provocados por armas de fogo. Entre 1980 e 2016 cerca de 910 mil pessoas foram mortas dessa forma. No começo da década de 1980 a proporção de mortes a tiros era cerca de 40 para 100 pessoas assassinadas. O índice cresceu sem parar, atingindo 71,1% em 2003, ano em que foi sancionada a lei restringindo a venda de armas. A partir daí, o número permaneceu estável até 2016.

Outra constatação do relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública que vai contra a liberação é que o maior crescimento de homicídios ocorreu exatamente em estados em que houve proporcionalmente um aumento maior de mortes por arma de fogo. O relatório aponta que se não fosse o Estatuto do Desarmamento o total de homicídios em todo o país teria crescido 12% além do observado.

Claro que os grupos favoráveis à liberação não se valem da lógica, muito menos da avaliação responsável de estudos e estatísticas sobre o assunto. A ideia de que uma arma na mão pode assegurar a defesa numa situação de violência não resiste a um raciocínio técnico sobre a questão. Nenhum especialista em segurança desvinculado de interesse financeiro ou político no tema apoiaria a crença de que a facilidade na compra de armas traria mais segurança coletiva, ainda mais em um país como o Brasil, onde o respeito moral e regras equilibradas de convivência sofreram uma tremenda implosão.

A proposta é ainda mais absurda quando vem apoiada na argumentação estapafúrdia do candidato Bolsonaro, com sua amadorística projeção de um aumento da segurança baseado no equilíbrio de forças entre bandidos e uma população mais armada. A imagem de três ou quatro bandidos sendo rechaçados a tiros por um pacato casal só cabe na cabeça de um fanático bolsonarista. O sonho de Bolsonaro parece ser o de um país com trilha sonora de Ennio Morricone e duelos ao entardecer, até porque ele parece não ter outra ideia de segurança que não seja a liberação de armas.

Sei muito bem que o assunto rende demais eleitoralmente para que passe a ser visto de forma lógica por políticos que há bastante tempo exploram sem escrúpulos o horror que toma da vida dos brasileiros. Já tivemos no poder o partido da raiva e agora aí estão os exploradores do medo buscando este mesmo poder. Esse pessoal vai manter o mesmo tom emocional, nesta proposta irracional de que a população assegure sua defesa com armas na mão. Eles vão tentar desqualificar de qualquer jeito este relatório, mas a verdade é que aí estão números sólidos demonstrando que as mortes só vão aumentar se for colocada em prática esta política do trabuco.
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POR José Pires

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Ana Amélia e Alckmin: confiança até prova em contrário

Nesta eleição já vimos que o mimimi da esquerda contaminou todo mundo. Até os fanáticos bolsonaristas andam derramando lágrimas fingidas com jornalistas do mal que fazem dodói em seu candidato. Mas certas perguntas são inevitáveis e ninguém está sendo poupado. Bolsonaristas reclamam do tratamento dado a Jair Bolsonaro no programa de entrevistas da Globo News, mas assistindo aos programas com os outros candidatos será possível conferir que Geraldo Alckmin teve tratamento parecido ao de Bolsonaro. Na minha visão, o ex-governador foi questionado até com mais dureza.

Vale lembrar também os apuros de Manuela D’Ávila, a pré-candidata do PCdoB que foi pro vinagre. No Roda Viva ela teve que explicar até o afeto de seu partido com seu querido bisavô político, Josef Stálin. A candidata que lutava como uma garota já começou seu chororô no próprio programa e depois derramou um mar de lágrimas parecido ao dos bolsonaristas. A surpresa foi ver depois os bolsonaristas fazerem o mesmo, eles, que como todo mundo sabe, lutam como machos.

O jogo é este. E o jornalismo vai fazendo seu serviço. Ainda bem que temos agora este rigor com os políticos, pelo menos em programas de entrevistas em período eleitoral. No geral, há bastante tempo que a classe política vem sendo absurdamente poupada pela imprensa, o que facilitou inclusive a roubalheira e a imensa incompetência que nos levou ao buraco.

Mas os fãs deste ou daquele candidato que se preparem. Agora vai começar o aperto dos jornalistas aos vices, com um efeito imediato na imagem dos titulares da chapa. Resposta de vice é mais difícil, já que ele fala por dois. Sempre existiu no país aquela conversa de que o vice não importa, mas o argumento caiu de vez com a arrumação que se deu com a queda de Dilma e a subida ao poder do vice Michel Temer. Pode ser que o eleitor tenha acordado de vez ao fato de seu voto eleger a chapa completa. A certeza é que o vice está em pauta.

Hoje a Folha de S. Paulo tentou travar o primeiro vice e este teve que resolver o questionamento livrando também seu lado. Saiu-se razoavelmente bem, mas o mais importante é que para mim parece que nasceu um método seguro do vice não arruinar sua carreira na cola de comprometimentos perigosos dos titulares. A entrevista foi com a senadora Ana Amélia, vice de Geraldo Alckmin, para quem a Folha apontou as investigações em São Paulo devido a obras e doações eleitorais e perguntou se ela “põe a mão no fogo pelo ex-governador”.

Ana Amélia respondeu o seguinte: "Ponho. Pus a mão no fogo pelo Aécio até que tomei conhecimento daquela barbaridade que ele fez. O que fiz? Usei a régua moral. Votei pelo afastamento dele. Hoje, ponho a mão no fogo [por Alckmin], mas na hora em que me der — e não me dará — motivo para desacreditá-lo, farei o mesmo”. É aí que entra o método de que falei. A relação do vice com o titular tem que ser assim: uma mão no fogo, outra na frigideira.
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POR José Pires

A enquadrada do PCdoB na candidata que lutava como uma garota

O que ocorreu com a candidata do PCdoB que teve sua candidatura negociada pelo partido com o PT é um velho desfecho da esquerda, que vem do comportamento histórico dos comunistas quando existia ainda o Muro de Berlim e as ordens vinham do lado de lá do muro.

A candidata comunista que afirmava com orgulho que lutava como uma garota viveu algo parecido ao processo de tantos outros esquerdistas que depois de acreditarem em algo diferente no partido acabavam tendo que encarar o momento da convocação para uma reunião, quando ouviam dos dirigentes partidários o seguinte: "Agora nós vamos fazer a sua autocrítica".
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POR José Pires

Kátia Abreu, agora na mira do PT

A senadora Kátia Abreu deixou de ser bandida de estimação dos petistas logo que passou a ser vice de Ciro Gomes. Já foram buscar até o troféu Motosserra de Ouro, que ficou bem escondido enquanto ela servia ao governo do PT como ministra da Agricultura de Dilma Rousseff, na parceria mais estrambótica já surgida com o endoidecimento absoluto da política brasileira.

Kátia Abreu era inimiga feroz do PT quando foi premiada como zoação com o troféu Motosserra de Ouro pela ONG Greenpeace. A provocação foi em 2010, quando a senadora participava da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, em Cancún, México, como presidente da Confederação Nacional da Agropecuária (CNA). Na época a parlamentar era da bancada ruralista e tinha brigas ferozes com os petistas, com divergências sobre trabalho escravo, demarcação de terras indígenas, reforma agrária e outras bandeiras da esquerda.

A senadora fazia oposição tão radical ao PT que acabou caindo nas graças do jornalista Reinaldo Azevedo, já bastante conhecido como antipetista. Em seu blog então publicado no site da revista Veja ele passou a exaltar Kátia Abreu como promissora liderança política. O namoro ideológico dos dois durou só até a senadora estranhamente passar para o lado do PT, mudando totalmente de discurso. Em 2015 ela foi nomeada ministra da Agricultura para o segundo mandato de Dilma, mantendo-se fiel até a queda da presidente com o impeachment.

Agora como vice de Ciro, ela volta a ser alvo de seus ex-parceiros de governo. Os petistas já retiram das gavetas suas divergências com a ex-ministra, que passa a ser atacada como representante do agronegócio, inimiga do meio ambiente, de indígenas, quilombolas e o que mais aparecer. Logo será chamada de direitista, fascista, esses insultos distribuídos pela esquerda contra qualquer um que não faz parte da curriola. E Kátia Abreu que se prepare, pois o petismo trata de maneira ainda mais feroz aqueles que deixaram de ser bandidos de estimação.
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POR José Pires

Manuela D’Ávila: o fim da candidata que luta como uma garota

É a esquerda que mais usa politicamente o feminismo e vem sendo exatamente a esquerda que mais rebaixa as mulheres na política. No PT nós temos o exemplo da eleição de Dilma Rousseff, usada pelo partido como exemplo do “empoderamento” da mulher, como eles gostam de falar. Mas sua eleição é uma fraude como feminismo. A “presidenta” foi mesmo coisa apenas de propaganda. Dilma surgiu de um dedaço do chefão Lula. Foi candidata e se elegeu simplesmente porque ele quis.

Do próprio Lula existem várias histórias de seu machismo, como sua menção grosseira ao mulherio de “grelo duro” do PT, quando num telefonema ele mandou que atacassem os adversários. Até nisso a esquerda rebaixa as mulheres, fazendo delas meras buchas de canhão, mandando suas parlamentares para ações mais radicais porque sabem que por serem mulheres elas serão poupadas. Foi desse jeito que os homens da bancada da esquerda no Senado tramaram o plano daquela ocupação ridícula da mesa da presidência, tomada apenas por parlamentares da bancada feminina.

Nesta segunda-feira apareceu mais um exemplo da desmoralização da liberdade da mulher feita pela esquerda, com a determinação de que Manuela D’Ávila, do PCdoB, desista da candidatura a presidente da República para ser vice do poste que Lula escolher para ficar em seu lugar, pois todo mundo sabe que ele não pode concorrer, por ser ficha-suja. A comunista Manuela estava até usando o fato de ser mulher para valorizar sua candidatura. Pois agora terá de desistir de tudo porque o chefão mandou. E aquela camiseta com a frase “Lute como uma garota”, ela que vá para o vasto armário de frases vazias da esquerda.
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POR José Pires

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Marta Suplicy fora da política


A senadora Marta Suplicy anunciou nesta sexta-feira sua desfiliação do MDB e sua saída da política. Em nota, ela afirma que atuará apenas na sociedade civil. A imagem que ela pretende dar a esta retirada é de renúncia, mas a verdade é que foram tantos passos errados desde a criação do PT, do qual ela foi uma fundadora, que atualmente na política a senadora não tem muita coisa para abandonar.

Nos últimos anos em que esteve no PT, ela assistiu às maiores bandalheiras do partido sem tomar posição alguma. Passou pelo mensalão, depois veio o petrolão, os petistas foram abusando da política brasileira de uma forma nunca vista, com propinas para os amigos do poder e pressões políticas sobre adversários e críticos do governo. Instituições foram aparelhadas, com o sistema político servindo de mero instrumento para uns poucos ganharem dinheiro de forma ilícita e se aproveitarem dos cofres públicos.

Foi um período de destruição econômica do país e de um rebaixamento moral da política e da sociedade brasileira como nunca houve em nossa história. Mesmo assim, Marta manteve-se calada, aproveitando um ou outro naco de poder, pegando ministério de pouco peso político, alguma verba eleitoral, sempre à espera de uma fatia maior do poder, o que Lula jamais permitiu. A senadora só foi assumir uma contrariedade ao descalabro imposto ao país por Lula e seu partido quando forças políticas e sociais já estavam para tirar o chefão do PT e sua pupila Dilma Rousseff do poder com o impeachment.

Mas já era tarde. A carreira política de Marta já descambava quando ela fez a mudança para o MDB, abandonando seu partido em ruínas. Na última eleição municipal, ela sofreu uma derrota dura na cidade onde tem sua base eleitoral. Ficou em quarto lugar na disputa pela prefeitura de São Paulo, com menos de 10% dos votos válidos. E se fosse disputar as eleições desse ano não poderia tentar de jeito nenhum a reeleição para o Senado. Teria sérias dificuldades até na eleição para a Câmara Federal.

Por inabilidade, arrogância e uma aliança de longo tempo com parceiros que ela deixou de perceber que jamais lhe dariam espaço para crescer, a senadora afundou sua carreira de tal forma que acabou ficando com pouquíssima chance de se restabelecer politicamente. Marta Suplicy procura escamotear o fracasso de sua carreira com uma despedida em tom de renúncia, mas na verdade foi a política que renunciou a ela.
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POR José Pires

O roubo do patrimônio na casa do patrimônio


O Brasil virou piada até nos crimes. 
No centro do Rio de Janeiro, foram roubadas as maçanetas de bronze da porta de entrada do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan.
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POR José Pires

Ana Amélia, de senadora a vice

A senadora Ana Amélia, do PP do Rio Grande do Sul, aceitou ser vice de Geraldo Alckmin. Desconheço a capacidade dela para o cargo, nunca esquecendo que pelo histórico do nosso país, é muito grande a chance de um vice passar a titular. Bem, ainda não dá para saber se ela será uma boa vice, mas era um desastre quando a senadora substituía o Presidente da Comissão Especial do  Impeachment, senador Raimundo Lira.

Felizmente isso acontecia em períodos curtos, quando Lira se ausentava para fazer qualquer outra coisa. Com Ana Amélia no comando da mesa, aquela bancada de senadores cretinos do PT fazia dela gato e sapato, aproveitando-se da sua falta de jeito como substituta do presidente. A senadora tinha dificuldade de dar um breque nas manobras dos petistas, se atrapalhava com os botões dos microfones, além de não ser grande coisa para se expressar verbalmente, o que dificultava quando era necessário dar uns pitos naquele bando de salafrários.

Aquela experiência, na qual de certa forma ela atuava praticamente como vice, não assegura a eficiência de seu desempenho no papel de vice-presidente na chapa de Alckmin. E caso ele seja eleito, ela terá obrigação de assumir na sua ausência. Se o tucano for mesmo presidente, os brasileiros terão que torcer para que Ana Amélia esteja melhor do que na mesa da Comissão Especial do  Impeachment. E claro que nesta situação, cabe também desejar com fervor que o tucano tenha boa saúde e muita sorte pelo menos durante os próximos quatro anos.
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POR José Pires

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Imagem- A dança continua: agora com outro tucano, o Alckmin

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

A filha do desembargador e o investigado Beto Richa

O ex-governador Beto Richa, do Paraná, responde a um inquérito sobre suposto repasse de propina da construtora Odebrecht que já estava ficando famoso pelas idas e vidas entre tribunais. A movimentação agora tem também uma suspeita, trazida por uma matéria do site O Antagonista na manhã desta quarta-feira. O desembargador Luiz Fernando Wowk Penteado, que nesta terça-feira tirou o inquérito das mãos de Sérgio Moro e passou para a Justiça Eleitoral teve uma filha nomeada pelo tucano em novembro de 2017, quatro meses antes dele se desincompatibilizar para disputar as eleições. Camila Witchmichen Penteado foi nomeada em cargo comissionado de assessora da governadoria, com salário bruto de mais de R$ 7 mil. Ela também é filiada ao PSDB de Prudentópolis.

O interesse da defesa de Richa é que o caso fique restrito ao crime de caixa dois, ilegalidade eleitoral que absurdamente recebe penas menores no Brasil. Com o inquérito nas mãos do juiz da Lava Jato, o político paranaense poderia responder por corrupção, com o risco até de ser preso.

A acusação é de repasse de R$ 4 milhões da Odebrecht para a campanha de Beto Richa, em troca de favorecimento na duplicação da PR-323. Por causa do foro privilegiado, o inquérito repousava no STF até Richa deixar o governo. Com a desincompatibilização do político, Sérgio Morro passou a ser o responsável pelo encaminhamento até deste ano, quando uma decisão do STJ determinou a transferência para a Justiça Eleitoral. Em seu despacho atendendo a ordem do STJ, o juiz federal registrou sua discordância, pedindo que o inquérito fosse devolvido a ele.

Conforme escreveu Moro, os fatos demonstram que “não se trata de ‘mero caixa dois". Segundo o juiz da Lava Jato, há prova de que os pagamentos feitos em em 2014 tiveram “contrapartida específica”, enquadrando-se portanto possivelmente “no crime de corrupção, de lavagem de dinheiro (…) e ainda de ajuste fraudulento de licitação”.

No dia 21 de julho, o inquérito foi devolvido a Moro pela juíza eleitoral Mayara Rocco Stainsack, para logo em seguida o desembargador Luiz Fernando Wowk Penteado acolher pedido da defesa do ex-governador, fazendo o caso retornar para a Justiça Eleitoral. Com a descoberta feita pelo site O Antagonista da nomeação da filha de Wowk Penteado para um cargo comissionado, em decisão assinada pelo próprio Richa, sua decisão fica seriamente desacreditada. Não se trata de nenhum prejulgamento. Com uma filha nomeada pelo investigado, o desembargador tinha a obrigação moral de declarar-se impedido de julgar qualquer caso relacionado ao político tucano.
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POR José Pires

Lula e a greve com a fome alheia

O objetivo dessa greve de fome de militantes do MST a favor de Lula é puramente propagandístico, focando especialmente no público internacional. A mídia estrangeira desavisada ou cúmplice do PT vai explorar o assunto, sem explicar de verdade qual é a situação de Lula, preso por corrupção e lavagem de dinheiro e respondendo por outras ações que devem somar mais alguns anos de cadeia ao seu prontuário criminal. Uma greve de fome é um recurso político conceitualmente violento, pelo fato de, ao menos em teoria, ser um movimento que envolve a morte. Mas não se deve ter nenhum receio. Esta encenação não envolve maiores riscos, a não ser das matérias lamentáveis que serão escritas no exterior.

Jornais de perfil esquerdista, como o Le Monde francês ou o The Guardian, da Inglaterra, são facilmente manipuláveis com esse tipo de acontecimento na America Latina. Outras publicações, mesmo sem a relação ideológica com os petistas, seguirão na mesma linha de vitimização da esquerda porque no geral a mídia estrangeira nem tenta aprofundar assuntos como o desta manipulação política muito idiota de Lula e seu partido. Jornalistas estrangeiros estão com a chance de reviver de forma romântica os tempos de combate a ditaduras de direita no continente. A meia dúzia de militantes que se dispuseram a passar uns poucos dias sem comer terão uma cobertura jornalística emocional, tratados como se fossem bravos combatentes contra a opressão.

A saúde dos militantes de estômagos manipulados ficará bem, obrigado. É muito fácil prever qual é o plano do PT, partido que desde sua fundação vem crescendo com a exploração de greve e de fome. Claro que sempre com o estômago alheio. Qualquer um pode passar alguns dias sem comer, sem que isso cause grandes danos. Logo que tiverem feito sua propaganda política, chamando a atenção da mídia com seu jejum político, os militantes receberão uma mensagem vinda de Curitiba, da voz do próprio Lula, com o apelo para que cessem com a greve. O mesmo manipulador que usa as pessoas sem nenhum escrúpulo estará, desse modo, aproveitando a finalização do plano para passar a imagem de líder preocupado com a saúde e o bem estar de seus abnegados companheiros.
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POR José Pires

Geraldo Alckmin se enrosca no Giannetti errado no livro preferido

Depois da saída do jornalista Augusto Nunes como âncora do Roda Viva, o programa de entrevistas da TV Cultura sofreu uma sensível queda de qualidade, coincidindo infelizmente com a série de entrevistas com os candidatos a presidente da República, que teve um mau aproveitamento da presença dos candidatos no centro da roda, com um conteúdo pouco aproveitável para a avaliação dos eleitores e também sofrível como documento do que estamos vivendo agora na política brasileira.

Chegaram a incorporar nas entrevistas até uma finalização ridícula com uma série de perguntas banais sobre os gostos pessoais do entrevistado, como seu livro de cabeceira, frase preferida, ídolo, esse tipo de apelo sentimental que antigamente usava-se em programas de variedades.

E o mais surpreendente é que foi exatamente no meio dessas perguntas bobocas em um programa do mês passado que o ensaboado Geraldo Alckmin acabou falando algo que pode ser usado contra ele pelos seus adversários. O âncora pergunta sobre o livro preferido do candidato. Ele diz que está lendo um livro de Eduardo Giannetti da Fonseca, “O elogio do vira-lata e outros ensaios”. Tentando dar mais sabor à resposta, o ex-governador emenda procurando mostrar proximidade com o autor: “Aliás, três irmãos economistas, o Eduardo, o Marcos e o Roberto Giannetti”.

Ultimamente o candidato do PSDB vem procurando manter distância de Roberto Giannetti. Ele foi alvo recente da Operação Zelotes, acusado de ser um dos operadores de um esquema de decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). A quebra de sigilo bancário de Giannetti e mais dois parceiros revelou que eles chegaram a dividir entre de R$ 8 milhões pagos Paranapanema, empresa do setor mineral que respondia a um processo milionário no órgão. Segundo a Zelotes, com a ajuda de Giannetti a Paranapanema se livrou de débitos de R$ 650 milhões no Carf.

Com as descobertas feitas pela Zelotes, Giannetti foi obrigado a sair da coordenação da campanha de João Doria para governador de São Paulo e a assessoria de Alckmin vem se ocupando em desmentir qualquer vínculo do economista com sua campanha ou qualquer outro tipo de relação com o candidato a presidente. Pois numa pergunta bobinha ficou claro que Alckmin tem bastante intimidade com ele. Tempos difíceis para os políticos, esses de agora. É preciso se cuidar bastante até para responder qual é o livro que está lendo.
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POR José Pires


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segunda-feira, 30 de julho de 2018

Daniel Ortega, Maduro, Morales, Fidel Castro e Lula: parceiros históricos de Chico Buarque

Foi divulgado pelos organizadores do chamado “Festival Lula Livre” um vídeo com Gilberto Gil e Chico Buarque, no qual Gil dá uma explicação, bem do jeito dele, sobre o motivo da presença dos dois no evento. Depois eles cantam a música “Cálice”. Bem, “cantam” é modo de dizer. Chico Buarque nunca foi grande coisa como cantor, limitação que piorou com a idade. E ficou no passado o excelente cantor que foi Gil. Ele esteve muito doente e ainda teve um problema grave nas cordas vocais. O resultado musical é triste, assim como é muito triste ver dois grandes artistas na ocupação lamentável de servir de apoio a um salafrário que comandou um ciclo de governos que arrasou com o Brasil.

Gilberto Gil chegou a servir diretamente a Lula, como ministro da Cultura. Foi um cargo de encomenda, no uso de seu prestígio como artista para amaciar o atrito entre o governo petista e a classe artística. A política de cultura do governo petista foi planejada para desmobilizar a atuação crítica e tornar homogêneo um setor cuja função essencial é exatamente o de estimular diferenças. Com Gil e o sucessor indicado pelo próprio compositor foi estabelecido um conceito de cultura estatal, servindo exclusivamente aos apoiadores do projeto petista de poder.

O vídeo dele e de Chico Buarque do tal “Festival Lula Livre” é até engraçado, pela forma enrolada do baiano falar. Como todos sabem, é uma marca própria, que já deu muita piada. Mas o mais engraçado é que Gil não fala coisa com coisa e passa a palavra para Chico, que diz então que concorda com tudo que o colega disse. Aí é também um estilo próprio. Chico é o artista brasileiro mais ideológico da sua geração. Sempre procurou fazer a cabeça dos colegas para envolvê-los no apoio à ditadura de Fidel Castro em Cuba. No entanto, ele sempre foi do trabalho prático, negando-se sempre a responder sobre este assunto, mesmo quando parecia um funcionário da propaganda do regime cubano, criando pela via cultural uma movimentação de favorecimento ao regime comunista imposto a ilha.

Esse comprometimento político evidentemente cria a obrigação de Chico Buarque dar explicações sobre o que está acontecendo em Cuba, país atualmente arrasado por um modelo político e econômico. Ele também deveria tomar uma posição pública sobre o que ocorre na Venezuela e sobre os crimes de Daniel Ortega na Nicarágua, onde seu governo usa bandos paramilitares de esquerda para matar oposicionistas nas ruas. Até agora já são cerca de 400 mortes, incluindo uma brasileira. Mas ai de quem for perguntar a Chico sobre essas coisas. Ele costuma ficar indignado com esse tipo de questionamento e logo é defendido por aliados, na defesa do que parece até piada: o direito dele ficar calado. Este deve ser um “Cálice” do bem.

Mas alguém pode se perguntar o que é que o Chico tem a ver com a Venezuela ou com o governo criminoso de Ortega na Nicarágua. Ora, ambos fazem parte de um conjunto político do qual o compositor tomou parte ativamente, fazendo seu trabalhinho na área da cultura, enquanto a ditadura cubana prendia, torturava e matava. Durante os anos 70 e início dos 80, Chico trabalhou decididamente para melhorar a imagem do governo de Fidel Castro. Ele colaborava com a Casa de las Américas, instituição estatal que cuidava da diplomacia cultural. Atraindo o apoio de artistas e escritores, a ditadura cubana buscava evitar na América Latina a discussão crítica sobre seu governo, que inevitavelmente levantaria graves problemas com  os direitos humanos e a liberdade de expressão.

Chico organizou caravanas de brasileiros para Cuba, numa contradição grotesca: artistas e escritores que reclamavam — com toda razão — da falta de liberdade no Brasil iam a Cuba apoiar o regime de Fidel Castro. E tem também o governo criminoso de Daniel Ortega, pois até com isso o caladão Chico Buarque tem laços antigos. Em razão do DNA castrista, o governo sandinista percorreu um percurso comum, de um movimento que derruba uma ditadura e depois no poder se desvirtua, passando a agir com autoritarismo. A trajetória se completou agora, com o corrupto e criminoso Ortega matando os nicaragüenses. Pois logo depois da derrubada do ditador direitista Anastasio Somoza, com os sandinistas já agindo como uma ditadura, Chico tentou atuar como um diplomata do governo sandinista.

Essa história se perderia se não tivesse contada por Carlos Drummond de Andrade em uma entrevista. Sim, ele mesmo, o grande Drummond, que numa noite de 1986 recebeu um telefonema de Chico Buarque. O poeta já estava indo dormir. Ele ficou espantado de ser procurado naquela hora da noite. "Meu Deus, aconteceu um drama, para o Chico me procurar", ele disse. Então ele recebeu o compositor, que chegou acompanhado de um homem da embaixada da Nicarágua. Os dois vinham reclamar de uma crônica de Drummond, publicada no Jornal do Brasil, que falava sobre o fechamento do jornal La Prensa pelo governo sandinista. Pediam que Drummond reconsiderasse as críticas feitas ao governo. O sandinismo já revelava seu caráter autoritário, na época já com Daniel Ortega no comando. Drummond conta que explicou aos dois que o que escrevia era resultado de sérias ponderações e botou Chico e o funcionário do governo nicaragüense para fora de sua casa.

Um dia desses Chico Buarque precisa ser questionado sobre essas antigas ligações tão firmes com o autoritarismo, para que seus fãs tenham o conhecimento histórico de sua real posição política, do apoio direto a um terrível regime comunista, até sua aliança atual com um salafrário que roubou o país e destruiu a economia brasileira. Mas se alguém for questionar o compositor, que se prepare para seus melindres. Ele não gosta de falar dessas coisas. Alegará que é intimidação política, vai se fazer de vítima, o conhecido mimimi da esquerda quando é cobrada por suas responsabilidades. E muita gente que cai nessa conversa sairá em sua defesa, alegando inclusive o respeito a intimidade de um homem que durante sua vida serviu de forma explícita a regimes autoritários na América Latina e reserva-se a um estranho direito de jamais prestar contas sobre as consequências do que faz.
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POR José Pires

quarta-feira, 25 de julho de 2018


O programa de governo de Ciro Gomes: mandar em todas instituições

Com a candidatura do boquirroto Ciro Gomes já oficializada, o Estadão publicou uma entrevista dele para a TV Difusora do Maranhão, que traz uma proposta política que deve interessar ao eleitor. É muito importante ter atenção ao que esses candidatos saem falando pelo interior do país, pois é onde eles relaxam e descuidam da interpretação do papel de estadista encenado para a mídia nacional.

A entrevista é do dia 16 deste mês. Nela, Ciro afirmou que Lula “só tem chance de sair da cadeia se a gente assumir o poder e organizar a carga”. Bem, pelo menos não se pode dizer que ele não tem programa de governo. O programa é tirar da cadeia o condenado por corrupção e lavagem de dinheiro. Condenado em duas instâncias, cabe lembrar.

Mas tem mais: o esquema revelado pelo candidato do PDT tem como base sufocar o Ministério Público e o Judiciário, impondo sobre essas instituições um poder autoritário do Executivo. A explicação é mais impactante na forma peculiar da fala do candidato. “Botar juiz para voltar para a caixinha dele, botar o Ministério Público para voltar para a caixinha dele e restaurar a autoridade do poder político”, ele disse.

Então já está avisado pelo próprio Ciro que seu plano de governo é passar um trator sobre as instituições, impondo o poder pessoal do presidente sobre o Judiciário e o Ministério Público. Ao expressar esta visão, Ciro nem precisa dizer como será sua relação com o Poder Legislativo. É bom espalhar essas coisas que o candidato sai falando por aí, porque Ciro tem um lero com o qual aproveita o descuido das pessoas com a informação. Sua estratégia é de enrolação, com ares de que domina como ninguém as grandes questões nacionais.

Mas às vezes acontece de ele próprio cometer um descuido, quando revela sua verdadeira face. O caso desse plano para colocar o Judiciário e o MP “na caixinha”, serve inclusive para deixar mais claro a razão de ele acreditar de forma absoluta que com o governo Maduro a Venezuela vive atualmente uma democracia.
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POR José Pires

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Risco-Bolsonaro: a direita que é um perigo para o Brasil

O discurso da advogada Janaina Paschoal na convenção que oficializou a candidatura de Jair Bolsonaro levantou uma questão que já está bastante clara desde que a direita brasileira passou a participar ativamente do debate político nacional. Quem frequenta as redes sociais desde os tempos de luta contra o governo federal nas mãos do PT sabe o sufoco que era ter por perto, na oposição, os bandos de direitistas que baixavam o nível de qualquer discussão e traziam temas incômodos que favoreciam os petistas. Desde aquela época, o comportamento da direita é de um grau de autoritarismo muito parecido ao do PT, com a diferença apenas de posicionamento ideológico. Depois da queda de Dilma pioraram bastante em arrogância e agressividade, até porque exageram sua influência no impeachment da presidente petista.

Tanto o PT quanto a direita tem a mesma ânsia de controle do que os outros falam ou fazem, a intolerância é igual, sua militância tem o mesmo hábito de assumir com fanatismo crenças políticas absurdas que não resistem ao raciocínio lógico mais básico. A grosseria da direita favorece aos de pior índole, sua superficialidade tem uma atração forte sobre ignorantes. Como são chatos. Na convenção, até o general Augusto Heleno teve que pedir a alguns deles para baixarem a bola e parar de exigir que o militar fosse mais agressivo no discurso.

Não é à toa que no Brasil muitos políticos de direita e de esquerda vêm se alimentando mutuamente há muitos anos. O próprio Bolsonaro deve seu sucesso extraordinário ao embate com parlamentares petistas que não souberam avaliar que de forma idiota estavam abrindo uma ampla chance para a direita de ocupação gradual de espaço político e da criação de uma empatia popular. O "mito" idolatrado pela direita nasceu na verdade dos mais baixos bate-bocas da política nacional.

Em seu discurso na convenção, Janaina foi de uma coragem rara, com um recado franco ao pessoal do Bolsonaro. “Reflitam se nós não estamos correndo o risco de fazer um PT ao contrário”, ela disse, errando em absoluto no tempo da frase e na possibilidade de conserto deste caráter do bolsonarismo, corrente política que deve sua existência exatamente ao fato de ter se constituído como um PT ao contrário. Janaina não se atina também a uma questão importante, que torna a direita tão perigosa quanto o PT. É um risco relacionado igualmente ao tempo. O que o país precisa é sarar de seu sofrimento depois de mais de uma década de PT no poder. Pode ser fatal ao Brasil adquirir feridas novas com outro projeto autoritário.
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POR José Pires

A gramática esquerdista na boca dos bolsonaristas

A tola influência do politicamente correto na vida dos brasileiros — na estúpida insistência esquerdista em confundir gênero gramatical com gênero sexual — foi sentida neste domingo em um lugar inusitado: a convenção do PSL que oficializou a candidatura de Jair Bolsonaro. E o disparate veio de figura igualmente improvável de obediência à nova gramática pretendida pela esquerda.

Saiu da boca do deputado Fernando Franciscchini, um dos, digamos, cabeças da candidatura de Bolsonaro. Ele começou seu discurso com a seguinte frase: “Bom dia a todas e a todos”. É o tipo da coisa que parece fake news de adversário, mas ele falou mesmo. E o cara é coordenador da campanha de Bolsonaro. Tomara que ele não chame a professora Janaina de vice-presidenta.
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POR José Pires