terça-feira, 27 de novembro de 2007

Justiça só mais tarde

Mais notícias sobre o planejamento brasileiro. O ministro da Justiça, Tarso Genro, aquele da “refundação do PT” que não houve, falou sobre o caso da menina que ficou presa em uma cela com cerca de 20 homens no Pará. O ministro disse o “abuso a presas não vai terminar”.

Viram como é bom viver em um país em que há planejamento? Isso pelo menos elimina a tensão da espera de soluções para mais este problema.
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POR José Pires

Agora vai

Outra pessoa que apareceu para falar sobre o caso da menina do Pará foi Nilcéia Freire. Quem é Nilcéia Freire? Bem, é mesmo difícil decorar os nomes de um governo com tantos ministérios (37 na última contagem), mas o cargo da Nilcéia Freire é de ministra da Secretaria Especial de Política para as Mulheres. É, isso mesmo: um órgão especial para as mulheres. E tem o status de “assessoria direta” do presidente da República, seja lá o que for isso.

Foi no lançamento de uma campanha nacional pelo fim da violência contras as mulheres que Nilcéia Freire soltou a sua indignação. Nunca se viu neste país um governo com tantas autoridades indignadas. Parecem estar na oposição. Nada é com eles, estão sempre indignados.

A ministra disse que a situação dos presídios femininos já era uma preocupação do governo. E mais: disse que já havia sido criado um “grupo interministerial” para fazer uma revisão de todo o sistema prisional. Segundo Nilcéia Freire, eles chegaram à conclusão de que “a situação é lamentável em todos eles”. Ah, bom...
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POR José Pires

Caso do Pará atrapalha campanha

A campanha lançada por Nilcéia Freire é a “Campanha 16 dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres”. Parece coisa de marqueteiro. Vai do período de 25 de novembro a 10 de dezembro por “compreender quatro datas significativas na luta pela erradicação da violência contra as mulheres e garantia dos direitos humanos”.

Na entrevista à imprensa a ministra lamentou a “triste coincidência” do lançamento da campanha a favor das mulheres na semana em que se discute o caso da menina no Pará. Não riam. Não é piada, ela lamentou mesmo.

A campanha tem anúncio em jornal, em revista, no rádio e propaganda na televisão, inclusive no horário nobre. Muita propaganda. Tudo que esse governo finge que faz é cercado de propaganda.

E vamos torcer para que nenhuma outra violência contra a mulher ocorra nesse período para não atrapalhar mais esta campanha do governo Lula.
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POR José Pires

Fala, Marta

Outra voz que precisa ser ouvida sobre este caso é a da ministra Marta Suplicy, que fez carreira política em cima do feminismo. Para as vítimas da crise da aviação civil ela deu o famoso conselho: “Relaxa e goza”. Qual seria o conselho que ela daria para as presidiárias?
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POR José Pires

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Salve-se quem puder

Fala-se muito em plebiscito no Brasil, mas são os próprios políticos que terminam desmoralizando este tipo de resolução. Com o plebiscito do desarmamento muito se discutiu sobre o comércio de armas no país, o sim acabou perdendo, mas alcançou-se pelo menos um consenso: o de que leis reguladoras com um controle rigoroso da venda contribuiriam bastante para a diminuição da violência.

Mas os políticos não ajudam. Uma Medida Provisória sobre o assunto deve ser votada nesta terça-feira na Câmara dos Deputados. O relator é o deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS).

A medida Provisória estende o prazo da atual campanha de recadastramento de armas, que acabou em 2 de junho, para 2 de julho de 2008 e também reduz de R$ 300,00 para R$ 60,00 o pagamento de taxa para quem queira comprar uma arma. O relatório do deputado deveria apenas propor a aprovação disso e nada mais.

Mas Pompeo de Mattos colocou umas “coisinhas” a mais no relatório. Vamos a algumas das 82 mudanças incluídas por ele.
  • Autoriza a compra de armas por quem estiver respondendo a inquérito criminal
  • Isenta de pagamento de taxa e de testes psicológicos e de capacidade técnica no uso de armas os proprietário de armas de calibre 22.
  • Libera o uso de arma em via pública. Hoje isso é proibido para 25 diferentes profissões, como políticos, advogados, caminhoneiros, militares reformados e taxistas.
Ah, sim, o deputado Pompeo de Mattos recebeu em sua última campanha eleitoral R$ 120 mil reais de duas grandes fábricas de armas, a Taurus e a CBC.
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POR José Pires

Amorim perde pra Mainardi e ainda tem coisas para explicar

Como lulistas, petistas e agregados soltam foguetes quando Diogo Mainardi perde um processo na justiça, é bom a gente informar quando ele ganha.

Desta vez foi Paulo Henrique Amorim que teve julgado como improcedente um processo movido contra o colunista da revista Veja. Amorim queria 1.500 salários mínimos e mais R$ 0,50 por exemplar vendido da Veja em que teve citado seu nome. Ele ainda pode recorrer.

A peça do juiz Manoel Luiz Ribeiro, da 3ª vara Cível de Pinheiros, é um belo texto em favor da liberdade de expressão e do debate público de questões que não podem – e não devem, digo eu – ser tratadas como negócios particulares.

Em sua coluna, Mainardi acusou Amorim de fazer o jogo do lulismo em seu blog na internet. Segundo ele, depois que os fundos de pensão passaram a influir no provedor IG criou-se um quadro de blogueiros, todos eles afinados com o que Mainardi chama de “DIP” (numa alusão ao organismo de inteligência e comunicação do governo Vargas) de Luiz Gushiken, então ministro responsável pela Secom, a Secretaria de Comunicação da presidência da República.

Para exemplificar, Mainardi lista uma série de blogueiros do IG. “De lá para cá, além de José Dirceu, foram contratados como comentaristas Franklin Martins, Paulo Henrique Amorim e Mino Carta. Todos eles na fase descendente de suas carreiras”, diz Mainardi, que ainda revela os salários da turma: “Quer saber quanto o iG paga a Franklin Martins? Entre 40 000 e 60.000 reais. Quer saber quanto ele paga pelo programa de Paulo Henrique Amorim? 80.000 reais”.

Amorim não gostou de Mainardi dizer que ele está em “fase descendente” de sua carreira. Mas o juiz não aceitou como ofensa a qualificação. “Sem dúvida o autor já foi jornalista da Rede Globo de Televisão, apresentando programas de elevadíssima audiência, de forma que a menção à “carreira descendente” visa apenas identificá-lo como estando hoje em veículo de menor expressão do que aquele outrora”, escreve no processo o juiz Ribeiro.

Mas são as idas e vindas de Amorim, com mudanças abruptas de opinião, que são assunto nas rodas jornalísticas e nos sites especializados em comunicação. O jornalista já esteve na linha de ataque a Lula quando Fernando Henrique Cardoso estava no poder. Na época, segundo o site Consultor Jurídico, Lula processou a TV Bandeirantes depois de ser acusado de desonesto por Amorim. Hoje Amorim faz o rumo inverso: defende o lulismo e ataca com virulência a oposição.

Ele mesmo definiu seu estilo em entrevista à Folha de S. Paulo: “Quando a gente senta no computador para escrever, é como se estivesse apertando aqueles botões que disparam mísseis. Cada vírgula minha tem um alvo. É um exercício de pancadaria verbal, de pancadaria ideológica".

Contraditoriamente para um homem que se define assim, ele opta via jurídica e não a jornalística defender suas posições profissionais ou políticas. Amorim também ameaçou o site Consultor Jurídico depois da divulgação de seu nome em uma lista de pessoas contratadas para afastar Daniel Dantas do comando da Brasil Telecom.

Entrevista pelo site, Luciane Araújo, testemunha em processo que corre na Itália, disse que Amorim era festejado na Itália. Segundo o Consultor Jurídico, o chefe de operações clandestinas da Telecom Italia, Marco Bernardini, costumava dizer que “quem tem o Paulo Henrique Amorim não precisa de mais ninguém”.

Segundo o Consultor Jurídico, Amorim ainda pode ter outros problemas “caso não explique porque ele nunca declarou no Brasil a propriedade de dois apartamentos em Nova York”. Conforme o site, ele admite a posse de três carros importados, uma moto e três apartamentos no valor de 800 mil reais cada um. “Um patrimônio incomum para quem vive de jornalismo no Brasil”, finaliza o Consultor Jurídico.

Para ler a crônica de Diogo Mainardi, clique aqui. E para ler a sentença do juiz, aqui.
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POR José Pires

A cara do regime de Chávez

Esta foto simboliza bem o governo venezuelano. O grande boneco de Hugo Chávez foi instalado sobre um prédio de um mercado de alimentos conveniado com o governo. O mercado está fechado por falta de alimentos.

O mau gosto e o culto à própria imagem são muito parecidos com uma história bem conhecida, a dos regimes comunistas que endeusavam seus líderes e submetiam a população ao totalitarismo.

E a esquerda brasileira venera e defende Hugo Chávez. Ainda que não fosse pelo autoritarismo do falastrão, o mau gosto e a falta de conteúdo já seriam bons motivos para não entrar numa barca furada ideológica como esta.

Mas pelo líder que eles seguem aqui na nossa terrinha, dá a impressão de que o mau gosto e a falta de conteúdo é que movem a esquerda.
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POR José Pires

Sofrimento em cadeia

Só quem está desatento às condições das cadeias no Brasil se impressiona com o caso da menina de 15 anos que ficou presa com mais de 30 anos no Pará. É uma violência revoltante, sem dúvida, mas é apenas mais uma entre a barbárie que reina no sistema carcerário brasileiro.

Situações degradantes como a vivida pela menina no Pará ocorre em nossas cadeias inclusive com homens. E esta realidade sórdida é aproveitada por policiais e delegados para ameaçar ou “punir” quem eles querem. Com peixe pequeno, é claro, pois também no sistema carcerário existe uma clara divisão de classes em que os maiorais do crime tem regalias e privilégios.

A Folha de S. Paulo tem coberto bem o caso do Pará. Fez boas reportagens nos últimos dias. Mas se um repórter desse jornal se deslocar até à delegacia mais próxima da sede do jornal, em São Paulo, provavelmente irá encontrar material tão revoltante quanto o que existe nas cadeias do Pará ou de qualquer outro estado brasileiro.

O que há de marcante neste caso em que uma mulher foi vítima de abuso durante quase um mês é que a responsabilidade pela indignidade está nas mãos de mulheres: o caso aconteceu em um estado governado por uma mulher, a prisão foi feita por uma delegada e a garota foi encarcerada por uma juíza.

O que significa isso? Significa que quando uma sociedade está gravemente doente como a nossa, solução alguma virá de sensibilidades particulares: a da mulher, a do negro ou a de qualquer minoria ou segmento “especial”. O remédio tem que ser universal. E bem forte.
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POR José Pires

sábado, 24 de novembro de 2007

O italiano Gilberto Gil

O ministro Gilberto Gil apregoa pelos quatro cantos – na falta de mais canto – sua “afrodescendência”, mas bobo não é. Gil vai pedir cidadania italiana por causa da ascendência da mulher, Flora.

O que todo mundo já pergunta é se Gilberto Gil já pediu cidadania nigeriana ou de qualquer outro país africano. Cadê o orgulho da raça?
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POR José Pires

Apedeutismo na mira

Espera aí. Vamos ao dicionário. Preconceito é um conceito ou opinião formados antecipadamente, sem maior ponderação ou conhecimento dos fatos. É uma idéia preconcebida sem que haja um fato concreto que a comprove.

Então dizer que Lula despreza a própria educação não é preconceito. Pode-se até discutir a conveniência política para que isso seja dito, mas preconceito absolutamente não é.

Lula teve tempo e dinheiro para adquirir mais conhecimento: durante mais de duas décadas, inclusive, foi o único político brasileiro que recebeu um salário mensal de seu partido. Podia ter lido mais, feito alguns cursos, viajado não para "comer um leitãozinho" ou ficar vagabundeando na praia mas para adquirir cultura. Mas não fez nada disso. Leitõezinhos, percebe-se pela silhueta, comeu bastante. E hoje até se gaba de não ter estudado, o que, na sua posição, é um péssimo exemplo para os jovens.

E não estou falando do estudo formal, da falta de um diploma qualquer. Lula, isso é sabido e acaba sendo transmitido nas suas falas, não gosta de se aprofundar em qualquer assunto. Vai levando na superfície. E como eleitoralmente deu certo nos últimos 5 anos, ele parece até se orgulhar da própria ignorância. E trata com desprezo e leviandade temas pelos quais deveria ter respeito.
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POR José Pires

Facilitando o futuro

Mas a ignorância do Lula tem sua compensação. Quando for for fazer fazer seu "memorial" após sair da presidência da República, vai economizar bastante espaço. Sua biblioteca cabe na estante da televisão.
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POR José Pires

Cuidando da imagem

Tucano é um bicho complicado, mas não se sabia até agora que até em marketing o bicho fazia besteira. Colocar no ar uma propaganda política dizendo que o PT copia tudo do PSDB exatamente no momento em que a Procuradoria-geral da República denuncia no STF o “mensalão mineiro” e no mês em que vai se votada a CPMF é mesmo coisa de... de tucano.
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POR José Pires

Brasil-sil-sil!

Essa não há Dunga que estrague: o Brasil é campeão mundial na quantidade de horas gastas para que uma empresa pague todos os impostos e tributos. Segundo análise da consultoria PriceWaterhouseCoopers, com base nos dados reunidos pelo Banco Mundial, são necessárias 2.600 horas (352 dias) para que uma empresa cumpra todas as obrigações fiscais. E o Brasil é o primeirão entre 178 países.

Ninguém segura este país. Mas todos pagam um dinheirão.
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POR José Pires

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

A culpa é do cofre
O presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, também hipoteca solidariedade ao senador Eduardo Azeredo. Os petistas riem de orelha a orelha, o caso do “mensalão mineiro” vem a calhar para consolidar a tese petista do “somos todos iguais”.

“Se não houver uma reforma política que crie o financiamento público de campanha esse risco vai continuar existindo na política brasileira”, ele disse. É perfeito. Os políticos roubam, fazem caixa dois, subornam, lavam dinheiro e o problema é do sistema de financiamento eleitoral.

Se o raciocínio valesse para os outros tipos de crimes, então em vez de botar na cadeia os ladrões comuns teríamos que arrumar um novo sistema para que eles possam se apossar do nosso dinheiro sem transgredir a lei.
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POR José Pires

Inocência desprotegida
Berzoini também reclamou de gente malvada que tira os políticos do bom caminho. Vejam o que ele disse: "O financiamento privado envolve muitas vezes a ação de pessoas que estão mal intencionadas e que acabam se aproximando dos políticos com outros interesses e oferecendo mecanismos de financiamento nem sempre transparentes."

Lula está certo. A corrupção só acontece no Brasil porque os políticos são inocentes.
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POR José Pires

Cercado de inocentes
Lula lançou nota lamentando a saída do ministro de Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, que foi denunciado junto ao STF pela Procuradoria- Geral da República por peculato e lavagem de dinheiro. No texto ele afirma que “mantém integral confiança” em Mares Guia e também que está seguro de que ele será inocentado.

Desse modo, a lista de inocentes em torno do Lula vai aumentando. E então ele podia colocar na lista de seus inocentes o senador tucano Eduardo Azeredo e mais 13 (são 15 com Mares Guia) denunciados de envolvimento com o “mensalão mineiro”.

Mares Guia era vice-governador de Minas Gerais e trabalhava na campanha eleitoral de Azeredo como “arrecadador informal”. Se o ministro de Lula é inocente então os demais também são.
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POR José Pires

O xis do problema
Lula tem razão. Esse é o problema da política no Brasil: têm inocentes demais. Talvez seja por isso mesmo que eles se metem em tanta corrupção. Muita inocência.
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POR José Pires

Caluda compañero...
Mais um cala-boca em Chávez. O governo da Colômbia pôs fim à mediação do presidente venezuelano para a troca de guerrilheiros presos por reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

É que Chávez fala demais mesmo e não é só no momento em que Zapatero está se expressando. Desta vez, Chávez andou telefonando para o comandante do Exército da Colômbia sem a autorização do presidente colombiano Álvaro Uribe.

E também se vangloriava de seu papel de mediador. Em Caracas fez isso em um discurso para cerca de 50 mil manifestantes. E em Paris o falastrão vaidoso disse que em três meses conseguiu mais do que o governo colombiano em cinco anos.

E agora a Colômbia também não quer mais ouvi-lo. Se a coisa continua desse jeito, logo mais Chávez só terá o Lula e o Evo Morales para conversar. Aí parece que existe um vocabulário bem integrado.
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POR José Pires

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Um país onde o mal prevalece
Dois textos publicados hoje na imprensa brasileira se interpenetram, mesmo estando os dois autores distantes em estilo e posicionamento políticos. O encontro de ambos é na exposição de um drama que parece não comover os brasileiros e evidentemente pouco interessa aos políticos e autoridades do país. É a tragédia histórica e cotidiana que se abate sobre os indígenas.

Um deles é a coluna do excelente Janio de Freitas que fala sobre a triste situação dos xavantes, que vão começar a receber o Bolsa Família. Seu texto saiu na Folha de S. Paulo de hoje. Este povo, que o jornalista visitou para uma reportagem na década de 60 e que na época eram tão saudáveis que não tinham sequer uma cárie nos dentes, hoje precisa da esmola do governo federal para atenuar seu estado de fome e subnutrição.

Freitas traz à memória as Unidades Sanitárias Aéreas, projeto criado por Noel Nutels – que o jornalista com toda a razão qualifica de “especialíssima figura”. Era uma obra do governo JK em que uma equipe formada por clínico, dentista, oftalmologista e outras especialidades ia até as tribos indígenas estudar suas condições de saúde. Segundo o jornalista, os especialistas encontraram nos índios, entres eles os xavantes, uma saúde de “perfeições humanas muito mais completa e difundida do que se podia imaginar”.

A “civilização” acabou com suas florestas, seus rios e até empesteou o seu céu. E hoje eles estão em situação tão lastimável que até precisam do Bolsa Família para amenizar o estrago.

Outro veículo da mídia em que a situação dos índios surgiu hoje como má notícia nada surpreendente, mas de qualquer modo revoltante, foi em O Globo. Foi também uma colunista, a jornalista Miriam Leitão, que escreveu sobre o drama vivido pelos terena, os guarani e os caiuá no Mato Grosso do Sul. O texto da jornalista, que é uma profissional experimentada, tem um título que é um misto de ironia e também do desalento que abate a todos neste país sem conserto: “Por que é assim?”

Na usina Debrasa, no Mato Grosso do Sul, a fiscalização encontrou 820 indígenas trabalhando em situação degadante. Como a maior parte das usinas de cana-de-açucar do Brasil, a Debrasa está nas mãos de uma família. Este setor é dominado por dinastias. O usineiro atual, José Pessoa de Queiroz Bisneto, é da quarta geração.

Naquela região, também há gerações, os indígenas vem perdendo terra. Acabaram confinados em uma área tão pequena que não conseguem produzir. Por isso trabalham no corte de cana-de-açúcar.

Na usina Debrasa há indícios até de racismo em relação aos indígenas, pois eles eram tratados de forma inferior aos outros trabalhadores. Quem contou para a jornalista foi o procurador Jonas Moreno, que participou da ação fiscalizadora. Ele disse também que documentou, fotografou e filmou tudo “para ninguém dizer que não foi assim”.

Sobre o tratamento que davam aos índios na usina, o procurador afirmou o seguinte para Miriam Leitão: “Eles tratavam os trabalhadores não índios bem melhor que os indígenas. Os não índios tinham refeitório, a comida era melhor; os índios comiam em marmita que praticamente só tinha arroz. Ficavam em alojamentos superlotados, onde fazem suas refeições noturnas perto das fossas sanitárias. Moscas que circulavam nas fossas pousavam na comida”. Entendemos que o almoço seja em marmita, no campo, mas por que não haver refeitório para eles no jantar? Por que a discriminação?”

Notem que mesmo entre os trabalhadores de um setor notório pelo descumprimento de normas trabalhistas básicas – onde a fiscalização trabalhista e a polícia chegam a encontrar trabalhadores em condições parecidas com a de escravidão – os indígenas estão por baixo.

O grupo que domina a Debrasa, segundo uma reportagem da revista Dinheiro Rural de junho deste ano, está entre os dez maiores produtores de açúcar e álcool do Brasil e tem capacidade de moer sete milhões de toneladas de cana por ano. “Por que é assim?”, pergunto eu.

Em sua coluna, Janio de Freitas fala de uma “vastidão de miséria negra e branca”, da qual inevitavelmente os indígenas não poderiam escapar. Concordo plenamente. Mas o infortúnio indígena é de um peso imenso, bem maior do que o que pesa sobre nós, os não-índios. Somos unidos pela miséria causada pelo descaso e pela má-fé, que andam sempre junto por aqui e fazem um estrago danado, mas os indígenas estão até sendo exterminados como povo.

E indígenas não servem nem para a demagogia, já que não têm movimentos políticos ativos – como os dos negros, por exemplo – e nem são um grupo social influente eleitoralmente. Para eles só resta contemplar os brancos, negros e amarelos enquanto se acabam na miséria.
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POR José Pires

Aviso ao consumidor
Mais uma constatação de que não é da falta de planejamento que devemos reclamar. O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) alertou que 2008 têm grandes chances de começar com nova crise de gás.

Ele dá várias explicações, mas o que importa é que já está planejada a falta de gás em 2008.
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POR José Pires

Agora vai
Lendo a agenda de trabalho (sic) do presidente Lula vejo que às quatro da tarde ele tem uma reunião com sua Chefe de Gabinete-Adjunta de Informações em Apoio à Decisão do Gabinete Pessoal do Presidente da República.

Não sei o que é isso, mas que parece ser muito importante, isso parece.
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POR José Pires

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Sobre o Apedeuta Maior
Em sua coluna de hoje no Jornal do Brasil, o jornalista Augusto Nunes escreve um dos artigos mais vigorosos contra o presidente Lula. Não se via porretada tão forte em Lula desde aquele famoso artigo do agora ministro lulista Roberto Mangabeira Unger em que ele afirmava que Lula comanda o governo mais corrupto da nossa história.

Sobre Lula, Nunes diz que “nunca houve um presidente tão visceralmente ignorante”, no que ele tem toda a razão. O jornalista comenta as recentes palavras em apoio a Hugo Chavez, depois deste ter tomado o cala-boca do rei espanhol. Em entrevista logo após um almoço no Itamaraty – ocasião em que ele pode molhar a garganta com três ou quatro taças de vinho – Lula misturou vários sistemas políticos na tentativa de comprovar sua tese de que o colega venezuelano é um autêntico democrata.

Sobre a notória dificuldade de Lula em qualquer área do conhecimento que esteja fora da mera fofoca de corredor, Nunes chega à uma conclusão terrível para nós todos: “há quase cinco anos, o Brasil é governado por um homem que seria reprovado no mais singelo concurso público que incluísse uma prova de conhecimentos gerais”.

Vale a pena conhecer o texto, uma peça rara nestes tristes tempos em que uma porção enorme dos nossos jornalistas só vai para a redação com luvas de pelica. E o rabo preso. Para ler o artigo na íntegra, clique aqui.

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POR José Pires

Tucanos criam esboço de oposição
É difícil acreditar, mas aparentemente os tucanos acordaram. Ainda não é o caso de esperar que façam revoada oposicionista sobre o Planalto, mas o fato é que o partido produziu uma proposta de programa que ataca com relativa firmeza – para tucano é um porretaço – o governo Lula e até mesmo alerta para ameaças à democracia. O programa deve ser aprovado na convenção do PSDB que começa amanhã e vai até sexta-feira.

O documento fala também do aparelhamento do Estado feito pelo PT e até faz uma alusão velada ao projeto autoritário de Chávez. Aliás, tudo é insinuação no texto. Os tucanos conseguiram produzir 20 páginas sem nada apontar diretamente. São ambíguos até sobre a grande questão do partido, a privatização. Neste caso, é dito que “o PSDB não é privatista nem estatista”. Só não definem a porcetagem.

O feitio tucano também se mostra no caso em que alertam para o risco que corre nossa democracia caso Lula adote teses chavistas. Evidentemente não citam objetivamente o projeto político do falastrão venezuelano.

Segundo o que se diz, teria vindo de Fernando Henrique Cardoso a inclusão do trecho que ataca a tese do terceiro mandato, que vem animando lulistas e o próprio Lula. “Ambições futuras podem vir a golpear a democracia, como ocorre em países vizinhos onde o continuísmo de pseudo-salvadores da pátria desvirtua as regras da verdadeira representação e participação popular” diz o trecho.

Após o alerta, os tucanos garantem que “estarão atentos” para não deixar que isso aconteça, o que alivia ninguém. Dá vontade de perguntar onde estavam até agora.

Obviamente o documento tucano não lembra que foi o próprio PSDB que começou com esse negócio de reeleição, mas não se pode exigir auto-crítica de tucano. Quem quiser ler o documento tucano, pode clicar aqui. É bem escrito, pois nisso os tucanos sempre tiveram qualidade. São excelentes para fazer documentos do partido e até mesmo programas de governo – tanto o da primeira eleição de FHC são bem bons – mas o difícil depois é colocar em prática.

O esboço para oposicionista ficou pronto. Mas quem é que vai fazer a arte final? E também temos que lamentar que essa vocação oposicionista só tenha surgido agora, às vésperas de uma convenção do partido, com o risco de sempre da valentia ficar apenas nas letras de forma do documento.

A realidade logo mais deve comprovar o que eu digo. Não é difícil os tucanos fazerem essa cara de enfezadinhos com o programa deles nesta convenção e logo mais, bem daqui a pouco, aprovarem a CPMF do governo Lula.
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POR José Pires

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Chávez lá, Lula aqui
O ex-ministro da Defesa venezuelano Raúl Baduel continua alertando sobre a reforma constitucional que vai a referendo no dia 2 na Venezuela. Em entrevista publicada hoje no Jornal do Brasil ele diz que, se aprovada, a reforma de Chávez acaba com a democracia em seu país.

Segundo ele a reforma concentra poder de forma desmedida. Em um de seus pontos, por exemplo, a reforma criada por Chávez permite ao presidente eleger ou demitir governadores e prefeitos.

O poder conferido ao presidente pela reforma venezuelana explica em boa parte a admiração que a esquerda aboletada ao poder no Brasil tem para com a “democracia” de Chávez. Pois não foi Lula que andou reclamando da democracia que, segundo ele, atrapalha bastante o ato de governar? Não é à toa que Lula corre para defender Chávez até do bem dado cala-boca do rei da Espanha.

E a leniente oposição brasileira não se apercebe que o caminho venezuelano proposto por Chávez deve determinar os rumos do governo petista por aqui. Lula quer se manter no poder e o PT e a massa de militantes que aparelharam o Estado não podem sequer pensar em sair do governo, até porque isso acarretaria uma forte rebaixada em seus padrões de vida pessoal.

Mas, quanto ao plebiscito na Venezuela, Baduel também teme que as próximas manifestações populares se tornem “uma revolta sem controle”. Em sua fala, ele deixa entender que sente o cheiro de guerra civil no ar. Para ler a entrevista na íntegra, clique aqui.
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POR José Pires

Olha a cabeça!
No Brasil muita gente sofre da “Síndrome do Tijolaço”. A tal síndrome é uma categoria que inventei para definir um certo tipo de pessoa que no geral aparenta um estado de normalidade, até com alguns picos de genialidade, mas que em determinado momento vem com uma besteira que desmonta toda aquela personalidade aparente do cotidiano.

A síndrome vem de uma conhecida piada. A do cara que está preso em um hospício e chama uma visita e diz que só está ali por uma conspiração de parentes, mas que na verdade é totalmente são. Quando a visita já está de saída e inclusive disposta a intervir pelo confinado recebe uma violenta tijolada na cabeça. Quando vira para trás vê o louco que parecia normal dizendo: “Não vai esquecer...”. Esta é a “Síndrome do Tijolaço”.

Na política são muito comuns esses ataques. Está certo que boa parte dos políticos não pode ter isso, sendo loucos o tempo inteiro. Mas o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) se enquadra nesta síndrome. O senador é inteligente, tem idéias originais e até possui uma qualidade original para um político: pensa com a própria cabeça. E até escreve bem, qualidade ainda mais rara no setor.

Mas agora Buarque acaba de apresentar um projeto que impede parlamentares, prefeitos, governadores e presidente da República de matricularem seus filhos em escolas particulares durante a educação básica. Todos que tem cargo eletivo seriam obrigados a colocar filhos e demais dependentes em escolas públicas a partir de 2014.

Para o senador, com os filhos de políticos na escola pública, haverá melhoria na educação gratuita. E nada mais digo. O senador Cristovam Buarque até que ia bem, com um comportamento equilibrado até nessas crises do Senado, mas esse tijolaço doeu.
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POR José Pires

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Uma voz que não se cala na Venezuela
A fala do ACMzinho sobre a democracia (veja abaixo) na Venezuela soa mal. Aliás, o DEM, ou ex-PFL, tem um grave defeito de fábrica que dificulta muito a participação de seus parlamentares no debate sobre a democracia. É um partido manco para este assunto tão importante nesses dias.

Mas se a presença do neto do falecido coronel da Bahia é contraditória e de pouca credibilidade nesta discussão, o contrário acontece com as críticas do ex-ministro da Defesa Raúl Isaías Baduel contra o presidente Hugo Chávez. O venezuelano Baduel viu o problema por dentro. Ele é tido como o responsável pela volta de Chávez ao poder depois da tentativa de golpe em abril de 2002 e esteve no governo, primeiro como chefe do exército e depois à frente da Defesa, cargo que abandonou em julho deste ano.

Mesmo que o presidente venezuelano já esteja chamando Baduel de “traidor” é muito difícil incluí-lo nesta categoria em que cabe qualquer um que discorde do projeto chavista de perpetuar-se no poder. Em entrevista à Folha de S. Paulo de hoje o ex-ministro da Defesa classifica o projeto de reforma constitucional como “uma fraude constituinte em curso e um golpe de Estado”.

Por enquanto (e a ressalva é minha) o general prega o “exercício da cidadania” por meio do voto para opor-se à intenção de Chávez. Mas ele já manifesta o temor de que haja um ‘processo de violência generalizada, de confrontação e de instabilidade” na Venezuela.

O oposicionista que mais ameaça o projeto de Chávez nasceu do próprio processo que levou ao fortalecimento de seu mito, primeiro na ação decisiva ao golpe e depois na constituição do governo.

Baduel é um adversário para se temer, bem diferente dos aloprados que tentaram o golpe em 2002. É um homem de ação. E recebeu elogios do próprio Fidel Castro por seu papel naquele decisivo momento da história venezuelana. Castro acompanhou tudo passo a passo de Cuba e fala de Baduel em uma entrevista ao jornalista Ignácio Ramonet do Le Monde Diplomatique, uma longa conversa transformada em livro que ainda não foi lançado no Brasil.

A entrevista foi feita bem antes do rompimento entre Chávez e seu salvador, mas é provável que hoje Castro se arrependa dos derramados elogios ao general Baduel. E nem dá mais para tirar do livro, como era de praxe nos regimes comunistas. O trecho disponível mencionado está disponível na internet: veja aqui. É muito interessante como documento, tanto pela importância óbvia de Castro neste caso quanto por suas observações sobre um personagem que se alteia cada vez mais nos acontecimentos venezuelanos. Tenho a impressão de que ainda vamos ouvir falar muito do general Baduel.
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POR José Pires