segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Veja, Folha de S. Paulo e seus assinantes bolsonaristas e petistas

Bolsonaristas em polvorosa afirmam que vão cancelar assinaturas da Veja e da Folha de S. Paulo. Bem, para cancelar a assinatura de uma publicação, antes é imprescindível tê-la. E pelo nível de informação desse pessoal mais enlouquecido com esta eleição eu duvido que eles leiam qualquer coisa regularmente. Não vale meme, viu? E quando falo sobre esta absoluta falta de base até nas questões mais básicas da nossas história recente, coloco no mesmo balaio a ignorância de petistas e bolsonaristas.

O chefão de um dos lados seria capaz de dizer que não servem nem para procriar, o outro chefão xingaria de fascistas. Para ambos, é claro que a ignorância é só no lado adversário. E eu tenho que dizer que salvam-se muitos, já que deixei claro que a ignorância toma conta é dos "enlouquecidos". Por exemplo, o petista ou o bolsonarista que me lê neste momento são de uma admirável inteligência. Volte sempre, obrigado.

Mas sobre o cancelamento de assinaturas da Veja e da Folha, faz tempo que ouço essa conversa, que costuma vir em ondas esparsas, conforme certas matérias ou capas, mas num movimento persistente, de modo que é espantoso que a Veja e a Folha ainda estejam sendo publicadas. Antes os petistas, agora os bolsonaristas, o número de cancelamentos deve chegar a muitos milhares. Que sufoco. Deve ter um terceiro setor do pensamento brasileiro que mantém essas publicações.
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POR José Pires

A estrela do clã Bolsonaro

Quando esteve pelejando para encontrar seu vice, Jair Bolsonaro chegou a cogitar de ter um príncipe como parceiro, ideia que acabou não vingando. Mas se vê que o candidato do PSL já tem um príncipe em casa. É o deputado Eduardo Bolsonaro, um dos filhos que pegando a rabeira da popularidade do pai fazem muito sucesso na carreira política. O deputado eleito por São Paulo foi um dos políticos que tiveram uma grande votação nesta eleição, ele ainda mais porque durante a campanha de primeiro turno era presença preferencial ao lado do paizão. Nepotismo é um dos grandes defeitos de Bolsonaro e o interessante é que este assunto não apareceu em entrevistas nem nos poucos debates que enfrentou. E depois das facadas que recebeu em Juiz de Fora, o candidato livrou-se de qualquer questionamento.

O príncipe de Bolsonaro deu trabalho ao pai nesta semana com a estúpida afirmação de que basta “um cabo e um soldado” para fechar o STF. É o tipo de declaração que poderia causar um sério estrago nesta altura da eleição, caso Bolsonaro tivesse outro adversário e não Fernando Haddad e seu partido, do qual nem se pode dizer que tem história: é folha corrida. O PT acabou sendo um meio que adultera o efeito de qualquer mensagem, sempre em favor do adversário. Isso vem facilitando abafar a fala de Eduardo Bolsonaro, que começou com um forte puxão de orelha dado pelo próprio candidato, dizendo que “se alguém falou em fechar o STF precisa consultar o psiquiatra”. Mas a melhor espinafrada foi do vice Hamilton Mourão, que praticamente chamou o deputado de moleque. Ele disse que a fala foi um “arroubo juvenil”. O moleque do Bolsonaro já está com 34 anos.

A fala do deputado boquirroto está em um vídeo de um mês atrás, desencavado por adversários. Mas o processo político é assim mesmo. O estrago só não é grande para Bolsonaro porque a disputa é com o PT. Além disso, se ataques estivessem funcionando bastaria dar uma passadinha no Twitter do deputado para colher muita munição. A página de Eduardo Bolsonaro é um amontoado de sandices, sendo ele próprio um notório arrumador de encrencas. Antes de Bolsonaro tornar-se um presidenciável de peso ficou famosa a fotografia do visor de seu celular, com o pai dando um esporro no filho em uma mensagem de WhatsApp. Eduardo estava em viagem para Miami exatamente no dia em que o pai se candidatava à presidência da Câmara. Só teve o próprio voto. Recentemente apareceram denúncias também do uso de verba da Câmara para viagens de recreio de Eduardo.

O filho do presidenciável é o deputado mais votado na história do país, com 1,75 milhão de votos, mas é quase tudo voto despejado pelo fenômeno eleitoral encarnado em seu pai, de modo que a enormidade de votos não vem de um mérito político próprio. O destaque de Eduardo se deu mais em razão do estilo parecido com o do pai. Segue a mesma linha de ataques moralistas ao PT e às polícias de minorias. Não tem habilidade como articulador e tampouco liderança entre os parlamentares. Ao contrário, sendo um estourado, caso Bolsonaro se eleja presidente outras encrencas políticas podem surgir a depender da personalidade do filho. Só para ter uma ideia de sua idiotice, naquele episódio da cusparada de Jean Wyllys em Bolsonaro, no mesmo vídeo aparece Eduardo correndo e também cuspindo no deputado do Psol.

Se for presidente da República, Bolsonaro terá de resolver esta questão familiar, até pelo fato da bancada de seu partido não ser de fácil manejo. Jornalistas e articulistas andam exaltando demais a quantidade de votos dessa bancada bolsonarista sem sobrepesar na avaliação a baixa qualidade política e moral dos eleitos. Escutem o que digo: nesta bancada, entre o toma-lá-dá-cá pode sobrar até uns tabefes. Isso deve influenciar bastante na imagem do provável governo Bolsonaro, afetando o trânsito político no parlamento federal e entre a sociedade.

Claro que o filho falastrão de Bolsonaro pode ter um papel especial nessa imagem negativa, não só aqui como no exterior. É no estrangeiro, aliás, que um provável governo Bolsonaro terá de empreender um esforço sério de relações públicas. A coisa está feia e o menino de ouro não ajuda. Ele já faz sucesso no exterior, como mostro na imagem desse post. A matéria é do jornal espanhol El Mundo, que publicou um perfil de Eduardo Bolsonaro, no qual traz uma amostra de seu pensamento grosseiro, lembrando inclusive problemas com uma ex-mulher. Falam também do espantoso crescimento do jovem deputado. Na reportagem, Jair Bolsonaro é identificado como político de extrema direita.

Como se costuma dizer, o filho do presidenciável fica mal na foto. Péssimo mesmo. E cabe dizer que El Mundo não é nem um pouco de esquerda. O texto é todo embasado em fatos, com um apanhado aquela porcariada da família Bolsonaro que tomamos conhecimento o tempo todo aqui no Brasil. Na matéria, o arranjo político familiar entre o político eleito e seu pai, provável presidente do Brasil, faz do nosso país um lugar igual a essas pitorescas republiquetas latino-americanas da literatura fantástica. Para bolsonaristas se arrepiarem, é algo como uma Nicarágua de direita. Isso não é nada bom politicamente nem comercialmente, ainda que um ou outro bolsonarista assanhado pelo clima eleitoral ache que a preocupação não é válida. Está aí uma questão problemática que já deve bater nos primeiros dias na mesa de Bolsonaro, caso ele suba a rampa do Palácio do planalto.

domingo, 21 de outubro de 2018


Antipetismo e Bolsonaro, nascidos um para o outro

Embora tenha usado durante muito tempo a propaganda e a desinformação, parece que o PT não pegou muito bem uma máxima indiscutível da comunicação política que afirma que o efeito da mensagem se dá mais pela percepção emocional do que pela lógica do conteúdo. Os petistas estão tendo disso um conhecimento prático muito interessante, numa situação até engraçada. Pegando aquela descoberta de Marshal Mcluhan, de que “o meio é a mensagem”, pode-se ver que neste segundo turno o partido esquerdista vem funcionando como um meio que adultera qualquer mensagem, sempre em benefício de Bolsonaro.

Torturador, homofóbico, racista, misógino, antidemocrático, até fascista, não importa: o meio usado para difundir os ataques é o partido que enfiou o Brasil num buraco de fundura até agora inesgotável. Todo ataque petista ao candidato do PSL estimula no eleitor a compreensão (falsa ou genuína, não importa; com a percepção alheia não se brinca) de que ele é o homem certo para combater um mal, gerado pelo próprio PT. O meio é a mensagem, repito. Quanto mais forte a cacetada petista, maior identificação do eleitor. O sucesso de Jair Bolsonaro, caros — ou melhor, caríssimos — companheiros, nasce dessa simples percepção e não de uma conspiração de direita, de cunho fascista, como vocês vivem falando, plano que constaria de um retrocesso político depois de alcançado o poder.

Bem, a regressão a uma ditadura infelizmente não está fora de cogitação num país abalado moralmente e arruinado em sua economia, como acontece atualmente com o Brasil. No entanto, esta regressão não está na dependência da vontade de Bolsonaro ou de qualquer outro político. A bem da verdade, colocando aqui uma opinião minha, Bolsonaro se bastaria em ser um sub-Sarney, mas nada impede que ele seja influenciado pela ilusão de que pode conduzir um poder autocrático em um projeto revestido da falsa ideia de redenção nacional. Mas até aqui, ele segue a onda, como vinha fazendo nesses quase trinta anos de carreira. Ocorre que a fragilidade da democracia brasileira se deve ao mau estado das instituições, precariedade de lideranças, educação de péssima qualidade, da corrupção e até da falta de dinheiro, que vem impondo aos brasileiros uma vida cada vez mais miserável e violenta, da qual evidentemente não pode nascer coisa boa.

Nesta lista da tragédia institucional brasileira creio que se tiver vergonha na cara até um esquerdista poderia reconhecer a responsabilidade do ciclo de governos do PT, partido que pode até não ser o autor exclusivo desta realidade dramática, mas é responsável pelo brutal agravamento da maioria dos problemas e também pela sistematização de alguns deles, como a corrupção, para qual o partido do Lula deu até um status ideológico. Mas o efeito negativo para o PT independe do ponto de vista esquerdista. Vibra no ar uma consciência coletiva de parte decisiva dos brasileiros, na maior parte motivados a votar em Bolsonaro apenas pela circunstância e não por serem pessoas do mal. Nesta consciência está a forte rejeição, que criou um voto de protesto ao partido que deu origem à sérias complicações que não exige conhecimento sócio-econômico para compreender.

Eu sei que o materialismo histórico marxista é um vício, porém aplicado em ações com objetivo de prazo muito curto, como é o caso de um segundo turno, esse vício pode virar um veneno que anula qualquer mensagem, por mais inteligente e até justo que seja seu conteúdo. A percepção óbvia do eleitor brasileiro é de que é preciso encontrar um caminho para que o Brasil possa ao menos levantar e sacudir a poeira, reação sem a qual nem dá para começar a pensar no que fazer para o futuro. Só os petistas não vêem que nesta percepção está muito claro que o PT só cabe como  uma opção desastrosa. Pode-se chamar isso de “antipetismo”, mas na verdade a repulsa política é nada mais nada menos que a atuação plena do instinto de sobrevivência de quem tem o bom senso de lembrar como foi a entrada do Brasil nesta pirambeira econômica, com tamanho desgaste moral e político.

Portanto, petista batendo no adversário tem o efeito já bastante conhecido do jargão do padeiro fazendo o mesmo literalmente com a mão na massa, que como todos sabem, tende a crescer. Não vou tratar aqui da forma que o PT teria de usar para resolver esta complicação. Não existe pulo do gato em política. É um trabalho de longo prazo, que no caso do PT teria de incluir atitudes decisivas que exigiriam a confrontação com simbologias essenciais do partido, além, é claro, de encarar negócios e alianças escusas que deixaram os petistas com o rabo preso aqui e no exterior.
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POR José Pires

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

A Folha de S. Paulo e as pautas do PT

Entramos nesta sexta-feira à espera de que a edição de hoje da Folha de S. Paulo trouxesse provas da denúncia sobre compra ilegal de pacotes de WhatsApp em apoio a Jair Bolsonaro apresentada ontem em reportagem com manchete de capa. Mas o assunto continua do mesmo jeito. A matéria da Folha é muito grave para ser aceita do jeito que está, sem absolutamente nenhuma prova. Do mesmo modo, a ação do PT junto ao TSE é ainda mais grave. Baseado apenas na reportagem do jornal, segue o método irresponsável do partido do Lula. O desrespeito institucional é o de sempre, mesmo numa situação que expõe de forma negativa o Brasil mundialmente. Mas aí também é algo comum, na rotina das ações do PT para acabar com a imagem brasileira no exterior. Depois de ser flagrado na roubalheira, do segundo mandato de Dilma para cá o PT reagiu acionando seus cupinchas no exterior para fazerem protestos e reportagens, oferecendo ao mundo uma visão do Brasil como uma republiqueta latino-americana das mais vagabundas.

No caso desta denúncia da Folha, a partir de uma reportagem até aqui sem provas, Haddad já deu entrevistas pedindo a anulação da eleição, exige a cassação da candidatura Bolsonaro e quer que chamem o terceiro colocado, Ciro Gomes. Ele sabe que é um exagero, porque não existe forma legal de atender à sua vontade. Mesmo se for verdadeira a ilegalidade relatada pela Folha, existem trâmites obrigatórios da ação judicial no TSE, cujo andamento não segue o ritmo acelerado exigido pela pauta eleitoral do PT. Especialistas acreditam que leve pelo menos um ano até o julgamento.

Haddad sabe muito bem disso, assim como toda sua equipe e os dirigentes de seu partido. Na verdade, os petistas estão novamente usando o Judiciário para pautar a opinião pública. Fizeram isso durante todo o processo de impeachment de Dilma Roussef e depois deram continuidade durante as encrencas de Lula com variados crimes. Fizeram chicana até no STF, além de plantarem notícias absurdas, inclusive no exterior. E agora, neste curto período até a eleição, apelam de forma irresponsável para o mesmo recurso, que serve inclusive para pautar o programa petista no horário eleitoral. A jogada é toda estudada. A campanha poderia simplesmente fazer uma acusação a Bolsonaro. Porém, o efeito não seria tão impactante como agora, quando o partido pode usar vasto material jornalístico para “fundamentar” a propaganda eleitoral.

O plano parece perfeito. O PT age como pauteiro da sociedade brasileira e beneficiário dessas pautas. Não foram os petistas que inventaram isso. A técnica é antiga. Foi muito usada no Brasil pelo Partido Comunista Brasileiro, o antigo “Partidão”, em manobras que persistiram inclusive durante a ditadura militar. Antes disso, a pauta era da União Soviética, em plena revolução comunista nos anos 30 e 40 do século vinte, quando o Kremlin agia para dominar a política e a cultura na Europa por meio de artistas e escritores, lançando seus braços inclusive para os Estados Unidos. Mas eu disse que o plano apenas “parece perfeito”. Pode dar chabu, como se observa na realidade brasileira recente, que vou resumir em um fato: Lula fez a mesma coisa e está preso.

O papel tomado pelo PT como pauteiro da sociedade brasileira engloba inclusive o nosso futuro político. Já estão procurando montar um quadro social num provável governo de Jair Bolsonaro, de antemão estabelecendo pautas que garantam ao partido a hegemonia da oposição. O PT quer tudo para si: no poder ou na oposição. O objetivo evidentemente é tornar um inferno o próximo governo, armando o regresso ao poder em 2022 ou até mesmo antes. Os petistas querem que o próximo ano comece sob a ameaça de mais um impeachment. Não importa aos companheiros de Lula a condição em que já está o nosso país, próximo da inviabilidade como nação se não forem resolvidos questões graves que, por sinal, vieram dos governos petistas. O compromisso do PT não é com o Brasil. O país é um mero objeto de pautas do projeto de poder do partido.
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POR José Pires

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

O Psol na defesa da democracia

O Psol entrou nesta quinta-feira com pedido no TSE para suspender o funcionamento do WhatsApp ou restringir funções do aplicativo até o fim desta eleição. Segundo o partido, a medida serviria para coibir a disseminação de notícias falsas.

É isso mesmo que você leu. Não é fake news. Para combater a disseminação de notícias falsas o partido esquerdista encontrou a genial solução de fechar o Whatsapp até que todos votem. Não posso dizer que esta é a ideia mais idiota da esquerda porque esse pessoal costuma se superar. Mas temos com certeza uma das piadas prontas mais perfeitas: para defender o eleitor dos inimigos da democracia o Psol quer calar todos os eleitores.
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POR José Pires

O PT com a mão na Constituição dos outros

O PT é conhecido por roubar obras dos outros, fazendo isso até com criações boicotadas por seus dirigentes e atacadas com ferocidade por seus militantes. Foi assim com o Bolsa Família e também com o Plano Real. Pois nesta quinta-feira os larápios passaram a mão em outra obra que se dependesse deles não existiria. Desta vez foi com a Constituição Brasileira que exerceram sua notória hipocrisia, em evento eleitoral promovido na tentativa de fazer deslanchar a candidatura empacada de Fernando Haddad.

Em evento com apoiadores da área do Direito, Haddad levantou para o alto um exemplar da Constituição Brasileira. E fez isso sem fazer nenhuma mea culpa. Toda vez que um petista se apoiar na Constituição, que fazem sempre exclusivamente em interesse próprio, é preciso lembrar que se dependesse do partido do Lula o Brasil não teria sequer terminado de redigir sua Constituição em 1988. Na época os petistas estavam na oposição e faziam política no estilo furibundo do “quanto pior, melhor”. Estavam ainda mais firmes   no seu projeto de muitos direitos e nenhum dever.

Durante os trabalhos da Constituinte, com uma bancada nanica de apenas 16 deputados o PT fez barulho demais. Apelou para intimidações, insuflou trabalhadores contra parlamentares de outros partidos, usou sindicatos e imprensa para atacar a reputação de políticos que buscavam o consenso. Muito tempo depois, no aniversário de 25 anos de promulgação da Carta, com o PT ainda no poder, Lula comentou a atitude de seu partido, afirmando que se os projetos apresentados pelo PT durante a Constituinte fossem aprovados o Brasil seria “certamente ingovernável”.

Na época, os petistas jogavam pesado, com a irresponsabilidade costumeira, sem nenhuma preocupação com a estabilidade política do país. O processo de democratização ainda estava no começo. Os militares haviam saído do poder apenas três anos antes. Derrotada nas suas tentativas de emplacar propostas radicais, a bancada petista — da qual Lula fazia parte como deputado — ameaçou não assinar a Constituição, como posso comprovar na imagem com o recorte do Jornal do Brasil, dos meus arquivos implacáveis.

A teimosia petista perdurou até o prazo final. O partido do Lula votou contra o projeto do relator, mas a contragosto acabou assinando a Carta. Se dependesse deles, vale repetir as palavras do chefão do PT, “o país seria certamente ingovernável”. A verdade histórica é que se petista tivesse vergonha não botava a mão na nossa Constituição.
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POR José Pires

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

A combativa vida de ativista de rede social

As redes sociais são ótimas para levantar a auto-estima. Em que outro lugar você pode ser antifascista sem ter que enfrentar na mão um grupo de fascistas? Sai pra lá, seu fascista! Vai encarar? Mais que isso, não existe nenhum outro lugar onde seja possível se solidarizar com miseráveis de todo tipo sem ter que conviver com nenhum deles, ouvir diretamente suas queixas e nem pisar nos lugares onde eles padecem. É muito prático ser um São Francisco digital. E bem mais limpo.

É o milagre dos perfis combativos, que multiplica sua valentia por mil, abre seu coração para toda a humanidade, torna você um ativista com um toque de mouse. Eu já vi de tudo passar pela minha frente. Sou do tempo dos "guarani-kaiowá" Não sei alguém ainda lembra, mas já foi uma tribo que tomava as redes sociais. Parece que foram extintos. Ainda vejo de vez em quando alguns desgarrados por aí.

Ultimamente tem aparecido muita coisa surpreendente, mas me parece que o imbatível é o "Se fere minha existência, eu serei resistência". Tenho orgulho dessa gente. E inveja pelo dinheirão que eles devem economizar de analista com uma frase dessas no perfil. Pessoal porreta. E evidentemente do bem.

Agora com a ferrenha luta desse segundo turno, muita coisa interessante vem aparecendo. Frases, logotipos, estou de olho em tudo. É a sociologia das frases feitas e dos logotipos bravateiros. Tem os que valem por uma tese. Mas alguns são uma interrogação. Nesta semana topei com uns perfis com a frase "Antipetistas contra Bolsonaro". Estou até agora tentando descobrir o objetivo desses abnegados. Será que vão votar na Marina neste segundo turno?
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POR José Pires

Levy Fidelix, do aerotrem a homem de ideias de Bolsonaro

Levy Fidelix, esse mesmo, o candidato do aerotrem com quem a Luciana Genro gostava de debater, apareceu com uma ideia estonteante na área da segurança. Fidelix, que é dono do partido do vice de Jair Bolsonaro, já disputou uma porção de cargos e nem dessa vez conseguiu se eleger para deputado federal, mesmo com o fenômeno Bolsonaro levando vários salafrários na rabeira para a Câmara — teve apenas 23.113 votos.

Mesmo sem boa votação, Fidelix continua uma usina de idéias. Sua proposta é a utilização de navios-presídio para evitar fugas. Que sacada, não? E vem mais dessas por aí. Em entrevista ao jornal O Globo ele disse que “partido coligado não vem para se coligar à toa, vem para somar ideias”. E falou que já está discutindo algumas ideias com o candidato.

Está aí algo que ninguém pensava: Levy Fidelix como uma das cabeças-pensantes de um provável governo Bolsonaro. Bem, tem por aí algumas pessoas com medo de um retrocesso político com a vitória dele. Até o momento não existem elementos sólidos para esse temor, mas uma coisa pelo menos é garantida se ocorrer um desastre do tipo. A ditadura do Bolsonaro vai ser muito mais engraçada que a ditadura militar de 64.
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POR José Pires

Cid Gomes brilha no programa de Bolsonaro

O programa eleitoral de Jair Bolsonaro usou a gravação na qual Cid Gomes faz a autocrítica do PT, bem no estilo das repreensões nos velhos partidos comunistas quando ainda existia a União Soviética. Sim, crianças, antigamente a esquerda sentava alguém frente a um tribunal improvisado dirigido pela chefia do partido e fazia a autocrítica do infeliz. E sorte do militante se o partido estivesse num país com uma democracia burguesa, senão o militante seria fuzilado.

Mas eu dizia que o programa do Bolsonaro usou o vídeo em que o irmão do Ciro Gomes diz a frase "O Lula está preso, babacas!" que deve marcar essa eleição. E usou muito bem. O programa do candidato do PSL vem sendo produzido de uma forma eficiente, sem perder de vista que são dois os candidatos num segundo turno. Sei que o foco é muito óbvio, mas é que o PT vem descuidando disso. Haddad tem feito um programa que gira em torno do umbigo petista. E o pior é que querem convencer o eleitor de que é um belo umbigo.

Mas não vamos perder tempo com problema de foco de um partido que na véspera de uma eleição fundamental na sua existência ficou colado exclusivamente nos problemas criminais do Lula. O fato é que Bolsonaro usou o vídeo de Cid Gomes gritando para a militância petista que o PT vai perder a eleição. De imediato, o próprio Cid entrou com ação pedindo para o TSE proibir a exibição dele falando verdades sobre a arrogância petista.

E é claro que com isso criou um fato novo. Mas não acho que o irmão do Ciro estivesse querendo dar uma esquentada no assunto. Não vou levantar aqui uma teoria conspiratória, como se o objetivo desse pedido fosse para prejudicar ainda mais os “babacas” do PT. Na minha opinião, Cid Gomes pediu a suspensão do uso do vídeo no programa do Bolsonaro pelo mesmo motivo daquele destrambelho na casa dos outros, que parece ser uma questão genética da família Gomes: ele é abilolado. Só o PT levou tanto tempo para tomar consciência disso. E foi em péssima hora.
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POR José Pires


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Imagem: Sem teorias da conspiração, torcedores dos dois lados, mas a foto é do dia em que, como
ministro de Dilma, Cid Gomes foi à Câmara se explicar e xingou ainda mais os deputados, piorando
a crise com o Congresso e acelerando o processo de impeachment.

Foto de Gustavo Lima - Câmara

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Cid Gomes e sua autocrítica do PT

Quando eu digo que as coisas andam de um jeito tão torto na campanha de Fernando Haddad que até parece que Jair Bolsonaro infiltrou alguém dele na equipe petista pode parecer exagero, mas como é que se explica esse negócio de chamarem Cid Gomes para discursar em ato público da campanha? Fizeram isso no Ceará e claro que tomaram na cabeça. Foi na noite desta segunda-feira. Cid Gomes discutiu com a platéia petista, gritou que o PT vai “perder feio a eleição”, exigiu mea culpa do partido do Lula e disse que os petistas vão perder “porque fizeram muita besteira, porque aparelharam as repartições públicas, porque acharam que eram dono de um país, e o Brasil não aceita ter dono, é um país democrático".

Eu sei que esquerdista tem problema com memória de longo prazo — esquecem os crimes de Stalin, pensam que a luta armada era pela democracia, acham que Che Guevara tinha ternura, essas coisas. Mas encrenca com o irmão do Ciro Gomes é memória recente. O atual senador eleito pelo Ceará foi ministro da Educação no segundo governo de Dilma Roussef, interrompido no meio pelo impeachment. Dilma tinha aquele slogan esquisito de “Pátria educadora”, que ela tornou ainda mais bizarro nomeando Cid para o ministério que teria o papel de educar a mãe gentil. Logo quem foram colocar no papel de educador.

Bons modos não é com ele. Do mesmo modo que seu irmão Ciro Gomes, Cid diz umas coisas que às vezes ate dá para concordar. O problema é a hora e o lugar que ele escolhe para dizer algumas verdades. Dilma já estava com a oposição em seus calcanhares. Os ouvidos dela zuniam com panelaços pelo país afora. Foi quando Cid disse numa cerimônia oficial que “a Câmara tem 300 a 400 achacadores” e de imediato recebeu uma convocação oficial para explicar-se perante os deputados. Até a base aliada de Dilma votou a favor. Todo mundo queria a explicação. Ele teve que ir e fez a situação piorar para o governo petista, agravando a crise com o Congresso. Da tribuna, deu de dedo no presidente da Câmara, que era Eduardo Cunha, reafirmou o que havia dito e ainda falou mais algumas coisas. E evidentemente acelerou o processo de impeachment. Isso foi em março de 2015, quando Cid teve que pedir demissão. O boquirroto ficou menos de três meses no cargo.

Este é o cara estourado que resolveram colocar para discursar em evento da campanha do PT, com Haddad já repleto de problemas numa candidatura que vem dando chabu. O PT devia estar satisfeito do Ciro Gomes estar longe no estrangeiro, mas aí alguém teve a ideia de chamar o irmão dele para dar uma força pra campanha. Pode ter outra explicação para o deslize, mas é tão grande a besteira que não se pode descartar a presença de agente bolsonarista infiltrado.
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POR José Pires

Bolsonaro e Haddad: programas eleitorais que se completam

Não sei se quem está fazendo o programa de TV de Jair Bolsonaro chegou de propósito ao formato totalmente tosco ou é resultado de talento natural, mas é mais ou menos isso mesmo que é para ser produzido para o candidato do PSL. Muita gente simples falando, mensagens absolutamente fáceis que, como diz um dos cabeças da campanha que conhece como ninguém o público do Bolsonaro, o vice e general Hamilton Mourão, para entender “não precisa ser muito inteligente”. Em certos momentos a estética bolsonarista chega a níveis artísticos de Primo Carbonari.

Para quem não sabe do que estou falando e também como uma informação para esta tigrada que diz gostar da ditadura de 64, Primo Carbonari era um picareta dono de produtora que aproveitou-se de uma lei da ditadura militar em defesa do cinema nacional — sim, meninos, a ditadura tinha suas “rouanets” — para ganhar bastante dinheiro entulhando as salas de cinema de então com curtas-metragens feitos do modo mais amador que se pode imaginar, trash mesmo, que eram exibidos antes do longa-metragem. Bolsonaro devia ter feito um projeto como deputado homenageando este “cineasta” modelo da cultura da ditadura militar, mas sempre é tempo de cultuá-lo melhor.

Não é só pelo fator simbólico da regressão mental da cultura bolsonarista que esta linha Primo Carbonari é perfeita. Não há necessidade de apresentar propostas de governo, boas falas do candidato, imagens bem produzidas de colheitas, imagens de indústrias, pessoal limpinho em laboratórios de pesquisa, político bacana e poderoso dando um alô antes de ir pra cadeia ou então já cumprindo pena. Essas coisas de horário eleitoral não fazem efeito melhor do que ter um adversário com um kit gay e um Foro de São Paulo. Está bem, eu sei que não existiu nenhum kit gay, porém, do mesmo modo, nunca houve antes na história deste país um candidato como Bolsonaro.

A força de Bolsonaro vem exatamente  de ninguém saber o que de fato ele pretende fazer em um governo. Seu vigor é alimentado apenas de expectativas, sem nenhum pé na realidade. Sei que o pesadelo será duro quando seus eleitores acordarem, mas paciência. Democracias precisam tolerar também jabuticabas. Por mais absurdo que possa parecer — ou por isso mesmo — o suporte do candidato é exatamente esta ilusão, digamos, “pirandelliana”, que faz cada eleitor acreditar que ele é o que lhe parece. Isso é de utilidade ainda mais eficaz na contraposição com Haddad. A rejeição de Haddad não vem do que ele pretende fazer. O eleitor não gosta é do que o PT já fez no poder. E como esses feitos não podiam faltar no programa do PT, basta o programa de Bolsonaro compor o ataque, sem desperdiçar tempo com a referência.

A interação é perfeita. Isso causa até a impressão de que a campanha de Haddad tem a forte influência de alguém infiltrado de forma estratégica pela turma do Bolsonaro. Não quero estimular teorias conspiratórias, mas será que é a Gleisi Hoffmann? O PT continua insistindo em usar jovens descolados como intermediários de suas mensagens. Faz tempo que o partido de Lula insiste nisso. E embalados nos últimos anos pela máquina incrivelmente forrada de grana — que conforme o petista que controlava o caixa dois, ex-ministro Antonio Palloci, era o triplo do oficial — os petistas não notaram que essa molecada de cabelo semi-afro de boutique e essas figuras com jeitão empoderado não são exatamente do agrado das nossas vilas, dos bairros da periferia, da juventude que leva a vida de forma decente, sem grudarem-se em ONGs picaretas de esquerda nem saírem sujando os muros, casas e lojas da vizinhança com mensagens vazias. O jovem que ocupa escolas para estudar, se é que me entendem, este está noutra.

A campanha de Bolsonaro tem dois programas. O dele próprio, que como eu já disse, traz um regresso cultural à época da ditadura militar. Mesmo se não for uma estética planejada, ainda assim é coisa de gênio. Glauber Rocha — não vou parar para explicar quem é — ficaria histérico de felicidade com a sacada estética. E Bolsonaro conta também com o programa do Haddad (insisto: a bolsonarista quinta-coluna será a Gleisi?), onde o PT faz um retrospecto de suas façanhas, ou pelo menos o que eles pensam ser um retrospecto, mas que na memória da maioria dos brasileiros não passa de folha corrida, inclusive com o chefão no xilindró em Curitiba. É de uma estupidez colossal essa produção diária petista de pontos de apoio para a alavanca bolsonarista. Trazem até o presidiário-símbolo do partido, o que é uma estranha maneira de administrar custo-benefício, já que o benefício é do rival. Mas o PT é assim, Keynes não tem nada com isso.

O programa bate também na informação de que o próprio candidato foi o político com mais tempo no comando da Educação, talvez para capitalizar as notícias diárias sobre os péssimos índices mundiais do Brasil neste setor. Citam os empregos e aí lembra-se dos 12 milhões destruídos por eles. Cantam como papagaio o discutível feito de abrir aos pobres as portas do ensino superior, quando a maior parte desses jovens vive miseravelmente de bicos, muitos com o diploma de faculdades picaretas nas mãos, todos aflitos num país tomado pela ruína econômica que também foi criada adivinhe por qual partido. Mas tem muito mais. Tem até kit gay, que os petistas ficam falando o tempo todo que nunca existiu, sem notarem que dessa forma fazem desse inominável kit um objeto palpável.
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POR José Pires

Fake news do bem que vem pra mal


Na eleição de mais baixa qualidade de informação que este país já teve não dá para saber se é pior o material fake de ataques ou o material fake a favor. Sim, existe muita fake a favor rodando pela internet, tanto de seguidores de Bolsonaro quanto do candidato do PT. E como existe uma massa de apoiadores de ambos os lados que se guia por um voluntarismo totalmente desinformado, acaba sendo grande o compartilhamento dessas fakes pretensamente a favor. E digo pretensamente porque grande parte delas podem causar um estrago político tremendo. Quem sofre mais é Fernando Haddad, não só por ele estar muito atrás de Bolsonaro, mas porque sua candidatura tem a necessidade de material com mais credibilidade. Não estou entrando no mérito da candidatura do PT, trata-se de uma questão da imagem política necessária para que cada um dos candidatos se sobressaia.

Tem muito material fake sobre Bolsonaro feito por seguidores, com conteúdos muito absurdos, mas a candidatura dele é um caso à parte na história das campanhas políticas no Brasil. É uma candidatura que cresceu com um sentimento de apreciador de filme trash. Pouco importa a grosseria, a má qualidade da atuação e os exageros de performance, tanto faz também se é verdade ou mentira. Os fãs de Bolsonaro estão sempre aplaudindo. Gostam até dos materiais de denúncia feito por adversários, como os vídeos nos quais o próprio candidato diz que é a favor da tortura e solta todas aquelas barbaridades cruéis e preconceituosas.

Bolsonaro é um produto trash, de modo que isso cria uma dificuldade para combatê-lo apontando o que só poderia ser visto como defeito por um público que tivesse algum bom senso. A massa delira até com grosserias de seu candidato com mulheres. Provavelmente Bolsonaro seria muito prejudicado se fosse possível exigir dele respostas sobre os problemas do Brasil. Porém, esta é uma deficiência pessoal que ele conhece como ninguém. E como teve a chance de escapar dessas difíceis provas, com certeza até o fim da eleição fugirá de debates e entrevistas em programas fora de seu controle.

Quando digo que Bolsonaro é trash não estou querendo com isso afirmar que seu adversário Haddad seja melhor que ele. É uma questão de embalagem. Ou de efeitos especiais, como queiram. Estou apontando apenas diferença de imagens. Na minha opinião, com a vitória de um ou de outro, haverá apenas uma diferença de conteúdo na desgraça que deve se abater sobre o nosso país. Seja qual for o vencedor, a barra ficará mais pesada do que já está. Mas, voltando a falar do material fake a favor, em razão da condição, digamos, insólita de Bolsonaro nenhuma barbaridade afeta sua imagem. Já com Haddad a situação é mais delicada. Por isso o candidato do PT está indignado com materiais de ataque à sua imagem. O jogo sujo do PT não funciona com Bolsonaro, mas para Haddad os ataques morais tem um peso muito negativo no terreno de degradação que viraram as redes sociais.

Nem dá para dizer que é bem feito para os petistas, pois esta lama respinga em todos nós. Mas, enfim, é o que há para encarar. Haddad sofre os efeitos de uma política de desagregação, ódio e uma burrice sem tamanho que foi alimentada por seu próprio partido, durante os anos de poder. Seus problemas na comunicação hoje em dia são tão complicadores que até os materiais fakes produzidos por seus apoiadores causam um estrago danado.

Um exemplo é o dessa imagem, que divulga a composição de um ministério totalmente sem sentido, como se fosse um anúncio oficial da candidatura. Existem outras de outros tipos. Esta já foi desmentida até pela presidente do partido, Gleisi Hoffman, mas não adianta. Os apoiadores mantêm o compartilhamento. Mesmo sendo um ministério com nomes absurdos, os desinformados defensores do PT pensam que estão fazendo um bem para candidatura de Haddad. O PT chegou numa situação tão difícil que tem que se defender até do que é feito a seu favor.
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POR José Pires

A bolha petista e os defeitos de Haddad

Hoje em dia se fala bastante em "bolha", em razão de um padrão de fechamento mental nas redes sociais, quando o indivíduo permanece tempo demais em um grupo de opinião que impede que ele tenha uma compreensão mais aprofundada das coisas. O interessante dessa definição é que existe uma gíria antiga na qual "bolha" é uma pessoa tapada, que é exatamente o que acontece com quem vive numa "bolha" da internet. O sujeito vira um bolha.

Mas é claro que a tal bolha não é um problema exclusivo da internet. Começa na vida real. Na política isso acontece com frequência e vem destruindo partidos, como aconteceu com o PT e o PSDB, exatamente as duas siglas que tinham doutrina e estrutura para serem muito fortes. Mas para isso, esses partidos teriam que manter uma estrutura aberta ao surgimento de novas lideranças, reformulação de ideias, essas coisas, enfim, com as quais se faz um partido de verdade. Mas se fecharam em uma bolha partidária.

O problema de viver dessa forma é que perde-se a noção do que está acontecendo na realidade. Sem capacidade crítica vão sendo mantidos graves defeitos, que às vezes passam até a serem reverenciados como uma grande qualidade. Isso ocorreu com o PT e já faz tempo que digo que é uma causa importante da sua derrocada. Encerrados em sua bolha, os petistas não percebem que existe há muito tempo uma rejeição a muitas coisas que para eles é uma base importante do projeto político partidário. De fora da bolha é possível ter uma visão nítida dos defeitos do PT, mas lá dentro eles acham que são o máximo em tudo.

Basta dar uma olhada no programa de televisão do Fernando Haddad para ver o comportamento do bolha. Ou melhor, da bolha. Parece uma produção do adversário, pois faz propaganda de uma enormidade de questões que uma parcela importante de brasileiros não aguentam mais. Num programa tive que rir bastante de uma dessas mancadas. Ainda que pitoresca, serve para ilustrar o que estou falando. Na biografia do candidato do PT destacam uma imagem dele com uma guitarra e o locutor diz o seguinte: “E [ele] ainda toca guitarra”. Toca nada. É um péssimo instrumentista. Mas é o que acontece quando se vive numa bolha. Os petistas foram trazer um defeito do Haddad que a gente nem conhecia.
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POR José Pires

sábado, 13 de outubro de 2018

Amigos, amigos, política como parte

Não tenha preocupação de perder amigos nesta eleição. Quem for embora certamente não era tão próximo assim. Ou é uma daquelas figuras cuja ausência preenche uma lacuna. Ora, seus amigos inteligentes, aqueles com os quais é divertido e esclarecedor bater longos papos e às vezes até quebrar o pau por causa de algum assunto, esses vão compreender suas brincadeiras com um ou outro candidato, já conhecem seu temperamento e também terão o bom senso de entender sua opção neste segundo turno e refrescar a cabeça para desenvolver a discussão depois da votação, pois os papos sobre política tendem a esquentar nos próximos quatro anos, independente de quem ganhar.

Se alguma amizade for se quebrar de modo irreversível, será com alguém muito fanático por um dos lados dessa disputa, uma pessoa que não abre mão de defender seu candidato, com um espírito militante e partidário que não admite críticas e brincadeiras, sem a capacidade de compreender que divergências podem inclusive ser muito boas para uma amizade não cair na mesmice.

Enfim, se alguma amizade se desfizer, provavelmente quem tem uma mente fechada é que se afastará definitivamente de você. Podem existir, é claro, certos abalos provocados pela conturbação terrível que todos estamos vivendo. Neste caso, para pessoas de boa vontade não faltará ocasião para desfazer os mal entendidos criados por este período azucrinador de almas, mentes e corações. No entanto, certas pessoas podem mesmo romper a amizade para sempre. Bem, então você terá um fanático a menos nas suas relações. Sorte sua.
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POR José Pires

O senador petista derrotado e as "coisas bonitas" do PT

O senador petista Jorge Viana está desesperado com a possibilidade do PT perder a disputa presidencial. Ele já foi derrotado no Acre. Não conseguiu se reeleger e o candidato de seu grupo político ao governo estadual também perdeu no primeiro turno. Jair Bolsonaro teve 62% no Acre e Fernando Haddad ficou com apenas 18%. A vitória de Gladson Cameli (PP) para governador quebrou a hegemonia de 20 anos de Viana e o irmão Tião Viana no estado. Tião Viana é o atual governador. Os irmãos Viana começaram muito pobres na política e hoje são riquíssimos. Mas estão fora do poder. A derrota faz parte da limpeza feita pelos eleitores em vários estados, que compensa em parte esta eleição muito difícil para o país.

Viana disse em entrevista à Folha de S. Paulo que o PT errou em não reconhecer que membros do partido praticaram corrupção. O político petista acredita que se não houver autocrítica o PT corre o risco de perder a disputa presidencial, mas fez uma ressalva, dizendo que “isso não justifica o que estão fazendo nem com o presidente Lula nem com outros líderes”. Para o senador, isso “também não diminui as coisas bonitas que nós fizemos”.

Ao ler essa comovente declaração quem não recorda de uma porção de “coisas bonitas” feitas pelo PT? São tantas, mas vou destacar apenas uma delas, que teve a participação do senador petista derrotado. Lula sempre foi muito próximo de Jorge Viana, que esteve ativo nas maquinações promovidas em 2016 para evitar que o ex-presidente fosse preso. Foi nessa época que o PT planejou a nomeação de Lula para a Casa Civil do governo Dilma Rousseff. No ministério, o chefão petista estaria fora do alcance do juiz federal Sérgio Moro.

Naquele ano, veio a público um áudio onde em conversa com Roberto Teixeira, advogado e compadre de Lula, o senador Viana sugeria que Lula desacatasse Moro. A conversa com Teixeira foi em 4 de março, dia em que Lula foi levado em condução coercitiva para prestar depoimento à Polícia Federal. A intenção de Viana com o desacato era causar a prisão de Lula, para criar uma situação que o PT pudesse tornar o ex-presidente um “preso político”.

Em uma ligação que durou pouco mais de sete minutos, entre outras coisas, Jorge Viana propôs que o ex-presidente fizesse o seguinte: "Chamar uma coletiva, dizendo que ele [Lula] não aceita mais que ele [Moro] persiga a família dele, porque ele tá agindo fora da lei. Se ele [Lula] quiser agora vim prendê-lo, que venha. Se ele [Moro] prender, o LULA vira um preso político e vira uma vítima, se não prender, ele também se desmoraliza. Tem que virar o jogo agora (sic)".

Vem a calhar a lembrança dessa beleza feita pelo PT. Em uma eleição tão importante, vale como demonstração do respeito do partido do Lula pelas autoridades, pela Justiça, as instituições e a ordem jurídica. Um senador da República fazendo uma coisa bonita dessas é uma das marcas históricas do partido do derrotado Jorge Viana.
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POR José Pires


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Imagem: Reunião de senadores na residência oficial do presidente do Senado
em junho de 2015, numa das tentativas de salvar o governo Dilma Rousseff e
livrar Lula da Justiça; Viana é o último à direita

Os planos de Fernando Haddad e Manuela D'Ávila para 2022

Todos devem lembrar que enquanto o PT usava a campanha eleitoral em favor dos interesses de Lula, toda sua liderança política e a militância repetiam a ladainha de que eleição sem Lula era golpe. Mantiveram essa bobagem até o limite do registro da candidatura, enquanto o PT mantinha a chapa de candidatos mais insólita que já existiu na história deste país: eram três candidatos, com Manuela D’Ávila, do PCdoB, no papel ridículo de vice do vice Fernando Haddad. Era uma farsa. Já se sabia que a condenação de Lula em segunda instância pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro impedia sua candidatura pela Lei da Ficha Limpa.

O discurso fraudulento de que eleição sem Lula era golpe se manteve até registrarem a chapa petista do modo que todos sabiam que era o único possível: com Haddad e Manuela D’Ávila. Os petistas repetiam a encenação estúpida feita durante todo o processo do impeachment, quando acusavam de forma idiota que aquilo era um golpe enquanto participavam do processo, usando com liberdade todos os recursos de defesa. Com a candidatura fake de Lula foi a mesma coisa, inclusive na finalização. Diziam que eleição sem Lula era um golpe e aí estão os hipócritas na disputa no segundo turno. É óbvio que se tivessem perdido no primeiro turno estariam gritando nas ruas que não houve democracia.

O PT especializou-se em jogar sujo e ao mesmo tempo se fazer de vítima. Os traiçoeiros já combinaram um discurso demonizando um provável governo de Bolsonaro, com uma conversa que lembra muitas outras patifarias do PT, que pode ter duas serventias. O argumento é que Bolsonaro não é comprometido com a democracia. Isso serve para o PT ganhar votos, mas caso o partido do Lula não vença a eleição, o discurso será usado com certeza para infernizar o país durante o governo Bolsonaro, em um confronto no estilo petista do “quanto pior, melhor”. Lembram que esses cretinos colocavam em dúvida se haveria eleição este ano? Parece inacreditável, mas agora dizem que se Bolsonaro for eleito não haverá eleição em 2022.

Esse argumento eleitoreiro, que já vem sendo repassado nas redes sociais pela militância petista, foi usado pela vice Manuela D’Ávila numa entrevista ao cantor Caetano Veloso. Caetano virou um marqueteiro banal. E Manuela, que está sempre brigando com jornalistas, ganhou o entrevistador de seus sonhos, do tipo que tem as perguntas prontas para suas respostas espertinhas, além dele ir intercalando elogios durante o papo. O vídeo da ONG petista Mídia Ninja corre pela internet. Num trecho, a vice de Haddad tenta conquistar Ciro Gomes, para que ele participe da campanha do PT.

Manuela tem como certa a presença de Ciro no palanque petista. “Acho que ele vai agir porque para ter eleição em 2022 tem que ter democracia”, ela disse, sem sequer ficar vermelha. Esta é a esquerda brasileira de sempre. Sem projeto sério e viável, sem coerência e sem respeito com os brasileiros. Não assumem suas responsabilidades pelo que acontece atualmente com o Brasil — inclusive o surgimento de uma direita forte —, mas já estão com um plano novo para lucrar com as complicações que sua incompetência e desonestidade podem criar no futuro.
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POR José Pires

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Haddad e Manuela rezando a missa

Está uma implicação danada com o candidato do PT, Fernando Haddad, porque de repente ele começou a ir na missa. Estão pegando no pé também de sua parceira de chapa, Manuela D'Ávila, até pelo fato dela ter dito em um vídeo que não é cristã e agora ter virado uma igrejeira de fazer inveja a muita velhinha carola.

Mas parem de preconceito com a chapa do Lula. Haddad e Manuela podem ter tido uma conversão instantânea. Isso costuma acontecer com muito político em época de eleição, então por que não pode ser também com a esquerda? Fiquem calmos. Até 28 de outubro isso passa e todos voltam pro Estado laico.
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POR José Pires