segunda-feira, 7 de abril de 2008

Indenização e pensão para opostos

Ziraldo já se defende das críticas. “O Brasil me deve isso”, disse aos jornais. Como diria o finado Paulo Francis, Waall... Você deve alguma coisa ao Ziraldo? Eu não.

Vamos a mais umas palavras suas em defesa de sua pensão: “Eu quero que morra quem está criticando. Porque é tudo cagão e não botou o dedo na seringa. Enquanto eu estava xingando o Figueiredo e fazendo charge contra todo mundo, eles estavam servindo à ditadura e tomando cafezinho com o Golbery (do Couto e Silva, general, chefe da Casa Civil da Presidência no governo Geisel). Então, qualquer crítica que se fizer em relação ao que está acontecendo conosco eu estou me lixando”.

Bem, temos que dizer novamente dizer waall... Eu até poderia achar que Ziraldo está falando do Carlos Heitor Cony, quando fala dos “cagões”, mas a possibilidade é mínima. Cony, longe de criticar, é até colega do cartunista na Bolsa Ditadura.

Cony é um dos que pleitearam a indenização (sim, para ganhar tem que entrar com o pedido). Durante a ditadura militar trabalhava na Manchete, revista semanal que era mais um catálogo de fotos coloridas a favor da ditadura. Ali, também escrevia textos que o dono da publicação, Adolpho Bloch, depois assinava como seus. Ganhava muito bem em uma época em que todo mundo ganhava mal. Até hoje o que se pergunta é de que o Cony foi vítima.

Cony poderia até pleitear indenização por ter que aturar o Bloch, assim como o Jaguar pela convivência forçada com o chato do Ziraldo, mas não: ganham indenização por terem sido “vítimas da ditadura”. E Cony ainda leva mais que o Jaguar e Ziraldo juntos: sua pensão é de R$ 23.187,90 por mês. Sim, é isso mesmo que você leu: mais de vinte e três mil reais todo mês.

A falta de critério aí é bem interessante. Não daria motivo para recurso jurídico? Cony e Ziraldo estavam em lados opostos, um na oposição e outro em uma editora a favor da ditadura militar. Tanto que Cony e seu patrão era criticados bastante em O Pasquim. Para a chamada “patota do Pasquim”, ele era “Carlos Heitor Conyvente” e nas páginas do semanário, Bloch era definido como “onomatopéia de bolo fecal caindo na água”. E os dois, Cony e Ziraldo, recebem indenização na posição de vítimas? Tem erro jurídico aí.
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POR José Pires

E pra quem colaborou, vai ter desconto na pensão?

E o cartunista também exagera na auto-vitimização. Teve lá seu papel, sim, na luta contra a ditadura, mas é fato que foi bastante, digamos assim, “pragmático”, no período. Também não se furtou (como diria a turma do Pasca: êpa, êpa!)de fazer serviços para instituições da própria ditadura militar.

Com a Caixa Econômica Federal, por exemplo, em pleno período duro do regime, fez um negocião vendendo seu personagem “Jeremias, o bom” para a propaganda do banco estatal.

É o caso da gente saber também se esse dinheiro − uma boa grana para duros como nós na época, que não fazíamos serviço algum para a ditadura − entra também no bolo da indenização ou se haverá desconto.
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POR José Pires

A famosa "gripe do Pasquim"

A famosa “gripe do Pasquim”, período de dois meses em que nove dos jornalistas do semanário ficaram presos não foi uma “cana dura”. Ficaram presos durante os meses de novembro e dezembro de 1970. É claro que apenas o fato de ser preso naquela época já era uma barra difícil de agüentar. Era a época do governo Médici, o período mais duro do regime, e tudo podia acontecer. Até a morte.

Foram presos Paulo Francis, Ivan Lessa, Ziraldo, Luiz Carlos Maciel, Paulo Garcez, Flavio Rangel, Sérgio Cabral, Tarso de Castro e Fortuna.

Durante o período de cana, o jornal manteve-se em circulação. Millôr Fernandes, Henfil e Martha Alencar editaram. E vários artistas e intelectuais se juntaram para ajudar na edição. Colaboraram, entre outros, Chico Buarque, Antônio Callado, Odete Lara e Glauber Rocha. A prisão ficou conhecida como "A gripe", pois era com esta ironia que justificavam no jornal a ausência da maior parte da equipe. Além de fazer seus desenhos, Henfil também fez cartuns imitando o estilo de cartunistas presos o que deixava os militares intrigados. Pô, diziam, saiu um desenho do Fortuna. Mas o Fortuna não está aqui preso?

Os tempos eram duros, mas com o pessoal de O Pasquim nada aconteceu de grave. O período de prisão é até motivo de troça nas lembranças do cartunista Jaguar. Segundo ele, a única tortura física que aplicaram no grupo foi cortar a imensa cabeleira de Luís Carlos Maciel.

O cartunista diz que “foi o melhor período” da vida dele. Bebia o dia inteiro. Subornava os guardas para lhe comprarem cachaça. Na prisão, aproveitou para ler Guerra e Paz, segundo ele “aquele calhamaço do Tolstoi que você só lê na prisão”.

Pelo que contam, havia até uma relativa tolerância com aqueles presos singulares. Paulo Francis, em um interrogatório em que lhe perguntaram se assinara uma “monção” em favor do editor Ênio Silveira, chegou a corrigir o interrogador: “Capitão, monção não se assina. Monção é um fenômeno pluviométrico. Eu assinei uma moção!”

Por ironia, a única ameaça grave que sofreram veio da esquerda. Entraram numa lista para serem trocados por alguém seqüestrado por um grupo armado, o que é também um bom exemplo da irresponsabilidade da esquerda armada naquele tempo. Com a troca, todos iriam para a Argélia. Mas ninguém quis participar dessa tolice tramada por pessoas que certamente nada sabiam sobre os interesses políticos daqueles encarcerados.

O único interesse revolucionário do grupo era o da subversão da linguagem. Na época de O Pasquim a nossa imprensa andava de casaca, colete e gravata. Uma boa definição do que fizeram no jornal veio de Ivan Lessa, que disse que O Pasquim tirou aspas da nossa língua. O atraso era tamanho, que ele, por exemplo, foi enquadrado por ter escrito a palavra porrada, que hoje até a Xuxa fala em seu programa infantil.
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POR José Pires

A imprensa ficou caladinha

Bem, Ziraldo estava lá preso. Jaguar também. E agüentando o Ziraldo, o que é pior. Mas e o combatente pensionista da Bolsa Ditadura Carlos Heitor Cony? Na época ele escrevia textos para o venal Adolpho Bloch assinar. É evidente que nada escreveu sobre a prisão, nem com sua assinatura nem com a do Bloch. E muito menos apareceu na redação para dar uma força. Nem podia: era odiado em O Pasquim.

Na verdade, na época nada se escreveu sobre a prisão da turma. Ao contrário do que se diz hoje, a nossa grande imprensa nada tinha de combativa. No geral ficava calada, quando não estava elogiando o “milagre brasileiro” dos milicos.

Existe apenas um único texto que faz menção à prisão. É de Carlos Castello Branco, um dos mais importantes colunistas políticos brasileiros. Escrevia a respeitada Coluna do Castello. O texto sobre a prisão, saiu em 29 de novembro de 1970 no Jornal do Brasil e você pode ler clicando aqui.
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POR José Pires

domingo, 6 de abril de 2008

Ombudsman da Folha sai reclamando

Coisas estranhas andam acontecendo na Folha de S. Paulo. O ombudsman do jornal, Mário Magalhães, se despede dos leitores hoje em sua coluna. Segundo ele, “embora o estatuto autorize a renovação por mais dois períodos, não houve acordo com a direção do jornal para a continuidade”.

A Folha de S. Paulo foi o primeiro jornal brasileiro a instituir a figura do ombudsman, um profissional que, além de fazer a ponte entre o leitor e o jornal, funcionaria como uma consciência crítica da redação. Foi uma boa inovação, copiando uma tradição do jornalismo norte-americano. A coisa não pegou por aqui: a Folha é ainda o único dos grandes jornais que mantém um ombudsman.

Isso sempre foi um elemento de qualidade do jornal na relação com a opinião pública e na transparência na condução da notícias, funcionando, inclusive, como um organismo de recepção de reclamações e também para a contribuibuição de seus leitores.

Com a internet, o que se esperava é que essa transparência se intensificasse, já que as modernas tecnologias da WEB permitem uma interação online com a nossa mídia.

Mas, pelo que Mário Magalhães diz em seu texto de despedida, parece que é exatamente aí que os donos do jornal vêem o grande problema: “A Folha condicionou minha permanência ao fim da circulação na internet das críticas diárias do ombudsman. A reivindicação me foi apresentada há meses. Não concordei. Diante do impasse, deixo o posto”, ele escreve.

É um assunto que vai dar muito que falar nesta semana que entra. Para ler o texto do ombudsman na íntegra, clique aqui.
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POR José Pires

O estado a que chegamos

Que tipo de sociedade é esta em que a mãe de uma criança assassinada de modo horrível, menos de uma semana após a morte da filha está dando entrevista à imprensa com uma camiseta com a imagem da criança?
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POR José Pires

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Olha a crise aí, gente

O BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) apresentou hoje um relatório sobre a atual crise internacional que contém um aviso importante: a América Latina que se cuide, porque aqui não tem nenhum país inteiramente defendido. A crise econômica é democrática. O país que não se cuidar, será levado pelo maremoto.

Uma frase sintetiza bem o alerta e soa como um puxão de orelha na suposta “blindagem” brasileira tão apregoada pelo governo. “Quando um barco está navegando depressa em meio a ventos favoráveis, é difícil dizer quanto da velocidade pode ser atribuída à habilidade do capitão".

Outro aviso é de que reservas em moeda estrangeira não garantem a defesa contra a crise se a dívida interna for muito grande, o que é o caso do Brasil.

E quanto ao crescimento do mercado interno, motivo de auto-elogios constantes das autoridades brasileiras, inclusive de Lula, o coordenador do projeto do BID, Ernesto Talvi, diz: “Isso é bom? Claro, é bom, mas enfatizo: a demanda interna só é forte no Brasil porque a situação do resto do mundo é favorável. Uma crise poderá afetar fortemente essa situação".

Bem, agora só falta alguém pegar o telefone lá no BD e ligar para o Palácio do Planalto. Mas tem que falar bem claro: “Lula, cuida da tua crise!”.
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POR José Pires

Companheiros, atenção para a lição

A agenda do presidente Lula ontem quase deu um pipoco grave. Esses comícios eleitorais que ele anda fazendo pelo Brasil afora carecem de organização. É preciso treinar melhor a militância que, por hora, ainda não sabe o momento certo de vaiar ou até partir para a ignorância, como os petistas sempre souberam fazer quando estavam na oposição, até quebrando algumas coisinhas para a notícia ter destaque na imprensa. Tudo bem, isso foi útil para conquistar o poder, mas agora é preciso organizar a bagunça.

Ontem, por exemplo, o próprio Lula teve que defender a governadora tucana Yeda Crusius das vaias da militância do PT gaúcho. Lá no Rio Grande do Sul o PT é oposição das mais ressentidas. E não é por menos, já tomaram várias coças eleitorais, sendo, inclusive, escorraçados da capital e do governo estadual.

É interessante o modo como Lula se dirigiu aos manifestantes, falando como um chefe de turma e explicando com cuidado o procedimento certo para a ocasião. Leiam na íntegra: “Eu ainda tenho que visitar muitos Estados do Brasil. E se a gente transformar o PAC em uma manifestação político-partidária, quando é um ato institucional, eu vou ter muita dificuldade de completar as viagens que eu tenho que fazer para o PAC”.

Prestem atenção, petistas. Já está bem explicadinho. Dentro da estratégia de manutenção do poder, uma das táticas é manter solenidades do PAC sem manifestações contrárias, mesmo em estados governados pela oposição. Quando é com o PAC, só aplausos, entenderam? Quanto às vaias e até alguns quebra-quebras, bem quanto à isso depois os chefes menores vão explicar como vocês devem proceder.
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POR José Pires

Diga 33

No meio de uma epidemia de dengue o Rio de Janeiro sequer sabe o número de médicos que atendem na rede pública.

O município reclama da falta de 500 profissionais, mas não sabe dizer quantos clínicos trabalham em suas unidades. Já o estado não informa a carência da rede e afirma ter 2.081 clínicos gerais e 932 pediatras.

E nem perguntem para o cidadão carioca. Muitos até duvidam que isso exista no Rio de Janeiro: esse negócio de médico parace que é coisa de paulista.
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POR José Pires

Papo louco

Discussão doida na política brasileira não é coisa nova, mas essa em torno do senador Álvaro Dias está acima inclusive da doidice usual.

É bem estranho colocar o foco sobre quem entregou ou não as informações do dossiê para a imprensa quando o que interessa de fato é quem fez o dossiê.

Mas, de qualquer modo, sempre é divertido o esforço da rede blogueira chapa-branca em sua tentativa de convencer que o jabuti subiu sozinho na árvore.
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POR José Pires

Psiu

Este caso do dossiê mostra que no Brasil todo cuidado é pouco na hora de denunciar algum crime. Não saia por aí gritando "Pega ladrão!" pois as suspeitas podem cair sobre você.
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POR José Pires

A falta que ele faz

Nesta rede de apoio faz falta o blog do Mino Carta. Nisso o provedor IG errou. Mino Carta deixou de fazer seu blog em solidariedade ao amigo Paulo Henrique Amorim, que foi chutado pelo IG, e perdemos o humor, involuntário na verdade, mas não menos engraçado por isso, do editor da Carta Capital.

Mas sempre temos a revista. Na semana do escândalo do dossiê a Carta Capital traz na capa o governador de São Paulo, uma antiga fixação de Mino Carta. Sobre o dossiê um tico de matéria, sempre jogando na defesa, é claro.

Outra matéria talvez alusiva aos problemas do governo, muito sutil, é bem verdade, é sobre a cachaça. Dizem na abertura que “a cachaça ficou bacana, caiu no gosto da classe média e foi liberada nos salões”. Tenho cá pra mim que vão receber reclamação do Palácio do Planalto.
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POR José Pires

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Vaia na China não

Confirmado: o presidente Lula não vai comparecer à abertura dos Jogos Olímpicos em Pequim.
E não é um boicote do Brasil por causa da repressão do governo chinês no Tibete.

Então só pode ser por causa das vaias nos Jogos Pan-Americanos, no Rio, que causaram em Lula um pânico danado de eventos esportivos.
Está certo: vaia em chinês deve dar uma bruta repercussão internacional.
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POR José Pires

Viúva de Chico Mendes traz um bom debate

A entrevista de Ilzamar Mendes, viúva do seringalista Chico Mendes, ao blog do jornalista Altino Machado, deixou em polvorosa os petistas aboletados no poder no Acre. Ilzamar fez severas críticas ao governo acreano, já no terceiro mandato em mãos de petistas. O poder no Acre foi conquistado por antigos companheiros do seringalista. De lá é também a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Mas, segundo a viúva estes “mataram os ideais de Chico Mendes”.

A entrevista está sendo republicada em vários sites e blogs da internet e a repercussão tornou-se nacional. Essa é uma das ótimas contribuições da internet. Sem esta tecnologia de informação, como ocorria em passado bem recente, a viúva de Chico Mendes teria que curtir sua mágoa na solidão, sem nenhuma possibilidade de expressar o desencanto e defender a memória do marido.

Tirando alguns grandes órgãos nacionais do eixo Rio - São Paulo, a mídia brasileira vive em conluio com os governos locais, os estaduais e municipais. Nessa política da informação paga, dirigida por caciques políticos e subtraída do cidadão, entram até as câmaras municipais. Jornais e emissoras de rádio e televisão funcionam a soldo de publicidade oficial ou até mesmo de dinheiro que entra por caixa dois.

Com este controle financeiro as autoridades locais determinam o que sai na mídia, fechando evidentemente qualquer espaço para a oposição ou qualquer pensamento crítico que afete seus interesses. Desse modo, as mídias locais foram sempre excelentes suportes para o estabelecimento de oligarquias e o controle da política brasileira por caciques políticos. E, claro, por conseqüência lógica, este controle da informação praticamente inviabiliza a existência de partidos autênticos ou a política feita de forma ética.

E não há cores partidárias neste empobrecimento da política brasileira. Democratas, peemedebistas, tucanos, quando pegam o poder todos sempre usaram o controle da mídia para o favorecimento próprio. A novidade agora é que o PT também começa a fazer isso pelo Brasil afora.

A entrevista da viúva de Chico Mendes veio em boa hora e levanta interessantes questões. Além da necessidade de recompor a ética em torno da memória do líder seringueiro, a entrevista de Ilzamar Mendes traz também um bom debate sobre o poder da comunicação no fortalecimento da democracia.
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POR José Pires

Mídia pelo Brasil afora é calada por verbas

E ninguém pense que o controle da mídia, por meio de pagamentos oficiais ou não, é feito apenas sobre pequenos órgãos de cidades menores ou em estações de rádio e televisão com pouca relevância. Nada disso.

A política é exercida até sobre as retransmissoras de grandes redes como a Globo. E são retransmissoras que, na verdade, são a Globo local, como todo o poder e prestígio da rede nacional. Os donos das retransmissoras usam o prestígio nacional para obterem favorecimento local.

E isso acaba ocorrendo até mesmo em capitais de estado e grandes cidades do interior. Um exemplo ocorreu em Londrina, no norte do Paraná, quando a sociedade civil mobilizou-se contra um milionário esquema de corrupção promovido pelo prefeito da cidade. Mesmo com os cidadãos organizados em um movimento político, com sindicatos e instituições como a OAB, a TV Globo local não dava nenhuma notícia sobre o fato. Manifestações era feitas todos os sábados no calçadão da área central da cidade e, mesmo assim, nada saia na televisão de Roberto Marinho.

E isso não aconteceu em tempos antigos e perdidos na memória, na década de 50 ou 60. Foi agora, no ano 2000. O prefeito acusado de corrupção, Antonio Belinati, acabou sendo cassado em junho de 2000. Mas durante a luta pela ética na cidade, a Rede Globo não noticiava nada contra os interesses do prefeito. E como eram tempos anteriores à popularização da internet, essa trava na mídia atrapalhava muito. Para barrar as notícias sobre a mobilização contra a corrupção comandada por Belinati, soube-se depois, além da maciça publicidade oficial injetada na emissora, havia até pagamentos por fora. Em investigações posteriores surgiram cheques pagos á um editor local da Globo.
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POR José Pires

Entrevista repercute pela internet

Em outros tempos, não haveria espaço para Ilzamar Mendes fazer em público a discussão sobre a desorientação ética que ex-parceiros agora poderosos estão fazendo com o legado de seu marido. A partir de um blog no norte do país, a voz de Ilzamar repicou em sites e blogs pelo mundo afora e está causando preocupação na cúpula petista do estado e, tenho certeza, também na cúpula nacional. Não duvido que gabinetes bem próximos ao presidente Lula já estejam manobrando na tentativa de acabar já com este debate.

O problema para o PT nacional é que este ano comemora-se os 20 anos do assassinato do seringueiro do Acre, que hoje é um mito internacional. Ilzamar Mendes é presidente da Fundação Chico Mendes, que zela pela memória do marido assassinado, e tanto neste papel quanto no de viúva indignada disposta a resgatar o legado de Chico Mendes pode causar um bom estrago na imagem do partido e também do governo petista.

Ilzamar Mendes ainda é uma das referências políticas mais importantes quando se fala em Chico Mendes até no plano internacional e certamente é a relação mais forte com sua memória pessoal, pois, afinal, foi em seus braços que o líder seringueiro deu os últimos suspiros depois dos tiros que tiraram-lhe a vida.
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POR José Pires

Veja e Folha correm atrás da viúva

A revista Veja e a Folha de S. Paulo já correm atrás de Ilzamar. Querem uma entrevista. Isto é uma informação do jornalista Altino Machado, que deu início ao debate em seu blog com uma excelente entrevista com a viúva. E ele conta que o assédio dos dois grandes órgãos nacionais deu início a uma corrida contrária de autoridades do governo do Acre, para impedir que Ilzamar Mendes dê qualquer entrevista.

O governador petista Binho Marques até já propôs um encontro dele com a viúva. Existe um grande temor do governo do Acre sobre as conseqüências da publicação em publicações nacionais de denúncias de Ilzamar Mendes do mesmo teor que as publicadas no Blog do Altino. Algo assim deve bater forte contra a imagem petista.

Mas, para atiçar a paranóia dos petistas também existem interesses, digamos assim, mais elevados. No plano financeiro. O governo do Acre também arrecada muitos milhões em projetos estruturados em cima do nome de Chico Mendes. O mito é hoje um suporte importante para a obtenção de verbas tanto por aqui, no Brasil, quanto em governos de outros países e organizações estrangeiras.

E em conjunto com os apelos amigáveis junto à viúva, e para não perder o costume, o PT faz também seu velho jogo de desqualificação dos adversários. Segundo Altino Machado, uma fonte próxima do governador do estado já espalha boato sobre uma dívida de R$ 80 mil que a Fundação Chico Mendes teria com o governo do Acre.

Ilzamar Mendes já desmentiu a acusação. “É mentira deles, pois esse débito nunca existiu”, disse ao blog.

E vamos à fonte, do blog do norte do Brasil que está levantou um tema que ainda vai dar muita discussão no plano nacional. Para ler, clique aqui.
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POR José Pires

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Chico Mendes, 20 anos depois

Considerar onde estariam certas figuras da esquerda mortas antes do PT alcançar o poder é um exercício que muitos julgam inútil, mas é uma inevitável discussão, até mesmo para entender melhor a incoerência dos vivos. Ou melhor, muito vivos. Os que já estão mortos − e são tantos: Henfil, Betinho, Glauber Rocha, Raimundo Faoro, Florestan Fernandes e muitos mais. Onde estaria essa gente? Apesar da inutilidade prática, não deixa de ser interessante imaginar se estariam na oposição ou aliadas à voraz instrumentalização do Estado, hoje algo usado por demais pela esquerda e até defendido como se fosse parte de alguma ideologia progressista.

Chico Mendes, o conhecido líder seringueiro do Acre, é uma figura histórica que sempre vem ao centro desse debate. Pelas ligações históricas com o presidente Lula e até por causa da vida muito semelhante em alguns aspectos importantes, é ele um dos que pesam mais para a análise dos caminhos erráticos entre a origem e o destino de um líder popular. Assassinado em dezembro de 1988, esse ano completa 20 anos da sua morte.

A morte prematura acabou cristalizando sua imagem como a de um líder íntegro e coerente. Na verdade, o assassinato impediu o grande teste que viria anos depois quando finalmente a esquerda conseguiu a presidência da República − com o seu companheiro sindicalista Lula à frente. E é chato ter que dizer, mas nada garante que Chico Mendes não estaria entre os magotes desta esquerda ávida por boquinhas no governo. Primeiro, se não tivesse sido morto naquelas condições, não há nenhuma garantia de que seria uma figura relevante na política brasileira. E depois, os exemplos históricos que o cercam, gente que estava grudada no líder seringueiro na época, nada ajudam hoje a aplicar um pouco de honra no que poderia vir a ser a trajetória caso não houvesse acontecido o assassinato. Os exemplos dos aliados de então, infelizmente, pesam contra a sua memória.

É duro, mas a vida é assim. Os atos dos vivos enodoam até a história dos que morreram antes. Essa gente que pegou o poder com o PT acabou com o que poderia haver de honradez na história da esquerda e − aí sim vale a besteira que Lula repete sempre − como nunca houve neste país.
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POR José Pires

O desabafo da viúva de Chico Mendes

Mas para quem está interessado em se aprofundar nesta discussão, a viúva de Chico Mendes, Ilzamar Mendes, deu uma entrevista ao jornalista Altino Machado que, do Acre, faz o Blog do Altino.

A viúva do seringueiro assassinado critica com rigor Marina Silva, ministra do Meio Ambiente e que também é do Acre, o ex-governador Jorge Viana, que foi governador do Acre duas vezes pelo PT e também critica o atual governador, Binho Marques, também do PT. Já no terceiro mandato petista, em governos que sempre se intitularam como "da floresta", o Acre, ela denuncia, hoje é governado para a pecuária.

A entrevista é um claro desabafo contra a incoerência política e este modo de fazer política que o PT colocou em prática no plano nacional e que, pelo que Ilzamar fala, é feito do mesmo modo no estado onde Chico Mendes viveu. “Essas pessoas mataram os ideais do Chico", ela diz. “Hoje, o que é importante para essas pessoas é o poder e não os ideais do Chico. Fazem qualquer coisa para se manter no poder”, é sua crítica na entrevista, muito bem conduzida pelo jornalista Arantes, cujo blog é um dos mais respeitados do norte do país.

No depoimento, a viúva de Chico Mendes mostra desesperança com os rumos que a política tomou no país, após a esquerda alcançar o poder. Conforme ela diz, no Acre, que é governado pelo PT, ela e os antigos companheiros do sindicalista não são convidados sequer para participar de eventos que se referem à memória de seu falecido marido. “Nós não somos convidados para discutir qualquer situação”, ela conta. Até para participar do Prêmio Chico Mendes, concedido pelo governo do Acre, teve que entrar “de bicão”, como ela diz.

O texto traz uma revelação inédita. Ilzamar, que estava com Chico Mendes no momento em que ele foi assassinado, afirma que se ele estivesse vivo não estaria no PT. Dias antes do assassinato, ela conta ter sido informada que ele estava para pedir a desfiliação do PT e entraria depois no PV.

Para ler a entrevista com Ilzamar Mendes, clique aqui, e aproveite para colocar nos favoritos o blog do Altino Machado, que traz sempre um excelente material informativo sobre a região norte do Brasil. Felizmente, a internet propicia esta interação com acontecimentos do país todo, sem a intermediação da imprensa local que, com raríssimas exceções só tem boca para papar verba dos governos.
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POR José Pires

terça-feira, 1 de abril de 2008

Um dia comum

Agenda do presidente Lula para hoje, dia 1º de abril. Nenhuma comemoração, nada de festividade, nem sequer tem discurso programado. Parece que o Dia da Mentira vai passar em branco.

Mas é uma falha perdoável. Como todo dia é 1º de abril, o governo acaba esquecendo de comemorar a data oficial.
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POR José Pires

Toma que o filho é teu

A mãe do PAC está fazendo um papel feio, muito feio com o dossiê sobre os gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Está certo que o dossiê não é querido como o PAC, mas uma mãe tem que ser muito desnaturada para rejeitar desse jeito um filho.
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POR José Pires

Abalo sísmico-eleitoral

Foi só Marta Suplicy subir nas pesquisas e um viaduto caiu em São Paulo. Os analistas políticos estão quebrando a cabeça para identificar a relação entre os dois casos. Enquanto isso, o paulistano relaxa e goza.
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POR José Pires

A coisa funciona mesmo

É uma tese nossa que não há porque ter dúvidas quanto ao futuro. Vivemos em um país com um planejamento eficaz, de modo que podemos ter a certeza de que o desastre virá. Mais cedo ou mais tarde o avião cai, a saúde degringola, a dengue aumenta, o político rouba, e por aí vai.

Como o desastre é inevitável, o desrespeito garantido e a tragédia social sempre expandida com medidas eficazes tanto da parte do governo quanto do cidadão, este é um país sem surpresas para alterar o nosso cotidiano.

Agora, por exemplo, o Banco Central baixou normas sobre o valor de tarifas bancárias. Estas só poderão ter aumento 180 dias depois de definidas. Um “congelamento”, digamos assim, preventivo, para garantir os direitos do consumidor de serviços bancários.

Banco respeitando o consumidor seria algo até incômodo para o pobre do brasileiro. Não havendo o costume, a gente leva tempo para se acostumar. E neste caso singular, haja capacidade para a adaptação.

Mas não se preocupe. Os bancos já deram um jeito para livrar seus clientes de tal chateação. Para driblar a norma, algumas instituições financeiras já aumentaram os preços ou vão passar a cobrar por serviços que antes eram gratuitos.
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POR José Pires

Filme conhecido

O governo norte-americano já tinha feito o Proer deles e agora vem com um pacote econômico. Está bem parecido com um país que conhecemos, não?

Anotem, o que digo: falta pouco para Barack Obama e Hillary Clinton começarem a falar em herança maldita.
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POR José Pires

Cresce a bancada dos sem voto

Mais um sem voto assume no Senado. Na semana passada foi Virgínio Carvalho Neto (PSC-SE), agora é a vez do suplente Carlos Dunga, do PTB da Paraíba, que vai sentar na cadeira do tucano Cícero Lucena, que sai alegando problemas de saúde.

A bancada dos sem voto cresce. Com esse já somam 16, de um total de 81 senadores. Para contemplar uma base crescente como essa logo mais o governo Lula pode ter até que criar um ministério novo: o Ministério dos Sem Voto.
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POR José Pires

Quem vazou o dossiê que não existe?

E mais essa: o presidente Lula cobrou da imprensa a divulgação do nome de quem vazou para ela o dossiê montado na Casa Civil sobre despesas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. A cobrança se deu durante reunião da Coordenação Política.

É por essas e outras coisas que os membros da rede de blogueiros a favor do governo deveriam receber adicional, talvez de insalubridade, pois assim fica difícil batalhar pelo governo Lula. Pois não dizem todos os do governo e inclusive blogueiros chapa-branca que o dossiê não existe? Então como identificar quem vazou?

São tantas as versões governistas desde a explosão do escândalo que nem dá para precisar o número, mas foram pelo menos meia dúzias de desculpas. Nenhuma colou.

Deve estar difícil para os chapas-brancas manterem um raciocínio em defesa do governo. Mas deixa eu ajudar: para se defender melhor neste caso, o melhor médtodo é preparar um dossiê de justificativas.
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POR José Pires

Obrigado por me traíres

Eu disse para vocês que tem muito eleitor doido por aí. Não dá, ou uma ou outra. O Datafolha ou o eleitor brasileiro, um dos dois pirou. Uma pesquisa do Datafolha revela que a avaliação que o brasileiro faz do Congresso Nacional melhorou. A reprovação ainda é alta, mas teve uma queda: o percentual de pessoas que acham o trabalho de senadores e deputados ruim ou péssimo caiu de 45%, em novembro de 2007, para 39%, no levantamento feito entre os dias 25 e 27 de março.

Os números são estranhos. O que os políticos têm feito até agora pedia é um aumento da reprovação. E como o Congresso Nacional nada fez para se redimir dos escândalos em que se mete o tempo todo, nenhuma medida tomou para se renovar, e muito menos expeliu desonestos ou preveniu a desonestidade, a queda na reprovação deve ser um recado do eleitor para que os políticos continuem com a bandalheira.
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POR José Pires