terça-feira, 16 de outubro de 2018

A bolha petista e os defeitos de Haddad

Hoje em dia se fala bastante em "bolha", em razão de um padrão de fechamento mental nas redes sociais, quando o indivíduo permanece tempo demais em um grupo de opinião que impede que ele tenha uma compreensão mais aprofundada das coisas. O interessante dessa definição é que existe uma gíria antiga na qual "bolha" é uma pessoa tapada, que é exatamente o que acontece com quem vive numa "bolha" da internet. O sujeito vira um bolha.

Mas é claro que a tal bolha não é um problema exclusivo da internet. Começa na vida real. Na política isso acontece com frequência e vem destruindo partidos, como aconteceu com o PT e o PSDB, exatamente as duas siglas que tinham doutrina e estrutura para serem muito fortes. Mas para isso, esses partidos teriam que manter uma estrutura aberta ao surgimento de novas lideranças, reformulação de ideias, essas coisas, enfim, com as quais se faz um partido de verdade. Mas se fecharam em uma bolha partidária.

O problema de viver dessa forma é que perde-se a noção do que está acontecendo na realidade. Sem capacidade crítica vão sendo mantidos graves defeitos, que às vezes passam até a serem reverenciados como uma grande qualidade. Isso ocorreu com o PT e já faz tempo que digo que é uma causa importante da sua derrocada. Encerrados em sua bolha, os petistas não percebem que existe há muito tempo uma rejeição a muitas coisas que para eles é uma base importante do projeto político partidário. De fora da bolha é possível ter uma visão nítida dos defeitos do PT, mas lá dentro eles acham que são o máximo em tudo.

Basta dar uma olhada no programa de televisão do Fernando Haddad para ver o comportamento do bolha. Ou melhor, da bolha. Parece uma produção do adversário, pois faz propaganda de uma enormidade de questões que uma parcela importante de brasileiros não aguentam mais. Num programa tive que rir bastante de uma dessas mancadas. Ainda que pitoresca, serve para ilustrar o que estou falando. Na biografia do candidato do PT destacam uma imagem dele com uma guitarra e o locutor diz o seguinte: “E [ele] ainda toca guitarra”. Toca nada. É um péssimo instrumentista. Mas é o que acontece quando se vive numa bolha. Os petistas foram trazer um defeito do Haddad que a gente nem conhecia.
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POR José Pires

sábado, 13 de outubro de 2018

Amigos, amigos, política como parte

Não tenha preocupação de perder amigos nesta eleição. Quem for embora certamente não era tão próximo assim. Ou é uma daquelas figuras cuja ausência preenche uma lacuna. Ora, seus amigos inteligentes, aqueles com os quais é divertido e esclarecedor bater longos papos e às vezes até quebrar o pau por causa de algum assunto, esses vão compreender suas brincadeiras com um ou outro candidato, já conhecem seu temperamento e também terão o bom senso de entender sua opção neste segundo turno e refrescar a cabeça para desenvolver a discussão depois da votação, pois os papos sobre política tendem a esquentar nos próximos quatro anos, independente de quem ganhar.

Se alguma amizade for se quebrar de modo irreversível, será com alguém muito fanático por um dos lados dessa disputa, uma pessoa que não abre mão de defender seu candidato, com um espírito militante e partidário que não admite críticas e brincadeiras, sem a capacidade de compreender que divergências podem inclusive ser muito boas para uma amizade não cair na mesmice.

Enfim, se alguma amizade se desfizer, provavelmente quem tem uma mente fechada é que se afastará definitivamente de você. Podem existir, é claro, certos abalos provocados pela conturbação terrível que todos estamos vivendo. Neste caso, para pessoas de boa vontade não faltará ocasião para desfazer os mal entendidos criados por este período azucrinador de almas, mentes e corações. No entanto, certas pessoas podem mesmo romper a amizade para sempre. Bem, então você terá um fanático a menos nas suas relações. Sorte sua.
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POR José Pires

O senador petista derrotado e as "coisas bonitas" do PT

O senador petista Jorge Viana está desesperado com a possibilidade do PT perder a disputa presidencial. Ele já foi derrotado no Acre. Não conseguiu se reeleger e o candidato de seu grupo político ao governo estadual também perdeu no primeiro turno. Jair Bolsonaro teve 62% no Acre e Fernando Haddad ficou com apenas 18%. A vitória de Gladson Cameli (PP) para governador quebrou a hegemonia de 20 anos de Viana e o irmão Tião Viana no estado. Tião Viana é o atual governador. Os irmãos Viana começaram muito pobres na política e hoje são riquíssimos. Mas estão fora do poder. A derrota faz parte da limpeza feita pelos eleitores em vários estados, que compensa em parte esta eleição muito difícil para o país.

Viana disse em entrevista à Folha de S. Paulo que o PT errou em não reconhecer que membros do partido praticaram corrupção. O político petista acredita que se não houver autocrítica o PT corre o risco de perder a disputa presidencial, mas fez uma ressalva, dizendo que “isso não justifica o que estão fazendo nem com o presidente Lula nem com outros líderes”. Para o senador, isso “também não diminui as coisas bonitas que nós fizemos”.

Ao ler essa comovente declaração quem não recorda de uma porção de “coisas bonitas” feitas pelo PT? São tantas, mas vou destacar apenas uma delas, que teve a participação do senador petista derrotado. Lula sempre foi muito próximo de Jorge Viana, que esteve ativo nas maquinações promovidas em 2016 para evitar que o ex-presidente fosse preso. Foi nessa época que o PT planejou a nomeação de Lula para a Casa Civil do governo Dilma Rousseff. No ministério, o chefão petista estaria fora do alcance do juiz federal Sérgio Moro.

Naquele ano, veio a público um áudio onde em conversa com Roberto Teixeira, advogado e compadre de Lula, o senador Viana sugeria que Lula desacatasse Moro. A conversa com Teixeira foi em 4 de março, dia em que Lula foi levado em condução coercitiva para prestar depoimento à Polícia Federal. A intenção de Viana com o desacato era causar a prisão de Lula, para criar uma situação que o PT pudesse tornar o ex-presidente um “preso político”.

Em uma ligação que durou pouco mais de sete minutos, entre outras coisas, Jorge Viana propôs que o ex-presidente fizesse o seguinte: "Chamar uma coletiva, dizendo que ele [Lula] não aceita mais que ele [Moro] persiga a família dele, porque ele tá agindo fora da lei. Se ele [Lula] quiser agora vim prendê-lo, que venha. Se ele [Moro] prender, o LULA vira um preso político e vira uma vítima, se não prender, ele também se desmoraliza. Tem que virar o jogo agora (sic)".

Vem a calhar a lembrança dessa beleza feita pelo PT. Em uma eleição tão importante, vale como demonstração do respeito do partido do Lula pelas autoridades, pela Justiça, as instituições e a ordem jurídica. Um senador da República fazendo uma coisa bonita dessas é uma das marcas históricas do partido do derrotado Jorge Viana.
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POR José Pires


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Imagem: Reunião de senadores na residência oficial do presidente do Senado
em junho de 2015, numa das tentativas de salvar o governo Dilma Rousseff e
livrar Lula da Justiça; Viana é o último à direita

Os planos de Fernando Haddad e Manuela D'Ávila para 2022

Todos devem lembrar que enquanto o PT usava a campanha eleitoral em favor dos interesses de Lula, toda sua liderança política e a militância repetiam a ladainha de que eleição sem Lula era golpe. Mantiveram essa bobagem até o limite do registro da candidatura, enquanto o PT mantinha a chapa de candidatos mais insólita que já existiu na história deste país: eram três candidatos, com Manuela D’Ávila, do PCdoB, no papel ridículo de vice do vice Fernando Haddad. Era uma farsa. Já se sabia que a condenação de Lula em segunda instância pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro impedia sua candidatura pela Lei da Ficha Limpa.

O discurso fraudulento de que eleição sem Lula era golpe se manteve até registrarem a chapa petista do modo que todos sabiam que era o único possível: com Haddad e Manuela D’Ávila. Os petistas repetiam a encenação estúpida feita durante todo o processo do impeachment, quando acusavam de forma idiota que aquilo era um golpe enquanto participavam do processo, usando com liberdade todos os recursos de defesa. Com a candidatura fake de Lula foi a mesma coisa, inclusive na finalização. Diziam que eleição sem Lula era um golpe e aí estão os hipócritas na disputa no segundo turno. É óbvio que se tivessem perdido no primeiro turno estariam gritando nas ruas que não houve democracia.

O PT especializou-se em jogar sujo e ao mesmo tempo se fazer de vítima. Os traiçoeiros já combinaram um discurso demonizando um provável governo de Bolsonaro, com uma conversa que lembra muitas outras patifarias do PT, que pode ter duas serventias. O argumento é que Bolsonaro não é comprometido com a democracia. Isso serve para o PT ganhar votos, mas caso o partido do Lula não vença a eleição, o discurso será usado com certeza para infernizar o país durante o governo Bolsonaro, em um confronto no estilo petista do “quanto pior, melhor”. Lembram que esses cretinos colocavam em dúvida se haveria eleição este ano? Parece inacreditável, mas agora dizem que se Bolsonaro for eleito não haverá eleição em 2022.

Esse argumento eleitoreiro, que já vem sendo repassado nas redes sociais pela militância petista, foi usado pela vice Manuela D’Ávila numa entrevista ao cantor Caetano Veloso. Caetano virou um marqueteiro banal. E Manuela, que está sempre brigando com jornalistas, ganhou o entrevistador de seus sonhos, do tipo que tem as perguntas prontas para suas respostas espertinhas, além dele ir intercalando elogios durante o papo. O vídeo da ONG petista Mídia Ninja corre pela internet. Num trecho, a vice de Haddad tenta conquistar Ciro Gomes, para que ele participe da campanha do PT.

Manuela tem como certa a presença de Ciro no palanque petista. “Acho que ele vai agir porque para ter eleição em 2022 tem que ter democracia”, ela disse, sem sequer ficar vermelha. Esta é a esquerda brasileira de sempre. Sem projeto sério e viável, sem coerência e sem respeito com os brasileiros. Não assumem suas responsabilidades pelo que acontece atualmente com o Brasil — inclusive o surgimento de uma direita forte —, mas já estão com um plano novo para lucrar com as complicações que sua incompetência e desonestidade podem criar no futuro.
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POR José Pires

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Haddad e Manuela rezando a missa

Está uma implicação danada com o candidato do PT, Fernando Haddad, porque de repente ele começou a ir na missa. Estão pegando no pé também de sua parceira de chapa, Manuela D'Ávila, até pelo fato dela ter dito em um vídeo que não é cristã e agora ter virado uma igrejeira de fazer inveja a muita velhinha carola.

Mas parem de preconceito com a chapa do Lula. Haddad e Manuela podem ter tido uma conversão instantânea. Isso costuma acontecer com muito político em época de eleição, então por que não pode ser também com a esquerda? Fiquem calmos. Até 28 de outubro isso passa e todos voltam pro Estado laico.
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POR José Pires

Bolsonaro reprovado na sabatina de Marine Le Pen

A líder da extrema-direita na França, Marine Le Pen, deu uma boa definição do que é de fato politicamente o candidato Jair Bolsonaro. Nesta quinta-feira, ela criticou Bolsonaro por ele dizer “coisas que são extremamente desagradáveis”. Ela não vê o candidato do PSL como um político de extrema-direita e notem que ela entende bastante o assunto. Foi com uma plataforma de direita que Le Pen foi ao segundo turno, em disputa com o atual presidente da França. Emmanuel Macron.

A presidente da Frente Nacional e deputada do Parlamento Europeu está bem informada sobre o candidato brasileiro, que realmente é barra-pesada. No popular, ela disse que ele é um mero boca-suja. E isso porque certamente viu poucas das besteiras ditas por Bolsonaro. Le Pen deve ter tido conhecimento de um resumo das suas declarações, de modo que não teve que encarar o bruto na sua totalidade. Mesmo quem é bem informado sobre política está sempre se surpreendendo com a descoberta de alguma declaração chocante desencavada de arquivos de sua brutal ignorância. E no caso de Bolsonaro, inexiste o risco de ser material fake. Sua estupidez é sempre de viva voz.

Marine Le Pen falou sobre o candidato a presidente do Brasil em uma entrevista ao Canal France 2. "Ele tem dito coisas que são extremamente desagradáveis, que não podem ser transferidas para nosso país, é uma cultura diferente", ela disse. A líder direitista quer na verdade se livrar de prováveis paralelos entre o nosso boca-suja e o partido dela, na França. O direitismo de Le Pen é ideológico, nada tem a ver com o oportunismo eleitoral de Bolsonaro, cuja conduta grosseira já antiga acabou se encaixando no atual clima político, com ele vestindo com gosto a carapuça lucrativa de direitista, mantendo-se, porém, o mesmo político sem doutrina alguma, de olho apenas no favorecimento pessoal da política para ele e os filhos.

A líder da Frente Nacional tem trabalhado para afastar a imagem de grosseria típica de tipos como Bolsonaro, que atrapalha bastante na disputa de cargo majoritário e afeta a credibilidade política. Em 2015, a deputada francesa teve a coragem de expulsar o pai do partido que ele próprio fundou. Do mesmo modo que Bolsonaro, o velho direitista falou bobagens demais, causando séria rejeição política ao partido direitista junto à opinião pública francesa. Quando na entrevista foi pedido que ela comentasse as polêmicas declarações de Bolsonaro, Le Pen disse que “a partir do momento em que alguém diz coisas desagradáveis, ele passa a ser de extrema direita na imprensa francesa”, certamente apontando a relação que costuma ser feita por adversários dela, porém o candidato brasileiro foi situado apenas como um sujeito desagradável. “Não vejo Bolsonaro como um candidato de extrema-direita", ela disse.

Eis aí a opinião de uma especialista em direita, além de ser também uma famosa praticante da doutrina. Já falei aqui sobre o equívoco de Bolsonaro ser visto como um direitista, quando na verdade o encapetado capitão continua o mesmo oportunista que fez carreira na política e ainda convocou os filhos para faturar junto com ele. Se desse lucro político para ele, Bolsonaro seria capaz até de visitar o Lula na cadeia. E de braços dados com o Fernando Haddad e a Gleisi Hoffmann. Até cair em seu colo a chance de ser presidente da República, seu plano era dar continuidade à carreira de político do baixo clero. Caso seja eleito, estará satisfeito em ser um sub-Sarney. Desde que os ganhos financeiros sejam  parecidos ou até um pouco mais que os do velho salafrário do Maranhão.

Claro que mesmo essa baixa qualidade política não impede que possa surgir um retrocesso em seu governo, mas o risco será menos por sua liderança do que pelo asqueroso caldo de cultura que o trouxe até aqui, que pode até ferver com ele no poder. Longe de ser o condutor de qualquer processo, Bolsonaro vem sendo apenas o beneficiário de um clima político que nem foi criado pela direita. Veio da intolerância do PT no poder, na política de intimidação esquerdista que gerou uma maciça votação de protesto, cujo beneficiário foi Bolsonaro, não por uma qualidade particular sua, mas por causa da falência da classe política no geral, que não teve nenhum líder à altura da tarefa de tirar o Brasil da beira do abismo.
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POR José Pires

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

O antifascismo desinformado de Roger Waters, do Pink Floyd

Já é até chavão falar do constrangimento alheio que roqueiros velhos provocam com sua imitação sem limites do que foram no passado. Pois parece que Roger Waters, do grupo Pink Floyd, veio ao Brasil demonstrar que também dá vergonha alheia ver roqueiro falar de política, especialmente sobre assuntos fora de seu terreno pessoal, em países como o nosso, onde quem tem sensatez sabe que é preciso ponderar bastante para entender o momento político que estamos vivendo, além de ser necessário buscar muito equilíbrio mental para que a desordem não tome conta até das nossas relações pessoais.

Como todo mundo já deve estar sabendo, o líder do Pink Floyd veio ao Brasil dar um show, onde num telão de 70 metros de altura por 14 de largura colocaram o nome de Jair Bolsonaro, relacionando o candidato do PSL ao fascismo, o que é uma tremenda idiotice. Para Waters, a lista de políticos  representa um perigo para a democracia no mundo. O confuso manifesto político se deu no Allianz Parque, em São Paulo, na noite desta terça-feira. O nome de Bolsonaro foi alinhado ao de líderes políticos que nada tem a ver com ele, mesmo na dimensão local como líder político e muito menos como doutrinador ideológico. Comparar Bolsonaro a líderes ideológicos europeus, alguns de fato ligados ao fascismo, é coisa de idiota político. Além disso, analisando até o momento atual, se for para apontar um dedo para algum responsável pela conturbada complicação em que foi metido o Brasil ou colocar seu nome em uma lista de acusados, creio que o primeiro nome de político brasileiro nefasto ainda é o de Lula, que, alias, atualmente é um corrupto preso.

O telão criticando políticos vem sendo usado em outros shows do cantor. No Brasil, ele incluiu Jair Bolsonaro. Claro que a alusão ao candidato a presidente recebeu vaias e aplausos. Não sei a proporção de cada lado, mas espero que as vaias tenham sido em volume mais alto, que é o que faria até mesmo quem é adversário firme do que representa Bolsonaro, como é o meu caso. A intromissão política do roqueiro americano é indevida e burra, até pelo fato de vir ao encontro do que a campanha do candidato continua precisando, agora no segundo turno: uma contraposição com a esquerda. Se esta contraposição ideológica é colocada conceitualmente no plano mundial e vem do próprio adversário, como fez Waters, ainda melhor.

Falando nisso, não sei ainda se no telão crítico do velho roqueiro estava o nome de Nicolás Maduro, mas é bem provável que tenha faltado não só o político venezuelano. Por certo, os Kirchner não estavam. Assim como Daniel Ortega, Evo Morales e tantos outros. Políticos nefastos como esses não costumam ser condenados por gente como Waters. Isso afetaria toda sua estrutura de pensamento, abalando bases antigas que estão em Lenin, Mao Tsé-tung, Che Guevara, Fidel Castro e outros criminosos históricos, que sempre foram a sustentação ideológica do estrago feito por governos de esquerda e seus grupos de militantes em toda a América Latina, inclusive resultando em Lula e seu partido, este sim o grande responsável por um estrago sem precedentes em nosso país.

Bolsonaro de fato é barra-pesada, mas é tolice ter o fascismo como referência a um provável governo comandado por ele. Inclusive o risco dessa conversa tola, como já adverti, é que forças relacionadas ao sucesso do candidato do PSL gostem dessa ideia futuramente. Ao contrário do que pode estar pensando, ao elevar Bolsonaro aos patamares históricos do fascismo mundial, Roger Waters não está ajudando um nadica a democracia brasileira.

A atitude do roqueiro segue o padrão da esquerda mundial e não é muito diferente de líderes do Partido Socialista Espanhol e do Partido Socialista Francês visitando o salafrário do Lula no Brasil ou mesmo de tipos como José Mujica participando de reunião do PT, o partido corrupto do chefão. Da mesma forma que esses líderes políticos, Waters se perde na ideia de uma fictícia unidade socialista, sem notar que em boa parte dos países latino-americanos a esquerda não passa de bandos de quadrilheiros, imorais no aparelhamento de idéias universais de igualdade, em grande parte gatunos de dinheiro público.

Essa atitude que beira a ingenuidade já gerou comprometimentos terríveis para ativistas como o líder do Pink Floyd, como ocorreu com  o cantor Bono, o diretor Oliver Stone, o ator Sean Penn e outros estrangeiros famosos que tiveram emocionada paixão política por Hugo Chávez, uma ilusão ideológica que gerou a miséria e a fome da população da Venezuela. As encrencas podem surgir também ao revés, no erro de avaliação sobre o peso que podem ter contestando forças políticas no país dos outros, como fez Roger Waters no show em São Paulo. Parece que foi com pouca informação e sem nenhum senso estratégico que ele se meteu em conversa alheia. Acabou fortalecendo temores e razões que até como forma de protesto levam brasileiros a votar em Bolsonaro.
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POR José Pires

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

A vida de Beto Richa em boas mãos

É possível colher algumas notícias boas nesta eleição, especialmente de políticos derrotados que além dos defeitos usuais da classe política brasileira — como a corrupção e a incompetência — são responsáveis também pela estado falimentar de partidos importantes na democracia do país. Um insucesso que vem para o bem da organização política no Brasil é do ex-governador Beto Richa, do Paraná, que sofreu uma derrota na eleição para o Senado. Ficou em sexto lugar, com apenas 377.872 votos. Ele tentou eleger um filho para a Assembleia Legislativa, o que serve também como demonstração da sua falta de qualidade ética, mas falhou também nisso. Richa é um caso de fim de carreira sem volta.

Além de não ter construído legado algum de qualidade como parlamentar e administrador público, o ex-governador teve também um papel nefasto como dirigente partidário, sendo um dos coveiros do PSDB, partido destruído por ele como cacique autoritário, impedindo qualquer desenvolvimento e renovação que viesse a alterar seu poder sobre a máquina partidária. O resultado aí está, não só na falência do projeto tucano de um partido de centro-esquerda, como pela abertura para um candidato de direita, que cresceu em parte estimulado pelo vazio criado pela incompetência, a centralização de poder e a ambição pessoal pelo poder e pelo dinheiro, característico em políticos como o ex-governador do Paraná.

Pelo que disse logo que saiu o resultado da eleição no Paraná, Richa continua encenando para o público. Ao que parece, nem a acachapante derrota serviu para ativar a consciência de que palavras vazias soltas no ar não têm o dom de alterar a realidade difícil que terá de enfrentar, nessa irremediável queda no abismo. O político tucano falou até do “benefício” de ficar fora da vida pública, que vai permitir, conforme suas palavras, para “poder cuidar da minha vida”. O pretensioso afirmou que até agora só cuidou “da dos paranaenses”. Bem, isso faz parte dos absurdos que temos que escutar de políticos, depois deles terem destruído até aquilo que há de mais básico na sustentação do que a população precisa para viver. Mas pelo menos no caso de Richa é provável que tenhamos o prejuízo e também os insultos vingados mais adiante, porque para cuidar de sua vida ele terá a contribuição de promotores, policiais federais e juízes da Lava Jato e de outras operações contra a corrupção que investigam o que ele fez de fato na vida dos paranaenses.
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POR José Pires

O PT e seu Bolsonaro fora de proporção

Não sou eu que vou tentar colocar bom senso em cabeça de petista, já que conheço bem o desequilíbrio da tigrada esquerdista, mas se houvesse um mínimo de responsabilidade da parte da companheirada, eles dariam uma maneirada em sua campanha de segundo turno, tratando Jair Bolsonaro em seu nível real de qualidade, que é o de um político tosco, sem noção dos problemas do país e nenhuma capacidade sequer de discussão das questões nacionais.

Já chega o que o PT produziu até agora, especialmente no período em que esteve no poder, colocando em prática uma cultura de intimidação das opiniões contrárias e de divisão política dos brasileiros, com a qual estimulou o surgimento de forças políticas de direita, fazendo retornar até uma memória com ilusões positivas sobre os tempos em que o Brasil passou sob uma ditadura militar puritana e incompetente, criando com isso o clima para uma candidatura que representa o mito de que uma sociedade controlada com mão de ferro tem mais capacidade de resolver seus problemas.

A esquerda precisa parar de tratar Bolsonaro como líder de um processo social de direita, algo para o qual, absolutamente, ele não tem capacidade nem pretende levar à frente. O grande risco de uma confrontação desse tipo é que o candidato do PSL comece a acreditar que pode mesmo levar adiante um projeto político e social de direita. Tomem tento, companheiros. É melhor ter Bolsonaro no governo como um sub-Sarney, destino mais de acordo com suas possibilidades e que de fato está nos seus planos, do que tê-lo assumindo o papel de Mussolini tupiniquim.

E digo isso não por temer sua performance como tal, pois, conforme já disse, para isso ele não tem cacife pessoal. O problema pode vir com as forças que podem ser levantadas com este clima de uma redenção nacional à direita, que como já dá para notar, é o mote da contraposição política do marketing eleitoral do PT neste segundo turno.
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POR José Pires

sábado, 6 de outubro de 2018

Bom senso, a terceira via da política brasileira

Desde a redemocratização brasileira, nos anos 1980, que não vem existindo espaço para dois extremos no segundo turno de uma eleição presidencial. Essa impossibilidade de extremismos ideológicos concentrarem a maior parcela da preferência dos eleitores teve influência positiva até nos momentos políticos em que o PT trabalhou com mais eficiência para uma polarização radical em favorecimento de seu projeto político e ideológico. Na primeira eleição do PT este sentimento nacional era tão forte que para ganhar a eleição Lula foi até obrigado a mudar de discurso e se comprometer com idéias contrárias ao projeto histórico de seu partido.

Em cada eleição brasileira, no final de cada campanha, às vezes no dia anterior à hora do voto, costuma surgir uma onda eleitoral criadora de um quadro onde o bom senso prevalece, com a determinação de um segundo turno que demonstra um equilíbrio entre um eleitorado que aposta em soluções radicais e neste outro tipo de eleitor, do qual estou falando, que procura preservar o entendimento, a tolerância, a necessidade de uma razoável harmonia de propósitos, sem a qual o destino pode ser o abismo, independente que para chegar lá o país vá pelo caminho da direita ou da esquerda.

É possível perceber essa vibração política positiva até no entorno da gente, com amigos repensando suas preferências, em alguns casos até abandonando tendências políticas na substituição por uma candidatura mais eficiente, mesmo que seja apenas com o objetivo de evitar maiores transtornos. Quem já viveu bastante teve a oportunidade de observar in loco essas transformações, em todo tipo de eleição. É o que parece estar ocorrendo nesses dias nesta eleição presidencial, em uma onda que pode evitar um segundo turno entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad.

Se formos avaliar com os fundamentos históricos recentes no plano eleitoral, não vai ser encontrado nada que referencie esses resultados de pesquisas que apontam para uma polarização entre esquerda e direita no segundo turno. Pelo que o Brasil viveu até agora não há espaço para Jair Bolsonaro e o PT ao mesmo tempo num segundo turno. A experiência prática demonstra que vai um ou outro, tendo como adversário uma candidatura impulsionada por esta onda eleitoral praticamente espontânea que atua como uma espécie de terceira via, com eleitores movidos basicamente pelo bom senso.

Até agora o processo eleitoral tem se movimentado dessa forma, em todas as eleições passadas. Se for diferente este ano, então terá ocorrido uma séria mudança cultural, com reflexos na organização política nacional daqui por diante, colocando o Brasil numa situação complicada. Bolsonaro e Haddad vitoriosos seria o sinal de que estão esgotadas as forças deste eleitorado de que estou falando, com o bom senso fora do segundo turno e com menor influência nas grandes decisões do país.
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POR José Pires

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Bolsonaro e Fernando Collor: as aparências enganam

Um provável governo de Jair Bolsonaro vem sendo comparado ao de Fernando Collor, que é algo que não concordo. De fato, Bolsonaro é diferente de Collor. Ainda que eu não fique surpreso se o Paulo Guedes, no comando da economia, em vez de ser um Posto Ipiranga, acabe virando uma Zélia Cardoso de Mello. Mas mesmo assim os níveis são muito diferentes. Collor foi um cangaceiro de Armani, já o tosco do Bolsonaro vai mesmo de Havan, sendo que em alguns casos serve até um supermercado Condor.

Enfim, Collor sabia cuidar da embalagem muito melhor que Bolsonaro, além de ter muito mais habilidade na manipulação do conteúdo. Também por isso, ele não fugia de debates. Ambos eram verde-amarelos, porém Collor não amarelava. De grosserias bem medidas, suas crueldades eram envolvidas nos melhores perfumes. Bolsonaro é um Collor mais raiz. Outra diferença poderá ocorrer também no clientelismo político e coisas piores que podem ser feitas em um governo. Collor contava só com um P. C. Farias, seu homem da mala. Se ganhar a eleição, tudo indica que Bolsonaro terá um monte deles.

No uso da máquina pública em favorecimento próprio, Bolsonaro terá ajuda até em casa. O nepotismo descarado, muito comum em sua carreira, permite prever que o Palácio do Planalto poderá até ganhar uma plaquinha de identificação como “ambiente familiar”. A vítima, é claro, será o Brasil acima de tudo. E com o perdão do trocadilho, que vem muito a calhar pelo uso em vão que é de costume do candidato, tudo será em nome do pai e em nome dos filhos.
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POR José Pires

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Bolsonaro: sucesso sem competição

Jair Bolsonaro não comparecerá ao debate promovido pela Rede Globo nesta quinta-feira, que já é uma tradição nas eleições brasileiras e que dá aos candidatos uma oportunidade de falar para um público mais amplo, com ganhos conforme a qualidade da participação de cada um, mas com certeza em benefício ao eleitor. Outro efeito importante está na oportunidade dos candidatos ganharem votos com um debate mais rigoroso, claro que sempre na dependência da qualidade de cada candidato na defesa de suas ideias e no questionamento aos adversários. Principalmente por esta razão já ficou comum que candidatos mais bem posicionados ou com sérios problemas fujam ao confronto. Em 2006, por exemplo, Lula se recusou a ir ao debate.

No caso de Bolsonaro, ele deixou de participar de todos os debates importantes desta eleição depois de ser ferido com uma faca, em Juiz de Fora. É difícil saber com precisão se de fato existem razões médicas para que ele não participe hoje do debate da Globo, mas de qualquer forma, ainda que comparecesse, sua participação seria em vantagem em relação aos demais candidatos, pois o ataque dramático que sofreu e sua condição de saúde dificultam questionamentos mais rigorosos. É uma tarefa difícil colocar contra a parede uma pessoa que está saindo de uma convalescença forçada por uma violência física.

Esta situação fantástica criou uma vantagem política para o Bolsonaro e coloca o país na condição inédita de ter uma eleição com um candidato muito bem posicionado em pesquisas, que durante toda a campanha não apresentou seus projetos de governo e resguardou-se de qualquer questionamento e da obrigação de explicar-se perante os eleitores. Pior ainda, a se guiar pelas mesmas pesquisas, o Brasil corre o risco de ter um presidente da República eleito apenas pelo convencimento por meio dos memes mais fraudulentos e mentirosos que já se viu nas redes sociais, um voto movido também por medos psicológicos e reais, conceitos sem nenhum fundamento e um antipetismo de pura propaganda, tudo isso instigado de maneira agressiva por seus seguidores mais fanáticos.

Independente do respeito humano merecido por qualquer vítima de violência, se Bolsonaro de fato obtiver sucesso, sua eleição se dará de forma totalmente inadequada, num tremendo desequilíbrio em seu favor, com uma desinformação total sobre o que ele pretende fazer no governo. Os outros candidatos foram obrigados a participar de debates, enfrentar entrevistas rigorosas, comparecer a palestras e encontros, nessas situações sendo confrontados com questionamentos, sofrendo críticas e até acusações. Todos tiveram que enfrentar o risco do desgaste, perante jornalistas rigorosos e plateias implacáveis.

Bolsonaro acabou sendo poupado destes e de outros compromissos desgastantes. Não teve que se submeter a compromissos que desafiam inclusive a paciência dos políticos, que, como já se sabe, nele é muito pouca. Além disso, o candidato do PSL escapou de responder perguntas sobre as obrigações de um presidente, evitando o que acaba sendo um teste de conhecimento sobre as grandes questões nacionais, o modo de melhorar o funcionamento do governo e a resolução de graves problemas nacionais. Neste último caso, o período da forçada quarentena foi um favorecimento especial ao candidato, já que nas suas poucas entrevistas antes de ser ferido ficou muito claro seu despreparo para dar respostas para as mais simples questões políticas e administrativas. O candidato ficava desesperado toda vez que tinha que responder sobre algo que não podia transferir para Paulo Guedes, seu economista, chamado por ele de “Posto Ipiranga”.

Foi neste clima bizarro que transcorreu a eleição deste ano, com um político de discurso violentíssimo, preconceituoso e intimidatório, aparecendo em fotografias e vídeos feitos em uma cama de hospital — nesta nova situação falando manso e com ares pacíficos — enquanto seus seguidores, sua equipe de campanha e até seus filhos continuavam sentando a lenha em todo mundo, repassando mentiras e ameaças. É uma situação fantástica. Mas além do que pode ser visto como pitoresco, é extremamente grave o desajuste criado na disputa política, totalmente contrário ao pleno esclarecimento do eleitor e ao exercício da democracia. Claro que o problema não existiria se a política brasileira fosse regida por um mínimo de caráter público, com o devido respeito às instituições e pela democracia. Caráter pessoal também ajudaria. Qualquer homem decente na situação de Bolsonaro abandonaria a disputa, em respeito à integridade do processo eleitoral. Num país com partidos regidos por regras e pela qualidade pessoal e política de seus membros, a substituição se faria naturalmente.

Mas todo mundo sabe que não é desse modo que isso ocorre no Brasil. Bolsonaro é candidato por um partido de aluguel, escolhido por ele às pressas quando teve a chance de ser eleito. Depois aconteceu o episódio violento em Juiz de Fora, com a anormalidade política instalada na eleição de um país pouco afeito à regras e ao bom senso na conduta pessoal e pública. E o conjunto da sociedade brasileira, já com o costume de aceitar como natural as maiores barbaridades, logo passou a aceitar como normal uma situação política extraordinária, com reflexos negativos muito graves na organização política e social do país.
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POR José Pires

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Brasil e Bolsonaro: expectativas de um futuro que seu perfil não garante

Existem os mais variados equívocos sobre o candidato Jair Bolsonaro no tocante às suas reais intenções políticas. O mais marcante é fazer dele o líder de uma transformação de direita, na liderança de um ataque rigoroso ao aparelhamento político e cultural promovido pela esquerda no país, em conjunto com uma mudança de rumo da sociedade brasileira para um caminho conservador em comportamento e liberal na economia.

Será pesada a frustração de quem tem essa expectativa. Na hipótese da sua eleição para presidente, pelo que se sabe até agora desse político a única previsão razoável encaminha para vê-lo no futuro como um sub-Sarney, cercado de problemas graves e das variadas necessidades brasileiras inadiáveis e sempre sem conclusão, tendo ao lado os políticos mais aproveitadores deste país farto em salafrários. O plano pessoal de Bolsonaro não vai muito além de prosseguir com o estupendo enriquecimento dele e dos filhos, empreendimento para o qual tem se aproveitado da política, até cair do céu para ele a possibilidade de ser presidente.

Não deve ser subestimado o estrago político que sua eleição pode provocar ao país, porém uma parcela ínfima dessa tragédia virá de uma doutrina política. Jamais colocaria em dúvida as más intenções do candidato do PSL, no entanto nada do que pode ser provocado por ele na vida brasileira virá de um propósito formalmente organizado em teoria ou numa ideologia. Ele é incapaz disso, do mesmo modo que é plenamente incapacitado para tocar um governo.

Andei vendo algumas análises que relacionam sua ascensão ao estabelecimento de um regime fascista, inclusive com alusões ao que ocorreu com Adolf Hitler, no período inicial de sua subida ao poder, no começo fazendo uso das regras políticas vigentes na Alemanha da década de 30 do século passado. Cabe lembrar que mesmo a tragédia nazista tendo sido iniciada por meio do voto, Hitler não era um fenômeno de popularidade antes de subir ao poder. Ainda protótipo de ditador, o führer animava apenas poucos parceiros de copo em cervejarias. E as diferenças não param por aí.

O grau de conturbação político-social que pode ser criado com Bolsonaro no governo, ainda mais tendo na oposição um PT que deverá regredir ao que já foi de pior historicamente, poderá de fato agitar um caldo de cultura de bom proveito para um plano de imposição de um regime que passe por cima da democracia brasileira. Mas não vejo no próprio Bolsonaro qualidades pessoais para liderar algo parecido.

Claro que isso não atenua o perigo de sua eleição, até pelo fato da tentação autoritária ter sido sempre o centro de seu discurso político. Mas se for ocorrer algo nessa linha, o problema virá de figuras ainda encobertas nessa confusão política e ideológica que empurrou o Brasil para uma condição muito delicada, que só tem similar no período anterior ao golpe militar de 1964, que desgraçadamente resultou exatamente no regime que voltou a ser assunto, de forma distorcida, numa leitura histórica totalmente errada, na memória de pura propaganda que embala esse fanatismo tosco.

Ainda que não tenha sido grande coisa no plano ideológico, até o regime de 64 possuía muito mais base de pensamento do que essa mixórdia bolsonarista gritada nas ruas e replicada nas redes sociais. E ao contrário do mito surgido da mais profunda ignorância, o que o legado dos militares na política teve mesmo de grandioso foi a inflação deixada quando saíram do poder, além de uma variedade de complicações que, como se vê, estão aí até hoje. Se vier um retrocesso a partir da eleição de Bolsonaro, ironicamente isso ocorrerá na forma do jargão marxista. Virá como uma farsa, na repetição de uma história que não deu certo.
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POR José Pires

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Bolsonaro, o desestabilizador de famílias no WhatsApp

Jair Bolsonaro tem como bandeira de campanha a exaltação da família, porém sua candidatura vem fazendo exatamente o contrário, com um dramático efeito negativo exatamente no centro desta questão. Bolsonaro vem desestabilizando a família no WhatsApp. O clima de extremismo e raiva criado com os destemperos pessoais do candidato de direita e a manipulação política feita para usar em seu favor o velho conceito petista do “nós contra eles” vem demolindo o entendimento entre familiares.

Grupos de famílias do WhatsApp tornaram-se terreno insuportável de bate-bocas constrangedores, com ofensas, acusações e ameaças. Muita gente foi para o WatsApp em grupos menores com amigos e parentes exatamente para fugir da violência dos debates no Facebook. Pois muitos desses grupos foram tomados pelo compartilhamento de ataques, mentiras e materiais totalmente fakes, que vem sendo a norma de comunicação do esquema de Bolsonaro.

Com a convivência nos grupos familiares do WhatsApp sendo atrapalhada pela propaganda política bolsonarista, muitos se veem obrigados a se desligar deste meio de comunicação criado para aproximar as pessoas. Esses ambientes tecnológicos onde famílias se encontravam em harmonia agora estão vivendo um drama que é o mesmo das ruas do país, das redes sociais ou de qualquer lugar de encontro entre as pessoas.

Este é o efeito terrível da política de Bolsonaro, que eu sintetizo no slogan “Armai-vos uns aos outros”. É o que esse político maléfico vem fazendo com o clima político no Brasil, dando seguimento à política de raiva e extremismo do PT, que é nada mais nada menos que sua alma gêmea em um oposto ideológico.

E a coisa vai piorar se o plano bolsonarista der certo, com sua eleição. Teremos então o PT na oposição e Bolsonaro no governo, com petistas e bolsonaristas se alimentando do ódio que até agora vem fortalecendo esses extremistas inimigos da harmonia e do entendimento. Imagine o inferno que esse país vai virar.

Não se engane. Bolsonaro se nutre do fel da cultura política criada no poder por Lula e seu partido. Os petistas criaram esse caldo odioso de cultura e os bolsonaristas estão se lambuzando nele. Sobre políticos nefastos, costuma-se dizer que são farinha do mesmo saco. Com Lula e Bolsonaro é diferente: são escorpiões do mesmo saco.
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POR José Pires

Lula e seus laranjais

O ex-presidente Lula é realmente um proprietário singular. Tudo que é dele está em nome de outro. Como se sabe, o chefão petista tem o projeto de colocar Fernando Haddad como laranja em um governo seu, depois de ter Dilma fazendo esse papel durante um mandato e meio.

E agora apareceu outra propriedade rural em nome de terceiro. Fica no ABC paulista. No processo de partilha de bens de Lula e dona Marisa, sua defesa anexou um certificado de cadastro deste imóvel rural. Acontece que está em nome de outra pessoa.

Os advogados do condenado por corrupção e lavagem de dinheiro não sabem explicar porque a propriedade está em nome de Henrique Cuzziol. Eles afirmaram à Justiça que Lula também não sabe quem é o sujeito. É a conversa de sempre. O chefão vermelho cercado de laranjas sempre teve de tudo, mas nunca sabe de nada.
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POR José Pires

domingo, 23 de setembro de 2018


Chefões e consiglieris, nos filmes e na política

É uma eleição cabulosa, em todos os sentidos, esta que o eleitor brasileiro está quase literalmente tendo que enfrentar. No geral, não é fácil encarar as opções apresentadas, por isso é necessário muita atenção na decisão do voto, com preocupação até com questões básicas, nesta realidade de uma bizarrice espantosa que virou a política brasileira, onde já faz tempo que até a honestidade tornou-se um atributo especial.

E atualmente também a boa educação virou um requisito essencial na escolha do candidato. Eu sei que é absurdo considerar essa qualidade para votar em alguém, mas no país em que já existe o despropósito da honestidade ser tão rara que acabou fazendo parte inclusive da propaganda de candidatos, agora temos que observar se o candidato respeita o próximo, se ele aceita ou ao menos ouve críticas e até se não dá um tapão ou atiça seus seguidores ao ataque feroz nas redes sociais.

Este desrespeito pode ser avaliado até como uma condição técnica, em candidatos que atropelam a fala de entrevistadores em programas de entrevistas, com a falta de respeito até ao ritmo de um diálogo jornalístico, no qual não cabem longas exposições em formato de palestra, nem muito menos o lero-lero para escapar do questionamento. O falatório destrambelhado como escapatória é um insulto ao eleitor.

Numa sociedade com razoável equilíbrio seria desnecessário apontar como absoluta má qualidade jogadinhas bobas, como alegar de forma negativa a condição política ou financeira do veículo no qual está sendo entrevistado — pois então caberia perguntar por que o espertalhão está lá — e até da vida pessoal do jornalista. E cabe acentuar que não vale xingar em palanques, afrontar jornalistas e eleitores, desrespeitar a relação interpessoal com colegas parlamentares, tratar mal pessoas que estão fazendo seu trabalho, tudo isso deve ser avaliado como uma baciada de péssimas qualidades.

O mau comportamento pode até parecer relativamente inofensivo diante de tantas barbaridades na política, podendo inclusive ser tido como expressão de grande habilidade mental do mal educado, mas não é bem assim. Bolsonaro, Haddad e Ciro Gomes fazem isso o tempo todo, mas não é por terem mais qualidade retórica. Essa jogadinha boba qualquer um faz. É certeza que Alckmin, Amoêdo e Marina, além de Alvaro Dias, todos os quatro tem até muito mais habilidade retórica do que os já citados. É por terem senso de responsabilidade que eles não entram nesse esquema cretino de usar acusações para fugir do assunto. O certos políticos costumam fazer não tem mérito algum. Ao contrário, é um abuso contra regras básicas do diálogo, cujo ritmo num trabalho profissional cabe ao entrevistador e não ao entrevistado.

A fuga ao assunto, com jogadinhas que envolvem a vida do entrevistador e a situação dos veículos jornalísticos é um sinal de sérias dificuldades psicológicas para encarar questões importantes. Sem dúvida nenhuma, isso vai ser pior depois, no futuro, caso o mal educado ganhe a eleição. Ao votar em alguém, não pense que o poder irá melhorar este político. Eles pioram. E está aí o Lula e uma porção de companheiros dele que não me deixam mentir. Essa atitude de fuga do debate sério das questões nacionais e dos enroscos políticos de cada um permanecerão ativas no poder, com o agravante do desavergonhado dispor então da maquina governamental para impor sua vontade. O brasileiro deveria saber como isso funciona. Lula e seu partido, como eu já disse, de forma calculada colocaram em prática essa pressão sobre a sociedade, procurando impedir o debate sobre seus erros e malfeitos.

Outra consequência do político apontar o dedo para os outros para não ter de comentar seus próprios defeitos é a influência sobre a opinião pública, efeito já em andamento a partir do comportamento dos candidatos em campanha. Isso contamina a visão dos eleitores, alterando o comportamento da população para um padrão violento e de desrespeito a opiniões contrárias. Já estamos vendo isso na balbúrdia das redes sociais e nas amizades rompidas pelo que deveria ficar restrito a uma simples discussão política.

Mas sigamos adiante. Não basta que o candidato seja bem educado e respeite regras básicas do diálogo. Em conjunto com a boa educação, cabe ao eleitor avaliar com rigor a real representatividade e independência pessoal do político. Alguns fingem muito bem. Um candidato pode ter o costume de ser educado nas relações, com a oportuna frieza para não alterar a voz nem se exaltar nos argumentos, mesmo em situação de clara provocação. Esse tipo suporta mesmo pegadinhas idiotas que hoje em dia são feitas absurdamente até por jornalistas. Existem especialistas para ajudar a desenvolver este desempenho.

Pode-se dizer que é a personalidade de “consiglieri”, aqueles assessores da máfia que faziam o papel de intermediários do interesse do chefão. Não é preciso ter um padrinho, mas alguns deles têm até isso. E quando acontece de um motivo de força maior exigir que o consiglieri tenha que atuar no papel principal, são os azares da história. Ou melhor, da História, com maiúscula.

Em “O poderoso chefão”, de Francis Ford Copolla, o papel de consiglieri é interpretado pelo ator Robert Duvall, numa atuação admirável. Ele é Tom Hagen, que além de secretariar diretamente os negócios mafiosos era quem levava a alguém uma decisão irrefutável encaminhada educadamente como uma oferta do padrinho, que na inesquecível performance de Marlon Brando, dizia que o consiglieri era o portador de uma proposta que a pessoa “não poderá recusar”. Parece com certo tipo de proposta que ouvimos hoje em dia, não é mesmo? Mas, no filme, um pedido feito de forma diplomática por Tom Hagen é repelido por um produtor de Hollywood, terminando numa cena memorável da história do cinema, quando ele acorda numa manhã ao lado da cabeça decepada de seu cavalo premiado. Sei que o símbolo é forte, mas não é muito mais escabroso do que certos projetos para o futuro do país.
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POR José Pires