sexta-feira, 27 de junho de 2008

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Uma confissão feita pelo candidato republicano John McCain revela algo que pode aproximar bastante Estados Unidos e Brasil, caso ele seja eleito presidente. McCain confessou ser um "analfabeto" em computadores.

Ao menos nesse ponto, como presidente McCain vai fazer uma bela parceria com o presidente Lula.
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POR José Pires

Estadão está no vende-não-vende

O jornal O Estado de S. Paulo desmente, mas são insistentes as notícias de que estão bem avançadas as negociações para a venda do jornal. O site Meio e Mensagem traz matéria em que afirma que as Organizações Globo analisam a compra do Estadão, como é chamado.

Segundo o site, a Editora Abril também estaria interessada na compra. A assessoria do Grupo Estado desmente tudo, afirmando que as notícias sobre a venda de O Estado de S. Paulo não têm fundamento. Mas nenhum comunicado oficial foi distribuído, o que acaba reforçando a boataria.

Mesmo que a venda não aconteça de fato, o estrago já está feito. A força dos boatos demonstram uma fraqueza do grupo que controla o diário e uma falta de credibilidade do próprio jornal.

A venda seria um triste desfecho na existência de um dos jornais mais marcantes na história da imprensa brasileira e, claro, com uma ativa participação nos acontecimentos históricos do País. O jornal foi fundado em 1875, ainda durante o Império , com o nome de A Província de S. Paulo e ao longo de sua existência tornou-se um dos mais importantes jornais do país, com penetração em todo o território nacional e respeitabilidade internacional.

Já como O Estado de S. Paulo teve participação marcante na oposição à ditadura de Getúlio Vargas, durante o Estado Novo. O jornal apoiou também a Revolução Constitucionalista de 1932, levante contrário a Vargas que eclodiu em São Paulo. Com a derrota do movimento teve seus proprietários, Júlio de Mesquita Filho e Francisco Mesquita, presos e expatriados para Portugal ainda em 32.

Durante a ditadura militar de 1964, o jornal resistiu à repressão à liberdade de expressão e tornou famoso seu protesto contra a censura-prévia instituída no jornal, quando publicava receitas culinárias nos espaços das matérias vetadas.

O Estado de S. Paulo também teve importante participação na criação da Universidade Estadual de São Paulo, a USP, fundada em janeiro de 1934. A idéia da criação da importante universidade pública, uma das mais respeitadas em todo o mundo, foi lançada pelo jornal ainda em 1927.

Outro ponto interessante, caso se confirme a venda para as Organizações Globo, é a transferência de poder, de São Paulo para o Rio, na administração de um dos importantes diários paulistanos de penetração nacional (o outro é a Folha de S. Paulo). Como o estilo jornalístico das Organizações Globo é muito diferente do praticado em São Paulo, as mudanças certamente atingirão também a edição do jornal. Mas isso só o tempo é que pode confirmar.
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POR José Pires

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Agora vai

Boas notícias. Mais três países latino-americanos vão dispensar passaporte brasileiro. A partir da semana que vem cidadãos brasileiros podem entrar na Venezuela, no pPeru e na Colômbia apresentando apenas o documento de identidade. Para a Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile e Bolívia já era assim.

Então aí está. Mais três lugares para o turismo do brasileiro. Vá para Medelín ou Caracas, lugares muy calientes, agora com esta facilidade. Porém, além da identidade convém levar um segurança.

Para a Argentina, leve uma panela. Lá eles têm uma atividade de rua muito parecida com o nosso carnaval, com a diferença que em vez de sair batendo bumbo saem batendo panelas.
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POR José Pires

O boca-suja ataca novamente

Que Ciro Gomes é um boquirroto não é novidade. Sempre que alguém vem me falar dos bons índices dele nesta ou naquela pesquisa, costumo comentar: tudo bem, mas só se eleição for cinema mudo; e mesmo assim convém prender as mãos do Ciro Gomes para que ele não faça algum gesto obsceno.

Ele é o cara que em campanha para a presidência da República, em 2002, disse que o papel de sua mulher, em tratamento contra o câncer na época, era dormir com ele. "Minha companheira tem um dos papéis mais importantes, que é dormir comigo. Dormir comigo é um papel fundamental”, foi o que ele disse.

Agora Ciro Gomes está se explicando de mais uma das suas falas indecentes. Ele afirmou em um programa de TV que Fortaleza, capital de seu estado, é “um puteiro a céu aberto”. E sua explicação, em estilo de trabalho acadêmico de má-qualidade, é mais engraçada que a frase grosseira.

Vejam o que ele disse: “Tentei alertar para o fato de que, com uma natureza exuberante, nosso Estado, e em especial nossa capital, pode estar se firmando como um destino preferencial do turismo sexual". Pois é isso. Ele confirma que disse que Fortaleza é “um puteiro a céu aberto”.
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POR José Pires

Penetra

Tucano é um bicho imensamente manso. Lula patrocinou nos últimos meses o notório dossiê contra o governo de Fernando Henrique Cardoso que atingiu inclusive sua mulher, a falecida Ruth Cardoso. Eu não sabia dos problemas cardíacos da ex-primeira-dama, mas levando isso em conta é possível até que a situação criada pelo dossiê possa ter tido influência no agravamento da sua doença.

Pois Lula compareceu ao velório com uma cara que acredito que era para parecer compungida. O que será que conversou com o viúvo? É tão difícil falar algo nesses momentos. Mas imaginemos:"Puxa, Fernando, o que é a vida... há poucos meses fazíamos um dossiê sobre ela e agora ela está aí."

Por muito menos Lula foi vaiado no velório de Leonel Brizola e depois ficou muito tempo sem comparecer a enterros, medroso que é, o que não deixa de ser um benefício para os enlutados. Não foi nem ao de Celso Furtado, um de seus apoiadores.

Evidentemente não acho que qualquer presidente da República deva ser expulso de qualquer evento ou cerimônia. Mas penso que certas ocasiões exigem mais firmeza. Não haveria nenhuma deselegância em desconvidá-lo, anulando o convite que ele próprio se fez. A ausência de Lula no velório seria melhor para a memória de Ruth Cardoso.
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POR José Pires

Para as urnas, com a bolsa do Estado

A campanha eleitoral do presidente da República (é... o que fazer?), Lula, vai bem, obrigado. Agora, em ano eleitoral e pertinho da eleição, o governo reajustou em 8% o valor pago a beneficiários do programa Bolsa-Eleitoral, ops, ou melhor, programa Bolsa-Família. O reajuste é acima da inflação do período.

Me parece que a estratégia eleitoral que envolve o programa tem etapas programadas. No final do ano passado, por meio de medida provisória Lula já havia aumentado o número de beneficiários do Bolsa-Família. Tanto à época como agora as medidas foram consideradas ilegais. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) quando do aumento de beneficiários, Marco Aurélio Mello, havia dito que a MP era inconstitucional. Agora, o presidente do TSE, Carlos Ayres Britto, também reclamou do reajuste de 8% perguntando: “Por que às vésperas das eleições?”.

Bem, eu respondo: é porque comício eleitoral só tem efeito às vésperas das eleições.
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POR José Pires

Os ovinhos da serpente

Os aumentos do Bolsa-Família, de beneficiários e pagamento, são a face visível do cinismo político do governo petista. Para que o TSE se pronuncie sobre essas ilegalidades, acreditem, é preciso que seja feito uma representação. E qual é o partido que vai se colocar publicamente contra algo assim? Seria se expor aos militantes (agora profissionais) do PT saindo pelo país afora tachando tal partido de “inimigo dos pobres”.

Quanto ao aumento de agora, o TSE também espera uma representação, o que expõe mais uma incrível deficiência dessas jabuticabas jurídicas que são os tribunais eleitorais brasileiros.

Agora, que dá uma sensação desagradável a impunidade com que esse governo vai fazendo das suas, capitaneado por um presidente que já avançou a linha do cinismo, isso dá. O Brasil é excessivamente passivo à tendências autoritárias e até totalitárias. E essa passividade é uma ótima chocadeira para o ovo da serpente.

Me lembro da época em que aquele outro cínico, antes combatido pelo cínico atual, o Collor de Mello, confiscou as poupanças dos brasileiros e vi um país calado, sem o ânimo de ir para as ruas e brigar contra a ilegalidade. Naqueles tempos pensei o mesmo que me vai agora pela cabeça: num país como esse, se aparece um sujeito de bigodinho esquisito e fala convincente, é capaz de, com toda a facilidade, o povo levantar a mão direita em saudação e sair pelas ruas atormentando judeus.
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POR José Pires

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Jogos democráticos

Debate extra-oficial com um tema bem quente: “hoje uma pessoa honesta pode permanecer no PT ou simpatizar com o governo Lula?”. Foi numa mesa de bar, é claro, mas garanto que começou na chegada do grupo e terminou muito antes que alguém ficasse bêbado. Transcorreu com seriedade, sem nenhuma piada. Eu participei mais como mediador, pois já tenho opinião muito bem formada e não queria, de modo algum, influenciar o resultado.

No grupo, de 9 pessoas, havia inclusive três que participaram ativamente das duas campanhas do Lula para presidente. O resultado foi que de modo algum uma pessoa honesta pode participar disso que está aí. Ou é por interesse de grupo ou particular mesmo, mas sempre com má-intenção. Não tem nada a ver com a República.

Experimente fazer o teste com sua turma. Garanto que vai dar o mesmo resultado. Mas se não der, mude logo de turma. Ou então aproveite e monte uma quadrilha.
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POR José Pires

Estrangeiros nativos

Costumo dizer que a resolução dos problemas no Brasil esbarra em questões simples: autoridades políticas, empresários, jornalistas, enfim gente que tem nas mãos senão os instrumentos da mudança, mas ao menos a elaboração crítica para forçar tais mudanças, não usam ônibus nem fazem compras para o uso doméstico, nas feiras ou nos supermercados.

Desse modo não convivem com o dia-a-dia dos demais brasileiros e tomam consciência bem tarde de problemas que, se fossem atacados na origem, não fariam tantos danos. E mesmo quando acordam para a realidade terrível que nos cerca, é sempre como algo que toca com mais gravidade os demais brasileiros, esses que continuam andando de ônibus e indo às feiras e supermercados.

Imagine, apenas como um exemplo, um prefeito e seu secretariado, todo ele, andando apenas de carro pela cidade. Todos sem ver as calçadas arrebentadas, os bairros e os comércios carentes de infra-estrutura, as praças abandonadas, os ônibus insuficientes e serviço de má-qualidade, a carência de espaços públicos para crianças e idosos, e outras questões urbanas que só é possível saber com exatidão vivendo plenamente a cidade. Pois é isso o que acontece. E é claro que perdem a oportunidade de conhecer o lugar em que vivem (ou deveriam viver). Isso só é possível de ser feito andando a pé.

Mas quem anda pelas cidades hoje em dia? Nada. As categorias profissionais mais influentes só observam a cidade através do vidro do carro. E hoje, com os vidros sempre mais escuros, vêem cada vez menos. São estrangeiros em seu próprio país.

Isso explica o espanto demasiado atrasado com a alta do preço dos alimentos. Quem faz compras já convive com esse processo há meses. Detectou a alta dos preços dos alimentos lá atrás. E acredite, quem escolhe o feijão que vai para a mesa sabe que o aumento é bem maior do que o exposto pelo números econômicos que já vem diluídos por metodologias variadas.

Vamos a outro exemplo de como essa convivência ajudaria na resolução de certos problemas pela raiz. Peguemos a violência no Rio de Janeiro, que agora atinge alturas catastróficas. Uma de suas raízes é o sistema clandestino de vans de transporte de pessoas, que surgiu no vácuo do colapso do sistema público de transportes no Rio. A cidade não tem licitação de linhas há trinta anos.

Mas quem é que podia ver tal coisa? Apenas a população pedestre, que sofre com os transportes públicos e não tem os meios e nem o trânsito social necessário para denunciar problemas e cobrar melhores resultados.

Aqueles que poderiam ter influído para cortar lá na raiz coisas como a inflação ou a violência vão de casa ao trabalho − passando pelo boteco ou restaurante, é claro − sempre de carro, sem ver ou viver a cidade e suas questões cotidianas, as belas e as feias. Também não vão à feira, tampouco fazem compras em supermercados. Enfim, fora das atividades sociais ou profissionais, nada vêem de perto, não participam da vida nas ruas da cidade. Vivendo desse jeito, só descobrem a necessidade de tranca depois que ladrão se foi.
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POR José Pires

O Paraíso dos ricaços

Dados da Merril Linch e Cagemini em seu 12º Relatório Anual sobre a Riqueza Mundial informa que vinte e três mil novos brasileiros entraram para o clube dos milionários no ano passado.

O número de endinheirados brasileiros subiu de 120 mil em 2006 para 143 mil no ano passado, um aumento de 19,16%. O crescimento é maior do que o da América Latina, que foi de 12%, e também superior ao crescimento mundial, de 6%.

É mais um motivo para Lula comemorar, afinal já são quase 150 mil brasileiros no Paraíso e não á beira dele. E que o presidente da República comemore duplamente, pois é provável que Lulinha, o filho-prodígio dos games, esteja na lista. O filho novo-rico, aliás, é um exemplo das facilidades que o governo petista abriu para a construção de novas fortunas.

Em poucos meses o garoto saiu do cargo de monitor de jardim zoológico (com salário de cerca de 600 reais) para a direção de uma empresa que, numa tacada, recebeu investimento de R$ 5 milhões da Oi/Telemar, empresa que logo depois fez a compra da Embratel, compra que era fora da lei, mas que que se arranjou graças ao governo do papai, o Lulão.

Lulinha é um gênio dos games, habilidade que ganhou na sala de casa em São Bernardo. Também é o Tio Patinhas da família Silva. Se ainda mão está entre os novos milionários do País, logo chega lá.
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POR José Pires

Ruth Cardoso

Foi-se a única primeira-dama brasileira que em política não fazia o marido passar vergonha.
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POR José Pires

terça-feira, 24 de junho de 2008

Maluquice só com o dos outros

Está certo; o homem pode até estar maluco, mas não rasga dinheiro. O dele, é claro.
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José Pires

Pirou geral

Lula esteve ontem no Rio de Janeiro, uma cidade dominada por milícias paramilitares, com a população violentada pelos traficantes, pela polícia e, como aconteceu há cerca de uma semana, até pelo Exército.

E o que o presidente da República (sim, é o que ele é, fazer o quê?) falou por lá? Disse que o Brasil supera os “anos dourados de JK”. Vejam o que ele falou: “Eleva-se novamente a auto-estima do brasileiro, a exemplo do que aconteceu nos anos dourados da era JK. Mas, ao contrário de 1958, no Brasil de hoje, apesar da crise mundial, temos inflação sob controle, somos credores internacionais e conquistamos o cobiçado grau de investimento”.

Há poucos dias ele dizia que estamos à um passo do Paraíso. Isso depois de dizer que a saúde no Brasil está próxima da perfeição. E agora vem com essa, em meio ao trágico problema da violência que atormenta os cariocas. É esse tipo de situação esquizofrênica, entre outras, tantas outras, que faz a gente acreditar que o homem só pode estar maluco. Aliás, esta é uma hipótese aventada pelo escritor João Ubaldo Ribeiro em um texto publicado no último domingo e que você pode ler aqui.
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POR José Pires

Compadre fez reuniões com Lula no Planalto

Eu falava ontem da extrema capacidade de Roberto Teixeira, o compadre generoso que cedeu uma casa para Lula morar de graça por quase dez anos. Teixeira faturou U$ US$ 5 milhões fazendo serviços de advocacia para a Varilog.

A oposição ou até mesmo os colunistas da Veja têm que concordar que um homem desses é de uma apacidade imensa. Deve ser um cara atarefado também, é claro. Mas mesmo com a trabalheira, Teixeira encontrou tempo para despachar com o presidente Lula no Palácio do planalto. Desde 2006, conta a Folha de S. Paulo de hoje, ele esteve lá pelo menos seis vezes em encontros não divulgados na agenda oficial.

Diogo Mainardi, colunista da Veja, já havia desconfiado de algo em sua coluna desta semana. Como o compadre de Lula participou da venda da Varig aos sócios reunidos pelo fundo americano Matlin Patterson, ele havia perguntado se, a partir da entrada em cena de Roberto Teixeira, entre 8 e 28 de abril de 2006, ele tivera algum encontro com Dilma Roussef ou reuniões com Lula. Com Teixeira na parada é que o negócio deslanchou.

Mainardi, como se dizia antigamente, acertou na mosca. Ou nas moscas, já que aparentemente a sujeira é imensa. Vejam a narrativa da Folha sobre o encontro. Dá a impressão de que Lula trabalha no escritório de Teixeira:

“Ao menos dois desses encontros estão relacionados diretamente com o negócio, aprovado pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) em junho de 2006. No mês seguinte, a VarigLog adquiriu a Varig. A assessoria de Teixeira diz que as demais visitas foram apenas de cortesia ao amigo Lula.
No dia 15 de dezembro daquele ano, Teixeira foi ao encontro de Lula acompanhado dos sócios da Varig um dia depois de a companhia receber da Anac, em cerimônia em Brasília, certificado que lhe deu autorização para voar.

Segundo Marco Antonio Audi, sócio afastado da VarigLog, o encontro foi convocado às pressas por Teixeira na manhã do dia 15, quando todos já haviam retornado a São Paulo, após a cerimônia. Audi então alugou um jatinho particular, onde viajaram, além dele e de Teixeira, os sócios brasileiros Eduardo Gallo e Marcos Haftel e o representante do fundo americano, o chinês Lap Chan.

Outro encontro de Teixeira com Lula ocorreu em 28 de março de 2007. Naquele dia, o advogado foi ao Planalto acompanhado dos empresários Nenê Constantino e Constantino de Oliveira Jr., donos da Gol. O motivo da reunião, segundo os empresários, era comunicar oficialmente a Lula a compra da Varig pela Gol.
Nas duas ocasiões, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), acusada de interferir na venda da VarigLog, estava presente.”

O representante do fundo americano, o chinês Lap Chan, que viajou no jatinho ao encontro de Lula é um pensador. Já foi citado por aqui. É o autor da frase que simboliza com precisão a época em que vivemos. O PT devia até contratá-lo como marqueteiro.

Em uma conversa por e-mails, no meio dos negócios que envolvem a Varig Log, Lap Chan escreveu a seguinte pérola (ou será pepita?) para um colega de negócios: "Como você diz, bem vindo ao mundo em tempo real dos mercados emergentes, onde inteligência e rapidez se sobrepõem às leis e normas na definição dos negócios!"
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POR José Pires

Pensando bem...

Que nenhum petista se ofenda pelo fato de eu colocar Lap Chan como um pensador apropriado ao governo do PT. É que o pensador, neste caso, se acomoda muito bem à época. E cada governo também tem o pensador que merece. Ou pensadores, pois o governo de Lula tem mancheias deles.

Vamos à alguns, uns poucos, pois temos que continuar no assunto das reuniões de Lula com o generoso compadre. Tem o Delúbio Soares. O próprio José Genoíno, mensaleiro que hoje é deputado e que assinava documentos sem ler. Do mesmo modo deve assinar todas as frases que estão aí. Outro é o José Dirceu, que pensa inclusive com sotaque caipira. Silvinho Land-Rover, pois não: pensador bem motorizado.

Além desses pensadores, mais de classe política, temos também os da ala cultural. Quem não se lembra do ator Paulo Betti, que justificou as maracutaias lulistas afirmando que pra fazer política tem que meter a mão na... bem, deixa pra lá, são cabeças bem escatológicas.

E tem, é claro o Apedeuta Maior, Lula, talvez o maior pensador do petismo. Do mestre petista saem frases até pelos cotovelos. Aliás, o resultado dá a impressão de que ele pensa mesmo com os cotovelos.
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POR José Pires

Compadre assíduo

A Folha conta também que Roberto Teixeira teve mais reuniões com Lula desde 2006 do que dois ministros. O generoso compadre ganhou de Altemir Gregolin (Pesca), que esteve duas vezes com Lula e de Nilcéa Freire (Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres), que só aparece uma vez.

Segundo o jornal, a assessoria da Presidência não informou os motivos dos encontros. Eles disseram também que “há encontros cuja divulgação, por razões pessoais ou políticas, não é considerada apropriada”.

E neste caso temos que dar razão ao presidente Lula. No lugar dele você julgaria “apropriado” divulgar encontros desse tipo? Nem eu.
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POR José Pires

O eleitor tem a representação que merece

Uma pesquisa interessante feita em Florianópolis, Santa Catarina, pela agência INCA.Giacometti / Midhas Consulting serve para entender porque a política brasileira está em um nível tão baixo. Começa pelo eleitor, é claro.

Apenas 52,8% sabem que a eleição é para escolher prefeito e vereador.

52,3% não sabem qual a função da Câmara Municipal 44,2% não sabem o que faz um vereador.

Sobre a data da eleição, 50,8% sabem que é em outubro, mas não sabem o dia; 34,7% não sabem em que dia e mês acontecerá a eleição.

Quanto ao voto obrigatório, 63,6% são contra.

No plano nacional, os números não devem ser melhores do que esses colhidos em Florianópolis, que além de ser uma capital, é uma cidade bem desenvolvida. Mesmo a posição contrária ao voto obrigatório eu não vejo como resultado de consciência política. Pode até ser mais pela chateação de ter que votar, já que, pelos número, poucos teriam motivação sólida para fazê-lo.
Em uma pesquisa nacional semelhante com certeza seriam obtidos resultados até piores, pois juntaria eleitores de regiões mais pobres, dominadas por caciques e submetidas ao atraso político.

Mas os números da pesquisa de Florianópolis são reveladores. Com essa ignorância extrema do eleitor o resultado só pode ser essa representação política que aí está.
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POR José Pires

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Bem colocados

O advogado Roberto Teixeira, aquele compadre que deu uma casa para o Lula morar de graça por quase dez anos, finalmente disse à Folha de S. Paulo que ganhou cerca de a US$ 5 milhões da Varilog. A quantia é um pouco maior à informação anterior, de US$ 3.266.825,79, passada também por ele ao jornal O Estado de S. Paulo.

Tanta imprecisão faz a gente crer que o bolo tem fermento para crescer até mais, porém, mesmo ficando como está revela uma imensa capacidade profissional do generoso compadre do Lula. É bastante grana para serviços de advocacia.

Aliás, Lula está cercado de gente competente. Inclusive na família. Pois seu filho Lulinha, numa tacada só, não ficou milionário? Lulinha era guia turístico no Zoológico de São Paulo e logo estava em um negocião no qual a Telemar investiu R$ 5 milhões na notória Gamecorp, produtora de programas de TV sobre games da qual ele é um dos sócios.

Dizem que Lulinha é fanático por games e tem uma habilidade sem tamanho para esses jogos de computador. Com o tino para a coisa, abriu uma pequena empresa e logo depois ganhou não seu primeiro milhão, mas vários deles. São histórias assim que fazem um pai se arrepender de um ter tirado o filho da frente de um computador para ele estudar.
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POR José Pires

De volta o fenômeno eleitoral

E Geraldo Alckmin é o candidato do PSDB a prefeito de São Paulo. Todo político tem uma especialidade: uns são mais populistas, outros técnicos, tem até os que são bonitões. A especialidade de Alckmin é colocar pedras no caminho de Serra, nem se importando que com isso fortaleça o adversário.

O problema é que está comprovado que isso não dá voto. O ex-governador de São Paulo tem no currículo a impressionante proeza de ter obtido menos votos na eleição para presidente no segundo turno que no primeiro. Nessa eleição ganhou o apelido de Chuchu, e não porque seja bonito ou simpático. A razão do apelido é uma simples troca de vogais: chocho.

Na época foi candidato mesmo com Serra na frente das pesquisas dizendo que o melhor candidato nem sempre era o que liderava as pesquisas. Agora diz que está bem nas pesquisas.

A eleição para presidente mostrou que o estilo de Alckmin não dá votos, mas tem gente que gosta muito. O PT, por exemplo.
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POR José Pires


Rebotalho social

Muito interessante a explicação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em entrevista para a Folha de S. Paulo sobre a razão dos partidos políticos encontrarem problemas para renovar seus quadros.

Ele, que é do ramo, diz o seguinte: “Todos os partidos têm tido essa dificuldade, que diz respeito ao que mencionei antes: a desconexão com a vida da sociedade. Os melhores quadros da sociedade vão para o mercado. Até para a área cultural. Não vão para a política”.

FHC tem toda razão, é claro. Mas uma fala como essa deve ser um problema danado para a auto-estima das pessoas que não estão no mercado nem na área cultural, mas estão com ele noa política.
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POR José Pires

Vocação

O ex-presidente não pode falar, é claro. Mas os melhores quadros da ladroagem vão para os partidos políticos.
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POR José Pires

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Alvo errado


O brasileiro é dado a luxos. Em um país com problemas de infra-estrutura, dificuldades sérias com a educação, graves deficiências na saúde, com a segurança pública destruída e grandes cidades dominadas por traficantes e milícias paramilitares, com a corrupção infiltrada em todos os setores e também graves problemas ambientais com riscos até para a nossa soberania, pois num país como esse os brasileiros só falam em derrubar o Dunga.

Mas e o anão do Planalto?
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POR José Pires

Com o boné alheio

A montagem com a figura do Dunga é nossa, do departamento de artes, e põe artes nisso, do blog. O boné do PT eu peguei na "lojinha" do PT do Rio de Janeiro, do seu site na internet. É material das eleições de 2004, mas ao contrário do anão do Planalto, o Dunga não é de muito luxo. A gente dá uma entortadinha aqui, um retoque ali e ela entra na cabeça do anão.

Além de bonés com o logotipo do partido, a "lojinha" do PT do Rio tem também à venda broches com a imagem de Che Guevara. É estranho que não tenha broches também de Mao Tsé-tung, Stálin ou mesmo do executor do grande expurgo que matou milhões na antiga União Soviética, Laurent Beria, o chefe da NKVD, que depois virou KGB. Se tem do Che Guevara, deveria ter também o de Beria. Afinal, ambos defendiam o mesmo regime.
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POR José Pires

Guantânamo na boca de Fidel e Caetano Veloso

Para quem duvidava que Fidel Castro estava em fase terminal, sua polêmica com Caetano Veloso vem para deixar claro que nem raciocinando direito o ditador cubano está mais. Bons tempos aqueles em que ele polemizava com John Kennedy.

E esse tipo de assunto obriga a gente, é claro, a ir ver o que é que Caetano Veloso andou aprontando afinal. Fez a música “Base de Guantânamo”. A música está na internet. E o desgosto de Fidel Castro nem é com ela em si, mas com uma fala final em que o músico agradece à Corte Suprema dos Estados Unidos por ter − preparem-se que a coisa é pesada − “prestado atenção nesta canção”. Canção dele, é claro.

Se entendi bem a pretensão, ele que fazer seu público crer que a decisão da Corte Suprema, que restabeleceu direitos civis de prisioneiros de Guantânamo acusados de terrorismo, foi influenciada por sua música. Não é muito? É muito, mesmo vindo de Caetano Veloso.

Mas analisemos a obra. Hoje em dia tudo é mais fácil. Dá correr para sites de vídeos ou mesmo baixar álbuns inteiros para ouvir.

Fiz isso com o último álbum dele, de nome “Cê”. Baixei e deletei depois de ouvir. Não dá para ficar nem nos arquivos. Mas fiquei pensando o que é que o compositor anda fazendo, que nome devíamos dar para algo de qualidade tão inferior que foge até à qualificação de MPB, que, em seu conjunto, hoje rasteja pelo chão de tão ruim.

No caso de “Base de Guantânamo”, música bem fraca e que não tem como apoio sequer uma boa letra, temos no Youtube até uma explicação sua sobre o processo de criação, em vídeo postado pelo próprio músico.

A música saiu de uma troca de e-mails, quando o compositor acabou fascinado com uma frase dele próprio em um e-mail. Dali tirou a inspiração para compor. A frase, literal, é o suporte da música. Foi aí que me deu também um insight, aquela compreensão instantânea que puxa a gente pelas orelhas e mostra rápido o que está acontecendo afinal.

O que Caetano Veloso faz agora é blog. É obra apresentada em palcos, em álbuns, mas parece blog. E, cá pra nós, nem é um bom blog.
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POR José Pires

Falam os especialistas

Vale a pena ler o artigo de Rodrigo Pimentel, roteirista do filme "Tropa de elite" e ex-capitão do Bope. O artigo, de nome "Na cidade mafiosa", fala do caos moral que alimenta a violência no Rio de Janeiro. Pimentel, pode-se dizer, é um especialista no assunto. Além da carreira no Bope, a tropa da polícia militar que enfrenta a barra-pesada, com habilidade ele trouxe o assunto da violência brasileira ao cinema brasileiro.

O Capitão Nascimento, violento protagonista de "Tropa de Elite", bem trabalhado com frases marcantes que entraram no linguajar brasileiro, já é uma das mais fortes figuras do cinema nacional. Em seu artigo, publicado no blog de Mauro Ventura, o roteirista vai juntando os variados procedimentos mafiosos que envolvem os cariocas numa situação de aflição e terror.

O Rio de Janeiro está completamente maluco. O clima de violência contamina até a molecada. O blog de Ancelmo Gois, no site do jornal O Globo, donde pesquei a informação sobre o artigo de Rodrigo Pimentel, conta que os motoristas que trafegam pela Linha Amarela, uma longa avenida que passa através de favelas e bairros pobres, meninos da favela da Cidade de Deus atiram pedras, até paralelepípedos inteiros, nos carros.

Mas e a polícia? Bem, responde Ancelmo Góis, "bem, você sabe". Clique aqui para ler o artigo de Rodrigo Pimentel. E aproveite para dar uma passeada nos blogs do Ancelmo Gois, do Ventura, e também de Jorge Antonio Barros, este com um blog especial para o momento, o Repórter de Crime, onde escreve sobre segurança pública, e o faz muito bem com sua experiência como jornalista do setor. A exemplo de Pimentel, é tudo gente que acompanha de perto o que se passa no Rio.

Nestes blogs você pode, com segurança, ter uma visão abrangente sobre o que se passa no Rio de Janeiro. E, acredite, por ali o diabo pode ser até pior do que pintam.
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POR José Pires

Depreciando mercado

O escândalo da Alstom cresce. A Folha de S. Paulo obteve documentos de promotores da Suíça que comprovam que a empresa francesa pagou um suborno de 7,5% a alguém ligado ao governo de São Paulo na gestão de Alckmin, em 1997. O contrato com a Eletropaulo era de R$ 110 milhões. Cobrando 7,5% o corrupto embolsava R$ 8,25 milhões.

O pessoal do PT está estarrecido com a notícia. Com tucano corrupto cobra pouco!
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POR José Pires

Ética de presidente malandro

A opinião do presidente Lula de que o jogador Robinho “deveria ter caído” dentro da pequena área no momento em que o goleiro argentino correu atrás dele e lhe puxou a camisa está tendo repercussão internacional.

Na Organização Mundial do Comércio, por exemplo está todo mundo atento. Se durante negociações algum brasileiro cair na área o pessoal já sabe que é malandragem.
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POR José Pires