sexta-feira, 20 de junho de 2008

Papo fiado

Lula não saiu ainda do sindicato. Fala no Palácio do Planalto como se estivesse numa conversa fiada com seus peões em São Bernardo. Mais um jogo frustrado e ele ainda é capaz de aconselhar o pessoal a descer a lenha no adversário.
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POR José Pires

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Mensaleiros tentam se safar

Para não dizerem que só dou notícia ruim, aí vai uma boa: “O Supremo Tribunal Federal (STF) negou nesta quinta-feira recursos apresentados por réus da ação penal do mensalão, entre eles o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, o ex-deputado Roberto Jefferson e o empresário Marcos Valério”.

Então a coisa continua como antes. Ninguém se livrou da condição de réu no chamado “Inquérito do Mensalão”. Como o Brasil tem memória curta é bom lembrar a conspiração tramada contra a democracia por essa gente. Como governo de partido único sempre foi o sonho dourado de certaslideranças que acabaram formando o PT, eles tramavam ativamente para perpetuar o partido no poder.

Criaram então, às escondidas, uma forma de pagamento para o domínio das votações no Congresso Nacional. O esquema de compra de voto de parlamentares, o chamado “Mensalão”, acabou vindo ao conhecimento da opinião pública devido a um desentendimento entre eles que levou o então deputado Roberto Jefferson a denunciar o esquema em 6 de junho de 2005 numa histórica entrevista ao jornal Folha de S. Paulo.

Dois anos depois, o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, fez uma denúncia − com o sugestivo número de 40 acusados − sobre a compra do apoio de deputados da base aliada de Lula. Segundo a denúncia, aceita pelo STF em agosto de 2007, por meio da compra e suporte político de outros partidos e do financiamento das suas próprias campanhas o grupo tramava a permanência absoluta do PT no poder.

José Dirceu, não podemos esquecer, era o todo-poderoso de Lula, chamado por ele de “capitão do time” do governo petista. Era poderoso no governo, tinha sala ao lado do presidente da República. Dirceu é articulador importante da ascensão de Lula ao poder. Com o escândalo do "Mensalão", ele teve que sair do governo e acabou cassado por falta de decoro em dezembro de 2005.

Lula se safou da denúncia do procurador Antonio Fernando de Souza. Escapou também de um merecido impeachment porque enquanto a oposição esperava seu sangramento ele acabou recebendo uma tremenda de uma transfusão. Curou as feridas do escândalo e ainda se reelegeu presidente.

No inquérito, o procurador acusou a “existência de uma sofisticada organização criminosa, dividida em setores de atuação, que se estruturou profissionalmente para a prática de crimes como peculato (uso de cargo público para obtenção de vantagens), lavagem de dinheiro, corrupção ativa, gestão fraudulenta, além das mais diversas formas de fraudes".

Foi uma boa medida do STF. Espero que outras notícias boas venham com o correr do processo. Mas independente do resultado do inquérito, devemos ficar de olho toda a vida nessa gente. Poucos deles caíram de fato do poder e no conjunto ainda formam um esquema perigoso para a democracia.
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POR José Pires

Bejani também teve retirada no Mensalão

Tem certas informações que ajustam-se de forma tão perfeita, encadeando acontecimentos atuais com fatos que fazem parte da história recente, que só fazem crescer algumas suspeitas.

Hoje na Folha de S. Paulo o presidente do PTB, Roberto Jefferson, afirma que o ex-prefeito de Juiz de Fora Carlos Alberto Bejani (PTB) recebeu R$ 750 mil dos R$ 4 milhões que o PTB recebeu do caixa dois do PT para financiar candidatos petebistas nas eleições municipais de 2004. O dinheiro, cujo destino até agora era desconhecido, foi recebido na época por Jefferson, que era deputado federal e presidia o partido. A soma entrou no escândalo do “Mensalão”.

Já sabemos, então, que o ex-prefeito mineiro recebeu quase um quarto da quantia. Bejani, que renunciou ao cargo há pouco, está preso desde o último dia 12, quando foi deflagrada a operação “De volta para Pasargada”, da Polícia Federal.

Roberto Jefferson disse à Folha que tem anotada a quantia. Segundo o jornal o PT também contribuiu com Bejani, de forma legal, com R$ 82 mil.

E cadê a suspeita? Bem, Bejani foi gravado em vídeo recebendo dinheiro de uma pessoa, aparentemente como propina. No mesmo vídeo, ele fala de sua proximidade com o ex-ministro José Dirceu, dizendo que naquele mesmo dia os dois teriam uma reunião. De fato o ex-ministro estava em Belo Horizonte naquele dia. E José Dirceu, todos sabem, foi denunciado por Jefferson como o chefe de todo o esquema do “Mensalão”. Na denúncia ao STF, inclusive, Dirceu é chamado de “chefe do organograma delituoso”.

E tem mais. Segundo o presidente do PTB “todas as tratativas sobre a
composição política, indicação de cargos, mudança de partidos por
parlamentares para compor a base aliada em troca de dinheiro e compra de
apoio político foram tratadas diretamente com o ex Ministro Chefe da Casa
Civil, José Dirceu”.

E aí surge essa imensa quantia de dinheiro para Bejani na época do “Mensalão”. E Roberto Jefferson, como os petistas bem sabem, não é de jogar conversa fora. Parece que vem encrenca nova por aí.
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POR José Pires

Persona non grata

E o Exército fica ou não fica no morro da Providência? Acho que se fizerem uma pesquisa no morro a população pede a saída das tropas.

Aliás, depois do assassinato dos três rapazes que foram entregue a traficantes por uma tropa de soldados chefiada por um tenente, a idéia de botar o Exército nas ruas para combater o crime mixou de vez.

Um povo que já sofre o diabo com os traficantes, a polícia e as milícias paramilitares, certamente não precisa de porrada também do Exército.
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POR José Pires

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Exército para que te quero

Com o absurdo da morte dos três jovens, que teriam sido entregues a traficantes por uma tropa do exército comandada por um tenente, cresce o vozerio daqueles que acreditam que os nossos militares não estão preparados para enfrentar o crime.

Bem, é o caso de se perguntar então para quê o Exército Brasileiro está preparado. A barbaridade no Rio aconteceu numa situação em que não havia enfrentamento algum com a barra-pesada do tráfico. Os soldados estavam ali para dar segurança a obras da comunidade. E em casos assim a bandidagem até fica longe, pois até o na mais baixa criminalidade há um mínimo de estratégia, sendo que uma regra básica é não mexer com o Exército Brasileiro.

E qual seria a situação, do jeito em que o Brasil está, na qual um Exército atuante não estaria sujeito aos riscos inerentes ao enfrentamento com o tráfico?

Não sou daqueles que acham que a presença do Exército possa dar qualquer solução para a criminalidade. Mas o Brasil está atolado em uma guerra diária, com a população de cidades como o Rio cercada de um lado pelos traficantes, do outro por milícias paramilitares. E o Exército não pode se meter nisso sem ser mais um opressor do cidadão?

Então, volto a perguntar, o nosso Exército vai fazer o quê? Estamos todos envolvidos na luta contra o crime. Até os jornalistas têm feito um belo trabalho, arriscando suas vidas, ganhando pouco, mas trabalhando com coragem e sem envolvimento algum com os bandidos. Pelo contrário, até denunciam com extrema qualidade técnica a bandidagem, como bem mostraram os três jornalistas de O Dia que foram presos e torturados por milícias paramilitares e depois contaram toda a história nas páginas do diário.

Jornalistas podem ser cooptados pelo tráfico? Claro que podem. Mas as redações têm chefias competentes, prontas para despedir qualquer um que tenha um comportamento criminoso desses. Ninguém é tolo de achar que uma favela dominada por criminosos deve ser patrulhada por recrutas. Mas por que uma tropa profissional não teria capacidade para ações desse tipo?

Algum problema na formação do Exército Brasileiro torna soldados profissionais vulneráveis de um modo tal que eles não podem ser expostos a situações às quais civis estão expostos o tempo todo? O absurdo ocorrido no Rio de Janeiro tinha na chefia um tenente do Exército, um oficial de alta formação. Em situações de tensão, oficiais do Exército não têm capacidade para agir profissionalmente, com ética e respeito aos direitos civis? Acredito que sim, pois até jornalistas, que evidentemente não tem o treinamento especial que se espera desses soldados, conseguem agüentar o tranco sem se entregar para os bandidos.

Se o nosso Exército não pode entrar nesta guerra, então, volto a perguntar, preparou-se para quê? Talvez para substituir a Guarda Suíça, aquela que faz a segurança do Vaticano. Mas mesmo por ali existe algum risco. Um soldado brasileiro pode, por exemplo, ser flagrado roubando o vinho do padre. Aí, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, vai ter que pegar rapidamente um avião para pedir desculpas para o Papa.
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POR José Pires

terça-feira, 17 de junho de 2008

Rejeitada

Marta Suplicy é mesmo um fenômeno eleitoral. A ministra do “relaxa e goza” que ser novamente prefeita de São Paulo e tem bons índices em todas as pesquisas. Ela tem também todo o apoio do presidente Lula, o que significa evidentemente a chave do cofre do Governo Federal, além da caneta da decisão sobre bons cargos.

Mas o fenomenal é que com todo esse poderio ninguém quer ficar com Marta Suplicy. Até para obter o apoio do chamado “bloquinho”de partidos com pouca força em São Paulo ela precisa do empenho pessoal de Lula.

É o de se perguntar para o Lula se essa o Freud − o Sigmund− e não seu ex-segurança − também explica.
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POR José Pires

Horror e covardia no Rio

Onze militares do Exército Brasileiro, um grupo composto de um oficial, três sargentos e sete soldados, detiveram três jovens por suposto desacato e os entregaram a traficantes para, segundo o tenente do Exército Ghidetti de Moraes Andrade, de 25 anos, que idealizou e comandou a ação, para que estes aplicassem um “corretivo” nos rapazes.

Os três jovens eram do Morro da Providência, no Centro, e foram entregues a traficantes do Morro da Mineira, no Catumbi. Os dois morros são dominados por quadrilhas rivais, o que mostra uma intenção maléfica dos militares do exército.

A ação dos soldados, comandados pelo oficial, tem mais detalhes escabrosos. Em depoimento, o oficial admitiu ter ameaçado escrever as iniciais da facção que controla o tráfico na Providência nas testas dos detidos, antes de deixá-los na outra favela, dominada por uma quadrilha rival.

O “corretivo” planejado pelo tenente do Exército acabou sendo extremamente severo. Depois de torturados os jovens foram mortos a tiros.

E os soldados que fizeram tal barbaridade estavam ali para proteger dos traficantes as obras que estão sendo construídas para a comunidade. Será que já não é hora de chamar as tropas da ONU?
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POR José Pires

Crime pode ter sido ainda pior

A análise que o jornalista Janio de Freitas faz do crime hoje, em sua coluna na Folha de S. Paulo, lança suspeitas sobre o caso que, caso sejam comprovadas, deixa a situação ainda pior. E a coisa pode ser pior do que essa versão da entrega dos rapazes pelos militares à traficantes de um morro rival? Pode sim.

Nesta outra versão, os rapazes podem ter sido mortos não pelos bandidos, mas “por responsabilidade direta de algum ou alguns do grupo de militares”. Ele lembra que uma das vítimas foi vista pela mãe no quartel do Exército e, segundo seu relato, ela viu o filho "caído no chão, ensangüentado”.

O jornalista da Folha é um veterano da imprensa, conhece bem o Rio de Janeiro e aponta várias contradições no caso. Ele começa mostrando que o ambiente da favela da Mineira apresenta dificuldades para a ocorrência dos fatos conforme a versão apresentada. Segundo ele, pelo nível de de controle dos traficantes sobre a favela, não é admissível que "os três rapazes fossem levados por soldados à recepção pacífica que lhes dava um grupo de bandidos". Além disso, ele ressalta, "de tudo isso em área com intenso trânsito de pedestres, só restassem duas "testemunhas". Anônimas".

Freitas diz também diz que não está claro como se deu o achado dos corpos, no dia seguinte ao crime, e como a polícia os localizou. Sigam o raciocínio do colunista: “Estavam em lugar muito distante, uma região à margem do Rio em direção às cidades serranas e a Minas. Estavam nas cercanias de um "lixão" em Gramacho, onde 'possivelmente foram deixados por um caminhão de lixo'. Logo, os garis os recolheram e puseram no caminhão de coleta sem os notar, três corpos adultos. E nem os notaram, ao serem despejados, os catadores de salvados do lixo que ali dividem a sua miséria com urubus”.

O fato de os cadáveres terem surgido em Gramacho também fortalece suas suspeitas. O local é conhecido como campo de treinamentos do Exército, ele informa. É um lugar em que acontecem muitos acidentes, pois adultos e crianças que andam por ali morrem quando tentam recolher obuses abandonados ou porque pisam em granadas.

“Por lá apareceram os três rapazes assassinados”, escreve o jornalista. E deixa uma terrível suspeita no ar.
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POR José Pires

De passagem

Leio de passagem em um site da internet que “Lula está indignado com o crime”. Quem será este Lula? Talvez um popular que estava presente no local?
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POR José Pires

Agora vai

Ontem, o presidente Lula pediu a Mantega e a Meirelles ênfase no discurso contra a inflação. É uma instrução intrigante. O que será que vão fazer? Talvez bombardear a inflação com palavras.
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POR José Pires

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Yes, nós temos bananas

A política antiterrorismo do governo de George W. Bush faz os Estados Unidos parecerem uma "República de Bananas" nas notícias internacionais.

Vejam essa: “Decisão da Suprema Corte vai permitir que prisioneiros de Guantánamo recorram aos tribunais civis dos EUA para fazer valer direitos que lhes foram negados”.

Não parece coisa de ditadura latino-americana ter que apelar para a Suprema Corte para fazer valer o direito de recorrer a tribunais civis? Os Estados Unidos tinham um Estado à parte do Estado de Direito. E numa ironia certamente involuntária o governo Bush situou sua particular "República de Bananas" na mesma ilha de Cuba tanto criticada pelo desrespeito aos direitos humanos.

Mas o "Projeto República de Bananas" sofreu apenas um revés, que Bush pretende reverter. Ele já avisou que vai estudar o caso “para saber se há necessidade de novas leis para proteger o povo americano."
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POR José Pires

Dístico

Em meio à sujeira detectada na compra da Varig − onde tem até acusação de falsificação de ata de assembléia, que teria sido cometida pelo escritório de Roberto Teixeira, compadre de Lula − eis que surge um documento emblemático do tempo em que vivemos.

Em uma conversa por e-mails, Lap Chan envia a seguinte mensagem para Palmer: "Como você diz, bem vindo ao mundo em tempo real dos mercados emergentes, onde inteligência e rapidez se sobrepõem às leis e normas na definição dos negócios!"

A afirmação é de quem sabe o que está falando. O e-mail foi escrito em 1º de agosto, 11 dias depois de a VarigLog arrematar a Varig.
Se não fosse tão longa, a frase bem que poderia substituir o “Ordem e progresso” da bandeira brasileira.
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POR José Pires

quinta-feira, 12 de junho de 2008

E novamente aparece o José Dirceu

E não é que surgiu mais uma do José Dirceu? Pois é, já está até se tornando coisa banal o ex-ministro da Casa Civil de Lula aparecer metido em encrenca. Isso é um perigo, já está ficando parecido com aquela história do cachorro que mordeu o homem: não é notícia. Logo mais denúncia de corrupção com José Dirceu no meio nem vai para as manchetes. Fica para a página de notas. Vai ficar todo mundo esperando o Dirceu morder o cachorro.

A nova denúncia contra o homem forte (tem gente que diz ex-homem forte, mas não acho correto) do governo Lula saiu agora há pouco, no início da noite, no site da revista Época. O enrosco é em Minas Gerais. O prefeito de Juiz de Fora, Alberto Bejani (PTB), voltou para cadeia. Ele já havia sido preso em abril, quando na primeira fase da “Operação Pasárgada” a Polícia Federal apreendeu armas e R$ 1,120 milhão em sua casa. Ele voltou a ser preso porque não conseguiu não conseguiu comprovar a origem do dinheiro.

As provas mais contundentes apreendidas pela PF estavam na gaveta do próprio prefeito, conta a Época: “Na primeira fase da Operação Pasárgada, em abril passado, além de deter Bejani, a Polícia Federal apreendeu documentos, computadores, armas de uso exclusivo das Forças Armadas e R$ 1,1 milhão em dinheiro vivo que o prefeito guardava em casa. As buscas se estenderam ao gabinete dele, na prefeitura. E foi justamente lá que os agentes encontraram um pacote com oito DVDs. Durante semanas, eles se debruçaram sobre o farto material. Era nos discos que estava a maior surpresa: eram vídeos, e neles havia cenas de corrupção explícita, em que o próprio Bejani era o personagem principal”.

A revista teve acesso às gravações. E num dos vídeos, gravado em maio de 2006, Bejani cita o ex-ministro José Dirceu. Enquanto recebe pacotes de dinheiro como propina, o prefeito de Juiz de Fora fala de uma reunião com Dirceu para tratar da liberação de R$ 70 milhões para a prefeitura. O prefeito diz: “Sabe quanto isso dá de comissão? R$ 7 milhões”.

É evidente que José Dirceu já negou tudo. Mas as “coincidências” fortalecem as suspeitas. O contrato com a Caixa Econômica Federal e o Ministério das Cidades, foi de fato assinado 50 dias depois. Na época Dirceu já não era mais ministro e havia sido cassado sete meses antes, mas na descrição da cena para a Justiça Federal, a PF afirma que a “captação [do dinheiro] teria sido intermediada pelo ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, e que só a comissão, provavelmente a título de propina, seria de R$ 7 milhões”.

E na mesma gravação Bejani afirma que teria uma reunião com Dirceu em Belo Horizonte naquele dia, 10 de maio de 2006. Ocorre que na data José Dirceu esteve na capital mineira. Lá acabou sendo vaiado e xingado por estudantes da PUC mineira, onde fez uma palestra.

Leia mais no site da Época, onde você também pode assistir ao vídeo onde o companheiro histórico de Lula é citado.
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POR José Pires

A inflação voltando com tudo



Boa notícia: o IPCA (Índice de preços ao Consumidor Amplo) surpreendeu até os analistas mais pessimistas e subiu 0,79% em maio -acima do 0,55% de abril. É a maior alta desde abril de 2005 (0,87%) e a maior elevação para um mês de maio desde 1996.

Mas espere aí: boa notícia para quem? Alguns já devem estar pensando que enlouqueci. É a inflação de volta. E por mais que seja interessante ver o papudo do Lula tornar-se o presidente que fez voltar a inflação, não vale o preço, que é demais. Quem já viveu em economia dominada pela inflação não deseja de modo algum ver o filme de novo.

A boa notícia é para os chargistas. É uma brutal economia no trabalho de campear idéias para a charge diária. A inflação supre qualquer daqueles dias sem assunto: basta pegar o manjado dragão e criar uma situação com alguma autoridade, uma dona de casa ou empresário.

E quem viveu mais de dez anos com a inflação, como é o caso dos que tem por volta de cinqüenta anos, tem um arquivo cheio de charges com a danada. É só redesenhar e, em certos casos − bem poucos, pois o Brasil, que já era país repetitivo em política, hoje é carbono de ano pra ano − repor em um contexto atual.
Na imagem, o dragão da inflação debate teoria econômica com um economista do PT. O papo parece bom. Para a inflação, é claro...

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POR José Pires

FHC também está com tudo

A notícia é boa também para o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Pois não foi ele que derrotou a inflação? Pois é, o foco da mídia volta-se para ele. E o presidente Lula? Bem, Lula vai ter que se mexer para não passar para a história como o presidente da volta da inflação. E não foi por falta de aviso.
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POR José Pires

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Previsões de Madame Dilma

Dilma Roussef, já sabíamos, é a pessoa mais capacitada do governo Lula. Vá lá, isso não é grande coisa, mas é o que diz a propaganda oficial, capitaneada por Lula. O presidente da República, aliás, é fã de carterinha da ministra-chefe da Casa Civil. Até apelidou-a de “mãe do PAC”, o que não é pouca coisa vindo dele, que também tem o “PAC” como filho.

Até aí, nenhuma novidade. Mas o que ainda não havia se revelado são os dons paranormais da ministra. No depoimento que prestou hoje à Comissão de Infra-Estrutura do Senado, a ex-diretora da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) Denise Abreu, disse que Dilma Roussef informou-a que havia uma representação contra ela no Ministério da Defesa. A ministra deu a informação em maio de 2007, mas a representação só foi feita em junho.

O autor da representação foi Roberto Teixeira, o bom compadre que emprestou uma bela casa para Lula morar de graça por quase dez anos.

Não sei se a ministra ainda será chamada para depor no Senado. Mas com tais poderes, numa semana de Mega-Sena acumulada e em sessão secreta, bastam algumas palavrinhas ─ mais exatamente seis dezenas ─ para ela calar até mesmo boa parte da oposição. Ela nem precisa mais falar do tempo em que mentia sob tortura.
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POR José Pires

Competição

Esse dom da Dilma Roussef ainda podem muita causar ciumeira no ministério lulista. Claro, afinal o futurólogo por ali não é o Roberto Mangabeira Unger. Ela que se cuide: Marina Silva caiu por muito menos que isso.
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POR José Pires

terça-feira, 3 de junho de 2008

De olho no boi

O ministro Carlos Minc, do Meio Ambiente, aquele que a todo momento extrai do colete uma tirada nova, anunciou ontem que vai apreender “bois piratas” na Amazônia. “Boi pirata” é como ele chama o gado criado em áreas desmatadas ilegalmente.

Essa é boa. E aconselho até que, para ajudá-lo nesta patriótica e ecológica ação, o ministro Minc convide especialistas no assunto. Um bom nome no ramo é o do ex-governador de São Paulo Orestes Quércia. Na época do congelamento de preços no governo Sarney (1985-1990), quando os pecuaristas escondiam seus bois, Quércia era um renomado caçador de “boi gordo”. O ex-governador deve ter um olho excelente pra caçar “boi pirata”.
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POR José Pires

Fora do protocolo

O presidente Lula tem uma quantidade altíssima de assessores. Ainda no primeiro mandato, o petista aumentou o número de assessores da Presidência da República de vinte e sete para cinqüenta e cinco. Chegam a ser engraçados os nomes dos cargos à sua volta. Tem até um tal de “Chefe do gabinete-adjunto de informações em apoio à decisão do gabinete pessoal do presidente da República”. Sabe-se lá o que é isso, mas a explicação certamente deve ser maior que o nome do cargo.

Mas o fato é que mesmo com tantos assessores diretos, sua agenda tem uns contrasensos espantosos. Na agenda de hoje do presidente da República, por exemplo, consta que ele participa em Roma da abertura da Conferência de Alto Nível sobre Segurança Alimentar, Mudanças Climáticas e Bioenergia. Ora, se a conferência é de “Alto Nível”, creio que ele vai se sentir deslocado.

Tem falha aí. Acho melhor cria um cargo novo para evitar essas piadas prontas. Talvez o de “Chefe do gabinete-adjunto de informações para dirimir incongruências e incompatibilidades em apoio à defesa do presidente da República quanto á piadas prontas”.
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POR José Pires

O deputado no telhado

O deputado pedetista Paulo Pereira da Silva, o Paulinho Pereira, ou Paulinho da Força, homem de tantos nomes e que agora ganhou até mais um, que circula sem nenhum ônus financeiro para ele ou para o BNDES na internet, o de Paulinho da Forca, está fulo da vida com o tratamento que o governo Lula está dando para ele, que agora sofre tantos dissabores.

A solidão do telhado é mesmo de doer. O desrespeito é maior do que a situação de presidente nos últimos dias de mandato. Paulinho da Força, ou da Forca, se queixou ontem que lá no telhado não estão servindo nem cafézinho frio para ele.
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POR José Pires

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Do lado de cá do rio Congo

O seqüestro e tortura de jornalistas do jornal carioca O Dia é um horror, sem dúvida. Estamos cada vez mais próximos do Congo da ficção de Joseph Conrad. Aliás, os jornais daqui informam todos os dias que para nossa realidade o horror da ficção é fichinha.

O coronel Kurz, da ficção de Conrado e do filme de Coppola, criou um domínio de terror à beira do rio Congo, no antigo Congo Belga. O cineasta transportou a história para o rio Mekong, que corta o Camboja no inferno da guerra do Vietnã. Mas o rio Congo permanece como um símbolo melhor. Kurz reina do lado de lá, eles reinam do lado de cá. Não é só o Haiti que é aqui. O nosso Haiti, além de tudo, é cortado pelo rio Congo.

O Brasil parece um país sobrenatural. Parece, não: é isso mesmo que somos. Quando não há Estado e, pior, uma camarilha se aboleta no poder para sugar e aparelhar a máquina pública, como ocorre no Brasil, aí o horror domina mesmo.

Mas eu comentava a tortura à jornalista no Rio de Janeiro. Três repórteres do jornal O Dia, inclusive uma mulher, foram seqüestrados por bandoleiros que dominam um bairro carioca. Os três foram agredidos, roubados e sofreram torturas durante sete horas seguidas. Esses grupos de foras-da-lei são compostos e chefiados por policiais. Os jornalistas estavam ali fazendo uma reportagem sobre o domínio desses bandidos sobre aquela comunidade.
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POR José Pires

Yes, nós temos paramilitares

Notem que até agora não falei que são “milicianos”. Sou uma voz isolada e já me acostumei com isso, então tenho que dizer que a imprensa está totalmente errada em chamar esses bandidos de “milicianos”. Até os jornalistas de O Dia, na reportagem em que narram a desgraça acontecida com eles, cometem esse equívoco.

O problema é que se faz jornalismo hoje em dia sem uma ferramente essencial, o dicionário, no Brasil tem o equivocado apelido de “pai dos burros”. É bobagem, burro não pesquisa e jamais consulta. Burro faz cegamente. Pois vocês não vêem como se governa do Planalto? Mas o fato é que “milícia” é uma tropa auxiliar, relacionada diretamente a um exército legal. E isso esses bandidos não são. O que eles são, na verdade, é paramilitares.

Penso também que talvez não seja um erro condicionado à falta de dicionário. Pode ser que haja um temor coletivo em encarar uma triste verdade: já começa a se instalar no Brasil o domínio de grupos paramilitares.

Nada de “milicianos”. São pa-ra-mi-li-ta-res. Alguém já leu em algum jornal sobre “milicianos” colombianos ou “milicianos” africanos? Claro que não, pois nesses lugares o que impera é o domínio do paramilitarismo. É o ápice, a chave de ouro, ou melhor, de chumbo, do processo trágico que a falta de Estado acaba criando. Depois disso é a barbárie e o fim da democracia. E muito cuidado: a nossa democracia, rala como é, não precisa muito para ser abalada.
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POR José Pires

Descansando do País

Mas o drama dos jornalistas detidos por paramilitares traz também informações importantes sobre o estado − ou Estado, com maiúscula − a que chegamos. Soubemos, por exemplo, que o ministro da Justiça, Tarso Genro, está em férias.

Férias? Pensem bem, imaginemos o nosso ministro cuidando de uma lojinha com muitas dificuldades, em estado de pré-falência. Será que, como proprietário de um comércio neste estado, o ministro ou qualquer outra pessoa iria sair em férias? De jeito nenhum. Neste caso redobraria seus esforços − o que, aliás, a maioria de nós, brasileiros, fazemos hoje. Para reerguer seu negócio certamente trabalharia em dobro, fazendo serão e até levando serviço para casa.

Bem, com o caos em que está a segurança pública, até com grupos paramilitares dominando regiões inteiras em plena cidade do Rio de Janeiro, assassinatos no campo, desmatamentos criminosos, altíssimas taxas de homicídios, corrupção, o que o ministro da Justiça faz? Sai de férias.
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POR José Pires

Interino inteirado

Mas o ministro interino da Justiça, Luiz Paulo Barreto, está se incumbindo bem do papel de Tarso Genro. Já entrou como comentarista do assunto em voga. “Foi um atentado à liberdade de imprensa. O governo federal vai colaborar no que for preciso com as investigações”, ele disse.

Bem, se os paramilitares torturam jornalistas, imaginem o que fazem com as pobres pessoas que vivem nas áreas dominadas por eles. E o ministro fala em “atentado à liberdade de imprensa”. Deve ser a liberdade de noticiar torturas e assassinatos de toda a população. Menos de jornalistas, é claro, pois aí é demais: afeta a liberdade de imprensa.
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POR José Pires

Ministrando realidades

É mais ou menos o que Tarso Genro faria. Ele é bom de comentários. Quando ouço essa gente até penso que no governo devíamos colocar companheiros (gostaram?) como o finado Paulo Francis. Na falta dele, temos aí também Diogo Mainardi, Reinaldo Azevedo, Janio de Freitas, Merval Pereira, Ali Kamel e tantos outros bons jornalistas que comentam política. Estão no seu papel, é claro.

Porém, de quem está no executivo espera-se mais que um comentário. Mas esta é a praça de Tarso Genro. Mal espero sua chegada para me deliciar com suas frases. O ministro tem sempre uma tese para realçar seu papel em qualquer realidade.

Que papel? Não me perguntem. Ludwig Wittgenstein dizia que “sobre o que não se pode falar, deve-se calar”. Bem, a filosofia discute bastante o assunto. A linguagem, infelizmente e mesmo que o ministro não queira aceitar, não cria realidades.

Tarso Genro, quem não se lembra, é o líder petista que falava em “refundação” do PT, numa suposta revolta contra os mensaleiros que tomaram conta do partido. Genro só não explicava o que ele, como líder importante da sigla, havia feito até então para evitar a roubalheira que, enfim, acabou ocorrendo.

Ele é especialista em tudo. Prefeito de Porto Alegre, de onde foi chutado nas urnas, era mestre em questões urbanas. Na pasta do Conselho de Desenvolvimento, dava saltos diários de crescimento e progresso econômico. E no ministério da Educação, falava como um sábio do ensino superior. Mas no final o que fez foi uma política assistencialista, com suas cotas racistas e acomodatícias do fracasso do ensino básico. Não serviu nem para fechar faculdade privada picareta.
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POR José Pires

Mudando com os ventos

Tenho aqui na minha frente uma revista Primeira Leitura, ótima publicação que foi editada por Reinaldo Azevedo. Infelizmente fechou. É de janeiro de 2004 e traz na capa Tarso Genro, então ministro do Conselho de Desenvolvimento (eu disse que ele é especialista em tudo), que afirma de forma decisiva que “Lula tem que mudar”.

Lula não mudou, é claro, e Tarso Genro está lá, sob a chefia dele. O que mudou então? Ora, os ventos políticos. E Tarso Genro logo puxa da algibeira teórica uma nova teoria que transforma a realidade em torno dele.

Paramilitar não tem tempo para essas coisas. Mas eles também iriam gostar das frases do ministro da Justiça, Tarso Genro. Esperemos sua volta das férias. Nós e os paramilitares.
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POR José Pires

Apodo

O pessoal é muito preconceituoso com esses políticos que defendem os trabalhadores. Sabem do que já estão chamando o deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força? De Paulinho da Forca.
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POR José Pires