segunda-feira, 17 de março de 2008

Jorge Amado, um mito sem qualidade

Chico Buarque aparece nos jornais em uma foto lendo Jorge Amado. Está confortável numa cadeira e olha de longe o livro, com jeito de quem precisa de óculos. O compositor tem tempo pra perder lendo − ou pior ainda, reler − o escritor baiano? Vai ler a obra completa? Olhe que é uma quantidade razoável: a editora Companhia das Letras pretende publicar 34 títulos.

É provável que Buarque saiba que está anunciando uma porcaria, mas pelo jeito o espírito do “partidão” ainda pesa bastante. O “partidão” é o falecido Partido Comunista Brasileiro, que durante muito tempo foi um fator de sucesso quase que garantido no jornalismo e na literatura. Era como um grande clube. Os sócios tinham todos os benefícios e elogios possíveis advindos da ação de seus pares.

Jorge Amado é um escritor menor, qualquer pessoa um pouco mais lida sabe disso. Ele jamais alcançou uma única vez aquilo que Henry James definiu muito bem como "o sopro divino , o elevado plano do melhor". Longe disso, o escritor baiano é ruim demais. E nem a mitomania baiana consegue resistir a isso. O próprio Caetano Veloso em entrevista para a Folha de S. Paulo neste domingo faz um esforço danado, aparentemente embaraçado, sem contudo conseguir elevar a imagem literária de seu conterrâneo, um escritor que chega a ser simplório, do tipo que não se lê sem uma sensação de constrangimento. Nisso, é páreo para Paulo Coelho. Seus personagens não têm nenhuma profundidade psicológica e seu estilo, se é que há estilo, é de um realismo basbaque. Vou citar um trecho. É de Mar Morto, que está na primeira leva da reedição. Não se constranjam.

“O mar é dono de todos eles. Do mar vem toda a alegria e toda a tristeza porque o mar é mistério que nem os marinheiros mais velhos entendem, que nem entendem aqueles antigos mestres de saveiros que não viajam mais, e, apenas, remendam velas e contam histórias. Quem já decifrou o mistério do mar? Do mar vem a música, vem o amor; vem a morte. E não é sobre o mar que a lua é mais bela? O mar é instável. Como ele é a vida dos homens dos saveiros.”

Alguém pode imaginar Chico Buarque − que era do “partidão”, mas não precisou de empurrão partidário para alavancar sua obra − um homem que sabidamente conhece literatura, levando algo assim a sério? E percebem a semelhança com Paulo Coelho? Pois é... Há muito tempo que o Brasil sofre disso.

Aliás, é Jorge Amado o símile mais perfeito de Paulo Coelho e não José Mauro de Vasconcelos, autor de Meu Pé de Laranja Lima, que sempre serve de comparativo em relação à popularidade e falta de qualidade da literatura do autor de O Alquimista. José Mauro de Vasconcelos também era bem ruim, porém não tinha a capacidade de auto-promoção de Paulo Coelho, o que Amado tinha bastante. Além de receber o valioso apoio da máquina política do PCB e dos comunistas internacionais para o crescimento de sua carreira.

Os países na esfera soviética e a própria União Soviética foram de grande valia para a recepção da obra de Jorge Amado no exterior. Nem preciso dizer que parte desses países sofreram a invasão dos russos e viviam sob uma cultura determinada pelo Partido Comunista local que, por sua vez, nada fazia sem o consentimento russo. Era uma nojeira moral. E Amado tinha uma relação de toma-lá-dá-cá, com bons ganhos, com este universo absurdo e totalitário. Ele recebeu o prêmio Stálin em 1951. O ditador soviético ainda era idolatrado na União Soviética, mas seus crimes já eram bastante conhecidos, inclusive no Brasil. Mas os dirigentes soviéticos ainda resistiam à verdade e seus partidos-satélites em vários países, inclusive aqui, cumpriam com a função de difamar quem denunciava o stalinismo.

A máquina do “partidão” era de duas mãos. Uma afagava, outra dava porrada. Favorecia os seus e desacreditava os não-simpatizantes. Os comunistas reclamam bastante da repressão, mas o fato é que mesmo debaixo de ditaduras como a de Getúlio Vargas ou a de 64 possuíam uma máquina imbatível para dar empregos ou favorecer seus artistas e escritores. E Jorge Amado ganhou muito com isso.
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POR José Pires

O que Polanski tem a ver com isso?

Por força da ação dos partidos-satélites da União Soviética, Jorge Amado foi traduzido praticamente em todo leste europeu. Não podemos esquecer que estes países haviam recebido o abraço de urso dos russos. Estavam dominados pela força econômica e até militar da União Soviética. Muitos deles chegaram a ser invadidos quando tentaram escapar do abraço mortal. Também em países capitalistas como França, Itália, por exemplo, os PCs locais executaram o serviço de apoio para Amado, o que faziam também para escritores comunistas como Neruda, Ehrenburg e outros.

É até cômico que na matéria da Folha de S. Paulo Zélia Gattai, viúva do escritor, faça menção a uma visita do cineasta Roman Polanski, com uma das personalidades que os procuravam. Polanski teria dito então que quando era menino na Polônia comunista só havia livros políticos e anti-capitalistas para ler. E que Amado era o único que trazia “amor, sexo e coisas humanas”.

Não dá para levar ao pé da letra as palavras de Gattai. Esse pessoal é muito fantasioso, para não dizer que mentem mesmo. Mas Polanski teria que ser um completo idiota político para não saber a razão de Jorge Amado ter seus livros traduzidos em uma Polônia governada pelos comunistas, com uma indústria editorial centralizada e totalmente sob o controle dos comunistas.
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POR José Pires

Osvaldo Peralva retratou a imoralidade

Quem tratou muito bem do assunto foi Osvaldo Peralva, que tem um excelente livro,O Retrato, onde narra sua decepção com a ideologia comunista, ele que foi militante histórico do PCB. Peralva foi bastante difamado após se desligar do partido e muito mais quando escreveu este livro − que tenho aqui na primeira e acredito que única edição; este sim merece reedição. Li O Retrato na década de 70. Cheguei a ele cheio de preconceito, mas logo vi que era coisa fina. O cara escrevia bem, notei logo, uma qualidade essencial. Eu devia ter largado a esquerda depois da ultima página, ou até antes, pois na metade do livro já dava para perceber o engodo que era tudo aquilo, mas acabei ficando mais alguns anos “na luta”, o que foi uma perda de tempo.

Com Jorge Amado foi o contrário. Abri livros seus embalado pela retórica de esquerda que o punha nas alturas. Mas vi logo que se tratava de um bestalhão. E ainda escrevia mal. Li Os Subterrâneos da Liberdade, um livro de uma baixeza singular mesmo dentre a literatura similar, de subserviência ao Partido e calúnia contra quem observava a mínima contrariedade contra a ideologia comunista. O livro é de 1954. Stálin morreu em 1953 e logo depois, em 1956, saia o Relatório Kuschev, um documento oficial do Partido Comunista da União Soviética (PCUS) de denúncia dos crimes do ditador. Chantagem, tortura, prisões, assassinatos, Stálin fez de tudo. De 1917 ao ano de sua morte a conta chega a 20 milhões de mortos. Os comunistas do “partidão” só aceitaram o relatório (oficial, repito) em 1962, mas na calada, sem fazer muita questão da discussão dos crimes. Muitos não o aceitam até hoje. O arquiteto Oscar Niemeyer defende Stálin até agora e não se pode dizer que esteja gagá. É mau-caratismo mesmo.

Vão reeditar também Os Subterrâneos da Liberdade? Para completar a obra, seria bem adequado um aprofundado adendo esclarecendo tudo isso. E o Chico Buarque? Vai se refestelar na poltrona para ler com o maior conforto o tratado de Jorge Amado de defesa e apologia do que de pior já apareceu recentemente em nossa história? Bem, bom proveito para ele.
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POR José Pires

O cheiro da coisa

Com a obrigatoriedade do ensino da história “afrobrasileira” os livros de Jorge Amado são um prato cheio. A mistificação racial e social (quem já não viu suas felizes putas em filmes ou na televisão?) é o tempero ideal para o politicamente correto. A fornicação interacial presente em suas histórias também é tido como um grande elemento de sua "força" literária. Até gente levada a sério vem com essa bobagem. E ainda querem que os jovens cheguem à universidade com qualidade com esse tipo de coisa...

O chato é que isso há de cair na mão do meu moleque, que começa a aprender a ler. E será como matéria obrigatória. O que me anima é saber que até lá ele terá muita informação para cumprir suas obrigações, digamos assim, formais, sem impregnar-se com o odor dessa... obra.

Alguém acha que dá pra fazer uma Nação sem tratar com rigor crítico bases culturais tão podres? A resposta é não.
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POR José Pires

Um dicionário para Jorge Amado

Nos salamaleques críticos publicados nas matérias sobre a reedição das obras completas de Jorge Amado o professor de crítica iteraria da Unicamp Acir Pécora fala uma bobagem sem tamanho em entrevista à Folha de S. Paulo. Diz Pécora que “quem falou mal da obra de Amado se danou”.

Não é verdade. Podem até estar meio apagados por uma industria editorial e uma mídia cultural de pouca qualidade, mas permanecem vivos para quem tem respeito pela qualidade crítica. E hoje, com a internet, a tendência é de ampliação da repercussão deste senso crítico mais elevado. Joel Silveira denunciou a mistificação em torno de Jorge Amado até morrer. Criticou até Zélia Gattai e com toda a razão. Se deu mal? Depende do ponto de vista. Chico Buarque talvez não o leia por isso, mas, neste caso, quem perde é o compositor.

Álvaro Lins também já mostrou quem é Jorge Amado. Numa crítica à edição das obras completas de Jorge Amado em 1945 faz desmoronar qualquer respeito que se possa ter por ele. Vejam bem, a crítica é de 1945. A obra de Amado piorou bastante depois. O texto que cito é do livro Os Mortos de Sobrecasaca, de Lins, editado em 1963 pela Civilização Brasileira. É de uma qualidade impressionante. Também merecia ser reeditado. Aliás, as obras completas de Álvaro Lins mereciam. Vou disponibilizar o texto para vocês ainda esta semana. Tenham calma, pois é preciso digitar tudo copiando do livro.

Álvaro Lins flagra a obtusidade literária de Jorge Amado já naquela época. Se o Brasil não o ouviu, Pécora deve concordar, não foi apenas pela força do talento do escritor ou por falta de acuidade do crítico. A máquina de que falo acima acabou funcionando para isso. Em um trecho da crítica, Lins destaca até a ignorância do escritor, na confusão entre adjetivo e advérbio. Leiam:

“O principal problema do Sr. Jorge Amado é o da sua ignorância, o da sua falta de contato com a cultura, o da sua inexperiência literária. Veja-se a propósito este pequeno trecho de São Jorge dos lhéus:

Quando as notícias da Baixa chegaram até a casa dos Badarós, João Magalhães duvidou:
− Inacreditável!
Repetiu tantas vezes o advérbio que até Chico, o papagaio, o decorou junto ao seu variado vocabulário.

Pois será possível que o Sr. Jorge Amado não disponha sequer de um dicionário, no qual encontraria indicado que “inacreditável” é um adjetivo e não um advérbio?”


É verdade. Está nos dicionários até hoje. Tomara que tenham corrigido, senão será um problema a mais (além da má-qualidade literária) para os estudantes.
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POR José Pires

sábado, 15 de março de 2008

Politicamente correto na escola

Pobre da garotada. Lula sancionou uma nova lei que torna obrigatório o estudo da história afro-brasileira e indígena nos ensinos médio e fundamental.

Bem, nós pais também devemos penar, pois com certeza vem bobagem por aí. Vai ser duro ter que explicar que o tal de Zumbi não era bem isso que ensinam e, ao mesmo tempo, explicar para o garoto que ele deve colocar a resposta errada para não levar bomba.
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POR José Pires

Obama e seus extremistas

O senador Barack Obama é o adversário nas eleições presidenciais que os Republicanos pedem em suas preces mais fervorosas. O que menos o Partido Democrata precisa nesta eleição para presidente é que o embate eleitoral tome a feição de uma disputa racial. Neste caso, o partido terá dificuldade em conquistar votos até entre seus eleitores de sempre, o que pode significar mais quatro anos fora da Casa Branca.

Com Obama na disputa, este é um quadro que certamente o partido de George W. Bush (e, não se pode esquecer, também de Nixon) buscará criar, contando para isso com a ajuda preciosa de alguns aliados de Obama que militam nos movimentos negros.

A jornalista Marília Martins noticiou em seu blog na internet (na minha opinião um dos bons da internet, confira aqui) o mais recente problema de Obama com radicais do movimento negro que dão à sua candidatura uma incômoda coloração extremista.

Está rodando na internet um vídeo com um agressivo discurso do pastor Jeremiah Wright que têm trazido problemas para o candidato democrata e que, sendo ele o indicado do partido, traz matéria-prima para rodar durante toda a campanha para a Casa Branca e causar bastantes estragos.

O discurso do pastor Wright foi gravado na Trinity United Church of Christ, igreja que Obama frequentou durante 20 anos e de onde vêm muitos de sua equipe. Marília Martins traduziu parte do discurso do pastor e eu repasso para vocês:

"Hillary nunca sofreu na pele o que significa ser negro num país e numa cultura dominados por brancos ricos. Jesus era um homem negro que viveu num país e numa cultura dominada por brancos ricos... Os romanos eram brancos e ricos... Pensem bem: por que tanta gente odeia Obama? Porque ele não cabe no modelo da elite. Ele não é branco, ele não é rico, não é privilegiado. Hillary obedece ao modelo da elite. Giuliani pertence ao modelo dominante. Hillary nunca teve que enfrentar um taxi que a recusasse como passageira com causa da cor da sua pele. Hillary nunca foi chamada de “nigger”. Obama foi um menino negro que cresceu numa casa que tinha apenas sua mãe. Obama sabe o que é ser negro, o que é sentir na pele a discriminação. Hillary nunca teve que trabalhar o dobro para ganhar o mesmo salário que uma branca. E nunca sentiu a injustiça que os negros sentem ao ver a Casa Branca dominada por uma gente branca estúpida, quando nós, negros. sabemos que somos muito mais ineligentes do que eles. Está na hora de reagir contra a elite branca. Estou farto de negros que nada fazem."

O Youtube traz vários vídeos com o pastor Wright. O homem é um sucesso, mas vários deles evidentemente foram postados para bombardear a candidatura de Obama nas primárias do Partido Democrata. E a eleição principal sequer começou. Clique aqui para ver uma uma amostra de seu estilo. É o vídeo em que ataca Hillary Clinton. Não sei o que vocês pensam, mas eu não confiaria em um candidato que passou boa parte de sua vida ouvindo com reverência tipos como ele.

É bem sintomático que o discurso atinja Hillary Clinton, uma liberal que sempre esteve ligada na defesa dos direitos civis nos Estados Unidos e sobre quem não paira sequer a mais leve suspeita de racismo. É sempre assim. O extremismo raramente foca o inimigo de fato: está sempre buscando vítimas entre os aliados da mesma causa.

Obama evidentemente já disse que discorda das idéias do pastor Wright, um tema que surgiu em vários debates dos quais participou. Mas, independente da sua compreensível tentativa em afastar a supeita de que o pastor racista seja um mentor seu, no conteúdo racista do discurso há um importante reforço para uma das taticas eleitorais que os Republicanos usarão com certeza caso o senador democrata seja indicado para a disputa presidencial. É uma questão que será bastante analisada: o quanto Barack Obama absorveu deste caldo de cultura extremista e racista, indiscutivelmente ligado a sua formação.

O quanto ele incorporou disso em sua personalidade dependerá menos da verdade histórica estabelecida por sua carreira política e muito mais da habilidade − já comprovada em outros jogos sujos − do Partido Republicano em criar um clima odiento para dar um empurrãozinho favorável nas urnas eleitorais.
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POR José Pires

Um trabalho nobre para Silvinho Land Rover

Silvio Pereira (o “Silvinho Land Rover”, revelação política do PT) está com problemas para cumprir as 750 horas de serviços comunitários, pena que pegou para sair do banco dos réus do mensalão.

O pacto já tem dois meses e ele não começou a trabalhar. Para facilitar a própria vida, ele já havia escolhido a subprefeitura do Butantã que é próxima de sua casa, mas Silvinho, que é sociólogo formado pela PUC, está com repugnância ao tipo de serviço que lhe arrumaram: o balcão de entrada da repartição e a zeladoria administrativa.

Uma função é para o atendimento aos contribuintes que precisam de informações e providências. A outra, é percorrer com uma equipe as ruas para anotar problemas em bueiros, buracos e poda de árvores.

Silvinho Land Rover não aceita nada disso. Quer funções mais nobres. Talvez o caixa da repartição, que, façamos justiça ao moço, sempre foi sua especialidade.
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José Pires

quarta-feira, 12 de março de 2008


O comício de Tocantins foi um sucesso. Teve uma multidão, atraída por quatro mil quentinhas oferecidas pelo governo do Tocantins. 40 ônibus fretados também pelo governo ajudaram a esquentar a festa eleitoral.
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POR José Pires

Sem pai nem mãe

Bem, o PAC já tem até mãe. Mas podem ter certeza, se o programa não der certo eles jogam a criança na rua e some todo mundo: pai, mãe, avós, tios, primos...
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POR José Pires

Brasileiros em fuga

Deu um surto de patriotismo com as expulsões de brasileiros da Espanha. Aquela famosa frase de Samuel Johnson, “o patriotismo é o último refúgio dos canalhas”, só não cabe ao Brasil quanto ao tempo que ele usa. Aqui o patriotismo é o primeiro refúgio dos canalhas.

Mas não adianta a demagogia. A Espanha não vai pedir desculpas. O embaixador da Espanha no Brasil, Ricardo Peidró Conde, teve uma reunião com a Comissão de Relações Exteriores do Senado e mostrou um documento sigiloso do Ministério do Interior da Espanha que piorou a barra dos brasileiros.

O número de brasileiros barrados em países da União Européia é desmoralizante. Na Espanha, 1.957 foram barrados em 2005. Em 2006 foram 1.370 e 1.469 em 2007. Em Portugal, foram 2.161 em 2005; 1.749 em 2006 e 980 em 2007.

Para um país que está tão arrumadinho como querem nos convencer os petistas, é gente demais querendo ir embora. Observem que os números são dos que foram barrados. Certamente é uma porcentagem menor, comparado aos que conseguiram permanecer em países europeus, de modo legal ou não.

É sabido que os patrioteiros não têm interesse algum em aprofundar qualquer questão, pois para eles bastam os minutos felizes sob as luzes da mídia. Mas seria interessante tirar o o foco das expulsões e dirigi-lo para o motivo de tantos brasileiros estarem fugindo da pátria amada idolatrada. Mas isso não vai acontecer. E salve, salve-se quem puder.
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POR José Pires

Bye, bye, Brasil

Isso me lembra o caso de Cuba, um país onde se faz de tudo para fugir daquele paraíso cantado em verso e prosa pela esquerda brasileira. Os “balseros” são indivisíveis da história do socialismo da ilha de Fidel Castro.

Mas aqui também não é muito diferente. A vontade de ir embora do Brasil é grande. O nosso problema é que não temos nenhum país desenvolvido ao alcance de uma balsa.
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POR José Pires

terça-feira, 11 de março de 2008

Mino Carta, o biógrafo da incoerência

Mino Carta é um cara estranho. Antes do Lula ganhar a primeira eleição para presidente da República o editor de Carta Capital desancava o petista. Lembro de pelo menos duas entrevistas − uma delas, para a falecida revista República, tenho aqui comigo− em que Lula era tratado de tacanho para baixo. Era o tosco da hora. Aliás, Tosco é o nome que Mino Carta dá para ele em seu romance O Castelo de Âmbar. Tosco, o dicionário diz que é bronco, grosseiro e rude. Lula, então, era o Tosco.

De uns tempos pra cá, porém, Lula comove bastante Mino Carta. Parece um Love Story. O jornalista faz um esforço para não derramar lágrimas na presença do presidente da República. Lula é o mesmo bronco de sempre ou até piorou, mas Mino Carta sente-se como Marilena Chauí quando ele fala, talvez até veja luzes, as mesmas que surgem para a professora de filosofia em meio às frases do petista.

Caso tivesse escrito uma biografia do presidente na época em que o tachava de bronco, como faria Mino Carta? Queimaria toda a edição em praça pública?

Nesta semana em seu seu blog na internet ele conta uma história acontecida há 29 anos entre ele e Lula, quando ajudou o então presidente do sindicato dos metalúrgicos de São Bernardo e Diadema a comprar um mimeógrafo para imprimir o jornal da entidade. O mimeógrafo do sindicato sofrera uma pane sem conserto. Então Mino Carta correu atrás de umas personalidades do mundo financeiro e deram o mimeógrafo ao Lula. Logo depois o compadre do Lula deu-lhe uma casa, o chapa Okamoto pagou suas dívidas, etc., mas aí são outras histórias.

Mino Carta conta essa história de um jeito romântico. Love Story de novo. Dá a impressão de vê-lo derramando lágrimas sobre as teclas de sua velha Olivetti. Sim, porque o jornalista, baseado sabe-se lá em quais asnices pitorescas, é um daqueles que se orgulham de não usar computador. Ele garante que (não riam, por favor) faz seu blog numa velha Olivetti.

Mas o caso é que o Lula de épocas passadas, o irritante Tosco, torna-se então uma figura boníssima, quiçá comovente, não fosse ele a serpente que conhecemos bem. Mino Carta conta até que numa festa da revista, há três anos, Lula ficou comovido com a lembrança do velho mimeógrafo.

É até chato que alguém tão experiente − e velho também; Mino Carta já está com mais de 70 anos − não compreenda que certas histórias, que podem até parecer comoventes em um sofrido passado, soam apenas como puxa-saquismo do mais reles quando o protagonista está aboletado no poder e tem nas mãos a chave do cofre.
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POR José Pires

Em campanha

A agenda do presidente Lula. A sete meses da eleição, o nosso estadista está em plena campanha eleitoral. Hoje o comício é em Dianópolis, no Tocantins. O prefeito de lá decretou feriado no município e mobilizou transportes, inclusive ônibus, para levar eleitores, ou melhor, moradores, à cerimônia de inauguração de obra com a presença de Lula.
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POR José Pires

Nossa imagem no exterior

Eu me espanto com a surpresa que anda causando por aqui a retenção e expulsão de brasileiros no exterior.

Imagine se você morasse na Europa e tivesse notícias do Brasil de longe, em pequenas notas nos jornais, num e noutro noticiário de televisão, enfim daquele modo que são vistos países como o nosso no exterior. Seriam chacinas, corrupção (o mensalão, promovido pelo PT e partidos aliados, foi de relativo destaque no exterior), desmatamento, favelas, enchentes, tragédias urbanas, sem falar no rescaldo histórico, da ditadura militar, governo Sarney e governo Collor. No meio disso tudo, carnaval e muita bunda de mulher nas praias. E tome violência. De vez em quando algum festival de cinema premia um filme nacional, como o Tropa de Elite ou Carandiru, para fortalecer a má impressão. Nada contra os filmes, falo apenas da realidade que eles, com razão, mostram.

Ainda lá na Europa, você fica sabendo que o governo deste país é alinhado com Chávez, simpatiza com as FARC colombianas e o presidente atual é amigão de longa data de Fidel Castro.

E para temperar o enredo, dando consistência ao conceito, de vez em quando você lê frases destacadas do Lula, esse besteirol diário que aturamos aqui. Só como exemplo, essa última dele mandando as ONGs plantar árvores na Europa antes de discutir o meio ambiente global, frase que saiu de sua cachola para justificar o imenso desmatamento das nossas florestas. Ou o besteirol que ele solta em suas viagens.

E então? Depois disso, o que você iria achar dos brasileiros?
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POR José Pires

segunda-feira, 10 de março de 2008

Pesquisa com embriões: fim do debate

Com um argumento bem simples o geneticista Oliver Smithies, um dos vencedores do Prêmio Nobel de Medicina ou Fisiologia de 2007, acaba com a polêmica sobre o uso de embriões em pesquisa no Brasil que é motivo de ação no STF (Supremo Tribunal Federal). Para mim é a palavra definitiva no debate.

"Na verdade, estamos falando de preservar a vida do embrião − embrião que não seria usado para mais nada − permitindo a ele ajudar a vida de outras pessoas", ele disse para a Folha de S. Paulo.

"Imagine que eu seja um jovem morto num acidente de carro. Há partes do meu corpo que ainda são úteis e podem ser dadas a outras pessoas para manter suas vidas. Então, parte de mim viveria em outra pessoa. Se uma célula-tronco embrionária é feita [para terapia], aquele embrião não é morto, aquele embrião dá vida a outra pessoa, por fim."
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POR José Pires

Bolsa que rende

O jornal O Estado de S. Paulo publicou ontem uma reportagem em que comprova o abandono escolar em municípios com alto atendimento do Bolsa Família. Mas o governo já está se mexendo para resolver o problema.

A secretária de Educação Básica do Ministério da Educação, Maria do Pilar Almeida e Silva, dá uma boa pista do que pode vir por aí. “No programa há um claro efeito fixador na escola. Esse menino sai aos 15 anos, mas estaria saindo aos 10. O que precisamos agora é pensar uma política para atender depois dos 15 anos”, ela disse.

Na semana passada, o jornal O Globo lembrava uma cena de Entreatos, o documentário em que o cineasta João Moreira Salles fez o registro da campanha eleitoral do primeiro mandato de Lula. Nela, o futuro presidente fala com Gilberto Carvalho, que hoje é seu assessor próximo no Planalto. "Quantas pessoas passam fome neste país, Gilberto? Eu acho o número de 53 milhões tão absurdo!", afirma Lula.

Conquistado o poder, Lula deixou para lá o questionamento. Hoje o Bolsa Família atende 44 milhões de brasileiros, ao custo de quase R$11 bilhões apenas este ano. Tornou-se uma bela Bolsa de votos para o governo.

O próprio O Globo, em artigo de Ali Kamel, constatou recentemente que muitos beneficiados têm usado o Bolsa Família para adquirir eletrodomésticos em vez de comprar alimentos. Nada contra pobre comprar eletrodoméstico, mas acredito que mesmo o mais ferrenho defensor do governo − como os blogueiros da rede de proteção do governo Lula, prontamente ativada contra o artigo − terá de concordar que desse modo o programa está sendo desvirtuado. E o governo nem pode alegar desconhecimento disso, pois Ali Kamel encontrou a informação na página do Ministério do Desenvolvimento Social na internet.

O programa não está funcionando em uma condição básica, que é a de manter a criança na escola? Então pode vir aí o aumento da idade para ter o direito de receber o benefício. Talvez até os 88 anos. Desde que os velhinhos não abandonem a escola. E continuem votando, é claro.
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POR José Pires

domingo, 9 de março de 2008

Experiência própria

Finalmente Lula fala de um assunto que entende. Diante de uma platéia de oficiais e aspirantes da Polícia Militar do Rio de Janeiro, o Supremo Apedeuta soltou esta: “Na PM tem corrupção? Tem. E na política não tem? Tem. No empresariado não tem? No Poder Judiciário não tem? Em todo segmento da sociedade tem”.

É verdade. Tem corrupção até lá pras bandas do Palácio do Planalto. O problema é que a que acontece por lá ele não vê.
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POR José Pires

sábado, 8 de março de 2008

Xô!


Agora é Sai, Coisa Ruim, com maiúscula e não com minúscula. Exatamente às 11 horas e 21 minutos postei os textos sobre a tentativa de intimidação da imprensa, que pode ser uma estratégia da Igreja Universal, e que logo foi copiada pelo deputado Paulinho Pereira da Silva. Pois apenas um minuto após surgiu um comentário com um vírus, já devidamente eliminado como pode ser visto na nota ‘Sai, coisa ruim”, logo abaixo.

Pelo visto a intimidação é rápida e atinge também a WEB. Para isso os fanáticos estão atentos e apoiados em alta tecnologia. Só tenho dúvida se são fiéis de algum partido ou religião. É que a distinção não é fácil, agora que o interesse comum misturou tudo na "base aliada". Mas que é coisa de vermelhinho, ah isso é.

Na ilustração, uma das belíssimas gravuras de Francisco Goya (1746-1828), o grandioso artista espanhol que juntou espírito crítico e genialidade artística no protesto contra os horrores de seu tempo. Clique na imagem para apreciar com detalhes a obra. Para saber mais e ver as demais gravuras da série (só nesta, chamada Caprichos, são 80), clique aqui. Goya disse um dia: "Con la untura de la ignorancia y la torpeza, se convierten al fin los hombres en cabrones". Infelizmente ainda vale para hoje.
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POR José Pires

sexta-feira, 7 de março de 2008

Brazilians in the globalization

Sai, coisa ruim

Existe uma afirmação antiga de que aqui no Brasil certas leis não pegam. E é verdade. Por isso, é mais fácil enumerar as que pegaram, tantas são as que não são cumpridas nem a pau. Mas acredito que o Brasil sofre de outra triste particularidade nativa: as coisas ruins pegam rápido por aqui.

A Igreja Universal do Reino de Deus, de Edir Macedo é suspeita de ter colocado em prática uma estratégia política contra a imprensa: fiéis de diferentes estados do Brasil entraram com ações judiciais contra jornalistas e a direção de três jornais, Folha de S. Paulo, Extra, do Rio, e A Tarde, de Salvador. São mais de 60 contra a Folha, 35 contra A Tarde e 5 contra o Extra. O caráter simultâneo das ações indica uma orquestração contra a liberdade de expressão. As ações questionam reportagens sobre o patrimônio de Edir Macedo, líder da igreja, e agressões a imagens de santos católicos por membros da Universal.

A semelhança nos textos das ações e a coincidência das datas é bastante suspeito. As ações foram ajuizadas em localidades distantes, algumas onde só é possível chegar de barco, situação que, segundo o presidente da ABI, Maurício Azêdo, indica “a nítida intenção de dificultar o direito de ampla defesa e do contraditório assegurado pela Constituição".

Este tipo de ação exige a presença do jornalista na localidade em que foi impetrada. E já imaginaram um jornalista tendo que viajar de São Paulo até Xapuri, no Acre, para uma audiência? A repórter Elvira Lobato já tem 56 ações contra ela por causa de reportagem publicada na Folha de S. Paulo.

Uma das ações é de Xapuri, no Acre, distante 153 quilômetros da capital Rio Branco que, por sua vez, está à 3604 quilômetros da capital paulista. Já imaginaram alguém sendo atingido por uma reportagem da Folha de S. Paulo em Xapuri? Pois o fiel alegou que por causa da matéria estava sofrendo discriminação por lá. Esta foi extinta por falta de legitimidade. A juíza Zenair Ferreira Bueno Vasques Arantes, do Juizado Especial Cível de Xapuri, no Acre, vê nessas ações uma “retaliação orquestrada às matérias jornalísticas".

Caso fique caracterizada a orquestração da igreja de Edir Macedo, além de os fiéis não conseguirem receber indenizações por dano moral terão de arcar com uma condenação por litigância de má-fé. Neste caso ficaria claro a tentativa de utilizar o Judiciário para intimidação.
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POR José Pires

Veja na imagem a localização de Xapuri, no sudeste do Acre,
próxima da fronteira com a Bolívia e o Peru.

Idéia ruim pega rápido

Bem, o fato foi amplamente discutido e até o presidente Lula deu sua opinião favorável aos processos contra a imprensa, o que faz a gente pensar na possibilidade dos casos serem de seu conhecimento antes mesmo de se tornarem públicos.

Mas, para comprovar a minha tese de que ao contrário de leis boas, que por aqui não pegam, as coisas ruins proliferam com a rapidez de ervas daninhas, o deputado Paulinho Pereira da Silva (PDT-SP) resolveu se inspirar nas ações da Igreja Universal. O deputado e dirigente da Força Sindical, disse que a estratégia será usar a central sindical para levar os militantes a mover as ações. “A idéia é copiar um pouco o que a Igreja Universal fez”, ele disse.

Para comprovar que a idéia ruim pegou mesmo, o pedetista disse que os sindicalistas vão ingressar com cerca de 2.000 ações em todo o país. Para conceituar sua estratégia, Paulinho fez uso do estilo de um “bate-pau”, aqueles militantes que agridem oposicionistas em assembléisas sindicais. Ele disse: “Se os jornais vão insistir nas matérias, vou dizer com todas as letras: se querem fazer putaria, então vamos fazer putaria. Estão fazendo putaria, vamos responder com putaria”.
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POR José Pires

Falta decoro ao deputado

No caso das ações dos fiéis da Igreja Universal ainda tem chão até a comprovação de litigância de má-fé. Os fiéis estão perdendo ação atrás de ação e a parte boa da sociedade civil já se organiza em repúdio a esta pressão contra a liberdade de expressão − falando nisso, está fazendo falta a tão falada “parte boa” do PT. Sumiu. Mas no caso do deputado Paulinho Pereira da Silva, acredito que já existem muito elementos comprovando a tentativa de intimidação.

E pergunto: essa clara incitação à litigância de má-fé não é caso para um processo de falta de decoro na Câmara Federal?
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POR José Pires

As fontes

Os processos contra a Folha de S. Paulo começaram depois da publicação da reportagem "Universal chega aos 30 anos com império empresarial". A série, sobre os proprietários de meios de comunicação, foi escrita por Elvira Lobato em 1992. Como já disse, ela tem contra si 56 ações. É impossível comparecer a todas as audiências. Em uma ocasião, ela contou ao Terra Magazine, foram seis audiências no mesmo dia.

Outras ações são contra uma reportagem originalmente publicada no jornal A Tarde, da Bahia. Assinada por Valmar Hupsel Filho, ela noticia a destruição de uma imagem sacra com cerca de 300 anos pelo desempregado Marcos Vinícius Santos Catarino, 31, adepto da Igreja Universal do Reino de Deus.

A reportagem da Folha está aqui e a do jornal A Tarde aqui.
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POR José Pires

Ou dá ou desce

E por falar na Igreja Universal, vale a pena rever as cenas em que a cúpula da igreja aprende como ”tomar dinheiro” dos fiéis. Quem ensina é Edir Macedo que, em certo momento, diz o seguinte: “Se quiser ajudar, amém. Se não quiser, Deus vai ajudar outra pessoa. Se quiser, tudo bem. Se não quiser, que se dane. Ou dá ou desce”.
Edir Macedo tentou várias vezes retirar este vídeo do Youtube, mas até o momento não conseguiu. Para ver, clique aqui.
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POR José Pires

quinta-feira, 6 de março de 2008

Piração geral

Não é só Hugo Chávez que anda doidaço com a morte do líder guerrilheiro das FARC no Equador. Agora apareceu a notícia de que provavelmente a localização de Raúl Reyes, morto depois por comandos do governo da Colômbia, foi feita monitorando telefonemas do próprio Chávez. Por coisas como essa, ele não deixa de ter razão de ficar louco com o episódio.

Mas quem também ficou doidaço com o caso foi o jornalista e blogueiro da revista Veja Reinaldo Azevedo. Em seu afã de fazer o mundo girar alavancado pelo que escreve no blog, hoje ele manda Nicolas Sarkozy “cavoucar as praias das Normandia para desenterrar os corpos dos americanos que libertaram seu país”. Está fulo porque o presidente francês não age como ele quer na crise entre Colômbia, Equador e Venezuela.

Devolver os americanos enterrados na Normandia? Espero que ele tenha consultado o presidente Bush para saber se o homem topa receber de volta os defuntos.
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POR José Pires

A vítima de sempre

Duas frases de Lula. Esta: “Eles têm vaca louca e ficam dando palpite”. E esta: “Os pobres precisam tomar cuidado porque senão nós, que somos vitimas do desmatamento, que somos vítimas do aquecimento global, vamos pagar a conta, porque os protocolos internacionais só servem para os pobres”.

A primeira é sobre o embargo da carne brasileira na Europa. Lula, com sua retórica de botequim, quer que o cliente − o importador europeu − compre sua empadinha estragada e não chie. A segunda saiu de sua boca quando deu-se a revelação do aumento do desmatamento no Brasil. Em relação à discussão internacional gerada pelo assunto, Lula disse também que, aspas para sua fala, “em primeiro lugar, essas ONG's precisam plantar árvores nos países deles".

É o pensamento de um político que há pelo menos três décadas não desce do palanque. A vitimização sempre deu certo para Lula (quem não se lembra dele, na campanha eleitoral que o levou ao poder em 2002, chorando pela morte da primeira mulher que havia ocorrido há mais vinte anos?) e ele quer aplicá-la no plano internacional. E não é movido apenas pela ignorância. Existe o limite intelectual, é certo, que forçosamente o encaminha para fazer-se de coitadinho, mas Lula também defende interesses poderosos e gente com muito dinheiro.

Será interessante ver o presidente da anistia aos desmatadores criando um atalho − com a ajuda de motosserras − na consciência internacional em relação ao meio ambiente e à qualidade dos alimentos e fazendo dos países mais pobres territórios livres de inspeção e liberados também para o desmatamento. Tudo em prol do desenvolvimento dos coitadinhos da globalização.
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POR José Pires