quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Por que no te callas, Requião?

Até terça-feira passada Jozeléia Nogueira era procuradora-geral do governo do Paraná. Agora, ela é autora de uma das melhores frases desses últimos anos, com uma fala que expõe o comportamento autoritário e grosseiro de Requião. O governador a ofendeu em público, como faz com todos, levando a procuradora a pedir demissão do cargo. Respaldada nesta atitude pessoal muito digna, a frase da ex-procuradora adquire um caráter histórico.

Ela saiu dizendo o seguinte: “Em público, diante da imprensa e de todos os demais secretários de Estado, as agressões verbais [de Requião] ultrapassam todos os limites da tolerância, da civilidade e, com todo o respeito e sinceridade, de educação também”.

A frase da ex-procuradora sintetiza o modo de governar de Requião, caracterizando bem seu estilo pessoal, de comportamento agressivo, truculento e de modos extremamente grosseiros. O governador é famoso pela grosseria. Ele destrata seus secretários até com palavrões e hoje, no estado, é difícil encontrar uma categoria profissional que ele não tenha xingado ou ameaçado. A reação da ex-procuradora é muito importante, pois até aqui seus subordinados têm agüentado calados o cotidiano de agressões.
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POR José Pires

Patadas e também burradas

O estilo de Requião fez dele uma das estrelas do Youtube, site que disponibiliza vídeos na internet. O governador do Paraná protagoniza os mais bizarros da área política. Ele aparece ofendendo manifestantes, fazendo ironias com a política militar do estado, desrespeitando as mulheres, enfim brigando e agredindo os mais variados setores.

Seu descontrole também é responsável por burradas muito engraçadas. Ele já usou uma das reuniões de governo − televisionadas pela TV Educativa − para atacar um plano internacional para dominar a amazônia brasileira e que, na verdade, é apenas um jogo eletrônico criado para a publicidade do guaraná Antárctica (veja aqui). Em sua ansiedade, Requião interpretou como verdadeiro o jogo virtual.No Youtube ele aparece também comendo mamona em reunião com o presidente Lula, numa das cenas mais famosas do nosso besteirol político (veja aqui)

E aqui você pode ver Requião fazendo piada de mau-gosto com os idosos, dizendo que atividade esportiva da terceira idade tem que ser acompanha pelo camburão do necrotério. Não há dúvida: é um governador com alto índice de patadas.
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POR José Pires

Sadomasoquismo como forma de governo

A ex- procuradora Jozeléia Nogueira teve mais dignidade que os demais marmanjos que cercam Requião e vivem sob regime de patadas. É uma relação política estranha, que parece alimentada por um sadomasoquismo político muito particular. É um cotidiano pesado, agravado também pelas piadas de mau-gosto de Requião.

Mas parece que tem gente que gosta. Houve uma ocasião, há cerca de três anos, que uma deputada de sua base política defendeu a má-educação do governador em uma reunião com professores universitários. Os professores haviam sido ofendidos por Requião. A deputada disse, em reunião pública, que as grosserias deviam ser desculpadas por serem decorrentes da personalidade do governador.

Por esta fala, a deputada foi vaiada no ato. E esta extraordinária tese em defesa da grosseria foi com certeza um dos motivos para que ela não tenha sido reeleita.
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POR José Pires

Criança também sofre no Paraná

E enquanto o governador surta em seu gabinete e até em público, o Paraná colhe péssimos índices em todas as áreas. É o mais pobre estado do sul do Brasil, tem a pior renda per capita e baixos índices de desenvolvimento.

No mesmo dia em que a ex-procuradora se demitia por ter sido ofendida em público, a Unicef apresentava um estudo que revela que o Paraná apresenta os piores números em mortalidade infantil. A taxa de mortalidade infantil é considerada pelo Unicef como um indicador básico de desenvolvimento humano.

O Paraná está na pior situação na região. Entre menores de cinco anos o estado tem 22,3% de mortes por mil nascidos vivos no ano de 2006 enquanto Santa Catarina está com 19,0% e Rio Grande Sul com 16,0%. Segundo a Unicef, as crianças do Paraná com menos de dois anos também são as mais desnutridas do sul do país.
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POR José Pires

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Agora é a economia mesmo, estúpido!

Ontem eu observava aqui neste blog que fazia alguns dias, bem poucos, que o presidente Lula não disparava alguma sandice nos ouvidos brasileiros. Eu dizia até que era ainda mais estranho, pois um assuntão, o da recessão americana, quicava na área, para usar uma hipérbole de seu gosto. Falei cedo. Ele resolveu falar besteira para o mundo.

Ontem deu um pito no presidente George W. Bush. Ainda não sabemos qual será sua próxima ação, para onde será dirigida uma firme descompostura para que o mercado financeiro se arranje. Que ele não acorde invocado. Pode acabar ligando para dar um esporro no presidente do Federal Reserve, o Banco Central americano.
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POR José Pires

De olho na agenda

É claro que fui dar uma olhada na agenda do Lula para hoje. Nenhuma reunião com o ministro da Fazenda. O homem está calmo. Ou cego. Ou os dois.
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POR José Pires

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Conspiração

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, culpa a mídia pelo “clima” em torno da febre amarela. É suspeito mesmo: esse alarde com a febre amarela só pode ser coisa da imprensa marrom.
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POR José Pires

Teste divino

Agora é que vem a grande prova se Deus é brasileiro ou não. Com Edison Lobão assumindo o ministério das Minas e Energia tem que chover e muito. Senão fica comprovado que o de cima tem mesmo outra cidadania.
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POR José Pires

Vejam a piada publicada em um site americano e que corre pela internet. A nossa imagem no exterior está como o diabo gosta.
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POR José Pires

Vaia educativa

O ministro da Educação, Fernando Haddad foi tocado do 30º Congresso Nacional da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação). Haddad chegou ao congresso e foi recebido com vaias por militantes do PSTU e de correntes de profissionais da educação ligadas ao partido e à central sindical Conlutas.

O ministro foi praticamente posto pra foras pelos militantes que tinham como um dos gritos de guerra “eu sou de luta, sou radical, não sou capacho do governo federal".

Os gritos dos manifestantes também foram de “fora já daqui!”. Alguns jogaram bolinhas de papel em Haddad, que sentado na primeira fila, era defendido com gritos por militantes da CUT (Central Única de Trabalhadores).

O ministro pretendia falar durante o congresso, mas diante do clima de confronto, resolveu deixar o local.

Tirante a ironia da má-educação em um congresso de trabalhadores da Educação, sempre é bom ver autoridades petistas tomando do próprio remédio − atitudes ferozes e desequilibradas que eles próprios tinham quando estavam fora do poder. Não deixa de ser um remédio para que aprendam a se comportar quando voltarem a ser oposição.
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POR José Pires

Recordar é viver

Haddad tomou a vaia no sábado e hoje no meio da tarde tem reunião com Lula. Parece maldade. Logo agora que o presidente já tinha esquecido das vaias do PAN?
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POR José Pires

Look final

Fidel Castro sempre cuidou muito bem da imagem, mas agora no finalzinho cometeu um deslize fatal. Passou a vida de uniforme de guerrilheiro e vai entrar para a história vestido com um agasalho esportivo.
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POR José Pires

Calote em legítima defesa

A desobediência civil está firme no Rio de Janeiro. Moradores de bairros da zona sul e da zona norte da cidade anunciam que não vão pagar o Imposto sobre Propriedade Territorial Urbana (IPTU), principal receita de qualquer município. É um movimento organizado. Associações de moradores exigem que a a prefeitura carioca cumpra suas obrigações com serviços básicos (limpeza e asfalto, por exemplo), que por lá também estariam em falta.

Com a ameaça de calote, o prefeito do Rio, Cesar Maia, está mais alucinado que de costume.

Boa essa. É torcer para que a moda pegue. Bem que viria bem um movimento desses no plano federal. Lula iria ficar de cofre vazio.
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POR José Pires

Caladão

Lula não deve estar bem da saúde. Não falou nenhuma besteira na semana passada. E olha que ele tem um assuntão: a recessão nos EUA.
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POR José Pires

O culpado, o culpado

Falando nisso, a recessão nos EUA é herança maldita de quem?
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POR José Pires

Inversão de valores

Vai entender um negócio desses. O governo Lula não consegue gastar o dinheiro do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Dos R$ 16,5 bilhões previstos em 2007, apenas R$ 5,4 bilhões foram gastos.

Já com o pagamento de diárias a funcionários públicos, assessores e ministros no ano passado, gastaram de R$ 1,7 bilhão nos últimos quatro anos, o que dá R$ 1,2 milhão por dia.

Pra mim a equação é simples: tem que mudar a gastança de lugar.
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POR José Pires

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Gil diz ao povo que fica

Gilberto Gil não vai mais deixar o Ministério da Cultura. Recentemente ele dizia que havia incompatibilidade entre o ministério e sua carreira artística e que também precisava curar uma lesão nas cordas vocais e por isso deixaria de ser ministro.

Pois agora decidiu ficar. “Eu continuo mais do que nunca”, ele disse. Não é nada espantoso vindo de quem vem: era só gogó mesmo.
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POR José Pires

Jogando conversa fora

Repercute bastante a idéia do ministro de Assuntos Estratégicos (o famoso ministério Sealopra), Roberto Mangabeira Unger, de fazer a transposição de águas da região do semi-árido nordestino. Mangabeira está em viagem pela Amazônia, para onde foi levar suas idéias futurísticas.

O ministério de Mangabeira, pelo jeito, é o ministério de jogar papo fora. Ou, como diziam os antigos, da conversa fiada. Em um texto de dez páginas lançado em Belém surgiu a idéia de fazer um aqueduto levando água da Amazônia para o nordeste. Foi criticado, é claro, pelo absurdo.

Mas a viagem está sendo bastante útil. Para Mangabeira. Ele já foi informado que só em Manaus, onde vivem mais de 1,8 milhão de habitantes, quase 700 mil não dispôs de água encanada em suas casas. Agora ele promete que vai pensar primeiro em utilizar a água da Amazônia na própria Amazônia. Não deixa de ser um avanço.
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POR José Pires

Pela defesa do Brasil

O ministério de Mangabeira − que não sei por que é chamado de Extraordinário em um governo em que praticamente tudo é fora do comum − também está envolvido em um estudo muito importante e com certeza até mais urgente que construção de aquedutos.

É o Comitê Ministerial de Formulação da Estratégia Nacional de Defesa, um grupo de trabalho que vai apresentar um plano estratégico de defesa nacional. E é claro que o plano já tem apelido: é o PAC da Defesa.

O grupo de trabalho, presidido pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, e coordenado por Mangabeira, também terá a participação dos ministros da Fazenda, do Planejamento, Orçamento e Gestão e da Ciência e Tecnologia, além dos comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica.

O grupo deve apresentar até 7 de setembro deste ano um plano estratégico de defesa nacional. Até lá, os brasileiros devem rezar para que não aconteça nenhuma ameaça grave, como um ataque de nação estrangeira, uma hecatombe nuclear, coisas assim. Se algo acontecer antes de 7 de setembro, sem o plano do Mangabeira estaremos fritos.
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POR José Pires

O mundo não confia nos políticos

Se os marcianos vissem essa, chegariam à conclusão de que sim, existe vida inteligente na Terra: 900 milhões de terráqueos não confiam nos políticos. O resultado é de uma pesquisa feita pelo Gallup International para o Fórum Econômico Mundial, a entidade que organiza os encontros de Davos.

O Gallup ouviu 61,6 mil pessoas em 60 países o que, pelo método da pesquisa, equivaleria à opinião de 1,5 bilhão de pessoas. 60% dessas pessoas acham que os políticos são desonestos.

O estudo afirma também que apenas 8% dos pesquisados no mundo confiam nos políticos. Na América Latina a desconfiança é ainda maior: só 4% confiam.

E se você está achando que ainda é muita gente confiando nos políticos, tem uma coisa que explica: o Brasil não entrou na pesquisa.
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POR José Pires

Que viagem

Falando em político, está explicado porque os nossos vivem viajando. Estudo divulgado pela ONG Transparência Internacional revela que, dos R$ 80 milhões de verba de gabinete recebidos no ano passado, R$ 20 milhões foram para viagens.

É muita viagem. Deve ser para seguir o exemplo de Lula: esse viaja até na maionese.
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POR José Pires

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

A morte ronda os homens de bem

Em sua coluna de hoje na Folha de S. Paulo, a jornalista Eliane Cantanhede noticia que a Polícia Federal identificou e fez malograr um plano para matar um gerente do Ibama contrário aos interesses de madeireiros da região Norte. A intenção era simular um assalto à mão armada e matar o gerente do Ibama Roberto Scarpari, que passava as férias no Rio de Janeiro.

Com a morte de Scarpari, que trabalha em Altamira, no Pará, fazendeiros e madeireiros teriam um pouco mais de sossego para destruir florestas. Ele é um desses funcionários públicos que realmente faz o seu serviço. E com isso atrapalha bastante essa gente.

Segundo Cantanhede, o gerente do Ibama foi um dos responsáveis, por exemplo, pela autuação da Amazônia Projetos Ecológicos, que mantinha castanhais no Pará. A empresa foi notificada para desocupar mais de um milhão de hectares e multada por queimada de áreas florestais.

O plano para matá-lo forjando um assalto à mão armada tinha evidentemente a intenção de esconder o caráter político do crime, que desse modo seria visto como apenas mais um em meio à violência que domina o Rio.

A jornalista da Folha fica apenas no atentado frustrado pela PF, mas o fato fez meu raciocínio avançar além disso. E me lembrei da morte do indigenista Apoena Meirelles.

Meirelles era funcionário da Funai e foi morto com dois tiros, no interior de uma das agências do Banco do Brasil de Porto Velho, em 9 de outubro de 2004. O sertanista era tido como um lutador pela causa dos índios e tinha boas relações com indígenas de todas as etnias. Era um dos poucos brancos por quem os índios tinham consideração e devido a essa respeitabilidade serviu como mediador, resolvendo sérios conflitos e evitando graves conseqüências. “Apoena vivia no meio dos índios porque gostava, não porque era preciso. Acho que tinha sangue de índio”, disse um dia o índio Raimundo Nonato Karitiana.

Apoena Meirelles presidiu a Funai no fim da década de 1980. Era filho de indigenista e foi de um antigo líder Xavante que seu pai tirou o seu nome. Foi ele quem fez o primeiro contato com os índios Cinta-larga, em 1967. Sua morte até hoje permanece inexplicada. O sertanista estava envolvido na investigação sobre o garimpo ilegal em Rondônia, na mesma região em que ocorreu a matança de 32 garimpeiros em abril de 2004.

A conselheira da Associação de Defesa Etno-Ambiental Kanindé, Ivaneide Bandeira, disse ao site "Amazônia à Vista" em outubro de 2006 que Meirelles detinha informações importantes. Um dia antes de morrer ele disse em uma reunião que pretendia “desmontar as falcatruas” que existiam na Reserva Roosevelt, local dos garimpos clandestinos.

Não tenho uma conclusão fechada sobre o assassinato do indigenista, mas o plano frustrado no Rio fortalece a suspeita de que Apoena Meirelles foi vítima de uma trama criminosa que deu certo.
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POR José Pires

O agente Lobão

Em vários resumos biográficos sobre Edison Lobão, senador e futuro ministro de Lula, está dito que ele é jornalista, o que surpreende muita gente, inclusive a mim, pois pouco ou nada se sabe de sua carreira na imprensa. É certo que tampouco se sabe de algo útil que ele tenha feito nessas décadas em que atua como político,mas de sua atividade jornalística sabe-se menos ainda.

Pois o excelente Janio de Freitas traz um oportuno esclarecimento sobre este sombrio tópico biográfico, apenas transparecido em seu currículo. Pois foi nas sombras mesmo, servindo à ditadura militar, que Lobão fez “jornalismo”, em atividade que certamente deve ter sido muito importante como um impulso inicial na sua carreira política.

Leiam o que Janio de Freitas escreve em sua coluna de hoje, uma ótima contribuição para a memória brasileira, sempre tão embaralhada e ainda mais nestes tempos:

“Parece esquecida, nos perfis de Lobão publicados nos últimos dias, a sua carreira jornalística. É verdade que, em termos propriamente jornalísticos, não foi menos destalentoso do que em sua carreira na Câmara e no Senado, onde o máximo que demonstrou foi a persistência de permanecer, já por umas duas décadas, entre os mais inúteis. Na imprensa, porém, útil Edison Lobão foi. Como "repórter e cronista político" do 'Diário de Brasília', prestou serviços diários aos chefões da ditadura. Seus textos eram como recados saídos do Planalto, de serviços militares ou de informações, e armações de políticos governistas contra opositores. Seu ar soturno caia-lhe muito bem. E assim também quando deu continuidade em lugar mais apropriado -o partido da ditadura, a Arena- ao papel que escolhera na vida. Sem imaginar a retribuição que a democracia de Lula e do PMDB lhe ofertaria.”

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POR José Pires

Lobão no poder

E o Lobão está mesmo confirmado para o ministério de Minas e Energia. Esta é uma posse que promete. Mancha Negra, os Irmãos Metralha, Capitão Gancho, Madame Min, Maga Patalógica e João Bafo-de-Onça certamente não vão faltar.
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POR José Pires

A saúde do ditador cubano

Parece até um desmentido. Depois do presidente Lula, em viagem a Cuba, ter dito que Fidel Castro, de 81 anos, está com uma “saúde formidável” e pronto “para retomar seu papel político histórico no mundo globalizado e na humanidade”, o ditador cubano escreveu um artigo no Granma reconhecendo que tem sérias limitações de saúde.

No jornal ele tem um espaço pessoal, onde escreve numa coluna chamada “Reflexões do presidente Fidel Castro”. Parece dono de jornal do interior, imagem que não fica longe do que é hoje a imprensa cubana.

Nunca se sabe exatamente o que o falastrão Lula quer dizer com suas frases, já que algumas de suas afirmações não duram três dias, mas se Fidel estaria pronto para retomar um papel político, a única interpretação possível é que ele estaria pronto para reassumir − ou retomar − o poder.

Pois não está. E é o próprio Fidel que afirma isso, um dia depois do petista falar de sua “saúde formidável”. No Granma, ele escreveu o seguinte: “Não estou em condições físicas de falar diretamente com os cidadãos do município onde fui indicado para as eleições”. E mais uma fala de Lula fica desacreditada.
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POR José Pires

Recuerdos de Lula y Fidel Castro

O Granma, órgão oficial do regime cubano, noticiou a visita de Lula a Fidel Castro de forma bastante romântica. Segundo o jornal, os dois tiveram um “encontro amistoso e fraternal”, quando lembraram “de maneira especial” a idéia “de um deles de criar o Fórum de São Paulo”. A matéria não esclarece de quem foi a idéia, mas deve ter sido de Castro.

O Fórum de São Paulo é um organismo que reúne diversos partidos e organismos políticos da esquerda latino-americana, entre eles as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), guerrilha de esquerda envolvida com traficante de drogas e responsável por assassinatos e seqüestros na Colômbia. Hoje as FARC mantêm seqüestradas mais de 600 pessoas.
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POR José Pires