quarta-feira, 12 de março de 2008

Sem pai nem mãe

Bem, o PAC já tem até mãe. Mas podem ter certeza, se o programa não der certo eles jogam a criança na rua e some todo mundo: pai, mãe, avós, tios, primos...
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POR José Pires

Brasileiros em fuga

Deu um surto de patriotismo com as expulsões de brasileiros da Espanha. Aquela famosa frase de Samuel Johnson, “o patriotismo é o último refúgio dos canalhas”, só não cabe ao Brasil quanto ao tempo que ele usa. Aqui o patriotismo é o primeiro refúgio dos canalhas.

Mas não adianta a demagogia. A Espanha não vai pedir desculpas. O embaixador da Espanha no Brasil, Ricardo Peidró Conde, teve uma reunião com a Comissão de Relações Exteriores do Senado e mostrou um documento sigiloso do Ministério do Interior da Espanha que piorou a barra dos brasileiros.

O número de brasileiros barrados em países da União Européia é desmoralizante. Na Espanha, 1.957 foram barrados em 2005. Em 2006 foram 1.370 e 1.469 em 2007. Em Portugal, foram 2.161 em 2005; 1.749 em 2006 e 980 em 2007.

Para um país que está tão arrumadinho como querem nos convencer os petistas, é gente demais querendo ir embora. Observem que os números são dos que foram barrados. Certamente é uma porcentagem menor, comparado aos que conseguiram permanecer em países europeus, de modo legal ou não.

É sabido que os patrioteiros não têm interesse algum em aprofundar qualquer questão, pois para eles bastam os minutos felizes sob as luzes da mídia. Mas seria interessante tirar o o foco das expulsões e dirigi-lo para o motivo de tantos brasileiros estarem fugindo da pátria amada idolatrada. Mas isso não vai acontecer. E salve, salve-se quem puder.
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POR José Pires

Bye, bye, Brasil

Isso me lembra o caso de Cuba, um país onde se faz de tudo para fugir daquele paraíso cantado em verso e prosa pela esquerda brasileira. Os “balseros” são indivisíveis da história do socialismo da ilha de Fidel Castro.

Mas aqui também não é muito diferente. A vontade de ir embora do Brasil é grande. O nosso problema é que não temos nenhum país desenvolvido ao alcance de uma balsa.
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POR José Pires

terça-feira, 11 de março de 2008

Mino Carta, o biógrafo da incoerência

Mino Carta é um cara estranho. Antes do Lula ganhar a primeira eleição para presidente da República o editor de Carta Capital desancava o petista. Lembro de pelo menos duas entrevistas − uma delas, para a falecida revista República, tenho aqui comigo− em que Lula era tratado de tacanho para baixo. Era o tosco da hora. Aliás, Tosco é o nome que Mino Carta dá para ele em seu romance O Castelo de Âmbar. Tosco, o dicionário diz que é bronco, grosseiro e rude. Lula, então, era o Tosco.

De uns tempos pra cá, porém, Lula comove bastante Mino Carta. Parece um Love Story. O jornalista faz um esforço para não derramar lágrimas na presença do presidente da República. Lula é o mesmo bronco de sempre ou até piorou, mas Mino Carta sente-se como Marilena Chauí quando ele fala, talvez até veja luzes, as mesmas que surgem para a professora de filosofia em meio às frases do petista.

Caso tivesse escrito uma biografia do presidente na época em que o tachava de bronco, como faria Mino Carta? Queimaria toda a edição em praça pública?

Nesta semana em seu seu blog na internet ele conta uma história acontecida há 29 anos entre ele e Lula, quando ajudou o então presidente do sindicato dos metalúrgicos de São Bernardo e Diadema a comprar um mimeógrafo para imprimir o jornal da entidade. O mimeógrafo do sindicato sofrera uma pane sem conserto. Então Mino Carta correu atrás de umas personalidades do mundo financeiro e deram o mimeógrafo ao Lula. Logo depois o compadre do Lula deu-lhe uma casa, o chapa Okamoto pagou suas dívidas, etc., mas aí são outras histórias.

Mino Carta conta essa história de um jeito romântico. Love Story de novo. Dá a impressão de vê-lo derramando lágrimas sobre as teclas de sua velha Olivetti. Sim, porque o jornalista, baseado sabe-se lá em quais asnices pitorescas, é um daqueles que se orgulham de não usar computador. Ele garante que (não riam, por favor) faz seu blog numa velha Olivetti.

Mas o caso é que o Lula de épocas passadas, o irritante Tosco, torna-se então uma figura boníssima, quiçá comovente, não fosse ele a serpente que conhecemos bem. Mino Carta conta até que numa festa da revista, há três anos, Lula ficou comovido com a lembrança do velho mimeógrafo.

É até chato que alguém tão experiente − e velho também; Mino Carta já está com mais de 70 anos − não compreenda que certas histórias, que podem até parecer comoventes em um sofrido passado, soam apenas como puxa-saquismo do mais reles quando o protagonista está aboletado no poder e tem nas mãos a chave do cofre.
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POR José Pires

Em campanha

A agenda do presidente Lula. A sete meses da eleição, o nosso estadista está em plena campanha eleitoral. Hoje o comício é em Dianópolis, no Tocantins. O prefeito de lá decretou feriado no município e mobilizou transportes, inclusive ônibus, para levar eleitores, ou melhor, moradores, à cerimônia de inauguração de obra com a presença de Lula.
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POR José Pires

Nossa imagem no exterior

Eu me espanto com a surpresa que anda causando por aqui a retenção e expulsão de brasileiros no exterior.

Imagine se você morasse na Europa e tivesse notícias do Brasil de longe, em pequenas notas nos jornais, num e noutro noticiário de televisão, enfim daquele modo que são vistos países como o nosso no exterior. Seriam chacinas, corrupção (o mensalão, promovido pelo PT e partidos aliados, foi de relativo destaque no exterior), desmatamento, favelas, enchentes, tragédias urbanas, sem falar no rescaldo histórico, da ditadura militar, governo Sarney e governo Collor. No meio disso tudo, carnaval e muita bunda de mulher nas praias. E tome violência. De vez em quando algum festival de cinema premia um filme nacional, como o Tropa de Elite ou Carandiru, para fortalecer a má impressão. Nada contra os filmes, falo apenas da realidade que eles, com razão, mostram.

Ainda lá na Europa, você fica sabendo que o governo deste país é alinhado com Chávez, simpatiza com as FARC colombianas e o presidente atual é amigão de longa data de Fidel Castro.

E para temperar o enredo, dando consistência ao conceito, de vez em quando você lê frases destacadas do Lula, esse besteirol diário que aturamos aqui. Só como exemplo, essa última dele mandando as ONGs plantar árvores na Europa antes de discutir o meio ambiente global, frase que saiu de sua cachola para justificar o imenso desmatamento das nossas florestas. Ou o besteirol que ele solta em suas viagens.

E então? Depois disso, o que você iria achar dos brasileiros?
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POR José Pires

segunda-feira, 10 de março de 2008

Pesquisa com embriões: fim do debate

Com um argumento bem simples o geneticista Oliver Smithies, um dos vencedores do Prêmio Nobel de Medicina ou Fisiologia de 2007, acaba com a polêmica sobre o uso de embriões em pesquisa no Brasil que é motivo de ação no STF (Supremo Tribunal Federal). Para mim é a palavra definitiva no debate.

"Na verdade, estamos falando de preservar a vida do embrião − embrião que não seria usado para mais nada − permitindo a ele ajudar a vida de outras pessoas", ele disse para a Folha de S. Paulo.

"Imagine que eu seja um jovem morto num acidente de carro. Há partes do meu corpo que ainda são úteis e podem ser dadas a outras pessoas para manter suas vidas. Então, parte de mim viveria em outra pessoa. Se uma célula-tronco embrionária é feita [para terapia], aquele embrião não é morto, aquele embrião dá vida a outra pessoa, por fim."
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POR José Pires

Bolsa que rende

O jornal O Estado de S. Paulo publicou ontem uma reportagem em que comprova o abandono escolar em municípios com alto atendimento do Bolsa Família. Mas o governo já está se mexendo para resolver o problema.

A secretária de Educação Básica do Ministério da Educação, Maria do Pilar Almeida e Silva, dá uma boa pista do que pode vir por aí. “No programa há um claro efeito fixador na escola. Esse menino sai aos 15 anos, mas estaria saindo aos 10. O que precisamos agora é pensar uma política para atender depois dos 15 anos”, ela disse.

Na semana passada, o jornal O Globo lembrava uma cena de Entreatos, o documentário em que o cineasta João Moreira Salles fez o registro da campanha eleitoral do primeiro mandato de Lula. Nela, o futuro presidente fala com Gilberto Carvalho, que hoje é seu assessor próximo no Planalto. "Quantas pessoas passam fome neste país, Gilberto? Eu acho o número de 53 milhões tão absurdo!", afirma Lula.

Conquistado o poder, Lula deixou para lá o questionamento. Hoje o Bolsa Família atende 44 milhões de brasileiros, ao custo de quase R$11 bilhões apenas este ano. Tornou-se uma bela Bolsa de votos para o governo.

O próprio O Globo, em artigo de Ali Kamel, constatou recentemente que muitos beneficiados têm usado o Bolsa Família para adquirir eletrodomésticos em vez de comprar alimentos. Nada contra pobre comprar eletrodoméstico, mas acredito que mesmo o mais ferrenho defensor do governo − como os blogueiros da rede de proteção do governo Lula, prontamente ativada contra o artigo − terá de concordar que desse modo o programa está sendo desvirtuado. E o governo nem pode alegar desconhecimento disso, pois Ali Kamel encontrou a informação na página do Ministério do Desenvolvimento Social na internet.

O programa não está funcionando em uma condição básica, que é a de manter a criança na escola? Então pode vir aí o aumento da idade para ter o direito de receber o benefício. Talvez até os 88 anos. Desde que os velhinhos não abandonem a escola. E continuem votando, é claro.
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POR José Pires

domingo, 9 de março de 2008

Experiência própria

Finalmente Lula fala de um assunto que entende. Diante de uma platéia de oficiais e aspirantes da Polícia Militar do Rio de Janeiro, o Supremo Apedeuta soltou esta: “Na PM tem corrupção? Tem. E na política não tem? Tem. No empresariado não tem? No Poder Judiciário não tem? Em todo segmento da sociedade tem”.

É verdade. Tem corrupção até lá pras bandas do Palácio do Planalto. O problema é que a que acontece por lá ele não vê.
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POR José Pires

sábado, 8 de março de 2008

Xô!


Agora é Sai, Coisa Ruim, com maiúscula e não com minúscula. Exatamente às 11 horas e 21 minutos postei os textos sobre a tentativa de intimidação da imprensa, que pode ser uma estratégia da Igreja Universal, e que logo foi copiada pelo deputado Paulinho Pereira da Silva. Pois apenas um minuto após surgiu um comentário com um vírus, já devidamente eliminado como pode ser visto na nota ‘Sai, coisa ruim”, logo abaixo.

Pelo visto a intimidação é rápida e atinge também a WEB. Para isso os fanáticos estão atentos e apoiados em alta tecnologia. Só tenho dúvida se são fiéis de algum partido ou religião. É que a distinção não é fácil, agora que o interesse comum misturou tudo na "base aliada". Mas que é coisa de vermelhinho, ah isso é.

Na ilustração, uma das belíssimas gravuras de Francisco Goya (1746-1828), o grandioso artista espanhol que juntou espírito crítico e genialidade artística no protesto contra os horrores de seu tempo. Clique na imagem para apreciar com detalhes a obra. Para saber mais e ver as demais gravuras da série (só nesta, chamada Caprichos, são 80), clique aqui. Goya disse um dia: "Con la untura de la ignorancia y la torpeza, se convierten al fin los hombres en cabrones". Infelizmente ainda vale para hoje.
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POR José Pires

sexta-feira, 7 de março de 2008

Brazilians in the globalization

Sai, coisa ruim

Existe uma afirmação antiga de que aqui no Brasil certas leis não pegam. E é verdade. Por isso, é mais fácil enumerar as que pegaram, tantas são as que não são cumpridas nem a pau. Mas acredito que o Brasil sofre de outra triste particularidade nativa: as coisas ruins pegam rápido por aqui.

A Igreja Universal do Reino de Deus, de Edir Macedo é suspeita de ter colocado em prática uma estratégia política contra a imprensa: fiéis de diferentes estados do Brasil entraram com ações judiciais contra jornalistas e a direção de três jornais, Folha de S. Paulo, Extra, do Rio, e A Tarde, de Salvador. São mais de 60 contra a Folha, 35 contra A Tarde e 5 contra o Extra. O caráter simultâneo das ações indica uma orquestração contra a liberdade de expressão. As ações questionam reportagens sobre o patrimônio de Edir Macedo, líder da igreja, e agressões a imagens de santos católicos por membros da Universal.

A semelhança nos textos das ações e a coincidência das datas é bastante suspeito. As ações foram ajuizadas em localidades distantes, algumas onde só é possível chegar de barco, situação que, segundo o presidente da ABI, Maurício Azêdo, indica “a nítida intenção de dificultar o direito de ampla defesa e do contraditório assegurado pela Constituição".

Este tipo de ação exige a presença do jornalista na localidade em que foi impetrada. E já imaginaram um jornalista tendo que viajar de São Paulo até Xapuri, no Acre, para uma audiência? A repórter Elvira Lobato já tem 56 ações contra ela por causa de reportagem publicada na Folha de S. Paulo.

Uma das ações é de Xapuri, no Acre, distante 153 quilômetros da capital Rio Branco que, por sua vez, está à 3604 quilômetros da capital paulista. Já imaginaram alguém sendo atingido por uma reportagem da Folha de S. Paulo em Xapuri? Pois o fiel alegou que por causa da matéria estava sofrendo discriminação por lá. Esta foi extinta por falta de legitimidade. A juíza Zenair Ferreira Bueno Vasques Arantes, do Juizado Especial Cível de Xapuri, no Acre, vê nessas ações uma “retaliação orquestrada às matérias jornalísticas".

Caso fique caracterizada a orquestração da igreja de Edir Macedo, além de os fiéis não conseguirem receber indenizações por dano moral terão de arcar com uma condenação por litigância de má-fé. Neste caso ficaria claro a tentativa de utilizar o Judiciário para intimidação.
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POR José Pires

Veja na imagem a localização de Xapuri, no sudeste do Acre,
próxima da fronteira com a Bolívia e o Peru.

Idéia ruim pega rápido

Bem, o fato foi amplamente discutido e até o presidente Lula deu sua opinião favorável aos processos contra a imprensa, o que faz a gente pensar na possibilidade dos casos serem de seu conhecimento antes mesmo de se tornarem públicos.

Mas, para comprovar a minha tese de que ao contrário de leis boas, que por aqui não pegam, as coisas ruins proliferam com a rapidez de ervas daninhas, o deputado Paulinho Pereira da Silva (PDT-SP) resolveu se inspirar nas ações da Igreja Universal. O deputado e dirigente da Força Sindical, disse que a estratégia será usar a central sindical para levar os militantes a mover as ações. “A idéia é copiar um pouco o que a Igreja Universal fez”, ele disse.

Para comprovar que a idéia ruim pegou mesmo, o pedetista disse que os sindicalistas vão ingressar com cerca de 2.000 ações em todo o país. Para conceituar sua estratégia, Paulinho fez uso do estilo de um “bate-pau”, aqueles militantes que agridem oposicionistas em assembléisas sindicais. Ele disse: “Se os jornais vão insistir nas matérias, vou dizer com todas as letras: se querem fazer putaria, então vamos fazer putaria. Estão fazendo putaria, vamos responder com putaria”.
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POR José Pires

Falta decoro ao deputado

No caso das ações dos fiéis da Igreja Universal ainda tem chão até a comprovação de litigância de má-fé. Os fiéis estão perdendo ação atrás de ação e a parte boa da sociedade civil já se organiza em repúdio a esta pressão contra a liberdade de expressão − falando nisso, está fazendo falta a tão falada “parte boa” do PT. Sumiu. Mas no caso do deputado Paulinho Pereira da Silva, acredito que já existem muito elementos comprovando a tentativa de intimidação.

E pergunto: essa clara incitação à litigância de má-fé não é caso para um processo de falta de decoro na Câmara Federal?
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POR José Pires

As fontes

Os processos contra a Folha de S. Paulo começaram depois da publicação da reportagem "Universal chega aos 30 anos com império empresarial". A série, sobre os proprietários de meios de comunicação, foi escrita por Elvira Lobato em 1992. Como já disse, ela tem contra si 56 ações. É impossível comparecer a todas as audiências. Em uma ocasião, ela contou ao Terra Magazine, foram seis audiências no mesmo dia.

Outras ações são contra uma reportagem originalmente publicada no jornal A Tarde, da Bahia. Assinada por Valmar Hupsel Filho, ela noticia a destruição de uma imagem sacra com cerca de 300 anos pelo desempregado Marcos Vinícius Santos Catarino, 31, adepto da Igreja Universal do Reino de Deus.

A reportagem da Folha está aqui e a do jornal A Tarde aqui.
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POR José Pires

Ou dá ou desce

E por falar na Igreja Universal, vale a pena rever as cenas em que a cúpula da igreja aprende como ”tomar dinheiro” dos fiéis. Quem ensina é Edir Macedo que, em certo momento, diz o seguinte: “Se quiser ajudar, amém. Se não quiser, Deus vai ajudar outra pessoa. Se quiser, tudo bem. Se não quiser, que se dane. Ou dá ou desce”.
Edir Macedo tentou várias vezes retirar este vídeo do Youtube, mas até o momento não conseguiu. Para ver, clique aqui.
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POR José Pires

quinta-feira, 6 de março de 2008

Piração geral

Não é só Hugo Chávez que anda doidaço com a morte do líder guerrilheiro das FARC no Equador. Agora apareceu a notícia de que provavelmente a localização de Raúl Reyes, morto depois por comandos do governo da Colômbia, foi feita monitorando telefonemas do próprio Chávez. Por coisas como essa, ele não deixa de ter razão de ficar louco com o episódio.

Mas quem também ficou doidaço com o caso foi o jornalista e blogueiro da revista Veja Reinaldo Azevedo. Em seu afã de fazer o mundo girar alavancado pelo que escreve no blog, hoje ele manda Nicolas Sarkozy “cavoucar as praias das Normandia para desenterrar os corpos dos americanos que libertaram seu país”. Está fulo porque o presidente francês não age como ele quer na crise entre Colômbia, Equador e Venezuela.

Devolver os americanos enterrados na Normandia? Espero que ele tenha consultado o presidente Bush para saber se o homem topa receber de volta os defuntos.
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POR José Pires

A vítima de sempre

Duas frases de Lula. Esta: “Eles têm vaca louca e ficam dando palpite”. E esta: “Os pobres precisam tomar cuidado porque senão nós, que somos vitimas do desmatamento, que somos vítimas do aquecimento global, vamos pagar a conta, porque os protocolos internacionais só servem para os pobres”.

A primeira é sobre o embargo da carne brasileira na Europa. Lula, com sua retórica de botequim, quer que o cliente − o importador europeu − compre sua empadinha estragada e não chie. A segunda saiu de sua boca quando deu-se a revelação do aumento do desmatamento no Brasil. Em relação à discussão internacional gerada pelo assunto, Lula disse também que, aspas para sua fala, “em primeiro lugar, essas ONG's precisam plantar árvores nos países deles".

É o pensamento de um político que há pelo menos três décadas não desce do palanque. A vitimização sempre deu certo para Lula (quem não se lembra dele, na campanha eleitoral que o levou ao poder em 2002, chorando pela morte da primeira mulher que havia ocorrido há mais vinte anos?) e ele quer aplicá-la no plano internacional. E não é movido apenas pela ignorância. Existe o limite intelectual, é certo, que forçosamente o encaminha para fazer-se de coitadinho, mas Lula também defende interesses poderosos e gente com muito dinheiro.

Será interessante ver o presidente da anistia aos desmatadores criando um atalho − com a ajuda de motosserras − na consciência internacional em relação ao meio ambiente e à qualidade dos alimentos e fazendo dos países mais pobres territórios livres de inspeção e liberados também para o desmatamento. Tudo em prol do desenvolvimento dos coitadinhos da globalização.
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POR José Pires

Tadinho do Equador

A estratégia de “vitimização” no plano internacional é aplicada também em crises graves, como a da morte do líder das FARC na Colômbia. Lula quer restringir a análise do caso à invasão do território equatoriano pela Colômbia e escamotear o fato de que o país dirigido por Rafael Correa abrigava gente que seqüestra, mata e pratica a chantagem e extorsão. Além de serem aliados de narcotraficantes.

Na retórica lulista o Equador é um país coitadinho.
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POR José Pires

quarta-feira, 5 de março de 2008

Será Obama o Lula lá deles?


Todo cuidado é pouco com as análises sobre as eleições primárias nos Estados Unidos. A direita norte-americana existe e é bem ativa. Não é como no Brasil, onde todo mundo é de centro. A direita de lá age com precisão e sem escrúpulo algum. Quem acompanhou a eleição em que Al Gore foi vergonhosamente roubado, sabe do que estou falando.

Nos Estados Unidos existem instituições fortes de direita − fundações, centros de pesquisas − que patrocinam estudos intelectuais que favorecem sua ideologia e distribuem dólares inclusive entre a intelectualidade brasileira. A mídia de direita é também bastante forte, com publicações que atendem ao gosto do povão, da classe-média e até de intelectuais.

O fato é que não é de hoje que a direita norte-americana trabalha de modo incessante a comunicação. Sempre ocupou com eficácia a mídia e, com o advento das novas tecnologias, instalou-se na internet com sites e blogs. E para embasar essa estratégia tem seus intelectuais assumidamente de direita, alguns até respeitados. Nas eleições, essa máquina de comunicação trabalha à toda força, internamente e pelo mundo afora, em favor do Partido Republicano.

Muito desses arsenal, na forma de artigos ou entrevistas, cai por aqui. Nossa mídia adora. Muitas vezes são materiais gratuitos, sendo também por isso muito bem acolhidos. Dono de jornal no Brasil não gosta muito de pagar por trabalho algum, muito menos o intelectual. Parece haver também maior simpatia com presidentes republicanos. Vide o caso Bush, um desastre até para os padrões do partido de Nixon, mas tratado como grande estadista pelos nossos jornais.

Essa falta de cuidado, por displicência ou cumplicidade, com a origem da notícia, acaba contribuindo bastante para a desinformação sobre o que se passa na política norte-americana. O que dá para perceber é que os republicanos estão gostando bastante do surgimento de Barack Obama e ainda mais de sua escalada rápida. Uma das razões é óbvia. Basta ver a desunião que pode surgir no Partido Democrata com as agressivas discussões públicas entre ele e Hillary Clinton. Boa parte dos insultos lançados entre os dois acaba atingindo o eleitor democrata, criando atritos internos que podem influir negativamente nas futuras eleições.

A outra razão é que fica cada vez mais evidente que o adversário preferido dos dirigentes republicanos é Barack Obama. Parece mais fácil atingir seus pontos vulneráveis que os de Hilary Clinton. Obama, por enquanto, funcionaria para os republicanos como Lula aqui no Brasil em suas três derrotas. O petista era o adversário que todos queriam.

Percebe-se que os republicanos querem o seu Lula. A acidez com que analistas e intelectuais pró-republicanos tratam Hillary é proporcional à boa vontade em relação à Obama. Esta estratégia vem desde o lançamento da sua candidatura, mas foi bem mais forte agora, no período anterior às prévias de Ohio e Texas, quando o tom do noticiário da imprensa brasileira já dava como perdida a corrida presidencial de Hillary. E não foi bem assim, como vimos.

Nossa imprensa caiu como um patinho no clima derrotista criado em boa parte por estes intelectuais e articulistas norte-americanos de que falei. E o pior é que os jornais publicam os artigos ou entrevistas e não se dão ao trabalho de informar ao leitor que não são uma fonte imparcial. Algumas vezes o autor é até colaborador ativo do Partido Republicano.
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POR José Pires

A esperada derrocada que não veio

Uma reportagem publicada anteontem pelo site do jornal O Globo (deve ter saído também no jornal impresso, mas não tenho o exemplar aqui para conferir) na véspera das prévias no Texas exemplifica bem a situação. Nesses dias, o jornal foi um dos veículos que profetizava a derrocada de Hillary Clinton. Falavam até de uma suposta “pressão” de altas personalidades do Partido Democrata para que Hillary desistisse, sem contudo apresentar sequer um nome de peso

A matéria, pautada nesse clima de derrocada para Hillary Clinton, trouxe uma entrevista com Karen Hughes, que apenas foi da equipe de George W. Bush. Era do Departamento de Estado, onde ajudava Bush a divulgar os “valores americanos”. (guardem bem isso, no final explico). Nem precisa dizer, mas é uma republicana de carteirinha. Mas a entrevistada elogiou até os militantes da candidatura de Obama. E obviamente menosprezou a capacidade política de Hillary que, na sua opinião, “não é nada popular no Texas”.

A afirmação mais contundente de Karen Hughes foi a de que “se o Texas for o termômetro das primárias, o destino de Hillary Clinton já está selado”. Como é sabido, ontem ela venceu no Texas e também em Ohio.

O jornalista de O Globo conta que colheu essas informações quentes de Karen Hughes “durante um típico almoço em Austin, capital do Texas, onde ela mora”. Ou seja, o jornalista foi almoçar na casa da ex-assessora que trabalhava para o Departamento de Estado. O Texas, não por acaso, foi também governado pelo chefe dela.

E, para terminar, no final da reportagem o jornal explica em letras pequenas que “o repórter viajou a convite do Departamento de Estado dos EUA”. Bem, pelo menos tiveram a honestidade de confessar.
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POR José Pires

Políticos custam os olhos da cara

Sabemos que a democracia brasileira é de má qualidade. Mas é mais chato ainda constatar que ela está cada vez mais cara. A ONG Transparência Brasil já havia mostrado que os parlamentares federais brasileiros custam mais aos bolsos dos contribuintes que parlamentares de outros países, incluindo os do grupo dos mais ricos, como Alemanha, Canadá, Espanha, França, Grã-Bretanha e Itália. Ou seja, democracia cara assim nem na Europa.

Dentre os países pesquisados, o único que gasta mais que o Brasil com seu legislativo são os Estados Unidos. E mesmo assim, levando em conta o peso econômico de cada um, a diferença não é muita: de R$ 6.068.072.181,00 para R$ 10.215.609,73. O estudo também comprovou que o Congresso brasileiro gasta mais até que países da América do Sul, como Argentina e Chile.

Em 2007, cada mandato de cada um dos 594 parlamentares federais brasileiros custou quase quatro vezes a média do gasto dos parlamentos europeus e do canadense.

Acharam muito? Pois agora outro estudo da Transparência Brasil mostra que o custo por parlamentares de assembléias estaduais e câmaras de vereadores é maior do que dos deputados federais.

O projeto Excelências, que traz os novos números com a comparação entre os orçamentos deste ano e do ano passado, foi lançado em 2006, para as eleições daquele ano, tornando-se referência obrigatória para informações sobre parlamentares e Casas legislativas nas esferas federal e estadual. A partir deste ano o projeto incorpora dados sobre as Câmaras Municipais de capitais de estados.

O controle de gastos inexiste na maioria das Casas legislativas. Três quartos terão em 2008 orçamentos superiores aos do exercício anterior, contando a inflação. E notem que é um crescimento sobre o que já era caro: outro levantamento da Transparência Brasil, divulgado em 2007, já mostrava que os moradores das capitais brasileiras gastaram, em média, R$ 115 para manter seus Legislativos.

Nas Câmaras do Distrito Federal, Assembléia de Minas Gerais, Assembléia do Rio de Janeiro e Assembléia de Santa Catarina, o custo por parlamentar é maior do que na Câmara dos Deputados. Cada deputado da Alerj, por exemplo, custa R$ 7.210.451,79, enquanto cada deputado federal custa R$ 6.906.455,82 por ano.

A discrepância entre gastos e número de habitantes também é sentida na comparação entre estados. Santa Catarina, por exemplo, com um pouco mais da metade da população do Paraná (5.866.568 e 10.261.856) gasta mais com sua Assembléia Legislativa. E a do Paraná já custa pouco. Santa Catarina gastará R$ 286.879.399,00 no orçamento de 2008, com aumento de 17,65% em relação ao ano passado. Já o Paraná deve gastar R$ 250.314.330,00, com aumento de 9,02%.

Uma leitura atenta ao estudo faz a gente se deparar com números que chegam a ser humorísticos. Na Câmara do Distrito Federal, dos R$ 236 milhões referentes ao orçamento 2007 ao menos R$ 2,2 milhões foram de verbas de gabinete. Só nos primeiros dez meses do ano um terço desse valor (R$ 722 mil) foi gasto com combustível. Com a gasolina comprada com esse montante, seria possível percorrer Brasília de uma extremidade a outra 235 mil vezes.

O maior aumento de gastos ocorrerá em Minas Gerais, onde haverá um acréscimo de 40%. O custo de cada mandato na Assembléia de Minas, que foi de R$ 6,4 milhões em 2007, saltará em 2008 para R$ 9 milhões.

O estudo da Transparência Brasil é simples, como deve ser o resultado de uma boa pesquisa, e bem curto: apenas 12 páginas. Quem quiser ler na íntegra, até para fazer uma comparação com a cãmara de sua cidade, pode clicar aqui.
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POR José Pires

terça-feira, 4 de março de 2008

Mônica Veloso dá notícias

O SBT é pródigo em desperdiçar oportunidades, mas desta vez exagerou. Mônica Veloso, a ex-amante do senador Renan Calheiros, estréia no domingo um programa na televisão do Silvio Santos. O nome do programa? Vrum. É isso mesmo: Vrum. Ela será a âncora − e bota âncora nisso; por pouco o senador não vai pro fundo − do programa com com dicas de lançamentos, manutenção, testes e outras dicas sobre automóveis.

Mas, peraí. Com tal apresentadora o programa não tinha que ser outro? Mônica Veloso falando de carros sai bastante do perfil da moça. Ela merecia coisa melhor. Talvez uma atração para a dona de casa, com receitas culinárias, dicas para cuidar da pele, dos cabelos e, entre tudo isso, conselhos sobre como manter o casamento, orientação sexual e dicas para lidar com o batom na cueca do marido. E claro que teria que ter também muito material sobre economia doméstica, pois disso a moça manja.

Fica aqui a sugestão, sem custos para o Sílvio Santos, coisa que ele gosta. Como esse tipo de programa é só um cenário e reportagens mal feitas rolando, até domingo ainda dá pro SBT repensar. E quanto ao nome, Vrum não. Qualquer outro nome, menos Vrum. Pode dar uma conotação de sacanagem explícita ao programa.
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POR José Pires

Calma, pessoal

Faltava uma crise boa como essa entre a Venezuela e a Colômbia, com o Equador no meio como triste títere de Hugo Chávez, para testar a "nova política externa" brasileira com a qual Lula estufa o peito de orgulho. Está testada. É a diplomacia da turma do deixa disso.
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POR José Pires

segunda-feira, 3 de março de 2008

Candidatos para todos os gostos

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) tomou algum remédio forte no café da manhã. Pois ele subiu à tribuna do senado e lançou uma porção de candidatos presidenciais, todos colegas senadores. Ou pelo menos pré-candidatos.

Buarque acredita que disputando nos partidos a indicação para a eleição presidencial, os senadores podem aprofundar o debate sobre o país e levantar a imagem do Senado. Ele só não explicou porque com oito anos de mandato um senador não pode fazer o mesmo.

Mas vamos à chusma (ou magote, tanto faz) de candidatos que o senador Buarque lançou: Kátia Abreu, Marco Maciel, Álvaro Dias, Mário Couto, Mão Santa, Eduardo Suplicy, Pedro Simon, Jarbas Vasconcelos, Geraldo Mesquita e até o petista gaúcho Paulo Paim.

Falando sobre as chances de Paim numa eleição presidencial, Buarque pegou pesado. Disse que ele é o “Barack Obama brasileiro”. Não precisava. Nem Hillary Clinton, que tem toda a razão de estar fula da vida, atacou Barack Obama desse jeito.
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POR José Pires

Extra, extra, extraordinário

Agenda do Lula: reunião às três e meia da tarde com Roberto Mangabeira Unger, ministro extraordinário − e bota extraordinário nisso − de Assuntos Estratégicos da presidência da República.

Alguma sugestão valiosa para hoje? Talvez algo na dimensão de um aqueduto amazônico. A Nação espera, com ansiedade, a genial idéia de hoje para o “governo mais corrupto de nossa história nacional”.
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POR José Pires

Mais uma do Lula

O estoque de asneiras do presidente Lula aumentou com a frase “Seria tão bom se o Poder Judiciário metesse o nariz apenas nas coisas deles”. Porém, a frase não é apenas mais uma entre o besteirol presidencial. Esta fica lá em cima, no cume da montanha de asneiras que brotou da incontinência verbal de Lula nesses seis anos.

Lula só não explicou como é que o Poder Judiciário poderia funcionar caso “metesse o nariz apenas nas coisas deles”, sendo uma instituição que existe exatamente para “meter o nariz” (sic) nas coisas dos outros.
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POR José Pires