terça-feira, 8 de julho de 2008

Questão ética

A notícia da prisão de certas pessoas deveria servir de alerta aos brasileiros.
Não porque elas foram presas, mas pelo fato de que até agora estavam soltas.
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POR José Pires

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Jota e a Lei Seca

sábado, 5 de julho de 2008

Ser ministro de Lula é sempre ter que pedir perdão

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, já havia começado bem, quando antes de assumir o cargo disse que conhecia o Rio de Janeiro, mas não conhecia o Brasil. E Minc continua mantendo o estilo.Tornou histriônico um ministério que deveria atuar sem sensacionalismo, não só por seu delicado papel social de buscar uma harmonia entre o desenvolvimento econômico e a defesa do meio ambiente, mas também pelos inevitáveis conflitos de interesse em torno do assunto que inevitavelmente surgem no governo e em sua base aliada.

Fazendo papel ridículo quando pensa estar sendo corajoso, Minc inevitavelmente teria que acabar batendo de frente com aliados do governo. Primeiramente, seu estilo na verdade é improdutivo. É um jeito de ser equivocado até para um ativista ambiental contrário ao governo. Desse modo, para um ministro acaba sendo um desastre.

Depois, Minc teria que ser muito ingênuo para acreditar que os inimigos do meio ambiente são de fora e não de dentro de um governo, no qual o presidente da República, com uma visão tosca da interrelação entre desenvovimento e meio ambiente, já afirmou que “entre um cerradinho (sic) e soja”, ele fica com a soja.
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POR José Pires

Pedindo arreglo

E pronto, o ministro do Meio Ambiente já está tendo que pedir desculpas pelas cabeçadas. Na terça-feira, ao anunciar o resultado da Operação Engenho Verde, ele disse que o estado é “o desastre do desastre” na questão ambiental. Minc gosta de uma frase feita e aqui bateu um Caetano nele e ele veio com essa, saída obviamente do “avesso do avesso” do compositor.


Com certeza o presidente que, entre a soja e o "cerradinho", fica com a soja, também tem uma preferência entre a usina e a Mata Atlântica ou os rios limpos. Lula, claro, fica com os usineiros. Adivinhe quem deve ter dito à Minc para pedir desculpas?

Mas leia na íntegra a frase do ministro: “Pernambuco é um desastre do desastre. O que ocorre lá é uma lambança generalizada com apoio político e impunidade. Esses usineiros estão na ilegalidade, são uns fora-da-lei. Pernambuco é o pior estado do Brasil na preservação da Mata Atlântica. Não vamos dar sossego para os usineiros com costa quente política. Acabou a moleza”.
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POR José Pires

Ministro ainda tem cura

E o chato é que Minc já teve que pedir desculpas. Fez isso ontem, em carta ao governador de Pernambuco, Eduardo Campos. O presidente que troca a soja pelo “cerradinho” deve estar feliz. Mas o que é pior neste caso é que, apesar do erro no tom, o conteúdo da fala do ministro tem a comprovação na história de depredação ambiental de Pernambuco, feita em conluio entre políticos e principalmente usineiros.

O atual governador deve conhecer bem tal assunto, já que seu grupo político detém o poder político no estado há décadas. Campos é neto de Miguel Arraes e seu grupo não sai do poder, seja no plano federal ou no estadual, há décadas. Sem costa quente na política dificilmente seria possível para os usineiros manterem impune a depredação criminosa do meio ambiente, não só em Pernambuco como em vários estados brasileiros.

Minc, porém, tem o grave defeito de gostar de frases, digamos assim, impactantes. Em todo o restante de sua entrevista, com exceção desta parte que criou um qüiproquó e contaminou todo o discurso, o assunto é exposto com objetividade, condenando a atitude dos usineiros que destroem a Mata Atlântica e rios de Pernambuco, e até destacando o prejuízo internacional que isso pode causar, com danos no esforço do governo Lula para instituir o etanol como um combustível aternativo.

Porém, em vez de fugir do sensacionalismo natural causado pelo assunto, Minc parece fazer questão de aguçar esse lado da notícia. O mais triste neste caso é que tal estilo contribui pouco para desatar o nó criminoso que junta políticos e empresários na destruição do meio ambiente.

Antes de buscar o equilíbrio ambiental, papel de seu ministério, o ministro deveria trabalhar seu próprio equilíbrio. Depois disso talvez consiga algum resultado (sustentado, claro) de suas falas. O efeito mais rápido será o de não ter que pedir desculpas para gente que, na verdade, tem é muita culpa na tragédia ecológica.
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POR José Pires

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Passando serviço

Estou desconfiado de que o governo brasileiro anda terceirizando serviços em nossas relações externas. As notas oficiais sobre a libertação de Ingrid Betancourt parecem ter sido feitas na Venezuela.
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POR José Pires

Em cena os professores de Deus

Política é mesmo o terreno de gente muito especial, de habilidades infinitas e capacidade altamente abrangente. Político faz de tudo; e sempre muito bem, como garantem os marqueteiros. Pois eles não entraram até na sala de cirurgia quando Tancredo Neves ia ser submetido a uma operação? Decerto queriam ajudar os médicos com o bisturi.

Tancredo Neves foi eleito pelo Colégio Eleitoral em 15 de janeiro de 1985 e morreu em 21 de abril do mesmo ano. Acabou indo para a mesa de cirurgia em razão de um tumor infectado. A sala cirúrgica onde o político mineiro iria sofrer a delicada operação ficou cheia de políticos. Em 2005 o filho dele, Tancredo Augusto, contou para o programa Fantástico o seguinte: “Na sala cirúrgica, onde estava tudo isolado, tinha outro circo. Políticos paramentados com roupa de médico para assistir à operação”. Segundo Ronaldo Costa Couto, que conheceu o presidente e escreveu um livro sobre ele, “não há quem tenha pesquisado o assunto que registre menos de 30 pessoas no ambiente cirúrgico, na primeira cirurgia”.

O que faziam lá tantos políticos? Talvez fossem usar suas múltiplas habilidades para salvar o presidente eleito. Sim, pois como já disse, a política atrai gente altamente qualificada em qualquer setor. O político é capaz de dar lições até para Deus.

Falo isso porque os professores de Deus já estão em campo para salvar as cidades. Emprego, saúde, segurança, questões viárias, tudo já está na ponta da língua para convencer os eleitores a dar-lhes o poder municipal para que resolvam afinal, logo, agora, já, neste momento, enfim, para que resolvam a vida de todos.

Estava agora mesmo vendo a verdadeira revolução que ocorre com Marta Suplicy. A candidata à prefeitura de São Paulo estava há poucos dias fazendo uma transformação no turismo. Pegou o cargo animada, com projetos avançadíssimos. O Brasil parecia pronto para ser transformado em um paraíso turístico com a altíssima capacidade da nova ministra.

O ministério em si já é uma exemplar história da concentração de habilidades numa só pessoa. Já foi Ministério de Indústria, Comércio e Turismo, passou a se chamar Ministério do Esporte e Turismo e agora é dedicado apenas ao Turismo, o que deve deve dar uma aliviada nas funções do ministro. Já pensou ter que cuidar, de uma vez, da indústria, do comércio e do turismo? Haja fôlego. É melhor se concentrar no turismo.

Mas Marta Suplicy entrou no ministério em 23 de março de 2007 e saiu em 3 de junho de 2008. Passou apenas um ano transformando o turismo brasileiro e já mudou de ramo. Vejo aqui no noticiário que agora só fala de questões urbanas, mais exatamente dos problemas da cidade de São Paulo. O turismo ficou para trás. Mas não nos preocupemos, não faltarão políticos hábeis no ramo.

Mas eu havia dito que político é uma categoria muito especial, a dos sabe-tudo. E que eles estão em todos os cantos, prometendo mudar o mundo. Para melhor, claro. Então a única razão para que o mundo não melhore só pode ser a má-vontade do resto do mundo, dos que não são políticos. Essa gente não colabora.
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POR José Pires

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Brejal dos Guajas: um clássico... da crítica

Voltemos à obra literária de José Sarney. O ex-presidente (é verdade, ele foi mesmo) brasileiro cultiva veleidades literárias, mas infelizmente tem uma grande dificuldade com as ferramentas do ofício. O resultado é que, vá lá, sua obra é uma hortinha miserável, uma porcaria que causaria vômitos no saudoso Bode Orellana, a criação de Henfil que comia livros.

Sarney é incompetente na escrita e não menos na administração do País. Para quem não se lembra, é o presidente da hiperinflação. No entanto, nesta última atividade a esperteza garantiu para ele e sua gente cinco anos na presidência da República. Ele já vinha de décadas grudado em poderosos e tirando lascas enormes de privilégios para ele e sua família. Faz isso desde a ditadura militar de 1964. Desde então, ele nunca esteve fora de qualquer governo.

E além de servir para ficar rico, o poder de Sarney também garantiu para ele uma certa respeitabilidade na literatura. Uma literatura de conchavos, é verdade, na qual ele ostenta até o discutível galardão da Academia Brasileira de Letras, mas que infelizmente deu a ele um certo status também na literatura. Também nessa área ele soube enganar. Até gente sabidamente culta, como Carlos Castello Branco e até − ai, ai, ai − o respeitado crítico literário Leo Gilson Ribeiro, andou falando bem dos livros dele.

Mas o problema é que Millôr Fernandes resolveu conferir e pegou para ler um romance de Sarney, o "Brejal dos Guajas". E aí escreveu aquela ótima série de críticas de que já falei aqui, em um post abaixo. São demolidoras. Foram publicada em janeiro de 1988 na coluna de Millôr no Jornal do Brasil, um espaço da charge política que o humorista transformou em área altamente inteligente e diversificada. Ali, Millôr fazia de tudo, até charge

Falei aqui de uma dessas colunas, na qual ele prova usando a matemática que Sarney fez a besteira de colocar mais de dez mil pessoas em duas ruas de 120 casas. Esta seria Brejal dos Guajas, que o (arrâm!) escritor pretendia caracterizar como um lugarejo do interior do Maranhão na década de 60. Millôr fez as contas e provou Sarney escreveu uma história em que cada casa teria que abrigar mais de cem pessoas.

Vale a pena ler o texto no qual o humorista revela a besteira de Sarney. Até poderia ser dito que "Brejal dos Guajas" não vale nada, mas não seria de todo correto. O livro é uma porcaria, mas acabou gerando essas maravilhas escritas por Millôr Fernandes. Vai ficar na história só por isso.

Postei em nossos arquivos uma das colunas, exatamente aquela em que ele, de modo inédito, faz crítica literária usando a matemática. Clique aqui para ler. Tive que copiar de “Diário da Nova República, Vol. 3”, livro que tenho desde que foi lançado em 1988, mas a série sobre Brejal dos Guajas foi publicada também em “Crítica da razão impura ou O primado da ignorância”, lançado pela editora L&PM.
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POR José Pires

Tucanices do sul

Tucano, não custa repetir, é um animal político bastante estranho. Criatura mansa e em muitos casos até apática, não é bom na procriação de idéias porque tem um estranho acanhamento em relação aos próprios hábitos. Em razão da timidez também não serve para fazer oposição. E nem vou dizer que o bicho não canta, pois pode parecer perseguição.

Porém, os tucanos sempre tiveram boa fama administrativa, especialmente na contenção de gastos. Estarão perdendo até essas qualidades? É o que parecem indicar as notícias que vêm do Rio Grande do Sul. O estado, que tem a tucana Yeda Crusius no governo, está falido.

Mas a governadora já está dando um jeito na situação de extremo aperto. Yeda Crusius apresentou um projeto de lei que propõe a elevação do salário dela dos atuais R$ 7.140,70 para R$ 17.343,14, uma porretada de 143%. O projeto também prevê aumento para o vice-governador e para os secretários estaduais. Com o aumento de 89%, os salários passam de R$ 6.120 para R$ 11.564.

Claro que a oposição vai dizer que é uma medida impopular, mas temos que ver também o lado positivo da questão. Foi um aumento conquistado sem greve ou qualquer outro movimento reivindicativo, o que assegura que os tucanos mantêm uma outra qualidade histórica. O bicho foi sempre muito ordeiro.
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POR José Pires

O petróleo e o sal são nossos

Agenda do Lula. Hoje à tarde o presidente da República tem reunião com o ministro de Minas e Energia, o inacreditável Edison Lobão. É uma boa ocasião para esclarecer o homem responsável pela energia no País de que a Petrobras ainda é uma estatal.

Lobão, que antes de assumir o ministério fez um intensivo estudo sobre os assuntos de sua pasta com a leitura de jornais, ainda não sabe disso. Lula podia iluminar o impactante ministro: o petróleo é nosso; assim como as toneladas de sal que vão ser uma dificuldade danada para fazê-lo chegar até os postos de gasolina.
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POR José Pires

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Apagão mental nas Minas e Energia

O presidente da República pode até não ser, mas seu governo tem algo de maluco. Seu ministro de Minas e Energia, o inacreditável Edison Lobão, anda defendendo a criação de uma nova empresa estatal para administrar as prometidas novas reservas petrolíferas. Mas você há de perguntar com toda a razão: e a Petrobras?

Acontece que o ministro que responde pela energia no País acha que a Petrobras é privada. “O doutor Gabrielli”, disse Lobão, referindo ao presidente da Petrobras, “é presidente de uma empresa privada. E, portanto, torce pelos interesses dela. A Petrobras tem 60% de capital privado. E eu defendo o interesse do povo brasileiro.”

Não é um papo de gente maluca? Do tipo que não rasga dinheiro, claro, mas nem por isso com menos dificuldade para tratar de coisas sérias. Lobão é aquele ministro que assumiu a pasta afirmando que estava aprendendo bastante sobre energia... pela leitura de jornais.

Apenas leitura de jornais não qualifica ninguém para ministério algum, muito menos para uma pasta complexa como a de Minas e Energias, mas os jornais já informaram bastante que mesmo sendo hoje uma empresa de capital aberto a Petrobras permanece sob o controle do governo. Mas pode ser que isso tenha saído em um dia em que o ministro não leu jornal.
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POR José Pires

Atolado no Brejal dos Guajas

Lobão é do grupo de José Sarney, uma cambada de gente esperta. Mas esperteza não basta para encarar assunto sério. Na política a ladinice é ferramenta suficiente para fazer carreira, subir na vida. Está aí a história do Lula para comprovar. Mas existe uma porção de assuntos em que é preciso muito mais do que manha.

Sarney, chefe do grupo de Lobão, comprova isso duplamente: no sucesso que fez em uma carreira de menor valor intelectual como a política e em outra, a literatura, onde se meteu e se deu mal.

Mas Sarney têm romances até traduzidos no exterior, dirão alguns. Bem, aí entra a esperteza, o uso da relações especiais que abocanhou com a política na alavancada de sua, digamos assim, carreira literária.

Sarney é autor de Brejo dos Guajas, texto que ele chama de romance e que foi demolido por Millôr Fernandes numa crítica engraçadíssima e memorável. Entre tantos graves defeitos técnicos na tosca relação de Sarney com a literatura, Millôr provou de modo inatacável (simplesmente somando!) que o aspirante a literato colocou no romance um lugar com duas ruas de 120 casas e que abrigam uma população de 15.272 pessoas. Desse modo, ele prova que aquilo que o autor pretendia como um lugarejo teria de ser, na verdade, a segunda maior cidade do Maranhão, perdendo apenas para a capital, São Luís.

Millôr analisou Brejal dos Guajas na coluna que fazia no Jornal do Brasil em 1988. Desse modo, um livro que não teria significado algum para a literatura brasileira vai acabar ficando na história. Mesmo sendo uma obra menor acabou gerando um clássico da nossa crítica literária.

“Descoordenado motor (incapaz de se agachar e tirar a etiqueta de um sapato), Sir Ney é mais descoordenado como pensador”, diz Millôr em uma das colunas em que traçou o livro daquele que ele chama também de “o Joyce do dadaísmo”. Foram 12 colunas dissecando a, na falta de outra palavra, obra de Sarney, e provando que a esperteza que garante até a cadeira de presidente da República não basta para transitar em áreas mais sérias como, por exemplo, a literatura.
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POR José Pires

Vista curta

A economia brasileira vive uma situação que é um disparate, fincada em um paradoxo bizarro criado por um governo sem visão de futuro e sem aplicação no estudo e na preparação técnica e intelectual dos brasileiros.

Se a nossa economia não deslanchar, logicamente é um desastre para todos. Porém, mesmo que haja um bom impulso inicial o crescimento pode parar logo à frente, pois não foram criadas condições estruturais para a economia manter um crescimento no longo prazo. Se o País começar a crescer de fato (e não com esses índices estatísticos baseados numa realidade que, em si, é miserável do ponto de vista econômico) será uma corrida de curta distância, sendo que em economia o que vale mesmo é o fôlego de maratonista.

O presidente Lula, que “entre um cerradinho e a soja” fica com a soja, na reveladora fala do chefe-de-gabinete, Gilberto Carvalho, na Veja desta semana, pensa que mira na economia, mas com sua visão oportunista e imediatista não acerta em alvo algum. Muito menos na construção de uma economia sólida. É um líder de vista curta. E, pior para o Brasil, exatamente em uma época na qual os problemas exigem uma visão muito abrangente.

E na torta lógica do pensamento econômico de Lula, que parece acreditar que o desenvolvimento da agricultura exige o desgaste do meio ambiente, ainda está embutido uma besteira sem precedentes, ou só vista no pior e mais ligeiro presidente brasileiro, o Collor de Mello: a da centralização do País nas mãos do presidente da República, do “sujeito que controla tudo com mão-de-ferro o tempo todo”, ainda para ficar na fala do chefe-de-gabinete de Lula, muito reveladora de que, além do atoleiro moral, o Brasil está encalacrado em um atoleiro administrativo.
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POR José Pires

Deu no NYT: o Brasil pode parar

O New York Times publicou uma reportagem nesta quarta-feira que fortalece bastante a apreensão em torno do déficit estrutural do Brasil. É certo que o problema vem de longe, há décadas que não existe preparação do país em área alguma − com exceção da rapinagem, claro, muito bem demonstrada na sofisticação organizacional da quadrilha do “Mensalão”, um exemplo da bem estruturada rede de corrupção brasileira. Mas a coisa piorou bastante nesses quase seis anos sob a visão estreita de Lula e do petismo no governo.

Segundo o jornal norte-americano a falta de mão-de-obra qualificada "ameaça" as metas de crescimento econômico do Brasil. A reportagem foi destacada hoje pelo site da BBC e em outras páginas da internet, ou seja, a notícia corre o mundo, o que só piora a situação.

O texto alerta que os números projetados para o crescimento da nossa economia (de cerca de 5% de agora até 2010 e cerca de 3% e 4% ao ano na década seguinte) batem de frente com “a escassez de mão-de-obra altamente qualificada particularmente engenheiros e técnicos profissionais”. O jornal colheu essa opinião entre empresas e economistas, inclusive alguns do governo.

Também é citado um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), segundo o qual mais da metade de 1.715 empresas pesquisadas em setembro não conseguia contratar os trabalhadores qualificados de que necessitava.

A falta de mão de obra, diz o jornal, se espalha "por diversos setores da indústria", o que só confirma o que qualquer observador atento aqui no Brasil já sabe. Em conversa que tive com técnicos de uma grande estatal na semana passada, colhi deles uma grande preocupação com a defasagem de mão-de-obra qualificada na empresa e em outros setores do Estado brasileiro. Em algumas empresas existe dificuldade até para a reposição do pessoal próximo da aposentadoria.
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POR José Pires

Sucateamento público e privado

Existe uma imensa dificuldade para a reposição de capital intelectual de qualidade, no que falha de forma retumbante nosso sistema universitário, tanto na parte privada quanto na pública, mas a própria qualificação interna, segundo essa fonte, é prejudicada pela forte influência da política dentro das empresas. É uma contaminação da política em setores onde a eficiência técnica é que deveria reger o cotidiano profissional e responder pela ascensão profissional.

Mas isso não é nada inesperado para um país no qual, infelizmente, líderes políticos, a começar pelo presidente da República, se esforçam para acabar com o mérito educacional e profissional com vigorosas pás de cal de assistencialismo, empreguismo e tráfico de influência.

O sucateamento profissional, no entanto, ocorre também na iniciativa privada. Um trecho da reportagem do New York Times é altamente preocupante. Leiam: "A falta de engenheiros civis e de construção ameaça projetos de infra-estrutura; áreas como bancos, fabricação de aviões, petroquímica e metalurgia estão todas competindo pelos melhores graduados; na indústria de petróleo e gás, que experimenta um boom, as empresas estão recorrendo a mão-de-obra estrangeira porque não há brasileiros qualificados suficientes para o trabalho”.
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POR José Pires

Ah, as respostas ao problema

E é claro que o nó (e que nó, parece cego!) do problema é o educacional. Esta é uma questão batida e que já criou aquela unanimidade típica na cultura brasileira: a concordância não contribui necessariamente para a resolução do problema. Todos dizem que educação é tudo, mas ninguém faz nada.

A reportagem assinala que o sistema educacional do Brasil está “em desarranjo”, o que, cá para nós, é até uma forma elegante para definir um problema que talvez exija palavras mais pesadas.

No texto, o New York Times lembra a vergonha que o Brasil passa em qualquer teste de avaliação educacional comparativo com outros países. “Nos testes de desempenho acadêmico realizados a cada três anos pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) com jovens de 15 anos de 57 países”, cita o jornal, “os estudantes brasileiros ficaram na quarta pior colocação em ciências e na terceira pior em matemática".

O problema começa nos bancos escolares, passa pela universidade e já alcançou todos os setores produtivos. E essa falta de qualificação que beira o colapso ainda é agravada por outra, também muito grave: a má qualidade das nossas lideranças, entre os políticos, evidentemente, mas no empresariado e na indústria.

A repercussão da matéria do New York Times junto ao governo, se houver, vai mostrar a visão rasteira que essa gente tem. Lula deve vir com alguma piada tola. É o modo que ele tem para responder aos reais problemas do Brasil.
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POR José Pires

Outdoor sujeira

Em Caxias, no Maranhão, o Ministério Público Estadual usou um outdoor para divulgar uma lista de candidatos com fichas sujas. A ação do Ministério Público foi motivada pela candidatura de um casal de ex-prefeitos do município que responde conjuntamente a 40 processos.

O outdoor foi colocado na frente da sede da promotoria com o nome de 11 ex-administradores públicos e o número de processos nos quais são réus.

Boa medida do Ministério Público do Maranhão, mas se a moda pega vai faltar outdoor no País para fazer o serviço.
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POR José Pires

terça-feira, 1 de julho de 2008

É campeão, é campeão

Mais um título para o Brasil. O Brasil é líder isolado em desmatamento. O país ganha até da Indonésia, que tem a indústria madeireira mais predatória do mundo. A notícia é da Folha de S. Paulo e traz os dados de um estudo norte-americano publicado na revista PNAS. Os números mostram o Brasil como imbatível campeão em área absoluta desmatada e velocidade de devastação.

E não é pra menos. Com o governo Lula fazendo sua parte, fazendeiros, madeireiros, posseiros, grileiros e demais atletas do desmatamento estão dando tudo de si por esse tipo de campeonato. O presidente da República, segundo seu amigo e chefe-de-gabinete, Gilberto Carvalho, tem uma opinião firme sobre meio ambiente. “Entre um cerradinho e a soja”, diz Carvalho em entrevista a Veja desta semana, “ele é soja”.

Com uma política de governo dessas, o resultado só pode ser o de índices recordes de desmatamento.

Segundo o estudo, dirigido por Mathew Hansen, da Universidade do Estado de Dakota do Sul , entre 200 e 2005 o mundo perdeu uma quantidade de floresta tropical equivalente ao estado de São Paulo. E 47% dessa destruição ocorreu no Brasil. O número é quase quatro vezes mais do que o segundo maior desmatador, a Indonésia, com 12,8% do total.

A maior fatia foi no chamado Arco do Desmatamento brasileiro, com especial performance em derrubadas no estado do Mato Grosso, onde reina o governador e fazendeiro Blairo Maggi, aliado do presidente Lula e responsável por boa parte da pressão que levou à queda de Marina Silva do ministério do Meio Ambiente.
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POR José Pires

Batman já vem com o invencível Jabátman

“Batman, o Cavaleiro das Trevas” vem aí. Quantos já são? Quatro ou cinco? O filme ainda está sendo apresentado em pré-estréia para jornalistas em Los Angeles, mas a mídia brasileira já se presta à costumeira vassalagem aos “blockbusters” norte-americanos. Agora, além dos jornais impressos tem também os sites brasileiros para vassalar com antecipação.

Mas tem pagamento, claro. Em forma de anúncios publicitários ou mesmo como propina direta para o editor ou repórter. Para muitos da imprensa periférica do interior do país, não precisa nem jabá: bajulam de graça mesmo. A sabujice com o que há de pior na cultura dos Estados Unidos é um fenômeno na imprensa brasileira. Da música estrangeira ao mais reles produto da indústria cultural, qualquer coisa é incensada nem nenhum senso crítico.

Outros trocam um texto favorável ou mais que isso, adulador mesmo, por uma passagem aérea para Los Angeles com tudo incluído. Não duvido que já tenha jornalista brasileiro por lá, com tudo pago. No caso deste filme, é um Jabátman. E raramente o leitor é avisado que está lendo serviço pago. E os poucos jornais que o fazem avisam só em letras pequenas, diminutas, no final do texto. Para mim, devia ser uma tarja grande, vermelha, igual remédio sob controle, na chamada da matéria. Ou o negócio é mesmo pra enganar o consumidor?

O assunto que dá gancho para as matérias já está definido. É o Coringa, o notório inimigo do Batman, feito pelo ator Heath Ledger, que suicidou-se antes do filme ficar pronto. É um Coringa vestido com desleixo e com a maquiagem toda lambuzada, o batom sujando a boca de lado a lado.

Ficou a cara do nosso Bento Carneiro, feito pelo Chico Anísio, mas você vai ler maravilhas sobre o efeito artístico da coisa. Alguns jornalistas darão até um toque poético ao filme em razão da coincidência com a morte precoce do autor, fato que na verdade não tem significado algum em relação ao filme. Mas eles encontram, pode deixar. O Bento Carneiro do Batman será um sucesso. O Jabátman garante.

Nas imagens acima, não vá confundir: à esquerda o nosso Bento Carneiro; à direita, o lambuzado Coringa, de Batman, que parece um primo rico da criação de Chico Anysio

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POR José Pires

O Brasil fora da internet

A verdade é que a é a realidade brasileira não desmente a esqualidez da nossa cultura e a fraqueza da memória do País. As imagens lá em cima, que ilustram o post sobre o Jabátman são bem ruins por culpa exclusiva do nosso Bento Carneiro.

Na internet tem pouquíssimas imagens dessa genial criação de Chico Anysio. E as poucas que surgem − apareceram menos menos de meia dúzia − são de péssima definição. Já o Bento Carneiro do Batman, o Coringa, tomou a internet em todo o mundo. Tive então que diminuir a imagem do Coringa, perdendo qualidade gráfica.

Culpa da nossa memória, que só lembra da cultura alheia, e já está criando um grande problema para nós na WEB: não tem Brasil na aldeia global.
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POR José Pires

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Há vagas

O Programa Universidade Para Todos, o ProUni, é um dos orgulhos máximos do governo Lula. Perde para poucos nos rituais de auto-louvação de Lula. A suposta qualidade do ProUni, aliás, é uma razão que leva até a lembrarem de vez em quando do nome do ministro da Educação, Fernando Haddad, como um presidenciável.

Pois apesar de toda a propaganda, o Proni, que nada mais é que um instrumento para encher os cofres das universidades privadas, não consegue cumprir suas próprias metas. Das 118.871 bolsas oferecidas para o segundo semestre de 2008, apenas 72.248 candidatos foram contemplados. O programa está com com uma sobra de 46.623 bolsas oferecidas. Isso corresponde a 39,2% do total.
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POR José Pires

Fala o faz-tudo de Lula

A revista Veja desta semana traz uma entrevista com Gilberto Carvalho, chefe-de-gabinete do presidente Lula. Ele é mais que isso, claro. É o faz-tudo de Lula, tem intimidade com o chefe. A entrevista nada traz de novo, a não ser o que pode ser lido nas entrelinhas. Das falas de Carvalho é possível tirar algumas conclusões sobre o governo Lula sendo que a essencial é a visão de um governo pequeno chefiado por um presidente simplório, o que traz poucas perspectivas de qualidade para o País. Mas isso também é apenas a confirmação de algo já bem conhecido.

Sabe-se como é a preparação de uma entrevista para uma publicação importante como Veja. O que o chefe-de-gabinete trouxe para o repórter é o que o governo deseja passar como imagem. E isso torna mais triste ainda a leitura. Eles gostam bastantedo que veêm no espelho.

Não dá para esperar muito de um governante cujo representante diz que ele acha “importante a preservação [ambiental], mas, entre um cerradinho e a soja, ele é soja”. Se Carvalho revela algo assim, evidentemente o pensamento de Lula um motivo de orgulho no governo. O governo petista se baseia, então, em um contrasenso global. Uma bobagem como essa, ideológicamente próxima de um George W. Bush e num nível retórico até mais baixo é a bússola do trabalho cotidiano no Planalto.

Uma declaração importante é que Lula sabe de tudo, controla tudo. É o contrário do que ele afirma sempre que surge uma sujeira que pode afetá-lo. “Ele é um sujeito que controla tudo com mão-de-ferro o tempo todo”, diz Carvalho. Mas isso sempre foi claro para muitos, como eu que, neste mesmo blog, já lamentei bastante que Lula tenha até agora se livrado das responsabilidades sobre boa parte dos escândalos que não cessam de brotar de seu governo. Vale também apenas como confirmação.

Aliás, quanto ao quesito responsabilidade, Carvalho também traz a público a informação de que em 2005 o governo esteve acuado a ponto do então ministro da Fazenda, Antonio Palloci e Márcio Thomaz Bastos (então na Justiça) terem aconselhado Lula a buscar um acordo com a oposição abrindo mão da reeleição em troca do restante do mandato. Mas sobre a iminente queda de Lula também já falávamos na época. Faltou uma oposição de qualidade, falta ainda.

Também é sabido que na época Palloci e Dilma Roussef teriam aconselhado Lula até a renunciar. Logo mais essa história também pode ser confirmada. Quem viver, verá.

Dele mesmo, Gilberto Carvalho falou pouco. O chefe-de-gabinete de Lula foi também homem poderoso da assessoria do prefeito de Santo André, Celso Daniel, assassinado em circunstâncias altamente suspeitas e que se transformou no que Veja chama apropriadamente de “fantasma que continua assombrando o PT”. Mas a fala de Carvalho sobre o assassinato do amigo sai com o tom frio de uma nota oficial. Ele diz o seguinte: “A versão que eu tenho para a morte do Celso é a de dois inquéritos da Polícia Civil de São Paulo. Um crime comum, um assassinato em uma tentativa de assalto. Todo o resto é teoria levantada pela família dele que ninguém jamais conseguiu provar”.
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POR José Pires

Tramando mais um engodo

Os petistas ainda são organizados e mantêm-se com a persistência histórica que os democratas que não rezam pela cartilha do PT bem conhecem. O partido se gaba de muito que não fez e tenta fazer o país esquecer do muito que não foi feito por causa da intransigência petista, ou birra mesmo, numa teimosia que fez muito mais estrago entre os progressistas do que para a direita ou conservadores.

A organização, que teve um de seus braços vitais detectado pela Procuradoria-Geral da República no inquérito do "Mensalão", ainda é viva, muito viva, e parece ter resolvido lá em cima que é o momento de jogar na cena política a estapafúrdia, mas nem por isso menos articulada e cínica, idéia de uma unidade entre o governo Lula e os tucanos. O pano de fundo seria o interesse da Nação.

Para isso, usam também como estandarte a imagem de Lula abraçando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso no velório de Ruth Cardoso. A trama, que, dada a origem, nada tem de surpreendente, nem por isso deixa de ser perversa. É muito feito buscar tirar proveito de um instante de dor.

A manipulação já circula entre os blogs oficialescos, os chapa-brancas da internet encapuzados com a máscara da independência. Independentes nada, só navegam com o sextante apontado para a estrela do poder.

A intenção é malévola. Fazem parecer que existe de fato um aceno para a concórdia. E mais: tentam jogar uma pá de cal no histórico da intransigência petista, tão dura e inconseqüente que não permitiu a unidade nem para a derrota de Paulo Maluf no colégio eleitoral da Ditadura Militar e tampouco buscou ajudar o governo Itamar Franco no delicado período pós-Collor.

Mas a maldade é ainda maior. Acenam de forma enganosa para uma união que sabem improvável para depois acender em praça pública a fogueira da condenação dos adversários pela culpa de não terem colaborado para o impossível.
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POR José Pires

Falsa questão

Falando nisso, sapeando (ou zapeando, tanto faz) pela TV a cabo deparo com um programa de debate sobre a influência das eleições municipais na política nacional, com William Waack como âncora, e lá no meio cai essa retumbante questão sobre o significado que o abraço entre o petista e o tucano poderia ter na política nacional.

Ah, mas valha-me qualquer coisa... Pode ter um grande significado, sim. Dali pode até sair a união entre PT e PSDB. Mas antes é preciso convencer um dos partidos a abrir mão do poder. E quem quiser perder tempo jogando conversa fora pode até debater essa momentosa questão da abdicação do poder por tucanos ou petistas.
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POR José Pires

sexta-feira, 27 de junho de 2008

E a Operação João-de-barro da PF?

Referendo

E essa do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) ameçando pedir o fechamento do Google no Brasil?

Proponho um plebiscito: o brasileiro prefere ficar sem o Google ou sem o Senado? Tenho certeza que nessa o Senado dança.
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POR José Pires

Recreio

Entenda um negócio desses. Nas escolas falta de tudo: material escolar, móveis, computadores, merenda e, claro, professor; em algumas, como é o caso de Brasília, falta até teto nas salas de aulas.

E agora o Governo Lula vai instalar nas escolas máquinas de camisinha. O Brasil só não é engraçado porque infelizmente vivemos dentro da piada.
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POR José Pires