segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Apanhando em casa

Entre os derrotados históricos desta eleição figura com destaque o deputado federal Ciro Gomes. Em Fortaleza, sua candidata e ex-mulher Patricia Saboya ficou em terceiro lugar com 15% dos votos. A petista Luizianne Lins foi reeleita no primeiro turno.

Ciro Gomes evidentemente apostou muito na capital de seu estado, o Ceará, como não podia ser diferente, pois é sua base eleitoral. Na disputa ele até apelou para a grosseria, o que não é novidade vindo dele. Fica para o anedotário político e para a extensa ficha de gafes do deputado a frase em que ele diz que Fortaleza é “um puteiro a céu aberto”.

A derrota acachapante não enterra de vez o sonho de Ciro Gomes em ser presidente da República, mas a situação eleitoral sugere que caso ele resolva disputar tal eleição terá de ter na chapa um vice com uma boa penetração política no Ceará.
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POR José Pires

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Ignorância correta

O pensamento politicamente correto é uma das novidades mais tolas que a esquerda conseguiu implantar mundo afora. No Brasil ainda não pegou de todo, apesar do esforço eleitoreiro de variadas ONGs pretensamente representantes de minorias mas que são, no final, apenas instrumentos de um Poder que busca nessas mesmas minorias um reforço não só em votos, mas também como munição para a intimidação de adversários.

É uma linguagem que adquiriu poder, invertendo lógicas e buscando evitar o aprofundamento de questões até históricas. Elege heróis de um dia para o outro, sem nenhuma preocupação com o aprofundamento intelectual ou, muito menos, em analisar os variados lados da História. A verdade é que tem mais um sentido de seita, de um fanatismo perigoso, com heróis defendidos como santos.

Pela falta de densidade intelectual e mais ainda pelo vitimismo que estimula a ignorância e nega o debate franco, o pensamento polticamente correto merece ir para o lixo da história. Pode demorar um pouco, mas ainda acaba lá.
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POR José Pires

Engolindo o próprio veneno

Mas acaba sendo interessante ver gente que sempre foi da linha de frente do politicamente correto sendo vítima de suas própria ferramentas, digamos assim, conceituais. O escritor português José Saramago é um dos que sempre municiaram bastante o politicamente correto.

Saramago sempre teve na ponta da língua algo para fortalecer esse tipo de discurso, mesmo que para isso tivesse que discorrer sobre fatos completamente fora de seu âmbito político e pessoal. O politicamente correto é assim. Um acontecimento, digamos, na Tailândia, exige de pronto uma opinião sua. E ele dá, claro. Se tiver também um manifesto, nota de repúdio, ou qualquer dessas manifestações fáceis de acatar, logo o politicamente correto assina embaixo, mesmo que seja sobre algo ocorrido nos confins do Afeganistão.

No caso de Saramago, aliás, a coisa é bem interessante, pois revela o politicamente correto como um eficiente escudo até para históricos stalinistas. Em política Saramago é bem lerdo. Largou Fidel Castro apenas em 2003, no episódio do fuzilamento praticamente sumário de três opositores que haviam seqüestrado um barco para fugir de Cuba. Mas no pensamento políticamente correto ele logo embarcou, como uma balsa para fugir da fama de stalinista.

Mas vamos aos problemas que agora Saramago sofre com o politicamente correto. Ele está enfrentando protestos nos Estados Unidos contra sua obra Ensaio Sobre a Cegueira, adaptada recentemente para o cinema. Os protestos contra o filme são liderados pela Federação Nacional dos Cegos, que pretende se manifestar diante dos cinemas, em 21 estados norte-americanos. E não me perguntem se os associados da tal federação viram o filme, pois não seria politicamente correto.

Saramago evidentemente está se saindo bem. Para quem passou mais de quatro décadas defendendo Fidel Castro do imperialismo, sob o fogo da Casa Branca, da CIA, do FBI e até da turma do Kruschev, encarar uma associação de cegos é fichinha.

Ele já disse que o livro, publicado em 1995, na verdade, trata da cegueira sim, mas é da cegueira da razão. Já o presidente da federação que é contrária à obra diz que o filme "retrata os cegos como monstros”.

E Saramago cria frases ótimas para encaixar no debate. Ele é bom nisso. É capaz de construir belas orações até para qualificar o MST, por exemplo, mesmo sem ter informações substanciais sobre o movimento político. Mas vamos ao protesto dos cegos. "A estupidez não discrimina os cegos dos que enxergam", ele disse sobre o episódio.

Mas temos aí uma situação interessante. É o ridículo do politicamente correto elevado a sua máxima potência. E bem que os politicamente corretos merecem. Tanto fizeram que temos aí uma Federação de Cegos querendo decidir o que as pessoas podem ver ou não.
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POR José Pires

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Lulices na crise

Se vivêssemos em outro país o presidente Lula seria um cara muito engraçado. Imaginem como se sente um cidadão de qualquer país europeu quando lê alguma declaração do presidente do Brasil. Na Suiça, por exemplo, Lula deve fazer um bem danado para o fígado.

As falas de Lula devem soar para eles mais ou menos como as de alguns ditadores para nós. Por mais que saibamos dos problemas que são os governos desse tipo de gente – estou falando dos ditadores africanos e também de Lula – sempre tem algo de engraçado no que eles falam. Mesmo os que não tem problema de dicção.

É, mas aqui oo Brasil a graça não é mesma. Esta crise financeira atual, por exemplo, foi desdenhada por semanas pelo Lula. Ele até deu pitaco nas atitudes do governo de George W. Bush. Um europeu deve ter achado hilariante: apenas falando em dinheiro, sem contar os dramas todos em torno do problema, a crise vai ficar para os Estados Unidos em cerca de 700 bilhões de dólares, quase uma vez e meia todo o nosso PIB.

Mas de uma semana para cá Lula se convenceu de que a crise é séria. Está até fazendo reuniões para tratar dela. Mas é claro que dessas reuniões sempre sai algo para o riso de um suíço, um francês, um inglês. Para nós não. Não que não seja engraçado, mas aqui é mais duro de rir dessas bobagens.

O ministro Paulo Bernardo saiu da última reunião em que trataram do assunto dizendo que “Lula mandou cuidar do crédito, pois o Natal já está aí”. Pois é, os especialistas prevêem o pior para a economia mundial, com a concordância de todos que a recessão já chegou e para ficar, sendo que os mais otimistas acreditam que a crise pode durar pelo menos três anos.

E esse governo vem com essa piada: Lula está pensando no peru deste Natal.
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POR José Pires

Desdenhando apoio

“Agora quero que se dane!” Esta foi a reação de Geraldo, o Alckmin, à nota do PSDB em seu apoio. Ué, ele não vai precisar do próprio partido no segundo turno?
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POR José Pires

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

O documento da alckminização

Tenho falado sobre o abandono da candidatura de Geraldo, o Alckmin, por seus companheiros tucanos. É evidente que uma parcela importante do PSDB cansou-se da teimosia de Alckmin e largou ele falando sózinho em seu programa eleitoral. O candidato até já se queixou que sua mulher é a única que está a seu lado.

Pois hoje o partido divulgou uma nota em apoio a candidatura de Geraldo Alckmin à Prefeitura de São Paulo. E com ela documentaram o abandono. Se você quiser ler este estranho documento, clique aqui.
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POR José Pires

Didática

Existe aquela frase simples, mas muito verdadeira, a que diz que “o exemplo vem de cima”. Claro, nossos líderes têm muito a nos ensinar. Pois ontem foi realizada uma festa no Palácio do Planalto que reuniu 300 servidoras para comemorar o Dia da Secretária.

Foi um festão de fazer inveja a aloprado: teve até sorteio de passagens aéreas, hospedagens em hotéis e lingeries. Os brindes foram conseguidos junto a empresas privadas e a organizadora da festa foi Evanise Santos, coordenadora de Relações Públicas da Secretaria de Administração da Casa Civil.

Eu nem sabia que ontem foi o Dia da Secretária. Falha minha, claro. Pois meus parabéns a todas, especialmente para as secretárias do Palácio do Planalto. Parece que estão aprendendo muito com seus chefes.
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POR José Pires

O invocado

O arroubo e coragem do presidente Lula com o presidente George W. Bush são bem conhecidos. Quem não se lembra quando ele disse que um dia acordou "invocado" e ligou para o Bush para dizer umas verdades? E nesta crise financeira, Lula também andou mandando recados e até dando uns pitos em Bush. Pena que foi pela imprensa brasileira, que não chega até a Casa Branca.

Mas, pelo jeito, a valentia de Lula serve apenas para países grandes. No caso dos menores, como é o caso do Equador, o petista não tem voz ativa. Depois de conversar com o petista, o presidente do Equador, Rafael Correa, não recuou em sua decisão de expulsar a construtora Norberto Odebrecht de seu país. E manteve as acusações contra a empresa brasileira sobre "pressões, violações e propinas".

Talvez seja o caso de Lula ligar para o Bush para resolver o imbróglio. Apesar de que resolver problemas com o Equador parece estar mais na alçada do presidente colombiano Álvaro Uribe.
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POR José Pires

Sem plim plim no primeiro turno

A TV Globo parece disposta a reescrever pelo menos um ponto da Lei Eleitoral, o da obrigatoriedade participação de todos os candidatos em debates na televisão. A emissora está cancelando todos os debates deste primeiro turno em cidades com muitos candidatos.

É um direito dela e nisso está muito certa. A profusão de candidatos de partidecos sem representatividade alguma está tirando a seriedade das eleições. Prejudicam até mesmo o Horário Eleitoral Gratuito. E a verdade é que é impossível conseguir qualidade em debate com muitos candidatos – mais de quatro já é problemático; e tem cidades com até nove candidatos.

Agora, independente de resoluções dos tribunais eleitorais, as eleições brasileiras passam a ter regra nova: não há debate na TV Globo no primeiro turno. E isso é um problemão para aqueles candidatos com forte potencial, mas que não conseguem decolar.

Pelo prestígio e alta audiência, os debates nas retransmissoras da TV Globo, foram sempre uma esperança desses candidatos para resolverem seu drama eleitoral e decolar no final da campanha.
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POR José Pires

Enfim só

Alckmin, o Geraldo, andou falando na semana passada que foi abandonado pelo seu partido, o PSDB. O candidato tucano à Prefeitura de São Paulo afirmou que apenas sua mulher, Lu, estava firme na campanha.

Com os novos números do Datafolha, acho bom ele dar uma conferida se também a dona Lu não está dando o pé do ninho.
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POR José Pires

Alckminizado

A expressão “alckminizar” parece que veio mesmo para ficar. O Datafolha de hoje mostra Geraldo, o Alckmin, comendo poeira na pesquisa sobre a disputa pela Prefeitura de São Paulo.

O tucano, que tinha 20% na pesquisa anterior, agora está com 19%. Está bem atrás de Gilberto Kassab, que saltou de 24% para 27%, e de Marta Suplicy, que caiu de 37% para 35%.

A situação de Marta Suplicy também não é boa em um provável segundo turno. Ela, que em pesquisas anteriores ganhava de todos, agora perde para Kassab, com 49% contra 44%, e até para o Chuchu, que no primeiro turno está despencando da cerca. Nesse caso, a petista perde também de 49% a 44%.
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POR José Pires

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Falatório

E Lula assinou o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Podia ficar só nisso, já que não é assunto de sua alçada, mas claro que ele tinha que dar pitaco.

Vamos ao que o Supremo Apedeuta isse: “Quero destacar o imprescindível resgate dos nossos laços substantivos com a África, em particular com a África de língua portuguesa, que para nós representa mais, muito mais do que uma prioridade geopolítica. Diz respeito à nossa alma, à nossa identidade como nação multiétnica e multicultural, ao próprio destino da civilização brasileira”.

Quem será que escreve essas coisas para o Lula ler? Os discursos nunca se atém ao fato. Sempre estão buscando significados pretensamente cultos, como esse de condicionar “o próprio destino da civilização brasileira” a um acordo irrelevante que elimina alguns acentos e traz de volta algumas letras que sequer saíram da nossa língua.

Será que Lula sabe do que se trata? Duvido. Ele é notoriamente ágrafo e, pior, ainda tem orgulho disso. Seria melhor certamente fazer uma verdadeira aproximação cultural de fato entre os países de língua portuguesa − especialmente com Portugal, que tem uma boa indústria editorial − do que mudar acentos, mas isso não é assunto que vá interessar a este governo.

A argumentação que colocaram na boca de Lula também pode nos levar a pensar em um acordo ortográfico com as comunidades indígenas. Esse negócio de "alma", exige um pouco de sangue índio. Claro, se o acordo diz respeito à “nossa identidade como nação multiétnica e multicultural”, temos que criar imediatamente uma relação direta da língua portuguesa com o idioma tupi. Além das outras línguas indígenas, claro.
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POR José Pires

Gag na agenda

Agenda do Lula. Vou falar sobre a de ontem, apenas para dar uma dica ao pessoal de Brasília que sempre dá uma sapeada aqui no blog. Mais cuidado com a agenda do homem, gente. Como escrevi acima, ontem ele assinou o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

Lula assinando Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa? Espera um pouco, aí já nem é mais a piada pronta. Parece seriado americano: já vem com a risada.
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POR José Pires

Condolências

Nem tudo está perdido. Alckmin, o Geraldo, está recebendo importantes solidariedades enquanto sua candidatura rola ladeira abaixo. Ontem a candidata petista Marta Suplicy acusou o PSDB de “fritar” Alckmin e manifestou seu apoio ao tucano nesta hora tão difícil.

Outro que foi a São Paulo dizer umas palavras de amparo à Alckmin foi o governador de Minas Gerais, Aécio Neves. “Obviamente, se nós pensarmos em 2010, temos de pensar em ficar juntos (PSDB e DEM) no segundo turno (em São Paulo), qualquer que seja o resultado”, disse o governador.

Situação grave a de Alckmin com ombros como esses para chorar. Aécio Neves foi um dos que estimularam sua candidatura à prefeitura de São Paulo − com a intenção traiçoeira de atingir o governador José Serra − e agora vem com esse “qualquer que seja o resultado”. Então ele não acredita que Alckmin vai estar lá no segundo turno?

Mas a gafe pode ser em razão da correria do governador de Minas, que percorre o Brasil para aparecer ao lado de candidatos e cevar seu projeto de ser candidato a presidente da República. Então acontecem coisas como essa. Mas ele tem que tomar cuidado. Daí a ir a um enterro e felicitar a viúva é um passo.
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POR José Pires

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Projetando desgraça

Roberto Mangabeira Unger todos conhecem. É o gênio do governo Lula, o homem que o petista escolheu para planejar o futuro. Bem, levando em conta o que Mangabeira planejava no passado, o negócio é torcer contra seus planos atuais.

Apenas para ficar em um exemplo, ele foi coordenador da campanha de Ciro Gomes à Presidência em 2002. Imaginem se desse certo, a catástrofe que seria para o país.

Mangabeira também foi crítico feroz de Lula. Foi ele quem colocou o governo do petista no topo da história nacional da corrupção. Em 2002 ele escreveu o seguinte: “Afirmo que o governo Lula é o mais corrupto de nossa história nacional. Corrupção tanto mais nefasta por servir à compra de congressistas, à politização da Polícia Federal e das agências reguladoras, ao achincalhamento dos partidos políticos e à tentativa de dobrar qualquer instituição do Estado capaz de se contrapor a seus desmandos " .

Nada contra o que ele disse. O problema é que logo depois Mangabeira achou que havia se enganado. Aí virou ministro de Lula, o que comprova que nem sobre o próprio futuro ele tem alguma capacidade de planejamento.

Mas tudo isso parece pouco para o futurista sem passado. Também nessas eleições municipais ele faz questão de fortalecer em seu currículo essa incapacidade tremenda de bolar qualquer coisa de boa para o futuro.

Agora ele está apoiando o senador Marcelo Crivella, para a prefeitura do Rio de Janeiro. Crivella é homem forte da Igreja Universal, além de sobrinho do líder Edir Macedo.

É claro que Mangabeira usou sua grandiloqüência para expressar o apoio à Crivella. Simplicidade absolutamente não é com ele, pois desse modo não seria o homem que planeja levar água da Amazônia para o sudeste do Brasil com seus aquedutos. Vejam o que ele disse: "a proposta do Crivella para o Rio é um paradigma para o modelo de desenvolvimento nacional".

Bem, se alguém ainda tinha dúvida sobre o perigo das idéias futuristas do ministro Mangabeira, agora não tem mais porque duvidar que caminhar com ele é se arriscar a ir para o abismo. Quem admira um paradigma desses, só pode estar projetando desastres futuros.
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POR José Pires

sábado, 27 de setembro de 2008

Neologismo tucano

Era mesmo quente a antecipação dos dados do Ibope da Rede Globo: a campanha de Alckmin, o Geraldo, que já estava derrapando, agora vai de ré. Os números são os que antecipei abaixo. Juntando aos do Datafolha, dá para concluir que o Chuchu está caindo da cerca.

Existe a possibilidade do grande vencedor da eleição para a prefeitura de São Paulo nem ir ao segundo turno. Tucano canta? Pois o candidato tucano já entrou na peleja cantando vitória. Temos aí uma lição velha, com uma ave nova: não pra dá contar com o ovo, se ele ainda está naquele lugar do tucano.

Mas Geraldo, o Alckmin, ainda pode marcar profundamente a nossa política. Vai acabar gerando um neologismo que pode pegar. Será o verbo “alckminizar”. E o interessante é que a nova expressão vai desbancar outra, de maior peso histórico.

A expressão que Alckmin pode desbancar é “cristianização”, que vem de uma traição feita com o político mineiro Cristiano Machado na eleição presidencial de 1950.

Getúlio Vargas era candidato pelo PTB, em forte aliança com o PSP de Adhemar de Barros. Cristiano Machado saiu pelo PSD. Antevendo a inevitável derrota do candidato do PSD, as lideranças do partido abandonaram Cristiano Machado e passaram a apoiar Vargas publicamente.

O resto é História. Getúlio Vargas foi eleito e da traição nasceu a expressão “cristianizar”, que é o que ocorre quando os aliados de um candidato o abandonam por outro com melhores chances de vitória.

A política brasileira precisa mesmo se renovar. Com o abandono da candidatura tucana, que agora deve se acelerar, será muito bem-vinda a expressão “alckminizar”. E que beleza que o primeiro a ser “alckminizado” seja o próprio Alckmin.
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POR José Pires

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Chuchu em baixa

E o Datafolha também publica amanhã uma má notícia para o Geraldo, também conhecido como Alckmin. Sairá na Folha de S. Paulo. O tucano está caindo pelas tabelas. Ele tinha 22% e agora escorregou para trás: retrocedeu para 20%. Só pode ser efeito dos deslizes da última semana. Quem bate nos seus acorda de moral roxa (uopa, essa é minha!).

Gilberto Kassab estava com 22% e avançou para 24%. Já com Marta Suplicy, parece que o eleitorado está paradão na belezura: ela está nos mesmos 37% de antes.
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POR José Pires

Estranho no ninho

Logo mais o Jornal Nacional, da Rede Globo, traz más notícia para Alckmin, o Geraldo. Segundo o que já corre pela internet a pesquisa Ibope para a eleição à prefeitura de São Paulo coloca o tucano atrás de Gilberto Kassab.

Kassab foi para 25% e Alckmin baixou para 20%. Na pesquisa anterior, ambos tinham 21%. Marta Suplicy estacionou em 35%. A margem de erro é de dois pontos.

Com essa nova paulada em sua candidatura, Geraldo, o Alckmin, que se sente traído por todos no ninho tucano, pode radicalizar de vez: deve pedir a expulsão de FHC e José Serra.
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POR José Pires

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Sonhando longe

Marta Suplicy disse que sonha ser presidente da República um dia. Bem, a gente torce para que este pesadelo nunca se realize.
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POR José Pires

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Cacicando o ninho

Pelo jeito, Alckmin está alcançando o que queria, e evidentemente não é a prefeitura de São Paulo, pois neste caso criou uma situação política sem saída para ele: talvez nem vá para o segundo turno, mas caso haja um impoderável empurrão de São Josemaria Escrivá (o santo fundador do Opus Dei e autor do livro de cabeceira do tucano) e ele vá para o segundo turno com Marta Suplicy, tudo indica que perde a disputa. E nem se pode dizer que a causa seja o fato do tucano ter queimado pontes: ele sequer se preocupou em construí-las. O projeto sempre foi outro.

O que Alckmin quer é o domínio do PSDB por um pensamento conservador e até clientelista. E está conseguindo disseminar esta idéia até no plano nacional.

Ontem ele conseguiu o apoio do governador Aécio Neves para este trabalho de transformação de vez do ninho tucano em um ninho de caciques. O governador de Minas interferiu na questão paulista com uma retórica de "unidade", mas explícitamente favorável à posição de Alckmin.

Preste atenção em uma fala de Aécio Neves, nela está o ideário que pretendem impor na política. Está em uma alusão maldosa a Clóvis Carvalho, fundador do PSDB, ministro importante de FHC e hoje secretário de Governo de Kassab, na prefeitura de São Paulo.

Na semana passada, em uma entrevista a Folha de S. Paulo, Carvalho cobrou compostura de Alckmin e condenou seus ataques ao governo Kassab, uma gestão que também é dos tucanos.

Vejam a fala de Aécio Neves: "Vejo muitos atores, inclusive secundários da vida política do partido, que nem sequer detêm mandato, jamais disputaram eleição, entrando numa discussão que, repito, não atende ao interesse maior do partido".

Entendeu o recado caro leitor e eleitor? É o que Alckmin e Aécio Neves querem. O poder nos partidos, inclusive na definição de rumos ideológicos e políticos, tem que estar nas mãos dos caciques, do pessoal com poder de barganha por meio dos mandatos. Quem não disputa eleição não tem direito à fala. Bem, isso tira fora do jogo o essencial da política. Pensando bem, tira até o eleitor. A partir desta visão, qualquer um que não tiver mandado serve apenas como massa de manobra.

É esse o objetivo dessa gente, muito mais do que esta ou aquela prefeitura. É a determinação de um poder de mando nas mãos dos políticos, especialmente os de carreira, aqueles que "detêm mandato", como diz o governador.

Tirando o fato de que quanto a mandatos Aécio Neves deveria dobrar a língua, pois além de não levar essa, Alckmin não tem mandato há anos, o projeto partidário dos dois é mesmo para revolucionar o PSDB. De tucano, o partido só vai ter as penas dos caciques.
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POR José Pires

Justiça entre compadres

E não é que o negócio deu certo? Pois é, os metalúrgicos companheiros de Lula durante os tempos de sindicalista no ABC vão receber indenização. 39 deles vão ganhar, além da indenização, uma pensão mensal. A conta é alta: vai ficar, em média, em R$ 264 mil para 27 deles. E tem mais R$ 2.078 por mês para cada um.

No total, como disse ontem, foram julgados 41 processos. Dois vão ser melhor analisados pela Comissão de Anistia, mas é difícil que não sejam atendidos, a julgar pelo nível de compadrio perceptível nas palavras do presidente da Comissão, Paulo Abrão. Bem, de uma Comissão desse tipo, em um país sério seria exigido um alto grau de independência em relação ao objeto de julgamento. Não é o que se vê.

Ao contrário, parece coisa de compadres. Leia a declaração do presidente da Comissão e julgue se não tenho razão: “Embora tardiamente, fizemos alguma justiça com a peãozada do ABC. Foi uma coincidência histórica muito grande eles terem sido anistiados exatamente neste governo do antigo companheiro de lutas deles”.
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POR José Pires

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Cofrinho

Fala-se o tempo todo o termo " sangrar os cofres do Estado", pois o custo das indenizações a supostos combatentes da ditadura já pesa bastante, a chamada Bolsa-Ditadura. No ano passado foram gastos R$ 2,4 bilhões com o pagamento dos benefícios. Dessa parte, R$ 278,5 milhões são em gastos fixos, com a pensão aos anistiados.

E no dia de hoje a Bolsa-Ditadura pode crescer mais. 41 companheiros do presidente Lula em sua época sindical reivindicam a sua parte no quinhão. Os ex-sindicalistas alegam que foram perseguidos e perderam emprego na época. Os valores, em média, que cada um quer receber é uma prestação mensal de R$ 2,5 mil. É bom lembrar aqui que nenhum desses 41 sequer foi preso ou sofreu tortura.

Agora é esperar o resultado. A audiência acontece hoje na Câmara Municipal de São Bernardo do Campo e o lugar é excelente, bem simbólico. Foi ali que se deram os famosos acontecimentos que depois transformaram Lula em lenda.

Lula já tem sua pensão pela "luta contra a ditadura". No final, o negócio deu dinheiro. O julgamento de hoje, que decide sobre a pensão dos 41 companheiros de Lula é mais um passo para a desmoralização da esquerda em nossa história recente. Não era ideologia nem respeito à democracia que movia essa gente.

Hoje a causa é vista como algo assim como tirar uma graninha do FGTS.
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POR José Pires

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Pelas costas

Todo mundo está estranhando bastante que Geraldo, o Alckmin,esteja atacando Gilberto Kassab em vez de atacar a petista Marta Suplicy. O candidato tucano bate firme no candidato do DEM, uma situação bem estranha, pois os dois partidos são aliados históricos e, na prefeitura de São paulo, fazem um governo de coalizão como nunca existiu na cidade.

Mas porque estranhar Alckmin, o Geraldo, batendo em Kassab? Se ele batesse na Marta Suplicy estaria praticando um ineditismo na história mundial: seria a primeira vez que um quinta-coluna estaria atacando o inimigo.
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POR José Pires

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Olha a crise aí gente

O mundo treme com a crise nos mercados globais. A crise abala os Estados Unidos, já chega à Comunidade Européia, Japão e também atingiu a Rússia: as bolsas russas pararam e só retomarão negócios amanhã.

Não é preciso ser especialista em economia para saber que estamos vendo uma bolha que se esvazia. E a relativa estabilidade econômica do Brasil até agora, nste período Lula, é a facilidade dessa maré mansa. Bem, se até o Federal Reserve (o BC dos Estados Unidos) é obrigado a intervir, então é problema dos grandes. O furacão está aí.
A crise financeira fatalmente levará à crise econômica. Mas o Brasil está salvo. O ministro da Fazenda, Guido Mantega achou até com uma imagem grosseira para firmar uma suposta boa posição econômica do país, veio com aquela de o Brasil “não estar de quatro”.

De quatro? Está saindo ao Lula, o que é mau sinal. O especialista é que deve influenciar o leigo e não o contrário. Na vida, quando acontece do leigo predominar o que ocorre é contaminação. Isso é sempre ruim e em economia um pouco pior.

O leigo Lula em economia toca de ouvido. Como faz em tudo, aliás, e nesta área também desafina. Popularidade não acalma mercados. Lula garante que o Brasil está bem blindado contra a crise que já bate à porta. Até disse que quem tem que se preocupar com o problema é o Bush.

Então está bem. Sei que é pedir demais, pois áulico não pode ir além de seu papel que é o de juntar uma mão à outra nas palmas cotidianas, mas alguém devia dizer ao Lula que o Bolsa-Família não dá para todos os brasileiros.
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POR José Pires

Fazendo bico na crise alheia

O governo Lula é mesmo um assombro. Nelson Jobim foi chamado às pressas para resolver o caos aéreo. A crise foi apenas amaciada e pode voltar com toda força. E como o Brasil tem uma dificuldade danada para acordar de vez para seus problemas, devem estar esperando outro avião cair para despertar para a necessidade de medidas mais sérias.

Mas Lula nomeou Nelson Jobim ministro da Defesa para acabar com o caos aéreo. Ele nada resolveu. E está agora metido na confusão da Polícia Federal e da Abin, dois organismos com o qual a Defesa nada tem a ver. A gente só não se espanta porque o assombro neste país já é coisa natural.
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POR José Pires

Intrusivos

Pronto, com a nota publicada abaixo sobre a atitude de Marta Suplicy na reunião com os pastores, logo mais entra algum tucano fanático – tucano alckmista, os mais fanáticos; e ainda dizem que usam cilício −, mas, voltando, logo entra um tucano fanático no blog e posta um comentário afirmando que sou petista.
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POR José Pires

Atitude de verdade

Dos candidatos a prefeito pelo Brasil afora, Marta Suplicy é uma que tem o slogan bem verdadeiro. Ela é a candidata com atitude. E aí o marqueteiro acertou. Se é que isso é coisa de marqueteiro, pois a petista tem tamanha atitude que não me surpreenderia saber que o slogan foi criado por ela.

Quem acompanha este blog sabe que a candidata petista à prefeitura de São Paulo representa forças políticas que têm toda a minha contrariedade. Mas ontem, em encontro com pastores da Igreja Batista de São Paulo, em um grupo que representava 540 igrejas, ela teve um posicionamento admirável.

Os pastores queriam apoio contra um projeto em tramitação no Congresso que criminaliza a homofobia. Para eles, com a aprovação da proposta eles ficariam impedidos de pregar contra a homossexualidade. Não me perguntem se esses pastores não têm mais o que fazer, problemas urgentes para se ocupar, talvez até em quastões sociais de São Paulo; vamos logo ao que disse Marta Suplicy.

"Se for para xingar homossexual, dizer que é doente, desacatar, sou contra. Com toda a minha formação de psicanalista e na área de sexualidade, não posso ser a favor. Se eu respondi, está respondido, se querem mais detalhes, tenho de ler o projeto”, ela disse.

Mas é claro que os pastores não descansaram. Perguntaram novamente e receberam outra resposta franca: “Não sou eu que vou votar [a lei], mas minha opinião vocês têm de ter: não sou a favor disso, gente, não sou! Tenho de deixar isso claro”.

Segundo o jornal O Globo, houve um constrangimento na platéia, reação óbvia, já que esse pessoal está acostumando ao “sim senhor” costumeiro de candidatos que fazem tudo pelo seu apoio.

“Nós temos de ter coerência com o que a gente é, com o que a gente vive e com a vida da gente. De mim, vocês nunca vão encontrar evasivas”, disse a candidata petista, que ainda foi perguntada por um dos pastores sobre “investimento em espiritualidade”, o que a levou a fazer uma bela declaração em defesa da escola laica.

“O mesmo respeito que temos em relação à religião, temos que ter em relação à raça, à sexualidade, em relação às diferenças. As pessoas não são iguais. Não nascemos iguais”, ela declarou.

Pesa contra Marta Suplicy o fato de ela ser uma influente liderança de um partido que, no poder, fortaleceu enormemente um grupo religioso como a Igreja Universal de Edir Macedo, apoiando inclusive seu crescimento político e econômico que ocorre cercado de suspeitas, até com denúncias de que isso tem sido alcançado com procedimento ilegais. A bancada da Universal, que tem pouco respeito pelo laicismo, para dizer o menos, é hoje bem próxima do governo e, pelo jeito, bastante ligada ao próprio presidente Lula.

Mas isso não altera o fato de que sua atitude é surpreendente, admirável até. Ainda mais levando em consideração que ela disputa uma eleição bastante difícil. A verdade é que se os políticos agissem sempre desse modo sincero, talvez a política brasileira não estivesse tão desacreditada. Pode ser até que a política servisse para alguma coisa de qualidade.
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POR José Pires