quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Y el mensalón?

A visita de Lula saiu com destaque no Granma, inclusive com fotografia. Já sobre o “mensalão”, o grande fato do governo petista, até hoje nada foi publicado na imprensa cubana. Até hoje os cubanos nada sabem sobre o caso.
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POR José Pires

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Renovação

O filho do senador Edison Lobão, que deve assumir o ministério de Minas e Energia − com o Lobinho ficando com sua vaga no Senado − é suspeito em fraude de R$ 30 milhões. Já o filho do senador José Sarney pode ser indiciado pela Polícia Federal. Ele é investigado por movimentação de cerca de R$ 3,5 milhões nas vésperas da eleição de 2006.

Pelo visto, também na corrupção não há porque temer pela falta de renovação. Há muita opção jovem no setor.
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POR José Pires

Diagnóstico

Em visita a Cuba, Lula disse que Fidel Castro está com “uma saúde impecável”. É... talvez como a saúde no Brasil que, para Lula, está próxima da perfeição.
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POR José Pires

Agora vai

Enquanto não resolve seus problemas com a Comissão de Ética Pública, que pediu sua demissão, o ministro do Trabalho e presidente do PDT, Carlos Lupi (ele merece ser chamado de ministro do Trabalho acumulado), quer se espalhar pelo exterior. Ele disse que vai criar, até o final do ano, cinco representações do ministério em países com grande número de trabalhadores brasileiros.

Pelo que Lupi promete, as representações vão ser uma festa: “Lá o brasileiro vai poder escutar música popular e comer um feijãozinho amigo para matar a saudade”.

Bem que o ministério do trabalho podia oferecer um “feijãozinho amigo” também para os trabalhadores daqui do Brasil. Para matar a fome mesmo.
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POR José Pires

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Relato sobre a ética agredida pela corrupção

Enquanto aguarda o nascimento de sua neta, o jornalista Ricardo Noblat escreve em seu blog na internet sobre a experiência de ser avô. Tem saído crônicas muito boas, apesar de alguns exageros que devem ser relevados nessa situação, especialmente no caso de Noblat, um avô de primeira viagem. E, pelo que ele conta, a mulher dele é pior; no bom sentido, é claro.

Hoje Noblat escreve uma crônica que acho que deve ser passada à frente. É um ótimo relato sobre a experiência de um jornalista envolvido em um trabalho ético e de qualidade técnica, elemento que no jornalismo é relacionado diretamente à liberdade de expressão e apego à transparência política.

E o que isso tem a ver com a neta do Noblat? Bem, nesta crônica ele fala das pressões sobre quem labuta pela ética neste país, especialmente em regiões onde a corrupção estendeu seu domínio. No caso, o jornalista fala da época em que era editor em Brasília, do Correio Braziliense − onde fez um excelente trabalho criando um jornal com excelente conteúdo, além de uma beleza gráfica e editorial como poucos veículos brasileiros já tiveram − ele teve até um filho agredido com extrema violência por sequazes de políticos que dominam a capital do país.

Mas fiquem com o texto do Noblat, um relato muito importante sobre estes tempos sombrios.
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POR José Pires


DIÁRIO DE AVÔ
O pior ano de nossas vidas

Ricardo Noblat

Estava na minha sala de Diretor de Redação do Correio Braziliense quando o telefone tocou e eu atendi. "Pai, me deram uma surra. Foi a turma do Luiz Estevão. Estão me levando para o hospital", comunicou-me André, meu filho mais velho, na época aluno de jornalismo do Centro Estudantil Universitário de Brasília. Foi entre o primeiro e o segundo turno da eleição de 1998 para governador de Brasília, disputada por Cristovam Buarque (PT), candidato à reeleição, e Joaquim Roriz (PMDB), que antes governara a cidade duas vezes. Roriz venceu.

Ao longo da campanha, André havia sido advertido mais de uma vez por estudantes, cabos eleitorais do candidato ao Senado Luiz Estevão de Oliveira - sim, o único senador cassado até hoje por quebra de decoro. Meteu-se com desvio de dinheiro público para a construção da sede do fórum da Justiça do Trabalho, em São Paulo. "Avise ao seu pai para deixar de falar mal dos nossos candidatos senão vai sobrar pra você", dissera um dos estudantes a André. Luiz Estevão era aliado de Roriz. E até então eu me dava razoavelmente bem com ele.

Corri para o hospital onde André foi atendido. Depois fomos prestar queixa numa delegacia onde encontramos os agressores. Convocado por eles, ali chegara para aconselhá-los um dos responsáveis pela segurança da campanha de Roriz. Rebeca, Gustavo e Sofia nos esperavam aflitos no portão de casa. Começava assim a fase mais assustadora e repleta de conflitos da nossa vida em família até hoje. Não tinha como provar que o senador eleito mandara bater em André. E ele jurava para amigos comuns que seria incapaz de encomendar tamanha crueldade.

Roriz, mais do que Luiz Estevão, não se conformava com a mudança na linha editorial do Correio patrocinada por seu presidente, o jornalista Paulo Cabral. O jornal deixara de ser chapa-branca. Não poupava de críticas nem mesmo aqueles que sempre tratara como seus fraternais "amigos". Era o caso dos dois. Uma das empresas de Luiz Estevão construíra o prédio do jornal. Como governador, Roriz premiara o Correio com gordas verbas de publicidade. Eleito para governar Brasília pela terceira vez, imaginou que poderia amansar o jornal. Não amansou.

Na noite do dia 18 de fevereiro de 2000, Gustavo assistia no Parque da Cidade ao show de uma banda de rock quando três rapazes se aproximaram dele e um o atingiu com uma navalhada no rosto. Pode ter sido um estilete. Os rapazes não trocaram uma palavra com Gustavo. Fugiram em seguida. No momento em que Gustavo deixava o local acompanhado de amigos, um rapaz alto e louro se ofereceu para ir com ele até o hospital mais próximo. Era o subsecretário da Juventude do governo Roriz, ex-líder do bando que há dois anos surrara André.

Pedi garantias de vida a José Carlos Dias, ministro da Justiça. A Comissão de Direitos Humanos do ministério investigou as agressões e concluiu que elas tiveram "motivação política". Durante 15 meses meus filhos viveram sob a proteção de policiais militares e de agentes particulares de segurança. Gustavo foi obrigado a se submeter a uma operação plástica. Por pouco não ficou com parte do rosto paralisada. Certa noite, minha casa foi alvejada por um tiro disparado por desconhecidos de dentro de um carro.

Sentia-me culpado diante de Rebeca e dos meus filhos. Eles pagavam pelo que eu fazia ou deixava de fazer como jornalista. Gustavo e Sofia eram os mais inconformados com as restrições à sua liberdade. Mais de uma vez Rebeca sugeriu que fôssemos morar em outra cidade. Por telefone, passava o dia monitorando os filhos e os seguranças deles. Em dado instante achamos mais prudente tirá-los de Brasília. Gustavo e Sofia foram estudar na Inglaterra. André, na Espanha. A casa se esvaziou de repente.

O êxito pouco ensina. Aprende-se mais com o fracasso. Momentos alegres são passageiros. Os tristes deixam marcas para sempre. A sabedoria está em tirar proveito desses. Não sugiro a ninguém que se autoflagele. Sou cristão e nem por isso admiro o martírio. Mas estou convencido de que a perseguição movida contra mim, e que alcançou a minha família, serviu para consolidá-la de vez. Rebeca não permitiu que os filhos se tornassem adultos medrosos. E eles aprenderam com o episódio a dar mais valor uns aos outros e à própria vida em família.

(E aí, Luana? Por que não vem logo? Daqui a pouco serei obrigado a contar as histórias dos meus pais, e as dos pais deles para preencher o tempo enquanto você não chega.)

sábado, 12 de janeiro de 2008

É disso que elas gostam?

Naomi Campbell e Hugo Chávez juntos? É sobre um suposto namoro dos dois que a imprensa anda falando. O boato, é claro, começou na Venezuela e vinha desde uma entrevista feita pela modelo com o presidente venezuelano em outubro para a revista brtânica GQ, mas segundo o jornal espanhol El País a notícia ganhou mais credibilidade quando foi confirmada pelo jornalista venezuelano Nelson Bocaranda, considerado muito bem informado sobre a vida de Chávez.

Bocaranda perguntou em sua coluna no diário El Universal: “Futuro black & White?” E brincando com o título de um livro de García Márquez, “O Amor nos tempos do cólera”, o jornalista venezuelano escreveu que o romance parece mais “um amor em tempos de dengue e mal de Chagas”, problemas enfrentados pela Venezuela na saúde.

Na entrevista para a revista, Naomi Campbell perguntou para Chávez se ele admitiria alguma vez ser fotografado sem camisa como fez o presidente da Rússia, Wladmir Putin. Ele então respondeu: "Por que não? Quer tocar meus músculos?"

Além de Chávez, a modelo já entrevistou para a GQ o piloto de fórmula-1 Lewis Hamilton e quer entrevistar, para as próximas edições, Nicolas Sarkozy e Fidel Castro. Para o encontro com Castro o suposto namorado Hugo Chávez pode ser de muita valia.

E a direita deve estar torcendo para que ela consiga um tempo a sós com o ditador cubano. Quem sabe, um encontro com Naomi Campbell não mata o velho?
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POR José Pires

Agora vai

O senador Edison Lobão terá um fim de semana mais atarefado que vestibulando em véspera de prova. Ele está estudando os assuntos do ministério de Minas e Energia, que deverá assumir na semana que vem.

Reportagem da Folha de S. Paulo de hoje informa que Lobão está se esforçando. "Estou lendo alguma coisa que chega às minhas mãos. A imprensa, por exemplo, está escrevendo muita coisa técnica. Todos os dias saem até informações boas", ele disse.

E ele disse mais: falou que “está se informando sobre energia elétrica, sobre hidrelétrica, sobre gás, sobre petróleo”.

Está certo. Como vai dirigir um setor vital para a infra-estrutura do país e que está próximo, bem próximo do desabastecimento, tem que estudar bastante para pegar o jeito da coisa. O melhor mesmo é aproveitar todo o tempo até a nomeação. E se assumir o cargo no meio da semana, ele ainda tem a segunda-feira e a terça para dar uma repassada no que aprendeu.
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POR José Pires

Em família

Com Lobão no ministério de Minas e Energia, a república petista assume de vez sua cara apropriada. E o Senado também se aperfeiçoa, pois na vaga de senador de Lobão entra seu suplente que, por coincidência, é também o filho Lobinho. E este Lobinho não é daquele tipo bonzinho que não come porquinhos.
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POR José Pires

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

A Telemar pode fazer um 21

Uma nota postada na página eletrônica de Lauro Jardim no site da Veja é assunto que vai movimentar bastante a política nos próximos dias. Com certeza vai virar reportagem destacada na edição que sai neste fim de semana, podendo até ir para a capa da revista.

Segundo o jornalista, o grupo Telemar/Oi já acertou a compra da Brasil Telecom. A compra não é permitida pela legislação em vigor, com o objetivo de impedir a concentração do setor da mão de poucas operadoras, o que justamente deve ocorrer com a conclusão do negócio.

Feito o acerto para a compra, agora é preciso que seja alterada a lei que regulamenta as telecomunicações, herança tucana que o colunista de Veja garante que já está pronta para ser eliminada. Ele diz que a mudança vai acontecer ainda este mês e que o negócio entre as duas operadoras teve o consentimento prévio do Palácio do Planalto.

Acontece que a Telemar, empresa que pode fazer a compra milionária e com isso formar uma superoperadora, é aquela que injetou R$ 15 milhões na Gamecorp, a empresa de Fábio Luís da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula.

Com a lembrança da história de Lulinha – o gênio eletrônico da família – a mudança do decreto pelo governo para permitir a compra, o que já é uma coisa muito suspeita, fica com a aparência ainda mais estranha. Parece que já foi acionada aquela receitinha, infelizmente comum no Brasil, de colocar o privado acima do interesse público.

A história da Gamecorp, a fantástica empresa de Lulinha, é um escândalo. Só não deu em nada porque estamos no Brasil, uma terra com muitas oportunidades para quem detém o poder e com pouco espaço para a Justiça. E, além disso, temos também uma oposição genuinamente brasileira, de gente que no substancial acaba se acertando.

Antes do pai virar presidente, Lulinha trabalhava como monitor no zoológico de São Paulo, onde ganhava 600 reais por mês. Com Lula lá, sua vida deu um salto. Entrou como sócio na Gamecorp, que apenas em um ano recebeu um aporte de 5,2 milhões da Telemar. Hoje o capital investido pela Telemar na empresa de Lulinha está em 15 milhões de reais.

A Veja já havia detectado em outubro de 2006 um lobby para mexer na legislação em vigor para favorecer a Telemar. E apontou Lulinha como uma das peças-chave no negócio. “O filho do presidente foi acionado para defender interesses maiores da Telemar junto ao governo que o pai chefia. Em especial, em setores em que se estudava uma mudança na legislação de telecomunicações que beneficiava a Telemar”, publicou a revista em reportagem na qual conta toda a história dos negócios da lucrativa empresa do filho do presidente Lula.

A revista revelou que, em reunião com Daniel Goldberg, titular da Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça (SDE), Lulinha e seu sócio, Kalil Bittar, “sondaram o secretário sobre a posição que a SDE tomaria caso a Telemar comprasse a concorrente Brasil Telecom”, a fusão que agora está sendo anunciada e que ainda não é permitida por lei.

Segundo Veja, o escândalo em torno dos negócios suspeitos de Lulinha abortou a tentativa de mudar a legislação na época. A revista denunciava, então, que a associação com Lulinha envolvia “a queda de barreiras legais que impedem a atuação nacional de empresas de telefonia fixa”. O governo lula também estaria orientando fundos de pensão para vender fatias de sua participação acionária no setor das telecomunicações.
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POR José Pires

Cadê a turma da liberdade de expressão?

A Brasil Telecom também é dona do portal de internet IG, o que significa que se acontecer a venda para a Telemar um importante setor das comunicações fica sob o poder de apenas uma empresa. É o monopólio se estabelecendo em um meio importante como a internet.

E o interessante é que, neste caso, não se escuta a gritaria que os petistas costumam fazer até em questões menores que supostamente atingem as comunicações no país. Nas instituições ocupadas por essa gente e nos blogs que lhes dão apoio fica todo mundo caladinho.
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POR José Pires

Política em família

Em seu blog na internet o jornalista Reinaldo Azevedo lembrou que um dos controladores da superoperadora que pode surgir com a fusão da Telemar com a Brasil Telecom é Sérgio Andrade, da Andrade Gutierrez. O outro é Carlos Jereissati, da La Fonte.

Sérgio Andrade é amigo pessoal de Lula que, aliás, tem laços firmes com a família Andrade Gutierrez desde que militava na oposição. Marília Andrade, prima de Sérgio Andrade e herdeira da construtora, era amicíssima de Lula antes dele ser presidente. Entre outros agrados, ela hospedou Lurian em seu apartamento em Paris na década de 90, logo depois dos fortes ataques de Collor a Lula e a fragorosa derrota do petista.

A Andrade Gutierrez foi também a maior doadora individual de recursos à campanha de reeleição de Lula em 2006. Deu para a campanha R$ 6,4 milhões, a metade de todo o volume doado pelas empreiteiras.

Essa forte relação é bastante reveladora de como imensas forças econômicas estabelecem vínculos com a política de tal forma que tornam impossível transformações de qualidade. No caso da construtora Andrade Gutierrez, até o acaso da vida ajudou. Enquanto a empresa seguia firme em suas relações com o regime militar e os governos civis que vieram a seguir, herdeiros seus estabeleciam pontes sentimentais com liderança petistas que depois viriam a ocupar o poder.
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POR José Pires

Em família mesmo

E o outro sócio é Carlos Jereissati, cujo sobrenome revela parentesco poderoso: é irmão de Tasso Jereissati, poderoso cacique tucano que foi, inclusive, presidente do partido até alguns meses atrás.

São coisas que explicam com bastante propriedade – muita propriedade mesmo! – o fato de não existir oposição. E também ajudam a entender as dificuldades para consertar o país.
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POR José Pires

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Pegando en nel pié de Chávez

Corre na internet uma boa piada sobre o presidente venezuelano Hugo Chávez. Só pode ser coisa de la oposición.

“Hugo Chávez, prohibe fiesta en honor a los Reyes Magos. Si un rey lo mandó a callar, tres lo mandarían a la mierda.”
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POR José Pires

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

No mesmo ninho

Certos títulos de reportagens são mesmo uma piada, mesmo que o assunto seja da maior seriedade. Chamada de hoje da Folha de São Paulo: “Brasil participou da Condor, diz Passarinho”.
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POR José Pires

Acorda Piauí

A revista Piauí pretende-se muito moderninha, mas tem alguma coisa errada em sua relação com a internet. Só se fala da reportagem feita com o ex-deputado (cassado por falta de decoro) José Dirceu e no site da revista ainda não foi colocada a edição de janeiro que traz o assunto. Até hoje lá está a edição de dezembro.
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POR José Pires

Sonhando alto

Na reportagem com José Dirceu salta também o mais novo presidenciável da praça. É ele mesmo que se lança, com toda a modéstia. Para seu padrão, é claro. Disse o seguinte: “Se eu ainda tivesse a petulância de me candidatar à Presidência, era capaz até de ser eleito”.

É isso aí. Já tenho o slogan; "Já que não teve a Revolução, vamos de Mensalão.
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POR José Pires

Aviso à praça

Quanto aos desmentidos, bingo nosso. Dirceu já começou a desdizer aquilo que foi bem anotado e transcrito na reportagem. Ontem mesmo, por meio de sua assessoria o deputado cassado disse que ao falar sobre o PT gaúcho não teve a intenção de apresentar denúncia e que apenas repetiu acusações feita pela oposição ao partido no Estado.
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POR José Pires

A desbocada continua a mesma

Dêem uma doce limonada para Heloísa Helena e dela a ex-senadora faz um monte de limões azedos. Dirceu também a cita na reportagem da Piauí. “Ela votou contra a cassação do Luiz Estevão. Votou mesmo, e por motivos impublicáveis”, ele disse.

Heloísa Helena, é claro, ficou uma fera. Ou um pouco mais que isso, já que a ferocidade parece ser seu estado natural. E passou a xingar seu ex-correligionário e atual desafeto.

E também a falar besteira, outro dom que nela parece natural. Disse que Dirceu procurou agredi-la “como mulher” e depois afirmou que ele “se mostra um velho, machista e canalha”.

E com isso não atingiu nem os machistas e muito menos os canalhas, mas ofendeu os velhos que não são nem uma coisa nem outra.
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POR José Pires

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

José Dirceu confessa crimes

Umas das cenas mais marcantes do documentário, Entreatos, dirigido por João Moreira Salles, é o momento em que, no início de uma reunião, José Dirceu (então deputado e presidente nacional do PT) mostra sua contrariedade com a equipe de filmagem que estava no local. A equipe dirigida por Salles acompanhava a campanha de Lula em sua primeira eleição com autorização do candidato presidencial, mas mesmo avisado disso Dirceu continuou não gostando da coisa.

Hoje, passado alguns anos, com Dirceu já cassado por falta de decoro e réu por formação de quadrilha e corrupção ativa perante o Supremo Tribunal Federal (STF), dá para entender a sua precaução.

Naquele final de 2002 José Dirceu já tinha bastante experiência para saber que só haveria vantagem em abrir a intimidade de uma campanha eleitoral se eles, Lula, os petistas e ele próprio, fossem políticos progressistas autênticos e não o engodo que foi desmascarado logo depois.

Mas José Dirceu acabou fazendo nesses últimos meses exatamente aquilo que procurou impedir há cerca de cinco anos atrás. Ele permitiu que a repórter Daniela Pinheiro, da revista Piauí (propriedade do mesmo Salles, ô grude!), o acompanhasse numa viagem de 6 dias por três países. A reportagem, publicada em 12 páginas da revista que hoje chega às bancas de São Paulo, dá um bom material para a Procuradoria-Geral da República e para a oposição. Nela, Dirceu revela, de própria voz, métodos escusos usados pelo PT para se fortalecer e manter-se no poder. Leia um trecho, que extraí do blog E Você Com Isso, de Marcelo Soares, que teve a presteza de copiar da revista e postar ontem no final da noite.

"[Dirceu]Disse que a construção da sede do PT, em Porto Alegre, 'foi feita só com dinheiro de caixa dois. Era com mala de dinheiro'. Lembrou que quando foi feita a denúncia, que atingia em cheio o governo de Olívio Dutra, 'a gente estava com eles, não os abandonamos em nenhum minuto'.

(Sobre as críticas de outras correntes do PT em relação ao mensalão) " 'Esse pessoal é assim. Chegava para o Delúbio e falava: 'Delúbio, preciso de 1 milhão'. Como é que alguém vai arrumar esse dinheiro assim, de uma hora para outra?', disse, referindo-se ao ex-tesoureiro do partido sob a acusação de ter montado o esquema irregular de financiamento de campanha. 'Aí, quando não recebiam o dinheiro, diziam que estavam sendo preteridos porque eram de uma outra corrente, de uma outra ala, que a direção era autoritária. O pobre do Delúbio tinha que ir aos empresários conseguir doações. Aí, estoura o mensalão e esse pessoal vem dizer que o Delúbio era o homem da mala. O que não dizem é que a mala era para eles'."

Neste trecho, José Dirceu praticamente confessa crimes praticados pelo PT e coloca seus correligionários gaúchos numa situação complicada. Provavelmente ele vai desmentir, dizer que a repórter anotou errado, que é uma campanha contra ele e o PT, mas agora é tarde. Já abriu o bico.

Seis dias com uma repórter, em viagem pelo exterior? Ora, ora, e depois dizem que macaco velho não põe a mão em cumbuca.
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POR José Pires

Deletando a transparência

O governo Lula adiou o controle sobre as ONGs. A entrada em vigor de mecanismos de controle dos repasses de dinheiro público a Estados, municípios e organizações não governamentais fica para depois. As novas regras, anunciadas em julho do ano passado com o objetivo de evitar desvio de verbas federais, só entrarão em vigor depois das eleições municipais.

O adiamento foi atribuído pelo governo a problemas tecnológicos e a atrasos no treinamento de pessoal.

Está certo. É problema tecnológico mesmo. Controlar agora pode afetar o funcionamento das urnas eletrônicas.
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POR José Pires

Bolsa eleitoral

Mais um trabalho de Lula em função da tecnologia foi a edição da Medida Provisória (MP) para ampliar o Bolsa Família. Às escondidas, três dias antes de acabar o ano, ele deu um bônus de R$ 30 reais para adolescentes de 16 e 17 anos. Antes, o benefício era apenas para famílias com crianças até 15 anos, no limite de até três beneficiadas.

Uma família que tenha três filhos de até 15 anos e dois de 16 ou 17, por exemplo, que pelo critério atual recebe R$ 112,00, passa a receber R$ 172,00.

A MP pode ser derrubada, mas Lula criou uma situação difícil para os deputados. Deu um golpe indecoroso no Legislativo. A “bondade” de Lula combina com o ano eleitoral, período difícil para combater um aumentozinho na Bolsa Família.

O que esse governo não faz em função da tecnologia, hein? Tudo para que a urna eleitoral funcione direitinho.
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POR José Pires

Um graçola na Fazenda

Já há algum tempo que Lula e sua turma riem da cara dos brasileiros. Não contentes em agir sem nenhum compromisso com a ética ou ao menos trabalhar com conceitos razoavelmente equilibrados de administração pública, eles também fazem piada, tripudiam da opinião pública e gozam as críticas, mesmo aquelas vindas de pessoas ou grupos sem compromisso político-eleitoral com a oposição.

Foi assim com o “mensalão”, quando Lula e PT cairam na gargalhada juntos. Foi também do mesmo jeito durante o processo de Renan Calheiros ou mesmo agora durante a votação da CPMF e tantos outros episódios lamentáveis deste governo. Até em tragédias comoventes, como no desastre com o avião da TAM em Congonhas que matou 200 pessoas, quando o assessor de Lula, Marco Aurélio Garcia, foi flagrado pelo janelão do palácio do planalto fazendo gestos obcenos.

Eles se divertem. O engraçadinho agora foi o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que para negar que tenha havido quebra de palavra com o aumento de impostos em 2007, disse o seguinte: ”O compromisso do presidente Lula era de não promover alta de impostos em 2007. E de fato não o fez. Estamos fazendo em 2008, o que está dentro do programado.”

Mantega resolveu acumular cargos. Além da Fazenda, agora é ministro da Piada.
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POR José Pires

Duplicidade de função

Não estará havendo invasão da parte de Mantega nas atribuições de outro ministério? Até agora, pelo menos, o papel de bobo da corte de Lula era do ministro Gilberto Gil.
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POR José Pires

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Deu chabu no show do Chávez

E o show da libertação de reféns da FARC na Colômbia, patrocinado por Hugo Chávez e para a qual Marco Aurélio Garcia, assessor da presidência brasileira para Assuntos Internacionais, foi todo lépido e fagueiro tirar uma casquinha para o governo Lula, hein? Top, top, top!

Um apelo ao semancol

Ainda há tempo para uma última retrospectiva? Não temam, não é nada longo. Ao contrário, é até bem sintético e certamente um dos textos mais úteis publicados na imprensa no ano passado aqui no Brasil. Devia ser objeto de meditação obrigatório de cada brasileiro pelo conteúdo desmitificador do hábito nacional de tratar de modo extraordinário e elevar às alturas aquilo que não passa de obrigação básica.

É uma entrevista publicada pela Folha Online em novembro com o virologista Robert Gallo, um dos descobridores da AIDS, doença sobre a qual o Brasil ostenta o estranho orgulho de ter estabelecido um programa de combate que seria um “modelo” internacional. É isso que Gallo refuta, com respostas categóricas e muito interessantes, menos pela questão da doença, mas pelo ataque preciso à gabolice crônica que até se tornou uma plataforma de governo com Lula como presidente da República.

Destaquei da entrevista o trecho que aponta um dos mais graves defeitos deste país e que não deve ser tratado de modo pitoresco. É o tom excessivamente elevado no auto-elogio – o melhor nisso, o melhor naquilo – que sempre vem junto com a proporcional falta de profundidade e equilíbrio na análise e resolução dos problemas nacionais.

Uma boa idéia seria que este trecho fosse lido no início de cada sessão do Congresso Nacional, saísse todos os dias publicado no Diário Oficial, afixado em todas as repartições públicas e embaixadas no exterior, nas escolas e universidades e também nos locais de trabalho das empresas privadas. E, para fixar melhor o assunto na cabeça do brasileiro, fosse ajuntado ao tradicional boa noite do final do Jornal Nacional. No momento da despedida, o apresentador do JN diria também: e não esqueçam da entrevista do Robert Galo.
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POR José Pires


A entrevista com Robert Gallo
Folha Online - O programa brasileiro de combate à Aids é visto como um modelo nessa área...
Robert Gallo - Não fique tão orgulhoso. Vocês não são um modelo.

Folha Online - Por quê?

Gallo - O que vocês estão liderando, que caminho estão apontando? O Brasil trata seu povo, assim como os Estados Unidos. Qual é o modelo? Modelo para quem? Eu não entendo...

Folha Online - Talvez porque o tratamento é gratuito e atinge um grande número de pessoas, além de a epidemia estar razoavelmente controlada aqui.

Gallo - Todos são tratados na Suíça, na Alemanha, na Itália, na Inglaterra, no Canadá. Por que vocês seriam um modelo?

Folha Online - Então o senhor não concorda com isso?

Gallo - A realidade é o seguinte: quando você diz que é um modelo, está implícito que todo mundo deve seguir você. Mas a maioria dos países já faz isso [tratar gratuitamente os pacientes com Aids]. Apenas países que são muito, muito pobres não fazem isso. Vocês são modelos para quem? Se você quer saber se o Brasil está fazendo um bom trabalho com respeito ao tratamento contra a Aids, eu digo que sim. E isso é ótimo, maravilhoso. Mas se você diz que o Brasil é um modelo, isso significa que vocês são uma lição para mim. Por que vocês seriam uma referência para mim? Talvez sejam um modelo para a África do Sul, para alguns países, mas não para o mundo inteiro, já que a maioria dos países realmente trata seus pacientes com Aids.