quarta-feira, 19 de março de 2008

Falando só do rabo alheio

A postura dos blogs do portal IG é muito parecida com a da grande imprensa. Nos jornalões e emissoras de TV ou rádio não se discutem questões internas, mesmo que essas afete a opinião pública. O interesse da empresa está acima inclusive dos interesses da sociedade, o que nada tem a ver com uma imprensa livre.

É o que está ocorrendo no caso do Paulo Henrique Amorim. Trazendo para a internet este que é um dos piores defeitos da mídia, os blogs dos grandes portais deixam de merecer até o nome de blog.

Outro fato que choca totalmente não só com a liberdade de expressão, mas até mesmo com a qualidade da internet como meio de expressão é que o IG tirou do ar abruptamente todo o material do Conversa Afiada. De uma hora pra outra os internautas ficaram sem nenhum acesso a tudo o que o jornalista escreveu desde a criação do blog.
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POR José Pires

E o prêmio vai para...

A explicação do IG para a dispensa de Amorim traz um problema danado para o portal, que também patrocina um prêmio na internet para os blogs de maior prestígio, o Ibest. No momento o blog do jornalista está em primeiro lugar na categoria de política.

Ninguém leva a sério o prêmio do IG, mas se não quer cair no descrédito total, convém ao portal derrubar logo o blog de Amorim, senão vai ser a entrega dos prêmios vai ser ainda mais engraçada do que sempre foi.
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POR José Pires

Olha o "fogo amigo"

Paulo Henrique Amorim era extremamente agressivo com os críticos ao governo Lula. Ele mesmo dizia que sentava-se ao computador para escrever com a postura de quem dispara mísseis. Dizia também que cada vírgula sua tinha um alvo e que seu blog era “um exercício de pancadaria verbal, de pancadaria ideológica".

Acabou abatido pelo próprio portal IG. E uma curiosidade interessantíssima é que a sigla PIG, que usava para caracterizar os outros como “Partido da Imprensa Golpista”, serve muito bem para o portal IG, que pode muito bem ser resumido como PIG.
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POR José Pires

Parece o Texas...

E o novo governador de Nova York, David Paterson, que substituiu o anterior que deixou o cargo por causa de um escândalo sexual, confessou que já teve relacionamentos extraconjugais. E mais: a mulher dele também teve. Em entrevista coletiva, ele disse que também foi corneado por ela.

Não sei se o Estado de Nova York tem brasão. Deve ter, afinal norte-americano é louco por essas coisas. Então era o caso de aplicar um dístico novo no brasão de Nova York: “Atire a primeira pedra aquele que nunca corneou ou foi corneado”.
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POR José Pires

Nova York muda de símbolo


E como o os profissionais do nosso Departamento de Arte trabalham rápido, já recebemos o novo logotipo de Nova York, inspirado no famoso símbolo criado pelo designer Milton Glaser.
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POR José Pires

Sem retrovisor

A gente sabe que político não tem nenhum compromisso com a lógica, se é que político tem compromisso com alguma coisa, mas vale registrar uma frase de Geraldo Alckmin, dita à imprensa ontem: “Agora, por que quem está em primeiro lugar precisa abrir mão para quem está em terceiro?”

É o mesmo político que usou de todas as artimanhas para ser o candidato tucano à presidência da República. E foi. No lugar de José Serra, que as pesquisas indicavam que derrotaria Lula. E ele, Alckmin, estava em terceiro.
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POR José Pires

terça-feira, 18 de março de 2008

Errata do próprio morto

A rapidez da internet pode levar a erros muito chatos. O formato blog, então, é dos mais arriscados. Como a agilidade é um dos charmes deste formato, a necessidade de dar a notícia antes dos outros dificulta a busca da confirmação, uma das regras básicas do bom jornalismo.

Nesta semana o jornalista Luís Nassif enterrou um colega de modo, digamos assim, prematuro. Ele noticiou a morte do jornalista econômico Hélio Gama. O problema, não para o Gama evidentemente, é que ele está vivinho da silva. É certo que o blogueiro aproveitou a velocidade para também tentar fazer um conserto rápido, mas fica sempre um certo estrago na credibilidade do blog. Nassif soube da notícia por um vice-presidente da Rede RBS, em Porto Alegre, e postou a nota pela manhã. Poucas horas depois veio o desmentido, primeiro dos filhos de Helio Gama e depois pelo próprio.

Vale a pena ler o texto de Nassif e os desmentidos − em comentários postados no próprio blog, é claro. A gafe deve ficar na história dos blogs brasileiros. É um jeito meio chato de entrar pra história da internet, mas dessa Nassif não escapa. Primeiro vamos ao texto onde o blogueiro faz o elogio fúnebre do colega:

16/03/08 09:35
Na sexta, em Porto Alegre, fico sabendo do falecimento de Hélio Gama, grande jornalista, responsável pelo caderno de investimentos da Veja na época do boom da Bolsa, início dos anos 70. Foi com ele que cumpri as primeiras pautas sobre o tema.

Depois, Hélio passou por inúmeros veículos, teve uma fase importante na Gazeta Mercantil. Era um sonhador extraordinário, um piloto de Boeing que, infelizmente, só conseguiu pilotar aviões menores - sem fôlego para bancar suas idéias.

Uma perda para o jornalismo econômico.

Agora, o comentário dos filhos de Gama:

Enviado por: Gabriel Gama

Nassif:
Eu, meu irmão, minha irmã e minha mãe garantimos:

Meu pai está vivo e muito ativo, ainda sonhando alto.

Pode ter certeza que, quando ele vier a falecer de verdade, as homenagens serão muito maiores do que dois parágrafos no teu blog.

Abraço.
16/03/2008 13:41

E, finalmente, o texto enviado por Helio Gama, que até mostrou uma certa vivacidade jornalística fazendo algo interessante com um assunto tão tétrico.

Enviado por: helio gama

nunca pensei que tivesse que fazer aquilo que outros já fizeram na história da comunicação mundial e dizer: Senhor Redator devo informá-lo que há um certo exagero na notícia da minha morte. Pelo menos é o que atestam minha mulher, meus filhos, genro, nora e até meus quatro netinhos meus amados evangelistas Thiago, João Matheus e Lucas com quem acabo de falar e garantem que me ouvem e vêem. Estou me sentindo tão vivo que estou com gana de botar mais um ou dois boeings no ar.

Quanto ao que fiz no jornalismo a história dirá da verdadeira importância ou não. Em minha defesa devo dizer apenas que participei intensamente dos dois mais importantes projetos editoriais brasileiros da segunda metade do século XX, como colaborador, a Veja e a modernização da Gazeta Mercantil; concebi quatro jornais diários e um semanário e concretizei-os. Conduzi a reforma e modernização de dois outros diários. E, graças a Deus, nunca fechei nenhum produto editorial e nenhum profissional que trabalhou comigo teve vergonha do que estava fazendo. Faça o seguinte:procure os profissionais que não gostam de mim e pergunte sobre a qualidade desses trabalhos.

helio gama

Nota: lembrei de duas coisas a propósito da notícia sobre minha morte: a) que nos antigamente a gente aprendia que notícias precisavam ser confirmadas antes de publicadas; e b) que tinha uma coisa que envergonhava qualquer repórter: ter que publicar a famosa mensagem de VEJA ERROU!
16/03/2008 14:11

Então fica a lição: antes de publicar nota de falecimento, convém fazer a confirmação com o próprio defunto.
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POR José Pires

IG dispensa Paulo Henrique Amorim

E por falar em morte, temos um falecimento confirmado: o portal IG, o mesmo onde Nassif fez Helio Gama bater as botas antes da hora fatal, acaba de anunciar o fechamento do blog Conversa Afiada, do jornalista Paulo Henrique Amorim.

Oficialmente o IG informou que foi uma demissão técnica, mas certamente tem muito mais coisas nesta dispensa. Amorim vinha fazendo um blog francamente governista, com um tom político extremamente agressivo contra a oposição, inclusive atacando setores da mídia que não se aliaram com o governo Lula.

E como tudo é rápido por aqui na internet, logo mais saberemos o que aconteceu de fato.
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POR José Pires

O importante é competir


A China será a sede das Olimpíadas de 2008. Já publiquei aqui o logotipo dos jogos, um dos mais feios já vistos no mundo. Parece com os produtos com os quais a China invade o mundo.

Mas acontece que com os massacres que o governo chinês está praticando no Tibete, país que luta por sua libertação, o logotipo acabou ficando, digamos assim, defasado. Então peguei o logotipo original e dei uns retoques para combinar melhor com o horror praticado pelo regime comunista contra os tibetanos.

Veja lá em cima. À direita temos o logotipo original e à esquerda a minha modesta contribuição para o sucesso dos Jogos Olímpicos de Pequim.
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POR José Pires

Vem por aí mais facada no bolso

E no país dos impostos − onde o imposto de renda é maior até que nos países com maior índice de qualidade de vida do mundo − os sindicatos estão batalhando para surrupiar um pouco mais do bolso do trabalhador.

O projeto de lei que está sendo preparado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) para instituir a tal da “contribuição negocial”, no lugar do hoje obrigatório imposto sindical institui a unificação de duas contribuições que financiam os sindicatos: o imposto sindical e a contribuição assistencial.

Desse modo, a contribuição assistencial, que hoje é optativa, passa a ser obrigatória. E todos os trabalhadores, inclusive os que não são sindicalizados terão de pagar o novo imposto. O imposto sindical obrigatório corresponde a um dia de trabalho por ano. Com a contribuição assistencial, serão dois.

E se você acha que paga-se muito imposto no Brasil, pode colocar mais este na conta.
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POR José Pires

E segue o comício

Agenda do Lula. Hoje tem comícios em Mato Grosso do Sul. Até com visita às obras de urbanização e saneamento de um bairro com nome bom para este clima eleitoral: Vila Popular. É a manhã inteira, com volta prevista para Brasília apenas no final da tarde e uma reunião − rápida, que ninguém é de ferro − com o ministro do Planejamento. Depois, relax e um bom sono, pois até a a campanha eleitoral começar de fato e legalmente, Lula tem muita campanha pela frente.
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POR José Pires

segunda-feira, 17 de março de 2008

Já pagou sua corrupção hoje?

O brasileiro vive chiando contra os impostos e com toda a razão. Eles são altos e, por incompetência ou má-fé, vão com freqüência para o ralo. Isso quando não acabam sendo desviados para o bolso de alguns.

Mas além do imposto legal já temos um outro, extraído às escondidas. É a corrupção, que cresceu tanto que acabou se tornando um “tributo” que todos pagam, mesmo que sem perceber. A revista Época, em uma excelente reportagem na edição desta semana, revela um dado revoltante extraído de um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

O Brasil perde a cada ano com a corrupção 5% de seu PIB. São R$ 130 bilhões surrupiados todos os anos do bolso dos brasileiros. Não deixa de ser um “imposto”. E com o agravante de que, com a mansidão que os três poderes tratam a corrupção, é um tributo que não pára de crescer.
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POR José Pires

Jorge Amado, um mito sem qualidade

Chico Buarque aparece nos jornais em uma foto lendo Jorge Amado. Está confortável numa cadeira e olha de longe o livro, com jeito de quem precisa de óculos. O compositor tem tempo pra perder lendo − ou pior ainda, reler − o escritor baiano? Vai ler a obra completa? Olhe que é uma quantidade razoável: a editora Companhia das Letras pretende publicar 34 títulos.

É provável que Buarque saiba que está anunciando uma porcaria, mas pelo jeito o espírito do “partidão” ainda pesa bastante. O “partidão” é o falecido Partido Comunista Brasileiro, que durante muito tempo foi um fator de sucesso quase que garantido no jornalismo e na literatura. Era como um grande clube. Os sócios tinham todos os benefícios e elogios possíveis advindos da ação de seus pares.

Jorge Amado é um escritor menor, qualquer pessoa um pouco mais lida sabe disso. Ele jamais alcançou uma única vez aquilo que Henry James definiu muito bem como "o sopro divino , o elevado plano do melhor". Longe disso, o escritor baiano é ruim demais. E nem a mitomania baiana consegue resistir a isso. O próprio Caetano Veloso em entrevista para a Folha de S. Paulo neste domingo faz um esforço danado, aparentemente embaraçado, sem contudo conseguir elevar a imagem literária de seu conterrâneo, um escritor que chega a ser simplório, do tipo que não se lê sem uma sensação de constrangimento. Nisso, é páreo para Paulo Coelho. Seus personagens não têm nenhuma profundidade psicológica e seu estilo, se é que há estilo, é de um realismo basbaque. Vou citar um trecho. É de Mar Morto, que está na primeira leva da reedição. Não se constranjam.

“O mar é dono de todos eles. Do mar vem toda a alegria e toda a tristeza porque o mar é mistério que nem os marinheiros mais velhos entendem, que nem entendem aqueles antigos mestres de saveiros que não viajam mais, e, apenas, remendam velas e contam histórias. Quem já decifrou o mistério do mar? Do mar vem a música, vem o amor; vem a morte. E não é sobre o mar que a lua é mais bela? O mar é instável. Como ele é a vida dos homens dos saveiros.”

Alguém pode imaginar Chico Buarque − que era do “partidão”, mas não precisou de empurrão partidário para alavancar sua obra − um homem que sabidamente conhece literatura, levando algo assim a sério? E percebem a semelhança com Paulo Coelho? Pois é... Há muito tempo que o Brasil sofre disso.

Aliás, é Jorge Amado o símile mais perfeito de Paulo Coelho e não José Mauro de Vasconcelos, autor de Meu Pé de Laranja Lima, que sempre serve de comparativo em relação à popularidade e falta de qualidade da literatura do autor de O Alquimista. José Mauro de Vasconcelos também era bem ruim, porém não tinha a capacidade de auto-promoção de Paulo Coelho, o que Amado tinha bastante. Além de receber o valioso apoio da máquina política do PCB e dos comunistas internacionais para o crescimento de sua carreira.

Os países na esfera soviética e a própria União Soviética foram de grande valia para a recepção da obra de Jorge Amado no exterior. Nem preciso dizer que parte desses países sofreram a invasão dos russos e viviam sob uma cultura determinada pelo Partido Comunista local que, por sua vez, nada fazia sem o consentimento russo. Era uma nojeira moral. E Amado tinha uma relação de toma-lá-dá-cá, com bons ganhos, com este universo absurdo e totalitário. Ele recebeu o prêmio Stálin em 1951. O ditador soviético ainda era idolatrado na União Soviética, mas seus crimes já eram bastante conhecidos, inclusive no Brasil. Mas os dirigentes soviéticos ainda resistiam à verdade e seus partidos-satélites em vários países, inclusive aqui, cumpriam com a função de difamar quem denunciava o stalinismo.

A máquina do “partidão” era de duas mãos. Uma afagava, outra dava porrada. Favorecia os seus e desacreditava os não-simpatizantes. Os comunistas reclamam bastante da repressão, mas o fato é que mesmo debaixo de ditaduras como a de Getúlio Vargas ou a de 64 possuíam uma máquina imbatível para dar empregos ou favorecer seus artistas e escritores. E Jorge Amado ganhou muito com isso.
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POR José Pires

O que Polanski tem a ver com isso?

Por força da ação dos partidos-satélites da União Soviética, Jorge Amado foi traduzido praticamente em todo leste europeu. Não podemos esquecer que estes países haviam recebido o abraço de urso dos russos. Estavam dominados pela força econômica e até militar da União Soviética. Muitos deles chegaram a ser invadidos quando tentaram escapar do abraço mortal. Também em países capitalistas como França, Itália, por exemplo, os PCs locais executaram o serviço de apoio para Amado, o que faziam também para escritores comunistas como Neruda, Ehrenburg e outros.

É até cômico que na matéria da Folha de S. Paulo Zélia Gattai, viúva do escritor, faça menção a uma visita do cineasta Roman Polanski, com uma das personalidades que os procuravam. Polanski teria dito então que quando era menino na Polônia comunista só havia livros políticos e anti-capitalistas para ler. E que Amado era o único que trazia “amor, sexo e coisas humanas”.

Não dá para levar ao pé da letra as palavras de Gattai. Esse pessoal é muito fantasioso, para não dizer que mentem mesmo. Mas Polanski teria que ser um completo idiota político para não saber a razão de Jorge Amado ter seus livros traduzidos em uma Polônia governada pelos comunistas, com uma indústria editorial centralizada e totalmente sob o controle dos comunistas.
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POR José Pires

Osvaldo Peralva retratou a imoralidade

Quem tratou muito bem do assunto foi Osvaldo Peralva, que tem um excelente livro,O Retrato, onde narra sua decepção com a ideologia comunista, ele que foi militante histórico do PCB. Peralva foi bastante difamado após se desligar do partido e muito mais quando escreveu este livro − que tenho aqui na primeira e acredito que única edição; este sim merece reedição. Li O Retrato na década de 70. Cheguei a ele cheio de preconceito, mas logo vi que era coisa fina. O cara escrevia bem, notei logo, uma qualidade essencial. Eu devia ter largado a esquerda depois da ultima página, ou até antes, pois na metade do livro já dava para perceber o engodo que era tudo aquilo, mas acabei ficando mais alguns anos “na luta”, o que foi uma perda de tempo.

Com Jorge Amado foi o contrário. Abri livros seus embalado pela retórica de esquerda que o punha nas alturas. Mas vi logo que se tratava de um bestalhão. E ainda escrevia mal. Li Os Subterrâneos da Liberdade, um livro de uma baixeza singular mesmo dentre a literatura similar, de subserviência ao Partido e calúnia contra quem observava a mínima contrariedade contra a ideologia comunista. O livro é de 1954. Stálin morreu em 1953 e logo depois, em 1956, saia o Relatório Kuschev, um documento oficial do Partido Comunista da União Soviética (PCUS) de denúncia dos crimes do ditador. Chantagem, tortura, prisões, assassinatos, Stálin fez de tudo. De 1917 ao ano de sua morte a conta chega a 20 milhões de mortos. Os comunistas do “partidão” só aceitaram o relatório (oficial, repito) em 1962, mas na calada, sem fazer muita questão da discussão dos crimes. Muitos não o aceitam até hoje. O arquiteto Oscar Niemeyer defende Stálin até agora e não se pode dizer que esteja gagá. É mau-caratismo mesmo.

Vão reeditar também Os Subterrâneos da Liberdade? Para completar a obra, seria bem adequado um aprofundado adendo esclarecendo tudo isso. E o Chico Buarque? Vai se refestelar na poltrona para ler com o maior conforto o tratado de Jorge Amado de defesa e apologia do que de pior já apareceu recentemente em nossa história? Bem, bom proveito para ele.
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POR José Pires

O cheiro da coisa

Com a obrigatoriedade do ensino da história “afrobrasileira” os livros de Jorge Amado são um prato cheio. A mistificação racial e social (quem já não viu suas felizes putas em filmes ou na televisão?) é o tempero ideal para o politicamente correto. A fornicação interacial presente em suas histórias também é tido como um grande elemento de sua "força" literária. Até gente levada a sério vem com essa bobagem. E ainda querem que os jovens cheguem à universidade com qualidade com esse tipo de coisa...

O chato é que isso há de cair na mão do meu moleque, que começa a aprender a ler. E será como matéria obrigatória. O que me anima é saber que até lá ele terá muita informação para cumprir suas obrigações, digamos assim, formais, sem impregnar-se com o odor dessa... obra.

Alguém acha que dá pra fazer uma Nação sem tratar com rigor crítico bases culturais tão podres? A resposta é não.
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POR José Pires

Um dicionário para Jorge Amado

Nos salamaleques críticos publicados nas matérias sobre a reedição das obras completas de Jorge Amado o professor de crítica iteraria da Unicamp Acir Pécora fala uma bobagem sem tamanho em entrevista à Folha de S. Paulo. Diz Pécora que “quem falou mal da obra de Amado se danou”.

Não é verdade. Podem até estar meio apagados por uma industria editorial e uma mídia cultural de pouca qualidade, mas permanecem vivos para quem tem respeito pela qualidade crítica. E hoje, com a internet, a tendência é de ampliação da repercussão deste senso crítico mais elevado. Joel Silveira denunciou a mistificação em torno de Jorge Amado até morrer. Criticou até Zélia Gattai e com toda a razão. Se deu mal? Depende do ponto de vista. Chico Buarque talvez não o leia por isso, mas, neste caso, quem perde é o compositor.

Álvaro Lins também já mostrou quem é Jorge Amado. Numa crítica à edição das obras completas de Jorge Amado em 1945 faz desmoronar qualquer respeito que se possa ter por ele. Vejam bem, a crítica é de 1945. A obra de Amado piorou bastante depois. O texto que cito é do livro Os Mortos de Sobrecasaca, de Lins, editado em 1963 pela Civilização Brasileira. É de uma qualidade impressionante. Também merecia ser reeditado. Aliás, as obras completas de Álvaro Lins mereciam. Vou disponibilizar o texto para vocês ainda esta semana. Tenham calma, pois é preciso digitar tudo copiando do livro.

Álvaro Lins flagra a obtusidade literária de Jorge Amado já naquela época. Se o Brasil não o ouviu, Pécora deve concordar, não foi apenas pela força do talento do escritor ou por falta de acuidade do crítico. A máquina de que falo acima acabou funcionando para isso. Em um trecho da crítica, Lins destaca até a ignorância do escritor, na confusão entre adjetivo e advérbio. Leiam:

“O principal problema do Sr. Jorge Amado é o da sua ignorância, o da sua falta de contato com a cultura, o da sua inexperiência literária. Veja-se a propósito este pequeno trecho de São Jorge dos lhéus:

Quando as notícias da Baixa chegaram até a casa dos Badarós, João Magalhães duvidou:
− Inacreditável!
Repetiu tantas vezes o advérbio que até Chico, o papagaio, o decorou junto ao seu variado vocabulário.

Pois será possível que o Sr. Jorge Amado não disponha sequer de um dicionário, no qual encontraria indicado que “inacreditável” é um adjetivo e não um advérbio?”


É verdade. Está nos dicionários até hoje. Tomara que tenham corrigido, senão será um problema a mais (além da má-qualidade literária) para os estudantes.
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POR José Pires

sábado, 15 de março de 2008

Politicamente correto na escola

Pobre da garotada. Lula sancionou uma nova lei que torna obrigatório o estudo da história afro-brasileira e indígena nos ensinos médio e fundamental.

Bem, nós pais também devemos penar, pois com certeza vem bobagem por aí. Vai ser duro ter que explicar que o tal de Zumbi não era bem isso que ensinam e, ao mesmo tempo, explicar para o garoto que ele deve colocar a resposta errada para não levar bomba.
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POR José Pires

Obama e seus extremistas

O senador Barack Obama é o adversário nas eleições presidenciais que os Republicanos pedem em suas preces mais fervorosas. O que menos o Partido Democrata precisa nesta eleição para presidente é que o embate eleitoral tome a feição de uma disputa racial. Neste caso, o partido terá dificuldade em conquistar votos até entre seus eleitores de sempre, o que pode significar mais quatro anos fora da Casa Branca.

Com Obama na disputa, este é um quadro que certamente o partido de George W. Bush (e, não se pode esquecer, também de Nixon) buscará criar, contando para isso com a ajuda preciosa de alguns aliados de Obama que militam nos movimentos negros.

A jornalista Marília Martins noticiou em seu blog na internet (na minha opinião um dos bons da internet, confira aqui) o mais recente problema de Obama com radicais do movimento negro que dão à sua candidatura uma incômoda coloração extremista.

Está rodando na internet um vídeo com um agressivo discurso do pastor Jeremiah Wright que têm trazido problemas para o candidato democrata e que, sendo ele o indicado do partido, traz matéria-prima para rodar durante toda a campanha para a Casa Branca e causar bastantes estragos.

O discurso do pastor Wright foi gravado na Trinity United Church of Christ, igreja que Obama frequentou durante 20 anos e de onde vêm muitos de sua equipe. Marília Martins traduziu parte do discurso do pastor e eu repasso para vocês:

"Hillary nunca sofreu na pele o que significa ser negro num país e numa cultura dominados por brancos ricos. Jesus era um homem negro que viveu num país e numa cultura dominada por brancos ricos... Os romanos eram brancos e ricos... Pensem bem: por que tanta gente odeia Obama? Porque ele não cabe no modelo da elite. Ele não é branco, ele não é rico, não é privilegiado. Hillary obedece ao modelo da elite. Giuliani pertence ao modelo dominante. Hillary nunca teve que enfrentar um taxi que a recusasse como passageira com causa da cor da sua pele. Hillary nunca foi chamada de “nigger”. Obama foi um menino negro que cresceu numa casa que tinha apenas sua mãe. Obama sabe o que é ser negro, o que é sentir na pele a discriminação. Hillary nunca teve que trabalhar o dobro para ganhar o mesmo salário que uma branca. E nunca sentiu a injustiça que os negros sentem ao ver a Casa Branca dominada por uma gente branca estúpida, quando nós, negros. sabemos que somos muito mais ineligentes do que eles. Está na hora de reagir contra a elite branca. Estou farto de negros que nada fazem."

O Youtube traz vários vídeos com o pastor Wright. O homem é um sucesso, mas vários deles evidentemente foram postados para bombardear a candidatura de Obama nas primárias do Partido Democrata. E a eleição principal sequer começou. Clique aqui para ver uma uma amostra de seu estilo. É o vídeo em que ataca Hillary Clinton. Não sei o que vocês pensam, mas eu não confiaria em um candidato que passou boa parte de sua vida ouvindo com reverência tipos como ele.

É bem sintomático que o discurso atinja Hillary Clinton, uma liberal que sempre esteve ligada na defesa dos direitos civis nos Estados Unidos e sobre quem não paira sequer a mais leve suspeita de racismo. É sempre assim. O extremismo raramente foca o inimigo de fato: está sempre buscando vítimas entre os aliados da mesma causa.

Obama evidentemente já disse que discorda das idéias do pastor Wright, um tema que surgiu em vários debates dos quais participou. Mas, independente da sua compreensível tentativa em afastar a supeita de que o pastor racista seja um mentor seu, no conteúdo racista do discurso há um importante reforço para uma das taticas eleitorais que os Republicanos usarão com certeza caso o senador democrata seja indicado para a disputa presidencial. É uma questão que será bastante analisada: o quanto Barack Obama absorveu deste caldo de cultura extremista e racista, indiscutivelmente ligado a sua formação.

O quanto ele incorporou disso em sua personalidade dependerá menos da verdade histórica estabelecida por sua carreira política e muito mais da habilidade − já comprovada em outros jogos sujos − do Partido Republicano em criar um clima odiento para dar um empurrãozinho favorável nas urnas eleitorais.
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POR José Pires

Um trabalho nobre para Silvinho Land Rover

Silvio Pereira (o “Silvinho Land Rover”, revelação política do PT) está com problemas para cumprir as 750 horas de serviços comunitários, pena que pegou para sair do banco dos réus do mensalão.

O pacto já tem dois meses e ele não começou a trabalhar. Para facilitar a própria vida, ele já havia escolhido a subprefeitura do Butantã que é próxima de sua casa, mas Silvinho, que é sociólogo formado pela PUC, está com repugnância ao tipo de serviço que lhe arrumaram: o balcão de entrada da repartição e a zeladoria administrativa.

Uma função é para o atendimento aos contribuintes que precisam de informações e providências. A outra, é percorrer com uma equipe as ruas para anotar problemas em bueiros, buracos e poda de árvores.

Silvinho Land Rover não aceita nada disso. Quer funções mais nobres. Talvez o caixa da repartição, que, façamos justiça ao moço, sempre foi sua especialidade.
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José Pires

quarta-feira, 12 de março de 2008


O comício de Tocantins foi um sucesso. Teve uma multidão, atraída por quatro mil quentinhas oferecidas pelo governo do Tocantins. 40 ônibus fretados também pelo governo ajudaram a esquentar a festa eleitoral.
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POR José Pires

Sem pai nem mãe

Bem, o PAC já tem até mãe. Mas podem ter certeza, se o programa não der certo eles jogam a criança na rua e some todo mundo: pai, mãe, avós, tios, primos...
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POR José Pires

Brasileiros em fuga

Deu um surto de patriotismo com as expulsões de brasileiros da Espanha. Aquela famosa frase de Samuel Johnson, “o patriotismo é o último refúgio dos canalhas”, só não cabe ao Brasil quanto ao tempo que ele usa. Aqui o patriotismo é o primeiro refúgio dos canalhas.

Mas não adianta a demagogia. A Espanha não vai pedir desculpas. O embaixador da Espanha no Brasil, Ricardo Peidró Conde, teve uma reunião com a Comissão de Relações Exteriores do Senado e mostrou um documento sigiloso do Ministério do Interior da Espanha que piorou a barra dos brasileiros.

O número de brasileiros barrados em países da União Européia é desmoralizante. Na Espanha, 1.957 foram barrados em 2005. Em 2006 foram 1.370 e 1.469 em 2007. Em Portugal, foram 2.161 em 2005; 1.749 em 2006 e 980 em 2007.

Para um país que está tão arrumadinho como querem nos convencer os petistas, é gente demais querendo ir embora. Observem que os números são dos que foram barrados. Certamente é uma porcentagem menor, comparado aos que conseguiram permanecer em países europeus, de modo legal ou não.

É sabido que os patrioteiros não têm interesse algum em aprofundar qualquer questão, pois para eles bastam os minutos felizes sob as luzes da mídia. Mas seria interessante tirar o o foco das expulsões e dirigi-lo para o motivo de tantos brasileiros estarem fugindo da pátria amada idolatrada. Mas isso não vai acontecer. E salve, salve-se quem puder.
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POR José Pires

Bye, bye, Brasil

Isso me lembra o caso de Cuba, um país onde se faz de tudo para fugir daquele paraíso cantado em verso e prosa pela esquerda brasileira. Os “balseros” são indivisíveis da história do socialismo da ilha de Fidel Castro.

Mas aqui também não é muito diferente. A vontade de ir embora do Brasil é grande. O nosso problema é que não temos nenhum país desenvolvido ao alcance de uma balsa.
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POR José Pires

terça-feira, 11 de março de 2008

Mino Carta, o biógrafo da incoerência

Mino Carta é um cara estranho. Antes do Lula ganhar a primeira eleição para presidente da República o editor de Carta Capital desancava o petista. Lembro de pelo menos duas entrevistas − uma delas, para a falecida revista República, tenho aqui comigo− em que Lula era tratado de tacanho para baixo. Era o tosco da hora. Aliás, Tosco é o nome que Mino Carta dá para ele em seu romance O Castelo de Âmbar. Tosco, o dicionário diz que é bronco, grosseiro e rude. Lula, então, era o Tosco.

De uns tempos pra cá, porém, Lula comove bastante Mino Carta. Parece um Love Story. O jornalista faz um esforço para não derramar lágrimas na presença do presidente da República. Lula é o mesmo bronco de sempre ou até piorou, mas Mino Carta sente-se como Marilena Chauí quando ele fala, talvez até veja luzes, as mesmas que surgem para a professora de filosofia em meio às frases do petista.

Caso tivesse escrito uma biografia do presidente na época em que o tachava de bronco, como faria Mino Carta? Queimaria toda a edição em praça pública?

Nesta semana em seu seu blog na internet ele conta uma história acontecida há 29 anos entre ele e Lula, quando ajudou o então presidente do sindicato dos metalúrgicos de São Bernardo e Diadema a comprar um mimeógrafo para imprimir o jornal da entidade. O mimeógrafo do sindicato sofrera uma pane sem conserto. Então Mino Carta correu atrás de umas personalidades do mundo financeiro e deram o mimeógrafo ao Lula. Logo depois o compadre do Lula deu-lhe uma casa, o chapa Okamoto pagou suas dívidas, etc., mas aí são outras histórias.

Mino Carta conta essa história de um jeito romântico. Love Story de novo. Dá a impressão de vê-lo derramando lágrimas sobre as teclas de sua velha Olivetti. Sim, porque o jornalista, baseado sabe-se lá em quais asnices pitorescas, é um daqueles que se orgulham de não usar computador. Ele garante que (não riam, por favor) faz seu blog numa velha Olivetti.

Mas o caso é que o Lula de épocas passadas, o irritante Tosco, torna-se então uma figura boníssima, quiçá comovente, não fosse ele a serpente que conhecemos bem. Mino Carta conta até que numa festa da revista, há três anos, Lula ficou comovido com a lembrança do velho mimeógrafo.

É até chato que alguém tão experiente − e velho também; Mino Carta já está com mais de 70 anos − não compreenda que certas histórias, que podem até parecer comoventes em um sofrido passado, soam apenas como puxa-saquismo do mais reles quando o protagonista está aboletado no poder e tem nas mãos a chave do cofre.
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POR José Pires

Em campanha

A agenda do presidente Lula. A sete meses da eleição, o nosso estadista está em plena campanha eleitoral. Hoje o comício é em Dianópolis, no Tocantins. O prefeito de lá decretou feriado no município e mobilizou transportes, inclusive ônibus, para levar eleitores, ou melhor, moradores, à cerimônia de inauguração de obra com a presença de Lula.
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POR José Pires

Nossa imagem no exterior

Eu me espanto com a surpresa que anda causando por aqui a retenção e expulsão de brasileiros no exterior.

Imagine se você morasse na Europa e tivesse notícias do Brasil de longe, em pequenas notas nos jornais, num e noutro noticiário de televisão, enfim daquele modo que são vistos países como o nosso no exterior. Seriam chacinas, corrupção (o mensalão, promovido pelo PT e partidos aliados, foi de relativo destaque no exterior), desmatamento, favelas, enchentes, tragédias urbanas, sem falar no rescaldo histórico, da ditadura militar, governo Sarney e governo Collor. No meio disso tudo, carnaval e muita bunda de mulher nas praias. E tome violência. De vez em quando algum festival de cinema premia um filme nacional, como o Tropa de Elite ou Carandiru, para fortalecer a má impressão. Nada contra os filmes, falo apenas da realidade que eles, com razão, mostram.

Ainda lá na Europa, você fica sabendo que o governo deste país é alinhado com Chávez, simpatiza com as FARC colombianas e o presidente atual é amigão de longa data de Fidel Castro.

E para temperar o enredo, dando consistência ao conceito, de vez em quando você lê frases destacadas do Lula, esse besteirol diário que aturamos aqui. Só como exemplo, essa última dele mandando as ONGs plantar árvores na Europa antes de discutir o meio ambiente global, frase que saiu de sua cachola para justificar o imenso desmatamento das nossas florestas. Ou o besteirol que ele solta em suas viagens.

E então? Depois disso, o que você iria achar dos brasileiros?
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POR José Pires